Leia
nesta edição:
- CNJ reúne setor da saúde
para discutir demandas judiciais
- Comissão sobre combate às
drogas avalia roteiro de trabalho
- ANS abrirá consulta pública sobre padrão
TISS
- OMS agora
admite riscos de câncer por uso de celulares
- Butantã quer fornecer vacinas para Fundação
Bill e Melinda Gates
- Busca pela cura antes de adoecer
- Confederação Nacional de Saúde: Circular
Jurídico 051/2011
- Deputados
poderão participar de grupo de trabalho sobre
patentes de remédios
Quarta-feira, 01.06.11
Saúde
Business Web
CNJ
reúne setor da saúde
para discutir demandas judiciais
O Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) abre, na próxima
quinta-feira (02), reunião técnica de dois dias
com representantes dos comitês gestores que integram o
Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde,
o chamado Fórum da Saúde.
A reunião contará também com a presença
de membros do Ministério da Saúde, das secretarias
estaduais de Saúde e dos corregedores das justiças
estadual e federal. O objetivo é discutir a melhor forma
de se resolver as demandas judiciais – processos relacionados
a este setor em tramitação nos tribunais, que atualmente
correspondem a mais de 240 mil (240.980 no total).
Programada
para ser realizada na sede do Conselho da Justiça
Federal (CJF), em Brasília (localizado no Setor de Clubes
Esportivos Sul), a reunião definirá também
planos de trabalho e estratégias de atuação
do Fórum – criado pelo CNJ para monitorar as demandas
judiciais que envolvem assistência à saúde
e propor medidas concretas para a solução dos conflitos.
Dentre os
temas a serem abordados, destacam-se o direito constitucional à saúde,
bem como limites de jurisdição e deveres dos gestores
públicos e privados no tocante à prestação
de um bom atendimento à comunidade.
Medidas
práticas
De acordo
com a coordenação do fórum, a
discussão sobre a resolução destes tipos
de demandas já tem apresentado medidas práticas,
como a criação de núcleos de plantões
judiciais para subsidiar os magistrados durante suas decisões
em relação a tais casos, nos estados do Rio de
Janeiro e da Bahia. E, também, por meio da realização
de reuniões estaduais para discutir a questão.
Destas reuniões, já foram realizadas duas – no
Rio Grande do Sul e em Goiás – e estão sendo
programadas outras três, em Minas Gerais, Mato Grosso e
Ceará.
Conforme
dados do CNJ, a maior parte das demandas judiciais de saúde é referente a reclamações
de pessoas que reivindicam na Justiça acesso a medicamentos
e a procedimentos médicos pelo Sistema Único de
Saúde (SUS), além de vagas em hospitais públicos
e ações diversas movidas por usuários de
seguros e planos privados junto ao setor.
Desde maio
do ano passado, o CNJ acompanha e monitora estes dados dos
tribunais,
por meio do Fórum da Saúde.
O Fórum tem a proposta de contribuir para a formulação
de novas políticas públicas para a área,
de forma a permitir a resolução desses conflitos
judiciais da melhor forma possível. O Fórum da
Saúde do C NJ é integrado pelos conselheiros Marcelo
Nobre, Milton Nobre e Nelson Tomaz Braga. Tem como coordenador,
o conselheiro Milton Nobre.
Agência Câmara de Notícias
Comissão sobre combate às
drogas avalia roteiro de trabalho
A comissão especial criada pela Câmara para propor
políticas públicas de combate e prevenção
ao crack e outras drogas se reúne hoje para avaliar seu
roteiro de trabalho.
Na semana
passada, a comissão decidiu realizar reuniões
em Alagoas e no Piauí, nos dias 9 e 10 de junho, respectivamente.
Os deputados vão visitar comunidades terapêuticas
que realizam trabalho de recuperação de dependentes.
No último dia 19, intregrantes da comissão estiveram
em São Paulo e visitaram a Cracolândia.
Em 15 de
junho, será lançado no portal e-Democracia
uma comunidade virtual sobre o combate às drogas. Trata-se
de um instrumento de participação popular digital
da Câmara que irá abordar o trabalho que está sendo
realizado visando combater o consumo de drogas.
A reunião será realizada às 14h30, no Plenário
11.
Saúde
Business Web
ANS
abrirá consulta pública sobre padrão
TISS
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) iniciará no
dia 7 de junho a Consulta Pública nº 43 que apresenta
propostas de resolução normativa e de instrução
normativa sobre a atualização do Padrão
Obrigatório para a Troca de Informações
na Saúde Suplementar (Padrão TISS).
De acordo
com o órgão regulador, a população
poderá participar da consulta pública, resultado
da oficina de trabalho realizada em setembro de 2009, das propostas
identificadas nos grupos técnicos do Comitê de Padronização
de Informação da Saúde Suplementar (COPISS)
e da área técnica da ANS, cujas principais alterações
são:
• No componente de conteúdo e estrutura, padroniza-se
as guias de solicitação de quimioterapia, radioterapia
e de órteses e próteses, os formulários
de revisão de glosas do pagamento, bem como ajustes nas
guias existentes;
• No componente de representação de conceitos
em saúde, unificam-se os termos utilizados na troca de
informações, com ampliação da Terminologia
Unificada da Saúde Suplementar (TUSS). À TUSS existente
são agregados novos termos de forma a contemplar 108.160
termos utilizados na Saúde Suplementar. Dentre estes,
têm-se procedimentos e eventos em saúde (5.603),
materiais, órteses e próteses (77.150), medicamentos
(21.592), diárias, taxas e gases medicinais (2.831) e
as demais terminologias que caracterizam o atendimento com cerca
de 984 termos;
• No componente de segurança e privacidade atualizam-se
as referências adotadas: a Medida Provisória 2.200-2,
Conselho Federal de Medicina (CFM), e os manuais de orientações
da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
(SBIS).
• O componente de comunicação foi alterado
para refletir os padrões acima citados, mantendo-se a
linguagem de marcação de dados XML (Extensible
Markup Language).
A nova resolução normativa revogará a RN
153, de 28 de maio de 2007, e tratará ainda da disponibilidade
ao beneficiário das suas informações de
atenção à saúde; do envio dos dados
do Padrão TISS à ANS; do monitoramento TISS e de
uma rotina automatizada para dispor e manter o padrão
TISS no site da ANS.
Correio Braziliense
OMS
agora admite riscos de câncer por uso de celulares
Depois de
revisar centenas de estudos sobre o potencial carcinogênico
da radiação emitida pelos telefones móveis,
entidade emite comunicado definindo os aparelhos sem fio como
arriscados
Por Paloma Oliveto
O Ministério da Saúde adverte: esse produto causa
câncer.” A frase, que estampa as carteiras de cigarro
em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, poderá,
um dia, constar nas caixas de aparelhos celulares. Desde que
esses telefones se tornaram populares, na década de 1990,
vários estudos divergem entre associar a radiação
emitida por radiofrequência ao surgimento de tumores e
negar qualquer problema do tipo. Agora, a Organização
Mundial de Saúde (OMS) entrou na briga e lançou
um comunicado no qual estabelece os celulares como possível
agente cancerígeno em humanos.
A inclusão do celular no grupo 2B (veja quadro) foi decidida
depois de uma reunião da Agência Internacional para
Pesquisa do Câncer, órgão da OMS, encerrada
ontem. Trinta e um cientistas se encontraram em Lyon, na França,
e formaram um grupo de trabalho para discutir o potencial cancerígeno
de aparelhos sem fio, que emitem radiação por radiofrequência.
Depois de analisar o resultado de centenas de estudos, eles decidiram
que “pode haver algum risco e, por isso, precisamos vigiar
de perto a ligação entre celulares e câncer”,
segundo o comunicado divulgado à imprensa.
O alerta,
por enquanto, refere-se a tumores malignos de cérebro
e do nervo auditivo. Os cientistas consideraram que seria inadequado
ampliar as conclusões para outros tipos de cânceres. “O
grupo de trabalho não quantificou o risco, mas um estudo
sobre o uso de celular no passado (até 2004) mostrou um
aumento de 40% no risco para glioma (câncer no cérebro)
nos usuários ‘pesados’, que usaram o aparelho
mais de 30 minutos por dia ao longo de 10 anos”, diz o
comunicado.
O documento
significa uma mudança na postura da OMS,
que, até o ano passado, considerava que não havia
evidências para vincular o uso de celular ao risco de câncer.
Em um comunicado de maio de 2010, a organização
afirmou que “até agora, nenhum efeito adverso à saúde
foi associado ao telefone celular”. Também alertou,
contudo, que estudos estavam sendo feitos para verificar o potencial
maléfico do uso do aparelho e que, devido ao grande número
de usuários — 5 bilhões, sendo 94 milhões
no Brasil —, era “importante investigar, entender
e monitorar qualquer impacto em potencial à saúde
pública”.
A comunicação por aparelho celular se dá pela
transmissão de ondas de rádio por meio de uma rede
de antenas. Os telefones operam em frequências entre 450
e 2,7 mil megahertz, com picos que variam entre 0,1 e 2 watts
de potência. Como comparação, os microfones
profissionais sem fio emitem ondas entre 174 e 216 megahertz.
A energia só é transmitida quando o aparelho está ligado
e, ao se afastar do equipamento, o usuário diminui instantaneamente
a exposição. A radiação eletromagnética é diferente
daquela emitida pelos raios X, portanto, não bombardeia
o organismo com íons — mas aquece os tecidos do
corpo.
Proteção
Uma pessoa
que opera o celular entre 30cm e 40cm distante da cabeça — por exemplo, digitando uma mensagem de
texto, acessando a internet ou ativando o modo alto-falante — ficará,
consequentemente, menos exposta ao campo magnético que
aquela que usa o celular posicionado diretamente no ouvido. Uma
forma de se proteger, de acordo com a OMS, é limitar o
número e a duração das chamadas. O uso do
telefone em áreas com boa recepção também
diminui a exposição, mas equipamentos desenhados
para diminuir a exposição à radiofrequência,
como os fones de ouvido, não se mostraram efetivos ainda.
Em nota à imprensa, os fabricantes de celular responderam à avaliação
da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer
(Iarc). “A Iarc apenas concluiu que ainda há a possibilidade
de que os campos de radiofrequência sejam carcinogênicos
e identificou áreas para pesquisas adicionais. A Iarc
avaliou apenas a possibilidade de risco, e não o risco
real em uso normal. Essa avaliação agora será considerada
pelas autoridades de saúde, que vão determinar
o seu impacto em geral”, disse Michael Milligan, secretário-geral
do Mobile Manufacturers Forum (MMF). Ele também afirmou
que, “além de operar dentro de limites de exposição,
os telefones celulares são desenvolvidos para garantir
que estejam sempre operando no nível mínimo para
fazer uma chamada telefônica de qualidade”.
De acordo
com Nora D. Volkow, pesquisadora dos Institutos Nacionais de
Saúde dos Estados Unidos em Bethesda, o aumento do
uso dos aparelhos celulares tem preocupado os cientistas a respeito
dos efeitos maléficos da exposição a campos
eletromagnéticos de radiofrequência modulada. Ela é a
principal autora de um estudo publicado em fevereiro no jornal
da Academia Médica Americana, que investigou os efeitos
dessa radiação no cérebro. Volkow diz que
uma pesquisa preliminar mostrou que o uso do aparelho por 50
minutos está associado a uma modificação
na atividade cerebral.
Embora a
médica afirme que a literatura que vincula o
celular ao risco de câncer no órgão seja
inconsistente, ela diz que há evidências de que
o cérebro é sensível aos efeitos da radiofrequência
resultante da exposição ao celular. “O metabolismo
em uma área próxima à antena do celular,
o córtex orbitofrontal, foi significativamente maior em
pessoas que usam o aparelho por tempo prolongado”, disse
a especialista ao Correio. “Embora nosso resultado não
tenha evidenciado diretamente o potencial carcinogênico
do celular, mais estudos epidemiológicos de longo prazo
podem comprovar essa associação.”
A questão, reconhece Volkow, continua polêmica,
apesar do aviso da OMS. Cinco dias antes de a cientista publicar
seu estudo, uma outra pesquisa, da Universidade de Manchester,
negou que o aparelho celular cause efeitos no cérebro,
especificamente, no caso do câncer. Com base em estatísticas
do órgão oficial de saúde da Inglaterra,
os cientistas analisaram a incidência de novos casos de
câncer cerebral no país entre 1998 e 2007. Publicado
no jornal especializado Bioelectromagnetics, o artigo mostrou
que não havia mudanças significativas na incidência
desse tipo de tumor durante os nove anos de observações.
Frank de
Vocht, especialista em saúde ocupacional e ambiental
e principal autor do estudo, conta ao Correio que, enquanto no
período estudado o uso de celular passou de 0% (sem estatística
significativa) para 65%, os casos de câncer no lobo temporal
tiveram um aumento mínimo, de 0,6 caso em cada 100 mil
habitantes, ou 31 diagnósticos novos por ano em uma população
de 52 milhões, o que seria muito pouco.
Sem
pânico
A chefe da área de câncer ocupacional e ambiental
do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Ubirani Otero,
diz que o comunicado da OMS não deve ser motivo de pânico,
mas serve como um alerta para evitar possíveis abusos
no uso do equipamento. “É um avanço da OMS,
embora o fato de esse tipo de radiação ter sido
classificado no grupo 2B signifique que há uma possibilidade
de causar câncer, e não de que reconhecidamente
cause câncer”, explica. “Mas é um alerta
importante, principalmente no Brasil, um dos poucos países
onde não há orientação sobre os riscos
da radiação por radiofrequência”, afirma.
De acordo
com ela, como não há comprovação
entre o uso de celular e o risco de câncer cerebral, também é impossível
definir um “uso seguro”. Isso não impede,
porém, que as pessoas procurem restringir a exposição
ao mínimo necessário. “As crianças
e os adolescentes ficam pendurados no telefone, é preciso
minimizar a exposição. Além do câncer,
a radiação pode causar outros efeitos no cérebro,
como diminuição da memória e da concentração”,
diz. Lembrando que os tumores malignos não surgem da noite
para o dia, mas se desenvolvem lentamente, a médica ressalta
a importância de se “trabalhar hoje para evitar risco
futuro”. “O celular garantiu aos pobres e ricos o
acesso à informação e isso é uma
coisa importantíssima. Então, não é preciso
pânico, mas temos de reconhecer que pode haver riscos.
Por isso, recomendo parcimônia no uso.”
Classificação
do perigo
A Organização Mundial de Saúde define os
agentes carcinogênicos em grupos e subgrupos:
Grupo 1
O agente é carcinogênico em humanos. Isso significa
que há provas suficientes para classificá-lo desse
modo. Inclui-se na categoria o cigarro.
Grupo 2
Baseia-se
em graus de evidência e se divide em 2A e 2B.
No primeiro caso, há provas limitadas do potencial cancerígeno
em humanos e provas suficientes em animais. No segundo caso,
em que se inclui agora a radiofrequência emitida por celular,
há provas limitadas em humanos e poucas em animais.
Grupo 3
As evidências são
muito fracas em humanos e limitadas em experimentos animais,
exigindo-se mais pesquisas.
Grupo 4
Há provas consistentes de que o agente não é carcinogênico.
Folha
de São
Paulo
Butantã quer fornecer vacinas para Fundação
Bill e Melinda Gates
ONG
busca parceiros no país para produzir injeções
a baixo custo
DE SÃO
PAULO
A Fundação Bill e Melinda Gates, do fundador da
Microsoft, está negociando parcerias com o Instituto Butantã,
de São Paulo, e a Bio-Manguinhos, da Fiocruz (Fundação
Oswaldo Cruz), no Rio.
O objetivo é produzir vacinas no Brasil a baixo custo
e depois repassá-las a países subdesenvolvidos.
Ontem foi
o último dia para que as instituições
procuradas pela fundação Gates entregassem um relatório
sobre sua capacidade de suprir o pedido feito a elas.
O Butantã confirma
que entregou o documento dentro do prazo.
Segundo Jorge
Kalil, diretor do Instituto Butantã, a
fundação Gates pediu cerca de 30 milhões
de doses de uma vacina pentavalente, que será desenvolvida
em parceria com a Fiocruz e deve proteger contra difteria, tétano,
coqueluche, hepatite B e hemófilo B (causador de meningite
e outras doenças).
Kalil afirma
que a proposta do Butantã é fornecer
até 100 milhões de doses. Cada uma custará US$
1,50 (R$ 2,35), e a produção deve ser entregue
em 2014.
Correio Braziliense
Busca pela cura antes de adoecer
Implantação do primeiro laboratório brasileiro
de genômica, na Universidade Federal de Minas Gerais, pode
abrir portas para nova consciência médica no trato
da saúde: o uso regular da genética na prevenção
de doenças
Por Silas Scalioni
Belo Horizonte — Imagine você indo ao médico
para uma consulta regular. Chegando lá, entrega a ele
um pen drive — ou algum outro dispositivo para armazenamento
de dados — contendo todas as suas informações
genéticas. De posse desse mapa, o especialista, além
de cuidar de algum problema de que você possa reclamar
de imediato, como normalmente faz a medicina tradicional, indica
tratamentos preventivos para doenças que você nem
sonha desenvolver. Afinal, ele tem em mãos toda a sua
história genética e, diante disso, consegue saber
as predisposições que seu organismo carrega.
Ficção, sonho, especulação? Nada
disso. Essa possibilidade já é real e uma cena
assim poderá ocorrer com qualquer um já nos próximos
anos graças ao desenvolvimento de um novo tipo de medicina:
a genômica. No Brasil, Minas Gerais sai na frente por contar
com as pesquisas de um dos mais importantes geneticistas do país
e devido à criação, na Faculdade de Medicina
da universidade federal do estado (UFMG), do primeiro laboratório
nacional de genômica, coordenado por ele.
O geneticista é o professor Sérgio Danilo Pena,
que foi, inclusive, o representante da América Latina
no projeto Genoma Humano, o maior empreendimento científico-tecnológico
do fim do século passado, que conseguiu mapear todos os
genes humanos e descrever a sequência completa dos nucleotídeos
que formam o DNA. Com isso, abriram-se as portas para a determinanão
de possíveis causas para doenças de fundo genético
e, consequentemente, para terapias preventivas.
“Carregar toda a sua história genética num
pen drive e ter um médico preparado para usar devidamente
tais informações é uma possibilidade que
poderá se tornar real nos próximos 10 anos”,
diz Pena, ao salientar que vê com grande otimismo a criação
do Laboratório de Genômica, que em seis meses deverá estar
devidamente instalado. “Já temos uma boa equipe
trabalhando no projeto e estamos procurando equipá-lo
adequadamente. Com ele, teremos em mãos um ótimo
equipamento para alavancar essa nova forma de tratamento, que
será, sem dúvida, a medicina do século 21.”
O Projeto
Genoma, segundo ele, começou a ser um sonho
no fim dos anos 1980, sendo que seu primeiro rascunho ficou pronto
em 2000. “Foram gastos US$ 2 bilhões e 10 anos para
obter um mapeamento. Hoje em dia, com a tecnologia existente,
com US$ 10 mil se faz um genoma completo em apenas duas semanas. É importante
destacar que, para a prevenção de doenças,
como no caso da pessoa com o pen drive no médico, é necessário
fazer apenas um pequeno pedaço desse mapeamento genético,
que fica muito mais barato”, afirma. Para dar novos passos,
a necessidade de investimentos no Laboratório de Genômica
da UFMG é em computadores que tenham grande capacidade
de processamento. Isso porque o maquinário para fazer
o mapeamento é caro e seus trabalhos já são
oferecidos por centros especializados em outros países,
como os Estados Unidos. “É muito mais viável,
portanto, mandar fazer o mapeamento fora e, depois de receber
os resultados, contar com equipamento próprio para decodificá-los
com rapidez e eficiência”, completa.
Envelhecer
com saúde
A medicina
genômica é, para Sérgio Pena,
uma revolução na maneira de tratar a saúde
humana. “É uma forma de cortar o mal pela raiz,
ao identificar as predisposições genéticas
do indivíduo e buscar prevenção aos males”,
diz ele, ressaltando que a medicina, como é praticada
hoje, consiste simplesmente no tratamento das doenças
e apresenta muitas limitações.
Primeiro,
porque ela trata principalmente pacientes altamente sintomáticos, já que de forma geral as pessoas
só procuram ajuda médica quando estão doentes.
Segundo, porque atua com baixa eficiência, já que,
com exceção das enfermidades bacterianas e combatidas
com antibióticos, as demais já instaladas raramente
podem ser curadas.
O professor
da UFMG revela que, com a explosão da capacidade
de obtenção de dados, que foi aumentada nos últimos
anos em mais de 50 mil vezes, há agora condições
de estudar a intimidade genética do indivíduo e,
assim, cuidar de pacientes ainda assintomáticos para evitar
ou retardar o desenvolvimento de doenças, como hipertensão,
arterosclerose, diabetes e até câncer. “E
isso poderá ser feito por qualquer médico, não
sendo seara apenas de geneticistas. A genômica é uma
medicina aberta a todas as especialidades. Um clínico,
por exemplo, não vai precisar ter conhecimentos profundos
de genética para propor tratamentos. Vai apenas ter de
incorporar alguns conhecimentos genômicos aos que já tem
para analisar testes de sangue, colesterol etc. Enfim, para cuidar
preventivamente do seu paciente”, diz.
Segundo ele,
a ideia básica da medicina genômica é avaliar
o paciente cedo, por volta dos 18 anos de idade, e propor um
tratamento baseado na saúde, e não na doença. “A
pessoa pode, assim, ter maior longevidade, mas, mais importante,
vai envelhecer com saúde”, assegura. Lembrando que
na sua participação no Projeto Genoma procurou
ser mais político do que cientista, de forma a garantir
que o conhecimento obtido com as pesquisas pudesse ficar aberto
a todos, e não a um grupo que viesse a patentear resultados,
Sérgio Pena diz que o Laboratório de Genômica
da UFMG encontra-se ainda em estágio neonatal, devendo
entrar em breve na infância. “Apesar dessa precocidade,
já podemos fazer muita coisa, temos vários projetos
em andamento e, com ele, pretendemos implantar definitivamente
a consciência genômica na comunidade médica.”
A medicina
dos cinco Ps Genômica pode ser lembrada como
a medicina dos cinco Ps, pois ela é:
» Personalizada – porque é baseada no conhecimento
das características genômicas de cada um
» Preditiva – porque usa mapas genômicos de
suscetibilidade a doenças para prever, de maneira probabilística,
o futuro médico das pessoas enquanto ainda estão
sadias
» Preventiva – o conhecimento do mapa de predisposições
genéticas permite ajustar o ambiente ao seu genoma e,
assim, prevenir o surgimento de doenças
» Proativa – diferentemente da medicina curativa,
com foco nas doenças e nos doentes, a genômica visa
a agir ativamente em prol da manutenção da saúde
» Participativa – é o próprio indivíduo,
sadio, quem se empenha e participa da busca por informações
genômicas para decidir, com os geneticistas e seus próprios
médicos, a melhor maneira de lidar com as predisposições
genéticas reveladas nos testes de DNA.
Confederação Nacional de Saúde
Circular
Jurídico
051/2011
JUSTIÇA DÁ VITÓRIA À AMB CONTRA
DECISÃO DA SECRETARIA DE DIREITO ECONÔMICO
Em 23 de
maio, o juiz federal Antonio Corrêa, da 9ª Vara
da Justiça Federal, em Brasília, concedeu liminar à Associação
Médica Brasileira, garantindo à entidade o direito
de representar os médicos nas reivindicações
por honorários justos pela prestação serviços
aos planos de saúde. A decisão desobriga a AMB
de acatar as medidas preventivas que haviam sido determinadas
pela Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério
da Justiça, em 9 de maio.
“No entendimento da AMB, a medida da SDE cerceava o direito
da nossa classe de lutar contra situação de trabalho
imposta pelas empresas de planos de saúde e o direito
da sociedade de ter um atendimento digno na saúde suplementar”,
disse Florisval Meinão, coordenador da Comissão
Nacional de Consolidação e Defesa da CBHPM.
Esta vitória refere-se à primeira instância,
sendo que a União pode apelar à Justiça.
Os dois pontos mais importantes da decisão (veja abaixo
na íntegra) são o reconhecimento dos médicos
como personalidade jurídica de prestação
de serviços incapaz de influir no mercado formando truste,
cartel ou dumping e, ainda, a análise de que a SDE não
tem competência para analisar a relação entre
médicos e operadoras.
Na visão do assessor jurídico da AMB, Roberto
Augusto de Carvalho Campos, se esta interpretação
for mantida nas demais instâncias, será um marco
para o movimento médico, que não mais terá a
ameaça de cerceamento no âmbito do direito econômico. “Notamos
que a relação de forças está mais
equilibrada, a partir do reconhecimento da hipossuficiência
do médico em negociações individuais”,
afirma o advogado.
Em anexo
segue a decisão.
Fonte: AMB
Terça-feira,
31.05.2011
Agência Câmara de Notícias
Deputados
poderão participar de grupo de trabalho sobre
patentes de remédios
Por Renata
Tôrres / Edição:
Maria Clarice Dias
A Câmara dos Deputados poderá participar das discussões
sobre a concessão e quebra de patentes de remédios.
Um grupo de trabalho a ser criado pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto
Nacional de Propriedade Industrial (INPI) deverá definir
o papel exato desses dois órgãos nos casos das
patentes de medicamentos.
O assunto
foi tema de audiência pública realizada
nesta terça-feira pela Comissão de Seguridade Social,
a pedido dos deputados Dr. Rosinha (PT-PR) e Amauri Teixeira
(PT-BA). Para Dr. Rosinha, deputados da Comissão de Seguridade
devem acompanhar o grupo de trabalho para garantir a participação
da sociedade na discussão.
A patente
impede que, por 20 anos, pessoas ou empresas copiem e vendam
uma invenção registrada no INPI. Ao mesmo
tempo, o registro torna o produto mais caro. Dr. Rosinha citou
o caso de um remédio usado no tratamento e prevenção
da trombose arterial, o Clopidogrel, antes e depois da quebra
da patente. “O medicamento, que custava no mercado R$ 172,
hoje custa R$ 48. Por 20 anos, esses laboratórios ficam
sugando a nossa economia graças a esse registro”,
criticou o parlamentar.
Anuência prévia
Parecer da
Procuradoria Geral da República, publicado
em janeiro deste ano, definiu que, no caso de patentes de remédios,
cabe à Anvisa dar a anuência prévia sobre
a exclusividade para produção do medicamento, sendo
que o INPI deve dar a decisão final sobre a concessão
da patente.
A Anvisa,
portanto, analisa se há riscos ou não
do medicamento à saúde. Por sua vez, o INPI avalia
se o remédio cumpre os requisitos de novidade, atividade
inventiva e aplicabilidade industrial, que são exigidos
para a concessão da patente.
Segundo o
presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, o parecer da procuradoria é positivo, mas há pontos que podem
ser aprimorados pelo grupo de trabalho. Por outro lado, a Coordenadora
do Grupo de Trabalho de Propriedade Intelectual da Rede Brasileira
pela Integração dos Povos, Renata Reis, criticou
o texto. Para ela, não é tecnicamente possível
que a Anvisa avalie critérios de saúde pública
por meio de um documento de patente. “Ao invés de
dirimir o conflito, o documento gerou uma incerteza jurídica”,
afirmou.
Renata Reis
defendeu que Anvisa analise os requisitos objetivos de patenteabilidade,
como novidade, atividade inventiva e aplicabilidade
industrial; e não o risco à saúde, “que
não é algo possível num documento de patente”.
Pipelines
Dr. Rosinha
também quer que os integrantes da Comissão
de Seguridade Social acompanhem, junto à Advocacia-Geral
da União, a discussão sobre a quebra das patentes
pipelines de 218 medicamentos. A patente pipeline é o
mecanismo em que a patente expedida no exterior é reconhecida
no Brasil apenas até o tempo em que ela leva para expirar
no país de origem.
AGENDA
- 16º Congresso Abramge e
7º Congresso Sinog
Abramge /
AssPreviSite
Sistema Abramge
promove Congressos sobre Tecnologia e Sustentabilidade na Saúde
Suplementar
O diretor-presidente
da ANS será sabatinado durante os Congressos que reunirão
os principais parceiros do Sistema
A tecnologia
ganha espaço cada vez maior em várias áreas.
E na saúde suplementar não é diferente.
Novas vacinas, novos remédios e equipamentos sofisticados
auxiliam os profissionais de saúde. No entanto, como
aplicar as tecnologias de ponta sem perder a sustentabilidade
do negócio? O Sistema Abramge, atento ao mercado, realiza
nos dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo, capital, os
16º Congresso Abramge e 7º Congresso Sinog. O tema
central dos eventos é "Tecnologia na Saúde
Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento Sustentável".
Para falar
sobre o atual estágio e as perspectivas tecnológicas
do Brasil a Conferência Magna será feita pelo
jornalista Ethevaldo Siqueira, comentarista da Rádio
CBN e articulista do jornal O Estado de S. Paulo.
No primeiro
dia de eventos, José Sant'Anna Bevilaqua, coordenador
de Tecnologia do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), falará sobre
a nova ferramenta do órgão para a realização
do Censo 2010. Na parte da tarde o talk show "Qualidade
como Fator de Sustentabilidade" abordará a Visão
das Operadoras, dos Prestadores e da Acreditadora sobre o tema.
As palestras serão ministradas, respectivamente, por
Fábio Leite Gastal, superintendente médico assistencial
do Hospital Mãe de Deus - Sistema de Saúde Mãe
de Deus; Martha Sevedra, diretora do Hospital Barra D'Or Brasil;
e Rubens Covello, presidente do Instituto Qualisa de Gestão
(IQG).
Para fechar
o dia, Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atual
superintendente corporativo do Hospital Sírio Libanês,
fala sobre "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento
para o Desenvolvimento Sustentável do Sistema".
No segundo
dia, será abordado o tema "Gestão Assistencial".
Em foco, o "Gerenciamento de Doenças" e "Avanço
Tecnológico na Gestão de Saúde".
Apresentarão estes temas, respectivamente, Ana Cláudia
Assis Pinto, líder da Prática de Gestão
Estratégica de Saúde da Marsh Gestão de
Benefícios; e John H. Harris III, CEO de Qualidade de
Vida e vice-presidente de Inovações da Healthways
International.
O talk show
sobre Tecnologia para Pequenas e Médias Operadoras encerra
o período da manhã. O assunto será ministrado
por Luiz Antonio De Biase Nogueira, representante da Abramge
no Comitê de Padronização das Informações
em Saúde Suplementar (COPPIS), que falará sobre "Tecnologia
da Informação na Gestão da Saúde" e
Lincoln de Moura Assis Junior, diretor-presidente da Zilics,
com foco no "Acesso para Pequenas e Médias Operadoras".
Para finalizar
os Congressos, Maurício Ceschin, diretor-presidente
da ANS, será sabatinado em uma "Roda Viva" com
a participação de líderes dos vários
segmentos do setor.
Confira a
programação completa e os descontos oferecidos
nas inscrições dos eventos, clicando no link:
http://www.abramge.com.br/mailling/Redirect.aspx?3132|||333229|||www.abramge.com.br/16congresso.htm
- Negociação dos Serviços de
Saúde
Unidas /
AssPreviSite
16 e 17 de
junho de 2011
SEDE UNIDAS
NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100
- São Paulo - SP
Objetivo
Preparar
profissionais de negociação no mercado de saúde
para atuarem com consciência de seu papel e sua importância
enquanto agentes do processo negocial; Apresentar noções
básicas da negociação em geral e seus
conceitos, princípios e elementos; Apresentar o processo
de negociação em seus aspectos subjetivos e formais;
Apresentar o mercado de saúde, suas características,
seus atores e forças que nele atuam; Identificar vantagens
e dificuldades na negociação multilateral;
Identificar
vantagens e dificuldades na negociação com paralisação
dos serviços; Esclarecer a participação
da ANS, do Poder Judiciário, Ministério Público,
PROCON e CADE no processo de negociação dos serviços
de saúde.
Instrutor
Dr. Natanael
Dantas Soares
Público
Alvo
Gestores
de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e profissionais
de todas as áreas, que atuam no Mercado de Saúde.
Informações
Tel. (11)
3289-0855
Fax (11)
3289-0322
com Fernanda
Delesporte
treinamento@unidas.org.br
- Sistemas de Informação para Gestão
da Saúde
Unidas /
AssPreviSite
02 e 03 de
junho de 2011
SEDE UNIDAS
NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100
- São Paulo - SP
Objetivo
Conhecer
os fundamentos dos Sistemas de Informação em
Saúde e entender a sua aplicação à gestão
de Sistemas de Saúde. Conhecer o processo de construção
do Prontuário Eletrônico do Paciente e analisar
seu uso na Assistência e na Gestão.
Conhecer
os padrões para representar e transmitir a informação
em saúde. Impactos da implantação do TISS – Troca
de Informação em Saúde Suplementar. Conhecer
a Comissão de Estudo Especial Temporária Informática
em Saúde da ABNT e o HL7 Brasil. Conhecer o projeto
de informatização da Secretaria Municipal de
Saúde de São Paulo e a integração
com laboratórios clínicos. Conhecer a legislação
sobre privacidade e confidencialidade da informação
em saúde. Conhecer a questão dos usos da informação
para a gestão e qualidade em saúde; discutir
o cenário nacional de avaliação em saúde
suplementar e comparar com o cenário internacional.
Conhecer as tendências de disseminação
da informação em saúde. Apresentar os
conceitos de software livre e sua importância para área
da saúde.
Instrutor
DRA. BEATRIZ
DE FARIA LEÃO
Público
Alvo
Gestores
de Operadoras de Planos de Saúde, Executivos da área
de Informática, Profissionais de Informática
em Saúde e responsáveis pelo desenvolvimento
de Sistemas de Informação em Saúde.
Informações
Tel. (11)
3289-0855
Fax (11)
3289-0322
com Fernanda
Delesporte
treinamento@unidas.org.br