Leia
nesta edição:
- Nova consulta para garantir atendimento
- Usuários criticam planos por adesão
- Saúde prevê contratar
5,8 mil ainda este ano
- Adaptação sem carência
e com limite de reajuste
- Uma boa
polêmica
- Plano terá consulta
em 7 dias
- A saúde de que nós
mulheres precisamos
- Dasa: Implementação da TUSS não é problema
- Narcolepsia faz OMS examinar vacina antigripal
- Garantia
de atendimento aos beneficiários
- Choque
de opiniões
- Cientistas
descobrem proteína associada ao risco de
metástase
- Luta contra a leishmaniose
- A Saúde
deveria ser prioridade*
Quarta-feira, 02.02.2011
O Globo
Nova consulta para garantir atendimento
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abre
amanhã a consulta pública nº 37, a fim de
receber contribuições da sociedade para elaborar
a norma sobre garantia de atendimento aos beneficiários
de planos de saúde. Entre os temas abordados na proposta
de resolução normativa a ser apresentada pela agência
estão o cumprimento dos prazos máximos para atendimento
das demandas dos beneficiários, como a realização
de consultas básicas, exames e internações;
e a obrigatoriedade de haver prestadores de serviços (hospitais,
clínicas, laboratórios e médicos) em todos
os municípios que integrem a área de abrangência
do plano de saúde contratado.
Segundo a
ANS, o principal objetivo da norma é estimular
as operadoras a credenciarem prestadores de serviços nos
municípios que fazem parte de sua área de cobertura — uma
reclamação frequente de beneficiários fora
das regiões metropolitanas. A agência diz ainda
que a norma pretende oferecer equilíbrio na relação
de consumo estabelecida no ato da compra do plano de saúde,
ao garantir que o beneficiário terá acesso a tudo
o que contratou.
Os interessados
em participar da consulta devem enviar propostas nos próximos 30 dias pelo site da agência
(www.ans.gov.br).
Diário
do Comercio
Usuários criticam planos por adesão
Planos coletivos
- por adesão e empresariais - representam
hoje 73,6% do mercado.
Um ano e
meio após a edição das regras
que tornaram mais rígida a venda de planos de saúde
coletivos por adesão, consumidores ainda enfrentam problemas
ao adquirir esse tipo de produto - como planos vendidos sem registro
ou de forma irregular. Além disso, poucos usuários
são informados sobre o direito de aderir sem carência
nos primeiros 30 dias de vigência ou no mês de aniversário
do contrato.
Após a edição da lei dos planos de saúde
em 1998, que aumentou o controle do governo sobre os reajustes
dos planos individuais e acabou com os limites de cobertura,
a maioria das operadoras passou a se concentrar nos planos coletivos
- que representam hoje 73,6% do mercado. Em 2009, nova regulamentação
dividiu essa categoria em planos empresarias e coletivos por
adesão. Estes, desde julho de 2009, só podem ser
vendidos por sindicatos, associações e conselhos
de classe. De olho no filão, operadoras têm firmado
parceria com essas entidades.
A advogada
Wanessa de Araújo, de 30 anos, foi prejudicada.
Para garantir um preço atraente, o corretor a induziu
a assinar uma declaração falsa de que pertencia
ao Sindicato dos Comerciários de Brasília. “Ele
disse que eu tinha de fazer isso porque era um coletivo por adesão.
Eu nem sabia do que se tratava". Para evitar problemas,
a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)
Juliana Ferreira recomenda pedir para o corretor registrar por
escrito as promessas que fizer no momento da venda, pois as operadoras
serão obrigadas a cumpri-las.
Correio
Braziliense – Caderno
Cidades
Saúde prevê contratar
5,8 mil ainda este ano
Executivo
encaminha à Câmara cinco projetos que
preveem mais recursos e a admissão de 10 mil servidores
para hospitais e postos, conforme adiantou o Correio. Impacto
da ampliação do quadro de pessoal, somente em 2011,
será de R$ 159 milhões, segundo o GDF
Por Ricardo Taffner / Ariadne Sakkis
Os deputados
distritais têm em mãos um pacote de
medidas para beneficiar a Saúde da capital da República.
No início do ano legislativo, como adiantou o Correio
na edição de ontem, o Executivo encaminhou cinco
projetos de lei a fim de criar 10.205 cargos na estrutura da
pasta que cuida da área. Destes, 5.867 estão previstos
para serem ocupados até setembro próximo. Com a
ampliação total, o quadro de concursados passará de
26.497 profissionais para 36.702. O impacto financeiro estimado
para este ano é de R$ 159 milhões e, com as contratações
escalonadas durante a atual gestão, esse acréscimo
chegará a R$ 249 milhões em 2013.
O pacote
foi anunciado na mensagem do governador do DF, Agnelo Queiroz
(PT), feita
exclusivamente para o primeiro dia de trabalho
dos distritais. O texto foi lido pelo chefe da Casa Civil, Jacques
Pena, uma vez que o governador não pôde comparecer
devido a outros compromissos da agenda. A versão apresentada
em plenário foi sintetizada e durou cerca de 12 minutos.
Na versão completa, em documento de 27 páginas, é apresentada
a situação da cidade encontrada pela atual gestão
e as primeiras medidas tomadas.
Entre as
iniciativas, Agnelo destacou o decreto para declarar situação de emergência na Saúde pública,
além da criação do Gabinete de Crise. “Nossa
meta, já para os primeiros 100 dias do meu governo, é restabelecer
a ordem no atendimento médico no Distrito Federal e, a
partir daí, reorganizar todo o sistema público
de saúde, por meio da modernização da gestão,
do combate ao desperdício, da facilidade e rapidez no
atendimento aos pacientes”, diz o petista no texto.
Após a solenidade, às 16h54, o coordenador da
assessoria parlamentar do GDF, Wilmar Lacerda, protocolou os
projetos de lei do Executivo. Cada um é acompanhado por
mensagem específica com as justificativas para as medidas.
Os recursos para a despesa com pessoal da Saúde sairão
tanto do orçamento local quanto do Fundo Constitucional
(FCDF). Do caixa do Executivo, serão empenhados este ano
R$ 678.221.577, uma variação de 16,5% em relação
ao ano passado. Do fundo, é prevista a execução
de R$ 2.286.477.041, ou seja, 4,1% a mais do que o período
anterior.
Edital
Segundo o
secretário de Saúde, Rafael Aguiar Barbosa,
o edital para a realização do primeiro concurso
para o setor está pronto e deverá ser publicado
uma semana depois da aprovação dos projetos na
Câmara. “Logicamente que não vamos contratar
10 mil de uma vez. Surgindo unidades novas e projetos, vamos
lançar mão dentro das nossas necessidades”,
diz Barbosa.
De início, o governo precisará admitir 2,5 mil
profissionais. Eles deverão ser lotados no Hospital de
Santa Maria (leia Entenda o caso), nas novas Unidades de Pronto
Atendimento (UPAs) e para completar o quadro de estruturas como
o Centro Materno-Infantil de Sobradinho e os 123 leitos do Hospital
de Base (HBDF) — que serão entregues nos próximos
meses após a conclusão da reforma no prédio. “Depois,
faremos a recomposição das equipes dos hospitais.
Acreditamos que até outubro, novembro, o quadro previsto
para esse ano estará preenchido”, afirma o secretário-adjunto
da pasta, Elias Fernado Miziara.
Para conseguir
aprovar os textos, o líder do governo
na Casa, Wasny de Roure (PT), promete conversar com todos os
colegas. Antes, terá de liberar a pauta de votações
trancada com vetos, como ao do projeto do IPVA, e às emendas
parlamentares. Na negociação com a base, estará em
pauta justamente a aprovação das emendas barradas
pela gestão anterior. “Vamos sentar com o governo
para elaborar um grande acordo para possibilitar a votação
dos vetos”, anuncia o líder.
Especialidades
Resolução publicada, ontem, no Diário Oficial
pelo Conselho de Política de Recursos Humanos (CPRH) do
DF prevê a contratação inicial de médicos,
enfermeiros, cirurgiões-dentistas, especialistas, técnicos
e auxiliares em saúde. A medida foi homologada pelo governador,
Agnelo Queiroz, e depende da aprovação das propostas
para entrar em vigor. Depois do desabastecimento da rede, a falta
de profissionais é uma das maiores preocupações
do governo em relação a Saúde.
O reforço representa um aumento de 33% no quadro da Secretaria
de Saúde. As especialidades médicas de ortopedia,
anestesia, medicina intensiva, pediatria e clínica-médica
provavelmente terão mais vagas no concurso devido à demanda. “Um
retrato da situação que encontramos na Saúde
no DF é a falta de clínico-geral no Hospital Regional
de Ceilândia. É gritante”, diz Elias Miziara.
Previsão
O governador
Agnelo Queiroz prometeu inaugurar quatro UPAs — em
Samambaia, em São Sebastião, no Recanto das Emas
e no Núcleo Bandeirante — nos primeiros 50 dias
de gestão. Enquanto não é possível
realizar os concursos públicos, os médicos e enfermeiros
da Secretaria de Saúde foram autorizados a aumentar a
carga de trabalho em 20 horas para atuar nas unidades, desde
que não supere o teto de 60 horas.
ENTENDA O CASO
Intervenção
em 2010
Em 27 de
janeiro de 2009, a Secretaria de Saúde assinou
o contrato com a Real Sociedade Espanhola de Beneficência
para a gestão do mais novo hospital da rede por um período
de dois anos. O documento estipula que o GDF deveria repassar
R$ 222 milhões à entidade, ou cerca de R$ 11 milhões
por mês. Porém, alguns meses depois, o Ministério
Público considerou o contrato ilegal, pois não
houve licitação. O MP entrou com uma ação
civil pública pedindo a suspensão da parceria.
Em abril, a Justiça do DF suspendeu o acordo liminarmente,
por considerá-lo inconstitucional. O governo cassou a
decisão e deu continuidade à terceirização.
No segundo semestre de 2010, o convênio com a Real Sociedade
foi questionado. A Secretaria de Saúde criticou os altos
custos e o baixo rendimento do hospital, enquanto a entidade
alegava atrasos constantes nos repasses. Por fim, o governador-tampão
Rogério Rosso decretou a intervenção no
Hospital de Santa maria. O contrato com a entidade deveria ter
terminado no último dia 21, mas a atual gestão
resolveu estendê-lo por três meses para ter tempo
de retomar a dministração e minimizar problemas
no atendimento à população. (AS)
O Globo
Adaptação sem carência
e com limite de reajuste
Por Simone Marinho / Luciana Casemiro
ANS costura propostas de consumidores e operadoras para atualizar
planos antigos
As operadoras
de planos de saúde parecem ser as mais
preocupadas com a proposta de adaptação dos contratos
antigos — anteriores à lei 9.656, de 1998 — apresentada
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Das 846 contribuições enviadas à consulta
pública nº 35, encerrada no último dia 6,
84% foram das companhias e de seus representantes. A inexistência
de carência e o limite de reajuste em 20,59% para a adaptação
ou migração de contratos antigos para as regras
atuais tira o sono das empresas, por um lado, e faz, por outro,
as entidades de defesa do consumidor acreditarem que desta vez
a iniciativa pode dar certo. O desafio da ANS agora é compilar
essas contribuições e editar uma regra que agrade,
ou melhor, “desagrade” a gregos e troianos, segundo
opinião de Fabio Fassini, gerente-geral econômico-financeiro
e atuarial da ANS e da gerente Rosana Neves.
A grande
participação das operadoras pode ser
um sinal de que a norma está pendendo mais para o ponto
de vista do consumidor. A norma ideal é aquela que desagrada
a todo mundo, pois é mais racional e justa — afirma
Fassini.
Coletivos:
adaptação compulsória no aniversário
do contrato
O fato é que mais de uma década após a
edição da lei que regulamenta os planos de saúde,
há mais de nove milhões de pessoas penduradas em
contratos antigos — 16% do total de usuários da
saúde suplementar. Na prática, isso significa que
esses usuários, muitas vezes, precisam recorrer à Justiça
para garantir a cobertura de exames e procedimentos não
previstos em seus planos. A vitória tem sido quase sempre
certa.
A judicialização da saúde, no entanto, é ruim
para todos. O beneficiário fica dependendo do Judiciário
e da agência para fazer valer seu direito. As operadoras,
que, a princípio, podem achar que têm um custo menor
pelo fato de o Rol de Procedimentos ser mais reduzido, na Justiça
acabam se deparando com sentenças até mais realistas
que as regras da agência. Para ANS é o pior dos
mundos, pois ela não tem ferramentas adequadas para intervir — ressalta
Fassini.
Mais da metade
dos beneficiários de planos antigos estão
em contratos coletivos e seriam adaptados automaticamente, de
acordo com a proposta, na data de aniversário. No caso
dos contratos com prazo indeterminado, dependeria do interesse
do grupo. Para os contratos individuais, diferentemente do Programa
de Incentivo à Adaptação de Contratos (de
2003, que fracassou), a proposta da ANS não estabelece
prazo para a mudança. O que, para Daniela Trettel, advogada
do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), é positivo.
Ela acredita que a adaptação pode ser vantajosa,
mas defende uma análise cautelosa:
É preciso que o consumidor tenha clareza sobre como é seu
contrato hoje, o que ganha e o que poderá perder. Há contratos
antigos que são muito bons. No caso de adaptação,
não há perda das coberturas do contrato, apenas
um aditivo com o Rol de Procedimentos atual. É importante
ver se há capacidade de pagamento, afinal 20% de aumento,
numa economia estabilizada, é muito. Outro ponto a considerar é que
não só usuários de contratos antigos vêm
brigando na Justiça, também os de novos têm
ido ao Judiciário, não por falta de cobertura,
mas por burocracia para acesso.
Outra questão levantada pelas entidades de defesa do
consumidor é a necessidade de transparência quanto
ao cálculo feito pela ANS para chegar ao reajuste máximo
de 20,59%.
O documento
diz que houve um estudo técnico, mas não
diz como foi feito. É importante a transparência
sobre a forma de cálculo, até para evitar que as
operadoras apliquem o percentual máximo em todos os casos — alerta
Luciana Dantas, técnica da Fundação Procon-SP.
Arlindo de
Almeida, presidente nacional da Associação
Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), afirma que o teto
de reajuste fixado pela ANS e a possibilidade de migração
individualizada dos beneficiários (mesmo quando fazem
parte de um grupo familiar, por exemplo) inviabilizam o processo:
Do ponto
de vista atuarial, é um absurdo. Dar a possibilidade
de só uma pessoa dentro da carteira se adaptar ou migrar
constitui um risco muito grande, pois possibilita que só façam
a migração pessoas com problemas sérios,
de alta complexidade. Para isso funcionar seria preciso fazer
uma revisão técnica da carteira, em casos de empresas
que tenham uma migração muito grande, para redistribuir
esse custo por todos, sob risco de quebra das pequenas operadoras.
Os atuários estão de cabelo em pé.
ANS
responderá dúvidas de leitores sobre o processo
de mudança
Para Daniela,
do Idec, se há alguma inviabilidade atuarial
as empresas terão de comprová-la:
O limite
de reajuste é necessário, até pelos
abusos tentados no passado. A princípio o percentual parece
razoável, pagável. Temos de lembrar também
que esses usuários (dos planos antigos) são aqueles
que durante muito tempo sustentaram o sistema.
No cabo de
guerra entre as contribuições de empresas
e consumidores, a carência é um ponto sensível.
A carência não faz sentido, mesmo quando há upgrade
de plano — diz Maria Inês Dolci, coordenadora institucional
da Pro Teste — Associação Brasileira de Defesa
do Consumidor.
Apesar de
as contribuições ainda estarem sendo
tabuladas para a construção do texto final, a ser
aprovado pela diretoria da ANS ainda este semestre, Fassini antecipa:
Não cabe carência, sequer pode-se alegar oportunismo,
já que essas pessoas estão há 20 anos sendo
atendidas pelas operadoras.
A partir
de hoje até o dia 16, os leitores podem enviar
suas dúvidas sobre o processo de adaptação
e migração dos contratos antigos pelo site do GLOBO
para serem respondidas por especialista da ANS.
O Globo
Uma
boa polêmica
Por Roberto Cooper
Há uma tese, defendida por alguns, inclusive jornalistas
bem esclarecidos, de que os planos de saúde se beneficiam
(leia-se lucram) com o fato de que seus segurados, ao serem atendidos
em hospitais públicos, nada pagam por esse atendimentos.
Por esse raciocínio, os planos de saúde devem uma
pequena fortuna ao Estado, além de ficarem com a pecha
de malandros ou espertos.
Esse raciocínio contém alguns equívocos.
O primeiro e mais grave é o de que quem tem um plano de
saúde privado também paga, compulsoriamente, via
impostos, o plano de saúde público, SUS. Assim,
todo atendimento prestado pela rede pública de saúde
já está pré-pago pelo cidadão. Não
há explicação razoável para que um
pagamento seja feito duas vezes, pelo mesmo serviço. Nessa
linha de raciocínio, seria de se esperar que, toda vez
que uma pessoa que tem um plano de saúde privado for atendida
em um hospital ou consultório particular, o SUS fará um
pagamento a esta estrutura. Não é preciso ser um
intelectual sofisticado, com grande conhecimento, para ver o
contrassenso que existe numa exigência que só funciona
em uma via.
O segundo
equívoco deste raciocínio que sugere
que os planos devem ao Estado vem do desconhecimento de como
o sistema de saúde brasileiro é constituído.
Ele é formado pelo Sistema Único de Saúde
(SUS) e pelo sistema complementar (sistema privado). Mais, a
nossa constituição afirma que a saúde é um
direito de todos os cidadãos e um dever do Estado. Não
especifica que os cidadãos que têm plano não
têm esse direito ou que precisariam pagar duas vezes para
ter esse direito.
Um problema
prático decorrente dessa postura de exigir
que os planos paguem aos hospitais públicos é o
de que não teríamos garantia alguma de que, em
algum tempo, não ser criariam privilégios ou conveniências
para o atendimento de pacientes com plano privado, nos hospitais
públicos. Percebendo que esse atendimento traria recursos
importantes e necessários para os hospitais públicos,
estes acabariam criando atendimentos diferenciados, injustos,
portanto, para quem tem plano. Isso é apenas uma conjectura,
mas, se tratando de Brasil, onde em se plantando, tudo dá,
não é uma peça de ficção absoluta.
Só aceitaria a tese de que os planos de saúde
deveriam pagar por atendimento prestado por hospitais públicos
a seus segurados se tivéssemos a opção de
escolher um único plano. Se pudéssemos não
pagar o plano de saúde público, SUS, aí sim
eu seria um defensor de que planos de saúde privados devem
pagar por esses atendimentos. Como pagamos por dois planos de
saúde, o SUS que pague o que for atendimento público
e o plano privado pelos serviços prestados em hospitais
particulares.
Talvez, quem
defenda a posição de que planos devem
ao Estado nem se preocupe em pensar nessa lógica de que
pagamos dois planos. Eventualmente, é uma posição
inflexível, contrária à iniciativa privada.
Um fundamentalismo disfarçado de bom-mocismo.
O Tempo
Plano
terá consulta
em 7 dias
Por Fernando Torres
Consulta
pública
discute prazo para atendimentos a partir de amanhã
A partir
de amanhã, usuários, empresas e pessoas
interessadas no assunto poderão enviar para a Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suas opiniões
sobre as novas regras que serão estabelecidas para prazo
de atendimento médico e marcação de exames,
além de abrangência do atendimento.
A resolução estabelece que as operadoras devem
garantir o agendamento de consulta em até sete dias úteis
nas especialidades mais procuradas (veja lista abaixo). Se não
houver médico disponível no município, o
plano de saúde tem obrigação de fornecer
transporte de ida e volta para o local mais próximo. A
expectativa da ANS é que a resolução entre
em vigor ainda no primeiro trimestre, após 30 dias de
consulta pública.
A pedagoga
Sheila França, 44, acredita que as mudanças
propostas pela ANS são justas, mas teme o resultado. "Fico
preocupada que a qualidade do atendimento caia ou que as consultas
fiquem mais curtas, para conseguir encaixar todo mundo",
diz. Outro medo dos consumidores é que as operadoras reajustem
o valor da mensalidade para cobrir gastos extras.
Segundo o
gerente de monitoramento de operações
da ANS, Rafael Fogel, não há motivo para preocupação. "Pesquisa
da ANS demonstra que 72% das operadoras acham os prazos estabelecidos
razoáveis e que podem ser cumpridos", comunica. Além
disso, as redes devem ser redimensionadas para prever a lotação.
"O convênio é obrigado a indicar um médico,
mas não necessariamente aquele que o paciente escolheu.
Pode acontecer, inclusive, um acordo entre o plano de saúde
e um profissional que não faça parte da rede credenciada",
esclarece.
A resolução também garante que, caso todas
as alternativas anteriores falhem, o paciente consulte um médico
particular e seja reembolsado.
Quanto ao
aumento da mensalidade, Fogel afirma que isso não
irá acontecer. "É a ANS que autoriza o reajuste
de planos individuais e não vislumbramos reajuste no momento".
Vários planos de saúde procurados pela reportagem
não quiseram se manifestar. A Unimed-BH, por meio de assessoria,
declara que irá assumir o compromisso de cumprir a legislação
e, para facilitar a marcação, está implantando
sistema de agendamento online.
Empresa
que descumprir será punida
A nova norma
da Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS) define também punição para as empresas. "Essa
proposta pretende reforçar o fato de que qualquer falha
no atendimento conforme definido em contrato, e em consonância
com a legislação em vigor, sujeita a operadora às
penalidades administrativas cabíveis", diz a resolução.
Até então, a ANS não possuía regulamento
específico sobre garantias de atendimento. O governo já havia
anunciado regras para o tempo de espera no atendimento, mas a
medida não saiu do papel.
O
que propõe a nova resolução
da ANS
Prazo
-Consulta
marcada em até sete dias úteis em: pediatria,
clínica e cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia,
cardiologia e traumatologia
- Nas demais
especialidades, o prazo é de 14 dias úteis
- Para exames,
varia de três a dez dias úteis
Cobertura
- Se a cidade
em que o paciente mora não tem especialista
credenciado, o plano deve o transporte até o município
mais próximo ou encaminhá-lo a profissional não
credenciado, com todos os custos pagos.
Correio
Braziliense – Opinião
A
saúde de que nós
mulheres precisamos
Por Ana Maria Costa
Médica, sanitarista, doutora em ciências da saúde,
diretora executiva do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde
(Cebes), integra o Grupo Temático Gênero e Saúde
da Associação Brasileira de Pós-Graduação
em Saúde Coletiva (Abrasco)
O ministro
Padilha disse que a saúde das mulheres é prioridade.
Não é o primeiro que promete. O fato é que,
na prática, há retrocessos. O que esperamos, o
que precisamos em saúde?
É grave restringir as políticas de saúde
para mulheres às necessidades reprodutivas. Pior ainda
reduzir essa atenção ao ciclo gestação,
parto e puerpério. A saúde reprodutiva deve conter
o planejamento familiar para as que querem ou não engravidar
e a atenção ao abortamento, espontâneo ou
não. É urgente admitir o que os números
revelam quanto à dimensão do aborto e suas consequências
no adoecimento e morte das brasileiras. A proposta Rede Cegonha
(que nome infeliz e inapropriado!), mesmo sendo para atenção à saúde
reprodutiva, não pode desconsiderar essa abordagem.
A integralidade
da saúde da mulher é o enfoque
ampliado da condição, necessidades e demandas femininas.
Sustentado na retórica, o Paism — sigla usada para
referir à política de saúde integral para
as mulheres — foi gradualmente dilapidado até ser
reduzido a programas de cunho “materno infantil” que
proliferaram no SUS sob marcas como Mãe Curitibana, Nascer
Sorrindo, Nascer com Cidadania e outras. Todos eles são
reducionistas, mesmo sob o aspecto reprodutivo, porque elegem
como objeto o desfecho da gravidez e do bebê.
As mulheres
merecem uma revolução nas práticas
de saúde, com serviços que as respeitem e promovam
sua autonomia. Que valorizem o seu papel social e a complexidade
da saúde advinda da sobrecarga, da discriminação
intrínseca nas relações de gênero
e suas repercussões sobre o processo saúde/doença.
No mundo real, as mulheres convivem com violência, Aids,
drogas, depressão, câncer, entremeadas por questões
relacionadas à sexualidade, ciclos de vida, raça,
pobreza e segurança alimentar, entre outras.
Há consistentes evidências sobre o uso desnecessário
de tecnologias levando à iatrogenia, violência e
insegurança do cuidado e aumento nos gastos financeiros.
Mais que garantir acesso é preciso garantir o direito à saúde.
Com qualidade. Isso requer mudanças pautadas em uma cultura
de cuidados que considere as mulheres com suas subjetividades,
dores, sofrimentos e direitos.
É necessário mudar a assistência hospitalar,
hoje penosa para as mulheres. Garantir assistência ao parto é um
discurso recorrente, mas as mulheres ainda não têm
vaga na maternidade na hora do parto. Apesar da lei que reconhece
os benefícios e concede o direito, não é permitido
o acompanhante no parto.
Urge mobilizar
toda a sociedade por mudanças no modelo
de parto. O praticado hoje piora e torna dolorosa — quando
não, trágica — a experiência, com a
sucessão abusiva de intervenções obsoletas
e arriscadas. Episiotomia, ocitocina, parto deitada e imobilizada,
sem acompanhante são a rotina das parturientes; no SUS
e nos serviços privados e conveniados. Esse abuso de tecnologias
ineficientes e violentas resiste a toda evidência científica
em contrário.
Para o planejamento
familiar, o SUS oferece métodos anticoncepcionais
em toda a rede. Sem as práticas educativas não
há escolha autônoma e ocorre indução
passiva dos profissionais na seleção do método.
Prevalece, no uso de contraceptivos, a clássica polarização:
cirurgia de trompas e os hormonais, pílulas e injetáveis.
Só a informação, a educação
em saúde, garante a escolha autônoma das mulheres
e assegura menor risco.
É preciso prevenir gravidez indesejada e, ao mesmo tempo,
adotar outras medidas para a redução da mortalidade
por aborto; humanizar a atenção ao aborto, espontâneo
ou provocado. Não cabe aos serviços de saúde
julgar e penalizar as mulheres. É preciso uma profunda
transformação cultural nos profissionais de saúde
e na opinião pública, pois boa parte das mortes
por causa do aborto ocorre em serviços de saúde
nos quais as mulheres são sujeitas a negligências
e abusos.
A presidente
Dilma disse em várias ocasiões: “Não
acho certo as mulheres morrerem por não serem atendidas
quando provocam o aborto”. Nessa perspectiva, é urgente
adotar o conceito da “redução de danos” para
o caso do aborto inseguro. É usado quando prevalece o
interesse de salvar vidas. É um imperativo ético
impedir que essas mulheres morram. Para não morrer, elas
precisam de acolhimento, informações, insumos,
serviços de saúde que lhes garantam a sobrevivência
e a vida. É isso que nós mulheres esperamos da
saúde no SUS do governo Dilma.
Saúde
Business Web
Dasa:
Implementação da TUSS não é problema
Por Guilherme Batimarchi
Ao contrário de outras instituições, laboratório
adotou sua própria tabela e agora começa o processo
de negociação com as fontes pagadoras
"Com isso tivemos a oportunidade de reorganizar a instituição
já com os novos padrões estabelecidos", é o
que afirma o gestor de garantia de receita da DASA, Carlos Moura.
De acordo com o executivo, os impactos causados pela implementação
da Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS)
foram positivos para a instituição, uma vez que
a nova tabela obrigou o laboratório a rever toda a descrição
e padronização de seus menus de exames. "Com
isso tivemos uma grande oportunidade de reorganizar a DASA com
o padrão TUSS, o que causa sempre um impacto muito positivo".
A instituição iniciou o processo de implantação
a há cerca de cinco meses fazendo toda a codificação
de seu menu de exames. Segundo Moura, após essa transição
e adaptação de mais de 200 tabelas, o laboratório
agora está em processo de negociação com
as fontes pagadoras.
O
Estado de São Paulo – Caderno
Vida
Narcolepsia faz OMS examinar vacina antigripal
Por Ana Maria Costa
Médica, sanitarista, doutora em ciências da saúde,
diretora executiva do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde
(Cebes), integra o Grupo Temático Gênero e Saúde
da Associação Brasileira de Pós-Graduação
em Saúde Coletiva (Abrasco)
O ministro
Padilha disse que a saúde das mulheres é prioridade.
Não é o primeiro que promete. O fato é que,
na prática, há retrocessos. O que esperamos, o
que precisamos em saúde?
É grave restringir as políticas de saúde
para mulheres às necessidades reprodutivas. Pior ainda
reduzir essa atenção ao ciclo gestação,
parto e puerpério. A saúde reprodutiva deve conter
o planejamento familiar para as que querem ou não engravidar
e a atenção ao abortamento, espontâneo ou
não. É urgente admitir o que os números
revelam quanto à dimensão do aborto e suas consequências
no adoecimento e morte das brasileiras. A proposta Rede Cegonha
(que nome infeliz e inapropriado!), mesmo sendo para atenção à saúde
reprodutiva, não pode desconsiderar essa abordagem.
A integralidade
da saúde da mulher é o enfoque
ampliado da condição, necessidades e demandas femininas.
Sustentado na retórica, o Paism — sigla usada para
referir à política de saúde integral para
as mulheres — foi gradualmente dilapidado até ser
reduzido a programas de cunho “materno infantil” que
proliferaram no SUS sob marcas como Mãe Curitibana, Nascer
Sorrindo, Nascer com Cidadania e outras. Todos eles são
reducionistas, mesmo sob o aspecto reprodutivo, porque elegem
como objeto o desfecho da gravidez e do bebê.
As mulheres
merecem uma revolução nas práticas
de saúde, com serviços que as respeitem e promovam
sua autonomia. Que valorizem o seu papel social e a complexidade
da saúde advinda da sobrecarga, da discriminação
intrínseca nas relações de gênero
e suas repercussões sobre o processo saúde/doença.
No mundo real, as mulheres convivem com violência, Aids,
drogas, depressão, câncer, entremeadas por questões
relacionadas à sexualidade, ciclos de vida, raça,
pobreza e segurança alimentar, entre outras.
Há consistentes evidências sobre o uso desnecessário
de tecnologias levando à iatrogenia, violência e
insegurança do cuidado e aumento nos gastos financeiros.
Mais que garantir acesso é preciso garantir o direito à saúde.
Com qualidade. Isso requer mudanças pautadas em uma cultura
de cuidados que considere as mulheres com suas subjetividades,
dores, sofrimentos e direitos.
É necessário mudar a assistência hospitalar,
hoje penosa para as mulheres. Garantir assistência ao parto é um
discurso recorrente, mas as mulheres ainda não têm
vaga na maternidade na hora do parto. Apesar da lei que reconhece
os benefícios e concede o direito, não é permitido
o acompanhante no parto.
Urge mobilizar
toda a sociedade por mudanças no modelo
de parto. O praticado hoje piora e torna dolorosa — quando
não, trágica — a experiência, com a
sucessão abusiva de intervenções obsoletas
e arriscadas. Episiotomia, ocitocina, parto deitada e imobilizada,
sem acompanhante são a rotina das parturientes; no SUS
e nos serviços privados e conveniados. Esse abuso de tecnologias
ineficientes e violentas resiste a toda evidência científica
em contrário.
Para o planejamento
familiar, o SUS oferece métodos anticoncepcionais
em toda a rede. Sem as práticas educativas não
há escolha autônoma e ocorre indução
passiva dos profissionais na seleção do método.
Prevalece, no uso de contraceptivos, a clássica polarização:
cirurgia de trompas e os hormonais, pílulas e injetáveis.
Só a informação, a educação
em saúde, garante a escolha autônoma das mulheres
e assegura menor risco.
É preciso prevenir gravidez indesejada e, ao mesmo tempo,
adotar outras medidas para a redução da mortalidade
por aborto; humanizar a atenção ao aborto, espontâneo
ou provocado. Não cabe aos serviços de saúde
julgar e penalizar as mulheres. É preciso uma profunda
transformação cultural nos profissionais de saúde
e na opinião pública, pois boa parte das mortes
por causa do aborto ocorre em serviços de saúde
nos quais as mulheres são sujeitas a negligências
e abusos.
A presidente
Dilma disse em várias ocasiões: “Não
acho certo as mulheres morrerem por não serem atendidas
quando provocam o aborto”. Nessa perspectiva, é urgente
adotar o conceito da “redução de danos” para
o caso do aborto inseguro. É usado quando prevalece o
interesse de salvar vidas. É um imperativo ético
impedir que essas mulheres morram. Para não morrer, elas
precisam de acolhimento, informações, insumos,
serviços de saúde que lhes garantam a sobrevivência
e a vida. É isso que nós mulheres esperamos da
saúde no SUS do governo Dilma.
Estudo feito
na Finlândia sugeriu que crianças
vacinadas com Pandemrix têm 9 vezes mais chances de sofrer
do distúrbio, que causa sono repentino
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está examinando
a segurança da vacina Pandemrix - indicada contra a gripe
H1N1 -, depois que um estudo realizado na Finlândia sugeriu
que as crianças vacinadas com ela tinham nove vezes mais
probabilidade de sofrer de narcolepsia, um distúrbio raro
do sono.
A narcolepsia
faz com que um indivíduo caia no sono inesperada
e repentinamente. Sua causa exata é desconhecida, mas
no geral se considera que ela é provocada por uma combinação
de fatores genéticos e ambientais.
Pesquisadores
do Instituto Nacional para a Saúde e Bem-Estar
da Finlândia informaram que a pesquisa realizada sugeriu
que o aumento de casos de narcolepsia se devia "com mais
probabilidade" a um efeito conjunto da Pandemrix e um ou
mais fatores. A vacina é fabricada pela farmacêutica
GlaxoSmithKline.
A pesquisa,
descrita como preliminar, foi realizada pelo comitê nacional
de narcolepsia finlandês e publicada pelo instituto. Foi
constatado um aumento de casos de narcolepsia entre crianças
e jovens vacinados, em idade de 4 a 19 anos.
A GlaxoSmithKline
declarou que está ciente da pesquisa,
mas acredita ser prematuro tirar qualquer conclusão. Uma
investigação em separado pelas agências reguladoras
europeias já está sendo realizada.
Segundo a
OMS, uma nova pesquisa é necessária
para se avaliar a relação entre a narcolepsia e
a vacina. A entidade afirma que está trabalhando nesse
sentido: "A comissão consultiva global sobre segurança
de vacinas, da OMS, está analisando todos os dados disponíveis
relacionados às notícias de um aumento de casos
de narcolepsia e deve publicar um comunicado nos próximos
dias."
O porta-voz
da OMS, Gregory Hartl, disse que a comissão
realizará uma teleconferência na sexta-feira para
discutir os dados.
Recomendações As recomendações para
o uso de vacinas contra gripe sazonal para 2011 não mudaram,
disse ele, e o problema da narcolepsia nunca foi relacionado
com nenhuma vacina contra gripe suína, sazonal ou outras
vacinas usadas em programas de imunização infantil.
Ele observou
que, embora a vacina Pandemrix tenha sido usada em todo o mundo
desde que foi lançada, durante a pandemia
de gripe suína em 2009/2010, o aumento no número
de casos de narcolepsia "foi observado somente na Finlândia,
Suécia e Islândia". "As evidências
ainda não são conclusivas", disse. "O
relatório final finlandês deve ser publicado em
agosto."
A GlaxoSmithKline
informou que essa vacina não foi administrada
no Brasil. Disse também que em outros 47 países
foram administradas mais de 31 milhões de doses. Desse
total, foram registrados 162 casos de narcolepsia, sendo 70%
deles na Finlândia, Suécia e Islândia. A farmacêutica
diz que, até o momento, o perfil risco/benefício
da vacina permanece positivo.
Jornal Monitor Mercantil
Garantia
de atendimento aos beneficiários
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) inicia
nesta quinta-feira (3) consulta pública com o objetivo
de receber da sociedade sugestões e críticas relativas à proposta
de norma sobre garantia de atendimento aos beneficiários
de planos de saúde.
O principal
objetivo da norma é estimular as operadoras
de planos de saúde a promover o credenciamento de prestadores
de serviços nos municípios que fazem parte de sua área
de cobertura. Além disso, o normativo pretende oferecer
equilíbrio na relação de consumo estabelecida
no ato da compra do plano de saúde, ao garantir que o
beneficiário terá acesso a tudo aquilo que ele
contratou. Os interessados em participar da Consulta Pública
nº 37 poderão enviar contribuições
no prazo de 30 dias.
Folha
de São Paulo– Caderno Saúde
Choque
de opiniões
Psiquiatras
dos EUA fazem lobby para ampliar o uso da eletroconvulsoterapia
; técnica, indicada em depressões
graves, divide os especialistas
Por Guilherme Genestreti
DE SÃO
PAULO
"É injusto. Cardiologistas são heróis
quando dão choque no peito, nós somos carrascos
porque damos choque no cérebro". A frase do psiquiatra
Moacyr Rosa, pesquisador da Universidade Duke, ilustra a polêmica
em torno da eletroconvulsoterapia.
Essa técnica é usada para tratar formas graves
de depressão e transtorno bipolar, além de esquizofrenia
catatônica (quando a pessoa fica prostrada por muito tempo)
e outros casos que não respondem à medicação.
A tecnologia
do "eletrochoque" (o termo é considerado
pejorativo) se modernizou nas últimas duas décadas,
mas ele ainda é alvo do que seus defensores chamam de
preconceito.
"Há pessoas que não admitem a aplicação
de técnicas mais contundentes", diz o psiquiatra
Sérgio Paulo Rigonatti, diretor do serviço de eletroconvulsoterapia
do Hospital das Clínicas. Lá são feitas
cerca de 25 aplicações diárias dessa terapia.
Uma sessão custa cerca de R$ 650 em clínica particular
de São Paulo. Em geral, o tratamento inclui de 10 a 12
aplicações, em dias intercalados.
A eletroconvulsoterapia
tem pouca semelhança com as imagens
que a tornaram famosa em filmes como "Um Estranho no Ninho".
Moacyr Rosa
diz que os procedimentos atuais para a aplicação
do "eletrochoque" são bem mais seguros. "A
quantidade de eletricidade é muito menor. Os aparelhos
permitem monitorar a atividade cerebral e cardíaca."
Mesmo as
convulsões causadas pela eletricidade são
hoje contidas por anestésicos e relaxantes musculares.
Mas, segundo
Antônio Mourão Cavalcante, professor
titular de psiquiatria da Universidade Federal do Ceará,
não se justifica substituir os remédios tradicionais
pela eletroconvulsoterapia.
"A melhora com antidepressivos é mais duradoura.
E, muitas vezes, não há diagnóstico certo
para encaminhar pessoas a essa técnica."
Cavalcante
também elenca os problemas de memória
como efeito colateral.
O psiquiatra
José Alberto Del Porto, da Unifesp, discorda: "A
perda da memória com a eletroconvulsoterapia é,
de fato, mais intensa do que a que pode ocorrer com antidepressivos,
mas não deixa de ser passageira".
Cavalcante
diz que a técnica pode render receita extra
para os médicos. "É bom para o médico
e para os planos de saúde, mas não sabemos se é bom
para o paciente."
REGULAMENTAÇÃO
Na quinta-feira,
um comitê da FDA (agência que regula
remédios nos EUA) reuniu apoiadores da técnica,
como a American Psychiatric Association, e opositores, como entidades
de defesa dos pacientes, para decidir a redução
da classificação de risco da eletroconvulsoterapia.
Por margem
estreita de votos, os conselheiros mantiveram o procedimento
como de
risco 3, o mais alto. Mas a decisão final cabe à FDA,
que vai definir o tipo de controle sobre a venda dos aparelhos.
No Brasil,
a eletroconvulsoterapia passou a ter controle mais rígido em 2002, quando o Conselho Federal de Medicina
definiu várias regras para a técnica, entre elas
a necessidade de anestesia geral, e estabeleceu as principais
indicações.
Mas Cavalcante
não descarta a possibilidade de haver
indicações inadequadas.
O psiquiatra
Sérgio Lima, da Unifesp, concorda. "Já atendi
dependentes de drogas que contaram ter passado pelo procedimento.
Correram risco sem ter benefício."
Folha
de São Paulo – Caderno Saúde
Cientistas
descobrem proteína associada ao risco de metástase
Substância é produzida
por tumor com mais chances de se espalhar
DA REUTERS
Pesquisadores
descobriram um composto que é produzido
pelos tumores com mais probabilidade de se espalharem. Segundo
os cientistas, a substância pode ser usada para prever
quais pacientes têm mais risco de morrer por causa da doença.
Experiências com ratos sugeriram também que pode
haver uma maneira de bloquear essa proteína, evitando
que o câncer se espalhe.
As descobertas,
de uma equipe dos Institutos Nacionais de Saúde
dos EUA e da Universidade de Hong Kong, foram publicadas no "Journal
of Clinical Investigation".
A proteína produzida pelos tumores, chamada CPE-delta
N, foi encontrada em grandes quantidades nos casos em que o câncer
se espalha, segundo Y. Peng Loh, do Instituto Nacional de Saúde
Infantil e Desenvolvimento Humano, dos EUA.
"Células de câncer se separam do tumor primário
e penetram nos vasos linfáticos e sanguíneos. Essas
células, depois, formam tumores em outras regiões
do corpo", explicou a médica. Essa disseminação
dos tumores geralmente mata os pacientes.
A equipe
de Loh testou os tumores de 18 pacientes com câncer
de fígado que já havia se espalhado, mas só dentro
do próprio fígado.
"Esses pacientes, em geral, recebem a informação
de que seu câncer não vai voltar", disse Loh.
Essas pessoas não receberam quimioterapia depois da cirurgia.
Treze desses
pacientes tinham níveis baixos da proteína
CPE-delta N, e dez deles estavam livres do câncer três
anos após a cirurgia.
Mas três dessas pessoas com baixos níveis da proteína
tiveram recaídas. Com isso, o resultado do teste teve
77% de eficácia para quem tinha taxas baixas da proteína.
Cinco dos
18 pacientes apresentaram altos níveis da proteína.
Quatro deles tiveram mesmo recaídas, dando ao teste 90%
de precisão.
Se os resultados
se confirmarem, pacientes que tiverem níveis
altos da proteína podem receber mais químio e radioterapia
para controlar o risco de metástase.
"O teste oferece a possibilidade de estimativas mais precisas
para as chances de um câncer se espalhar", afirmou
Alan Guttmacher, diretor do Instituto Nacional de Saúde
Infantil e Desenvolvimento Humano, dos EUA.
Os pesquisadores
também suprimiram a proteína
em ratos, e isso evitou que os tumores implantados nos roedores
se espalhassem.
O próximo passo, segundo os participantes do estudo, é encontrar
uma molécula capaz de desativar o gene que induz a proteína
no tumor e que possa ser transformada em medicamento.
Correio
Braziliense – Caderno Saúde
Luta contra a leishmaniose
Pesquisa
encomendada pelo Ministério da Saúde
a seis universidades brasileiras pretende verificar eficácia
e segurança de três medicamentos usados no país
contra a doença
Belo Horizonte —Um estudo encomendado pelo Ministério
da Saúde vai, pela primeira vez, avaliar a eficácia
dos medicamentos usados no tratamento da leishmaniose visceral — também
conhecida como calazar — no Brasil. O objetivo é que,
a partir do resultado da pesquisa, seja melhorado o tratamento
e aumente o índice de cura da doença, que é endêmica
em 62 países e na América Latina e tem maior ocorrência
no Brasil. Entre 1987 e 2006, foram registrados no país
53,7 mil casos, com uma média de 2.689/ano e 1.650 casos
para cada grupo de 100 mil habitantes.
O “Estudo multicêntrico de eficácia e segurança
dos fármacos recomendados para o tratamento da leishmaniose
visceral no Brasil” será realizado em nível
nacional, com a participação de pesquisadores de
seis universidades das regiões Sudeste, Norte, Nordeste
e Centro-Oeste, entre as quais a Universidade de Brasília
(UnB), a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes),
no norte de Minas Gerais, e as universidades federais do Piauí (UFP),
de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Tocantins (UFT) e de Sergipe
(UFS). Também envolve o Centro de Pesquisa Renê Rachou,
da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sediado em
Belo Horizonte.
O objetivo
do estudo é avaliar a eficácia e a
segurança de três medicamentos usados contra o calazar
no país: antimoniato de N-metil glucamina, desoxicolato
de anfotericina B e anfotericina B lipossomal. Entre outros aspectos,
serão observados a taxa de cura e o tempo decorrido até a
recuperação clínica e hematológica
dos pacientes tratados com os três remédios. “Esses
medicamentos são usados há muito tempo no tratamento
da leishmaniose. Mas, até hoje, não há no
país uma pesquisa que comprove como eles funcionam, qual é o
melhor dos três e qual a dose recomendada. Finalmente,
teremos respostas para essas perguntas”, afirma o professor
Silvio Fernando Guimarães de Carvalho, coordenador da
pesquisa. Ele também coordena o Centro de Pesquisa em
Doenças Parasitárias e Infecciosas do Hospital
Universitário Clemente de Faria, da Unimontes, que é referência
no atendimento de portadores do calazar.
O pesquisador
salienta que, até agora, o tratamento da
doença com os três medicamentos disponíveis
no mercado vem sendo feito por meio de “consenso” entre
os profissionais que atuam na área. “O tratamento
deixará de ser baseado em consenso e terá como
referência um estudo científico, que vai permitir
que os pacientes sejam tratados com drogas mais eficazes e com
menos efeitos colaterais. Com isso, o índice de cura será elevado,
diminuindo os riscos de complicações para quem
tiver a doença. Além disso, o tempo do tratamento
poderá ser mais curto”, enfatiza Guimarães
de Carvalho.
Ele ressalta
que outro objetivo é que a pesquisa venha
reduzir a taxa de mortalidade nos casos de leishmaniose visceral,
que, atualmente, é da ordem de 10%. O pesquisador lembra
ainda que há uma preocupação em relação
ao controle do calazar porque a doença, que antes era
restrita a algumas áreas, hoje se espalhou por todo o
país. Recentemente, foi confirmado um caso da moléstia
na Região Sul, onde, até então, não
existiam registros da leishmaniose. Orçada em R$ 1 milhão,
a pesquisa sobre os medicamentos usados contra a doença
visceral é financiada pelo Ministério de Ciência
e Tecnologia, pela Financiadoraa Nacional de Estudos e Projetos
(Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq), contando ainda com o apoio do Ministério
da Saúde. O trabalho deverá ser concluído
dentro de dois anos.
O estudo
sobre a eficácia e segurança dos medicamentos
para combater a moléstia vai ser feito a partir do acompanhamento
de pacientes nos centros de referência para o tratamento
da doença instalados em hospitais públicos de Belo
Horizonte, Montes Claros, Campo Grande (MT), Palmas (TO), Teresina
(PI) e Aracaju (SE). Em Belo Horizonte, serão acompanhados
portadores do calazar atendidos no Hospital João Paulo
II, que pertence à Fundação Hospitalar do
Estado de Minas Gerais (Fhemig). Ainda na capital mineira, o
Centro de Estudos René Rachou vai servir como suporte
para a realização de análises em laboratórios.
Em Montes Claros, a unidade de referência para o acompanhamento
dos pacientes será o Hospital Universitário Clemente
Faria, que recebe pessoas de todo o norte de Minas, onde a leismaniose é endêmica.
Em todas
as unidades envolvidas, serão acompanhados 660
pacientes entre adultos e crianças, divididos em quatro
grupos. Haverá a avaliação dos efeitos colaterais
e da evolução do tratamento e da cura com o uso
do desoxicolato de anfotericina B, da anfotericina B lipossomal
e do antimoniato de N-metil glucamina. O estudo será comparativo,
observando a eficácia e outros aspectos de cada um dos
três medicamentos em relação aos outros remédios
usados no tratamento do calazar.
Jornal
O POVO - Caderno Ciência e Saúde, 30.01.2011
Artigo especial
A
Saúde
deveria ser prioridade*
Florentino
Cardoso - Presidente da AMC e diretor de Saúde
Pública da AMB
A saúde precisa ser levada a sério, pois é nosso
bem maior. Lembremos a pesquisa de opinião encomendada
pela Secretaria de Comunicação da Presidência,
feita em 4.500 domicílios de 240 municípios do
País, realizada nos últimos meses de 2010, onde
36% dos entrevistados mostraram a saúde como o principal
problema. Número bem maior do que o visto em 2009, quando
a saúde era tida como o principal problema para 22,7%
da amostra da população. Não podemos deixar
que essa tendência ocorra, muito pelo contrário,
devemos fazer muito mais, para que amenizemos os inúmeros
problemas existentes na saúde brasileira, pública
e privada.
Defensores
que somos do SUS, lutamos pelo seu fortalecimento, inclusive
com foco
no financiamento, pois precisamos sim de mais
recursos e não de mais impostos. Estima-se que o Brasil
gasta com saúde cerca de 300 bilhões por ano, incluindo
o privado e o público, nas três esferas: municipal,
estadual e federal. Cerca de 40% desse montante é público,
que não é adequado para um país com nosso
perfil demográfico, sócio-econômico e com
a universalidade do SUS. O orçamento do ministério
da saúde para 2011 gira em torno de R$ 77 bilhões
de reais, quando precisaríamos de pelo menos 100 bilhões.
Assim, 2011 já inicia com um déficit superior a
20 bilhões. O que esperar?
Os gastos
públicos em saúde em 2010 no Brasil
foram de cerca de U$ 350.00 (trezentos e cinqüenta dólares)
por habitante por ano. Muito aquém do que preconiza a
OMS – organização mundial de saúde,
que para dar a um povo condições mínimas
de saúde (grifo nosso), seriam necessários pelo
menos U$ 500.00/hab/ano.
Analisemos
a arrecadação de tributos federais
em 2010, quando teve crescimento real (corrigido pela inflação
medida pelo IPCA - índice de preços ao consumidor
amplo) de 9,85% em relação a 2009. A arrecadação
de tributos federais chegou a R$ 826,065 bilhões em 2010,
com aumento real de R$ 74,087 bilhões na comparação
com 2009 (15,38% a mais). Os principais tributos são COFINS,
PIS/PASEP, IRPF (imposto de renda pessoa física), IRPJ
(imposto de renda pessoa jurídica), CSLL (contribuição
social sobre o lucro líquido), IOF, IPI. O governo federal é quem
mais arrecada e progressivamente vem se desonerando no financiamento
da saúde. Em 2010 o IRPJ com a CSLL teve uma queda de
0,14%, mas o IRPF teve alta de 10,59% em relação
a 2009. Sacrifica a classe média, a classe trabalhadora.
Os gastos
do governo federal de 2003 a 2010 cresceram de 15,04 para 17,51
do PIB.
O governo federal gasta muito e mal. Os gastos
com custeio da saúde cresceram 0,05% nesse mesmo período
(de 1,35% para 1,40% do PIB). Os gastos totais da saúde
(custeio, pessoal e investimento) passaram de 1,80% para 1,97%
do PIB) A saúde ficou somente com 2% do total do aumento
e a educação com 8%, enquanto a previdência
e outras despesas vinculadas ao salário mínimo
cresceram 55,4% e as do Legislativo, Judiciário e Ministério
Público mais de 30%. Para quem saúde é prioridade
nesse país?
Teve vasta
divulgação e tem ainda grande repercussão
o aumento concedido aos senadores, deputados federais, estaduais
e vereadores. Legislam em causa própria? Como podem ter índice
tão elevado de aumento (pelo menos 62%), quando a classe
trabalhadora desse país, tem aumento nos seus vencimentos
bem inferiores. O pior é que nos deparamos no cotidiano
com notícias de quantos dias trabalham muitos desses deputados,
vereadores. Alguns deles sem nenhuma produção no
que se relaciona a apresentação de projetos. Alguns
envolvidos em escândalos, em desvios, em corrupção.
Os funcionários públicos estaduais no Ceará terão
aumento de 5% esse ano. Pasmem! Quais as explicações?
Existem? Convencem? Com a resposta os beneficiados com esses
aumentos abusivos, que corroem a esperança dos brasileiros
nos políticos.
Mudar esse
cenário é nosso desejo. Para isso,
precisamos educar melhor nosso povo. Como fazer isso? Investindo
também na educação dos brasileiros. O custeio
da educação no Brasil de 2003 a 2010 saiu de 0,42%
para 0,62% do PIB. No Brasil, 16% das crianças aos 9 anos
estão abaixo da série adequada. Aos 16 anos esse
percentual cresce para 40%. No Brasil, a média de anos
na escola (escolaridade) para pessoas com mais de 25 anos é de
7,2 anos, que é semelhante ao do Zimbábue, que
tem o pior IDH (índice de desenvolvimento humano), de
acordo com recente divulgação da ONU (organização
das nações unidas).
Vamos cuidar
do nosso povo, das nossas crianças, dos
nossos idosos, que hoje são cerca de 20 milhões,
com uma estimativa real de que cheguemos a 30 milhões
de idosos no Brasil em 2020. A saúde e a educação
precisam melhorar muito. O povo brasileiro merece respeito!