Leia
nesta edição:
- Governo
de SP faz campanha para vacinar jovens de até 24
anos contra a hepatite
- Exame para
médicos
formados no exterior aprova apenas 2 candidatos
- Luz intensa
combate infecção hospitalar
- Lupa na
Saúde
- Renda pesa
mais que raça no acesso à saúde
- CNJ propõe
sistema informatizado de medicamentos
- Governo
ainda gasta pouco com a saúde, diz Temporão
- Projetos facilitam acesso a medicamentos gratuitos
- Brasileiros
querem carro novo, viagens e plano de saúde
em 2011
- Planos
de saúde terão
que se justificar
Terça-feira,
28.12.10
Folha de S.Paulo
Governo
de SP faz campanha para vacinar jovens de até 24
anos contra a hepatite
DE
SÃO
PAULO
A Secretaria
da Saúde de São Paulo iniciou nesta
semana uma campanha para intensificar a vacinação
de 5,4 milhões paulistas contra a hepatite B. Antes, a
vacina estava disponível para as pessoas com idade entre
um e 19 anos, mas agora também será oferecida para
a faixa etária de 20 a 24 anos.
O objetivo
da ação é aproveitar o período
de férias escolares para intensificar a vacinação
e proteger os jovens contra a hepatite. A vacina pode ser encontrada
em qualquer posto de saúde. Para ficar completamente imunizado é preciso
tomar três doses. A segunda dose acontece um mês
depois da inicial --a terceira, após seis meses.
Dados da
Secretaria apontam que o pior índice de cobertura
da vacina contra a hepatite B está na faixa etária
de 15 a 19 anos, com 68% de imunizados. Já os paulistas
entre 11 e 14 anos têm cobertura de 81%, enquanto entre
crianças entre 1 e 10 anos a cobertura vacinal é superior
a 90%.
O Estado de S.Paulo
Exame
para médicos
formados no exterior aprova apenas 2 candidatos
Lígia
Formenti
O projeto
piloto criado pelo governo para validar diplomas de médicos formados no exterior teve uma estreia melancólica.
De 628 que se inscreveram no teste, aplicado em outubro, apenas
2 foram aprovados. "Foi um índice muito baixo",
admitiu o secretário de Gestão do Trabalho e da
Educação na Saúde, Francisco Campos. Os
candidatos são, majoritariamente, brasileiros formados
em universidades cubanas e bolivianas.
Diante do
resultado, integrantes dos Ministérios da Educação
e da Saúde, responsáveis pelo projeto, devem rediscutir
a prova. "Talvez alguns pontos precisem ser mudados, como
a nota mínima para aprovação", adiantou
Campos. A secretária de Educação Superior
do MEC, Maria Paula Dallari, confirmou que critérios deverão
ser revistos. "Na nossa avaliação o processo é bom,
só precisa de ajustes."
Para atuar
no País, médicos formados no exterior,
sejam estrangeiros ou brasileiros, precisam ter seu diploma reconhecido
por instituições brasileiras. Cada universidade
escolhe seu modelo. Em geral, ele inclui avaliação
de currículo, realização de uma prova e
cobrança de uma taxa, que varia de R$ 100 a R$ 5 mil.
Com o crescente
número de brasileiros formados em universidades
cubanas, bolivianas e argentinas, começou um movimento
para pressionar o governo para encontrar outras alternativas.
A prova para validação foi a solução
encontrada.
O formato
prevê um teste uniforme, adotado por todas as
universidades. A prova é aplicada pelo Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do MEC. Antes da
prova, um dos requisitos avaliados é a análise
do currículo. Nessa peneira, de 628 candidatos, ficaram
506. "Notamos que houve um comparecimento baixo nas provas.
Dos 506 com candidatos liberados para o exame, 268 compareceram",
disse Campos. "Tradicionalmente, provas de revalidação
são difíceis. Isso é assim em outros países."
Qualidade.
Favorável ao novo modelo proposto pelo governo,
o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de São
Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Júnior, não se
espanta com resultado. "Ele revela a baixa qualidade de
muitas das escolas no exterior." Azevedo Júnior conta
que, nos últimos anos, diante da dificuldade em obter
uma vaga em escolas do País, uma legião de estudantes
brasileiros vai para países próximos, em busca
de um diploma de Medicina.
"É uma saída ilusória. Eles solucionam
o problema atual, que é o ingresso na universidade, mas
criam um outro para o futuro: a dificuldade de ingressar no mercado
de trabalho."
Para ele,
a baixa aprovação não deveria
ser motivo para que Ministérios da Saúde e da Educação
alterassem os critérios da prova. "É preciso
manter o padrão. São selecionados profissionais
para atender pacientes. Os critérios têm de ser
firmes."
Maria Paula
afirma que a matriz da prova do Inep deverá ser
usada em outras avaliações, inclusive de brasileiros. "O
formato, em si, é ótimo. Ajustes não significam
que o nível de exigência ficará baixo".
Folha de S.Paulo
Luz
intensa combate infecção hospitalar
Sistema desenvolvido
em universidade escocesa desinfeta ambientes com iluminação
de espectro estreito
Descontaminação pode ser feita na presença
dos pacientes; invenção estará disponível
para venda no ano que vem
DENISE MOTA
Pesquisadores
escoceses desenvolveram um processo de desinfecção
permanente, inofensivo à saúde humana, que não
requer treinamento específico e de ampla eficácia,
que pode penetrar até no canto mais oculto de um quarto
de hospital.
A nova luz
pode ser usada na presença dos pacientes e
durante atividades de rotina do hospital, afirma a microbiologista
Michelle Mclean, uma das responsáveis pelo estudo.
"Esse método é o primeiro do gênero.
Os procedimentos atuais de descontaminação de quartos
envolvem gases esterilizantes ou luz ultravioleta, o que requer
o esvaziamento do local", diz Mclean.
A invenção foi batizada de Sistema de Descontaminação
Ambiental de Luz HINS (sigla em inglês para High-Intensity
Narrow-Spectrum -luz de alta intensidade e espectro estreito).
O sistema,
criado na Universidade de Strathclyde, encontra-se em processo
de
comercialização e estará disponível
a instituições de saúde de todo o mundo
a partir do ano que vem.
PROTEÇÃO
A MAIS
Testes clínicos com a nova tecnologia indicaram eficácia
60% superior à apresentada pelas operações
de desinfecção tradicionais.
No entanto,
afirmam os pesquisadores, o objetivo não é substituir,
e sim adicionar o sistema aos métodos convencionais.
"É conhecida a dificuldade em determinar exatamente
de que forma a redução de bactérias resulta
na diminuição de infecções associadas
ao tratamento hospitalar, mas hoje se entende que, quanto mais
limpo o ambiente, menor o risco de adquirir infecções."
O sistema
escocês descontamina o ar e todas as superfícies
expostas à luz HINS.
"As ondas desse tipo de iluminação excitam
as moléculas existentes nas bactérias, produzindo
reações letais a micro-organismos como o Staphylococcus
aureus", diz a microbiologista.
SUPERBACTÉRIAS
O crescente
aparecimento das "superbactérias" levou
a equipe de pesquisadores -formada por um engenheiro elétrico,
dois microbiologistas e um físico especializado em óptica-
a iniciar estudos no tema em 2006.
Dois anos
depois, o método passou a ser testado no Glasgow
Royal Infirmary, hospital público escocês.
No Brasil,
o índice de infecção hospitalar
pode chegar a 16 casos a cada mil dias de internação.
Nos Estados Unidos, essa proporção se reduz a 8
por mil.
Debelar o
problema completamente é, nas condições
atuais, uma quimera, explica o infectologista Jorge Amarante,
coordenador da Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH) do hospital Samaritano.
"As CCIHs em todo o mundo têm como meta a diminuição
da velocidade com que aparece a resistência bacteriana,
mas ela é inevitável e atingiu um alto grau de
complexidade."
Para o infectologista,
uma das maiores causas para o problema é a
falta de pesquisas que derivem em novos antibióticos.
"Estamos vivendo uma crise mundial de investimento em saúde.
Enquanto não houver uma tomada de posição
por parte dos órgãos internacionais, vai haver
cada vez mais superbactérias”.
Folha de S.Paulo
Lupa
na Saúde
Renata Lo Prete
painel@uol.com.br
O empresário Jorge Gerdau acertou sua primeira participação
no governo de Dilma Rousseff: o Movimento Brasil Competitivo,
entidade fundada por ele, traçará um diagnóstico
do funcionamento da Funasa e do Ministério da Saúde.
O convite foi feito por Alexandre Padilha, que assumirá a
pasta na segunda-feira. Na mesma data será assinado o
termo de compromisso que formalizará o início da
consultoria.
A princípio, a presidente eleita desejava ver Gerdau
no primeiro escalão. Após conversa no início
do mês, ficou acertado que ele integraria um "núcleo
de gestão" do próximo mandato, em formato
a ser definido.
O Globo
Renda
pesa mais que raça no acesso à saúde
Estudiosos
discordam de estudo e dizem que desigualdade no tratamento é sobretudo
por causa da classe social
Dandara Tinoco
O nível social do paciente pesa muito mais do que a sua
cor na desigualdade existente no acesso à saúde
pública no Brasil. É o que defendem especialistas,
ao analisarem o estudo do economista e pesquisador da UFRJ Marcelo
Paixão divulgado domingo pelo GLOBO. Segundo a pesquisa
dele, brancos e negros têm acesso desigual ao Sistema Único
de Saúde (SUS), o que é contestado por especialistas
do setor.
- Eu não concordo que o SUS é racista. A ideia
de que é necessária uma política de saúde
para negros é bastante polêmica. Eu não concordo
- sustenta a professora de Economia da Saúde da UFRJ Ligia
Bahia.
Para a médica, as desigualdades de renda são tão
grandes que acabam "ofuscando" outras variáveis,
como raça e gênero:
- Se alguém chegar falando português correto num
hospital vai ser mais bem atendido. Já se for um branco
ariano falando errado vai ser mais mal atendido. É uma
discriminação sutil: a discriminação
por status. O mesmo ocorre com quem chega mais bem ou mais mal
vestido. É um simplificação dizer que o
problema está só na cor da pele.
"Efeito de raça
praticamente inexiste"
A pesquisadora
Cláudia Travassos, do Instituto de Comunicação
e Informação Científica e Tecnológica
em Saúde (Icict) da Fiocruz, concorda. Ela chama atenção
para o fato de que pretos e pardos estão em maior número
entre os mais pobres e os com menor acesso à educação:
- O Brasil
tem pardos e pretos mais concentrados nas camadas mais pobres
e de menor
escolaridade. A sociedade não é estruturada
racialmente, como em outros países, o que não quer
dizer que não temos problemas raciais. Mas muito precocemente
tivemos leis sobre o assunto e nos miscigenamos desde o início.
Sem dúvida nenhuma, o efeito de renda é mais forte
do que o de raça, que praticamente inexiste.
Segundo a
pesquisadora, apesar de existir de fato racismo, mesmo no que
diz respeito
ao tratamento dado aos pacientes (o estudo
mostra que 15,6% dos pretos e pardos que foram atendidos declararam
que o serviço era regular, ruim ou muito ruim), o preconceito é maior
em relação ao pobres.
O coordenador
da Comissão Nacional Pró-SUS e segundo
vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio
Tibiriçá, afirma que o abismo é ainda maior
quando o serviço particular também é levado
em consideração:
- A questão racial tem historicamente dificultado o acesso
a vários setores da cidadania, mas, no caso da saúde,
me parece que isso passa pela questão social. Basicamente
as pessoas que têm emprego formal e renda têm planos
de saúde - e isso no Brasil é só 23% da
população. Ao povo, 150 milhões de pessoas,
sobra o SUS.
Já Marcelo Paixão defende seu estudo e afirma
que a desigualdade entre as raças foi confirmada mesmo
quando comparados pacientes com o mesmo nível escolar,
caso de parte do indicadores como o acesso a exames preventivos.
- Não ignoramos que a dimensão social esteja envolvida.
Mas é impossível deixar de lado que há diferença
de tratamento entre raças. Temos que enfrentar o problema.
SBW
CNJ
propõe
sistema informatizado de medicamentos
A ideia é que as informações possam servir
como subsídio aos magistrados no momento das decisões
judiciais.
O Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) quer criar um sistema
informatizado com dados científicos sobre eficácia,
efetividade e a segurança dos medicamentos, a proposta
foi discutida em reunião com os membros do Conselho. O
objetivo de intensificar os trabalhos para a discussão
dos conflitos judiciais no setor de saúde. A ideia é que
as informações possam servir como subsídio
aos magistrados no momento das decisões judiciais.
Para viabilizar
o projeto seria utilizado como base de dados, o Centro Cochrane
do Brasil e a Unifesp, que disponibilizariam
o acesso a juízes e desembargadores no momento do julgamento
das demandas judiciais que pedem a liberação de
medicamentos, principalmente junto ao Sistema Único de
Saúde (SUS). Além disso, as parcerias permitirão
a realização de cursos de capacitação
relacionados ao tema, voltados para magistrados e demais profissionais
da área jurídica.
Segunda-feira, 27.12.10
Agência
Brasil
Governo
ainda gasta pouco com a saúde, diz Temporão
Nielmar de Oliveira
O ministro
da Saúde, José Gomes Temporão,
disse hoje (27), em entrevista à Agência Brasil,
que o governo federal ainda gasta pouco com o setor de saúde,
que, em sua avaliação, é financiado em grande
parte pelas famílias e pelo setor privado.
Segundo Temporão, o país gasta atualmente cerca
de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens
e serviços produzidos no Brasil com a saúde da
população – o equivalente a R$ 300 bilhões
por ano.
“O problema é que apenas 40% desses gastos em saúde
são públicos. Os outros 60% são recursos
da iniciativa privada. Ou seja, quem financia a saúde
pública no Brasil são as famílias e as empresas,
pois o governo gasta pouco. É essa equação
que tem que mudar. Agora de onde vão sair os recursos
novos para melhorar o financiamento do sistema público é um
problema que cabe ao Congresso Nacional, ao novo governo e à sociedade
resolver”.
Ao falar
do fim da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada
pelo Congresso Nacional, o ministro – que será substituído
por Alexandre Padilha na pasta da saúde do novo governo
- Temporão afirmou que o fim da CPMF retirou, em quatro
anos, R$ 24 bilhões do Programa de Aceleração
do Crescimento para o setor (o PAC da Saúde).
O ministro,
no entanto, não quis se manifestar sobre
a possibilidade da volta da contribuição, como
chegou a ser cogitada. “A essa altura do campeonato eu
já não sou nem a favor, nem contra - muito pelo
contrário. Há, porém, um consenso generalizado
entre os especialistas de que o sistema público de saúde
precisa de mais recursos. Agora como vai ser feita essa equação
de garantia de recursos adicionais, é uma outra questão”.
Temporão destaca realizações no setor de
saúde
Nielmar de Oliveira
A criação do programa Saúde da Família
e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
(Samu), que atualmente beneficiam mais de 100 milhões
de pessoas, e as megacampanhas contra a rubéola e a gripe
suína foram apontadas hoje (27) pelo ministro da Saúde,
José Gomes Temporão, entre as principais realizações
de sua administração.
Temporão citou também a Farmácia Popular,
que, segundo ele, tem papel importante por propiciar o acesso
da população a medicamentos mais baratos e subsidiados,
e o programa Brasil Sorridente. Esse programa transformou a saúde
bucal em parte das prioridades de saúde pública
no país, disse o ministro, em entrevista à Agência
Brasil, após participar da inauguração do
segundo centro de terapia intensiva do Hospital Federal de Ipanema,
que passa por obras de reforma e ampliação.
Temporão lembrou ainda a incorporação de
três novas vacinas à rotina do Programa Nacional
de Imunizações – uma delas é contra
o rotavírus, umas das principais causas de diarréia
grave em lactentes e crianças jovens. Além disso,
o ministro ressaltou a parceria público-privada na produção
de medicamentos que antes eram importados e a ampliação
do mercado de genéricos, que saiu de 5% do total em 2002,
para 20% nos dias de hoje.
O ministro
José Gomes Temporão será substituído
no governo Dilma Rousseff pelo atual ministro de Relações
Institucionais, Alexandre Padilha.
Brasil
terá vacina contra a dengue em até quatro
anos, afirma Temporão
Nielmar de Oliveira
O governo
federal está testando no Espírito Santo
uma vacina contra todos os tipos de vírus da dengue e
que, em três a quatro anos, ela estará sendo usada
para vacinar a população contra a doença,
disse hoje (27) o ministro da Saúde, José Gomes
Temporão.
“A vacina está sendo desenvolvida pela Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com um laboratório
francês. E já estamos testando pela primeira a vacina
em seres humanos. Os testes estão sendo feitos no estado
do Espírito Santo e a nossa expectativa é de que,
em três a quatro anos, tenhamos uma vacina segura no mercado
para todos os vírus”, afirmou Temporão, em
entrevista à Agência Brasil.
As informações do ministro da Saúde foram
dadas após visita às obras de reforma, ampliação
e modernização do Hospital Federal de Ipanema,
na zona sul do Rio. Na ocasião, o ministro admitiu que
a dengue foi um dos principais problemas enfrentados em sua gestão
e que, por ser uma doença endêmica, teve anos piores
e outros em que a situação esteve mais sob controle.
“Durante todos estes anos foi um problema recorrente,
porque é uma doença complexa e com relação
direta com acesso à água, limpeza das cidades,
informação, educação, padrão
de urbanização. Então, enquanto a vacina
não chega, a solução é prevenir e
educar a população e conscientizá-la do
problema”.
Agência Câmara
Projetos facilitam acesso a medicamentos gratuitos
Propostas
podem reduzir a necessidade de ações
judiciais contra o SUS. No ano passado, o SUS foi alvo de 1.780
ações relativas ao fornecimento de remédios.
Duas propostas
do Senado em tramitação na Câmara
facilitam o acesso de pacientes do Sistema Único de Saúde
(SUS) a remédios. A primeira (PL 3171/00) garante aos
portadores de doenças crônico-degenerativas receber
gratuitamente medicamentos de uso contínuo em farmácias
comerciais sempre que não houver o produto na rede própria,
contratada ou conveniada do SUS. A outra (PL 7445/10) cria uma
metodologia clínica para nortear a decisão de médicos
de prescrever ou não determinado medicamento e busca uniformizar
as decisões judiciais em ações de requisição
de remédios.
O primeiro
projeto já foi aprovado quanto ao mérito
e aguarda a análise da admissibilidade (adequação
orçamentária e constitucionalidade). O segundo
projeto foi aprovado em caráter conclusivoRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo.
O projeto perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de
aprovado ou rejeitado pelas comissões, houver recurso
contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos
dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário.
e será enviado para sanção presidencial,
a menos que haja recurso para votação pelo Plenário.
O prazo para recurso é de cinco sessões ordinárias
do Plenário a partir de 20 de dezembro.
Segundo o
deputado Dr. Nechar (PP-SP), relator do PL 3171 na Comissão de Seguridade Social e Família, as ações
judiciais para garantir medicação beneficia apenas
pacientes com maior poder aquisitivo, que conseguem "advogado,
promotor e juiz para garantir a medicação que,
muitas vezes, ainda está em pesquisa".
Na opinião do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS),
relator do PL 7445 na mesma comissão, protocolos clínicos
e diretrizes terapêuticas, aliados à mais agilidade
na incorporação de novos medicamentos, auxiliarão
os juízes a balizar suas decisões. Segundo ele,
a falta de regulamentação sobre a questão
leva o juiz a liberar todos os pedidos, o que nem sempre é benéfico
para o paciente.
"No meu estado, já até mandaram prender o
secretário da Saúde por falta de medicamentos",
disse o deputado Manato (PDT-ES), que é o 3º vice-presidente
da comissão. Segundo ele, com a garantia de acesso a medicamentos
em farmácias comerciais com ressarcimento pelo SUS, o
Poder Executivo, nas três esferas, terá de fazer
um planejamento de estoque de medicamentos mais bem elaborado
para não aumentar os custos.
Os maiores gastos do SUS com medicamentos
Fórum do Judiciário
Os poderes
Judiciário, Executivo e Legislativo buscam
formas de diminuir a quantidade de ações judiciais
contra o SUS. Em agosto, o Ministério da Saúde
e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instalaram o Fórum
Nacional do Judiciário para Monitoramento e Resolução
das Demandas de Assistência à Saúde. O objetivo
do trabalho conjunto é propor medidas e normas para diminuir
o número de ações judiciais relacionadas à saúde.
Um primeiro
encontro para discutir a resolução
desses conflitos foi encerrado no último dia 19. Juízes,
advogados, representantes do setor de saúde e gestores
públicos debateram sobre a obrigatoriedade de fornecimento
de medicamentos, entre outros temas.
Entre os
compromissos assumidos na reunião estão
a criação de comitês estaduais compostos
por juízes para monitorar o andamento das demandas judiciais
da área de saúde e a edição de uma
resolução do CNJ com procedimentos que garantam
mais rapidez na tramitação dessas ações.
Gastos
Em 2009,
o Ministério da Saúde gastou R$ 83,16
milhões para comprar medicamentos exigidos em 1.780 ações
judiciais. Os recursos financeiros foram destinados à compra
de 1.151 diferentes produtos. Entre eles, medicamentos de alto
custo (geralmente utilizados no tratamento de doenças
raras) como também medicamentos da chamada "assistência
farmacêutica básica". Somente com a compra
de medicamentos para atenção básica, que
inclui entre outros vacinas, antibióticos, anti-inflamatórios
e contraceptivos, o órgão gastou R$ 865 milhões
em 2009, valor cinco vezes maior do que o gasto em 2003.
Segundo o órgão, a maioria dos medicamentos e
produtos solicitados pela via judicial não tem registro
na Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), que comprova eficácia e segurança, ou
poderia ser substituída por outros remédios semelhantes
disponíveis no SUS.
Norma atual
Atualmente,
para orientar quais medicamentos devem ser oferecidos gratuitamente à população pelo SUS, o Ministério
da Saúde utiliza a Relação Nacional de Medicamentos
Essenciais (Rename). A lista, atualizada a cada dois anos, é composta
por 343 medicamentos, que servem de base para estados e municípios
definirem a oferta na rede pública, conforme a situação
epidemiológica local.
Para adquirir
os medicamentos, o ministério realiza licitações
e encaminha os lotes para as secretarias de estados de saúde.
Segundo o ministério, os estados são os responsáveis
pelo fornecimento dos remédios e por todo o monitoramento
e acompanhamento dos pacientes.
Bom Dia Brasil
Brasileiros
querem carro novo, viagens e plano de saúde
em 2011
Pesquisa
revela que o brasileiro espera realizar em 2011 projetos que
antes não
passavam de sonho de consumo
Faltam cinco
dias para 2011. Você já fez a sua
lista de desejos para o Ano Novo? E o que pediu? Um carro ou
uma casa nova? Uma pesquisa revela que o brasileiro quer tirar
do papel antigos sonhos de consumo.
Com mais
dinheiro no bolso, a nova classe média quer
viajar mais e quer investir em planos de saúde e odontológico.
A pesquisa mostrou que o brasileiro espera realizar em 2011 projetos
que antes não passavam de sonho de consumo.
Comprar um
carro zero é um desejo que Seu Luís
está prestes a realizar. “No ranking dos bens materiais,
o carro está em primeiro lugar, porque a gente já tem
casa, o básico de uma família a gente já tem”,
comenta.
Marcos também vai financiar um carro usado. “O
que importa é que vou sair nele e vou sair bem satisfeito”,
diz.
Como eles,
27% dos entrevistados de uma pesquisa sobre intenção
de consumo responderam que pretendem comprar ou trocar de carro
em 2011. Segundo a pesquisa, o apetite de consumidores de todas
as classes aumentou nos últimos dois anos.
“Isso mostra que o consumidor brasileiro está mais
interessado em adquirir de forma geral coisas que não
pode adquirir no passado”, avalia Marcos Gouvêa de
Souza, presidente da consultoria GS&MD.
Em 2008,
16% pretendiam comprar um eletroeletrônico, como
computador e celular. Agora são 28%. Os livros também
estão na lista de compra. Em 2008, 52% disseram que gostariam
de ler mais. Hoje 56% prometem se empenhar em aumentar o tempo
de leitura.
E olha que
muitos consumidores costumam gastar mais do que planejam. Em
relação a todos os itens, a pesquisa mostrou
isso. Só para citar um exemplo, 11% dos entrevistados
responderam em 2008 que pensavam em comprar móveis. Mais
que o dobro acabou comprando: 24%.
“Este ano eu comprei mais”, disse um jovem. “A
gente não para de comprar, infelizmente”, conclui
uma senhora.
A pesquisa
também mostra que os brasileiros hoje se permitem
ir mais longe nos próprios sonhos. Os projetos de consumo
para 2011 incluem serviços essenciais para o bem estar
de qualquer família. Ao todo, 38% querem começar
a pagar um plano odontológico; 34%, um plano de saúde;
e 30% gostariam de ter um seguro de vida.
“É reflexo direto de melhoria da renda da família,
melhoria de emprego, melhoria da oferta de crédito, que
permite o acesso a esses produtos e serviços e a melhoria
do índice de confiança do consumidor no presente
e no futuro”, observa Marcos Gouvêa de Souza, presidente
da consultoria GS&MD.
O serviço campeão na preferência dos consumidores
está ligado ao lazer. A vontade de viajar passou de 44%
há dois anos pra 69% em 2010. “Estou programando
para viajar em julho”, comentou um professor.
“Primeiro uma viagem. Nós estamos planejando talvez
para o final de ano um cruzeiro. Estava nos sonhos da gente”,
disse o analista de mercado Líbero Ripoli Filho.
Agora é torcer
para que a economia em 2011 se comporte bem para que essas
expectativas de consumo dos brasileiros possam
se realizar.
O Dia
Planos
de saúde terão
que se justificar
Projeto de lei obriga operadoras a explicar recusa de atendimento
POR TAMARA MENEZES
Operadoras
de planos de saúde que negarem qualquer tipo
de atendimento ou liberação para procedimentos
terão que fazê-lo por escrito e incluir fundamento
legal e contratual da recusa. O procedimento só acontece
hoje mediante pedido formal do beneficiário do plano e
vai facilitar ações judiciais para garantir a cobertura.
A medida está em projeto de lei apresentado pelo deputado
federal Chico Lopes (PCdoB-CE).
O texto também obriga as empresas a informarem, a cada
três meses, o número e motivos das negativas à Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e outros órgãos.
Outras mudanças na lei dos Planos de Saúde fazem
parte da proposta do parlamentar cearense. Maria Inês Dolci,
advogada da Pro-Teste, que participou da elaboração
do projeto, aponta que essa obrigação é bem
vinda. Hoje as negativas costumam ser dadas por telefone ou devolução
do pedido, sem maiores explicações. "Consumidor
tem direito a saber o motivo, mas não há regra
que obrigue a justificar, ainda mais por escrito. O usuário
dos planos sai ganhando com essa medida", avalia.
Ela não acredita que a recusa documentada aumente o número
das ações na Justiça, mas vai ajudar a garantir
o direito do consumidor. "Hoje o consumidor entra na justiça
de qualquer maneira quando precisa de procedimento que é negado.
Após pedido de liminar, a Justiça avalia se a negativa
tem fundamento, mesmo sem justificativa do plano", explica.
Para o presidente
da Associação Brasileira de
Medicina de Grupo (Abramge) no Rio, Sérgio Vieira, a medida é positiva
por proteger o consumidor. Ele destaca, porém, que a justificativa
já é feita quando o usuário faz uma reclamação à ANS.
Uma vez aberta a Notificação de Investigação
Preliminar (NIP), a operadora tem cinco dias para justificar
a recusa e apontar uma solução para o problema."Isso
já vem sendo feito", argumenta.
JANEIRO
/ 2011
01
- Posse da presidente do Brasil, Dilma Roussef