03-10-11

 

Leia nesta edição:

- A ONU no jogo

- Onde cortar

- Cofre

- Anvisa deve decidir veto a remédios

- Deloitte inclui Brasil em sua rota de pesquisa sobre saúde

- Nova vacina para coqueluche mira bebê

- Omissão de socorro em hospital será investigada

- À base de açaí, curativo estimula a cicatrização

- País quer ampliar número de doações

- Hormônio cerebral é testado para tratar pessoa com autismo

- Normatizações estão tendo efeito contrário

- Dose de esperança

- HMHS recebe certificado Diamante

- DF é referência em aleitamento materno

- O culpado é o doente?

- Dinheiro mal gerido

- Receita em alta freia recriação de impostos como a CPMF

- 'D.R.' No consultório

- "Se o médico não te escuta, é melhor procurar outro"

- Benefício provoca rombo de R$ 6 mi

- Mesmo com restrição, consumo de antibióticos cresce 4,8% em um ano

- Padilha defende proibição de fumódromos no País

- Mortes por surto nos EUA sobem para 15

- Dignidade do idoso

- Plano de combate à dengue

- Grupo Técnico de Assistência Farmacêutica

- ANS lança campanha publicitária em jornais e revistas

- ANS amplia cadastro de profissionais para atuação junto às operadoras

- Profissionais criticam projeto do "Ato Médico"

- Saúde pode necessitar de novo imposto no futuro, afirma Dilma

- População pedirá novo imposto, afirma Dilma

- Onde a sociedade quer mais saúde?

- Governo sofre nova derrota em reserva de vaga a convênio

- TJ mantém proibição a leito particular em hospitais públicos

- Omissão de socorro em hospital é gravada

Segunda-feira, 03.10.11

O Globo

A ONU no jogo

Por Alexandre Padilha

Líderes mundiais estiveram reunidos em Nova York em encontro de alto nível convocado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir o enfrentamento às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Desde a criação da ONU, em 1945, esta é a terceira vez que a saúde entra na pauta de discussões dos chefes de Estado, o que representa oportunidade para o engajamento global na luta contra enfermidades como câncer, diabetes e problemas cardiovasculares.

É evidência da importância dada ao enfrentamento destas doenças, que são responsáveis por 63% das mortes precoces em todo o mundo. Sob a liderança da Organização Mundial da Saúde (OMS), os governos decidiram trabalhar para definir recomendações e metas globais para prevenção e controle destas enfermidades e construir um acordo, a ser implantado a partir do ano que vem.

O Brasil tem cerca de 750 mil mortes por ano por conta destas doenças, o que equivale a 72% do total de mortes, com destaque para problemas cardiovasculares (31,3%), câncer (16,2%), doenças respiratórias crônicas (5,8%) e diabetes mellitus (5,2%). Em comum, estas doenças têm fatores de risco modificáveis, como o tabagismo, o consumo nocivo de bebida alcoólica, a inatividade física e alimentação inadequada. Somam-se os determinantes sociais, ou seja, as desigualdades de renda, a baixa escolaridade e a falta de informação.

Avanços recentes do Sistema Único de Saúde provocaram a redução de 20% na mortalidade por estas doenças ao longo da última década no Brasil.

É fundamental garantir o acesso ao tratamento. Desde janeiro, o Brasil triplicou a oferta de remédios de graça distribuídos em mais de 20 mil farmácias em todo o país, beneficiando mais de 5,4 milhões de pacientes.

Na prevenção, é preciso mobilizar todos a adotarem hábitos mais saudáveis. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está estimulando as operadoras de planos de saúde a concederem descontos nas mensalidades para usuários que aderirem a programas de hábitos saudáveis e acompanhamento permanente com foco em prevenção de doenças.

Pelos custos gerados às famílias e aos sistemas de saúde e pela paralisia criada no setor produtivo, estas doenças têm elevado impacto econômico, conforme aponta estudo do Banco Mundial, que estimou em 20 milhões de anos produtivos de vida as perdas dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) com estas doenças.

O êxito obtido nas outras duas vezes nas quais a ONU destinou sua atenção aos temas da saúde, culminando na mudança de paradigmas para a prevenção e o tratamento da poliomielite e da Aids, nos deixa otimistas.

Folha de São Paulo

Editorial

Onde cortar

Novo imposto para financiar a saúde não é necessário; mais produtivo seria o Congresso apontar de onde transferir dinheiro para essa área

O debate em torno do financiamento da saúde pública caminhou, mais uma vez, para uma disputa entre duas opções ruins -e, infelizmente, não excludentes.

Entidades e congressistas ligados ao setor defendem a retomada do texto aprovado em 2008 pelo Senado, cuja principal inovação é obrigar a União a destinar um mínimo de 10% de suas receitas a ações e serviços definidos em lei.

Governos federal e estaduais, em meio a desmentidos e recuos táticos, insistem na tese de que é indispensável criar um novo tributo para amparar a elevação dos gastos.

A primeira ideia significa engessar ainda mais as despesas públicas, já sujeitas a um cipoal de regras e vinculações obrigatórias que estreitam a margem de manobra da administração e embotam a renovação de prioridades. A segunda, aumentar não apenas o tamanho mas também a complexidade de uma carga tributária exagerada para um país de renda média.

Diante de tais proposituras, não é de lamentar o desacordo entre os que não abrem mão de mais receitas e os que não querem enfrentar o desgaste de impor novas taxações tão perto de um ano de eleições municipais. Melhor ainda, o impasse não é motivo para que deputados e senadores se eximam, desde já, de fixar o montante adequado de recursos para a saúde.

A via mais correta só não é óbvia porque o Legislativo brasileiro até hoje não assumiu de fato uma de suas prerrogativas mais elementares: plenos poderes para analisar, questionar e reformular, com a palavra final, o Orçamento da União.

Bem a propósito, o projeto de lei orçamentária para 2012 tramita no Congresso com R$ 80 bilhões para a saúde. Para atingir o patamar de 10% pleiteado, seriam necessários mais R$ 35 bilhões, considerada a atual estimativa da receita. Mais produtivo que empunhar bandeiras e percentuais cabalísticos será apontar quanto outras áreas poderão perder e como aplicar o dinheiro remanejado.

Há cerca de R$ 160 bilhões em despesas classificadas como não obrigatórias, incluindo todos os Poderes.

Dois terços dessa conta são compostos por educação, obras de infraestrutura, Bolsa Família e outras ações assistenciais. Nos programas de execução obrigatória, a maior possibilidade de corte seria a revisão do reajuste do salário mínimo em 7,5% acima da inflação.

O Congresso terá muito a amadurecer se finalmente tomar para si a tarefa de examinar e redefinir as prioridades orçamentárias, sob pressão política legítima e transparente. A sua infância legislativa tem consistido em referendar a proposta do Executivo, acrescida de obras paroquiais e queixumes posteriores contra o baixo aproveitamento de suas emendas.

Folha de São Paulo

Por Mônica Bergamo

Cofre

A ANS repassou R$ 76 milhões para o Fundo Nacional de Saúde, que é o gestor financeiro dos recursos do SUS. O valor corresponde à arrecadação feita pela agência ao cobrar os planos de saúde por internações hospitalares de seus pacientes no sistema público nos últimos dois anos. Desde agosto deste ano, a lei prevê esse tipo de reembolso.

O Estado de São Paulo

Anvisa deve decidir veto a remédios

Reunião da diretoria colegiada da agência sobre o destino de medicamentos para emagrecer será pública e transmitida pela internet

Oito meses depois do início da discussão em torno do destino dos medicamentos usados para emagrecer, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve decidir amanhã se proíbe ou não a venda desses remédios no País.

A reunião será aberta ao público e será transmitida pela internet a partir das 8h30 - a intenção da agência é tentar mostrar transparência no processo de tomada de decisão, já que o relatório tem cerca de 700 páginas.

Estão na mira as drogas que atuam no sistema nervoso central para promover o emagrecimento: dietilpropiona, femproporex, mazindol e sibutramina.

As três primeiras estão no mercado há mais de 30 anos - e devem mesmo ser mesmo proibidas. A sibutramina é mais recente, amplamente usada no tratamento da obesidade, e deve permanecer no mercado, caso a diretoria colegiada da agência vote a favor do atual relatório.

Idas e vindas. Num primeiro momento, a sibutramina era considerada a principal vilã na discussão e a Anvisa propunha proibi-la alegando riscos maiores do que benefícios aos pacientes.

Isso porque, no ano passado, a União Europeia baniu a venda desse medicamento com base em um estudo feito pelo fabricante, com 10 mil pacientes obesos e com problemas cardíacos ou diabete. Os dados revelaram que havia aumento de 16% de risco de eventos cardíacos.

Foi com base nesse estudo que a agência brasileira passou a restringir a venda desse medicamento (agora ele entrou na classe dos anorexígenos e depende de uma receita especial) e apresentou a proposta pela sua proibição definitiva.

Depois de meses de discussão, no entanto, a história mudou de rumo. Dentro da própria Anvisa ainda não há consenso sobre o destino desses medicamentos.

Membros da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme), órgão que presta consultoria especializada para a Anvisa, defendem a proibição de todas as drogas para emagrecer. Já a equipe de técnicos da agência voltaram atrás e passaram a defender a permanência da sibutramina sob controle ainda mais rígido.

Valor Online

Deloitte inclui Brasil em sua rota de pesquisa sobre saúde

Por Mônica Scaramuzzo

A empresa de consultoria e auditoria Deloitte colocou o Brasil em sua seleta rota de pesquisas na área de saúde. A companhia concluiu em setembro seu primeiro levantamento no país sobre satisfação ao sistema de saúde. Os dados mostram que o Brasil - o sexto maior mercado de saúde privada do mundo - tem um grande potencial de expansão em todos os elos dessa cadeia.

Essa pesquisa é feita pela consultoria há quatro anos em países da Europa, como Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Luxemburgo, Portugal e Reino Unido, e nos Estados Unidos. Neste ano, foram incluídos México, Brasil e China. "Não existe nenhum modelo a ser seguido", disse ao Valor Enrico de Vettori, sócio da área de Life Science e Healthcare da Deloitte e responsável por esse estudo no Brasil.

A abordagem, feita com 1.000 entrevistados, mostra, de maneira geral, um alto grau de insatisfação dos consumidores brasileiros, de 57% (com notas "D" e "E"), em relação ao sistema de saúde. Menos de 1% deu nota máxima "A".

Em relação a medicamentos, a pesquisa reforça a importância do segmento de genéricos no país. O estudo mostra que 40% tomam remédio com prescrição regularmente. E esses usuários procuram na internet informações sobre as opções de tratamento (46%), compararam opções de tratamento para um problema específico (24%) e procuram conselhos na farmácia sobre um medicamento prescrito por um médico (24%).

Dos 6% dos entrevistados que afirmaram já ter mudado de medicamentos prescritos nos últimos 12 meses, a maioria mudou para uma marca genérica para economizar dinheiro: 59%. Outras razões para migração para genéricos incluem a falta de medicação recomendada (30%), o não funcionamento do medicamento (28%) e os efeitos colaterais (22%). O mercado de genéricos está em franca expansão global. De acordo com a pesquisa, 44% dos consumidores relatam que pediram ao seu médico medicamento genérico, motivados pelo custo.

Vettori observa que a tendência das farmacêuticas globais, sobretudo as que estão perdendo a patente de seus principais "blockbusters" (campeões de venda) é fundir-se com outras companhias. "Essa é uma tendência internacional", afirmou. No Brasil, as multinacionais tendem a fazer aquisições para complementar portfólio. "Muitas companhias fazem parcerias para entender o mercado local."

Os planos de saúde no Brasil também foram analisados nessa pesquisa. Do total, 75% disseram ter um convênio médico. Para os entrevistados, o convênio é obtido por meio dos empregadores (52%), sobretudo. Outros 38% contrataram diretamente o convênio.

Quando questionados sobre a própria saúde, quase metade dos entrevistados (46%) respondeu que possui problema crônico, 41% classificaram como "muito boa" e os outros 13% como "excelente". A maioria dos entrevistados (81%) está insatisfeita com o tempo de espera por atendimento. Já sobre o acesso a serviços (exames realizados, por exemplo), o percentual de insatisfação foi de 57%. Outros 57% também reclamam da falta de foco no cuidado com o paciente.

Fidelidade também não é o forte dos brasileiros. A pesquisa detectou que a troca de médicos é comum entre os brasileiros - 33% dos entrevistados relataram troca de médico no ano passado. Entre as razões estão a insatisfação com o atendimento recebido (49%), a necessidade de um tipo diferente de especialista (26%), a insatisfação com o serviço prestado pelos funcionários no consultório do médico (26%), a não aceitação do plano de saúde (15%). Apenas 8% dão preferência para os médicos que cobram mais barato.

A Deloite atua em cerca de 150 países e em 40 deles possui uma divisão na área de saúde. "Prestamos consultoria nessa área, para todos os elos dessa cadeia", afirmou Vettori. No Brasil, a consultoria tem 120 pessoas para atuar nessa área. "Estamos aumentando a equipe dessa divisão nos últimos meses."

O Estado de São Paulo

Nova vacina para coqueluche mira bebê

Por Alexandre Gonçalves

Uma nova vacina contra a coqueluche poderá impedir que bebês com menos de seis meses de idade contraiam a doença. Os produtos disponíveis no mercado só imunizam crianças mais velhas e adultos. A alternativa, desenvolvida pelo Instituto Butantã, foi testada com sucesso em camundongos e será submetida a ensaios clínicos em humanos em um ou dois anos.

Cerca de 80% dos casos de coqueluche - e todas as mortes - ocorrem no primeiro semestre de vida. "A criança recebe a primeira dose da DTP (que protege contra difteria, tétano e coqueluche) quando está com dois meses", explica Luciana Cezar de Cerqueira Leite, pesquisadora do Butantã que coordenou o projeto da vacina. "Mas seu sistema imunológico ainda está imaturo. A proteção só se torna efetiva depois do sexto mês."

Até lá, a criança fica vulnerável à bactéria Bordetella, agente causador da doença, um quadro de infecção do sistema respiratório que pode se tornar muito grave.

A vacina convencional contém bactérias Bordetella mortas, que despertam o sistema imunológico e induzem a produção de anticorpos capazes de destruir o microrganismo. É a chamada imunidade humoral que, justamente nos bebês com menos de seis meses, ainda não funciona direito.

Cientistas do Butantã buscaram inspiração em outra vacina que, já nos primeiros meses de vida, induz respostas imunológicas satisfatórias: a BCG, usada no combate à tuberculose. Inoculada poucos dias após o nascimento, protege a criança de um eventual contágio materno. Não depende da ação dos anticorpos, mas da imunidade celular - recrutamento de células do sistema de defesa que já funciona com razoável eficácia nos bebês.

Os pesquisadores inseriram um gene da bactéria Bordetella no bacilo atenuado da tuberculose bovina (usado para produzir a BCG), que passou a produzir uma proteína característica da Bordetella. Desta forma, a linhagem transgênica do bacilo tornou-se apta para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater não só a tuberculose mas também a coqueluche (mais informações nesta página).

A vacina foi testada em dez filhotes de camundongos com apenas cinco dias de vida. Outros dez filhotes receberam a vacina convencional. Todos foram expostos à bactéria da coqueluche. Só os que receberam a nova vacina sobreviveram.

Custos. Até agora, o projeto custou cerca de US$ 500 mil (R$ 940 mil), obtido através de agências de fomento, como CNPq e Fapesp, e instituições como a americana Aeras, que combate a tuberculose, além de outros institutos internacionais de estímulo à pesquisa.

Luciana prevê, no entanto, que os principais investimentos começarão agora com os testes em humanos. O início está previsto para o fim do próximo ano, mas os estudos podem levar de 6 a 10 anos para serem concluídos.

Cerca de 80% dos casos são de recém-nascidos

Só no primeiro semestre deste ano, foram registrados 593 casos de coqueluche, número superior às 588 ocorrências observadas em 2010. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

Mais de 80% dos casos afetaram bebês com menos de seis meses, janela de vulnerabilidade que as vacinas atuais são incapazes de fechar. "Recomenda-se a vacinação dos adultos que convivem com a criança", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri.

"Em mais da metade dos casos, o bebê contrai a doença da própria mãe. Cerca de 20% das vezes, do pai e, em 15% dos casos, dos irmãos. Ou seja, mais de dois terços das infecções ocorrem dentro da família."

Renato recorda que quase todas as pessoas já tomaram a vacina para coqueluche quando crianças, mas a proteção dura só dez anos e não há costume de renovar a imunização. A coqueluche é uma doença altamente infecciosa transmitida pelo ar. Provoca tosses contínuas e dolorosas, mas não chega a colocar em risco a vida de adultos. No entanto, pode ser letal para bebês.

A vacina para adultos é diferente da usada para crianças. Ela não contém bactérias Bordetella mortas, pois poderiam produzir uma resposta imunológica violenta, com maior risco de efeitos adversos. Carrega só antígenos da bactéria - proteínas que tornam o microrganismo reconhecível às defesas do organismo.

Contudo, a imunização para adultos não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). É preciso recorrer a uma clínica particular para receber a dose, que custa cerca de R$ 100.

A pesquisadora Luciana Cezar de Cerqueira Leite, responsável pela nova vacina em desenvolvimento no Butantã, recorda que tanto a vacina BCG (contra a tuberculose) quanto a DTP (que imuniza crianças contra difteria, tétano e coqueluche) custam em torno de R$ 0,20.

"Se tudo der certo, nossa vacina terá um custo semelhante", afirma. Mesmo assim, a criança continuaria tomando a DTP. "A nova vacina servirá para proteger a criança nos seis primeiros meses, enquanto a DTP não atua." / A.G.

Agência Estado

Omissão de socorro em hospital será investigada

Por Marcela Bourroul Gonsalves

O secretário municipal da Saúde de São Paulo, Januário Montone, pediu na sexta-feira, 30, a abertura de uma investigação interna para apurar um caso de omissão de socorro na emergência do Hospital Estadual de Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital paulista.

Imagens exibidas pela Rede Globo mostraram um funcionário do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) cobrando explicações de um médico, que não responde. A pessoa que o Samu havia socorrido, um homem de 80 anos, não pôde passar da porta do hospital.

O mesmo funcionário faz questionamentos semelhantes a uma enfermeira, que responde: “Quem determina isso não sou eu, da enfermagem. É o médico, né? Não sou eu”. O paciente foi levado ao Pronto-Socorro de Santana, onde foi atendido e recebeu alta hospitalar.

Hospital lotado

A direção do hospital afirmou que havia avisado os serviços de emergência que a unidade estava lotada, e que não teria capacidade para receber mais pacientes. Segundo a secretaria de Saúde, a investigação é uma medida praxe nessas situações e poderá esclarecer as falhas que causaram o problema.

Correio Braziliense

À base de açaí, curativo estimula a cicatrização

Pesquisadora da USP adiciona o tradicional fruto da Amazônia a um dispositivo muito utilizado no Japão e nos Estados Unidos e obtém maior poder de regeneração epitelial

Por Rebeca Ramos

Dono de conhecidas e importantes propriedades nutricionais, o açaí acaba de receber um novo aval da ciência. Um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) descobriu que o óleo do fruto tem alto poder regenerativo e, por isso, está sendo utilizado no desenvolvimento de um curativo de polivinilpirrolidona (PVP). Esse tipo de curativo, com aspecto gelatinoso e conhecido como hidrogel, já é bastante utilizado em países como o Japão e os Estados Unidos, mas sem nenhum aditivo. Como é rico em água — boa para a hidratação de ferimentos sem grudar —, a pesquisadora Ana Carolina Ribeiro resolveu melhorá-lo adicionando o óleo de açaí, repleto de ácidos graxos essenciais, como o ômega 3, 6 e 9. Assim, ele se torna mais eficaz no estímulo à cicatrização de ferimentos.

Segundo a especialista, esses ácidos graxos são utilizados nos processos de regeneração cutânea por possuírem ação bactericida, aumentarem a permeabilidade da membrana celular, promoverem mitose e proliferação celular e auxiliarem no debridamento da pele (limpeza). O açaí também possui grande quantidade de vitaminas, minerais e antocianinas (responsáveis pela cor). As antocianinas estão presentes em quantidade 10 vezes maior que nas uvas vermelhas. Isso é extremamente importante, pois são elas as responsáveis por fazer o vinho ser tão famoso pelos benefícios à saúde — devido à ação antioxidante e de combate os radicais livres.

“Essa composição do óleo de açaí fornece grande poder de regeneração do tecido epitelial, por meio da ação antioxidante, hidratante e reguladora de lipídeos e estimulante do processo de cicatrização”, explica Ana Carolina. Ela conta que que o hidrogel enriquecido com o composto da fruta é posto em contato com a pele como se fosse uma máscara. O maior desafio da pesquisa foi unir os elementos aparentemente impossíveis de conectar — a água e o óleo. Foi aí que o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) entrou. A pesquisadora utilizou radiação controlada para unir as moléculas e, com isso, formou uma rede que conectou os dois elementos. “Quando submetido à radiação, o PVP fica com a consistência de uma gelatina endurecida”, descreve.

De acordo com a especialista, o processo permitiu moldar o curativo no formato desejado e, conforme a dose de radiação, propiciou até a esterilização. Outro benefício foi a consistência final do curativo, que fez com que o óleo ficasse preso dentro do hidrogel, sendo liberado apenas quando em contato com a pele. “Pelo meu estudo, tivemos liberação por até 24h”, diz. Esse tempo permite que o curativo seja trocado apenas uma vez por dia e permaneça eficaz.

Medicinal

Segundo a nutricionista da Amil Patrícia do Socorro e Silva, o “vinho” do açaí — quando ele é deixado de molho na água, despolpado e misturado, transformando-se em um suco grosso — é uma das formas mais conhecidas do fruto. Ela sustenta que, embora seja um alimentoriquíssimo nutricionalmente, ele é cercado por crenças populares muitas vezes equivocadas. Uma delas é quanto ao seu alegado alto teor de ferro — provavelmente, pela cor roxa, que lembra outros alimentos fontes de ferro. “Alguns estudos demonstram que o açaí é pouco expressivo como fonte de ferro, mas altamente energético e excelente fonte de ácidos graxos essenciais — gorduras poli e monoinsaturadas —, que favorecem adequado controle de colesterol e renovação celular. Esse fato explica a consistência oleosa do fruto”, salienta.

Patrícia conta que a alta concentração de compostos fenólicos, principalmente os flavonoides (substâncias antioxidantes), confere ao fruto a característica de alimento funcional, devido à capacidade desse compostos de captar os radicais livres e, consequentemente, de atuar na prevenção de doenças cardiovasculares e circulatórias, do câncer, do diabetes melito e do mal de Alzheimer. “Estudos mais recentes demonstram também efeitos positivos na prevenção do câncer gástrico, especificamente, por combater a infecção por Helicobacter pylori, bactéria que pode causar a lesão de células gástricas”, afirma.

Para a especialista, é importante salientar que sucos e polpas preservam suas propriedades, podendo se transformar em excelentes fontes de antioxidantes. Também por essas características, ela destaca, o açaí pode colaborar de forma positiva no tratamento de algumas doenças dermatológicas, como acne e dermatite atópica, além de tratamentos antienvelhecimento (que estão, na maioria das vezes, relacionados a processos inflamatórios).

“A grande concentração de ácidos graxos essenciais e de antioxidantes do açaí confere, portanto, enormes benefícios na prevenção e no auxílio no tratamento de diversas doenças”, conclui. Ainda assim, faz-se necessário o incentivo a novas pesquisas, avalia, utilizando o açaí como uma forma de alcançar novas alternativas terapêuticas, principalmente, por ser um fruto de origem e cultivo, exclusivamente, nacional.

A professora da Universidade de Brasília e especialista em frutos regionais Veronica Cortez Ginani conta que o valor nutricional do açaí varia conforme o tipo e a forma de processamento. A principal fonte energética do açaí é proveniente da porção de gordura. Os ácidos graxos presentes são, principalmente, o oleico, o palmítico e o linoleico, com funções variadas no organismo humano, participando do metabolismo, como na síntese de hormônios, além de possivelmente estarem envolvidos na reparação de tecidos.

Diário do Nordeste

País quer ampliar número de doações

Governo quer aumentar o número de doadores, que hoje é de 11 para cada 1 milhão de pessoas

O governo brasileiro pretende alcançar, até 2015, a taxa de 15 doadores de órgãos para cada 1 milhão de habitantes. Atualmente, o índice é 11,1 doadores para cada 1 milhão de pessoas, totalizando cerca de 2 mil doações por ano.

Na última terça-feira (27), Dia Nacional da Doação de Órgãos, foi lançada a campanha Seja um Doador de Órgãos, Seja um Doador de Vidas. O objetivo, de acordo com o Ministério da Saúde, é conscientizar os brasileiros sobre a importância da doação de órgãos para aumentar o número de transplantes no país. Para o presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, Ben-Hur Ferraz-Neto, é possível alcançar a meta definida pela pasta, desde que as ações e os investimentos necessários sejam feitos de forma planejada e estruturada.

Conscientização

Uma das iniciativas apoiadas pelo especialista é a capacitação de pessoas que trabalham na captação de órgãos. "Elas vão conversar com os familiares, vão ser formadoras de opinião dentro de um hospital e do seu próprio bairro. Precisam ser pessoas preparadas para isso, que tenham respostas e passem a informação de forma detalhada e segura". Outra sugestão é abordar o tema da doação de órgãos nas faculdades de saúde, incluindo o assunto em currículos de medicina, enfermagem e psicologia, por exemplo.

Ferraz-Neto destacou ainda a importância de esclarecer a população sobre o que é morte encefálica ou morte cerebral - situação em que os batimentos cardíacos são mantidos via aparelhos apenas para manter o fluxo sanguíneo em órgãos que podem ser doados.

No Brasil, a doação de órgãos precisa ser autorizada pela família do doador - sem a necessidade de um documento assinado pela pessoa que morreu. Em 2010, 1.896 órgãos foram doados. A projeção para este ano, segundo o ministério, é que o número passe para 2.144.

Folha de São Paulo

Hormônio cerebral é testado para tratar pessoa com autismo

Ocitocina, substância ligada ao parto e à produção de leite, pode melhorar a interação social de autistas

Pesquisas, ainda iniciais, indicam que a substância facilita reconhecimento de expressões faciais

Por Débora Mismetti, editora-assistente de saúde

A ocitocina, hormônio produzido no cérebro e ligado a funções corporais, como o parto e a produção de leite em mulheres, e a relações sociais, como a ligação entre pais e filhos, pode virar tratamento contra autismo.

Pessoas com o transtorno têm dificuldade de reconhecer expressões faciais e de criar laços sociais.

O psiquiatra James Leckman, que veio a São Paulo no mês passado, a convite do Instituto de Psiquiatria da USP, está pesquisando o efeito da ocitocina em autistas.

O médico, que é professor de psiquiatria infantil em Yale, participa de estudo em que voluntários recebem doses de ocitocina e terão seus cérebros examinados em testes de imagem. A pesquisa ainda está em andamento.

Mas trabalhos anteriores com o hormônio mostram que doses intranasais de ocitocina podem melhorar as habilidades sociais do autista.

Um estudo publicado no ano passado na revista "PNAS" descreve os efeitos da ocitocina em um grupo de pessoas com autismo.

O hormônio melhorou o reconhecimento de expressões faciais e a habilidade de interação dos voluntários com autismo em jogo virtual.

Outro exercício exigia que os participantes olhassem para expressões faciais em um computador e identificassem se o rosto era de homem ou mulher e a direção que os olhos apontavam.

Autistas, antes do tratamento com ocitocina, olhavam pouco para o rosto representado na imagem. Após as doses de ocitocina, conseguiram fixar mais seu olhar.

O resultado sugere que a ocitocina reduza a ansiedade dos autistas na hora de fazer contato visual.

Segundo Leckman, ainda é necessário fazer mais testes para determinar se o tratamento é seguro e eficaz.

"É diferente ler expressões faciais em um teste e na vida real. Também não se sabe se o hormônio vai fazer diferença a longo prazo."

Psiquiatra de Yale vai lançar enciclopédia sobre o transtorno

Para especialista, pais se confundem com informação na internet

Da editora-assistente de saúde

O psiquiatra Fred Volkmar, 61, professor em Yale, está trabalhando em uma enciclopédia, que será lançada no ano que vem, sobre todos os transtornos que se encaixam na nomenclatura do autismo.

O americano falou à Folha sobre novas pesquisas que abordam a criação de testes físicos que detectem o autismo em bebês. Volkmar participou também da gravação de um documentário da ONG Autismo e Realidade (www.autismoerealidade.org).

Folha - Por que o autismo precisa de uma enciclopédia?

Fred Volkmar - Tem muita pesquisa sobre autismo saindo todos os dias, é difícil para os pais acompanharem tudo isso. Esse trabalho vai ser referência e vai estar na internet. Isso é importante por causa da explosão do autismo no Google: são mais de 17 milhões de páginas. Os pais ficam muito confusos. Hoje, o rastreamento de autismo é feito por meio de questionários aplicados aos pais das crianças. Isso não é ruim, mas começa aos 18 meses. As perguntas são coisas muito básicas, do tipo, se o bebê não responde ao próprio nome. Queremos fazer o diagnóstico muito mais cedo para intervir mais cedo.

Enquanto não há teste genético, vai dar para fazer exame físico para autismo?

Há muitas causas para perda de audição, mas ninguém faz teste genético para isso. Você faz um teste de audição. Há a possibilidade de fazer testes de autismo com o mesmo princípio de um teste auditivo, que tenham a ver com fisiologia. Temos dados que mostram que autistas não veem rostos da mesma maneira como as outras pessoas. Esse tipo de coisa pode dar origem a um teste de rastreamento para autismo.

Pode se falar em buscar uma cura para o autismo?

Se falamos sobre ter uma vida independente, sim. O que queremos é que a criança funcione na sociedade. Todo mundo conhece gente excêntrica, há um espectro grande do que se considera normal. Se conseguirmos que a pessoa se encaixe entre o que é considerado normal, estamos satisfeitos. É assim que eu imagino a cura.

Saúde Business Web

Normatizações estão tendo efeito contrário

Por Henrique Oti Shinomata

Nos últimos tempos os usuários de planos de saúde veem saírem inúmeras normas que os beneficiam, entre elas desconto para pessoas saudáveis, prazo para atendimento, aumento no Rol de cobertura, entre outros. Mas, será que todas essas normatizações, por mais que sejam satisfatórias, serão implantadas de modo eficiente? As operadoras de saúde estão preparadas para se adequar?

A saúde suplementar vive atualmente um momento de crise, baseado em conflitos de interesses. Médicos exigem melhor remuneração, as operadoras sofrem com a falta de especialistas credenciados e o Sistema Único de Saúde (SUS) exige ressarcimento das operadoras, devido ao uso da rede pública por seus usuários.

Diante de tantos problemas é preciso refletir sobre a eficiência das operadoras. Quero deixar claro que, não estou ao lado de nenhuma das partes, o que eu pretendo aqui é discutir a efetividade no cumprimento dessas normas. Pois, o que adianta a Agência Nacional de Saúde Suplementar criá-las no momento em que as operadoras ainda não estão preparadas?

Pensando nisso, listei algumas medidas que acho que devem ser levadas em consideração:

Dentro dos critérios do IDSS (Índice de Desenvolvimento da Saúde Suplementar) incluir um índice de satisfação do prestador de serviço (médico, hospital, laboratório). Pois dentro da cadeia (supply chain) do sistema de saúde todos os envolvidos têm que estar em sinergia;

Monitoramento dos prestadores: alguns hospitais viraram uma “lojinha” de medicamentos e materiais, teoricamente não deveriam embutir taxas de comercialização como se fossem estabelecimentos que negociam esse tipo de produto (farmácias);

Ações em conjunto à ANVISA para acompanhar a valorização e comercialização das órteses, prótese, materiais especiais e medicação de alto custo. O descontrole da “bonificação” dada quando utilizados leva a um aumento dos custos. Um item “bonificado” mal indicado para um paciente eleva a sinistralidade encarecendo o plano de saúde;

Prêmios para as operadoras de saúde com o melhor IDSS (Índice de Desenvolvimento da Saúde Suplementar).

Poderíamos ficar enumerando muito mais itens de sugestões de melhoria, porém com esses já citados já trariam uma enorme mudança no relacionamento entre paciente, médico, hospital e fornecedores, que equilibrariam o setor levando ao paciente/cidadão a melhor assistência em saúde com o preço justo.

Isto é

Dose de esperança

Pesquisadores espanhóis anunciam bons resultados com substância que tem chances de ser uma vacina contra a Aids

Por Mônica Tarantino e Monique Oliveira

De tempos em tempos, a divulgação de resultados positivos com alguma substância em teste contra o vírus da Aids renova as esperanças de achar um imunizante para evitar a enfermidade. Na semana passada, foi a vez de um composto espanhol chamar para si as atenções mundiais. Cientistas do Centro Nacional de Biotecnologia (CBN) anunciaram que sua fórmula mostrou-se eficiente para combater o vírus em um estudo feito com 30 voluntários sadios. O trabalho foi publicado na revista científica “Journal of Virology”.

O imunizante testado, chamado de MVA-B, é fruto da associação de fragmentos de um vírus muito usado em vacinas e de genes extraídos do HIV. Exposto a essa combinação, o organismo humano criou defesas contra proteínas contidas no HIV. Segundo os pesquisadores, houve boa resposta imunológica em 90% das pessoas vacinadas. Além disso, a maioria manteve a imunidade elevada por um ano. Na próxima etapa da pesquisa, marcada para outubro, o composto será avaliado em voluntários infectados pelo HIV. “Queremos saber quanto a vacina é capaz de evitar a replicação do vírus e manter a doença sob controle”, disse à ISTOÉ o pesquisador Mariano Esteban, um dos responsáveis pelo trabalho.

O ponto forte des­­­sa substância desenvolvida na Europa é incentivar a imunidade por diversas vias. Enquanto algumas vacinas aumentam a produção de anticorpos contra o próprio vírus, outras melhoram o desempenho dos linfócitos (agentes que atacam as células infectadas). Nos testes da Espanha, além de as duas vias terem sido estimuladas, houve uma melhora notável na ação dos linfócitos. Na opinião do infectologista Esper Kallas, da Universidade de São Paulo, é uma estratégia promissora. “Antes de chegar a u­ma conclusão, porém, será necessário testá-la em grande número de pessoas infectadas e também com voluntários saudáveis.” Kallas coordena estudos com outra vacina em parceria com cientistas americanos, peruanos e suíços.

Apesar de animadores, os resultados desse trabalho estão sendo recebidos com cautela. “É muito cedo para comemorar qualquer coisa. Foi estudo pequeno, que está em sua fase inicial”, diz o infectologista David Uip, diretor do Instituto Emílio Ribas, referência latino-americana em doenças infectocontagiosas. De fato, na etapa atual, o efeito da vacina foi avaliado em amostras de sangue dos voluntários expostas ao vírus no laboratório. “Resta saber como o sistema imunológico reagirá quando a pessoa vacinada estiver em contato com o vírus”, esclarece o infectologista Davi Levy, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Até o momento, todos os estudos com vacinas contra a Aids fracassaram.

O imunizante em foco possui ainda uma característica que pode limitar, a princípio, a sua utilização em larga escala. “Ele combate apenas o subtipo B do vírus, que prevalece nos Estados Unidos, nas Américas e na Europa”, diz o médico Artur Timerman, do Hospital Dante Pazzanese, em São Paulo. Há outros 14 subtipos conhecidos do HIV.

Saúde Business Web

HMHS recebe certificado Diamante

O Hospital da Mulher Heloneida Studart (HMHS), em São João de Meriti (RJ), recebeu a Certificação Internacional 3M, categoria Diamante, do Programa de Certificação em Esterilização Hospitalar da instituição. A unidade é a primeira do estado do Rio de Janeiro a receber tal certificação e a segunda em todo o Brasil. O programa, criado em 2005, tem por objetivo o reconhecimento das unidades de saúde que implementam e praticam boas práticas em suas Centrais de Materiais e Esterilização (CME).

Em 2010, com seis meses de inauguração, o Hospital da Mulher recebeu a certificação na categoria Ouro. A unidade se tornou modelo de gestão compartilhada, atendendo aos moldes estabelecidos pela Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro através de metas quantitativas e qualitativas acompanhadas pelo grupo gestor.

A CME do Hospital da Mulher é uma unidade de apoio técnico a diversos setores do hospital, como o centro cirúrgico, a Unidade Intermediária Neonatal, as UTIs feminina e neonatal, o alojamento conjunto, entre outros, fornecendo produtos para esterilização e desinfecção adequadamente reprocessados.

“Até agora, foram 3.361 partos e mais de 50 mil consultas ambulatoriais. Receber esse certificado hoje nos dá a certeza de que acreditamos e aceitamos o desafio correto. E, com isso, temos visto a satisfação da nossa principal cliente, que é a usuária do SUS, ressalta, em comunicado, a diretora da unidade, Nilene Gouvea.

Durante um ano, técnicos da 3M visitaram o hospital a fim de inspecionar as rotinas aplicadas e criar um protocolo de normas e rotinas em conjunto com o setor. Esse protocolo foi baseado em regras e normas de organizações nacionais e internacionais como a Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização (Sobecc), Joint Comission International (JCI), Association of periOperative Registered Nurses (AORN), Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e, principalmente, Association for the Advancement of Medical Instrumentation (AAMI).

Desde a inauguração do HMHS, 14.392 itens foram esterilizados e mais de 1600 desinfectados. Segundo o representante da 3M, André Garça, o programa criou um check list com 59 itens e, para conseguir a certificação Diamante, é necessário atingir, no mínimo, 92% de conformidades.

A certificação foi formalizada em evento na própria instituição com a presença de representantes da secretaria estadual de saúde do Rio de Janeiro e gestores do consórcio VITA Saúde, responsáveis pela gestão do hospital desde a sua inauguração.

Correio Braziliense

DF é referência em aleitamento materno

O Distrito Federal foi reconhecido por ser a única unidade da Federação no mundo autossuficiente em estoque de leite materno. O Ministério da Saúde prestou homenagem ao governador Agnelo Queiroz pela arrecadação e ampla cobertura dos bancos de leite nos hospitais da rede pública local, além do trabalho de coleta realizado pelo Corpo de Bombeiros do DF. A solenidade foi uma forma de lembrar o Dia Nacional de Doação de Leite Humano, celebrado em 1° de outubro. Entidades e voluntários que atuam em prol do aleitamento em todo o país foram citados.

O secretário adjunto de Saúde, Fernando Elias Miziara, representou o governador e recebeu uma placa. Ele lembrou que o programa de aleitamento materno na capital do país existe desde 1980. O secretário de Saúde, Rafael Barbosa, afirmou que a homenagem é motivo de orgulho para Brasília. "Para a gente, é uma satisfação ter um programa que é referência no mundo. Todos os nossos hospitais que têm maternidade possuem banco de leite", destacou.

Barbosa frisou que é fundamental manter o nível do programa daqui para a frente. "Estamos em um esforço a mais para conservar essa estrutura. O que estamos fazendo é modernizar alguns bancos de leite cujas instalações estão precárias", disse.

Todos os anos, o Dia de Doação de Leite é lembrado pelo Ministério da Saúde por meio de campanhas, com o apoio de artistas que estão em fase de amamentação. Este ano, a madrinha da campanha é a apresentadora Luciana Gimenez.

A política de manutenção de bancos de leite é bem-sucedida no Brasil. Isso levou a Organização Mundial da Saúde a reconhecer o trabalho desenvolvido e apontar o país como modelo para outros. Por meio de parcerias, o programa nacional de aleitamento foi levado para todos os países da América do Sul, além de Haiti, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Espanha e Portugal.

Domingo, 02.10.11

Folha de São Paulo

Opinião

Por Josué Gomes da Silva

O culpado é o doente?

Setenta e cinco por cento dos brasileiros, ou cerca de 143 milhões de pessoas, população superior à do Japão, dependem do SUS (Sistema Único de Saúde). Os outros 25%, ou 47 milhões de cidadãos, número equivalente à totalidade dos habitantes da Espanha, são capazes de pagar por planos/seguros de saúde privados. Contudo tanto uns quanto outros enfrentam problemas.

São bastante conhecidas as reclamações dos pacientes quanto à saúde no Brasil. Mas os milhões de brasileiros que recorrem aos planos de saúde privados, e que pagam custos crescentes, muito acima da inflação (nos últimos três anos, só os empresariais subiram 43%), não deveriam ter tantos obstáculos no atendimento.

Tal cenário lembra a sabedoria popular: "Falta pão e ninguém tem razão", como evidencia a presente greve em rodízio dos médicos credenciados nesses planos.

Tais profissionais estudam seis anos, fazem mais dois de residência, outros de especialização, compram livros, assinam revistas técnicas e participam de cursos e congressos caros para se manterem atualizados. Trabalham muito e não são remunerados nem pelo piso da tabela da Associação Médica Brasileira.

Os planos, por sua vez, argumentam que seus custos são crescentes, já que, entre outros fatores, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) exige maior número de procedimentos cobertos, impõe limites máximos no prazo de atendimento e no reajuste dos seguros individuais. E há quem reclame dessa ação reguladora...

Por sua vez, os custos dos hospitais e dos tratamentos médicos são crescentes. Fator interessante, pois o uso de tecnologia avançada eleva custos em vez de reduzi-los. Os laboratórios, que investem pesado em pesquisa e desenvolvimento, sofrem com patentes, preços de insumos e aprovação de novos medicamentos.

Fabricantes de equipamentos se justificam na mesma toada.

Buscando manter sua saúde financeira, as seguradoras, setor cada vez mais oligopolizado, tentam conter custos e criam dificuldades na prestação dos serviços, dão preferência a planos empresariais em vez dos individuais.

Afinal, de quem é a culpa por tantas desventuras? Quais são os responsáveis por esses graves problemas da saúde? Cento e noventa milhões de brasileiros gostariam de uma resposta convincente!

Se algumas pessoas acham que pagam muito e recebem pouco, há quem retruque afirmando que ganha pouco e oferece muito. Por isso, doutores fazem greves, hospitais deixam de atender pacientes, fabricantes de remédios aumentam preços e planos de saúde dificultam, cada vez mais, os serviços aos segurados.

Diante desse quadro, cabe a pergunta: será, então, que a culpa é nossa, dos doentes?

O Estado de São Paulo

Editorial

Dinheiro mal gerido

Ao reconhecer que a área de saúde enfrenta um "problema sério de gestão", a presidente Dilma Rousseff apontou para uma das mais graves deficiências da administração pública brasileira, sobretudo a federal, e que não se restringe ao setor por ela mencionado. No caso do governo federal, a má qualidade de gestão se estende a praticamente todas as áreas, e uma de suas consequências mais visíveis e danosas para o contribuinte e para os cidadãos em geral é o atraso crônico dos programas de investimentos em melhoria e expansão dos serviços públicos. A sociedade paga impostos escorchantes, mas a contrapartida do governo, que é a oferta de serviços, vem com muita lentidão, quando vem, e com qualidade inferior à esperada.

Referindo-se especificamente à saúde, Dilma não se queixou da falta de dinheiro. "A gente tem recursos e o uso desses recursos tem de ser melhorado", disse a presidente à TV Record. "Nós vamos melhorar a gestão da saúde nesse país e, quando ficar claro para a população que ela precisa de mais coisa, ela mesma vai se encarregar de pedir", prometeu, fazendo referência indireta à recriação de um imposto específico para a área de saúde. "Temos de provar, o governo federal, estaduais, municipais, que podemos gerir bem a saúde e, a partir daí, começar a conversar claro com a população."

Se isso for feito, será possível constatar que, se bem aplicados, os recursos públicos atuais são mais do que suficientes para melhorar os serviços de saúde, sem cortar investimentos em outras áreas e sem a necessidade de um novo imposto.

Dinheiro existe, mas os investimentos em outras áreas não estão sendo feitos na velocidade necessária, pois, por problemas de gestão, os projetos demoram para sair do papel. Apontado há meses por instituições não governamentais e pela imprensa, o atraso na execução dos programas de investimentos começa a preocupar o próprio governo, como mostrou o Estado (29/9).

Característica do governo Lula, a dificuldade de gastar está se transformando em marca da administração petista, pois também o governo Dilma vem executando muito lentamente seus programas de investimentos. O ritmo é tão lento que até o secretário do Tesouro, Arno Augustin, teve de admitir isso em recente entrevista ao Estado.

O problema mais notório é o do Ministério dos Transportes, o mais afetado pela "faxina" nas áreas atingidas por denúncias de irregularidades. Essa é a pasta responsável pelo maior volume de investimentos federais, e a troca do ministro e da diretoria do Dnit paralisou muitas obras.

Mas Ministérios não alcançados pela "faxina" também apresentam resultados apenas sofríveis quanto à aplicação das verbas destinadas ainvestimentos. Embora atingido em março pelo corte de R$ 5,1 bilhões de sua dotação original de R$ 12,6 bilhões para este ano, o programa Minha Casa, Minha Vida ainda dispõe de um volume expressivo de dinheiro. Mas praticamente nada saiu do papel em 2011, por causa de entraves legais. Do ponto de vista contábil, o programa já pagou cerca de R$ 4 bilhões em 2011, mas são recursos incluídos na conta "restos a pagar", de compromissos assumidos em exercícios anteriores. Obras novas quase não há.

O Minha Casa, Minha Vida é parte do novo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2, e resume a execução desse programa no governo Dilma. Embora o atual governo tenha desembolsado R$ 16,7 bilhões para o PAC, mais de 80% desse valor se refere a compromissos herdados do governo anterior.

Há sérios atrasos nas obras da Copa do Mundo - que, no que se refere aos estádios, recebem a atenção dos dirigentes do futebol. Mas as obras de mobilidade urbana, que serão o principal legado da Copa para o brasileiro comum, só receberam 1,1% dos investimentos previstos.

Ainda que tardio, pois surge nove meses depois do início de seu governo, o reconhecimento do problema pela presidente Dilma Rousseff é um passo essencial para buscar soluções. O País espera, de fato, que o governo seja capaz de realizar os investimentos que programou, no ritmo que programou.

O Estado de São Paulo

Receita em alta freia recriação de impostos como a CPMF

Para o tributarista Amir Khair, redução da taxa de juros seria uma boa medida para economizar recursos

A robusta arrecadação que se desenha para este ano é mais um componente a afastar a necessidade da recriação de um tributo como a CPMF, extinta há três anos, aponta José Roberto Afonso. Nos últimos meses, o assunto entra e sai de pauta como alternativa para financiar a saúde. "Há arrecadação para isso. Talvez se precise corrigir os erros de políticas públicas", diz Afonso.

O tributarista Amir Khair faz coro, dizendo que recriar impostos agora seria "politicamente um grande erro". Ele defende a redução da Selic para economizar recursos. Ao mesmo tempo que aumenta a arrecadação e o resultado primário, o governo eleva seus custos com pagamento de juros da dívida, com a Selic no nível atual.

"Nos últimos 12 meses, foram pagos R$ 230 bilhões em juros. Mas reduzir Selic é complicado. É o lucro do setor financeiro que está em jogo",diz Khair. Ele e Afonso discordam, porém, na avaliação sobre os destaques no desempenho este ano. Para Khair, o que lidera é a Previdência, especialmente pela manutenção do crescimento da massa salarial e pela base de comparação mais baixa do ano passado.

Afonso argumenta que a participação deste setor está estabilizada, enquanto o crescimento do setor financeiro continua evoluindo. Ele lembra, porém, que a situação não se sustenta a longo prazo e este seria o momento para o País promover a reforma tributária prometida nas últimas duas décadas. "O melhor momento para promover uma reforma é quando a arrecadação vai bem, não quando vai mal."

Há grande consenso entre os especialistas que diagnosticam o recente e forte aumento de receitas, especialmente no âmbito federal, de que suas razões estariam basicamente no crescimento econômico e numa suposta elasticidade, ou seja, quando a produção acelera, a arrecadação cresceria ainda mais rápido.

"Certamente, esse é um fator importante ou mesmo decisivo para explicar a chamada 'recarga' tributária recente. Porém, é preciso tomar alguns cuidados na análise. A começar pelo fato de que a economia está desacelerando em 2011, ou seja, cresce neste ano, mas a taxas inferiores às de 2010. Significa movimento inverso ao da carga tributária: evolução muito melhor em 2011 do que em 2010", diz o estudo.

O ápice da carga tributária foi em 2008, curiosamente o ano que marcou o fim da CPMF. Apesar disso, foram arrecadados R$ 701,124 bilhões, considerada a inflação do período. O aumento em relação a 2007 foi de 7,68%.

Para este ano, Afonso e Marcia Matos preveem aumento de 1 ponto acima do resultado de 2008. "Se a tendência observada até agosto for mantida até dezembro, o aumento da carga brasileira pode girar em torno de 1,4 ponto do produto em apenas um ano, o que levaria a carga a 36.5% do PIB em 2011, exato 1 ponto acima dos 35.5% registrados em 2008", diz o estudo./ I.T.

Folha de São Paulo

'D.R.' No consultório

Pacientes reclamam de falta de atenção dos médicos nas consultas; profissionais se queixam da pressão e da falta de tempo para atender

Por Mariana Versolato

Se houvesse uma "D.R." (discussão de relacionamento) entre médicos e pacientes, os últimos reclamariam que não são ouvidos da forma e pelo tempo que gostariam.

Segundo uma pesquisa publicada no "British Medical Journal", médicos interrompem os pacientes, quando estes fazem suas queixas, depois de 16 segundos. Outros estudos falam em 18 ou até 23 segundos.

É aquele tipo de consulta da qual a pessoa sai sentindo insatisfeita.

A professora de inglês Patricia Fernandes, 22, de São Bernardo do Campo, conta que, há seis meses foi a um médico que considera bastante experiente para tratar uma inflamação na orelha, que causou dores e febre.

Quando começou a descrever o problema, foi interrompida depois de dez segundos.

"Ele pediu que eu virasse o rosto para mostrar a orelha. Não se levantou nem se inclinou, não encostou nela, não disse o que poderia ser e sugeriu que eu fosse para casa esperar a inflamação passar."

Para ela, os médicos acabam entrando em "piloto automático. "Eles deixam de demonstrar interesse em ajudar", conta ela.

Já a dona de casa Celia Lessa, 61, de São Paulo, teve problemas em uma consulta com um neurologista renomado, ao qual levou seu pai, que tinha 83 anos na época.

"Fizemos todo aquele relato de doenças anteriores e disse que meu pai usava marcapasso. O médico anotava tudo, mas nem olhava para a gente. Falou que ia pedir uns exames, e um deles era ressonância magnética."

O problema é que ter um marcapasso é contraindicação para esse exame, e Celia só descobriu isso quando a enfermeira alertou para o problema, no laboratório.

"Foi falta de atenção, de interesse, e poderia ter causado a morte do meu pai." OUTRO LADO

Os médicos, por outro lado, também reclamam de pressão e dificuldades para um melhor atendimento.

"Às vezes, o médico trabalha em condições insalubres, atende muitos pacientes por dia. Vira um trabalho escravo. Como se pode exigir um trabalho humanizado dessa forma?", diz Mario Alfredo De Marco, professor da Unifesp.

Para ele, que é psiquiatra, há problemas dos dois lados.

"Tem paciente que entra no consultório agressivo, irritado porque o atendimento é complicado, e outros até desafiam os médicos. E há profissionais que não gostam do contato com o paciente e atendem a toque de caixa."

Frente a esse conflito, a médica americana Wendy Schlessel Harpham escreveu o livro "Only 10 Seconds to Care: Help and Hope for Busy Clinicians" (Apenas dez segundos para cuidar: ajuda e esperança para clínicos ocupados, US$ 15,20 em e-book, na Amazon.com).

Segundo ela, o paciente pode conhecer mais sobre o dia a dia dos médicos, para entender por que o cuidado, muitas vezes, não é o ideal.

Os médicos podem descobrir jeitos simples de mostrar compaixão, além de ajudar o paciente a lembrar de detalhes que vão ajudar o diagnóstico. Ainda que só tenham dez segundos.


Folha de São Paulo

"Se o médico não te escuta, é melhor procurar outro"

Por Débora Mismetti, editora-assistente de saúde

Para a médica Lisa Sanders, colaboradora do seriado "House" (Record e Universal Channel) e professora em Yale, as consultas deveriam ser uma cooperação entre especialistas: o médico, que entende de doenças, e o paciente, especialista em si mesmo.

Sanders, que tem uma coluna sobre diagnóstico na "New York Times Magazine" e é autora do livro "Todo Paciente tem uma História para Contar" (Editora Zahar, 328 págs., R$ 38), falou à Folha por telefone.

Folha - Por que alguns médicos não escutam os pacientes?

Lisa Sanders - Os médicos são pressionados a atender os pacientes cada vez mais rápido, e escutar leva tempo -apesar de não levar tantoquanto os médicos temem.E escutar é difícil para todo mundo, médico ou não. Quando você ouve uma história, sua mente está tentando descobrir o significado dos fatos que você está recebendo. Isso cria suspense. A sensação pode ser prazerosa -por isso lemos histórias de mistério. Mas quando é algo que pode ser importante, não gostamos tanto. O médico tem de aprender a lidar com o desconforto dessa incerteza.

Será que os médicos acham que os pacientes falam demais e acabam contando coisas que não têm nada a ver?

É verdade que os pacientes podem não saber o que é importante entre tudo o que eles dizem para o médico. Os médicos, às vezes, acham que é melhor fazer perguntas diretas para encontrar a informação de que precisam, ainda que isso não seja verdade. Mas quando você faz perguntas, tudo o que você consegue são respostas. E, às vezes, você precisa de mais do que respostas. Suas perguntas podem conduzir a conversa na direção errada e você nunca vai saber. Os médicos ficam achando que os pacientes vão falar sem parar. Mas eles não fazem isso. Os pacientes respeitam muito o tempo do médico e, quando chegam ao consultório, eles já ensaiaram a queixa. A pessoa já contou o que está sentindo para a mulher, os colegas de trabalho, os filhos... Estudos mostram que tempo médio que um paciente usa para falar é de um um minuto e meio.

Como o paciente deve agir se for interrompido?

É difícil para o paciente dizer: "Posso terminar o que eu estava dizendo?". Mas ele precisa fazer isso. Se o médico não está escutando, procure outro. Os pacientes devem se sentir livres para reclamar. Se reclamar não resolver, é melhor achar outro.

Mas o médico tem um ar de autoridade que intimida, não?

Sim, mas a medicina deveria ser uma colaboração entre dois tipos de especialista. Um é o médico, especialista em doenças, em como o corpo funciona. O outro é o paciente, especialista em seu próprio corpo, em como está se sentindo. Um médico não pode saber como o paciente se sente sem perguntar. Os exames físicos, hoje, também são uma arte em declínio. É preciso estudá-los e valorizá-los mais.

Sábado, 01.10.11

Correio Braziliense

Benefício provoca rombo de R$ 6 mi

Plano de saúde do Senado tem deficit mensal milionário e força a Casa a anunciar mudanças como a restrição ao número de beneficiários e o aumento da mensalidade

Por Erich Decat

Com o caixa no vermelho, integrantes da Mesa Diretora do Senado aprovaram às pressas novas regras que alteram o plano de saúde dos servidores da Casa, conhecido como SIS. O rombo do benefício é estimado em R$ 6 milhões mensais. Para fechar a torneira, os senadores aprovaram o aumento das mensalidades e a exclusão de dependentes maiores de 24 anos. As alterações entram em vigor a partir de hoje e provocarão chiadeira nos corredores do Senado.

Criado com o objetivo de atender os servidores do Senado, o SIS vem provocando turbulências nos cofres da Casa. O sistema atende 18 mil beneficiados entre servidores, comissionados e dependentes. Ele adota o modelo de autogestão e conta com um orçamento próprio. Parte dos recursos vem do Orçamento da União, ou seja, dinheiro público. Outra parcela sai de um fundo de reserva alimentado pelas mensalidades dos beneficiados e da coparticipação (30% dos procedimentos médicos são pagos pelo servidor).

O montante previsto apenas no orçamento do Senado para este ano é de R$ 73,1 milhões. Esse dinheiro também serve para atender os 81 senadores, que não têm limite de gastos com saúde. Só que o plano, tão completo quanto caro, ajudou o orçamento a saltar. De 2007 para cá, a manutenção do benefício dos servidores, somado ao dos senadores, aumentou R$ 25 milhões, somente com os procedimentos médicos. De acordo com um funcionário ligado ao SIS, os recursos previstos no orçamento, a cada ano, pagam os custos de apenas seis meses. O resto do ano é custeado com dinheiro do Fundo. “Estamos retirando mais do fundo do que aplicando. Estamos no vermelho, gastando o nosso colchão”, revelou um integrante do Conselho de Supervisão do SIS.

O colegiado responsável pela gestão do plano é presidido pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) e tem como vice-presidente a diretora-geral do Senado, Doris Marize. As duas protagonizaram as discussões em torno das mudanças no SIS aprovadas na quinta-feira, dia 29. O fundo soma cerca de R$ 180 milhões. Se não houvesse nenhuma mudança no sistema, o montante daria para pagar as despesas médicas apenas até 2013. A partir daí, o Senado ficaria inadimplente. “O problema é que hoje são gastos cerca de R$ 10 milhões contra R$ 4 milhões de arrecadação. Temos um deficit mensal de R$ 6 milhões”, calculou outro servidor, ligado ao SIS.

Transparência

Funcionários do Senado reclamam da faltade transparência sobre as mudanças e os reais valores que envolvem o plano. Documento ao qual o Correio teve acesso mostra que o aumento das mensalidades não resolveria o problema de caixa do SIS. “O fato de aumentar a mensalidade não garantirá uma solução duradoura para o nosso plano de saúde, precisamos de um modelo que dure 20 anos”, diz trecho do documento entregue a Doris em 24 de agosto.

Em nota, Doris afirma que as mudanças aprovadas vão elevar as receitas do SIS em R$ 6 milhões por ano, um crescimento de 24%. “As medidas objetivam ajustar as receitas aos crescentes custos dos serviços de saúde, decorrentes da incorporação de tecnologias cada vez mais caras e do aumento da idade média dos usuários do SIS.” A reportagem tentou contato com a senadora Marta Suplicy, mas até o término desta edição não teve retorno.

O Estado de São Paulo

Mesmo com restrição, consumo de antibióticos cresce 4,8% em um ano

Por Fernanda Bassette

O consumo de antibióticos no País cresceu 4,8% em um ano, saindo de 90,3 milhões para 94,7 milhões de unidades. O aumento ocorreu depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passar a exigir a retenção de receita para a venda desses remédios.

Os dados foram levantados pela IMS Health, consultoria especializada no mercado farmacêutico, a pedido do Estado, e leva em consideração a venda para o consumidor final, em farmácias.

A norma proibindo a venda de antibiótico sem receita foi publicada pela Anvisa em outubro do ano passado e passou a valer um mês depois. O objetivo da medida era reduzir a automedicação e o risco de resistência bacteriana.

Para especialistas, o aumento nas vendas é resultado do crescimento natural do mercado farmacêutico e da melhora da economia: o brasileiro tem mais acesso a planos de saúde, vai mais ao médico e, consequentemente, compra mais remédio.

Para o professor Silvio Barberato Filho, do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), a medida tem um impacto positivo em reduzir a automedicação, mas ainda não resolve de forma eficaz o problema da resistência bacteriana.

"Temos estudos que demonstram que ainda há excesso de prescrição de antibióticos e prescrições equivocadas. Se a pessoa toma o remédio sem necessidade, mesmo comprando com receita, ela vai contribuir para o aumento da resistência", diz.

A mesma opinião é compartilhada pelo infectologista Carlos Roberto Veiga Kiffer, pesquisador do Laboratório Especial de Microbiologia Clínica da Unifesp. "A má prescrição existe e é um dos fatores que nós médicos brigamos contra. O consumo precisa cair mais."

Para Barberato, outras medidas, como a orientação específica ao profissional que prescreve antibióticos, deveriam ser tomadas para evitar a resistência. "O fato de o paciente comprar com receita não quer dizer que a receita não está associada ao mau uso. O controle das vendas é apenas um dos elementos para controlar a resistência bacteriana. Essa norma não consegue coibir a prescrição equivocada", diz.

Classes específicas. Tese de mestrado defendida ontem na Uniso, orientada pelo professor Barberato, mostrou que nos seis meses depois do início da norma houve queda na venda antibióticos indicados para o tratamento de doenças respiratórias.

A pesquisa levou em consideração uma base de dados de cerca de 2.800 farmácias. Segundo Barberato, houve redução na venda da tetraciclina (39%), azitromicina (33%), amoxicilina (32%) e lincomicina (26%). "Essa queda aconteceu provavelmente porque esses eram os medicamentos mais vendidos sem receita", afirma.

Segundo Nelson Mussolini, vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), o mercado farmacêutico cresceu 20% no último ano. A tese da indústria para explicar o aumento nas vendas é a de que nunca houve uma automedicação tão exagerada quanto era imaginado.

"Ninguém toma antibiótico se não precisa. E sempre há um pico de venda nos meses de inverno, por causa dos problemas respiratórios", diz Mussolini.

Sistema. Apesar de ter publicado a norma há quase um ano, a Anvisa não tem um levantamento oficial sobre o consumo. Pela nova regra, as farmácias deveriam fazer a escrituração eletrônica das receitas retidas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) a partir de abril deste ano, mas o prazo foi suspenso por tempo indeterminado.

Assim, a Anvisa depende dos dados manuais feitos por cada estabelecimento. Segundo a assessoria, o prazo foi suspenso porque o sistema atual não comportaria uma demanda tão grande de informações. A agência também atribui o aumento do consumo ao crescimento do mercado.

O Estado de São Paulo

Padilha defende proibição de fumódromos no País

Por Bruno Boghossian, Rio de Janeiro

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou a proposta de emenda que permite a criação de estabelecimentos para fumantes. O texto havia passado por seu gabinete na semana passada, como noticiou o Estado, mas Padilha só passou a declarar sua oposição após ser pressionado por setores do governo e grupos antitabagistas.

"Somos contra qualquer fumódromo, contra qualquer serviço em ambiente fechado que possibilite o uso do cigarro", disse o ministro após evento no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio.

Padilha negou que a pasta tenha defendido a liberação do fumo e declarou que apoiará a proibição do cigarro em todos os ambientes públicos fechados - a exemplo de leis aprovadas em Estados como São Paulo e Rio.

Elaborada pelo deputado Renato Molling (PP-RS), a emenda será incluída no texto da Medida Provisória 540, que eleva para 300% a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros. A taxação é considerada essencial pelo governo para reforçar sua arrecadação.

Relator da MP, Molling descartou a retirada da emenda do projeto, apesar da oposição do ministério. O projeto deve ser apresentado à Câmara na quarta-feira.

"Como ministro da Saúde, ele realmente deve ser contra essa proposta. Mas, do ponto de vista da economia e das liberdades individuais, é preciso criar uma alternativa aos fumantes", ponderou o parlamentar.

Folha de São Paulo

Mortes por surto nos EUA sobem para 15

Melões contaminados com bactéria deixaram 84 pessoas doentes em 19 Estados

Das Agências de Notícias

O surto de infecção pela bactéria listeria, causado por melões contaminados, nos Estados Unidos, já matou 15 pessoas e deixou 84 doentes, segundo informações do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA).

Até agora, 19 Estados foram afetados.

Segundo a FDA (agência que regula remédios e alimentos no país), ainda não se sabe como os melões, produzidos em uma fazenda no Colorado, foram contaminados com a listeria.

A agência está investigando a água usada para irrigar a plantação e a possibilidade de animais terem entrado na fazenda.

A bactéria cresce em locais úmidos e é, em geral, transportada por animais.

Na Califórnia, outro caso de contaminação por listeria causou o recolhimento de alface pré-cortada. Até agora, ninguém ficou doente por causa da hortaliça.

A infecção por listeria só é grave em pessoas com sistema imune comprometido.

A bactéria costuma ser encontrada mais em carne e queijo não pasteurizado do que em vegetais.

O Tempo

Dignidade do idoso

Nos próximos 20 anos, mais 21 milhões de brasileiros vão se tornar idosos no Brasil. Refletindo um processo que avança desde 1991, essa população vai passar dos atuais 19 milhões para 40 milhões de pessoas com 65 anos ou mais.

O Brasil foi um país de população jovem, decorrência de altos índices de fecundidade. Mas, nas últimas décadas, o quadro mudou. A faixa de pessoas com idade até 25 anos se reduziu, enquanto aumentou a da população idosa.

Em 1991, os idosos eram 4,8% da população. Hoje, já representam 7,4%. Em Minas, são 12%. Acompanhando a tendência observada nos países desenvolvidos, o Brasil caminha para o envelhecimento populacional.

Isso vem sendo seguido pelo poder público, sobretudo depois de 1991, quando a ONU instituiu o Dia Internacional do Idoso em 1º de outubro. Em 2004, começou a vigorar o Estatuto. E em 2006 foi criado o dia nacional.

Gradativamente, a sociedade se torna sensível à questão do envelhecimento da população, tratando-a como um problema de direitos humanos. A deferência constitui uma mostra de maturidade no trato com esses cidadãos especiais.

Os idosos são dotados de grande potencial. Atentas, as empresas já os descobriram como um mercado atraente e vêm se preparando para atender-lhes. Suas necessidades também geraram um novo profissional, o cuidador de idoso.

Não obstante, o idoso ainda sofre muitos constrangimentos na sociedade. É vítima frequente de violência física, como os maus-tratos e o abandono, e de exploração econômica, sobretudo por parte de familiares.

O registro de denúncias tem aumentado. Os crimes contra idosos só ficam atrás dos contra crianças e adolescentes. Neste momento, o governo estadual está lançando uma campanha de combate às agressões aos mais velhos.

Mas tudo se resume a uma questão essencial. O idoso ainda não é tratado com o respeito que merece. A sociedade competitiva e pragmática não o valoriza como ser humano e cidadão que contribuiu para seu desenvolvimento.

Jornal da Tarde

Plano de combate à dengue

Por Felipe Oda

Novas medidas serão anunciadas no dia 3 e incluem treinamento rápido para médicos

Um novo plano de ação contra a dengue será lançado nesta segunda-feira pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. O evento reunirá representantes de 283 municípios paulistas com risco alto ou muito alto de transmissão da doença no próximo verão, de acordo com mapeamento da pasta.

Entre as novas ações que serão anunciadas, o plano prevê o treinamento de profissionais da saúde para manejo clínico, avaliação e notificação de casos aos centros de vigilância epidemiológica.

Por meio de nota, a secretaria informa que os treinamentos terão duração de “15 minutos” e serão ministrados no próprio local de trabalho dos profissionais para evitar ausências.

Classificação de risco

As 283 cidades convocadas para o lançamento do Plano Estadual de Intensificação das Ações de Vigilância e Controle da Dengue para o período 2011-2012 respondem por 43% do total de casos de dengue no Estado.

Segundo a pasta, não é correto falar em epidemia, mas em regiões vulneráveis à doença. O grau de risco em cada município foi determinado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da secretaria em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).

A classificação é baseada no cruzamento de quatro indicadores: incidência da doença (piores índices registrados nos últimos dez anos); densidade populacional; série histórica (resultados obtidos nos últimos dez anos) e índice de infestação predial (presença de criadouros do mosquito Aedes Aegypti por área).

O Estado registrou neste ano 76,8 mil casos de dengue. A secretaria afirma que o número é 60% inferior ao total de 2010, quando houve 189,3 mil casos. Em 2011, Ribeirão Preto é a cidade que concentra o maior número de registros até agora: 19% do total de casos no Estado.

Sexta-feira, 30.09.11

ANS

Grupo Técnico de Assistência Farmacêutica

O quarto eixo temático da Agenda Regulatória da ANS trata da questão da assistência farmacêutica e tem por objetivo ampliar a oferta de medicamentos para pacientes em tratamento ambulatorial, principalmente para os portadores de doenças crônicas, que fazem uso de medicação de forma continuada.

Na última quinta-feira, 29, o Grupo Técnico de Assistência Farmacêutica da ANS reuniu-se pela primeira vez com membros da Câmara de Saúde Suplementar e outros profissionais do setor para debater o tema, tendo a a gerente-geral de Regulação Assistencial, Martha Oliveira, como mediadora da discussão.

De acordo com o Diretor de Normas e Habilitação de Operadoras, Leandro Reis, para avançarmos, é necessária a discussão com a sociedade. “Não temos o compromisso de ter a melhor idéia, mas, sim, de implementarmos a melhor idéia”.

Atualmente, a legislação (Lei nº9656/98) exige que a assistência farmacêutica seja oferecida somente a pacientes internados ou no momento do tratamento ambulatorial. Um dos primeiros consensos na reunião, porém, foi que o fornecimento de medicamentos a portadores de doenças crônicas, além de proporcionar um impacto positivo na saúde do beneficiário, evitaria muitas internações hospitalares, onerosas para as operadoras.

Quem também se beneficiaria com a medida seriam as empresas que oferecem assistência médica a seus funcionários, já que a redução de internações também reduziria as faltas no trabalho.

Por essa razão, diversas empresas já oferecem a assistência farmacêutica a seus funcionários, muitas vezes na forma de reembolso total ou parcial na compra de medicamentos.

Para Vilma Dias, gerente-executiva de Saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), entretanto, o subsídio de medicamentos pelos empregadores só não basta. Para que um programa desse tipo tenha êxito, é necessária uma política de gerenciamento que acompanhe os tratamentos e certifique-se que eles estão sendo realizados corretamente. É por esse motivo que a Caixa de Previdência e Assistência dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde (Capesesp), mais que financiar a oferta de medicamentos, faz questão que estes sejam entregues na casa dos paciente, já que identificou que a necessidade de ida à farmácia é uma das barreira para um tratamento eficiente.

Mas se a oferta de assistência farmacêutica já é relativamente comum nos planos coletivos empresariais, o mesmo não ocorre nos planos individuais-familiares e coletivos por adesão, onde os beneficiários são os responsáveis pelo pagamento das mensalidades. De acordo com Franklin Padrão, diretor da Golden Cross, ainda há resistência por parte desses beneficiários, principalmente os que fazem uso apenas eventualmente de medicamentos, em arcar com mensalidades mais caras.

Mas se a oferta de assistência farmacêutica já é relativamente comum nos planos coletivos empresariais, o mesmo não ocorre nos planos individuais-familiares e coletivos por adesão, onde os beneficiários são os responsáveis pelo pagamento das mensalidades. De acordo com Franklin Padrão, diretor da Golden Cross, ainda há resistência por parte desses beneficiários, principalmente os que fazem uso apenas eventualmente de medicamentos, em arcar com mensalidades mais caras.

Mas se a oferta de assistência farmacêutica já é relativamente comum nos planos coletivos empresariais, o mesmo não ocorre nos planos individuais-familiares e coletivos por adesão, onde os beneficiários são os responsáveis pelo pagamento das mensalidades. De acordo com Franklin Padrão, diretor da Golden Cross, ainda há resistência por parte desses beneficiários, principalmente os que fazem uso apenas eventualmente de medicamentos, em arcar com mensalidades mais caras.

Outra questão apontada como importante na composição dos custos é a dos medicamentos genéricos, ainda vistos com desconfiança por muita gente. De acordo com Polyana da Silva, da Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, foi constatado em pesquisa que 50% dos médicos ainda têm resistência em receitar medicamentos genéricos.

Apesar de muito profícua, a reunião não teve a intenção de esgotar a discussão e o grupo ainda deverá se reunir outras vezes. O objetivo é que, ao final, possam padronizar o entendimento sobre o tema, elaborar um relatório e construir uma proposta a ser apresentada em futura Câmara Pública.

ANS

ANS lança campanha publicitária em jornais e revistas

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está lançando este fim de semana uma campanha publicitária em 14 jornais e oito revistas de circulação nacional, que se estenderá até dezembro. O objetivo é mostrar as novidades da legislação de planos de saúde, oferecendo, ao mesmo tempo, dicas aos beneficiários sobre os seus direitos. A criação é da Agência Staff de Comunicação e representa investimentos de cerca de R$ 3 milhões.

A campanha direciona as mensagens para homens e mulheres com mais de 25 anos, das classes A, B e C, além de gestores administrativos de empresas com poder de decisão para firmar contratos de planos de saúde coletivos. A campanha publicitária terá capacidade de impactar mais de 15 milhões de pessoas.

As peças publicitárias da campanha baseiam-se nas últimas resoluções normativas publicadas pela ANS, que abordam temas como a cobertura mínima estabelecida pelo Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde; a troca de planos de saúde sem carência, garantida pela portabilidade; as regras de reajuste de mensalidades; a promoção da saúde e prevenção de doenças, proporcionando um envelhecimento ativo; os planos de saúde coletivos e os direitos de aposentados e demitidos.

Já neste fim de semana, as mensagens da ANS começam a ser veiculadas nas revistas Veja, Istoé, Exame, Carta Capital, Você S/A e ainda na publicação das empresas aéreas Gol, Tam e Avianca. Os jornais escolhidos para veiculação foram: O Globo, O Dia, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo, Correio Braziliense, Jornal de Brasília, O Estado de Minas, Hoje em Dia, Zero Hora, Correio do Povo, Diário de Pernambuco, Jornal do Commércio, O Liberal e Diário do Pará.

ANS

ANS amplia cadastro de profissionais para atuação junto às operadoras

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está promovendo a ampliação de seu banco de dados de profissionais que poderão ser chamados para atuar junto às Operadoras de Planos de Assistência à Saúde nos casos de instauração de regimes especiais de Direção Fiscal e Liquidação Extrajudicial.

Os regimes especiais de Direção Fiscal e Liquidação Extrajudicial são decretados, conforme a gravidade do caso, quando a ANS detecta insuficiência das garantias do equilíbrio financeiro, anormalidades administrativas ou econômico-financeiras graves em uma Operadora de Planos de Assistência à Saúde, que coloquem em risco a continuidade e a qualidade da assistência prestada aos seus beneficiários.

O Diretor Fiscal é o agente público nomeado pela ANS para atuar dentro da Operadora e acompanhar a situação econômico-financeira e administrativa da empresa, sem poderes de gestão, mediante atendimento à legislação.

O Liquidante Extrajudicial é o agente nomeado pela ANS para administrar e liquidar, observando-se o que dispõe a legislação, a Operadora submetida ao regime especial de Liquidação Extrajudicial que teve cancelado seu registro provisório ou sua autorização de funcionamento.

Perfis dos potenciais Diretores Fiscais e Liquidantes Extrajudiciais

De forma a exercer a competência prevista em lei de decretação e acompanhamento dos regimes especiais de Direção Fiscal e Liquidação Extrajudicial a ANS precisa ampliar seu cadastro de profissionais capacitados para desempenhar tais funções nas diversas regiões do país, de acordo com a necessidade da Agência.

Para integrar o cadastro, o potencial Diretor Fiscal ou Liquidante Extrajudicial deverá apresentar currículo assinado, descrevendo sua capacidade técnica e sua experiência profissional e ter, no mínimo:

I – nível superior completo, tendo preferencialmente:

a) formação em Ciências Contábeis, Administração de Empresas ou Economia, para os candidatos a Diretor Fiscal; e

b) formação em Direito, para os candidatos a Liquidante Extrajudicial.

II – exercício da atividade profissional devidamente comprovado, sendo desejável atuação no setor de saúde suplementar ou em instituições financeiras ou assemelhadas.

A capacidade técnica e a experiência profissional citadas poderão ser comprovadas pela apresentação, entre outros, dos seguintes documentos:

1) cópias de diplomas e títulos;

2) cópia da Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS e declaração do empregador ou ex-empregador, ou documento equivalente, indicando a espécie do serviço de nível superior realizado, com a descrição das atividades desenvolvidas;

3) certidão de tempo de serviço que informe o período, com início e fim, se for o caso, e a espécie do serviço de nível superior realizado, com a descrição das atividades desenvolvidas;

4) na hipótese de serviço prestado como autônomo, cópia do contrato de prestação de serviços de nível superior ou do Recibo de Pagamento de Autônomo – RPA, acrescido de declaração do contratante que informe o período, com início e fim, se for o caso, e a espécie do serviço de nível superior realizado; e

5) certidão ou outro documento que ateste registro regular no conselho de fiscalização da sua profissão, não podendo constar dívidas ou anotações decorrentes de processos disciplinares ou éticos.

As cópias acima referidas deverão ser autenticadas ou apresentadas com o original para conferência.

Além disto, para integrar o cadastro, o potencial Diretor Fiscal ou Liquidante Extrajudicial, de forma a atender às exigências do artigo 33 da Lei nº 9.961, de 2000, deverá ser pessoa física de reconhecida idoneidade moral demonstrada mediante a apresentação de:

I – declaração do profissional, com firma reconhecida, de que não possui antecedentes criminais nem figura como indiciado em inquéritos administrativos ou policiais e que não tem impedimentos legais para exercer a função para a qual foi indicado, responsabilizando-se civil e criminalmente pela veracidade das informações prestadas;

II - certidões negativas de débitos de tributos e contribuições federais e quanto à dívida ativa da União;

III – certidão negativa de débitos de tributos municipais expedida pelo município em que atuar, no caso do profissional autônomo;

IV – certidões negativas criminais, cíveis, de falências e recuperações judiciais, de execuções fiscais e de interdições e tutelas, das Justiças Federal e Estadual, dos locais em que residiu ou trabalhou nos últimos 5 (cinco) anos;

V - declaração de inexistência de qualquer vínculo ou interesse conexo com Operadoras de Planos de Assistência à Saúde, ou com empresas coligadas, inclusive de amizade ou inimizade e relação de parentesco, consanguíneo ou por afinidade, até o terceiro grau, com seus sócios administradores, controladores, inclusive indiretos, ou representantes legais;

VI - declaração de inocorrência de causas de impedimento ou suspeição, assim definidas pela Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, assinada pelo agente; e

VII – termo de responsabilidade pela manutenção do sigilo das informações obtidas em razão do regime especial, assinado pelo agente.

A seleção dos profissionais para o cadastro de Diretores Fiscais e Liquidantes Extrajudiciais será feita mediante análise de currículo e entrevistas realizadas pela ANS.

Toda a documentação anteriormente citada, necessária para a comprovação da capacidade técnica, experiência profissional e reconhecida idoneidade moral do potencial Diretor Fiscal ou Liquidante Extrajudicial deverá ser apresentada no momento da entrevista, no caso dos profissionais cujos currículos tenham sido selecionados.

Esses profissionais poderão ser chamados quando houver necessidade de decretação dos regimes especiais de Direção Fiscal ou Liquidação Extrajudicial em uma ou mais Operadoras de Planos de Assistência à Saúde.

Os interessados deverão encaminhar currículo, informando a área geográfica de atuação pretendida, para o endereço gedif@ans.gov.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Atenção!

(1) O candidato não poderá ter vínculo com qualquer Operadora de Planos de Assistência à Saúde no momento da nomeação ou durante a Direção Fiscal ou a Liquidação Extrajudicial;

(2) A designação de um Diretor Fiscal ou Liquidante Extrajudicial não configura concurso público e não gera vínculo empregatício com a Agência Nacional de Saúde Suplementar ou com a Operadora que está submetida a regime especial;

(3) O trabalho realizado pelo Diretor Fiscal ou Liquidante Extrajudicial é função pública de caráter eventual.

Mais detalhes sobre os regimes especiais de Direção Fiscal e Liquidação Extrajudicial e os papéis do Diretor Fiscal e do Liquidante Extrajudicial poderão ser obtidos na legislação:

Lei nº 9.656/1998 – Dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde;

Lei nº 9.961/2000 – Criou a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS e definiu a sua finalidade, estrutura, atribuições, sua receita, a vinculação ao Ministério da Saúde e a sua natureza;

Lei nº 6.024/74 – Dispões sobre a Intervenção e a Liquidação Extrajudicial de instituições financeiras e dá outras providências;

Resolução de Diretoria Colegiada 47/2001 – Dispõe sobre a Liquidação Extrajudicial de Operadoras de Planos de Assistência à Saúde;

Resolução Normativa 52/2003 – Dispõe sobre os regimes especiais de Direção Fiscal e de Direção Técnica das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde;

Resolução Normativa 109/2005 – Dispõe sobre a remuneração de profissionais nomeados para exercer o encargo de Diretor Fiscal, de Diretor Técnico e de Liquidante Extrajudicial, a acumulação simultânea dessas funções, o adiantamento de recursos financeiros para atender despesas com a execução dos regimes especiais e o ressarcimento da ANS pelas referidas despesas.

Folha de São Paulo

Profissionais criticam projeto do "Ato Médico"

Proposta que define funções exclusivas dos médicos foi debatida ontem no Senado

Por Johanna Nublat, de Brasília

Uma audiência sobre o polêmico projeto de lei do "Ato Médico" colocou médicos de um lado e psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e farmacêuticos de outro.

O projeto foi debatido ontem na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Enquanto entidades médicas defenderam o projeto, que define os atos que só o médico pode fazer, representantes de outras áreas de saúde criticaram a proposta.

Para Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia, o texto destrói a solidariedade entre profissionais da saúde. "O projeto de lei vem para dizer que existe um profissional melhor que o outro", disse.

Os não médicos demandam que determinados atos continuem permitidos para as suas áreas. Os farmacêuticos querem garantir que o teste citopatológico -rotina para mulheres nos exames ginecológicos- não seja privativo do médico.

"Quase 60% dos exames citopatológicos são realizados por não médicos. Haveria prejuízo para as mulheres brasileiras", diz Walter Silva João, vice-presidente do Conselho Federal de Farmácia.

Enfermeiros, por outro lado, querem manter a possibilidade de realizar diagnósticos de necessidades do paciente, afirma Cleide Canavezi, do Conselho Federal de Enfermagem. "Não queremos ser médicos, não é diagnóstico da doença."

Ela usa como exemplo um paciente com um edema no pé. A ideia, diz Canavezi, é que o enfermeiro possa fazer o diagnóstico e prescrever cuidados básicos, como colocar o pé para cima. Mas o projeto de lei veda a tarefa.

Roberto D'Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina, diz que o objetivo do projeto não é fazer reserva de mercado. Segundo ele, o principal ponto é garantir a exclusividade do diagnóstico e do tratamento para os médicos.

"Quem pode pagar vai ao médico. E quem não pode? Em 30% das equipes do [programa] Saúde da Família não há médicos. As pessoas estão sendo atendidas, não me pergunte por quem."

O projeto teve origem no Senado. Seguiu para a Câmara, onde foi aprovado com ajustes. De volta ao Senado, deve ser aprovado pela CCJ e por outras duas comissões antes de ser encaminhado para sanção presidencial.

Segundo o relator do projeto, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), o texto da Câmara é "inaceitável". "Quando o projeto passou na Câmara, houve certa radicalização por parte dos médicos.

Nenhuma profissão pode se considerar a melhor."

Folha de São Paulo

Saúde pode necessitar de novo imposto no futuro, afirma Dilma

De Brasília - A presidente Dilma Rousseff voltou a defender mais recursos para a saúde e admitiu a necessidade de um novo imposto no futuro.

Segundo ela, após o governo resolver problemas de gestão na área, será necessário discutir com formas de financiar uma "saúde de qualidade".

A presidente defendeu que, em primeiro lugar, é preciso ter maior número e melhor distribuição de médicos.

"A gente vai ter de fazer duas coisas, por isso que eu não estou pedindo hoje um aumento de impostos. Nós vamos melhorar a gestão da saúde."

Ela pediu que a população não aceite a argumentação de que a área da saúde não precisa de mais recursos, mas apenas de melhor gestão.

O Estado de São Paulo

População pedirá novo imposto, afirma Dilma

Em entrevista à TV Record, presidente diz que 'quando ficar claro' que mais recursos para a saúde são necessários, brasileiros vão apoiar a ideia

Por Rafael Moraes Moura, Tânia Monteiro / Brasília

Após a Câmara rejeitar a criação de um imposto para a saúde nos moldes da antiga CPMF, a presidente Dilma Rousseff admitiu ontem, em entrevista à TV Record, que o setor enfrenta um problema sério de gestão no País - e sugeriu que a própria população brasileira apoiaria uma nova taxa para garantir recursos adicionais que melhorassem os serviços públicos.

"Não estou pedindo hoje um aumento de impostos. Nós vamos melhorar a gestão da saúde neste País. E quando ficar claro para a população que ela precisa de mais coisa, ela mesma vai se encarregar de pedir", disse Dilma, durante entrevista ao vivo ao programa "Hoje em Dia".

"Tem um problema sério de gestão, sim. A gente tem recursos e o uso desses recursos tem de ser melhorado", afirmou. Dilma destacou ainda que é preciso melhorar a qualidade dos hospitais e aumentar a quantidade de médicos.

"Não sou, como diz a Bíblia, sepulcro caiado. Por que eu não sou? Porque eu tenho obrigação de falar para a população o que ela tem direito de ouvir", disse.

Em 2007, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma de suas maiores derrotas legislativas, quando o Senado derrubou a CPMF. Em entrevista ao Estado publicada nesta segunda, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, defendeu um novo imposto para a saúde, dizendo que o assunto deve ser um dos principais temas das eleições do ano que vem.

Outros países. De acordo com a presidente, é possível contar "nos dedos" os países que possuem sistema universal de saúde de qualidade. Dilma comparou o investimento per capita brasileiro com o de países vizinhos e lembrou as dificuldades do presidente dos EUA, Barack Obama, em reformar o sistema de saúde.

"Se você for olhar, a Argentina, per capita, investe mais em Saúde do que nós 42%. O Chile, 27% a mais e, se você olhar o setor privado versus o setor público no Brasil, o setor privado, per capita, está colocando duas vezes e meia a mais", comentou.

"O que eu quero dizer com isso é o seguinte: não aceitem, em hipótese alguma, que a saúde no Brasil não precisa de mais dinheiro. Não é possível aceitar isso. É uma coisa perigosa."

Durante a entrevista, foi servido um café da manhã. A presidente Dilma também foi questionada se "acha bom" governar o Brasil, se sempre sonhou em ser presidente e se achava que poderia influenciar "muita gente" fora do País. A sucessão de escândalos que abalaram os nove meses do governo e levaram à queda de quatro ministros não foi assunto da conversa.

O Estado de São Paulo

Opinião

Onde a sociedade quer mais saúde?

Por Washington Novaes, jornalista, e-mail wlrnovaes@uol.com.br

Reacende-se o debate sobre a situação calamitosa da saúde pública na maior parte do País - e até já se prevê que será esse o tema principal na campanha eleitoral de 2012. O governo federal, por intermédio de suas lideranças, admite que precisará criar algum imposto que acrescente R$ 45 bilhões anuais ao setor (o ministro da Saúde fala em mais R$ 41 bilhões para igualar o nível da saúde no País ao da Argentina e do Chile). Em 2010 investiu o nosso governo central R$ 61,9 bilhões - mas as despesas da União no setor, segundo Ricardo Bergamini, caíram de 1,88% do PIB, entre 1995 e 2002, para 1,80%, entre 2003 e 2010; a tendência até aqui é de 1,56% do PIB em 2011.

Mas a oposição e até parte dos governistas já dizem que não concordam com um novo imposto, embora haja quem fale em taxar, para isso, grandes fortunas, legalizar o jogo (cobrando altas taxas), aumentar os impostos sobre o fumo e reservas no exterior, além de destinar à saúde parte dos royalties decorrentes da exploração do petróleo.

Até se registram alguns avanços importantes no Estado de São Paulo, como o da redução da mortalidade infantil, que em 20 anos caiu 61,8%, passando de 31,2 mortes de crianças em 1.000 nascidas vivas para 11,9 - e isso se deveu em grande parte aos avanços no setor de saneamento. Também influíram o aumento da vacinação, os cuidados na fase pré-natal, a assistência às gestantes (Estado, 27/8). Em contrapartida, cresceram os índices de poluição do ar nas maiores cidades, que já produzem 23,7 mil mortes por ano. O Rio de Janeiro está com índice três vezes acima do máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS); São Paulo e Campinas, com o dobro (o melhor índice é o de Curitiba). E o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (Unodc) alerta para o consumo abusivo de medicamentos no Brasil, sobretudo emagrecedores (Envolverde, 27/6).

A questão brasileira na área da saúde parece ainda mais preocupante quando colocada diante de outros relatórios internacionais. Como o do World Cancer Research Fund (BBC Brasil, 17/9), que aponta um aumento da incidência de câncer no mundo da ordem de 20% na última década, quando se registraram 12 milhões de casos novos; 1,8 milhão estavam relacionados com má alimentação, deficiências de atividade física e aumento de peso - e esse número "deve crescer dramaticamente na atual década". Além do câncer, diz a ONU em outros documentos, também crescem muito doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares, respiratórias crônicas e diabetes. No Brasil, segundo a OMS, os casos de câncer de próstata (41,6 mil em um ano) e de pulmão (16,3 mil) são os mais frequentes entre homens; na mulher, câncer de mama (42,5 mil) e de colo do útero (24,5 mil). Já o IBGE diz que 16% dos meninos brasileiros e 12% das meninas de 5 a 9 anos sofrem com obesidade, sedentarismo e estresse deles decorrente.

Outro alerta da OMS é para a ameaça de recrudescimento da gripe aviária (vírus H5N1), principalmente na Ásia e em regiões mais próximas, embora possa expandir-se. Desde 2003, o combate à gripe exigiu o sacrifício de 400 mil aves confinadas em 63 países, com prejuízos de US$ 20 bilhões. Em 2010-2011 já surgiram 800 casos e há vírus endêmicos em seis países. Como grande exportador de carne de aves, o Brasil precisa se precaver.

Chega-se, então, ao terreno dos medicamentos. Há progressos na cooperação da indústria farmacêutica com a OMS e outros organismos, que permitirá a produção de medicamentos antirretrovirais em versão genérica por um consórcio internacional que os fornecerá a 111 países mais pobres, com economia de US$ 1 bilhão (o Brasil já quebrou a patente em 2001). Também haverá redução dos royalties em patentes de medicamentos para hepatite (Estado, 13/7). Na verdade, os ministros da Saúde do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul - o Brics - querem mudanças na legislação sobre medicamentos e patentes para ampliar o acesso das pessoas mais pobres e baratear custos. A resistência é forte. Mas a própria presidente Dilma Rousseff defendeu na recente reunião da ONU a que esteve presente a quebra de patentes de remédios para doenças não terminais (Estado, 20/9), como diabetes, hipertensão e outras. Segundo ela, trata-se de um "elemento da estratégia para aumentar a inclusão social".

É um tema antigo e difícil. Quando era secretário de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Distrito Federal (1991-1992), o autor destas linhas e o então presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ennio Candotti, tentaram evitar que o Congresso Nacional incluísse na Lei da Propriedade Industrial, que então discutia, o reconhecimento de pipelines para medicamentos com patente já vencida no exterior - quando, na verdade, deveriam passar a ser fabricados aqui sem pagar royalties, como já ocorria em tantos países. Até ao então presidente Itamar Franco foi uma delegação com representantes da SBPC em todos os Estados. O chefe do governo aderiu imediatamente à reivindicação. Mas seus líderes no Congresso impediram qualquer avanço. E os pipelines prevalecem até hoje, embora haja ações de inconstitucionalidade tramitando no Supremo Tribunal Federal.

Prevenida quanto ao avanço de certas reivindicações, a indústria farmacêutica transnacional já domina 40% do mercado de medicamentos genéricos (Folha de S.Paulo, 28/8), quando há três anos só tinha 12%: muitas patentes poderão cair em domínio público em prazos curtos.

Com tudo isso, a sociedade precisa acompanhar atentamente a discussão sobre a saúde pública, uma das que mais lhe interessam. Recursos podem surgir - basta lembrar o que já se citou num dos últimos textos nesta página: o governo federal paga em juros da dívida pública entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões/ano (por causa da mais alta taxa de juros no mundo); em subsídios a vários setores econômicos, R$ 30 bilhões; em ajuda a mutuários, R$ 32 bilhões (Agência Estado, 8/8). Recursos como esses terão o destino que a sociedade autorizar.

Folha de São Paulo

Governo sofre nova derrota em reserva de vaga a convênio

Plano do governo Alckmin é destinar 25% dos leitos a clientes de planos de saúde

Por Talita Bedinelli, de São Paulo

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) sofreu ontem uma segunda derrota na tentativa de destinar vagas de hospitais públicos para planos de saúde.

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu manter uma liminar que suspende um decreto assinado por Alckmin em julho.

Se estivesse valendo, o decreto destinaria 25% dos leitos de hospitais estaduais para pacientes que têm convênio médico. Caso a decisão da Justiça de ontem tivesse sido favorável ao governo, ele já poderia começar a cobrança dos convênios.

Alckmin agora terá de esperar o julgamento da ação civil pública movida pela Promotoria de São Paulo, que não tem data para ocorrer.

O plano era implementar a medida inicialmente no Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) e no Hospital dos Transplantes.

A decisão de ontem foi uma resposta a um recurso do governo que pretendia revogar decisão do início deste mês contra a destinação de vagas.

De acordo com entidades médicas, o decreto abriria a possibilidade de "dupla porta" em hospitais públicos, com atendimento diferenciado para pacientes do SUS e de planos de saúde.

A Secretaria Estadual de Saúde disse que não foi notificada e que, por isso, não poderia comentar a decisão.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar informou em nota que não cabe a ela avaliar "atos de competência dos poderes públicos até a sua plena efetividade".

O Estado de São Paulo

TJ mantém proibição a leito particular em hospitais públicos

Decisão quer impedir que 25% dos leitos de dois hospitais públicos sejam destinados a pacientes de planos ou particulares

Por Karina Toledo

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a liminar que proibiu a entrega de até 25% dos leitos do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) e do Hospital de Transplantes Dr. Euryclides de Jesus Zerbini a pacientes particulares ou de planos de saúde.

A liminar foi concedida no início do mês a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), que move ação civil pública contra a lei, aprovada no fim de 2010, que autoriza hospitais públicos administrados por organizações sociais (OSs) a destinar até um quarto de seus serviços a pacientes de planos. Para o MPE, a medida favorece a chamada "porta dupla" na rede pública e representa a perda de 2 milhões de leitos no Sistema Único de Saúde.

O Icesp e o Zerbini foram os primeiros hospitais autorizados pela Secretaria Estadual da Saúde a ofertar serviços a particulares. A pasta poderia estender a permissão a outros 24 hospitais estaduais geridos por OSs. Mas a liminar suspendeu os efeitos da lei até que termine o julgamento da ação civil pública.

Na semana passada, o governo estadual entrou com recurso para tentar derrubar a liminar. A secretaria alega que a finalidade da lei é permitir que os hospitais possam ser ressarcidos pela assistência prestada a pacientes de planos de saúde, que já são atendidos em hospitais públicos de alta complexidade, como o Icesp. Mas o pedido foi negado pelo desembargador José Luiz Germano.

Procurada, a Secretaria da Saúde informou que ainda não foi notificada da decisão judicial.

O Estado de São Paulo

Omissão de socorro em hospital é gravada

Fábio Grellet, colaboração

Um caso de omissão de socorro na emergência do Hospital Estadual de Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital paulista, foi registrado em vídeo e exibido ontem em reportagens da Rede Globo. As imagens mostram um funcionário do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), cuja pessoa que socorreu, um homem de 80 anos, não pôde passar da porta do hospital, cobrando explicações de um médico, que não se digna a responder.

O mesmo funcionário faz questionamentos semelhantes a uma enfermeira, que responde: "Quem determina isso não sou eu, da enfermagem. É o médico, né? Não sou eu". O paciente terminou por ser levado ao Pronto-Socorro de Santana, onde foi atendido e recebeu alta hospitalar. A direção do hospital afirmou que havia sobrecarga de pacientes no horário, mas vai investigar o caso.

Rio. No Rio, Gabriel Santos de Sales, de 21 anos, morreu às 5 horas de ontem no Hospital Municipal Salgado Filho, dez dias após percorrer cinco unidades de saúde em busca de atendimento médico. Ele sofreu traumatismo craniano após cair da laje de casa. O caso motivou a exoneração de dois chefes do Hospital Estadual Getúlio Vargas, um dos que não atenderam o paciente.

AGENDA


- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo

Abramge / AssPreviSite

As inscrições para os Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”. Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio site da Abramge.

No Brasil, o Ministério da Saúde registra a cada ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais: a informação não é muito divulgada. O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora do vírus – e segundo estudo publicado na revista científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma humano.

Podem participar da premiação, jornalistas profissionais de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de 2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover a informação sobre saúde e estimular a pesquisa científica do setor”, diz o presidente da Abramge, Arlindo de Almeida.

A comissão julgadora dos Prêmios será constituída de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão encaminhados aos jurados escolhidos pela direção da Abramge para análise e indicação dos melhores trabalhos.

Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem: R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos. E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da Abramge.

Veja o regulamento completo dos Prêmios no endereço eletrônico www.abramge.com.br


- Home Care: Problema ou solução?

Unidas / AssPreviSite

03 e 04 de Outubro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

Capacitar os profissionais da Área de Saúde, através de reflexões e aprimoramento dos aspectos pessoais e comportamentais inerentes ao atendimento domiciliar, visando atender as demandas do mercado.

Instrutora

Maria Antonieta Turci Rulli

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br

- Evento sobre auditoria de medicamentos

Unidas / AssPreviSite

Auditoria de medicamentos de alto custo - quimioterapia, radioterapia e agentes biológicos

14 de outubro de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

O aumento nos custos da sáude está diretamente relacionado à incorporação de novas tecnologias.

O advento dos anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer e dos agentes biológicos para as doenças reumáticas, auto-imunes e dermatológicas trouxe grandes avanços para o tratamento, mas com um aumento expressivo nos custos.

O bom uso destes medicamentos traz benefícios inquestionáveis para os pacientes mas o mal uso, que não é infrequente, não só prejudica a saúde dos mesmos como acarreta desperdícios para os financiadores da saúde.

O desafio da regulação dos agentes quimioterápicos e biológicos requer do auditor novos conhecimentos.

O objetivo geral deste curso é capacitar o auditor a exercer papel regulatório adequado sobre o uso de agentes quimioterápicos e biológicos, de forma a assegurar ótima qualidade assistencial aos usuários de seu sistema.

Instrutores

DR.OTÁVIO AUGUSTO CÂMARA CLARK

ENFERMEIRA ANNA FLÁVIA FORTES

Público Alvo

Gestores e auditores de sistemas de saúde no Brasil.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br

- Seminário sobre Terapias Celulares

Estão abertas as inscrições para o Seminário Nacional sobre a Regulação em Terapias Celulares. O evento promovido pela Anvisa vai discutir um tema que tem despertado interesse da comunidade científica: as terapias elaboradas a partir de células humanas viáveis (aquelas que podem ser utilizadas em tratamentos).

Atualmente, ainda não há no Brasil um marco regulatório para estes novos tratamentos que devem começar a chegar ao mercado nos próximos anos.

Inscrições

O seminário acontecerá nos próximos dias 17 e 18 de outubro, no auditório da Anvisa, em Brasília. Para efetuar a inscrição, o interessado deve enviar e-mail para o endereço cerimonial@anvisa.gov.br. A inscrição é gratuita, e estão disponíveis 200 vagas.

- Evento sobre auditoria de medicamentos

Unidas / AssPreviSite

Auditoria de medicamentos de alto custo - quimioterapia, radioterapia e agentes biológicos

14 de outubro de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

O aumento nos custos da sáude está diretamente relacionado à incorporação de novas tecnologias

O advento dos anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer e dos agentes biológicos para as doenças reumáticas, auto-imunes e dermatológicas trouxe grandes avanços para o tratamento, mas com um aumento expressivo nos custos.

O bom uso destes medicamentos traz benefícios inquestionáveis para os pacientes mas o mal uso, que não é infrequente, não só prejudica a saúde dos mesmos como acarreta desperdícios para os financiadores da saúde.

O desafio da regulação dos agentes quimioterápicos e biológicos requer do auditor novos conhecimentos.

O objetivo geral deste curso é capacitar o auditor a exercer papel regulatório adequado sobre o uso de agentes quimioterápicos e biológicos, de forma a assegurar ótima qualidade assistencial aos usuários de seu sistema.

Instrutores

DR.OTÁVIO AUGUSTO CÂMARA CLARK

ENFERMEIRA ANNA FLÁVIA FORTES

Público Alvo

Gestores e auditores de sistemas de saúde no Brasil.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br

- 12º Congresso Paulista de Saúde Pública

APSP tem o prazer de convidá-lo a participar do 12º Congresso Paulista de Saúde Pública, que será realizado de 22 a 26 de Outubro de 2011, no município de São Bernardo do Campo. O congresso tem como eixo central "Saúde e Direitos: escolhas para fazer o SUS".

As Comissões Científica e Organizadora estão preparando um grande evento que possibilite promover debates, reflexões e encaminhamentos que envolvam atores representantes da universidade, da gestão, dos trabalhadores da saúde, usuários de nossos serviços, enfim todos os cidadãos e coletivos responsáveis pela consolidação e fortalecimento do SUS. Nosso sistema de saúde é hoje a maior política garantidora de direitos no país e pela sua abrangência e universalidade está, permanentemente, em disputa entre vários setores e atores. O Congresso possibilitará explicitarmos e debatermos estas várias escolhas para atingirmos nosso objetivo, no sentido de garantir a saúde como um direito e conquista para a cidadania e desenvolvimento de nosso país.

Sua participação é fundamental para o enriquecimento do debate e avaliação de nossas escolhas! Esperamos por você no Congresso!

Mais informações: http://www.congressoapsp.com.br/

- HOSPITAL BUSINESS 2011

27 E 28 DE Outubro de 2011 / Copacabana / Rio de Janeiro

O Hospital Business reúne congresso científico e exposição de produtos, serviços e equipamentos; possibilitando o intercâmbio de conhecimento em um espaço de proposição e debates de idéias, onde profissionais se encontram para pensar a formação e agregar conhecimento aliado à experiência profissional. A exposição, em uma era cada vez mais digital, é o único canal onde o comprador, o vendedor e o produto se encontram fisicamente – uma força potente para os negócios que possibilita que os profissionais tenham acesso à lançamentos de novos produtos, novas tecnologias que terão impacto significativo em sua atuação profissional.

Inscrições: http://www.hospitalbusiness.com.br/inscricao2011.asp

Contato: http://www.hospitalbusiness.com.br/contato.asp

- X Encontro Nacional de Economia da Saúde

O X Encontro Nacional de Economia da Saúde será realizado nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2011, no Hotel Embaixador, na cidade de Porto Alegre/RS.

Mais informações: http://www.ppge.ufrgs.br/abres/index.php

- 14º Congresso Unidas

Unidas / AssPrevISite

Inovações e Desafios da Saúde Suplementar

Dias 21 e 22 de novembro de 2011

Hotel Maksoud Plaza São Paulo

Alameda Campinas, 150 - Bela Vista - São Paulo/SP

Promover o desenvolvimento e a capacitação dos líderes da saúde suplementar é o objetivo maior do 14º Congresso UNIDAS - Inovações e Desafios da Saúde Suplementar. O evento apresentará temas atuais que envolvem os desafios presentes no cotidiano dos gestores, além de oportunizar a troca de informações, experiências e conhecimento entre os players do setor.

Além do 14º Congresso UNIDAS, realizaremos no mesmo período e local a 11ª Feira de Produtos e Serviços para Planos de Saúde que irá apresentar as mais recentes inovações e soluções tecnológicas para a gestão da área da saúde. Para ser expositor ou patrocinador dos eventos, as empresas deverão fazer contato com a UNIDAS pelo telefone (11) 3289-0855, ou pelos e-mails: sandra@unidas.org.br e rose@unidas.org.br.

Participem do 14º Congresso UNIDAS - Inovações e Desafios da Saúde Suplementar e da 11ª Feira de Produtos e Serviços para Planos de Saúde! A sustentabilidade do segmento de autogestão dependerá do crescimento e capacitação profissional daqueles que lutam e contribuem por um sistema de saúde justo para todos os brasileiros.

Informações

Informações adicionais e esclarecimentos poderão ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11) 3289-0855 ou e-mail congresso@unidas.org.br

- 14º Conferência Nacional de Saúde

Tema

“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”

A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional. As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.

Mais informações no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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