Leia
nesta edição:
- Subcomissões vão avaliar saúde
do trabalhador brasileiro
- SUS gastou com mortos R$ 14,4 mi
- Pauta até o
recesso deve incluir Emenda 29
- Lei promete
muito e a conta não fecha, dizem especialistas
- Einstein
- Selo verde de Pró Sustentabilidade
- Justiça e saúde pública
- Atendimento
dos planos de saúde
- Cientistas preveem acabar com o envelhecimento
- Projeto
amplia obrigações
de planos
- Idec envia
carta às operadoras e ANS sobre paralisação
dos médicos
- Especialistas
debatem desigualdades na saúde e soluções
para o problema
- Alexandre
Padilha recebe título de vice-presidente
Honorário da Academia Nacional de Medicina
- Agentes
de saúde querem apoio de municípios
para piso salarial
- Brasileiros
que têm planos de saúde encontram
dificuldades para agendar consultas e cirurgias
- Subcomissão discute novo marco regulatório da
saúde complementar
- Seguridade
vai discutir criação da Contribuição
Social para Saúde
- Líderes partidários definem amanhã pauta
de votações até o recesso
- Brasil
e França debatem estratégias para saúde
- Confederação Nacional de Saúde: Circular
Jurídico 063/2011
- Confederação Nacional de Saúde: Circular
Jurídico 064/2011
Terça-feira,
05.07.11
Agência Câmara de Notícias
Subcomissões vão avaliar saúde
do trabalhador brasileiro
Será instalada hoje a Subcomissão Especial para
Avaliar a Saúde do Trabalhador, criada pela Comissão
de Trabalho, de Administração e Serviço
Público. Após a instalação, serão
eleitos o presidente e o vice-presidente do grupo.
A reunião será realizada em conjunto com subcomissão
sobre o mesmo tema criada pela Comissão de Seguridade
Social e Família. As duas subcomissões definirão
em seguida um roteiro conjunto de trabalho.
Na Comissão de Trabalho, a criação da subcomissão
foi proposta pela deputada Flávia Morais (PDT-GO). “É consenso
que em algumas áreas específicas o trabalhador
se encontra exposto e sujeito a riscos, por isso essa discussão
vai avançar no sentido de garantir melhores condições
de trabalho aos brasileiros”, afirmou.
A reunião será realizada às 14 horas, no
Plenário 6.
O
Estado de São
Paulo
SUS gastou com mortos R$ 14,4 mi
Por Lígia
Formenti
Recurso foi
usado para custear internações de
pacientes que já haviam morrido
O governo
federal gastou R$ 14,4 milhões para custear
procedimentos de alta complexidade e internações
de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que
já estavam mortos.
Auditoria
do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou
9 mil casos de pagamentos indevidos em todo o País entre
junho de 2007 e abril de 2010. Outros 860 procedimentos, referentes
a pacientes que morreram durante a internação,
foram pagos.
O relatório do TCU mostra que boa parte das hospitalizações
ocorreu, mas em períodos distintos do informado no boleto
de cobrança. A estratégia seria usada por administradores
de hospitais para driblar o limite de reembolso mensal fixado
pelo governo. Atingido o teto, eles empurravam as cobranças
para o mês seguinte, alterando, assim, a data dos procedimentos.
Os casos
somente foram identificados por causa da incoerência
entre datas dos procedimentos e da morte dos pacientes. Por isso,
o relator do processo, ministro José Jorge, alerta que
o problema pode ser ainda maior, porque não são
considerados dados de pacientes que sobreviveram. "Existe
uma clara possibilidade de que casos semelhantes tenham ocorrido,
mas não detectados", avalia.
Hospitais
apresentaram uma justificativa para a cobrança.
Segundo eles, isso ocorreria em razão da entrega antecipada
de medicamentos em locais distantes, onde a troca de informações é demorada.
Isso faria com que, muitas vezes, a notícia da morte do
paciente demorasse a chegar ao serviço de saúde.
"Essa justificativa pode explicar parte das ocorrências
verificadas, mas não a sua totalidade", disse Jorge.
Para ele, os dados reunidos na investigação feita
mostram haver também casos pontuais em que há indícios
de cobranças indevidas.
A diretora
do departamento de regulação, avaliação
e controle de sistema do Ministério da Saúde, Maria
do Carmo, afirmou que as recomendações do TCU já são
adotadas pela pasta. "O sistema de AIH (autorização
de internação hospitalar) é antigo. Criamos
de forma sistemática amarras para evitar fraudes. Mas,
como em todas as áreas, embora o sistema seja permanentemente
aprimorado, há o componente humano, a criatividade das
pessoas que estão dispostas a fraudar", afirmou.
Ela também afirma que, além de ferramentas no
sistema, o SUS prevê a atuação de supervisores
hospitalares, servidores encarregados de checar a veracidade
das informações prestadas pelos prestadores de
serviço. De acordo com a diretora, o caso identificado
pelo TCU não é inédito. "O Denasus
já identificou prática semelhante. Para esses casos,
há punição prevista para os infratores."
Alteração. Diante da fragilidade do sistema, o
TCU recomendou à pasta e ao Departamento de Informática
do SUS a adoção de ferramentas que impeçam
a modificação do período de internação
e o alerta no caso de cobranças serem feitas em período
posterior à morte do paciente.
No acórdão, publicado na semana passada, o TCU
fixa prazo de seis meses para que o ministério preste
informações sobre as providências que serão
adotadas.
Depois de
coletados os números gerais, a auditoria investigou
hospitais de Fortaleza (CE), Aparecida de Goiânia (GO),
Belém (PA), Recife (PE) e Campina Grande (PB). Os municípios
avaliados terão de apresentar em 120 dias providências
para que erros sejam reparados. O TCU também determinou
o ressarcimento de pagamentos indevidos.
Valor
Econômico
Pauta
até o
recesso deve incluir Emenda 29
Os líderes partidários da Câmara dos Deputados
vão se reunir hoje à tarde com o presidente da
Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), para negociarem os projetos
de lei que devem ser incluídos na pauta de votações
da Câmara até o recesso parlamentar de julho, que
começa no próximo dia 17.
O deputado
Marco Maia já anunciou que pretende incluir
na pauta de votações desta semana matérias
como a regulamentação da Emenda 29, que trata da
vinculação de repasses de recursos para a saúde;
o projeto de lei que aumenta o valor do Supersimples, e a anistia
para os bombeiros do Rio de Janeiro.
No caso da
regulamentação da Emenda 29, a Câmara
precisa votar apenas um destaque da oposição, que
retira do projeto a base de cálculo da Contribuição
Social para a Saúde (CSS) aprovada há quase dois
anos. Se o destaque for aprovado, a CSS será criada sem
a base de cálculo e, assim, a contribuição
não poderá ser cobrada. Concluída a votação,
o projeto retornará ao Senado para nova deliberação.
Já o projeto de lei que altera o Supersimples promove
alterações na legislação atual e
eleva para a microempresa a receita de R$ 240 mil para R$ 360
mil. Ele também aumenta receita para as empresas enquadradas
no sistema, que passa do valor anual de R$ 2,4 milhões
para R$ 3,6 milhões. O projeto eleva ainda a receita para
o empreendedor individual de R$ 36 mil para R$ 48 mil.
Mesmo que
os líderes decidam sobre as votações
desses e de outros projetos, para que eles sejam apreciados pelo
plenário da Câmara dos Deputados será necessário
que o governo retire a urgência constitucional do projeto
que cria o programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico
e Emprego (Pronatec). Esse projeto está trancando a pauta
e impedindo as votações de outras proposições,
exceto medidas provisórias, que têm prioridade na
votação.
Folha
de São
Paulo
Lei
promete muito e a conta não fecha, dizem especialistas
Por Mariana Carneiro, enviada especial ao Rio
O investimento
social brasileiro está com foco errado:
gasta-se mais com ricos do que com pobres. Mesmo no SUS (Sistema Único
de Saúde), que tem filas de pacientes sem acesso a planos
de saúde, despende-se mais com os que têm renda
elevada do que com o atendimento básico da população.
Para o sociólogo Simon Schwartzman e o economista Edmar
Bacha, é hora de rediscutir escolhas.
Durante um
ano, em seminários realizados na Casa das
Garças, no Rio, centro de discussões de economistas,
foram debatidas soluções para cinco áreas:
saúde, educação, assistência social,
previdência e segurança pública.
As sugestões estão no livro "Brasil: a nova
agenda social", que será lançado nesta terça-feira
em São Paulo. Leia trechos da entrevista concedida à Folha
na semana passada.
Folha
- Por que tratar da agenda social agora? A macroeconômica
está resolvida?
Edmar Bacha
- Até muito recentemente, a economia estava
de tal forma desorganizada que a questão social foi deixada
de lado. A Constituição de 88 estabeleceu um novo
marco para a política social no Brasil, a estabilização
permitiu que a gente considerasse essa agenda. Depois que o PT
chegou ao poder, houve uma priorização da questão
social. E estamos rediscutindo a questão.
E
qual é o diagnóstico da atual situação
na área social?
Bacha - Avançamos muito. Em 1980 estávamos no
zero. O Brasil lidou com o básico, botou todas as crianças
na escola, implantou o SUS, a previdência foi expandida
e chegou ao setor rural. Mas na segurança não sei
se já fizemos o básico. No Norte e no Nordeste,
esse é o principal desafio. Por isso a segurança é parte
do debate social.
O
Brasil gasta muito em políticas sociais?
Bacha - Em
saúde, educação, assistência,
segurança e previdência gasta-se 25% do PIB [R$
900 bilhões]. Estamos no padrão de países
com nossa renda, menos na Previdência. Gastamos 11% do
PIB com 10% de idosos, o padrão seria 4%. O desafio é o
envelhecimento. Em 2050 teremos 30% das pessoas com mais de 60
anos.
No
livro, vocês dizem que o SUS gasta mais com ricos do
que com os pobres. Por quê?
Bacha - A
Constituição diz que a saúde
deve ser integral. Por isso, quando as pessoas não conseguem
medicamento ou tratamento de alta complexidade, elas contratam
um advogado, vão ao juiz e conseguem. A judicialização
leva a despesas crescentes.
Schwartzman
- As unidades que cuidam da saúde não
são responsáveis pelo gasto. Como o princípio é o
atendimento a todos, não há prioridade, você gasta
tudo e manda a conta para o governo.
Há uma lei que fixa compromissos de gastos na saúde. É viável,
sem novos impostos?
Bacha - Provavelmente
não. A Constituição
prometeu que a saúde deve ser igualitária, integral
e gratuita. A conta não fecha.
Schwartzman
- Por que não ter um "padrão
Albert Einstein" pra todos? Porque é caro. Você tem
que pôr limite para esses gastos, que deve ser a combinação
entre o atendimento básico [gratuito] e a contribuição
privada.
Quem
tem dinheiro pagaria pelos serviços do SUS?
Bacha - Sim.
Temos uma proposta no livro de seguro social para gastos catastróficos. Com as contribuições, é formado
um fundo que a pessoa pode acessar quando tem gastos elevados
com saúde.
Na educação, vocês sugerem mudanças
nos currículos. Como isso leva à qualidade?
Schwartzman
- Parte do abandono escolar se deve ao fato de que o jovem,
cuja educação anterior foi ruim, se defronta
com um currículo que não sabe pra quê serve. É possível
dar a diferentes pessoas uma educação mais adequada às
suas condições.
Saúde
Business Web
Einstein
- Selo verde de Pró Sustentabilidade
O Hospital
Israelita Albert Einstein (HIAE) recebeu, na última
quinta-feira (30), o selo verde de Pró-sustentabilidade,
certificação concedida pela Johnson Medical Brasil.
Segundo a
instituição, o selo é um reconhecimento às
medidas sustentáveis adotadas no sistema de esterilização
de materiais do Centro Cirúrgico, que resultaram em um
consumo de energia elétrica 51 vezes menor para cada ciclo
de esterilização feito em autoclave (aparelho utilizado
para esterilizar artigos com calor úmido sob pressão).
A entrega
da certificação ocorreu na tarde da última
quinta-feira (30), no Hospital Israelita Albert Einstein do Morumbi.
Cláudio Luiz Lottenberg, presidente do Hospital Israelita
Albert Einstein, recebeu o Selo Verde das mãos do diretor-sênior
de Meio Ambiente, Saúde e Segurança da Johnson
Medical Brasil, Al Iannuzzi.
O objetivo
da visita, além da entrega da certificação
verde, foi trocar experiências e práticas relacionadas à sustentabilidade – área
de forte atuação do hospital nos últimos
anos.
As primeiras
ações ambientais da entidade começaram
em 2006. Para a gerência de sustentabilidade da Sociedade
Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, é de
conhecimento geral que os serviços de saúde são
grandes consumidores de insumos como energia, água, gás
natural, equipamentos, medicamentos e produtos químicos,
e, portanto, geradores de resíduos sólidos, líquidos
e emissões de gases do efeito estufa.
O Einstein
está trabalhando fortemente para a redução
desses insumos e do que geraram. Além disso a instituição
acredita que é importante envolver toda a cadeia de valor,
como produtores, distribuidores, serviços, consumidores,
legisladores e outro.
Folha
de São
Paulo
Justiça e saúde pública
Por Giovanni Guido Cerri
A assistência farmacêutica gratuita não pode
prescindir de organização, racionalidade e normatização
quanto aos medicamentos distribuídos
A Constituição de 1988 estabelece os princípios
fundamentais que demarcam os fundamentos e os objetivos da República
Federativa do Brasil, entre os quais estão a dignidade
da pessoa humana e a promoção do bem de todos.
No rol dos
direitos e garantias fundamentais, mais especificamente entre
os direitos
sociais, situou-se a saúde (art. 6º).
Estabeleceu o legislador constituinte que a saúde é um
direito de todos, sendo dever do Estado a sua efetivação.
Para dar
concretude à determinação constitucional,
a rede pública de saúde do país promove,
entre outras incontáveis ações, a distribuição
gratuita de medicamentos para os que deles necessitem.
Somente no
Estado de São Paulo, entre 2003 e 2010, o
número de pacientes cadastrados para receber medicamentos
especializados de alto custo nas farmácias da Secretaria
de Estado da Saúde foi multiplicado por cinco, passando
de 100 mil para 500 mil nesse período.
O SUS (Sistema Único de Saúde) de São Paulo
distribui aproximadamente 900 tipos de medicamentos, em diferentes
apresentações. Todos possuem registro na Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
e são incluídos na rede pelo Ministério
da Saúde após análise criteriosa e técnica,
baseada em evidências clínicas.
A indústria farmacêutica vem investindo em pesquisas
de novos medicamentos, que possam trazer melhores respostas terapêuticas
ao tratamento de pacientes. Nem sempre, entretanto, um novo remédio
possui diferenciais que, sob o ponto de vista clínico,
justifiquem sua inclusão na lista do SUS.
O objetivo
final da indústria é vender, enquanto
o dos técnicos em saúde pública é tratar
os pacientes. É preocupante que haja indiscriminada enxurrada
de decisões do Poder Judiciário obrigando prefeituras,
Estados e o Ministério da Saúde a comprar medicamentos
não padronizados, alguns dos quais sem registro no Brasil
ou usados em tratamentos experimentais.
Do mesmo
modo, há um sem número de liminares que
determinam a entrega de medicamentos já distribuídos
na rede, mas que não são daquela marca específica
prescrita pelo médico. Sem falar em decisões que
obrigam a distribuição de fraldas descartáveis,
xampus e outros materiais não vinculados à terapia
medicamentosa.
São Paulo, embora tenha definidos protocolos próprios
de tratamentos não previstos no plano federal e tenha
instituído via administrativa para analisar solicitações
pontuais, vê crescer de forma geométrica seus gastos
com ações judiciais para a entrega de medicamentos
não padronizados.
Em 2010,
a secretaria gastou, em média, R$ 57 milhões/mês
para atender às demandas judiciais, o equivalente à construção
de hospital de porte médio, com 200 leitos.
Entendemos
a boa vontade dos magistrados, que, ao emitir as sentenças, valem-se da universalidade do SUS. Mas a assistência
farmacêutica gratuita não pode prescindir de organização,
racionalidade e normatização quanto aos tipos de
medicamentos distribuídos e às patologias a que
irão atender.
Propomos
ampliar o debate em torno dessa delicada questão,
envolvendo os três níveis de gestão do SUS,
magistrados, OAB, Defensoria Pública, Ministério
Público, ONGs, entidades representativas dos laboratórios
e da sociedade.
Acreditamos
ser possível chegar a um consenso para que
a assistência farmacêutica do SUS seja aprimorada,
para o bem dos pacientes, sem que tenha de, invariavelmente,
passar pelos tribunais.
Diário Comércio Indústria e Serviços
Atendimento
dos planos de saúde
Por Dagoberto J.S. Lima
Foi colocada
em Consulta Pública (número 37),
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
no início do ano, uma proposta de Resolução
Normativa para estabelecer regras garantidoras do atendimento
aos beneficiários de planos privados de assistência à saúde.
As críticas e sugestões da sociedade e representantes
do setor devem ser ponderadas pela agência reguladora,
e um texto final, adaptado minimamente para normatizar procedimentos
a serem absorvidos pelo mercado. Criar regras que assegurem o
bom atendimento aos beneficiários é válido.
Por outro lado, nos termos em que se encontra redigido, o ato
normativo contraria o cumprimento das obrigações
da forma como os produtos estão registrados na ANS e como
está estabelecido nos contratos firmados com os usuários.
- Entre as sugestões levantadas na referida Consulta Pública,
destacam-se algumas. A primeira delas é detectada na ementa
da Resolução Normativa, onde diz garantia de atendimento.
O que garante o atendimento é a lei e o contrato celebrado
entre as partes. Uma maneira mais correta de expressão
seria sobre o acesso aos serviços de atendimento. O artigo
1° deveria incluir também os beneficiários
cobertos por seguros de saúde - incluindo, assim, todo
o universo assistido - e vigorar para contratos firmados a partir
da data do início de vigência do ato normativo,
respeitando o princípio constitucional inserido no inciso
XXXVI do artigo 5° da Constituição Federal,
que veda a aplicação retroativa de norma nova.
No artigo
2º, o mais coerente seria estabelecer que a operadora
se responsabilize pelo acesso aos serviços ou procedimentos
definidos no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da
ANS para o atendimento integral das coberturas assistenciais
contratualmente previstas, em favor do beneficiário, na área
geográfica de atuação do plano ou seguro,
assim indicada no respectivo registro de produto concedido pela
agência reguladora e no contrato. Sabe-se que em muitos
municípios brasileiros não é possível
que a empresa garanta a existência de um prestador para
todos os serviços e procedimentos previstos. Portanto, é mais
realista zelar para que o usuário tenha acesso ao atendimento
assegurado dentro da área de cobertura de seu plano.
O trecho
mais polêmico da resolução está no
artigo 3°, que fixa os prazos máximos para o atendimento
integral das coberturas referidas no artigo 2°. Tendo em
vista as características da rede assistencial e as diversidades
regionais do Brasil, considero temerária a regra, pois é preciso
se adequar à realidade de mercado para cumpri-la nos períodos
de tempo indicados. De nada adianta fixar prazos que não
têm condições de serem cumpridos. Se há a
ausência de prestador credenciado em uma determinada área
geográfica abrangida pelo plano ou seguro, a norma deve
fazer referência ao prestador indicado pela operadora,
desde que tal cobertura esteja prevista no registro do produto
de saúde concedido pela ANS e no contrato, sendo certo
que a remuneração do referido prestador será a
da tabela praticada pela OPS.
Por fim,
propõe-se também que a Resolução
Normativa entre em vigor no prazo de 120 dias depois da data
de sua publicação, não no mesmo dia de sua
publicação. Não só as operadoras,
mas toda a cadeia produtiva da saúde precisa adaptar sua
estrutura operacional à nova realidade.
Agência Estado / IG Notícias
Cientistas preveem acabar com o envelhecimento
De acordo
com o gerontologista Aubrey de Grey, em menos de 25 anos, será possível eliminar todas as doenças
decorrentes da idade
Se as previsões de Aubrey de Grey estiverem certas, a
primeira pessoa a comemorar seu aniversário de 150 anos
já nasceu. E a primeira pessoa a viver até os mil
anos pode demorar menos de 20 anos para nascer.
Biomédico gerontologista e cientista-chefe de uma fundação
dedicada a pesquisas da longevidade, De Grey calcula que, ainda
durante a sua vida, os médicos poderão ter à mão
todas as ferramentas necessárias para "curar" o
envelhecimento -- extirpando as doenças decorrentes da
idade e prolongando a vida indefinidamente.
"Eu diria que temos uma chance de 50 por cento de colocar
o envelhecimento sob aquilo que eu chamaria de nível decisivo
de controle médico dentro de mais ou menos 25 anos",
disse De Grey numa entrevista antes de proferir uma palestra
no Britain's Royal Institution, uma academia britânica
de ciências.
"E por 'decisivo' quero dizer o mesmo tipo de controle
médico que temos sobre a maioria das doenças infecciosas
hoje", acrescentou.
De Grey antevê uma época em que as pessoas irão
ao médico para uma "manutenção" regular,
o que incluiria terapias genéticas, terapias com células-tronco,
estimulação imunológica e várias
outras técnicas avançadas.
Ele descreve
o envelhecimento como o acúmulo de vários
danos moleculares e celulares no organismo. "A ideia é adotar
o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai
regularmente reparar o danos molecular e celular antes que ele
chegue ao nível de abundância que é patogênico",
explicou o cientista, cofundador da Fundação Sens
(sigla de "Estratégias para a Senilitude Programada
Desprezível"), com sede na Califórnia.Não
se sabe exatamente como a expectativa de vida vai se comportar
no futuro, mas a tendência é clara. Atualmente,
ela cresce aproximadamente três meses por ano, e especialistas
preveem que haverá um milhão de pessoas centenárias
no mundo até 2030
Só no Japão já há mais de 44 mil
centenários, e a pessoa mais longeva já registrada
no mundo foi até os 122 anos.
Mas alguns
pesquisadores argumentam que a epidemia de obesidade, espalhando-se
agora
dos países desenvolvidos para o mundo
em desenvolvimento, poderá afetar a tendência de
longevidade.
As ideias
de De Grey podem parecer ambiciosas demais, mas em 2005 o MIT
(Instituto
de Tecnologia de Massachusetts) ofereceu
um prêmio de 20 mil dólares para qualquer biólogo
molecular que provasse que as teorias da Fundação
Sens são "tão erradas que nem são dignas
de um debate bem informado". Ninguém levou a bolada.
O prêmio foi instituído depois que um grupo de
nove cientistas influentes atacou as teorias de Grey, qualificando-as
de "pseudociência". Os jurados concluíram
que o rótulo não era justo, e argumentaram que
o Sens "existe em um meio termo de ideias ainda não
testadas que algumas pessoas podem considerar intrigantes, mas
das quais outras estão livres para duvidar."
Centro
de Qualificação
do Corretor de Seguros
Projeto
amplia obrigações
de planos
O deputado
Inocêncio Oliveira (PR/PE) apresentou projeto
de lei que assegura a todos os titulares de seguros saúde
ou planos de assistência médica individual ou familiar
o recebimento, no ato da contratação do produto,
de cópia do contrato, do regulamento ou das condições
gerais, além de material explicativo que descreva, em
linguagem simples e precisa, todas as suas características,
direitos e obrigações, bem como contenha lista
de estabelecimentos, hospitais e profissionais credenciados ou
conveniados, com as respectivas especialidades, endereços
e telefones e o site em que tais informações estejam
obrigatoriamente disponíveis.
Segundo o
parlamentar, a plena informação do usuário
de planos de saúde é uma “condição
imprescindível para o usufruto do contrato firmado com
a operadora”.
Ele argumenta
ainda que as reclamações encaminhadas
aos órgãos de defesa do consumidor são,
na maioria das vezes, oriundas da desinformação
que o beneficiário de tais planos tem de seus direitos
e obrigações. “A Lei 9.656, de 1998, contém
dispositivo que obriga as empresas a fornecer cópia do
contrato e informações, mas é omissa quanto às
informações de acesso à rede credenciada
e não está atualizada para determinar que tais
informações estejam disponíveis na rede
mundial de computadores, uma realidade nos dias atuais”,
acrescenta.
O deputado
alega ainda que é necessário que se
promova uma atualização da legislação
com vistas a tornar o acesso do usuário mais fácil
e com menos obstáculos e dúvidas.
Saúde
Business Web
Idec
envia carta às operadoras e ANS sobre paralisação
dos médicos
O Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) enviou nesta segunda-feira
(04)
seu posicionamento perante anúncio
de paralisação dos médicos. Para coordenadora
executiva do Idec, Lisa Gunn, o crescente movimento dos médicos
expõe a fragilidade do sistema de saúde suplementar
no País que submete os usuários e os prestadores
de serviço às operadoras e demonstra uma situação
limite que reclama uma solução urgente.
“Considerando a grave situação a que se
chegou, o Idec espera que as operadoras aceitem dialogar e rever
a remuneração dos médicos que exercem papel
essencial na atenção à saúde, bem
como pede que a Agência Nacional de Saúde Suplementar
assuma seu papel de regulador da relação entre
operadoras e prestadores de serviço, nos termos dos artigos
3º e 4º, da Lei 9.961/2000, intervindo para assegurar
condições de trabalho e remuneração
dignas e compatíveis com o exercício da profissão
médica, garantindo assim o atendimento de qualidade aos
usuários”, finaliza, em comunciado, Gunn.
O Instituto
acredita que a permanência desse estado de “desestruturação” no
sistema irá acelerar o processo de descredenciamento de
médicos dos planos de saúde, deteriorando a atenção à saúde
do consumidor e o sistema.
O documento
foi direcionado a Maurício Ceschin, diretor
executivo da Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS); Arlindo de Almeida, presidente da Associação
Brasileira de Medicina de Grupo; Marcio Seroa de Araújo
Coriolano, presidente da Federação Nacional das
Empresas de Seguros Privados e de Capitalização.
E uma cópia foi também para o Ministério
da Saúde, Ministério da Justiça, Departamento
de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), Associação
Médica Brasileira (AMB) e Associação Paulista
de Médicos (APM).
Agência
Fiocruz
Especialistas
debatem desigualdades na saúde e soluções
para o problema
Por André Antunes
O programa
Brasil sem Miséria, lançado recentemente
pela presidente Dilma Rousseff, pretende acabar com a extrema
pobreza no país. Na área da saúde, uma das
ações pretende combater o que o governo chama de
doenças da extrema pobreza: tuberculose, hanseníase,
esquistossomose, malária, helmintíase (causada
por vermes parasitários, como a tênia) e tracoma
(infecção no olho causada por bactéria). “Além
das questões gerais que atingem a população
brasileira como um todo, existem doenças que tanto são
consequencia da pobreza, particularmente da pobreza extrema,
como são perpetuadoras da miséria, na medida em
que pioram a exclusão social e diminuem a inserção
de pessoas no mercado de trabalho”, explica o diretor do
Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria
de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde,
Carlos Maierovitch.
Embora avalie
que é positiva a iniciativa do governo
federal de combater essas doenças, o diretor do Centro
de Pesquisa Gonçalo Moniz (CPqGM/Fiocruz Bahia), Mitermayer
Galvão dos Reis, acredita que o plano deveria ter incluído
outras enfermidades. “Acho que teríamos que ampliar
o leque das doenças a serem combatidas e incluir não
só as clássicas, como a esquistossomose, mas também
a leptospirose. A cada vez que chove em São Paulo surgem
mil casos de leptospirose em uma semana”, aponta.
Para os estudiosos,
o grande problema de saúde é combater
as iniquidades, que são as diferenças injustas
e evitáveis, causadas por determinantes sociais.
Maierovitch
admite que não são apenas essas seis
doenças que têm maior prevalência entre os
mais pobres, mas aponta que o programa busca contemplar aquelas
que impactam mais as populações consideradas extremamente
pobres. “A leishmaniose costuma atingir populações
mais pobres, a leptospirose também.
Mas não dá para ter uma atuação
absolutamente ampla e aberta, senão fica impossível
concentrar esforços. A ideia é que com a melhoria
nas condições de vida, haja também uma queda
natural na ocorrência de outras doenças relacionadas à pobreza”,
diz. Ele explica que a proposta é que as políticas
de transferência de renda, ampliação do acesso
a serviços públicos e inserção produtiva – que
compõem os três eixos do Brasil sem Miséria – propiciem
a melhoria nas condições de vida dos beneficiados.
Entre as
medidas que serão implementadas para o combate
a essas doenças estão a avaliação
da população beneficiada pelos programas Bolsa
Família e Saúde na Escola para diagnóstico
precoce; ampliação do benefício pago pelo
Bolsa Família às famílias com membros que
estejam em tratamento para tuberculose e hanseníase e
manutenção do benefício por mais seis meses
após a cura comprovada; administração de
tratamento em massa para esquistossomose e helmintíase
para crianças em idade escolar nas áreas de alta
prevalência dessas duas doenças; distribuição
de mosquiteiros impregnados com inseticida para o controle da
malária; e ampliação do diagnóstico
e tratamento da malária em áreas remotas a partir
da montagem de unidades volantes e integração com
a Estratégia Saúde da Família (ESF).
Doenças
negligenciadas
Embora o
Ministério da Saúde não tenha
adotado essa terminologia, as doenças presentes no plano
de ação do Brasil sem Miséria fazem parte
de um grupo também chamado de doenças negligenciadas,
que inclui numerosas outras doenças que afetam populações
pobres na América Latina, Ásia e África.
Além das que estão listadas nas ações
do programa, esse grupo inclui ainda a doença de Chagas,
a leishmaniose, a elefantíase e a doença do sono,
entre outras.
Segundo a
Organização Mundial da Saúde
(OMS), doenças negligenciadas são aquelas que,
por afetarem populações de baixo poder aquisitivo
em países em desenvolvimento, não despertam o interesse
da indústria farmacêutica, que não vê nelas
uma possibilidade de auferir grandes lucros.
Dados da
Associação da Indústria Farmacêutica
de Pesquisa (Interfarma) mostram que o setor investiu em todo
o mundo US$ 63,2 bilhões em pesquisa e desenvolvimento
(P&D) em 2007. No entanto, um estudo intitulado G-Finder,
que faz um levantamento sobre o financiamento mundial de inovação
para doenças negligenciadas (custeado pela Fundação
Bill e Melinda Gates) mostrou que os investimentos nessa área
somaram US$ 2,5 bilhões naquele ano.
O baixo nível de investimentos em P&D se reflete
na quantidade de medicamentos produzidos para as doenças
negligenciadas: dos 1.556 novos remédios registrados entre
1975 e 2004, apenas 21 foram desenvolvidos para essas enfermidades,
que, de acordo com a OMS, são responsáveis por
12% da carga global de doenças e afetam cerca de 1 bilhão
de pessoas em 149 países.
O papel do Estado
“A indústria farmacêutica age com o cérebro,
visando ao lucro. O interesse dela é produzir os antidepressivos,
anti-histamínicos, estimulantes sexuais, o que gera recursos.
Por isso cabe ao Estado exercer um papel regulador, produzindo
aquilo que não interessa à indústria farmacêutica,
que são os medicamentos voltados para as doenças
que atingem as populações sem poder aquisitivo”,
aponta Mitermayer Galvão dos Reis. De fato, segundo o
G-Finder, a indústria farmacêutica privada contribuiu
com apenas 9% do montante investido em doenças negligenciadas
em 2007; o setor público respondeu por cerca de 70% e
as organizações sem fins lucrativos, com 21%. O
Brasil ficou em sexto no ranking de países que mais investiram
dinheiro público em pesquisa e desenvolvimento para doenças
negligenciadas, com quase US$ 22 milhões.
De acordo
com o diretor do Instituto de Tecnologia em Fármacos
(Farmanguinhos), a unidade da Fiocruz que produz os medicamentos
para a malária e tuberculose distribuídos na rede
pública, Hayne Felipe da Silva, praticamente 100% dos
recursos para pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para
doenças negligenciadas no Brasil são provenientes
do Estado, por meio dos ministérios da Ciência e
Tecnologia e da Saúde.
“Não existe como pressionar um ente privado a investir
nessas doenças. É preciso buscar mecanismos indutores
para a participação da indústria, por meio
de subvenções, incentivos fiscais e garantia de
aquisição e distribuição. Fora isso,
a saída é o próprio poder público
produzir, que é o que o Brasil faz”, diz. Segundo
ele, hoje o Brasil tem consolidada uma indústria de produção
de medicamentos dependente de políticas de transferência
de tecnologia. “Nós dominamos a técnica de
transformar o princípio ativo em um comprimido, em um
xarope, mas o Brasil não detém a tecnologia de
produção do insumo farmacêutico ativo. Hoje
importamos 80% dos insumos que são transformados em medicamentos.
Para se ter uma ideia, importamos princípios ativos da
China para produzir medicamentos para a malária e tuberculose”,
diz.
Segundo Hayne,
um dos grandes gargalos existentes para o desenvolvimento de
princípios ativos no país é a falta de
laboratórios especializados em conduzir ensaios clínicos
e testes de toxicidade. “Para desenvolver drogas é preciso
partir de um ponto zero, que pode ser um produto de síntese
química ou um produto de origem animal ou vegetal, e submeter
esse produto aos testes de toxicidade e ensaios clínicos.
É aí que se começa a utilizar voluntários
humanos para testar a droga. Esse é um ponto de gargalo
no Brasil, porque nós temos poucos centros capazes de
desenvolver esse tipo de estudo”, explica. O diretor afirma
que isso foi uma consequência de políticas neoliberais
adotadas por sucessivos governos a partir dos anos 1990. “Nessa época,
o Brasil apostou na ideia de que o mercado se regularia, se desenvolveria,
o que não foi verdade para nós. Atualmente o Brasil
precisa de investimentos tanto em pesquisa quanto na constituição
de infraestrutura para pesquisa, com a construção
de laboratórios e centros de ensaios clínicos”,
aponta.
Perfil
epidemiológico: transição
incompleta
Nos últimos 50 anos, o Brasil passou por intensas transformações
econômicas, sociais, políticas e culturais. A industrialização
e a mecanização do campo foram responsáveis
por um êxodo rural que mudou radicalmente a maneira como
a população se distribui geograficamente, devido
a um processo de urbanização acelerado. O crescimento
econômico propiciou uma ampliação do acesso
da população a serviços básicos de
saúde e saneamento básico. Mudaram também
os hábitos alimentares, já que as famílias
passaram a consumir mais alimentos ricos em gorduras hidrogenadas,
açúcares e produtos industrializados. No período,
a população passou por um processo de envelhecimento.
Os dados foram reunidos no relatório As causas sociais
das iniquidades em saúde no Brasil, publicado em 2008
pela Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da
Saúde (CNDSS).
Tudo isso
fez com que houvesse uma mudança no perfil
epidemiológico brasileiro. Se, há 50 anos, as principais
causas de mortalidade eram as doenças infecciosas, parasitárias,
nutricionais e perinatais, atualmente cerca de dois terços
dos óbitos ocorridos no país são em decorrência
de doenças não-transmissíveis, como câncer,
doenças cardiovasculares e crônico-degenerativas.
“Mas como tudo no Brasil, as nossas transições
sempre são muito desiguais, e fica na ‘rabeira’ o
grupo da população mais pobre, que ainda tem doenças
que não são vistas nos demais grupos”, diz
o coordenador do Centro de Estudos, Políticas e Informação
sobre Determinantes Sociais da Saúde (Cepi-DSS/Fiocruz),
Alberto Pellegrini Filho. “Temos muita superposição
de realidades. São necessárias políticas
públicas que levem em conta essa complexidade, essa carga
dupla de doenças que afetam grupos da população.
Por isso o Brasil sem Miséria é interessante, na
medida em que o país tem bolsões de população
que estão na extrema pobreza e precisam de uma política
focalizada”, opina.
Iniquidades
Pellegrini
Filho ressalta, entretanto, que atualmente a separação
entre doenças “da pobreza” e doenças “da
riqueza” já não faz mais sentido. “Hoje,
são as populações de menor renda ou de menor
escolaridade as que sofrem mais de todos os tipos de doenças.
O que temos hoje claramente é que, qualquer que seja a
doença, há um escalonamento da sua distribuição
na população de acordo com a estratificação
social, com maior predominância nas classes de baixa renda.
Então, nosso grande problema de saúde é combater
essas iniquidades na saúde, que são as diferenças
injustas e evitáveis, causadas por determinantes sociais”,
explica.
Mitermayer
vai pelo mesmo caminho. “Eu prefiro a expressão ‘doenças
de populações negligenciadas’, porque assim
são incluídas outras doenças que não
são consideradas negligenciadas para os ricos, mas são
para os pobres, como o câncer e o diabetes, que são
enfermidades cujos tratamentos são conhecidos, mas o diagnóstico
e o acesso a esses tratamentos são mais difíceis
para os mais pobres”, diz ele, que completa: “ Populações
negligenciadas são as que moram em situações
precárias, sem água potável, sem coleta
de lixo, em que o sistema educacional não funciona bem
e as informações chegam com dificuldade. Esse é o
caso também das populações que moram em
torno da Floresta Amazônica”.
Para o professor
de saúde coletiva da Faculdade de Ciências
Médicas da Unicamp Gastão Wagner, o compromisso
do governo em combater as doenças da extrema da pobreza é válido,
mas ele faz ressalvas.
“É claro que se houvesse uma estrutura democrática,
uma distribuição de renda adequada, não
teríamos esse problema. Como não está no
horizonte que vamos resolver os grandes problemas urbanos e a
distribuição de renda a curto prazo, acho que um
programa desse, apesar de não atingir os fatores estruturais, é importante”,
aponta. No entanto, para Wagner, a prevalência de doenças
como a hanseníase ainda hoje entre os brasileiros revela
falhas na rede pública de saúde, que precisam ser
remediadas.
“Isso mostra uma insuficiência do SUS, particularmente
da atenção básica, principalmente nas áreas
onde a incidência de hanseníase e tuberculose é alta.
Isso revela que nossa atenção básica tem
baixa cobertura e qualidade ruim. Há uma determinação
que é social, mas exige uma ação do SUS
também.
Tem que combinar
ações do setor saúde com
ações de caráter cultural, social e habitacional”,
analisa o professor. Ele defende o que chama de “pacto
pela consolidação” do SUS. “Cada governo
estadual ou nacional escolhe algumas prioridades porque não
tem recurso para implantar o SUS como um todo.
O Ministério da Saúde, os estados e os municípios
precisam lutar para dobrar os recursos da saúde pública.
Hoje são 3,5% do PIB, mas precisamos de 7% para trabalhar
decentemente, para ter carreiras, estender a atenção
básica, integrar os hospitais à rede do SUS. É preciso
cobrar do governo um pacto pelo SUS, pela integralidade, pela
rede regional, não apenas programas focais”, critica.
Ele aponta
ainda que o problema é que muitas vezes a
luta pelo fortalecimento do setor se interpõe aos interesses
do capital. “A saúde pública, quando funciona
bem, põe um limite à lucratividade do capital,
seja na indústria do alimento, na indústria automobilística,
na regulamentação do espaço urbano. Então
não é uma harmonia completa: pelo contrário, é conflito
com o mercado, com o interesse de produção, com
políticas econômicas hegemônicas. Mas como
os lobbies empresariais têm mais força do que o
lobby sanitarista, em geral a lógica de mercado tem prevalecido”,
explica.
Saúde
Business Web
Alexandre
Padilha recebe título de vice-presidente Honorário
da Academia Nacional de Medicina
Em cerimônia no Rio de Janeiro, o ministro destacou o
papel da entidade na discussão sobre doenças crônicas
não transmissíveis, tema da reunião da ONU
este ano
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu o título
de vice-presidente Honorário da Academia Nacional de Medicina
em cerimônia realizada na noite de quinta-feira (30), no
Rio de Janeiro, em comemoração ao 182º aniversário
da entidade. No encontro, Padilha destacou o importante papel
da Academia para o avanço da prática da medicina
no país, colaborando nas principais discussões
da área.
“Em setembro, mais uma vez um tema de saúde será debatido
em reunião da Organização das Nações
Unidas, que é Doenças Crônicas Não-transmissíveis.
O Ministério da Saúde conta com a Academia Nacional
de Medicina para avançar nesta discussão e dividir
com as demais nações as preocupações
brasileiras”, afirmou Alexandre Padilha.
Integrantes
da Academia Nacional de Medicina se reúnem
semanalmente, em encontros abertos ao público, para discutir
assuntos médicos da atualidade, além de promoverem
congressos e cursos.
Agência Câmara de Notícias
Agentes
de saúde querem apoio de municípios
para piso salarial
Por Tiago
Miranda / Edição: Pierre Triboli
A assessora
jurídica da Confederação Nacional
dos Agentes Comunitários de Saúde (Conacs), Elane
Alves de Almeida, disse há pouco que a categoria vai exigir
nos municípios o apoio à definição
de um piso salarial para a categoria. “Não venda
seu voto [nas eleições municipais], seu respeito
na comunidade a troco de nada”, disse ela, para a plateia
de agentes comunitários de saúde e agentes de combate
a endemias que lota audiência pública no auditório
Nereu Ramos.
Eliane Alves
cobrou a aprovação de um piso salarial
de dois salários mínimos para as categorias. Ela
lembrou que os agentes comunitários e de combate a endemias
são os únicos entre os profissionais de saúde
exclusivos do Sistema Único de Saúde (SUS) e com
a definição de piso salarial prevista na Constituição.
A audiência pública está sendo promovida
pela comissão especial criada para analisar as propostas
de piso salarial nacional de agentes comunitários de saúde
e de combate a endemias. O debate foi proposto pelo deputado
Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), vice-presidente do colegiado.
A comissão especial avaliará o Projeto de Lei
7495/06, do Senado, e outras oito propostas que regulamentam
as atividades dos agentes comunitários de saúde
e de combate a endemias. Entre elas o PL 6111/09, que estabelece
o piso nacional da categoria em R$ 930 para profissionais com
formação em nível médio.
Íntegra
da proposta:
PL-7495/2006
PL-6111/2009
Segunda-feira, 04.07.11
Jornal Nacional
Brasileiros
que têm planos de saúde
encontram dificuldades para agendar consultas e cirurgias
De cada dez
médicos que atendem por planos de saúde,
três estão cancelando os contratos. E muitos dos
que se mantêm nos convênios aceitam consultas, mas
já se recusam a fazer cirurgias.
Horas de
espera em uma sala lotada, só para marcar uma
consulta. Para ver o médico demora mais.
Mais de 45
milhões de brasileiros têm planos de
saúde. Esse número cresce a cada ano, mas a quantidade
de médicos para atender tanta gente não acompanha.
A ginecologista
Maria Rita já teve contrato com 25 convênios.
Hoje, mantém apenas cinco, que também pretende
abandonar. Ela contou que os planos estavam pagando entre R$
15 e R$ 20 a consulta. “No atendimento particular em torno
de R$ 200 a R$ 250", disse.
De cada dez
médicos que atendem por planos de saúde,
três estão cancelando os contratos. E entre aqueles
que se mantêm nos convênios muitos aceitam consultas,
mas já se recusam a fazer cirurgias. A informação é da
Associação Médica Brasileira que reclama
que os valores pagos pelos planos são baixo demais.
O tesoureiro
da associação Florisval Meinão
explica o que levou os médicos a essa decisão: "Foi
o fato de as operadoras não repassarem aos médicos
os reajustes que eles aplicaram aos seus beneficiários
nos últimos dez anos, criando uma grande defasagem econômica".
Segundo ele,
o valor das mensalidades subiu 130% desde 2001, enquanto o
reajuste
dos médicos não passou de 60%.
Por nota,
a Associação Brasileira de Medicina
de Grupo informou que não participa das decisões
sobre remuneração entre prestadores e operadoras
de planos de saúde.
A Federação Nacional de Saúde Suplementar,
que representa os maiores planos de saúde do país,
afirmou que nenhum deles foi notificado sobre descredenciamento
de médicos.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) diz
que não interfere nos pagamentos de prestadores. Mas informou
que fiscaliza os contratos, que precisam ter regras claras e
objetivas para reajustes. Cem planos de saúde já foram
autuados.
Enquanto
médicos e planos não entram em acordo,
quem precisa de uma consulta tem que esperar. "Por exemplo,
hoje eu consigo para o dia 20, mas daqui uma semana vai dar só para
agosto", disse um atendente.
Agência Câmara de Notícias
Subcomissão discute novo marco regulatório da
saúde complementar
A subcomissão especial destinada a avaliar o sistema
de saúde complementar se reúne nesta quarta-feira
(6) para discutir o novo marco regulatório para a saúde
complementar com o chefe da Assessoria Jurídica da Associação
Brasileira de Medicina de Grupo (Abamge), Dagoberto José Steinmeyer
Lima.
A subcomissão, que foi criada pela Comissão de
Seguridade Social e Família, está revendo a legislação
e deverá apresentar um novo marco regulatório para
o setor, por meio da apresentação de uma nova lei
ou pela consolidação da legislação
já existente.
A reunião será realizada às 14h30, no Plenário
15.
Agência Câmara de Notícias
Seguridade
vai discutir criação da Contribuição
Social para Saúde
A Comissão de Seguridade Social e Família vai
realizar audiência pública para discutir a criação
da Contribuição Social para Saúde (CSS),
nos moldes da extinta CPMF.
Os deputados
Amauri Teixeira (PT-BA) e João Ananias (PCdoB-CE),
autores do requerimento aprovado na última quarta-feira,
lembram que a saúde pública, gratuita e universal, é um
dos principais legados da Constituição Federal
de 1988. “Dela depende a esmagadora maioria do povo brasileiro.
Porém, a rede hospitalar do Sistema Único de Saúde
não consegue prestar um atendimento à altura do
que merece o povo brasileiro”, argumentaram.
A audiência tem como objetivo discutir a criação
da CSS, semelhante à constante do substitutivo ao Projeto
de Lei Complementar 306/08, que regulamenta a Emenda 29. A novidade é a
inclusão da total compensação da CSS recolhida
pelas pessoas físicas e jurídicas no Imposto de
Renda devido por elas.
Não foi marcada a data para audiência pública.
Íntegra
da proposta:
PLP-306/2008
Valor on line
Líderes partidários definem amanhã pauta
de votações até o recesso
Agência
Brasil
Os líderes partidários da Câmara vão
se reunir amanhã, às 15 horas, como presidente
da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), para negociarem os projetos
de lei que devem ser incluídos na pauta de votações
da Câmara até o recesso parlamentar de julho, que
começa no próximo dia 17.
O deputado
Marco Maia já anunciou que pretende incluir
na pauta de votações desta semana matérias
como a regulamentação da Emenda 29, que trata de
mais repasses de recursos para a saúde, o projeto de lei
que aumenta o valor do Supersimples, passando de maior de R$
240 mil e menor de R$ 2,4 milhões para maior de R$ 360
mil e menor de R$ 3,6 milhões, e a anistia para os bombeiros
do Rio de Janeiro.
No caso da
regulamentação da Emenda 29, a Câmara
precisa votar apenas um destaque da oposição, que
retira do projeto a base de cálculo da Contribuição
Social para a Saúde (CSS) aprovada há quase dois
anos. Se o destaque for aprovado, a CSS será criada sem
a base de cálculo e, assim, a contribuição
não poderá ser cobrada. Concluída a votação,
o projeto retornará ao Senado para nova deliberação.
Já o projeto que altera o Supersimples promove alterações
na legislação atual e eleva para a microempresa
a receita de R$ 240 mil para R$ 360 mil. Ele também aumenta
receita para as empresas enquadradas no sistema, que passa do
valor anual de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões.
O projeto eleva ainda a receita para o empreendedor individual
de R$ 36 mil para R$ 48 mil.
Mesmo que
os líderes decidam sobre as votações
desses e de outros projetos, para que eles sejam apreciados pelo
plenário da Câmara será necessário
que o governo retire a urgência constitucional do projeto
que cria o programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico
e Emprego (Pronatec). Esse projeto está trancando a pauta
e impedindo as votações de outras proposições,
exceto medidas provisórias, que têm prioridade na
votação.
Saúde
Business Web
Brasil
e França debatem estratégias para saúde
Brasil e
França se preparam para dar suas contribuições
nas duas grandes conferências que serão realizadas
em 2012, no que diz respeito à saúde ambiental:
Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França,
e a Rio + 20. No 1º Seminário Franco-Brasileiro sobre
Saúde Ambiental, que ocorre na Fiocruz Brasília,
autoridades comentaram a importância do diálogo
e as parcerias de sucesso que unem os dois países, realizadas
ao longo dos anos.
Até esta quinta-feira (30/6), representantes dos dois
países estarão reunidos para um intercâmbio
de experiências e iniciativas na promoção
da água, ambiente, saúde e desenvolvimento.
O embaixador
da França, Yves Saint-Geours, cumprimentou
o Brasil pelo comprometimento com os Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio (ODM), que entre outros pontos prevê a
redução à metade da população
que não tem acesso à água potável
nem tampouco aos serviços de saneamento básico
até 2015.
“Brasil e França podem fazer políticas conjuntas
e propor soluções conjuntas. Questões globais
precisam de políticas globais também”, destacou
o embaixador. Geours comentou ainda sobre a finalidade do encontro.
“Este é o momento para compartilhar experiências
e provocar reflexões em relação à água,
saúde humana e desenvolvimento, no contexto dos Objetivos
do Milênio, do Fórum Mundial da Água e da
Rio +20. Podemos avançar e realizar propostas para questões
da água e saneamento”, acrescentou.
A vice-diretora
da Fiocruz Brasília, Iramaya Caldas,
destacou as parcerias técnico-científicas entre
os dois países e a relação da instituição
com a França. “Os institutos franceses são
referência desde Oswaldo Cruz, que foi estudante do Pasteur”.
E acrescentou. “A Fiocruz está de portas abertas
para estas iniciativas. E que esta seja apenas a primeira de
muitas”.
“O seminário propõe um diálogo interessante
entre nossas iniciativas e da França e inaugura pelo menos
da nossa parte um esforço nas atividades e contribuições
para a Rio+20”, destacou o diretor de Vigilância
em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério
da Saúde, Guilherme Neto. A secretária nacional
de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Maya Takagi,
falou sobre os avanços do país e das iniciativas
do Ministério.
“O Brasil tem avançado nos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio. Dois deles estão fortemente relacionados à questão
da água, como erradicar a fome e a miséria. O MDS
tem experiências de sucesso, que promovem o acesso à água
por meio do aproveitamento da água da chuva. Esta é uma
economia verde e ao mesmo tempo uma política social”,
disse.
O secretário-adjunto da Secretaria-Geral da Presidência
da República, Geraldo Magela, comentou sobre a participação
social em busca de bons resultados para o país. “Nossa
instituição tem mobilizado a sociedade em prol
dos ODM”.
O secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério
das Cidades, Leodegar Tiscoski, comentou sobre o primeiro Plano
Nacional de Saneamento do Brasil. “O plano fala da estruturação
do saneamento no Brasil e busca a universalização
do serviço de saneamento par que todos os brasileiros
tenham acesso à água”.
Segundo o
secretário nacional de Mudanças Climáticas
e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente,
Eduardo Assad, estudos da Agência Nacional de Águas
(ANA) indicam que a falta de políticas públicas
podem resultar em desabastecimento de águas no Brasil. “Cinquenta
por cento das nossas cidades poderão sofrer desabastecimento
de água até 2015”.
O seminário é promovido pela Embaixada da França
e Fiocruz, em parceria com os Ministérios do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, da Saúde, do Meio Ambiente,
Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Organização
Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), Unesco e Unicef.
O evento
reúne nomes como o professor francês e
pesquisador em direito público Bernard Drobenko, autor
do livro Direito à água: uma questão humanitária,
além de pesquisadores da Fiocruz, Universidade de Brasília
(UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ANA, entre
outros.
Confederação Nacional de Saúde
CIRCULAR
JURÍDICO
063/2011
RESIDÊNCIA MÉDICA ESTÁ FORA DA COMPETÊNCIA
DA JUSTIÇA DO TRABALHO
A Terceira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho declarou nula a condenação imposta pela Justiça do Trabalho à Clínica
Raskin Ltda., de Campinas (SP), em reclamação trabalhista
movida por médica residente para o pagamento de bolsa-auxílio.
Para a Turma, a residência médica é atividade
vinculada ao ensino, e não uma relação de
trabalho – fora, portanto, da competência da Justiça
do Trabalho, definida no artigo 114, inciso I, da Constituição
Federal.
Segundo o
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP), a clínica foi descredenciada do programa
de residência médica por apresentar insuficiências
estruturais, entre elas inexistência de supervisão
e de ambulatórios. O TRT15 observou que, nas circunstâncias
descritas, mesmo que a residente tenha concorrido com algum tipo
de denúncia para o descredenciamento da clínica,
essa seria legítima, na eventual existência de irregularidades.
Dessa análise, resultou a condenação da
clínica ao pagamento de bolsa mensal de residência
médica, no valor de R$ 1.916,45, parcelas vencidas e vincendas,
até a conclusão do programa, nos termos do artigo
38 da Resolução nº 02/2005 e do art. 3º,
parágrafo 3.º, da Resolução n.º 3/2007
da Comissão Nacional de Residência Médica,
do Ministério da Educação.
A clínica, contudo, insurgiu-se contra a condenação.
Sustentou a incompetência da Justiça do Trabalho
para julgar ações decorrentes de contrato de residência
médica e alegou que, no período em que esteve no
programa de residência, a médica recebeu a bolsa
normalmente. Após sua transferência para o Hospital
da Universidade de Taubaté, cessaram as responsabilidades
da clínica, que já estava descredenciada pela Comissão
Nacional de Residência Médica (CNRM).
O ministro
Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, relator do recurso,
buscou
embasamento no artigo 1.º da Lei n.º 6.932,
de 1981, que define a residência médica como modalidade
de ensino de pós-graduação, sob a forma
de curso de especialização. O relator observou
que, sendo essa uma atividade vinculada ao ensino, “não
reúne trabalhador à pessoa física ou jurídica
que o remunere, essencialmente, pelo serviço prestado,
assim recusando a qualificação de relação
de trabalho.”
Seguindo
unanimemente as conclusões do ministro Bresciani,
a Terceira Turma, ante o reconhecimento da incompetência
da Justiça do Trabalho para processar e julgar a ação,
conheceu do recurso da clínica e determinou o encaminhamento
dos autos à Justiça Comum do Estado de São
Paulo (Processo: RR-29500-53.2008.5.15.0046).
Fonte: TST
Confederação Nacional de Saúde
CIRCULAR
JURÍDICO
064/2011
SÚMULA 331 PREVÊ RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA
EM RELAÇÃO A TODAS AS VERBAS
Se a prestadora
de serviços não efetuar o pagamento
dos créditos salariais devidos ao trabalhador, a responsabilidade
deve ser transferida à tomadora de serviços, responsável
subsidiária. Esse entendimento está consagrado
na nova redação da Súmula nº 331 do
Tribunal Superior do Trabalho (item IV) e não exclui da
obrigação do tomador de serviços nenhuma
verba deferida pela Justiça ao empregado.
Para não haver dúvidas quanto à extensão
ou limites da condenação subsidiária, em
maio deste ano os ministros do TST acrescentaram o item VI à Súmula,
com o seguinte teor: “a responsabilidade subsidiária
do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes
da condenação referentes ao período da prestação
laboral”. E justamente esse item foi aplicado em julgamento
recente de um recurso de revista na Segunda Turma do Tribunal.
No caso relatado
pelo ministro José Roberto Freire Pimenta,
o Banco do Brasil, na condição de tomador dos serviços,
foi condenado, de forma subsidiária, a pagar pelas diferenças
salariais devidas a ex-empregado contratado diretamente pela
Empresa de Segurança de Estabelecimentos de Crédito
de Itatiaia, na hipótese de inadimplemento do prestador
de serviços.
Entretanto,
ao recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas), o banco foi liberado do pagamento
referente às multas convencionais. O TRT concluiu que
a responsabilidade subsidiária deve incidir apenas sobre
direitos trabalhistas, e não sobre multas de índole
punitiva e recolhimentos fiscais e previdenciários. Inconformado
com esse resultado, o trabalhador entrou com recurso de revista
no TST com o argumento de que a Súmula nº 331, itens
IV e VI, inclui todas as verbas objeto da condenação,
até mesmo as multas convencionais.
De fato,
observou o relator, o empregado tinha razão,
pois a jurisprudência do Tribunal entende que a condenação
subsidiária do tomador dos serviços abrange todas
as verbas devidas pelo devedor principal, inclusive as multas
e verbas rescisórias ou indenizatórias. O ministro
esclareceu que o trabalhador não pode arcar com os prejuízos
decorrentes da falta de pagamento por parte da prestadora de
serviços, cuja contratação e fiscalização
não lhe competiam.
Assim, se
a prestadora de serviços não efetuar
o pagamento do crédito do trabalhador, essa responsabilidade é transferida,
na sua totalidade, à tomadora de serviço. Por consequência,
o relator deu provimento ao recurso de revista do trabalhador
para restabelecer a sentença de origem que condenara o
banco a responder subsidiariamente pelo pagamento das multas
convencionais. A decisão foi acompanhada pelos demais
integrantes da Turma (RR-6100-23.2007.5.15.0150).
Fonte: TST
AGENDA
-
VI Conferência da Rede Pan-Americana de Regulamentação
Farmacêutica
Quando: 6 a 8 de Julho
Onde: Anvisa.
SIA, trecho 5, área especial 57, Brasília
- DF
Mais informações sobre a Conferência
podem ser obtidas no site www.paho.org/redparf
-
2º Simpósio de Política e Saúde:
Forum Virtual
Com o objetivo
de agregar aos debates promovidos pelo processo da 14 ª Conferência Nacional de Saúde, o Centro
Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) realizará de
07 a 09 de julho, o II Simpósio de Política e Saúde,
em Brasília, às vésperas do Congresso do
CONASEMS. Acreditamos que este evento será um espaço
de repercussão das teses construídas no II Simpósio.
Entendemos
que os impasses da Saúde no Brasil exigem
a retomada das discussões em torno dos rumos da reforma
sanitária no contexto do modelo de desenvolvimento delineado
nos últimos anos. Nossa ideia é realizar um debate
de cunho eminentemente político e, a partir daí,
construir teses que contribuam para uma agenda do movimento sanitário.
O debate será realizado em duas etapas: a virtual e a
presencial, sendo essa última durante o Simpósio.
A primeira
fase será por meio deste Fórum Virtual,
desenvolvido a partir de teses produzidas por convidados com
reconhecido saber na área e com atuação
vinculada ao Cebes. Os artigos, porém, não têm
a pretensão de esgotar todas as abordagens nos planos
da análise e da proposição de políticas.
Nossa expectativa é que a ampla participação
de nossos militantes e simpatizantes possa favorecer a construção
de teses políticas consistentes e representativas do pensamento
em prol da reforma sanitária.
Indicamos
o tema "Saúde e Desenvolvimento" para
orientar todo o debate específico, organizado sob a questão
seguinte: "Defesa intransigente do interesse público
na saúde". O formato completo é:
Tema central
do debate: Saúde e Desenvolvimento
Eixo: Defesa
intransigente do interesse público na saúde
1. Sub Eixos:
- Desvendar
e enfrentar as relações entre o setor
público e o privado na saúde;
- Direito
a Saúde,
Acesso Universal e de Qualidade;
- Justiça e Direito: Judicialização, ação
e papel do judiciário para a garantia do interesse público;
- Que alternativas
para a gestão pública de sistemas
e serviços de Saúde?
- XXVII Congresso Conasems
O XXVII Congresso
Conasems tem como objetivo promover a discussão
e troca de experiências entre os participantes, discutir
as políticas de saúde adotadas pelas esferas federal,
estaduais e municipais e o respectivo impacto nos municípios,
além de troca de experiências, promovendo o aperfeiçoamento
da gestão do SUS e os serviços prestados à população
brasileira.
O congresso
acontecerá entre os dias 09 a 12 de julho,
em Brasília, para debater a "Saúde no Centro
da Agenda de Desenvolvimento do Brasil e a Ampliação
e Qualificação do Acesso do Cidadão ao SUS".
A abertura
oficial do evento será dia 09, às 10
horas da manhã, no auditório master do Centro de
Convenções Ulysses Guimarães. A solenidade
de abertura vai contar com a presença do ministro da Saúde
e presidente do Conselho Nacional de Saúde, Alexandre
Padilha, do representante da Organização Pan-Americana
no Brasil, Diego Victória, do Governador do Estado do
Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do Secretário Estadual
de Saúde do Distrito Federal, Rafael Aguiar, Presidente
do CONASS, Beatriz Figueiredo Dobashi, Presidente da Câmara
Federal e Senado, e o presidente da Frente Nacional de Prefeitos,
João Carlos Coser. Além da diretoria executiva,
presidentes dos Cosems e o Conselho Honorário do Conasems.
No dia 09
de julho, das 09 às 12 horas, vai acontecer
também a Assembléia Geral Ordinária do Conasems,
com a eleição da Diretoria para biênio 2011/2013
-
Seminário: Implicações
das Normas da ANS
AssPreviSite
15 de julho de 2011
Auditório “Maria
Natividade Galhardo Toro”
Rua Santa
Luzia nº 48 – 11º andar - Liberdade – São
Paulo - SP
ESCOPO
Entenda as
novas nornas da Agência Nacional de Saúde
Suplementar sobre portabilidade, adaptação e migração
de contratos e garantia de atendimento dos beneficiários.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS,
nos últimos meses, promulgou diversas normas alterando
a regulamentação dos planos privados de assistência à saúde,
com sérias repercussões para os contratos em curso,
mesmo aqueles firmados antes do advento da Lei nº 9.656,
de 1998, e para as contratações futuras, individuais/familiares
e coletivas.
É de suma importância que as operadoras de planos
de saúde, consumidores e prestadores de serviços
conheçam as novas regras e suas implicações,
evitando a perda de direitos, rescisão ou interrupção
de contratos, incidência de multas, direção
técnica, alienação compulsória de
carteiras ou a liquidação extrajudicial de operadoras.
O presente
seminário examinará, com detalhes,
sob o aspecto jurídico e operacional, o disposto nas Resoluções
Normativas – RN ns. 186 (alterada pela RN n. 252 – regulamentação
da portabilidade), 254 (adaptação e migração
de contratos) e 259 (garantia de atendimentos aos beneficiários).
Durante o seminário os participantes poderão debater
os aspectos envolvidos e dirimir eventuais dúvidas.
PÚBLICO
ALVO
Dirigentes,
gerentes e diretores de operadoras de planos de saúde e de empresas prestadoras de serviços nesta área,
advogados e estudantes de direito, médicos, auditores,
contadores, atuários, peritos e demais interessados em
conhecer este ramo de atividade.
PALESTRANTE
José Luiz
Toro da Silva
INFORMAÇÕES
GERAIS
- O número de vagas é limitado. Não haverá cancelamento
de inscrições. Se necessário, poderá haver
substituição por outro participante.
- Informamos
que temos apenas 30 vagas (por ordem de confirmação
- não deixe para a última hora)
- Mais informações através
do telefone (11) 3101.3095 com Claudia.
- Reservamo-nos
o direito de remarcar o curso, caso não
atingirmos o número mínimo de participantes.
IBDSS - INSTITUTO
BRASILEIRO DE DIREITO DA SAÚDE SUPLEMENTAR
Rua Santa
Luzia, 48 conj 114 – CEP 01513-030 – São
Paulo – SP
Site: http://www.ibdss.org.br Tel: (11) 3101.3095
-
Fórum Nacional das Câmaras Técnicas
de Medicina do Trabalho dos Conselhos Regionais de Medicina
Data: 22 de julho
Local: Sede
do Conselho Federal de Medicina (CFM). Brasília
- DF (Veja Mapa)
Horário: Das 8h às
18h
Informações:
(61) 3445-5957 / 5900
Contato:
eventos@portalmedico.org.brEste endereço de
e-mail está protegido contra spambots. Você deve
habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Realização:
Conselho Federal de Medicina (CFM)
Inscrições:
Gratuitas
-
2º Congresso Brasileiro de Direito Médico
A relação médico-paciente sem caráter
consumista, a proposta de criação de testamento
vital e a responsabilidade solidária do gestor no exercício
ilegal da Medicina, são alguns dos temas que serão
debatidos em Salvador (BA), nos dias 16 e 17 de agosto, durante
o 2º Congresso Brasileiro de Direito Médico do Conselho
Federal de Medicina (CFM).
O encontro
promoverá discussões sobre a prática
médica na atualidade e sobre os problemas inerentes a
esta prática – por exemplo, aqueles relacionados
ao erro médico sem culpa: o “mau resultado”.
O encontro tem por objetivo estimular uma análise mais
vertical das interações entre os médicos
e os profissionais do Direito. “Os princípios fundamentais
das duas profissões são muito próximos”,
afirmou Carlos Vital, vice-presidente do CFM.
Inscrições
Já está no ar o hotsite do 2º Congresso Brasileiro
de Direito Médico. Pelo site é possível
fazer inscrição (gratuita), acessar a programação
do evento e ler entrevistas de médicos e juristas. Os
internautas também terão acesso ao material da
1ª edição do evento, promovido em dezembro
de 2010, em Brasília. O endereço da página é http://www.medico.cfm.org.br/direitomedico/.
2º Congresso Brasileiro de Direito Médico
do Conselho Federal de Medicina
Data: 16 e 17 de agosto de 2011
Local: Hotel Othon Palace - Salvador-BA
Iinscrições:
Gratuitas e limitadas pelo link
http://eventos.cfm.org.br/sistema/participante/cadastro/62dba7cb6eecc6b9b2c2da0c9244a4bc (CFM)
- 1º Hospital Management Summit
DCI
Setor hospitalar
se reúne para debate sobre gestão
De 22 a 24
de agosto, a cidade de São Paulo receberá executivos
de todo o País para o 1º Hospital Management Summit,
fórum de práticas, inovação e negócios
na gestão de hospitais. O evento é organizado pela
International Business Communications (IBC) e contará com
vários debates sobre a profissionalização
da gestão no setor hospitalar privado do País.
"Os gestores estão buscando cada vez mais otimizar
os recursos das instituições de saúde para
obter uma administração eficiente, financeiramente
sustentável e que atenda a todas as exigências de
um mercado cada vez mais competitivo e profissionalizado" explica
Yvelise Tonon, gerente do evento. "A grade do evento está baseada
nestas premissas e visa apontar caminhos para os gestores atingirem
tais objetivos", afirma Yvelise.
Ao longo
dos três dias do encontro os executivos poderão
conhecer e compartilhar algumas das melhores práticas
na gestão hospitalar de todo o País. Investimentos
em pessoal, tecnologia, sistemas mais eficientes de gestão,
qualidade assistencial, planejamento estratégico e tendências
serão alguns dos temas abordados.
O Hospital
Management Summit é patrocinado pela Gtt Healthcare,
3Gen, Fiorentini, Senac São Paulo, Siemens, Air Liquide,
DalBen Home Care e Grupo Tejofran. Informações
no site www.hms-ibc.com.br ou pelo telefone: (11) 3017-6808.
-
16º Congresso Abramge e 7º Congresso
Sinog
Abramge / AssPreviSite
Sistema Abramge
promove Congressos sobre Tecnologia e Sustentabilidade na Saúde
Suplementar
O diretor-presidente
da ANS será sabatinado durante os
Congressos que reunirão os principais parceiros do Sistema
A tecnologia
ganha espaço cada vez maior em várias áreas.
E na saúde suplementar não é diferente.
Novas vacinas, novos remédios e equipamentos sofisticados
auxiliam os profissionais de saúde. No entanto, como aplicar
as tecnologias de ponta sem perder a sustentabilidade do negócio?
O Sistema Abramge, atento ao mercado, realiza nos dias 18 e 19
de agosto, em São Paulo, capital, os 16º Congresso
Abramge e 7º Congresso Sinog. O tema central dos eventos é "Tecnologia
na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento
Sustentável".
Para falar
sobre o atual estágio e as perspectivas tecnológicas
do Brasil a Conferência Magna será feita pelo jornalista
Ethevaldo Siqueira, comentarista da Rádio CBN e articulista
do jornal O Estado de S. Paulo.
No primeiro
dia de eventos, José Sant'Anna Bevilaqua,
coordenador de Tecnologia do Censo Demográfico do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), falará sobre
a nova ferramenta do órgão para a realização
do Censo 2010. Na parte da tarde o talk show "Qualidade
como Fator de Sustentabilidade" abordará a Visão
das Operadoras, dos Prestadores e da Acreditadora sobre o tema.
As palestras serão ministradas, respectivamente, por Fábio
Leite Gastal, superintendente médico assistencial do Hospital
Mãe de Deus - Sistema de Saúde Mãe de Deus;
Martha Sevedra, diretora do Hospital Barra D'Or Brasil; e Rubens
Covello, presidente do Instituto Qualisa de Gestão (IQG).
Para fechar
o dia, Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atual
superintendente corporativo do Hospital Sírio Libanês,
fala sobre "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento
para o Desenvolvimento Sustentável do Sistema".
No segundo
dia, será abordado o tema "Gestão
Assistencial". Em foco, o "Gerenciamento de Doenças" e "Avanço
Tecnológico na Gestão de Saúde". Apresentarão
estes temas, respectivamente, Ana Cláudia Assis Pinto,
líder da Prática de Gestão Estratégica
de Saúde da Marsh Gestão de Benefícios;
e John H. Harris III, CEO de Qualidade de Vida e vice-presidente
de Inovações da Healthways International.
O talk show
sobre Tecnologia para Pequenas e Médias Operadoras
encerra o período da manhã. O assunto será ministrado
por Luiz Antonio De Biase Nogueira, representante da Abramge
no Comitê de Padronização das Informações
em Saúde Suplementar (COPPIS), que falará sobre "Tecnologia
da Informação na Gestão da Saúde" e
Lincoln de Moura Assis Junior, diretor-presidente da Zilics,
com foco no "Acesso para Pequenas e Médias Operadoras".
Para finalizar
os Congressos, Maurício Ceschin, diretor-presidente
da ANS, será sabatinado em uma "Roda Viva" com
a participação de líderes dos vários
segmentos do setor.
Confira a
programação completa e os descontos
oferecidos nas inscrições dos eventos, clicando
no link:
http://www.abramge.com.br/mailling/Redirect.aspx?3132|||333229|||www.abramge.com.br/16congresso.htm