Leia
nesta edição:
- Confederação Nacional de Saúde
contesta lei fluminense sobre pisos salariais
- Hospital
São
Paulo vive problemas de estrutura e caos no pronto-socorro
- Mortes deixam hospitais em alerta
- "Não há perigo
neste momento"
- Suspeita
de bactéria
mutante
- Causas
das falhas do sistema de saúde
- Caminhos
da saúde pública
- Médicos do SUS: Mobilização
dia 25
- Justiça cancela audiências sobre regras mais
duras para produtos do tabaco; nova data será definida
pela Anvisa
- Sírio-Libanês cria centro para usar o DNA contra
câncer
- Raro e agressivo
- Áreas pouco estudadas do cérebro
sofrem grande atrofia em pessoas com Alzheimer
- Idoso paga caro para se cuidar
- As altas e baixas dos hospitais
- Jovens
médicos em áreas
remotas
- O museu
que guarda a história da medicina
- Frente
Parlamentar da Saúde pressiona Sarney com flores
- Repasse
para Vigilância Sanitária
ganha nova regra
Sexta-feira, 07.10.11
Correio do Brasil
Confederação Nacional de Saúde
contesta lei fluminense sobre pisos salariais
A Confederação Nacional de Saúde (CNS)
ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI
4664) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Lei 5.950/2011,
do estado do Rio de Janeiro, que aumentou o piso salarial de
diversas categorias profissionais e incluiu mais 36 categorias
profissionais no piso salarial fluminense.
A CNS, entidade
de âmbito nacional que representa a categoria
econômica de hospitais e estabelecimentos de saúde,
argumenta que os critérios para o aumento do piso salarial
e os valores previstos no dispositivo legal desrespeitam o equilíbrio
econômico-financeiro e violam os princípios constitucionais
da razoabilidade e da proporcionalidade.
A entidade
afirma ainda que a norma suprime as negociações
sindicais entre empregados e empregadores, além de significar
uma violação à autonomia sindical e à livre
iniciativa. A CNS narra na ADI que o estado do Rio de Janeiro
passou a estipular piso salarial para as categorias profissionais
no ano de 2000 e, desde então, vem renovando a cada ano
a lei que institui o piso salarial de quase todas as categorias
profissionais. A confederação aponta também
que leis anteriores do estado do Rio de Janeiro, acerca da mesma
questão, também foram questionadas no STF por meio
de quatro ações (ADIs 2358, 2401, 2403 e 4375).
“Além da criação dos pisos salariais
e da sua enorme abrangência, o Estado Fluminense renova
a sua legislação anualmente com aumentos abruptos
dos pisos salariais e utiliza como critério objetivo o
percentual do aumento do salário mínimo nacional.
Além disso, os legisladores do Estado do Rio de Janeiro
distanciam-se da vontade do constituinte originário, ao
ignorarem as negociações coletivas e obrigarem
o cumprimento de um salário-normativo com reajuste superior
aos índices oficiais de inflação”,
argumenta CNS.
Na ação, que foi distribuída ao ministro
Luiz Fux, a CNS pede liminar para suspender os efeitos da lei
estadual até que o Plenário do STF se pronuncie
sobre o mérito da questão.
O
Estado de São
Paulo
Hospital
São
Paulo vive problemas de estrutura e caos no pronto-socorro
Unidade ligada à Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp) apresenta deficiências que podem colocar funcionários
e pacientes em risco, como fiação exposta, ralos
entupidos e mofo nas paredes; há também grande
demora no atendimento de doentes
Por Karina Toledo
Duas semanas
após o término da greve dos servidores
federais que atuam no Hospital São Paulo - ligado à Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp) -, permanece idêntica
a situação caótica no pronto-socorro da
unidade. Em visita ao local, a reportagem verificou a existência
de graves problemas de infraestrutura, principalmente na cozinha
e na lavanderia, que podem comprometer a segurança de
funcionários e pacientes.
Há cerca de duas semanas, um incêndio destruiu
parte do forro da lavanderia, por onde passam cerca de 3 toneladas
de roupa por dia. A máquina que pegou fogo foi retirada,
mas a fiação está exposta e o local funciona
com iluminação improvisada.
Na cozinha,
há ralos entupidos, onde se acumulam água
e gordura, panelas em mau estado de conservação
e válvulas de gás e de vapor enferrujadas. "As
instalações estão cheias de gambiarras e
o risco de acidente é real", disse um funcionário
que prefere não ser identificado. "Se a vigilância
sanitária fizesse uma verificação aqui,
com certeza receberíamos algumas multas."
Ainda segundo
relatos de funcionários, há ratos
no forro da cozinha e problemas de ventilação.
A cozinha e a lavanderia ficam no subsolo do hospital e, por
isso, não têm janelas. O ar que chega ao local passa
antes pelos andares superiores e corre o risco de ser contaminado
por bactérias e vírus.
A poucos
metros da entrada do setor de nutrição,
containers de lixo infectante ficam estacionados durante horas,
até que sejam levados para o abrigo final.
No vestiário dos funcionários, também no
subsolo do hospital, as paredes e o teto estão completamente
tomados por mofo e há vasos sanitários quebrados.
O Hospital
São Paulo é um dos quatro maiores da
capital paulista e atende mais de 6 mil pessoas por dia. Recebe
pacientes de todas as regiões da cidade e também
vindos do interior e de outros Estados. É o hospital universitário
da Unifesp.
Lotação. Nos andares de cima, onde funciona o
pronto-socorro, pacientes estão instalados em macas no
corredor. Outros esperam a realização de exames
por mais de 12 horas em cadeiras desconfortáveis. Acompanhantes
aguardam de pé.
A situação não é diferente da verificada
há duas semanas, quando cartazes nas paredes anunciavam
a greve dos servidores do hospital. Naocasião, a reportagem
conversou com a vendedora Fabiana de Araújo, de 34 anos,
que acompanhava a mãe, Alzira Bueno, de 61. "Ela
está com fortes dores abdominais. Chegamos às 3
horas, e às 8 horas avisaram que fariam endoscopia. Até agora
(por volta das 16 horas), estamos esperando."
Outra paciente,
que pediu para não ser identificada,
aguardava em uma maca por um transplantes de córnea. "Passei
a noite em uma cadeira, morrendo de frio."
Trabalhadores.
Procurado pela reportagem, o Sindicato dos Trabalhadores da
Universidade
Federal de São Paulo (Sintunifesp) disse
conhecer as condições precárias da cozinha
e da lavanderia. "Os riscos ficaram aparentemente maiores
após o incêndio. Enviamos um ofício ao Serviço
de Segurança e Medicina do Trabalho pedindo providências,
mas ainda não recebemos resposta", conta Ana Paula
Rodrigues, assessora jurídica.
Ana Paula
afirma que o sindicato já se reuniu com a direção
do hospital diversas vezes pedindo melhorias nas condições
de trabalho, mas foram tomadas apenas medidas paliativas.
A direção do hospital afirma que o hospital passará por
reforma.
Edifício passará por
reforma a partir de 2012
Superintendente
do hospital reconhece lacunas, mas afirma que não há risco
de acidentes
O superintendente
do Hospital São Paulo, José Roberto
Ferraro, reconhece que as instalações da unidade
são antigas e há problemas, mas nega o risco de
acidentes. E revela que foram liberadas verbas dos governos federal
e estadual para reformar o prédio.
"O PS hoje divide espaço com laboratórios.
Pedimos à Unifesp que os leve para outro prédio
e, com isso, o espaço para atendimento de urgência
deve mais que dobrar", conta.
A reforma
está prevista para começar em 2012 e
terminar em 2014. Todos os setores vão passar por reestruturação,
até mesmo as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e áreas
de apoio, como cozinha e lavanderia.
Segundo Ferraro,
o incêndio na lavanderia foi causado
por um cobertor doado. "Quando há muita fibra sintética
no cobertor, ele superaquece ao rodar na secadora. Isso serviu
para percebermos que é preciso estabelecer um padrão,
mesmo para cobertores doados."
Ferraro conta
que são preparadas 150 mil refeições
por mês na cozinha. "A quantidade de gordura que sobra é enorme.
Os ralos entopem com frequência imprópria, mas,
na mesma frequência, nós desentupimos." O superintendente
diz que é feita a desratização do local
quinzenalmente e desconhece infestação. Diz ainda
que os containers com lixo infectante trazem sacos com lençóis
sujos de sangue para a lavanderia. "A logística está correta.
Não teria outro lugar melhor para deixar."
Para o problema
na ventilação, ele afirma não
haver solução imediata. "A alternativa seria
a terceirização do serviço."
O fim da
greve, diz, só aliviou a sobrecarga dos funcionários
e não melhorou a superlotação do pronto-socorro
porque há excesso de demanda. "O problema é do
sistema e não de um hospital isolado. Também não
queremos o doente na maca, mas se ele chega à nossa porta,
nossos médicos o colocam para dentro." / K.T.
Correio Braziliense
Mortes
deixam hospitais em alerta
Datada de
27 de setembro, nota técnica da Vigilância
Epidemiológica informa dois óbitos na capital ligados à bactéria
Streptococcus pyogenes e adverte para risco de propagação.
Aluna do Marista morta na última terça-feira é a
terceira vítima
Por Luiz
Roberto Magalhães
/ Helena Mader
A morte da
estudante do 5º ano do Colégio Marista
(609 Sul) Fernanda Pires, 10 anos, na terça-feira, é o
terceiro óbito no Distrito Federal relacionado à bactéria
Streptococcus pyogenes. No último dia 27, uma nota técnica
assinada por Sônia Maria Geraldes, diretora de Vigilância
Epidemiológica da Secretaria de Saúde, foi enviada
aos hospitais e centros de saúde da capital informando
sobre a “ocorrência de óbitos associados à infecção
por Streptococcus pyogenes em agosto e setembro de 2011 no DF.” A
nota segue com um alerta: “Esse evento representa risco
de propagação ou disseminação que
necessita de rápida intervenção médica
onde os casos apresentados possuem um padrão epidemiológico
diferente do habitual no Distrito Federal”.
Até então, havia duas mortes relacionadas à bactéria.
Ontem à noite, a subsecretária de Vigilância
em Saúde do DF, Cláudia Cunha, confirmou ao Correio
que um exame de hemocultura feito em amostras colhidas de Fernanda
Pires atestou a presença da Streptococcus pyogenes. No
entanto, de acordo com Cláudia, ainda não é possível
afirmar como foi a evolução da doença que
matou a estudante de 10 anos.
A nota técnica, nº 11/2011, atesta que “a
Subsecretaria de Vigilância em Saúde do Distrito
Federal recebeu a notificação de dois óbitos,
entre agosto e setembro, por doença invasiva provocada
pela Streptococcus pyogenes, conforme resultado laboratorial”.
As vítimas, informa a nota, eram duas pessoas do sexo
feminino, de 11 e 38 anos, que apresentaram febre, mialgia (dores
musculares), coriza e dispneia moderada (falta de ar). Nas duas
situações, o quadro dos pacientes agravou-se em
menos de 12 horas e as mortes das pacientes, mesmo elas tendo
sido levadas para UTIs, ocorreram em até 24 horas após
a internação. Segundo o texto, o intervalo entre
o início dos sintomas e os óbitos foi de cinco
dias. O relato assemelha-se ao quadro que vitimou Fernanda. Ela
se sentiu mal no último sábado, reclamou de dores
de garganta, e apresentou febre, além de vômitos.
Após ter sido atendida no Hospital Alvorada Taguatinga,
Fernanda retornou para casa, mas, no domingo, voltou a sentir
febre, desta vez acompanhada de tosse. A estudante foi levada
novamente ao Alvorada na madrugada de segunda-feira, mas seu
estado já era grave. Encaminhada à UTI do hospital à tarde,
recebeu a atenção de vários especialistas,
foi tratada com doses fortes de diversos antibióticos,
mas o agente infeccioso que agiu no organismo da criança
já havia se espalhado.
Infecção
generalizada
Fernanda
morreu por volta das 17h30 de terça-feira, vítima
de disfunção múltipla dos órgãos
causada por um choque séptico (infecção
generalizada). Ela foi cremada ontem, em cerimônia reservada
apenas a familiares e amigos mais próximos, no Jardim
Metropolitano, em Valparaíso. Apesar das três mortes,
a subsecretária Cláudia Cunha ressaltou que elas
não estão interligadas. “Não existe
qualquer correlação entre os três casos,
que ocorreram com públicos diferentes e em locais distintos”,
afirmou. Segundo ela, os casos estão sendo investigados
e por enquanto não há motivos para alarde. “Não
há porque criar qualquer situação desnecessária
de alarde. Ainda não existe razão para isso”,
afirmou (leia mais ao lado).
O Correio
procurou hospitais da cidade. A assessoria de imprensa do Santa
Lúcia, Santa Helena e Prontonorte informou que
as unidades receberam orientação especial da Vigilância
Epidemiológica sobre uma possível infecção
pela bactéria Streptococcus pyogenes. As comissões
de infecção hospitalar dos três hospitais
já monitoram possíveis casos. O médico Caio
Rosenthal, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas,
de São Paulo, ressaltou que existe a possibilidade de
um surto e que as pessoas e os centros médicos da capital
devem ficar atentos. “Uma nota técnica como essa é um
alerta. É para deixar os médicos em suspeição.”
Informado
sobre o que ocorreu com a estudante do Marista, Caio Rosenthal
declarou
que as famílias dos alunos do colégio
devem ficar ainda mais atentas. “Elas devem, sim, ficar
preocupadas. Pode ter havido transmissão. Não há vacina.
O que essas famílias têm que fazer é estar
atentas aos sintomas e, no surgimento deles, não fazer
a automedicação. O paciente deve ser encaminhado
a um hospital e explicar ao médico que teve contato com
a criança que morreu”, acrescenta
Correio Braziliense
"Não há perigo
neste momento"
A diretora
de Vigilância Epidemiológica, Sônia
Maria Geraldes, que assina a nota técnica sobre a bactéria
Streptococcus pyogenes, não foi encontrada para comentar
o conteúdo do documento. A assessoria de imprensa da Secretaria
de Saúde informou que ela entrou em férias na última
quarta-feira. Apesar de a nota ressaltar que “há risco
de propagação e disseminação” da
bactéria, a subsecretária de Vigilância em
Saúde, Cláudia Cunha, garantiu que não existem
motivos para preocupação. “Precisamos ter
muito equilíbrio e cautela porque não existe perigo
neste momento. A secretaria já tomou todas as medidas
necessárias e urgentes”, afirma Cláudia.
Ontem, as equipes do Centro de Informações Estratégicas
de Vigilância em Saúde passaram o dia reunidas para
debater os três casos confirmados até agora. “Com
base nas informações que temos, podemos afirmar
com segurança que não há nenhum quadro epidemiológico
que nos leve a preocupação”, assegura a subsecretária. “Essas
bactérias Streptococcus pyogenes colonizam nosso organismo
naturalmente e, dependendo de fatores como a suscetibilidade
da pessoa, pode haver manifestação da infecção.
Nem todas as pessoas que têm a bactéria terão
um quadro clínico grave”, acrescenta Cláudia
Cunha. (HM)
Cuidados de socorristas
Após receber a nota técnica da Vigilância
Epidemiológica, o Corpo de Bombeiros enviou um alerta
a todos os militares envolvidos no resgate e no atendimento médico
de pacientes. Funcionários do Serviço de Atendimento
Médico de Urgência (Samu) também receberam
a determinação para reforçarem o uso de
luvas e máscaras. “Recebemos a informação
sobre o risco de contágio pela bactéria Streptococcus
pyogenes e decidimos tomar as providências para proteger
nossos homens”, justifica o comandante do Batalhão
de Emergência Médica do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel
José Fernandes Motta Júnior.
Mobilização no colégio
A morte da
estudante Fernanda Pires deixou apreensivos pais de alunos
e a administração do Colégio Marista,
na 609 Sul, onde a menina estudava. Além da comoção
provocada pela perda da aluna, que chocou os colegas da turma
do 5º ano G e as demais salas da mesma série, toda
a comunidade acadêmica ficou preocupada, uma vez que o
agente infeccioso ainda não foi identificado.
A administração do Marista recebeu ontem a Nota
Técnica nº 11 da Vigilância Epidemiológica.
Com base nas informações, preparou um comunicado
que foi encaminhado aos pais de todos os 2,8 mil alunos que frequentam
o local nos dois períodos, além dos 400 funcionários
e professores.
A nota divulgada
alerta para a importância de procurar
atendimento médico, caso apareçam sintomas. “Preventivamente,
diante de todo e qualquer caso suspeito de infecção
por Streptococcus pyogenes, cujo indivíduo, independentemente
de idade, apresente sintomas, a família deve procurar
um médico para prescrição do mais adequado
procedimento clínico a ser seguido”, informa o Marista.
Consternação
Ontem, o
clima das aulas foi de consternação pela
morte de Fernanda. Álvaro Castro, 11 anos, é estudante
do 5º ano. O menino conta que os professores falaram sobre
o caso para tentar acalmar as crianças que estavam no
colégio. “Eles comentaram sobre a colega que morreu,
falaram que ela teve febre e vomitou. As pessoas estavam tristes
hoje (ontem)”, contou o menino. A mãe de Álvaro,
a professora Vânia Castro, 44, não acredita que
haja risco para os estudantes. “Se houvesse qualquer chance
de contágio, a escola já teria cancelado as aulas.
Eles procuraram nos tranquilizar”, afirma Vânia.
A empresária Taís Pinheiro, 49 anos, tem um filho
de seis anos matriculado no Marista. Ela conhece a professora
Ana Carolina, mãe de Fernanda. “É muito triste.
Essa família deve estar arrasada. A mãe da menina
que morreu já foi professora dos meus filhos, é uma
pessoa excelente. Sinto muito por eles”, afirmou Taís.
A bióloga Flávia Arruda Portilho, 39 anos, foi
buscar as filhas Carolina, estudante do 4º ano, e Bruna,
que está no 7º ano do Marista. Na saída do
colégio, as conversas sobre a morte da colega eram inevitáveis. “Acho
que foi um caso isolado. De qualquer forma, todos estão
acompanhando as investigações sobre o caso. Foi
uma morte horrível”, comenta Flávia. (LRM
e HM)
Correio Braziliense
Suspeita
de bactéria
mutante
Especialistas
acreditam que as recentes mortes por Streptococcus pyogenes
podem ter
sido provocadas por um micro-organismo modificado,
que libera mais toxinas e que, portanto, se torna resistente
aos antibióticos
Por Luiz
Roberto Magalhães
/ Helena Mader
As mortes
por infecções de Streptococcus pyogenes
levantam suspeitas sobre a circulação de bactérias
mutantes na cidade. O micro-organismo que já matou duas
pessoas do sexo feminino em Brasília não é considerado
complexo e resistente.
Atinge principalmente
crianças e é um dos causadores
de faringites. Investigações da Vigilância
Epidemiológica vão mostrar se há alterações
nas cepas das bactérias que infectaram as vítimas
recentes. Especialistas explicam que é muito difícil
prevenir as contaminações por essa bactéria,
já que ela tem grande circulação: cerca
de 15% da população possui o micro-organismo no
sistema respiratório, mas não manifesta qualquer
infecção ou sintoma.
O diretor
científico da Sociedade Brasiliense de Infectologia,
Henrique Pinhati, diz que as mortes, ocorridas entre agosto e
setembro, causam estranhamento. “Sem dúvidas, há uma
cepa diferente circulando pela cidade. De repente, começou
a haver óbitos de forma incomum. Isso pode ser atribuído à presença
de uma bactéria com maior produção de toxinas”,
justifica Pinhati. Mesmo se houver eventuais mutações,
o especialista garante que não se trata de um micro-organismo
resistente a antibióticos. “O tratamento normalmente é feito
com penicilina, da forma mais tradicional. O problema é que
essa bactéria tem uma agressividade intrínseca”,
comenta o infectologista.
Henrique
Pinhati garante, entretanto, que a população
não precisa ficar em pânico. Na opinião do
especialista, quem deve se manter alerta é a comunidade
médica. “Os profissionais que atenderem pessoas
com os sintomas de infecção nas emergências
dos hospitais devem prestar atenção para fazer
esse diagnóstico. O surgimento de variantes mais agressivas
de uma bactéria não é um fenômeno
incomum, mas normalmente esses agentes infecciosos muito severos
com os hospedeiros desaparecem rapidamente. Isso aconteceu na
Europa, no caso dachamada bactéria carnívora”,
diz Pinhati.
Se na maioria
das vezes a Streptococcus pyogenes não
causa danos, algumas infecções podem ser graves
e letais. Um exemplo do que o micro-organismo pode provocar é a
escarlatina — uma manifestação dessa bactéria
que causa vermelhidão na pele por conta de toxinas mais
fortes. A doença normalmente começa com uma faringite
e evolui para sintomas mais severos. Nas complicações
graves, a escarlatina causa até problemas renais.
Variações
O professor
de infectologia da Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp) Antônio Carlos Pignatari assegura que a
Streptococcus pyogenes normalmente não apresenta resistência
contra antibióticos, mas ele destaca o perigo que representam
algumas variações da bactéria. “Algumas
cepas podem produzir toxinas e acarretar casos muito graves,
até com óbito. Essa bactéria pode ter transmissão
entre pessoas, particularmente em crianças, pelo contato
das mãos, e podem acontecer pequenos surtos”, afirma.
Pignatari
também acredita na possibilidade de bactérias
diferentes estarem em circulação. “O que
poderia justificar esses casos mais graves e os óbitos é a
disseminação de cepas toxigênicas, produtoras
de toxinas.
Elas têm potencial de provocar manifestações
mais graves. Mas não se trata de cepas resistentes a antibióticos”,
acrescenta o infectologista da Unifesp. “Os laboratórios
clínicos identificam com facilidade essa bactéria
com a realização de culturas e também de
um teste rápido, que consiste na coleta de material da
garganta. Isso pode ser feito no próprio pronto-socorro”,
finaliza Pignatari.
O infectologista
Alexandre Cunha, que preside a Sociedade Brasiliense de Infectologia,
afirma que não há estatísticas
sobre a ocorrência de infecções e de óbitos
por Streptococcus pyogenes. “Essa não é uma
infecção de notificação compulsória,
então não sabemos a real frequência. Podem
ter havido dezenas de registros, ou apenas os dois citados.
Mas como
os médicos começaram a comentar esses
casos, a Secretaria de Saúde divulgou a nota técnica”,
explica Cunha. Ele não classifica os casos como um surto
de Streptococcus pyogenes. “Do ponto de vista de saúde
pública, é mais importante fazer uma investigação
individual dos registros, até porque não há como
prevenir a transmissão”, comenta.
Ação rápida
As bactérias carnívoras são um tipo grave
de micro-organismo, que receberam esse nome por conta do efeito
sobre o corpo humano. Elas agem sobre a pele e depois sobre os
músculos com um efeito de necrose, como se estivessem “comendo” a
carne humana. A ação da bactéria carnívora é extremamente
rápida e ela pode levar a óbito em grande parte
das infecções.
Perigosa
Ao contrário da Streptococcus pyogenes, que não é resistente
a antibióticos, outra bactéria se transformou em
ameaça nos hospitais públicos e particulares de
Brasília. No ano passado, um surto de Klebsiella pneumoniae
carbapenemase colocou médicos e pacientes em alerta. Conhecida
como KPC, a bactéria era extremamente resistente aos antibióticos
e fez pelo menos 25 vítimas somente entre outubro e dezembro
do ano passado
Saúde
Business Web
Causas
das falhas do sistema de saúde
Por Sandra Franco
O hábito de varrer a sujeira para baixo do tapete e a
saúde
Especialista
em Direito Médico fala sobre a importância
de tratar as causas das falhas do sistema de saúde e não
apenas as consequências
No último dia 26 de setembro, o Secretário Estadual
de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Cortês,
instalou o gabinete da crise no Hospital de Saracuruna, em Duque
de Caxias, baixada fluminense, sob a alegação de
que “tem tolerância zero para erros com pacientes”.
Tal medida
seria uma reação a fatos ali ocorridos
recentemente. No último dia 19 de setembro, um jovem de
21 anos, ferido em uma queda, peregrinou durante sete horas por
cinco hospitais, entre eles o de Saracuruna, em busca de atendimento.
No dia 23 de setembro, uma idosa foi colocada viva em um saco
plástico dentro da câmara frigorífica e encontrada
pela família no necrotério da unidade. Por fim,
uma mulher chegou com um idoso ao hospital, no dia 25, aguardou
uma maca por mais de 15 minutos e alega ter seu pai morrido à espera
de socorro.
Outras consequências imediatas dessa série surreal
de desastres foram a exoneração do diretor do referido
hospital, a demissão de um médico e de uma enfermeira.
Apesar de a medida, segundo o secretário, ter a finalidade
de avaliar os responsáveis nos casos recentes de mau atendimento
a pacientes nessa unidade de saúde, a conduta pode ser
classificada como isolada e midiática. Tanto quanto se
pode classificar um projeto que tramita no Congresso Nacional,
cuja proposta seria a de modificar o Código de Ética
Médica para “agravar” a penalidade dos médicos “infratores”.
A priori, é preciso lembrar que infração ética
difere de infração penal ou verificação
de culpa, em seu sentido stricto sensu, no âmbito civil.
Além disso, é importante ressaltar que nem sempre
um resultado negativo no campo da saúde é consequência
de falha na conduta médica – objeto ontológico
de verificação de materialização
de infração (ou não) ética.
Não se deseja entrar no mérito da investigação
de responsabilidade deste ou daquele profissional da forma como
propõe, por exemplo, o senhor Secretário da Saúde
do Rio de Janeiro. Apenas para dar alguns dados sobre a saúde
no Estado, assessores da secretaria carioca admitem haver um
déficit de neurocirurgiões no Estado. Da mesma
forma, o COREN – Conselho Regional de Enfermagem – aponta
para a constatação de haver um enfermeiro em unidades
de saúde que exigiriam ao menos 15 desses profissionais.
Destarte,
abre-se o questionamento acerca da duvidosa eficácia
em torno do proposto “agravamento” das penalidades
impostas às infrações éticas cometidas
pelos médicos.
Em sendo
a conduta médica avaliada no campo da ética
não é possível dissociá-la, dentro
da valoração do jusnaturalismo, da escola de formação
do médico, sua residência (especialização),
suas necessárias atualizações científicas,
sua relação com o paciente, com a sua equipe de
enfermagem, enfim, sua conduta no exercício de sua profissão.
E nem deixar de lado a questão profissional dentro de
uma estrutura de estabelecimentos de saúde sem equipamentos,
sem equipe de apoio, sem infraestrutura física, sem leitos,
sem vagas na UTI e sem medicamentos.
Interessante
julgar o compromisso social e ético dos
profissionais da saúde isoladamente. Difícil acreditar
que o “agravamento” das penalidades inibiria o malfadado
erro médico; da mesma forma que o “gabinete de crise” certamente
não mudará a realidade da saúde no Rio de
Janeiro.
Nesse mesmo
raciocínio, se nem mesmo o positivismo das
normas penais são capazes de garantir à sociedade
o caráter sócio-educativo das penas, quais fundamentos
a sustentar o projeto de lei nº 437/2007, recebido pela
Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania do Senado, que o salvaria de ser mais um factóide
político?
A redação do projeto de lei modifica, em dois
aspectos, o padrão atual de sanções previstas
no artigo 22 da Lei nº 3.268/1957, que trata sobre os Conselhos
de Medicina. Propõem-se penas intermediárias entre
a de suspensão temporária da atividade profissional
e a de cassação definitiva do diploma. E, de forma
um tanto contraditória, permite que o médico punido
nos casos de imperícia possa retomar a atividade após
treinamento.
Longe de
se isentar os maus profissionais da saúde de
suas responsabilidades, o médico, em meio a esse contexto
de má gestão de recursos e descaso com direito
básico da população, é apenas a “ponta” de
interesses (ou desinteresses) que norteiam o sistema de saúde
brasileiro. Sem dúvida, não é agravando
penalidades que esses problemas se resolverão.
Apenas para
variar, poderiam os políticos e gestores
públicos tratar as causas das falhas do sistema de saúde
e não apenas das consequências?
O Dia Online
Caminhos
da saúde pública
Por Ana Auler M. Peres
Hoje se gasta
um dólar por habitante por dia no SUS.
Há consenso de estudiosos, políticos e sociedade
em torno da ideia de que os recursos são insuficientes
para atender a todos os brasileiros. Volta o fantasma do retorno
da CPMF, travestida de CSS ou de outras formas de tributação
para tirar o Sistema Único de Saúde do vermelho.
A Constituição Federal de 1988 criou o Orçamento
da Seguridade Social (OSS) da União, que engloba os recursos
destinados para as áreas de seguridade social — assistência,
previdência social e saúde. Os princípios
legais do financiamento do SUS envolvem a utilização
de critérios epidemiológicos para orientar a distribuição
dos recursos financeiros e responsabilidade conjunta das diferentes
esferas de governo. Até hoje, entretanto, o princípio
relativo à epidemiologia não vem sendo cumprido
de forma efetiva. A utilização destes critérios é importante
para definir prioridades, o que é essencial, e qualificar
o gasto.
Ainda na
lógica de otimizar os recursos, é importante
lembrar que um dos princípios do SUS é a descentralização.
Regionalizar os recursos, proposta defendida pelo Ministério
da Saúde, é uma forma de melhorar a gestão.
Esta já é uma prática adotada por municípios
do País. Os consórcios buscam organizar os investimentos
de maneira inteligente em cada região. Sendo assim, procedimentos
de média e alta complexidade, como a compra de um tomógrafo,
podem ser organizados pensando as regiões de forma estratégica.
Além da necessidade de luta por mais recursos para o
SUS, é necessário aperfeiçoar a administração
pública, assegurando que ela seja realmente pública,
eficiente e com o objetivo precípuo de assegurar um SUS
com acesso universal. Enquanto o problema da gestão dos
recursos não for enfrentado, por mais que haja dinheiro,
nunca será suficiente.
CFM
Médicos do SUS: Mobilização
dia 25
Em outubro,
mês em que se comemora o dia do médico
e o aniversário de 23 anos do Sistema Único de
Saúde, entidades médicas de todo o país
proporão às autoridades públicas e à sociedade
brasileira uma reflexão sobre as atuais condições
de funcionamento do Sistema. Isso se dará ao longo do
mês de outubro e, especialmente, no dia 25 – Dia
de Mobilização dos Médicos do SUS.
“Com a mobilização queremos chamar a atenção
das autoridades para a necessidade de mais recursos para a saúde,
melhor remuneração para os profissionais e melhor
assistência à população”, afirma
o presidente da Comissão Pró-SUS do CFM e 2º vice-presidente
da instituição, Aloísio Tibiriçá Miranda. “É importante
que os médicos se envolvam neste movimento; buscamos segurança
para o exercício da profissão: recursos, estrutura
de trabalho”, acrescenta o presidente eleito da Associação
Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso.
Representantes
de diferentes unidades da federação
acordaram em reunião ampliada da Comissão Pró-SUS
do CFM, realizada em Brasília em 27 de setembro, que as
entidades médicas estaduais e municipais definirão
nas próximas semanas quais as melhores maneiras de promover
localmente a mobilização – paralisações,
atos públicos, passeatas e audiências com autoridades
estão entre as possibilidades. Detalhes da programação
de cada estado poderão ser encontrados no site do CFM
durante o mês de outubro – http://www.cfm.org.br
Apoio
A Confederação das Santas Casas de Misericórdia,
Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) encaminhou em
29 de setembro circular aos responsáveis pelas instituições
filiadas para comunicar apoio à mobilização.
A posição foi aprovada em Assembleia Geral do Conselho
de Administração da CMB. “Peço [...]
apoio necessário ao movimento, considerando as particularidades
de sua região, para que sejam alcançadas repercussão
positiva nas negociações e na qualidade de atendimento
no SUS”, diz n documento o presidente da CMB, José Reinaldo
Nogueira de Oliveira Junior.
Agência
Brasil
Justiça cancela audiências sobre regras mais duras
para produtos do tabaco; nova data será definida pela
Anvisa
Por Carolina
Pimentel
Brasília – Uma decisão do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, suspendeu
duas audiências públicas da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) para discutir regras
mais duras para produtos derivados de tabaco, marcadas para hoje
(6) no Rio de Janeiro.
O desembargador
Vilson Darós atendeu ação
judicial movida pelo Sindicato Interestadual da Indústria
do Tabaco. A entidade alegou que o local escolhido para as audiências
era pequeno para comportar os interessados e a data não
foi informada com antecedência. Os eventos estavam programados
para ocorrer no auditório do Ministério da Saúde
no Rio, com 200 lugares.
“Desse modo, sabendo-se do grande interesse provocado
pelas questões relativas ao tabaco, na medida em que as
decisões acerca da matéria afetam diversas categorias
da sociedade – produtores, fabricantes, varejistas, fumantes
e, até mesmo, não fumantes – é imperioso
que a audiência pública seja organizada de forma
a permitir que todos aqueles que possam sofrer os reflexos das
regulamentações tenham oportunidade de se manifestar
antes do desfecho do processo”, disse o desembargador.
Na decisão liminar, Darós determina que a Anvisa
fixe nova data para as audiências, com antecedência
mínima de 15 dias, e escolha local com capacidade de receber,
pelo menos, 1.000 pessoas.
A Anvisa
informou que não irá recorrer da decisão
judicial, já que os eventos estavam agendados para hoje.
Isso porque, segundo a agência reguladora, não há prazo
para marcar nova data e local das audiências.
A agência propõe proibir o uso de aditivos em cigarros
e outros produtos derivados do tabaco, substâncias que
dão sabor doce, mentolado ou de especiarias aos produtos.
A segunda proposta prevê regras para a impressão
das imagens de advertências sobre os riscos à saúde
do cigarro e restringe a propaganda aos pontos de venda e o comércio
pela internet. A Anvisa já recebeu quase 250 mil críticas
e sugestões sobre o tema, desde o início das consultas
públicas este ano.
Folha
de São
Paulo
Sírio-Libanês cria centro para usar o DNA contra
câncer
Biólogos e médicos terão investimento de
R$ 30 milhões para criar drogas antitumor personalizadas
e precisas
Cientistas
ainda não conseguiram vitórias significativas
contra a doença usando os dados do genoma humano
Por Reinaldo
José Lopes, editor de Ciência e Saúde
Nos próximos cinco anos, uma parceria entre o Hospital
Sírio-Libanês e o Instituto Ludwig deve investir
R$ 30 milhões para tentar um feito que ainda escapa a
cientistas e médicos: usar os dados do genoma humano como
arma contra o câncer. O Ludwig é um instituto de
pesquisas oncológicas com braços em sete países.
A parceria
está montando o que chama de um centro de
oncologia molecular no IEP (Instituto de Ensino e Pesquisa) do
Sírio-Libanês. Ao todo, cerca de 15 pesquisadores,
sem contar alunos de pós-graduação, vão
ocupar as instalações do centro, que devem estar
concluídas no começo do ano que vem.
"A sociedade está coberta de razão quando
cobra mais aplicabilidade para os dados vindos do genoma",
afirma o bioquímico Luiz Fernando Lima Reis, diretor de
pesquisa do Sírio-Libanês.
"Vamos colocar esforço no que a gente enxerga aplicabilidade.
Nas universidades, a distância entre o pesquisador e o
paciente é muito grande."
Reis e seus
colegas unirão forças com os médicos
do hospital que cuidam diretamente de pacientes com câncer,
em especial de tumores como os de próstata, cabeça
e pescoço, mama e intestino.
Amostras
dos tumores serão analisadas no nível
do DNA, em busca de mutações específicas
que possam indicar qual será a progressão da doença
ou a resposta do câncer a medicamentos.
Ao mesmo
tempo, remédios inovadores poderão ser
testados com mais agilidade, afirma Reis. A equipe de uma das
especialistas do Ludwig, a bióloga Anamaria Camargo, deverá se
transferir para o hospital paulistano.
O desenvolvimento
de drogas personalizadas também está na
mira do projeto. "A gente está partindo de um modelo
em que uma droga trata muita gente para outro, em que muitas
drogas diferentes vão tratar pouca gente, com 40 drogas
diferentes para câncer de pulmão." Cada uma
delas seguiria o perfil genético do paciente, com menos
efeitos colaterais.
Correio Braziliense
Raro
e agressivo
Tumores no
pâncreas como os que provocaram a morte de
Steve Jobs e de Ralph Steinman, Nobel de Medicina de 2011, costumam
ser diagnosticados já em estágio avançado.
Especialistas admitem que a descoberta de novas drogas e de terapias
para esse tipo da doença tem sido lenta
Por Carlos Tavares
Especialistas
informam que um dos principais problemas é a
pequena evolução da ciência na busca de novos
medicamentos e terapias, na comparação com outros
tumores do tubo digestivo. “Os tumores de pâncreas
são os menos sensíveis a tratamentos e mesmo a
cirurgia com intuito curativo não funciona para mais da
metade das pessoas, porque, em geral, um terço dos casos
já têm metástase”, observa Daniel Herchenhorn,
chefe da área de Oncologia Clínica do Instituto
Nacional do Câncer (Inca).
O tratamento
cirúrgico é dificultado pela própria
localização da glândula: atrás do
estômago e abraçada pelo duodeno, próxima
a uma sensível rede de artérias e veias que irrigam
o fígado (veja infografia). “A área dos tumores
de pâncreas foi a que menos avançou, em termos de
pesquisa para drogas e terapias, e, mesmo as que surgiram nos últimos
anos, não funcionaram. São situações
tão delicadas que até mesmo os fatores de risco
são encobertos pela arquitetura biológica da doença.
Não se pode dizer com certeza que esses fatores são
causados por estresse, por uma má dieta ou mesmo por questões
hereditárias ”, explica o oncologista Igor Morbeck,
professor de medicina interna da Universidade Católica
de Brasília (UCB) e integrante da equipe da clínica
OncoVida.
Ao analisar
o caso do dono da Apple, o médico explica
que o câncer de pâncreas contra o qual Jobs lutava
era de origem endócrina, mais indolente — ou seja,
de comportamento mais lento, um pouco menos agressivo. “Esse
tipo dá uma taxa de sobrevida maior (de 14 a 18 meses)
do que o de origem exógina (de seis a oito meses). Como
certamente ele teve acesso a bons tratamentos, viveu quase oito
anos (desde o diagnóstico inicial).”
Para Alexandre
Palladino, oncologista da Rede D’Or, o
que indica ter sido um carcinoma neuroendócrino que abateu
Jobs é o fato de ele ter feito um transplante de fígado. “Em
geral, não há indicações de transplante
quando se trata de outros tipos mais letais de câncer de
pâncreas, como os adenocarcinomas.” De acordo com
o próprio Jobs, em um discurso para estudantes da Universidade
de Stanford, ele achava que sofria da versão mais letal
da doença, mas uma biópsia revelou que se tratava
de um carcinoma neuroendócrino. “O depoimento dele é mais
uma prova de que ele tinha um tumor endócrino e não
adenocarcinoma”, acrescentou.
Mistério
Entre os
tumores de origem exócrina, aqueles que se alimentam
de enzimas gástricas, portanto mais agressivos, encontram-se
os adenocarcinomas, considerados os grandes vilões da
patologia, ao atacarem a glândula produtora de insulina. “Eles
crescem sem sintomas, são extremamente agressivos e é difícil
fazer um diagnóstico precoce”, declara Igor Morbeck.
Uma das explicações sobre os poderes destruidores
dos adenocarcinomas é de natureza celular.
Para Daniel
Herchenhorn, o fato de o órgão ficar
localizado em uma área complexa, manipular vias biliares
e estar cercado por uma teia de artérias e veias mesentéricas
(que drenam o sangue vindo do intestino) permitem o fluxo de
um material biológico sensível à produção
de células cancerosas. “Infelizmente, por enquanto,
não há nada de revolucionário que altere
o cenário sombrio desse tipo de câncer. Não
se conseguiu, dentro desse jogo celular tão complexo,
criar-se uma droga alvo ou encontrar-se os vários alvos
celulares da neoplasia”, analisa o médico do Inca.
Foi um desses
tumores que levou à morte o cientista canadense
Ralph Steinman, que descobriu as células dendríticas
e desvendou o seu papel no sistema imunológico — achado
que lhe garantiu o Prêmio Nobel de Medicina 2011. Ao morrer,
na última sexta-feira, apenas três dias antes de
ser anunciado como um dos três vencedores do prêmio
(ao lado do norte-americano Bruce Beutler e do luxemburguês
Jules A. Hoffman), Steinman estava há quatro anos tratando-se
também com uma vacina feita com as células dendríticas.
Embora o tumor no pâncreas tenha vencido a luta, os médicos
garantem que o tratamento experimental lhe garantiu uma sobrevida
maior do que a imaginada. “Ele teve uma sobrevida de mais
quatro anos, quando a média é de, no máximo,
um”, compara Palladino. Em setembro de 2009, esse mesmo
tipo de câncer provocou a morte do ator Patrick Swayze
(astro de filmes como Ritmo quente, de 1987, e Ghost, 1990).
Steinman
fez um tratamento padrão, à base de quimioterapia,
combinado com a droga em teste criada por ele próprio.
Ao seu redor, uma rede de 20 colegas especialistas em neoplasias,
de várias universidades. O tipo de câncer que matou
Steinman é responsável por mais de 90% dos casos.
De um modo geral, os tumores de pâncreas representam de
2% a 3% dos casos de câncer no Brasil, mas geram 4% das
mortes.
De acordo
com a União Internacional contra o Câncer,
os casos aumentam com o avanço da idade, saltando de 10,
em cada grupo de 100 mil habitantes na faixa dos 40 a 50 anos,
para 116 em cada 100 mil na faixa etária de 80 a 85 anos.
Segundo o Inca, a incidência é maior em homens com
idade entre 50 e 60 anos. Dados de 2008 mostram que o número
de óbitos por esse tipo de câncer no Brasil chegou
a 6.715.
Vítimas célebres
Detalhes
do estado de saúde de Steve Jobs sempre foram
revestidos de mistério. Em fevereiro, porém, o
mago da tecnologia foi fotografado pelo jornal americano National
Enquirer na mesma clínica onde o ator Patrick Swayze,
morto em setembro de 2009, também recebeu tratamento para
câncer de pâncreas. Swayze tentou de tudo para enfrentar
a doença, mas o tumor o matou um ano e seis meses depois
do diagnóstico. A progressão da doença foi
acelerada, mas muito menos veloz que a prevista pelos médicos,
que haviam prognosticado apenas semanas de vida. Na lista de
personalidades que morreram vítimas de cânceres
de pâncreas estão Luciano Pavarotti, morto em 2008,
e o ator brasileiro Raul Cortez, em 2006.
Boa
notícia
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) aprovou, em agosto, sob o registro número 100681065,
o uso do medicamento Afinitor™ (everolimo) para o tratamento
de pacientes com tumor neuroendócrino avançado
de pâncreas. É uma das poucas boas notícias
nessa área. A nova indicação teve como base
os dados de um estudo fase 3 que envolveu 410 pacientes, publicado
no The New England Journal of Medicine, uma das publicações
científicas mais respeitadas do mundo. Segundo o artigo,
a droga mais do que dobrou a média de tempo sem crescimento
do tumor, que passou de 4,6 meses para 11 meses, e reduziu em
65% o risco de progressão da doença. Ela atua na
inibição da proteína intracelular mTOR que
age na proliferação das células cancerígenas.
Além da indicação para TNE pancreático,
Afinitor™ é aprovado no Brasil para o tratamento
do câncer renal em estágio avançado e de
um tipo raro de tumor cerebral em crianças
Isaude.net
Áreas pouco estudadas do cérebro
sofrem grande atrofia em pessoas com Alzheimer
Pesquisa
desenvolvida na Unicamp analisou exames de 45 pessoas com a
doença
e comparou com pessoas normais
Uma pesquisa
de mestrado sobre a doença de Alzheimer
(DA), desenvolvida na Faculdade de Ciências Médicas
(FCM) pela biomédica Tatiane Pedro, investigou a relação
entre cognição e áreas cerebrais precocemente
afetadas pela doença (hipocampo e córtice entorrinal)
assim como áreas menos estudadas (tálamo e corpo
caloso). Os resultados sinalizaram para uma significativa atrofia
no córtex entorrinal, hipocampo e tálamo de pacientes
com Alzheimer.
O trabalho
analisou os exames de e idosos normais e de 45 pacientes acima
de 50
anos, atendidos do Ambulatório de Neurologia
do Hospital de Clínicas (HC) no período entre 2007
e 2009 com comprometimento cognitivo leve amnéstico. O
estudo permitiu um melhor entendimento sobre a patologia e a
relação com problemas cognitivos como dificuldade
de memória, linguagem e orientação, entre
outros.
Tatiane Pedro
questionou se essas áreas cerebrais estariam
menores e relacionadas com os problemas cognitivos nos pacientes
comparativamente a idosos sem doença neurológica.
E elas estavam. Foram avaliados exames de ressonância magnética
estrutural, o que permitiu um melhor entendimento sobre a patologia
e a relação dela com problemas cognitivos como
dificuldade de memória, linguagem, orientação,
por exemplo. A dissertação foi orientada pelo professor
da FCM Fernando Cendes e coorientada pelo neurologista Márcio
Luiz Figueredo Balthazar, dentro do Programa de Pós-Graduação
em Fisiopatologia Médica e Neurociências.
O córtex entorrinal e o hipocampo mostraram correlação
com a memória. Isso significa que, quanto menor o volume
do hipocampo e do córtex entorrinal, pior a memória
e vice-versa. Trata-se de uma relação direta entre
o volume, o tamanho de uma estrutura cerebral e o desempenho
dessa faculdade psicológica - a memória episódica.
O corpo caloso, no caso, relacionou-se com a extensão
de dígitos (digit span), que é um teste de atenção.
Quanto maior a atrofia do corpo caloso, menor a atenção
do paciente. Tatiane correlacionou o tálamo com a cognição
global, linguagem e memória episódica.
Em geral,
segundo Balthazar, é clássico que algumas áreas
do hipocampo e do córtex entorrinal estejam ligadas a
problemas de memória. Nesses pacientes, aliás,
estas são as primeiras áreas cerebrais afetadas
pelo Alzheimer e no comprometimento cognitivo leve. Porém,
outras áreas cerebrais relevantes para a cognição,
mas menos estudadas, também poderiam estar relacionadas
aos sintomas dos pacientes.
A partir
das análises volumétricas das áreas
do cérebro, concluiu-se que o tálamo, hipocampos
e córtices entorrinais estavam relacionados com a doença.
A atrofia foi perceptível e tinha relação
com os testes neuropsicológicos. Na verdade, relata o
neurologista, qualquer lesão cerebral - dependendo da área
do córtex - tem condições de causar comprometimento
da cognição (memória, orientação,
linguagem, etc.). E como o Alzheimer não é uma
patologia homogênea, ela pode trazer vários tipos
de disfunção cognitiva.
Neuroimagem
O benefício da neuroimagem no estudo, de acordo com Tatiane
Pedro, foi ter ajudado a investigar padrões de atrofia
e descartar outras patologias. Esse método tem por finalidade
detectar áreas cerebrais que podem estar precocemente
comprometidas - no caso deste estudo, por meio da anatomia. "É que
o volume das estruturas nessa doença tende a ser menor.
Mas isso não ocorre no cérebro todo. Há áreas,
no início, que são menores que outras e que, no
decorrer da doença, diminuem mais ainda. Seria, portanto,
interessante encontrar um biomarcador de neuroimagem - exame
que detectaria a doença da forma mais precoce possível
- para ser utilizado na prática clínica",
assinala Balthazar.
Extra Online
Idoso paga caro para se cuidar
Pesquisa
mostra que plano de saúde bom e mais em conta
para maiores de 65 anos custa 40% a mais que piso nacional
Para 19 milhões de brasileiros que ganham um salário
mínimo de aposentadoria do INSS (R$ 545) contratar um
plano de saúde é tarefa complicada. Uma reportagem
publicada pelo jornal "Agora", ,com base num levantamento
feito pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor
(Pro Teste) — considerando quase cem planos de diferentes
operadoras — mostra que uma pessoa com mais de 65 anos
paga, no mínimo, R$ 752 para contratar um plano de saúde
completo. Isso representa 40% mais do que o piso nacional.
O valor desembolsado
por um idoso é quase o mesmo pago
por uma família com marido, mulher e um filho adolescente
(R$ 894 no total), segundo a Pro Teste. Mesmo para os aposentados
que ganham o teto da Previdência Social, hoje de R$ 3.689,
ter um plano de saúde custa caro. O convênio mais
em conta (R$ 752) representa 21% do orçamento.
Como a oferta
de planos é grande, a associação
recomenda que o cliente analise os preços e as condições
do contrato, antes de assiná-lo.
Sem
rejeição
A Pro Teste
ainda faz um alerta: os idosos não podem
ser rejeitados por uma empresa. Segundo a entidade, para desestimular
a adesão dessa parcela da população, algumas
operadoras não pagam comissão aos corretores na
venda de planos para esse público. Mas a Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) prevê multa
de R$ 50 mil para quem dificultar o ingresso deles.
Tribuna da Bahia
As altas e baixas dos hospitais
Por Alex
Ferraz
Passou despercebida
a denúncia feita por médicos,
em recente protesto contra planos de saúde, dando conta
de que estes os pressionam para darem alta a pacientes ainda
em tratamento, principalmente nas UTIs.
Experiência que vivo há alguns meses, em São
Paulo, com parente próximo, não só confirma
esta terrível denúncia como mostra que a atitude
desumana e antiprofissional é compartilhada por hospitais
particulares.
Internada
em hospital de “grife”da capital paulista,
a pessoa a quem me refiro passou 25 dias numa UTI, vitimada por
complicações de uma cirurgia feita na hora errada
e possivelmente com erro médico, e esteve duas semanas
numa semi-UTI. Embora esteja agora em um apartamento, continua
cercada por aparelhos, com duas sondas no corpo e recebendo diversos
medicamentos devido a uma infecção difícil
de controlar.
No entanto,
sabe-se que hospital e plano de saúde vêm
exercendo intensa pressão para que ela receba alta médica.
Ora, senhores, como uma pessoa não curada do problema
que a levou a um internamento que, no total, já completou
três meses, pode ser enviada para casa como sã?
Eis, enfim,
um quadro – entre muitos no setor – gerado
pela extrema comercialização da medicina, onde
pessoas passam a ser números, tanto para serem identificadas
nos hospitais como no setor de contabilidade (onde viram cifras)
desses estabelecimentos, muitas vezes mais eficientes e rigorosos
do que o tratamento dedicado ao doente.
Ainda
sobre médicos
Causa espécie verificar que os profissionais da medicina
somente denunciam tais comportamentos criminosos quando têm
seus interesses feridos, como no caso do péssimo pagamento
feito pelos planos de saúde.
Onde estão as entidades médicas, que, pelo visto,
não se preocupam com o grave dano causado à imagem
dos médicos submetidos a este tipo de pressão?
Folha
de São
Paulo
Jovens
médicos em áreas
remotas
Por José Otávio Costa Auler Júnior
Uma resolução recente da Comissão Nacional
de Residência Médica tenta direcionar para essas
regiões profissionais recém-formados
Recente portaria
interministerial, de número 2.087, que
dispõe sobre o programa de valorização do
profissional de atenção básica, procura
corrigir um grave aspecto de nosso cenário social: a falta
de assistência médica nas regiões remotas
do país.
É sabido que nessas áreas, afastadas dos maiores
conglomerados urbanos, grande parte da população
por vezes atravessa toda a sua existência sem qualquer
contato com algum profissional da saúde. Atacar esse problema é um
acerto dos ministérios da Saúde e da Educação
que tem o nosso apoio.
No entanto,
há um equívoco que poderá afetar
tanto o atendimento da população quanto a formação
de nossos profissionais. Uma resolução da Comissão
Nacional de Residência Médica, apresentada sem o
devido diálogo, tenta direcionar médicos recém-formados,
ainda não preparados para a prática da medicina,
para essas regiões. Qual é a moeda de troca?
Conferir
aos candidatos a concursos de residência médica
que tiverem participado desse programa bônus de 10% ou
20% na nota de ingresso. Isso considerando que permaneçam
um ou dois anos nas regiões consideradas na portaria.
Assim, dificilmente essa iniciativa conseguirá fixar médicos
fora dos grandes centros. Trata-se de um equívoco, portanto.
Esses médicos recém-formados, por ainda não
possuírem a qualificação e a maturidade
necessárias, acabarão expondo a si próprios
e a seus pacientes à prática defeituosa da medicina,
o que constitui uma situação perversa e danosa.
Após um ou dois anos, irão regressar para os grandes
centros com o cheque do bônus e competindo em vantagem
com aqueles que não foram selecionados ou não se
dispuseram a participar do programa.
O referido
bônus compromete o pilar que sustenta os concursos
públicos e universais: o mérito do conhecimento
teórico e prático -nesse caso, amalgamado em seis
anos do curso de medicina.
O Brasil
forma 16 mil médicos por ano. Apenas 12 mil
desses terão acesso a programas credenciados de residência
médica. A residência tem deixado de ser optativa,
constituindo-se em programa necessário para o complemento
da prática profissional.
O que sugerimos
aos órgãos governamentais é uma
política corajosa, que amplie as vagas e fiscalize os
programas de residência, de tal modo que todo recém-formado
tenha oportunidade de consolidar seus conhecimentos em diversas áreas,
incluindo aquela da atenção primária.
Esse programa
dos ministérios será vitorioso se
investir na própria sustentabilidade. É fundamental
direcionar às áreas carentes médicos que
já tenham cursado a residência, com contratos de
trabalho e remuneração justos, para que possam
se fixar e criar raízes nessas regiões.
Esses profissionais
deverão estar inseridos nas redes
de cuidados e amparados por recursos tecnológicos, colaboração
de especialistas e centros de referenciamento, além de
programas de educação permanente. Estabelecido
esse novo cenário, o sistema público dará um
enorme salto qualitativo no quesito atenção primária à saúde.
O
Estado de São
Paulo
O
museu que guarda a história da medicina
Documentos
e objetos raros, como a Roda dos Expostos, fazem parte do acervo
de 7,5
mil peças da Santa Casa de Misericórdia,
aberto ao público na região central
Por Vitor Hugo Brandalise / Thiago Teixeira
O Museu da
Santa Casa de Misericórdia, em Santa Cecília,
no centro, ganhou duas salas para abrigar seu acervo de 7,5 mil
peças - as mais antigas, datadas do século 18.
Os espaços guardarão objetos que ajudam a contar
a história da primeira instituição de saúde
da capital, onde fica o maior hospital beneficente da América
Latina, com 8 mil leitos. Na área da antiga clausura de
freiras (até pouco tempo atrás proibida para visitação),
as salas agora mostram acervo do ortopedista Waldemar de Carvalho
Pinto Filho. São 730 peças, entre elas um dos primeiros
aparelhos de raio X do País, da década de 1920,
e uma mesa cirúrgica de 1924. A Expedição
Metrópole esteve no local, aberto para visitação
em setembro, e conferiu também as atrações
das outras oito alas do museu.
O próprio caminho que conduz o visitante à ala
recém-inaugurada já serve como atração:
do corredor localizado em um terraço no segundo andar
do Hospital Central, antes fechado até para funcionários
da instituição, é possível apreciar
vista inédita do prédio de estilo gótico
e tijolos aparentes, inaugurado em 1884 com projeto do escritório
do arquiteto Ramos de Azevedo. A área será apontada
como "o mais novo cartão-postal" da Santa Casa.
"Nesta nova fase, queremos atrair mais visitantes a um
museu que nem todos na cidade conhecem. Embora não seja
a atividade principal do hospital, temos acervo raríssimo,
que conta a evolução da Medicina em São
Paulo por meio de objetos utilizados no dia a dia da irmandade,
instalada na capital há mais de 400 anos", disse
o provedor (presidente) da Irmandade da Santa Casa de São
Paulo, Kalil Rocha Abdalla. "Além das novas salas,
estamos providenciando uma área para reserva técnica,
para que os objetos expostos possam ser mais bem selecionados
e para podermos aceitar mais doações." Até o
fim do ano, o museu entrará no roteiro oficial do Instituto
Brasileiro de Museus (Ibram).
Acervo. A
ala mais procurada do museu - que recebe cerca de 30 visitantes
por
dia, principalmente estudantes de Medicina
e Farmácia - é a dedicada ao acervo médico.
São 1.800 peças, incluindo um grampeador metálico
para cortes cirúrgicos, macas de palha da década
de 1920, balança pediátrica do século 19,
máscaras para anestesia geral feitas de metal.
"Mas o que mais intriga o visitante fica em um dos cantos:
olha ali aquela máquina", aponta a mordomo (diretora)
do museu, June Locke Arruda - ela se refere a objeto de 1,5 metro
de altura e 100 quilos, que lembra uma balança de cargas.
Mas servia apenas para retirar ciscos dos olhos. "Era usado
para tirar pequenos pedaços de metal dos olhos de metalúrgicos
e outros trabalhadores das indústrias", completa
o vice-mordomo Décio Cassiani Altimari.
A ala da
farmácia antiga - toda decorada com armários
de 1883, executados pelo Liceu de Artes e Ofícios - revela
métodos já desaparecidos. Um dos exemplos é o
teste de gravidez Galli-Manini, realizado com auxílio
de um sapo - a urina da mulher era injetada no animal: se o sapo
produzisse espermatozoides, a gravidez estaria confirmada. A
ala possui cerca de 700 objetos dos primórdios das farmácias
na cidade, como vidros de remédios de 1820 com rótulos
de letras banhadas a ouro.
Na sala ao
lado está uma das atrações mais
procuradas: a Roda dos Expostos - móvel que por 125 anos
(entre 1825 e 1950) recebeu crianças abandonadas. Enquanto
funcionou, 4.696 crianças foram deixadas dentro da roda
- que tinha saída para a rua -, para serem recebidas no
orfanato da instituição. Os nomes das crianças
estão registrados em 18 livros.
Revolução de 32. A pinacoteca do museu é outro
destaque: 190 quadros de pintores como Tarsila do Amaral, Benedito
Calixto, Oscar Pereira da Silva e Almeida Junior forram paredes
de três salas, retratando benfeitores da casa. Documentos
e objetos históricos, como capacetes usados por soldados
atendidos na Santa Casa durante a Revolução de
1932, também podem ser encontrados. "Queremos continuar
com nosso papel didático, atendendo estudantes, mas também
diversificar o público. Visitantes não familiarizados às
Ciências Médicas ficam extasiados com as histórias
que revelam esse acervo", resume June.
O museu fica
na Rua Doutor Cesário Mota Júnior,
112, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 18
horas. A entrada é gratuita. Mais informações
no site www.santacasasp.org.br/museu.
Quinta-feira, 06.10.11
Site
do Deputado Darcísio
Perondi
Frente
Parlamentar da Saúde pressiona Sarney com flores
Deputados
e senadores, integrantes da Frente Parlamentar da Saúde, presentearam o presidente do Senado, José Sarney,
com um vaso de orquídeas. A entrega foi feita em plenário
e marcou a passagem dos 23 anos da Constituição
de 1988, promulgada quando Sarney era o Presidente da República.
Segundo explicou o presidente da Frente Parlamentar da Saúde,
Darcísio Perondi (PMDB-RS), o principal objetivo do ato
foi o de sensibilizar José Sarney sobre a necessidade
urgente de regulamentação da Emenda Constitucional
29, que fixa percentuais mínimos de investimento em saúde
pela União, Estados e Municípios. A matéria
foi aprovada há duas semanas pela Câmara e ainda
depende de nova apreciação do Senado.
A entrega
das orquídeas a Sarney foi mais um capítulo
da “Primavera da Saúde”, idealizada para sensibilizar
Parlamento e Governo Federal sobre a necessidade de mais recursos
para a saúde e o combate ao desfinanciamento do SUS, que
vem tomando proporções preocupantes. A Frente Parlamentar
da Saúde defende o texto original do Senado, aprovado
há três anos, que obriga a União a gastar
o equivalente a 10% de suas receitas correntes brutas com saúde,
o que representaria um acréscimo de R$ 31 bilhões
ao orçamento do SUS.
Perondi explica
que o texto aprovado na Câmara tem pontos
positivos – estabelece o que são ações
e serviços de saúde, fechando as brechas para desvios
de recursos do setor, e aperfeiçoa o sistema de fiscalização,
mas não resolve o problema de financiamento do SUS. Por
isso a Frente Parlamentar luta pela restauração
do texto do Senado, aprovado por unanimidade em 2008, inclusive
pelos parlamentares da base do Governo.
O parlamentar
gaúcho lembra que a presidente Dilma Rousseff
já declarou que o Brasil gasta pouco em saúde,
47% menos per capita que a Argentina, e que o ministro da Saúde,
Alexandre Padilha, admitiu a necessidade de mais R$ 45 bilhões,
somente para que o Brasil fique no mesmo patamar de investimento
da Argentina e do Chile, países que sequer possuem sistema
universal de saúde.
ANVISA
Repasse
para Vigilância Sanitária
ganha nova regra
Por Carin
Corrêa
Durante a última reunião ordinária da Comissão
Intergestores Tripartite (CIT), realizada em 29 de setembro de
2011 foi acordado o entendimento dos três gestores do SUS,
quanto à alteração na regra de repasse de
recursos da Anvisa para as Vigilâncias estaduais, do Distrito
Federal e municipais (Visas).
A decisão vai permitir que os valores repassados no ano
anterior, baseados na estimativa populacional 2009, feita pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
sejam mantidos para aqueles entes federados que apresentaram
no Censo Demográfico 2010, número de habitantes
inferior à estimativa 2009.
Como o cálculo de repasse do financiamento federal às
Visas é per capita, ou seja, é baseada no número
de habitantes, a pactuação é importante
porque evita que os recursos destinados às Vigilâncias
Sanitárias sejam reduzidos nos anos em que o Censo Demográfico
aponte para um número populacional inferior ao estimado
pelo próprio IBGE no ano anterior.
Além disso, a CIT deve realizar uma reunião extraordinária
prevista para o próximo dia 11 de outubro para debater
as diretrizes da Renases (Relação Nacional de Ações
e Serviços de Saúde) e também as normas
e fluxos para o Contrato Organizativo de Ação Pública
(COAP).
AGENDA
- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo
Abramge / AssPreviSite
As inscrições para os Prêmios Abramge de
Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam
em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus
Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”.
Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias
impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o
dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde
podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio
site da Abramge.
No Brasil,
o Ministério da Saúde registra a cada
ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável
por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais:
a informação não é muito divulgada.
O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis
(DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora
do vírus – e segundo estudo publicado na revista
científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México
e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma
humano.
Podem participar
da premiação, jornalistas profissionais
de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema
escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de
2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos
sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover
a informação sobre saúde e estimular a pesquisa
científica do setor”, diz o presidente da Abramge,
Arlindo de Almeida.
A comissão julgadora dos Prêmios será constituída
de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão
encaminhados aos jurados escolhidos pela direção
da Abramge para análise e indicação dos
melhores trabalhos.
Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem:
R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria
da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos.
E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma
para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no
início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores
no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da
Abramge.
Veja o regulamento
completo dos Prêmios no endereço
eletrônico www.abramge.com.br
- Home Care: Problema ou solução?
Unidas / AssPreviSite
03 e 04 de Outubro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Capacitar
os profissionais da Área de Saúde, através
de reflexões e aprimoramento dos aspectos pessoais e comportamentais
inerentes ao atendimento domiciliar, visando atender as demandas
do mercado.
Instrutora
Maria Antonieta Turci Rulli
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
- Evento sobre auditoria de medicamentos
Unidas / AssPreviSite
Auditoria
de medicamentos de alto custo - quimioterapia, radioterapia
e agentes biológicos
14 de outubro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
O aumento
nos custos da sáude está diretamente
relacionado à incorporação de novas tecnologias.
O advento
dos anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer
e dos agentes biológicos para as doenças reumáticas,
auto-imunes e dermatológicas trouxe grandes avanços
para o tratamento, mas com um aumento expressivo nos custos.
O bom uso
destes medicamentos traz benefícios inquestionáveis
para os pacientes mas o mal uso, que não é infrequente,
não só prejudica a saúde dos mesmos como
acarreta desperdícios para os financiadores da saúde.
O desafio
da regulação dos agentes quimioterápicos
e biológicos requer do auditor novos conhecimentos.
O objetivo
geral deste curso é capacitar o auditor a
exercer papel regulatório adequado sobre o uso de agentes
quimioterápicos e biológicos, de forma a assegurar ótima
qualidade assistencial aos usuários de seu sistema.
Instrutores
DR.OTÁVIO AUGUSTO CÂMARA
CLARK
ENFERMEIRA
ANNA FLÁVIA
FORTES
Público
Alvo
Gestores
e auditores de sistemas de saúde no Brasil.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
-
Seminário
sobre Terapias Celulares
Estão abertas as inscrições para o Seminário
Nacional sobre a Regulação em Terapias Celulares.
O evento promovido pela Anvisa vai discutir um tema que tem despertado
interesse da comunidade científica: as terapias elaboradas
a partir de células humanas viáveis (aquelas que
podem ser utilizadas em tratamentos).
Atualmente,
ainda não há no Brasil um marco regulatório
para estes novos tratamentos que devem começar a chegar
ao mercado nos próximos anos.
Inscrições
O seminário acontecerá nos próximos dias
17 e 18 de outubro, no auditório da Anvisa, em Brasília.
Para efetuar a inscrição, o interessado deve enviar
e-mail para o endereço cerimonial@anvisa.gov.br. A inscrição é gratuita,
e estão disponíveis 200 vagas.
- Evento sobre auditoria de medicamentos
Unidas / AssPreviSite
Auditoria
de medicamentos de alto custo - quimioterapia, radioterapia
e agentes biológicos
14 de outubro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
O aumento
nos custos da sáude está diretamente
relacionado à incorporação de novas tecnologias
O advento
dos anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer
e dos agentes biológicos para as doenças reumáticas,
auto-imunes e dermatológicas trouxe grandes avanços
para o tratamento, mas com um aumento expressivo nos custos.
O bom uso
destes medicamentos traz benefícios inquestionáveis
para os pacientes mas o mal uso, que não é infrequente,
não só prejudica a saúde dos mesmos como
acarreta desperdícios para os financiadores da saúde.
O desafio
da regulação dos agentes quimioterápicos
e biológicos requer do auditor novos conhecimentos.
O objetivo
geral deste curso é capacitar o auditor a
exercer papel regulatório adequado sobre o uso de agentes
quimioterápicos e biológicos, de forma a assegurar ótima
qualidade assistencial aos usuários de seu sistema.
Instrutores
DR.OTÁVIO AUGUSTO CÂMARA
CLARK
ENFERMEIRA
ANNA FLÁVIA
FORTES
Público
Alvo
Gestores
e auditores de sistemas de saúde no Brasil.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
-
12º Congresso Paulista de Saúde Pública
APSP tem
o prazer de convidá-lo a participar do 12º Congresso
Paulista de Saúde Pública, que será realizado
de 22 a 26 de Outubro de 2011, no município de São
Bernardo do Campo. O congresso tem como eixo central "Saúde
e Direitos: escolhas para fazer o SUS".
As Comissões Científica e Organizadora estão
preparando um grande evento que possibilite promover debates,
reflexões e encaminhamentos que envolvam atores representantes
da universidade, da gestão, dos trabalhadores da saúde,
usuários de nossos serviços, enfim todos os cidadãos
e coletivos responsáveis pela consolidação
e fortalecimento do SUS. Nosso sistema de saúde é hoje
a maior política garantidora de direitos no país
e pela sua abrangência e universalidade está, permanentemente,
em disputa entre vários setores e atores. O Congresso
possibilitará explicitarmos e debatermos estas várias
escolhas para atingirmos nosso objetivo, no sentido de garantir
a saúde como um direito e conquista para a cidadania e
desenvolvimento de nosso país.
Sua participação é fundamental para o enriquecimento
do debate e avaliação de nossas escolhas! Esperamos
por você no Congresso!
Mais informações: http://www.congressoapsp.com.br/
- HOSPITAL BUSINESS 2011
27 E 28 DE Outubro de 2011 / Copacabana / Rio de Janeiro
O Hospital
Business reúne congresso científico
e exposição de produtos, serviços e equipamentos;
possibilitando o intercâmbio de conhecimento em um espaço
de proposição e debates de idéias, onde
profissionais se encontram para pensar a formação
e agregar conhecimento aliado à experiência profissional.
A exposição, em uma era cada vez mais digital, é o único
canal onde o comprador, o vendedor e o produto se encontram fisicamente – uma
força potente para os negócios que possibilita
que os profissionais tenham acesso à lançamentos
de novos produtos, novas tecnologias que terão impacto
significativo em sua atuação profissional.
Inscrições:
http://www.hospitalbusiness.com.br/inscricao2011.asp
Contato: http://www.hospitalbusiness.com.br/contato.asp
-
X Encontro Nacional de Economia da Saúde
O X Encontro
Nacional de Economia da Saúde será realizado
nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2011, no Hotel Embaixador,
na cidade de Porto Alegre/RS.
Mais informações: http://www.ppge.ufrgs.br/abres/index.php
-
14º Congresso
Unidas
Unidas / AssPrevISite
Inovações e Desafios da Saúde
Suplementar
Dias 21 e 22 de novembro de 2011
Hotel Maksoud
Plaza São Paulo
Alameda Campinas,
150 - Bela Vista - São Paulo/SP
Promover
o desenvolvimento e a capacitação dos
líderes da saúde suplementar é o objetivo
maior do 14º Congresso UNIDAS - Inovações
e Desafios da Saúde Suplementar. O evento apresentará temas
atuais que envolvem os desafios presentes no cotidiano dos gestores,
além de oportunizar a troca de informações,
experiências e conhecimento entre os players do setor.
Além do 14º Congresso UNIDAS, realizaremos no mesmo
período e local a 11ª Feira de Produtos e Serviços
para Planos de Saúde que irá apresentar as mais
recentes inovações e soluções tecnológicas
para a gestão da área da saúde. Para ser
expositor ou patrocinador dos eventos, as empresas deverão
fazer contato com a UNIDAS pelo telefone (11) 3289-0855, ou pelos
e-mails: sandra@unidas.org.br e rose@unidas.org.br.
Participem
do 14º Congresso UNIDAS - Inovações
e Desafios da Saúde Suplementar e da 11ª Feira de
Produtos e Serviços para Planos de Saúde! A sustentabilidade
do segmento de autogestão dependerá do crescimento
e capacitação profissional daqueles que lutam e
contribuem por um sistema de saúde justo para todos os
brasileiros.
Informações
Informações adicionais e esclarecimentos poderão
ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11)
3289-0855 ou e-mail congresso@unidas.org.br
- 14º Conferência Nacional de Saúde
Tema
“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA
PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”
A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada
em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional.
As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram
dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa
Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os
dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.
Mais informações
no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html