Leia
nesta edição:
- Médico de plano protesta e pressiona por negociação
- O câncer, a epidemia e a saúde pública
- Movimento
médico comemora vitória
em protesto
- Perspectivas
para a saúde
- SUS não tem recursos porque gasto federal é pouco
- ANS publica
normas para certificação de planos
- Registro
Eletrônico de Saúde é divisor
de águas
- Senadores
manifestam apoio a protesto de médicos contra
planos de saúde
- Paralisação de médicos reduz em 36% número
de consultas no País
Sexta-feira, 08.04.11
Folha
de São
Paulo
Médico de plano protesta e pressiona por negociação
Profissionais
fizeram paralisação contra valores
que recebem de operadoras
Categoria
afirma que adesão à greve de um dia
foi de 70% no país; movimento foi normal, diz entidade
de planos
Por Talita Bedinelli
DE SÃO
PAULO
Médicos que atendem a planos de saúde pararam
ontem os atendimentos, em protesto pelos valores que recebem,
e fizeram em São Paulo uma passeata que reuniu cerca de
500 pessoas.
Eles prometem
agora pressionar as operadoras por uma negociação
rápida.
Os médicos reivindicam reajuste e que ele passe a ser
anual. Também reclamam da interferência dos convênios,
que, segundo eles, limitam o número de consultas e de
exames por pacientes.
Ontem, afirmam,
a adesão ao movimento foi de pelo menos
70% dos médicos de todo o país. Eles não
atenderam pacientes dos planos, exceto casos urgentes e cirurgias.
Segundo a
Orizon, empresa que gerencia o sistema que autoriza os procedimentos
de 170 empresas de convênio, o número
de consultas caiu 36% pela manhã, em relação
a outras quintas-feiras.
Em São Paulo, a redução foi menor, de 29%;
já a Bahia teve a maior redução: 73%.
A Folha visitou
na capital paulista três prédios
com grande número de consultórios. Em um deles,
ouviu relatos de que o movimento de pacientes estava abaixo do
normal. Nos outros dois, que estava normal.
No hospital
Edmundo Vasconcelos, zona sul, médicos do
ambulatório pararam.
"O envolvimento do movimento médico foi muito grande.
Conseguimos transmitir para a sociedade que existem problemas
e que precisam ser resolvidos", afirmou Florisval Meinão,
da Associação Médica Brasileira.
Segundo ele,
o movimento pretende se reunir com as operadoras de saúde para que elas apresentem uma proposta em até dois
meses.
Há médicos que dizem que, se não houver
acordo, podem "radicalizar", com descredenciamento
em massa de planos que pagam pior.
A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde
Suplementar), que congrega 15 grupos de operadoras, afirma que
o reajuste dos médicos entre 2002 e 2010 chegou a 116,30%
e que há aumento anual. Já as entidades médicas
dizem que o reajuste das consultas entre 2003 e 2009 foi de 44%.
A FenaSaúde afirma que não observou comportamento
fora da anormalidade ontem. A ANS (Agência Nacional de
Saúde) diz que recebeu uma só reclamação
por falta de atendimento médico.
OUTROS PROTESTOS
O Dia Mundial
da Saúde,
celebrado ontem, foi marcado por outros protestos.
Na frente
da Secretaria Estadual da Saúde, cerca de 150
manifestantes de ONGs protestaram contra a lei estadual aprovada
em dezembro que destina 25% dos leitos de hospitais públicos
geridos por Organizações Sociais a pacientes de
convênios.
Na avenida
Paulista, outras 700 pessoas também protestaram
contra o que chamaram de "privatização" da
saúde, incluindo as parcerias público-privadas
em hospitais municipais.
Folha
de São
Paulo
Tendências
/ Debates
O
câncer, a epidemia e a saúde pública
Por Paulo M. Hoff
É preciso que o Brasil tenha muita iniciativa, vontade
política e empenho para enfrentar o câncer, doença
difícil e em franca ascensão
O que representa
uma década quando o assunto é medicina
oncológica e seus avanços?
Para alguns,
pode parecer muito tempo, mas quem luta diariamente contra
essa
doença, complexa e cheia de mistérios,
sabe que esse período não é longo.
Falamos em
uma década porque, para o câncer, esse
tempo é o suficiente para torná-lo adulto. E bem
adulto. Estima-se que até meados deste século esta
se torne a principal causa de mortes no país, ultrapassando
as doenças cardiovasculares. Um dado que assusta, preocupa
e merece atenção.
Nas últimas décadas, a medicina oncológica
conquistou importantes vitórias. Vivenciamos o surgimento
de novos medicamentos e tratamentos que aumentaram significativamente
a chance de cura e sobrevida de nossos pacientes.
A evolução da genética, levando a identificação
de genes responsáveis pela ampliação do
risco de desenvolver alguns tipos de tumores, potenciais alvos
para terapias dirigidas, além do desenvolvimento e disseminação
de novos e modernos equipamentos, importantes para o combate
ao câncer.
Tudo isso
trouxe uma enorme evolução, que poderia
ter sido verdadeira revolução se a doença
não nos acompanhasse e nos desafiasse continuamente nesta
maratona.
Atualmente,
o Brasil conta com diversos hospitais de ponta, que são referência para o tratamento oncológico.
Há alguns anos, essa excelência no atendimento aos
pacientes com câncer concentrava-se principalmente nos
hospitais particulares, mas felizmente um número cada
vez maior de unidades voltadas para o atendimento dos pacientes
que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) também
passou a se destacar nessa área.
E dar atenção para a construção
e o custeio desses centros de excelência é não
parar de lutar contra a doença. Em 2008, o governo de
São Paulo e a Secretaria de Estado da Saúde investiram
e inauguraram o Instituto do Câncer do Estado de São
Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp), um bom exemplo da parceria
entre tecnologia, qualidade e atendimento voltado para o SUS.
Três anos depois, o Icesp hoje é um dos melhores
centros de referência de câncer do país, com
atendimento mensal a quase 11 mil pacientes e com o maior parque
radioterápico da América Latina.
Só no último ano, o instituto atendeu, na parte
assistencial, mais de 12 mil novos casos de câncer. Um
número assustador e que precisa ser levado a sério.
É preciso que o Brasil tenha muita iniciativa, vontade
política e empenho para enfrentar o câncer, uma
doença difícil e que está em franca ascensão.
Com o envelhecimento da população, certamente teremos
uma "epidemia" de casos de câncer no futuro próximo.
O caminho
ainda é longo, mas a experiência do Icesp
e de outras instituições de renome prova que temos
profissionais altamente qualificados e as condições
necessárias para incluir o Brasil entre as nações
que lideram o mundo no combate ao câncer.
* Paulo M.
Hoff, oncologista, é diretor-geral do Instituto
do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de
Oliveira e professor titular de oncologia da Faculdade de Medicina
da USP.
CFM
Movimento
médico comemora vitória
em protesto
“Atingimos nosso objetivo com o protesto de 7 de abril.
O alerta foi dado às operadoras de planos de saúde
e à sociedade com relação aos problemas
percebidos pela categoria médica. De agora em diante,
esperamos que seja feita uma negociação real pelas
empresas para acabar com a defasagem dos honorários e
a interferência na autonomia dos profissionais”.
Essa foi a avaliação do coordenador da Comissão
Nacional de Saúde Suplementar (Comsu), Aloísio
Tibiriçá Miranda, sobre o dia de mobilização
dos médicos contra os planos de saúde.
Ele acompanhou
a movimentação nos estados a partir
de Brasília e recebeu, ao longo do dia, informes de várias
entidades regionais. “Houve grande adesão em todos
os estados. Recebemos relatos de que quantidade significativa
de médicos participou do protesto e suspendeu suas atividades.
No entanto, sem causar prejuízos para o usuário
dos planos de saúde”, lembrou o coordenador, que
também é vice-presidente do CFM. De acordo com
Tibiriçá, os procedimentos desmarcados serão
reagendados e os casos de urgência e emergência foram
atendidos.
Em 30 dias
os líderes do movimento de 7 de abril se reunirão
para reavaliar o andamento das negociações com
os representantes dos planos de saúde. Este trabalho será conduzido
pelas entidades médicas em nível regional. Paralelamente,
algumas outras iniciativas acontecerão na esfera política.
Já está prevista a realização de
uma audiência pública na Câmara dos Deputados
para discutir o tema e encontrar uma solução. Contudo,
os parlamentares responsáveis pela solicitação
não descartam o pedido de abertura de CPI para apurar
supostas irregularidades na saúde suplementar.
No Senado – Pela manhã, a Paralisação
dos Médicos chegou também ao Congresso Nacional.
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa do Senado Federal promoveram audiência pública
especial em torno das reivindicações dos médicos.
Sensibilizado pelo apelo dos profissionais, o senador Paulo Paim
(PT-RS), presidente do grupo, anunciou a criação
de uma subcomissão de saúde dentro da Comissão. “Esta
mobilização dos médicos é um grito
do povo brasileiro em relação à saúde”,
ressaltou o parlamentar.
O coordenador
do movimento, Aloísio Tibiriçá Miranda,
que participou da audiência, propôs aos senadores
a montagem de uma agenda comum, inclusive com visitas aos hospitais
públicos para constatar a situação da oferta
da assistência sob a ótica dos direitos humanos.
Paulo Paim transformou o pedido em ato normativo diante do 3º vice-presidente
do CFM, Emmanuel Fortes, e do conselheiro suplente de Alagoas,
Alceu Pimentel, que também compareceram no Senado.
Durante a
audiência, o senador Paulo Davim (PV-RN) defendeu
a paralisação dos médicos por acreditar
que o trabalho com a vida é um “direito sacrossanto”.
Por outro lado, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) enfatizou
que o Congresso Nacional já tem o diagnóstico da
calamidade da saúde só falta ação. “É um
sistema perverso que maltrata o médico”.
Outro parlamentar
que saiu em defesa da causa médica
foi o sergipano Eduardo Amorim (PSC-SE). Para ele é uma
perversidade que os planos de saúde sejam reajustados
regularmente sem que os valores pagos aos médicos também
o sejam. “Os médicos ainda recebem por uma tabela
da década de 90 e muitos convênios se aproveitam
disso. Assistimos o reajuste ser somente para o usuário. É justa
a reivindicação da categoria médica”,
apontou.
Estado de Minas
Perspectivas
para a saúde
Por Henrique M. Salvador Silva
O governo
da presidente Dilma Rousseff teve início em
1º de Janeiro, e o tema saúde já começa
a ocupar lugar de destaque nas suas ações. A cada
nova eleição, renova-se a esperança de que
uma mudança significativa seja feita e que o sistema receba
os investimentos apropriados e necessários para que o
maior número de cidadãos brasileiros tenha acesso
a uma saúde de qualidade e com eficiência. A presidente
Dilma Rousseff posicionou a saúde como um tema prioritário
de seu governo e tem se mostrado interessada em interagir com
o sistema privado para construir um sistema de saúde justo.
Um tema de grande relevância que deve nortear o setor este
ano está relacionado aos modelos de remuneração
dos hospitais e profissionais que atuam na saúde suplementar.
Essa questão é imediata, já que envolve
a saúde financeira de hospitais e operadoras. Em discussão
desde o ano passado na Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), a proposta em análise sugere uma nova
sistemática, com um modelo mais focado em serviços.
Desta forma, a receita primária dos hospitais estaria
subordinada aos serviços prestados, garantindo assim melhor
desempenho ao setor. A ANS completa 10 anos de atuação
neste ano e a chamada Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/1998)
chega aos 11 anos. É incontestável que a população
foi beneficiada, em inúmeros aspectos, com a regulação
do setor de saúde privado. Nesta última década,
este segmento vem passando por uma significativa transformação,
impulsionadas, entre outros motivos, pela profissionalização
tardia do setor.
Nos últimos 10 anos, foi possível também
observar inúmeros avanços na gestão das
instituições, na implantação de sistemas
de atendimento integrados, na busca por uma relação
ainda mais harmoniosa entre pacientes, profissionais e hospitais.
Tivemos também um aumento de serviços e uma eficiência
aliada ao incentivo da implementação de protocolos
assistenciais e indicadores de qualidade, que atestam a eficácia
do sistema. Mas, para garantir a sustentabilidade do setor, principalmente
com as constantes movimentações do mercado, a ANS
precisa desempenhar um papel mais regulador. Desta forma, passaria
a regulamentar apenas pontos mais críticos do segmento
para focar esforços em iniciativas que visam a promover
o equilíbrio nas relações entre os envolvidos
na saúde suplementar. Como os interesses de cada player
são muito diferentes, isso ajudaria no sentido de manter
a atenção no envolvimento e, principalmente, entendimento
entre todos com o objetivo de beneficiar os pacientes e usuários
do sistema.
Hoje o país tem cerca de 46 milhões de beneficiários
em planos de assistência médica e mais de 58% do
total de gastos do setor vem da saúde suplementar. É preciso
entender que o sistema de saúde é um só e
que não há como prescindir o público do
privado. Identificar oportunidades de sinergia, por meio de parcerias
público-privadas (PPPs), é uma das alternativas
que proporcionará o aproveitamento do que cada um tem
de melhor. Para fazer uma única citação,
lembro que os hospitais privados têm grande acesso à tecnologia
de ponta, que também poderia ser compartilhada. O uso
destes equipamentos poderia ser direcionado para realização
de exames de pacientes de hospitais públicos, durante
seus períodos de ociosidade. Uma ação como
essa poderia ser feita em cidades e municípios carentes
no acesso a exames de diagnóstico, como ultrassonografia
e ressonância magnética.
Os benefícios de iniciativas semelhantes não param
por aí. Temos modernos institutos de pesquisa na rede
privada, que podem servir de estímulo às instituições
públicas, com treinamentos focados em profissionais que
atuam na rede pública. Estas capacitações
devem contemplar módulos relacionados tanto à parte
assistencial, quanto de administração e de gestão
de recursos. Seguindo neste raciocínio outra iniciativa
seria ampliar as parcerias entre hospitais privados e o Ministério
da Saúde. Em junho de 2009, o ministério firmou
convênio com seis hospitais privados, denominados hospitais
de excelência, em prol do Sistema Único de Saúde
(SUS). Pelo convênio, estas instituições
desenvolvem ações de qualificação
da gestão, redefinição do foco de hospitais
federais, entre outras competências. Ampliando ações
como esta, poderíamos maximizar a sinergia entre privado
e público, sendo este último expressivamente beneficiado
pela expertise de importantes instituições hospitalares
brasileiras.
Vivemos um
momento de consolidação do setor hospitalar
privado. Neste sentido, faz-se importante destacar que a harmonia
entre lucro e qualidade é imprescindível para os
usuários dos serviços de saúde. Empenhados
com a melhoria do atendimento assistencial, as instituições
destinam esforços para a excelência na gestão.
Parte deste reconhecimento está relacionado aos certificados
de qualidade, a exemplo das Acreditações da Joint
Commission International, National Integrated Accreditation for
Healthcare Organizations, Organização Nacional
de Acreditação e Canadian Council for Health Services
Accreditation. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer.
Consultor
Jurídico
SUS
não tem recursos porque gasto federal é pouco
Por Élida
Graziane Pinto
A última pauta da agenda sobre a política pública
de saúde no Brasil aponta para um falso dilema. A sociedade
está sendo assediada pela ideia de que, para resolver
o subfinanciamento do setor, seria imperativa a recriação
da CPMF ou de outra congênere.
É falso o dilema porque o financiamento do Sistema Único
de Saúde - SUS é problema mal concebido e resolvido
desde a sua instituição na Constituição
de 1988. Não houve, como até o presente momento
não há, em bases permanentes, distribuição
de responsabilidades federativas, nem tampouco uma clara regra
de equilíbrio entre receitas disponíveis e despesas
a serem cobertas.
A primeira
referência do quanto deveria ser empregado
para o financiamento do SUS foi feita no artigo 55 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT,
o qual previra a destinação de 30% do Orçamento
da Seguridade Social – OSS ao setor da saúde. Embora
tal regra transitória não seja mais juridicamente
aplicável, vale a pena simular o quanto ela aportaria
de recursos para o SUS atualmente.
Em 2011, à luz da Lei Orçamentária vigente,
tal proporção verteria para as ações
e serviços públicos de saúde cerca de R$
150 bilhões, ao invés dos aproximadamente R$ 65
bilhões previstos.
Por outro
lado, caso fossem aprovados os projetos de lei complementar
que tramitam
no Congresso Nacional (PLP 01/2003, da Câmara;
e PLP 121/2007, do Senado) com o objetivo de regulamentar a Emenda
Constitucional 29, de 2000, teríamos um dever de gasto
público federal, dentro do Orçamento Geral da União,
na casa dos R$ 100 bilhões.
É, precisamente, da falta de normas claras e obrigações
consistentemente progressivas para os gastos públicos
de responsabilidade federal e dos diversos Estados que se alimenta
o conflito distributivo que precariamente financia o SUS. Daí a
passarmos ao impasse sobre se a saúde deve ter, ou não,
uma contribuição social exclusivamente sua, é um
pulo...
Mais do que
apenas criar um novo tributo (o qual poderia ser uma solução complementar, mas não suficiente),
a área da saúde precisa ter um arranjo protetivo
estável na Constituição, tal como já ocorre
com a área da educação.
A despeito
do caráter solidário desenhado inicialmente
na Constituição de 1988 para o sistema da seguridade
social, os gestores das políticas de saúde, assistência
social e previdência social cuidaram de puxar a preciosa
sardinha tributária para o seu lado. Paralelamente a isso,
a União descentralizava despesas e reconcentrava receitas,
em detrimento do pacto federativo e do próprio dever de
expandir seu gasto público com o SUS.
Para resolver
seu lado do conflito, a previdência social
conseguiu segregar suas fontes próprias de receita no
artigo 195 da Constituição, com o advento da Emenda
20/1998. Já a saúde implorava politicamente por
uma nova sistemática de financiamento que lhe conferisse
estabilidade mínima e recursos suficientes para a implantação
e expansão do SUS.
Assim é que foi instituída, em 1996, a CPMF, a
qual – após sucessivas emendas constitucionais – foi
prorrogada até 2007, quando, enfim, teve sua última
proposta de prorrogação rejeitada pelo Senado.
Tal contribuição teria sido uma solução
adequada para o problema do subfinanciamento do SUS não
fosse a vigência da desvinculação de receitas
da União – DRU que lhe retirava, na fonte, 20% do
produto da sua arrecadação, assim como a própria
competição de outros setores. Ou seja, a CPMF que
foi criada para a saúde tornou-se cobertor curto a ser
dividido com a previdência social, com o combate e erradicação
da pobreza e com a DRU... Na verdade, a política pública
de saúde tornou-se refém da perda da CPMF muito
antes da rejeição à sua prorrogação
em 2007.
Por tal conformação de forças políticas,
no final da década de 1990, o setor empreendeu uma nova
e quixotesca jornada em busca de uma fórmula constitucional
de financiamento que dependesse menos de receitas exclusivas
(como a CPMF). A solução encontrada tomou como
modelo a política pública de educação,
que goza de patamar mínimo de gasto público, na
forma do artigo 212 da Constituição. Daí é que
decorreu a promulgação da Emenda Constitucional
29, de 2000, com a promessa de estabilizar o custeio da saúde
pública no país.
Com a Emenda
29, tal como ficou mais conhecida, os três
níveis da federação foram obrigados a cumprir
patamares mínimos de gasto, segundo o artigo 77 do ADCT.
Esse dispositivo determina que os municípios apliquem
15% e que os estados apliquem 12% das suas receitas de impostos
e transferências constitucionais, enquanto a União
deveria manter o seu patamar de gasto do ano anterior, corrigindo-o
apenas pela variação nominal do PIB.
Passados
dez anos da sua edição, podemos sinceramente
avaliar como não cumprida a promessa da Emenda 29 de conferir
estabilidade e suporte mínimo de recursos para o SUS.
Por essa razão é que ressurge, tal qual Fênix
das cinzas, a promessa de que uma contribuição
social exclusiva para a saúde poderia dar conta da pesada
tarefa de estabilizar e fazer progredir o SUS.
Os quase
23 anos de vigência da Carta de 1988 e, concomitantemente,
do SUS nos fazem suspeitar de que o seu subfinanciamento não
será definitivamente resolvido por uma nova contribuição.
Isso porque nada nos assegurará que parte dela não
será novamente consumida pela DRU ou que a União
não vá simplesmente retirar outras fontes de receita
para manter o seu patamar de gasto estagnado na faixa de 1,7%
do PIB.
É preciso rever o modelo definido no artigo 77 do ADCT,
o qual já deveria ter sido substituído por lei
complementar desde 2005. Eis a raiz do problema: há uma
omissão inconstitucional na falta de regulamentação
da Emenda 29 que torna nebuloso o horizonte e que esconde a mais
flagrante verdade não revelada pela União.
Faltam recursos
ao SUS, a despeito de a arrecadação
federal bater recordes sucessivos e vertiginosos de crescimento,
porque a União não tem nenhum dever de correlação
de gasto mínimo na saúde em face do comportamento
da sua receita.
Enquanto
o gasto mínimo federal continuar sendo corrigido
apenas pela variação nominal do PIB e a regulamentação
da Emenda 29/2000 continuar sendo inconstitucionalmente negligenciada,
o SUS sofrerá não é com a falta da CPMF,
mas com a regressividade do gasto federal em saúde.
Falta dinheiro
ao SUS porque falta obrigar a União, do
mesmo modo que os estados e municípios estão obrigados:
paga mais quem pode mais, na medida da sua disponibilidade de
receita, sem vir cobrar a fatura da sociedade com a instituição
de novos tributos. Eis o nó górgio da questão.
Diário
do Nordeste
ANS
publica normas para certificação de planos
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicará,
até junho, as normas de acreditação das
operadoras de saúde - processo de certificação
feito por empresa independente a partir de critérios de
qualidade. A intenção do órgão é que
todas as operadoras busquem essa certificação para
melhorar o atendimento.
InformationWeek
/ Saúde Business Web
Registro
Eletrônico de Saúde é divisor de águas
Por Neil Versel
Segundo Centro
Prevenção de Doenças, intercâmbio
de informações ajuda médicos, hospitais
e autoridades a monitorar surtos de doenças
Os registros
de saúde eletrônicos (EHRs) são
incentivados pelo governo federal dos Estados Unidos como auxílio
na melhoria da saúde pública. De acordo com um
agente de TI do governo, a comunidade da saúde pública
está contando com a grande adoção e interoperabilidade
entre médicos e hospitais para ajudar a identificar a
responder a futuros surtos de doenças.
"As agências públicas de saúde, desde
as locais de cada estado até as federais, têm construído
tecnologia de informação há anos, mas como
não temos conexões com todos, não temos
muitas informações para compartilhar", afirmou
o diretor de informática da saúde pública
e escritório do programa de tecnologia no Centro de Controle
e Prevenção de Doenças (CDC), Seth Foldy. "No
futuro, supomos que a maioria dos nossos aliados na saúde
pública estarão assentados com seus EHRs".
Ao falar
do Instituto para Transformação Tecnológica
da Saúde, Foldy destacou alguns dos sucessos que a saúde
pública teve com a troca de informações
de saúde (HIE). Segundo Foldy - um médico de família,
ex-chefe das agências de saúde pública para
a cidade de Milwaukee e o estado de Wisconsin e cofundador do
Wisconsin Health Information Exchange - os registros de imunização
representam "o HIE original".
Ele afirmou
que a resposta ao surto de pandemia de 2009 do vírus
H1N1 representou o maior esforço de vacinação
em massa na história dos Estados Unidos. Graças
aos registros de imunização online, as agências
públicas de saúde foram capazes de controlar a
administração da vacina e colaborar com as companhias
de seguros para identificar os inscritos de alto risco que ainda
não haviam recebido a injeção.
Em 2003,
enquanto era comissário do departamento de saúde
da cidade de Milwaukee, Foldy ajudou a conceber e implementar
rapidamente uma rede entre quatro estados para detectar potenciais
casos da síndrome respiratória severa aguda (SARS),
com base no relato de sintomas de departamentos de emergência
hospitalar. Esse episódio demonstrou a Foldy o poder de "transformação" da
comunicação eletrônica de dados de laboratório.
"Sabemos que esse é um divisor de águas em
termos de relatórios eletrônicos sobre doenças
transmissíveis", disse Foldy. Relatórios manuais
são um processo lento e trabalhoso, a transmissão
eletrônica dos resultados dos testes acelera enormemente
a capacidade das autoridades de saúde pública para
identificar as epidemias e pandemias. Segundo Foldy, também
disponibiliza dados que os hospitais nem sabiam que eram reportáveis.
Ele também falou de um surto de Cryptosporidium no abastecimento
de água de Milwaukee em 1993 - cerca de três anos
após assumir o departamento de saúde - que afetou
quase um quarto de população da região,
apresentando diarreia, desidratação e febre.
Depois que
os funcionários identificaram que a doença
vinha da água e não era epidemiológica,
a cidade construiu um "medidor de diarreia" eletrônico
para acompanhar os casos relatados.
"Nosso sistema escolar inteiro foi assolado por esse vírus",
relatou Foldy. O CDC recomendou que Milwaukee cancelasse as aulas,
mas isso envolvia fechar 10% da capacidade da saúde pública,
uma vez que as enfermeiras escolares e outros profissionais de
saúde viam tantas crianças. O banco de dados da
cidade ajudou a manter as escolas abertas.
"O objetivo da informática é agregar valor.
A saúde pública é um dos casos mais utilizados
no mundo para compartilhar informações de saúde".
Quando há uma mudança na política de saúde,
tal como quando uma pesquisa mostrou que a aspirina era uma maneira
efetiva e barata de prevenir e tratar ataques cardíacos,
os médicos distribuem panfletos para pacientes se lembrarem
de os entregar. "Essa não é a maneira mais
eficiente de usar a informática", disse Foldy.
Médicos não têm tempo de ler alertas enviados
por fax até que muitos casos tenham sido identificados,
apontou Foldy, então por que as agências de saúde
não deveriam mandar alertas eletrônicos diretamente
nos EHRs, assim que fossem identificados como surtos?
Segundo Foldy "Há um grande negócio nos cercando" ao
garantir que comunicação eletrônica tenha
sucesso na aceleração de troca de dados.
Quinta-feira, 07.04.11
Agência
Senado
Senadores
manifestam apoio a protesto de médicos contra
planos de saúde
Por Ricardo Koiti Koshimizu
No Dia Mundial
da Saúde, comemorado nesta quinta-feira
(7), médicos em diversas cidades do país paralisaram
as atividades vinculadas aos planos de saúde. Eles protestam
contra a remuneração paga pelas operadoras e a
forma de atuação dessas empresas. Durante reunião
da Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa (CDH), vários parlamentares manifestaram
apoio à iniciativa.
O senador
Paulo Davim (PV-RN) afirmou que é necessário
denunciar o "abuso" das empresas e que não se
pode aceitar o "aviltamento" do pagamento feito aos
médicos, que, em sua opinião, são tratados
de forma desrespeitosa. As críticas foram reiteradas,
entre outros, pelo presidente da comissão, senador Paulo
Paim (PT-RS), e pelo senador Eduardo Amorim (PSC-SE). Paulo Davim
e Eduardo Amorim são médicos.
Representantes
da categoria estiveram presentes à reunião
da CDH, entre eles Aloísio Miranda, um dos vice-presidentes
do Conselho Federal de Medicina. Ao criticar a atuação
da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
ele declarou que o órgão "está muito
mais voltado para as operadoras do que para os médicos".
Aloísio Miranda sugeriu que o Congresso forme uma comissão
para visitar os hospitais públicos do país.
- O Congresso
tem que sair para conhecer a vida real da população
- disse.
Saúde
Business Web
Paralisação de médicos reduz em 36% número
de consultas no País
Empresa especializada
na integração de serviços
com operadoras afirmar que greve tem atingido mais seguradoras
e autogestões
Já nas primeiras 12 horas da paralisação
dos médicos, que acontece nesta quinta-feira (7), houve
uma queda de 36% no número de atendimentos em todo o País.
Com margem de erro de 1%, estudo também mostra o impacto
nos principais Estados.
A pesquisa
foi realizada pela Orizon, empresa especializada na integração de prestadores de serviços
com operadoras de saúde. O estudo utilizou informações
geradas pelo seu sistema, com um mapeamento comparou as consultas
eletivas de hoje, dia da paralisação, com outros
dias de mesmas características de sazonalidade.
O levantamento
também identificou que a paralisação
está com maior penetração entre as seguradoras
e autogestões, com 51% de redução no atendimento
nesta manhã. O menor impacto é percebido em Unimeds,
com 20% de redução em número de consultas
médicas.
AGENDA
- ClasSaúde 2011
Evento acontece
na cidade de São Paulo, SP.
"Saúde e os Desafios Econômicos, Humanos e
Ambientais" é o tema central dos seis congressos
que compõem o ClasSaúde 2011, evento oficial da
Hospitalar 2011 que acontece de 24 a 27 de maio, no Expo Center
Norte, em São Paulo.
Promovido
pela Confederação Nacional de Saúde
(CNS), Federação Nacional dos Estabelecimentos
de Serviços de Saúde (Fenaess), Sindicato dos Hospitais,
Clínicas e Laboratórios do Estado de São
Paulo (SINDHOSP) e HOSPITALAR Feira + Fórum, o ClasSaúde
já se consolidou como palco das principais discussões
que norteiam o setor.
Integram
o ClasSaúde 2011 os seguintes eventos: 16º Congresso
Latino-Americano de Serviços de Saúde; o 6º Congresso
Brasileiro de Gestão em Clínicas de Serviços
de Saúde; 5º Congresso Brasileiro de Gestão
em Laboratórios Clínicos (evento realizado em conjunto
com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina
Laboratorial - SBPC/ML); 4º Congresso Brasileiro de Tecnologias
da Informação e Comunicação em Saúde;
2º Congresso Brasileiro de Aspectos Legais para Gestores
e Advogados da Saúde; e 2º Congresso de Gestão
e Políticas em Saúde Mental.
O Congresso
Latino-Americano é o evento internacional
do ClasSaúde e está dividido em três módulos:
Sistema de Saúde Público-Privado, Saúde
Suplementar e Capacitação Profissional. "Esse
ano a questão ambiental entra em discussão.
O site do
ClasSaúde (http://www.classaude.com.br/) estará no
ar no início de março e trará os programas
dos eventos, composição das comissões científicas,
valores das inscrições, pacotes de viagem, notícias
e demais informações sobre os eventos. As inscrições
também estarão abertas no mesmo período,
com desconto para associados da CNS, Fenaess, SINDHOSP e SBPC/ML
(estes últimos apenas para o Congresso de Laboratórios
Clínicos).
Data: De 25 a 28 de maio de 2011
Local: Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – São
Paulo, SP
Mais informações:
http://www.classaude.com.br/
- Custos na Saúde e Pagamento
por Pacotes
25 e 26 de abril de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
- Fornecer
elementos para análise da constituição
e do perfil dos custos da assistência à saúde
no mercado de saúde suplementar e a sua racionalização
mediante formatação de pacotes para o pagamento
dos serviços.
- Fornecer
noções de Economia Básica
e de custos em geral.
- Identificar
os componentes dos custos na assistência à saúde.
-Identificar
fatores que agravam os custos na saúde
-Destacar
mecanismos de regulação na utilização
dos serviços de saúde e o seu reflexo nos custos
assistenciais.
- Avaliar
o sistema de gerenciamento de custos na assistência à saúde
no mercado de saúde suplementar.
- Avaliar
a repercussão da atuação da ANS,
do Poder Judiciário, Ministério Público
e PROCON nos custos de assistência à saúde.
-Identificar vantagens e desvantagens no pagamento por pacotes.
-Analisar
recomendações para formatação,
formalização e operacionalização
de pacotes.
Instrutor
Dr. Natanael Dantas Soares
Público
Alvo
Gestores
de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e
profissionais de todas as áreas, que atuam no Mercado
de Saúde.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
- 2º Seminário dos Dirigentes e Gestores das Autogestões
A Sustentabilidade
da Autogestão
11 e 12 de abril
Hotel Naoum
Plaza Brasília
SHS - Setor
Hoteleiro Sul, Quadra 05, Bloco H, Brasília
DF
O evento,
com repercussão nacional, é um importante
ambiente de debate da área de assistência à saúde
suplementar, sendo este o propósito maior da UNIDAS nos
eventos que promove como forma de estimular a reflexão
de todos os agentes da área da saúde. Com um público
estimado em 200 participantes o "2º Seminário
dos Dirigentes e Gestores das Autogestões em Saúde
- A Sustentabilidade da Autogestão" terá o
objetivo de promover um debate com os executivos das nossas instituições
filiadas sobre as principais oportunidades e ameaças para
o segmento de autogestão em saúde.
Informações
Para ser patrocinador dos eventos, entre em contato com a UNIDAS.
Informações adicionais e esclarecimentos poderão
ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11)
3289-0855 ou e-mail seminario@unidas.org.br. (Unidas/AssPreviSite)
-
LANÇAMENTO DA 10ª EDIÇÃO PRÊMIO
SINOG DE ODONTOLOGIA
Sinog
premiará dentistas
e estudantes de odontologia
Prêmio Sinog de Odontologia receberá os trabalhos
concorrentes até 15 de abril de 2011
O Sinog -
Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo, acaba
de lançar a 10ª edição
do Prêmio Sinog de Odontologia destinado a cirurgiões-dentistas
e estudantes de Odontologia. O tema escolhido para os cirugiões-dentistas é "Valorização
da Odontologia: Ações que contribuam para a ampliação
e fidelização da rede credenciada das operadoras
e que aprimorem a qualidade dos serviços prestados aos
beneficiários dos planos odontológicos", e
para os Estudantes de Odontologia, "Novas Tecnologias de
Imagem em Odontologia: Como essas ferramentas de diagnóstico
e controle de qualidade dos serviços odontológicos
podem contribuir para a segurança do cirurgião-dentista
e seu paciente e para o aperfeiçoamento da relação
do credenciado com a operadora de planos odontológicos".
A novidade
nesta edição é que, embora os
ganhadores anteriores das três últimas edições
não possam concorrer ao prêmio, os cirurgiões-dentistas
recém formados, com o registro profissional, e que tenham
participado na categoria de estudantes, nas edições
anteriores, poderão participar em 2011 dentro da respectiva
modalidade.
Na modalidade
cirurgiões-dentistas o prêmio é de
R$ 13 mil reais bruto, além de diploma e troféu.
Já para os estudantes de Odontologia, a premiação é R$
8 mil reais bruto, mais o diploma e o troféu e, caso o
trabalho vencedor tenha contado com a supervisão de um
professor orientador, o docente receberá como homenagem
uma menção honrosa e a participação
na solenidade de premiação, e a Faculdade de Odontologia
cujo trabalho apresentado por seu estudante for o vencedor também
receberá um troféu.
As inscrições para a 10ª edição,
com a entrega dos trabalhos, de ambas as categorias, poderão
ser feitas até o dia 15 de abril de 2011. O regulamento
completo do Prêmio Sinog de Odontologia está disponível
no endereço www.sinog.com.br/premio. A premiação
acontecerá durante o jantar oficial de abertura da feira
Hospitalar no dia 25 de maio de 2011, em São Paulo, em
local a ser divulgado. Mais informações poderão
ser obtidas através do e-mail secretaria@sinog.com.br
ou pelo telefone (11) 3289-7299.
O
Prêmio
Sinog de Odontologia
Idealizado
com o objetivo de valorizar o trabalho da classe odontológica e promover o desenvolvimento de pesquisas,
seja no setor acadêmico ou profissional, o prêmio
Sinog, criado em 2000, é anual e conta com temas diferentes
a cada nova edição.