08-04-11

 

Leia nesta edição:

- Médico de plano protesta e pressiona por negociação

- O câncer, a epidemia e a saúde pública

- Movimento médico comemora vitória em protesto

- Perspectivas para a saúde

- SUS não tem recursos porque gasto federal é pouco

- ANS publica normas para certificação de planos

- Registro Eletrônico de Saúde é divisor de águas

- Senadores manifestam apoio a protesto de médicos contra planos de saúde

- Paralisação de médicos reduz em 36% número de consultas no País

Sexta-feira, 08.04.11

Folha de São Paulo

Médico de plano protesta e pressiona por negociação

Profissionais fizeram paralisação contra valores que recebem de operadoras

Categoria afirma que adesão à greve de um dia foi de 70% no país; movimento foi normal, diz entidade de planos

Por Talita Bedinelli

DE SÃO PAULO

Médicos que atendem a planos de saúde pararam ontem os atendimentos, em protesto pelos valores que recebem, e fizeram em São Paulo uma passeata que reuniu cerca de 500 pessoas.

Eles prometem agora pressionar as operadoras por uma negociação rápida.

Os médicos reivindicam reajuste e que ele passe a ser anual. Também reclamam da interferência dos convênios, que, segundo eles, limitam o número de consultas e de exames por pacientes.

Ontem, afirmam, a adesão ao movimento foi de pelo menos 70% dos médicos de todo o país. Eles não atenderam pacientes dos planos, exceto casos urgentes e cirurgias.

Segundo a Orizon, empresa que gerencia o sistema que autoriza os procedimentos de 170 empresas de convênio, o número de consultas caiu 36% pela manhã, em relação a outras quintas-feiras.

Em São Paulo, a redução foi menor, de 29%; já a Bahia teve a maior redução: 73%.

A Folha visitou na capital paulista três prédios com grande número de consultórios. Em um deles, ouviu relatos de que o movimento de pacientes estava abaixo do normal. Nos outros dois, que estava normal.

No hospital Edmundo Vasconcelos, zona sul, médicos do ambulatório pararam.

"O envolvimento do movimento médico foi muito grande. Conseguimos transmitir para a sociedade que existem problemas e que precisam ser resolvidos", afirmou Florisval Meinão, da Associação Médica Brasileira.

Segundo ele, o movimento pretende se reunir com as operadoras de saúde para que elas apresentem uma proposta em até dois meses.

Há médicos que dizem que, se não houver acordo, podem "radicalizar", com descredenciamento em massa de planos que pagam pior.

A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), que congrega 15 grupos de operadoras, afirma que o reajuste dos médicos entre 2002 e 2010 chegou a 116,30% e que há aumento anual. Já as entidades médicas dizem que o reajuste das consultas entre 2003 e 2009 foi de 44%.

A FenaSaúde afirma que não observou comportamento fora da anormalidade ontem. A ANS (Agência Nacional de Saúde) diz que recebeu uma só reclamação por falta de atendimento médico.

OUTROS PROTESTOS

O Dia Mundial da Saúde, celebrado ontem, foi marcado por outros protestos.

Na frente da Secretaria Estadual da Saúde, cerca de 150 manifestantes de ONGs protestaram contra a lei estadual aprovada em dezembro que destina 25% dos leitos de hospitais públicos geridos por Organizações Sociais a pacientes de convênios.

Na avenida Paulista, outras 700 pessoas também protestaram contra o que chamaram de "privatização" da saúde, incluindo as parcerias público-privadas em hospitais municipais.

Folha de São Paulo

Tendências / Debates

O câncer, a epidemia e a saúde pública

Por Paulo M. Hoff

É preciso que o Brasil tenha muita iniciativa, vontade política e empenho para enfrentar o câncer, doença difícil e em franca ascensão

O que representa uma década quando o assunto é medicina oncológica e seus avanços?

Para alguns, pode parecer muito tempo, mas quem luta diariamente contra essa doença, complexa e cheia de mistérios, sabe que esse período não é longo.

Falamos em uma década porque, para o câncer, esse tempo é o suficiente para torná-lo adulto. E bem adulto. Estima-se que até meados deste século esta se torne a principal causa de mortes no país, ultrapassando as doenças cardiovasculares. Um dado que assusta, preocupa e merece atenção.

Nas últimas décadas, a medicina oncológica conquistou importantes vitórias. Vivenciamos o surgimento de novos medicamentos e tratamentos que aumentaram significativamente a chance de cura e sobrevida de nossos pacientes.

A evolução da genética, levando a identificação de genes responsáveis pela ampliação do risco de desenvolver alguns tipos de tumores, potenciais alvos para terapias dirigidas, além do desenvolvimento e disseminação de novos e modernos equipamentos, importantes para o combate ao câncer.

Tudo isso trouxe uma enorme evolução, que poderia ter sido verdadeira revolução se a doença não nos acompanhasse e nos desafiasse continuamente nesta maratona.

Atualmente, o Brasil conta com diversos hospitais de ponta, que são referência para o tratamento oncológico. Há alguns anos, essa excelência no atendimento aos pacientes com câncer concentrava-se principalmente nos hospitais particulares, mas felizmente um número cada vez maior de unidades voltadas para o atendimento dos pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) também passou a se destacar nessa área.

E dar atenção para a construção e o custeio desses centros de excelência é não parar de lutar contra a doença. Em 2008, o governo de São Paulo e a Secretaria de Estado da Saúde investiram e inauguraram o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp), um bom exemplo da parceria entre tecnologia, qualidade e atendimento voltado para o SUS.

Três anos depois, o Icesp hoje é um dos melhores centros de referência de câncer do país, com atendimento mensal a quase 11 mil pacientes e com o maior parque radioterápico da América Latina.

Só no último ano, o instituto atendeu, na parte assistencial, mais de 12 mil novos casos de câncer. Um número assustador e que precisa ser levado a sério.

É preciso que o Brasil tenha muita iniciativa, vontade política e empenho para enfrentar o câncer, uma doença difícil e que está em franca ascensão. Com o envelhecimento da população, certamente teremos uma "epidemia" de casos de câncer no futuro próximo.

O caminho ainda é longo, mas a experiência do Icesp e de outras instituições de renome prova que temos profissionais altamente qualificados e as condições necessárias para incluir o Brasil entre as nações que lideram o mundo no combate ao câncer.

* Paulo M. Hoff, oncologista, é diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira e professor titular de oncologia da Faculdade de Medicina da USP.

CFM

Movimento médico comemora vitória em protesto

“Atingimos nosso objetivo com o protesto de 7 de abril. O alerta foi dado às operadoras de planos de saúde e à sociedade com relação aos problemas percebidos pela categoria médica. De agora em diante, esperamos que seja feita uma negociação real pelas empresas para acabar com a defasagem dos honorários e a interferência na autonomia dos profissionais”. Essa foi a avaliação do coordenador da Comissão Nacional de Saúde Suplementar (Comsu), Aloísio Tibiriçá Miranda, sobre o dia de mobilização dos médicos contra os planos de saúde.

Ele acompanhou a movimentação nos estados a partir de Brasília e recebeu, ao longo do dia, informes de várias entidades regionais. “Houve grande adesão em todos os estados. Recebemos relatos de que quantidade significativa de médicos participou do protesto e suspendeu suas atividades. No entanto, sem causar prejuízos para o usuário dos planos de saúde”, lembrou o coordenador, que também é vice-presidente do CFM. De acordo com Tibiriçá, os procedimentos desmarcados serão reagendados e os casos de urgência e emergência foram atendidos.

Em 30 dias os líderes do movimento de 7 de abril se reunirão para reavaliar o andamento das negociações com os representantes dos planos de saúde. Este trabalho será conduzido pelas entidades médicas em nível regional. Paralelamente, algumas outras iniciativas acontecerão na esfera política. Já está prevista a realização de uma audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o tema e encontrar uma solução. Contudo, os parlamentares responsáveis pela solicitação não descartam o pedido de abertura de CPI para apurar supostas irregularidades na saúde suplementar.

No Senado – Pela manhã, a Paralisação dos Médicos chegou também ao Congresso Nacional. A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal promoveram audiência pública especial em torno das reivindicações dos médicos. Sensibilizado pelo apelo dos profissionais, o senador Paulo Paim (PT-RS), presidente do grupo, anunciou a criação de uma subcomissão de saúde dentro da Comissão. “Esta mobilização dos médicos é um grito do povo brasileiro em relação à saúde”, ressaltou o parlamentar.

O coordenador do movimento, Aloísio Tibiriçá Miranda, que participou da audiência, propôs aos senadores a montagem de uma agenda comum, inclusive com visitas aos hospitais públicos para constatar a situação da oferta da assistência sob a ótica dos direitos humanos. Paulo Paim transformou o pedido em ato normativo diante do 3º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes, e do conselheiro suplente de Alagoas, Alceu Pimentel, que também compareceram no Senado.

Durante a audiência, o senador Paulo Davim (PV-RN) defendeu a paralisação dos médicos por acreditar que o trabalho com a vida é um “direito sacrossanto”. Por outro lado, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) enfatizou que o Congresso Nacional já tem o diagnóstico da calamidade da saúde só falta ação. “É um sistema perverso que maltrata o médico”.

Outro parlamentar que saiu em defesa da causa médica foi o sergipano Eduardo Amorim (PSC-SE). Para ele é uma perversidade que os planos de saúde sejam reajustados regularmente sem que os valores pagos aos médicos também o sejam. “Os médicos ainda recebem por uma tabela da década de 90 e muitos convênios se aproveitam disso. Assistimos o reajuste ser somente para o usuário. É justa a reivindicação da categoria médica”, apontou.

Estado de Minas

Perspectivas para a saúde

Por Henrique M. Salvador Silva

O governo da presidente Dilma Rousseff teve início em 1º de Janeiro, e o tema saúde já começa a ocupar lugar de destaque nas suas ações. A cada nova eleição, renova-se a esperança de que uma mudança significativa seja feita e que o sistema receba os investimentos apropriados e necessários para que o maior número de cidadãos brasileiros tenha acesso a uma saúde de qualidade e com eficiência. A presidente Dilma Rousseff posicionou a saúde como um tema prioritário de seu governo e tem se mostrado interessada em interagir com o sistema privado para construir um sistema de saúde justo. Um tema de grande relevância que deve nortear o setor este ano está relacionado aos modelos de remuneração dos hospitais e profissionais que atuam na saúde suplementar. Essa questão é imediata, já que envolve a saúde financeira de hospitais e operadoras. Em discussão desde o ano passado na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a proposta em análise sugere uma nova sistemática, com um modelo mais focado em serviços. Desta forma, a receita primária dos hospitais estaria subordinada aos serviços prestados, garantindo assim melhor desempenho ao setor. A ANS completa 10 anos de atuação neste ano e a chamada Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/1998) chega aos 11 anos. É incontestável que a população foi beneficiada, em inúmeros aspectos, com a regulação do setor de saúde privado. Nesta última década, este segmento vem passando por uma significativa transformação, impulsionadas, entre outros motivos, pela profissionalização tardia do setor.

Nos últimos 10 anos, foi possível também observar inúmeros avanços na gestão das instituições, na implantação de sistemas de atendimento integrados, na busca por uma relação ainda mais harmoniosa entre pacientes, profissionais e hospitais. Tivemos também um aumento de serviços e uma eficiência aliada ao incentivo da implementação de protocolos assistenciais e indicadores de qualidade, que atestam a eficácia do sistema. Mas, para garantir a sustentabilidade do setor, principalmente com as constantes movimentações do mercado, a ANS precisa desempenhar um papel mais regulador. Desta forma, passaria a regulamentar apenas pontos mais críticos do segmento para focar esforços em iniciativas que visam a promover o equilíbrio nas relações entre os envolvidos na saúde suplementar. Como os interesses de cada player são muito diferentes, isso ajudaria no sentido de manter a atenção no envolvimento e, principalmente, entendimento entre todos com o objetivo de beneficiar os pacientes e usuários do sistema.

Hoje o país tem cerca de 46 milhões de beneficiários em planos de assistência médica e mais de 58% do total de gastos do setor vem da saúde suplementar. É preciso entender que o sistema de saúde é um só e que não há como prescindir o público do privado. Identificar oportunidades de sinergia, por meio de parcerias público-privadas (PPPs), é uma das alternativas que proporcionará o aproveitamento do que cada um tem de melhor. Para fazer uma única citação, lembro que os hospitais privados têm grande acesso à tecnologia de ponta, que também poderia ser compartilhada. O uso destes equipamentos poderia ser direcionado para realização de exames de pacientes de hospitais públicos, durante seus períodos de ociosidade. Uma ação como essa poderia ser feita em cidades e municípios carentes no acesso a exames de diagnóstico, como ultrassonografia e ressonância magnética.

Os benefícios de iniciativas semelhantes não param por aí. Temos modernos institutos de pesquisa na rede privada, que podem servir de estímulo às instituições públicas, com treinamentos focados em profissionais que atuam na rede pública. Estas capacitações devem contemplar módulos relacionados tanto à parte assistencial, quanto de administração e de gestão de recursos. Seguindo neste raciocínio outra iniciativa seria ampliar as parcerias entre hospitais privados e o Ministério da Saúde. Em junho de 2009, o ministério firmou convênio com seis hospitais privados, denominados hospitais de excelência, em prol do Sistema Único de Saúde (SUS). Pelo convênio, estas instituições desenvolvem ações de qualificação da gestão, redefinição do foco de hospitais federais, entre outras competências. Ampliando ações como esta, poderíamos maximizar a sinergia entre privado e público, sendo este último expressivamente beneficiado pela expertise de importantes instituições hospitalares brasileiras.

Vivemos um momento de consolidação do setor hospitalar privado. Neste sentido, faz-se importante destacar que a harmonia entre lucro e qualidade é imprescindível para os usuários dos serviços de saúde. Empenhados com a melhoria do atendimento assistencial, as instituições destinam esforços para a excelência na gestão. Parte deste reconhecimento está relacionado aos certificados de qualidade, a exemplo das Acreditações da Joint Commission International, National Integrated Accreditation for Healthcare Organizations, Organização Nacional de Acreditação e Canadian Council for Health Services Accreditation. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Consultor Jurídico

SUS não tem recursos porque gasto federal é pouco

Por Élida Graziane Pinto

A última pauta da agenda sobre a política pública de saúde no Brasil aponta para um falso dilema. A sociedade está sendo assediada pela ideia de que, para resolver o subfinanciamento do setor, seria imperativa a recriação da CPMF ou de outra congênere.

É falso o dilema porque o financiamento do Sistema Único de Saúde - SUS é problema mal concebido e resolvido desde a sua instituição na Constituição de 1988. Não houve, como até o presente momento não há, em bases permanentes, distribuição de responsabilidades federativas, nem tampouco uma clara regra de equilíbrio entre receitas disponíveis e despesas a serem cobertas.

A primeira referência do quanto deveria ser empregado para o financiamento do SUS foi feita no artigo 55 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, o qual previra a destinação de 30% do Orçamento da Seguridade Social – OSS ao setor da saúde. Embora tal regra transitória não seja mais juridicamente aplicável, vale a pena simular o quanto ela aportaria de recursos para o SUS atualmente.

Em 2011, à luz da Lei Orçamentária vigente, tal proporção verteria para as ações e serviços públicos de saúde cerca de R$ 150 bilhões, ao invés dos aproximadamente R$ 65 bilhões previstos.

Por outro lado, caso fossem aprovados os projetos de lei complementar que tramitam no Congresso Nacional (PLP 01/2003, da Câmara; e PLP 121/2007, do Senado) com o objetivo de regulamentar a Emenda Constitucional 29, de 2000, teríamos um dever de gasto público federal, dentro do Orçamento Geral da União, na casa dos R$ 100 bilhões.

É, precisamente, da falta de normas claras e obrigações consistentemente progressivas para os gastos públicos de responsabilidade federal e dos diversos Estados que se alimenta o conflito distributivo que precariamente financia o SUS. Daí a passarmos ao impasse sobre se a saúde deve ter, ou não, uma contribuição social exclusivamente sua, é um pulo...

Mais do que apenas criar um novo tributo (o qual poderia ser uma solução complementar, mas não suficiente), a área da saúde precisa ter um arranjo protetivo estável na Constituição, tal como já ocorre com a área da educação.

A despeito do caráter solidário desenhado inicialmente na Constituição de 1988 para o sistema da seguridade social, os gestores das políticas de saúde, assistência social e previdência social cuidaram de puxar a preciosa sardinha tributária para o seu lado. Paralelamente a isso, a União descentralizava despesas e reconcentrava receitas, em detrimento do pacto federativo e do próprio dever de expandir seu gasto público com o SUS.

Para resolver seu lado do conflito, a previdência social conseguiu segregar suas fontes próprias de receita no artigo 195 da Constituição, com o advento da Emenda 20/1998. Já a saúde implorava politicamente por uma nova sistemática de financiamento que lhe conferisse estabilidade mínima e recursos suficientes para a implantação e expansão do SUS.

Assim é que foi instituída, em 1996, a CPMF, a qual – após sucessivas emendas constitucionais – foi prorrogada até 2007, quando, enfim, teve sua última proposta de prorrogação rejeitada pelo Senado.

Tal contribuição teria sido uma solução adequada para o problema do subfinanciamento do SUS não fosse a vigência da desvinculação de receitas da União – DRU que lhe retirava, na fonte, 20% do produto da sua arrecadação, assim como a própria competição de outros setores. Ou seja, a CPMF que foi criada para a saúde tornou-se cobertor curto a ser dividido com a previdência social, com o combate e erradicação da pobreza e com a DRU... Na verdade, a política pública de saúde tornou-se refém da perda da CPMF muito antes da rejeição à sua prorrogação em 2007.

Por tal conformação de forças políticas, no final da década de 1990, o setor empreendeu uma nova e quixotesca jornada em busca de uma fórmula constitucional de financiamento que dependesse menos de receitas exclusivas (como a CPMF). A solução encontrada tomou como modelo a política pública de educação, que goza de patamar mínimo de gasto público, na forma do artigo 212 da Constituição. Daí é que decorreu a promulgação da Emenda Constitucional 29, de 2000, com a promessa de estabilizar o custeio da saúde pública no país.

Com a Emenda 29, tal como ficou mais conhecida, os três níveis da federação foram obrigados a cumprir patamares mínimos de gasto, segundo o artigo 77 do ADCT. Esse dispositivo determina que os municípios apliquem 15% e que os estados apliquem 12% das suas receitas de impostos e transferências constitucionais, enquanto a União deveria manter o seu patamar de gasto do ano anterior, corrigindo-o apenas pela variação nominal do PIB.

Passados dez anos da sua edição, podemos sinceramente avaliar como não cumprida a promessa da Emenda 29 de conferir estabilidade e suporte mínimo de recursos para o SUS. Por essa razão é que ressurge, tal qual Fênix das cinzas, a promessa de que uma contribuição social exclusiva para a saúde poderia dar conta da pesada tarefa de estabilizar e fazer progredir o SUS.

Os quase 23 anos de vigência da Carta de 1988 e, concomitantemente, do SUS nos fazem suspeitar de que o seu subfinanciamento não será definitivamente resolvido por uma nova contribuição. Isso porque nada nos assegurará que parte dela não será novamente consumida pela DRU ou que a União não vá simplesmente retirar outras fontes de receita para manter o seu patamar de gasto estagnado na faixa de 1,7% do PIB.

É preciso rever o modelo definido no artigo 77 do ADCT, o qual já deveria ter sido substituído por lei complementar desde 2005. Eis a raiz do problema: há uma omissão inconstitucional na falta de regulamentação da Emenda 29 que torna nebuloso o horizonte e que esconde a mais flagrante verdade não revelada pela União.

Faltam recursos ao SUS, a despeito de a arrecadação federal bater recordes sucessivos e vertiginosos de crescimento, porque a União não tem nenhum dever de correlação de gasto mínimo na saúde em face do comportamento da sua receita.

Enquanto o gasto mínimo federal continuar sendo corrigido apenas pela variação nominal do PIB e a regulamentação da Emenda 29/2000 continuar sendo inconstitucionalmente negligenciada, o SUS sofrerá não é com a falta da CPMF, mas com a regressividade do gasto federal em saúde.

Falta dinheiro ao SUS porque falta obrigar a União, do mesmo modo que os estados e municípios estão obrigados: paga mais quem pode mais, na medida da sua disponibilidade de receita, sem vir cobrar a fatura da sociedade com a instituição de novos tributos. Eis o nó górgio da questão.

Diário do Nordeste

ANS publica normas para certificação de planos

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicará, até junho, as normas de acreditação das operadoras de saúde - processo de certificação feito por empresa independente a partir de critérios de qualidade. A intenção do órgão é que todas as operadoras busquem essa certificação para melhorar o atendimento.

InformationWeek / Saúde Business Web

Registro Eletrônico de Saúde é divisor de águas

Por Neil Versel

Segundo Centro Prevenção de Doenças, intercâmbio de informações ajuda médicos, hospitais e autoridades a monitorar surtos de doenças

Os registros de saúde eletrônicos (EHRs) são incentivados pelo governo federal dos Estados Unidos como auxílio na melhoria da saúde pública. De acordo com um agente de TI do governo, a comunidade da saúde pública está contando com a grande adoção e interoperabilidade entre médicos e hospitais para ajudar a identificar a responder a futuros surtos de doenças.

"As agências públicas de saúde, desde as locais de cada estado até as federais, têm construído tecnologia de informação há anos, mas como não temos conexões com todos, não temos muitas informações para compartilhar", afirmou o diretor de informática da saúde pública e escritório do programa de tecnologia no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Seth Foldy. "No futuro, supomos que a maioria dos nossos aliados na saúde pública estarão assentados com seus EHRs".

Ao falar do Instituto para Transformação Tecnológica da Saúde, Foldy destacou alguns dos sucessos que a saúde pública teve com a troca de informações de saúde (HIE). Segundo Foldy - um médico de família, ex-chefe das agências de saúde pública para a cidade de Milwaukee e o estado de Wisconsin e cofundador do Wisconsin Health Information Exchange - os registros de imunização representam "o HIE original".

Ele afirmou que a resposta ao surto de pandemia de 2009 do vírus H1N1 representou o maior esforço de vacinação em massa na história dos Estados Unidos. Graças aos registros de imunização online, as agências públicas de saúde foram capazes de controlar a administração da vacina e colaborar com as companhias de seguros para identificar os inscritos de alto risco que ainda não haviam recebido a injeção.

Em 2003, enquanto era comissário do departamento de saúde da cidade de Milwaukee, Foldy ajudou a conceber e implementar rapidamente uma rede entre quatro estados para detectar potenciais casos da síndrome respiratória severa aguda (SARS), com base no relato de sintomas de departamentos de emergência hospitalar. Esse episódio demonstrou a Foldy o poder de "transformação" da comunicação eletrônica de dados de laboratório.

"Sabemos que esse é um divisor de águas em termos de relatórios eletrônicos sobre doenças transmissíveis", disse Foldy. Relatórios manuais são um processo lento e trabalhoso, a transmissão eletrônica dos resultados dos testes acelera enormemente a capacidade das autoridades de saúde pública para identificar as epidemias e pandemias. Segundo Foldy, também disponibiliza dados que os hospitais nem sabiam que eram reportáveis.

Ele também falou de um surto de Cryptosporidium no abastecimento de água de Milwaukee em 1993 - cerca de três anos após assumir o departamento de saúde - que afetou quase um quarto de população da região, apresentando diarreia, desidratação e febre.

Depois que os funcionários identificaram que a doença vinha da água e não era epidemiológica, a cidade construiu um "medidor de diarreia" eletrônico para acompanhar os casos relatados.

"Nosso sistema escolar inteiro foi assolado por esse vírus", relatou Foldy. O CDC recomendou que Milwaukee cancelasse as aulas, mas isso envolvia fechar 10% da capacidade da saúde pública, uma vez que as enfermeiras escolares e outros profissionais de saúde viam tantas crianças. O banco de dados da cidade ajudou a manter as escolas abertas.

"O objetivo da informática é agregar valor. A saúde pública é um dos casos mais utilizados no mundo para compartilhar informações de saúde".

Quando há uma mudança na política de saúde, tal como quando uma pesquisa mostrou que a aspirina era uma maneira efetiva e barata de prevenir e tratar ataques cardíacos, os médicos distribuem panfletos para pacientes se lembrarem de os entregar. "Essa não é a maneira mais eficiente de usar a informática", disse Foldy.

Médicos não têm tempo de ler alertas enviados por fax até que muitos casos tenham sido identificados, apontou Foldy, então por que as agências de saúde não deveriam mandar alertas eletrônicos diretamente nos EHRs, assim que fossem identificados como surtos?

Segundo Foldy "Há um grande negócio nos cercando" ao garantir que comunicação eletrônica tenha sucesso na aceleração de troca de dados.

Quinta-feira, 07.04.11

Agência Senado

Senadores manifestam apoio a protesto de médicos contra planos de saúde

Por Ricardo Koiti Koshimizu

No Dia Mundial da Saúde, comemorado nesta quinta-feira (7), médicos em diversas cidades do país paralisaram as atividades vinculadas aos planos de saúde. Eles protestam contra a remuneração paga pelas operadoras e a forma de atuação dessas empresas. Durante reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), vários parlamentares manifestaram apoio à iniciativa.

O senador Paulo Davim (PV-RN) afirmou que é necessário denunciar o "abuso" das empresas e que não se pode aceitar o "aviltamento" do pagamento feito aos médicos, que, em sua opinião, são tratados de forma desrespeitosa. As críticas foram reiteradas, entre outros, pelo presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), e pelo senador Eduardo Amorim (PSC-SE). Paulo Davim e Eduardo Amorim são médicos.

Representantes da categoria estiveram presentes à reunião da CDH, entre eles Aloísio Miranda, um dos vice-presidentes do Conselho Federal de Medicina. Ao criticar a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), ele declarou que o órgão "está muito mais voltado para as operadoras do que para os médicos".

Aloísio Miranda sugeriu que o Congresso forme uma comissão para visitar os hospitais públicos do país.

- O Congresso tem que sair para conhecer a vida real da população - disse.

Saúde Business Web

Paralisação de médicos reduz em 36% número de consultas no País

Empresa especializada na integração de serviços com operadoras afirmar que greve tem atingido mais seguradoras e autogestões

Já nas primeiras 12 horas da paralisação dos médicos, que acontece nesta quinta-feira (7), houve uma queda de 36% no número de atendimentos em todo o País. Com margem de erro de 1%, estudo também mostra o impacto nos principais Estados.

A pesquisa foi realizada pela Orizon, empresa especializada na integração de prestadores de serviços com operadoras de saúde. O estudo utilizou informações geradas pelo seu sistema, com um mapeamento comparou as consultas eletivas de hoje, dia da paralisação, com outros dias de mesmas características de sazonalidade.

O levantamento também identificou que a paralisação está com maior penetração entre as seguradoras e autogestões, com 51% de redução no atendimento nesta manhã. O menor impacto é percebido em Unimeds, com 20% de redução em número de consultas médicas.

AGENDA


- ClasSaúde 2011

Evento acontece na cidade de São Paulo, SP.

"Saúde e os Desafios Econômicos, Humanos e Ambientais" é o tema central dos seis congressos que compõem o ClasSaúde 2011, evento oficial da Hospitalar 2011 que acontece de 24 a 27 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Promovido pela Confederação Nacional de Saúde (CNS), Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Fenaess), Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SINDHOSP) e HOSPITALAR Feira + Fórum, o ClasSaúde já se consolidou como palco das principais discussões que norteiam o setor.

Integram o ClasSaúde 2011 os seguintes eventos: 16º Congresso Latino-Americano de Serviços de Saúde; o 6º Congresso Brasileiro de Gestão em Clínicas de Serviços de Saúde; 5º Congresso Brasileiro de Gestão em Laboratórios Clínicos (evento realizado em conjunto com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial - SBPC/ML); 4º Congresso Brasileiro de Tecnologias da Informação e Comunicação em Saúde; 2º Congresso Brasileiro de Aspectos Legais para Gestores e Advogados da Saúde; e 2º Congresso de Gestão e Políticas em Saúde Mental.

O Congresso Latino-Americano é o evento internacional do ClasSaúde e está dividido em três módulos: Sistema de Saúde Público-Privado, Saúde Suplementar e Capacitação Profissional. "Esse ano a questão ambiental entra em discussão.

O site do ClasSaúde (http://www.classaude.com.br/) estará no ar no início de março e trará os programas dos eventos, composição das comissões científicas, valores das inscrições, pacotes de viagem, notícias e demais informações sobre os eventos. As inscrições também estarão abertas no mesmo período, com desconto para associados da CNS, Fenaess, SINDHOSP e SBPC/ML (estes últimos apenas para o Congresso de Laboratórios Clínicos).

Data: De 25 a 28 de maio de 2011

Local: Expo Center Norte

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – São Paulo, SP

Mais informações: http://www.classaude.com.br/


- Custos na Saúde e Pagamento por Pacotes

25 e 26 de abril de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

- Fornecer elementos para análise da constituição e do perfil dos custos da assistência à saúde no mercado de saúde suplementar e a sua racionalização mediante formatação de pacotes para o pagamento dos serviços.

- Fornecer noções de Economia Básica e de custos em geral.

- Identificar os componentes dos custos na assistência à saúde.

-Identificar fatores que agravam os custos na saúde

-Destacar mecanismos de regulação na utilização dos serviços de saúde e o seu reflexo nos custos assistenciais.

- Avaliar o sistema de gerenciamento de custos na assistência à saúde no mercado de saúde suplementar.

- Avaliar a repercussão da atuação da ANS, do Poder Judiciário, Ministério Público e PROCON nos custos de assistência à saúde.

-Identificar vantagens e desvantagens no pagamento por pacotes.

-Analisar recomendações para formatação, formalização e operacionalização de pacotes.

Instrutor

Dr. Natanael Dantas Soares

Público Alvo

Gestores de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e profissionais de todas as áreas, que atuam no Mercado de Saúde.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br


- 2º Seminário dos Dirigentes e Gestores das Autogestões

A Sustentabilidade da Autogestão

11 e 12 de abril

Hotel Naoum Plaza Brasília

SHS - Setor Hoteleiro Sul, Quadra 05, Bloco H, Brasília DF

O evento, com repercussão nacional, é um importante ambiente de debate da área de assistência à saúde suplementar, sendo este o propósito maior da UNIDAS nos eventos que promove como forma de estimular a reflexão de todos os agentes da área da saúde. Com um público estimado em 200 participantes o "2º Seminário dos Dirigentes e Gestores das Autogestões em Saúde - A Sustentabilidade da Autogestão" terá o objetivo de promover um debate com os executivos das nossas instituições filiadas sobre as principais oportunidades e ameaças para o segmento de autogestão em saúde.

Informações

Para ser patrocinador dos eventos, entre em contato com a UNIDAS.

Informações adicionais e esclarecimentos poderão ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11) 3289-0855 ou e-mail seminario@unidas.org.br. (Unidas/AssPreviSite)

- LANÇAMENTO DA 10ª EDIÇÃO PRÊMIO SINOG DE ODONTOLOGIA

Sinog premiará dentistas e estudantes de odontologia

Prêmio Sinog de Odontologia receberá os trabalhos concorrentes até 15 de abril de 2011

O Sinog - Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo, acaba de lançar a 10ª edição do Prêmio Sinog de Odontologia destinado a cirurgiões-dentistas e estudantes de Odontologia. O tema escolhido para os cirugiões-dentistas é "Valorização da Odontologia: Ações que contribuam para a ampliação e fidelização da rede credenciada das operadoras e que aprimorem a qualidade dos serviços prestados aos beneficiários dos planos odontológicos", e para os Estudantes de Odontologia, "Novas Tecnologias de Imagem em Odontologia: Como essas ferramentas de diagnóstico e controle de qualidade dos serviços odontológicos podem contribuir para a segurança do cirurgião-dentista e seu paciente e para o aperfeiçoamento da relação do credenciado com a operadora de planos odontológicos".

A novidade nesta edição é que, embora os ganhadores anteriores das três últimas edições não possam concorrer ao prêmio, os cirurgiões-dentistas recém formados, com o registro profissional, e que tenham participado na categoria de estudantes, nas edições anteriores, poderão participar em 2011 dentro da respectiva modalidade.

Na modalidade cirurgiões-dentistas o prêmio é de R$ 13 mil reais bruto, além de diploma e troféu. Já para os estudantes de Odontologia, a premiação é R$ 8 mil reais bruto, mais o diploma e o troféu e, caso o trabalho vencedor tenha contado com a supervisão de um professor orientador, o docente receberá como homenagem uma menção honrosa e a participação na solenidade de premiação, e a Faculdade de Odontologia cujo trabalho apresentado por seu estudante for o vencedor também receberá um troféu.

As inscrições para a 10ª edição, com a entrega dos trabalhos, de ambas as categorias, poderão ser feitas até o dia 15 de abril de 2011. O regulamento completo do Prêmio Sinog de Odontologia está disponível no endereço www.sinog.com.br/premio. A premiação acontecerá durante o jantar oficial de abertura da feira Hospitalar no dia 25 de maio de 2011, em São Paulo, em local a ser divulgado. Mais informações poderão ser obtidas através do e-mail secretaria@sinog.com.br ou pelo telefone (11) 3289-7299.

O Prêmio Sinog de Odontologia

Idealizado com o objetivo de valorizar o trabalho da classe odontológica e promover o desenvolvimento de pesquisas, seja no setor acadêmico ou profissional, o prêmio Sinog, criado em 2000, é anual e conta com temas diferentes a cada nova edição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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