Leia
nesta edição:
- Energia,
ambiente e saúde concentram as atenções
- Lobão: dinheiro do pré-sal não é alternativa
para custear Saúde
- A doença financeira da saúde
- Mantega
e Lobão
brigam por imposto
- Defesa da CPMF atende a interesses de Cabral
- A saúde
exausta
- ANS adia prazos adiados
- Começa nova etapa da paralisação dos
médicos de SP
- Dupla porta
- Mais R$1,5
bi para pesquisar remédios
- Cirurgia
bariátrica exige visita ao médico
- USP testa
nova técnica
contra diabetes
- O SUS particular
- Bactéria
contra dengue
- “Hospitais
se concentram em resultados de baixo alcance”
- Brasil:
35º em
lista de atendimento infantil
- Um zagueiro na defesa de mais verba
- Governo:
Busca de recurso para a saúde no pré-sal
- Dos 27
estados, 13 não aplicam em Saúde o mínimo
previsto em lei
- Dinheiro
e saúde
- Prazo máximo
para atendimentos
- Câmara vai realizar comissão geral para discutir
regulamentação da Emenda 29
- Agência Câmara promoverá chat sobre regulamentação
da Emenda 29
Quinta-feira, 08.09.11
Valor
Econômico
Energia,
ambiente e saúde concentram as atenções
Energia,
meio ambiente e saúde são as áreas
que mais devem gerar projetos inovadores nos próximos
anos, segundo especialistas dos Estados Unidos, Reino Unido,
Alemanha e China, reunidos em São Paulo no 4º Congresso
Brasileiro de Inovação na Indústria. Apesar
de cada país usar uma estratégia de inovação
diferente, os cientistas concordam que, para obter melhores resultados
no setor, é preciso criar metas de investimento de acordo
com as expertises de cada nação.
"O Brasil não pode pensar em uma política
de inovação apenas doméstica, mas internacional,
e investir em áreas onde já tem estratégias
definidas, como é o caso do etanol", diz o americano
Andrew Wykoff, diretor de inovação e tecnologia
da Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), associação
que reúne 34 países.
Para Wykoff,
se o país não aumentar o percentual
de investimento em inovação em relação
ao Produto Interno Bruto (PIB) vai perder lugar na venda de bens
e serviços no mercado internacional. O Brasil investe
cerca de 1% do PIB no setor. Os EUA aplicam 2,7% do PIB em inovação
e o Japão, 3,4%.
Inovar inclui
riscos econômicos, tecnológicos e
de mercado, segundo Richard Miller, diretor da Technology Strategy
Board, agência de inovação criada pelo Reino
Unido em 2007. "A receita para garantir resultados na área é planejar
a longo prazo e saber o momento certo de aplicar em determinado
setor", explica. "Não adianta investir em um
segmento que não vai existir no futuro, mas encontrar
os parceiros certos para levar projetos adiante."
A agência britânica investiu mais de 1 bilhão
de libras por ano, nos últimos quatro anos. Apoia 1,3
mil projetos, como o do novo Jaguar "verde", com motores
elétricos, e está construindo dois centros de pesquisa
para o estudo de células-tronco.
Na Alemanha,
a Siemens investiu € 3,4 milhões em
pesquisa e desenvolvimento, no ano passado. "Temos 30 mil
engenheiros, sendo 18 mil especializados em software", diz
o vice-presidente de tecnologia da empresa, Heinrich Stuckenschneider.
Para o executivo, os países devem dar prioridade a áreas
com maior necessidade de projetos, como sustentabilidade e mudanças
climáticas.
Até outubro, a Siemens coloca em operação
um novo setor de negócios, para atender demandas para "cidades
sustentáveis e inteligentes". As soluções
devem cobrir áreas como segurança, reciclagem de
materiais, abastecimento de água e transportes.
Para Anthony
Townsend, diretor de desenvolvimento tecnológico
do Institute For the Future, organização de pesquisa
do Vale do Silício, na Califórnia, as cidades estão
se tornando grandes laboratórios para a criação
de novas soluções - e o Brasil pode tirar proveito
disso. "Países como Índia e China só terão
o mesmo índice de urbanização do Brasil
daqui a 50 anos", compara. "Por isso, as potencialidades
brasileiras no campo da inovação são enormes."
Na China,
1,8% do PIB do país já é revertido
para pesquisa e desenvolvimento, segundo Bai Chunli, presidente
da Academia Chinesa de Ciências. Em 2009, o país
produziu 977 mil patentes, ocupando o terceiro lugar no ranking
mundial, atrás de Japão e EUA.
Uma das diretrizes
de inovação da China é reunir
cientistas e profissionais da área industrial para desenvolver
projetos conjuntos. "A meta é elevar os investimentos
em P&D para 2,5% do PIB, até 2020", diz Chunli.
O Globo
Lobão: dinheiro do pré-sal não é alternativa
para custear Saúde
Por Adriana Vasconcelos, Vivian Oswald e Chico de Gois
Sem apoio
do Congresso para criar novo tributo, governo estuda outras
opções
BRASÍLIA. As resistências no Congresso à criação
de novo tributo para a Saúde não param de crescer,
a despeito da mobilização de governadores pela
volta da CPMF. Até petistas refutam a ideia, como reafirmou
ontem o presidente da Câmara, Marco Maia (RS). Diante do
impasse, o governo analisa alternativas. A vinculação
formal de parte dos recursos do pré-sal, admitida pela
presidente Dilma Rousseff semana passada e discutida no governo,
não resolve o problema imediato dos estados, pois é vista
como solução parcial e com resultado a longo prazo.
O ministro
de Minas e Energia, Edison Lobão, reforçou
ontem, após o desfile de Sete de Setembro, que não
se pode contar já com recursos do pré-sal:
- O pré-sal vai produzir daqui a sete, oito anos. Portanto,
não podemos distribuir recursos que ainda não existem.
A Saúde precisa de recursos já, e o governo está preocupado
com isso, procurando soluções.
A preocupação dos governadores é porque,
a partir da regulamentação da Emenda 29 - que dispõe
sobre o financiamento da Saúde -, terão de investir
mais no setor. A regulamentação deve ser aprovada
pela Câmara dia 28. Governo federal e governadores não
sabem de onde tirar recursos e defendem o caminho mais fácil,
um novo tributo.
- O pré-sal não vai dar dinheiro antes de 2020.
A demanda da Saúde é de mais R$30 bilhões
por ano, e os royalties e participações especiais
do petróleo em 2010 representaram R$20 bilhões
- disse ontem o presidente nacional do PP, senador Francisco
Dornelles (RJ).
Recursos
de royalties não seriam suficientes
O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), ex-ministro
da Saúde, pondera que a lei que criou o Fundo Social do
pré-sal prevê que o dinheiro vá também
para Educação, Ciência e Tecnologia e combate à miséria.
- Será que o pré-sal vai render recursos em quantidade
para isso tudo? Vai demorar para esse dinheiro chegar - disse
o senador, sugerindo a criação de tributo para
os ricos.
O relator
do projeto dos royalties do pré-sal na Câmara,
Fernando Jordão (PMDB-RJ), deve propor, em relatório
semana que vem, percentual específico de destinação
dos recursos do fundo do pré-sal para a Saúde.
Ainda que
os recursos demorem a entrar no caixa do governo, o fundo já contará, a partir de 2012, com dinheiro
que o governo federal arrecada com royalties e participação
especial dos campos de petróleo. Mas esse dinheiro não
seria suficiente. Em 2010, ele somou R$9,6 bilhões - bem
menos que os R$30 bilhões que os governadores esperam
do novo tributo para a Saúde.
A recriação
da CPMF perde apoios a cada dia. Ontem, Marco Maia afirmou:
- Temos de
buscar, a partir do que temos, alternativas para a Saúde. A criação de imposto não
está no nosso horizonte.
O
Estado de São
Paulo
A
doença financeira da saúde
Por
José Serra
No próximo dia 13 de setembro, fará 11 anos a
Emenda Constitucional n.º 29 (EC 29), que criou vinculações
orçamentárias para a saúde. Na Câmara
dos Deputados, o projeto passara com facilidade, apoiado por
todos; entre os senadores, o percurso foi difícil, dada
a pressão contrária de muitos governadores. A emenda
deu certo: de lá para cá, os recursos reais da
saúde aumentaram em termos absolutos e como fatia do PIB,
embora isso se deva mais a Estados e municípios do que
ao governo federal. A participação do Ministério
da Saúde nos gastos do setor caiu de 53% para 47% no período,
aumentando os encargos dos governos estaduais e municipais.
A EC 29 previa
que se votasse, até 2004, uma lei complementar
que a regulamentasse, mas o governo Lula evitou o assunto, precisamente
para não aumentar sua fatia nas despesas do setor. Agora,
o Congresso diz que vai votá-la até o fim deste
mês.
Por que foi feita a EC 29?
Para o bem
ou para o mal, a Constituição de 1988
acabou ampliando e reforçando as vinculações
orçamentárias diretas e indiretas. Mas a saúde
ficou de fora e, num mundo orçamentário rígido,
virou colchão amortecedor de crises e apertos fiscais.
Tudo piorou
quando, já no governo Collor, o Fundo de
Investimento Social (Finsocial), que abastecia a saúde
de recursos, foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF),
abrindo uma tremenda crise, só atenuada por socorro do
Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Na época de Itamar
Franco, a fatia da saúde nas receitas da Previdência
foi extinta junto com o Inamps, de quem o Ministério da
Saúde recebeu as unidades hospitalares e ambulatoriais.
Eu era ministro
do Planejamento quando o titular da Saúde,
Adib Jatene, tomou a iniciativa da criação da CPMF
vinculada ao setor, mas já não estava lá quando
ele conseguiu aprová-la em outubro de 1996. Adverti, então,
que, sendo a receita prevista com a CPMF menor do que as despesas
federais com saúde, o aumento dos recursos da área
não era garantido, pois outras receitas que financiavam
o ministério poderiam ser redirecionadas para outros gastos
sociais. E isso aconteceu.
Quando, no
início de 1998, o presidente Fernando Henrique
convidou-me para assumir o Ministério da Saúde,
acertamos promover algum mecanismo que defendesse o setor. Por
isso, no ano seguinte, fizemos um substitutivo a um projeto do
deputado Carlos Mosconi, economizando, assim, prazos de tramitação.
A fim de evitar as incertezas de possíveis reformas tributárias,
preferimos vincular recursos ao índice do PIB nominal
- a cada ano, o orçamento federal para a saúde
deveria ser reajustado, no mínimo, pela variação
desse índice do ano anterior. Para os Estados e municípios,
a vinculação fez-se às receitas líquidas:
12% e 15%, respectivamente, a serem atingidos em cinco anos.
Diga-se que,
a partir da EC 29, a CPMF e a saúde se divorciaram.
A obrigação do governo federal passou a ser a de
cobrir o financiamento mínimo do setor, independentemente
das origens dos recursos. Por isso, o sumiço da CPMF em
2008 não retirou recursos da saúde. No final de
2007, a fim de vencer a oposição do Senado à renovação
do tributo, o governo Lula acenara, na undécima hora,
com a possibilidade de destinar a receita da CPMF à saúde.
Não deu certo.
Se fosse
verdadeira a intenção de reforçar
o setor, em vez tentar renovar a CPMF, o governo Lula poderia
ter aprovado o projeto de lei complementar já citado,
contendo um tributo só da saúde. Ou poderia ter
destinado a ela parte do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF), cujas alíquotas foram aumentadas, a
fim de compensar a perda da CPMF. A receita do IOF subiu quatro
vezes de 2007 até 2011, quando será de R$ 30 bilhões.
Um terço disso teria elevado bastante os recursos federais
para a saúde. Mas essa não foi a prioridade nem
antes nem depois. Desde 2002, as despesas federais na área
cresceram abaixo das receitas correntes.
Diga-se que,
a partir da EC 29, a CPMF e a saúde se divorciaram.
A obrigação do governo federal passou a ser a de
cobrir o financiamento mínimo do setor, independentemente
das origens dos recursos. Por isso, o sumiço da CPMF em
2008 não retirou recursos da saúde. No final de
2007, a fim de vencer a oposição do Senado à renovação
do tributo, o governo Lula acenara, na undécima hora,
com a possibilidade de destinar a receita da CPMF à saúde.
Não deu certo.
Se fosse
verdadeira a intenção de reforçar
o setor, em vez tentar renovar a CPMF, o governo Lula poderia
ter aprovado o projeto de lei complementar já citado,
contendo um tributo só da saúde. Ou poderia ter
destinado a ela parte do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF), cujas alíquotas foram aumentadas, a
fim de compensar a perda da CPMF. A receita do IOF subiu quatro
vezes de 2007 até 2011, quando será de R$ 30 bilhões.
Um terço disso teria elevado bastante os recursos federais
para a saúde. Mas essa não foi a prioridade nem
antes nem depois. Desde 2002, as despesas federais na área
cresceram abaixo das receitas correntes.
A saúde precisa, sim, de mais recursos federais, e eles
tinham de ter saído e devem sair das receitas existentes.
Dentro do próprio setor há um mundo de possibilidades
de redefinição de custos e prioridades, questões
que saíram da sua agenda desde 2003.
E o que dizer
sobre a qualidade dos gastos federais? Dois pequenos exemplos:
cerca
de R$ 700 milhões poderiam ser destinados à saúde
com o simples cancelamento do projeto executivo do trem-bala,
essa grande alucinação ferroviária; outro
tanto poderia ser obtido cortando despesas com boa parte das
ONGs e festas municipais, no âmbito do Turismo, item escabroso
em desvio de recursos. E pode-se permitir, sim, que iguais montantes
virem emendas para a saúde, de forma criteriosa e controlada.
Em suma, trata-se de governar com prioridades claras, determinação
e, é claro!, com rumos, sabendo-se o que se quer.
Correio Braziliense
Mantega
e Lobão
brigam por imposto
Por
Diego Abreu / Júnia Gama / Josie Jeronimo
Durante desfile,
ministro de Minas e Energia diverge de proposta de utilizar
recursos
dos royalties para a saúde
Derrotado
na queda de braço com o Congresso para evitar
que a regulamentação da Emenda 29 seja votada,
o Palácio do Planalto acionou ministros e governadores
para buscar uma solução. Uma das alternativas ainda
em estudo apresentadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é o
financiamento da saúde por meio de recursos dos royalties
da exploração do petróleo na camada do pré-sal.
Ontem, porém, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão,
descartou que os royalties sejam boa ideia.
No começo da semana, o Congresso anunciou a criação
de comissão geral sobre o tema, que irá reunir,
principalmente, governadores interessados em encontrar nova fonte
de recursos para financiar gastos com a saúde. Mantega
está fazendo o meio de campo com os governadores, mas,
ao que tudo indica, não terá êxito em sua
proposta "de construir saída com os royalties do
pré-sal para a saúde".
O recado
foi dado por quem comanda a pasta responsável
pela exploração do pré-sal. Para Lobão,
a utilização dos recursos do petróleo não
seria uma alternativa viável para ampliar investimentos
em saúde. "É solução distante.
O pré-sal só vai começar a produzir daqui
a sete ou oito anos. Não podemos distribuir recursos hoje
que não existem", disse o ministro, na saída
do desfile de Sete de Setembro.
Para Lobão, a necessidade de recursos para a saúde é urgente. "A
saúde precisa de recursos já. O governo está preocupado
com isso e procura outra solução. Quando o pré-sal
estiver produzindo, examinaremos", destacou. E foi enfático
sobre a possibilidade de a Petrobras investir na saúde: "Os
recursos da Petrobras são para investir na exploração
de petróleo. Saúde é do orçamento
da República."
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, também
presente na celebração do Dia da Independência,
repetiu a necessidade em ampliar o montante de verbas, mas não
falou de onde virá o dinheiro. Ele transferiu para os
parlamentares a responsabilidade de encontrar solução. "Confio
no Congresso para garantir a aprovação de regras
claras e estáveis, e fontes de recursos para a saúde",
disse.
O ministro-chefe
da Secretaria-Geral da Presidência da
República, Gilberto Carvalho, comentou que o governo não
tem projeto pronto sobre a possibilidade de utilizar os recursos
do petróleo. "O governo ainda não tem posição
firmada (sobre financiar a saúde com royalties). A emenda
29 por si não resolve o problema do financiamento, mas
ainda estamos estudando, não temos uma ideia amadurecida."
Previdência
Não é somente a área da saúde que
está de olho nos recursos que virão dos royalties
do pré-sal. O ministro da Previdência, Garibaldi
Alves, enxerga a riqueza do petróleo como uma saída
para o deficit do setor. "A Previdência vai fazer
estudos (para pleitear financiamento com recursos do pré-sal),
pois há um desafio a longo prazo, e o pré-sal tem
essa semelhança de um calendário de recursos",
afirmou.
É solução distante. O pré-sal só vai
começar a produzir daqui a sete ou oito anos. Não
podemos distribuir recursos hoje que não existem"
Edison Lobão,
ministro de Minas e Energia
Valor
Econômico
Defesa da CPMF atende a interesses de Cabral
Por Paola de Moura, do Rio
Mais de R$
1bilhão em jogo por ano e com o governo da
presidente Dilma Rousseff precisando de apoio para evitar a votação
da Emenda 29, o governador Sérgio Cabral iniciou nesta
semana uma empreitada em defesa do retorno da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF). Em uma solenidade da Polícia Militar, o governador
chegou a afirmar que o povo não reelegeu os parlamentares
que derrubaram a contribuição. "Aqueles que
derrotaram [sic] perderam as eleições. Aqueles
que acharam que estavam fazendo um bem para o povo, o povo não
os reconheceu. A grande maioria dos senadores contra a CPMF perdeu
a eleição. Cometeram um erro contra o país".
Mais do que
defender um imposto impopular com afirmações
que às vezes parecem inverossímeis, Cabral, segundo
um deputado de seu próprio partido, faz jogo de cena para
o governo federal e defende seus interesses no Estado. A presidente
Dilma não quer ser culpada pelo retorno da contribuição
e exigiu o apoio dos governadores.
Além disso, hoje, o Rio não aplica os 12% previstos
na lei m Saúde e ainda inclui na conta dos gastos saneamento,
o que não é permitido pela Emenda 29. Para cumprir
a lei, o governo do Rio teria que desembolsar mais de R$ 500
milhões a cada seis meses.
Cabral também diz que o dinheiro repassado aos Estados
pelo Ministério da Saúde não é suficiente
e reconhece que aumentar impostos "nunca é bom".
No entanto, defende a volta da CPMF como um imposto justo. "É bom
para o controle financeiro, a movimentação financeira
do país; tributa quem tem conta, o mais pobre infelizmente
não tem; e, ao mesmo tempo, financia a saúde, que é algo
fundamental já que a grande maioria precisa de saúde
pública". Mas, apesar da defesa do imposto, alega
que, no Rio, está reduzindo impostos.
O texto-base
da Emenda 29 já foi aprovado no Congresso.
O que está tramitando agora é a regulamentação.
Os deputados estão votando um destaque apresentado pelo
DEM, que pretende retirar do texto a parte que prevê a
criação de um novo imposto: a Contribuição
Social da Saúde (CSS), que seria cobrada nos moldes da
extinta CPMF, mas com alíquota menor. Os líderes
dos partidos entraram em acordo para finalizar a votação
no dia 28 de setembro.
O problema é que o projeto original do Senado estabelece
que a União aplique anualmente em ações
e serviços públicos de saúde 10% das receitas
correntes brutas, o que geraria despesas extra já na casa
dos bilhões. Por isso, o que o governo quer é adiar
a votação para que se chegue a uma conclusão
de onde viriam as receitas para cobrir tal despesa.
Já o projeto atual em votação prevê que
Estados deverão aplicar no mínimo 12% da receita
corrente bruta, e os municípios, 15%. O Distrito Federal
deverá aplicar 12% ou 15%, conforme a origem da receita,
que pode ser de um imposto de base estadual ou municipal. Para
o governo federal prevê apenas o que já está sendo
aplicado e mais a variação do PIB.
"O projeto que está na Câmara hoje não
prevê nenhum gasto adicional do Tesouro", afirma a
deputada Jandira Feghali. "O problema é que o governo
federal vem sofrendo pressão dos governadores". Jandira é relatora
do projeto de lei que prevê a regulamentação
do Imposto sobre Grandes Fortunas, que destinaria todos seus
recursos para a saúde. "O imposto está previsto
na constituição e nunca foi regulamentado. Nada
mais justo que destinar este dinheiro para a saúde".
Correio Braziliense
A
saúde
exausta
Por
Antônio
Machado, Brasil S.A
Governo e
Congresso tratam a saúde só como problema
de dinheiro, sem cogitar novas soluções
A volta em
versão envergonhada, já que não
assumida pelo governo, da discussão sobre a CPMF travestida
de Contribuição Social para a Saúde (CSS)
expõe, mais que a carência de um dos pilares do
Estado moderno — assim como a educação, a
assistência social, a segurança e a defesa nacional —,
o desvio das autênticas prioridades.
Nenhuma dessas
atividades esbanja opulência e, nem por
isso, há uma movimentação para criar um
tributo com a sua receita vinculada ao custeio das despesas setoriais,
não obstante haja no Congresso uma discussão avançada
para aumentar de 5% para 7% ou 10% do Produto Interno Bruto (PIB)
os repasses à educação.
O que se
destaca no jogo de pressões pela partilha da
arrecadação da União, estados e municípios
não é bem o interesse social acima de quaisquer
outras prioridades, mas o custeio da própria máquina
da administração pública em comunhão
com os partidos e atividades empresariais. Não há dinheiro
que chegue, embora o ônus tributário já seja
o maior entre países com renda per capita equivalente.
Para uma
arrecadação tributária total,
considerando a projeção do PIB de 2012 (R$ 4,5
trilhões) do projeto da Lei Orçamentária
Anual (LOA) enviado pelo governo Dilma Rousseff ao Congresso,
de R$ 1,6 trilhão (35,5% do PIB), soa como zombaria a
idéia de tirar a CPMF do cemitério em que foi enterrada
pelo Senado em dezembro de 2007.
A saúde ficou sem R$ 55 bilhões, a receita estimada
da CPMF para 2008. O que aconteceu? Para compensar a perda, o
governo aumentou a alíquota de alguns tributos, o Tesouro
terminou 2008 com R$ 75 bilhões de reforço no caixa,
R$ 20 bilhões acima do previsto com a CPMF, e a saúde...
Ela continuou para trás na fila de prioridades.
Dinheiro
havia e há, quando os gastos correspondem ao
que demanda a sociedade. Mas o presidente Lula fez campanha pela
reeleição, em 2008, acusando a oposição
de prejudicar o brasileiro. É a mesma charanga que o governador
do Rio, Sérgio Cabral, se pôs a tocar.
"Foi uma covardia a extinção da CPMF",
disse Cabral, argumentando que a falta do tributo "fez muito
mal" não a Lula, mas ao povo. É mesmo? Façamos
as contas. Em 2008, como vimos, a receita federal foi maior do
que teria sido com a CPMF. E nada mudou desde então.
Governadores
e prefeitos foram acionados pela presidente, que não quer aparecer sozinha patrocinando aumento de impostos.
Para eles, isso será inevitável com a Emenda Constitucional
29, que amplia e tipifica os gastos da União, estados
e municípios com a saúde.
Omissão dos políticos
Omite-se
que os excessos de arrecadação nos orçamentos
aprovados pelo Congresso têm sido recorrentes e em volume
suficiente para cobrir as carências da saúde. De
quanto mais ela precisa? Em 2010, segundo o então ministro
da Saúde, José Gomes Temporão, seriam R$
12 bilhões acima do que fora orçado, 7,5 vezes
menos que a receita adicional obtida no ano passado. Se os parlamentares
doassem uma fração de suas emendas ao orçamento,
estaria atendida boa parte do gasto previsto pela Constituição
e regulamentado pela Emenda 29.
Ela manda
os estados aplicarem o mínimo de 12% da receita
bruta em saúde, e municípios, 15%. À União,
por ora, basta aplicar a taxa de variação do PIB à parcela
desembolsada no ano anterior.
Farmácia-consultório
A questão vem torta desde a Constituição,
ao misturar a condição gratuita e universal da
saúde ao serviço estatizado. Não teria de
ser assim. Relevante é o serviço gratuito com qualidade,
não quem o oferece. Por isonomia, o SUS deveria ser ressarcido
ao atender pacientes de planos privados. Parcerias público-privadas
também poderiam ser acionadas. Postos de saúde
e hospitais públicos na cidade de São Paulo são
geridos com competência pelo Einstein.
Mais inovador é o projeto proposto na Câmara, segundo
o qual as farmácias poderiam contratar médicos
e operar ambulatórios. Nos EUA, supermercados, como Wal-Mart,
oferecem tal conveniência. Em convênio com o SUS,
dispensaria investimentos físicos, já que há farmácias
em todo lugar, ampliando o acesso da população à saúde.
Pré-sal para pós-CPMF
Soluções simples, eficazes e atestadas existem.
Não surgem porque a discussão está contida
pelos interesses corporativistas. Fato é que receita vinculada
contribui para reduzir o repasse voluntário para a área
protegida. É assim porque o Tesouro opera com caixa único
e o dinheiro não é carimbado. O provável é que,
a médio prazo, o dinheiro alocado na rubrica diminuam
em vez de aumentar. Dada a oposição à recidiva
da CPMF, o governo fala, agora, em usar royalties do pré-sal
na saúde. Gastar é mais fácil que pensar.
Política está algemada
A receita
vinculada é sempre uma ferramenta de gestão
ruim. Ela algema o governante, dificulta a integração
de setores afins, como saúde e saneamento, e impede mudanças
de ênfase no mesmo exercício ou mandato. "Por
que há a vinculação?", indagamos tempos
atrás.
Talvez para
blindar as rubricas sensíveis de juízos
como os do procurador-geral da República, Roberto Gurgel,
para quem o aumento salarial pleiteado pelo Ministério
Público não tira "um centavo" da saúde
ou educação. Como ter certeza disso, independentemente
da justiça do pleito, se o caixa é único,
com uma só origem: o bolso do contribuinte? É a
política que arbitra esses casos. O problema é fazê-lo
com o orçamento cada vez mais engessado. Eis a questão.
Seguros Dia-a-Dia
ANS adia prazos adiados
Os prazos
de atendimento para os diversos procedimentos cobertos pelos
planos de saúde privados, previstos na Resolução
259/2011 e que entrariam em vigor no próximo dia 19, foram
adiados pela ANS. As regras passam a valer só a partir
de 19 de dezembro, como as operadoras pretendiam para se ajustar
ao regulamento.
Segundo a
resolução 259, Os beneficiários
dos planos de saúde não poderão esperar
mais que sete dias por uma consulta com especialistas das áreas
de pediatria, clínica médica, cirurgia geral, ginecologia
e obstetrícia, entre outros prazos de atendimento.
A Tribuna On-line
Começa nova etapa da paralisação dos médicos
de SP
Os otorrinolaringologistas
da Baixada Santista vão interromper
o atendimento aos planos de saúde que se recusam a negociar
um aumento de verba com os médicos. A paralisação
acontece entre os dias 8 e 10 de setembro.
O protesto
atingirá cerca de 300 mil pacientes de sete
planos de saúde na região: Ana Costa Saúde,
Bluemed, Caixa de Pecúlios e Pensões de Santos,
Fundação São Francisco Xavier, Intermédica,Santa
Casa de Santos e Trasmontano.
Os médicos reivindicam o pagamento de R$ 80 por consulta,
sendo que hoje a remuneração não ultrapassa
R$ 30,00. A próxima categoria a parar será a dos
pediatras, entre os dias 14 e 16. Atendimentos de urgência
e emergência serão mantidos.
A categoria
também confirmou que vai aderir à paralisação
nacional de 24 horas programada para o dia 21 de setembro. Neste
dia, os médicos trabalharão normalmente. A única
diferença é que apenas as consultas e procedimentos
dos planos de saúde que não aceitarem negociar
serão suspensos durante 24 horas.
Veja
o cronograma de paralisação:
8 a 10 de setembro
Otorrinolaringologia
14 a 16 de setembro
Pediatria
16 a 19 de setembro
Cardiologia
19 e 20 de setembro
Ortopedia e traumatologia
21 a 23 de setembro
Pneumologia e Tisiologia
28 a 30 de setembro
Cirurgia
Plástica
EPTV
Dupla porta
Saúde vai recorrer de liminar que impede cessão
de leitos para convênios
Secretaria
diz que lei ajuda hospitais a ter ressarcimento dos planos
de saúde
A Secretaria
de Estado da Saúde de São Paulo irá recorrer
da liminar que impede a disponibilização de 25%
dos leitos de hospitais públicos estaduais, gerenciados
por organizações sociais (entidades sem fins lucrativos),
para particulares e planos de saúde.
Na semana
passada, o juiz Marcos de Lima Porte, da 5ª Vara
da Fazenda Pública concedeu a liminar pedida pelo MP proibindo
que o Estado celebre contratos de gestão, alterações
ou aditamentos de contrato de gestão com organizações
sociais e suspendendo os efeitos do Decreto Estadual nº 57.108/2011,
sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
Segundo a
assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde,
a finalidade da lei é permitir que os hospitais estaduais
gerenciados por organizações sociais possam ser
ressarcidos pela assistência médica que prestem
a pacientes beneficiários de planos de saúde.
“Este atendimento já acontece hoje, mas até agora
não havia possibilidade legal de cobrança, o que
acaba onerando o caixa do SUS em cerca de R$ 500 milhões
por ano”, afirma a secretaria em nota.
Sem a possibilidade
de cobrança de ressarcimento, a secretaria
diz que os hospitais estaduais gerenciados por organizações
sociais estão proibidos de cobrarem dos planos de saúde,
que usam as unidades públicas sem pagar nada por isso.
“É fundamental esclarecer que a regulamentação
da lei estadual já proíbe expressamente qualquer
reserva de leitos ou preferência a pacientes de planos
de saúde, e garante idêntica qualidade a todos os
pacientes na prestação de serviços e disponibilização
de equipamentos, acomodações e insumos. É de
conhecimento do Ministério Público, bem como da
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que
o crescimento do número de clientes de planos privados
não foi acompanhado pela expansão da rede de hospitais
e serviços de saúde credenciados para atender a
esses pacientes”, afirma a nota da Secretaria de Saúde.
Segundo dados
da Saúde, cerca de 20% dos pacientes dos
hospitais públicos possuem algum tipo de plano privado
de saúde. “Desta forma, a conta vai para o SUS,
retirando recursos que deveriam ser destinados aos que dependem
exclusivamente da rede pública. Trata-se, portanto, de
uma distorção, que beneficia somente as empresas
de planos de saúde. A Secretaria entende que a nova lei
corrige esta distorção, criando fonte complementar
de financiamento para hospitais do governo, e também promove
justiça social, ao garantir que os recursos do SUS serão
aplicados na assistência dos pacientes que dependem, de
fato, da rede pública”, afirma a secretaria.
Não há respaldo para que a cobrança de
ressarcimento seja feita pela ANS no caso das organizações
sociais porque a lei federal sobre o assunto, quando criada,
na década de 1990, não previu esta figura jurídica
de gestão de hospitais públicos.
O Globo
Mais
R$1,5 bi para pesquisar remédios
Por Roberto Maltchik
Prioridade
serão doenças como dengue e malária
Brasília - Com o Brasil muito atrás dos países
ricos e de outras nações em desenvolvimento, como Índia
e Coreia do Sul, o Ministério da Saúde decidiu
multiplicar em 3,8 vezes o investimento público voltado
para pesquisa de novos medicamentos, vacinas e avaliação
do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio,
marcado para hoje, prevê que, em quatro anos, a União
use R$1,5 bilhão para financiar o setor, contra R$492,5
milhões gastos nos últimos oito anos. Segundo o
ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo quer que
a indústria farmacêutica pelo menos quadruplique
investimentos até 2014.
O reforço de caixa focaliza as chamadas doenças
negligenciadas, como dengue, malária e tuberculose, que
não despertam interesse do mercado mundial de remédios.
Mas o plano de ação não reduz o prazo de
cinco a seis anos para o Brasil fazer os primeiros testes em
humanos da vacina contra dengue. A meta é reduzir custos
e impedir que falte produto no Brasil em razão de variações
do mercado internacional. Só no primeiro semestre, segundo
o ministério, houve economia de R$600 milhões com
a compra de medicamentos, por causa da evolução
do desenvolvimento de drogas no Brasil, que reforçou a
distribuição de remédios para câncer
e hepatite C.
Jornal da Tarde
Cirurgia
bariátrica exige visita ao médico
Por Mariana Lenharo
Quem faz
cirurgia de redução do estômago
deve receber acompanhamento médico especial para o resto
da vida. O alerta foi feito no IV Congresso Brasileiro de Atualização
em Endocrinologia e Metabologia, realizado em São Paulo
na semana passada. Isso porque o procedimento, apesar de trazer
grandes benefícios cardiovasculares para os pacientes,
costuma reduzir a capacidade de absorção de nutrientes
importantes, tornando o paciente mais vulnerável à perda
de massa óssea e fraturas, por exemplo.
Os médicos ouvidos pela reportagem garantem que praticamente
todos os pacientes que necessitam de internação
após o procedimento tiveram complicações
porque abandonaram o acompanhamento médico. Esse desligamento é uma
situação comum, de acordo com a endocrinologista
Maria Edna Melo, da Associação Brasileira para
o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica
(Abeso).
Maria Edna
atua no Ambulatório de Obesidade Mórbida
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP,
que faz o seguimento pós-operatório dos pacientes. “Lá,
os únicos casos de pacientes que precisam ser internados
são aqueles que abandonam o tratamento”, conta.
Segundo a
endocrinologista, observam-se casos de desnutrição
principalmente quando o paciente passa por técnicas não
recomendadas pelo Conselho Federal de Medicina, que levam a uma
diminuição drástica dos nutrientes no organismo.
Ela acrescenta que 99% dos pacientes acabam precisando de suplementação
para suprir a falta de substâncias importantes, como a
vitamina D, a vitamina B-12, o cálcio e o ferro.
Inicialmente,
no primeiro ano após a cirurgia, o acompanhamento
deve ser feito a cada três ou quatro meses, por uma equipe
especializada – composta de cirurgião, nutricionista,
endocrinologista e psicólogo. A partir do segundo ano,
as consultas podem ser mais espaçadas e, após o
quarto ou quinto ano, o acompanhamento passa a ser anual, de
acordo com o cirurgião Ricardo Cohen, presidente da Sociedade
Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
(SBCBM).
“Isso não deve ser visto pelo paciente como um
fardo, mas como uma oportunidade de monitorar a saúde,
prevenindo doenças”, enfatiza Cohen. “Além
disso, se o paciente continuasse obeso, acabaria ficando o resto
da vida dependente de remédios para o diabete ou hipertensão,
necessitando de um acompanhamento médico muito mais intenso.”
Na conferência A vida pós-cirurgia bariátrica,
ministrada durante o Congresso, a endocrinologista Regina Matsunaga
Martin falou sobre a atenção que o paciente deve
ter com alterações ósseas, justamente pela
deficiência na absorção de cálcio
e vitamina D que costuma ser provocada pela redução.
No caso da aposentada Regina D’Ugo Miele, de 63 anos, o
cuidado foi redobrado após passar pela cirurgia, há três
meses: mulher e idosa, está no grupo de risco para osteoporose.
Com 20 quilos
a menos, Regina conta que cuida dos ossos com alimentação rica em cálcio, com muito leite
e derivados, além da exposição diária
ao sol, importante para a absorção da vitamina
D. Ela também ingere suplementos. “Em alguns casos,
a suplementação é para a vida toda. Mesmo
assim, o paciente está em vantagem, pois se continuasse
obeso, a sobrecarga sobre o sistema músculo-esquelético
também levaria ao enfraquecimento e ao aparecimento de
problemas articulares”, ressalta Cohen.
Folha
de São
Paulo
USP
testa nova técnica
contra diabetes
Por Mariana Versolato
Método que melhora resultado de transplante de células
do pâncreas pode livrar pacientes de injeções
de insulina
Cientistas
propõem proteger as células transplantadas
que produzem insulina em uma cápsula de alga
Pesquisadores
da USP estão testando uma nova estratégia
para livrar os portadores de diabetes tipo 1 das injeções
diárias de insulina.
O objetivo
da técnica é aumentar a segurança
e a eficácia do transplante de ilhotas de Langerhans,
conglomerado de células do pâncreas responsável
pela produção de insulina.
O transplante,
em si, não é novidade e data da
década de 70. No Brasil, cinco pacientes já foram
submetidos à técnica entre 2002 e 2006.
Mas a cirurgia
ainda tem problemas sérios, como a exigência
de que o paciente passe a tomar remédios imunossupressores
para evitar a rejeição às células
transplantadas. Essas drogas baixam as defesas do corpo.
Outra dificuldade é manter
as ilhotas produzindo insulina a longo prazo.
Estudos de
um grupo canadense mostram que, depois de cinco anos, apenas
10% dos
pacientes transplantados estavam livres das injeções
do hormônio.
Inovação
Para sanar
esses problemas, pesquisadores do Nucel (Núcleo
de Terapia Celular e Molecular), sob a coordenação
da bióloga Mari Sogayar, professora titular do Departamento
de Bioquímica do Instituto de Química da USP, criaram
uma cápsula que envolve as ilhotas.
A cápsula é feita de um material, patenteado como
BioProtect, feito de alginato, extraído de algas marrons.
A estrutura tem ainda substâncias que melhoram a função
e a longevidade das ilhotas.
Segundo o
médico Thiago Rennó dos Mares Guia,
coordenador do grupo de microencapsulamento do Nucel, a composição
da cápsula permite a entrada de oxigênio nas células
e a saída de insulina. Ao mesmo tempo, a barreira impede
que células do sistema imunológico destruam as
ilhotas.
O material
que envolve as células foi desenvolvido em
parceria do Nucel com a CellProtect Biotechnology, empresa criada
em incubadora da USP para criar substâncias usadas em terapia
celular.
A cápsula já foi testada em camundongos diabéticos,
com sucesso -o material provou sua capacidade de diminuir a rejeição
ao transplante de ilhotas, que produziram insulina por mais tempo.
O próximo passo, segundo Sogayar, é testar em
animais maiores e em seres humanos. Mares Guia acredita que,
se tudo correr bem, esses testes podem começar dentro
de um ou dois anos.
O que está mais perto de acontecer é a retomada
dos transplantes de ilhotas, ainda sem as cápsulas, no
Hospital das Clínicas da USP.
"De 2007 para cá ficamos sem recursos. Já temos
a aprovação do Hospital das Clínicas. Faltam
mais dinheiro e o recrutamento de pacientes", diz Sogayar.
Para serem
submetidos à técnica experimental,
os pacientes devem ter grandes variações de glicemia
e episódios frequentes de hipoglicemia sem o aparecimento
de sintomas.
Diário
Popular
O SUS particular
Pelotas/RS
- É cada vez mais difícil para os usuários
dos convênios médicos conseguir agendar consultas
de forma ágil. A situação chegou a tal ponto
que as pessoas já disputam vagas nas filas das clínicas
particulares ainda durante a madrugada, para garantir atendimentos
específicos dentro de dois, três ou mais meses.
Uma vergonha que gera ao sistema conveniado enxurrada de críticas
e torna inevitável o questionamento de quem paga muito
e recebe pouco: vale a pena continuar ligado a um plano cuja
eficiência passou a ser muito próxima daquilo que
o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece?
Em Pelotas,
nos últimos dias, a fila em frente a um consultório
particular começou a se formar às 5h da manhã.
As pessoas disputavam fichas para determinado tipo de serviço.
Todos com os cartões de seus planos na mão. Passou
a ser desse jeito. Outros agendamentos são realizados
somente por telefone, durante apenas uma hora em dias específicos.
Não é preciso dizer que o telefone dificilmente é atendido.
O governo
não demonstra interesse em resolver o problema
de forma rápida. No começo desse mês anunciou
o adiamento da norma para o tempo de atendimento. A Resolução
259 foi prorrogada em 90 dias e passará a vigorar apenas
a partir de 19 de dezembro. A decisão, anunciou a Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS), foi para atender à demanda
das operadoras de planos de saúde, que pediram mais prazo
para adaptação às regras. O usuário
que espere mais um pouco.
Os médicos reclamam que os planos de Saúde pagam
pouco. Os planos de Saúde dizem o contrário e acenam
com pequenos reajustes quando o caso foge do controle. E nessa
disputa o consumidor é a grande vítima. Ele que
paga mensalmente sua contribuição, durante quase
uma vida. E quando mais necessita do serviço descobre
que tem direito a quase nada.
Pesquisa
divulgada na metade do ano pelo Conselho Federal de Medicina
(CFM) apontou
que 58% dos usuários tinham reclamações
a fazer contra os planos de saúde - 26% das queixas eram
relacionadas à demora no atendimento ou à fila
de espera em prontos-socorros, laboratórios ou em clínicas
médicas. Um dado do estudo chamou a atenção:
14% dos entrevistados procuraram ajuda médica no Sistema Único
de Saúde depois de constatar a recusa de cobertura ou
a restrição de atendimento pelo modelo empresarial.
Ninguém paga por esse serviço com a intenção
de usá-lo frequentemente. Ao contrário, a ideia é ter
uma segurança e fazer uso apenas nos casos de maior necessidade
(sempre com as exceções, é claro). E nada é mais
revoltante às famílias do que precisar sacar dinheiro
do próprio bolso por uma consulta nas situações
de emergência porque, de outra forma, será preciso
aguardar durante meses. E é nesse momento que a aquela
pergunta sempre volta à cabeça: por que pagar por
um plano de saúde que não funciona? O modelo particular
de atendimento em saúde está pronto para entrar
no hospital. Será que irá encontrar um médico
para atendê-lo?
O
Estado de São
Paulo
Bactéria
contra dengue
Por Fernando Reinach
Todos os
anos, 50 milhões de pessoas são infectadas
pelo vírus da dengue. No Brasil, a epidemia corre solta.
O Aedes aegypti se espalha pelo País. As brigadas mata-mosquito
não conseguem acabar com os depósitos de águas
paradas onde eles se multiplicam, e fumegar bairros inteiros
com inseticidas é uma medida paliativa. Mas, agora, cientistas
australianos recrutaram um novo aliado, a bactéria wolbachia
e, se tudo der certo, existe uma chance de vencermos a guerra.
O vírus da dengue é transmitido pelo mosquito
Aedes aegypti, que pica uma pessoa infectada, se infecta e logo
em seguida pica uma pessoa saudável, transmitindo, assim,
a doença. Como não existe uma vacina contra o vírus,
a única maneira de combater a doença é controlar
os mosquitos que transmitem o vírus.
O estudo
dos australianos foi inspirado por pesquisadores que estudavam
uma bactéria que infecta insetos, a wolbachia.
Essa bactéria, que vive no interior das células
dos insetos, é um parasita sofisticado. Habitando o interior
das células, ela escapa do sistema imune e, se dividindo
lentamente, não atrapalha muito a vida do hospedeiro.
Mas ela é ainda mais inteligente. Como a wolbachia infecta
os ovos produzidos pelo Aedes fêmea, ela passa automaticamente
para a próxima geração. Quando o ovo é fecundado,
a larva já nasce infectada com a bactéria.
Mas a sofisticação desse parasita não para
aí. Quando os ovos de uma fêmea não infectada
pela wolbachia são fertilizados por um macho infectado,
eles morrem, o que faz com que as fêmeas infectadas tenham
uma vantagem reprodutiva sobre as não infectadas. A combinação
dessas três características faz com que a wolbachia
se espalhe rapidamente e infecte toda a população
de insetos.
Mas o que
isso tem a ver com o vírus da dengue? Faz alguns
anos foi descoberto uma nova peculiaridade da wolbachia: ela é ciumenta,
possessiva e não gosta que outros seres vivos colonizem
os insetos onde ela está instalada. Na prática,
isso significa que, quando um inseto é infectado pela
wolbachia, ele fica imune a uma série de vírus.
Quando o
vírus penetra no inseto, ele é exterminado.
Os cientistas australianos ficaram imaginando... Será que é possível
infectar o Aedes aegypti com uma cepa de wolbachia? E será que
o Aedes infectado se torna imune ao vírus da dengue?
Após muitas buscas, eles descobriram uma cepa de wolbachia
capaz de infectar o Aedes. Demonstraram que essa cepa de wolbachia
era transmitida de mãe para filha e, quando presente nos
machos, matava os ovos produzidos por fêmeas não
infectadas.
Mais do que
isso, demonstraram no laboratório que os
insetos infectados eram imunes ao vírus da dengue. Em
gaiolas, conseguiram mostrar que um pequeno número de
insetos infectados com wolbachia rapidamente espalhava o parasita,
bloqueando a transmissão do vírus da dengue.
O próximo passo era óbvio. Será que, soltando
um grande número de Aedes infectados com wolbachia em
uma cidade, eles seriam capazes de espalhar a bactéria
por toda a população local de Aedes e, na prática,
os insetos infectados bloqueariam a transmissão da dengue
entre as pessoas?
Os cientistas
conseguiram a permissão das autoridades
australianas e o apoio de duas comunidades na costa do Estado
de Queensland, no norte da Austrália.
Ao longo
de dois meses, em janeiro e fevereiro deste ano, mais de 150
mil exemplares
de Aedes aegypti infetados com wolbachia
foram soltos nessas duas comunidades. Nos meses seguintes, coletando
insetos por toda a região, os cientistas puderam monitorar
como a wolbachia foi se espalhando na população
de Aedes e, aos poucos, tornando os insetos imunes ao vírus
da dengue.
Hoje, 100%
dos Aedes presentes nessas duas comunidades são
imunes ao vírus. O que se espera é que, nos próximos
anos, sem insetos capazes de transmitir o vírus da dengue,
os casos da doença nessas comunidades comecem a cair.
Se isso ocorrer, teremos um novo método para combater
a dengue, usando como aliado nossas amigas wolbachias.
Quem poderia
imaginar que um projeto de pesquisa básica,
cujo objetivo era compreender o ciclo de vida de uma bactéria
que parasita um inseto, poderia levar à descoberta de
uma nova maneira de combater o vírus de uma doença
humana?
É por isso que só os desinformados criticam investimentos
em projetos de ciência básica desvinculados de objetivos
práticos.
Saúde
Business Web
“Hospitais
se concentram em resultados de baixo alcance”
Traduzido por Alba Milena
Artigo mostra
que hospitais se preocupam mais com redução
de reinternações evitáveis entre pacientes
hospitalizados por insuficiência cardíaca do que
as necessidades do público
O instituto
realizou pesquisa em 2010 em 12 regiões metropolitanas
representativas dos EUA.
Teoricamente
essa contratação deveria melhorar
a qualidade ao encorajar a melhor integração do
cuidado e a comunicação entre clínicos,
mas os questionados indicaram que a integração
clínica não ocorre automaticamente. Ecoando a opinião
de muitos CMOs através dos 12 mercados, um questionado
em Lansing observou: “É um desafio contratar médicos
juntamente com um enfoque unificado em qualidade, serviço
e acesso”. Neste momento, a maioria dos processos de integração
clínicos parecem focados em diagnósticos simples
ou condições, em vez de focadas em todas as necessidades
médicas dos pacientes. Por exemplo, de acordo com muitos
CMOs, muitos hospitais se concentram no “resultado de baixo
alcance”, como a redução de reinternações
evitáveis entre pacientes hospitalizados por insuficiência
cardíaca.
A comunicação entre ambulatórios com internação
e sem internação, mesmo entre os contratado pelo
mesmo sistema hospitalar, continua a ser um problema. Como afirmou
a entrevista de um hospital em Lansing: “A coordenação
do atendimento pré e pós hospitalar precisa melhorar… os
processos de cuidado e os trilhas seguidas precisam ser integrados”.
O potencial para a verdadeira integração clínica – incluindo
melhoria na comunicação – é um desafio
no atual ambiente fee-for-service, de acordo com os entrevistados
através dos 12 mercados. Os sistemas hospitalares e clínicos
variam muito em seu desenvolvimento de processos de integração
de cuidados e a implantação de registros eletrônicos
de saúde (EHRs) interoperáveis.
Por exemplo,
a Cleveland Clinic, com uma grande proporção
de médicos clínicos contratados usando a mesmo
EHR, tem uma maior troca de informações para a
integração do cuidado do que muitos outros sistemas.
Outros mercados estão em um estágio anterior. Como
o CMO de um hospital em Phoenix afirmou: “A falta de comunicação
entre médicos de pacientes internados e fora do hospital é problemática… sabemos
que precisamos melhorar nessa área”.
• Hospitais
Buscam Pacientes e Crescimento
• Médicos Clínicos Buscam Segurança
• Consolidação do Hospital incita a Contratação
• Coordenação:
Cuidado de Melhor Qualidade?
• Potencial
para Custos mais Altos
• Efeito
no Acesso ao Cuidado
• Implicações na Política
• Notas
• Fonte
de Dados e Financiamento
Olhar Direto
Brasil:
35º em
lista de atendimento infantil
O Brasil
ocupa a 35ª posição em um ranking
de atendimento médico infantil compilado pela ONG internacional
Save the Children em 161 países.
É a primeira vez que a organização lista
os países em que crianças doentes recebem o melhor
tratamento, com Suíça, Finlândia, Irlanda
e Noruega no topo do ranking e Etiópia, Laos, Chade e
Somália nos últimos lugares.
O índice levou em conta a proporção de
funcionários do setor de saúde em relação à população,
seu alcance e impacto, além do número de crianças
vacinadas e de mães que têm acesso a cuidados emergenciais
durante o parto.
Na América Latina, o Brasil ficou atrás apenas
de Cuba (8º) e Uruguai (31º), mas bem à frente
de países como México (65º), Argentina (77º)
e Chile (80º).
Sobrevivência
Segundo a
análise dos dados, as crianças que vivem
nos países que ocupam as últimas 20 posições
na lista têm cinco vezes mais chance de morrer que aquelas
que vivem em países no alto do ranking.
"A sobrevivência de uma criança depende de
onde ela nasce no mundo. Nenhuma mãe deveria ter de ver
seu filho ficar doente e morrer sem poder fazer nada, simplesmente
porque não há ninguém treinado para ajudar",
disse Ben Phillips, da Save the Children.
Segundo a
ONG, em todo o mundo seriam necessários mais
3,5 milhões de médicos, enfermeiros e parteiras.
"Líderes mundiais têm de lidar com a escassez
de trabalhadores do setor de saúde e perceber que a falta
de investimento nisso vai custar vidas. Mesmo os países
mais pobres da África podem fazer um progresso real se
cumprirem a promessa de investir 15% de seus orçamentos
em saúde".
Quarta-feira, 07.09.11
O
Estado de São
Paulo
Um zagueiro na defesa de mais verba
Por
Eduardo Bresciani e Lígia Formenti
O papel exercido
por Alexandre Padilha na discussão da
regulamentação da Emenda 29 está muito mais
para "zagueiro" do Planalto que para ministro da Saúde.
Ao contrário de antecessores, o ministro não assumiu
a liderança no debate que afeta diretamente a pasta que
comanda.
Ele prefere
o discurso alinhado com governo e com PT: reclama a necessidade
da criação de regras estáveis
para financiamento da saúde, diz ser preciso aumentar
os valores, mas esquiva-se até mesmo de falar quanto seria
preciso.
No domingo,
durante o 4.° Congresso do PT, ele garantiu
que o governo já sabe quanto precisa para a área,
mas afirmou não ser o momento de entrar nesse debate: "Vocês
acham que vou falar isso na semana do Sete de Setembro? Vamos
com calma", disse aos jornalistas.
Questionado
anteontem se seria favorável à criação
de um imposto específico para saúde, ele não
esboçou reação. Apenas silenciou. Os sinais
mais claros de simpatia foram a sugestão de elevar os
tributos de cigarros e bebidas, além de um aumento da
fatia do seguro obrigatório dos automóveis (DPVAT)
para a saúde.
Essa defesa,
porém, é sutil. Ele faz questão
de ressaltar que a decisão está nas mãos
de parlamentares e o quanto é importante a atuação
dos governadores. Como demonstrou com o silêncio de anteontem,
Padilha quer manter distância de qualquer associação
com a defesa da criação de um imposto.
E, fazendo
coro à presidente Dilma Rousseff, sustentou
que o importante é que a nova fonte de recursos seja vinculada,
sem riscos de ser desviada. Na semana passada, Dilma afirmou
que a antipatia em torno da CPMF era provocada pelo fato de os
recursos não serem totalmente destinados para a saúde,
como previsto.
Em vez concentrar
o discurso no aumento de recursos, Padilha prefere ampliar
a discussão, por exemplo, em torno da
responsabilidade sanitária, lei que, segundo ele, seria
uma ferramenta importante para garantir o uso adequado dos recursos
em saúde.
O
Estado de São
Paulo
Governo:
Busca de recurso para a saúde no pré-sal
Por
João
Domingos
Contas públicas. Diante da iminente aprovação
da Emenda 29 no Congresso contra a vontade do Planalto, Fazenda
inicia projeto para custear setor com dinheiro oriundo dos royalties
do petróleo; previsão é de que serão
necessários R$ 30 bilhões anuais a mais
Informado
de que no momento não tem condições
de aprovar no Congresso um novo imposto para a saúde,
o governo estuda como alternativa para o financiamento do setor
o uso de royalties do petróleo a ser extraído do
pré-sal. A ideia é que uma determinada quantia
do dinheiro dos royalties entre no fundo do pré-sal e
depois seja devolvido aos governos dos Estados para o financiamento à saúde.
O valor da
parte dos royalties que será destinado à saúde
dependerá de cálculos a serem feitos pela União
e pelos estados e da negociação a ser conduzida
com os governadores. A previsão é de que serão
necessários R$ 30 bilhões anuais a mais com a regulamentação
dos recursos para a saúde por parte de União, Estados
e municípios, que deverá ser votada pela Câmara
no dia 28. Como o projeto já passou pelo Senado e sofreu
modificações, deverá voltar à Casa
de origem. Mas o Palácio do Planalto tem consciência
de que não terá mais condição de
impedir a votação do projeto, conhecido por Emenda
29.
O jeito,
então, é correr atrás de fontes
de custeio. E a alternativa do momento é o uso de parte
dos royalties. O ministro Guido Mantega (Fazenda) está ouvindo
as propostas dos governadores para o financiamento da saúde. "É possível,
sim, construir uma saída com os royalties do pré-sal
para a saúde", informou ao Estado a assessoria do
Ministério da Fazenda. "Estamos discutindo e construindo
o consenso."
O governo
havia cogitado algumas outras alternativas para encontrar o
dinheiro para
a saúde: aumento do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) para os cigarros; cobrança de uma
parte dos lucros da jogatina em caso de aprovação
do projeto que regulamenta os bingos, imposto sobre grandes fortunas
e aumento no imposto do seguro dos carros (DPVAT). Mas desistiu
de todas, por considerá-las de difícil execução.
Derrota.
No Palácio do Planalto existe a certeza de que
o Congresso está preparando um troco para o governo, tendo
várias razões para isso. Em primeiro lugar, o atraso
do governo na liberação do dinheiro das emendas
parlamentares; em segundo, o descontentamento de partidos como
o PR, que perdeu o Ministério dos Transportes e os órgãos
agregados a ele, além de ficar marcado com a suspeita
de estar envolvido em desvios de dinheiro; em terceiro, as pequenas
rebeliões dentro do PMDB, lideradas na Câmara pelos
deputados Eduardo Cunha (RJ) e Danilo Forte (CE), e, no Senado,
por Jarbas Vasconcelos (PE).
Como existem
vários projetos que estão em exame
pelo Congresso, e cada um reserva uma armadilha maior para o
governo, a presidente Dilma Rousseff decidiu aceitar uma "derrota" na
votação da Emenda 29, considerada a menos perigosa
para os cofres públicos e para o rigor fiscal. Outros
projetos, como o que dá aumento generalizado às
polícias do País (PEC 300) ou o que reajusta os
salários do Judiciário são tidos como inaceitáveis
num momento de crise mundial crescente, com possibilidades de
atingir o Brasil. A aprovação da Emenda 29 daria
ainda aos parlamentares argumentos para que possam dizer em suas
bases eleitorais que aumentaram os recursos para a saúde.
Isso dá votos.
A presidente
sabe ainda que os gastos com a saúde, que
aumentarão com a aprovação da Emenda 29
(Estados terão de destinar 12% para o setor, municípios
15% e a União 7%), vão cair no colo do governo
federal. E, uma vez que o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva vetou a distribuição dos royalties do
petróleo para os Estados não produtores, acabará tendo
de encontrar um jeito de compensá-los.
Pressa. Dilma
determinou a Mantega que tenha pressa em fechar as negociações, porque os prazos no enfrentamento
com o Congresso estão ficando curtos. A Emenda 29 será votada
pela Câmara no dia 28 deste mês. No dia 5 de outubro,
o Congresso - Senado e Câmara reunidos, mas em votação
bicameral - deverá apreciar o veto à distribuição
de recursos dos royalties do pré-sal aos Estados não
produtores.
A avaliação no momento é de que o veto
cairá. São dois os motivos para que a presidente
tenha essa certeza. Os parlamentares já votaram e aprovaram
a distribuição dos recursos para todos, o que obrigou
Lula a fazer o veto. Além disso, os congressistas que
pertencem a Estados não produtores de petróleo
dão de goleada em número de votos nos eleitos pelos
produtores. Como a questão não obedece a uma orientação
partidária, não há veto que resista à avalanche
de votos prevista.
Perguntas & Respostas
Entenda a Emenda 29
1. O que é?
Aprovada
em 2000, ela determina o mínimo que União,
Estados e municípios devem gastar na área da saúde.
2. Qual é o valor mínimo?
Estados devem
reservar pelo menos 12% de seu orçamento
para saúde. Para municípios, o piso é de
15% do orçamento. A emenda, porém, não definiu
um porcentual para a União.
3. Qual é a regra para União?
Foi determinado
que em 2000 a União teria de reservar
o equivalente ao que havia sido gasto em 1999, acrescido de 5%.
Para os anos seguintes, até 2004, o orçamento deveria
ser equivalente ao que foi gasto no ano anterior, corrigido pela
variação do PIB. A regra deveria ser revista a
cada cinco anos.
4. O que vale atualmente?
Como não houve revisão, a União continua
reservando o equivalente ao gasto do ano anterior, corrigido
pela variação do PIB.
5. O piso é respeitado?
Para que
o piso fosse atingido, administradores passaram a considerar
como gasto
em saúde despesas como pagamento de plano de
saúde para funcionários, obras de saneamento e
até reformas de prédios públicos.
6. O que
diz o texto da regulamentação?
A proposta
aprovada no Senado define o que são gastos
em saúde. Para evitar os artifícios de Estados
e municípios, somente poderiam ser considerados gastos
de saúde despesas definidas numa resolução
do Conselho Nacional de Saúde de 2003.
7. Qual proposta
para gastos da União?
A proposta
em apreciação na Câmara prevê a
manutenção do gasto do ano anterior, corrigido
pela variação do PIB. Há receio do governo,
porém, da retomada da proposta do ex-senador Tião
Viana (PT-AC) de que a União reserve 10% de seu orçamento.
8. O projeto
prevê fonte
de financiamento?
O projeto
prevê a Contribuição Social para
Saúde (CSS), uma fonte de recursos que substituiria a
extinta CPMF. Na Câmara, um destaque de oposição
retira a base da cálculo da CSS, o que, na prática,
impede a cobrança da contribuição - equivalente
a 0,1% da movimentação financeira.
9. Há outras fontes de financiamento em discussão?
Uma delas
prevê o aumento da tributação
de cigarros e de bebidas além de maior fatia do seguro
obrigatório para automóveis (DPVAT) direcionada
para o setor. Outra proposta analisa o uso de recursos dos royalties
do petróleo, destinando, por exemplo, parte dos recursos
do fundo soberano à saúde. A mais ousada, e já criticada
pela presidente Dilma Rousseff, seria legalizar os bingos e fazer
com que sua arrecadação vá para a saúde.
O Globo
Dos
27 estados, 13 não aplicam em Saúde o mínimo
previsto em lei
Por Cristiane Jungblut
Dados são do governo federal e revelariam que governos
estaduais incluem despesas que não podem ser consideradas
no cálculo final
Brasília. Os governos estaduais informam oficialmente
que aplicam em Saúde o que a Constituição
Federal determina, mas, na realidade, gastam menos. Incluem na
conta gastos que não são considerados essenciais
no setor. Nessa maquiagem, são considerados até despesas
com servidores e aposentadorias em geral, além de despesas
com merenda escolar.
Segundo dados
de 2008 e 2009 já compilados pelo Ministério
da Saúde, 13 dos 27 estados gastaram menos de 12% de suas
receitas líquidas com as ações e serviços
públicos de Saúde previstos na legislação.
São eles: Santa Catarina (11,74% da receita), Mato Grosso
(11,28%), Paraíba (11,25%), Alagoas (10,77%), Rio de Janeiro
(10,75%), Espírito Santo (10,39%), Maranhão (9,86%),
Ceará (9,84%), Paraná (9,84%), Goiás (9,51%),
Piauí (9,01%), Minas Gerais (8,85%) e Rio Grande do Sul
(4,37%)
A Emenda
Constitucional 29, em vigor desde 13 de setembro de 2000, já define que os estados devem gastar 12% de suas
receitas em Saúde, enquanto os municípios devem
aplicar 15%. A União deve aplicar o chamado piso nacional
de Saúde: que é o orçamento do ano anterior
mais a variação do PIB nominal (inflação
mais o crescimento da economia). A proposta em discussão
na Câmara mantém esses índices, mas torna
a contabilidade mais rigorosa.
O Rio Grande
do Sul, que, segundo o ministério, é o
que menos aplica, apresenta os melhores índices de queda
de mortalidade infantil, alega o deputado Osmar Terra (PMDB-RS),
ex-secretário estadual de Saúde. Apesar das reclamações
do governador Sérgio Cabral, o Rio também não
cumpre o piso.
A proposta
de regulamentação da Emenda 29 proíbe
que entrem na conta dez tipos de gastos e pretende acabar com
a farra contábil. Estados e municípios não
poderiam incluir gastos com "pagamento de aposentadorias
e pensões, inclusive dos servidores da saúde",
nem despesas com merenda escolar e saneamento básico em
geral.
O texto define
quais são os gastos com ações
e serviços universais de Saúde que podem ser considerados
no cálculo, como vigilância em Saúde, incluindo
a epidemiológica e a sanitária, e atenção
integral e universal em todos os níveis de complexidade.
As despesas com pessoal só podem ser incluídas
quando forem de servidores de áreas essenciais.
O presidente
da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ontem
que, no dia 20, fará um debate sobre a Emenda 29, com
ministros e governadores. A intenção é votar
a emenda este mês.
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves
(RN), já disse que a bancada do partido é contra
a recriação da CPMF. Ontem, os líderes do
DEM, deputado ACM Neto (BA), e do PSDB, Duarte Nogueira (SP),
reafirmaram a mesma disposição.
Correio Braziliense
Dinheiro
e saúde
As discussões em torno da Emenda 29 trazem um erro de
origem. Há divergências aqui e ali sobre fontes
de financiamento e sobre quem deve arcar com o ônus político
de apresentar a conta à sociedade. Mas parte-se sempre
desta ideia: elevar os gastos públicos em saúde
vai resultar em melhores serviços. Tal axioma, porém, é falso.
Alguns dirão que não é bem assim. Que na
verdade o aumento de recursos é um passo indispensável,
mas insuficiente, para melhorar a qualidade no atendimento. Esse
segundo axioma também carece de embasamento científico.
Economistas de vários países já dedicaram
bastante tempo e esforço a estudar o tema. Encontraram
baixa correlação positiva entre aumento de gastos
e melhora nos serviços públicos, mesmo em áreas
tão nobres como educação e saúde.
Em alguns casos a correlação é até mesmo
negativa: a população passa a gastar mais e a receber
menos.
Há outra quimera econômica da mesma cepa, repetida à exaustão
por aí: aumento de custos resulta em inflação.
Não é assim. Os preços sobem quando os agentes
econômicos se sentem confortáveis para cobrar mais,
em ambiente no qual a competição é limitada.
Se eles têm a segurança de vender mais caro, farão
isso mesmo que os custos permaneçam iguais, ou até no
caso de se reduzirem. O vendedor ficará à vontade
para agir assim se for pequena a chance de existir alguém
vendendo barato. E ele não tem culpa de ter essa sorte.
Falta de concorrência é falha de Estado, não
de mercado.
Todo mundo
tem o direito de buscar maior lucro ou, por meio de pressão no Poder Legislativo, maior fatia dos orçamentos
públicos. Não faltam parlamentares sensíveis
aos interesses dos mais variados grupos. O que é difícil
encontrar são os que realmente defendem aumento da qualidade
dos serviços públicos por meio de metas de eficiência,
cobrança de resultados, eliminação dos ralos
administrativos e da corrupção. Falta de concorrência é uma
doença que infelizmente acomete não só mercados,
mas também sistemas políticos.
Tribuna do Norte
Prazo
máximo
para atendimentos
A resolução que garantia um prazo máximo
para marcação de consultas e demais procedimentos
médicos aos usuários de planos de saúde
foi adiata pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
A norma, que deveria entrar em vigor em setembro, só passará a
valer em 19 de dezembro deste ano.
Com a Resolução Normativa nº 259, os planos
de saúde serão obrigados a garantir que os consumidores
marquem consultas com especialistas nas áreas de pediatria,
clínica médica, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia
dentro do prazo máximo de sete dias.
Segundo a
ANS, o adiamento da norma foi causado por solicitação
das operadoras de planos de saúde, que reivindicam um
maior prazo para adaptação às regras estabelecidas.
Ainda segundo a agência, o adiamento permitirá que
a ANS aprimore a fiscalização do setor com relação
aos prazos estipulados para os atendimentos.
Para o Idec,
no entanto, o prazo adicional não está de
acordo com as necessidades dos consumidores. “É inadmissível
que a ANS prorrogue a entrada em vigor da resolução
que reduz o tempo de espera para o consumidor marcar exames e
procedimentos de saúde,” contesta a coordenadora
executiva do Idec, Lisa Gunn.
A resolução prevê também a garantia
de que, na ausência de prestadores credenciados no município
onde o consumidor reside ou nos municípios vizinhos, os
beneficiários tenham acesso os serviços e procedimentos
em prestadores não credenciados em sua cidade.
Fonte: www.idec.org.br
Terça-feira,
06.09.11
Agência Câmara de Notícias
Câmara vai realizar comissão geral para discutir
regulamentação da Emenda 29
Por
Ginny Morais / Edição: Marcelo Oliveira
O presidente
da Câmara, Marco Maia, anunciou nesta terça-feira
que haverá comissão geral no próximo dia
20 para discutir a regulamentação da Emenda 29
(PLP 306/08), que prevê recursos públicos mínimos
obrigatórios para a saúde. Entre os convidados
do debate estarão o ministro da Saúde, Alexandre
Padilha, representantes da área financeira do governo
federal, prefeitos, governadores e dirigentes de entidades da
sociedade civil ligadas ao setor.
Marco Maia
explicou que convocou o evento para conhecer o impacto que
a Emenda
29 terá em cada um dos estados. “Vamos
pedir que os governadores nos mostrem, de forma sistematizada,
qual é o efeito que a proposta provocará nos seus
estados, para que isso nos ajude também a propor alternativas
que possam viabilizar novos recursos para a área da saúde”,
disse.
No dia seguinte à comissão geral, está previsto
um almoço dos governadores com líderes partidários
na residência oficial da Presidência da Câmara.
Segundo Marco Maia, o objetivo do encontro é buscar entendimento
sobre a regulamentação.
Votação
O presidente
disse ainda que o texto será mantido na
pauta do Plenário do dia 28 de setembro, mesmo que não
haja um acordo prévio sobre como os governos municipais
e estaduais vão bancar o aumento de gastos obrigatórios
com a saúde.
Maia afirmou,
no entanto, que a Casa está pronta para
discutir alternativas de financiamento. “A Câmara
está à disposição do governo, dos
governadores e da sociedade para debater alternativas que possam
viabilizar mais recursos para a saúde. Não significa
que isso vá acontecer até o dia 28. Porém
nós podemos iniciar o debate, uma discussão que
possa contribuir com o debate no Senado. Eu concordo com o que
disse a presidenta Dilma Rousseff, de que o tema da saúde é gestão,
mas também é financiamento”, declarou.
Sugestões
de financiamento
A proposta
de regulamentação da Emenda 29 prevê que
os estados serão obrigados a gastar 12% de seus orçamentos
com a saúde. Para os municípios, a despesa obrigatória
sobe para 15%. Para compensar o aumento de gastos governamentais,
várias sugestões foram cogitadas, como a volta
da CPMF ou a criação de um imposto parecido, que
arrecadaria recursos a partir das movimentações
financeiras de todo brasileiro.
Outras opções já defendidas por deputados
são: legalização dos bingos, aumento do
seguro obrigatório dos carros mais caros e cobrança
pela remessa de lucros e dividendos de empresas para fora do
Brasil. Todas essas medidas propõem destinar toda ou parte
da arrecadação de impostos de cada setor para a
saúde.
Íntegra
da proposta:
PLP-306/2008
Agência Câmara de Notícias
Agência Câmara promoverá chat sobre regulamentação
da Emenda 29
Por
Murilo Souza / Edição: Wilson Silveira
Entidades
do setor reclamam que alguns estados contabilizam despesas
com saneamento
e até com o Bolsa Família
como gastos em saúde. Projeto em análise na Câmara
lista ações que podem ou não ser incluídas
na rubrica da saúde, mas especialistas afirmam que a lista é subjetiva.
A Agência Câmara de Notícias realizará na
próxima terça-feira (13), às 15 horas, um
bate-papo pela internet com o coordenador da Frente Parlamentar
da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS),
para debater a regulamentação da Emenda Constitucional
29, que fixa percentuais mínimos a serem aplicados em
saúde por estados, municípios, Distrito Federal
e União.
A regulamentação da emenda tramita na forma do
Projeto de Lei Complementar (PLP) 306/08, do Senado, cujo texto-base
já foi aprovado na forma de substitutivo pelo Plenário
em 2008, mas a votação ainda não foi concluída.
Os deputados ainda precisam votar um destaque apresentado pelo
DEM, que pretende retirar do texto a parte que prevê a
criação de um novo imposto: a Contribuição
Social da Saúde, que seria cobrada nos moldes da extinta
CPMF, mas com alíquota menor. Líderes partidários
entraram em acordo para finalizar a votação no
próximo dia 28 de setembro.
Volume
insuficiente de recursos para saúde e má aplicação
são alvos de críticas
De acordo
com o texto aprovado, além da obrigação
de destinar à área de saúde o valor empenhado
no Orçamento do ano anterior, acrescido da variação
nominal do Produto Interno Bruto (PIB), como ocorre hoje, o governo
federal passaria a contar com a CSS, que terá caráter
permanente e estará totalmente vinculada a ações
e serviços públicos de saúde. No entanto,
por não serem computados no piso constitucional, os recursos
arrecadados pela CSS, que terá alíquota de 0,1%,
não terão obrigatoriedade de aplicação
e poderão servir apenas para compor o superavit primário.
A regulamentação da Emenda 29 será discutida
em comissão geral da Câmara.
Por outro
lado, o projeto original, do Senado, estabelece que a União aplicará anualmente em ações
e serviços públicos de saúde o equivalente
a no mínimo 10% das receitas correntes brutas. Atualmente,
a União está obrigada apenas a aplicar em saúde,
no mínimo, o mesmo valor destinado no ano anterior mais
a variação do PIB.
Estados
e municípios
Em relação a estados e municípios, o texto
constitucional não foi alterado. Os estados deverão
aplicar no mínimo 12% da receita corrente bruta, e os
municípios, 15%. O Distrito Federal deverá aplicar
12% ou 15%, conforme a origem da receita, que pode ser de um
imposto de base estadual ou municipal.
Para Perondi,
a Câmara deve aprovar o texto sem a criação
do novo imposto. “Entendemos que a regulamentação
da Emenda 29 não implica gasto adicional ao governo e,
por isso, devemos votar contra a criação da CSS”,
afirmou. Ele sustenta que aumentar os recursos destinados à saúde é uma
questão de prioridade. “O governo pode optar por
rever certas escolhas, como investir no trem-bala, em cargos
em comissão, na usina de Belo Monte”, argumentou.
O deputado,
no entanto, comemorou o fato de a presidente Dilma Rousseff
ter começado a sinalizar mais preocupação
com a proposta. “Gostei de saber de declarações
da presidente Dilma reconhecendo que os recursos para a saúde
são insuficientes e que talvez seja necessário
rever as alíquotas de alguns produtos, como fumo e bebidas,
para aumentar os recursos disponíveis para o setor”,
afirmou. Apesar de contrário a criação de
um novo imposto, Perondi é a favor de aumentar a taxação
sobre gastos supérfluos e de utilizar recursos de outros
impostos, como o IOF.
O Executivo
argumenta que a simples criação de
um novo imposto não seria suficiente para garantir mais
investimentos em saúde. Segundo o líder do governo,
deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), o governo aceitaria
um novo imposto, mas essa seria apenas uma das possíveis
alternativas para a destinação de mais recursos
ao setor. “A CSS prevista no texto traria entre R$ 10 e
R$ 15 bilhões, mas precisamos de R$ 30 bilhões”,
destacou Vaccarrezza durante entrevista na semana passada.
Ainda de
acordo com o líder, o governo quer analisar
outras sugestões de deputados, tais como a legalização
dos bingos com a conversão da arrecadação
do setor para a saúde, o aumento da alíquota do
seguro obrigatório dos carros mais caros e ainda a cobrança
pela remessa de lucros e dividendos de empresas para fora do
Brasil.
Para Perondi,
o maior medo do governo é que a proposta
seja alterada no Senado, revertendo o texto ao projeto original,
que prevê a aplicação pela União de
10% da receita corrente bruta em gastos e serviços de
saúde, sem a previsão de novos impostos.
Íntegra
da proposta:
PLP-306/2008
AGENDA
- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo
Abramge / AssPreviSite
As inscrições para os Prêmios Abramge de
Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam
em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus
Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”.
Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias
impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o
dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde
podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio
site da Abramge.
No Brasil,
o Ministério da Saúde registra a cada
ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável
por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais:
a informação não é muito divulgada.
O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis
(DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora
do vírus – e segundo estudo publicado na revista
científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México
e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma
humano.
Podem participar
da premiação, jornalistas profissionais
de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema
escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de
2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos
sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover
a informação sobre saúde e estimular a pesquisa
científica do setor”, diz o presidente da Abramge,
Arlindo de Almeida.
A comissão julgadora dos Prêmios será constituída
de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão
encaminhados aos jurados escolhidos pela direção
da Abramge para análise e indicação dos
melhores trabalhos.
Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem:
R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria
da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos.
E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma
para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no
início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores
no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da
Abramge.
Veja o regulamento
completo dos Prêmios no endereço
eletrônico www.abramge.com.br
- Curso Intensivo de Direito da Saúde Suplementar
Unidas / AssPreviSite
12 de setembro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Oferecer
aos participantes uma visão ampla da legislação
que rege os planos privados de assistência à saúde,
abordando os princípios constitucionais pertinentes ao
direito a saúde, as Leis nº 9.656/98 e 9.961/99,
as resoluções do CONSU e da ANS - Agência
Nacional de Saúde Suplementar, o papel da agência
reguladora, a aplicação subsidiária do Código
de Defesa do Consumidor, a jurisprudência sobre o assunto,
os requisitos dos contratos firmados pelas operadoras, a responsabilidade
dos dirigentes, administradores, gerentes e membros de conselhos,
as exigências econômicas e financeiras, o ressarcimento
ao SUS, a forma de defesa das operadoras, a jurisprudência
administrativa e judicial sobre o assunto.
Além do aspecto teórico, será dada muita ênfase
as questões práticas.
Instrutor
Dr. José Luiz
Toro da Silva
Público
Alvo
Dirigentes,
Gerentes e Diretores de Operadores de Planos de Saúde e de empresas prestadoras de serviços nesta área,
advogados e estudantes de direito, médicos, auditores,
contadores, atuários, peritos e demais interessados em
conhecer este ramo de atividade.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
-
Curso "Como a Enfermagem pode Contribuir para o Controle
de Custos do Hospital" São Paulo-SP
Data do Curso
15/9/2011 a 16/9/2011
Objetivo
Orientar
a equipe de enfermagem a dar mais ênfase no controle
de custos
Público
Alvo
Profissionais de Enfermagem
Programa
Cenário
Atual
- Resistência a Mudanças
- Gestão
de Profissionais
Custos Hospitalares
- Componentes dos Custos
- Classificação
dos Custos
- Sistema de Rateio
- Ponto de
Equilíbrio
Remuneração
Padronização
- Convênios
- Glosas
Enfermagem e Gerenciamento de Custos
Visão Estratégica do Negócio
Inscrições até 09/09/11
Local
Sede Administrativa
Pró Saúde - Rua Guaicurús
nº 563 Lapa
Horário: 8:30 às
17:00
Instrutor - Sarah Munhoz
Doutorado
em Ciências pela Universidade Federal de São
Paulo (2006), Mestrado em Saúde do Adulto pela Universidade
Federal de São Paulo (2002) . Atualmente é professora
Adjunta na disciplina de Administração na Faculdade
de Enfermagem da Universidade de Santo Amaro e Presidente da
Associação Brasileira de Enfermagem - Seção
São Paulo.
Mais
informações
- 66º Congresso Brasileiro de Cardiologia
Local
Centro de
Eventos FIERGS – Federação das
Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul
Avenida Assis Brasil, 8787 - Bairro Sarandic
CEP: 91140-001 – Porto
Alegre - RS
55 (51) 3347-8696
Fax: 55 (51) 3347-8722
Email: kkein@ergs.org.br
Data
16 a 19 de setembro de 2011 (sexta-feira a segunda-feira)
Organização
Sociedade Brasileira de Cardiologia
Avenida Marechal
Câmara,
160/Sala 330 - Centro
CEP: 20020-907
- Rio de Janeiro – RJ
55 (21) 3478-2700
www.cardiol.br
Organização Científica
Gerência
de Eventos da SBC
55 (21) 3478-2700 ramais: 2746, 2748, 2749, 2750, 2751 e 2752
Fax: 55 (21) 3478-2755
E-mail: sbceventos@cardiol.br ou cerj@cardiol.br
Skype: sbc-eventos01
Central
de Inscrições
55 (21) 3478-2700 ramal: 2759
Fax: 55 (21) 3478-2770
E-mail: sbcinscricoes@cardiol.br
-
Curso "Gestão da Logística de Suprimentos
em Serviços de Saúde" São Paulo-SP
Data do Curso
21/9/2011 a 23/9/2011
Objetivo
Possibilitar
aos participantes o desenvolvimento das competências
necessárias para as funções ligadas à Logística
Hospitalar de Suprimentos e ampliar as suas possibilidades de
atuação, considerando os aspectos técnicos
e administrativos.
Público
Alvo
Profissionais
com e/ou sem vivência no setor Hospitalar
Público/Privado, que estejam interessados em ampliar ou
adquirir conhecimento nos assuntos pertinentes à Gestão
da Logística de Suprimentos em Serviços de Saúde.
Programa
FUNDAMENTOS
E ESTRUTURAÇÃO DA LOGÍSTICA
DE SUPRIMENTOS EM SERVIÇOS DE SAÚDE:
- Definição de Logística
de Suprimentos no ambiente hospitalar;
- Organização e estruturação da
Logística de Suprimentos e a sua posição
na estrutura organizacional de um hospital;
ORGANIZAÇÃO E SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO
DOS ESTOQUES EM FARMÁCIA HOSPITALAR:
- Conceitos
básicos em Farmácia
Hospitalar;
- Atribuições do farmacêutico
Hospitalar;
- Sistemas
de distribuição e rastreabilidade de
medicamentos e produtos para saúde;
- Legislações aplicadas à Farmácia
Hospitalar;
- Farmácia Clínica, Farmacovigilância,
CIM e CCIH.
SISTEMAS
DE AQUISIÇÃO E ESTRATÉGIAS DE
NEGOCIAÇÃO:
- Planejamento
e definição das estratégias
de compras;
- Conceitos
de custo total no processo de aquisição
(Sourcing);
- Compras
eletrônicas - (e-procurement, pregão,
leilão reverso);
- Licitação
- Legislação e Princípios;
- Estratégias de negociação;
- Gestão
de contratos.
QUALIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE FORNECEDOR/
NORMALIZAÇÃO DE PRODUTOS PARA SAÚDE:
- Qualificação e avaliação
dos fornecedores;
- Padronização de produtos para saúde como
estratégia de redução de custos;
- Conceitos
de classificação, codificação
e catalogação de produtos para saúde;
ARMAZENAGEM,
MOVIMENTAÇÃO E VALORIZAÇÃO
DOS ESTOQUES
- Técnicas de recebimento e inspeção
de qualidade;
- Armazenamento,
movimentação
e transporte de materiais;
- Valorização dos estoques (método PEPs,
FIFO, Custo Médio Ponderado);
GESTÃO
DOS ESTOQUES
- Principais
conceitos da administração de materiais;
- Conceitos e aplicabilidade
- Estoque
Mínimo, Estoque de Segurança,
Ponto de Pedido;
Lote Econômico,
Curva ABC;
- Normas
de inventário e contagem cíclica;
Inscrições até 16/09/11
Local
Sede Administrativa
Pró Saúde - Rua Guaicurús
nº 563 Lapa
Horário: 8:30 às
17h
Instrutor
- Mônica
Cristina Granzo
Bacharel
em Ciências Contábeis; MBA em Logística
Empresarial, Vasta experiência profissional na área
de Logística e Suprimentos e atual Gerente de Compras
da Pró-Saúde ABASH. Instrutora de cursos pertinentes
a área.
Instrutor - Giselle Mayumi Ishiki
Graduação em Farmácia & Bioquímica,
pós graduação em Farmácia Hospitalar
e Introdução à Farmácia Clínica.
Atual Farmaceutica da Pró Saúde em setor de Compras,
membro Presidente da Comissão de Padronização
de Produtos da Central de Compras, atuação em educação
continuada, visitas técnicas a fabricantes e distribuidoras
de materiais hospitalares e medicamentos, qualificação
de fornecedores.
Mais
informações
-
CBA lança curso de gestão de profissionais de
saúde
Recrutar e capacitar médicos, enfermeiros,
farmacêuticos e outros profissionais da área de
saúde para trabalhar de acordo com padrões internacionais
de qualidade e segurança no cuidado com o paciente.
Esse é um dos objetivos do curso Educação
e Qualificação dos Profissionais de Saúde,
promovido pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação
(CBA) — representante exclusivo no Brasil da maior agência
acreditadora em saúde do mundo, a Joint Commission International
(JCI). As aulas serão ministradas na sede do CBA, no
Rio de Janeiro, nos dias 27 de agosto e 22 de setembro.
O curso,
oferecido em parceria com a Universidade Lusófona
de Portugal, vai abordar temas como recrutamento e retenção
de profissionais, educação continuada, gestão
do conhecimento e pesquisa de clima organizacional. De acordo
com o professor Artur Parreira, as empresas precisam orientar
seus profissionais a manterem os padrões de qualidade
e excelência no desempenho de suas atividades.
"As organizações de saúde esperam
de seus funcionários a capacidade de envolver-se com seus
objetivos, além da melhoria e aprendizado constantes",
explica Parreira. "Para isso, essas instituições
precisam oferecer treinamento permanente para aperfeiçoar
as competências exigidas, manter a agilidade da ação
e evitar a estagnação profissional de seus colaboradores”.
Doutor de
Ciências Biomédicas e subdiretor do Curso
de Gestão Recursos Humanos da Universidade Lusófona,
Parreira vai ensinar durante as aulas como realizar um Plano
de Recursos Humanos bem-sucedido. "O sucesso do plano exige
do gestor capacidade de liderança, visão estratégica
da gestão de RH e atualização a respeito
de temas ligados ao comportamento organizacional. Dessa forma, é possível
manter a equipe sempre motivada e evitar o turnover de profissionais
qualificados", enfatiza.
O curso Educação e Qualificação
dos Profissionais de Saúde é voltado para gestores
e lideranças intermediárias de instituições
de saúde. O valor do investimento é de R$ 600 e
a carga horária é de 24 horas/aula. As inscrições
podem ser realizadas pelos e-mails eventos@cbacred.org.br ou
secretaria.eventos@cbacred.org.br ou através dos telefones
(21)3299-8241, 3299-8202 e 3299-8234.
Assessoria de Imprensa
SB Comunicação,
tel. (21)3798-4357
Simone Beja, tel. (21)9367-3722
Igor Waltz, tel. (21)7674-1492
- I Simpósio Norte- Nordeste de Gestão
Hospitalar
Temática: Turismo de Saúde
Objetivo
O Simpósio Norte-Nordeste de Gestão-Hospitalar,
tem como enfoque desta edição o Turismo de Saúde,
abordando temas, reflexões e ações que venham
a contribuir no aprimoramento da gestão hospitalar para
o incremento do Turismo de Saúde de Pernambuco. A cidade
do Recife é considerada o 2º maior Pólo Médico
do país, contando com centros de excelência em medicina
já inseridos na certificação em “acreditação
hospitalar”. Por isto a necessidade do incremento do investimento
neste nicho de Turismo no Estado de Pernambuco.
Dia
e Horário:
Data: 22 de setembro de 2011
Horário: 08:00 às
18:00h
Local: Salão de Convenções do Real Hospital
Português
-
1º Congresso Nacional de Hospitais Privados
Promovido
pela ANAHP – Associação Nacional
de Hospitais Privados em cooperação com a HOSPITALAR
Feira e Fórum, o evento vai reunir os principais tomadores
de decisão no setor de saúde para compartilhar
experiências em gestão.
De 28 a 30
de setembro, administradores de hospitais públicos
e privados, médicos, lideranças setoriais e profissionais
da área estarão reunidos no Hotel Unique, em São
Paulo. Com o tema central "A Importância dos Hospitais
Privados na Saúde: Hoje e Amanhã", palestrantes
nacionais e internacionais falarão sobre Sustentabilidade,
Gestão do Corpo Clínico, Parcerias Público-Privadas,
Segurança do Paciente, Governança Clínica,
Governança Corporativa, Indicadores de Desempenho, entre
outros.
Iniciativa
inédita, o evento é dedicado à gestão
de estabelecimentos de saúde, troca de experiências
e conhecimento do setor e terá a participação
dos principais hospitais do País. Para conhecer o programa
e inscrever-se, basta acessar www.cnhp.com.br
- 14º Conferência Nacional de Saúde
Tema
“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA
PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”
A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada
em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional.
As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram
dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa
Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os
dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.
Mais informações
no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html