08-12-11

 

Leia nesta edição:

- Produto especial para saúde pode ser aprovado em 2012

- Senado proíbe bisfenol em produto para bebê

- Senado aprova Emenda 29, que regulamenta repasses na Saúde

- Quando o corpo queima

- Senado aprova projeto para que SUS cubra cirurgias plásticas

- Mortalidade por câncer de mama é maior em mulheres latinas

- Farmacêuticas são investigadas por barrar genéricos

- Casos de hepatite dobram na cidade em quatro anos

- Sírio Libanês capta mais de R$ 600 milhões para dobrar capacidade

- Programa de combate ao crack prevê internação involuntária de usuários

- Subcomissão da Saúde Complementar encerra trabalhos sem votar relatório

- Casos de mortes por malária caem 20% em 10 anos

- Governo e sociedade definem ações para Região do Xingu

- Padilha é contra consumo de bebidas alcoólicas em estádios durante a Copa

- Oficina de trabalho reúne apoiadores da Rede Cegonha

- EUA proíbem pílula do dia seguinte sem receita médica

Quinta-feira, 08.12.11

VALOR ECONÔMICO

Produto especial para saúde pode ser aprovado em 2012

Uma das opções da indústria de seguros para ajudar as pessoas a enfrentar as despesas com saúde na velhice é o PrevSaúde, que está há alguns anos na agenda de debates entre os executivos de previdência e o governo. O assunto já foi discutido exaustivamente entre as empresas privadas e técnicos da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Agência Nacional de Saúde (ANS).

Segundo Marco Antonio Rossi, presidente da Federação Nacional das Empresas de Previdência Privada Aberta e Vida (Fenaprevi), há grande expectativa de o produto ser aprovado em 2012. "Saúde é um problema de todos: do governo, das empresas, dos indivíduos, do setor. Por isso, toda a sociedade deve empenhar-se para encontrar soluções."

Trata-se de um produto nos moldes do plano de previdência aberta, como Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), criado para acumulação de recursos destinados a projetos de longo prazo. A proposta do PrevSaúde é criar um fundo de acumulação de recursos que possibilite uma reserva para cobrir despesas médicas na terceira idade, a fase que demanda mais médicos, laboratórios e hospitais. "Em qualquer lugar do planeta cuidados com a saúde têm um peso adicional nos custos do governo e também no orçamento das famílias", diz Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica e da Fenaprevi.

O que diferencia o PrevSaúde dos demais planos é a tributação. Além de ter incentivo fiscal como os "primos", o plano de saúde teria um algo a mais, com uma tributação específica. O desenho do produto prevê isenção fiscal para os recursos destinados à saúde e a possibilidade de resgate para outros fins, como educação.

Segundo alguns executivos das empresas de previdência privada envolvidos nas negociações com o governo, o impasse envolve atualmente a Receita Federal. De acordo com fontes do setor, a dificuldade está em chegar a um acordo sobre qual será a tributação nos 24 primeiros meses de vigência do plano. Outros pontos, no entanto, já estão claros. A forma de acumulação de recursos é praticamente igual a um plano de previdência privada aberta. A perspectiva é de que o produto possa ser contratado individual ou coletivamente, com contribuições mensais e também aportes extraordinários.

A portabilidade de planos tradicionais para o PrevSaúde também já é um ponto comum entre os técnicos, bem como as diversas opções de receber o benefício: renda vitalícia, saque total do valor acumulado de uma só vez; ou em parcelas definidas pelo titular.

Um dos grandes defensores do PrevSaúde, além das empresas, é o presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor) e ex-titular da Susep, Armando Vergílio dos Santos Júnior, que batalhou para que o produto fosse aprovado ainda durante a sua gestão.

Segundo ele, o produto traz ganhos para todos, inclusive para o próprio governo, uma vez que ao disponibilizar recursos para um plano de saúde privado, o idoso deixa de utilizar o serviço público de saúde. Segundo Marco Antonio Rossi, da Fenaprevi, a expectativa das empresas do setor é de que haverá grande demanda pelos planos. "O produto foi concebido para atender as necessidades dos trabalhadores de renda mais baixa, que depois de se aposentarem acabam voltando a engrossar as filas do Sistema Único de Saúde", observa.

A proposta visa beneficiar tanto quem não pode pagar um plano de saúde, como também transformar o fundo em renda vitalícia para que possa arcar com os custos do plano dos mais velhos.

FOLHA DE S. PAULO

Senado proíbe bisfenol em produto para bebê

Márcio Falcão

Substância tem efeito hormonal e pode afetar saúde; projeto ainda vai para a Câmara

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou nesta quarta-feira novas restrições ao uso do bisfenol A (BPA) na fabricação de produtos para bebês. Projeto aprovado na comissão proíbe a venda de mamadeiras e chupetas que contenham essa substância.

O aditivo, usado para dar maior resistência ao plástico policarbonato, ainda está presente em parte das mamadeiras à venda no país.

Em setembro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a proibição da venda e fabricação de mamadeiras que contenham bisfenol. A indústria recebeu um prazo de adaptação até o fim de dezembro.

A substância é suspeita de causar doenças como câncer e problemas de comportamento, além de obesidade, puberdade precoce e infertilidade, porque o aditivo teria uma ação similar à de hormônios humanos.

No entanto, não há evidências conclusivas desses efeitos na saúde. A maior parte dos estudos, até hoje, foi feita com animais.

Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, instituto que representa a indústria do plástico, afirma que as chupetas não contêm a substância. "Os bicos são feitos de látex, EVA ou silicone. A base da chupeta é de polipropileno, que não tem bisfenol."

Para o endocrinologista Francisco Homero D'Abronzo, especialista no tema, a lei é válida mesmo assim, porque ao menos avança no tema, mas ainda deixa de fora outros produtos que contêm a substância.

Além das mamadeiras, o BPA é encontrado em embalagens de alimentos, como latas de molho de tomate, e de refrigerantes.

O relator do projeto, senador Paulo Davim (PV-RN), que é médico, diz que a substância é cancerígena e pode causar alterações hormonais e desregular a tireoide.

A França e os Estados Unidos já restringiram o uso da substância em produtos usados por bebês e crianças.

A decisão de ontem na comissão tem caráter definitivo para o Senado. Se não receber recurso em cinco dias, não precisará passar pelo plenário e poderá seguir para análise na Câmara.

ESTADÃO.COM.BR

Senado aprova Emenda 29, que regulamenta repasses na Saúde

O governo conseguiu aprovar nesta quarta-feira, 7, no Senado a regulamentação do mecanismo que define os valores mínimos a serem investidos na Saúde. A proposta que obrigava a União a repassar pelo menos 10% de seus recursos para a área foi derrubada. Em seu lugar, os senadores aprovaram o projeto que veio da Câmara dos Deputados que mantém o sistema atual de repasse de dinheiro. O texto agora segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.

A regulamentação da chamada Emenda 29 foi aprovada por 70 votos a favor e um contra. Com a manutenção da sistema vigente de distribuição, os Estados são obrigados a destinar pelo menos 12% de suas receitas para a área. No caso dos municípios, o repasse mínimo é de 15%. A União fica obrigada a investir o valor aplicado em um ano, corrigido pela variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, ou seja, em 2012 o Planalto terá que destinar à Saúde o valor gasto este ano corrigido em 7,5%, que foi a taxa de expansão da economia em 2010.

Com a aprovação da regulamentação da Emenda 29, a presidente Dilma Rousseff se livra de um dos motivos de suas dores de cabeça no Congresso, alvo da chantagem de parte de seus aliados. Os outros dois motivos são a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2015, já aprovado pelos deputados, que será votada nesta quinta-feira no Senado, e o aumento dos salários do Judiciário, adiado para o ano que vem.

CORREIO BRAZILIENSE

Quando o corpo queima

A azia pode atacar ocasionalmente, mas há quem conviva com o problema, gerado pela passagem da acidez do estômago para o esôfago

Humberto Siqueira

Quem exagera na bebida alcoólica ou na quantidade de comida no prato pode sofrer com o problema, assim como muitas grávidas. Chegado dezembro, o mês de concentração de festas, confraternizações, Natal e réveillon, todos regados a um cardápio farto e bebidas de todo tipo, é bom redobrar a atenção com a saúde alimentar, pois a sensação de queimação na "boca do estômago", bem conhecida pela população, pode atacar. A azia se manifesta em algumas pessoas ocasionalmente, por conta de um dia de excessos. Mas há quem conviva com o problema e precise procurar um médico para buscar uma solução definitiva, em vez de constantes medidas paliativas.

O mal aparece quando a acidez do estômago reflui para o esôfago, que não é preparado para recebê-lo, causando o desconforto e a sensação de queimação. Segundo José Carlos Ferreira Couto, vice-presidente do Departamento de Gastroenterologia da Associação Médica de Minas Gerais, "o mais comum é o refluxo ácido. Mas também há o refluxo alcalino, causado pela bile. Mas é bem mais raro", revela.

Ele explica que o organismo tem uma boa capacidade de reagir à azia, com saliva e peristaltismo, que é o movimento muscular que auxilia no encaminhamento do alimento para o estômago. Mas nem sempre é o suficiente.

O caso costuma ser mais grave quando a pessoa tem a doença do refluxo gastroesofágico e hérnia de hiato. "A hérnia é uma posição anormal do estômago em relação ao diafragma. Entre eles há uma válvula muscular, chamada esfíncter esofágico inferior, com a função de lacrar a entrada do estômago. O esôfago se contrai para fechá-la. Quando há um relaxamento anormal dessa válvula, há refluxo e azia. Obesos têm maior propensão ao problema", conta.

Álcool, café, chocolate, alimentos gordurosos, condimentos, chá mate, chá preto e tabaco são grandes potenciais relaxantes do esfíncter. A ingestão de muitos líquidos, especialmente os gasosos, durante uma refeição também é ruim. Assim como medicamentos corticoides e alguns sedativos. Também não é bom deitar depois das refeições - uma dica é colocar um calço de 15 centímetros na cabeceira da cama para deixar a cabeça mais alta em relação ao restante do corpo, o que dificultará o refluxo.

No caso das grávidas, a mulher passa por um processo de transformação hormonal grande, o que prejudica o funcionamento da musculatura da junção esôfago-gástrica. Associado com o crescimento progressivo do útero, faz um aumento da pressão sobre o estômago, que é empurrado para cima nas fases finais da gravidez, favorecendo o refluxo.

Tratamento

Para aliviar a sensação de queimação, pode-se tomar antiácidos à base de hidróxido de alumínio ou de magnésio. "Mas não se deve fazer uso contínuo. É para exceções, num dia de abuso de comida ou bebida. Quem tem azia frequentemente, precisa procurar um médico. Existem complicações como esofagite leve ou intensa, inclusive com úlceras (sangramentos) e em casos mais graves até a estenose (estreitamento) do esôfago. Em casos mais raros e graves, a inflamação crônica pode trazer mudanças nas células do esôfago e causar metaplasia intestinal, conhecida como esôfago de Barrett, que pode evoluir para um câncer", esclarece José Carlos.

Para confirmar o diagnóstico e descartar a existência de complicações, às vezes é necessário fazer exames endoscópicos (endoscopia digestiva alta), com ou sem a prova de Bernstein (teste de infusão de ácido no esôfago, que quando positivo provoca dor) e mais raramente, testes de determinação do pH esofágico (pHmetria esofageana, que mede a presença e o teor da acidez patológica no esôfago). Uma ótima prova para demonstrar que os sintomas são causados pelo refluxo de ácido é a biópsia (exame ao microscópio de fragmentos da mucosa do esôfago) ou a prova de Bernstein, principalmente quando os achados endoscópicos da mucosa esofageana são normais.

A biópsia é também o método para diagnosticar o esôfago de Barrett. Em casos mais sintomáticos, faz-se o tratamento com medicamentos que são potentes inibidores da produção do ácido, cientificamente conhecidos como bloqueadores da bomba de prótons. É um tratamento mais longo. A opção cirúrgica só é feita em último caso, quando não se consegue uma boa resposta ao tratamento medicamentoso.

A relação da azia com atividades físicas não é preocupante. A pessoa com hérnia de hiato e doença de refluxo tem que evitar exercícios que aumentem a pressão intra-abdominal. "Basicamente, as abdominais devem ser realizadas em séries pequenas, de 10 repetições. Esportes como futebol, tênis e natação não influem", afirma o gastroenterologista José Carlos Couto.

Mitos nada eficazes

Uma prática muito comum entre as pessoas com azia é o uso do bicarbonato de sódio ou do leite para amenizar o desconforto. Mas o médico mineiro José Carlos Couto alerta que a bebida é alimento e não remédio. Ao bloquear a acidez do estômago, acaba por induzi-lo a produzir mais ácido. O mesmo ocorre com o bicarbonato. "Leite e bicarbonato, no momento em que são ingeridos, promovem o alívio, mas causam o efeito rebote. Duas ou três horas depois, a pessoa está com mais azia. Isso porque o leite tem gordura, açúcar e proteínas que precisam ser digeridas. Assim, o estômago libera mais ácido", ensina. Há outras receitas caseiras, como chá de casca de batata ou água com limão, e ambos também devem ser evitados. "Não se consegue um tratamento confiável com esses procedimentos", diz o médico. Além disso, há outros fatores a serem considerados. A batata, por exemplo, recebe muito agrotóxico para seu cultivo. E a maior parte se concentra na casca. "Outro mito é o de tomar uma colher de azeite antes de consumir bebida alcoólica. Não tem nenhuma influência na prevenção da azia", completa.

PORTAL R7

Senado aprova projeto para que SUS cubra cirurgias plásticas

Na sessão realizada nesta quarta-feira (7), a CAS (Comissão de Assuntos Sociais do Senado) aprovou dois projetos de lei, em decisão terminativa, o que autoriza o encaminhamento direto à Câmara dos Deputados, sem a necessidade de serem votados no plenário da Casa. As duas propostas são de iniciativa do senador Gim Argello (PTB-DF).

Um dos projetos inclui as cirurgias plásticas corretivas ou reparadoras entre os procedimentos terapêuticos que deverão ser prestados pelo SUS (Serviço Único de Saúde).

O senador afirma que a lei se faz necessária diante das dificuldades de acesso a esse tipo de cirurgia na rede pública de saúde, "mesmo aquelas para reparar sequelas graves e deformantes".

– A explicitação do direito serve, assim, para assegurá-lo definitivamente e para que não reste dúvida sobre a importância do procedimento.

O outro projeto aprovado proíbe a comercialização ou a doação de mamadeiras, bicos e chupetas que contenham a substância bisfenol-A em sua composição. A iniciativa repete decisão adotada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em setembro. O órgão alega que, apesar de não haver resultados conclusivos sobre o risco da substância, a proibição tem por objetivo a proteção de crianças.

FOLHA.COM

Mortalidade por câncer de mama é maior em mulheres latinas

As mulheres latinas têm mais chance de morrer por câncer de mama, assegura um estudo apresentado nesta quarta-feira no simpósio da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer (AACR).

A doutora Kathy B. Baumgartner, professora de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Louisville, Estados Unidos, assinalou que "esta diferença pode estar associada com um fenótipo tumoral que é menos sensível à quimioterapia".

Ela apresentou o estudo durante o Simpósio do Câncer de Mama realizado no Texas e pediu "uma maior consciência desta disparidade étnica para melhorar a sobrevivência das mulheres latinas com a doença", informa a organização.

O câncer de mama é o tipo mais comum e o segundo que mais mortes causa em mulheres nos EUA, com taxas de incidência e sobrevivência que variam segundo a etnia, de acordo com a associação.

Estudos anteriores mostram uma tendência de menor sobrevivência a este tipo de câncer aliada a fatores socioeconômicos, uma vez que elas não têm acesso a tratamento adequado e a exames de detecção de alto nível.

No entanto, esta nova tese indica uma resposta inferior das latinas à quimioterapia, o que pode acontecer por um fator genético.

Baumgartner e sua equipe realizaram entre 1992 e 1996 uma pesquisa no Novo México, quando observaram 692 mulheres para examinar as diferenças de impacto entre as brancas não latinas e as latinas.

Posteriormente, fizeram até 2008 um acompanhamento com 577 mulheres que desenvolveram um tipo invasivo, para avaliar as diferenças nas taxas de sobrevivência a longo prazo.

Os resultados mostraram que as latinas tinham 20% mais chance de morrer por câncer de mama. Além disso, as latinas que receberam a quimioterapia tiveram probabilidade 50% maior de morrer por causa da doença.

A doutora assinalou que "alguns estudos sugerem que as latinas são mais propensas a desenvolver tumores ER-negativos, que são resistentes à quimioterapia".

Quarta-feira, 07.12.11

FOLHA DE S. PAULO

Farmacêuticas são investigadas por barrar genéricos

Secretaria de Direito Econômico abriu processo contra três laboratórios que teriam usado processos na Justiça para impedir concorrência

A SDE (Secretaria de Direito Econômico) do Ministério da Justiça abriu processos administrativos para investigar três farmacêuticas que teriam entrado com ações na Justiça para impedir a venda de versões genéricas de remédios que comercializam.

A secretaria investiga as ações da Genzyme em relação ao remédio Renagel, para insuficiência renal; da Lundbeck, quanto ao antidepressivo Lexapro, e da Eli Lilly a respeito do medicamento Gemzar, para câncer.

"Abrimos o processo porque havia indícios de conduta anticompetitiva. Impedir a concorrência tem impacto direto para o consumidor e para a sociedade, por causa das licitações do SUS", afirma Vinicius Carvalho, secretário de Direito Econômico.

Segundo a SDE, a Genzyme e a Lundbeck entraram na Justiça contra a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), alegando que a agência usou informações confidenciais para registrar as versões genéricas.

Há também suspeitas de que a Lundbeck tenha feito campanha contra genéricos e similares para consumidores e associações de pacientes que usam o Lexapro.

No caso da Eli Lilly, a empresa entrou com ações e recursos na Justiça pedindo a exclusividade da venda do Gemzar, mas a patente do princípio ativo foi negada pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual).

Ainda assim, a empresa conseguiu uma liminar que retirou a possibilidade de o genérico participar de algumas licitações. Com a revogação da liminar, o preço baixou de R$ 589 para R$ 189.

As conclusões da investigação serão enviadas ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Em caso de condenação, as empresas podem pagar multa de até 30% de seu faturamento bruto.

OUTRO LADO

A assessoria da Eli Lilly diz que não teve acesso ao processo e que buscou o judiciário de acordo com a legislação para proteger o que entende ser seu direito.

A Genzyme do Brasil diz refutar qualquer acusação de prática de concorrência desleal. "A empresa sempre se pautou pelo respeito à concorrência", afirmou.

João Carlos Rocha, gerente geral da Lundbeck, afirma que a empresa não ingressou com qualquer ação judicial de modo abusivo para garantir a venda do Lexapro.

JORNAL DA TARDE

Casos de hepatite dobram na cidade em quatro anos

Felipe Oda

O número de casos de hepatites B e C identificados na capital praticamente dobrou em quatro anos. Dados consolidados do Ministério da Saúde sobre a evolução da doença, divulgados ontem, apontam crescimento de 133% nas infecções do tipo C e de 98% para o tipo B, de 2006 a 2009. Os números compõem os Indicadores e Dados Básicos de Saúde (IDB-2010), relatório antecipado pelo JT na semana passada.

Juntas, as hepatites respondem por metade das indicações para transplante de fígado em São Paulo, segundo dados da pasta estadual da Saúde. Essa proporção vale também para o País. No caso da hepatite C, transmitida por meio de sangue contaminado, o perigo é ainda maior: 80% dos casos evoluem para a fase crônica - os sintomas costumam aparecer anos ou décadas após o contágio, quando a doença já está em estágio avançado.

É justamente o tipo C que predomina na cidade. Em 2006 foram registradas 902 ocorrências na cidade, número que chegou a 2.106 em 2009.

Os número do IDB 2010 indicam que a hepatite C é mais comum em homens na cidade. Mas, para o médico Mário Guimarães Pessoa, vice-presidente da SBH e profissional do Núcleo de Fígado do Hospital Sírio-Libanês, o total de casos pode ser ainda maior porque haveria subnotificação entre as mulheres. "Elas não estão sendo diagnosticadas."

Homens são maioria entre os doadores e receptores de bancos de sangue, segundo os especialistas. Por isso, acabam sendo mais submetidos aos exames de detecção de hepatite. "E a sorologia para detecção da hepatite C é relativamente nova. Foi introduzida na década de 1990", diz o infectologista Marcos Antonio Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Isso explica, por exemplo, por que a doença, ao contrário da hepatite B (de contágio sexual) não predomina entre os mais jovens. De 2006 a 2009, a maioria (52,5%) dos paulistanos infectados descobriu a hepatite C entre 40 e 59 anos. Foi assim com Sueli Margarido, de 61 anos, diagnosticada aos 40.

"Precisei de bolsa de sangue após o parto da minha primeira filha. Descobri a doença anos depois, ao doar sangue", conta ela, que teve de passar por transplante de fígado. "Provavelmente, esse grupo, mais velho, recebeu transfusões sem triagem ou compartilhou materiais perfurocortantes", analisa Pessoa.

Antes da década de 1990, diz Cyrillo, não existia "controle de qualidade" nas transfusões sanguíneas. Ainda hoje há falhas. O Ministério da Saúde, contudo, afirmou ontem à reportagem que, em março, o País terá mudanças na aplicação do teste de sangue NAT, mais eficaz na detecção do vírus da hepatite.

No caso da hepatite B, o aumento de identificação dos casos está ligado ao comportamento. Os mais jovens, que já perderam o medo da aids, abandoram o uso de preservativos, abrindo a porta para outras doenças. "A transmissão ocorre sobretudo em relações sexuais sem camisinha. Tanto é que a hepatite B é considerada uma DST (doença sexualmente transmissível)", frisa Pessoa.

Paulistanos de 20 a 39 anos, em plena atividade sexual, representaram, de 2006 a 2009, metade (49%) dos casos de hepatite B. "É um grupo que, talvez, não tenha tido acesso à vacinação", diz a hepatologista Claudia Oliveira, da Faculdade de Medicina da USP. A vacina contra a doença foi adotada no calendário nacional só em 1989. A pasta da Saúde informou à reportagem que a faixa etária que poderá recebê-la será ampliada em 2012, atingindo pessoas de até 29 anos.

SAÚDE WEB

Sírio Libanês capta mais de R$ 600 milhões para dobrar capacidade

Além de recursos próprios e do BNDES, hospital acorda empréstimo com três bancos internacionais: DEG, da Alemanha, Proparco, da França, e BID, dos EUA

Com taxa de ocupação em torno de 85%, aumento nas filas de internação e do pronto-socorro, o Hospital Sírio Libanês decidiu dobrar a capacidade de atendimento da unidade Bela Vista (SP), passando de 358 leitos para 692 até 2020. Tamanha ambição impulsionou a entidade a levantar mais de R$ 600 milhões.

Além dos próprios recursos e do BNDES, o hospital decidiu buscar alternativas de captação no exterior. A atitude pioneira rendeu três contratos com bancos internacionais: DEG, da Alemanha, Proparco, da França, e o BID, dos Estados Unidos.

"Essa experiência de buscar parcerias externas é uma quebra de paradigma para o setor hospitalar", ressalta o superintendente de controladoria e finanças do Sírio Libanês, Carlos Alberto Marsal. Esta foi a primeira vez que os bancos DEG e Proparco firmaram contrato de empréstimo com um hospital da América Latina.

De acordo com o executivo, havia a necessidade de recursos com condições adequadas à filantropia. "A amortização não poderia ser inferior ao período de inauguração do prédio, previsto para 2013", conta Marsal.

As linhas de crédito com os quatro bancos foram aprovadas entre 2010 e 2011. O contrato com o BID é diferente dos demais, sendo caracterizado como capital reserva.

Apesar da negociação com as instituições estrangeiras, o BNDES é o principal financiador do projeto, com R$ 430 milhões. O Empréstimo faz parte do programa do Ministério da Saúde de estímulo aos principais hospitais do Brasil, entre eles o Sírio Libanês (SP), Albert Einstein (SP), Alemão Oswaldo Cruz (SP), HCor (SP), Samaritano (SP) e Moinhos de Vento (RS).

As condições, estabelecidas em março deste ano com o BNDES são de quatro anos de carência, prazo total de 12 anos para pagar, com taxa de correção de 8% ao ano. A contrapartida do Sírio junto à entidade será na destinação de 5% do valor da linha de crédito para o SUS.

O valor acordado com os bancos DEG e Proparco foi de US$ 40 milhões, o equivalente a R$ 75 milhões na época da negociação. Ambas as instituições compartilham o risco mediante as seguintes condições: quatro anos de carência, taxa de correção de 4,3% ao ano e dez anos para pagar.

"Objetivo é garantir um Ebtida médio (lucro antes de juros, impostos, amortização, e depreciação) de 13% nos próximos anos, para que a geração de caixa complemente as necessidades de recursos", diz Marsal.

No primeiro momento, a linha de crédito de US$ 40 milhões, aprovada junto ao BID, não será usada. "Vamos verificar como evoluirá a expansão para, depois, avaliar se haverá necessidade do crédito complementar", explica Marsal.

Entre as áreas críticas a serem expandidas estão os serviços de diagnósticos, incluindo abertura de unidades externas para suprir a demanda; serviços de oncologia e salas cirúrgicas, passando de 19 para 31.

De acordo com Marsal, a cada ano - até 2020 - serão abertos 71 leitos. "Este é o escalonamento de ocupação projetado para evitar riscos", afirma o superintendente.

PORTAL G1

Programa de combate ao crack prevê internação involuntária de usuários

O programa do governo federal contra o crack, lançando nesta quarta-feira (7) pela presidente Dilma Rousseff, prevê a internação involuntária de usuários. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, serão criados 308 “Consultórios de Rua”, com médicos, psicólogos e enfermeiros, que farão busca ativa de dependentes e avaliarão se a internação pode ser voluntária (com o aval do usuário) ou involuntária (contra a vontade do paciente).

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, no país há três tipos de internação: a voluntária, com consentimento do paciente; a involuntária, no caso de menores de idade ou pacientes em crise; e a compulsória, quando a Justiça determina a internação. No caso de internação involuntária, o hospital deve comunicar o Ministério Público estadual em até 72 horas.

Padilha explicou que a Organização Mundial da Saúde e o Estatuto da Criança e do Adolescente já prevêem a internação involuntária. “A própria lei autoriza esse tipo de internação por medida de proteção à vida. Os Consultórios de Rua farão uma avaliação sobre o risco à vida da liberação do dependente químico”, afirmou.

Atualmente a internação involuntária é realizada, mas não como política pública de combate às drogas, disse o ministro. De acordo com o ministro da Saúde, 20% das mortes de usuários de crack são em decorrência de “situações de violência.”

O programa

O conjunto de ações integradas para o combate ao crack anunciadas por Dilma terá orçamento de R$ 4 bilhões do governo federal. Com o lema “Crack, é possível vencer”, o programa possui três eixos: cuidado, autoridade e prevenção.

O primeiro é voltado ao tratamento dos usuários, com a ampliação e qualificação da rede de atenção e criação de uma rede de atendimento especializada chamada “Conte com a gente”.

O programa prevê enfermarias especializadas em dependência química no Sistema Único de Saúde (SUS), com investimento de R$ 670,6 milhões. A previsão é de que sejam criados 2.462 leitos destinados ao tratamento de usuários de drogas.

“As pessoas usam tráfico às vezes para evitar a exclusão ou como forma de inclusão, para trabalhar mais, como na zona rural. Por isso, temos que ter atendimentos diferentes, individualizados. É preciso reconstruir um projeto de vida e um sentido da vida para essas pessoas”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O governo federal fará parcerias com entidades privadas voltadas à recuperação de dependentes químicos. As entidades que serão beneficiadas com financiamento público serão escolhidas através de seleção pública de projetos.

Em meio a uma série de denúncias de irregularidades em convênios com Organizações Não Governamentais (ONGs), principalmente nos Ministérios do Esporte e do Trabalho, Padilha enfatizou que o governo vai, segundo ele, “separar o joio do trigo” na seleção das entidades.

Atendimento no SUS

O ministro Alexandre Padilha afirmou ainda que, entre 2003 e 2011, passou de 25 mil para 250 mil a média mensal de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) a usuários de álcool e drogas em todo país.

O número de atendimento dos Centros de Atenção Psicossociais (Caps), segundo assessoria do ministério da Saúde, passou de 25 mil - média mensal de atendimentos no ano - em 2003 para 250 mil atendimentos mensais em 2011, considerando dados até outubro deste ano.

Para o ministro, o país vive uma epidemia de crack, o qual classificou como “ferida social”. “Temos que reconhecer que estamos sim tecnicamente diante de uma epidemia de crack em nosso país”.

Capacitação

Como parte do programa lançado por Dilma, o Ministério da Saúde vai habilitar para o atendimento específico a usuários de drogas 350 auxiliares de enfermagem, 11 mil profissionais de saúde, 100 mil alunos de graduação na área de saúde, 15 mil gestores e profissionais das Comunidades Terapêuticas.

As vagas de residência em psiquiatria nos hospitais públicos aumentarão em 82% e serão criadas 304 novas vagas especificamente para residência multifuncional em saúde mental. Além disso, serão habilitados 1.650 profissionais para atuarem como teleconsultores.

Autoridade

No eixo “autoridade”, o objetivo é intensificar as ações de inteligência e investigação para identificar e prender traficantes de drogas, assim como desarticular organizações criminosas que atuam no comércio de substâncias ilícitas.

Para isso, o programa prevê maior integração das ações de inteligência da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais. De acordo com o Palácio do Planalto, será realizado policiamento ostensivo nos pontos de uso de drogas em cidades de todo o país, além de projetos de revitalização desses locais.

"Não se combate o crime organizado sem ações de inteligência, estaremos integrando informações para que possamos desenvolver nossas atividades", afirmou o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, também presente no evento.

Segundo Cardozo, primeiro será feito um serviço de levantamento de dados para definir número de usuários e o funcionamento do consumo em locais de concentração do comércio de crack. A partir disso, agentes de saúde e policiais atuarão no local para orientar os usuários. Em seguida, haverá ocupação dos locais de consumo por policiais capacitados.

“Haverá policiamento ostensivo no local. Os policiais serão capacitados e treinados para enfrentar situações", disse Cardozo. O ministro afirmou ainda que serão ampliadas as operações em conjunto dos Ministérios da Saúde e Defesa para o combate ao crime organizado e tráfico de drogas nas fronteiras do Brasil com países vizinhos.

Prevenção

No eixo “prevenção”, o programa prevê ações que visam levar informações a escolas e comunidades com a finalidade de evitar o surgimento de novos usuários. A previsão do governo é capacitar, em quatro anos, 210 mil educadores através do Programa de Prevenção do Uso de Drogas na Escola, e 3,3 mil policiais militares do Programa Educacional de Resistência às Drogas.

O objetivo é que os profissionais e policiais atuem na prevenção do uso de drogas em 42 mil escolas públicas. Serão beneficiados 2,8 milhões de alunos por ano.

Outra ação do governo é facilitar o acesso por telefone a informações sobre drogas. O atendimento telefônico VivaVoz, que auxilia e orienta usuários e familiares de dependentes, passará de 0800 para o número de três dígitos 132.

Psiquiatria

O Ministério da Saúde também planeja aumentar em 82% até 2014 o número de vagas ofertadas para a residência médica em psiquiatria. A medida tem como objetivo garantir a ampliação do atendimento aos dependentes químicos.

AGÊNCIA CÂMARA

Subcomissão da Saúde Complementar encerra trabalhos sem votar relatório

A subcomissão especial destinada a avaliar o Sistema de Saúde Complementar encerrou seus trabalhos nesta quarta-feira sem votar o relatório do deputado Mandetta (DEM-MS) que, entre outras medidas, propõe a criação de um conselho nacional para solucionar problemas imediatos em torno dos planos e seguros privados de saúde.

O prazo de funcionamento da subcomissão termina amanhã (8), mas um pedido de vista do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) inviabilizou a votação do relatório. "O relatório foi apresentado no último dia e não voto um texto sem conhecer seu inteiro teor", argumentou o deputado. A matéria só poderia ser analisada após a realização de duas sessões ordinárias da Câmara.

Mandetta pretende agora apresentar um projeto de lei sobre o assunto na Comissão de Seguridade Social e Família, à qual a subcomissão estava vinculada. Segundo o parlamentar, se o sistema de saúde complementar continuar como está, vai entrar em colapso. Entre os problemas, Mandetta mencionou a falta de um órgão mediador de conflitos e as regras atuais que, na sua avaliação, são limitadoras do crescimento do setor.

Conselho nacional

O texto de Mandetta estava acompanhado de um projeto de lei que cria o Conselho Nacional de Saúde Suplementar, de caráter deliberativo e com poder para definir diretrizes e controlar a execução da política no setor. A proposta altera as leis 9656/98, que trata dos planos e seguros privados de assistência à saúde; e 9961/00, que cria a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O novo órgão, de acordo com o projeto, teria como integrantes o presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ou representante; o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça; e representantes dos ministérios do Trabalho e da Previdência Social; além de 16 representantes dos consumidores (8 titulares e 8 suplentes, contemplando todas as regiões do País); 8 representantes dos trabalhadores em saúde (4 titulares e 4 suplentes); e 8 representantes das operadoras (4 titulares e 4 suplentes).

“Os avanços de controle social, de gestão participativa, são sistematicamente freados por forças retrógradas que não querem a participação na tomada de decisão”, afirmou. O relatório de Mandetta também impede que os planos de saúde dificultem o acesso de pessoas por idade ou doença.

CORREIO BRAZILIENSE

Casos de mortes por malária caem 20% em 10 anos

Boas e más notícias vêm da Filadélfia, nos Estados Unidos, sede do Encontro Anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene — que debate, entre outros temas, a questão da malária. Pesquisadores de um consórcio liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciaram o desenvolvimento do primeiro Atlas da Malária, com tabelas e mapas sobre a situação da segunda doença mais incidente do mundo (atrás apenas da Aids), que leva à morte 1 milhão de pessoas por ano. Os dados revelam que a África, região que concentra cerca de 90% dos casos da doença, vem aumentando o controle do número de casos. O número de mortes caiu 20% nos últimos 10 anos. Por outro lado, a América Latina e o sudeste asiático são os novos locais de maior suscetibilidade da doença.

Outro dado apresentado pelo mapa da malária é a mudança no perfil do patógeno causador da doença. O Plasmodium falciparum, responsável pela forma mais grave, que pode inclusive levar à morte, começa a ser controlado, graças a inseticidas cada vez mais potentes e à ampliação no acesso ao tratamento dos doentes, especialmente no continente africano. O Plasmodium vivax, responsável pela forma reemergente da malária — quando o parasita se aloja no fígado e, de tempos em tempos, faz com que o paciente reapresente os sintomas —, vem se tornando uma ameaça cada vez mais importante, inclusive em regiões onde ele já tinha sido controlado, como a Índia.

Em entrevista ao Correio, o pesquisador Chris King, da Case Western Reserve University, nos Estados Unidos, explicou como, aos poucos, a epidemia global da doença vai ganhando novos contornos. “As ações globais que incluíram educação da população e o uso de medicamentos mais eficazes e de inseticidas específicos vêm fazendo os novos casos desacelerarem e a doença se estabilizar”, explica. “Apesar de os dados mostrarem grande desigualdade na reação à malária, praticamente todos os países apresentaram melhoras”, assegura.

Boas notícias

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo o mundo, as mortes por paludismo — como também é conhecido o mal — caíram 20% entre 2000 e 2010. A África é a principal responsável pela queda. Enquanto o Marrocos conseguiu erradicar totalmente a doença, outros 11 países, entre eles Bostuana e Guiné Equatorial (dois dos recordistas de casos), reduziram em cerca de 30% as mortes devido à doença. A exceção no continente é o “Chifre da África”, no nordeste do continente, onde países como Somália e Etiópia enfrentam uma onda de fome e a epidemia está próxima da estabilidade, mas ainda não começou a cair.

Em contrapartida, a América Latina e, principalmente, a Ásia preocupam como nunca os especialistas. No continente asiático, o forte crescimento populacional fez a doença reaparecer em algumas regiões. A Índia, por exemplo, registra mais de 10 milhões de novos casos a cada ano. Além do país, Indonésia e Mianmar também apresentam surtos da doença. “Nessas regiões está acontecendo uma mudança no perfil. A malária já tinha sido banida da Índia e ressurgiu”, afirma King. Anteriormente tido como uma doença rural, o paludismo vem migrando para as megacidades, como a indiana Mumbai, que crescem em ritmo acelerado na região. “Com a alteração no perfil de população, a doença também mudou”, completa.

Já na América Latina, as regiões de mata da Nicarágua e as florestas da América do Sul ainda enfrentam problemas para controlar a doença — embora em menor grau, pois as regiões onde a malária ocorre são pouco povoadas. “Apesar de a doença ocorrer em áreas pouco habitadas da Amazônia, o perfil do parasita torna a doença mais difícil de ser controlada”, conta King. Enquanto na África o principal causador do mal é o Plasmodium falciparum, na América do Sul o maior problema é o Plasmodium vivax, causador de uma forma não letal da doença, que, no entanto, pode se tornar crônica e incurável.

Essa é, aliás, a nova grande preocupação dos especialistas. Até hoje, os grandes esforços globais foram concentrados na espécie falcípara. Por isso, a maioria das alternativas de combate ao problema não são eficazes contra a vivax. “Uma pessoa com vivax pode ser responsável por múltiplas infecções de malária durante muitos anos em uma única comunidade”, conta Peter Gething, da Universidade de Oxford. “Cada vez que o parasita se move a partir do fígado para o sangue, ele contribui para uma nova carga de transmissão da doença”, diz.

Para agravar a situação, uma condição genética conhecida como “negatividade Duffy”, na qual o paciente tem deficiência da proteína G6PD, pode tornar os pacientes intolerantes à medicação contra o vivax. A região onde mais ocorre esse traço genético é a África. “Esperamos que, com o mapeamento da prevalência de deficiência de G6PD, possamos fornecer evidências que contribuirão para determinar os riscos e benefícios do uso de primaquina, que é uma droga importante, mas potencialmente perigosa”, afirmou, em um comunicado, a especialista britânica Rosalind Howes, que também participa do projeto.

União por nova vacina

Três líderes globais na busca por uma vacina contra a malária anunciaram ontem que unirão forças para iniciar os testes em uma promissora substância, a Pfs25. A Iniciativa para a Vacina da Malária (MVI), o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid) e a Johns Hopkins Bloomberg Escola de Saúde Pública e Pesquisa de Imunização (CIR) iniciarão o primeiro ensaio para testar a toxicidade da substância em humanos. Em testes de laboratório, a Pfs25 foi capaz de barrar o desenvolvimento do parasita no mosquito vetor, interrompendo o ciclo de transmissão. “Esse é o primeiro passo no que é tipicamente um longo processo de avaliação. No entanto, estamos animados pelo potencial da vacina para limitar significativamente a propagação da infecção da malária”, afirmou Ashley Birkett, especialista da MVI.

PORTAL DA SAÚDE

Governo e sociedade definem ações para Região do Xingu

Encontro em Brasil Novo (PA) discute medidas voltadas à minimização dos possíveis impactos decorrentes da Usina de Belo Monte para a saúde da população branca e dos indígenas. Construção de novas UBSs está entre as ações previstas

De hoje (7) até a próxima sexta-feira (9), gestores do Sistema Único de Saúde e representantes de movimentos sociais se reúnem em Brasil Novo (PA) para discutir e definir ações e estratégias voltadas à melhoria do acesso e da qualidade dos serviços de saúde da população que vive na Região do Xingu. Durante o encontro, serão discutidas prioridades para a região com o objetivo de minimizar possíveis impactos decorrentes da instalação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

As ações em discussão são direcionadas a 11 municípios da área de influência direta e indireta da usina: Brasil Novo, Altamira, Anapú, Gurupá, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu. No encontro, também deverão ser validados e definidos, respectivamente, o Plano de Investimentos Emergencial para o Xingu e a composição da Câmara Técnica da Saúde do Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRS), que, a partir de 2012, coordenará as medidas de promoção e aprimoramento da saúde na região.

Além de representantes do Ministério da Saúde e de movimentos sociais, participam das discussões especialistas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Altamira, da Secretaria de Saúde do Estado do Pará e das secretarias de saúde dos municípios envolvidos.

MEDIDAS

Dentre as estratégias que serão colocadas em discussão está a publicação de portaria do Ministério da Saúde para o estabelecimento de possíveis novos valores do Piso de Atenção Básica considerando o crescimento populacional da região, previsto no Estudo de Impacto Ambiental da Usina de Belo Monte.

Também serão analisadas medidas como a construção de seis Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em municípios localizados na área de influência direta de Belo Monte, para a qual se estima um investimento federal de R$1,5 milhão; a instalação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) em Altamira e a implantação das Redes Prioritárias de Atenção à Saúde na Região do Xingu, de forma a promover a integração das ações e serviços de saúde para a atenção contínua, integral e humanizada à população local.

No período de julho de 2010 a outubro deste ano, o governo federal investiu mais de R$ 35 milhões nestes 11 municípios da Região do Xingu. Nestas localidades, está sendo priorizada a implementação de políticas e ações estratégicas coordenadas pelo Ministério da Saúde, como o Saúde Mais Perto de Você (Atenção Básica), a Rede Cegonha (Rede de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança), o Saúde Toda Hora (Rede de Urgência e Emergência), a ampliação do Saúde Não tem Preço/Farmácia Popular e o Saúde Conte com a Gente (Rede de Atenção à Saúde Mental), entre outras medidas, conforme as necessidades da região.

AGÊNCIA BRASIL

Padilha é contra consumo de bebidas alcoólicas em estádios durante a Copa

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que é contra a comercialização de bebidas alcoólicas em estádios durante a Copa do Mundo de 2014. Ele participou hoje (7) de audiência pública com a Comissão Especial sobre o Consumo de Bebidas Alcoólicas na Câmara dos Deputados.

Segundo Padilha, o Brasil deve manter o Estatuto do Torcedor, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e resistir às pressões para a liberação nos jogos da Copa de 2014, que será realizada no Brasil. "Eu, como ministro da Saúde, defendo a manutenção do Estatuto do Torcedor."

Na audiência, Padilha citou dados do Ministério da Saúde que apontam o consumo abusivo de bebidas alcoólicas entre jovens e mulheres. O relator da Lei Geral da Copa, deputado Vicente Cândido (PT-SP), propõe a liberação da venda e do consumo de álcool durante os jogos do Mundial.

Já o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que também está na Câmara participando de audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto, disse que a venda de bebidas alcoólicas durante o evento precisa ser discutida com mais equilíbrio. “Ninguém concebe a proibição de bebidas alcoólicas no país. Por princípio, beber não é crime.”

Segundo Rebelo, caberá aos parlamentares chegar a uma decisão que equilibre questões de segurança com a liberdade individual dos cidadãos. “Não estou aqui defendendo nenhuma opinião, porque não sou especialista nem na área de segurança pública, nem de saúde pública, nem de lazer. É preciso que o Congresso Nacional leve em conta essas questões, e não apenas porque haveria uma disputa, natural do capitalismo, entre patrocinadores e promotores.”

PORTAL DA SAÚDE

Oficina de trabalho reúne apoiadores da Rede Cegonha

Eles vão atuar em todos os estados brasileiros para contribuírem com a qualificação e humanização da assistência obstétrica e neonatal no SUS

A estratégia Rede Cegonha, voltada à qualificação e humanização da assistência à mulher e ao bebê no Sistema Único de Saúde, conta com o trabalho de apoiadores institucionais para a estruturação desta rede de assistência nos estados e municípios. De hoje (7) até a próxima sexta-feira (9), os apoiadores estarão reunidos, em Brasília, durante a primeira oficina de discussão e organização do trabalho destes profissionais de saúde no contexto da Rede Cegonha. Eles vão atuar em todos os estados para contribuírem com a qualificação da assistência obstétrica e neonatal no SUS.

A oficina possibilitará o compartilhamento, a atualização e o debate de estratégias para a consolidação da Rede Cegonha. A expectativa é que o encontro também fortaleça o afinamento entre os apoiadores e as Coordenações de Saúde da Mulher nos estados. “"Esta será a primeira oportunidade para esclarecimento e pactuação das ações de apoio institucional à Rede, em âmbito nacional, possibilitando a articulação das pessoas que têm a missão direta de implementar as ações de saúde”, explica o coordenador da Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde, Gustavo Nunes de Oliveira.

Alguns apoiadores institucionais da Rede Cegonha já estão atuando nas maternidades do SUS, como é o caso daqueles que trabalham em unidades localizadas na Amazônia Legal e no Nordeste. Para a escolha dos apoiadores foram utilizados critérios como o conhecimento da estrutura de assistência e gestão do SUS e das redes de atenção, além do conhecimento sobre o funcionamento de uma maternidade, a humanização do parto e nascimento, os direitos sexuais e reprodutivos (que materializam as diretrizes da Rede Cegonha) e as melhores evidências científicas de Atenção ao Parto e Nascimento Seguros e Humanizados, preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Durante a oficina está prevista a discussão e validação do Guia de Apoio Institucional da Rede Cegonha, que está sendo elaborado com base no trabalho dos apoiadores.

QUALIFICAÇÃO

O Ministério da Saúde vem investindo na qualificação de 26 maternidades da Amazônia Legal e do Nordeste a partir da implementação de ações voltadas à melhoria da atenção à saúde e da gestão. Entre as medidas, destacam-se a garantia do direito ao acompanhante, a ambiência e o acolhimento com classificação de risco e em rede. O objetivo é que a Rede Cegonha amplie estas diretrizes para todo o país para que sejam plenamente assegurados os direitos da gestante, do bebê e da família.

A estratégia Rede Cegonha, lançada em março deste ano, é uma rede de cuidados que visa garantir à mulher o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada durante a gravidez, ao parto e ao puerpério. A Rede também é voltada a assegurar, à criança, o direito ao nascimento seguro e ao desenvolvimento saudável.

O GLOBO ONLINE

EUA proíbem pílula do dia seguinte sem receita médica

A Secretária de Saúde dos EUA disse hoje que jovens adolescentes não podem comprar, sem receita médica, a pílula do dia seguinte _ medicamento que evita a fertilização de óvulos femininos até 72 horas após a relação sexual. A declaração da secretária Kathleen Sibelius causou surpresa nos meios médicos americanos e veio na direção oposta aos dos pareceres dos técnicos do próprio ministério, que haviam aderido ao movimento para que este tipo de medicamento passasse a ser vendido em farmácias livremente, de forma tão acessível quanto os preservativos.

A pílula pode impedir a gravidez, mesmo se for tomada logo após a relação sexual, valendo o prazo máximo de 72 horas. Atualmente, nos EUA, somente adolescentes com 17 anos ou mais podem comprar o medicamento. E o jovem precisa comprovar idade na hora da compra, ficando o farmacêutico responsável por manter um registro da comercialização da pílula.

A Food and Drug Administration, agência americana para supervisão de remédios e alimentos, estava estudando a suspensão deste limite de idade e também avaliando a possibilidade de liberar o comércio, sem a exigência de receita médica prévia para o contraceptivo de emergência. A Secretária de Saúde, porém, tomou sua decisão independentemente da tendência dos FDA e dos técnicos dos governos. Kathleen Sebelius disse considerar que meninas muito jovens poderiam não compreender corretamente como usar o medicamento, sem orientação de um profissional de medicina.

AGENDA


- Recepção hospitalar para clínicas, consultórios e hospitais

Dia 9 de dezembro

Rua Augusto Stresser, 600, Alto da Glória - Curitiba - PR

(41) 3254-1772

www.fehospar.com.br

ana@fehospar.com.br

O Sindipar, Fehospar e Cebramed realizarão em Curitiba mais um curso de recepção médica para clínicas, consultórios e hospitais. Será no dia 9 de dezembro. As vagas são limitadas. Ha condições especiais para instituições associadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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