Leia
nesta edição:
- Resolução
da ANS sugere avaliar desempenho de prestadores
- Nota do CFM sobre o Estudo do IPEA
- Oportunidade
na pesquisa clínica
- SUS é "regular"
- Ipea: Percepção da população
sobre SUS
- Brasileiro
se divide na avaliação do SUS
- Responsabilidade
civil na área de saúde
- Brasil
produzirá genérico
contra aids e hepatite
Quinta-feira, 10.02.11
CFM
Resolução
da ANS sugere avaliar desempenho de prestadores
A ANS lançou
em dezembro de 2010 a consulta pública
nº 36 sobre Acreditação de Operadoras, resolução
que visa avaliar os serviços disponibilizados pelas operadoras, por meio de indicadores de qualidade.
No processo
de Acreditação dos planos de saúde
proposto
pela ANS, um dos parâmetros para a pontuação é a “dinâmica
da qualidade e desempenho da rede prestadora”, o que pode
incluir a avaliação e o desempenho do trabalho
médico.
Diante das
preocupações levantadas pela COMSU,
o presidente do CFM, Roberto D´Ávila, encaminhou
ao Diretor-Presidente da Agência Nacional de Saúde
Suplementar, Mauricio Ceschin, solicitação para
que a ANS convoque as entidades médicas nacionais para
um debate sobre a proposta.
Para o coordenador
da COMSU, Aloisio Tibiriçá Miranda, “se
não houver análise mais criteriosa, a resolução
pode resultar em uma ação indireta da ANS, por
meio das operadoras, nos processos e critérios de qualificação
dos prestadores. O que é pior, sem discussão com
os médicos.”
O presidente
da Confederação Nacional de Saúde
(CNS), entidade que reúne hospitais e estabelecimentos
de saúde, José Carlos Abrahão, manifestou
posição semelhante ao CFM e
sugeriu à ANS a formação de um Grupo de
Trabalho, com a participação dos prestadores, para
debater o conteúdo da resolução antes de
sua publicação.
CFM
Nota do CFM sobre o Estudo do IPEA
Com relação ao estudo divulgado pelo Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que avaliou a percepção
dos brasileiros com respeito ao Sistema Único de Saúde
(SUS), o Conselho Federal de Medicina (CFM) vem a público
alertar para a importância da adoção de políticas
públicas que sanem os problemas apontados e que comprometem
a qualidade do trabalho médico e, principalmente, da assistência
oferecida. O documento divulgado nesta quarta-feira (9) chama
a atenção para pontos de pauta defendidos pelo
CFM, como listamos a seguir:
1) Para o
CFM, as principais queixas – falta de médicos,
demora no atendimento e demora para se obter uma consulta especializada – decorrem
do crônico subfinanciamento que assola a saúde pública
do país e da necessidade de modernização
dos instrumentos de gestão. É fundamental a adoção
de políticas efetivas de valorização dos
profissionais da saúde e de investimentos em infra-estrutura
na rede de atendimento, entre outros pontos.
2) Ressaltamos
ainda que a reclamação dos entrevistados
sobre a falta de médicos não pode ser entendida
como uma crítica à categoria, mas como o reflexo
do descaso dos gestores do SUS (em todos os níveis de
gestão) em apresentar soluções para a contratação
de profissionais da saúde, especialmente da Medicina,
garantindo-lhes remuneração adequada, condições
de trabalho dignas e perspectiva de progressão.
3) Sem a
adoção dessas medidas, e de outras já apontadas
pelas entidades médicas nacionais – como a aprovação
pelo Congresso Nacional da regulamentação da Emenda
Constitucional 29 -, o SUS continuará a sofrer as conseqüências
do caos assistencial agravado pela falta de profissionais, nos
grandes centros urbanos, nos municípios menores e nas áreas
distantes.
4) Neste
campo específico, defendemos a criação
de uma carreira do médico dentro do SUS. A implementação
desta proposta – atualmente em debate dentro do Ministério
da Saúde – é a saída para se interiorizar
a Medicina da forma como deve ser feita, ou seja, considerando
o profissional como peça fundamental no processo do atendimento,
oferecendo-lhe todo o suporte necessário para que alcance êxito
em sua missão de acolher, cuidar e tratar.
5) Este esforço para a interiorização da
Medicina é necessário, pois, ao contrário
do que afirmam alguns, não há falta de médicos
no Brasil. Atualmente, nos deparamos com a concentração
desses profissionais nos estados do Sul e Sudeste e no litoral,
sendo que apenas com políticas de valorização
da categoria – como a já citada carreira do médico
no SUS – poderão resolver este problema. Outras
alternativas – como a validação automática
de diplomas de Medicina obtidos no exterior ou a abertura de
novas escolas – são totalmente refutadas pelo CFM.
6) Relembramos
ainda que os médicos têm alertado
os gestores públicos de forma constante para a importância
desses aspectos na oferta de serviços no âmbito
do SUS. Documentos com o diagnóstico da situação
e com as propostas de solução já foram entregues
ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e à Presidente
Dilma Rousseff, assim aconteceu nos governos anteriores.
7) Finalmente,
lembramos que o Brasil tem direito à uma
assistência pública em saúde de qualidade,
resolutiva e atenta diversidades regionais, sociais, étnicas
e de gênero, entre outras, garantindo a todos os brasileiros
acesso universal, integral e equânime ao atendimento médico-hospitalar,
embasados na eficiência e na eficácia dos serviços
e programas de promoção, prevenção
e atenção.
Folha
de São
Paulo
TENDÊNCIAS
/ DEBATES
Oportunidade
na pesquisa clínica
Por Morton Scheinberg
Apesar de
sermos um país com centros de excelência,
ficamos à mercê de órgãos reguladores
que padecem de problemas de organização
Um dos problemas
que a área de pesquisa clínica
com pacientes atravessa no Brasil é a morosidade na aprovação
de protocolos pelos órgãos reguladores. Isso é verdade
especialmente no caso da Comissão Nacional de Ética
em Pesquisa (Conep) e da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).
No nosso
país, a aprovação regulatória
das pesquisas demora, em média, o dobro -se não
o triplo- de tempo para aprovação dos Estados Unidos,
do Canadá e dos países da União Europeia.
As implicações desse atraso vão desde impedir
o acesso a novos medicamentos para pacientes até evitar
que médicos tenham acesso a inovações terapêuticas.
Essa morosidade resulta em uma participação cada
vez menor do mercado anual global, de US$ 50 bilhões.
Apesar de
sermos um país com centros de excelência,
ficamos à mercê de órgãos reguladores
que padecem de problemas de organização. Projetos
são extraviados, pareceres são solicitados a técnicos
alheios à pratica médica etc.
A própria Conep não
respeita as regras impostas por ela mesma.
Quando o
projeto de pesquisa inclui cooperação
internacional, o desafio é ainda maior.
Nesses casos, é preciso a aprovação da
Anvisa, que duplica a análise do Conep e que também
não respeita os próprios prazos.
Segundo a
atual direção da Conep, o atraso não
ocorre pelos motivos acima mencionados, mas pelo cuidado e pelo
respeito aos voluntários que não compreendem os
termos técnicos de consentimento.
Os centros
de pesquisa possuem médicos e coordenadores
capazes de explicar com detalhes os consentimentos usados. O
Conep alega também a falta de garantias de acesso ao tratamento
após o estudo e antes da disponibilidade comercial do
mesmo.
Essa decisão não cabe a um órgão
regulador, mas aos médicos que cuidam do paciente, que
devem avaliar se querem ou não continuar com a medicação.
Os argumentos
da agência ocultam o cerne do problema:
existem falhas estruturais no processo de aprovação
dos projetos pelo órgão brasileiro responsável
pela boa condução e pelo desenvolvimento da pesquisa
clínica.
O ministro
Alexandre Padilha tem em suas mãos uma oportunidade
de mudar esse cenário, em que os pesquisadores brasileiros
sempre ficam para trás.
A maioria
dos projetos ocorre simultaneamente em vários
países e quem começa por último, como frequentemente
acontece no Brasil, fica nessa mesma posição na
lista de inclusão de pacientes. Todos perdem: pacientes
e pesquisadores.
É necessário fazer reformas rápidas na
Conep, tais como modernização tecnológica,
descentralização dos mecanismos de avaliação,
respeito aos prazos e eliminação da análise
dupla (Anvisa e Conep).
Só dessa maneira o Brasil vai avançar e se colocar
no lugar em que deveria estar no cenário da pesquisa clínica
internacional.
Morton Scheinberg,
médico clínico e pesquisador
em reumatologia e imunologia do Hospital Israelita Albert Einstein,
PhD (Universidade de Boston/EUA), livre-docente em imunologia
(USP), é coordenador de pesquisas clínicas e diretor
científico do Hospital Roberto Abreu Sodré (AACD).
Jornal Monitor Mercantil
SUS é "regular"
Estudo divulgado
pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) aponta que 42,6% dos brasileiros classificam
os serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde
(SUS) como "regulares". Os entrevistados satisfeitos
ficaram quase na mesma proporção dos insatisfeitos:
28,9% e 28,5%, respectivamente.
Aumentar
o número de médicos e reduzir o tempo
de espera para atendimento são as principais melhorias
sugeridas por brasileiros para o SUS. Sobre o atendimento em
centros e postos de saúde, quase a metade dos entrevistados
(46,9%) sugeriu que o número de médicos fosse aumentado.
No atendimento por médicos especialistas, 37,3% dos entrevistados
fizeram a mesma sugestão. O percentual é semelhante
ao de pessoas que cobraram o mesmo em serviços de urgência
e emergência (33%).
Foram ouvidas
quase mais de 2.700 pessoas, entre 3 e 19 de novembro do ano
passado.
A pesquisa incluiu também perguntas sobre
planos e seguros privados de saúde. As principais razões
citadas para aderirem ao segmento da saúde suplementar
foram: pela maior rapidez para consultas ou exames (40%); por
ser um benefício fornecido gratuitamente pelo empregador
(29,2%); pela maior liberdade para escolha do médico que
fará o atendimento (16,9%).
Já o principal problema apontado pelos entrevistados
em planos de saúde é o preço da mensalidade
(39,8%), seguida pelo fato de algumas doenças ou procedimentos
não serem cobertos pelo plano (35,7%).
Fenaseg
Ipea:
Percepção da população
sobre SUS
O Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga
novo estudo nesta quarta-feira. Desta vez, sobre o Sistema de
Indicadores de Percepção Social (Sips). Será às
10h, no Edifício BNDES, no Setor Bancário Sul.
A pesquisa avalia a percepção da população
sobre serviços prestados pelo Sistema Único de
Saúde (SUS) e planos e seguros privados do setor. O levantamento
foi realizado de 3 a 19 de novembro de 2010. O questionário
foi aplicado a 2.773 pessoas em todos os estados. Os resultados
mostram que os serviços do SUS são mais bem avaliados
por aqueles que costumam utilizá-los, quando comparados
com aqueles que não os utilizam. Mostram também
a percepção dos entrevistados sobre os principais
motivos para contratar plano ou seguro de saúde.
Folha
de São
Paulo
Brasileiro
se divide na avaliação do SUS
Segundo pesquisa
do Ipea, 28,5% vêem os serviços
públicos de saúde negativamente; outros 28,9% aprovam
Tempo de
espera e falta de médicos são as principais
reclamações; programa de saúde da família é elogiado
Pesquisa
sobre o SUS (Sistema Único de Saúde)
mostra que 28,5% dos brasileiros avaliam os serviços públicos
de saúde como ruins ou muito ruins. O estudo, realizado
pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) foi
divulgado ontem.
Proporção semelhante -28,9%- avalia o serviço
entre bom e muito bom. A pesquisa ouviu 2.773 pessoas no período
de 3 a 19 de novembro de 2010.
As avaliações mais críticas vêm justamente
de quem não costuma usar os serviços. Entre os
que usaram o SUS no último ano, 30,4% avaliam o serviço
positivamente. Já entre os que não usaram, 19,2%
aprovam o serviço.
Centros e
postos de saúde e o atendimento de emergência
foram os piores avaliados. Do outro lado, está o serviço
de saúde da família, considerado bom ou muito bom
por 80,7% dos entrevistados que já foram visitados pelo
programa.
A distribuição gratuita de remédios
foi avaliada positivamente por 69,6%.
MELHORIAS
Aumentar
o número de médicos e reduzir o tempo
de espera para atendimento são as principais melhorias
sugeridas por brasileiros para o SUS, segundo a pesquisa.
Sobre o atendimento
em centros e postos de saúde, quase
a metade dos entrevistados (46,9%) sugeriu que o número
de médicos fosse aumentado. No atendimento por médicos
especialistas, 37,3% dos entrevistados fizeram a mesma sugestão.
O percentual é semelhante ao de pessoas que cobraram
o mesmo em serviços de urgência e emergência
(33%).
As melhorias
sugeridas pelos entrevistados incluem a redução
da espera para atendimento em centros e postos de saúde
-e também menor intervalo de tempo entre a marcação
da consulta e a visita ao médico.
A pesquisa
indica ainda que a razão para se ter um plano
de saúde, para o brasileiro, é a maior rapidez
no atendimento privado.
Em segundo
lugar vem o fato de o benefício ser oferecido
por empregadores e, depois, uma maior liberdade para escolher
o médico.
Saúde
Business Web
Responsabilidade
civil na área de saúde
Por André Luís
Coentro de Almeida
O assunto
não é novo. Em 1936 a Corte de Cassação,
na França, cuidava de casos que envolviam a prestação
de serviços médicos onde a discussão era
a diferença entre obrigação de meio e de
resultado.
As reclamações por erro são cada vez mais
frequentes, sem que isso signifique que o médico está errando
muito.
A maior causa
desse aumento foi a “despersonalização” do
médico, que despertou no paciente uma maior cobrança
pelo resultado no tratamento. Afinal, para ele, o médico
nada mais é do que um profissional de saúde vendendo
o seu serviço.
Daí porque, um resultado ruim, muitas vezes decorrente
de “fatalidade”, é rotulado como “imperícia
profissional”, o que origina uma avalanche de ações
em que os pacientes confundem a eficiência do serviço
médico com a cura.
O que precisa
ficar claro, é que o serviço do
médico se esgota no empenho máximo para conseguir
a cura (meio); ou, em outras palavras, a cura, propriamente dita
(resultado), não é, salvo raras exceções,
o objeto central do serviço.
Ela é uma consequência do tratamento dispensado
ao doente. É o efeito, e não a causa.
Assim, a
responsabilização do médico depende
da análise de seu comportamento e o Judiciário
comumente transfere para ele o ônus de mostrar que o seu
serviço não foi defeituoso.
Numa ação judicial, terá mais chances de
vitória, o médico que for mais diligente, principalmente
na obtenção do “consentimento informado”.
Além disso, terá que afastar qualquer ilação
sobre iatrogenia.
Quarta-feira, 09.02.11
Portal
IG / Último
Segundo
Brasil
produzirá genérico
contra aids e hepatite
Governo calcula
que nos próximos cinco anos a economia
com a produção do medicamento genérico será de
R$ 440 mi
O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira
a produção genérica do remédio Tenofovir,
usado atualmente por 64 mil pacientes com aids e 1,5 mil com
hepatite. O remédio será produzido pelo laboratório
oficial da Fundação Ezequiel Dias (Funed) do governo
de Minas Gerais. A produção do remédio é fruto
de uma Parceria Público Privada (PPP) firmada pelo governo
em 2009. O governo calcula que nos próximos cinco anos
a economia com a produção do medicamento genérico
será de R$ 440 milhões.
O primeiro
lote nacional do Tenofovir começará a
ser produzido esta semana e deverá estar disponível
para os pacientes no fim de março. A produção
nacional, segundo o ministério, será suficiente
para atender toda a demanda do País. Com a fabricação
do remédio, 10 dos 20 medicamentos antiaids fornecidos
pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passam a ser
produzidos no Brasil.