Leia
nesta edição:
- Publicada
no "Diário Oficial" medida provisória
que R$ 780 mi para vítimas das chuvas
- Ministério da Saúde
envia 7 toneladas de medicamentos para RJ
- Dilma cria
conselho de gestão para cobrar desempenho
de ministérios
- Sem fila
para plano de saúde, cirurgia no Incor demora
até um ano para SUS
- Corredor separa os dois prontos-socorros- ANTI-HIV
- Anti-inflamatórios aumentam risco de derrame e infarto-
Exame de sangue da mãe detecta síndrome de Down
- Pesquisa
descobre composto eficaz para aliviar dor crônica
- Médicos
residentes apelam ao governo o direito de ter alojamento gratuito
- Planos:
Protocolos para doenças infantis
- Plano de
saúde é obrigado
a fornecer home care
- SUS: terceirização é antônimo de
direito à Saúde
Quinta-feira, 13.01.11
Folha
de São
Paulo
Publicada
no "Diário Oficial" medida provisória
que R$ 780 mi para vítimas das chuvas
Foi publicada
no "Diário Oficial" desta quinta-feira
medida provisória que libera R$ 780 milhões que
devem ser usados para auxílio às cidades atingidas
pela chuva.
O dinheiro
será dividido entre o Ministério da
Integração Nacional, para ações de
defesa civil, no auxílio a resgate das vítimas
e prevenção de mais mortes, e o Ministério
dos Transportes, por meio do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura
de Transportes), para reconstrução e recuperação
de rodovias.
Na Integração Nacional, as ações
de defesa civil receberão reforço de R$ 600 milhões,
enquanto ações de prevenção a novas
tragédias ficarão com R$ 100 milhões. Os
R$ 80 milhões restantes vão para o Ministério
dos Transportes.
A medida
provisória foi assinada nesta quarta-feira pela
presidente Dilma Rousseff. Nesta quarta a presidente ligou para
os governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e de São
Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), garantindo a ajuda federal. Na última
sexta-feira (7), Dilma já havia conversado com o prefeito
de São Paulo, Gilberto Kassab.
RIO
A Prefeitura
de Teresópolis confirmou na manhã desta
quinta-feira que subiu para 146 o número de pessoas mortas
em decorrência das fortes chuvas dos últimos dias.
Com isso, subiu para 288 o total de vítimas dos temporais
na região serrana do Rio.
Além das mortes em Teresópolis, há ainda
107 mortos em Nova Friburgo --entre eles três bombeiros--
e 35 em Petrópolis, segundo o Corpo de Bombeiros e a a
Defesa Civil estadual.
Mais de 1.000
homens dos Bombeiros, Defesa Civil e prefeituras trabalham
nos regastes
nas três cidades. Nove helicópteros,
sendo 7 do Estado e 2 da Marinha, ajudam nas operações.
A região do vale do Cuiabá, em Nova Friburgo,
foi a mais atingida na cidade, com a água subindo mais
de cinco metros de altura. Muitas casas foram destruídas
pela força das águas do rio Santo Antônio.
SÃO
PAULO
As fortes
chuvas que atingiram São Paulo entre a noite
desta segunda-feira (10) e a madrugada de terça (11) provocaram
a morte de 14 pessoas em todo o Estado. Houve transbordamento
de córregos e rios --incluindo o Tietê--, foram
registrados mais de 120 pontos de alagamento.
Desde segunda-feira,
a cidade já registrou 92,5% do índice
de chuva esperado para este mês pelo Inmet (Instituto Nacional
de Meteorologia) --221,2 mm dos 239 mm esperados (cada milímetro
equivale a um litro de água por metro quadrado). Só a
chuva que começou na segunda foi responsável por
68,6 mm.
Desde o início da operação Verão,
em dezembro, a Defesa Civil estadual contabiliza 854 pessoas
desabrigadas (dependem de abrigos públicos) e 6.586 desalojadas
(acomodados na casa de amigos e parentes). Segundo balanço
divulgado na tarde de terça-feira, as chuvas já provocaram
a morte de 23 pessoas --as vítimas de Iperó e Mogi
das Cruzes ainda não foi incluídas.
Folha
de São
Paulo
Ministério da Saúde
envia 7 toneladas de medicamentos para RJ
Estojos
podem atender a 45 mil vítimas e também
será montado um esquema especial de atendimentos
O Ministério da Saúde anunciou o envio de sete
toneladas de remédios e materiais médicos para
os moradores do Rio de Janeiro atingidos pelas chuvas no Estado,
que já mataram mais de 300 pessoas de acordo com contagem
divulgada nesta manhã de quinta-feira pela Secretaria
de Estado de Saúde e Defesa Civil. Os estojos podem atender
a 45 mil vítimas. Hoje, o ministro Alexandre Padilha acompanhará a
presidente Dilma Rousseff (PT) em vistoria às áreas
atingidas.
Os anti-inflamatórios, antiparasitários, analgésicos,
antitérmicos, anti-hipertensivos, ataduras, esparadrapos,
luvas, máscaras, cateteres e seringas, entre outros componentes,
serão usados, principalmente, em Teresópolis e
Nova Friburgo. Além disso, o ministério monta um
esquema especial de atendimento nos hospitais federais. O Departamento
de Gestão Hospitalar Federal (DGH) pôs à disposição
parte das 75 salas cirúrgicas dos hospitais federais (Andaraí,
Bonsucesso, Cardoso Fontes, Lagoa, Ipanema e dos Servidores).
As cirurgias
eletivas, sem caráter emergencial, podem
ser adiadas para dar prioridade aos feridos com as chuvas. Médicos
e enfermeiros serão enviados às regiões
castigadas. De acordo com o ministério, a Unidade de Pronto
Atendimento (UPA) de Teresópolis voltou a funcionar após
queda de energia. Hospitais filantrópicos da região
também terão mais verbas para ampliar atendimento
- o valor será definido hoje pelo governo do Rio, que
pedirá o montante ao governo federal.
Já em Nova Friburgo, um hospital de campanha será montado
pelo governo do Estado. A pasta bancará o custeio da operação.
Ainda segundo o ministério, a administração
federal mantém contato com a Secretaria Estadual de Saúde
de São Paulo para verificar a necessidade de remessa de
insumos também para as vítimas paulistas.
O
Estado de São
Paulo
Dilma
cria conselho de gestão para cobrar desempenho
de ministérios
Na primeira
reunião ministerial, marcada para amanhã,
presidente vai exigir de sua equipe o cumprimento de resultados
por setores do governo, impondo um estilo mais ''empresarial''
de administração; agências reguladoras terão
padrão ''técnico''
Por João
Bosco Rabello
Na primeira
reunião ministerial de seu governo, marcada
para amanhã, a presidente Dilma Rousseff comunicará sua
decisão de impor um forte ajuste nos gastos públicos,
especialmente com custeio, que será monitorado de forma
rigorosa pelo governo.
Ela reforçará a advertência de que as indicações
políticas serão respeitadas, mas que os titulares
das pastas terão de se comprometer com resultados que
serão cobrados, conforme antecipou reportagem do Estado
publicada no domingo. Para as agências reguladoras, nenhuma
concessão: as indicações têm de ser
necessariamente técnicas e passar pelo seu crivo pessoal.
Na cabeça da presidente está um conceito de governança
empresarial, nos moldes do setor privado, que produza um mapa
da eficiência de cada área do governo - do primeiro
aos demais escalões. O instrumento desse controle será um
novo conselho - de Gestão e Competitividade -, ligado
diretamente à Presidência da República.
Controle.
Esse formato obrigará cada ministro a fixar
metas de redução de custos e de realizações,
apresentando-as nas reuniões ministeriais periódicas,
confrontando-as com os resultados dos demais colegas e justificando
no plenário os critérios empregados. Informará o
que cortou, onde cortou e quanto cortou. E o quanto realizou
no contexto dos cortes.
Não se conhece ainda, no governo, a composição
desse novo conselho, mas há uma certeza: dele fará parte
o empresário Jorge Gerdau, do grupo que leva seu nome,
interlocutor com prestígio junto à presidente e
inspirador de sua criação.
A administração dos recursos não se limitará aos
cortes no custeio da máquina pública, mas também
a uma revisão que traga seletividade aos gastos. "Fazer
mais com menos, melhorando a qualidade dos gastos", resumiu
uma fonte palaciana.
Investimentos.
Dilma não utiliza em nenhum momento a
expressão ajuste fiscal, mas deixará claro que
vai manter o nível de investimentos que se viabilizará com
a redução de custos do governo. Dirá que,
no Brasil de hoje, crescimento não gera crise nem inflação.
Ela considera
que o País viveu em 2010 um crescimento
maior que no período Ernesto Geisel. E acha que ele pode
crescer puxado por uma taxa de investimentos acima de 20%. Estima
um superávit primário correspondente neste momento
a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e crescimento médio
de 5% ajudado também pela demanda crescente de alimentos
e commodities.
Dilma tem
tratado com reservas o tema cambial, mas já confidenciou
a interlocutores próximos considerar que o Brasil paga
o ajuste da crise de forma indevida, pois fez o chamado dever
de casa: câmbio flutuante, superávit maior que a
maioria dos países, déficit nominal pequeno e ainda
enfrenta protecionismos e a prática de dumping.
E que há uma tolerância com medidas de controle
cambial que estão sendo adotadas em outros países. "Parece
que querem controles cambiais para todos, menos pro Brasil."
Adequação. Ela tem dado sinais de que exercerá um
programa monitorado para não deixar vulnerável
o País. Tem chamado de linha "macroprudencial" esse
processo de adequação permanente à crise
internacional, como faz a China.
Mas no governo
ninguém descarta a hipótese de
novas medidas cambiais para conter a valorização
excessiva do real. Segundo assessores, Dilma cita com frequência
o episódio protagonizado pelo primeiro-ministro inglês
Winston Churchill (1874-1965), que após negar alterações
no câmbio e ser desmentido horas depois pelos fatos, deu
de ombros: "Isso é o câmbio."A dificuldade
de conciliar todos esses objetivos com ministérios historicamente
guiados pelos interesses da política partidária é um
dilema que frequenta as preocupações da presidente.
Para estabelecer
um limite aos ministros, costuma filosofar: "Não
quero a virtude dos homens, mas a das instituições".
Segundo ela, a máquina pública tem de ser transparente
e comprometida com a ética e a prática republicanas.
O
Estado de São
Paulo
Sem
fila para plano de saúde, cirurgia no Incor demora
até um ano para SUS
Instituição ligada ao governo estadual foi uma
das primeiras a adotar o atendimento de clientes de planos de
saúde em suas instalações, medida até hoje
polêmica
Por Fabiane Leite
Análise do Departamento Nacional de Auditoria do SUS
(Sistema Único de Saúde) concluída em agosto
do ano passado apontou que os pacientes atendidos pelo sistema
público no Instituto do Coração (Incor),
na zona oeste de São Paulo, esperam de oito meses a um
ano e dois meses para ter acesso a determinados atendimentos.
Enquanto isso, não há filas para os pacientes de
convênio que também são atendidos na unidade
pública.
O Incor,
que pertence ao complexo do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da USP e é vinculado ao governo
do Estado de São Paulo foi uma das primeiras instituições
públicas a adotar o atendimento de clientes de planos
de saúde em suas instalações, com o objetivo
de incrementar a oferta de recursos financeiros pelo SUS.
A medida,
vigente há mais de uma década, foi alvo
de ação judicial do Ministério Público
no passado, mas a Justiça deu razão à unidade.
No entanto, até hoje o modelo é criticado em razão
de, na visão de alguns especialistas, permitir que em
uma unidade pública haja diferença de tratamento
entre os pacientes.
A auditoria
que fala das esperas no Incor, à qual o Estado
teve acesso, foi realizada dentro de uma análise mais
ampla no instituto e a pedido do Ministério Público.
Segundo o trabalho, a espera para uma segunda consulta nos casos
de diagnóstico de arritmia, insuficiência cardíaca
e hipertensão era de oito meses a um ano.
Exames para
diagnóstico como ecocardiograma (tipo de
ultrassom) para adultos eram marcados, na data do levantamento
(agosto de 2010), só para maio deste ano. O ecocardiograma
infantil ficava para agosto de 2011. Já as cintilografias
(tipo de exame radiológico) só ocorreriam no próximo
mês de setembro. Por fim, as vagas para a colocação
do aparelho Holter (que monitora o ritmo cardíaco) eram
para outubro deste ano.
"Os mesmos exames e procedimentos supracitados não
têm espera para pacientes de convênios e particulares",
diz o trabalho, assinado pelo auditor João de Deus Soares.
Modelo. Recentemente
o governo estadual aprovou na Assembleia Legislativa projeto
de lei que permite que até 25% dos
atendimentos de hospitais de alta complexidade do Estado, terceirizados
para Organizações Sociais, possam ser destinados
a convênios.
Os críticos da mudança, como o Ministério
Público, apontam que isso aumentará as filas do
SUS. A secretaria da Saúde promete que não haverá diferença
nos tempos de atendimento e que a medida visa a remunerar as
unidades pela procura que já existe de pessoas com planos.
"As pessoas acham que poderá ocorrer diferença
nos tempos de espera, mas tudo depende de como o governo vai
regulamentar o novo projeto", opinou Jorge Kayano, pesquisador
do Instituto Polis.
Para ele,
há a tendência de que passe a existir
algum tipo de diferenciação do atendimento também
nesses locais, como há no Incor. Ele também destaca
que, caso a previsão de ressarcimento dos planos ao SUS,
prevista na lei federal do setor, funcionasse, não seriam
necessários expedientes como o previsto no projeto aprovado.
Prazo vencido.
No fim de 2009, levantamento do Ministério
da Saúde apontou que a maioria dos hospitais de ensino
administrados pelo Estado de São Paulo e que se comprometeram
a dedicar, até outubro daquele ano, 100% dos atendimentos
ao SUS ainda não tinha cumprido a meta. Entre eles estava
o Incor, com o menor porcentual de atendimento dedicado ao setor
público naquele momento (80%). Estavam previstos até cortes
de repasses pelo descumprimento.
Em nota,
o Ministério da Saúde informou que deverá realizar
uma nova avaliação da situação das
unidades de saúde e do atendimento a pacientes de planos
neste ano.
Instituto
nega diferenciação
no atendimento
Em nota,
o Incor afirma que "não há diferenciação
no atendimento e tratamento de pacientes - sejam eles do SUS,
de convênios ou de recursos particulares - que motive tempos
de espera diferentes nas agendas de exames e de consultas".
Segundo o texto, "os intervalos entre a data de agendamento
de exames e a das consultas médicas, nas quais os resultados
dos exames devem ser apresentados, são determinados pela
dinâmica interna do sistema. Essa dinâmica, no caso
do SUS, resulta num nível alto de admissão de novos
pacientes e numa taxa significativamente baixa de alta ambulatorial,
isso porque, entre outros fatores, esses pacientes possuem doenças
crônicas bastante graves que demandam acompanhamento por
toda a vida. A consequência natural desse processo é a
ampliação do tempo entre uma consulta e outra.
A agenda de exames, por sua vez, acompanha esse ritmo".
Já "a dinâmica do sistema privado coloca à disposição
do paciente uma ampla gama de opções de serviços".
A nota da
instituição ressalta também a "importância
dos recursos gerados pelos pacientes que têm convênios
ou financiam seu tratamento com renda própria para garantir
a prestação de serviços de cada vez mais
qualidade à população pelo Incor".
De acordo
com a instituição, pacientes particulares
ou com convênios representam 20% dos atendimentos - 80%
permanecem para o SUS. No entanto, eles contribuem com "parcela
importante da arrecadação global do instituto".
O hospital informa também que, há mais de uma década,
o volume de agendamento de consultas tem crescido, em média,
de 5% a 10% ao ano.
O
Estado de São
Paulo
Corredor separa os dois prontos-socorros
Diferença entre área de convênios e do sistema
público começa nas salas de espera
Por Fabiane Leite
Um total
de 20 passos separam os dois prontos-socorros do Incor de São Paulo, um dedicado ao atendimento do SUS, o outro
aos planos de saúde. Ambos estão dispostos quase
frente a frente, mas quem se dirige ao público encontra
o chão riscado, um apertado corredor de espera lotado
e uma porta de correr separando os seguranças e os funcionários
da recepção da área de atendimento, com
macas espalhadas, médicos se esforçando para cuidar
de todos, banheiros nem sempre limpos. Do outro lado, na área
dos planos, o chão tem padrão granito, há uma
espera confortável, salas de atendimento privativas, pouca
gente e serenidade dos médicos.
"Meu pai veio de madrugada, está sendo atendido,
mas o espaço lá dentro é bem restrito",
disse o comerciante Aldo Lima Pereira, de 49 anos, que aguardava
fora, nos bancos sem estofo da antiga farmácia, que ficava
ao lado do PS público e foi transferida para outro local.
"Aqui é muito bom, você tem que ver como é em
Cuiabá", afirmou o administrador Júlio Noronha,
que havia levado um amigo à unidade e também esperava
do lado de fora. Na área de convênios, pacientes
elogiavam o atendimento rápido da equipe médica.
Antigos pacientes
do Incor não se importam com as longas
esperas. "Como pobre, digo que aqui é o primeiro
mundo. Os médicos são muito educados. Tive arritmia
no dia 20 de dezembro e fiquei 12 horas aqui, tomando remédio.
Tudo muito bom", afirmou Ester Souza Campos, de 85 anos,
paciente atendida há dez no Incor. "Mas a cintilografia
que preciso fazer foi marcada para novembro deste ano",
completou.
Folha
de São
Paulo
ANTI-HIV
Secretaria
da Saúde busca voluntários
para testar vacina
A Secretaria
Estadual da Saúde de São Paulo está recrutando
25 voluntários para um novo estudo sobre vacinas contra
o vírus do HIV.
A pesquisa
vai avaliar a capacidade de resposta imunológica
do corpo ao vírus e será conduzida pela Faculdade
de Medicina da USP e pelo Centro de Referência e Treinamento
em DST/Aids do Estado.Dois tipos de vacina serão testados:
um com uma quantidade maior de antígenos do vírus
e outro com menos.Segundo Artur Kalichman, coordenador-adjunto
do centro, o objetivo é checar qual volume do vírus
torna a resposta do corpo mais potente.
Os resultados
podem definir o tipo de vacina que será desenvolvido
no futuro.
O estudo é parte de uma pesquisa internacional vinculada
aos NIH, institutos nacionais de saúde dos EUA. Mais 75
pessoas serão recrutadas na Suíça e no Peru
-todas acompanhadas por seis meses.
Podem participar
homens e mulheres de 18 a 50 anos, não
portadores do HIV. Os homens devem ser circuncidados e as mulheres
não podem estar grávidas ou amamentando.
Kalichman
ressalta que os testes não aumentam o risco
de desenvolver a doença."O antígeno é só um
fragmento, não tem capacidade de produzir uma cópia
do vírus."
Para se inscrever,
o interessado pode entrar em contato pelo tel. (11) 5087-9915,
por e-mail vacinas@crt.saude.sp.gov.br ou
procurar o CRT, na rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, em São
Paulo.
Folha
de São
Paulo
Anti-inflamatórios
aumentam risco de derrame e infarto
Perigo é significativo apenas para quem usa esses remédios
com frequência, diz estudo
O uso frequente
de remédios como o ibuprofeno e o diclofenaco
(princípio ativo presente no Cataflan e no Voltaren) aumenta
o risco de infartos e derrames, segundo uma revisão de
estudos publicada ontem no "British Medical Journal".
Cientistas
da Universidade de Berna, na Suíça,
analisaram dados de 31 estudos com mais de 116 mil pacientes
que tomavam naproxeno, ibuprofeno, diclofenaco, celecoxibe (Celebra),
etoricoxibe (Arcoxia), rofecoxibe (Vioxx), lumiracoxibe (Prexige)
ou placebo.
Em números absolutos, o risco cardiovascular de quem
tomou essas drogas foi baixo, mas, em comparação
com quem usou placebo, a diferença foi significativa,
dizem os pesquisadores.
Os pacientes
que tomaram Vioxx e Prexige tiveram o dobro de ocorrências
de infarto.
Já o ibuprofeno resultou em um risco três
vezes maior de derrame. O Arcoxia e o diclofenaco causaram
quatro vezes
maios mortes por problemas cardiovasculares.
Entretanto,
o número de infartos e derrames foi baixo
em relação ao total de pessoas envolvidas no estudo.Dados
de 29 pesquisas mostraram 554 infartos. Informações
relativas a outros 26 estudos totalizaram 377 derrames.
Mesmo assim,
Peter Juni, da Universidade de Berna, líder
do estudo, afirmou que os resultados sugerem que os médicos
devem considerar o risco para o coração ao receitar
os anti-inflamatórios.
Depois de
analisar os dados, a equipe suíça afirma
que, em geral, o naproxeno pareceu ser o mais seguro.
Mas essa
vantagem deve ser analisada junto com outros efeitos colaterais,
como
danos ao estômago. Uma alternativa seria
o Celebra, dizem eles, se a dose for de 400 mg uma vez ao dia.
DEBATE
Para o professor
de farmacologia clínica da Universidade
de Edimburgo Simon Maxwell, é importante contextualizar
os dados."
A maioria
das pessoas usa esses remédios por um período
curto de tempo, e o risco para elas é mínimo."
Em 2004,
o Vioxx foi retirado do mercado por causa dos riscos ao coração.
O Prexige parou de ser vendido no Brasil em 2008.
Os pesquisadores
dizem que, desde então, tem havido discussões
sobre a segurança dos anti-inflamatórios, mas os
estudos feitos no período não foram conclusivos.
Folha
de S. Paulo – Saúde
Exame
de sangue da mãe detecta síndrome de Down
Novo teste sequencia genes do DNA fetal encontrado no plasma
materno
Técnica, ainda em fase de pesquisa, evita procedimentos
invasivos usados hoje para detectar a doença
Por Ricardo Bonalume Neto
Testando
apenas o sangue da mãe, uma equipe de pesquisadores
conseguiu detectar com precisão a síndrome de Down
no feto, por meio do sequenciamento dos genes.
Isso evita
procedimentos invasivos de diagnóstico pré-natal,
como a punção de líquido amniótico
(ver quadro ao lado), que podem causar risco à gravidez.
A equipe
de 24 pesquisadores liderada por Dennis Lo Yuk Ming, da Universidade
Chinesa de
Hong Kong, demonstrou que a análise
do material genético pode eliminar a necessidade desses
procedimentos na gravidez de alto risco.
"A maioria das gestações estudadas estavam
no primeiro trimestre, o que sugere que é possível
implementar o teste mesmo no começo da gravidez",
afirmam Lo e colegas sobre o sequenciamento genético.
O teste procura
fragmentos do DNA fetal no sangue da mãe
e determina se há cromossomo 21 triplo -causador da síndrome
de Down.
Foram testadas
753 grávidas que já tinham feito
os exames tradicionais. Dessas, 86 tinhas fetos com a doença.
Lo e colegas
já tinham publicado outro artigo, em dezembro
passado, também na "Science Translational Medicine",
sobre a varredura genética do sangue.
Gene
Recessino
Outra pesquisa
publicada ontem demostra o potencial do sequenciamento genômico para descobrir doenças hereditárias.
O artigo
está na última edição da "Science
Translational" e mostra um teste que analisa o genoma de
futuros pais e mães para detectar 448 doenças.
A equipe
de Stephen F. Kingsmore, do Centro Nacional para Recursos do
Genoma, EUA,
optou por vasculhar doenças com origem
hereditária comprovada e baseada em genes ditos recessivos.
A pesquisa foi feita com mais de cem amostras de DNA, não
com pacientes.
Nesses casos
de doenças causadas por genes recessivos,
o problema é provocado por apenas um gene.
Para ser
afetada, a criança precisa herdar a forma recessiva,
não dominante, do pai e da mãe. Se pai e mãe
têm ambos uma mutação no mesmo gene recessivo,
então qualquer feto estará com 25% de chance de
ter a doença, como é o caso da fibrose cística
(que afeta o pulmão) ou a doença de Tay-Sachs.
Kingsmore
e colegas lembram que já foram identificadas
1.139 dessas doenças com origem em genes recessivos. Doenças
hereditárias provocam 20% das mortes de crianças
no mundo.
Enquanto
a pesquisa de Lo sobre síndrome de Down envolve
fetos (é "pré-natal"), o objetivo do
segundo estudo é testar se os pais são portadores
dos genes que provocam a doença, um estudo "pré-concepção".
Graças a checagens pré-concepção
e ao aconselhamento genético dos pais, foi possível,
por exemplo, reduzir em 90% os casos da doença de Tay-Sachs,
problema neurodegenerativo e incurável, entre os judeus
asquenazes (da Europa central).
Aplicação
De acordo
com Kinsgmore, a principal questão associada
a esse tipo de teste, para que ele seja disseminado, é a
educação dos médicos e do público
sobre as informações genéticas: como interpretá-las
e como aplicá-las.
"Isso vai requerer o treinamento de muitos conselheiros
genéticos", disse o pesquisador à Folha.
Ele afirma
que pretende começar a oferecer o teste nos
EUA já no outono deste ano (em torno de setembro, no hemisfério
Norte).
"Vai levar vários anos para informar e educar os
médicos sobre o teste. Nós achamos que o ritmo
da adoção vai se relacionar com o custo, que deve
ser de cerca de US$ 500 (R$ 837)", afirma Kingsmore.
A próxima estapa da pesquisa vai envolver pacientes voluntários.
A ideia é escanear até 580 doenças simultaneamente.
Comentando
o futuro dos testes genéticos, também
na "Science Translational Medicine", o pesquisador
Laird Jackson, do Hospital da Criança de Filadélfia,
EUA, disse que esses estudos jogam uma luz nova sobre velhas
preocupações éticas, legais e sociais associadas
com a tecnologia genética.
"A tecnologia está aqui, continuando a se desenvolver,
e vai se tornar mais barata, mais rápida e, portanto,
mais disponível."A questão agora é educar
consumidores e profissionais sobre o poder dos testes.
"Deve haver uma discussão aberta sobre suas qualidades
e a respeito de sua implementação", declarou
Jackson à Folha.
O
Estado de São
Paulo
Pesquisa
descobre composto eficaz para aliviar dor crônica
Substância atua diretamente no cérebro.
Testes in vitro e em animais apresentam resultados promissores
Por Alexandre
Gonçalves
Um composto
capaz de diminuir a dor crônica poderá melhorar
as condições de vida de milhões de pessoas
em todo o mundo. A nova substância - batizada de NB001
- é descrita em um trabalho publicado na última
edição da Science Translational Medicine. Há poucos
analgésicos no mercado voltados especificamente para a
dor crônica. Quase todos atuam sobre a dor aguda.
Uma pesquisa
divulgada no ano passado apontou que cerca de 29% dos habitantes
de São Paulo sofrem com dor crônica.
Calcula-se que, nos Estados Unidos, 65 milhões de pessoas
também enfrentam o mal.
Especialistas
explicam que o processo neurofisiológico
da dor crônica é diferente dos mecanismos que provocam
a dor aguda. De um modo geral, quando o estímulo doloroso
cessa, a dor aguda desaparece. Ela desempenha assim um importante
papel: faz com que a pessoa proteja o órgão ou
o tecido afetado e informa o corpo que há algo errado.
A dor crônica, no entanto, permanece quando o estímulo
já desapareceu, como uma memória persistente -
e incômoda - do evento que causou a dor. Ao contrário
da forma aguda, não traz benefícios. Só sofrimento.
Estudos anteriores
haviam comprovado as diferenças bioquímicas
entre os dois processos e cientistas procuravam um modo de interferir
somente na dor crônica.
Descobriram
então a enzima AC1, que, comprovadamente,
participa da gênese da dor crônica em uma região
do cérebro conhecida como córtex cingulado anterior.
O próximo passo foi a busca de uma substância capaz
de inibir a ação da AC1. Cientistas do Canadá chegaram
a vários compostos. O mais eficaz foi o NB001, testado
em colônias de células neuronais e em camundongos
com dor crônica (mais informações nesta página).
Em entrevista
ao Estado, Min Zhuo, professor da Universidade de Toronto,
afirmou que
pretende iniciar os testes em humanos
em cinco anos. Mas, para isso, precisa estabelecer parcerias
com indústrias farmacêuticas.
A Science
Translational Medicine também publicou uma
análise crítica da descoberta. Assinam dois pesquisadores
da Universidade da Califórnia em São Francisco.
Eles questionam se o NB001 não inibiria o funcionamento
da enzima AC1 no hipocampo, prejudicando processos como a memorização.
Ao Estado, Zhuo argumentou que, nos testes realizados com animais,
não houve qualquer impacto na memória dos camundongos.
Enquanto
isso... A dor crônica faz com que muitas pessoas
permaneçam inativas, evitando exercícios físicos
e o convívio social. O neurocirurgião Manoel Jacobsen
Teixeira, da USP, sublinha que é preciso lutar contra
essa tendência. "Se não, forma-se um ciclo
vicioso. A dor gera inatividade e a inatividade prolonga a dor",
aponta Teixeira. "A pessoa precisa sair e praticar exercícios:
isso alivia a dor crônica."
A anestesiologista
Fabiola Minson, diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo
da Dor (SBED), também aponta a conveniência
de procurar um médico especialista em dor. O aposentado
Sérgio Casarini, de 64 anos, passou por três médicos
de diferentes especialidades e reclamou da dor que sentia na
planta dos pés, fruto de uma neuropatia causada pela diabete.
O problema só foi resolvido quando chegou a um quarto
profissional, especializado no alívio da dor. "Ia à praia
e não conseguia pisar na areia de tanta dor. Ficava com
os pés levantados", conta. "No mês passado,
com o tratamento adequado, voltei à areia."
Agência
Brasil
Médicos
residentes apelam ao governo o direito de ter alojamento gratuito
Os médicos residentes fazem campanha para garantir o
direito à moradia, além da bolsa de R$ 2.388,06
para uma jornada de 60 horas semanais. Os estudantes temem que
ocorra uma revisão por parte do Ministério da Educação
a partir de um artigo inserido na Lei 6.932/81. Pela lei, a instituição
de saúde responsável por programas de residência
médica fornecerá ao médico residente alimentação
e condições adequadas para repouso e higiene pessoal
durante os plantões.
Os residentes
analisam a possibilidade de recorrer ao governo federal e também ao Congresso Nacional para evitar mudanças
no sistema atual de concessão de alojamento para os médicos
residentes em todo o país. No ano passado, o grupo fez
greve por cerca de um mês atingindo pelo menos 14 estados.
Na última semana de governo, o então presidente
Luiz Inácio Lula da Silva assinou a medida provisória
(MP) 521/2010 concedendo reajuste de 22% na bolsa-auxílio.
O percentual, segundo a Associação Nacional dos
Médicos Residentes (ANMR), foi resultado de negociações
depois de uma greve da categoria.
Na MP, porém, foi incluído um artigo, por meio
de uma mudança na redação da Lei 6.932/81,
permitindo uma revisão sobre a questão do alojamento
dos profissionais. Para o presidente da ANMR, Victor Lima, a
eventual mudança contraria os interesses dos médicos
e prejudica as negociações em curso.
Segundo Lima,
o auxílio-moradia é fundamental
para que os profissionais consigam se manter durante o período
de residência, considerando que muitos saem de suas cidades
e usam o dinheiro da bolsa para todas as despesas.
Agência Câmara
Planos:
Protocolos para doenças infantis
Planos
de saúde deverão estabelecer protocolos
para previnir, diagnosticar e tratar doenças infantis
A Câmara analisa o Projeto de Lei 8048/10, do Senado,
que inclui na assistência oferecida pelos planos de saúde
a obrigatoriedade de ações de prevenção
e de tratamento de doenças que ponham em risco o crescimento
e o desenvolvimento de crianças e de adolescentes.
A proposta
altera a lei dos planos e seguros privados de assistência à saúde
(Lei 9.656/98), a fim de instituir a política de assistência à saúde
da criança e do adolescente no sistema de saúde
suplementar. Isso deverá ser feito pela Agência
Nacional de Saúde Suplementar, que ouvirá a Sociedade
Brasileira de Pediatria.
Essas instituições vão estabelecer protocolos
que assegurem a realização de diagnósticos
e de terapias necessários à detecção
e ao tratamento das doenças que atinjam crianças
e adolescentes.
O projeto
de lei estabelece ainda que os atendimentos médicos
de crianças e adolescentes deverão ser feitos por
pediatras com título reconhecido pelo Conselho Federal
de Medicina, salvo em caso de urgência ou emergência.
"Os estudos epidemiológicos mais recentes demonstram
que a prevenção eficaz da maior parte das doenças
que acometem a população adulta na atualidade deve
ser feita na infância", afirma a autora da proposta,
senadora Patrícia Saboya (PDT-CE).
A legislação atual define que a assistência
dos planos de saúde privados compreende todas as ações
necessárias à prevenção da doença
e à recuperação, manutenção
e reabilitação da saúde.
A proposta
tem prioridade e será analisada - de forma
conclusiva- pelas comissões de Seguridade Social e Família;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
UNIDAS
Plano
de saúde é obrigado
a fornecer home care
Os Desembargadores
que integram a 2ª Câmara Cível
do Tribunal de Justiça mantiveram a sentença proferida
pelo juízo da 4ª Vara Cível da Comarca de
Natal que determinou ao plano de saúde Smile-Assistência
Internacional de Saúde o fornecimento do serviço
de “home care”, que consiste em cuidados médicos
e hospitalares em casa à autora da ação.
J.A.S. possui contrato com a Smile que prevê esse tipo
de atendimento, mas quando precisou do serviço teve que
aguardar uma “liberação” por cinco
dias.
O “home care” foi solicitado por recomendação
médica, já que a autora, uma criança, sofreu
anteriormente uma infecção hospitalar, não
sendo recomendado, por seu médico, sua permanência
no hospital. O juiz de primeiro grau determinou a prestação
do serviço no prazo de 24 horas, sob pena de multa no
valor de R$ 10.000,00, mas o plano de saúde apelou ao
Tribunal alegando que a doença da autora era pré-existente
e que não havia sido informada no histórico clínico.
Para os desembargadores,
a questão não merece
maiores argumentos, já que ficou comprovado que a autora
necessita receber a assistência “home care”,
e ainda que tal serviço está previsto no contrato
celebrado entre as partes, não cabendo, nesse caso, discussões
que gerem controvérsias acerca da tutela constitucional
do direto a vida humana. Diante disso, o recurso de apelação
foi negado, para manter a sentença nos termos em que foi
proferida.
Processo
nº 2010.002878-6 (Âmbito Jurídico)
Saúde
Business
SUS:
terceirização é antônimo de
direito à Saúde
Carvalhaes
critica o direcionamento de até 25% dos leitos
de hospitais e unidades de saúde pública para pacientes
conveniados
Por Dr. Cid Carvalhaes
A insuficiência dos recursos destinados à Saúde é de
conhecimento de seus agentes, desde o mais alto escalão
da gestão até seus usuários. É fato
que o Sistema Único de Saúde (SUS), como a própria
nomenclatura diz, ser a única política pública
que prevê por lei acesso à Saúde. Modelo
inclusive estudado por países como Estados Unidos. Quanto
a isso, não há discussão. A questão
está em combater a fragilidade do Sistema. Inúmeras
são as tentativas, muitas um tanto arbitrárias,
de reverter o sucateamento da saúde.
Exemplo de
manobra inconstitucional é o Projeto de Lei
Complementar (PLC) 45/2010, de autoria do governador Alberto
Goldman, que prevê o direcionamento de até 25% dos
leitos de hospitais e unidades de saúde pública
administrados pelas Organizações Sociais de Saúde
(OSs), para atendimento de pacientes de planos de saúde
e particulares. Em primeiro lugar, é proibida a venda
de leitos do SUS, por isso uma PL Complementar. Não há como
ser feita cobrança por um atendimento em estabelecimento
público, esta conduta é totalmente irregular. Além
disso, a medida reduziria o atendimento aos usuários do
SUS, aumentando a fila de espera, que já é enorme.
Mais uma
vez a terceirização da saúde é enfiada
goela abaixo da população. É necessário
se conhecer os meandros do processo, observando o todo, não
apenas a tentativa de passar este PLC em caráter de urgência,
como foi feito em 16 de dezembro de 2010, sem ser amplamente
debatido democraticamente, o que deveria ter sido feito na próxima
Legislatura. Infelizmente, a medida foi aprovada em 22 de dezembro
e, consequentemente, criará atendimento diferenciado,
privilegiando pacientes de planos privados, o que é ultrajante.
Houve inversão na maneira de interpretar a legislação,
quando diz: saúde é direito do cidadão e
dever do Estado. A Constituição define: a iniciativa
privada pode atuar como complemento aos serviços públicos
de saúde. Na prática, os defensores das OSs deixam
o estado como atividade complementar, invertendo a lógica
da lei e prejudicando a população que depende,
unicamente, da saúde estatal.
Recentemente,
os planos de saúde receberam determinações
do Supremo Tribunal Federal (STF) para ressarcir os hospitais
públicos, da mesma forma que os privados, nos casos em
que os clientes optam por este atendimento. O reembolso está previsto
em lei de 1998, entretanto ainda é causa de conflitos
nos tribunais, uma vez que as empresas consideram a legislação
inconstitucional, pois a saúde é um dever do Estado.
De acordo
com o Tribunal de Contas da União, as operadoras
de saúde deixaram de pagar ao SUS R$2,6 bilhões,
entre 2003 e 2007. A Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS) faz a cobrança do ressarcimento após cruzar
a lista de atendidos em hospitais públicos com a listagem
dos planos, exceto em casos de tratamentos não previstos
na contratação do plano, que não devem ser
reembolsados.
Na medicina
de urgência e emergência a quase totalidade
dos usuários de planos privados acaba sendo atendida pelos
hospitais públicos, especialmente os acidentados nas vias
públicas e são levados aos hospitais por serviços
de resgate e o SAMU. São poucos os planos e seguros de
saúde que prestam esses serviços aos seus clientes.
Na maioria dos casos, os hospitais públicos só tomam
conhecimento de que o atendimento foi prestado para um usuário
da saúde suplementar, quando a família solicita
transferência para um hospital da rede credenciada particular.
Ainda não existe a cultura do SUS de verificar a procedência
econômica dos pacientes atendidos em sua rede.
Outro aspecto
que também é bastante oneroso para
o SUS é o chamado procedimento de alta complexidade, como
transplantes de todas as naturezas e as grandes cirurgias, como
as cardíacas, neurológicas, abdominais, torácicas,
além dos atendimentos clínicos de alta complexidade,
como neonatologia, UTIs pediátricas, vítimas de
graves queimaduras e a dispensação de medicamento
de alto custo.
Se atualizarmos
os valores que deveriam ser reembolsados para o SUS, segundo
o
Tribunal de Contas da União, atingiremos,
com correções, a marca de 4 bilhões de reais,
apenas no período que compreende os anos de 2003 a 2007.
Agora, a ANS deve acionar as empresas para colocar em prática
esse ressarcimento e trabalhar para que as operadoras de saúde
cumpram o prometido em contrato. Deve haver uma fiscalização
mais rigorosa em todos os atendimentos do SUS, sem nenhum prejuízo
para o paciente. Existem restrições severas, algumas
delas injustas, outras perversas, e todas elas de franco prejuízo
ao usuá rio.. É preciso considerar que o Estado
oferece seus serviços diretamente por meio do SUS ou pelo
instrumento de concessão, permissão ou suplementação.
As operadoras, planos e seguros de saúde atuam, portanto,
com autorização da autoridade pública. É por
isso que o segmento é considerado como de saúde
suplementar.
A alegação de que as OSs não têm
fins lucrativos é desculpa para pagamento de "polpudos" salários
a seus diretores e cargos em comissões criados por interesses
administrativos. Estas defesas intransigentes das OSs pelas autoridades
da saúde representam meras desculpas burocráticas
verdadeira confissão de inoperância do governo para
justificar sua ineficiência gerencial.
JANEIRO / 2011
-
Unidas: Pacientes Crônicos e de Alto Custo
Modelos de
Serviços para Gestão de Pacientes Crônicos
e de Alto Custo - No contexto do modelo de gestão de cuidados
24 e 25 de fevereiro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Apresentar
o ciclo do modelo de gestão de cuidados, suas
fases e resultados com vias de direcionar ações
assistenciais e gerenciais. Apresentar os projetos de avaliação
de condições de saúde em empresas e seguimento
por linhas de cuidado. Apresentar o modelo de gerenciamento de
casos para idosos fragilizados e pacientes de alto custo. Discutir
a importância da padronização dos processos
de avaliação, e estabelecimento de diretrizes assistenciais
mínimas. Colocar em pauta a necessidade de tecnologia
para alcance da qualidade, escala e abrangência dos programas
propostos. O curso foi estruturado em formato de workshop para
que os conceitos e as experiências possam ser debatidos
e compartilhados entre professor e alunos. Artigos serão
fornecidos e debatidos em sala de aula, palestras expositivas,
relato de casos, e muita informação para que os
participantes possam refletir sobre a real dificuldade em se
implantar tais estratégias, com vias a redução
do custo assistencial de seus beneficiários.
Instrutor
DR. LEONARDO
PEREIRA FLORÊNCIO
Público
Alvo
Gestores
de Operadoras de Planos Privados de Saúde, Gestores
Públicos de Saúde, Coordenadores de Programas e
Projetos de Qualidade de Vida, Medicina Preventiva, Promoção
da Saúde. Profissionais auditores, gestores de tecnologia
da informação de organizações de
saúde. Profissionais de saúde que pretendem atuar
em programas de promoção da saúde e qualidade
de vida.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br (Unidas/AssPreviSite)