Leia
nesta edição:
- Postos
de saúde têm consulta relâmpago
- Receita encontra lixo hospitalar dos EUA em porto do Nordeste
- Conteúdo e prazo do Radar TISS - Edição
2011
- Repelentes
caseiros são pouco eficientes
- Testes
de vacina contra a dengue avançam no Brasil
- Melhora em drogas anti-HIV aumenta a expectativa de vida
- Estudo
mostra cicatrizes mentais do câncer
- Espanha:
Crise na saúde
- Omissão de doença
- Não há saída para a “dupla porta” na
saúde
- SP: Médicos do SUS decidem não
parar no dia 25
- A interiorização do médico
- Correção genética com células-tronco
- A mãe
de todas as pragas
- IESS: Produção Científica em Saúde
Suplementar
- Ministério da Saúde discute no Rio plano de
ação para a Copa 2014
- Sistema
brasileiro de compras em saúde pública
vai ser implantado na Espanha
- Revista
'Nature Medicine' dá capa para biomedicina
do Brasil
- Teste com
leite enriquecido eleva nível de antioxidantes
no sangue de crianças
- Principal
remédio
para mal de Chagas pode faltar no mundo
- Verba extra
para a prevenção da doença
- Argumentos
na balança
- Combate à dengue terá aumento
de 20% no repasse de recursos
- Médicos ameaçam pedir saída de plano
de saúde
- Médicos criticam programa para recém-formados
- Fiscalização comprova pagamentos em dia no Programa
Saúde da Família
- CCJ aprova
nova regra para remuneração de agentes
comunitários de saúde
Quinta-feira, 13.10.11
Folha
de São
Paulo
Postos
de saúde têm consulta relâmpago
Para cumprir
meta de atendimento sem cumprir horário,
profissionais chegam a fazer consultas de dois minutos
Médicos fazem acordos informais em unidades da rede pública
e trabalham menos tempo do que deveriam
Por Talita
Bedinelli e Afonso Benites, de São Paulo
Em uma manhã de quarta-feira, 27 mulheres, a maioria
delas grávidas, aguardavam a chegada de uma ginecologista
no corredor apertado da UBS (Unidade Básica de Saúde)
Paraisópolis, localizada na zona sul de São Paulo.
A médica chegou uma hora e 43 minutos atrasada e foi
embora três horas depois, após atender as 27 pacientes.
Cada consulta, acompanhada do lado de fora da sala pela Folha,
durou, em média, seis minutos.
A ginecologista
foi contratada para um trabalho de 20 horas semanais na UBS
Paraisópolis, mas, segundo a equipe do
posto, ela vai ao local apenas duas vezes por semana e fica quatro
horas em cada um dos dias. No dia em que a Folha esteve lá,
ela ficou três horas. Este é apenas um de muitos
casos de médicos da rede pública da Grande São
Paulo que não cumprem horário.
Em duas semanas
de reportagem, a Folha flagrou 20 profissionais nessa situação. Segundo pessoas da área
de saúde ouvidas, o número é maior graças
a acordos informais entre gestores de unidades de saúde
e os médicos.
Eles ficam
dispensados de cumprir o horário de trabalho
desde que atendam uma meta de consultas. Nos postos de saúde
da Prefeitura de São Paulo, por exemplo, a Folha apurou
que a meta é de 80 pacientes por semana para cada um dos
médicos. A prefeitura nega a prática de acordos,
diz que o horário tem de ser cumprido e afirma que vai
apurar os casos apontados pela Folha.
Consulta
Relâmpago
Como acumulam
outros trabalhos, incluindo atendimentos em clínicas
particulares, os médicos cumprem a meta no menor tempo
possível, o que leva à realização
das "consultas relâmpago" testemunhadas pela
Folha -alguns atendimentos duraram menos de dois minutos. Nos
corredores das UBSs, as mulheres que aguardavam ser atendidas
reclamavam entre elas que há médicos que não
tocam nos pacientes e parecem "sentir nojo" deles.
A maioria
dos médicos flagrados pela Folha atende em
UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e AMAs Especialidades
(Assistência Médica Ambulatorial) da Prefeitura
de São Paulo, que funcionam só com consultas marcadas.
Dentre os
médicos acompanhados pela reportagem, alguns
trabalham ainda em postos das prefeituras de Guarulhos, Diadema
e Itapecerica da Serra e do governo do Estado, onde também
não cumprem seus horários.
Um dos médicos afirmou, na condição de
não ser identificado, que trabalha 12 horas a menos por
semana em um hospital público na zona leste de São
Paulo, com a permissão do chefe. Pelas 36 horas semanais
que deveria permanecer lá, recebe cerca de R$ 6.000 por
mês.
Só uma
hora
Dentre os
casos descobertos pela reportagem, há desde
profissionais que trabalham uma hora a menos por dia até outros
que permanecem no posto só uma hora.
É o caso de um dos médicos na UBS Jardim Engenheiro
Goulart, zona leste de São Paulo: ele chegou às
10h50 e saiu às 11h50. As consultas duraram entre 2 e
8 minutos.
Além das consultas rápidas, o não cumprimento
do horário integral pelos médicos gera outro problema:
pacientes esperam tempo demais para conseguir marcar uma consulta.
Em algumas das UBSs visitadas, as atendentes afirmavam que só havia
vagas na agenda de 2012. A saúde foi a área da
administração do prefeito Gilberto Kassab mais
criticada em recente pesquisa Datafolha.
Depoimento
Espera é de
uma hora; a consulta dura um minuto
Por Afonso
Benites, de São Paulo
Apurava uma
reportagem sobre a rede pública de saúde
quando decidi passar por uma consulta na AMA do Jardim Romano
por estar com dores no peito.
A espera
pelo atendimento foi de uma hora e três minutos.
Ao entrar no consultório, o médico já tascou: "Que
que 'cê' tem?". Não havia nem sentado ou sido
cumprimentado e meu tempo já estava valendo. Entre minha
explicação, a verificação dos batimentos
e a entrega de um pedido de eletrocardiograma foram 1 minuto
e 37 segundos.
Com o resultado
do eletro, o doutor disse que eu não
tinha nada. Ainda assim mandou consultar um clínico geral
na UBS. Detalhe, o médico que me atendeu era um clínico.
Semanas depois, um cardiologista do meu convênio diagnosticou
uma leve arritmia.
Outro Lado
Prefeitura afirma que vai aumentar controle de horas
Secretaria
Municipal da Saúde não reconhece os
acordos, mas diz que casos denunciados serão investigados
De São
Paulo
A Secretaria
Municipal da Saúde de São Paulo disse
que "não compactua com nenhuma redução
da jornada de trabalho de seus funcionários" e que
todos os casos apontados pela Folha serão apurados e,
se comprovados, punidos "com o rigor da lei". O órgão
disse ainda que vai implementar até o final deste ano
um sistema de reconhecimento biométrico (por impressão
digital) e fotográfico de seus profissionais e pacientes,
o que deverá permitir um acompanhamento maior da jornada
de trabalho.
Por meio
do sistema, os médicos e outros profissionais
serão identificados logo na entrada do local de trabalho.
E como os prontuários dos pacientes também serão
informatizados, será possível ainda acompanhar
cada atendimento feito por eles e monitorar em tempo real suas
atividades, de acordo com a Secretaria da Saúde.
Atualmente,
diz o órgão, há mecanismos
de controle das jornadas dos médicos, como o acompanhamento
das agendas dos profissionais e a disponibilização
dos horários de cada um deles nas unidades de saúde, "para
que a população também possa auxiliar na
fiscalização e denunciar quando necessário".
Falta
de Médicos
A secretaria
disse também que há falta de médicos
no mercado e que está buscando uma forma legal de flexibilizar
as jornadas de trabalho. Um projeto de lei, em trâmite
na Câmara, deve permitir que a contratação
emergencial de médicos para plantões de 12 horas
por semana.
Atualmente,
essas vagas só podem ser preenchidas por
meio de plantões de 24 horas, "o que não atrai
o profissional", afirma a nota enviada.
Sobre as
consultas de curta duração, a secretaria
afirmou que é preciso levar em conta o caso de cada paciente. "Uma
primeira consulta, por exemplo, pode demorar mais do que a entrega
de um exame ou um retorno."O Governo de SP afirmou que abriu
sindicância interna para apurar os fatos e que está implementando
pontos eletrônicos em todas as unidades do Estado até o
final de novembro deste ano.
A Prefeitura
de Guarulhos disse que não concorda com "ajustes" para
o cumprimento de metas e que não há acordos como
esses ali. A cidade também implantará pontos eletrônicos
e disse que vai apurar os dois casos informados pela Folha. Diadema
afirmou que a profissional apontada reduziu, a pedido, sua jornada
de trabalho e que a cumpre integralmente. Itapecerica da Serra
não retornou a reportagem até a conclusão
desta edição.
Folha
de São
Paulo
Receita encontra lixo hospitalar dos EUA em porto do Nordeste
Navio deixa
contêiner com seringas e material cirúrgico
já utilizados no terminal de Suape, em Pernambuco
Guia de exportação e importação
indicava material como 'tecidos com defeitos'; Receita e PF vão
apurar o caso
Por Fábio
Guibu, de Recife
A alfândega da Receita Federal apreendeu anteontem, no
porto de Suape, em Ipojuca (60 km de Recife), um contêiner
carregado com lixo hospitalar vindo dos EUA.
Aberto por
auditores fiscais, o contêiner escondia lençóis
e luvas cirúrgicas usadas, além de seringas, drenos
e outros objetos. Os materiais descartáveis estavam envolvidos
em lençóis manchados de sangue. A carga chegou
ao porto há cerca de duas semanas, em um navio que partiu
dos Estados Unidos. A documentação, segundo a Receita,
identificava o material como sendo "tecidos com defeitos".
O destino
do contêiner era Santa Cruz do Capibaribe (205
km de Recife), município conhecido por suas indústrias
de confecções. Os nomes das empresas envolvidas
na importação não foram divulgados. A Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
foi acionada para analisar o material apreendido. O laudo será encaminhado à Receita
Federal, que decidirá o que fazer em relação
ao caso.
Há possibilidade de as empresas envolvidas no negócio
serem multadas e obrigadas a levar o lixo de volta. Não é a
primeira vez que isso acontece no país. Em 2009, cerca
de 40 contêineres com resíduos domésticos
vindos da Europa foram apreendidos no porto de Rio Grande (RS)
e posteriormente devolvidos.
Importar
materiais de risco para a saúde é proibido
no Brasil. A Receita vai verificar se existem mais carregamentos
de tecidos importados em Suape, para eventual inspeção.
A Polícia Federal também deve ser acionada.
Cocaína
No último fim de semana, a Receita Federal descobriu
no mesmo porto uma carga com 530 kg cocaína pura escondida
em um contêiner. A droga, guardada em pequenas embalagens
plásticas de um quilo cada uma, estava escondida em meio
a uma carga de 140 toneladas de gesso, que seria exportada para
um país africano.
O complexo
portuário e industrial de Suape passou a ser
usado por organizações criminosas por se tornar,
nos últimos anos, uma das principais portas de entrada
e saída de produtos por via marítima no Nordeste.
ANS
Conteúdo e prazo do Radar TISS - Edição
2011
As operadoras
de planos de saúde deverão enviar
os dados referentes ao Radar Tiss - Edição 2011,
entre os dias 01 e 30 de novembro de 2011. Para baixar o arquivo
do Radar TISS, contendo ofício e instruções
de preenchimento, é necessário utilizar o Protocolo
de Transmissão de Arquivos (PTA) instalado nas estações
de trabalho das operadora e interligado ao servidor da ANS.
Folha
de São
Paulo
Repelentes
caseiros são pouco eficientes
Estudo da
Unesp indica que principais receitas "naturais" para
afastar o mosquito da dengue têm ação efêmera
Grupo testou
compostos com andiroba, citronela e outras substâncias;
fórmulas circulam na internet durante verão
Por Giuliana
Miranda, de São Paulo
Receitas
caseiras de repelente, com citronela, andiroba e outras substâncias, não são um meio eficaz de afastar
o mosquito da dengue. No máximo, garantem picadas em uma
pele cheirosa.
A constatação é de pesquisadores da Unesp
de Botucatu, que testaram as principais receitas caseiras para
afastar o Aedes aegypti. Os resultados foram divulgados pela
revista "Unesp Ciência".
Com a chegada
do verão, época em que os casos
de dengue disparam, as fórmulas mágicas e "naturais" proliferam
quase tão rápido quanto o mosquito que transmite
a doença, ganhando espaço em correntes de e-mail,
redes sociais e até em alguns programas de televisão.
"O maior perigo é a falsa sensação
de segurança. As pessoas aplicam essas substâncias
achando que vão estar protegidas contra a doença,
mas, na verdade, estão vulneráveis", diz Hélio
Miot, professor de Dermatologia e um dos coordenadores da pesquisa,
que será publicada na "Revista da Sociedade Brasileira
de Medicina Tropical".
O Teste
Os pesquisadores
criaram em laboratório um berçário
de Aedes aegypti livres de contaminação com a dengue
ou qualquer outra doença. Eles então selecionaram
somente fêmeas (só elas nos picam) adultas e estéreis.
Para aumentar o apetite dos insetos, eles foram privados de alimentação
por 24 horas.
Os mosquitos,
depois, foram colocados em uma espécie
de gaiola circular, só com uma abertura para o braço.
Um grupo voluntário de estudantes de medicina topou, literalmente,
dar o sangue pela pesquisa e enfiar os braços na gaiola
para testar o grau de repelência.
Primeiro,
os voluntários colocavam os braços nus
e sem qualquer substância. Depois, passavam algo no outro
braço a ser testado. Essa operação foi repetida
várias vezes e, ao final, os cientistas compararam a quantidade
de picadas de cada situação. O desempenho dos produtos
testados também foi comparado com uma substância-padrão,
cuja repelência já é bem conhecida. No experimento,
os cientistas usaram andiroba, cravo-da-índia, citronela, óleo
de soja e outros produtos que a crença popular diz afastar
o mosquito.
"Eles afastaram os mosquitos por um curto período.
Algumas centenas de segundos apenas. Nenhum superou os repelentes
industrializados", avaliou Miot.
Velas
As velas à base de citronela e andiroba, porém,
podem fazer diferença.
As fêmeas do mosquito buscam o sangue humano (e de outros
mamíferos) pela albumina, uma proteína usada em
seus ovos. Por isso, os insetos evoluíram para "rastrear" o
gás carbônico e a amônia liberados pelos animais.
"Qualquer meio que bagunce esses sensores já ajuda.
Acender fogueiras é um método muito antigo de espantar
insetos", diz Miot. "Qualquer vela, mesmo as comuns,
vai contribuir. Isso, porém, só funciona em ambientes
fechados e com tamanho restrito. Numa varanda, por exemplo, não
serviria pra nada", completou o pesquisador da Unesp.
Folha
de São
Paulo
Testes
de vacina contra a dengue avançam no Brasil
De São
Paulo
A Fiocruz
(Fundação Oswaldo Cruz) anunciou que
a vacina contra a dengue que está em desenvolvimento pela
instituição entrará na fase de testes clínicos,
que devem ser concluídos em até cinco anos. A fundação
trabalha em parceria com a farmacêutica belga GlaxoSmithKline
para criar uma vacina única contra os quatro sorotipos
da dengue.
Os quatro
sorotipos, segundo um levantamento recente, estão
em circulação no Estado de São Paulo. A
farmacêutica francesa Sanofi-Aventi também possui
uma vacina contra a dengue em desenvolvimento. Os testes, inclusive,
estão em fase mais avançada.
Quem é contaminado por um sorotipo de dengue fica imune
apenas A essa variedade específica, podendo, mais tarde,
ser contaminado por todos os outros. (GM)
Folha
de São
Paulo
Melhora em drogas anti-HIV aumenta a expectativa de vida
Por Kate Kelland, da Reuters
A expectativa
de vida das pessoas que têm HIV aumentou
15 anos entre 1996 e 2008, graças em grande parte ao diagnóstico
precoce e tratamento com melhores drogas, menos tóxicas,
disseram cientistas do Reino Unido.
Enquanto
a expectativa de vida dos pacientes com HIV ainda é menor
do que na população em geral, o progresso dramático
na redução dos efeitos colaterais das drogas (oferecidas
como coquetel de medicamentos) e o início do tratamento
mais cedo ajudaram a transformar o HIV em uma doença crônica
com um bom prognóstico.
Em um estudo
publicado na revista científica "British
Medical Journal", os pesquisadores acrescentaram que a média
de vida de pacientes soropositivos deve aumentar ainda mais no
futuro.
"Esses resultados são reconfortantes para os pacientes
atuais e serão usados para aconselhar os que recentemente
descobriram ser soropositivos", disse Mark Gompels, do Serviço
Nacional de Saúde do Reino Unido, que é coautor
do estudo. Os cientistas analisaram dados de pacientes com idade
acima de 20 anos que iniciaram o tratamento com pelo menos três
drogas anti-HIV entre 1996 e 2008.
A análise mostrou que a expectativa de vida dos infectados
com HIV aumentou de 30 anos para quase 46 anos (contando esse
tempo como anos adicionais de vida para pessoas com 20 anos quando
foram diagnosticadas) entre os períodos de 1996 a 1999
e 2006 a 2008.
Os resultados
mostram que a expectativa de vida para mulheres tratadas com
o coquetel
no Reino Unido é 10 anos maior
que a de homens. O estudo serve como "um apelo urgente" para
conscientizar pacientes e profissionais de saúde sobre
a eficácia do tratamento do HIV, especialmente se iniciado
cedo, dizem os pesquisadores. Segundo eles, novos aumentos da
longevidade dos pacientes devem ocorrer.
Folha
de São
Paulo
Estudo
mostra cicatrizes mentais do câncer
Pacientes
têm sintomas de sídrome do estresse pós-traumático
que duram décadas
Das Agências de Notícias
Um diagnóstico de câncer é capaz de deixar
cicatrizes psicológicas tão profundas quanto as
infligidas pelo envolvimento numa guerra. É o que indica
uma nova pesquisa feita com pacientes. Mais de uma década
depois de terem recebido a notícia do diagnóstico,
quatro em cada dez sobreviventes relatam sintomas como excesso
de tensão permanente, pensamentos perturbadores sobre
o câncer ou enfraquecimento dos laços emocionais
com amigos e parentes.
São características que se encaixam na definição
de síndrome do estresse pós-traumático,
problema psiquiátrico que normalmente afeta veteranos
de guerra.
Segundo Sophia
Smith, pesquisadora do Duke Cancer Institute, na Carolina do
Norte
(EUA), é concebível que o
trauma atrapalhe o prosseguimento da terapia.
"Ficamos preocupados com a possibilidade de o paciente
evitar os cuidados médicos e pular os retornos no consultório",
diz. "Não temos dados que demonstrem isso, mas é uma
preocupação constante para nós", afirma
a autora do estudo.
Valor Online
Espanha:
Crise na saúde
Por Paul Day, da Reuters
Crise da
dívida põe em risco o sistema de saúde
da Espanha
Na região espanhola da Catalunha, há fornecedores
de produtos médicos que não recebem há dois
anos, salas de emergência foram fechadas e médicos
foram informados de que precisam aceitar cortes em sua remuneração,
do contrário 1.500 médicos residentes perderão
seus empregos.
O sistema
espanhol de saúde pública, que goza
de excelente reputação, tornou-se a mais recente
vítima da crise da dívida soberana na zona do euro.
"Nós não fomos pagos, mas não há nada
que possamos fazer a respeito. Precisamos manter os contratos
[de prestação de serviços], e por isso vamos
ter de esperar", disse um representante de uma empresa de
limpeza que não quis ver seu nome ou o de sua empresa
publicados por temer uma reação prejudicial.
A empresa,
que se diz credora de centenas de milhões
de euros devidos pelo governo de Castilla-La Mancha, é uma
das dezenas de fornecedores - de compressas cirúrgicas
a desinfetantes - que estão em dificuldades porque as
regiões da Espanha estão atrasando os pagamentos
para cumprir as apertadas metas do déficit.
Os cortes
nos gastos das regiões autônomas endividadas
são um sinal tangível do sofrimento presente e
futuro, à medida que a Espanha se empenha em cumprir as
metas ambiciosas de redução de seu déficit,
com que se comprometeu junto à União Europeia em
meio a uma crise econômica.
A oposição conservadora espanhola, o Partido Popular
(PP), considerado o provável vencedor das eleições
de novembro, provavelmente reduzirá os programas de bem-estar
social que os socialistas, ora no poder, deixaram intocados.
Porém, mesmo os socialistas dizem agora ser capazes de
encontrar formas de reduzir os gastos com saúde sem prejudicar
os serviços. Por exemplo, obrigando as empresas de seguros
de automóveis a pagar pelo tratamento de vítimas
de acidentes e enviando a governos estrangeiros as contas incorridas
por seus cidadãos ao usar hospitais espanhóis.
A multinacional
farmacêutica Roche diz que Castilla y
León está mais de 900 dias atrasada no pagamento
de suas faturas, o que tem intensificado o temor na região
autônoma de que a empresa poderá não entregar
medicamentos para alguns hospitais, como fez na Grécia,
país que está lutando para não sucumbir
a um colapso financeiro.
O governo
central espanhol faz transferências anuais de
receitas dos impostos para as 17 regiões autônomas
do país, que são responsáveis pela administração
dos sistemas de saúde e educação.
Mas as regiões estão sendo obrigadas a adotar
cortes de gastos drásticos, após terem acumulado
dívida durante o boom do mercado imobiliário espanhol,
cujo colapso em 2008 lançou o país em recessão
e produziu forte alta no desemprego, hoje acima de 20%.
À medida que as regiões encolhem seus gastos onde é possível,
o montante devido às empresas que prestam serviços
e distribuem produtos de saúde cresceu 42% em um ano,
para mais de € 4 bilhões, de acordo com a Federação
Espanhola de Tecnologia da Saúde, conhecida como Fenin.
O governo
da Catalunha, a região mais rica da Espanha,
fechou algumas clínicas e unidades de emergência
nos últimos meses e disse que vai demitir 1,5 mil médicos
residentes, caso os médicos se recusem a aceitar reduções
de salário e de gratificações.
No fim de
setembro, em Barcelona, capital da Catalunha, os residentes
organizaram
marchas e envolveram hospitais com faixas. Sindicatos
de médicos ameaçaram abandonar postos de trabalho.
Porém, muitos médicos mais experientes receiam
criar problemas e, possivelmente, perder os empregos, quando
um em cada cinco espanhóis estão sem trabalho.
Reclamações de longas esperas para receber atendimento
médico são raras na Espanha. Mas agora os pacientes
catalães estão começando a ter de esperar,
e os médicos alertam que a qualidade do atendimento vai
piorar.
"Haverá menos verbas disponíveis para as
necessidades dos pacientes, porque poderemos nos ver em uma situação
em que teremos de gastar muito dinheiro corrigindo erros de residentes
resultantes do fato de eles não terem recebido treinamento
adequado", disse José Blanco, chefe de educação
hospitalar no Hospital German Trias.
O PP, por
sua vez, diz que o setor da saúde deve ser
reformado, mas é vago quanto aos detalhes.
Economistas
de institutos de pesquisas e planejamento conservadores que
assessoram o
PP sugeriram "copagamentos" - esquema
em que os pacientes arcariam com parte das contas, para desestimular
o uso excessivo do sistema.
O crescimento
com gastos de saúde na Espanha diminuiu
e o que o país gasta com o sistema de saúde é coerentes
com a média nos países desenvolvidos, em torno
de 9,5% do PIB em 2009, segundo dados da OCDE, grupo de países
ricos. A parte do leão, 73,6%, é bancada pelo Estado.
O sistema é tão bom e tão barato que muitas
pessoas usam os seus seguros de saúde privados para problemas
de saúde mais simples, mas buscam um hospital público
quando diagnosticadas com uma doença ou condição
mais grave.
Os cortes
no sistema público de saúde obrigarão
algumas pessoas a retornar ao sistema privado, que muitos consideram
inadequado.
Consultor
Jurídico
/ Segs
Omissão de doença
Seguradora
não deve indenizar se usuário omite
doença
Se o segurado
omitiu deliberada e comprovadamente informações
sobre doença pré-existente, a seguradora não
tem obrigação de indenizar a beneficiária,
em caso de morte. Afinal, a parte segurada faltou com a lealdade
e a sinceridade que devem imperar neste tipo de ajuste contratual,
conforme dispõe o artigo 422 do Código Civil. Sob
este entendimento, a 5ª. Câmara Cível do Tribunal
de Justiça do Rio Grande do Sul negou Apelação
contra sentença de primeiro grau que indeferiu a ação
de cobrança em desfavor da seguradora. O acórdão é do
dia 31 de agosto. Cabe recurso.
O caso é originário da Comarca de Porto Alegre.
Em fevereiro de 2005, o segurado contratou plano de pecúlio
e seguro de vida, com cobertura apenas de auxílio funeral.
Na ocasião, quando questionado se sofria ou sofreu, nos últimos
três anos, de alguma doença que requeresse tratamento
ou internação, respondeu negativamente. Conforme
os autos do processo, os cartões-propostas foram redigidos
em letra legível e contemplavam cinco perguntas, claras
e objetivas. As respostas limitavam-se a um ‘‘Sim’’ ou
a um ‘‘Não’’.
Em 18 de
julho de 2009, o segurado morreu. A causa mortis, segundo o
laudo: choque
séptico, sepse, broncopneumonia comunitária,
doença broncopulmonar obstrutiva crônica, hepatopatia
crônica, etilismo. Conforme a autora, o segurado somente
havia sido internado uma única vez — em 6 de janeiro
de 2004 —, para tratamento de transtorno mental e comportamental
devido ao uso do álcool.
Como a seguradora
se negou a pagar a indenização,
a autora ajuizou uma ação de cobrança, reivindicando
o valor da cobertura. A juíza Nelita Teresa Davoglio indeferiu
a ação por entender que o segurado negligenciou
informações e agravou o risco da contratante, ferindo
a boa-fé contratual.
Inconformada,
a autora apelou ao Tribunal de Justiça.
Em suas razões, sustentou que o ônus de comprovar
a pré-existência da doença é da seguradora,
uma vez que se eximiu de fazer exame clínico no segurado
quando da contratação. E mais: acrescentou que
o estado patológico não pode ser caracterizado
como doença infectiva se, à época em que
prestadas as declarações, este era incapaz de,
por si só, saber da existência da patologia.
O relator
da Apelação, desembargador Jorge Luiz
Lopes do Canto, entendeu que a Apelação não
merecia provimento, pois o segurado já tinha conhecimento
de sua enfermidade quando da contratação dos seguros.
Por uma por questão de lealdade contratual, deveria ter
declinado nas declarações pessoais de saúde
esta condição, cuja sonegação consciente
importa em desonerar a seguradora do dever de indenizar, em função
do agravamento do risco.
Ele citou
textualmente o artigo 766, do Novo Código Civil: ‘‘Se
o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações
inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na
aceitação da proposta ou na taxa do prêmio,
perderá o direito à garantia, além de ficar
obrigado ao prêmio vencido.
‘‘Parágrafo único. Se a inexatidão
ou omissão nas declarações não resultar
de má-fé do segurado, o segurador terá direito
a resolver o contrato, ou a cobrar, mesmo após o sinistro,
a diferença do prêmio’’.
Segundo o
relator, não cabe o pagamento da indenização
postulada na inicial, uma vez que a seguradora comprovou o agravamento
do risco contratado, nos termos do artigo 333, inciso II, do
Código de Processo Civil.[2]
‘‘Assim sendo, informações prestadas
de má-fé pelo segurado não acarretam lesão à seguradora,
mas ao fundo segurado, principalmente aquele de agiu que boa-fé’’,
finalizou o relator. O voto foi seguido, por unanimidade, pelos
desembargadores Isabel Dias de Almeida e Romeu Marques Ribeiro
Filho.
Fator Brasil
Não há saída para a “dupla porta” na
saúde
Por Sandra Franco
Em recente
julgamento, o Tribunal de Justiça de São
Paulo negou recurso que o Governo do Estado moveu contra decisão
que proibia a destinação de 25% dos leitos de hospitais
públicos administrados por organizações
sociais aos planos de saúde. A decisão, conhecida
como “lei da dupla porta”, foi proferida pelo desembargador
José Luiz Germano, da 2ª Câmara de Direito
do TJ-SP. Ele afirmou que “o Estado ou as organizações
sociais por ele credenciadas, não tem por que fazer o
atendimento público da saúde com características
particulares”.
Surpreende
a forma como o Poder Público busca a solução
para problemas nas diversas áreas. Nesse caso, a reserva
de uma quota de leitos apresentava-se como forma de o SUS receber
pelos atendimentos realizados aos beneficiários de planos
de saúde, na versão do governo estadual. Mas, por
que gastar energia com “letra morta”, já que
ninguém ignora a existência de legislação
(federal e estadual) com o dispositivo do ressarcimento ao SUS?
Na liminar
concedida, o desembargador afirma que tanto a lei que determinou
a transferência de leitos públicos
para os convênios privados (Lei Complementar 1.131/2010),
quanto o decreto que a regulamenta (Decreto Estadual 57.108/2011), "são
afrontas ao Estado de Direito e ao interesse da coletividade".
Entidades médicas e defensores do SUS criticaram o texto
do decreto. De forma uníssona, apontaram para o fomento
da dupla porta de entrada, que se tornaria institucionalizada.
Na prática, esse mecanismo de entrada de pacientes de
planos de saúde- e de um tratamento diferenciado - existe
e é denunciado como nefasto ao sistema público,
universal e gratuito.
Contudo,
emerge da presente discussão a omissão
da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em
viabilizar o ressarcimento ao SUS, sempre que pacientes de planos
de saúde são atendidos em hospital público,
conforme determina o artigo 32 da Lei Nº 9.656/98. Esta
lei dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde.
Ainda que o Ministério da Saúde esteja agora a
incentivar ações para mudar esse cenário,
o sistema privado de saúde - direta ou indiretamente -
tem-se favorecido economicamente por conta da ineficácia
dos gestores públicos.
A ANS tem
poder de polícia administrativa adequado ao
cumprimento de suas atribuições, portanto deve
regular o setor e exigir das operadoras de planos de saúde
a oferta de rede de serviços adequada para atendimento
integral dos pacientes – não basta criar Resoluções.
A fiscalização da agência quanto ao cumprimento
de normas regulamentadoras do setor traria uma redução
na procura do SUS por parte da população advinda
da saúde suplementar, que se vê sem assistência
diante das negativas de cobertura para procedimentos. De outro
lado, também é atribuição da ANS
tornar operacionalmente viável e eficaz o ressarcimento
das operadoras de saúde ao SUS, de forma a possibilitar
mais recursos para a saúde pública.
No site da
ANS há um quadro com dados que permitem uma
ideia aproximada dos valores que, ao longo dos anos, o SUS tem
deixado de receber. É certo que muito mais é devido
ao SUS, considerando-se que o sistema de cruzamento de dados é complexo
e precisa ser aprimorado para que todos os procedimentos sejam
ressarcidos ao sistema público - e não só os
cirúrgicos.
Vale transcrever
as palavras do desembargador relator no acórdão
sobre a criação de reserva de vagas no serviço
público para os pacientes dos planos de saúde. “Aparentemente
isso só serviria para dar aos clientes dos planos a única
coisa que eles não têm nos serviços públicos
de saúde: distinção, privilégio,
prioridade, facilidade, conforto adicional, mordomias ou outras
coisas do gênero”. Asseverou, ainda, o relator: “não é preciso
dizer que tudo isso é muito bom, mas custa muito dinheiro.
Quando o dinheiro é público, tudo bem. Mas quando
se trata de dinheiro público e com risco de ser feito
em prejuízo de quem não tem como pagar por tais
serviços, aí o direito se considera lesado em princípios
como igualdade, dignidade da pessoa humana, saúde, moralidade
pública, legalidade, impessoalidade e vários outros”.
Inconteste
ser a saúde um dever do Estado, que transfere
parte dessa responsabilidade ao setor privado, o qual cobra do
cidadão pela prestação do serviço.
Oras, se
o setor privado recebe pelo serviço, mas deixa
de prestá-lo, imediatamente devolve ao Estado o dever
de tratar o beneficiário do plano de saúde. Nada
mais óbvio, então, que o Estado cobre daquele que
recebeu o dinheiro para executar o serviço (e não
o fez). Perfeito: essa é a saída!
A Tribuna
SP:
Médicos do SUS decidem não
parar no dia 25
Por Bruno Rios
Os médicos da Baixada Santista que atendem pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) decidiram não cruzar os braços
em 25 de outubro. Assim, a greve cogitada para a rede pública
está descartada.
Os profissionais
de medicina decidiram criar um movimento pró-SUS
com a participação de entidades, como a Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) e sindicatos de trabalhadores de diversos
setores.
“Não vamos parar nada, pois queremos que a sociedade
apoie a causa do SUS, não que se volte contra ele. Precisamos
de dinheiro e investimentos”, esclarece o presidente do
Sindicato dos Médicos de Santos e Região, Alvaro
Norberto.
A intenção é promover um ato em São
Paulo no próximo dia 25, com manifestações
e protestos na Câmara dos Vereadores da Capital ou na Assembleia
Legislativa.
“Fecharemos o cronograma na próxima segunda, às
20h, em São Paulo. O profissional do SUS merece ser valorizado
e o usuário não pode ser penalizado. Um médico
ganha R$ 1,5 mil quando entra no sistema. Chega disso”,
finalizou Norberto.
CFM
A
interiorização do médico
Por João Gonçalves
de Medeiros Filho
Em discurso
proferido durante a inauguração de
mais uma Faculdade de Medicina em Garanhuns - a de número
184 -, a presidente Dilma Rousseff defendeu a necessidade de
formar mais 4500 médicos, totalizando cerca de 21.000/ano – vez
que atualmente já colam grau 16.500 -, com o objetivo
de suprir a "falta” de médicos no País,
notadamente nas pequenas cidades.
Preocupa-nos
sobremaneira essa onda desenfreada de criação
de novas faculdades, mesmo porque hoje já existem cerca
de 350.000 esculápios, e o Brasil ocupa o 2º lugar
no ranking mundial em número de escolas médicas,
perdendo apenas para a Índia, país de dimensões
continentais, com uma população da ordem de 1,2
bilhões de habitantes. Estamos à frente da China
e dos Estados Unidos que possuem, respectivamente, 150 e 131
faculdades de medicina.
Sabemos também que nesse contexto, ao lado de boas instituições
de ensino, proliferam escolas de qualidade sofrível, prevalecendo,
não raro, o interesse mercantilista, em detrimento da
necessidade social.
Estudos demonstram
que a densidade de esculápios no País é satisfatória,
cerca de 20 /10.000 habitantes, próxima à do Canadá (18,9/10.000)
e à dos Estados Unidos (22,5/10.000), acima de muitos
países, inclusive México (15,6/10.000) e Chile
(11,5/10.000).
O grande
problema reside na má distribuição
dos médicos que se concentram nas capitais e grandes cidades,
ficando os municípios mais distantes desprovidos da assistência
necessária.
Na Paraíba, por exemplo, dos 4.881 profissionais em atividade,
2935(60,13%) estão em João Pessoa, 1.015 (20,79%)
em Campina Grande e 931 (19,08%) no restante do Estado. Este
cenário é preocupante. Entendemos, no entanto,
que, não é importando médicos estrangeiros
ou aumentando o número de egressos que vamos corrigir
essa distorção, mas através de políticas
públicas no sentido de interiorizar o profissional, propiciando
condições adequadas de trabalho e remuneração
justa.
Recentemente,
os ministros da Saúde e da Educação
assinaram o Programa de Valorização do Profissional
da Atenção Básica, já publicado no
D.O. da União, que estabelece um sistema de incentivo
para os recém-graduados que optarem pela atuação
nesse importante segmento da saúde. Segundo resolução
da CNRM em vias de publicação, os interessados
receberão bônus de 10% e 20% na nota da prova para
residência, se trabalharem um ou dois anos, respectivamente,
na atenção básica, devendo o governo custear
a supervisão e o aconselhamento dos médicos inseridos
no programa. Além disso, segundo a portaria, aqueles que
cumprirem o prazo máximo, poderão especializar-se
em saúde da família, sob a responsabilidade das
universidades públicas.
As entidades
médicas defendem o financiamento adequado
da saúde, permitindo a melhoria e a implementação
da nossa rede de atendimento nos níveis primário,
secundário e terciário, além de uma política
salarial mais justa, inclusive prevendo a criação
da carreira de médico como carreira típica de estado,
semelhante à do Judiciário, projeto que tramita
no Congresso Nacional, para que se possa assegurar uma assistência
mais digna à população brasileira.
Correio Braziliense
Correção genética com células-tronco
Em artigo
publicado na revista Nature, cientistas garantem ter descoberto
um método de curar rara doença hereditária
no fígado. Técnica traz esperanças para
correção de outras patologias passadas de pais
para filhos
Por Carolina Vicentin
Pesquisas
com células-tronco dão esperança
a pessoas que sofrem com doenças degenerativas, mas também
podem trazer, no futuro, a cura para males genéticos,
transmitidos de pai para filho. Pela primeira vez, cientistas
anunciaram ter descoberto um método eficiente de tratamento
contra uma dessas doenças, que atinge o fígado
e só é curável por meio de transplante.
A doença hepática afeta um em cada 2 mil europeus
nórdicos e é provocada por um gene mutante, que
apresenta duas cópias anormais no DNA dos pacientes. No
estudo, publicado hoje na revista Nature, os pesquisadores conseguiram
corrigir a falha genética com ajuda de células
pluripotentes, que agiram no organismo de ratos, tornando-os
saudáveis. Embora ainda não tenha sido testada
em humanos, a expectativa é de que a técnica possa
ser aplicada no tratamento de uma série de outras patologias
hereditárias.
Grosso modo,
as doenças transmitidas de pai para filho
são provocadas pela mutação de um ou alguns
genes no DNA. Na hora da concepção, essas alterações
acabam sendo passadas para o código genético do
embrião. No caso da doença hepática, há duas
cópias de um gene anormal no organismo dos pacientes e,
com isso, o fígado retém uma proteína essencial
para a manutenção de todos os tecidos do corpo:
a Alfa-1 antitripsina (veja infografia). “A falta de ação
dessa substância provoca a destruição gradual
de alguns órgãos, especialmente do pulmão,
gerando o enfisema pulmonar”, explicou ao Correio o professor
David Lomas, do Instituto de Pesquisa Médica da Universidade
de Cambridge, e um dos autores da pesquisa.
Para tentar
corrigir essa falha pontual, Lomas e seus colegas lançaram mão de uma técnica para a produção
de células-tronco em laboratório. A ideia era que,
corrigindo a alteração genética nessas células,
elas fossem inseridas em um fígado doente e fizessem com
que a proteína antitripsina voltasse a realizar sua tarefa
como deveria. A equipe, então, coletou amostras de células
da pele de pessoas que têm o gente mutante causador da
doença hepática. Com esse material, os pesquisadores
aplicaram um método conhecido como IPS (do inglês
induced pluripotent stem cell, ou célula-tronco pluripotente
induzida).
Criada em
2007, a IPS é hoje uma das técnicas
mais difundidas para a criação de células-tronco
em laboratório. “Ela representou um grande avanço,
porque eliminou a necessidade de usar embriões para esse
tipo de pesquisa”, aponta o geneticista Salmo Raskin, diretor
da Sociedade Brasileira de Genética. Os embriões,
contudo, foram essenciais para o desenvolvimento do método.
Estudando as células-tronco embrionárias, os cientistas
conseguiram descobrir quais são os genes que desencadeiam
a produção de proteínas nas células
do embrião. O passo seguinte foi tentar induzir esse cenário
dentro de células adultas. A ideia deu certo, mas, até agora,
ainda tem alguns problemas.
“Se a IPS fosse perfeita, nós não precisaríamos
mais dos embriões. Acontece que, quando você induz
uma célula pluripotente, podem surgir mutações
no DNA que acabam acarretando alguns tipos de câncer”,
esclarece Raskin. Foi justamente essa lacuna que David Lomas
e outros pesquisadores anunciaram ter preenchido no estudo sobre
a doença hepática. Basicamente, eles mudaram um
pouco o “modo de fazer” das células-tronco
induzidas. “A técnica tradicional, conhecida como
recombinação homóloga, corrigia um defeito
genético e criava outro. Agora, eles conseguiram inserir
uma cópia normal do gene (que causa da doença hepática)
sem qualquer mutação”, detalha Raskin.
DNA “dançante”
Para que
isso desse certo, os cientistas aproveitaram algo que já existe dentro do genoma. Parte do material genético
se movimenta, ou seja, há elementos do DNA que “pulam” de
um lugar para o outro. Esses pedaços são chamados
de transposons e podem ser removidos do genoma. Assim, os cientistas
conseguiram transformar as cópias anormais dos genes em
transposons e, em seguida, retiraram-nas do DNA sem provocar
qualquer outra alteração. “O reparo de ambas
as cópias do gene não deixou resíduos no
vetor de correção nem em outros lugares do genoma.
Isso foi confirmado por uma série de estudos genômicos”,
afirma do professor David Lomas.
Com as células-tronco corrigidas e “limpas”,
os cientistas as transformaram em hepatócitos — células
do fígado responsáveis por sintetizar proteínas.
Esse material, então, foi colocado no organismo de ratos
doentes. Os hepatócitos de laboratório permaneceram
saudáveis no corpo dos animais durante seis semanas. “A
grande façanha desse trabalho foi que eles conseguiram
corrigir a mutação de uma doença genética,
algo que ainda parecia distante para os cientistas que trabalham
com células-tronco”, comenta o geneticista Salmo
Raskin. “As estruturas pluripotentes têm sido muito
analisadas para a medicina regenerativa, não tanto para
os males genéticos, que afetam milhares de pessoas.”
Mais que
isso: segundo os pesquisadores, a técnica pode
ser adotada para a correção de alterações
que causam outras patologias. “Nós a aplicamos à antitripsina,
mas o mesmo vale para qualquer falha genética que seja
provocada pelo defeito de um único gene, que resulta em
uma mutação pontual”, diz o professor Lomas.
Estariam, nesse grupo, uma série de doenças hepáticas
metabólicas, como a hipercolesterolemia familiar e a deficiência
de glicose-6-fosfato. O próximo passo, adianta o pesquisador
da Universidade de Cambridge, é desenvolver um programa
clínico que permita inserir essas células corrigidas
no fígado de pacientes humanos. “Isso ainda vai
exigir, entretanto, rigorosos testes e verificações
de segurança”, ressalva Lomas.
Antes disso, é provável que o método apresentado
hoje seja validado por outros grupos dedicados ao estudo das
células-tronco. “Eles mostraram de forma bem clara
que a técnica funciona bem para corrigir o defeito genético
da doença hepática e não provoca outras
alterações no DNA. A partir de agora, centenas
de outros trabalhos vão tentar repetir o feito, inclusive,
para outras doenças”, aposta Salmo Raskin.
Efeito natural
Ao contrário do que pode parecer, o fato de as células
pluripotentes darem origem a mutações que causam
o câncer não é inesperado. Pelo contrário.
Um dos testes feitos para se ter certeza de que o material é uma
célula-tronco é introduzi-lo no organismo de ratos
e verificar o que acontece. Se o animal desenvolver um determinado
tipo de displasia, a pluripotência é confirmada.
O grande desafio da ciência é controlar esse tipo
de manifestação.
Técnica
promissora
Há uma série de classificações para
as doenças genéticas, mas uma delas diz respeito à quantidade
de genes que aparecem mutados no organismo dos pacientes. No
estudo divulgado hoje, os cientistas apontam que a técnica
tem potencial para tratar patologias monogênicas, embora
tenham tido o cuidado de restringir essa afirmação
para os males que atingem do fígado. Entre outras doenças
desse tipo, estão a fibrose cística, a anemia falciforme
e a hemofilia.
Corrida
científica
A pesquisa
apresentada hoje, feita por um consórcio de
instituições dos Estados Unidos e da Europa, é mais
uma que abriu caminho para o desenvolvimento de terapias com
células-tronco. Na semana passada, conforme noticiou o
Correio, outro grupo de cientistas anunciou a criação
de células pluripotentes a partir de células adultas,
mas utilizando óvulos humanos.
A técnica, semelhante à usada para a clonagem
da ovelha Dolly, reacendeu a polêmica sobre o uso de óvulos
e embriões nesse tipo de estudo. Por conta disso, muitos
cientistas apostam no aprimoramento da IPS, utilizada no estudo
sobre a doença hepática. Mesmo com dificuldades
para controlar as mutações genéticas, esse
método não depende de material humano, o que elimina
uma série de discussões éticas
Correio Braziliense
A
mãe
de todas as pragas
A linhagem
da bactéria Y. pestis, causadora da peste
negra, que matou um terço da população da
Europa no século 14, é praticamente igual a todas
que infectam hoje as pessoas no mundo
Por Paloma Oliveto
“As vítimas da peste almoçavam com seus
amigos e jantavam com seus ancestrais no Paraíso” (Giovanni
Bocaccio, escritor)
Era como
se o Deus medieval despejasse, com um sopro mortal, toda sua
fúria sobre o mundo. Em poucos dias, uma pessoa
saudável transformava-se em moribunda. A febre sugava
as forças; as axilas e as virilhas das vítimas
inchavam, a pele enchia-se de manchas escuras, vomitavam-se jorros
e, em 72 horas, o que restava era um defunto, que logo contaminaria
o resto da família. Poucos eventos foram tão dramáticos
na história como a peste negra, que dizimou um terço
da população da Europa em apenas cinco anos.
Passados
oito séculos, a praga ainda é assustadora.
Um artigo publicado na edição de hoje da revista
Nature mostra que, ao contrário do que se supunha, a cepa
da bactéria Y. pestis, causadora da infecção
em humanos, não se apagou completamente da face da Terra.
Depois de
decifrar 99% do genoma do micro-organismo, um grupo internacional
de
pesquisadores descobriu que há pouquíssimas
diferenças entre a linhagem que devastou o continente
europeu e aquelas que ainda circulam no mundo moderno. Embora
as pessoas tenham adquirido maior imunidade, os cientistas não
descartam a possibilidade de alterações genéticas
ou de vetores darem origem a novas pandemias.
O grupo,
liderado por Johannes Krause, pesquisador do Departamento de
Genética Humana da Universidade de Tübingen, na
Alemanha, conseguiu concluir uma tarefa difícil: decifrar
o código genético da Y. pestis, a partir de amostras
de quatro pessoas mortas há mais de 700 anos. Em uma entrevista à imprensa
por telefone, da qual o Correio participou, a antropóloga
Kirsten I. Bos explicou que os esqueletos foram escavados na
década de 1980 em uma vala comum no nordeste de Londres. “Havia
cerca de 2,5 mil pessoas enterradas no local. Algumas ossadas
foram para o Museu de Londres. Analisamos centenas e pegamos
amostras de quatro indivíduos contaminados pela peste”,
contou.
Amostras
genéticas
Dos fragmentos
de ossos e dentes, a especialista retirou 30ml de material
genético. Segundo Hendrik Poinar, pesquisador
que também assina o estudo, foi utilizada uma tecnologia
que permitiu dar aos cientistas a certeza de que as amostras
não haviam sido contaminadas no solo, ambiente onde vivem
as bactérias, que só se tornam perigosas quando
transmitidas por um vetor. “Conseguimos extrair o DNA e
reconstituir praticamente todo o genoma da Y. pestis: 99% do
material foi decifrado”, contou Poinar.
“Ao comparar o genoma da Y. pestis medieval ao DNA de
amostras modernas, ficamos surpresos ao notar que não
há uma única posição dos genes que
tenha se modificado, de lá para cá. A cepa antiga é extremamente
semelhante a quase todas que hoje infectam as pessoas”,
afirmou Johannes Krause. No fim de agosto, ele publicou um estudo
sobre o tema na revista da Academia Americana de Ciências,
mas, de acordo com Krause, o artigo da Nature é inédito
porque traz a comparação da cepa medieval com a
atual. “As pessoas pensam na peste como algo ligado apenas
ao passado, mas esse é um artigo que mostra como precisamos
ficar em alerta. Houve epidemias recentes”, lembrou uma
das editoras da Nature, Magdalena Skipper, em um vídeo
produzido pela revista científica. “Hoje, as pessoas
estão mais resistentes, mas é um mal que ainda
nos preocupa.”
De acordo
com informações do Ministério
da Saúde, a peste pode ser definida como uma “doença
infecciosa aguda, transmitida principalmente por picada de pulga
infectada, que se manifesta sob três formas clínicas
principais: bubônica, septicêmica e pneumônica” — todos
os subtipos estão relacionados à Y. pestis. A única
maneira de prevenção é evitar o contato
com roedores selvagens, mas, no caso da peste pneumônica,
a doença pode ser transmitida pela aspiração
de gotículas lançadas no ambiente pela tosse. Essa é a
forma mais perigosa, pois desencadeia facilmente uma epidemia.
Massacre,
ignorância
e preconceito
Acredita-se
que a peste negra tenha surgido na Ásia,
onde morreram 5 milhões de pessoas, e se alastrado pela
Europa devido aos roedores que embarcavam nos navios comerciais,
aportados, principalmente, em Gênova, um importante entreposto
italiano do século 14. De 1347 a 1351, um terço
da população europeia morreu. Alguns historiadores,
como John Hatcher, professor da Universidade de Cambridge e especialista
em demografia medieval, vão além: “Foi metade
da população. Simplesmente, uma em cada duas pessoas
pereceu”, afirmou, em entrevista à Nature.
Em tempos
de pouca devoção científica e
muito temor à Igreja, não demorou para que a peste
fosse atribuída a algum castigo divino. Os judeus também
não foram poupados: cristãos os acusavam de serem
os responsáveis. “Não se sabia qual a causa
dessa grande mortandade. Em alguns lugares, pensava-se que os
judeus haviam envenenado o mundo e por isso os mataram”,
narrou o médico francês Guy de Chauliac, que viveu
naquela época e foi cirurgião do papa Clemente
VI.
Sobrevivente
da peste, ele não conseguiu se esquecer
das cenas que presenciou em Avignon. “A grande mortandade
teve início em janeiro de 1348. A epidemia se apresentou
de duas maneiras. Nos primeiros dois meses, manifestava-se com
febre e expectoração sanguinolenta, e os doentes
morriam em três dias; decorrido esse tempo, manifestou-se
com febre contínua e inchação nas axilas
e nas virilhas, e os doentes morriam em cinco dias. Era tão
contagiosa que se propagava rapidamente de uma pessoa a outra;
o pai não ia ver seu filho nem o filho a seu pai; a caridade
desaparecera por completo”, escreveu.
Um olhar agudo
O escritor
genovês Giovanni Bocaccio também foi
testemunha da peste negra, que inspirou o livro Decameron. “Entre
tanta aflição e tanta miséria de nossa cidade,
a autoridade das leis, quer divinas quer humanas, desmoronara
e dissolvera-se. Ministros e executores das leis, tanto quanto
outros homens, todos estavam mortos, ou doentes, ou haviam perdido
os seus familiares e assim não podiam exercer nenhuma
função. Em consequência, permitia-se a todos
fazer aquilo que melhor lhes aprouvesse.” Até enterrar
os mortos era difícil. “Para dar sepultura à grande
quantidade de corpos já não era suficiente a terra
sagrada junto às igrejas; por isso, passaram-se a edificar
Igrejas nos cemitérios; punham-se nessas igrejas, às
centenas, os cadáveres que iam chegando; e eles eram empilhados
como as mercadorias nos navios.”
Os autores
do artigo publicado na Nature lembram que, hoje, antibióticos poderosos e pesquisas cada vez mais sofisticadas
não dariam espaço para uma epidemia das proporções
daquela vivenciada por Bocaccio. Para Hendrik Poinar, o fato
de o DNA da Y. pestis medieval ser praticamente idêntico
ao das bactérias ainda circulantes reforça algumas
teorias já apresentadas, de que a peste foi tão
letal não exclusivamente devido ao tipo de micro-organismo,
mas por outros fatores. Entre eles, ele cita as condições
ambientais, a dinâmica dos vetores e a suscetibilidade
das vítimas, cujos organismos, até então,
jamais haviam se deparado com um mal tão tenebroso. (PO)
E eu com isso
Segundo o
Ministério da Saúde, o Brasil notificou
306 casos de peste — dois, confirmados — entre 2000
e 2009. Apesar de poucos, o órgão observa que há 14
focos naturais da doença no país, com necessidade
de especial atenção para a área do Polígono
das Secas, no Nordeste, até o norte de Minas Gerais, além
da Serra dos Órgãos (RJ), nos limites dos municípios
de Nova Friburgo, Sumidouro e Teresópolis.
Seguros dia-a-dia
IESS:
Produção Científica em Saúde
Suplementar
A entrega
dos prêmios do concurso “Produção
Científica em Saúde Suplementar” marcará a
comemoração de cinco anos de atuação
do Instituto de Estudos de Saúde Complementar (IESS).
Para o concurso, foram inscritos trabalhos de conclusão
de pós-graduação em Economia e Direito,
na área de Saúde Suplementar.
O evento,
com abertura realizada pelo atual superintendente executivo
do IESS, Luiz
Augusto Carneiro, contará com
a presença de Patrick de Larragoiti, presidente do IESS
e do Conselho de Administração da SulAmérica
Seguros; Marcio Coriolano, presidente da Fenasaúde; e
de José Cechin, diretor executivo da Fenasaúde,
além de representantes do setor.
O IESS foi
criado a partir da necessidade das operadoras de saúde do País de terem dados técnicos para
embasarem as políticas econômicas do setor. O evento
ocorrerá no dia 17 de outubro, das 19h às 22h,
no Centro Brasileiro Britânico – Cultura Inglesa
(Rua Ferreira de Araujo, 741 – Pinheiros, São Paulo).
Isaude.net
Ministério da Saúde discute no Rio plano de ação
para a Copa 2014
Essa será a quarta reunião dos representantes
do Ministério da Saúde, Anvisa, ANS e cidades e
estados que receberão os jogos
A Câmara Temática da Saúde para a Copa 2014
se reúne no Rio de Janeiro a partir desta quinta-feira
(13) até amanhã (14) para elaborar o plano de ação
em Assistência e Vigilância em Saúde para
o evento. Essa será a quarta reunião do grupo,
formado por representantes do Ministério da Saúde,
Anvisa, ANS e das cidades e estados que receberão os jogos.
Nos primeiros
encontros, as cidades-sede conheceram experiências
nacionais e internacionais de organização em saúde
para megaeventos. Em agosto, os representantes dos estados e
municípios apresentaram um diagnóstico sobre a
situação da rede de serviços de assistência
e vigilância em saúde nas cidades que receberão
os turistas durante o evento, bem como os planos de investimentos.
De acordo
com o secretário-executivo adjunto do Ministério
da Saúde e coordenador da Câmara Temática
de Saúde, Adriano Massuda, o ministério tem trabalhado
para identificar as necessidades das cidades-sede para a Copa. " Além
de infraestrutura, é preciso investir ainda na organização
e aprimoramento dos serviços de saúde já existentes,
como a capacitação das equipes do Samu 192 e demais
serviços de urgência e emergência, para que
o atendimento seja bilíngue, por exemplo" , afirma.
Massuda explica
que, em geral, as cidades-sede apresentaram necessidades de
adequação da rede assistencial
de urgência e emergência, como reforma e construção
de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e ampliação
do número de leitos de UTI, entre outras.
"Grande parte dessas necessidades, no entanto, poderão
ser atendidas plenamente dentro da Política Nacional de
Urgência e Emergência e de Vigilância em Saúde
da atual gestão do Ministério da Saúde" ,
explica o secretário-executivo. Para ele a Copa deve acelerar
a implementação de melhorias na infraestrutura
e oferta dos serviços de saúde no âmbito
do SUS.
Isaude.net
Sistema
brasileiro de compras em saúde pública
vai ser implantado na Espanha
Parceria
permitirá adaptar sistema de pregão eletrônico
em tempo real para compras públicas na área de
saúde
A Corporación Sanitaria Parc Taulí, uma das maiores
instituições públicas de saúde da
Espanha, fechou parceria com a empresa brasileira Bionexo Ibérica
para adaptar a solução Publinexo de modo a atender
a legislação espanhola no que diz respeito às
compras públicas por meio de pregão eletrônico.
Criada pela
Bionexo, a comunidade de negócios hospitalares
Publinexo é uma solução de gestão
para compras públicas na área da saúde,
que traz um sistema de pregão em tempo real composto por
uma plataforma eletrônica e uma comunidade verticalizada
de fornecedores e compradores, que registram e gerenciam todas
as informações do processo de compras.
Já utilizado no Brasil por instituições
públicas e privadas, o Publinexo permite o registro de
cada passo da licitação, negociação
com todos os fornecedores simultaneamente, controle das compras
e entregas, além de auditoria completa do processo por
qualquer cidadão. A comunidade Bionexo reúne cerca
de 30 mil usuários interligados no mundo, atuando em cinco
países: Brasil, Argentina, México, Colômbia
e Espanha.
Quarta-feira, 12.10.11
Folha
de São
Paulo
Revista
'Nature Medicine' dá capa para biomedicina do
Brasil
Publicação elogia crescimento da produção
científica do país
De São
Paulo
A revista
científica "Nature Medicine", em
sua última edição, decidiu destacar o avanço
da pesquisa em biomedicina no Brasil em reportagem de capa.
"O Brasil pode ser mais conhecido pelo Carnaval, pelas
praias de areia dourada e pelos jogadores de futebol, mas a pesquisa
sobre novas terapias para doenças está começando
a colocar o país no mapa da ciência", diz a
introdução da série de reportagens.
A publicação internacional destaca, do lado positivo,
o aumento de investimentos e os planos de desenvolver novas drogas
no país.
Do lado negativo,
a "Nature Medicine" avalia que a
burocracia e as restrições ao acesso a produtos
da biodiversidade são desafios.
O
Estado de São
Paulo
Teste
com leite enriquecido eleva nível de antioxidantes
no sangue de crianças
Por Karina Toledo
Um leite
rico em substâncias antioxidantes foi desenvolvido
pela adição de óleo de girassol, selênio
e vitamina E à ração das vacas. Além
de verificar a melhora no estado de saúde dos animais
e o aumento na produção de leite, os pesquisadores
comprovaram a elevação no nível de antioxidantes
no sangue das crianças que o consumiram.
A pesquisa
foi realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos
da USP,
em Pirassununga, a 200 km da capital. Embora
outros estudos tenham sido feitos para melhorar o perfil nutricional
do leite, este foi o primeiro a testar os benefícios em
humanos, diz seu coordenador, Marcus Antonio Zanetti.
"Os minerais que podem ser alterados por meio da alimentação
da vaca são o selênio e o iodo. Como o iodo já é acrescentado
ao sal e como o selênio é deficiente na dieta dos
brasileiros, optamos por ele", conta Zanetti. A vitamina
E foi acrescentada por ter efeito antioxidante complementar.
O óleo de girassol potencializa a ação dos
dois nutrientes no organismo.
Os antioxidantes
ajudam a neutralizar o efeito dos radicais livres no corpo
- grandes
responsáveis pelo envelhecimento
celular. Acredita-se que, por isso, eles fortaleçam o
sistema imunológico e ajudem a prevenir doenças
como câncer.
"Entre as vacas suplementadas, houve redução
nos casos de mastite, uma das doenças que mais afetam
esse animal. Nas crianças não foi feito estudo
imunológico, mas também pode haver melhora na resposta
contra as doenças", afirma Zanetti. Os antioxidantes
melhoraram a capacidade de conservação do leite.
Metodologia.
Os pesquisadores dividiram 24 vacas em quatro grupos. O primeiro
recebeu ração comum e o segundo, ração
com selênio e vitamina E. O terceiro recebeu ração
enriquecida apenas com óleo de girassol e o quarto, com óleo
de girassol, selênio e vitamina E.
Ao longo
de 12 semanas, o leite ordenhado foi fornecido a cem crianças de 7 a 10 anos de uma escola no município
vizinho de Casa Branca (SP). A participação no
estudo foi voluntária e consentida pelos pais.
Além dos quatro tipos de leite do experimento, também
foi oferecido às crianças leite desnatado. Aquelas
que ingeriram o leite de vacas suplementadas com óleo
de girassol, selênio e vitamina E foram as que obtiveram
mais benefícios: aumento de 160% na concentração
de selênio no sangue e 45% na de vitamina E, quando comparadas
ao grupo controle.
As crianças que ingeriram leite desnatado tiveram o pior
resultado: redução de 15% no nível de vitamina
E e 20% no nível de selênio. "Por outro lado,
apresentaram índices mais baixos de colesterol",
diz o pesquisador.
Custo. Zanetti
afirma que o custo do leite fortificado é viável
comercialmente - cerca de 4% a mais que um leite tipo A comum.
Jorge Rubez,
presidente da Associação Brasileira
dos Produtores de Leite, afirma que a viabilidade comercial vai
depender da aceitação do mercado. "Se houver
procura e pessoas dispostas a pagar um pouco mais, aí decola."
Rubez conta
que grande parte do volume de leite produzido em São Paulo vai para programas sociais do governo. "Seria
interessante distribuir esse leite enriquecido para as crianças
mais carentes."
Embora considere
interessantes as iniciativas para fortificar alimentos, o presidente
da Associação Brasileira
de Nutrologia, Durval Ribas Filho, diz que é preciso ficar
atento para que não haja excessos. "Antes, acreditava-se
que não dava problema consumir vitaminas demais. Hoje
já se sabe que isso pode ter efeito contrário do
desejado, ou seja, efeito pró-oxidativo."
Folha
de São
Paulo
Principal
remédio
para mal de Chagas pode faltar no mundo
Demora
na produção
nacional pode afetar milhares de pessoas
Por Marco
Varella, colaboração para a Folha
A organização Médicos Sem Fronteiras lançou
um alerta sobre o desabastecimento do principal remédio
para o mal de Chagas. Há risco de que milhares de pessoas
fiquem sem tratamento no mundo, uma vez que o Brasil é o único
fabricante.
A farmacêutica Roche produziu o remédio até 2003,
quando entregou ao governo brasileiro todo o seu estoque, incluindo
tanto a droga já preparada quanto o princípio ativo,
o benzonidazol.
Segundo a
ONG, as autoridades não deram continuidade à produção
de ambos, mesmo com o aumento crescente da demanda mundial.
"O Ministério da Saúde falhou em coordenar
e acompanhar de forma séria a saída do medicamento",
disse Carolina Batista, coordenadora da ONG no Brasil.
Por falta
do benzonidazol, a produção do remédio
está parada no Lafepe (Laboratório Farmacêutico
do Estado de Pernambuco), único produtor mundial da substância.
O laboratório não tem estrutura para fabricar
o princípio ativo, apenas de juntar os "ingredientes" já prontos
para produzir o remédio.
Neste ano,
ficou definido que a substância será produzida
pela Nortec Química.
A empresa,
porém,
diz enfrentar diversos problemas.
A Nortec
afirma que as instruções de preparação
vieram da Roche completamente em alemão. Além disso,
seria preciso fazer uma adaptação em suas instalações
e equipamentos, no tratamento dos resíduos poluidores.
Segundo Nicolau
Pires Lages, da Nortec, a adequação
já está em fase final. "Nós nos comprometemos
a iniciar a entrega do benzonidazol ao Lafepe em novembro",
diz.
Em nota,
o Ministério da Saúde disse que não
há problemas na produção e distribuição
do benzonidazol e que o Lafepe possui estoque estratégico
da substância.
Correio Braziliense
Verba
extra para a prevenção da doença
Por Juliana Braga
O Distrito
Federal receberá R$ 2,2 milhões adicionais
para o combate à dengue. O recurso faz parte da tentativa
do Ministério da Saúde de evitar os tradicionais
surtos no início do ano. O ministro Alexandre Padilha
anunciou ontem um plano que prevê R$ 90 milhões
a mais para municípios que se comprometerem a reduzir
o número de casos, com metas definidas. No DF, a verba
complementará os R$ 11,2 milhões que já seriam
repassados para ações de controle de doenças.
Até o último dia 4, 1,4 mil registros da doença
foram confirmados no DF. No mesmo período de 2009, foram
406. Em 2010, também em nove meses, a situação
foi mais alarmante — 12, 4 mil casos. Dos infectados nesse
ano, 878, ou seja, 62,3%, contraíram a doença no
Distrito Federal. Por isso, as autoridades em Saúde querem
reforçar a importância da prevenção. “A
mobilização da população é fundamental.
Mais de 80% dos focos do mosquito estão na casa das pessoas”,
explica o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Para receber
o recurso, os municípios e o DF terão
de apresentar um plano de enfrentamento da dengue com boas práticas,
que tratem da vigilância epidemiológica, do trabalho
de campo dos fiscais e da assistência ao paciente. Os que
conseguirem se organizar receberão, de uma só vez,
os 20% adicionais no próximo mês. A subsecretária
de Vigilância em Saúde do DF, Cláudia Cunha,
afirma que ainda não tem um prazo para enviar o projeto,
mas esclarece que a própria secretaria se adiantou e organizou
medidas de prevenção por conta própria,
independentemente do recurso do ministério.
Ações
Entre as
ações, ela cita a Semana de Prevenção à Dengue,
promovida pelas regionais de saúde uma vez por mês,
desde setembro. Cada região organiza sua operação,
que pode incluir mutirões de manejo ambiental, para localizar
lugares onde possa haver água acumulada, até medidas
de conscientização da população. “Nós
queremos reforçar a participação da sociedade
nesse processo”, detalha Cláudia Cunha.
Um dos possíveis destinos da verba adicional é a área
de fiscalização da secretaria. “Herdamos
uma vigilância muito fragilizada. Apesar da colaboração
de outros órgãos, como a Funasa, nossa força
de trabalho está bastante reduzida”, aponta Cláudia
Cunha. Ela afirma que seriam necessários mais 800 fiscais
para atender a demanda do DF, além de melhorar as condições
de trabalho dos servidores que atuam no combate a doenças.
Os vigilantes em saúde recebem, em média, R$ 1,1
mil.
Outro medida
anunciada pelo Ministério da Saúde é o
monitoramento de redes sociais, que pode ajudar a combater a
doença. O sistema desenvolvido pela Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG) consegue detectar, por meio de palavras-chaves
no Twitter, pessoas que tenham contraído dengue ou conheçam
alguém que tenha desenvolvido a doença. “Atualmente,
as pessoas informam primeiro às redes sociais que estão
doentes e só depois procuram o médico”, diz
o secretário de Vigilância em Saúde do ministério,
Jarbas Barbosa.
Os cuidados
» Coloque areia na base dos vasos de plantas para evitar
o acúmulo de água
» Nas plantas que podem acumular água, como as
bromélias, regue com uma solução que contenha
uma colher de sopa de água sanitária para cada
litro de água. Faça isso pelo menos duas vezes
por semana e retire o que puder da água acumulada nas
folhas
» Tampinha de garrafa, casca de ovo, latas, embalagens
plásticas e vidros acumulam água. Quando for descartá-los,
use sacos de plástico e os mantenha bem fechados. Evite
acumular lixo e entulho
» Mantenha
ralos de cozinha, banheiro, sauna e ducha desentupidos
» Se a equipe da Secretaria de Saúde passar aplicando
o fumacê, abra as portas e as janelas, mas cubra alimentos,
gaiolas, e recipientes com água para beber
» O recipiente de água dos animais deve ser lavado
pelo menos uma vez por semana, com água e sabão
» A água
das piscinas deve ser tratada com cloro uma vez por semana.
» Entregue os pneus velhos ao Serviço
de Limpeza Urbana
Folha
de São
Paulo
Argumentos
na balança
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária
descontentou associações e conselhos médicos
ao banir do país drogas emagrecedoras da classe das anfetaminas
e ao restringir ainda mais a venda da sibutramina, um remédio
para perda de peso que age no cérebro.
O argumento
que a Anvisa apresenta para justificar as suas decisões é correto
como princípio: os benefícios produzidos por uma
droga qualquer devem superar os seus riscos. A questão é que
essa é uma conta quase impossível de fazer sem
considerar cada paciente individualmente.
As evidências em que a Anvisa se baseou para rever a situação
da sibutramina, o chamado estudo Scout, não são
conclusivas. O que o trabalho apontou foi o aumento de 10% para
11,4% no risco de eventos cardiovasculares não letais
em pacientes com mais de 55 anos, doença cardíaca
ou diabetes e que fizeram uso prolongado (3,4 anos, e média)
da droga. São pessoas que, pela bula, nem sequer deveriam
tomar o remédio. É temerário extrapolar
esses achados para outros perfis de pacientes.
Vários estudos mostram que tomar remédios para
emagrecer, em geral, acarreta redução média
de peso modesta e de curta duração. Como essas
drogas apresentam risco ponderável de efeitos adversos,
utilizá-las seria sempre arriscado.
O problema é que a conclusão não é sempre
válida para todos os grupos de pacientes. É muito
frequente haver uma categoria de doentes para a qual o remédio
traz mais benefícios do que riscos.
Pode ser
uma fatia pequena, mas, desde que a classe exista, não há razão para privá-la da droga.
Nesse contexto, faz pouco sentido reduzir o arsenal terapêutico à disposição
dos médicos.
Essas considerações bastariam para resolver a
disputa em favor dos médicos. Mas o presidente da Anvisa,
Dirceu Barbano, em entrevista à Folha trouxe um argumento
que transcende a avaliação de riscos e benefícios.
Para Barbano, os médicos prescrevem drogas emagrecedoras
de forma "abusiva, muito alta, e crescente ao longo dos
anos".
Assim, as
novas limitações seriam menos um controle
de medicamentos e mais um controle sobre os profissionais de
saúde brasileiros. Não chega a ser uma novidade
constatar que existem médicos despreparados, mas não é todo
dia que uma agência de governo sugere medidas para proteger
a população dos médicos, muitos dos quais
contratados pelo próprio poder público.
O
Estado de São
Paulo
Combate à dengue terá aumento
de 20% no repasse de recursos
Medida do
Ministério da Saúde beneficiará 989
municípios considerados prioritários; objetivo é prevenir
epidemia no verão
Por Lígia
Formenti
O Ministério da Saúde aumentará em 20%
o repasse de recursos para combate à dengue em cidades
consideras prioritárias. A medida, que totaliza R$ 90
milhões ainda neste ano, integra conjunto de ações
anunciado ontem pelo ministro Alexandre Padilha para prevenir
epidemia no verão e reduzir taxas de mortalidade.
Padilha diz
que as medidas de prevenção e controle
devem ser mantidas em todo o País. "Não há uma
região que nos preocupe mais. Todos têm de estar
atentos e adotar medidas de combate ao mosquito." Neste
ano foi registrada redução de 24% dos casos notificados
e de 40% nos casos graves. "Mas não podemos baixar
a guarda", avisou.
Além da ampliação dos recursos, o ministério
prevê a capacitação de profissionais para
identificar casos graves e a instalação de sistema
de acompanhamento de rumores em redes sociais. Essa nova ferramenta
pode auxiliar na identificação de tendência
de aumento de casos antes de o problema ser constatado por autoridades
sanitárias locais.
A principal
preocupação é evitar a expansão
de casos provocados pelo vírus tipo 4. "Esse tipo
tem expansão mais lenta, mas isso não reduz nossa
preocupação", disse o secretário de
Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. A circulação
do vírus tipo 4 foi constatada em dez Estados, mas Barbosa
avalia que o vírus está espalhado pelo País.
Os recursos
extras serão destinados a 989 municípios
que, abrigam quase 50% da população brasileira.
A escolha das cidades obedeceu a critério de risco: capitais
e regiões metropolitanas com casos autóctones,
municípios com mais de 50 mil habitantes ou cidades com
menos de 50 mil habitantes que tenham alta incidência da
doença.
As verbas
serão ofertadas neste ano, desde que municípios
apresentem plano de melhorar da eficiência da prevenção. "Haverá um
cardápio de ações que o município
poderá escolher. Mas a algumas medidas todos terão
de obedecer, como a realização de levantamentos
sobre criadouros do mosquito transmissor", disse Barbosa.
O
Diário
Médicos ameaçam pedir saída de plano de
saúde
Por Carla Guedes
Maringá/PR - Cinquenta cirurgiões cardiovasculares
do Paraná, cooperados das 22 unidades da Unimed no Estado,
vão pedir descredenciamento da operadora de planos de
saúde a partir do dia 22. Em Maringá, três
dos quatro médicos que atendem pela empresa deram sinal
verde ao desligamento; um não foi encontrado para falar
sobre o assunto.
O processo
de desligamento dos médicos leva 60 dias,
em média. Assim, a partir de dezembro, os clientes das
Unimeds no Paraná terão de ir atrás de reembolso,
caso precisem fazer cirurgias cardíacas.
O motivo
para a saída dos cirurgiões é uma
suposta dificuldade de negociação para reajuste
dos valores pagos pelos procedimentos. A Cooperativa dos Cirurgiões
Cardiovasculares do Paraná (CoopCárdio-PR) – que
agrega 76 profissionais – diz tentar há 15 meses
negociar o reajuste dos honorários.
"Nós nunca conseguimos sentar com o pessoal da Unimed
e falar sobre reajustes", disse o diretor-presidente da
CoopCárdio-PR, Marcelo Freitas. Ele afirmou ainda que
cirurgiões credenciados por outros planos de saúde
já chegaram a um acordo, mas o impasse persiste com a
Unimed. "Só nos restou o descredenciamento."
Para que
os pacientes possam buscar o reembolso, os médicos
vão emitir recibos. Em casos de cirurgias eletivas, eles
receberão um orçamento para negociar diretamente
com o plano de saúde. "A gente não está rompendo
com o paciente", avisou Freitas.
Ainda de
acordo com o presidente da CoopCárdio, a Unimed
paga entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por cirurgia cardiovascular,
menos que os R$ 4 mil pagos pelo Sistema Único de Saúde
(SUS). O valor é considerado baixo, já que as operações
são longas e feitas por equipes compostas por no mínimo
três e no máximo cinco profissionais. A CoopCárdio-PR
quer que o valor por cirurgia passe a R$ 15 mil.
A Unimed
foi procurada pela reportagem para comentar o assunto, mas
não retornou os contatos até o fechamento desta
edição.
Número
150 É o número de cirurgias cardiovasculares realizadas
por mês pela Unimed no Paraná.
O
Estado de São
Paulo
Médicos criticam programa para recém-formados
Por Lígia
Formenti
Segundo texto
assinado pelos ministérios da Educação
e da Saúde, jovens profissionais que participarem poderão
receber pontuação extra nas provas para de residência
Portaria
criada para enfrentar a falta de médicos em
serviços públicos de saúde se tornou alvo
de críticas do Conselho Regional de Medicina de São
Paulo (Cremesp) e da Faculdade de Medicina da Universidade de
São Paulo (FMUSP).
Assinado
pelos ministérios da Educação
e da Saúde, o texto estabelece que médicos recém-formados
dispostos a participar do Programa de Valorização
do Profissional de Atenção Básica por pelo
menos um ano receberão pontuação extra nas
provas para de residência.
O vice-diretor
em exercício da FMUSP, José Auler
Júnior, avisou que seu concurso de residência não
adotará esse sistema de bônus. "Temos um parecer
jurídico da USP. Não vamos ingressar na Justiça.
Vamos apenas seguir nossas regras", disse.
As críticas seguem dois eixos. O primeiro é que
o programa, ao definir regras de pontuação de provas,
fere a autonomia universitária. O outro se refere à qualidade
de assistência. "Um médico que sai da faculdade
não tem condições de estar à frente
de um serviço", disse o presidente do Cremesp, Renato
Azevedo Júnior.
"É uma tática para tapar buraco. Um médico
reprovado na residência vai prestar assistência à população
carente, moradoras de áreas afastadas ou para onde ninguém
quer ir", resumiu. Auler tem avaliação semelhante. "Sem
preparo necessário, esse profissional vai se transformar
num mero encaminhador de pacientes para outros serviços."
Discussão. A secretária executiva da Comissão
Nacional de Residência Médica, Maria do Patrocínio
Nunes, afirma que a polêmica provocada pelo Programa de
Valorização não é inesperada. "Toda
mudança gera uma discussão. Há pontos que
ainda precisam ser definidos, mas todas as críticas serão
levadas em conta", afirmou.
Mas ela diz
estranhar as críticas pelo fato de profissionais
sem residência serem encaminhados para serviços
de atenção básica. "Isso já ocorre
e muitas vezes profissionais trabalham em serviços de
emergência. Mas isso nunca foi motivo de reação
de classes médicas", observou.
Terça-feira,
11.10.11
Agência Câmara de Notícias
Fiscalização comprova pagamentos em dia no Programa
Saúde da Família
Por Oscar
Telles / Edição: Marcelo Westphalem
A Comissão de Fiscalização Financeira e
Controle aprovou nesta segunda-feira (10) o arquivamento da Proposta
de Fiscalização e Controle (PFC) 53/08, apresentada
pelo deputado Dr. Pinotti (já falecido), sobre os recursos
da União repassados pelo Ministério da Saúde
ao Programa Saúde da Família (PSF).
Segundo o
relator, deputado Ademir Camilo (PDT-MG), as diligências
realizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), no âmbito
da proposta de fiscalização e controle, não
encontraram inadimplência nos pagamentos devidos à rede
credenciada de serviços de saúde, no município
de Nova Iguaçu (RJ).
“A Corte de Contas avalia que o histórico, as projeções
e os registros do processo da dívida sinalizam para uma
evolução favorável, com tendência
de solução definitiva até o final do presente
exercício”, afirmou. Portanto, acrescentou o parlamentar,
a PFC alcançou seus objetivos e não há providências
a serem tomadas.
Denúncias
A proposta
de fiscalização baseava-se em informações
veiculadas por diversos órgãos da imprensa, as
quais mostram que, após quinze anos de existência,
o Saúde da Família ainda não conseguiu ampliar
suas unidades de atendimento. Além disso, há denúncias
referentes a deficiências nas equipes de visita; falta
crônica de médicos, enfermeiros e dentistas; e falta
de veículos e material de trabalho.
Havia ainda
notícias de municípios que fazem uso
irregular das verbas federais, inclusive concedendo salas que
são usadas como consultórios particulares por médicos
vinculados ao programa.
Íntegra
da proposta:
PFC-53/2008
Agência Câmara de Notícias
CCJ
aprova nova regra para remuneração de agentes
comunitários de saúde
Por Oscar
Telles / Edição: Marcelo Westphalem
A Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania (CCJ) aprovou nesta terça-feira a admissibilidade
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
22/11, do deputado Valtenir Pereira (PSB-MT), que fixa regras
para a remuneração dos agentes comunitários
de saúde e dos agentes de combate às endemias.
Pelo texto, o vencimento desses agentes não será inferior
a dois salários mínimos, mais o adicional de insalubridade.
Agora será criada uma comissão especial para analisar
o mérito da proposição. Em seguida, a matéria
será votada em dois turnos pelo Plenário.
O relator,
deputado Mauro Benevides (PMDB-CE), recomendou a aprovação. Pela proposta, os agentes também
terão direito a aposentadoria especial, devido aos riscos
inerentes às atividades desempenhadas. Os recursos para
pagamento dos profissionais serão consignados no Orçamento
Geral da União com dotação própria
e exclusiva e serão repassados pela União aos municípios,
estados e Distrito Federal. Esses recursos não serão
incluídos no cálculo para fins do limite de despesa
com pessoal, para cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal
(Lei Complementar 101/00).
O texto diz
ainda que caberá aos municípios, estados
e Distrito Federal estabelecer incentivos, auxílios, gratificações
e indenizações a fim de valorizar o trabalho desses
profissionais.
Regras atuais
Segundo a
Constituição Federal, uma lei federal
deve tratar do regime jurídico, do piso salarial, das
diretrizes para os planos de carreira e da regulamentação
das atividades de agente comunitário de saúde e
do agente de combate às endemias.
Conforme
a Constituição, compete à União,
nos termos da lei, prestar assistência financeira complementar
aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para
o cumprimento do piso salarial.
Saiba mais
sobre a tramitação de PECs.
Íntegra
da proposta:
PEC-22/2011
AGENDA
- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo
Abramge / AssPreviSite
As inscrições para os Prêmios Abramge de
Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam
em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus
Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”.
Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias
impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o
dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde
podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio
site da Abramge.
No Brasil,
o Ministério da Saúde registra a cada
ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável
por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais:
a informação não é muito divulgada.
O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis
(DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora
do vírus – e segundo estudo publicado na revista
científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México
e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma
humano.
Podem participar
da premiação, jornalistas profissionais
de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema
escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de
2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos
sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover
a informação sobre saúde e estimular a pesquisa
científica do setor”, diz o presidente da Abramge,
Arlindo de Almeida.
A comissão julgadora dos Prêmios será constituída
de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão
encaminhados aos jurados escolhidos pela direção
da Abramge para análise e indicação dos
melhores trabalhos.
Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem:
R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria
da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos.
E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma
para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no
início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores
no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da
Abramge.
Veja o regulamento
completo dos Prêmios no endereço
eletrônico www.abramge.com.br
-
Seminário
sobre Terapias Celulares
Estão abertas as inscrições para o Seminário
Nacional sobre a Regulação em Terapias Celulares.
O evento promovido pela Anvisa vai discutir um tema que tem despertado
interesse da comunidade científica: as terapias elaboradas
a partir de células humanas viáveis (aquelas que
podem ser utilizadas em tratamentos).
Atualmente,
ainda não há no Brasil um marco regulatório
para estes novos tratamentos que devem começar a chegar
ao mercado nos próximos anos.
Inscrições
O seminário acontecerá nos próximos dias
17 e 18 de outubro, no auditório da Anvisa, em Brasília.
Para efetuar a inscrição, o interessado deve enviar
e-mail para o endereço cerimonial@anvisa.gov.br. A inscrição é gratuita,
e estão disponíveis 200 vagas.
- Evento sobre auditoria de medicamentos
Unidas / AssPreviSite
Auditoria
de medicamentos de alto custo - quimioterapia, radioterapia
e agentes biológicos
14 de outubro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
O aumento
nos custos da sáude está diretamente
relacionado à incorporação de novas tecnologias
O advento
dos anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer
e dos agentes biológicos para as doenças reumáticas,
auto-imunes e dermatológicas trouxe grandes avanços
para o tratamento, mas com um aumento expressivo nos custos.
O bom uso
destes medicamentos traz benefícios inquestionáveis
para os pacientes mas o mal uso, que não é infrequente,
não só prejudica a saúde dos mesmos como
acarreta desperdícios para os financiadores da saúde.
O desafio
da regulação dos agentes quimioterápicos
e biológicos requer do auditor novos conhecimentos.
O objetivo
geral deste curso é capacitar o auditor a
exercer papel regulatório adequado sobre o uso de agentes
quimioterápicos e biológicos, de forma a assegurar ótima
qualidade assistencial aos usuários de seu sistema.
Instrutores
DR.OTÁVIO AUGUSTO CÂMARA
CLARK
ENFERMEIRA
ANNA FLÁVIA
FORTES
Público
Alvo
Gestores
e auditores de sistemas de saúde no Brasil.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
-
12º Congresso Paulista de Saúde Pública
APSP tem
o prazer de convidá-lo a participar do 12º Congresso
Paulista de Saúde Pública, que será realizado
de 22 a 26 de Outubro de 2011, no município de São
Bernardo do Campo. O congresso tem como eixo central "Saúde
e Direitos: escolhas para fazer o SUS".
As Comissões Científica e Organizadora estão
preparando um grande evento que possibilite promover debates,
reflexões e encaminhamentos que envolvam atores representantes
da universidade, da gestão, dos trabalhadores da saúde,
usuários de nossos serviços, enfim todos os cidadãos
e coletivos responsáveis pela consolidação
e fortalecimento do SUS. Nosso sistema de saúde é hoje
a maior política garantidora de direitos no país
e pela sua abrangência e universalidade está, permanentemente,
em disputa entre vários setores e atores. O Congresso
possibilitará explicitarmos e debatermos estas várias
escolhas para atingirmos nosso objetivo, no sentido de garantir
a saúde como um direito e conquista para a cidadania e
desenvolvimento de nosso país.
Sua participação é fundamental para o enriquecimento
do debate e avaliação de nossas escolhas! Esperamos
por você no Congresso!
Mais informações: http://www.congressoapsp.com.br/
- HOSPITAL BUSINESS 2011
27 E 28 DE Outubro de 2011 / Copacabana / Rio de Janeiro
O Hospital
Business reúne congresso científico
e exposição de produtos, serviços e equipamentos;
possibilitando o intercâmbio de conhecimento em um espaço
de proposição e debates de idéias, onde
profissionais se encontram para pensar a formação
e agregar conhecimento aliado à experiência profissional.
A exposição, em uma era cada vez mais digital, é o único
canal onde o comprador, o vendedor e o produto se encontram fisicamente – uma
força potente para os negócios que possibilita
que os profissionais tenham acesso à lançamentos
de novos produtos, novas tecnologias que terão impacto
significativo em sua atuação profissional.
Inscrições:
http://www.hospitalbusiness.com.br/inscricao2011.asp
Contato: http://www.hospitalbusiness.com.br/contato.asp
-
X Encontro Nacional de Economia da Saúde
O X Encontro
Nacional de Economia da Saúde será realizado
nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2011, no Hotel Embaixador,
na cidade de Porto Alegre/RS.
Mais informações: http://www.ppge.ufrgs.br/abres/index.php
-
14º Congresso
Unidas
Unidas / AssPrevISite
Inovações e Desafios da Saúde
Suplementar
Dias 21 e 22 de novembro de 2011
Hotel Maksoud
Plaza São Paulo
Alameda Campinas,
150 - Bela Vista - São Paulo/SP
Promover
o desenvolvimento e a capacitação dos
líderes da saúde suplementar é o objetivo
maior do 14º Congresso UNIDAS - Inovações
e Desafios da Saúde Suplementar. O evento apresentará temas
atuais que envolvem os desafios presentes no cotidiano dos gestores,
além de oportunizar a troca de informações,
experiências e conhecimento entre os players do setor.
Além do 14º Congresso UNIDAS, realizaremos no mesmo
período e local a 11ª Feira de Produtos e Serviços
para Planos de Saúde que irá apresentar as mais
recentes inovações e soluções tecnológicas
para a gestão da área da saúde. Para ser
expositor ou patrocinador dos eventos, as empresas deverão
fazer contato com a UNIDAS pelo telefone (11) 3289-0855, ou pelos
e-mails: sandra@unidas.org.br e rose@unidas.org.br.
Participem
do 14º Congresso UNIDAS - Inovações
e Desafios da Saúde Suplementar e da 11ª Feira de
Produtos e Serviços para Planos de Saúde! A sustentabilidade
do segmento de autogestão dependerá do crescimento
e capacitação profissional daqueles que lutam e
contribuem por um sistema de saúde justo para todos os
brasileiros.
Informações
Informações adicionais e esclarecimentos poderão
ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11)
3289-0855 ou e-mail congresso@unidas.org.br
- 14º Conferência Nacional de Saúde
Tema
“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA
PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”
A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada
em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional.
As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram
dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa
Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os
dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.
Mais informações
no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html