Leia
nesta edição:
- Plano Ilimitado
- O SUS,
na visão de seus usuários
- Declaração
complicada
- Brasil
se arma contra doenças na Copa
- Novo centro
especializado em oncologia será aberto
em março
- Saúde
e puritanismo
- Sem barreira à automedicação
- SUS: Falta
ação,
sobra burocracia
- Encantamento do cliente vs melhora do paciente?
- A web como
aliada do médico e dos pacientes
Segunda-feira, 14.02.11
Folha
de São
Paulo
Plano Ilimitado
Por Mônica
Bergamo
A ANS (Agência Nacional de Saúde) colocará nos
próximos dias em consulta pública um projeto que
permitirá a demitidos ou aposentados optarem por um novo
plano de saúde, diferente do que tinham no antigo emprego,
sem ter que cumprir carência de até dois anos para
começarem a ser atendidos. É a chamada portabilidade,
que hoje não vale para os planos coletivos.
PLANO 2
A mudança, caso seja aprovada, permitirá ao consumidor
optar pelo plano que achar melhor e até mais barato. Hoje,
a pessoa demitida pode permanecer no plano antigo por apenas
dois anos, e ainda pagando integralmente a mensalidade que antes
dividia com o patrão. Depois disso, tudo recomeça
do zero e o usuário tem de cumrpir novas esperas para
usar os serviços.
BOLO RECHEADO
E, com dois
dos cinco cargos de diretores vagos desde outubro, a ANS virou
objeto
de desejo e de acirrada disputa entre as várias
forças que apoiam o governo. Em especial o PT.
ARMA BRANCA
Entidades
como o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor),
o conselho
dos secretários municipais de Saúde
e o sindicato dos médicos protocolarão amanhã no
Ministério Público representação
contra a lei que permite que hospitais estaduais de SP reservem
até 25% dos atendimentos para planos de saúde.
Com a medida, dizem, 2 milhões de procedimentos deixarão
de ser feitos em pacientes do SUS para serem destinados aos clientes
privados.
O
Estado de São
Paulo
O
SUS, na visão de seus usuários
Divulgada
nesta quarta-feira, a nova edição do
Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips)
mostra que os brasileiros estão divididos com relação
ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em média,
o SUS atende entre 120 milhões e 130 milhões de
pessoas por ano.
Elaborada
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), que entrevistou 2.773 pessoas nas duas primeiras semanas
de novembro de 2010, em todas as regiões do País,
a pesquisa mostra que 28,5% dos brasileiros avaliam os serviços
do SUS como ruins e muito ruins e que 28,9% os consideram bons
e muito bons - os 42,6% restantes os classificam como regulares.
As pesquisas
de percepção social ou satisfação
do Ipea, em matéria de saúde, não são
levantamentos técnicos dos problemas da administração
pública. O objetivo é apenas ouvir a opinião
dos entrevistados acerca da qualidade do atendimento dos centros
e postos de saúde, das unidades de pronto atendimento
e das internações nos hospitais vinculados ao SUS.
As informações são utilizadas pelas autoridades
de saúde para estudar as respostas que precisam ser dadas às
principais queixas e aspirações da população,
subsidiar as políticas do setor e ajudar na elaboração
de novos programas.
Segundo o
estudo, os postos de saúde e o atendimento
de emergência receberam as avaliações mais
negativas dos entrevistados. Entre as principais reclamações
destacam-se a extensão das filas tanto nos centros de
saúde quanto nos hospitais públicos, o tempo de
espera para marcação e realização
de exames clínicos, a demora entre o agendamento e a realização
das consultas, a demora para uma consulta com especialistas e
a carência de médicos especializados.
Já os serviços prestados pelas Equipes de Saúde
da Família foram considerados bons ou muito bons por 80,7%
dos entrevistados e o programa de distribuição
gratuita de medicamentos de uso contínuo foi avaliado
positivamente por 69,6%. A pesquisa do Ipea também mostra
que quase metade dos entrevistados destacou como positiva a ausência
de discriminações ou preconceitos de qualquer natureza
por parte de médicos e enfermeiros nos atendimentos realizados
em unidades do SUS.
Segundo o
estudo, a demora no atendimento nos postos de saúde
e nos hospitais é o motivo que levou metade dos entrevistados
a contratar planos de saúde. A rapidez para a realização
de consultas ou exames foi apontada por 40% dos entrevistados
como decisiva para aderir à chamada saúde complementar.
O segundo motivo mais apontado para se ter um plano de saúde
privado é o fornecimento gratuito do benefício
pelo empregador (29,9%). E entre os problemas relacionados a
esses planos, as maiores reclamações são
relativas ao preço das mensalidades e à falta de
cobertura para algumas doenças e determinados procedimentos
médicos. Cerca de um quinto dos entrevistados reclamou
que os planos também não pagam tratamentos recomendados
pelos médicos.
Para os especialistas,
a opinião que a população
tem dos serviços oferecidos pelo SUS reflete problemas
sobejamente conhecidos, que há muito tempo deveriam ter
sido tratados como prioritários pelo governo. Um desses
problemas é a falta de ações de prevenção
e promoção da saúde, para evitar que as
pessoas cheguem a estágios avançados de doenças
ou tenham de procurar diretamente os hospitais. "A atenção
primária é ineficiente em relação
ao aumento da população registrado nos últimos
anos. Ela não se ampliou conforme a necessidade. Além
de não ser suficiente, tem uma infraestrutura precária",
diz a professora Helena Eri Shimizu, do Departamento de Saúde
Coletiva da Universidade de Brasília. Outro problema,
segundo o Conselho Federal de Medicina, é a falta de médicos
das unidades do SUS nas regiões mais pobres - cerca de
50% dos profissionais da rede trabalham no Sudeste e apenas 7%,
no Norte e no Nordeste.
Como se vê, o que a pesquisa do Ipea revela é que
as autoridades do setor de saúde não têm
tido a competência ou o empenho necessários para
tomar as medidas há muito reclamadas pela população.
Correio Braziliense
Declaração
complicada
Tributos
/ Informação separada das despesas médicas
vai trazer mais dor de cabeça para o contribuinte no acerto
de contas com o Leão
Por Gabriel Caprioli
As novidades
formuladas pela Receita Federal para a declaração
do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2011 foram
pensadas, como de costume, para facilitar o trabalho dos fiscais
na apuração das informações prestadas.
Como ocorre ano após ano, porém, as mudanças
devem complicar a vida do contribuinte. Alguns cuidados precisam
ser tomados para evitar erros e imprecisões que podem
fazer o ajuste cair na malha fina e atrasar a restituição.
O Programa
Gerador da Declaração (PGD), ponto
de partida para a prestação de contas, estará disponível
na internet em 1º de março (veja o quadro), mesma
data em que a Receita abrirá os seus sistemas para receber
os dados. A principal alteração, e a que deve causar
mais problemas, é a instituição da Declaração
de Serviços Médicos e de Saúde (Dmed).
Apesar de
não ser direcionada para a pessoa física
e sim para os profissionais da área de saúde, a
nova obrigação pode confundir o declarante. Diferentemente
dos anos anteriores, os dispêndios com tratamentos médicos
deverão ser lançados separadamente, classificados
por especialidades, e não em uma única rubrica.
Além disso, será preciso preencher um campo próprio
com a identificação do profissional de saúde.
A justificativa
para a abertura é a diminuição
das dúvidas em relação às declarações,
que, até o ano passado, eram uma das principais causas
de retenção na malha fina. “Não havia
uma ferramenta para o Fisco checar essa informação.
Ele tinha que chamar o contribuinte e pedir, por exemplo, os
recibos. Às vezes, nem isso satisfazia. Sabemos de casos
em que, mesmo apresentando os comprovantes, a pessoa foi questionada
sobre a validade deles”, ressalta Heloisa Motoki, da consultoria
de contabilidade Confirp.
Para ela,
entretanto, o que foi feito para reduzir a chance de fraude
pode virar
uma dor de cabeça. “Complica
a vida do cidadão porque a maior parte das pessoas não
cultiva o hábito de pegar recibos sempre. Com mais formas
de cruzar as informações, qualquer errinho do contribuinte
pode jogá-lo na malha fina”, pondera.
Heloisa ressalta
que a melhor forma dos declarantes evitarem problemas futuros é não se esquecer de guardar
e organizar, antes do ajuste, os comprovantes de atendimento. “O
ideal é sempre pedir as notas e não deixar para
recolher tudo na última semana de prazo, porque, dependendo
do caso, um comprovante do início do ano passado, por
exemplo, não poderá ser recuperado”, completa.
Adquirir
novos costumes também pode livrar os contribuintes
de surpresas após a entrega da declaração,
segundo a consultora. “Antes da utilização
dos meios eletrônicos, só era possível saber
se a restituição havia ficado retida quando a Receita
chamava, o que podia levar anos. Agora, é possível
acompanhar o ajuste pelo sistema on-line e, se for o caso, resolver
rapidamente pela internet qualquer problema”, lembra.
Empresas
terão
problemas
A criação da Declaração de Serviços
Médicos e de Saúde (Dmed) foi a forma encontrada
pela Receita Federal para tentar fechar uma das brechas mais
comuns para fraudes e irregularidades na prestação
de contas por parte dos trabalhadores. Como a dedução
de despesas médicas não tem limite previsto, parte
dos contribuintes aproveitava para tentar inflar sua restituição.
Apesar da justificativa, a medida criará, este ano, dificuldades
também para as empresas, que ganharam uma nova obrigação
burocrática.
O Fisco tentou
minimizar os transtornos, anunciando a Dmed no início do ano passado, de forma com que as prestadoras
de serviços pudessem se preparar para a entrega do documento.
A declaração, no entanto, só deverá conter
os atendimentos diretos aos clientes. As informações
relativas aos planos de saúde oferecidos pelos empregadores
a seus funcionários, por exemplo, serão enviadas à Receita
Federal por meio da Declaração de Imposto de Renda
Retido na Fonte (Dirf), feita pelas empresas.
Confusão
Heloisa Motoki,
da consultoria de contabilidade Confirp, explica que, nos casos
em que o empregador paga parte do plano de saúde
e o restante é descontado da folha de pagamento do contribuinte,
essa informação deverá constar do comprovante
de rendimento. Dessa forma, o contratado pode lançar o
abatimento em sua declaração de IRPF. “A
questão é que as empresas ficaram sabendo disso
só no fim do ano passado, o que gerou uma certa confusão
e bastante trabalho para resgatar documentos retroativos a janeiro.
Em um caso que atendemos, o contratempo foi dobrado porque os
donos do negócio trocaram de plano de saúde no
meio do ano”, exemplifica.
Os empregadores
devem entregar o comprovante de rendimento até 28
de fevereiro e os prestadores de serviços de saúde
têm até 31 de março para entregarem a Dmed.
Heloisa recomenda aos contribuintes que separem os documentos
e façam a declaração de IRPF longe do prazo
final, de 29 de abril. “Sempre há o risco de faltar
alguma nota ou comprovante e entregar a declaração
incompleta ou incorreta é uma opção para
não pagar a multa, mas não pode se tornar regra.
Até porque algumas alterações, como mudar
o ajuste do modo simplificado para o completo, não podem
ser feitas depois do prazo”, adverte. O encargo para o
contribuinte que perder o prazo é de, no mínimo,
R$ 165,74, com o máximo limitado a 20% do imposto total
devido. (GC)
Correio Braziliense
Brasil
se arma contra doenças na Copa
Ministério da Saúde antecipa ações
de prevenção direcionadas ao Mundial de 2014 e
ativa Laboratórios Nível de Biossegurança
3 nos estados para barrar epidemias graves
Por Laura Valente
Belo Horizonte — Um país aberto aos turistas, mas
que pretende manter portas fechadas para os males que a concentração
de torcedores do mundo inteiro pode trazer: vírus, bactérias
e outros agentes patológicos, alguns causadores de doenças
desconhecidas ou já erradicadas no Brasil, como o sarampo.
Sim, ainda faltam mais de três anos para a Copa do Mundo
de 2014. No entanto, várias ações do Ministério
da Saúde (MS), projetos que começaram antes mesmo
de o país ser escolhido para sediar o Mundial, já estão
saindo do papel e servirão para proteger a população
e os visitantes no período em que o país deve receber
pelo menos 300 mil estrangeiros — fluxo de visitantes na África
do Sul em 2010.
Um dos projetos
prestes a ter início é em Belo
Horizonte. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) prevê para
março a inauguração do primeiro laboratório
do estado habilitado em termos de biossegurança para isolar
e investigar agentes exóticos e/ou com alto poder de contaminação.
O objetivo da monitoração é dos mais importantes:
permitir que órgãos oficiais e agentes de saúde
tenham resposta rápida frente ao risco de proliferação
de doenças, principalmente as endêmicas e pandêmicas,
e criem mecanismos de contenção e bloqueio, como
a produção de vacinas.
NB3
Denominado
Laboratório Nível de Biossegurança
3, ou NB3, a unidade de Belo Horizonte integra uma rede que deve
ter mais 11 unidades nacionais e está em fase de certificação
de equipamentos para entrar em funcionamento. Segundo declaração
do ministério, “a capacidade de realizar diagnósticos é de
extrema importância, principalmente sobre doenças
cujo grau de risco biológico é desconhecido. Nesses
casos, os Laboratórios NB3 são imprescindíveis,
pois garantem o nível de segurança biológica
adequada à manipulação para confirmação
do diagnóstico desses agentes”.
Entre as
doenças infecciosas mais preocupantes estão
dengue, malária, febre amarela, influenza por H5N1 e H1N1,
rubéola e sarampo, meningites, síndromes gastrointestinais,
leptospirose, hepatites agudas e aquelas provocadas por bioterrorismo
(com transmissão intencional de agentes normais ou modificados).
Além dos laboratórios, o MS já inaugurou
23 unidades dos Centros de Informações Estratégicas
de Vigilância em Saúde (Cievs), como parte de uma
iniciativa mundial para compor uma Rede Global de Alerta e Resposta
a Emergências de Saúde, principalmente no caso de
eventos de massa. “Hoje, existem centros estruturados em
todas as secretarias estaduais de Saúde e em 23 das 26
capitais”, diz nota do ministério. Entre essas unidades
estão o Laboratório de Saúde Pública
do Distrito Federal, os da Fundação Osvaldo Cruz
(Fiocruz) de Pernambuco, do Rio de Janeiro e da Bahia, o Instituto
Adolfo Lutz e o Pasteur, ambos em São Paulo, entre outros.
“Esse projeto não foi criado para a Copa do Mundo,
mas veio em uma ótima hora”, avalia Sônia
Conceição Machado Diniz, bióloga especialista
em diagnóstico laboratorial de doenças tropicais
e responsável pelo Serviço de Virologia e Riquetsioses
(doenças transmitidas por carrapatos) da Funed. “Aumentamos
em muito nossa capacidade de prevenção, inclusive
contra agentes desconhecidos que já deram trabalho, como
o H1N1, da gripe suína, e o antraz, temido à época
do atentado às Torres Gêmeas”, lembra.
Globalização
Até a Copa de 2014, muito trabalho será realizado
nos NB3 brasileiros. Na lista de ações imediatas,
a bióloga de Minas relaciona a investigação
de agentes transmissores de dengue (eles já estudam o
tipo 4), febre amarela e tuberculose. Vale ressaltar que o laboratório
da Funed não produz vacinas, função de outros
setores da fundação, localizada no Bairro Gameleira,
região oeste de Belo Horizonte, e das demais entidades
que trabalham com vigilância epidemiológica, mas é a
partir do trabalho deles que a Secretaria de Estado de Saúde
e outros órgãos de saúde pública
são acionados em caso de riscos. “Não há vigilância
epidemiológica sem laboratórios especializados.
Os investimentos nesse tipo de infraestrutura representam uma
tranquilidade para todos nós, além de minimizar
riscos para a população em geral, profissionais
envolvidos e meio ambiente”, afirma Sônia Diniz.
Presidente
da Sociedade Mineira de Infectologia, o médico
Carlos Starling explica que a demanda existiria mesmo se o país
não fosse sediar o Mundial. “Toda grande movimentação
de pessoas pelo mundo cria a oportunidade de transmissão
de agentes infecciosos de uma região para outra. A Copa
do Mundo é um desses megaeventos, com riscos de mão
dupla. Mas não podemos esquecer que mesmo o fluxo de viajantes
normal é gigantesco. Portanto, a circulação
de agentes infecciosos é uma realidade.”
Entre os
principais agentes infecciosos Starling destaca o vírus
da gripe, “que circula pelo mundo todos os anos e sofre
mutações frequentes, exigindo uma monitorização
constante para que as vacinas sejam produzidas a tempo”,
além daqueles que transmitem malária, dengue, leishmaniose,
doença de Chagas e febre maculosa, entre outros. “Todos
são exemplos de doenças que podem circular de uma
região para outra por meio de pessoas, vetores e animais
infectados. Vírus, bactérias, fungos e parasitas
viajam pelo mundo de uma forma tão dinâmica quanto
as pessoas”, ressalta.
Prevenção
O médico diz que a troca de informações é fundamental
como mecanismo de prevenção e destaca a importância
das iniciativas do Ministério da Saúde. “A
vigilância epidemiológica é a principal arma
que dispomos para detecção precoce de casos de
doenças infecciosas e de possíveis surtos. Quanto
mais rápido o problema for detectado, maior é a
possibilidade de controle e bloqueio do agente infeccioso, surtos
e epidemias”, defende. “Nesse sentido, a criação
dos Cievs é muito importante, para detectar de maneira
precoce o aparecimento de uma doença e disseminar informações
que possam levar ao seu controle.”
MANUAL
DA SAÚDE
NA COPA
Por que o cuidado?
Megaeventos
podem trazer riscos à saúde pública,
com a rápida disseminação de doenças
infecciosas “importadas” de seus locais de origem
ou pelo adoecimento de pessoas não imunes ou “adaptadas” às
doenças ditas locais. Deve-se considerar que, quando uma
doença é introduzida em um país ou uma zona
até então livres do mal, ela se apresenta normalmente
com um quadro mais grave, devido à existência de
primoinfectados (pessoas infectadas pela primeira vez).
Doenças
que podem aparecer
Serviços de assistência e vigilância à saúde
devem estar em alerta para a possibilidade de ocorrência
de doenças incomuns e inesperadas ao país. As mais
conhecidas são: dengue 4, sarampo, rubéola, poliomelite,
além de novos subtipos de influenza, febres hemorrágicas
africanas e doenças endêmicas, como malária,
febre amarela e outras arboviroses.
O que tem sido feito
A Secretaria
de Vigilância em Saúde enviou técnicos
para as Olimpíadas de Inverno 2010, em Vancouver, no Canadá,
e para a Copa do Mundo da África do Sul para acompanhar
as experiências desses países. Material didático
da Organização Mundial de Saúde sobre eventos
de massa tem sido adequado para a realidade brasileira. Já foram
iniciados os estudos de Planos de Prontidão e Resposta
para Possíveis Emergências em Saúde. Secretarias
de Saúde de cidades-sede da Copa do Mundo estão
em fase de realização de planos específicos
e de capacitação profissional para a prontidão
e a resposta a possíveis emergências.
O
que a população
pode fazer
Não há motivos para alarde, desde que seguidas
as orientações já conhecidas de higiene
e prevenção de doenças. A agenda de vacinas
deve estar em dia. Existe um planejamento em execução
de todos os países perante a OMS, para que as equipes
de vigilância em saúde estejam de prontidão
durante o Mundial.
Folha
de São
Paulo
Novo
centro especializado em oncologia será aberto em
março
Serviço privado é ligado ao hospital Beneficência
Portuguesa
Por Cláudia
Collucci
DE SÃO
PAULO
O Hospital
São José, instituição
privada ligada à Beneficência Portuguesa, será transformado
em um centro oncológico classe A, com a missão
de concorrer com os hospitais Sírio-Libanês e Albert
Einstein, referências em oncologia no país.
O serviço começará em março, sob
a coordenação do oncologista Antonio Carlos Buzaid,
que chefiava o centro oncológico do Sírio-Libanês
desde 1998 e que o deixa oficialmente neste mês.
Buzaid afirma
que seus pacientes e "vários oncologistas" do
Sírio o acompanharão na mudança -ele não
revela números de pacientes nem nomes dos médicos.
Segundo ele,
em um primeiro momento, a equipe será formada
por cinco oncologistas. O investimento inicial será de
R$ 5 milhões.
Os serviços oncológicos- ambulatórios,
consultórios e salas de quimioterapia- funcionarão
no hospital, mas, em dois anos, outro prédio será erguido
em uma área anexa e essas atividades passarão para
lá.
O local também terá um pronto-socorro oncológico.
O prédio será interligado ao São José,
onde estarão os leitos de internação. O
hospital tem 70 leitos.
Mas ainda
há espaço para mais um hospital oncológico
voltado para a elite? "Sim. Falta um serviço diferenciado.
São poucos os hospitais onde o paciente tem o "bip" do
médico e pode acioná-lo 24 horas por dia. Para
nós, assistência total ao paciente será a
regra", diz Buzaid.
A área oncológica da Beneficência Portuguesa,
que atende SUS e convênios médicos mais populares,
também será incrementada, mas ainda não
há detalhes.
O
Estado de São
Paulo
Opinião
Saúde
e puritanismo
Por Denis Lerrer Rosenfield
Há uma nítida confusão no Brasil entre
campanhas de esclarecimento da opinião pública
no que diz respeito a certos produtos que podem afetar a saúde
das pessoas e campanhas de imposição de comportamentos
determinados, que seriam conduzidos pelo poder público,
em suas distintas esferas. Se, por um lado, o cidadão
deve ser informado sobre produtos que eventualmente possam afetar
o seu comportamento, por outro, cabe a ele decidir se mudará ou
não o seu comportamento.
O problema
surge quando o poder público se arvora a saber
o que é a saúde e, de posse dessa noção,
passa a impor formas de conduta que contrariam o livre-arbítrio
das pessoas. Considera que representa a virtude em sua cruzada
contra o vício, procurando combatê-lo de todas as
formas. Mesmo na cobertura jornalística já aparece
a palavra blitz para caracterizar a fiscalização
de bares e restaurantes em campanhas contra o fumo e o consumo
de bebidas alcoólicas por adolescentes. O termo é de
linguagem militar, ganhando na transposição para
o controle do comportamento um sentido claramente repressivo
e policial.
A situação não deixa, aliás, de
ser paradoxal, porque, ao mesmo tempo, há campanhas em
curso contra a "criminalização" do uso
da maconha, anteportas evidentes para sua liberalização,
enquanto há processos, que se desenvolvem simultaneamente,
de punição e de controle abusivo de outros produtos.
Comida gordurosa não pode, agora, a maconha está liberada!
Observe-se
a posição de entidades como a Anvisa,
que se coloca como representante de um novo, porém velho,
puritanismo, procurando cercear a livre-iniciativa, controlar
a publicidade de vários produtos e, acima de tudo, impor
códigos de comportamento. Isso se faz sob o signo do politicamente
correto, embora não reduza seus malefícios, apesar
de mascarar seus perigos.
É extremamente preocupante quando um órgão
estatal passa a legislar por conta própria via atos administrativos
dos mais diferentes tipos, em particular resoluções,
ocupando posições do Poder Legislativo e exorbitando
sobre artigos da Constituição. A Advocacia-Geral
da União, recentemente, mediante parecer, impôs
um limite a esse tipo de excesso, restringindo a função
dessa agência na concessão de patentes de remédios.
Há também quedas de braço entre essa agência
e empresas produtoras de alimentos e bebidas com índices
elevados de açúcar, gordura e sódio. A disputa
continua com agências de publicidade, como se estas tivessem
o condão de determinar o comportamento das pessoas, como
se o ser humano não fosse dotado da capacidade de discernimento.
Os cidadãos são tomados por idiotas. Parece que
só a Anvisa detém o poder de saber o que é benéfico
ou maléfico para as pessoas.
Consulta
pública está também aberta para
proibir a produção de determinado tipo de tabaco
no País. A indústria paraguaia está cada
vez mais alvoroçada com as vantagens que está usufruindo.
Ainda há alguns dias um grande carregamento de cigarros
foi aprendido em Osasco (SP), resultado de um mercado negro em
franca expansão. Em nome do combate ao vício, há o
desenvolvimento do mercado negro. Processo semelhante ocorreu
durante a Lei Seca nos EUA, quando a proibição
de consumo e produção de bebidas alcoólicas
resultou no aumento do crime, da corrupção e da
transgressão. Não se pode tampouco menosprezar,
do ponto de vista do comportamento, o charme do proibido.
A humanidade
sempre conviveu com o álcool, o fumo e a
droga. Os relatos de viagens pelo Brasil nos primeiros séculos
após o descobrimento sempre atestaram seu uso pelos indígenas.
O mesmo ocorria na Grécia e em Roma, sem que daí se
originasse uma cruzada pela virtude. As pessoas têm todo
o direito de usufruir o que consideram ser melhor para si. O
limite do poder público deveria residir no livre-arbítrio
da pessoa. Os consumidores têm todo o direito de comprar
ou não determinado produto, não cabendo ao Estado,
sobretudo por resoluções, estabelecer tal ordem
de restrições que termine por tornar inviáveis
determinadas atividades. E pior ainda, fazendo-o em nome de uma
noção puritana da saúde que atenta contra
os direitos individuais.
O ser humano,
por natureza, é um ser transgressor. O
relato bíblico expõe tal característica
humana na parábola da maçã que a cobra oferece
a Adão e Eva. O fruto proibido atiça de tal forma
que produz mesmo a transgressão de um mandamento divino,
mais forte no nível da consciência do que um mandamento
estatal. Isso significa que o Estado e a sociedade devem reconhecer
que certos níveis de transgressão fazem parte do
próprio comportamento humano. Não podem ser banidos.
A tolerância é uma das maiores conquistas da civilização,
ensinando as virtudes da convivência com a diferença.
Se a intolerância se torna política de Estado, não é apenas
a Constituição que é violada, mas também
o que é mais caro aos direitos individuais, a própria
liberdade de escolha.
Há uma célebre fábula, A Fábula
das Abelhas, escrita por Bernard de Mandeville, no século
18, que já ensinava como "reformadores" sociais, "religiosos",
partiram para uma cruzada contra os comportamentos libertinos,
contra o vício, em nome de uma sociedade puritana, encarnação
mesma do que consideravam como a virtude. Conseguiram, então,
tomando o controle do poder do Estado, cercear progressivamente
a liberdade de escolha, impondo normas que deveriam ser simplesmente
obedecidas. Tudo se fazia, evidentemente, em nome de um bem maior,
o bem encarnado por eles. O resultado foi que, com a progressiva
extinção de determinados produtos, crescentes em
número, pois o arbítrio virtuoso desconhece limites,
a sociedade começou a empobrecer. Setores da economia
foram proibidos, a arrecadação de impostos diminuiu,
o desemprego aumentou, o ímpeto de progredir foi sendo
extinto e a inovação, controlada. O Estado terminou
por se arruinar, dando lugar à tirania dos virtuosos.
PROFESSOR
DE FILOSOFIA NA UFRGS. E-MAIL: denisrosenfield@terra.com.br
Correio Braziliense
Visão
do Correio
Sem
barreira à automedicação
Desde meados
do século passado, quando o descobridor
da penicilina, o bacteriologista escocês Alexander Fleming,
identificou um germe imune ao medicamento, a medicina se preocupa
em combater o mau uso dos antibióticos, que só funcionam
quando tomados na dose certa e pelo tempo certo. Do contrário,
sabe-se desde então, as bactérias ganham resistência,
vencendo a luta contra o remédio.
O novo conhecimento
não foi suficiente para conter a
expansão das superbactérias, que ainda hoje se
multiplicam planeta afora. Em 2006, mais uma delas, a Klebsiella
pneumoniae, conhecida pela sigla KPC, era identificada nos Estados
Unidos. Causadora de pneumonia e infecções urinárias,
ataca pessoas imunologicamente debilitadas, em geral doentes
internados por longos períodos em unidades de terapia
intensiva (UTIs).
Em 2010,
o micro-organismo fez a festa no Brasil, deixando em alerta
a saúde pública. Depois de centenas de casos
e dezenas de mortes registrados, sobretudo no Distrito Federal,
mas também em São Paulo, em Minas Gerais, no Paraná,
em Goiás, no Ceará e na Paraíba, para citar
os principais focos, o governo reagiu em algumas frentes. Determinou
o óbvio: o reforço dos controles da assepsia nos
hospitais e da venda de antibióticos nas farmácias.
Mas, diz
o dito popular, manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Ou seja, sem fiscalização rigorosa, as medidas
certamente teriam a força dos placebos. Aliás,
tarja-vermelha, os antibióticos já deveriam, por
lei, ser vendidos apenas com prescrição médica.
Só que, em vez de cobrar o cumprimento da exigência
legal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) baixou resolução, em outubro último,
obrigando os estabelecimentos a exigirem receitas, retendo uma
via e devolvendo a outra ao paciente, carimbada.
Pois as medidas
nem completaram quatro meses em vigor e basta se afastar alguns
poucos quilômetros da capital da República
para se comprar antibióticos sem a menor dificuldade.
Nenhum balconista de farmácia dos municípios goianos
de Valparaíso, Cidade Ocidental e Novo Gama apresentou
qualquer exigência a repórteres do Correio que fizeram
a experiência. Tampouco tiveram o cuidado de registrar
as vendas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados
ou em livro documental próprio, com telefone, endereço
e RG do paciente, como manda a resolução.
Se não existe fiscalização, o que torna
inglória a luta de duas décadas dos infectologistas
brasileiros por controle mais eficiente desse tipo de comércio,
também faltam campanhas de esclarecimento público à população
sobre os riscos da automedicação. Urge conscientizar
a sociedade, cobrar maiores responsabilidades de farmacêuticos
e funcionários de drogarias (cuja conduta ética
deve ser acompanhada mais de perto pelos respectivos conselhos
regionais) e afastar dirigentes de órgãos encarregados
de inspecionar a comercialização de remédios
que negligenciam o serviço. Enfim, basta de condescendências
com desculpas esfarrapadas.
Sexta-feira, 11.02.11
O Dia Online
SUS:
Falta ação,
sobra burocracia
O Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada apresentou
pesquisa que mostra co-mo o brasileiro avalia o Sistema Único
de Saúde (SUS). Ressaltam-se a necessidade de mais médicos
na rede pública e a queixa pela longa espera em qualquer
procedimento. São falhas que se observam no caso da pequena
Bruna, cujo drama O DIA vem acompanhando há uma semana
e foi tema deste espaço no sábado.
A burocracia
ainda é o maior entrave para a garota, que
necessita de transplante de fígado, entrar na sala de
cirurgia. Apesar de o ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
ter garantido a O DIA a operação de Bruna, nada
foi feito concretamente. Infelizmente, a complexidade dos processos é igualmente
proporcional à gravidade da situação.
O ministro
chegou a reproduzir, em seu Twitter, o caso de Bruna e o desfecho
por ele prometido. Assegurar algo e não cuidar
que isso esbarre nas teias da burocracia é mais que desleixo. É cruel.
E a família não está pedindo nenhum favor. É obrigação
do Estado curar Bruna.
Mas mais
oportuno do que execrar essa burocracia — que
pode custar a vida da criança — é entender
e corrigir o problema. Se falta anestesista para o procedimento é porque
os salários dos servidores são absurdamente baixos.
Tampouco pagam-se, aos terceirizados, adicionais que compensem
as longas jornadas.
Se os funcionários da Saúde não forem valorizados,
os brasileiros ainda reclamarão da falta de médico
e da demora. E muitos morrerão. O DIA espera que Bruna
não seja mais uma vítima do desestímulo.
Saúde
Business Web
Encantamento do cliente vs melhora do paciente?
Por Sandro
Scárdua
Na edição de agosto/2010 da Harvard Business Review
os autores Dixon, Freeman e Toman fazem uma análise bastante
interessante sobre o senso comum que existe dentro das organizações
a respeito da necessidade de fidelização dos clientes
a partir de estratégias de melhor atendimento, baseadas
em ações que "encantem" os mesmos. Segundo
os autores, nem sempre o fato de atender o cliente utilizando
meios periféricos para a sua satisfação
promovem a fidelização. Na verdade, uma das conclusões
do artigo se baseia na premissa de que cliente fiel é cliente
que tem o seu problema resolvido de forma rápida e que
o satisfaça dentro da dimensão do próprio
problema, olhando com bastante desconfiança para as informações
derivadas dos índices de satisfação dos
clientes. Mesmo que ele não esteja encantado.
As abordagens
recomendadas pelos mesmos, na busca de clientes mais fiéis, incluem medidas para minorar eventuais esforços
dispensados pelos clientes quanto às suas demandas, através
de uma ação antecipatória de prevenção
de queixas, esta por sua vez baseada no histórico de queixas
mais comuns apresentadas. Sugere também a necessidade
de treinar os variados setores que fazem a interação
direta com o cliente quanto ao lado "emocional", considerando
esse um fator crucial desta interação para a imagem
da empresa.
Por mais
estranho que pareça, outra constatação
dos autores é que poucas empresas realmente levam em consideração
as opiniões expressas nas pesquisas de opinião,
verbais ou escritas, e ainda menos empresas efetivamente desenvolvem
planos de ações baseados nessas informações.
Sem dúvida que um olhar mais atento a essas questões
ajudaria no processo de fidelização. Se concentrar
na resolução do problema do cliente e não
na velocidade com que o mesmo será resolvido (ou encaminhado
para outro setor) também figuram como medidas eficientes
de fidelização.
Em que medida
as organizações de saúde
se encaixam dentro destes pressupostos? Será que precisamos
fidelizar pacientes? Nosso foco deve privilegiar a resolução
efetiva do problema do paciente, resultando daí um tempo
de permanência curto e uma recuperação rápida,
ou incorporamos medidas periféricas direcionadas a um
diferencial competitivo aparente?
Uma organização de saúde, principalmente
um hospital, deve sempre incorporar todas as inovações
e medidas úteis para o melhor tratamento de todos os pacientes
que o procuram, dentro de um ambiente seguro, confortável
e agradável. De todas as maneiras que se oferecem como
alternativas à consecução desse objetivo,
em apenas um, a prática médica, a variabilidade
de meios para este fim pode ser um entrave. Nesse sentido, nunca é demais
ressaltar a importância da busca constante de métricas
de abordagens diagnósticas e terapêuticas que primem
pela qualidade e pela rapidez, através de diretrizes e
protocolos técnicos ajustados à realidade organizacional.
Não somente isso, mas também a monitorização
e todo o processo através de indicadores de desempenho
por grupos diagnósticos, por equipes, etc.
Não confundamos os conceitos. Encantamento não é satisfação,
e qualidade se faz no dia a dia.
O Tempo
A
web como aliada do médico e dos pacientes
Por Juliano Scheffer
A correria
do dia a dia e a velocidade das informações
estão consagrando o meio digital como um verdadeiro "dicionário" ou "enciclopédia".
Na área da saúde, a internet está sendo
uma forte aliada do médico e dos pacientes. Nos Estados
Unidos, 90% dos norte-americanos já pesquisaram algo sobre
doenças e seus cuidados. No Brasil também não
fugimos muito disso. Com certeza conhecemos alguém e até nós
mesmos já procuramos algo na web sobre saúde.
A medicina é uma ciência mutável e obriga
os profissionais a estarem sempre se atualizando. Antigamente,
o upgrade dos especialistas era obtido, principalmente, através
de livros e congressos. Hoje a realidade é outra. A participação
em congressos, simpósios e encontros ainda é muito
importante, mas para acompanhar a evolução da ciência
e a descoberta de novas terapias os profissionais buscam acesso
online às revistas referenciadas com assuntos imediatos
e recentemente publicados. Os especialistas estão percebendo
a importância de se digitalizarem, usando a tecnologia
a favor do bem-estar e da agilidade nas respostas aos pacientes.
Já para esses, os blogs e as redes sociais são
utilizados para a discussão de casos e troca de experiências.
De acordo
com pesquisa do Manhattan Research Survey, dos EUA, em 2010,
o uso da internet
por profissionais aumentou de 2,5
horas em 2002 para oito horas por semana em 2010. O número
de acessos cresceu tão consideravelmente que, no ano passado,
a The American Medical Association publicou um guia de orientação
para os médicos sobre a interação entre
pacientes e especialistas via mídia social.
Apesar desses
benefícios, existem também os "perigos
virtuais". Infelizmente, há muitas informações
erradas e maliciosas na web. A pesquisa virtual não substitui
a consulta médica e nunca deverá ser utilizada
como meio exclusivo para tratar ou diagnosticar algo com relação à saúde
humana. A avaliação clínica é essencial
em qualquer prática médica.