Leia
nesta edição:
- Planos: Acesso cresce nas classes C, D e E
- A cura pela realidade virtual
- Planos:
Reajuste supera o índice de inflação
acumulada
- Justiça para quem precisa de saúde
- Remédios
mais caros 6% a partir de abril
- Médicos
parados para o bem dos pacientes
- Comissões elegem 2º e 3º vice-presidentes
- Operadoras
atendem apenas 23,4% do país
- ANS lança
novo portal corporativo
- Único
para os outros
- Seminário
em Washington
- Confederação Nacional de Saúde: Circular
Jurídico 029/2011
- Hospitais
se reinventam para manter excelência
- A mão
do gato
- Remédios com bulas alteradas começam a chegar às
farmácias
- Inca propõe mudar rastreamento de câncer de colo;
vacina não foi incluída
- O governo
e a saúde
Segunda-feira, 14.03.11
A Gazeta
Planos: Acesso cresce nas classes C, D e E
Quanto custa
uma vida? Não tem preço. Mas mantê-la
assistida com dignidade e ter a tranquilidade de ser atendido
quando tiver algum problema de saúde, tem. Com a ascensão
econômica das classes C, D e E, uma nova fatia de mercado
passou a existir para as empresas e operadoras de saúde
complementar, os chamados planos de saúde. No Brasil estima-se
que entre 25% e 30% da população possua alguma
assistência médica particular e em Mato Grosso o
Conselho Regional de Medicina (CRM-MT) calcula que cerca de 90%
dos atendimentos médico-hospitalares sejam por meio de
convênios.
De olho no
potencial mercado consumidor, as operadoras têm
inovado com planos alternativos e mais baratos. Além disso,
para quem tem poder aquisitivo mais elevado, os atendimentos
são ampliados, com cobertura nacional e internacional
e até acesso a transporte aéreo. Com o crescimento
do número de pessoas assistidas surge um problema com
relação a estrutura dos estabelecimentos. Em Cuiabá, é comum
ver os hospitais lotados, faltam leitos e o trânsito de
pacientes de um local para outro em busca de uma vaga já faz
parte do cotidiano, cena que lembra o Sistema Único de
Saúde (SUS). A precariedade da saúde pública
também motiva os usuários a se prevenirem e contratar
um plano particular.
O presidente
do CRM-MT, Arlan Ferreira de Azevedo, enfatiza que a capacidade
dos estabelecimentos
não é suficiente
para atender a demanda de pacientes, ocasionando a superlotação,
queda na qualidade e insatisfação dos clientes. "Tem
que haver uma espécie de venda casada entre plano oferecido
e a assistência possível. Hoje, com a popularização
dos sistema privado de saúde, os clientes não têm
serviços suficientes", afirma ao comentar que a saúde
suplementar é uma importante ferramenta para aliviar o
sistema público, mas que também precisa de investimentos.
O funcionário público Benedito Pedro de Figueiredo
Neto há 5 semanas passou mal e recorreu ao pronto atendimento
de um hospital particular da Capital. Apesar da situação,
o paciente teve que esperar 2 horas até receber o primeiro
atendimento. "Sei que não é culpa do meu plano,
o que falta é hospital e infraestrutura. Temos alguns
estabelecimentos em Cuiabá que há anos estão
fechados. A cidade cresceu, mas não há capacidade
para atender a demanda".
Mais usados
- O presidente da Unimed Cuiabá, João
Bosco de Almeida Duarte, afirma que a cooperativa possui atualmente
186 mil clientes no Estado e mais 20 mil de intercâmbio,
que são de Unimeds de outras regiões. Para atender
a carteira de clientes, que aumenta até 20% por ano, o
presidente revela que a Unimed está construindo um hospital
próprio para atendimento de urgência e emergência.
Segundo João Bosco, a unidade será exclusiva para
clientes da cooperativa, principalmente para os usuários
dos planos com preços mais acessíveis. "Vamos
atender nossos clientes em ambulatório próprio
e aliviar os procedimentos nos hospitais". A categoria Unimed
Fácil, que tem mensalidades a partir de R$ 71, hoje possui
14 mil clientes com atendimento a todos os serviços. Segundo
o presidente, a diferença está na assistência
local e na utilização de equipe e infraestrutura
diferenciada.
O governo
do Estado criou em 2003 um plano de saúde voltado
exclusivamente para funcionários públicos e seus
dependentes. O MT Saúde conta hoje com um 52,8 mil usuários
que pagam suas mensalidades de acordo com o salário ou,
no caso de agregados, conforme a idade. O presidente do MT Saúde,
Bruno de Sá Freira Martins, explica que a criação
foi uma maneira encontrada pelo governo de oferecer assistência
para uma parcela de seus funcionários que não tinham
condições de pagar um outro plano.
"Somos uma alternativa para o servidor público que
quer ter acesso à rede particular, mas não tem
condições de arcar com os preços de mercado.
O governo subsidia uma parte dos valores". E para suprir
a falta de vagas suficientes nos hospitais, Martins revela que
o convênio agora tem o sistema de home care, ou seja, de
atendimento médico e ambulatorial domiciliar. Com o novo
serviço, 16 pacientes conveniados que estavam internados
foram transferidos para casa, onde recebem o atendimento. "A
assistência domiciliar reduz riscos de infecção
para o paciente, desafoga os hospitais e o custo é menor".
Fiscalização e preços - O MT Saúde,
por ser público, não é fiscalizado pela
Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), entidade
vinculada ao Ministério da Saúde que regulamenta
e fiscaliza o setor. Também não pode ampliar o
atendimento à população.
É por meio da ANS que ficam estabelecidos quais os procedimentos
os planos são obrigados a cobrir, os índices de
reajuste permitidos e quais os valores que devem ser pagos aos
profissionais.
O presidente
do CRM-MT, porém, explica que a tabela estabelecida
não é suficiente para remunerar os profissionais
e estabelecimentos de forma digna. De acordo com Arlan de Azevedo,
a categoria pede que a Classificação Brasileira
Hierarquizada dos Procedimentos Médicos (CHPM) seja incorporada
pela ANS para a formulação dos valores. "Atualmente
tem convênio que paga R$ 38 por consulta com direito a
retorno. É um preço muito baixo e que força
a massificação dos atendimentos".
Ele comenta
que com pouca remuneração os médicos
precisam fazer muitos atendimentos por dia. O CRM não
estabelece valores de consultas, apenas que não podem
ter um preço exorbitante nem vil. O presidente diz que
a média de preço cobrado por consulta particular é de
R$ 180.
Justamente
pelo alto custo para atendimento particular que a aposentada
Aparecida
Ayres da Silva e o marido Domingos Pereira
da Silva possuem um plano de assistência médica.
Ela afirma que os filhos pagam as mensalidades, e que sem o plano
não seria possível fazer os tratamentos e consultas
necessárias. "Utilizo muito o plano, além
das 4 consultas que temos direito por ano, ainda pagamos co-participação
porque precisamos recorrer mais vezes ao médico. O plano é muito
importante para nós".
A cobrança limitada de alguns procedimentos é permitida
por lei, mas a superintendente do Procon Estadual, Gisela Simona
Viana, explica que o usuário precisa prestar atenção
na hora de contratar um serviço para saber qual será a
cobertura. "É preciso observar os tipos de atendimentos
disponíveis, a cobertura e os critérios adotados
para fazer os reajustes". Em 2010, o Procon registrou 42
reclamações de usuários contra planos de
saúde, sendo a maioria com relação a recusa
de atendimento.
Mais Caro
- O presidente da Unimed Cuiabá, João
Bosco Duarte, explica que anualmente é feita uma avaliação
da utilização do plano e conforme o custo naquela
empresa ou entidade o preço é reformulado. Gisela
Simona Viana diz que as negociações geralmente
resultam nos valores sugeridos pelas operadoras. "Há pouca
concorrência no mercado de Mato Grosso, o que força
as entidades e empresas aceitarem o acordo das operadoras".
Com relação à pessoa física, abril é o
mês definido pela ANS para fazer os reajustes das mensalidades,
mas o percentual autorizado ainda não foi estabelecido.
Com relação aos contratos empresariais ou coletivos,
quando é feito por meio de convênio com associações,
sindicatos e entidades em geral, a elevação de
preço é feita em negociação entre
a empresa ou entidade e a operadora.
Istoé
A cura pela realidade virtual
Como a nova
medicina avatar está se transformando em
eficaz recurso da medicina para tratar males como dor, fobias,
anorexia e estresse, entre outros problemas de saúde
Por Rachel Costa
Trocar o
divã por computador e óculos de 3D. Levar
jogos para a enfermaria dos hospitais. Usar esquemas tridimensionais
no treinamento de estudantes de medicina para a realização
de procedimentos delicados. Esses são apenas alguns exemplos
de uma revolução em curso e que promete mudar radicalmente
a rotina de clínicas e instituições hospitalares
do mundo: o uso de realidade virtual no cuidado com a saúde
física e mental. Está se falando aqui da utilização,
na esfera médica, da mesma tecnologia que proporciona
ao espectador de um filme 3D, por exemplo, a sensação
de estar dentro da cena. No cinema, o recurso diverte e encanta.
Na medicina, está ajudando a curar males que vão
de fobias a labirintite.
O princípio é expor o paciente, no plano virtual,
a situações semelhantes àquelas que, na
vida real, de alguma maneira, impedem sua recuperação.
Dessa forma, o indivíduo é submetido a uma espécie
de treino. Quando se depara, no cotidiano, com o obstáculo,
torna-se capaz de saltá-lo.
Para fazer
o paciente mergulhar na realidade virtual são
usados os óculos ou capacetes de 3D (que garantem a sensação
de imersão no cenário) ou grandes telas, nas quais
são projetadas as animações. A interação
também varia. A pessoa pode tanto ser exposta a uma cena
predeterminada quanto ter o comando total da situação.
É o que acontece, por exemplo, no jogo SnowWorld, criado
pelos cientistas Hunter Hoffman e David Patterson, da Universidade
de Washington (EUA). Com capacete de realidade virtual, o jogador
lança bolas de neve e caminha por um cenário branco
e gelado. A primeira impressão pode ser a de que o game
serve só para a diversão. Mas ele beneficia pacientes
queimados e é utilizado durante a troca das bandagens – parte
muito dolorosa do tratamento. Os pesquisadores descobriram que
a imersão em um universo virtual formado por gelo altera
a percepção da dor, reduzindo-a. “Quando
a pessoa joga, há menor ativação das áreas
relacionadas à dor”, disse Hoffman à ISTOÉ.
O sucesso
do jogo é comprovado em oito centros americanos
de tratamento. E há ensaios clínicos com a ferramenta
em Israel e na Holanda. Em breve, eles acontecerão no
Brasil. A previsão é de que os bonecos de neve
cheguem ao País no segundo semestre, em um estudo capitaneado
pelo Pronto Socorro para Queimaduras do Instituto Nelson Picolo,
de Goiânia. “A ideia é aplicar a terapia em
200 pacientes”, diz Ricardo Daher, coordenador de pesquisas.
Tratar a
dor por meio de realidade virtual é algo recente,
surgido a partir de experiências com outras enfermidades.
Os primeiros distúrbios a ganhar essas terapias foram
as fobias. O medo irracional de voar e de aranhas, entre outros, é um
distúrbio de ansiedade razoavelmente comum – só a
fobia social, o temor de se expor em público, afeta cerca
de 13% da população – e contra o qual são
usados vários recursos. Muitos são baseados na
exposição gradual do indivíduo ao objeto
que lhe causa pavor. Com a terapia virtual, essa estratégia
ganhou eficácia surpreendente. Nos EUA, pessoas com fobia
social estão conseguindo se destravar graças a
um programa no qual elas se veem diante de uma plateia que reage
como se fosse de verdade: nem todos prestam atenção,
há os que se levantam durante a palestra e outros que
aparentam inquietude. O treino, com duração de
15 a 20 minutos, ajuda o paciente a manter a calma e falar melhor.
No Rio de
Janeiro, pesquisadores das universidades federal e estadual
criaram
uma opção para o tratamento de
indivíduos que têm fobia de lugares cheios. Um primeiro
filme foi feito com cenas de um ônibus – que lota
e fica preso no congestionamento dentro de um túnel. “Esse
cenário foi usado para medir se a exposição
virtual provocava reações nos doentes”, conta
Rafael Freire, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Animados com o resultado, o grupo agora trabalha
em outro programa, que terá o metrô como ambiente
virtual.
Entre as
fobias, uma das que tem merecido muita atenção é o
medo de avião. O contador Marlon Beims, 41 anos, venceu
o temor após quatro sessões com a tecnologia, aplicada
em um consultório de Curitiba. “Fiz uma viagem para
o Peru, em um voo com turbulências, e não me senti
mal.” No tratamento, ao colocar os óculos ele se
deparava com diversas situações de voo: de dia,
de noite, com bom tempo, com chuva, durante pousos ou decolagens.
Fobias de
animais são outro gênero contemplado
pelo auxílio da realidade virtual. Um dos experimentos
pioneiros foi feito nos EUA com uma mulher que tinha pavor de
aranha. Após 12 sessões semanais, ela conseguiu
segurar uma tarântula em suas mãos sem perder o
controle. Esse estudo desencadeou outros, também com aracnídeos,
e encorajou a criação de alternativas para mais
animais, como as baratas.
Os bons resultados
também inspiraram a formulação
de alternativas contra outros transtornos psiquiátricos.
Hoffman e Patterson, da Universidade de Washington, autores do
recurso que alivia a dor de pessoas queimadas, produziram versões
que começam a ser utilizadas no tratamento de estresse
pós-traumático. Como o nome diz, o distúrbio
surge após a ocorrência de eventos traumáticos,
como sequestros ou participação em guerras. Presa à lembrança
da situação, a pessoa tem enorme dificuldade de
seguir adiante. Sofre com pesadelos e muitas vezes tem medo até de
sair de casa.
Para auxiliar
esses indivíduos, a dupla de americanos
fabricou vários ambientes virtuais. Entre eles, um que
reproduz o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova
York, e outro que tem como pano de fundo a guerra do Iraque.
O primeiro é usado em pessoas que vivenciaram o atentado
e o segundo, por soldados que lutaram em território iraquiano.
Em Portugal, na Universidade Lusófona, em Lisboa, ex-soldados
também são tratados por meio da realidade virtual.
O objetivo, nesses casos, é usar a tecnologia para reavivar
as memórias dos eventos desencadeadores do trauma. “Isso
facilita o trabalho do terapeuta”, explicou à ISTOÉ Pedro
Gamito, coordenador da pesquisa portuguesa.
Na PUC do
Rio Grande do Sul, os beneficiados são bancários
que foram vítimas de assaltos às agências
onde trabalham. Em seis sessões com realidade virtual – de
um total de 18 – o paciente é exposto à rotina
de trabalho em um banco. Ele interage com clientes e, em determinado
momento, vê a agência ser invadida por bandidos armados. “À medida
que essa cena se repete ao longo das exposições,
o paciente vai aprendendo a controlar sua ansiedade”, diz
o psicólogo Christian Kristensen. Por meio do monitoramento
da frequência cardíaca e da condutividade da pele – dois
indicadores do nível de ansiedade – o terapeuta
mede a evolução de seu paciente, que, desse modo,
fica sabendo quando, exatamente, começa a perder o controle.
Esse conhecimento
ajuda a ambos identificar com precisão
os pontos que precisam ser mais trabalhados e, para o doente,
aprimorar o autocontrole. Afinal, ele pode ver como a aplicação
de uma técnica de respiração em um momento
de maior ansiedade, por exemplo, pode baixar sua frequência
cardíaca e frear o sentimento. É um feedback que
ele tem na hora, em tempo real. Quando estiver diante de um momento
semelhante, na vida real, reconhecerá mais facilmente
o que está acontecendo e aplicará o antídoto
que aprendeu nas sessões de realidade virtual.
Uma experiência feita na Espanha ilustra a eficácia
desse mecanismo com perfeição. Em Barcelona, médicos
do Hospital de Bellvitge reuniram portadores de transtornos alimentares,
como anorexia e bulimia, e viciados em jogos. Esses dois distúrbios
têm raiz em uma tremenda dificuldade de controlar a ansiedade.
Sem domá-la, a pessoa recusa-se a comer por medo de engordar,
caso da anorexia, come e provoca o vômito por causa do
mesmo temor, caso da bulimia, ou cede ao impulso do jogo.
No game espanhol,
o paciente é obrigado a vencer o sentimento.
Ele recebe tarefas que deve cumprir para sair de uma ilha. Enquanto
joga, é monitorado por sensores que controlam reações
como batimentos cardíacos e variações na
expressão facial e na voz. Quando o nervosismo fica muito
forte, o paciente enxerga como isso influencia sua resposta corporal
(há aumento de batimentos e produção excessiva
de suor, por exemplo). Nesses momentos, ele é enviado
a uma zona de relaxamento, onde deve respirar profundamente até se
acalmar. Somente quando isso ocorre ele pode ir em frente. “O
jogo ajuda o paciente a entender como seu corpo reage”,
disse à ISTOÉ Fernando Aranda, um dos pesquisadores
responsáveis pelo estudo. “E exige que ele aprenda
a resolver problemas, controle impulsos, enfrente frustrações
e administre emoções.”
Em outra
proposta, também espanhola, a portadora de transtorno
alimentar é confrontada com o abismo existente entre o
modo como se enxerga e seu corpo real. No sistema, produzido
na Universidade de Valência, a paciente molda a figura
de um corpo aplicando-lhe as medidas que imagina serem as suas.
Em seguida, vê a comparação entre duas imagens:
a que criou e outra, com seu corpo real. “Essa ferramenta
auxilia terapeuta e paciente a visualizar a distorção
de imagem corporal”, diz Cristina Botella, coordenadora
da experiência. “E o resultado é uma melhora
na maneira como a paciente se vê”, disse à ISTOÉ a
psicóloga Pilar del Moral, que estudou a eficácia
do programa em 24 voluntárias, durante um ano.
Na Universidade
do Sul da Califórnia (EUA), o método
tem outro objetivo. Jonathan Gratch, do Departamento de Ciências
da Computação, e sua equipe estão testando
o SimCoach. Trata-se de um programa com a chamada inteligência
artificial: personagens virtuais com feições e
reações humanas atuam como ajudantes dos terapeutas.
Fazem perguntas e reagem quando o paciente, a sua frente, muda
de posição ou se cala. Por meio das respostas,
detectam sinais de possíveis problemas em seu interlocutor – como
tendências suicidas ou abuso de drogas. Quando isso acontece,
a pessoa é aconselhada a buscar ajuda médica. Uma
das vantagens da ferramenta é que não se fala diretamente
com o terapeuta. “Os indivíduos ficam mais dispostos
a revelar situações delicadas ao terapeuta virtual”,
disse Gratch à ISTOÉ.
A reabilitação motora também tem se beneficiado
dessas tecnologias. Nos EUA, o serviço hospitalar Beth
Abraham adotou jogos virtuais na fisioterapia. Os pacientes são
posicionados em frente a grandes telas de tevê, nas quais
se vêem projetados. Uma câmera capta os seus movimentos,
que servem de comando para o game. “O doente se diverte
e se sente incentivado a realizar a fisioterapia”, falou à ISTOÉ Randy
Palmaira, diretor da instituição.
No Brasil,
as potencialidades da terapia virtual despertaram o interesse
da engenheira Ana
Grasielle Corrêa. Ela desenvolveu
o Gen Virtual. No game, cartões de realidade aumentada
produzem sons de instrumentos variados quando a pessoa passa
o dedo sobre eles. O paciente pode brincar de jogo de memória
ou tocar as melodias que aparecem na tela. Os movimentos que
realiza durante a brincadeira são semelhantes aos dos
exercícios fisioterápicos. “Mas no jogo virtual
os pacientes se sentem mais motivados”, diz Ana. Em sua
primeira sessão com o game, Alan Cordeiro, 19 anos, aprovou
o recurso. O jovem tem distrofia muscular e já perdeu
parte de seus movimentos. “É divertido fazer as
atividades.”
Na Universidade
Federal de São Paulo, os aparelhos estão
contribuindo para a cura de distúrbios como labirintite
e cinetose – doença na qual a pessoa se sente enjoada
em meios de transporte. Nesses casos, a tecnologia obriga as
pessoas a reencontrar o controle sobre o equilíbrio corporal.
Dez sessões ajudaram Juliana Chaubet, 23 anos, a superar
a cinetose. “Em uma hora de ônibus, da faculdade
para a minha casa, passava mal”, lembra. “Desde a
terapia, não tive mais problemas.”
Para o futuro,
os especialistas apostam em uma intensa disseminação,
na medicina, deste novo recurso. “Há novas descobertas
a cada dia”, disse à ISTOÉ Greg Burdea, da
Universidade de Rutgers (EUA) e criador do termo reabilitação
virtual – hoje usado para tratar de todas as terapias com
uso da tecnologia.
Correio do Estado
Planos:
Reajuste supera o índice de inflação
acumulada
Por Osvaldo
Júnior
Cuidar da
saúde custa caro: nos últimos seis anos,
os preços de produtos e serviços da área
de saúde acumularam alta de 39,26% em Campo Grande, quase
sete pontos percentuais acima da inflação acumulada
no período, que foi de 32,57%. Conforme os dados do Índice
de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), os maiores
vilões inflacionários são os planos de assistência
médica, que em fevereiro registraram variação
de 5,88%, e os serviços médicos, sobretudo os de
pediatria, odontologia e ortopedia.
De 2004 a
fevereiro deste ano, a alta dos preços na saúde
tem sido maior que a inflação medida pelo IPC/CG,
excetuando-se os anos de 2006 e 2008. A maior diferença
foi registrada em 2009, quando a inflação acumulada
no grupo da saúde foi de 7,52%, enquanto a alta geral
dos preços foi de 3,29%. No mês passado, os serviços
e produtos na saúde apresentaram valoração
de 2,25%, muito acima da inflação geral da Capital,
de 0,64%.
O
Estado de São
Paulo
Opinião
Justiça para quem precisa de saúde
Por Gabriel Wedy
Centenas
de ações se avolumam todos os dias na
Justiça Federal questionando a inaplicabilidade ou uso
não adequado das regras estabelecidas para o tratamento
de pacientes portadores de doenças graves e raras; fornecimento
de medicamentos de forma gratuita; ortotanásia (morte
natural de um paciente terminal em que os médicos deixam
de ministrar remédios que prolongam sua sobrevida); disponibilização
de leitos hospitalares, tanto no setor público quanto
no privado; e cobrança abusiva cometida por operadoras
de planos de saúde e de seguros.
Não é de hoje que o Poder Judiciário se
tornou refúgio dos que buscam remédios ou algum
procedimento não oferecido pelo Sistema Único de
Saúde (SUS). Quando os hospitais e postos de saúde
fecham suas portas, é na Justiça que os pacientes
buscam socorro. Hoje tramitam mais de 112 mil ações
desse tipo em 20 dos 91 tribunais brasileiros.
A premissa
inaugurada na Constituição de 1988
de que a saúde é um direito fundamental do cidadão
e um dever do Estado invadiu o Poder Judiciário e consolidou
a chamada "judicialização da saúde".
Assim, a atuação judicial ganhou espaço
diante da inexistência de políticas públicas
ou da insuficiência em atender minimamente às demandas
sociais.
Esse fenômeno teve início no começo da década
de 1990, quando pacientes soropositivos, à procura de
medicamentos antirretrovirais para combater o avanço do
vírus HIV, recorreram à Justiça. Rapidamente
a iniciativa se popularizou, quando inúmeras liminares
foram concedidas pelo Poder Judiciário e passaram a obrigar
o Estado a fornecer gratuitamente drogas de alto custo que não
constavam da lista do SUS.
Embora novas
leis tenham surgido nos últimos 20 anos
para garantir a efetivação de políticas
públicas de saúde, o volume de ações
judiciais só fez crescer exponencialmente, exigindo decisões
dos juízes que atendam sempre à garantia constitucional
da duração razoável do processo. Esse fenômeno
proliferou a ideia da "judicialização da saúde".
Recente levantamento
do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) revelou que os Tribunais Regionais Federais, que tratam
das questões em grau de recurso, têm recebido um
número cada vez maior de demandas sobre saúde.
Dados preliminares do CNJ revelam a existência de mais
de 20 mil ações tramitando apenas na segunda instância
da Justiça Federal. Segundo o ex-ministro da Saúde
José Gomes Temporão - em discurso proferido no
1.º Fórum Nacional de Saúde, realizado em
novembro do ano passado -, entre 2003 e 2009, houve 5.323 ações
judiciais ajuizadas contra a União, em todo o País,
somente para questionar a aquisição de remédios
e procedimentos médico-hospitalares sonegados administrativamente.
É imprescindível, portanto, que o Poder Executivo
faça a sua parte para evitar essa avalanche de ações
no Poder Judiciário e, de outra banda, cumpra, de forma
expedita e precisa, decisões judiciais que salvam a vida
de milhares de cidadãos brasileiros todos os anos. Decisões
judiciais, diga-se, respaldadas na Constituição
Federal e na legislação infraconstitucional de
regência.
Não se podem aceitar, passivamente, números como
os divulgados pelo relatório da Organização
Mundial da Saúde (OMS) de dezembro de 2010, em que se
afirma que 100 milhões de pessoas no mundo, todos os anos,
vão à falência (isso mesmo!) porque precisam
financiar tratamentos privados de saúde e cerca de 1 bilhão
não tem condições de arcar com gastos relativos à saúde.
No Brasil,
há 21 anos o SUS oferece assistência
gratuita à população (Lei n.º 8.080/90),
mas o descaso com a aplicabilidade da lei pelo Executivo, apesar
dos esforços do Estado-juiz com suas decisões, é uma
constante. Um juiz, naturalmente, num processo desse estilo,
procura sempre tutelar algo cuja perda é irreparável:
o direito fundamental à vida do ser humano, previsto expressamente
no artigo 5.º da Constituição Federal. Em
casos de internação em Unidades de Tratamento Intensivo
(UTIs), a diferença entre viver e morrer se mede em minutos.
E aí a Justiça não pode ser lenta e as decisões
dos juízes precisam ser cumpridas pelo Poder Executivo
e pelo SUS imediatamente, sem burocracia.
Em agosto
do ano passado o CNJ, em exemplar decisão,
arquivou reclamação disciplinar apresentada pela
Advocacia-Geral da União (AGU) contra uma juíza
federal de Porto Alegre que, em março de 2009, determinou
a prisão do procurador regional da União no Rio
Grande do Sul por crime de desobediência. A ordem foi dada
em razão do descumprimento da decisão em que a
magistrada determinou a entrega, em 48 horas, do suplemento alimentar
MSUD-2 a um bebê que corria risco de vida. A decisão
só foi cumprida 48 dias depois da concessão da
tutela antecipada, mais precisamente duas horas após a
prisão da autoridade federal, que foi solta após
concessão de liminar em habeas corpus. Obviamente, a juíza,
em momento algum, como ficou evidenciado no julgamento do CNJ,
teve a intenção de cometer qualquer afronta institucional
ao advogado da União. Apenas, num juízo de ponderação
de valores constitucionais, optou pela tutela do direito à vida
do bebê no legítimo exercício do poder jurisdicional.
Como bem disse o ex-corregedor nacional de Justiça ministro
Gilson Dipp, em seu voto no plenário do CNJ, "a magistrada
se viu na última fronteira entre as instituições
públicas e o direito à vida".
É hora, portanto, de o governo, aproveitando o ensejo
do anunciado Terceiro Pacto Republicano, propor medidas concretas
e normativas voltadas a otimizar rotinas processuais e, em especial,
administrativas, a fim de que se possa oferecer uma solução
mais rápida aos cidadãos que pleiteiam seu direito à saúde.
Pelo visto, lamentavelmente, o Poder Judiciário parece
ser ainda o único remédio eficaz e ao alcance da
sociedade para enfrentar certas disfunções ou insuficiências
do Estado brasileiro.
Povo
Remédios
mais caros 6% a partir de abril
O governo
autorizou reajuste no preço de remédios
a partir do dia 31 de março. O aumento pode chegar a 6%
e valerá para a maior parte dos medicamentos usados no
país, como antibióticos e antiinflamatórios.
Uma resolução da Câmara de Regulação
do Mercado de Medicamentos (Cmed), publicada na última
quarta-feira no Diário Oficial da União, definiu
os critérios para calcular o reajuste. Um deles é o
acumulado de março de 2010 a fevereiro deste ano do índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registrou
6,01%.
É levado em conta também um fator de produtividade
da indústria farmacêutica e a participação
dos genéricos no mercado. Quanto maior a participação
de genéricos no mercado, maior é o fator usado
no cálculo do reajuste.
A Cmed, ligada à Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), irá publicar uma resolução
especificando os percentuais de reajuste e o teto a ser cobrado
do consumidor para evitar abusos. As empresas que descumprirem
estão sujeitas a sanções. No entanto, elas
podem adotar preços mais baixos que os estipulados pela
câmara.
Saúde
Business Web
Médicos
parados para o bem dos pacientes
Por Antonio Carlos Lopes
Interrupção do atendimento a planos e seguros é uma
ação importante em defesa da qualidade da prestação
de serviço aos cidadãos, diz artigo
O Dia Mundial
da Saúde, 7 de abril, será marcado
de forma muito especial nesse ano de 2011. Médicos de
todo o Brasil, de Norte a Sul, sem exceção, suspenderão
o atendimento eletivo a todos os planos e seguro saúde.
Existe uma
orientação das entidades médicas
nacionais para que, desde já, quaisquer procedimentos
ou consultas pré-agendadas para 7 de abril sejam remarcados
para datas oportunas. Na ocasião, somente serão
assistidas as urgências e emergências.
A interrupção do atendimento a planos e seguros é uma
ação importante em defesa da qualidade da prestação
de serviço aos cidadãos. É uma tentativa
de frear, por exemplo, as interferências que as empresas
fazem sobre os médicos num claro ataque ao livre exercício
da Medicina.
Recente pesquisa
do Instituto Datafolha, encomendada pela Associação
Paulista de Medicina, aponta que 8 em cada 10 médicos
sofrem pressões para reduzir os pedidos de exames, de
internações e outros procedimentos, para antecipar
altas, e por aí afora. Um absurdo, uma desumanidade. Além
de ferir a autonomia profissional, tais interferências
geram riscos à saúde e à vida dos pacientes.
Também é reivindicação do movimento
de 7 de abril a valorização do trabalho médico.
Pouca gente sabe, mas faz cerca de uma década que os médicos
não recebem reajustes adequados na saúde suplementar.
As empresas aumentam abusivamente os valores pagos por seus usuários,
mas mantém uma política de remunerar os profissionais
de maneira aviltante. Os números estão aí:
de dez a onze anos para cá, as mensalidades dos planos
foram reajustadas em cerca de 140%, enquanto os médicos
obtiveram (em alguns casos) 60% de recomposição.
Como forma
de garantir uma renda minimamente digna, muitos colegas passaram
a acumular
dois, três, quatro ou mais empregos.
As jornadas de trabalho chegaram a 60, 70, 80 ou mais horas semanais,
o que é um atentado contra a integridade física
e profissional, além de mais risco aos pacientes.
Devido à gravidade da situação, friso uma
vez mais, o 7 de abril é um dia de luta pela boa saúde,
pela boa Medicina e pelos pacientes. Na pauta de reivindicação,
recomposição das perdas dos últimos anos,
e inclusão nos contratos de cláusulas de reajustes
periódicos, além do fim da interferência
na prática médica, entre outros pontos.
Essa é uma luta sua também. Converse com seu médico
e veja se pode ajudá-lo a protestar em 7 de abril. A saúde
do Brasil agradece.
Agência Câmara de Notícias
Comissões elegem 2º e 3º vice-presidentes
As comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informática; e de Finanças e Tributação
elegem nesta quarta-feira (16) seus respectivos 2º e 3º vice-presidentes, às
10 horas, nos plenários 13 e 4.
A Comissão de Seguridade Social e Família elege
seu 3º vice-presidente também na quarta-feira, às
9h30, no plenário 7.
A maioria
das comissões elegeu seus dirigentes no último
dia 3, mas as mesas diretoras de algumas delas ficaram incompletas
e estão sendo preenchidas agora.
Brasil
Econômico
/ CQCS
Operadoras
atendem apenas 23,4% do país
Cenário macroeconômico em 2010 beneficiou setor,
mas custo de procedimentos médicos limita expansão
de planos
Ter plano
de saúde está hoje entre os primeiros
objetos de desejo do brasileiro. E o segmento de saúde
suplementar acabou sendo bastante beneficiado pelo bom desempenho
da economia brasileira,em2010. Mais oferta de emprego, escassez
de mão de obra qualificada e necessidade de reter ou atrair
talentos, aliado à baixa qualidade do sistema público
de saúde, aceleraram a expansão de planos privados
no país.
Os últimos números oficiais disponibilizados pela
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) referem-se
ao terceiro trimestre de 2010 e dão conta de que o número
de beneficiários cresceu 6,3% em relação
a dezembro de 2009, chegando a 44,8 milhões de beneficiários.
As estimativas do setor apontam para um aumento em torno de 8,5%
no número de beneficiados no acumulado de 2010, o que
levou a receita das 1.061 operadoras médico-hospitalares
existentes atingir a casa dos R$ 70 bilhões.
Mesmo com
esse crescimento, a taxa de cobertura de planos de assistência médica no País ainda é baixa:
atende a apenas 23,4% da população. Do total, 75%
destes planos (33,4 milhões) são empresariais e
os 25% restantes de pessoa física. Existem dois importantes
motivos para isso.O primeiro é que com a maior oferta
de empregos e falta de mão de obra qualificada, a inclusão
do plano de saúde na cesta de benefícios ao trabalhador
se torna um diferencial importante na hora de reter ou atrair
talentos. O segundo motivo está relacionado com o maior
rigor que a ANS tem sobre os reajustes dos planos para as pessoas
físicas. As operadoras reclamam em uníssono que
os custos médicos são muito superiores à inflação
e que os reajustes permitidos pela ANS não cobrem os gastos
com medicamentos e equipamentos.
Com isso,
fica mais interessante crescer nos planos empresariais, já que a ANS permite a negociação direta
entre as empresas e as operadoras de planos de saúde.
Os planos
podem qualificar e customizar o serviço como
diferencial para a empresa.
A Bradesco
Saúde vem obtendo bons resultados nesta direção.Com
mais de três milhões de segurados (93% planos empresariais),
e presente em mais de quatro mil municípios do país,
a Bradesco Saúde registrou, em 2010, uma arrecadação
de R$ 6,8 bilhões, com destaque para o crescimento da
carteira de Pequenas e Médias Empresas, que representou
aumento de 36% em relação a 2009.
Para 2011,
a estimativa de crescimento gira em torno de 10% segundo Márcio Coriolano, presidente da Bradesco Saúde
e Mediservice. "Oque conta hoje na disputa pelo mercado é mais
o serviço do que o produto propriamente dito." Para
Coriolano, a transparência na negociação,
e as empresas saberem onde estão gastando é o diferencial
da Bradesco Saúde. A empresa também procura diversificar
seus serviços e oferece, por exemplo, para os planos premium,
o Bradesco Saúde Concierge, com atendimento personalizado,
e que tem, inclusive,um programa de vacinas para quem vai viajar.
CUSTOS
Controle
das despesas, da sinistralidade (com adoção
da medicina preventiva) e reavaliação de apólices
e renegociações são os itens principais
que Rafael Moliterno Neto, presidente da Unimed Seguros Saúde,
destaca para o crescimento registrado em 2010. O faturamento
da operadora teve alta de 22,47% passando de R$ 446,5 milhões,
em 2009, para R$ 546,8 milhões, em 2010.
Para Antonio
Jorge Kropf , diretor técnico da Amil, a
primeira operadora no ranking geral da ANS, o custo da medicina
avança e é preciso ter a capacidade de lidar com
esse custo. "As operadoras têm de ter responsabilidade
e serem cada vez mais geradoras de saúde. Para isso, devem
criar programas que melhorem a qualidade de vidado cidadão.É preciso
evoluir o modelo assistencial", diz. O gerente de relação
com investidores da empresa, Roger Nickhorn, alerta para a necessidade
de obter uma precificação correta e redução
da sinistralidade.
A empresa
conta com hospitais próprios, o que ajuda a
reduzir custos.
A operadora
ainda não fechou os dados de 2010, mas ao
fim do terceiro trimestre havia apresentado crescimento de 62%
nos primeiros nove meses do ano, atingindo receita de R$ 5,763
milhões. "Para esse resultado, contribuiu a aquisição
da Medial, que incorporou à Amil 1,8 milhão de
novos beneficiários", informa Nickhorn.
O motor de
crescimento do setor está pautado nos planos
de saúde empresariais.
Dos 44,8
milhões de beneficiários do país,
75% estão vinculados a empresas.
ANS
ANS
lança
novo portal corporativo
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lança
em 15 de março o seu novo portal corporativo. Com navegação
simplificada e linguagem mais acessível, é um presente
aos usuários no Dia Mundial dos Direitos do Consumidor:
um portal mais claro, amigável e com maior destaque aos
serviços disponíveis para o cidadão.
A reformulação da principal ferramenta de comunicação
da ANS teve início em 2009 e contou com o envolvimento
de toda a instituição. Um comitê formado
por diversos setores da Agência coordenou o trabalho. O
novo portal foi desenvolvido em gerenciador de conteúdo
gratuito (software livre) e cumpre recomendações
de acessibilidade do Programa de Governo Eletrônico Brasileiro
(E-Gov).
“Entendemos esse novo portal como um case de gestão
do governo federal, pois é resultado de pesquisas com
todos os perfis de usuários. A ANS ouviu seus clientes
e vai continuar ouvindo, pois esse é um processo contínuo”,
ressalta o Secretário-Geral da Agência e coordenador
do comitê do portal, Bruno Sobral.
Entre as
principais novidades estão:
• áreas destinadas aos dois principais públicos
da ANS: consumidores e operadoras de planos de saúde;
• possibilidade de assinatura de conteúdos;
• compilação de toda a legislação
do setor, com as referências de alterações
e revogações marcadas no texto;
• acesso facilitado a perguntas frequentes e aos canais
de atendimento da Agência;
• layout mais dinâmico com fotos em rotação
automática na página inicial;
• acesso rápido às áreas que apareceram
como de maior interesse pelos públicos nas pesquisas realizadas.
Pesquisas
e testes foram a base da reformulação
O projeto
de reformulação do portal da ANS foi
desenvolvido com reuniões periódicas e muita pesquisa:
acompanhamento de métricas, testes presenciais e remotos
de navegação.
Uma das técnicas presenciais utilizadas para melhor compreensão
do ponto de vista do usuário foi o card sorting, método
que observa como o público-alvo organiza, por meio de
cartões, as informações da forma mais adequada
para ele. Dessa maneira, é possível considerar
no portal a lógica de quem o acessa.
Testes de
usabilidade foram feitos com frequentadores do Procon do Rio
de Janeiro,
representantes de operadoras de planos de
saúde e de prestadores de serviços de saúde,
além de servidores da própria ANS. Na imagem abaixo,
a cor vermelha indica a área mais clicada pelos usuários
quando solicitados a encontrar a seção de Consultas
Públicas.
O resultado
desse esforço estará à disposição
de todos, a partir de 15 de março de 2011, em www.ans.gov.br,
num processo contínuo de aprimoramento.
Boa navegação!
O
Estado de São
Paulo
Único
para os outros
Por José Roberto
de Toledo
Imagine se
o cozinheiro do restaurante onde você almoça
não comesse ali por preferir ingredientes de primeira.
Se o mecânico que conserta seu carro levasse o dele a outra
oficina, mais confiável. Ou se o gerente da sua conta
aplicasse o próprio dinheiro em outro banco, onde é mais
bem atendido. O que você faria?
Pois quem
administra o sistema público de saúde
prefere ter um plano complementar para receber atendimento, provavelmente
melhor, em hospitais e clínicas particulares. É um
direito deles, inalienável.
O único senão é que você também
paga para que funcionários do Ministério da Saúde
tenham um sistema de assistência médica particular,
que lhes permite serem tratados em instalações
mais bem equipadas, com menos filas do que as públicas.
Apenas em
2010, o Ministério da Saúde desembolsou
R$ 99,3 milhões em pagamentos à GEAP Fundação
de Seguridade Social, a título de "assistência
médica aos servidores, empregados e seus dependentes".
Supondo-se
que os serviços médicos, hospitalares,
odontológicos e laboratoriais tenham sido prestados a
todos os servidores do ministério, a fatura ficou em R$
1.885 por cabeça.
O Piso de
Atenção Básica à saúde,
um dos pilares financeiros do Sistema Único de Saúde
(SUS), usa como referência o mesmo valor de despesas por
habitante desde 1996: R$ 10. Proporcionalmente, os gastos com
a GEAP são 188 vezes maiores.
Fundada em
1945, a GEAP é uma operadora de saúde
sem fins de lucro. Segundo a Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), a entidade funciona na base da "autogestão
multipatrocinada".
Multipatrocinada
de fato. Os funcionários da saúde
não são os únicos beneficiados pela benemerência
governamental com o seu, o meu, o nosso.
Nada menos
do que 49 órgãos federais - de universidades
ao Ministério do Esporte, passando pela Presidência
da República e até um hospital universitário
- fizeram pagamentos à GEAP pela prestação
de serviços a seus servidores em 2010.
Somando tudo,
o governo federal desembolsou R$ 223 milhões
para pagar por serviços privados de saúde a funcionários
públicos federais via GEAP. Isso apenas no ano passado.
Entre 2004
e 2010, a GEAP recebeu a bagatela de R$ 1,8 bilhão
dos cofres federais. Foi a segunda entidade sem fins lucrativos
que mais recebeu dinheiro público nesse período.
Enquanto
o governo tenta cortar gastos e equilibrar as contas, é de
se imaginar o que os dirigentes das instituições
federais que gastam com a GEAP fariam com centenas de milhões
de reais a mais em seus orçamentos. Talvez nem precisassem
penalizar a imensa maioria da população cortando
outros programas.
É um privilégio ter um plano médico particular
em um país onde a saúde é historicamente
o setor mais mal avaliado do serviço público. Mas
o governo pagar para que quem toca o SUS não use o SUS
melhora ou piora o serviço?
Há mais de uma década o Tribunal de Contas da
União questiona a legalidade dos contratos entre a GEAP
e o governo, sem muito sucesso. Em 2010, o Ministério
Público solicitou que os órgãos públicos
federais sustassem os pagamentos à fundação.
O imbróglio jurídico se deve à concorrência,
supostamente desleal, com outros planos de saúde. Lei
de licitações à parte, a novela GEAP x TCU
lembra mais uma disputa comercial do que de princípios.
Há uma questão anterior, mais importante: a cultura
dos privilégios a poucos com dinheiro de todos. Se há um
sistema teoricamente único e público de saúde,
por que a União dispersa seus recursos pagando por serviços
privados concorrentes? É único só para os
outros?
Quando a
elite funcional, econômica ou política
deixa de usar um serviço público ele só tende
a piorar. É assim com a educação, com o
transporte e com a saúde.
Se o governo
investisse esse dinheiro na rede pública,
talvez mais hospitais fossem tão bons quanto o Sarah Kubitschek
de Brasília. A Associação das Pioneiras
Sociais, gestora da rede Sarah, é a entidade sem fins
lucrativos que mais recebe verba federal: R$ 3,4 bilhões
desde 2004. Seu serviço é público, gratuito
e auditado pelo TCU.
Diário
da Manhã
Seminário
em Washington
O presidente
da Confederação Nacional de Saúde,
José Carlos Abrahão, estará em Washington,
no próximo dia 17, para participar do seminário
internacional Saúde e Sustentabilidade, promovido pela
consultoria Gesaworld. Na ocasião, Abrahão será o
moderador de painel sobre "Negócios, Saúde
e Desenvolvimento Sustentável".
Confederação Nacional de Saúde
CIRCULAR
JURÍDICO
029/2011
PUBLICADA
PORTARIA QUE INSTITUI O PROJETO DE FORMAÇÃO
DE MELHORIA DA QUALIDADE DE REDE DE SAÚDE
Foi publicado
em 09 de março de 2011, no Diário
Oficial da União, a Resolução nº 396,
de 04 de março de 2011 que institui o QualiSUS-Rede como
estratpegia de apoio à organização de redes
regionalizadas de atenção à saúde
no Brasil.
O QualiSUS-Rede
tem como objetivo integrar a atenção à saúde
ao paciente, desde os procedimentos básicos aos mais complexos
abordando a qualificação da gestão em saúde
por meio da organização de redes regionais de atenção à saúde
reforçando e ampliando a interligação dos
diversos níveis de atendimento necessários para
o tratamento dos pacientes que buscam o Sistema Único
de Saúde, além de ações de promoção
da saúde e prevenção de doenças.
O projeto
tem como metas melhorar a eficiência produtiva
do SUS; fortalecer a atenção à população
dentro de uma determinada região; capacitação
profissional e, ainda, priorizar os investimentos que ampliem
essa potencialidade local na atenção especializada
(ambulatorial e hospitalar), na atenção de urgência
e emergência e no aprimoramento dos sistemas logísticos
de suporte à rede.
Também são objetivos do QualiSUS-Rede a melhoria
da resolutividade na prestação dos serviços
de saúde ofertados às populações
que serão beneficiadas pelo projeto. A difusão
de conhecimentos voltados para a qualidade da atenção
e gestão em saúde; para o desenvolvimento de metodologias
e processos de avaliação e, ainda, para a gestão
da inovação tecnológica em saúde,
também integram as metas do projeto.
Na portaria
ficou instituído o Comitê Gestor de
Implementação do QualiSUS-Rede, que tem como função
definir as diretrizes técnicas e operacionais para a execução
das atividades do projeto. O comitê também terá como
atribuição aprovar o planejamento anual e os relatórios
de progresso anuais e semestrais de avaliação.
Fonte:
com informações
do Portal Pantanal News
Domingo, 13.03.11
O
Estado de São
Paulo
Hospitais
se reinventam para manter excelência
Instituições de Bauru, Barretos e Campinas criam
estratégias para não depender do repasse do SUS
Por Karina Toledo
A cada 30
minutos, um paciente de outro Estado é internado
em hospitais paulistas conveniados ao Sistema Único de
Saúde (SUS).
Em 2010,
três instituições do interior lideraram
os atendimentos de alta complexidade: o Centrinho de Bauru, o
Centro Infantil Boldrini, localizado em Campinas, e o Hospital
de Câncer de Barretos.
Levantamento
realizado pela Secretaria da Saúde de São
Paulo aponta que os 30 hospitais paulistas que atendem pelo SUS
e recebem pacientes de fora do Estado fizeram mais de 20 mil
internações de "estrangeiros", entre
janeiro e dezembro do ano passado.
Em Bauru,
o índice
ultrapassa a metade dos pacientes atendidos (52%). Em Barretos,
chega a 40% e em Campinas, a 24,2%.
A grande
procura da população é explicada,
em parte, pelo fato de as três instituições
serem referências internacionais em suas áreas de
atuação.
Mas não é só isso que atrai pessoas de
todos os cantos para o interior de São Paulo: esses três
hospitais estão entre os poucos do País que oferecem
gratuitamente medicina de ponta, boa infraestrutura e atendimento
verdadeiramente humanizado.
Nenhum deles,
no entanto, consegue custear esse padrão
de excelência somente com o valor repassado pelo SUS. O
Hospital de Câncer de Barretos, por exemplo, amarga todos
os meses um déficit de mais de R$ 5 milhões.
A seguir,
conheça os malabarismos que essas três
instituições fazem para manter as portas abertas
e o bom atendimento à população.
Ensino e pesquisa ajudam Bauru a custear qualidade
Moradores
de Bauru, a 335 quilômetros da capital paulista,
já estão habituados a ver ônibus de diversos
Estados levando pacientes para o Hospital de Reabilitação
de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo
(USP), mais conhecido como Centrinho. A procura é tão
grande que se multiplicou, no entorno da instituição,
o número de pensões de baixo custo para abrigar
as famílias que vêm de longe em busca de tratamento.
Reza a lenda
que, quando o hospital começou a funcionar,
em meados dos anos 1960, os pacientes de fora chegaram a ser
hospedados nas casas dos próprios funcionários.
Na época, o Centrinho era praticamente o único
hospital público que oferecia tratamento para portadores
de fissura labiopalatina - uma malformação na região
do lábio e do céu da boca popularmente conhecida
como lábio leporino.
Embora hoje
existam outros 27 centros no País, o Centrinho
ainda é um dos poucos que oferecem tratamento integral
para o problema, sem o qual os portadores ficam com sequelas
graves. "Quando se faz apenas a cirurgia primária,
ou seja, o fechamento do lábio e do palato, a deformação
no rosto fica pior do que se não tivesse sido feito nada
e há prejuízo na fala. Além da cirurgia
primária, o paciente precisa de acompanhamento secundário,
com cirurgias plásticas e tratamento odontológico
e fonoaudiológico", diz João Henrique Nogueira
Pinto, superintendente em exercício.
Além de atender a portadores de outras anomalias craniofaciais,
causadas por mais de 2 mil síndromes genéticas
conhecidas, o Centrinho também tem programas para deficientes
auditivos.
O custo para
manter toda a estrutura ultrapassa R$ 6 milhões
por mês. Os repasses do SUS cobrem cerca de 35% desse valor,
sendo o restante custeado pela USP. O investimento em ensino
e pesquisa foi a saída para manter o modelo viável.
Humanização. A instituição iniciou
seu programa de pós-graduação na década
de 1990 e hoje oferece cursos de residência, especialização,
mestrado, doutorado, aprimoramento profissional e prática
profissionalizante. "A pesquisa nos permite desenvolver
técnicas mais baratas e eficazes, além de atrair
parcerias e financiamentos internacionais", diz Pinto.
Entre os
quase 80 mil pacientes que já passaram pelo
Centrinho em suas quatro décadas de existência,
há pessoas de 3,3 mil cidades do Brasil e outras 51 do
exterior. Muitas chegam ainda bebês e são acompanhadas
periodicamente até o início da vida adulta.
Para facilitar
o deslocamento, a instituição entra
em contato com as prefeituras para organizar o transporte e agrupar,
em datas próximas, o atendimento de pessoas de uma mesma
região. Em parceria com uma associação de
pacientes, o hospital mantém um alojamento com 70 vagas,
sala de descanso e refeitório. Uma brinquedoteca e atividades
recreativas, como contagem de histórias, ajudam a tornar
a estada mais leve para as crianças.
Para os adultos,
atividades manuais também ajudam a passar
o tempo, como no caso do motorista Carlos Pereira de Lima, de
46 anos, que saiu de Touros, no Rio Grande do Norte. Enquanto
aguardava a filha sair de uma cirurgia, ele desfiava algodão
para fazer uma almofada. "Fico muito nervoso, mas aqui sempre
tenho uma palavra amiga. A gente faz uma coisa, faz outra e o
tempo vai passando."
FICHA
TÉCNICA
Hospital
de Reabilitação
de Anomalias Craniofaciais da USP(Centrinho de Bauru)
Fundação:
1967
Funcionários:
762
Área construída:
19 mil m2
Nº de
leitos: 91
Casos novos em 2010: 2.982
Atendimento pelo SUS: 100%
Atendimento
particular: Não
Serviços: reabilitação de portadores de
fissura labiopalatina e outras anomalias craniofaciais, tratamento
para deficientes auditivos, incluindo realização
de implante coclear
Oferece cursos
de pós-graduação e residência
médica
Campanhas
ajudam a cobrir déficit
Hospital
de Câncer de Barretos depende de doações
para fechar o mês
Quando o
fazendeiro Henrique Prata assumiu a gestão do
Hospital de Câncer de Barretos, em 1989, a instituição
atendia cerca de 200 pessoas por dia, tinha 80 funcionários,
1,5 mil m2 de área construída e apenas uma bomba
de cobalto para realização de radioterapia. Hoje
são 3 mil atendimentos diários, 2,5 mil colaboradores,
quase 70 mil m2 de área construída e um acervo
de R$ 40 milhões em equipamentos.
Prata atribui
a rápida expansão à sua filosofia
de oferecer apenas o que há de melhor no tratamento contra
o câncer. Todos os anos, ele visita os principais centros
de oncologia do mundo para conhecer as novidades. "Se descubro
que há algo melhor do que aquilo que temos aqui, paro
o que estou fazendo e vou atrás de parceiros para colocar
a nova ideia em prática."
Graças a doações de pessoas de todo o País,
parcerias com empresas privadas, apoio de artistas e do governo
estadual, o hospital consegue cobrir os R$ 5 milhões que
faltam todos os meses para tapar os custos que não são
arcados pelo SUS. "Quase metade desse valor o governo de
São Paulo ajuda a custear. Com o meio artístico,
eu consigo R$ 5 milhões por ano de doação.
O restante eu tenho de fazer campanha todo mês para arrecadar",
conta Prata. "Não há como fazer medicina de
ponta com os recursos do SUS."
O empresário consegue angariar tantos recursos porque
tem resultados para mostrar. Em 2008, o hospital fundado por
seu pai - o médico Paulo Prata - foi apontado pelo Instituto
Nacional de Câncer, dos EUA, como referência para
pesquisa na América Latina. Desde então, tem firmado
parcerias com os mais importantes centros, entre eles o MD Anderson,
do Texas. "Meu pai dizia que se eu conseguisse conciliar
prevenção, assistencialismo e pesquisa, o mundo
nos reconheceria como um centro sério. Foi no que deu."
Visitantes.
Em 2010, o hospital abriu uma unidade em Jales, perto da divisa
com
Mato Grosso do Sul, para diminuir o número
de pacientes da Região Centro-Oeste. Mas o tiro saiu pela
culatra. A pequena redução percebida em Mato Grosso
do Sul foi compensada pelo aumento de pacientes de outros Estados.
Para atender
a essas pessoas, o hospital mantém 13 alojamentos
com capacidade para 650 pacientes e acompanhantes. Na Casa de
Apoio Madre Paulina, por exemplo, são oferecidos pouso
para 260 pessoas e cinco refeições diárias
- também para aqueles que se hospedam em casas particulares
ou pousadas mantidas por prefeituras. Entre os hóspedes
atuais está a acreana Gerusa Maria Matos da Cruz, de 51
anos, que tem câncer de cabeça e pescoço.
No dia 20, ela completará um ano distante de Cruzeiro
do Sul (AC), a 3,5 mil km de Barretos.
Após a experiência frustrada em Jales, Prata percebeu
que a única forma de evitar o deslocamento desses pacientes
até Barretos seria levar a prevenção e o
diagnóstico precoce à origem do problema. Recentemente,
firmou parceria com o governo de Rondônia e deve assumir
até abril a gestão do Hospital de Câncer
de Porto Velho (RO). Também deve ajudar o governo do Mato
Grosso na criação de um centro local de referência.
Em Juazeiro, na Bahia, foi criado um centro para fazer rastreamento
de câncer de mama. / COLABOROU BRÁS HENRIQUE
FICHA
TÉCNICA
Hospital
de Câncer
de Barretos
Fundação:
1967
N.º atendimentos
por dia: 3 mil
Municípios
atendidos em 2010: 1.372
Déficit mensal: R$ 5,4 milhões
N.º de refeições diárias:
8 mil
N.º de
alojamentos: 13 (com capacidade para 650 pessoas)
Pacientes atendidos em 2010: 50.865
N.º de funcionários:2,5 mil, sendo 250 médicos
em tempo integral e dedicação exclusiva
Campinas faz rifas e eventos
Centro Boldrini dribla dificuldades para crescer
Desde o tempo
em que chefiava a enfermaria pediátrica
do Hospital das Clínicas da Unicamp, em meados dos anos
1970, a médica Silvia Brandalise mantém no bolso
uma lista de desejos. "Quando um pai vinha me dizer que
não sabia como me agradecer, eu pedia uma caixa de seringas
ou um móvel usado", conta.
Assim, conseguiu
montar, em 1978, um laboratório para
atender crianças com doenças hematológicas.
Na época, Silvia contava apenas com uma funcionária.
A demanda era grande, mas a gratidão dos pacientes também.
Logo o laboratório virou um pequeno hospital e passou
a receber também crianças com leucemia. Daí para
atender outros tipos de câncer foi questão de tempo.
Graças às doações, o primeiro hospital
do País especializado em oncologia pediátrica foi
crescendo e se mudando para espaços maiores. Hoje, o Centro
Infantil Boldrini - batizado em homenagem a um pediatra famoso
de Campinas - ocupa um moderno prédio de 25 mil m2, conta
com equipamentos de ponta, 618 funcionários, 125 prestadores
autônomos de serviços e 400 voluntários.
O custo mensal para manter a estrutura é de R$ 2,7 milhões.
Embora a instituição seja referência internacional
no tratamento e na pesquisa do câncer infantil, depende
de ajuda para sobreviver, pois tem um déficit de R$ 300
mil por mês.
Os repasses
do SUS - que correspondem a 80% dos atendimentos - cobrem apenas
30%
dos custos. Outros 30% vêm de pacientes
atendidos por meio de convênio. Os 40% restantes são
reunidos com patrocínios privados e recursos angariados
por meio de rifas, festas e outros eventos beneficentes. A Unicamp
paga apenas o salário de 13 docentes que trabalham na
instituição como voluntários, entre eles
a própria Silvia.
Apoio social.
Atualmente, o Boldrini atende cerca de 7 mil pacientes de diversas
cidades
brasileiras e de alguns países da
América Latina. Três casas de apoio mantidas por
entidades assistenciais e voluntários oferecem aos que
vêm de longe hospedagem, alimentação, transporte
para o hospital e apoio psicológico.
Em uma delas
está a dona de casa Clelia de Oliveira,
de 41 anos, e o filho Matheus da Silva Barros, de 12, portador
de leucemia. Naturais de Jarú (RO), frequentam o centro
de Campinas desde 2006. Quando veio pela primeira vez, Clelia
teve de deixar a filha caçula, que na época tinha
menos de 2 anos, sob os cuidados da avó. "A prioridade
era ele", diz ela. Em 2009, Matheus teve alta, mas, dez
meses depois, uma recaída fez Clelia e o filho retornarem
ao interior de São Paulo.
Para evitar
que os longos períodos de internação
atrapalhem o desenvolvimento acadêmico das crianças,
o Boldrini mantém um serviço de apoio pedagógico.
Professores cedidos pela Secretaria de Educação
de Campinas fazem a ponte com a escola de origem e repassam os
conteúdos de forma individual. Os pacientes podem até mesmo
fazer provas ou prestar vestibular enquanto aguardam o término
do tratamento.
A instituição também oferece cursos de
capacitação e oficinas culturais para ajudar os
jovens a se inserir no mercado de trabalho. "Dessa forma,
o paciente levanta o queixo, encontra seu espaço e vislumbra
um futuro", afirma Silvia.
O conceito
de humanização, diz ela, nasceu com
o Boldrini há 33 anos. "Desde o início, não
conseguimos trabalhar sem suporte social. Mas a humanização
também se faz por meio da excelência diagnóstica
e do aprimoramento tecnológico. Humanizar não é dar
lápis de cor ou casa de apoio e sim assumir uma medicina
padrão ouro e participar de políticas públicas."
Pesquisa.
Foi graças ao engajamento dos profissionais
da instituição em políticas públicas
que o Boldrini se tornou pioneiro na implantação
e disseminação de protocolos terapêuticos
sistematizados para tratamento do câncer infantil. Silvia
coordena até hoje o 1.º Protocolo Nacional de Tratamento
da Leucemia Linfoide na Infância, que contribuiu para que
a taxa de cura da leucemia infantil no Brasil alcançasse
o mesmo patamar de países do primeiro mundo.
FICHA
TÉCNICA
Centro Infantil Boldrini
Fundação:
1978
Nº de
leitos: 77
Casos novos/ano: 920
Atendimento pelo SUS: 80%
Atendimento/convênio:
20%
Custo mensal:
R$ 2,7 milhões
Déficit
mensal: R$ 300 mil
Funcionários:
618
Voluntários:
400
Prestadores
de serviço:
125
Área construída:
25 mil m2
Atualmente,
a instituição investiga, em parceria
com a Organização Mundial de Saúde (OMS),
os fatores ambientais que, durante a gestação,
podem influenciar o surgimento do câncer em crianças.
Sábado,
12.03.11
Folha
de São
Paulo Por Drauzio Varella
A
mão
do gato
Por Drauzio Varella
O que a sociedade
espera da Anvisa são decisões
técnicas para proteger a saúde da nossa população
HÁ MOMENTOS em que excesso de democracia atrapalha. Antes
que você me interprete mal, leitor, vou descrever o caso
a que me refiro.
Imbuída de intenções democráticas,
a Anvisa decidiu fazer duas consultas públicas que envolvem
a comercialização de cigarros. Segundo a agência, "esse
processo contribuirá para a transparência e participação
da sociedade e auxiliará a Anvisa na elaboração
do texto final do regulamento proposto".
A primeira
consulta (número 112) trata da permissão
para exibir nos maços os teores de alcatrão, nicotina
e monóxido de carbono e de proibir a adição
de aromatizantes e flavorizantes.
A questão dos aditivos está entre as grandes malfeitorias
praticadas pela indústria: adicionar aromatizantes para
disfarçar o odor da fumaça e flavorizantes para
conferir sabor de baunilha, menta, chocolate, morango e outros
com a finalidade de encobrir o paladar aversivo do fumo e viciar
meninas e meninos em idade mais precoce. Crianças e adolescentes
somam 90% dos que começam a fumar.
A questão de imprimir no maço os teores de nicotina,
alcatrão e monóxido de carbono é crime ainda
mais grave, porque se destina a criar uma sensação
falsa de segurança.
Os cigarros "light", "ultralight" ou de "baixos
teores" foram lançados nos anos 1960, quando não
havia mais como negar a relação entre fumo, câncer,
doenças cardiovasculares, pulmonares e dezenas de outras.
Para o consumidor a lógica pareceu razoável: se
o alcatrão provoca câncer, quanto menos alcatrão,
menor o risco. Milhões aderiram às marcas "light".
Os cigarros
de "baixos teores" são ainda piores
do que os mais fortes. Quem controla a quantidade de nicotina
a ser absorvida em cada tragada são os neurônios
do fumante.
Se o cigarro é forte, poucas tragadas fornecem a nicotina
necessária; quando é fraco, elas se tornam mais
profundas e o intervalo entre uma e outra encurta. A fuligem
e os 6.000 compostos químicos resultantes da combustão
entram em contato mais íntimo e destruidor com os brônquios
e alvéolos pulmonares.
A segunda
consulta (número 117) procura regulamentar
a exposição dos maços nos pontos de venda
e o conteúdo das mensagens de advertência.
Proibido
o acesso à televisão e aos jornais, os
fabricantes investiram pesado na divulgação de
material publicitário (displays, cartazes, luminosos etc.)
para promover as vendas em locais como padarias, lanchonetes,
bancas de jornal e lojas de conveniência.
Em 83% dos
estabelecimentos visitados durante uma pesquisa realizada no
ano passado pelo
DataFolha/Aliança de Controle do Tabagismo,
os cigarros estavam expostos junto a balas, chocolates ou doces.
Nas padarias esse número chega perto da totalidade.
Como de costume,
a indústria reagiu com a mão
do gato: mobilizou os setores que defendem seus interesses e
os parlamentares financiados por ela.
Na falta
de argumentos para justificar o crime continuado de induzir
crianças a adquirir a dependência química
mais escravizante que a medicina conhece, esses grupos alardeiam
que a consulta pública é antidemocrática
e autoritária, que exclui o debate e o esclarecimento
da população, que irá provocar impactos
econômicos gravíssimos para produtores e varejistas,
que causará desemprego e abrirá caminho para o
contrabando.
Para manter
a legislação frouxa como está,
chegam ao cinismo de pressionar para que as consultas sejam proibidas.
Vamos inverter
o raciocínio deles. Para impedir que os
fabricantes continuem a praticar os crimes de acrescentar produtos
químicos que tornam o cigarro mais palatável para
crianças, de imprimir no rótulo teores de nicotina
e alcatrão para fingir que existem cigarros menos nocivos
e de expor os maços junto a balas e chocolates nas padarias,
seria necessário organizar consultas públicas?
Quando a
Anvisa proibiu a exposição de vitaminas
nas prateleiras das farmácias, por acaso consultou o público?
Se embalagens de vitaminas quase sempre inúteis, porém
inócuas para o organismo, não devem ficar expostas
ao consumidor desavisado, o maço de cigarro pode?
O que a sociedade
espera da Anvisa são decisões
técnicas para proteger a saúde da população.
Reduzir o consumo de cigarros e o contingente de crianças
que se tornará dependente de nicotina pelo resto da vida
estão entre elas.
Folha
de São
Paulo
Remédios com bulas alteradas começam a chegar às
farmácias
Lote de drogas
com instruções mais simples é liberado;
indústria tem até julho para fazer mudanças
Impressos
serão mais didáticos; Anvisa diz que
ainda falta muito para que a linguagem seja compreensível
Por Juliana Vines
DE SÃO
PAULO
Os primeiros
remédios com bulas modificadas estão
chegando às farmácias.
O lote aprovado
pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) é composto de 202 medicamentos, entre
eles os conhecidos Buscopan, Dramin, Claritin, Cebion e Eparema.
Os fabricantes
têm até julho para colocar no mercado
suas bulas mais legíveis e didáticas, conforme
resolução de 2009, já revisadas e aprovadas
pelo órgão.
Entre as
principais novidades estão as letras maiores
e a informação mais simplificada, organizada em
forma de perguntas e respostas.
A mudança está acontecendo aos poucos, de acordo
com Flávia Moreira Cruz, especialista em regulamentação
sanitária da Anvisa.
No ano passado,
todas as farmacêuticas tiveram que encaminhar à agência
os novos impressos. Agora, o órgão analisa os documentos
e os libera, em lotes.
"Só liberamos 202 até agora. Este mês
pretendemos soltar outro lote. Estamos no começo do trabalho.
A previsão é terminar em 2012", diz.
As mudanças pretendem corrigir problemas de formato,
conteúdo e linguagem.
"As bulas que estão no mercado têm vários
problemas. Os consumidores reclamavam diretamente à Anvisa.
Também reconhecemos que havia uma falha na regulamentação."
Antes mesmo
das novas bulas, já existiam dois tipos de
impressos nas farmácias, um que seguia uma resolução
de 2003 e outro que seguia uma regra de 1997.
"Tínhamos duas regulamentações vigentes,
mas quase ninguém seguia a de 2003. Se compararmos com
as bulas de 1997, as mudanças de agora serão enormes",
diz Rosana Mastelaro, gerente do Sindusfarma (sindicato da indústria
farmacêutica).
A resolução atual vale para todos os medicamentos.
Só ficam de fora os considerados de baixo risco -água
boricada, por exemplo.
MENOS
INFORMAÇÃO
A bula para
o paciente não terá mais informações
técnicas, como o mecanismo de ação da droga.
"Estamos tentando simplificar a linguagem técnica,
mas isso é difícil. Ainda não será a
bula ideal, mas é uma nova postura", afirma Cruz.
A farmacêutica Vera Lúcia Luiza, da Escola Nacional
de Saúde Pública da Fiocruz, espera que as mudanças
sirvam para que os consumidores passem a ler a bula.
"Essa dificuldade de compreensão afasta os leitores.
Fora isso, as bulas tinham muita informação repetida
e, muitas vezes, em desacordo com a literatura."
As 202 novas
bulas já estão disponíveis
para consulta em um bulário virtual (anvisa.gov.br/bularioeletronico).
O
Estado de São
Paulo
Inca
propõe mudar rastreamento de câncer de colo;
vacina não foi incluída
Especialistas
defendem inclusão do imunizante contra
HPV no calendário oficial - para eles, a política
de rastreamento feita atualmente é ineficaz; câncer
de colo de útero é o segundo mais frequente e o
quarto que mais mata as mulheres no Brasil
Por Fernanda Bassette
O Instituto
Nacional de Câncer (Inca) propõe, em
consulta pública, atualizar as diretrizes sobre o câncer
de colo do útero. Uma das propostas é evitar o
rastreamento em meninas que acabaram de iniciar a vida sexual.
Especialistas reclamam que a vacina contra o HPV não foi
inserida como forma de prevenção.
O câncer de colo de útero é provocado pelo
vírus HPV - os subtipos 16 e 18 estão em cerca
de 80% dos casos. É o segundo mais frequente (atrás
do de mama) e o quarto que mais mata mulheres no Brasil. As vacinas
protegem contra esses dois tipos, mas estão no mercado
há pouco tempo.
A idade sugerida
para início do rastreamento continua
sendo a partir dos 25 anos - o que muda é que o Inca vai
retirar das orientações atuais a recomendação
de que o rastreamento seja feito a partir do momento que a menina
inicia a atividade sexual. A diretriz anterior também
recomendava o rastreamento em mulheres com até 59 anos
- agora a proposta é prorrogar a busca até os 64
anos.
A gerente
da Divisão de Apoio à Rede de Atenção
Oncológica (Darao) do Inca, Ana Ramalho, diz que o rastreamento
em meninas muito jovens leva a intervenções desnecessárias,
pois a maioria das lesões regride sozinha.
"As evidências mostram que é melhor detectar
lesões que não curaram espontaneamente em moças
mais velhas. Nas muito jovens, a tendência é ser
mais conservador e intervir menos", diz.
Especialistas
dizem que a melhor prevenção é a
vacina. Para eles, a política de rastreamento, sozinha, é ineficaz
e a vacina reduz em cerca de 90% o aparecimento das lesões
pré-malignas.
"O rastreamento no Brasil não conseguiu reduzir
a mortalidade. A adesão é baixíssima, falta
acesso e não há campanhas. A vacina evita que a
mulher se infecte pelo HPV", diz o oncologista Rafael Kaliks,
do Oncoguia.
Consenso.
A presidente da Comissão do Trato Genital Inferior
da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia
(Febrasgo), Nilma Antas Neves, diz que o consenso recomenda a
vacinação de mulheres com até 26 anos, priorizando
as com 11 anos, que ainda não iniciaram a atividade sexual. "A
gente sabe que a vacina não é para todo mundo.
Mas ela proporciona proteção cruzada para outros
subtipos do vírus."
Luísa Lina Villa, do Instituto Ludwig, vai além.
Para ela, não faz sentido deixar de rastrear meninas mais
jovens, porque cada vez mais as meninas fazem sexo mais cedo. "Hoje
há jovens na faixa de 14 a 18 anos que já apresentam
na região genital lesões causadas por HPV. Daí o
anseio de oferecer um rastreamento que inclua essa população",
diz.
Luísa também propõe que as meninas sejam
submetidas primeiro a um exame para detectar o vírus e,
caso o resultado dê positivo, sejam submetidas ao papanicolau. "O
papanicolau detecta lesões. O exame detecta o vírus."
Segundo Ana,
do Inca, a prevenção pela vacina
não evita o aparecimento de todas as lesões. "Se
tivéssemos essa certeza, o rastreamento seria suspenso."
Ana acrescentou
que o Ministério da Saúde encomendou
uma pesquisa para avaliar a viabilidade de inserir a vacina contra
o vírus HPV na rede. "Nesse momento, o posicionamento é de
não iniciar a vacinação."
Vacina na
rede. Pelo menos três cidades oferecem a vacina
contra o HPV de graça. Em Cristal (RS), com cerca de 7
mil habitantes, 250 meninas entre 11 e 12 anos foram vacinadas
em 2009. Cada menina recebeu três doses, ao custo de R$
340 cada uma.
Em Campos
dos Goytacazes (RJ), o coordenador de imunizações
da prefeitura foi às rádios religiosas estimular
a adesão. "Conseguimos quebrar a resistência
ao explicar para a família a importância da prevenção,
independentemente do credo", diz Charbell Miguel Kury. O
investimento foi de R$ 5 milhões.
São Francisco do Conde (BA) gastou R$ 1 milhão
na compra de 4,5 mil doses do imunobiológico, suficientes
para vacinar a população feminina na faixa etária
de 10 a 14 anos. / COLABOROU OCIMARA BALMANT
''Governo é obrigado
a fazer escolhas''
Por Hillegonda
Maria Dutilh Novaes, especialista em saúde
coletiva
É pelas mãos do grupo coordenado pela professora
Hillegonda Maria Dutilh Novaes, do Departamento de Medicina Preventiva
da USP, que passa boa parte dos relatórios que avaliam
a relação entre custo e efetividade das vacinas
que integrarão o calendário de imunizações.
A pedido do Ministério da Saúde, a equipe avalia
se haverá vantagens ou não na inserção
do imunizante contra o HPV na rede pública. Leia abaixo
entrevista concedida ao Estado:
Como
são feitos os relatórios
para avaliar o custo/efetividade de uma vacina?
A gente se
baseia em dados de ensaios clínicos. Fazemos
uma extensa revisão da literatura, analisamos todos os
estudos que já foram publicados a respeito e colocamos
esses dados em um modelo matemático, chamado análise
de decisão, para chegarmos a uma resposta.
No caso da vacina contra o HPV, quantos estudos sobre o assunto
foram analisados?
Existem 30
e poucos trabalhos que analisaram a vacina, mas cada um foi
feito com
grupos diferentes. Existem muitos resultados,
por isso precisamos criar metodologias para organizar a informação
científica e transferi-la para o mundo real.
A
conclusão do relatório é definitiva para
o ministério?
Não. Estamos fazendo uma revisão da literatura
para termos argumentos para uma discussão e não
uma verdade absoluta. Toda nova tecnologia significa mais gastos.
Nosso objetivo é avaliar esses gastos e os benefícios
adicionais para produzir elementos para o gestor levar em conta.
Não é a decisão.
O
que é possível afirmar sobre a vacina pelos
dados que a senhora já coletou?
A indicação da vacina está baseada em dados
muito importantes e, possivelmente, poderá ter uma boa
relação entre custo e eficácia. É uma
vacina muito importante, com enorme potencial - ela pode evitar
câncer, que é uma doença que causa muitos
medos -, mas ainda é cercada de incertezas. Há muita
coisa que interfere na indicação imediata. Por
exemplo: quanto tempo dura a proteção? Ainda não
se sabe.
Há outros países em que a vacina é recomendada
pelo governo?
Sim, mas
depende da política de cada governo. Nos Estados
Unidos, por exemplo, a vacina foi introduzida em 2006. As meninas
têm um incentivo do governo para se vacinar. Uma cobertura
de vacinação é considerada eficiente quando
ela atinge 80% do público-alvo. Em 2009, a cobertura para
as três doses da vacina estava em 26%.
Por
que a adesão foi tão
baixa?
Provavelmente
porque é difícil vacinar adolescentes. É muito
mais fácil vacinar crianças, que as mães
levam ao posto. Conseguir a adesão de adolescentes para
três doses é algo mais complicado. Além disso,
alguns pais preferem não vacinar suas filhas, porque temem
que elas acreditem que a vacina protegerá contra outras
doenças sexualmente transmissíveis.
Médicos defendem que a vacinação é muito
importante para a prevenção primária do
câncer.
Existe uma
pressão forte da classe médica e da
indústria. Estão praticamente recomendando a vacina
como se fosse um remédio. Mas a vacina é profilática
e não terapêutica. Se a menina já teve contato
com o vírus antes de tomar a vacina, ela não vai
funcionar. Não vai proteger.
Na
sua opinião, qual o principal obstáculo
para que essa vacina seja inserida na rede?
O maior obstáculo é o alto custo. Acho pouco provável
que ela entre para a rede por causa da limitação
de recursos. Nos últimos três anos, o Ministério
da Saúde incorporou três novas vacinas no calendário:
a pneumo 10-valente, a meningite C conjugada e a H1N1. O gasto
aumentou demais. Não dá para dizer que o ministério
não está sensível em relação à vacina,
mas o dinheiro é finito. E ele é obrigado a fazer
escolhas. A vacina contra o HPV é muito cara e, se a mulher
fizer o rastreamento corretamente, certamente ela não
terá câncer.
O
rastreamento é realmente
eficaz?
O câncer de colo ainda é o segundo mais comum e
o quarto que mais mata no Brasil. Nos países com cultura
de rastreamento, a mortalidade por câncer de colo de útero é baixa.
As pessoas precisam entender que a vacina não significa
interromper o rastreamento. Ele vai continuar. / FERNANDA BASSETTE
QUEM É
Hillegonda Maria Dutilh Novaes
Formada pela
Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp),
tem mestrado e doutorado em medicina preventiva. É coordenadora
do Núcleo de Informação em Saúde
do HC e professora associada da USP. É especialista em
avaliação econômica de vacinas.
Jornal de Santa Catarina
O
governo e a saúde
Por Laudir Negri
A Constituição Federal, no Artigo 6º, nos
garante, dentre outros benefícios, o direto à saúde.
Os contribuintes da Previdência, pessoas jurídicas
e físicas, por meio de tributos e loterias, recolhem por
antecipação os recursos a serem aplicados através
do Sistema Único de Saúde, os quais, se bem administrados,
resultariam em excelentes serviços à população.
Mas o que se vê são desperdício, desvio de
verbas, leilão de funções, além de
profissionais e pacientes humilhados.
Os brasileiros
recolhem contribuições previdenciárias
a vida toda e, quando precisam de assistência médica,
são obrigados a pagar para não morrer nas filas
de espera. Por que isso acontece? Porque é lucrativo para
o Estado: primeiro, por não prestar o serviço pelo
qual já cobrou, e, depois, por cobrar impostos sobre este
mesmo serviço quando prestado pela iniciativa privada – os
planos de saúde.
Esse atendimento
prestado por particulares em substituição
ao serviço público de saúde deveria, sim,
ser remunerado, incentivado e subsidiado pelo Estado. Mas o que
acontece é exatamente o contrário. Além
de não terem nenhum apoio, essas empresas arcam com a
ingerência do governo e, o que é mais grave, são
obrigadas a recolher altos valores através de tributos.
Tributos que poderiam ser classificados como imorais por serem
cobrados sobre um serviço que é obrigação
do Estado.
O governo
tem poder para controlar as empresas de planos de saúde. Porém, se ele soubesse administrar a contento
o SUS, essas empresas talvez nem existissem. Então, por
coerência, o governo poderia, pelo menos, isentar essas
empresas de toda e qualquer forma de tributação.
Com isso,
teríamos valores menores nas mensalidades dos
planos de saúde e um número maior de beneficiários.
Um valor mais acessível atrairia mais pessoas. Mais empresas
subsidiariam ou incentivariam seus colaboradores a participar
desses planos, e, assim, o governo acabaria reduzindo seus gastos
com saúde, pois grande parte da população
deixaria de procurar o SUS para usufruir dos benefícios
dos planos de saúde particulares.
AGENDA
- I Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina 2011 debate trabalho
e ensino
Os conselhos
de medicina de todo o país têm encontro
marcado no próximo mês de março, em Goiânia.
A capital goiana recebe nos dias 16 , 17 e 18 o I Encontro Nacional
dos Conselhos de Medicina de 2011 (I ENCM 2011). O evento reunirá dirigentes
dos conselhos regionais e do CFM e será oportunidade para
análise dos desafios da medicina. Esse intercâmbio
permitirá traçar amplo quadro da saúde e
elaborar diretivas conjuntas das entidades.
- Qualidade Aplicada às Instituições
de Saúde
O Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA),
representante exclusivo no Brasil da maior agência acreditadora
em saúde do mundo – a Joint Commission International
(JCI), promoverá de 24 a 26 de março, o curso Qualidade
Aplicada às Instituições de Saúde.
Ministrado
pelo Coordenador de Educação do CBA,
Heleno Costa Júnior (especialista em administração
hospitalar e em acreditação, e responsável
pela preparação das instituições
de saúde para o processo de acreditação
da JCI), o curso objetiva disseminar entre os participantes a
cultura pela constante melhoria da qualidade no cuidado aos pacientes.
Para isso, apresentará conceitos, princípios e
ferramentas da qualidade utilizadas no processo de acreditação
para o aprimoramento das ações assistenciais e
gerenciais praticadas nos serviços de saúde.
Voltado para
profissionais de saúde, gestores e lideranças
intermediárias, o curso tem duração de 36
horas e acontece de 24 a 26 de março, das 8h30min às
17h30min na sede do CBA, que fica na Rua São Bento, 13,
4º andar, Centro, Rio de Janeiro.
Mais informações e inscrições pelo
telefone (21)3299-8202 ou através do e-mail ensino@cbacred.org.br
-
Encontro ANS - edição
Norte e Centro-Oeste
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) promoverá,
nos dias 5 e 6 de abril, o Encontro ANS – edição
Norte e Centro-Oeste. O objetivo do evento é reunir atores
da saúde suplementar para compartilhar informações
e visões na construção de um setor cada
vez mais qualificado.
Na ocasião, estarão presentes diretores e técnicos
da Agência, além de representantes de operadoras
de planos de saúde, órgãos de defesa do
consumidor, entidades médicas, estabelecimentos de saúde
e centrais sindicais.
O evento
será realizado em Brasília, no Centro
de Eventos e Treinamentos da Confederação Nacional
dos Trabalhadores no Comércio, e é fechado para
convidados e instituições inscritas.
As inscrições estão abertas e devem ser
realizadas até 30 de março http://www.ans.gov.br/portal/img/email/20110302EncontroANS.pdfço,
exclusivamente pelo sítio eletrônico da ANS, por
representantes de operadoras de planos de saúde com registro
de funcionamento nas Regiões Norte e Centro-Oeste.
Poderão participar até dois
representantes de cada operadora por dia de evento.
Confira a
programação
do evento no link
http://www.ans.gov.br/portal/img/email/20110302EncontroANS.pdf
- Curso Intensivo de Direito da Saúde
Suplementar
14 de março
de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Oferecer
aos participantes uma visão ampla da legislação
que rege os planos privados de assistência à saúde,
abordando os princípios constitucionais pertinentes ao
direito a saúde, as Leis nº 9.656/98 e 9.961/99,
as resoluções do CONSU e da ANS - Agência
Nacional de Saúde Suplementar, o papel da agência
reguladora, a aplicação subsidiária do Código
de Defesa do Consumidor, a jurisprudência sobre o assunto,
os requisitos dos contratos firmados pelas operadoras, a responsabilidade
dos dirigentes, administradores, gerentes e membros de conselhos,
as exigências econômicas e financeiras, o ressarcimento
ao SUS, a forma de defesa das operadoras, a jurisprudência
administrativa e judicial sobre o assunto.
Além do aspecto teórico, será dada muita ênfase
as questões práticas.
Instrutor
Dr. José Luiz
Toro da Silva
Público
Alvo
Dirigentes,
Gerentes e Diretores de Operadores de Planos de Saúde e de empresas prestadoras de serviços nesta área,
advogados e estudantes de direito, médicos, auditores,
contadores, atuários, peritos e demais interessados em
conhecer este ramo de atividade.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
-
IV Fórum Internacional de Qualidade em Saúde
Nos dias
31 de março e 01 de abril, das 8h às
18h, o iQG – Health Services Accreditation apresenta o
IV Fórum Internacional de Qualidade em Saúde, no
auditório da FECOMERCIO (Federação do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo),
situado à rua Plínio Barreto, 285, Bela Vista,
São Paulo. O evento, inédito no Brasil, contará com
palestrantes nacionais e internacionais, referências no
mercado de saúde mundial.
Serão apresentadas palestras e mesas de discussões
com a participação de grandes personalidades, como
Philip Hassen, Presidente da ISQua – International Society
for Quality in Health Care; Pedro Delgado, vice-presidente do
IHI – Institute for Healthcare Improvement e Sébastien
Audette, CEO do Accreditation Canada Global.
“Certamente, estamos fazendo o melhor e maior evento da área
de qualidade e segurança do paciente do Brasil. Traremos
os maiores nomes nestes segmentos com o intuito de disseminar
conceitos mundiais de boas práticas em qualidade e segurança,
para que possamos melhorar a cada dia o atendimento nas instituições
de saúde em nosso país”, explica Rubens Covello,
CEO do IQG. (Cristiane Fernandes - Saúde Business Web)
- AssPreviSite
Um debate sobre o contexto dos planos em 2011
Encontro
sobre o cenário 2011 da Saúde
Suplementar
1º de Março - 13:30 às
17:30 h.
Auditório do Instituto Metrus - São
Paulo - SP
Como será 2011 para a Saúde
Suplementar?
Quais os
tons que irão compor este cenário?
Qual a visão da ABRAMGE, FENASAÚDE e UNIDAS sobre
o cenário?
O AssPreviSite
promoverá na tarde do dia 1º de março,
em São Paulo, um encontro de dirigentes, gestores e profissionais
da área de Saúde Suplementar para um debate e avaliação
do cenário 2011, destacando os temas das recentes das
consultas públicas da ANS, seus desdobramentos e impactos
para as operadoras de planos de saúde e demais atores
do sistema. Outro foco da reunião é a amplitude
e implicações da Agenda Regulatória do órgão.
A reunião busca esclarecer alguns dos tópicos destes
dois componentes e de outros aspectos que estão na pauta
do dia a dia do Sistema de Saúde Suplementar de nosso
país.
Destacamos
alguns componentes deste cenário e que serão
objeto do nosso encontro:
Variáveis constantes em consultas públicas:
- Alteração
de contratos antigos;
- Prazos
máximos
de Atendimento;
- Disponibilidade
de prestadores de serviços;
- Transporte
para prestador noutro município;
- Reembolso
integral dos custos dos beneficiários;
- Outros...
Contexto
da Agenda Regulatória da ANS:
- Financiamento do Setor;
- Garantia de Qualidade e Acesso Assistencial;
- Modelo de Pagamento a Prestadores;
- Assistência Farmacêutica;
- Incentivo
a Concorrência;
- Garantia
de Acesso a Informação;
- Contratos Antigos;
- Assistência
ao Idoso;
- Integração
com o SUS.
Outros aspectos
componentes do cenário:
- Composição
da Diretoria da ANS;
- Programa
de Qualificação em Saúde
Suplementar;
- Programa
de Acreditação
das Operadoras;
- Portabilidade de planos;
- Regulamentação
de artigos da Lei 9656/98
- Propostas
de mudanças na Legislação;
- Ressarcimento ao SUS;
- Atuação do Judiciário...
Assim, para
abordar esta temática de extrema importância
para o ano de 2011 e a dinâmica e contextualização
que se pode esperar para a gestão dos planos de saúde,
convidamos dirigentes da ABRAMGE, FENASAÚDE e UNIDAS para
expor o entendimento e a visão destas instituições
sobre este cenário. Também foram convidados destacados
e experientes advogados, especialistas do segmento, para apresentar
suas considerações sob a ótica jurídica.
O Encontro,
que tem o apoio do Instituo METRUS e o patrocínio
do Grupo BEM, será no dia 1º de março, das
13:30 às 17:30 h, no Auditório do METRUS, na Alameda
Santos, 1827 - 1º andar, na região da Avenida Paulista,
em São Paulo. A taxa de adesão é de R$ 200,00
(duzentos reais). Informações e inscrições
podem ser solicitadas através do e-mail assprevisite2@terra.com.br
-
LANÇAMENTO DA 10ª EDIÇÃO PRÊMIO
SINOG DE ODONTOLOGIA
Sinog
premiará dentistas
e estudantes de odontologia
Prêmio Sinog de Odontologia receberá os trabalhos
concorrentes até 15 de abril de 2011
O Sinog -
Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo, acaba
de lançar a 10ª edição
do Prêmio Sinog de Odontologia destinado a cirurgiões-dentistas
e estudantes de Odontologia. O tema escolhido para os cirugiões-dentistas é "Valorização
da Odontologia: Ações que contribuam para a ampliação
e fidelização da rede credenciada das operadoras
e que aprimorem a qualidade dos serviços prestados aos
beneficiários dos planos odontológicos", e
para os Estudantes de Odontologia, "Novas Tecnologias de
Imagem em Odontologia: Como essas ferramentas de diagnóstico
e controle de qualidade dos serviços odontológicos
podem contribuir para a segurança do cirurgião-dentista
e seu paciente e para o aperfeiçoamento da relação
do credenciado com a operadora de planos odontológicos".
A novidade
nesta edição é que, embora os
ganhadores anteriores das três últimas edições
não possam concorrer ao prêmio, os cirurgiões-dentistas
recém formados, com o registro profissional, e que tenham
participado na categoria de estudantes, nas edições
anteriores, poderão participar em 2011 dentro da respectiva
modalidade.
Na modalidade
cirurgiões-dentistas o prêmio é de
R$ 13 mil reais bruto, além de diploma e troféu.
Já para os estudantes de Odontologia, a premiação é R$
8 mil reais bruto, mais o diploma e o troféu e, caso o
trabalho vencedor tenha contado com a supervisão de um
professor orientador, o docente receberá como homenagem
uma menção honrosa e a participação
na solenidade de premiação, e a Faculdade de Odontologia
cujo trabalho apresentado por seu estudante for o vencedor também
receberá um troféu.
As inscrições para a 10ª edição,
com a entrega dos trabalhos, de ambas as categorias, poderão
ser feitas até o dia 15 de abril de 2011. O regulamento
completo do Prêmio Sinog de Odontologia está disponível
no endereço www.sinog.com.br/premio. A premiação
acontecerá durante o jantar oficial de abertura da feira
Hospitalar no dia 25 de maio de 2011, em São Paulo, em
local a ser divulgado. Mais informações poderão
ser obtidas através do e-mail secretaria@sinog.com.br
ou pelo telefone (11) 3289-7299.
O
Prêmio
Sinog de Odontologia
Idealizado
com o objetivo de valorizar o trabalho da classe odontológica e promover o desenvolvimento de pesquisas,
seja no setor acadêmico ou profissional, o prêmio
Sinog, criado em 2000, é anual e conta com temas diferentes
a cada nova edição.