Leia
nesta edição:
- Adesão a planos de saúde
deve ser recorde
- Beneficiários
de planos crescem 2,3% no trimestre
- Planos
e seguros de saúde
- IESS anuncia novo superintendente
- Desvios
na Funasa chegam a R$ 500 milhões, diz CGU
- ESTRESSE:
Estudo mostra que 23% dos brasileiros têm
depressão pós-férias
- Doença e pobreza, desafios para o próximo
governo
- E dá-lhe
Rivotril
- Câmara
condena estrutura
- UFRJ cria
método para detecção
de tuberculose
- Primeiros sinais
- Comissão de Saúde da Câmara é alvo
de aliados
- Ministro
da Saúde quer regulamentar Emenda 29; texto
está parado desde 2008
- Gasto público com Saúde no Brasil é apenas
41,6% do gasto total
- Para deputados,
CSS deve ser debatida junto de reforma tributária
- Ministro
e deputados querem remédios gratuitos e rapidez
no atendimento
- Câmara já analisa propostas que facilitam socorro
a vítimas de desastres
- Comissão
aprovou novo fundo de combate a calamidades
- Luz do
quarto pode impactar sono, pressão, temperatura
e diabete
- Cientistas
criam técnica que protege fígado
em casos de câncer de cólon
- OMS analisa
estudo sobre redução do risco de
HIV de mães para bebês
Segunda-feira, 17.01.11
UNIDAS
Adesão a planos de saúde
deve ser recorde
Por Eliane Oliveira - O Globo
Expansão da classe média fez setor crescer 6,3%
até setembro do ano passado
A combinação entre o aumento da renda da classe
média brasileira e a criação de mais postos
de trabalho leva governo e setor privado a apostarem que 2010
apresentará a maior taxa de crescimento de beneficiários
de planos de saúde da última década. Dados
da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram
que, nos nove primeiros meses do ano passado, a adesão
subiu 6,3%. Isso significa um acréscimo de cerca de 2,6
milhões de usuários.
Técnicos da ANS informaram que ainda não têm
dados concretos sobre os fenômenos que levam à expansão
acelerada do mercado. Isso porque o cadastro dos beneficiários
da saúde suplementar não contém informações
de natureza socioeconômica dos usuários. Mas as
empresas do setor têm sua explicação e comemoram.
Segundo estimativas do governo, foram criados cerca de 2,5 milhões
de empregos no ano passado.
Mais de 80%
dos planos são coletivos. Portanto, evidentemente,
a procura está ligada à geração de
empregos. O país está economicamente bem e as pessoas
estão ganhando mais , diz o presidente da Associação
Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida.
Porém, ele diz que os preços desse tipo de serviço — controlados
e, portanto, sem grande influência na inflação — deveriam
ser mais baixos, para atender às camadas de menor poder
de compra. Classes mais baixas, ressaltou, não conseguem
contratar plano de saúde.
O crescimento
tem sido de 5%, mas ainda é baixo. O problema é que
somos proibidos de dar coberturas diferenciadas. A única
coisa que podemos dar de diferencial é apartamento no
lugar de enfermaria e uma rede credenciada maior ou menor, afirma
o presidente da Abramge.
Quanto maior
a demanda, maior o número de reclamações.
Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), as empresas
de plano de saúde lideram a lista de denúncias
dirigidas à entidade. Em 2009, pelo décimo ano
consecutivo, o setor mais reclamado no Idec foi o de planos de
saúde, com 22,38% das ocorrências.
Os temas
mais questionados sobre o setor foram: reajustes abusivos (inclusive
anuais,
por aumento de sinistros e por mudança
de faixa etária) e as negativas de cobertura (cirurgias,
próteses e órteses). Outra questão que rendeu
muitas reclamações em 2009 foi a saúde financeira
das operadoras.
Saúde
Business
Beneficiários
de planos crescem 2,3% no trimestre
Avanço
no ano foi de 6,3% e de 8,3% no acumulado de 12 meses
No terceiro
trimestre de 2010, o número de beneficiários
de planos de saúde cresceu 2,3%, totalizando 44.783.766
vínculos de planos médicos. O crescimento é de
6,3% no ano e de 8,3% no acumulado de 12 meses. O número
de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos
cresceu 3,7%, no trimestre, totalizando 13,8 milhões de
vínculos.
Os planos
coletivos empresariais tiveram a maior taxa de crescimento
no trimestre
(3,8%) dentre as modalidades de plano.Para os planos
coletivos por adesão a série histórica da
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra
uma retração de 0,4% neste período.
Este movimento
de queda é mostrado pela série
histórica durante todos os trimestres de 2010 e pode estar
relacionado a não conclusão até o momento
do processo de reclassificação de planos determinado
pela IN nº 22, da ANS, que dispõe sobre os procedimentos
de atualização do registro de produtos de planos
coletivos. Os dados para o referido trimestre também mostram
aumento do número de beneficiários dos planos individuais
(1,7%) e redução deste número para os planos
não identificados.
UNIDAS
Planos
e seguros de saúde
Por Ricardo Ramires Filho - Estado de Minas
A forte regulação aplicada pela Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para o mercado de
planos e seguros de saúde vem provocando, ao longo dos últimos
anos, uma intensa centralização do setor. Esta
tendência se materializou, principalmente, por meio de
aquisições de pequenas e médias operadoras.
O modelo de expansão dessas empresas, utilizando-se de
uma rede própria de assistência à saúde
de seus beneficiários, não é novo e existe
desde a década de 1960, quando algumas delas já investiam
em hospitais próprios. Esta forma de gerir o crescimento
se intensificou e as operadoras também investem em laboratórios
próprios para diversificar seu plano de ação,
com o objetivo de buscar uma estratégia e alçar
voo solo no mercado. Mais do que estimular uma aproximação
com os beneficiários, as operadoras de planos e seguros
de saúde tentam reduzir ao máximo a dependência
de serviços terceirizados, considerando que a completa
autonomia de serviços é praticamente impossível.
O investimento maciço em uma estrutura menos dependente
de terceiros resulta em diminuição de custos nas
operadoras mencionadas, que buscam sua sustentabilidade econômico-financeira,
inclusive em razão das normas cada vez mais rígidas
da ANS.
No entanto,
o êxito do processo de crescimento vertical
da empresa depende de diversos fatores financeiros e organizacionais.
Entre eles, um projeto que compreenda o estudo de viabilidade
de crescimento com base na região de atuação
da operadora, mapeando o mercado que ela pretenda assumir. A
expansão saudável de uma rede assistencial própria
também está condicionada à prestação
de serviços assistenciais de saúde aos beneficiários
das operadoras concorrentes. É obvio que, para tanto,
deve haver mercado comprador de tais serviços. Pondere-se,
ainda, que esse tipo de investimento exige, principalmente, modelos
de governança corporativa adequados. Em outras palavras,
uma reorganização interna para criar novos órgãos
de controle e de fiscalização, que serão
responsáveis pela realização, pelo acompanhamento
dos estudos e pela execução de todo o processo.
Este processo, na grande maioria das vezes, tem início
na criação de um ambulatório de atendimento,
que terá a função de trazer para a rede
própria o atendimento dos pequenos casos dos beneficiários
de sua carteira, auxiliando a empresa na redução
de demanda externa. A partir disso, ela pode começar a
controlar a compra de serviço externo e facilita o controle
dos custos internos, que se tornam mais administráveis,
além de contribuir para a redução do índice
de sinistralidade.
O projeto
de voo solo requer muita organização
e trabalho. Por isso, não deve ser seguido por empresas
médias e pequenas mal gerenciadas, que podem se afundar
na tentativa de implementação desse projeto. Se,
para a empresa, o processo reduz a sinistralidade e ajuda a manter
a estabilidade financeira, para o consumidor a principal vantagem é a
redução no preço da mensalidade. Com o tempo
e a saúde financeira em dia, a empresa pode vir a aplicar
preços mais competitivos, buscando um crescimento de sua
carteira. O crescimento reestruturado é, sim, uma alternativa
bastante sólida de desenvolvimento da operação.
Mas deve ser estudado caso a caso, lembrando que, no Brasil,
temos muitos exemplos de empresas que nasceram pequenas e se
tornaram verdadeiros impérios. Vale ressaltar que se trata
de um processo de longo prazo e não se devem esperar resultados
exponenciais muito rápidos. A consolidação
de uma operadora de planos e seguros de saúde não
se resume à estruturação e aos projetos
aqui alinhavados, haja vista que cada uma está sujeita às
realidades mercadológicas, financeiras e concorrenciais,
que podem atrapalhar ou forçar alterações
no projeto. Contudo, esta estratégia é uma importante
ferramenta a ser estudada pelas empresas, para auxiliá-las
a cumprir as exigências cada vez maiores da ANS.
Saúde
Business Web
IESS anuncia novo superintendente
Professor
da FEA-USP Luiz Augusto Carneiro assume o cargo, antes ocupado
por José Cechin
O Instituto
de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) anunciou
nesta sexta-feira (14) seu novo superintendente executivo. O
professor da FEA-USP Luiz Augusto Carneiro assume o cargo, antes
ocupado por José Cechin.
Carneiro é economista, com doutorado em ciências
atuariais, e possui larga experiência no setor de saúde.
O executivo integrou a equipe do Ministério da Saúde
na formação da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) em 2000. No ano passado, Carneiro apresentou
um estudo sobre "A Formação do Gestor de Risco
e Seguro no Mundo" em um congresso mundial do setor, em
Cingapura.
Até o final de 2010, o novo superintendente era diretor
da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis
Atuariais e Financeiras (Fipecaf), tendo feito parecer técnico
para o IESS. O instituto pretende contratar mais dois profissionais
para compor a equipe da superintendência.
Folha
de São
Paulo
Desvios
na Funasa chegam a R$ 500 milhões, diz CGU
Por Bernardo Mello Franco
Auditorias
concluídas nos últimos quatro anos
pela CGU (Controladoria Geral da União) revelam que a
Funasa foi vítima de desvios que podem ultrapassar a cifra
de meio bilhão de reais.
O órgão está sob comando do PMDB desde
2005 e é o principal alvo do partido na guerra por cargos
no segundo escalão do governo Dilma.
Levantamento
feito pela Folha mostra que a CGU pediu a devolução
de R$ 488,5 milhões aos cofres da Funasa entre 2007 e
2010. O prejuízo ainda deve subir após novos cálculos
do TCU (Tribunal de Contas da União), que atualiza os
valores ao julgar cada processo.
De acordo
com os relatórios, o dinheiro teria sumido
entre convênios irregulares, contratações
viciadas e repasses a Estados e prefeituras sem a prestação
de contas exigida por lei.
A pesquisa
somou as quantias cobradas em 948 tomadas de contas especiais
instauradas
nos últimos quatro anos. As investigações
começaram no Ministério da Saúde, ao qual
a Funasa é subordinada, e foram referendadas pela CGU.
O volume
de irregularidades que se repetem atrasa a tentativa de recuperar
o dinheiro,
e os processos não têm
prazo para ser julgados pelos ministros do TCU.
Além das auditorias, balanço feito pela controladoria
a pedido da reportagem aponta a existência de 62 processos
simultâneos contra a direção da Funasa.
Outros seis
apuram supostas irregularidades cometidas por dirigentes e
servidores,
e podem culminar em punições como
a demissão e a proibição de exercer novos
cargos públicos.
Em 2009,
o ex-presidente Paulo Lustosa, o primeiro indicado ao cargo
pelo PMDB, foi
banido da administração
federal por cinco anos.
A CGU o responsabilizou
pelo superfaturamento de contratos de R$ 14,3 milhões da TV Funasa. Em parecer, ele foi acusado
de exibir "verdadeiro desprezo e desapego" aos recursos
públicos.
No mesmo
ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação
Covil, contra pagamentos de propina em Tocantins, e a Operação
Fumaça, que desarticulou um esquema de desvio de repasses
da Funasa a prefeituras do Ceará. As investigações
constataram desvios de R$ 6,2 milhões.
Apesar dos
escândalos, os peemedebistas mantêm o
controle sobre a Funasa. Em 2008, o então ministro José Gomes
Temporão (Saúde) quase perdeu o cargo após
apontar "corrupção" e "baixa qualidade" no órgão.
Ele tentou
demitir o presidente Danilo Forte, mas reação
comandada pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique
Eduardo Alves (RN), manteve Forte, que em abril de 2010 passou
o cargo a Faustino Lins, outro afilhado de Alves, para se eleger
deputado pelo PMDB-CE.
OUTRO LADO
O presidente
da Funasa, Faustino Lins, informou que não
daria entrevista. Sua assessoria disse que o órgão
apura denúncias de supostas irregularidades e colabora
com a fiscalização da CGU.
A reportagem
deixou recado no escritório político
de Danilo Forte, mas ele não ligou de volta. Paulo Lustosa
não foi localizado.
Portal
Saúde
ESTRESSE:
Estudo mostra que 23% dos brasileiros têm depressão
pós-férias
Por Suely Frota
Chegou de
férias há duas semanas e ainda está desanimado,
com dor de cabeça, ansioso ou com dificuldade para cumprir
a rotina do trabalho? Você pode estar com a chamada 'síndrome
da depressão pós-férias'. Pelo menos 23%
dos brasileiros já tiveram a doença, segundo um
estudo da International Stress Management Association no Brasil.
Antes de completar quinze dias de retorno ao trabalho, o desânimo é comum.
O corpo e a mente precisam de tempo para se readaptarem à rotina.
Segundo a presidente da International Stress Management Association
no Brasil, Ana Maria Rossi, um dos fatores determinantes para
o problema é a insatisfação com o ambiente
de trabalho.
"Seja porque ela não tem recursos suficientes para
desenvolver o seu trabalho, por que elas não gostam da
equipe, por que elas não estão capacitadas o suficiente,
não se sentem recompensadas, gratificadas pelo seu esforço
na empresa. Algum fator determinante que faz com que essa pessoa
tenha uma insatisfação muito grande e se sinta
desmotivada para realizar o seu trabalho", presidente da
International Stress Management Association no Brasil- Ana Maria
Rossi
Ainda segundo
Ana Maria Rossi, quase 70% dos entrevistados afirmaram usar
medicamentos
e mais da metade consomem bebidas alcoólicas
para lidar com a insatisfação. A psicóloga
Vera Lúcia de Carvalho recomenda formas mais saudáveis
de se evitar a depressão pós-férias.
"Adequar o período de férias. Dividir as
férias em dois períodos por exemplo. Tira um período
no primeiro semestre e deixa o próximo período
para o próximo semestre. Dividir mais para não
ficar um ano de expectativa para aquele momento. Antes das férias,
deve se conscientizar de que as férias devem ser bem utilizadas
em prol de si, para que o retorno seja um retorno de mais prazer,
de mais motivação."
Ainda segundo
a psicóloga, alternativas como sair com
amigos ou dedicar-se a alguma atividade que dê prazer também
podem ajudar na volta ao trabalho.
Correio Braziliense
Doença e pobreza, desafios para o próximo
governo
Por Tania
Araújo-Jorge
Médica e pesquisadora, é diretora
do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Estamos prestes
a iniciar o ciclo Dilma Rousseff de expectativas e esperanças. Após oito anos do governo mais bem
avaliado da história, a nova presidente se compromete
a dar continuidade às políticas da gestão
Lula que fizeram o Brasil resgatar parte de sua dívida
social, tirando da miséria e da pobreza contingente de
pessoas do tamanho da população da França.
Completar esse trabalho e erradicar a miséria no Brasil é a
meta número um proposta pela primeira mulher a assumir
a presidência do país.
Mas isso
só será possível se o novo governo
alinhar esse objetivo socioeconômico a outro objetivo macropolítico
situado no campo da saúde, que não foi mencionado
na campanha eleitoral e não está explicitado nas
metas do Mais Saúde, o PAC da Saúde: controlar
as doenças promotoras da pobreza. Do que falamos?
Falamos da
visão atual sobre o passivo da saúde
pública do Brasil, herança do século 20
que teima em desafiar as políticas de saúde do
século 21 e se coloca como obstáculo ainda não
transposto que retarda o ingresso do país no mundo desenvolvido
contemporâneo. De nada adiantará atingirmos a meta
de ser a 5ª economia do mundo se tivermos que continuar
a falar dos 2 milhões de pessoas com esquistossomose no
Brasil, dos 93 milhões de pessoas com outras verminoses,
dos mais de 300 mil novos casos de malária por ano e dos índices
crescentes das leishmanioses (mais de 500 mil pessoas!), em franca
expansão em capitais como Fortaleza, Campo Grande e Teresina.
De nada adiantará nos alegrarmos com as vitórias
das campanhas de vacinação em massa no Brasil,
que controlaram a varíola e a poliomielite e estão
na iminência de controlar o sarampo e a rubéola,
se, ao lado dessas conquistas, permanecem os 4 milhões
de portadores de doença de Chagas ou os mais de 75 mil
portadores de hanseníase, essa doença bíblica
que, mesmo com a aplicação de tratamento nos casos
detectados, conta mais de 37 mil novos casos por ano no Brasil.
Como poderemos comemorar os avanços na cardiologia de
alta qualidade ou nas pesquisas em células-tronco se o
número de casos de tuberculose e de Aids mostram uma redução
lenta no país, ao mesmo tempo em que aumentam as ocorrências
nas regiões Norte e Nordeste? Isso sem falar da dengue
e apenas citando que a sífilis dobrou no Brasil nos últimos
cinco anos.
No total,
mais de 100 milhões de brasileiros ainda convivem
com essas doenças endêmicas, antes conhecidas como “negligenciadas” e
cada vez mais assumidas como “doenças promotoras
da pobreza”. Sim, essas são doenças da pobreza,
segregantes e segregadoras, com distribuição desigual
entre os brasileiros de diferentes classes sociais e entre as
regiões do país.
Doenças que antes eram conhecidas como duplamente “negligenciadas”:
negligenciadas pelos governos, que destinam parcos recursos para
a investigação de suas causas e de novos métodos
de tratamento e controle, e negligenciadas pela indústria
farmacêutica dos países ricos, a “big pharma”,
que não se interessa em desenvolver produtos para mercados
pobres que não poderiam pagar por eles. Doenças
cuja relação com a pobreza foi ficando cada vez
mais clara, explicitada pela Organização Mundial
da Saúde como “doenças infecciosas da pobreza”.
Mas coube
aos economistas seu esclarecimento definitivo: elas não são apenas consequência da pobreza, como
a desnutrição, elas são requisitos da pobreza,
como bem nos ensina o prof. Carlos Morel. São doenças
que promovem a pobreza, que retiram dos brasileiros seu poder,
sua força e seu tempo de trabalho, lhes confere incapacidades
físicas e de aprendizado, lhes furtam chances de desenvolvimento
humano, marcando gol contra no time das políticas públicas
contra a miséria.
Controlar
as doenças promotoras da pobreza é requisito
para o Brasil erradicar a miséria, em busca de maior equidade
e justiça social. É nosso papel de cientistas militantes
dessa causa alertar a próxima presidente sobre essa tarefa
definitiva para o país.
Folha
de São
Paulo
E
dá-lhe
Rivotril
Por Ricardo Melo
SÃO PAULO - A melhor coisa do mundo é um banco
bem administrado. A segunda melhor é um banco mal administrado.
As frases, de autoria desconhecida, refletem a imagem popular
sobre como é fácil se dar bem tirando proveito
da especulação financeira e do desespero alheio.
Nos dias atuais, os laboratórios farmacêuticos podem
muito bem engrossar a lista de sucesso.
Se a empresa
produzir calmantes, aí, então, é lucro
certo. Se o país for o Brasil, melhor ainda. A repórter
Cláudia Collucci nos informa, pela Folha, que entre 2006
e 2010 a venda do ansiolítico clonazepam por aqui cresceu
espantosos 36%.
A joia da
coroa é o Rivotril. As sensações
que ele produz: o freguês (é assim mesmo que deveria
ser chamado) fica relaxado, mais "feliz" e passa a
dormir melhor. Efeitos colaterais? Bem, nada é perfeito.
O psiquiatra
Ronaldo Laranjeira lembra que, com pouco tempo de uso, o consumidor
já se torna dependente. Em termos
empresariais, cria-se uma espécie de fidelização
química, um verdadeiro achado.
O fato de
um remédio desse tipo virar campeão
de audiência diz algumas coisas. Na mesma reportagem, Laranjeira
ressalta a fragilidade da vigilância sanitária nacional.
Desconfia também de conluio entre laboratórios,
profissionais do ramo e farmacêuticos. "Mas é só suspeita",
faz questão de ressaltar.
Nada contra
descobertas da medicina que ajudem as pessoas a viver menos
pressionadas,
mesmo que seja só para dormir,
acordar e "envelhecer mais um dia". Quem não
conhece alguém que já perdeu a esperança,
mas de tempos em tempos comparece religiosamente a um consultório
só para abastecer sua despensa farmacológica e
engordar o caixa do laboratório?
O médico insiste que está curando, o freguês-paciente
se convence (ou finge) que está sendo tratado e estamos
conversados, sempre para o alívio de parentes. Não
só para isso, mas em muitas áreas, remediar dá mais
retorno do que prevenir.
Correio Braziliense
Câmara
condena estrutura
Relatório preparado por deputados aponta a ineficiência
da política e da ação governamental para
enfrentar o problema da dependência
Por Antônio Temóteo
/ Alana Rizzo
Relatório da Comissão Externa da Câmara
dos Deputados — criada para analisar políticas sobre
drogas — revela a ineficiência da Política
Nacional de Saúde Mental, responsável também
pelo tratamento da dependência química, e a necessidade
da criação de novos Centros de Atenção
Psicossocial (CAPs), unidades de atendimento aos usuários
de drogas. O documento, obtido com exclusividade pelo Correio,
será enviado esta semana à Presidência da
República e aos ministérios da Justiça,
do Desenvolvimento Social e da Saúde para subsidiar ações
futuras do Executivo na criação de políticas
públicas relacionadas às drogas. Os parlamentares
analisaram ainda a situação do Brasil à frente
do debate e os efeitos das políticas sobre drogas em Portugal,
Holanda e Itália.
Segundo o
documento, os CAPs são a “espinha dorsal” da
política de saúde mental e têm a função
de prestar atendimento clínico, promover a inserção
social dos pacientes, evitando internações em hospitais
psiquiátricos. Existem no país 1.541CAPs, em 17
estados, enquanto mais de 80 mil leitos psiquiátricos
foram fechados nos últimos 20 anos, período em
que a população do país cresceu em 40 milhões
de pessoas. No Distrito Federal, não existe nenhum CAPs
de atendimento 24 horas, apesar dos estragos que o crack tem
causado entre os brasilienses.
Amplo de bate
Na avaliação do deputado Vieira da Cunha (PDT-RS),
coordenador da comissão que visitou os três países
e produziu o relátorio, onde não há tratamento,
existe o crime para financiar o vício. Vieira crê na
necessidade de “um amplo debate” entre a sociedade
civil e os governantes, pois o assunto é de “grande
complexidade”. Entretanto, após a visita, o deputado
se surpreendeu com as políticas públicas portuguesas
e crê que algumas delas podem ser aplicadas aqui. “O
que me parece indiscutível é que o problema das
drogas deve ser tratado como uma questão de saúde
pública. Vejo a descriminalização como uma
possibilidade que deve ser debatida. Temos uma legislação
avançada, mas a rede de saúde do Brasil não
está preparada para atender os necessitados. Em Portugal,
o dependente químico só é tratado quando
se dispõe a isso. Também existe um sistema que
mapeia as regiões, determina as situações
mais críticas e os focos de consumo”, comentou.
Na opinião de Vieira, parte das experiências positivas
detectadas poderiam ser aplicadas no país, mesmo que experimentalmente.
Segundo o parlamentar, outra medida necessária e descrita
no relatório é “subordinar a Secretaria Nacional
de Políticas sobre Drogas (Senad) diretamente à Presidência
da República e dar status de ministério. “Dessa
forma as políticas públicas sobre drogas teriam
mais força.” Uma das primeiras medidas tomadas pelo
novo governo foi retirar o comando militar da Senad. A secretaria
foi transferida do Gabinete de Segurança Institucional
(GSI) para o Ministério da Justiça, sob o comando
de Pedro Abramovay, ex-secretário Nacional de Justiça.
O Escritório das Nações Unidas contras
Drogas e Crime (UNODC) defende uma política integral paras
as drogas, envolvendo maior participação dos ministérios
da Saúde e da Educação. “O combate às
drogas é um grande desafio e que precisa ter propostas
alinhadas com os governos locais e as políticas internacionais”,
afirma Nizio Nascimento, oficial de programa, especialista em
prevenção ao crime e segurança pública.
O
Estado de São
Paulo
UFRJ
cria método para detecção
de tuberculose
Simples,
rápido e barato, programa de computador auxilia
profissional da saúde no diagnóstico precoce da
doença
Por Talita Figueiredo
Nona causa
de ingresso hospitalar e quarta em mortalidade por enfermidades
infecciosas,
a tuberculose vem aumentando no País.
Para melhorar o diagnóstico da doença, a Coppe/UFRJ
em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal
do Rio de Janeiro desenvolveu o sistema Neural TB para diagnóstico
precoce e acompanhamento da doença.
O projeto
piloto tem apoio do Programa Nacional de Controle de Tuberculose
do Ministério da Saúde e está sendo
implantado em dez unidades de saúde do Rio e em outros
cinco municípios. O programa roda em um netbook e consiste
em um questionário minucioso que, preenchido, dará ao
profissional de saúde a informação sobre
a probabilidade do paciente ter tuberculose - e orientações
para acompanhá-lo.
"Os métodos tradicionais de detecção
ou são caros ou lentos. A baciloscopia é rápida,
mas só acerta 60% dos casos. Já a cultura do escarro,
que tem acerto superior a 80%, leva 40 dias", diz um dos
responsáveis pelo sistema, José Manuel Seixas.
Segundo dados
da Organização Mundial de Saúde
(OMS), o Brasil é um dos 22 países do mundo que
concentram 80% dos casos de tuberculose.
Correio Braziliense
Primeiros sinais
Pesquisadores
investem em estudos que buscam identificar alterações
nas células, associadas aos cânceres de mama e próstata.
O diagnóstico poderá detectar as doenças
antes de os sintomas se manifestarem
Por Paloma Oliveto
Na guerra
contra o câncer, a arma mais poderosa do arsenal
médico pode ser a detecção precoce. Apesar
de avanços significativos nos exames que diagnosticam
os tumores malignos (veja infografia), os dois tipos mais incidentes
em mulheres e homens — mama e próstata, respectivamente — continuam
um desafio para a saúde pública no mundo todo.
A grande expectativa dos cientistas é encontrar, nas moléculas,
alterações que possam indicar o início de
um processo patológico no organismo. Dessa forma, é possível
descobrir a doença antes que ela comece a se manifestar.
Os chamados
biomarcadores — as modificações
que ocorrem nas células — são a nova aposta
da detecção precoce dos dois tipos de tumores.
Como para cada forma de câncer há uma alteração
específica, a análise permite identificar de que
doença o paciente sofre. “Tanto as células
cancerosas quanto os tecidos saudáveis que as cercam podem
produzir proteínas específicas ou exibir outras
mudanças biológicas que sinalizam que algo de errado
está acontecendo. Diferentes tipos de câncer produzem
diferentes biomarcadores, então, o nosso desafio é identificar
o mais efetivo para cada tipo de doença”, diz ao
Correio a bioquímica da Universidade da Flórida
Qing-Xiang Sang, principal autora de um estudo sobre o tema publicado
neste mês no jornal especializado Clinical and Experimental
Metastasis.
De acordo
com ela, a agência de vigilância sanitária
dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), reconhece
três biomarcadores associados ao câncer de mama e
um, ao de próstata. “Mas se pudermos identificar
um número maior e mais preciso de marcadores que oferecem
uma dica ainda mais cedo sobre essas doenças, teremos
uma chance melhor de oferecer aos pacientes tratamentos o mais
personalizados possível”, defende. “Com diagnóstico
e tratamento precoces, o resultado será uma quantidade
menor de pessoas morrendo desses tipos de câncer”,
afirma.
Em outra
pesquisa, uma equipe da Universidade do Arizona busca identificar
biomarcadores
do câncer de mama usando uma
nova metodologia que consegue mapear rapidamente as moléculas
e associá-las a diferentes doenças. De acordo com
o principal cientista envolvido, o bioquímico Joshua LaBaer,
foi possível encontrar 28 marcadores que podem ajudar,
no futuro, o diagnóstico precoce desse tipo de tumor.
Ele conta que a expectativa é combinar um novo tipo de
exame de sangue que, associado à mamografia, ofereça
o diagnóstico mais cedo que o habitual.
Sistema
imunológico
Para encontrar
os biomarcadores, a equipe de LaBaer estudou a relação entre o câncer e o sistema imunológico,
o primeiro mecanismo acionado pelo organismo quando há invasores
entre as células. Estudos anteriores já haviam
mostrado que as proteínas produzidas pelas células
cancerosas podem estimular o corpo a produzir anticorpos específicos,
não encontrados em pessoas saudáveis. Esses “autoanticorpos” podem
ser medidos no exame de sangue e usados para rastrear a presença
de tumores malignos que ainda não se manifestaram.
LaBaer é especialista em um campo da ciência que
busca desvendar a função de um tipo de proteína,
os proteomas, que desempenham um importante papel na descoberta
dos biomarcadores. Ele revela que um dos maiores desafios da
equipe foi determinar quais anticorpos, entre milhões,
são específicos para o câncer de mama. Por
isso, os cientistas usaram uma nova tecnologia, inventada no
Instituo de Proteomas de Harvard, sob a supervisão do
próprio LaBaer. Pelo método, amostras de diferentes
proteínas possivelmente ligadas ao câncer de mama
são misturadas a uma gota de sangue para verificar quais
são reconhecidas pelos anticorpos das portadoras de câncer
de mama.
Para chegar à lista das candidatas em potencial, foram
realizados milhares de testes sucessivos. Em um primeiro momento,
o número de possíveis biomarcadores caiu de 5 mil
para 761 e, mais tarde, para 119. Finalmente, um teste cego — no
qual os pesquisadores não sabem quais amostras são
das pacientes doentes e quais são das saudáveis — identificou
os 28 marcadores apresentados no estudo de LaBaer. “Ficamos
surpresos ao verificar quão difícil é encontrar
esses biomarcadores. As mudanças nas moléculas
são sutis e raras”, conta o cientista ao Correio.
O trabalho árduo não vai parar por agora. Segundo
LaBaer, sua equipe quer identificar anticorpos biomarcadores
para detectar outros tipos de câncer, como o de próstata,
ovário e pulmão, e doenças do tipo autoimune,
como diabetes e artrite.
Hiperplasia
De acordo
com o pesquisador inglês John Anson, do laboratório
Oxford Gene Technology, no caso do câncer de próstata,
os biomarcadores também são importantes para diferenciar
a doença da hiperplasia benigna, patologia caracterizada
pelo aumento do tamanho do órgão. O cientista conta
que, hoje, já é possível fazer essa distinção
com 90% de segurança graças aos biomarcadores,
diminuindo a necessidade da biópsia, um exame invasivo
e desconfortável.
Autor de
uma pesquisa que identificou uma lista de biomarcadores do
câncer de próstata, Anson afirma que o estudo
mostrou potencial para um novo teste de diagnóstico da
doença. “A especificação clínica — a
medida de falsos positivos — foi bem mais acurada na pesquisa-piloto,
comparando-se a outros procedimentos usados no diagnóstico
do câncer de próstata, como o exame de toque”,
afirma ao Correio.
Na pesquisa,
os cientistas desenvolveram uma proteína
funcional para detectar os “autoanticorpos” em amostras
de tecidos doentes. “Esses anticorpos podem preceder os
sintomas da doença em muitos anos. Isso significa que
testes baseados na presença dos anticorpos podem permitir
um diagnóstico pré-sintomático. E o diagnóstico
precoce do câncer, especialmente em suas formas mais agressivas,
pode aumentar significativamente as taxas de cura”, lembra.
Prevalência
alta
De acordo
com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o
tumor maligno de mama é o que mais prevalece entre as
mulheres, com 49.240 novos casos no Brasil, no ano passado. Já o
câncer de próstata é o mais incidente entre
os homens, estimando-se 52.350 novas ocorrências em 2010.
Sábado,
15.01.11
Folha
de São
Paulo
Comissão de Saúde da Câmara é alvo
de aliados
Em meio à disputa por cargos no segundo escalão,
o PMDB articula para presidir a Comissão de Saúde
da Câmara dos Deputados. A intenção é dar
o cargo ao ex-ministro Saraiva Felipe (PMDB-MG).
A atitude é entendida pelo PT como uma forma de retaliação à indicação
de Alexandre Padilha para o Ministério da Saúde,
já que todas as comissões têm prerrogativa
de fazer convocações e fiscalização
nas respectivas pastas.
Na Saúde, ministério comandado no último
governo pelo PMDB, estão os principais focos de desentendimentos
entre os dois partidos, como a Funasa.
O líder
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) chegou a protagonizar uma
bate-boca
com Padilha.
Pela proporcionalidade,
o PMDB terá direito a presidir
três comissões. Além da Saúde, o partido
quer Finanças e Tributação e Minas e Energia.
O PT também terá direito a três, mas poderá escolher
primeiro: pedirá a Comissão de Constituição
e Justiça, que deve ficar com João Paulo Cunha
(SP). (MARIA CLARA CABRAL)
Sexta-feira, 14.01.11
Agência CâmaraMinistro da Saúde quer regulamentar
Emenda 29; texto está parado desde 2008
Por Rodrigo Bittar / Patricia Roedel
Emenda poderá melhorar atendimento na rede pública.
Entre as prioridades para a área da Saúde destacadas
pelo novo ministro da pasta, Alexandre Padilha, algumas são
objeto de propostas que já tramitam no Congresso Nacional;
outras foram herdadas de gestões anteriores; e quase todas
dependem de novos recursos alocados para o setor. No seu programa
de governo, a presidente Dilma Rousseff prometeu aumentar os
recursos destinados para a Saúde a fim de, entre outras
metas, ampliar as equipes de Saúde da Família e
criar novas Unidades de Pronto Atendimento 24 horas.
Em seu discurso
de posse, Padilha anunciou um “choque
de gestão” e a disposição de negociar
com governadores e prefeitos a aprovação da regulamentação
da Emenda Constitucional 29, que fixa os percentuais mínimos
a serem gastos na Saúde por estados, municípios
e União. O texto está parado no Plenário
da Câmara desde 2008.
Proposta
na Câmara
O texto mais
atual na Câmara sobre a regulamentação
da Emenda 29 (PLP 306/08, do Senado) é o substitutivo
do deputado Pepe Vargas (PT-RS), segundo o qual a União
deve aplicar na Saúde o mesmo valor empenhado no ano anterior,
corrigido pela variação nominal do Produto Interno
Bruto (PIBIndicador que mede a produção total de
bens e serviços finais de um país, levando em conta
três grupos principais: - agropecuária, formado
por agricultura extrativa vegetal e pecuária; - indústria,
que engloba áreas extrativa mineral, de transformação,
serviços industriais de utilidade pública e construção
civil; e - serviços, que incluem comércio, transporte,
comunicação, serviços da administração
pública e outros. A partir de uma comparação
entre a produção de um ano e do anterior, encontra-se
a variação anual do PIB.) entre os dois anos anteriores;
os estados deverão aplicar 12% de seus impostos, e os
municípios, 15%. Esses valores estão definidos
provisoriamente na Constituição, mas não
vêm sendo cumpridos pela falta de regulamentação.
Um dos problemas
gerados pela falta de regulamentação é que
a destinação atual dos recursos para a Saúde é pouco
específica, podendo os gestores, por exemplo, direcionar
verba para a assistência social alegando se tratar de uma
medida de saúde. A regulamentação deixará claro
quais ações serão consideradas de saúde – todas
elas, inclusive, vinculadas ao Sistema Único de Saúde.
O texto diz, por exemplo, que limpeza urbana, pagamento de aposentadoria
de servidores da Saúde, merenda escolar e obras de saneamento
não poderão setr custeadas por essa verba.
A votação não foi concluída pelo
impasse entre governo e oposição sobre a criação
da Contribuição Social da Saúde (CSS), um
novo tributo previsto no substitutivo que seria cobrado nos moldes
da extinta CPMF, mas com uma alíquota menor, de 0,10%
sobre a movimentação financeira. A CPMF era cobrada
em 0,38%. A estimativa é que a CSS gerasse uma de receita
aproximada de R$ 15 bilhões ao ano.
Oposição
Os partidos
de oposição (DEM, PSDB e PPS) não
concordam com o novo tributo e apresentaram um destaque para
retirar a base de cálculo do texto e inviabilizar a cobrança. “A
proposta vem ao encontro do que a Frente Parlamentar da Saúde
defende, que é o fortalecimento dos municípios
a partir do pacto federativo”, destacou o deputado Raimundo
Gomes de Matos (PSDB-CE), integrante da frente. “O problema é que
todos os ministros defenderam isso durante os oito anos de Governo
Lula, mas o assunto não avançou porque há descompasso
entre os ministérios da Fazenda, da Saúde e do
Planejamento”, destacou.
Na mesma
linha argumenta o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), um dos
ex-ministros da
Saúde do Governo Lula. “Todas
as declarações dele [de Padilha] são reincidentes
em relação às de ex-ministros da pasta.
Eu, quando tomei posse, fiz um discurso que não estava
muito diferente, assim como o Agenor e o Temporão”,
disse, referindo-se aos também ex-ministros da pasta José Gomes
Temporão e Agenor Álvares. “O SUS só vai
obter resultados substantivos quando conseguir avançar
em dois sentidos: na homogeneização da gestão – que é ótima
em alguns lugares e péssima em outros – e resolver
o problema do financiamento, porque não tem como sobreviver
com R$ 1 por habitante/dia, as tabelas estão totalmente
defasadas”, acrescentou.
Assim, os
parlamentares desta legislatura que se encerra não
foram convencidos sobre a necessidade de criar um tributo para
financiar o sistema. Alguns, como o líder do DEM, deputado
Paulo Bornhausen (SC), acreditam que a regulamentação
da Emenda 29 já colocará, por si só, R$
30 bilhões por ano na Saúde, mesmo sem a criação
da CSS, já que os gastos serão obrigatoriamente
direcionados para ações específicas do SUS.
O coordenador
da área de Saúde do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sérgio Piola,
discorda. Para ele, a destinação correta dos recursos
não é suficiente para garantir uma prestação
de serviços semelhante à dos países desenvolvidos. “É preciso
mais recurso, seja ele proveniente de um tributo específico
ou não”, avalia.
Agência Câmara
Gasto
público com Saúde no Brasil é apenas
41,6% do gasto total
O Brasil,
segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), tem um dispêndio total em
saúde (público e privado) equivalente a 8,4% do
PIB, percentual baixo quando comparado aos Estados Unidos (15,47%),
mas bastante próximo e até melhor que outros países
da Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), como o Reino Unido (8,4%),
Espanha (8,5%), Canadá (10,1%) e Austrália (8,9%),
que também possuem sistemas universais.
O problema
do Brasil, na opinião do coordenador da área
de Saúde do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), Sérgio Piola, é que o gasto público
em Saúde é apenas 41,6% do gasto total — muito
pouco para o País ter, efetivamente, um sistema de cobertura
universal e atendimento integral. Entre os países da OCDE,
a participação das fontes públicas no financiamento
do sistema representa em média 70% da despesa total, variando
de 67,5% na Austrália a 84,1% na Noruega. “O Brasil é o único
país com sistema universal de saúde onde o gasto
privado é maior que o público”.
Em relação às alternativas propostas no
debate atual — a criação de um novo imposto
e a regulamentação da emenda 29 —, o coordenador
considera que ambas não resolveriam o “problema
do subfinanciamento da saúde”, mas seriam passos
importantes. “Se o Brasil fosse ter uma participação
pública na saúde como há em outros países,
o gasto público deveria ficar entre 6% e 6,5% do PIBIndicador
que mede a produção total de bens e serviços
finais de um país, levando em conta três grupos
principais: - agropecuária, formado por agricultura extrativa
vegetal e pecuária; - indústria, que engloba áreas
extrativa mineral, de transformação, serviços
industriais de utilidade pública e construção
civil; e - serviços, que incluem comércio, transporte,
comunicação, serviços da administração
pública e outros. A partir de uma comparação
entre a produção de um ano e do anterior, encontra-se
a variação anual do PIB.. Obviamente, o País
tem muitas necessidades e não se consegue, de um momento
para outro, inverter esse tipo de problema”.
Sérgio Piola minimiza a crítica contra a má gestão
dos recursos do SUS como maior responsável pela baixa
qualidade dos serviços. Para ele, a melhoria do gasto
público deve ser um “esforço permanente” de
todos os gestores, mas até para resolver alguns problemas
de gestão é necessário mais recursos. “Só se
resolve a diferença de oferta de serviços entre
as regiões brasileiras, por exemplo, com mais investimentos.
A população que depende do SUS no Sul e no Sudeste
recebe muito mais serviços que os moradores do Norte e
do Nordeste”, considerou.
Agência Câmara
Para
deputados, CSS deve ser debatida junto de reforma tributária
A discussão em torno da criação de novas
fontes de financiamento para a Saúde deverá ser
incluída nos primeiros debates do Congresso Nacional em
2011, após a posse dos novos congressistas, e o caminho
mais provável para discutir o assunto é o substitutivo
ao Projeto de Lei Complementar 306/08, que regulamenta a Emenda
Constitucional 29Fixa os percentuais mínimos a serem investidos
anualmente em saúde pela União, por estados e municípios.
A emenda obrigou a União a investir em saúde, em
2000, 5% a mais do que havia investido no ano anterior e determinou
que nos anos seguintes esse valor fosse corrigido pela variação
nominal do PIB. Os estados ficaram obrigados a aplicar 12% da
arrecadação de impostos, e os municípios,
15%. Trata-se de uma regra transitória, que deveria ter
vigorado até 2004, mas que continua em vigor por falta
de uma lei complementar que regulamente a emenda. e está pronto
para ser votado pela Câmara.
O líder do Governo na Casa, deputado Cândido Vaccarezza
(PT-SP), não descarta a criação de uma nova
contribuição, mas prefere cautela sobre "o
caminho a seguir" – se no âmbito de uma reforma
tributária ou na regulamentação da Emenda
29. Ele defendeu que o assunto seja discutido com os governadores
eleitos.
Essa é a mesma posição do deputado Flávio
Dino (PCdoB-MA), candidato derrotado a governador do Maranhão. “Temos
que cuidar disso no âmbito da Emenda 29 ou da reforma tributária,
para não ficar um debate isolado sobre a recriação
da CPMF”, declarou.
Já o deputado Rômulo Gouveia (PSDB-PB), eleito
vice-governador da Paraíba, se diz contrário à CSS
e pede a regulamentação da emenda paralelamente
a uma reforma tributária, que fortaleça os municípios
na repartição dos recursos.
Arrecadação
subiu
Em termos
fiscais, o governo não precisaria recriar a
CPMF para fortalecer as finanças públicas. O tributo
foi extinto em 2007, mas nos anos seguintes a arrecadação
federal continuou crescendo em ritmo forte. Em 2008, o primeiro
ano sem CPMF, o governo federal arrecadou R$ 675,3 bilhões
(em valores de dezembro daquele ano). No último trimestre
do ano, o Brasil foi fortemente atingido pela crise financeira
mundial, a economia praticamente parou e, ainda assim, o governo
arrecadou, em termos reais (já considerado o efeito da
inflação), R$ 43 bilhões a mais do que conseguira
em 2007.
Entre outros
motivos, o fortalecimento da arrecadação
ocorreu porque o governo decidiu mudar a alíquota de outros
impostos, como o IOF, para compensar a perda da CPMF, e a carga
tributária da União aumentou de 23,9% do Produto
Interno Bruto (PIBIndicador que mede a produção
total de bens e serviços finais de um país, levando
em conta três grupos principais: - agropecuária,
formado por agricultura extrativa vegetal e pecuária;
- indústria, que engloba áreas extrativa mineral,
de transformação, serviços industriais de
utilidade pública e construção civil; e
- serviços, que incluem comércio, transporte, comunicação,
serviços da administração pública
e outros. A partir de uma comparação entre a produção
de um ano e do anterior, encontra-se a variação
anual do PIB.) em 2007 para 34,5% do PIB em 2009.
Orçamento
2011
A proposta
de orçamento para 2011 reserva ao Ministério
da Saúde recursos da ordem de R$ 74,2 bilhões,
sendo que, desse total, R$ 68,564 bilhões destinam-se
a financiar ações e serviços públicos
de saúde. No que se refere a ações e serviços
públicos de saúde, há um acréscimo
nominal de 12,6% em relação ao autorizado para
2010 (R$ 60,881 bilhões); e aumentos de 40,9% e 20,7%
em relação a 2008 e 2009, respectivamente.
Agência Câmara
Ministro
e deputados querem remédios gratuitos e rapidez
no atendimento
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a disposição
de o governo oferecer distribuição gratuita de
medicamentos para diabéticos e hipertensos — uma
proposta destacada pela presidente Dilma Rousseff em seu programa
de governo e reiterada na posse do novo ministro. Na Câmara,
tramitam aproximadamente 30 projetos da mesma natureza, que buscam
reduzir o preço de remédios por meio de isenção
fiscal ou permitem que os contribuintes deduzam o gasto com medicamentos
do cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física.
É o caso, por exemplo, do Projeto de Lei 6900/10, do
deputado Albano Franco (PSDB-SE), que prevê a isenção
de todos os tributos federais cobrados de medicamentos para controle
de diabetes e de hipertensão. O Projeto de Lei 5882/09,
do deputado Damião Feliciano (PDT-PB), cria o Bolsa-Medicamento,
para que idosos carentes portadores de doenças crônicas
recebam os remédios de graça.
Responsabilidade
Sanitária
Outra proposta
da candidata para a saúde é a criação
de uma Lei de Responsabilidade Sanitária, que possa responsabilizar
os gestores por eventuais falhas. Esse é o tema do Projeto
de Lei 21/07, do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que cria a Lei
Geral de Responsabilidade Sanitária de Agentes Públicos
e prevê que os gestores sejam punidos se descumprirem as
regras para melhorar a eficiência dos serviços de
saúde.
Rapidez no atendimento
Padilha também declarou ter a “obsessão” de
garantir “o acolhimento de qualidade em tempo adequado às
necessidades de saúde” dos usuários do Sistema Único
de Saúde (SUS). “Cada secretário, cada diretor
de programa, cada coordenador, cada servidor, cada consultor
deste Ministério tem que acordar de manhã e dormir à noite
se perguntando o que fez para garantir acolhimento de qualidade,
em tempo real, adequado para a necessidade de saúde das
pessoas”, declarou o ministro em seu discurso de posse.
Com esse
objetivo, foi apresentado na Câmara o Projeto
de Lei 7989/10, do deputado Vicentinho Alves (PR-TO), que assegura
prioridade no atendimento de saúde aos pacientes com 60
anos ou mais, ressalvados os casos de emergência comprovada.
Pela proposta, o atendimento destinado à marcação
de exames e consultas para essa população não
poderá ser maior que uma hora a contar da entrega de senha,
e a realização de exames e consultas médicas
não poderá, em qualquer hipótese, ultrapassar
o prazo de sete dias a contar de seu pedido.
Agência Câmara
Câmara já analisa propostas que facilitam socorro
a vítimas de desastres
Por Murilo Souza / Marcelo Oliveira
As fortes
chuvas que desabaram sobre o Sudeste nas duas primeiras semanas
deste
ano e já vitimaram mais de 500 pessoas somente
na região serrana do Rio de Janeiro trouxeram à tona
a discussão sobre o que pode ser feito para minimizar
os efeitos de fenômenos dessa magnitude sobre a população.
Atualmente, a Câmara analisa diversas propostas que tratam
da prevenção a desastres naturais e do socorro
a vítimas.
Entre esses
textos, está a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 355/09, que permite que – além da União – estados
e municípios possuam estruturas próprias de Defesa
Civil, tanto para atuar na prevenção como para
enfrentar as catástrofes. A PEC cria ainda uma carreira
de estado para a Defesa Civil.
Além da PEC, outras propostas em tramitação
também pretendem conceder mais benefícios às
populações envolvidas em situações
de calamidade. O Projeto de Lei 7343/10 , do Senado, por exemplo,
determina a inclusão de deslizamentos de encosta e quedas
de barreiras entre os desastres naturais que permitem ao trabalhador
vitimado sacar a cota do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS).
Hoje, de
acordo com o Decreto 5.113/04, que relaciona os desastres naturais
que
dão direito ao saque do FGTS, apenas vendavais,
tempestades (inclusive de granizo), furacões, trombas
d'água, enchentes e inundações garantem
a concessão do benefício. O projeto aguarda análise
das comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Isenção
de IR
Já o Projeto de Lei 1869/07, recentemente aprovado pela
Comissão da Amazônia, Integração Nacional
e de Desenvolvimento Regional, pretende autorizar o desconto
no Imposto de Renda (IR) das doações feitas ao
Fundo Especial para Calamidades Públicas (Funcap). De
acordo com o relator no colegiado, deputado Gladson Cameli (PP-AC),
o projeto, ao estimular doações ao Funcap, não
só garante novas receitas para o fundo como também
reduz a necessidade do uso de créditos extraordinários
para enfrentar situações de emergência.
Mudanças
no Funcap
Em novembro
de 2010, logo após as fortes chuvas que atingiram
cerca de 100 municípios nos estados de Alagoas e Pernambuco,
o Congresso aprovou a Medida Provisória 494/10, que, convertida
na Lei 12.340/10, mudou a forma de funcionamento do Funcap e
facilitou as transferências de recursos em casos de catástrofes.
Com a nova
lei, por exemplo, estados, municípios e o
Distrito Federal passaram a dispor de uma mecanismo que os permite
depositar voluntariamente cotas na conta do Funcap. Nesse caso,
os recursos serão mantidos em banco federal e a União
fica obrigada a participar com valor igual a três vezes
cada cota depositada.
Em relação à liberação de
recursos, a lei condiciona as transferências à apresentação
de apenas dois documentos: um plano de trabalho de ações
de reconstrução das áreas atingidas e a “notificação
preliminar de desastre”. O texto determina ainda que a
verificação das características do estado
de calamidade pública ou da situação de
emergência seja feita de forma sumária pelo Ministério
da Integração Nacional, com posterior liberação
dos recursos.
Prevenção
Quanto à prevenção a desastres, a Lei 12.340/10
obriga os estados e o Distrito Federal a encaminharem ao governo
federal um mapeamento – atualizado anualmente – das áreas
de risco. O texto determina ainda que os dados sejam enviados à Secretaria
Nacional de Defesa Civil em 180 dias, a partir da adesão
ao Sistema Nacional de Defesa Civil (Sindec).
Agência Câmara
Comissão
aprovou novo fundo de combate a calamidades
Por Murilo Souza / Marcelo Oliveira
A Comissão da Amazônia, Integração
Nacional e de Desenvolvimento Regional aprovou em maio de 2010
o substitutivo do deputado Zequinha Marinho (PSC-PA) ao Projeto
de Lei 4971/09, da Frente ParlamentarÉ uma associação
suprapartidária destinada a aprimorar a legislação
referente a um tema específico. As frentes podem utilizar
o espaço físico da Câmara, desde que suas
atividades não interfiram no andamento dos outros trabalhos
da Casa, não impliquem contratação de pessoal
nem fornecimento de passagens aéreas. As frentes parlamentares
estão regulamentadas pelo ato 69/05, da Mesa Diretora.
Em tese, deveriam conter 1/3 dos integrantes d Legislativo, mas
na prática esse piso não é exigido. Mista
da Defesa Civil, que cria o Fundo Nacional de Defesa Civil (Fundec),
em substituição ao atual Fundo Especial para Calamidades
Públicas (Funcap).
De acordo
com o deputado, o objetivo da proposta é modernizar
a estrutura do sistema para agilizar o socorro às vítimas
e a recuperação das áreas atingidas. "Os
mais recentes e violentos episódios de desastres e calamidades
públicas, provocados especialmente pela ocorrência
de chuvas excessivas, mostraram que o Funcap não é mais
suficiente para a grandeza do trabalho a ser executado",
defende o relator.
Hoje, o Funcap
conta apenas com recursos de natureza orçamentária,
o que, segundo Marinho, o deixa sujeito às oscilações
das finanças públicas nacionais e ao arbítrio
do Congresso Nacional e do Poder Executivo.
O substitutivo
reúne dispositivos de outros cinco projetos
que tratam do assunto: o PL 3890/08, da deputada Rebecca Garcia
(PP-AM); o PL 4504/08, do deputado Celso Maldaner (PMDB-SC);
o PL 5194/09, do deputado José Guimarães (PT-CE);
o PL 6982/10, do deputado Ciro Pedrosa (PV-MG); e o PL 6494/09,
do deputado Ademir Camilo (PDT-MG).
Receitas
O texto aprovado estabelece como fontes de receita para o novo
fundo:
- recursos
consignados no Orçamento Anual da União
e em crédito adicionais;
- repasses
das loterias administradas pela Caixa Econômica
Federal (CEF);
- transferências das entidades da administração
indireta que executam atividades relacionadas à defesa
civil;
- contrapartidas
de estados, Distrito Federal e municípios
para programas de prevenção e reconstrução
de áreas atingidas;
- doações
de entidades nacionais e estrangeiras;
- recursos
obtidos por meio de operações de crédito;
- juros por
depósito bancário;
- doações de pessoas físicas, dedutíveis
no Imposto de Renda; e
- o percentual
de 0,25% do valor dos repasses efetuados pelo Ministério das Cidades em favor das prefeituras, além
de outras rendas de natureza compatível.
Ainda conforme
o substitutivo, as diretrizes para o uso desses recursos serão estabelecidas em um futuro Plano Nacional
de Defesa Civil. A proposta está sujeita à apreciação
conclusiva. Rito de tramitação pelo qual o projeto
não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas
comissões designadas para analisá-lo. O projeto
perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de
aprovado ou rejeitado pelas comissões, houver recurso
contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos
dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário.
e aguarda análise das comissões de Finanças
e Tributação; e de Constituição e
Justiça e de Cidadania.
O
Estado de São
Paulo
Luz
do quarto pode impactar sono, pressão, temperatura
e diabete
Pesquisadores
avaliaram 116 jovens saudáveis; iluminação
tem impacto sobre hormônio
Um novo estudo
publicado na revista científica Journal
of Clinical Endocrinology & Metabolism, da Sociedade Americana
de Endocrinologia, mostra que a iluminação do quarto
durante a noite exerce um efeito profundo sobre o hormônio
melatonina, cuja supressão pode influenciar a qualidade
do sono, a pressão arterial, a regulação
da temperatura e o risco de diabete.
A melatonina é produzida à noite pela glândula
pineal, no cérebro. Além de seu papel na regulação
do ciclo vigília-sono, ela tem se mostrado capaz de reduzir
a pressão arterial e a temperatura corporal, e ainda explorada
como uma opção de tratamento contra hipertensão,
insônia e câncer.
Na sociedade
moderna, as pessoas estão rotineiramente
expostas à iluminação elétrica durante
a noite para participar de trabalhos, atividades recreativas
e sociais. O estudo buscou compreender se a exposição à luz
durante a noite pode inibir a produção de melatonina.
"Diariamente, milhões de pessoas optam por manter
as luzes acesas antes de deitar e também durante as horas
normais de sono", diz o autor, o PhD Joshua Gooley, do Brigham
and Women's Hospital e da Escola de Medicina de Harvard, em Boston,
Massachusetts.
"Nossa pesquisa mostra que a exposição à luz
tem um forte efeito supressor sobre a melatonina. Isso poderia,
por sua vez, exercer um impacto na qualidade do sono e na capacidade
do corpo de regular a temperatura corporal, a pressão
arterial e os níveis de glicose", explica.
No levantamento,
os pesquisadores avaliaram 116 voluntários
saudáveis com idade entre 18 e 30 anos, que foram expostos à luz
ambiente ou fraca nas oito horas anteriores ao horário
de dormir, durante cinco dias consecutivos.
Para a medição de melatonina, um cateter intravenoso
foi inserido no antebraço dos participantes para a coleta
contínua de plasma sanguíneo a cada 30 a 60 minutos.
Os resultados mostraram que a exposição à luz
ambiente antes de deitar diminuiu a duração da
melatonina em cerca de 90 minutos, quando comparada com a exposição à luz
fraca. Além disso, a exposição à luz
ambiente durante as horas normais de sono reprimiu o hormônio
em mais de 50%.
"Dado que o corte de melatonina pela luz constante tem
sido associado ao aumento do risco relativo de alguns tipos de
câncer - e que os genes de receptores da melatonina têm
sido ligados à diabete tipo 2 -, nossos resultados poderiam
ter implicações importantes para a saúde
de trabalhadores noturnos expostos à luz por muitos anos",
afirma Gooley.
"Mais pesquisas são necessárias para fundamentar
a hipótese de que a supressão desse hormônio é um
importante fator de risco para o câncer de mama e determinar
os mecanismos pelos quais ele regula o metabolismo da glicose",
finaliza.
O
Estado de São
Paulo
Cientistas
criam técnica que protege fígado em
casos de câncer de cólon
Tratamento
genético, combinado com quimioterapia, ajuda
a preservar o órgão de metástases
PAMPLONA,
ESPANHA - Uma equipe de cientistas espanhóis
desenvolveu uma técnica de tratamento genético
que, com a combinação de imunoterapia e quimioterapia,
ajuda a proteger o fígado de pacientes com câncer
de cólon, já que é comum que a doença
se expanda para esse órgão.
Por enquanto,
os resultados foram obtidos apenas em testes com animais, informaram
na última quinta-feira os responsáveis
pela pesquisa, Jesús Prieto e Rubén Hernández,
da Universidade de Navarra, no norte da Espanha.
O câncer de cólon apresenta uma tendência
de se expandir para o fígado, de modo que mais da metade
dos pacientes tem metástases hepáticas, o que limita
suas opções de cura, afirmam os pesquisadores.
Nos estágios iniciais, as metástases podem ser
eliminadas por cirurgia, mas na maioria dos casos isso não é possível,
ou as metástases reaparecem depois de um tempo - por isso,
a quimioterapia muitas vezes é a única alternativa,
embora sua eficácia a longo prazo seja limitada.
Segundo os
responsáveis pelo estudo, "esse tratamento
combinado elimina metástases pré-existentes e protege
o fígado contra possíveis recidivas". De acordo
com Prieto e Hernández, "os resultados obtidos em
animais confirmam que é uma modalidade terapêutica
sumamente promissora que poderia ser eficaz em pacientes com
tumores de cólon com metástase de fígado".
Na fase atual,
o trabalho se concentra em aperfeiçoar
os mecanismos para produzir meios de tratamento genético
com um rendimento compatível a sua aplicação
clínica. Além disso, propõe-se a validar
os resultados em outros modelos experimentais, para prever seu
possível efeito em humanos.
O
Estado de São
Paulo
OMS
analisa estudo sobre redução do risco de HIV
de mães para bebês
Tratamento à base de três medicamentos antirretrovirais
pode diminuir contágio em até 54%
BRASÍLIA - A Organização Mundial da Saúde
(OMS) analisa um estudo que mostra que o risco de transmissão
do vírus HIV de mães contaminadas para bebês
durante a amamentação pode ser reduzido em até 54%
se elas tiverem acesso a um tratamento à base de três
medicamentos antirretrovirais. Pelos dados, as mulheres devem
receber os remédios na gravidez, no parto e em todo o
período de amamentação.
A conclusão está publicada no estudo "Kesho
Bora - Um Futuro Melhor", elaborado no dialeto suaíli
- falado na Tanzânia, no Quênia e em Uganda, na África.
Nesse trabalho, foram analisados os riscos de transmissão
de HIV das mães para os bebês durante a gravidez
e, depois, no período de amamentação.
As pesquisas
foram feitas em cinco regiões distintas
de Burquina Faso, do Quênia e da África do Sul,
sob a coordenação da OMS por meio do Departamento
de Saúde Reprodutiva e Pesquisa. Pelos dados mundiais,
há 33,3 milhões de pessoas contaminadas com o vírus
HIV em todo o mundo, das quais 15,9 milhões são
mulheres. Cerca de 69% dos casos de contaminação
estão na África Subsaariana.
No Brasil,
aproximadamente 630 mil estão contaminados
e convivem com a doença. Só em 2009, foram registrados
38.538 casos novos. No período de 1980 a 2009, houve 229.222
mortes no País em decorrência da aids e de suas
complicações.
JANEIRO / 2011
-
Unidas: Pacientes Crônicos e de Alto Custo
Modelos de
Serviços para Gestão de Pacientes Crônicos
e de Alto Custo - No contexto do modelo de gestão de cuidados
24 e 25 de fevereiro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Apresentar
o ciclo do modelo de gestão de cuidados, suas
fases e resultados com vias de direcionar ações
assistenciais e gerenciais. Apresentar os projetos de avaliação
de condições de saúde em empresas e seguimento
por linhas de cuidado. Apresentar o modelo de gerenciamento de
casos para idosos fragilizados e pacientes de alto custo. Discutir
a importância da padronização dos processos
de avaliação, e estabelecimento de diretrizes assistenciais
mínimas. Colocar em pauta a necessidade de tecnologia
para alcance da qualidade, escala e abrangência dos programas
propostos. O curso foi estruturado em formato de workshop para
que os conceitos e as experiências possam ser debatidos
e compartilhados entre professor e alunos. Artigos serão
fornecidos e debatidos em sala de aula, palestras expositivas,
relato de casos, e muita informação para que os
participantes possam refletir sobre a real dificuldade em se
implantar tais estratégias, com vias a redução
do custo assistencial de seus beneficiários.
Instrutor
DR. LEONARDO
PEREIRA FLORÊNCIO
Público
Alvo
Gestores
de Operadoras de Planos Privados de Saúde, Gestores
Públicos de Saúde, Coordenadores de Programas e
Projetos de Qualidade de Vida, Medicina Preventiva, Promoção
da Saúde. Profissionais auditores, gestores de tecnologia
da informação de organizações de
saúde. Profissionais de saúde que pretendem atuar
em programas de promoção da saúde e qualidade
de vida.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br (Unidas/AssPreviSite)