Leia
nesta edição:
- PT negocia
superpoder na Câmara e deixa problema para
ministro
- Após articulação, ministro da Saúde
obtém vitória e amplia controle do setor
- CNS nas
mãos
de Padilha
- Proposta
de criar fundação estatal provocou
mal-estar
- CFM: Protocolo para minimizar negativas de OPME
- DMED: nova
obrigatoriedade para o mercado de saúde
- Balanço de riscos e benefícios não
considera cada paciente
- O saneamento e a dengue
- Veto a
inibidor de apetite favorece cirurgia bariátrica
- Não
se muda estilo de vida com preconceito
- Saúde
do brasileiro em alerta
- MPE questionará lei
que destina leitos do SUS a planos
- Planos: Reajuste para idosos
- Portabilidade
maior para plano de saúde
- Gravação de conversa pode ser usada como prova
na justiça
- Anvisa
projeta redução
do tempo de registro de medicamento em 40%
- Genérico para colesterol é aprovado
Quinta-feira, 17.02.11
Portal
IG / Último
Segundo
PT
negocia superpoder na Câmara e deixa problema para
ministro
Partido
de Dilma deve comandar as duas comissões mais
importantes. PMDB ficará com Saúde e promete dar
trabalho a Alexande Padilha
Por Adriano Ceolin
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O PT vai comandar as principais comissões
da Câmara dos Deputados. Além da Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), o partido
quer indicar o presidente da Comissão de Finanças
e Tributação (CFT). O posto deveria ficar com o
PMDB, mas o partido preferiu escolher a Comissão de Saúde
para fiscalizar a gestão do ministro Alexandre Padilha
(Saúde).
Feita de
acordo com o tamanho proporcional das bancadas na Câmara,
a divisão do comando das comissões dá-se
por meio de escolhas dos partidos. Por ter a maior bancada, o
PT tem o direito de fazer a primeira escolha e o PMDB, a segunda.
Os petistas optaram pela CCJ, a comissão mais importante
da Casa - por ela passam quase todos os projetos e é fundamental
para a tramitação de projetos de interesse do Judiciário.
O natural
seria que o PMDB ficasse com a CFT. A bancada do partido, no
entanto,
preferiu escolher o comando da comissão de
Saúde e atender a um pedido da bancada de Minas Gerais.
O presidente da comissão deverá ser o deputado
Saraiva Felipe (PMDB-MG). Ele foi ministro da Saúde entre
2005 e 2006, quando deixou o cargo para tentar mais um mandato
na Câmara.
Segundo o
iG apurou, Saraiva vai atuar de forma crítica
em relação ao atual ministro da Saúde. A
bancada do PMDB não gostou de ter perdido cargos na pasta
depois que Padilha assumiu em janeiro deste ano. “Podem
dizer que vou pegar no pé. Mas, no fundo, só irei
fazer meu trabalho”, disse o deputado Saraiva Felipe.
Na CCJ, o
PT já oficializou a indicação
do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP)
para a presidência da comissão. Até o começo
desta semana, ele disputava o posto com Ricardo Berzoini (PT-SP).
Já o cargo de presidente da CFT ainda não foi definido.
A escolha caberá a corrente interna petista “Mensagem
ao Partido”, a mesma do líder Paulo Teixeira (PT-SP).
No restante
das presidências de comissões, o quadro
começa a se definir. O PSDB deve ficar com a presidência
da comissão de Ciência e Tecnologia. O PP comandará a
comissão de Minas e Energia. Até o começo
da próxima semana, os demais cargos devem ser escolhidos.
Comissões
do Senado
Entre os
senadores, a maior disputa deu-se pela presidência
da Comissão de Infra Estrutura. O senador Lindenberg Farias
(PT-RJ), no entanto, abriu mão de entrar em disputa com
o PSDB. Os tucanos que devem indicar Marisa Serrano (MS) ou Lúcia
Vânia (GO) para o posto.
Ex-presidente
da Comissão de Infra Estrutura, o senador
Fernando Collor de Mello vai comandar a partir deste ano a Comissão
de Relações Exteriores. O senador Benedito de Lira
(PP-AL) é o nome do seu partido para comandar a Comissão
de Desenvolvimento e Turismo.
Na semana
passada, o senador Eunício Oliveira (CE) foi
indicado, e depois eleito, presidente da CCJ. Na segunda comissão
mais importante da Casa, a de Assuntos Econômicos, o comando
caberá ao senador Delcídio Amaral (PT-MS).
O
Estado de São
Paulo
Após articulação, ministro da Saúde
obtém vitória e amplia controle do setor
Demonstrando
habilidade política, ministro Alexandre
Padilha convence concorrentes a desistir de disputa e acaba eleito
por aclamação presidente do Conselho Nacional de
Saúde, órgão encarregado de formular políticas
e fiscalizar a administração da área
Por Lígia
Formenti
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, conseguiu ontem
a primeira vitória de sua gestão. Depois de 40
dias de articulação, ele foi eleito por aclamação
como presidente do Conselho Nacional de Saúde, colegiado
encarregado de formular políticas e de fiscalizar a administração
na área.
Mais do que
a prerrogativa de chefiar o conselho, com a vitória
Padilha torna mais distante um problema enfrentado por seu antecessor,
José Gomes Temporão: a oposição constante
a propostas por ele formuladas, além de críticas
abertas contra a sua forma de gestão.
Desde o discurso
de posse, Padilha mostrou estilo totalmente distinto. Enquanto
Temporão procurou apontar problemas
no conselho, o novo ministro garantiu que uma de suas principais
missões seria garantir a representatividade do colegiado. "Ali
ele lançou sua candidatura", afirmou um dos integrantes
do conselho, Arthur Custódio Sousa. Na plataforma, a principal
proposta de Padilha foi a construção de consensos.
Embora tenha
sido feita por aclamação, conselheiros
sabiam que a escolha do ministro poderia passar um recado que
há tempos eles querem evitar: o de perda do poder. A tradição
sempre foi de a presidência do conselho ser assumida pelo
ministro.
Essa espécie de tabu foi quebrada em 2006 com a eleição
de Francisco Batista Júnior, representante dos trabalhadores
da Saúde, para o posto. Júnior foi reeleito nos
anos seguintes e, este ano, não apresentou candidatura
- para alguns, já prevendo a difícil batalha que
enfrentaria com o ministro-candidato.
Nesta semana,
foi a vez de Padilha convencer a representante de usuários, Jurema Werneck, a retirar sua candidatura.
Na véspera da eleição, ele teve uma longa
conversa com a candidata e com demais representantes dos usuários.
Hoje pela manhã, todos estavam convictos de que Jurema
sairia da disputa. O único receio do grupo seria o de
passar a imagem de que a desistência representaria um sinal
de "alinhamento" com o ministério.
Questionado,
Padilha garantiu que o conselho continuará independente
para fiscalizar. "Não sou o primeiro ministro ou
o primeiro gestor a se tornar presidente", rebateu. Integrantes
sabem, no entanto, que agora será preciso um esforço
maior para garantir a "identidade" do colegiado.
Revisão. A representante da comunidade científica
no conselho, Lígia Bahia, avalia que a vitória
de Padilha vai exigir uma revisão da forma de atuação
do colegiado. "É preciso maior participação.
Temos de reagir aos riscos de cair na discussão burocrática",
defendeu. Mas ela acredita que o resultado de ontem pode trazer
benefícios. "A vitória não significa
que Padilha tenha recebido um cheque em branco. O conselho não é do
ministro. Temos de estar conscientes de que ele é do governo.
Nosso papel de controle tem de ser mantido", explicou.
Lígia acredita, no entanto, que, passada a eleição, é preciso
cobrar do ministro sua promessa de reforçar a representatividade
do conselho. "Que tal cobrar dele maior participação
de outros atores do governo, de outros ministérios?"
O Globo
CNS
nas mãos
de Padilha
Trabalhadores
da Saúde comandavam órgão
BRASÍLIA. Numa disputa repleta de intrigas, o Ministério
da Saúde retomou o comando do Conselho Nacional de Saúde
(CNS), após quatro anos de uma relação conturbada
com o órgão de controle social do SUS. O ministro
Alexandre Padilha vai comandar o órgão por um ano,
mas com possibilidade de se manter à frente do conselho
até o fim do governo Dilma. O CNS é formado por
48 representantes de usuários, trabalhadores, gestores
e prestadores de serviço, e toma resoluções
que precisam ser homologadas pelo Ministério da Saúde.
Após negociação de bastidores, Padilha
conseguiu desmobilizar os usuários do SUS, que na última
hora retiraram a candidatura da conselheira Jurema Werneck. Só não
conquistou os trabalhadores da Saúde, único grupo
que se opôs publicamente à sua indicação.
Para ser eleito, Padilha disse que vai reformular integralmente
a gestão do conselho, dando voz à diretoria colegiada,
e que a 14ª Conferência Nacional de Saúde vai
nortear a nova política de acesso e qualidade do SUS.
Os trabalhadores,
no comando do CNS desde 2006, chegaram a preparar manifesto
em que diriam que Padilha seria incapaz de, simultaneamente,
formular e decidir políticas para o SUS e presidir o controle
social, mas, no debate em plenário, os trabalhadores limitaram-se
a defender que a presidência deveria ser comandada por "uma
organização da sociedade".
O
Estado de São
Paulo
Proposta
de criar fundação estatal provocou mal-estar
Por Lígia
Formenti
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, já demonstrou
que quer distância de polêmicas. "Busco o consenso,
esse é o meu método", diz. A nova forma de
atuar fica estampada ao ser questionado sobre o pivô do
mal-estar entre seu antecessor, José Gomes Temporão,
e o Conselho Nacional de Saúde: a Fundação
Estatal de Direito Privado.
"A discussão tem de ser mais ampla. Não temos
de dar destaque ao modelo gerencial. Mas aos princípios
do SUS", afirmou.
Lançada por Temporão, a proposta da fundação
tinha o objetivo de melhorar a produtividade e a qualidade de
atendimento dos serviços públicos de saúde.
Uma das propostas era a criação de metas de produtividade
por serviços. Temporão afirmava que críticas
ao modelo por ele proposto eram provocadas por corporativismo.
Saúde
Business Web
CFM: Protocolo para minimizar negativas de OPME
Especialistas
criticaram também os honorários
pagos pelos planos de saúde e a falta de assinatura do
auditor que negou o pedido
Durante Simpósio das Órteses, Próteses
e Materiais Especiais (OPME), promovido pela Sociedade Brasileira
de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) na última
sexta-feira (11), o Conselho Federal de Medicina (CFM) ressaltou
a importância de os médicos elaborarem os protocolos
de diagnóstico e terapêutica para respaldar a indicação
dos materiais cirúrgicos e minimizar as negativas. De
acordo com os especialistas, a falta de justificativas para negativa
na autorização de próteses é um dos
problemas mais recorrentes.
Também foram alvos de críticas os honorários
pagos pelos planos de saúde e a falta de assinatura do
auditor que negou o pedido. Além disso, representantes
do mercado debateram que atitudes tomar quando é necessário
fazer uma cirurgia de emergência e o plano não autoriza.
Os protocolos
seriam uma alternativa para tentar evitar negativas. Depois
de prontos,
eles vão para a aprovação
no CFM e na Câmara Técnica da Associação
Médica Brasileira (AMB). O texto deve conter as indicações
clínicas, os códigos dos procedimentos e a relação
mínima de materiais a serem utilizados. Os protocolos
serão incluídos na Resolução 1.956/10,
do Conselho.
"O gerente geral da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANS), Antônio Endrigo, informou que em
fevereiro ocorreria uma reunião na Agência, no Rio
de Janeiro, para definir uma lista de materiais existentes para
cirurgias com presenças confirmadas da Unimed e da FenaSaúde,
ambas convidadas para o Simpósio e que não compareceram",
afirmou a SBACV em comunicado.
Os Protocolos
são derivados das Diretrizes clínicas
da SBACV. As Diretrizes são as normas de diagnóstico
e tratamento, baseadas em estudos científicos, para cada
problema da especialidade.
Resolução
1.956/10
Outro ponto
bastante debatido pelos médicos durante o
evento foi a resolução 1.956/10, do CFM, que afirma
que cabe ao médico determinar as características
das OPMs e justificá-las clinicamente e que é vedada
a indicação de fornecedor ou de marcas exclusivas. "A
vedação da marca e do fornecedor exclusivo vai
permanecer na resolução. Nós esperamos que
as Sociedades de especialidade façam seus protocolos técnicos
com bases estritamente científicas. As Sociedades vão
poder dizer o que é válido e o que não pode
ser aplicado por meio desses protocolos", explicou o representante
do CFM Antônio Pinheiro, em comunicado.
O coordenador
do Programa de Diretrizes da SBACV (Divas), Aldemar Castro,
anunciou que
as primeiras Diretrizes estarão disponíveis
a partir de março no site da SBACV para consulta pública.
Estiveram
presentes ao evento ainda os presidentes das Sociedades Brasileira
de
Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular
(Sobrice), Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), Sociedade
Brasileira de Neurorradiologia Diagnóstica Terapêutica
(SBNDR), Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico
por Imagem (CBR) e os presidentes das regionais da SBACV.
Saúde
Business Web
DMED:
nova obrigatoriedade para o mercado de saúde
Por Kátia
Silva
Problemas
na declaração de despesas médicas
de pessoas físicas sempre foram um dos principais motivos
pela quantidade de Declarações de Imposto de Renda
de Pessoa Física retidas em malha fiscal. E agora, a Receita
Federal irá realizar controle ainda mais efetivo sobre
as informações enviadas. Já esse mês,
começa a obrigatoriedade de entrega da Declaração
de Serviços Médicos e de Saúde para empresas
do setor. O objetivo é identificar inconsistências
e reduzir as retenções. Para as companhias que
atuam nesse mercado, porém, as adaptações
exigem cuidados. Um dos principais pontos de atenção
precisa ser com o certificado digital, assinatura eletrônica
que pode ser utilizada para garantir a autenticidade do documento.
O tema DMED
e a segurança do certificado digital serão
abordados pela NFe do Brasil em um evento no dia 17 de fevereiro,
em São Paulo. Voltado para profissionais da área
de saúde, hospitais, laboratórios, clínicas
odontológicas, clínicas de fisioterapia, terapia
ocupacional, psicologia e clínicas médicas de qualquer
especialidade, além de empresas de planos de assistência à saúde,
a companhia que é especializada em inteligência
fiscal eletrônica, orientará sobre as medidas a
serem tomadas para fugir dos riscos. Problemas como roubo, cópia
ou desvio do certificado impedem que seja emitida a DMED, por
isso, tamanha importância da guarda segura. A multa para
quem não apresentar o arquivo no prazo estabelecido é de
R$ 5 mil por mês/calendário.
Folha
de São
Paulo
Análise
Balanço de riscos e benefícios não
considera cada paciente
Por Hélio
Schwartsman, articulista da Folha
Decisões que reduzam o arsenal terapêutico à disposição
dos médicos, como o provável banimento da sibutramina
e de anfetaminas, são sempre complicadas.
O princípio em que a Anvisa se escuda para justificar
a disposição é correto: os benefícios
apresentados por uma droga devem superar seus riscos. A questão é que
essa é uma conta quase impossível de fazer sem
considerar cada paciente individualmente.
A menos que
falemos de venenos sem uso terapêutico, sempre
haverá um grupo de pacientes para o qual o remédio
traz mais benefícios que riscos. Pode ser uma fatia pequena,
mas, desde que a categoria exista, não há razão
para privá-la da droga.
Em relação especificamente à sibutramina,
a evidência científica disponível -o estudo
Scout- é suficiente para recomendar que se redobrem os
cuidados na prescrição, mas parece acanhada para
sustentar o banimento.
Afinal, o
que o trabalho apontou foi o aumento de 10% para 11,4% no risco
de eventos
cardiovasculares não letais em pacientes
com mais de 55 anos, doença cardíaca ou diabetes
e que fizeram uso prolongado da droga (média de 3,4 anos). É gente
que, pela bula, nem deveria tomar o remédio. É temerário
extrapolar esses achados para outras cortes.
Já as anfetaminas entraram na história porque
a Anvisa sabiamente previu que o veto à sibutramina levaria
os pacientes "órfãos" a buscar essa classe
de anorexígenos.
Se olhasse
mais longe, poderia antever também a migração
para usos "off label" de antidepressivos -a bupropiona,
usada contra o tabagismo, por exemplo, é uma molécula
semelhante à dietilpropiona, anfetamina prestes a ser
proibida. Também poderia haver recurso a drogas já ilegais,
como as metanfetaminas (ecstasy).
Outro modo
de interpretar os passos da Anvisa é que ela
concluiu que médicos não são confiáveis
para prescrever remédios, pois receitam qualquer coisa
para qualquer um, justificando que se corte o mal pela raiz.
É possível que isso seja verdade, mas, neste caso,
o buraco é mais embaixo. Aí é o próprio
sistema de saúde, do qual a Anvisa faz parte, que fica
sob suspeição.
O
Estado de São
Paulo
Editorial
O saneamento e a dengue
A relação entre falta de abastecimento de água
e alta ocorrência de casos de dengue no Brasil foi comprovada
pelo último Levantamento Rápido de Infestação
por Aedes aegypti (LIRAa) de 2010, um mapeamento realizado pelo
Ministério da Saúde para identificar regiões
em que é maior a presença do mosquito. Sem água
nas torneiras ou submetidos a rodízios frequentes no abastecimento,
moradores de várias regiões do País apelam
para o estoque de água - em caixas ou outros sistemas
improvisados e sem segurança.
No Nordeste,
por exemplo, 72% dos focos de mosquito encontrados estavam
em depósitos de água; no Norte, 48% dos
criadouros encontravam-se em tonéis, tambores e poços.
Os antigos focos - vasos, lajes, piscinas, pneus, entre outros
- aparecem bem pouco nas estatísticas. No Norte, apenas
22,6% dos criadouros estavam nesses pontos.
Tão importante quanto as campanhas de conscientização
e a vigilância nos focos de mosquito é, portanto,
investir em obras de saneamento, e em ritmo acelerado. Embora
haja recursos disponíveis, isso não tem ocorrido.
A falta de projetos de qualidade impede que Estados e municípios
se habilitem a receber verbas federais que poderiam financiar
obras de abastecimento de água, esgotamento sanitário,
manejo da água das chuvas, coleta e destinação
de resíduos sólidos, além da preservação
dos mananciais. Em 2010, pelo menos R$ 900 milhões deixaram
de ser distribuídos pelo Ministério das Cidades.
Do total de R$ 4,6 bilhões, R$ 3,7 bilhões foram
contratados por meio do Programa Saneamento Para Todos, incluído
no PAC.
Nenhum centavo
deveria ser desprezado, pois em 16 Estados é alto
o risco de surto de dengue, conforme o Ministério da Saúde:
Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito
Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba,
Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte,
Sergipe e Tocantins. Em São Paulo, o risco é considerado
moderado. Mas representantes do Ministério afirmam que
a alocação de recursos esbarra na pouca capacidade
de endividamento das companhias estaduais de abastecimento e
nas falhas graves dos projetos apresentados. Em 2011, o programa
colocará à disposição de prefeituras
e governos estaduais R$ 4,8 bilhões para obras de saneamento,
recursos que, na maior parte, vêm das contas do FGTS.
Há dias, em entrevista à Rádio Nacional,
o superintendente executivo da Associação das Empresas
de Saneamento Básico Estaduais, Walder Suriani, explicou
que o principal entrave para o setor é a burocracia. Segundo
ele, é antiga a luta das estatais para que a União
torne mais ágil a concessão dos financiamentos
para obras de saneamento. Simplificar as exigências não
significa abolir as garantias para que o dinheiro público
seja bem aplicado. Significa adotar o ritmo de que o País
precisa para resolver os problemas de saneamento que tanto afetam
a saúde pública.
A Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público Trata Brasil reúne estudos que avaliam
o esforço necessário para universalizar os serviços
de água e esgoto no Brasil. Ela estima que são
necessários investimentos de R$ 270 bilhões nesse
setor nos próximos anos. Somadas as suas duas fases já apresentadas,
o PAC prevê um total de R$ 85 bilhões em recursos
para o saneamento. Embora ainda fique aquém do necessário,
o esforço do governo federal deve ser reconhecido. Nas últimas
décadas, o maior investimento realizado em saneamento
atingiu R$ 3 bilhões por ano. Hoje, o total de recursos
destinados a esse fim é mais do que o triplo. Mas é preciso
que tanto as empresas de saneamento quanto o governo federal
encontrem o melhor caminho para fazer uso dessas verbas.
Em janeiro,
foram registrados mais de 26 mil casos de dengue em todo o
País, sendo 10 mil deles na Região Norte.
No ano passado, 1 milhão de brasileiros sofreram com a
doença. Este quadro não deixa dúvida de
que é urgente assegurar o acesso aos recursos, reduzindo
a burocracia e garantindo apoio a quem tem a competência
técnica para elaborar e executar bons projetos de saneamento.
Folha
de São
Paulo
Veto
a inibidor de apetite favorece cirurgia bariátrica
Por Débora Mismetti, Editora-Assistente de Saúde
/ Juliana Vines
DE SÃO
PAULO
Proibir drogas
emagrecedoras, como quer a Anvisa, levará ao
aumento no número de cirurgias de redução
do estômago, dizem médicos.
Com a possível retirada desses remédios
do mercado, sobram poucas alternativas para tratar a obesidade.
Em muitos
casos, a única saída será a cirurgia
bariátrica, hoje indicada para pacientes com IMC (índice
de massa corporal) acima de 35 e doenças associadas, como
diabetes e hipertensão.
Já está em estudo nos EUA, na Itália e
Espanha a redução do limite mínimo de IMC
para a indicação da operação.
O cirurgião Ricardo Cohen, presidente da Sociedade Brasileira
de Cirurgia Bariátrica, está coordenando uma pesquisa
no Hospital Oswaldo Cruz sobre a eficácia da operação
em pessoas com IMC entre 30 e 35. O estudo tem financiamento
do Ministério da Saúde.
Foram recrutados
105 voluntários, que serão operados
dentro de semanas. Para Cohen, o procedimento é mais seguro
do que as drogas. "Nunca se falou em retirar a cirurgia
do mercado. Isso prova sua segurança", diz.
A previsão é que neste ano sejam feitas 70 mil
reduções de estômago no país.
Para Alfredo
Halpern, endocrinologista do Hospital das Clínicas,
o aumento das cirurgias preocupa: "Não é mais
simples tomar remédio? Faço um paciente perder
30 kg só com medicação".
Estudos mostram
que 16% das pessoas que passam por redução
do estômago têm alguma alteração neurológica,
como perda de memória ou confusão mental, diz Eduardo
Mutarelli, neurologista do Hospital Sírio-Libanês.
ONDA
DE PROIBIÇÃO
A Anvisa
estuda proibir a sibutramina, droga que age no sistema nervoso
central, desde
o início de 2010.
Ontem, anunciou
uma audiência pública para quarta,
em que será apresentado um parecer pedindo a proibição
dos medicamentos com sibutramina e três tipos de anfetamina:
anfepramona, femproporex e mazindol.
A decisão deve ser divulgada no dia 1º de março.
A Anvisa
diz que a sibutramina tem baixa eficácia e eleva
em 20% o risco cardíaco. O parecer foi embasado no estudo
Scout, feito em 16 países, que saiu no "New England
Journal of Medicine".
Na pesquisa,
10 mil obesos com mais de 55 anos e histórico
de doenças cardíacas tomaram sibutramina por três
anos e quatro meses.
Segundo Walmir
Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
e um
dos autores do estudo, os resultados não
justificam proibir a droga.
O cardiologista
Daniel Magnoni, do HCor, diz que o problema é a
vulgarização da droga. "Com uso correto, as
complicações são menores."
A única droga para obesidade fora da mira da Anvisa é o
Xenical (orlistate), que não é um inibidor de apetite:
diminui a absorção de gordura.
"Só isso não resolve. Uma pessoa com compulsão
não vai ser curada", diz Halpern.
Saúde
Business Web
Não
se muda estilo de vida com preconceito
Por Alberto Ogata
A revista
Lancet publicou, em fevereiro de 2011, uma excelente pesquisa
global analisando
tendências em obesidade, hipertensão
arterial e colesterol elevado envolvendo 1999 países e
cerca de 9 milhões de participantes. Com relação
a obesidade (isto é índice de massa corpórea
acima de 30) a pesquisa demonstrou que a população
obesa dobrou nos últimos 30 anos chegando a 9,8% dos homens
e 13,8% das mulheres. Esta tendência também foi
observada na amostra brasileira. A questão de estilo de
vida tem tido grande destaque na mídia nos últimos
dias.Uma matéria publicada no portal G1 no dia 28 de janeiro
cita uma empresa de recrutamento em que o consultor afirma que
a aparência representa de 25 a 30% de critério de
triagem inicial. Segundo este profissional o candidato obeso
tem mais de 80% de chance de ser eliminado e, pior, sem saber
o verdadeiro motivo da recusa. Outra polêmica foi criada
por uma decisão do Departamento de Saúde do Estado
de São Paulo de considerar o obeso mórbido inapto
para o serviço público pois eles apresentar maiores
níveis de absenteísmo e risco de desenvolver outras
doenças.Finalmente, uma pesquisa realizada pelo portal
Trabalhando.com aponta de 49% das empresa deixam de contratar
um candidato por ele fumar e 17% pensam duas vezes. Os contratantes
acreditam que os fumantes são menos produtivos .Naturalmente
que todas estas situações revelam um enorme preconceito.
Considerando-se o raciocínio proposto por estes recrutadores,
não poderiam ser admitidos os profissionais hipertensos,
diabéticos ou com colesterol elevado. As empresas deveriam
selecionar os candidatos pelos seus conhecimentos e habilidades
e oferecer suporte para que melhorem seu estilo de vida e vivam
melhor.A obesidade, o sedentarismo e a alimentação
inadequada se constituem em uma realidade epidêmica em
nosso meio e exige-se uma ação integrada entre
os governos, as empresas e a comunidade para ações
de sensibilização, motivação, mudança
de comportamento e criação de ambientes saudáveis.
Gazeta Digital
Saúde
do brasileiro em alerta
Esta semana
milhares de brasileiros receberam uma boa notícia
do governo federal: a distribuição gratuita de
medicamentos para hipertensão e diabetes. Os remédios,
que antes eram disponibilizados pelo Programa Aqui tem Farmácia
Popular com até 90% de subsídio, agora são
repassados aos dependentes sem custo. A estimativa é que
eles estejam disponíveis à população
em cerca de 15 mil drogarias espalhadas por todo o país
e que possuem convênio com o programa. Para ter acesso,
basta apresentar um documento de identificação
com foto, o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e a receita
médica.
A iniciativa é relevante e a previsão é que
cerca de 900 mil brasileiros portadores dessas duas doenças
sejam beneficiados. A diabetes e a pressão alta são
reflexos da modernidade, uma vez que a manifestação é decorrente
do estilo de vida, que inclui alimentação inadequada,
estresse, sedentarismo, fumo e álcool, comportamentos
que dependem exclusivamente de cada indivíduo e que vêm
sendo deixados de lado com a correria do dia a dia.
O modo de
vida adotado pelos brasileiros pode ser comprovado por dados
alarmantes
e que estão gerando preocupação à classe
médica do país e acende o sinal de alerta. Segundo
dados do Ministério da Saúde, a hipertensão
afeta aproximadamente 30 milhões de pessoas e outras 12
milhões ainda não sabem que possuem a doença.
Nos Estados Unidos o número de indivíduos hipertensos é o
dobro do Brasil e em todo o mundo a doença afeta 1 bilhão
de pessoas.
A falta de
conhecimento sobre a doença retarda o tratamento
e aumenta o número de óbitos. Em todo o mundo estima-se
que 7,6 milhões de pessoas morram por ano devido às
suas complicações da hipertensão como o
acidente vascular cerebral (AVC), o infarto, entre outros. No
Brasil, ela é responsável pela morte de até 300
mil pessoas a cada ano.
Por mais
que campanhas de prevenção e estímulo à prática
de atividades físicas sejam realizadas com o objetivo
de reduzir a doença ou mesmo diagnosticar o mal precocemente,
o índice só vem crescendo. O Ministério
da Saúde aponta, por meio de pesquisa, que a proporção
de brasileiros com pressão alta confirmada cresceu de
21,5% em 2006 para 24,4% em 2009 e que apenas 10% realizam o
tratamento adequadamente. Entre as capitais, o Rio de Janeiro é o
que tem maior percentual (em proporção em relação à população)
de hipertensos com 28%, seguido de Recife com 27,6%. Cuiabá aparece
com 23,9% da população afetada.
Já no caso da diabetes a Sociedade Brasileira de Diabetes
alerta que um estudo recente verificou que 11% dos brasileiros
tenham a doença e que deste total cerca de 60% não
sabem que são portadores. Sobrepeso e obesidade, sedentarismo
e alimentação desequilibrada são fatores
preponderantes para a manifestação da diabetes.
Mesmo que o governo distribua medicamentos gratuitamente, os
brasileiros não podem se acomodar. É preciso mais
que ter acesso ao tratamento de doenças. É necessário
prevenir. Para isso, cada um devem chamar para si a responsabilidade
e levar uma vida mais saudável.
InfoMoney / CQCS
MPE
questionará lei
que destina leitos do SUS a planos
Por Gladys Ferraz
O Idec (Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor) e outras seis entidades
civis entraram, na última terça-feira,
com uma representação no MPE (Ministério
Público Estadual) de São Paulo para que o órgão
questione judicialmente a aplicação da lei complementar
1.131/2010.
A lei, que
destina 25% dos leitos e outros serviços dos
hospitais públicos para os planos de saúde privados,
desconsidera a legislação (Lei 9.656/98), fere
os princípios da Constituição Federal, da
Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990) e da Constituição
do Estado de São Paulo, avaliam as entidades.
Prejuízos
Ainda conforme
o Idec e as outras entidades civis, a referida lei traz prejuízos ao usuário do SUS (Sistema Único
de Saúde) no estado de São Paulo.
Isso porque,
explicam, com a venda de 25% dos leitos dos hospitais públicos, o SUS deixará de realizar cerca de dois
milhões de procedimentos, sendo 62 mil internações
que antes eram destinadas exclusivamente aos usuários
do sistema público.
Além disso, ressaltam, o novo sistema permite a criação
de “fila dupla” no atendimento, já que os
usuários dos planos de saúde terão assistência
diferenciada e preferência na marcação e
no agendamento de consultas, exames e internações.
O Tempo
Planos: Reajuste para idosos
Por Ana Paula Pedrosa
Reajuste de plano para maior de 60 vai contra o estatuto
Superior
Tribunal de Justiça tem decidido pela proibição
do reajuste abusivo em todos os casos
Processo
judicial, porém, é demorado e desgastante
para o consumidor
Em janeiro,
o plano de saúde do mestre de obras aposentado
Moacir Augusto Filho subiu de R$ 131 para R$ 139. O aumento,
de cerca de 6%, correspondia ao reajuste anual do serviço.
Mas, em fevereiro, ele levou um susto: a mensalidade saltou para
R$ 350. O reajuste de 151,8%, que não cabe no seu orçamento,
foi aplicado porque ele completou 60 anos. "Eu quase não
uso o plano, só para um check-up anual, então,
vou acabar cancelando", lamenta o aposentado.
No caso dele,
o reajuste por idade é permitido pela Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) porque o plano foi
contratado em 2002, antes que o Estatuto do Idoso entrasse em
vigor, mas é polêmico. A advogada do Instituto de
Defesa do Consumidor (Idec), Juliana Ferreira, explica que o
Superior Tribunal de Justiça (STJ) já tem esse
entendimento.
"O STJ entende que o Estatuto do Idoso é uma norma
de ordem pública, ou seja, é tão relevante
que tem que ser aplicado a qualquer contrato, anterior ou posterior
a ele", afirma. "A Justiça tem rechaçado
esse tipo de aumento, mesmo nos casos em que a ANS permite",
diz.
O coordenador
do Procon da Assembleia, Marcelo Barbosa, também
aconselha que Moacir e outros na mesma situação
procurem a Justiça. Ele diz que o caso não pode
ser resolvido no Procon e avisa que o processo é demorado. "É um
caso complicado, que causa divergências até nos
tribunais, mas já há decisões favoráveis",
diz.
De acordo
com Barbosa, o caso pode ser levado ao Juizado Especial de
Relações de Consumo, mas o mais indicado é procurar
um advogado, em razão da complexidade. "A briga é estritamente
judicial e os planos vão recorrer de tudo. As operadoras
não vão abrir mão de nada, a não
ser com decisões judiciais uma atrás da outra",
completa.
Apesar das
orientações, a família de Moacir
está desanimada. A filha dele, a comerciante
Rogéria Cláudia Augusto, que está tentando
resolver o problema do pai, diz que já procurou a empresa
e o Procon, mas não deve recorrer à Justiça. "É muita
burocracia", diz. Ela conta que o pai recebe um salário
mínimo por mês e, mesmo com a ajuda das filhas,
não tem condições de pagar a mensalidade
do plano nem de procurar um advogado.
A advogada
do Idec diz que o contrato de Moacir é abusivo
pelo fato de não trazer expressamente o reajuste superior
a 150% para a faixa de 60 anos, o que caracteriza prática
abusiva.
Planos
novos são
maioria
A maioria
dos 44,7 milhões de planos de saúde
do Brasil foram firmados após 1999, os chamados planos
novos. Para esses, o reajuste por idade tem regras estipuladas
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
mas a fórmula varia de acordo com a data de assinatura.
Já nos contratos antigos, as operadoras estabelecem os
critérios.
Extra Online
Portabilidade
maior para plano de saúde
Demitidos e inativos podem ter direito
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) pretende
abrir a portabilidade de planos de saúde, que permite
trocar de operadora sem a necessidade de cumprir um novo período
de carência, para ex-funcionários demitidos por
justa causa e aposentados que ainda estão ligados aos
planos corporativos. A proposta já foi discutida por uma
câmara técnica, composta por diversos representantes
do setor, e ficará, por 30 dias, em consulta pública,
mas ainda não há prazo para a implantação.
Entre as
sugestões feitas pelos participantes da câmara
técnica, está um dispositivo que garanta a prestação
de um serviço de qualidade semelhante ao que o cliente
tem na operadora atual, caso queira mudar. A possibilidade de
troca de operadora para demitidos e aposentados
que mantêm planos coleti-vos mesmo afastados das empresas
está dentro da dis-cussão de uma regulamentação
que vai determinar as normas dessa manutenção do
plano. De acordo com a ANS, muitas perguntas feitas à agência
sobre o tema estão sem resposta na legislação
em vigor atualmente.
Se aprovada,
essa proposta terá que ser compatível
com as mudanças no sistema de portabilidade, que já passaram
pela consulta pública e deverão ser implantadas
ainda neste primeiro semestre. Duas das alterações
previstas são o aumento do prazo para usar a portabilidade
de dois para quatro meses, contados a partir do mês de
aniversá-rio do contrato, e a redução de
dois para um ano do período mínimo de permanência
no novo plano, a partir da segunda portabilidade.
Confederação Nacional de Saúde
Circular
Jurídico
018/2011
TST
Gravação de conversa pode ser usada como prova
na justiça
A gravação de conversa feita por um dos interlocutores
sem o conhecimento do outro para fins de comprovação
de direito não é ilícita e pode ser usada
como prova em ação judicial. Foi o que fez um técnico
de telefonia ao se sentir pressionado a pedir demissão – ele
gravou conversas com os donos e a contadora da empresa em que
trabalhava com um aparelho de MP3. Ao examinar o caso, a Justiça
do Trabalho considerou que a gravação feita pelo
trabalhador é prova lícita.
Na ação que apresentou na 11ª Vara do Trabalho
de Recife, em Pernambuco, o técnico contou que foi contratado
pela Luleo Comércio para fazer instalação
e manutenção de rede de acesso de telecomunicações
para a Telemar Norte Leste. Aproximadamente três meses
após a contratação, sofreu acidente de trabalho
e passou a receber auxílio previdenciário.
Quando retornou à empresa, como não havia mais
o contrato com a Telemar, o empregado foi designado para ocupar
a função de telefonista. Gravações
em um cd (“compact disc”) juntado ao processo confirmaram
que o trabalhador sofreu pressões para pedir demissão
antes do término do período de estabilidade provisória
acidentária de um ano a que tinha direito.
Segundo a
sentença, a coação foi sutil,
com insinuações de que o empregado ficaria fora
do mercado de trabalho e poderia não mais prestar serviços
por meio de outras empresas terceirizadas à Telemar. Disseram
também que não “pegava bem” ele ter
trabalhado apenas três meses (entre a admissão e
o acidente) e a Luleo ter que mantê-lo em seus quadros
por um ano em razão da estabilidade acidentária.
Assim, a
juíza entendeu que a dispensa do empregado tinha
sido imotivada e concedeu, em parte, os pedidos formulados, tais
como o pagamento de diferenças salariais, aviso-prévio
e FGTS com multa de 40%. Declarou, ainda, a responsabilidade
subsidiária da Telemar pelos créditos trabalhistas
devidos ao técnico em caso de inadimplência da Luleo,
pois, na condição de tomadora dos serviços,
beneficiou-se da força de trabalho do empregado (incidência
da Súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho).
O Tribunal
do Trabalho da 6ª Região (PE), por sua
vez, manteve o entendimento da primeira instância quanto à licitude
da gravação feita pelo empregado e negou provimento
ao recurso ordinário da Telemar. Para o TRT, os diálogos
foram realizados no ambiente de trabalho, sem violação à intimidade
e privacidade das pessoas envolvidas, e em conformidade com o
artigo 225 do Código Civil de 2002, que admite gravação
como meio de prova.
No recurso
de revista que apresentou ao TST, a Telemar defendeu a tese
de que a gravação de conversa feita sem
o conhecimento dos interlocutores era ilícita e não
servia como prova. Alegou ofensa a direitos constitucionais,
como o respeito à vida privada das pessoas, ao livre exercício
do trabalho e à vedação da utilização
de provas no processo obtidas por meio ilícito (artigo
5º, X, XIII e LVI, da Constituição Federal).
Entretanto,
de acordo com o relator e presidente da Terceira Turma do Tribunal,
ministro
Horácio Senna Pires, as alegações
da empresa em relação à clandestinidade
da gravação não torna a prova ilícita.
Isso porque os diálogos também pertencem ao trabalhador
que gravou a conversa com a intenção de comprovar
um direito.
O relator
explicou que o Supremo Tribunal Federal já julgou
diversos casos no sentido de que a gravação de
conversa nessas condições não se enquadra
na vedação do uso de provas ilícitas de
que trata o artigo 5º, LVI, da Constituição.
O ministro Horácio destacou ainda o julgamento de um processo
em que o STF reconheceu a repercussão geral da matéria.
Desse modo,
como o relator concluiu que a gravação é prova
lícita no processo e inexistiram as violações
constitucionais mencionadas pela empresa, a Terceira Turma, por
unanimidade de votos, rejeitou (não conheceu) o recurso
de revista da Telemar nesse ponto. (RR-162600-35.2006.5.06.0011)
Quarta-feira, 16.02.11
Isaúde.net
Anvisa
projeta redução
do tempo de registro de medicamento em 40%
A proposta,
já incluida no plano de trabalho da Anvisa
para 2011, foi reforçada pelo ministro da Saúde,
Alexandre Padilhatamanho da letra
O plano de
trabalho da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) para 2011 prevê reduzir em 40%
o tempo para o início da análise do registro de
um medicamento e em 50% para produtos e equipamentos. A meta
foi acertada, no mês passado, com o Ministério da
Saúde, segundo o presidente em exercício da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu
Barbano.
O agilização da mudança foi um dos pedidos
do ministro da Saúde, Alexandres Padilha, na primeira
reunião do ano da diretoria da Anvisa, realizada ontem
(15).
" Não acho possível que um registro de medicamento
para tuberculose demore o mesmo tempo do que um cosmético
ou mais tempo. Precisamos mudar o conjunto dos processos internos.
Acho fundamental vocês aceitarem esse desafio" , afirmou
o ministro.
De acordo
com Barbano, terão prioridade os medicamentos
definidos pelo ministério. "É interesse também
da Anvisa que os produtos mais importantes sejam tratados de
maneira diferente para possibilitar o acesso a eles" , afirmou
Barbano.
A Anvisa
aprovou ainda, na reunião, resolução
que define os limites tolerados da presença de micotoxinas
(substâncias tóxicas produzidas por fungos) em alimentos.
A resolução, que entra em vigor a partir da publicação
no Diário Oficial da União, prevê prazos
para que os produtores adotem medidas para impedir a contaminação
dos alimentos durante a produção, o armazenamento
e o transporte. As micotoxinas causam intoxicações
agudas e, associadas a doenças, podem provocar o surgimento
de tumores.
Também foi aprovada a abertura de uma consulta pública,
por 60 dias, sobre a proposta que torna obrigatório o
recall (chamada para reposição) de equipamentos
e material de saúde, em caso de defeito. Pela primeira
vez, a reunião da diretoria da Anvisa foi aberta ao público
e transmitida via internet.
O
Estado de São
Paulo
Genérico para colesterol é aprovado
Por Lígia
Formenti
A Anvisa
aprovou o registro de dois novos genéricos:
quetiapina, para esquizofrenia, e rosivastatina, para reduzir
os índices de colesterol. Ambos movimentam cerca de R$
324 milhões por ano.
A medida
reflete uma nova estratégia da agência,
que passa a dar prioridade à análise de remédios
considerados estratégicos para o governo. São drogas
que, pelo alto preço ou uso significativo, passam a ser
prioritárias.
A lista das
drogas que terão prioridade tem mais 18 itens.
Segundo o presidente em exercício da Anvisa, Dirceu Barbano,
a análise dos processos começou, mas não
há prazo para conclusão. "Há medicamentos
em que o exame é mais trabalhoso. Também dependemos
da qualidade de informações apresentada pela indústria."
Ontem, o
ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou
uma possível solução para a polêmica
em torno da análise da patente de remédios. A alternativa
para impasse criado em janeiro, após parecer da Advocacia-Geral
da União reduzindo as atribuições da Anvisa,
seria a criação de um grupo dentro do governo com
a missão de criar um rito de análise conjunta:
Anvisa e Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi)
decidiriam o caminho para processos cujos pareceres fossem conflitantes.
AGENDA
- AssPreviSite
Um debate sobre o contexto dos planos em 2011
Encontro
sobre o cenário 2011 da Saúde
Suplementar
1º de Março - 13:30 às
17:30 h.
Auditório do Instituto Metrus - São
Paulo - SP
Como será 2011 para a Saúde
Suplementar?
Quais os
tons que irão compor este cenário?
Qual a visão da ABRAMGE, FENASAÚDE e UNIDAS sobre
o cenário?
O AssPreviSite
promoverá na tarde do dia 1º de março,
em São Paulo, um encontro de dirigentes, gestores e profissionais
da área de Saúde Suplementar para um debate e avaliação
do cenário 2011, destacando os temas das recentes das
consultas públicas da ANS, seus desdobramentos e impactos
para as operadoras de planos de saúde e demais atores
do sistema. Outro foco da reunião é a amplitude
e implicações da Agenda Regulatória do órgão.
A reunião busca esclarecer alguns dos tópicos destes
dois componentes e de outros aspectos que estão na pauta
do dia a dia do Sistema de Saúde Suplementar de nosso
país.
Destacamos
alguns componentes deste cenário e que serão
objeto do nosso encontro:
Variáveis constantes em consultas públicas:
- Alteração
de contratos antigos;
- Prazos
máximos
de Atendimento;
- Disponibilidade
de prestadores de serviços;
- Transporte
para prestador noutro município;
- Reembolso
integral dos custos dos beneficiários;
- Outros...
Contexto
da Agenda Regulatória da ANS:
- Financiamento do Setor;
- Garantia de Qualidade e Acesso Assistencial;
- Modelo de Pagamento a Prestadores;
- Assistência Farmacêutica;
- Incentivo
a Concorrência;
- Garantia
de Acesso a Informação;
- Contratos Antigos;
- Assistência
ao Idoso;
- Integração
com o SUS.
Outros aspectos
componentes do cenário:
- Composição
da Diretoria da ANS;
- Programa
de Qualificação em Saúde
Suplementar;
- Programa
de Acreditação
das Operadoras;
- Portabilidade de planos;
- Regulamentação
de artigos da Lei 9656/98
- Propostas
de mudanças na Legislação;
- Ressarcimento ao SUS;
- Atuação do Judiciário...
Assim, para
abordar esta temática de extrema importância
para o ano de 2011 e a dinâmica e contextualização
que se pode esperar para a gestão dos planos de saúde,
convidamos dirigentes da ABRAMGE, FENASAÚDE e UNIDAS para
expor o entendimento e a visão destas instituições
sobre este cenário. Também foram convidados destacados
e experientes advogados, especialistas do segmento, para apresentar
suas considerações sob a ótica jurídica.
O Encontro,
que tem o apoio do Instituo METRUS e o patrocínio
do Grupo BEM, será no dia 1º de março, das
13:30 às 17:30 h, no Auditório do METRUS, na Alameda
Santos, 1827 - 1º andar, na região da Avenida Paulista,
em São Paulo. A taxa de adesão é de R$ 200,00
(duzentos reais). Informações e inscrições
podem ser solicitadas através do e-mail assprevisite2@terra.com.br
-
LANÇAMENTO DA 10ª EDIÇÃO PRÊMIO
SINOG DE ODONTOLOGIA
Sinog
premiará dentistas
e estudantes de odontologia
Prêmio Sinog de Odontologia receberá os trabalhos
concorrentes até 15 de abril de 2011
O Sinog -
Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo, acaba
de lançar a 10ª edição
do Prêmio Sinog de Odontologia destinado a cirurgiões-dentistas
e estudantes de Odontologia. O tema escolhido para os cirugiões-dentistas é "Valorização
da Odontologia: Ações que contribuam para a ampliação
e fidelização da rede credenciada das operadoras
e que aprimorem a qualidade dos serviços prestados aos
beneficiários dos planos odontológicos", e
para os Estudantes de Odontologia, "Novas Tecnologias de
Imagem em Odontologia: Como essas ferramentas de diagnóstico
e controle de qualidade dos serviços odontológicos
podem contribuir para a segurança do cirurgião-dentista
e seu paciente e para o aperfeiçoamento da relação
do credenciado com a operadora de planos odontológicos".
A novidade
nesta edição é que, embora os
ganhadores anteriores das três últimas edições
não possam concorrer ao prêmio, os cirurgiões-dentistas
recém formados, com o registro profissional, e que tenham
participado na categoria de estudantes, nas edições
anteriores, poderão participar em 2011 dentro da respectiva
modalidade.
Na modalidade
cirurgiões-dentistas o prêmio é de
R$ 13 mil reais bruto, além de diploma e troféu.
Já para os estudantes de Odontologia, a premiação é R$
8 mil reais bruto, mais o diploma e o troféu e, caso o
trabalho vencedor tenha contado com a supervisão de um
professor orientador, o docente receberá como homenagem
uma menção honrosa e a participação
na solenidade de premiação, e a Faculdade de Odontologia
cujo trabalho apresentado por seu estudante for o vencedor também
receberá um troféu.
As inscrições para a 10ª edição,
com a entrega dos trabalhos, de ambas as categorias, poderão
ser feitas até o dia 15 de abril de 2011. O regulamento
completo do Prêmio Sinog de Odontologia está disponível
no endereço www.sinog.com.br/premio. A premiação
acontecerá durante o jantar oficial de abertura da feira
Hospitalar no dia 25 de maio de 2011, em São Paulo, em
local a ser divulgado. Mais informações poderão
ser obtidas através do e-mail secretaria@sinog.com.br
ou pelo telefone (11) 3289-7299.
O
Prêmio
Sinog de Odontologia
Idealizado
com o objetivo de valorizar o trabalho da classe odontológica e promover o desenvolvimento de pesquisas,
seja no setor acadêmico ou profissional, o prêmio
Sinog, criado em 2000, é anual e conta com temas diferentes
a cada nova edição.