Leia
nesta edição:
- O paradoxo
da saúde
- Pacientes
cobram novos remédios na rede pública
- CFM lança campanha do Dia do Médico
- O governo
e a residência médica
- PF investiga comprador de lixo hospitalar
- Planos
ignoram pressão para diminuir cesáreas
- Novos médicos não
sabem lidar com parto normal
- Gastos
com saúde do idoso
- Doença
de Chagas inspira nova droga
- Mais médicos nas áreas pública
e privada
- Dengue
- Receitas furadas
- SUS oferecerá teste rápido para sífilis
- Devolução
de lixo hospitalar aos Estados Unidos
- Comissão discutirá criação de
crédito para entidades filantrópicas
- Cai imposto
para remédios hemoderivados
- Martin
Blaser: o amigo das bactérias
- O imposto da gordura
- Por que
algumas doenças não somem
de vez
- Vitaminas sob suspeita
- Nova chance
para os pulmões
- Lixo hospitalar
americano é vendido
em loja no Brasil
- O cuidador e os seus problemas
- Dengue: drama que se repete
- Einstein faz 40 anos e 2.000 transplantes
- Fraudes
e gambiarras na saúde
- Lençol de lixo hospitalar dos EUA é revendido
no Brasil
- EUA enviam
mais 14 contêineres suspeitos
- Material
oferece risco de doenças, afirma médico
- Lixo hospitalar
não é reciclável,
segundo Anvisa
- Projeto
cultural de promoção da saúde
pode ser contemplado com Lei Rouanet
Segunda-feira, 17.10.11
Época
O
paradoxo da saúde
Os
brasileiros dizem pagar impostos demais – mas aceitam
outro, se for para a saúde
Por Ricardo
Mendonça
A maioria
dos brasileiros entende que a carga tributária
do país é “muito alta” e 62% acreditam
que os pobres pagam mais impostos que os ricos. Seria razoável
imaginar, portanto, que a maior parte da população
repelisse qualquer hipótese de criação de
mais um imposto. Mas não é o que ocorre. Para surpresa
até do dono do instituto que fez a pesquisa, 51% dos brasileiros
afirmam que aceitariam a criação de um novo tributo
no Brasil, desde que os recursos fossem usados exclusivamente
na saúde.
Quanto mais
pobre, maior a percepção de que os
pobres pagam mais impostos – e maior, também, o
nível de apoio à criação do novo
tributo. Entre os que ganham até dois salários
mínimos, 66% dizem que pobres pagam mais. Nesse mesmo
grupo, 55% são a favor de um novo imposto para financiar
a saúde. Como se explica o paradoxo?
“No primeiro momento, fiquei surpreso com esses resultados.
Como alguém pode querer mais imposto?”, diz o cientista
político Antonio Lavareda, dono do Instituto MCI, a empresa
que fez a pesquisa de satisfação com a vida para ÉPOCA. “Mas
depois, refletindo melhor sobre outros dados da pesquisa, vi
que faz sentido.” A explicação, segundo Lavareda, é o
desalento da população com a situação
da saúde. “O problema da saúde no Brasil é tão
grande, mas tão grande, que as pessoas até topam
pagar mais para o governo se for para resolvê-lo”,
diz. “Como os pobres são os que mais dependem do
sistema público de saúde, a aceitação
de um novo imposto exclusivamente para a saúde é maior
entre eles. Tem lógica.”
Na pesquisa
MCI, a saúde aparece como a maior preocupação
dos brasileiros, à frente de criminalidade e corrupção.
Os entrevistados foram convidados a apontar o maior e o segundo
maior problema do país. Na soma das respostas, saúde
foi citado por 52% das pessoas.
Nas perguntas
sobre corrupção, outro tema atual,
os resultados são mais previsíveis. Como era de
esperar, a maioria acha que a corrupção é maior
hoje que antigamente. “Isso será sempre assim. Tem
a ver com o noticiário, a divulgação constante
de denúncias, desvios e operações da Polícia
Federal”, diz Lavareda. Apesar da onda de demissões
no governo após denúncias de corrupção,
movimento batizado por alguns como “faxina da Dilma”,
a maioria vê a presidente como alguém apenas razoavelmente
empenhada em combater a corrupção. “É um
tema tão negativo que o ‘razoável’,
nesse caso, pode até ser considerado um dado positivo
para Dilma”, diz Lavareda. “No imaginário
geral, políticos não costumam ter preocupação
alguma com o combate à corrupção. Ela é ‘razoável’.”
Correio Braziliense
Pacientes
cobram novos remédios na rede pública
Por Vinicius Sassine
Programa
Saúde Não Tem Preço, que distribui
medicamentos a hipertensos e diabéticos, trabalha com
drogas ultrapassadas. Associações cobram inclusão
de substâncias já reconhecidas
Lançado logo após o primeiro mês de mandato
para ser uma vitrine da gestão de Dilma Rousseff, o Saúde
Não Tem Preço se propôs a fornecer medicamentos
de graça para diabéticos e hipertensos. Na assembleia
da Organização das Nações Unidas
(ONU), em Nova York, em setembro, a presidente ressaltou a iniciativa
em vigor no Brasil. Os pacientes, porém, encontram apenas
os medicamentos mais básicos na rede composta por 20 mil
drogarias intituladas Farmácias Populares. Eles reivindicam
versões modernas e eficazes das substâncias. Até mesmo
remédios que já fazem parte da Relação
Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), lista elaborada
pelo Ministério da Saúde com as drogas essenciais
para tratar as doenças mais comuns na população,
estão fora do Saúde Não Tem Preço.
A Sociedade
Brasileira de Diabetes (SBD) fez um pedido formal ao governo
de inclusão de uma droga chamada Gliclazida,
um antidiabético oral já inscrito na Rename. O
medicamento é considerado mais eficaz do que os distribuídos
pelo programa, já tem genérico e tem duas vantagens
apontadas pela SBD: menos efeitos colaterais e doses menores
para o mesmo resultado. É o que os médicos chamam
de "aderência". O êxito do tratamento depende
da disposição dos pacientes em tomar os medicamentos.
O Saúde Não Tem Preço oferece remédios
que precisam ser administrados de duas a quatro vezes por dia,
enquanto a Rename já tem remédios que podem ser
tomados uma única vez.
Esse princípio vale principalmente para a hipertensão
arterial. "A aderência é baixa. Em média,
pacientes tomam 3,6 comprimidos por dia para hipertensão
arterial. Eu não percebi mudanças com o lançamento
do programa", afirma o médico Heno Ferreira Lopes,
membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e
do Instituto do Coração (Incor) em São Paulo. "Muitos
relatam que não conseguem os remédios", diz
Heno.
As insulinas
disponíveis nas Farmácias Populares
são as regulares e a NPH. A SBD defende que o Saúde
Não Tem Preço ofereça também insulinas
combinadas, que evitam aplicações duplicadas no
mesmo dia. "Não entendo por que uma droga que já está na
Rename ainda não faz parte do programa", critica
a médica Hermelinda Cordeiro Pedrosa, da SBD e coordenadora
do Programa de Educação e Controle de Diabetes
da Secretaria de Saúde do DF. Estima-se que no Brasil
haja de 11 a 15 milhões de diabéticos. Já os
hipertensos são 33 milhões.
Alterações
Em resposta
ao Correio, o Ministério da Saúde
informou, por meio da assessoria de imprensa, que incorpora medicamentos
ao programa conforme o "orçamento disponível".
O ministério admite que o Saúde Não Tem
Preço poderá sofrer alterações. "Novos
medicamentos podem ser incorporados. Recebemos periodicamente
sugestões de atualização do elenco e todas
são avaliadas." A distribuição de 11
medicamentos para diabetes e hipertensão já ampliou
o acesso ao tratamento em 239% de fevereiro a setembro, segundo
o Ministério da Saúde.
CFM
CFM
lança campanha do Dia do Médico
As
peças veiculadas resgatam o comprometimento de cada
profissional com a melhoria da assistência
Por ocasião das comemorações do Dia do
Médico, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e os 27 conselhos
regionais (CRMs) lançam uma campanha voltada aos profissionais
e à sociedade na qual se ressalta a preocupação
da classe com os vários problemas que afetam a assistência
em saúde no país. Mais que alertar, a campanha
salienta o engajamento dos médicos com a busca de respostas
que conduzam à superação dos principais
desafios.
A partir
do slogan (Eu) Luto pela Saúde, as entidades
querem sensibilizar a população. “O brasileiro
deve reconhecer no médico um aliado. Essa cooperação
transcende o consultório e envolve também a articulação
política. A mensagem evidencia nosso descontentamento
com a qualidade do atendimento no país e não deixa
de ressaltar que estamos dispostos a efetivamente lutar contra
os abusos e a indiferença, praticados nas esferas pública
e privada”, acentua o conselheiro Desiré Carlos
Callegari, 1º secretário e diretor de Comunicação
do CFM.
O CFM também lançou um hotsite para celebrar a
data. Nele, médicos e internautas podem acessar o vídeo
institucional, áudio, peças da campanha e as notícias
mais recentes por meio de um espaço integrado ao Twitter.
O endereço é: http://flavors.me/portalmedico
As peças produzidas colocam o médico como elo
fundamental e agente de transformação da saúde
brasileira. Foram idealizados cartazes, postais e adesivos para
serem distribuídos pelos CRMs e outras entidades médicas
que decidiram incorporar a campanha às suas ações
para comemorar 18 de outubro, Dia do Médico. Também
estão sendo veiculados um vídeo institucional e
spots de rádio para marcar a data.
A veiculação dessa campanha acontece nos níveis
nacional e regional e inaugura uma nova etapa na relação
do CFM com os médicos e a população. A partir
de agora, a expectativa é estreitar o diálogo com
esses segmentos, com a preocupação de contribuir
com a valorização da medicina e estimular a reflexão
em torno de problemas e soluções que afetam a vida
de milhões de pessoas.
“A estratégia que pretendemos desenvolver confirma
a comunicação como ferramenta fundamental para
mostrar a importância do médico e da medicina para
o país. Os médicos precisam saber que estamos atentos às
suas reivindicações e cada paciente deve estar
convicto de que nossa classe tem um compromisso inabalável
com o bem-estar de todos”, acrescentou o presidente do
CFM, Roberto Luiz d’Avila, confiante no êxito da
nova ação que deve se materializar em produtos
concretos nos próximos meses.
CRMs planejam atividades para a data
As comemorações do Dia do Médico vão
além da campanha publicitária articulada pelo CFM
e pelos 27 CRMs. Nos estados, estão previstas várias
atividades.
Alguns CRMs
apostam na realização de audiências
públicas, com a participação de autoridades
locais, para que os tomadores de decisões sejam envolvidos
nos debates. Outros organizarão assembleias e atos públicos,
nos quais os próprios médicos serão os protagonistas,
denunciando obstáculos enfrentados no dia a dia.
Estão programadas ainda entrevistas coletivas para apresentar à sociedade,
com a ajuda da imprensa, o diagnóstico da situação
vivenciada. Com base em dados levantados pelos CRMs, os médicos – por
meio de suas lideranças – comprovarão a crise
instalada, especialmente no Sistema Único de Saúde
(SUS), e exigirão soluções efetivas.
Nesta data,
serão reforçadas as bandeiras que
orientam o movimento médico (conferir itens baixo). Acesse
a programação das atividades no portal do CFM (www.cfm.org.br).
Saiba
pelo que lutam os médicos
Valorização
da medicina
Autonomia no trabalho
Mais recursos
para a saúde
Melhores
condições de trabalho
Mais qualidade
na gestão do SUS
Carreira
de Estado para os médicos
O
Estado de São Paulo
O
governo e a residência médica
Depois de
extinguir o credenciamento especial dos cursos de pós-graduação lato sensu oferecidos por
instituições não educacionais, atingindo
com isso - entre outras consequências desastrosas - os
cursos de especialização oferecidos pelos mais
renomados hospitais do País, o Ministério da Educação
(MEC) voltou a causar confusão no setor. Agora, com o
objetivo alegado de resolver o problema da falta de médicos
na área de saúde pública, o Ministério
da Educação, em parceria com o Ministério
da Saúde, está interferindo nos programas de residência
médica dos hospitais universitários.
Por meio
de uma simples portaria, os dois Ministérios
determinaram que os médicos recém-formados que
participarem do Programa de Valorização do Profissional
de Atenção Básica durante um ano terão
direito a receber pontuação extra nas provas de
seleção para residências médicas.
Como a procura
por vagas em residências é muito
maior que a oferta, os médicos recém-formados candidatos
a uma vaga são submetidos a provas ainda mais rigorosas
do que as dos vestibulares em medicina. A escolha baseada exclusivamente
no mérito e na competência técnica é um
dos fatores que contribuem para a alta qualidade da formação
dos profissionais em medicina no País, segundo as entidades
especializadas e órgãos corporativos do setor médico.
A concessão de pontuação extra aos recém-formados
que trabalharem em hospitais públicos, proporcionada pela
portaria do Ministério da Educação e do
Ministério da Saúde, nada tem a ver com mérito
e desfigura o eficiente sistema de seleção das
residências médicas. Além disso, a portaria
fere o princípio da autonomia universitária, pois
impõe aos hospitais mantidos por instituições
de ensino superior critérios e obrigações
que nada têm a ver com ensino, capacitação
técnica e treinamento.
Para os coordenadores
de residência médica das
principais universidades brasileiras e para os dirigentes dos órgãos
corporativos do setor, a portaria do Ministério da Educação
e do Ministério da Saúde é prejudicial também
porque leva médicos recém-formados e sem um mínimo
de experiência a assumirem na rede hospitalar pública
responsabilidades para as quais não estão preparados,
apenas para obter a pontuação extra para as provas
de seleção.
"Um médico que sai da faculdade não tem condição
de estar à frente de um serviço de atenção
básica na rede pública", diz o presidente
do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp),
Renato Azevedo Júnior. "Sem o preparo necessário,
esse profissional vai se transformar num mero encaminhador de
pacientes para outros serviços", acrescenta o vice-diretor
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo,
José Auler Júnior.
A portaria
dos Ministérios da Educação
e da Saúde cria dois problemas onde havia um só.
Para resolver o problema da escassez de médicos na rede
pública, ela compromete a qualidade do ensino da medicina.
E os médicos que ela estimula a trabalhar nos hospitais
públicos não têm preparo e experiência
para atuar nos serviços de emergência e pronto atendimento,
o que submete os pacientes a uma assistência médica
de má qualidade, expondo-os a situações
de risco.
"Foi uma tática para tapar buraco", resume
o presidente do Cremesp. Reagindo às críticas,
a secretária executiva da Comissão Nacional de
Residência Médica, Maria do Patrocínio Nunes,
alega que "toda mudança gera uma discussão" e
que a polêmica provocada pelo Programa de Valorização
do Profissional de Atenção Básica já era
esperada pelos Ministérios da Educação e
da Saúde. Esse argumento revela a precariedade do processo
de decisões de fundamental importância para a saúde
e o bem-estar da população.
Invocando
o princípio da autonomia universitária
previsto pela Constituição, a direção
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
anunciou que não mudará os critérios vigentes
de seleção para residência médica.
A direção da escola não pretende nem mesmo
recorrer à Justiça, para questionar a portaria.
Vai simplesmente ignorá-la.
Folha
de São Paulo
PF investiga comprador de lixo hospitalar
Polícia Federal quer saber se clientes de confecção
pernambucana sabiam que material era trazido ilegalmente dos
EUA
Segundo Vigilância Sanitária, empresa importou
toneladas de lençóis usados por hospitais americanos
Por Fábio
Guibu, de Recife
A Polícia Federal investigará os clientes da confecção
de Santa Cruz do Capibaribe (a 205 km de Recife) responsável
pela importação e revenda de lixo hospitalar produzido
nos Estados Unidos.
Segundo a
PF, o objetivo é saber se esses
compradores -a maior parte atacadistas- tinham conhecimento
da origem do
material importado ilegalmente e o que eles faziam com a mercadoria.
Segundo a
Vigilância Sanitária estadual, a empresa
Na Intimidade, que tem o nome de fantasia Império do Forro
de Bolso, importou toneladas de lençóis, fronhas
e roupas usadas por hospitais americanos. Ela foi interditada.
A Receita
Federal não confirma que a empresa seja a responsável
pela importação. Diz que está investigando.
Dois contêineres com cerca de 46 toneladas de produtos,
muitos deles sujos de sangue e embalados em meio a seringas,
ataduras, luvas e máscaras cirúrgicas, foram apreendidos
pela Receita Federal na semana passada, no porto de Suape (PE).
A documentação indicava que a carga seria de tecido
de algodão com defeito.
Na
balança
A empresa
revendia o lixo em retalhos, peças inteiras
ou transformado em forros para bolsos. O preço era calculado
na balança. Um quilo de lençóis custava
R$ 10.
A Folha comprou
nove lençóis (4 kg) na sexta.
Alguns estão manchados e três possuem identificações
de origem, como "Baltimore Washington Medical Center University
of Maryland Medical System".
Ninguém sabe ainda a quantidade de lixo hospitalar já importado
pela empresa.
O gerente
geral da Vigilância Sanitária, Jaime
Brito, disse que a confecção possui registro desde
1998. Os representantes da empresa não foram encontrados.
Gazeta do Povo
Planos
ignoram pressão para diminuir cesáreas
Por Pollianna Milan
Nove em cada
dez partos feitos por planos de saúde são
cesáreas
Brasil ainda
não sabe como reduzir quantidade de cesarianas
e tentativas feitas até agora foram em vão. Prática
só cresce no país. Tentativas feitas até agora
foram em vão. Número de partos feitos desse modo
só cresce no país
As mulheres
com plano de saúde ajudam a elevar o índice
de cesáreas no Brasil. O país tem uma das maiores
taxas de parto cesariano do mundo, com atualmente 45%. Enquanto
no Sistema Único de Saúde (SUS) 40% dos nascimentos
são via cesáreas, na saúde suplementar este índice
mais do que dobra, chegando a 90%.
Desde 2005,
quando se descobriu que as mulheres com plano de saúde em quase sua totalidade faziam cesarianas, o governo
federal e as entidades médicas se uniram para pressionar
as operadoras a reduzir as taxas. Passados seis anos, pouca coisa
mudou e, o pior, o Brasil até agora não sabe ao
certo em qual frente deve trabalhar para reverter a situação,
já que os fatores de escolha pelo parto cesáreo
são múltiplos.
A ideia de
que parto era algo para ser feito nos hospitais foi copiada
dos Estados Unidos, mas lá as taxas de cesarianas
chegam a 27%, bem inferiores ao Brasil. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) sugere uma taxa de parto cesáreo
de 25% para cada país. Com o intuito de acabar com as
altas taxas, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
(Febrasgo), a Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) e outras entidades médicas fizeram uma
pesquisa com 3 mil médicos para tentar mapear as motivações
pela escolha da cesariana e, assim, combatê-las. A pesquisa
só será divulgada em novembro, mas, em entrevista,
as entidades já adiantam alguns fatores observados.
Motivos
A questão mais óbvia desta diferença é que
as atendidas pelos planos de saúde podem escolher livremente
o parto que querem ter, e elas preferem o cesáreo por
diversos fatores: pela comodidade, pela falsa ideia de que dói
menos (na verdade, a recuperação da cesariana é bem
mais dolorida), por medo de o parto normal machucar o bebê (se
for feito corretamente, é inverídico) e, atualmente,
pela violência urbana e a possibilidade de não haver
vagas nas maternidades.
“Nas grandes cidades, mulheres e médicos têm
preferido marcar a cesárea para evitar a surpresa de um
parto normal na madrugada, colocando em risco o médico,
a parturiente e o bebê, pois podem ser assaltados no trajeto
até a maternidade”, explica a médica
Lucila Nagata, membro da comissão de mortalidade materna
da Federação Brasileira das Associações
de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Além disso,
o agendamento acaba sendo a garantia de que a mulher vai ter
o filho no lugar escolhido previamente.
Indução
A grande
reclamação das mulheres, porém, é de
que os médicos induzem ao parto cesáreo. Elas dizem
que os médicos fazem isso devido à cesariana ser
mais cômoda para eles, afinal, este parto dura cerca de
duas horas enquanto um parto normal pode durar 12 horas.
“Sempre quis ter normal, cheguei a entrar em trabalho
de parto e o médico, no hospital, me disse que eu não
tinha dilatação. Ele me pegou em um momento de
fragilidade e afirmou que teria de ser cesárea pelo bem
do bebê. Acabei cedendo, mas foi frustrante”, afirma
a farmacêutica Halline Queiroz, que tem duas meninas, a
Julia e a Laura.
A Julia nasceu
de cesariana e a Laura de parto normal. “Na
segunda vez, mudei de médico e ele me provou que o parto
normal era possível. Ele derrubou o mito de que mulher
que tem o primeiro filho de cesárea vai ter de fazer cesariana
sempre”, conta.
Prematuridade
aumenta e bebês vão
para UTIs
O problema
da escolha pela cesariana é cultural, segundo
a gerente-geral de regulação assistencial da Agência
Nacional de Saúde Suplementar, Marta Oliveira. Para ela,
não basta pressionar os planos de saúde para reduzir
as taxas, “a mulher precisa aceitar o parto normal.”
Marta chama
a atenção para o fato de as cesarianas
serem literalmente agendadas, ou seja, a mulher nem chega a entrar
em trabalho de parto e o bebê, por isso, acaba nascendo
imaturo (com o pulmão ainda com líquido). “Se
tivéssemos 90% de partos cesáreos e estivesse tudo
bem, sem problemas. A questão é que temos a prematuridade
aumentando e muitos bebês ficando em UTIs. Este tipo de
consequência nos preocupa”, diz.
Mitos
Conheça algumas crenças sobre o parto normal que
não são comprovadas pela Medicina:
Há muita
perda de sangue
Na realidade, na cesariana se perde muito mais sangue.
A
dor é muito
forte
Na hora da
cirurgia da cesárea a mulher não sente
dor devido à anestesia, mas a recuperação é bem
mais complicada e dolorida.
O
bebê se
machuca
Pelo contrário: a passagem pelo canal vaginal ajuda a
criança a expelir os últimos líquidos, inclusive
do pulmão, e isso evita a síndrome de angústia
respiratória.
A
relação é pior
Na cesárea, muitas vezes, o bebê vai para a incubadora.
Segundo médicos, isso é extremamente prejudicial
na relação da mãe com o filho. No parto
normal o bebê é colocado imediatamente no peito
da mãe para criar o vínculo maternal.
Reduz a libido
Ao contrário do que se acredita, o parto normal não
diminui a libido.
Levantamento
Dinheiro
gasto com cesarianas poderia ir para outras áreas
O Ministério da Saúde tem pesquisas que mostram
o quanto de dinheiro foi usado desnecessariamente com cesarianas,
mas os dados são internos e não podem ser divulgados à imprensa.
A economista Tabi Thuler Santos, do Centro de Desenvolvimento
e Planejamento Regional de Minas Gerais, defendeu recentemente
uma dissertação onde trabalhou o tema Evidências
de indução de demanda por parto cesáreo
no Brasil e chegou à conclusão de que “há dinheiro
gasto com cesáreas que poderia ser usado para investimento
em outras áreas”. O custo de um parto normal pelo
Sistema Único de Saúde é de R$ 291 e a cesariana
custa cerca de R$ 402. O valor, no privado, pode variar conforme
a operadora do plano.
“A cesariana é um procedimento cirúrgico
que às vezes demanda UTI e antibióticos: é um
problema de saúde e econômico”, diz. Tabi
revisou a literatura e chegou a dois dados interessantes: o primeiro é a
crença (errada) de que a mulher que tem o primeiro parto
de cesariana precisa fazer os outros do mesmo modo. “Um
estudo de São Paulo de 2002 revelou que 95% das mulheres
com mais de um parto fizeram cesariana no segundo ou nos outros
porque já haviam passado uma vez pela cirurgia”,
diz. Outro dado, de 2009 (Rio de Janeiro), é de que apenas
37% das cesáreas no período foram uma escolha exclusiva
da mulher, ou seja, a interferência do médico é grande.
O outro lado
Plano de
saúde adere à campanha
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou
uma campanha intitulada Parto Normal está no meu plano
com o intuito de incentivar as mulheres com planos de saúde
a não optar pela cesariana. A reportagem entrou em contato
com a Associação Brasileira de Medicina de Grupo
(Abramge), com a Federação Nacional de Saúde
Suplementar (Fenasaúde) e a União Nacional das
Instituições de Autogestão em Saúde
(Unidas) para saber qual o posicionamento das operadoras de planos
de saúde sobre os altos índices de cesarianas na
saúde suplementar. A única que atendeu à reportagem
foi a Unidas.
Por e-mail,
ela respondeu que faz pesquisas (está na
12ª edição) para verificar a adesão à cesariana
e que tem percebido as altas taxas, por isso aderiu à campanha
da ANS. Sobre os motivos das altas taxas, afirmou que é um
problema cultural e o fato de os riscos da cesariana não
serem levados em conta. A presidente da Unidas, Denise Rodrigues
Eloi de Brito, ressalta que não há culpados pelas
altas taxas de cesariana, afinal, “hoje o custo dela é equivalente
ao do parto normal e, às vezes, até maior.”
Gazeta do Povo
Novos
médicos não
sabem lidar com parto normal
Por Pollianna Milan
Entre os
3 mil médicos entrevistados na pesquisa conduzida
pelo CFM, Febrasgo e ANS há algo em comum: os formados
recentemente, em sua maioria, não acham um problema a
quantidade de cesarianas feitas no Brasil, apesar de o índice
estar bem acima do aceitável. A médica Lucila Nagata,
da Febrasgo, chama a atenção para um ponto pouco
discutido: as universidades de hoje formam excelentes cirurgiões,
mas não ensinam aos obstetras como acompanhar um parto
normal. “Os colegas têm hoje maior ênfase no
saber operar e, muitos, quando se deparam com um parto normal,
não sabem como proceder”, explica.
Para Lucila,
outro problema é a quantidade de processos
judiciais (normalmente éticos) que surgem contra os médicos
que tentam fazer parto normal e acabam indicando a cesariana
em um tempo não hábil para salvar a mãe
ou o bebê ou para evitar algum problema no parto. “Muitos
preferem a cesariana para não correr este risco.”
A remuneração dos médicos no Brasil, pelos
planos de saúde, também é diferente quando
o parto é normal ou cesariana. Antigamente se
pagava mais pela cesariana, hoje grande parte dos planos de saúde
paga o mesmo valor e alguns já inverteram a lógica:
pagam mais pelos partos normais como incentivo. Recentemente
a Gazeta do Povo publicou que os médicos que fazem cesarianas
chegam a cobrar um valor extra (por fora) da parturiente para
ela ter a garantia da presença dele na hora do parto cesáreo
(alguns planos de saúde aceitaram esta atitude). Há ainda
outra questão: por mais que os médicos recebam
mais pelo parto normal, este costuma demorar muito mais que a
cesariana, ou seja, o valor/hora do parto normal não compensa. “Uma
das sugestões é que os planos de saúde montem
equipes qualificadas para o acompanhamento do trabalho de parto
(assim como existem as equipes de plantão nos hospitais
públicos). Assim, esta equipe atenderia a mulher e, o
obstetra, só seria acionado quando estivesse muito próximo
de o bebê nascer. Poderia ser uma alternativa. Estamos
buscando soluções”, diz o coordenador da
Comissão de Parto Normal do Conselho Federal de Medicina,
José Fernando Maia Vinagre.
A médica Daphne Rattner, professora da Universidade de
Brasília, sugere algo a mais: que o parto seja feito por
enfermeiras obstetrizes e o médico só seja chamado
caso necessário. “Em muitos países onde as
taxas de cesarianas são baixas, este é o modelo
que funciona”, cita Daphne.
Saúde
Business Web
Gastos
com saúde do idoso
A maior influência para a desaceleração
veio dos medicamentos, com queda de 0,13% no último trimestre,
contra uma alta de 3,58% registrada no trimestre anterior
Os gastos
da terceira idade com habitação e saúde,
que representam 45% do orçamento das famílias com
integrantes com mais de 60 anos, desaceleraram no terceiro trimestre
deste ano e causaram um aumento menor do Índice de preços
ao Consumidor da terceira Idade (IPC-3i), calculado pela Fundação
Getulio Vargas (FGV). O indicador cresceu 0,91% no terceiro trimestre,
abaixo do 1,3% registrado no segundo trimestre de 2011. As informações
são do jornal O Valor Econômico.
A saúde, que representa 15% do orçamento das famílias
com idosos, obteve alta de 1,19% no terceiro trimestre. No segundo
trimestre, a alta havia sido de 2,37%. A maior influência
para esta desaceleração veio dos medicamentos,
com queda de 0,13% no último trimestre, contra uma alta
de 3,58% registrada no trimestre anterior.
Nos medicamentos
houve uma queda importante, de 0,67%, dos remédios
vaso dilatadores, para doenças cardiovasculares, e queda
de 0,93% dos calmantes.
Segundo o
economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV
André Braz, os gastos com habitação,
que representam 30% do orçamento das famílias com
idosos, cresceram 1,25%. O número é inferior ao
crescimento de 1,71% registrado no segundo trimestre.
Segundo Braz,
os serviços influenciados por tarifas públicas,
como água, energia e condomínio tem peso maior
nas famílias com integrantes idosos, já que eles
tendem a ficar mais tempo em casa.
Os gastos
com água cresceram 2,94% no último trimestre,
abaixo dos 3,65% registrados no trimestre anterior. A energia
também desacelerou de 2,56% para 0,48%, no mesmo período,
e o condomínio, de 1,66% para 1,38%. Estas três
despesas comprometem 9,5% do orçamento destas famílias.
Outros grupos
também ajudaram na desaceleração.
Segundo Braz, o grupo transportes desacelerou de 1,17% no segundo
trimestre para 0,63%, no terceiro, influenciados pela desaceleração
do táxi, que variou de 2,67% para 0,16%, no período.
O grupo educação, leitura e recreação
foi de uma alta de 2,33% no trimestre anterior para queda de
0,27% no último trimestre.
A desaceleração poderia ter sido ainda maior se
não fosse o grupo alimentação, que representa
30% do orçamento das famílias com idosos. Dos 20
itens pesquisados, 17 sofreram alta.
Braz explicou
que a inflação do indicador foi
pouco influenciada por produtos voláteis. Dessa forma,
o núcleo da inflação – que exclui
a variação de preços de frutas, legumes
e hortaliças – registrou alta de 1,21%. “O
número é superior à inflação
do indicador, dessa forma, vemos que é uma inflação
em processo permanente”, declarou Braz ao Valor Econômico.
O economista
destacou que o IPC-3i vem apresentando desaceleração
desde o quarto trimestre de 2010, quando o índice teve
alta de 2,46%. “O indicador cresceu 2,18% no primeiro trimestre
deste ano, depois teve alta de 1,30% no segundo trimestre e,
agora, 0,91%”, afirmou. De acordo com Braz, a expectativa é que
o indicador acelere no próximo trimestre.
O
Estado de São Paulo
Doença
de Chagas inspira nova droga
Por Alexandre
Gonçalves
Cientistas
do Instituto do Coração (Incor-USP)
descobriram um aliado onde menos esperavam: uma proteína
do Trypanosoma cruzi - agente causador da doença de Chagas
- apresentou, em coelhos, ação protetora contra
aterosclerose. Em humanos, a mesma substância demonstrou
eficácia no tratamento de feridas ocasionadas por radioterapia.
A idéia de isolar e utilizar a proteína nasceu
de um dado da observação: pacientes chagásicos
não costumam sofrer enfarte. A doença evolui cronicamente
com o aumento do volume do coração e pode terminar
em insuficiência cardíaca. Mas autópsias
revelam vasos sanguíneos em estado invejável, sem
resquícios de placas de colesterol.
O parasita
utiliza a transialidase - nome da proteína
que despertou o interesse dos cientistas - para roubar ácido
siálico da membrana das células humanas. O tripanossoma
necessita da substância para viver, mas não é capaz
de produzi-la sozinho.
No entanto,
o ácido siálico da membrana das células
humanas também costuma servir como um gancho molecular
que bactérias utilizam para se prender à parede
interna dos vasos. Os cientistas do Incor descobriram que as
placas de colesterol estão muitas vezes associadas a colônias
de micoplasmas - um gênero de bactérias - que contribuem
para a complicação do quadro.
O tratamento
com a transialidade em coelhos que ingeriram uma dieta rica
em colesterol preservou os animais
de problemas vasculares
e regrediu danos nas artérias (mais informações
nesta página). Pesquisadores acreditam que a transialidase
serviu para desprender as bactérias associadas à formação
das placas.
Apesar dos
resultados promissores em cardiologia, a substância
começou a ser testada em humanos em um contexto diferente. "Descobrimos
que ela também evita apoptose (morte) das células
e atua como anti-inflamatório", aponta Maria de Lourdes
Higuchi, diretora do Laboratório de Inflamação
e Infecção do Incor e responsável pela pesquisa. "Decidimos
testar em feridas causadas por radioterapia."
Lacuna. O
cardiologista José Antonio Ramires, do Incor,
um dos apoiadores do estudo, recorda que não há terapias
eficazes disponíveis no mercado para tratar lesões
que costumam acompanhar as radioterapias.
A oncologista
clínica Silvia Graziani, do Instituto do
Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, concorda. Ela tem
testado a solução desenvolvida por Lourdes em pessoas
que recebem radioterapia. "Resultados preliminares mostram
que o tempo de cicatrização das feridas cai de
um mês a uma ou duas semanas", aponta.
As lesões obrigam muitos pacientes a abandonar o tratamento.
A esperança é que o uso do medicamento - até mesmo
antes do surgimento da ferida - aumente a adesão e o sucesso.
Portal G1
Mais
médicos nas áreas pública
e privada
Tanto
o setor público quanto o privado precisam de médicos
Pediatras,
socorristas, clínicos e ortopedistas são
os mais requisitados
Apesar dos
salários, se o mercado de trabalho para médicos é historicamente
aquecido, atualmente ele está mais favorável ainda:
tanto o setor público quanto o privado estão abrindo
vagas para esses e outros profissionais da área da saúde.
Entre os fatores que contribuem para a farta oferta de vagas,
está o crescimento econômico.
— As classes C e D estão com maior poder aquisitivo
e passam a adquirir mais planos de saúde, o que causa
impacto e gera mais demanda no setor — explica a presidente
do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro
(Cremerj), Márcia Rosa de Araujo.
Vagas
abertas também para enfermeiros e técnicos
No que se
refere à iniciativa privada, por exemplo, a
Unimed está selecionando 200 profissionais para atuar
no Pronto Atendimento de Copacabana, que será inaugurado
no mês que vem. A maior demanda é por médicos
com formação em clínica médica, pediatria
e ortopedia, além de enfermeiras e técnicos de
enfermagem, tomografia, imobilização e Raios X.
Mas os projetos
da empresa vão além, e, até o
fim do ano que vem, duas novas unidades a serem inauguradas abririam
cerca de 1.400 postos de trabalho.
— O crescimento do país, aliado a perspectivas
de grandes eventos, vem produzindo uma forte expansão
da atividade econômica no Estado do Rio. O mercado de medicina,
seja na indústria de planos de saúde, seja na área
de prestação de serviços médicos,
vem sendo beneficiado por esse movimento — avalia o superintendente-geral
da Unimed Rio Empreendimentos, Walter Cesar.
Já o governo do Estado do Rio abriu concurso que oferece
4.554 postos de níveis superior e técnico em unidades
de sua rede de saúde, como hospitais gerais, de urgência
e emergência, institutos de saúde e Unidades de
Pronto Atendimento (UPAs). O salário inicial para médicos é de
R$6.077,43.
— Faltam profissionais na saúde pública,
mas os salários não costumavam ser atrativos. Esse
concurso será um marco para a categoria — diz a
presidente do Cremerj.
Concurso para quase todas as especialidades
Clínicos, pediatras, socorristas, cirurgiões e
anestesistas estão entre as especialidades que oferecem
maior número de vagas nessa seleção da Fundação
Estatal de Saúde.
— Mas nós temos vagas disponíveis em quase
todas as especialidades médicas — ressalta o diretor-executivo
da fundação, Carlos Eduardo Coelho, explicando
que a instituição optou pela estratégia
de conceder salários mais altos que a média do
mercado para atrair mais candidatos. — Além disso,
pela primeira vez na área de saúde, uma instituição
está garantindo um plano de carreira para que os profissionais
sejam valorizados.
Meia Hora
Dengue - Receitas furadas
Pesquisa
diz que repelentes caseiros não
funcionam
Sabe aquela
receita infalível para evitar picadas de
Aedes aegypti, o mosquito da dengue? Esqueça. Um estudo
feito por pesquisadores da Unesp de Botucatu (São Paulo)
revelou que repelentes caseiros, como os feitos com citronela,
andiroba, cravo-da-índia e outras substâncias, não
têm efeito algum contra os mosquitos.
Para chegar à conclusão, os pesquisadores testaram
as fórmulas em estudantes de Medicina voluntários.
Em laboratório, os cientistas criaram um 'berçário'
de Aedes aegypti livres de contaminação e os deixaram
sem alimentação por 24 horas. Depois, os mosquitos
foram colocados em uma gaiola circular, com abertura somente
para o braço dos voluntários. Primeiro, os estudantes
colocavam os braços sem qualquer substância na gaiola.
Depois, passavam no outro braço a receita a ser testada.
"As substâncias afastaram os mosquitos por curto
período. Algumas centenas de segundos apenas. Nenhuma
superou os repelentes industrializados", afirma o coordenador
da pesquisa, Hélio Miot. Segundo ele, o maior perigo das
receitas é a falsa sensação de segurança.
"As pessoas aplicam essas substâncias achando que
vão estar protegidas contra a doença, mas, na verdade,
estão vulneráveis."
O infectologista
da Universidade Federal do Rio (UFRJ) Edimilson Migowski faz
outra ressalva: os repelentes
são soluções
apenas emergenciais. Para evitar a dengue, o correto é combater
os focos. "Quando falamos em dengue, não podemos
nos esquecer que é preciso combater o mosquito antes que
ele tenha asas. Mesmo o repelente industrializado tem problemas,
já que não pode ser usado o tempo todo e seu efeito
dura só algumas horas", alerta.
Portal G1
SUS
oferecerá teste rápido para sífilis
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferecerá teste
rápido de triagem para o diagnóstico de sífilis.
Até o fim deste ano, o Ministério da Saúde
vai adquirir 392 mil kits para implementação da
testagem na rede pública. A ação fará parte
da celebração do Dia Nacional de Combate à Sífilis,
realizado todo terceiro sábado de outubro.
O Departamento
de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde já capacitou 350 multiplicadores
para treinar profissionais de saúde para implantar a testagem
rápida. Até o final do ano, 680 técnicos
estarão capacitados a orientar os serviços locais
sobre como realizar o exame.
“Com a Rede Cegonha, o ministério quer garantir
que 100% das gestantes e seus parceiros sexuais, tenham acesso
ao exame de sífilis e, quando necessário, ao tratamento”,
afirma o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A Rede
Cegonha reúne a integração de serviços
e medidas para a atenção à gestante e seu
bebê, desde o planejamento familiar aos primeiros dias
após o parto.
No Brasil,
dados do Ministério da Saúde mostram
que a prevalência de sífilis em parturientes encontra-se
em 1,6%, cerca de quatro vezes maior que a prevalência
da infecção pelo HIV.
“O esforço é para conseguirmos eliminar
a forma congênita da doença, aquela que é transmitida
de mãe para filho, até o ano de 2015. Esses casos
são inaceitáveis e revelam dificuldades de acesso
a um pré-natal de qualidade que precisam ser superadas
rapidamente”, diz o Secretário de Vigilância
em Saúde, Jarbas Barbosa.
De 2005 a
2010, foram notificados 29,5 mil casos de sífilis
em gestantes, no país. A maioria dos casos no período
ocorreu nas Regiões Sudeste e Nordeste, com 9.340 (31,6%)
e 8.054 (27,3%) de casos, respectivamente. No ano de 2009, a
taxa de detecção para o país foi de três
casos por 1.000 nascidos vivos, sendo que as maiores taxas estão
nas regiões Centro-Oeste, com 5,2 e Norte, com 4,5.
De 2000 a
2010, foram detectados no Brasil 54.141 casos de sífilis
congênita em crianças menores de um ano de idade.
Do total acumulado nesse período, a Região Sudeste
registrou 24.260 (44,8%) casos; a Nordeste, 17.397 (32,1%); a
Norte, 5.223 (9,6%); a Sul, 3.764 (7,0%); e a Centro-Oeste, 3.497
(6,5%).
Sinais e
sintomas - A sífilis é uma doença
infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum e
pode se manifestar de forma temporária, em três
estágios. Os principais sintomas ocorrem nas duas primeiras
fases, período em que a doença é mais contagiosa.
O terceiro estágio pode não apresentar sintoma
e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença.
Com o desaparecimento dos sintomas, o que acontece com frequência,
as pessoas se despreocupam e não buscam diagnóstico
e tratamento. Sem o atendimento adequado, a doença pode
comprometer a pele, os olhos, os ossos, o sistema cardiovascular
e o sistema nervoso. Se não tratada, pode até levar à morte.
Além da transmissão vertical (de mãe para
filho), a doença pode ser transmitida de uma pessoa para
outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado
e por transfusão de sangue contaminado. O uso da camisinha
em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento
durante a gravidez são meios simples, confiáveis
e baratos de prevenção.
Estimativa
OMS - Segundo estimativas da Organização
Mundial de Saúde (OMS), a cada ano no mundo ocorrem aproximadamente
12 milhões de novos casos da doença. No Brasil,
as estimativas da OMS de infecções de sífilis
por transmissão sexual, na população sexualmente
ativa, a cada ano, são de 937 mil casos.
Agência Brasil / Última Instância
Devolução
de lixo hospitalar aos Estados Unidos
Dois dias
após apreender um segundo contêiner com
23,3 toneladas de lixo hospitalar trazido irregularmente dos
Estados Unidos por uma empresa têxtil pernambucana, a Receita
Federal acionou o MPF (Ministério Público Federal)
para entrar no caso.
A representação protocolada na sexta-feira na
Procuradoria da República em Pernambuco será distribuída
a um dos 16 procuradores locais, que podem instaurar um inquérito
ou um procedimento administrativo para que o caso seja investigado.
Segundo o
inspetor-chefe da Alfândega da Receita Federal
no Porto de Suape, Carlos Eduardo da Costa Oliveira, a entrada
do Ministério Público no caso é fundamental
não apenas para o andamento das investigações,
mas também para a definição sobre o que
fazer com o material apreendido.
“Estamos tentando devolver esse lixo para os Estados Unidos,
mas, pelas regras atuais nós não podemos devolver
qualquer mercadoria cuja importação seja proibida,
tendo que destruí-la. Porém, já houve um
caso, em 2009, em que, graças a uma norma do Ibama [Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]
e à ação do Ministério Público
Federal, conseguimos devolver o material que havia sido importado
da Inglaterra”, disse Oliveira a Agência Brasil.
Em 2009, a Justiça Federal recorreu à Convenção
de Basileia, da qual o Brasil é signatário, para
sustentar que o país tinha o direito de devolver à Inglaterra
os 41 contêineres com lixo tóxico apreendidos no
Porto de Santos (SP).
O inspetor
confirmou que as autoridades envolvidas no caso (Receita, polícia e Ministério Público Federal, além
do Ibama) investigam se mais seis contêineres que a empresa
pernambucana já havia recebido da mesma exportadora norte-americana
também continham lixo hospitalar, classificado como potencialmente
infectante pela legislação sanitária brasileira.
“Ainda não sabemos se os outros contêineres
continham o mesmo material. O advogado da empresa [com quem o
inspetor se reuniu pela manhã] alega que não, mas
nós queremos saber o que foi feito de todo este material,
se ele foi empregado na produção ou descartado”,
disse o inspetor, ao ressaltar que o advogado garantiu que o
seu cliente não sabia o que havia dentro dos contêineres
até que eles fossem abertos.
Os dois contêineres foram retidos esta semana. O primeiro
deles foi apreendido pela alfândega da Receita Federal
na tarde de terça-feira (11). O segundo, ontem (13). Ambos
continham 23,3 toneladas de lençóis, fronhas, toalhas
de banho, batas, pijamas e roupas de bebês. Parte do material
continha a identificação de hospitais norte-americanos
e estava suja de sangue. Também havia seringas, luvas
hospitalares, cateteres, gazes e ataduras em meio ao material.
Nos documentos
de importação, a empresa declara
que o material era tecido de algodão com defeito, remetido
do estado da Carolina do Sul. Os dois contêineres apreendidos
esta semana só foram inspecionados porque o valor declarado
era incompatível com o volume e o tipo de carga. Os seis
contêineres que a empresa pernambucana recebeu anteriormente
não foram inspecionados.
O nome da
empresa importadora continua em sigilo, mas a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já confirmou
se tratar de uma empresa têxtil de Santa Cruz do Capibaribe,
uma das cidades do polo de confecções pernambucano,
a 185 quilômetros da capital Recife. De acordo com Oliveira,
três hipóteses serão investigadas: se a empresa
pernambucana não sabia o que havia dentro dos contêineres
vindos dos Estados Unidos; se ela sabia e pretendia descartar
o material indevidamente no Brasil ou se ela sabia se tratar
de lixo hospitalar e, mesmo assim, planejava usar o tecido em
sua produção.
Agência Câmara de Notícias
Comissão discutirá criação de crédito
para entidades filantrópicas
A Comissão de Seguridade Social e Família realiza
nesta terça-feira (18) audiência pública
para discutir a criação de uma linha de crédito
especial para santas casas, hospitais e entidades filantrópicas.
O requerimento foi feito pelos deputados Saraiva Felipe (PMDB-MG)
e Antonio Brito (PTB-BA).
Os deputados
que propuseram a audiência afirmam que, durante
a terceira reunião da Frente Parlamentar de apoio às
Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas na Área
da Saúde e o 21º Congresso das Santas Casas e Hospitais
Filantrópicos, a principal reivindicação
do setor foi a criação de uma linha de crédito
do BNDES, com juros diferenciados, para reestruturar a saúde
financeira dessas entidades. As entidades lembraram que linha
de crédito nesses moldes já existiu no passado.
“Embora atualmente exista uma linha de crédito
chamada Caixa Hospital, que vem sendo operada pela Caixa Econômica
Federal, a alta taxa de juros praticada, acima da utilizada pelo
mercado, inviabiliza ou torna extremamente caras as operações
de crédito”, afirmam Saraiva Felipe e Antonio Brito.
Os parlamentares
argumentam que a audiência permitirá que
representantes desses órgãos expliquem as medidas
que estão sendo tomadas para assegurar a continuidade
dos trabalhos das santas casas e dos hospitais filantrópicos.
Convidados
Foram convidados
para a audiência:
- o ministro
da Saúde, Alexandre Padilha;
- o superintendente
da Área de Inclusão
Social do BNDES, Ricardo Luiz de Souza Ramos;
- o chefe
do Departamento de Avaliação e Gestão
de Garantias Reais da Área de Crédito do BNDES,
Henrique Rogério Lopes Ferreira da Silva;
- o presidente
da Confederação das Santas Casas
de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filatrópicas
(CMB), José Reinaldo Nogueira;
- o superintendente
Nacional de Média e Grande Empresa
da Caixa Econômica Federal, Giovanni de Carvalho Alves.
A audiência está marcada para as 14h30, no Plenário
5.
Debate
Na quarta-feira
(19), às 8 horas, no Salão Verde,
a frente parlamentar realizará sua quarta reunião
de trabalho, acompanhada de um café da manhã, com
o apoio da CMB.
O objetivo
da reunião é debater o reajuste da
tabela do SUS, uma fonte de financiamento para o setor e o resultado
da audiência pública do dia anterior.
Agência
Estado
Cai
imposto para remédios hemoderivados
Produtos
fazem parte da lista de medicamentos essenciais da OMS. Resolução publicada na sexta define também
as cotas de importação
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) determinou
a redução para zero do imposto de importação
de medicamentos da categoria de hemoderivados. A determinação,
publicada na sexta-feira (14) no Diário Oficial da União
(DOU), terá duração de seis meses. O objetivo é o
de evitar o desabastecimento interno.
Os produtos
fazem parte da lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os
concentrados de fatores VIII e XIX são utilizados para
o tratamento dos hemofílicos do tipo A e B, respectivamente,
e a soroalbumina humana é utilizada no tratamento de queimados,
de pessoas com cirrose e pacientes de terapia intensiva, entre
outras utilizações. A resolução publicada
nesta sexta no D.O define também as cotas de importação.
Época
Martin
Blaser: o amigo das bactérias
Quem é o cientista americano que tomou o partido de uma
das principais inimigas da saúde humana
Por Marcela Buscato
Cientistas
costumam ser comedidos. Apoiam-se em estatísticas,
sugerem probabilidades e raramente anunciam certezas. Mas o artigo
publicado pelo microbiologista americano Martin Blaser em agosto,
na revista científica Nature, fugiu à regra. Nele,
Blaser pedia, já no título, o fim da “matança
das bactérias”. O tom só causou menos surpresa
do que o conteúdo. No artigo, Blaser transformou em mocinha
a bactéria Helicobacter pylori, uma conhecida vilã.
Ele afirma que a bactéria, que está por trás
da maior parte dos casos de gastrite, úlcera e câncer
gástrico, não é apenas causadora de doenças.
“A H. pylori também traz benefícios para
os humanos”, afirma Blaser, professor da Universidade Nova
York. “Meus estudos sugerem que a erradicação
maciça dessa bactéria está por trás
da epidemia de obesidade e do aumento de casos de asma e de refluxo.”
Defender
as bactérias contra o uso indiscriminado de
antibióticos não é novidade. Há anos
os médicos estão preocupados com o surgimento das
superbactérias, micro-organismos resistentes às
drogas. Ao tomar antibióticos, muitas vezes sem prescrição
médica e sem necessidade, matamos bactérias fracas
e selecionamos as fortes. Um estudo publicado em 2007 constatou
que, aos 18 anos, adolescentes americanos já tomaram entre
dez e 20 ciclos de antibióticos. A medicação
mata até mesmo parte das bactérias que vivem no
corpo para ajudar em tarefas como a digestão. São
100 trilhões de micro-organismos do bem. O movimento em
prol do uso consciente dos antibióticos é antigo.
Mas Blaser é o primeiro a tomar a defesa de uma bactéria
específica, causadora de doenças.
A descoberta
em 1982 de que a H. pylori é uma das causas
principais de gastrite, úlcera e câncer gástrico
revolucionou o tratamento dessas doenças. Os médicos
puderam evitar que alguém desenvolva um tumor matando
a bactéria que irrita a mucosa do estômago, desencadeia
a multiplicação desordenada das células
e provoca úlceras. Essas feridas do estômago causam
dor, azia e, em casos graves, hemorragias – sintomas que,
antes das pesquisas sobre a H. pylori, eram tratados com drogas
caras e paliativas. O tratamento com antibióticos custa
um décimo do preço e é eficaz. A descoberta
foi tão importante que rendeu o Prêmio Nobel de
Medicina de 2005 a John Robin Warren e Barry James Marshall,
os dois cientistas australianos que fizeram a associação
entre a bactéria e as doenças na década
de 1980.
Blaser nos últimos anos têm se dedicado a reabilitar
a H. pylori. Ele sugere que a bactéria, que fica na mucosa
do estômago, tem papel importante na regulação
do suco ácido que digere os alimentos. Por isso, diz Blaser,
atacá-la poderia trazer problemas. A pessoa pode ganhar
peso porque a produção do hormônio da fome
seria afetada pela mudança no nível de acidez do
estômago. Ou desenvolver refluxo – transferência
de suco gástrico para o esôfago, o canal que leva
a comida ao estômago. As consequências imediatas
são dor e ardência. A longo prazo, a irritação
pode dar origem a um tumor. Até o sistema de defesa do
corpo pode sofrer. Sem a bactéria, ele pode ficar mais
sensível a outros micro-organismos e responder de maneira
exagerada a esses inimigos, tornando a pessoa asmática.
Para Blaser, ela controla também o nível de acidez
do estômago. Ele não pode ser muito baixo (porque,
nesse caso, bactérias que vivem no intestino subiriam
para o estômago e tomariam o lugar da H. pylori) nem muito
alto (porque prejudicaria o funcionamento do órgão,
algo ruim também para a bactéria). “Quando
se olha para a H. pylori sob essa perspectiva, é possível
compreender que ela traz benefícios, não só prejuízos”,
diz Blaser.
A tese dele é tão surpreendente quanto polêmica. “Não
se pode falar que um micro-organismo causador de doenças é benéfico”,
diz o gastroenterologista gaúcho Ismael Maguilnik, presidente
do Núcleo Brasileiro para Estudo da Helicobacter pylori,
um departamento da Federação Brasileira de Gastroenterologia.
Hoje, grupos de pesquisadores espalhados pelo mundo buscam uma
vacina para evitar que as pessoas sejam infectadas pela H. pylori.
O vetor da contaminação são frutas e verduras
mal lavadas, além de água contaminada. A reação
médica tornou-se automática: ao menor sinal de
azia ou queimação, pede-se uma endoscopia, exame
em que o médico inspeciona o estômago com uma pequena
câmera na ponta do cateter. Amostras colhidas da mucosa
do órgão mostram se a bactéria está lá.
Em alguns consultórios, com uma baforada dentro de um
saquinho especial, já se descobre a hóspede indesejada.
Com o diagnóstico, vem o tratamento: uma combinação
de dois antibióticos e de uma droga que reduz a acidez.
Blaser ainda
não reuniu evidências suficientes
para que a comunidade médica reavalie os atuais procedimentos.
O que ele conseguiu foi mostrar associações estatísticas
entre o tratamento com antibióticos e os resultados negativos.
Por exemplo: o número de crianças com asma aumentou
no mesmo período em que também aumentou a prescrição
de antibióticos. Ou: o número de casos de refluxo
cresceu entre pacientes que eliminaram a H. pylori. “Não
consigo provar que ele está errado, mas acho que ele precisa
provar ainda mais que está correto”, disse a ÉPOCA
o médico australiano John Robin Warren, um dos ganhadores
do Nobel pelo isolamento da H. pylori. A credibilidade de Blaser
deriva de seu profundo conhecimento da bactéria. Ele e
um grupo italiano descobriram que havia um tipo de H. pylori
mais perigoso que os outros. Mesmo assim, não se pode
excluir a possibilidade de que outras causas expliquem a relação
estatística encontrada por ele. “Pacientes curados
de úlcera podem passar a comer mais do que comiam, o que
também pode levar ao aparecimento de refluxo”, diz
o gastroenterologista Jaime Eisig, professor da Universidade
de São Paulo.
Apesar de
suas convicções, Blaser não propõe
um retorno ao tratamento feito antes do isolamento da bactéria.
Ele diz que pacientes que têm H. pylori e estão
doentes devem eliminá-la. Mas ataca o uso de antibiótico
nos casos em que a presença da bactéria não
está associada a nenhuma patologia – algo que a
comunidade médica tem debatido intensamente. Alguns médicos
preferem exterminar a bactéria mesmo que não haja
sintoma de doenças, para afastar a ameaça. Outros
pesam os riscos de usar antibióticos, selecionar bactérias
perigosas e matar aquelas úteis ao organismo. Muitas dessas
bactérias são desconhecidas da ciência. A
tese de Blaser vai reforçar os que defendem o procedimento
mais cauteloso. “Provavelmente outras espécies de
bactérias também estão desaparecendo, mas
nós nem sabemos por que elas não recebem atenção”,
diz Blaser. Se depender dele, a H. pylori ainda vira mártir.
Istoé
O imposto da gordura
A Dinamarca
impõe taxa sobre alimentos ricos em gordura
saturada, liderando um movimento que começa a ganhar adeptos
Por João
Loes
Os famosos
biscoitos amanteigados da Dinamarca ficarão
mais caros. Desde o começo do mês, está em
vigor no país escandinavo uma lei que taxa o quilo de
produtos com mais de 2,3% de gordura saturada em cerca de R$
5. Com isso, a manteiga, por exemplo, insumo básico da
iguaria dinamarquesa, pode ficar até 30% mais cara. A
medida, inédita no mundo, tem como objetivo reduzir o
consumo de alimentos recheados da perigosa, mas saborosa, substância.
Trata-se de uma decisão preventiva. Na Dinamarca, apenas
10% da população tem sobrepeso – no Brasil
o índice é de 48% enquanto nos Estados Unidos,
mais de 60%. A dúvida é: medidas como essa têm
efeito? Boa parte dos especialistas diz que sim. “É simples,
do mesmo jeito que o preço baixo estimula a compra, o
preço alto a inibe”, diz Walmir Coutinho, endocrinologista
e presidente da Associação Internacional para o
Estudo da Obesidade (Iaso).
Pesquisas
embasam a opinião de Coutinho. Um estudo conduzido
pela Universidade Oxford, na Inglaterra, mostrou que, se uma
taxa como a que foi instituída na Dinamarca fosse colocada
em prática no país, 3,2 mil vidas seriam salvas
anualmente. A alta de preços reduziria, diretamente, a
incidência de doenças como colesterol alto, aterosclerose
e derrame. Para os médicos, o ideal seria que a nova arrecadação
ainda subsidiasse hábitos alimentares saudáveis. “Hoje,
o maior desafio da saúde pública nessa área é o
custo”, diz Coutinho. “Comer mal é mais barato
que comer bem”, resume o endocrinologista. Nesse sentido,
a taxa sobre gorduras saturadas teria efeito positivo duplo – desestimulando
o consumo de alimentos pouco saudáveis e barateando os
saudáveis.
No mundo,
iniciativas parecidas com a da Dinamarca estão
tomando forma. Em nações europeias a gordura trans,
por exemplo, já é proibida por lei e pelo menos
dois países da região estudam a possibilidade de
adotar um imposto nos moldes do dinamarquês (leia quadro).
No Brasil, o que temos de mais próximo disso é um
acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a
Associação Brasileira da Indústria de Alimentos
(Abia) para zerar a gordura trans nos alimentos até 2013
e diminuir a ingestão de sal pelos brasileiros em 50%
até 2020. Nenhuma lei, porém, está prevista. “Aumentar
impostos funcionou bem com cigarro, não tem por que não
funcionar com a gordura”, diz Coutinho.
Istoé
Por
que algumas doenças não somem
de vez
Apesar
de serem alvo de campanha de vacinação
em massa, enfermidades como sarampo, coqueluche e poliomielite
continuam a fazer centenas de vítimas pelo mundo
Por Monique Oliveira
A erradicação da varíola nos anos 1970,
após um esforço global de mais de 200 anos, deu
início à esperança de que outras doenças
também pudessem desaparecer por completo. A poliomielite
foi, então, o próximo alvo. Na esteira da difusão
de conceitos de vigilância epidemiológica pela Organização
Mundial da Saúde, deflagrou-se uma corrida para a sua
erradicação com metas sendo estabelecidas – e
continuamente postergadas – desde 1971. A última,
estabelecida em 2010, foi adiada por pelo menos mais três
anos após nove novos casos serem registrados recentemente
na China.
A varíola segue, então, como única doença
erradicada. Com tantos avanços na medicina, a pergunta
que se faz é por que, afinal, determinadas enfermidades – contra
as quais há vacinas – continuam a fazer vítimas.
As respostas são complexas. Para ser considerada erradicada,
além de não originar mais nenhum caso, a doença
deve atender a estes critérios: o homem ser o único
hospedeiro do agente causador, dispor de uma forma de combate
segura e efetiva e ser beneficiada por uma política pública
mundial de campanhas de imunizações.
Isso já é uma grande tarefa. É preciso
considerar, porém, que cada doença tem sua particularidade.
No caso do sarampo, por exemplo, o vírus é altamente
contagioso. Dessa forma, qualquer falha na cobertura vacinal é uma
brecha perigosa. “Se alguém infectado entra em um
consultório médico, por exemplo, e outro indivíduo
lá presente não está imunizado, há grande
chance de contágio”, diz o epidemiologista José Cássio
de Moraes, da Santa Casa de Misericórdia de São
Paulo.
O problema é que, embora o Brasil tenha iniciado em 2005
uma campanha contra o sarampo e a rubéola, o vírus
continua circulando com força na África e na Europa. “Por
essa razão a doença não foi eliminada aqui”,
explica Moraes. Na última semana, a Secretaria Municipal
da Saúde de São Paulo, por exemplo, acompanhava
três bebês com menos de um ano sob suspeita de terem
contraído a enfermidade.
Na Europa,
o controle sobre o sarampo teve outro complicador. Em 1998,
um estudo publicado na revista científica “The
Lancet” associava a vacina contra o sarampo, a caxumba
e a rubéola ao autismo. O estudo iniciou uma onda antivacina
na Inglaterra que prejudicou o sucesso das campanhas. “Essa
pesquisa levou a surtos nos Estados Unidos e na Europa”,
disse à ISTOÉ Steve Cohl, da Universidade da Califórnia
e ex-membro do Comitê de Vacinas do Food and Drug Administration
(FDA). “Crianças morreram por não ter sido
imunizadas pelos pais, que acreditaram na pesquisa.” A
licença do médico autor do estudo foi caçada,
mas o estrago estava feito.
Crenças religiosas são outros fatores que interferem
nos esforços. Na Nigéria, fundamentalistas islâmicos
passaram a acreditar que a vacina contra a poliomielite havia
sido contaminada, pelo Ocidente, com o HIV, causador da Aids.
O resultado: 258 casos registrados em 2008.
Também a falta de campanhas de vacinação
para adultos, que funcionam como reservatório de alguns
micro-organismos causadores de doenças, dificulta o controle
das doenças. Um exemplo é a coqueluche, causada
por uma bactéria e caracterizada por crises de tosse.
Em alguns casos, pode ser fatal. No ano passado, o Brasil registrou
588 casos, segundo o Ministério da Saúde. A enfermidade,
cuja vacina precisa ser administrada de dez em dez anos, pertence
ao grupo de doenças tidas, erroneamente, como incidentes
apenas na infância. “Com o passar do tempo, adultos
infectados transmitem males como esse a crianças”,
disse Cohl.
Foi o que
aconteceu com o cirurgião plástico Marcelo
Frazão, 32 anos, de São Paulo. O médico
contraiu a doença e a transmitiu para a filha, Marcela,
então com apenas um mês. A bebê ainda não
tinha recebido a primeira dose da DPT, contra difteria, tétano
e coqueluche. “No hospital, tomamos antibiótico
porque a suspeita era de pneumonia”, lembra. “Como
o caso se agravou, a coqueluche foi diagnosticada.” De
fato, é comum que a doença seja subdiagnosticada
em adultos. “É frequente ser confundida com pneumonia
e até com asma”, afirma Analiria Pimentel, pediatra
e infectologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz,
instituição de Pernambuco escolhida para ser o
centro de vigilância para a coqueluche naquele Estado.
Em países mais pobres, a erradicação de
doenças esbarra também na vontade política
e econômica. “A oncocercose, principal causa infecciosa
da cegueira, poderia ser eliminada se houvesse interesse da indústria
farmacêutica em produzir remédios”, lamenta
o médico Moraes.
Istoé
Vitaminas sob suspeita
Estudo revela
que o consumo indiscriminado de cápsulas
de vitaminas e minerais pode elevar a mortalidade entre mulheres
acima de 55 anos
Por Mônica
Tarantino
Mais de um
terço da população adulta de
países ricos toma suplementos vitamínicos regularmente
por conta própria. Mas, em vez de proteger, ingerir doses
de vitaminas e minerais sem ter alguma carência nutricional
que justifique o consumo pode ter efeito contrário e contribuir
para um aumento de risco de morrer. O alerta foi feito na semana
passada por pesquisadores de várias instituições
liderados pelo cientista Jaakko Mursu, da Universidade de Kuopio,
na Finlândia, e da Escola de Saúde Pública
da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Eles acompanharam
38 mil mulheres americanas na faixa etária de 55 a 66
anos por cerca de duas décadas para chegar a essa conclusão.
Durante as entrevistas iniciais para conhecer o perfil das voluntárias
de um estudo para medir o impacto do consumo de suplementos na
saúde dessa população e na sua mortalidade,
Mursu e seus colaboradores descobriram que 63% das participantes
do projeto tomavam algum tipo de suplemento vitamínico
ou mineral para prevenir doenças crônicas. Com o
passar do tempo, esse índice chegou a 85%.
A análise dos dados coletados levou os cientistas a concluir
que se automedicar com vitaminas e suplementos sem necessidade
traz sérios malefícios. “Descobrimos que
tomar multivitamínicos e as vitaminas B6 e ácido
fólico (ou B9), ferro, magnésio, zinco e cobre
implica em uma elevação do risco de morte”,
disse o cientista Mursu à ISTOÉ. Nas análises
finais do trabalho, os pesquisadores viram que a suplementação
com multivitamínicos e ferro foi a que mais fez subir
os percentuais associados ao risco de morrer.
A explicação para os resultados é que a
maioria desses compostos se torna nociva em quantidades elevadas.
Isso aumenta as chances de reações que facilitam
o desenvolvimento de doenças como câncer e problemas
cardiovasculares. Os autores supõem que vitaminas e minerais
produzam efeitos similares nas taxas de risco de mortalidade
entre os homens, mas isso ainda não foi pesquisado. O
trabalho foi publicado na última edição
da revista científica americana “Archives of Internal
Medicine”.
Os achados
da pesquisa, chamada de Estudo Iowa (porque foi realizada com
mulheres do Estado do Iowa, nos EUA),
somam-se a uma série
de trabalhos consistentes realizados e em andamento que colocam
em xeque a crença disseminada de que não faz
mal engolir de vez em quando alguns comprimidos multivitamínicos.
Em 2007, por exemplo, uma investigação com 181
mil participantes apontou uma taxa de morte 5% maior entre os
adeptos do consumo de vitaminas antioxidantes (A, E, C e betacaroteno).
Na prática, é um tema que envolve pontos de vista
opostos entre correntes da medicina, interesses da indústria
farmacêutica e a atração exercida pelos poderes
protetores da saúde atribuídos a essas substâncias
e enaltecidos pela publicidade. Respostas definitivas virão
por meio de um esforço da medicina para empreender profundas
revisões de ensaios clínicos publicados e para
fazer novas investigações. Mas como agir enquanto
prevalece a dúvida? “Aconselhamos quem usa suplementos
a reconsiderar se deve continuar ingerindo-os. Deem atenção à dieta.
Suplementos raramente são necessários, e sua introdução
na alimentação deve ser justificada por um motivo
médico”, sugere o finlandês Mursu.
Istoé
Nova
chance para os pulmões
Procedimento
aumenta a capacidade respiratória de portadores
de enfisema, doença que costuma atingir os fumantes
Por Mônica
Tarantino
Uma nova
modalidade de tratamento está chegando ao País
para aliviar os sintomas dos portadores de enfisema grave,
uma doença crônica que progressivamente debilita
a capacidade respiratória e prejudica a qualidade de vida.
Vinte por cento da população mundial acima
de 65 anos convive com o problema, a maioria fumante (o tabagismo é o
mais importante fator de risco).
A enfermidade
deteriora os alvéolos, estruturas pulmonares
que realizam as trocas gasosas com o sangue. Isso torna mais
lenta e difícil a eliminação do ar contido
no órgão. Com o tempo, os pulmões ficam
cada vez mais dilatados, o que aumenta a falta de ar e o cansaço.
A técnica que agora começa a ser usada no Brasil é feita
para murchar a parte do pulmão mais atingida pela doença.
Dessa maneira, cria-se mais espaço no tórax para
o órgão se expandir durante a inspiração.
O método consiste na colocação de pequenas
válvulas nos canais que levam o ar até os pulmões,
os brônquios. A missão desses dispositivos, feitos
de silicone e nitinol (uma liga de níquel e titânio), é desviar
o ar inspirado para as áreas do órgão menos
atingidas pelo enfisema. “Quando a pessoa inspira, a válvula
se fecha e impede que o ar entre nas regiões comprometidas.
Quando a pessoa expira, a válvula se abre para permitir
também o escape do ar contido nessas áreas”,
explica o médico e pesquisador Hugo Goulart de Oliveira,
Chefe do Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital
Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde
o dispositivo foi testado e aprimorado por nove anos. O tratamento
foi avaliado em outros seis países. Atualmente, a técnica
está disponível em mais de 20 países na Ásia
e Europa.
Até agora, pacientes em estado grave eram tratados com
remédios broncodilatadores, reabilitação
respiratória e cilindros de oxigênio para dar mais
fôlego àqueles que muitas vezes não conseguem
sequer levantar da cama. Nos casos severos, as alternativas eram
a internação para ventilação artificial
ou o transplante. Havia uma terceira possibilidade, que era a
cirurgia de redução de volume pulmonar. “Porém
ela tem alto risco de mortalidade”, diz o pneumologista
Oliveira. Por essa razão, nos Estados Unidos, menos de
100 operações desse tipo são feitas por
ano.
Diante desse
quadro, a colocação das válvulas é uma
luz no fim do túnel. “Elas não curam o enfisema,
mas melhoram imensamente a qualidade de vida de doentes bem selecionados”,
diz o cirurgião torácico Luis Carlos Losso, do
Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcellos, de São Paulo,
um dos hospitais paulistanos de primeira linha que começam
a realizar o procedimento. Uma das condições é que
a enfermidade não tenha acometido gravemente todo o pulmão.
Bem indicada, a técnica proporciona a recuperação
de até 25% da capacidade respiratória.
O aposentado
carioca Oscar Taubkin, 73 anos, é um dos
64 brasileiros submetidos ao novo método na fase em que
sua realização era supervisionada pela equipe gaúcha.
Ele recebeu três válvulas no pulmão direito. “Eu
não conseguia mais sair de casa”, conta. “Dois
dias depois de pôr as válvulas, fui a uma churrascaria
e no mesmo mês viajei à Europa.” O procedimento
de Taubkin foi pago pelo convênio, mas isso ainda não é regra.
A nova opção para os pacientes de enfisema por
enquanto não está disponível na rede pública
e tem custo elevado. “O que se espera é que o governo
faça as contas e entenda que vale a pena pagar pelas válvulas
para reduzir as internações e complicações”,
diz o paulistano Arnaldo Salgueiro Rey, 47 anos, que passará pelo
procedimento esta semana. Para tratar seu enfisema, surgido há 14
anos em consequência de uma deficiência genética
rara, ele toma medicamentos, usa oxigênio e fez redução
pulmonar. “As válvulas me ajudarão a viver
mais livre, sem carregar um equipamento para respirar”,
diz Rey.
Domingo, 16.10.11
O
Estado de São Paulo
Lixo
hospitalar americano é vendido em
loja no Brasil
Por Fabio Graner e Monica Bernardes, especial para O Estado
Lençóis
utilizados em hospital dos EUA foram comprados em Santa Cruz
do Capibaribe, a 205
km de Recife
Uma loja
em Santa Cruz do Capibaribe, a 205 km de Recife (PE), foi interditada
pela Agência Pernambucana de Vigilância
Sanitária (Apevisa) por vender lençóis utilizados
em hospitais americanos. A venda no Brasil de resíduos
hospitalares dos Estados Unidos foi revelada ontem pelo jornal
Folha de S. Paulo.
Os lençóis, alguns com manchas, eram vendidos
por quilo. Um deles trazia a inscrição Baltimore
Washington Medical Center University of Mariland Medical System.
Procurado, o centro disse que paga empresas para processar seu
lixo e espera que elas sigam a legislação do setor.
Na semana
passada, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e a Receita Federal apreenderam, em
dois contêineres, 46 toneladas de lixo hospitalar trazidos
por uma importadora de tecidos dos EUA. A apreensão ocorreu
no Porto de Suape, litoral sul de Pernambuco.
Para o dia
22, a Anvisa e a Receita esperam a chegada de mais 14 contêineres, no mesmo porto. A expectativa é que
haja, novamente, lixo hospitalar dos EUA.
Investigação. Ontem, a Anvisa informou que ainda
sabe como o lixo hospitalar entrou no País e estava sendo
vendido na cidade de Santa Cruz do Capibaribe. O órgão
enviou mais um funcionário a Pernambuco para auxiliar
nas investigações sobre o caso. No entendimento
da Anvisa, a empresa importadora infringiu a Política
Nacional de Resíduos, que proíbe que se traga lixo
de outros países para o Brasil.
A fiscalização dos contêineres que entram
no Brasil é feita por amostragem pela Receita. Para não
inviabilizar o comércio exterior, o órgão
olha apenas uma parte dos produtos que chegam, seguindo critérios
como o tipo e origem, entre outros.
Segundo o
inspetor-chefe da Receita Federal em Suape, Carlos Eduardo
Oliveira, a encomenda foi enviada em
nome da Indústria
Têxtil Na Intimidade. Se condenada, a pessoa responsável
pode pegar de um a quatro anos de reclusão e ter de pagar
multa de até 2 milhões.
Folha
de São Paulo
O cuidador e os seus problemas
Por Julio Abramczyk
As pessoas
que cuidam de idosos, os denominados cuidadores (parentes ou
profissionais) precisam também cuidar de si mesmos.
O alerta é dado por José Tadeu Nunes Tamanini,
da Universidade Federal de São Carlos, em trabalho na "Neurology
and Urodynamics". O estudo analisa a sobrecarga de trabalho
ao cuidar de idosos com incontinência urinária e
foi realizado na cidade de São Paulo.
A perda súbita de urina sobrecarrega a atenção
do cuidador, que com frequência não tem a formação
adequada para essa atividade. Esse episódio, por sua frequência
e repetição, cria ansiedade e insegurança
no cuidador, o que pode evoluir para um quadro de estresse físico
e mental. Em raras situações, pode levar até a
ressentimento e raiva contra o idoso e eventual agressão.
Tamanini
sugere treinamento especializado para esses profissionais,
com um programa que envolva família, comunidade e Estado.
Será realizado no dia 5 de novembro, das 8 às 13
h, no auditório da Unip da rua Vergueiro, 1211, o seminário
Cuidar é Viver que irá debater o papel do cuidador
de idosos na sociedade atual. O evento é gratuito aos
interessados.
Sábado,
15.10.11
Correio Braziliense
Dengue: drama que se repete
Visão
do Correio ::
As recentes
ameaças de nova epidemia de dengue no país
puseram em alerta as autoridades de saúde pública
em razão, sobretudo, da volta de dois tipos de vírus
da doença, o 1 e o 4, que não eram detectados há quase
30 anos no Brasil e para os quais a população está indefesa
porque nunca teve contato com eles. As armas principais contra
o mosquito transmissor e o seu poder devastador são as
mais simples e tradicionais — como evitar acúmulo
de água em vasos e outros recipientes e manter ralos domésticos
limpos —, embora a mais poderosa seja a própria
consciência coletiva sobre a presença de um mal
que já ceifou milhares de vidas no território brasileiro.
Uma das medidas
que conferem a gravidade da situação é a
liberação emergencial de verbas pelo Ministério
da Saúde, para o controle da dengue, além dos recursos
já destinados ao combate de doenças no país.
No caso do Distrito Federal, o caixa da Secretaria de Saúde
receberá reforço de R$ 2,2 milhões. Esse
montante virá se somar, a partir de novembro, aos R$ 11,2
milhões já repassados mas que ainda não
foram totalmente gastos por falta de projetos. No entanto, não é apenas
com dinheiro que se soluciona problema de saúde coletiva
tão sério.
A dengue
no DF registrou 1,4 mil casos somente nos primeiros nove meses
deste ano, e a tendência é de agravamento
da situação, quando se sabe que a capital e o Entorno
não são invulneráveis aos dois novos vírus
atuantes (tipos 1 e 4), os quais já foram identificados
no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul.
O ponto central da questão sobre a melhor maneira de enfrentar
a doença é a montagem de uma ação
coletiva permanente de alerta sobre um cenário epidemiológico
sombrio, que se renova a cada ano e que promete reeditar incômodas
taxas de contaminação e de óbitos, não
apenas no DF, mas em todo o país, caso as autoridades
não tomem providências.
Nesse sentido,
a dengue no Brasil reflete a imagem da Espada de Dâmocles — aquela que vem do passado e que gira
em cima da cabeça de um povo medindo o tamanho da sua
fragilidade diante de uma crise. A imagem serve então
para expor o grau de insegurança dos governantes e gestores
da saúde em relação a estratégias
de ação todas as vezes que o fantasma da dengue
volta a assustar o país. Nesse contexto, é preciso
destacar ainda que a liberação de verbas do Ministério
da Saúde está condicionada à elaboração
de projetos — inexistentes em várias unidades da
Federação — que definam planos de combate
e fiscalização da doença, vigilância
epidemiológica e assistência ao paciente.
Folha
de São Paulo
Einstein faz 40 anos e 2.000 transplantes
Por Reinaldo
José Lopes
Instituição paulistana se consolida como maior
transplantadora de fígado do mundo, com sobrevida de pacientes
em torno de 90%
O Hospital
Israelita Albert Einstein comemora hoje seus 40 anos de existência, alcançando a marca de 2.000 transplantes
realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A
maior parte dos procedimentos (1.150) foi de fígado.
Com o número, a instituição paulistana
consolida sua posição como o maior transplantador
de fígado do mundo envolvendo doadores já mortos,
afirma o oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do hospital.
Para Lottenberg,
o marco é resultado da decisão
do hospital de suprir as necessidades de procedimentos de alta
complexidade que o sistema público de saúde tem
dificuldade de abarcar.
"Esse tipo de operação não depende
só da qualidade da equipe do hospital. Depende de uma
série de outros fatores, como a estrutura de equipamentos
e de banco de sangue. Conseguimos reunir esses fatores e alcançar
um número bastante significativo", diz Lottenberg,
que trabalha com transplantes de córnea em sua especialidade.
Demanda em alta
De acordo
com o médico, a alta demanda do SUS acabou
levando o Einstein a ter um predomínio de transplantes
de fígado, exigidos por uma série de doenças
crônicas do órgão. A sobrevida é de
90%, semelhante aos patamares nos EUA.
"Em vez de seguir uma fila cronológica dos pacientes,
optamos por transplantar primeiro os casos de maior gravidade,
o que também contribui para evitar mortes", afirma
Lottenberg.
Do ponto
de vista histórico, o presidente do Einstein
destacou a importância da iniciativa da comunidade judaica
na consolidação do hospital. "Ele foi criado
pela comunidade judaica, mas não para a comunidade judaica",
afirmou.
No mês de aniversário, o Einstein está implantando
um simulador de realidade virtual para cirurgias robóticas,
o Mimic. O simulador cria 39 cenários cirúrgicos,
de forma a aumentar a precisão de cirurgias reais feitas
com a ajuda de robôs no hospital.
Lottenberg
calcula que as unidades do hospital atendam cerca de 1 milhão
de pessoas por ano.
Folha
de São Paulo
Fraudes
e gambiarras na saúde
Por Hélio
Schwartsman
Se a Prefeitura
de São Paulo executar a promessa de exigir
que todos os médicos cumpram os plantões à risca,
o sistema público de saúde entra em colapso.
Na barafunda
que constitui a escala dos serviços municipais, é preciso
distinguir entre as fraudes propriamente ditas, nas quais funcionários-fantasmas
recebem sem trabalhar, e as gambiarras, que são as soluções
informais encontradas pelos gestores para lidar com um sistema
engessado e pouco funcional.
O problema
está no fato de que o serviço público
no Brasil é composto por diversas camadas geológicas
de servidores, o que inviabiliza uma política salarial
consistente.
Em parte,
a culpa é dos políticos. Cada administrador
que entra tenta criar uma marca eleitoral. Para isso, concebe
um programa qualquer (AMAs, AMEs, PSF, Samu, UPAs, há vários
alfabetos deles) e, a fim de fazê-lo funcionar direitinho,
contrata a soldo generoso os médicos que nele trabalharão.
Os demais salários, é claro, ficam como estavam.
O resultado, que contraria os princípios mais elementares
da administração, é que o poder público
passa a concorrer consigo mesmo.
Em São Paulo, por exemplo, as AMAs pagam cerca de R$
3.500 mensais por 12 horas semanais. Já um plantonista
de UTI ou sala de emergência, função muito
mais estratégica, recebe, pela tabela, mais ou menos o
mesmo montante, mas para uma jornada de 24 horas.
Para atrair
profissionais para esses postos-chave e manter os hospitais
funcionando, gestores se valem de todo
tipo de expedientes
irregulares. Oferecem pagamento dobrado (recebe por 24, mas trabalha
12), plantões extras e outras medidas que resultam em
escalas irreais.
Nessa balbúrdia, perde-se quase inteiramente o controle
sobre quem trabalha ou não, e as fraudes se diluem nas
incoerências do sistema. Ganham os fraudadores e os administradores
que os patrocinam.
Folha
de São Paulo
Lençol de lixo hospitalar dos EUA é revendido
no Brasil
Loja em Pernambuco
oferece material com nomes de instituições
americanas
Roupa de
cama é semelhante à que foi encontrada
em dois contêineres onde havia também seringa usada
Por Fábio
Guibu, enviado especial a Santa Cruz do Capibaribe (PE)
Lençóis com nomes de hospitais dos EUA, semelhantes
aos encontrados nesta semana pela Receita Federal no porto de
Suape e classificados como lixo hospitalar, são vendidos
por quilo em Santa Cruz do Capibaribe, a 205 km de Recife, em
Pernambuco.
A Receita
apreendeu dois contêineres, na terça
e na quinta, com 46 toneladas de resíduos hospitalares
vindos dos EUA que eram descritos em documentos como "tecido
de algodão com defeito".
Nos compartimentos,
no entanto, foram encontrados lençóis
manchados de sangue e seringas entre outros.
O material é proibido de entrar no país e oferece
risco à saúde. Especialistas dizem que lençóis
só podem ser reaproveitados após rigoroso processo
de esterilização.
Neste ano,
a mesma importadora já havia trazido para
Pernambuco outros seis carregamentos, que não foram retidos
na fiscalização.
Saldão
do Agresta
A Folha esteve
ontem na cidade do agreste pernambucano para onde seriam levados
os detritos importados apreendidos.
Lá,
comprou na loja de tecidos e retalhos Império do Forro
de Bolso, sem se identificar, nove lençóis.
Três peças têm
nomes de hospitais ou entidades americanas impressos no tecido.
Uma tem a mesma
origem de parte
do material apreendido no porto, o Hospital Central Services
Cooperative.
No total,
a Folha comprou 4,1 kg de lençóis, a
R$ 10 o quilo. Funcionários da loja alegaram "problemas
no sistema" para não entregar nota fiscal nem recibo.
Depois de conversarem ao celular, eles fecharam o local.
A loja fica
em uma das principais avenidas de Santa Cruz do Capibaribe,
cidade com 87,5 mil habitantes em
2010, segundo o
IBGE. Os lençóis e fronhas estavam amontoados no
chão. Tecidos para fazer forros de bolso eram vendidos,
a R$ 8,75 o quilo.
Várias peças
das roupas de cama tinham manchas.
Um dos lençóis comprados pela Folha traz a inscrição "Baltimore
Washington Medical Center University of Mariland Medical System".Outro
tem inscrição dizendo que não pode ser vendida: "Property
- not for sale".
Entre os
lençóis sem inscrição,
quatro têm etiquetas do fabricante. Dois deles são
da americana Medline Industries Inc.. Há lençóis
fabricados em outros países.
Após verificar a mercadoria, às 11h20, a Folha
voltou à loja, mas ela continuava fechada. À tarde,
ninguém atendeu ao telefone. A Receita diz que visitará a
cidade, mas não especificou a data.
Folha
de São Paulo
EUA
enviam mais 14 contêineres suspeitos
Por Fábio
Guibu e Verena Fornetti
Receita afirma que produtos foram encomendados por loja de tecidos
de Pernambuco; navio chega em uma semana
Universidade
dos EUA afirma que paga para outras empresas darem destino
final ao resíduo hospitalar que
produz
Do enviado especial a Santa Cruz do Capibaribe (PE) / De Nova
York
A Receita
Federal aguarda a chegada de mais 14 contêineres
dos EUA encomendados pela mesma confecção de Santa
Cruz do Capibaribe que importou 46 toneladas de lixo hospitalar
retidas nesta semana no porto de Suape, no Estado de Pernambuco.
De acordo
com o inspetor chefe da alfândega da Receita
Federal local, Carlos Eduardo Oliveira, os contêineres
estão em um navio e deverão chegar em uma semana.
O conteúdo dos contêineres ainda é desconhecido.
De acordo com o inspetor chefe, a empresa exportadora pode fazer
essa declaração até cinco dias antes de
o navio atracar em seu destino.
A confecção responsável pela importação,
cujo nome ainda não foi divulgado, adquiriu neste ano
oito contêineres dos Estados Unidos.
Os dois últimos carregamentos foram apreendidos após
a Receita Federal desconfiar do valor da nota. Aos inspecionar,
descobriu se tratar de lixo hospitalar.
Oliveira
disse que não poderia confirmar se foi a Forro
de Bolso -onde a Folha adquiriu os lençóis- que
importou as 46 toneladas de lixo hospitalar dos EUA.
Mas disse
que a descrição das peças compradas
pela Folha na loja de tecidos se assemelha com as que estão
retidas em no porto de Suape desde o início da semana.
Repercussão
O University
of Maryland Medical Center (Centro Médico
da Universidade de Maryland) divulgou nota após ser procurado
pela Folha.
"Nós pagamos várias empresas para processar
e lidar com os resíduos do hospital. Esperamos que nossos
fornecedores cumpram as leis sobre o descarte desses itens. Estamos
interessados em saber mais informações sobre esse
caso assim que houver detalhes disponíveis."
A Folha também localizou a NYC Health and Hospitals Corp
(Corporação de Saúde e Hospitais da Cidade
de Nova York). A entidade disse não ter conhecimento sobre
o caso do lixo hospitalar.
A Folha não
conseguiu contato com o Baltimore Washington Medical Center,
o Hospital Central Services Cooperative,
o Department
of Veterans Affairs Property e a Medline Industries Inc, todas
com sede nos EUA.
Folha
de São Paulo
Material
oferece risco de doenças, afirma médico
Por Gustavo
Hennemann, de São Paulo
Os tecidos
descartados por hospitais dos Estados Unidos e vendidos em
Santa Cruz do Capibaribe oferecem risco
de contaminação
caso não tenham sido esterilizados de forma adequada,
de acordo com o clínico geral do Hospital das Clínicas
de São Paulo Arnaldo Lichtenstein.
As pessoas
que tiverem contato direto com o material podem contrair doenças como hepatite A e B, segundo o médico.
"Há vírus e bactérias que são
resistentes mesmo a lavagens com soda cáustica e outros
produtos. Não é um risco desprezível",
afirma Lichtenstein.
De acordo
com ele, além de lavagem com produtos químicos,
o tecido de uso hospitalar tem de ser esterilizado por meio de
processos complexos.
"Estamos falando de secreções humanas altamente
contaminantes. Há risco se o pano [contaminado] entrar
em contato com uma ferida, ou mesmo através da respiração
ou a boca", diz Lichtenstein.
Folha
de São Paulo
Lixo
hospitalar não é reciclável,
segundo Anvisa
De
Brasília
A Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
informou ontem que "não é permitida a reciclagem
de lixo hospitalar", regra estabelecida por uma resolução
de 2004. Ainda de acordo com a agência sanitária,
uma lei do ano passado proíbe a entrada de lixo hospitalar
no país.
"A Anvisa atua em todos os portos, aeroportos, fronteiras
e recintos alfandegários do Brasil no controle sanitário
de cargas e passageiros", informou o órgão,
em nota.
A Anvisa
ressaltou ainda no texto ter lacrado os dois contêineres
apreendidos no porto de Suape. A agência inspeciona o conteúdo
deles para analisar risco sanitário.
Até agora, foram encontrados lençóis sujos
de sangue, seringas, máscaras, luvas cirúrgicas,
cateteres e gaze.
A Anvisa
informou ainda que irá fornecer um laudo oficial
para que a Receita Federal tome as medidas judiciais em relação
aos envolvidos no processo de importação fraudulenta
do lixo hospitalar.
Sexta-feira, 14.10.11
Agência Câmara de Notícias
Projeto
cultural de promoção da saúde
pode ser contemplado com Lei Rouanet
Por Lara
Haje / Edição: Newton Araújo
A Câmara analisa o Projeto de Lei 1553/11, do deputado
Darcísio Perondi (PMDB-RS), que inclui os projetos culturais
ligados à promoção de hábitos saudáveis
e de prevenção de doenças entre aqueles
que podem ser beneficiados pela Lei Rouanet (Lei 8.313/91).
A proposta
altera a lei, para incluir, entre os objetivos do Programa
Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), o apoio à difusão
de conhecimento de hábitos saudáveis para a prevenção
e controle de doenças, por meio da cultura.
Incentivos fiscais
Pela proposta,
os projetos culturais que tenham como objeto a promoção de hábitos saudáveis ou
a prevenção e controle de doenças poderão
receber recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC) e dos Fundos
de Investimento Cultural e Artístico (Ficarts).
Além disso, poderão ser beneficiados por incentivos
fiscais (dedução no Imposto de Renda) previstos
na lei para o apoio a projetos culturais por pessoas físicas
ou jurídicas, por meio de doações e patrocínios.
Políticas públicas
Segundo a
proposta, todos os projetos aprovados que tenham como objeto
a promoção de hábitos saudáveis
ou a prevenção e controle de doenças deverão
estar de acordo com as políticas públicas adotadas
pelo Ministério da Saúde.
O deputado
afirma que, atualmente, há um aumento das
doenças decorrentes da urbanização, das
mudanças culturais e de hábitos da população,
como câncer, diabetes e doenças do coração.
Na avaliação do parlamentar, “diante desse
cenário, é fundamental que o Brasil assuma, como
prioridade, o incremento das iniciativas intersetoriais de prevenção
ligadas à informação da população
com relação a mudanças de hábitos”.
Tramitação
A proposta
tramita em caráter conclusivo e será analisada
pelas comissões de Seguridade Social e Família;
de Educação e Cultura; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-1553/2011
AGENDA
- 18 de Outubro – Dia do Médico
- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo
Abramge / AssPreviSite
As inscrições para os Prêmios Abramge de
Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam
em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus
Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”.
Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias
impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o
dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde
podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio
site da Abramge.
No Brasil,
o Ministério da Saúde registra a cada
ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável
por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais:
a informação não é muito divulgada.
O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis
(DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora
do vírus – e segundo estudo publicado na revista
científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México
e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma
humano.
Podem participar
da premiação, jornalistas profissionais
de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema
escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de
2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos
sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover
a informação sobre saúde e estimular a pesquisa
científica do setor”, diz o presidente da Abramge,
Arlindo de Almeida.
A comissão julgadora dos Prêmios será constituída
de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão
encaminhados aos jurados escolhidos pela direção
da Abramge para análise e indicação dos
melhores trabalhos.
Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem:
R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria
da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos.
E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma
para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no
início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores
no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da
Abramge.
Veja o regulamento
completo dos Prêmios no endereço
eletrônico www.abramge.com.br
-
Seminário
sobre Terapias Celulares
Estão abertas as inscrições para o Seminário
Nacional sobre a Regulação em Terapias Celulares.
O evento promovido pela Anvisa vai discutir um tema que tem despertado
interesse da comunidade científica: as terapias elaboradas
a partir de células humanas viáveis (aquelas que
podem ser utilizadas em tratamentos).
Atualmente,
ainda não há no Brasil um marco regulatório
para estes novos tratamentos que devem começar a chegar
ao mercado nos próximos anos.
Inscrições
O seminário acontecerá nos próximos dias
17 e 18 de outubro, no auditório da Anvisa, em Brasília.
Para efetuar a inscrição, o interessado deve enviar
e-mail para o endereço cerimonial@anvisa.gov.br. A inscrição é gratuita,
e estão disponíveis 200 vagas.
- Evento sobre auditoria de medicamentos
Unidas / AssPreviSite
Auditoria
de medicamentos de alto custo - quimioterapia, radioterapia
e agentes biológicos
14 de outubro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
O aumento
nos custos da sáude está diretamente
relacionado à incorporação de novas tecnologias
O advento
dos anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer
e dos agentes biológicos para as doenças reumáticas,
auto-imunes e dermatológicas trouxe grandes avanços
para o tratamento, mas com um aumento expressivo nos custos.
O bom uso
destes medicamentos traz benefícios inquestionáveis
para os pacientes mas o mal uso, que não é infrequente,
não só prejudica a saúde dos mesmos como
acarreta desperdícios para os financiadores da saúde.
O desafio
da regulação dos agentes quimioterápicos
e biológicos requer do auditor novos conhecimentos.
O objetivo
geral deste curso é capacitar o auditor a
exercer papel regulatório adequado sobre o uso de agentes
quimioterápicos e biológicos, de forma a assegurar ótima
qualidade assistencial aos usuários de seu sistema.
Instrutores
DR.OTÁVIO AUGUSTO CÂMARA
CLARK
ENFERMEIRA
ANNA FLÁVIA
FORTES
Público
Alvo
Gestores
e auditores de sistemas de saúde no Brasil.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
-
12º Congresso Paulista de Saúde Pública
APSP tem
o prazer de convidá-lo a participar do 12º Congresso
Paulista de Saúde Pública, que será realizado
de 22 a 26 de Outubro de 2011, no município de São
Bernardo do Campo. O congresso tem como eixo central "Saúde
e Direitos: escolhas para fazer o SUS".
As Comissões Científica e Organizadora estão
preparando um grande evento que possibilite promover debates,
reflexões e encaminhamentos que envolvam atores representantes
da universidade, da gestão, dos trabalhadores da saúde,
usuários de nossos serviços, enfim todos os cidadãos
e coletivos responsáveis pela consolidação
e fortalecimento do SUS. Nosso sistema de saúde é hoje
a maior política garantidora de direitos no país
e pela sua abrangência e universalidade está, permanentemente,
em disputa entre vários setores e atores. O Congresso
possibilitará explicitarmos e debatermos estas várias
escolhas para atingirmos nosso objetivo, no sentido de garantir
a saúde como um direito e conquista para a cidadania e
desenvolvimento de nosso país.
Sua participação é fundamental para o enriquecimento
do debate e avaliação de nossas escolhas! Esperamos
por você no Congresso!
Mais informações: http://www.congressoapsp.com.br/
- HOSPITAL BUSINESS 2011
27 E 28 DE Outubro de 2011 / Copacabana / Rio de Janeiro
O Hospital
Business reúne congresso científico
e exposição de produtos, serviços e equipamentos;
possibilitando o intercâmbio de conhecimento em um espaço
de proposição e debates de idéias, onde
profissionais se encontram para pensar a formação
e agregar conhecimento aliado à experiência profissional.
A exposição, em uma era cada vez mais digital, é o único
canal onde o comprador, o vendedor e o produto se encontram fisicamente – uma
força potente para os negócios que possibilita
que os profissionais tenham acesso à lançamentos
de novos produtos, novas tecnologias que terão impacto
significativo em sua atuação profissional.
Inscrições:
http://www.hospitalbusiness.com.br/inscricao2011.asp
Contato: http://www.hospitalbusiness.com.br/contato.asp
-
X Encontro Nacional de Economia da Saúde
O X Encontro
Nacional de Economia da Saúde será realizado
nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2011, no Hotel Embaixador,
na cidade de Porto Alegre/RS.
Mais informações: http://www.ppge.ufrgs.br/abres/index.php
-
14º Congresso
Unidas
Unidas / AssPrevISite
Inovações e Desafios da Saúde
Suplementar
Dias 21 e 22 de novembro de 2011
Hotel Maksoud
Plaza São Paulo
Alameda Campinas,
150 - Bela Vista - São Paulo/SP
Promover
o desenvolvimento e a capacitação dos
líderes da saúde suplementar é o objetivo
maior do 14º Congresso UNIDAS - Inovações
e Desafios da Saúde Suplementar. O evento apresentará temas
atuais que envolvem os desafios presentes no cotidiano dos gestores,
além de oportunizar a troca de informações,
experiências e conhecimento entre os players do setor.
Além do 14º Congresso UNIDAS, realizaremos no mesmo
período e local a 11ª Feira de Produtos e Serviços
para Planos de Saúde que irá apresentar as mais
recentes inovações e soluções tecnológicas
para a gestão da área da saúde. Para ser
expositor ou patrocinador dos eventos, as empresas deverão
fazer contato com a UNIDAS pelo telefone (11) 3289-0855, ou pelos
e-mails: sandra@unidas.org.br e rose@unidas.org.br.
Participem
do 14º Congresso UNIDAS - Inovações
e Desafios da Saúde Suplementar e da 11ª Feira de
Produtos e Serviços para Planos de Saúde! A sustentabilidade
do segmento de autogestão dependerá do crescimento
e capacitação profissional daqueles que lutam e
contribuem por um sistema de saúde justo para todos os
brasileiros.
Informações
Informações adicionais e esclarecimentos poderão
ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11)
3289-0855 ou e-mail congresso@unidas.org.br
- 14º Conferência Nacional de Saúde
Tema
“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA
PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”
A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada
em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional.
As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram
dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa
Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os
dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.
Mais informações
no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html