17-10-11

 

Leia nesta edição:

- O paradoxo da saúde

- Pacientes cobram novos remédios na rede pública

- CFM lança campanha do Dia do Médico

- O governo e a residência médica

- PF investiga comprador de lixo hospitalar

- Planos ignoram pressão para diminuir cesáreas

- Novos médicos não sabem lidar com parto normal

- Gastos com saúde do idoso

- Doença de Chagas inspira nova droga

- Mais médicos nas áreas pública e privada

- Dengue

- Receitas furadas

- SUS oferecerá teste rápido para sífilis

- Devolução de lixo hospitalar aos Estados Unidos

- Comissão discutirá criação de crédito para entidades filantrópicas

- Cai imposto para remédios hemoderivados

- Martin Blaser: o amigo das bactérias

- O imposto da gordura

- Por que algumas doenças não somem de vez

- Vitaminas sob suspeita

- Nova chance para os pulmões

- Lixo hospitalar americano é vendido em loja no Brasil

- O cuidador e os seus problemas

- Dengue: drama que se repete

- Einstein faz 40 anos e 2.000 transplantes

- Fraudes e gambiarras na saúde

- Lençol de lixo hospitalar dos EUA é revendido no Brasil

- EUA enviam mais 14 contêineres suspeitos

- Material oferece risco de doenças, afirma médico

- Lixo hospitalar não é reciclável, segundo Anvisa

- Projeto cultural de promoção da saúde pode ser contemplado com Lei Rouanet

Segunda-feira, 17.10.11

Época

O paradoxo da saúde

Os brasileiros dizem pagar impostos demais – mas aceitam outro, se for para a saúde

Por Ricardo Mendonça

A maioria dos brasileiros entende que a carga tributária do país é “muito alta” e 62% acreditam que os pobres pagam mais impostos que os ricos. Seria razoável imaginar, portanto, que a maior parte da população repelisse qualquer hipótese de criação de mais um imposto. Mas não é o que ocorre. Para surpresa até do dono do instituto que fez a pesquisa, 51% dos brasileiros afirmam que aceitariam a criação de um novo tributo no Brasil, desde que os recursos fossem usados exclusivamente na saúde.

Quanto mais pobre, maior a percepção de que os pobres pagam mais impostos – e maior, também, o nível de apoio à criação do novo tributo. Entre os que ganham até dois salários mínimos, 66% dizem que pobres pagam mais. Nesse mesmo grupo, 55% são a favor de um novo imposto para financiar a saúde. Como se explica o paradoxo?

“No primeiro momento, fiquei surpreso com esses resultados. Como alguém pode querer mais imposto?”, diz o cientista político Antonio Lavareda, dono do Instituto MCI, a empresa que fez a pesquisa de satisfação com a vida para ÉPOCA. “Mas depois, refletindo melhor sobre outros dados da pesquisa, vi que faz sentido.” A explicação, segundo Lavareda, é o desalento da população com a situação da saúde. “O problema da saúde no Brasil é tão grande, mas tão grande, que as pessoas até topam pagar mais para o governo se for para resolvê-lo”, diz. “Como os pobres são os que mais dependem do sistema público de saúde, a aceitação de um novo imposto exclusivamente para a saúde é maior entre eles. Tem lógica.”

Na pesquisa MCI, a saúde aparece como a maior preocupação dos brasileiros, à frente de criminalidade e corrupção. Os entrevistados foram convidados a apontar o maior e o segundo maior problema do país. Na soma das respostas, saúde foi citado por 52% das pessoas.

Nas perguntas sobre corrupção, outro tema atual, os resultados são mais previsíveis. Como era de esperar, a maioria acha que a corrupção é maior hoje que antigamente. “Isso será sempre assim. Tem a ver com o noticiário, a divulgação constante de denúncias, desvios e operações da Polícia Federal”, diz Lavareda. Apesar da onda de demissões no governo após denúncias de corrupção, movimento batizado por alguns como “faxina da Dilma”, a maioria vê a presidente como alguém apenas razoavelmente empenhada em combater a corrupção. “É um tema tão negativo que o ‘razoável’, nesse caso, pode até ser considerado um dado positivo para Dilma”, diz Lavareda. “No imaginário geral, políticos não costumam ter preocupação alguma com o combate à corrupção. Ela é ‘razoável’.”

Correio Braziliense

Pacientes cobram novos remédios na rede pública

Por Vinicius Sassine

Programa Saúde Não Tem Preço, que distribui medicamentos a hipertensos e diabéticos, trabalha com drogas ultrapassadas. Associações cobram inclusão de substâncias já reconhecidas

Lançado logo após o primeiro mês de mandato para ser uma vitrine da gestão de Dilma Rousseff, o Saúde Não Tem Preço se propôs a fornecer medicamentos de graça para diabéticos e hipertensos. Na assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em setembro, a presidente ressaltou a iniciativa em vigor no Brasil. Os pacientes, porém, encontram apenas os medicamentos mais básicos na rede composta por 20 mil drogarias intituladas Farmácias Populares. Eles reivindicam versões modernas e eficazes das substâncias. Até mesmo remédios que já fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), lista elaborada pelo Ministério da Saúde com as drogas essenciais para tratar as doenças mais comuns na população, estão fora do Saúde Não Tem Preço.

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) fez um pedido formal ao governo de inclusão de uma droga chamada Gliclazida, um antidiabético oral já inscrito na Rename. O medicamento é considerado mais eficaz do que os distribuídos pelo programa, já tem genérico e tem duas vantagens apontadas pela SBD: menos efeitos colaterais e doses menores para o mesmo resultado. É o que os médicos chamam de "aderência". O êxito do tratamento depende da disposição dos pacientes em tomar os medicamentos. O Saúde Não Tem Preço oferece remédios que precisam ser administrados de duas a quatro vezes por dia, enquanto a Rename já tem remédios que podem ser tomados uma única vez.

Esse princípio vale principalmente para a hipertensão arterial. "A aderência é baixa. Em média, pacientes tomam 3,6 comprimidos por dia para hipertensão arterial. Eu não percebi mudanças com o lançamento do programa", afirma o médico Heno Ferreira Lopes, membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e do Instituto do Coração (Incor) em São Paulo. "Muitos relatam que não conseguem os remédios", diz Heno.

As insulinas disponíveis nas Farmácias Populares são as regulares e a NPH. A SBD defende que o Saúde Não Tem Preço ofereça também insulinas combinadas, que evitam aplicações duplicadas no mesmo dia. "Não entendo por que uma droga que já está na Rename ainda não faz parte do programa", critica a médica Hermelinda Cordeiro Pedrosa, da SBD e coordenadora do Programa de Educação e Controle de Diabetes da Secretaria de Saúde do DF. Estima-se que no Brasil haja de 11 a 15 milhões de diabéticos. Já os hipertensos são 33 milhões.

Alterações

Em resposta ao Correio, o Ministério da Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, que incorpora medicamentos ao programa conforme o "orçamento disponível". O ministério admite que o Saúde Não Tem Preço poderá sofrer alterações. "Novos medicamentos podem ser incorporados. Recebemos periodicamente sugestões de atualização do elenco e todas são avaliadas." A distribuição de 11 medicamentos para diabetes e hipertensão já ampliou o acesso ao tratamento em 239% de fevereiro a setembro, segundo o Ministério da Saúde.

CFM

CFM lança campanha do Dia do Médico

As peças veiculadas resgatam o comprometimento de cada profissional com a melhoria da assistência

Por ocasião das comemorações do Dia do Médico, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e os 27 conselhos regionais (CRMs) lançam uma campanha voltada aos profissionais e à sociedade na qual se ressalta a preocupação da classe com os vários problemas que afetam a assistência em saúde no país. Mais que alertar, a campanha salienta o engajamento dos médicos com a busca de respostas que conduzam à superação dos principais desafios.

A partir do slogan (Eu) Luto pela Saúde, as entidades querem sensibilizar a população. “O brasileiro deve reconhecer no médico um aliado. Essa cooperação transcende o consultório e envolve também a articulação política. A mensagem evidencia nosso descontentamento com a qualidade do atendimento no país e não deixa de ressaltar que estamos dispostos a efetivamente lutar contra os abusos e a indiferença, praticados nas esferas pública e privada”, acentua o conselheiro Desiré Carlos Callegari, 1º secretário e diretor de Comunicação do CFM.

O CFM também lançou um hotsite para celebrar a data. Nele, médicos e internautas podem acessar o vídeo institucional, áudio, peças da campanha e as notícias mais recentes por meio de um espaço integrado ao Twitter. O endereço é: http://flavors.me/portalmedico

As peças produzidas colocam o médico como elo fundamental e agente de transformação da saúde brasileira. Foram idealizados cartazes, postais e adesivos para serem distribuídos pelos CRMs e outras entidades médicas que decidiram incorporar a campanha às suas ações para comemorar 18 de outubro, Dia do Médico. Também estão sendo veiculados um vídeo institucional e spots de rádio para marcar a data.

A veiculação dessa campanha acontece nos níveis nacional e regional e inaugura uma nova etapa na relação do CFM com os médicos e a população. A partir de agora, a expectativa é estreitar o diálogo com esses segmentos, com a preocupação de contribuir com a valorização da medicina e estimular a reflexão em torno de problemas e soluções que afetam a vida de milhões de pessoas.

“A estratégia que pretendemos desenvolver confirma a comunicação como ferramenta fundamental para mostrar a importância do médico e da medicina para o país. Os médicos precisam saber que estamos atentos às suas reivindicações e cada paciente deve estar convicto de que nossa classe tem um compromisso inabalável com o bem-estar de todos”, acrescentou o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, confiante no êxito da nova ação que deve se materializar em produtos concretos nos próximos meses.

CRMs planejam atividades para a data

As comemorações do Dia do Médico vão além da campanha publicitária articulada pelo CFM e pelos 27 CRMs. Nos estados, estão previstas várias atividades.

Alguns CRMs apostam na realização de audiências públicas, com a participação de autoridades locais, para que os tomadores de decisões sejam envolvidos nos debates. Outros organizarão assembleias e atos públicos, nos quais os próprios médicos serão os protagonistas, denunciando obstáculos enfrentados no dia a dia.

Estão programadas ainda entrevistas coletivas para apresentar à sociedade, com a ajuda da imprensa, o diagnóstico da situação vivenciada. Com base em dados levantados pelos CRMs, os médicos – por meio de suas lideranças – comprovarão a crise instalada, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS), e exigirão soluções efetivas.

Nesta data, serão reforçadas as bandeiras que orientam o movimento médico (conferir itens baixo). Acesse a programação das atividades no portal do CFM (www.cfm.org.br).

Saiba pelo que lutam os médicos

Valorização da medicina

Autonomia no trabalho

Mais recursos para a saúde

Melhores condições de trabalho

Mais qualidade na gestão do SUS

Carreira de Estado para os médicos

O Estado de São Paulo

O governo e a residência médica

Depois de extinguir o credenciamento especial dos cursos de pós-graduação lato sensu oferecidos por instituições não educacionais, atingindo com isso - entre outras consequências desastrosas - os cursos de especialização oferecidos pelos mais renomados hospitais do País, o Ministério da Educação (MEC) voltou a causar confusão no setor. Agora, com o objetivo alegado de resolver o problema da falta de médicos na área de saúde pública, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, está interferindo nos programas de residência médica dos hospitais universitários.

Por meio de uma simples portaria, os dois Ministérios determinaram que os médicos recém-formados que participarem do Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica durante um ano terão direito a receber pontuação extra nas provas de seleção para residências médicas.

Como a procura por vagas em residências é muito maior que a oferta, os médicos recém-formados candidatos a uma vaga são submetidos a provas ainda mais rigorosas do que as dos vestibulares em medicina. A escolha baseada exclusivamente no mérito e na competência técnica é um dos fatores que contribuem para a alta qualidade da formação dos profissionais em medicina no País, segundo as entidades especializadas e órgãos corporativos do setor médico.

A concessão de pontuação extra aos recém-formados que trabalharem em hospitais públicos, proporcionada pela portaria do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, nada tem a ver com mérito e desfigura o eficiente sistema de seleção das residências médicas. Além disso, a portaria fere o princípio da autonomia universitária, pois impõe aos hospitais mantidos por instituições de ensino superior critérios e obrigações que nada têm a ver com ensino, capacitação técnica e treinamento.

Para os coordenadores de residência médica das principais universidades brasileiras e para os dirigentes dos órgãos corporativos do setor, a portaria do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde é prejudicial também porque leva médicos recém-formados e sem um mínimo de experiência a assumirem na rede hospitalar pública responsabilidades para as quais não estão preparados, apenas para obter a pontuação extra para as provas de seleção.

"Um médico que sai da faculdade não tem condição de estar à frente de um serviço de atenção básica na rede pública", diz o presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Júnior. "Sem o preparo necessário, esse profissional vai se transformar num mero encaminhador de pacientes para outros serviços", acrescenta o vice-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, José Auler Júnior.

A portaria dos Ministérios da Educação e da Saúde cria dois problemas onde havia um só. Para resolver o problema da escassez de médicos na rede pública, ela compromete a qualidade do ensino da medicina. E os médicos que ela estimula a trabalhar nos hospitais públicos não têm preparo e experiência para atuar nos serviços de emergência e pronto atendimento, o que submete os pacientes a uma assistência médica de má qualidade, expondo-os a situações de risco.

"Foi uma tática para tapar buraco", resume o presidente do Cremesp. Reagindo às críticas, a secretária executiva da Comissão Nacional de Residência Médica, Maria do Patrocínio Nunes, alega que "toda mudança gera uma discussão" e que a polêmica provocada pelo Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica já era esperada pelos Ministérios da Educação e da Saúde. Esse argumento revela a precariedade do processo de decisões de fundamental importância para a saúde e o bem-estar da população.

Invocando o princípio da autonomia universitária previsto pela Constituição, a direção da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo anunciou que não mudará os critérios vigentes de seleção para residência médica. A direção da escola não pretende nem mesmo recorrer à Justiça, para questionar a portaria. Vai simplesmente ignorá-la.

Folha de São Paulo

PF investiga comprador de lixo hospitalar

Polícia Federal quer saber se clientes de confecção pernambucana sabiam que material era trazido ilegalmente dos EUA

Segundo Vigilância Sanitária, empresa importou toneladas de lençóis usados por hospitais americanos

Por Fábio Guibu, de Recife

A Polícia Federal investigará os clientes da confecção de Santa Cruz do Capibaribe (a 205 km de Recife) responsável pela importação e revenda de lixo hospitalar produzido nos Estados Unidos.

Segundo a PF, o objetivo é saber se esses compradores -a maior parte atacadistas- tinham conhecimento da origem do material importado ilegalmente e o que eles faziam com a mercadoria.

Segundo a Vigilância Sanitária estadual, a empresa Na Intimidade, que tem o nome de fantasia Império do Forro de Bolso, importou toneladas de lençóis, fronhas e roupas usadas por hospitais americanos. Ela foi interditada.

A Receita Federal não confirma que a empresa seja a responsável pela importação. Diz que está investigando.

Dois contêineres com cerca de 46 toneladas de produtos, muitos deles sujos de sangue e embalados em meio a seringas, ataduras, luvas e máscaras cirúrgicas, foram apreendidos pela Receita Federal na semana passada, no porto de Suape (PE). A documentação indicava que a carga seria de tecido de algodão com defeito.

Na balança

A empresa revendia o lixo em retalhos, peças inteiras ou transformado em forros para bolsos. O preço era calculado na balança. Um quilo de lençóis custava R$ 10.

A Folha comprou nove lençóis (4 kg) na sexta. Alguns estão manchados e três possuem identificações de origem, como "Baltimore Washington Medical Center University of Maryland Medical System".

Ninguém sabe ainda a quantidade de lixo hospitalar já importado pela empresa.

O gerente geral da Vigilância Sanitária, Jaime Brito, disse que a confecção possui registro desde 1998. Os representantes da empresa não foram encontrados.

Gazeta do Povo

Planos ignoram pressão para diminuir cesáreas

Por Pollianna Milan

Nove em cada dez partos feitos por planos de saúde são cesáreas

Brasil ainda não sabe como reduzir quantidade de cesarianas e tentativas feitas até agora foram em vão. Prática só cresce no país. Tentativas feitas até agora foram em vão. Número de partos feitos desse modo só cresce no país

As mulheres com plano de saúde ajudam a elevar o índice de cesáreas no Brasil. O país tem uma das maiores taxas de parto cesariano do mundo, com atualmente 45%. Enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) 40% dos nascimentos são via cesáreas, na saúde suplementar este índice mais do que dobra, chegando a 90%.

Desde 2005, quando se descobriu que as mulheres com plano de saúde em quase sua totalidade faziam cesarianas, o governo federal e as entidades médicas se uniram para pressionar as operadoras a reduzir as taxas. Passados seis anos, pouca coisa mudou e, o pior, o Brasil até agora não sabe ao certo em qual frente deve trabalhar para reverter a situação, já que os fatores de escolha pelo parto cesáreo são múltiplos.

A ideia de que parto era algo para ser feito nos hospitais foi copiada dos Estados Unidos, mas lá as taxas de cesarianas chegam a 27%, bem inferiores ao Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere uma taxa de parto cesáreo de 25% para cada país. Com o intuito de acabar com as altas taxas, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febras­­go), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e outras entidades médicas fizeram uma pesquisa com 3 mil médicos para tentar mapear as motivações pela escolha da cesariana e, assim, combatê-las. A pesquisa só será divulgada em novembro, mas, em entrevista, as entidades já adiantam alguns fatores observados.

Motivos

A questão mais óbvia desta diferença é que as atendidas pelos planos de saúde podem escolher livremente o parto que querem ter, e elas preferem o cesáreo por diversos fatores: pela comodidade, pela falsa ideia de que dói menos (na verdade, a recuperação da cesariana é bem mais dolorida), por medo de o parto normal machucar o bebê (se for feito corretamente, é inverídico) e, atualmente, pela violência urbana e a possibilidade de não haver vagas nas maternidades.

“Nas grandes cidades, mulheres e médicos têm preferido marcar a cesárea para evitar a surpresa de um parto normal na madrugada, colocando em risco o médico, a parturiente e o bebê, pois podem ser assaltados no trajeto até a maternidade”, ex­­plica a médica Lucila Nagata, membro da comissão de mortalidade materna da Federação Brasileira das Associa­­ções de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Além disso, o agendamento acaba sendo a garantia de que a mulher vai ter o filho no lugar escolhido previamente.

Indução

A grande reclamação das mulheres, porém, é de que os médicos induzem ao parto cesáreo. Elas dizem que os médicos fazem isso devido à cesariana ser mais cômoda para eles, afinal, este parto dura cerca de duas horas enquanto um parto normal pode durar 12 horas.

“Sempre quis ter normal, cheguei a entrar em trabalho de parto e o médico, no hospital, me disse que eu não tinha dilatação. Ele me pegou em um momento de fragilidade e afirmou que teria de ser cesárea pelo bem do bebê. Acabei cedendo, mas foi frustrante”, afirma a farmacêutica Halline Queiroz, que tem duas meninas, a Julia e a Laura.

A Julia nasceu de cesariana e a Laura de parto normal. “Na segunda vez, mudei de médico e ele me provou que o parto normal era possível. Ele derrubou o mito de que mulher que tem o primeiro filho de cesárea vai ter de fazer cesariana sempre”, conta.

Prematuridade aumenta e bebês vão para UTIs

O problema da escolha pela cesariana é cultural, segundo a gerente-geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Marta Oliveira. Para ela, não basta pressionar os planos de saúde para reduzir as taxas, “a mulher precisa aceitar o parto normal.”

Marta chama a atenção para o fato de as cesarianas serem literalmente agendadas, ou seja, a mulher nem chega a entrar em trabalho de parto e o bebê, por isso, acaba nascendo imaturo (com o pulmão ainda com líquido). “Se tivéssemos 90% de partos cesáreos e estivesse tudo bem, sem problemas. A questão é que temos a prematuridade aumentando e muitos bebês ficando em UTIs. Este tipo de consequência nos preocupa”, diz.

Mitos

Conheça algumas crenças sobre o parto normal que não são comprovadas pela Medicina:

Há muita perda de sangue

Na realidade, na cesariana se perde muito mais sangue.

A dor é muito forte

Na hora da cirurgia da cesárea a mulher não sente dor devido à anestesia, mas a recuperação é bem mais complicada e dolorida.

O bebê se machuca

Pelo contrário: a passagem pelo canal vaginal ajuda a criança a expelir os últimos líquidos, inclusive do pulmão, e isso evita a síndrome de angústia respiratória.

A relação é pior

Na cesárea, muitas vezes, o bebê vai para a incubadora. Segundo médicos, isso é extremamente prejudicial na relação da mãe com o filho. No parto normal o bebê é colocado imediatamente no peito da mãe para criar o vínculo maternal.

Reduz a libido

Ao contrário do que se acredita, o parto normal não diminui a libido.

Levantamento

Dinheiro gasto com cesarianas poderia ir para outras áreas

O Ministério da Saúde tem pesquisas que mostram o quanto de dinheiro foi usado desnecessariamente com cesarianas, mas os dados são internos e não podem ser divulgados à imprensa. A economista Tabi Thuler Santos, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais, defendeu recentemente uma dissertação onde trabalhou o tema Evidências de indução de demanda por parto cesáreo no Brasil e chegou à conclusão de que “há dinheiro gasto com cesáreas que poderia ser usado para investimento em outras áreas”. O custo de um parto normal pelo Sistema Único de Saúde é de R$ 291 e a cesariana custa cerca de R$ 402. O valor, no privado, pode variar conforme a operadora do plano.

“A cesariana é um procedimento cirúrgico que às vezes demanda UTI e antibióticos: é um problema de saúde e econômico”, diz. Tabi revisou a literatura e chegou a dois dados interessantes: o primeiro é a crença (errada) de que a mulher que tem o primeiro parto de cesariana precisa fazer os outros do mesmo modo. “Um estudo de São Paulo de 2002 revelou que 95% das mulheres com mais de um parto fizeram cesariana no segundo ou nos outros porque já haviam passado uma vez pela cirurgia”, diz. Outro dado, de 2009 (Rio de Janeiro), é de que apenas 37% das cesáreas no período foram uma escolha exclusiva da mulher, ou seja, a interferência do médico é grande.

O outro lado

Plano de saúde adere à campanha

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou uma campanha intitulada Parto Normal está no meu plano com o intuito de incentivar as mulheres com planos de saúde a não optar pela cesariana. A reportagem entrou em contato com a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), com a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) e a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) para saber qual o posicionamento das operadoras de planos de saúde sobre os altos índices de cesarianas na saúde suplementar. A única que atendeu à reportagem foi a Unidas.

Por e-mail, ela respondeu que faz pesquisas (está na 12ª edição) para verificar a adesão à cesariana e que tem percebido as altas taxas, por isso aderiu à campanha da ANS. Sobre os motivos das altas taxas, afirmou que é um problema cultural e o fato de os riscos da cesariana não serem levados em conta. A presidente da Unidas, Denise Rodrigues Eloi de Brito, ressalta que não há culpados pelas altas taxas de cesariana, afinal, “hoje o custo dela é equivalente ao do parto normal e, às vezes, até maior.”

Gazeta do Povo

Novos médicos não sabem lidar com parto normal

Por Pollianna Milan

Entre os 3 mil médicos entrevistados na pesquisa conduzida pelo CFM, Febrasgo e ANS há algo em comum: os formados recentemente, em sua maioria, não acham um problema a quantidade de cesarianas feitas no Brasil, apesar de o índice estar bem acima do aceitável. A médica Lucila Nagata, da Febrasgo, chama a atenção para um ponto pouco discutido: as universidades de hoje formam excelentes cirurgiões, mas não ensinam aos obstetras como acompanhar um parto normal. “Os colegas têm hoje maior ênfase no saber operar e, muitos, quando se deparam com um parto normal, não sabem como proceder”, explica.

Para Lucila, outro problema é a quantidade de processos judiciais (normalmente éticos) que surgem contra os médicos que tentam fazer parto normal e acabam indicando a cesariana em um tempo não hábil para salvar a mãe ou o bebê ou para evitar algum problema no parto. “Muitos preferem a cesariana para não correr este risco.”

A remuneração dos médicos no Brasil, pelos planos de saúde, também é diferente quando o parto é normal ou cesariana. Antiga­­mente se pagava mais pela cesariana, hoje grande parte dos planos de saúde paga o mesmo valor e alguns já inverteram a lógica: pagam mais pelos partos normais como incentivo. Recen­­temente a Gazeta do Povo publicou que os médicos que fazem cesarianas chegam a cobrar um valor extra (por fora) da parturiente para ela ter a garantia da presença dele na hora do parto cesáreo (alguns planos de saúde aceitaram esta atitude). Há ainda outra questão: por mais que os médicos recebam mais pelo parto normal, este costuma demorar muito mais que a cesariana, ou seja, o valor/hora do parto normal não compensa. “Uma das sugestões é que os planos de saúde montem equipes qualificadas para o acompanhamento do trabalho de parto (assim como existem as equipes de plantão nos hospitais públicos). Assim, esta equipe atenderia a mulher e, o obstetra, só seria acionado quando estivesse muito próximo de o bebê nascer. Poderia ser uma alternativa. Estamos buscando soluções”, diz o coordenador da Comissão de Parto Normal do Conselho Federal de Medicina, José Fernando Maia Vinagre.

A médica Daphne Rattner, professora da Universidade de Brasília, sugere algo a mais: que o parto seja feito por enfermeiras obstetrizes e o médico só seja chamado caso necessário. “Em muitos países onde as taxas de cesarianas são baixas, este é o modelo que funciona”, cita Daphne.

Saúde Business Web

Gastos com saúde do idoso

A maior influência para a desaceleração veio dos medicamentos, com queda de 0,13% no último trimestre, contra uma alta de 3,58% registrada no trimestre anterior

Os gastos da terceira idade com habitação e saúde, que representam 45% do orçamento das famílias com integrantes com mais de 60 anos, desaceleraram no terceiro trimestre deste ano e causaram um aumento menor do Índice de preços ao Consumidor da terceira Idade (IPC-3i), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador cresceu 0,91% no terceiro trimestre, abaixo do 1,3% registrado no segundo trimestre de 2011. As informações são do jornal O Valor Econômico.

A saúde, que representa 15% do orçamento das famílias com idosos, obteve alta de 1,19% no terceiro trimestre. No segundo trimestre, a alta havia sido de 2,37%. A maior influência para esta desaceleração veio dos medicamentos, com queda de 0,13% no último trimestre, contra uma alta de 3,58% registrada no trimestre anterior.

Nos medicamentos houve uma queda importante, de 0,67%, dos remédios vaso dilatadores, para doenças cardiovasculares, e queda de 0,93% dos calmantes.

Segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV André Braz, os gastos com habitação, que representam 30% do orçamento das famílias com idosos, cresceram 1,25%. O número é inferior ao crescimento de 1,71% registrado no segundo trimestre.

Segundo Braz, os serviços influenciados por tarifas públicas, como água, energia e condomínio tem peso maior nas famílias com integrantes idosos, já que eles tendem a ficar mais tempo em casa.

Os gastos com água cresceram 2,94% no último trimestre, abaixo dos 3,65% registrados no trimestre anterior. A energia também desacelerou de 2,56% para 0,48%, no mesmo período, e o condomínio, de 1,66% para 1,38%. Estas três despesas comprometem 9,5% do orçamento destas famílias.

Outros grupos também ajudaram na desaceleração. Segundo Braz, o grupo transportes desacelerou de 1,17% no segundo trimestre para 0,63%, no terceiro, influenciados pela desaceleração do táxi, que variou de 2,67% para 0,16%, no período. O grupo educação, leitura e recreação foi de uma alta de 2,33% no trimestre anterior para queda de 0,27% no último trimestre.

A desaceleração poderia ter sido ainda maior se não fosse o grupo alimentação, que representa 30% do orçamento das famílias com idosos. Dos 20 itens pesquisados, 17 sofreram alta.

Braz explicou que a inflação do indicador foi pouco influenciada por produtos voláteis. Dessa forma, o núcleo da inflação – que exclui a variação de preços de frutas, legumes e hortaliças – registrou alta de 1,21%. “O número é superior à inflação do indicador, dessa forma, vemos que é uma inflação em processo permanente”, declarou Braz ao Valor Econômico.

O economista destacou que o IPC-3i vem apresentando desaceleração desde o quarto trimestre de 2010, quando o índice teve alta de 2,46%. “O indicador cresceu 2,18% no primeiro trimestre deste ano, depois teve alta de 1,30% no segundo trimestre e, agora, 0,91%”, afirmou. De acordo com Braz, a expectativa é que o indicador acelere no próximo trimestre.

O Estado de São Paulo

Doença de Chagas inspira nova droga

Por Alexandre Gonçalves

Cientistas do Instituto do Coração (Incor-USP) descobriram um aliado onde menos esperavam: uma proteína do Trypanosoma cruzi - agente causador da doença de Chagas - apresentou, em coelhos, ação protetora contra aterosclerose. Em humanos, a mesma substância demonstrou eficácia no tratamento de feridas ocasionadas por radioterapia.

A idéia de isolar e utilizar a proteína nasceu de um dado da observação: pacientes chagásicos não costumam sofrer enfarte. A doença evolui cronicamente com o aumento do volume do coração e pode terminar em insuficiência cardíaca. Mas autópsias revelam vasos sanguíneos em estado invejável, sem resquícios de placas de colesterol.

O parasita utiliza a transialidase - nome da proteína que despertou o interesse dos cientistas - para roubar ácido siálico da membrana das células humanas. O tripanossoma necessita da substância para viver, mas não é capaz de produzi-la sozinho.

No entanto, o ácido siálico da membrana das células humanas também costuma servir como um gancho molecular que bactérias utilizam para se prender à parede interna dos vasos. Os cientistas do Incor descobriram que as placas de colesterol estão muitas vezes associadas a colônias de micoplasmas - um gênero de bactérias - que contribuem para a complicação do quadro.

O tratamento com a transialidade em coelhos que ingeriram uma dieta rica em colesterol preservou os animais de problemas vasculares e regrediu danos nas artérias (mais informações nesta página). Pesquisadores acreditam que a transialidase serviu para desprender as bactérias associadas à formação das placas.

Apesar dos resultados promissores em cardiologia, a substância começou a ser testada em humanos em um contexto diferente. "Descobrimos que ela também evita apoptose (morte) das células e atua como anti-inflamatório", aponta Maria de Lourdes Higuchi, diretora do Laboratório de Inflamação e Infecção do Incor e responsável pela pesquisa. "Decidimos testar em feridas causadas por radioterapia."

Lacuna. O cardiologista José Antonio Ramires, do Incor, um dos apoiadores do estudo, recorda que não há terapias eficazes disponíveis no mercado para tratar lesões que costumam acompanhar as radioterapias.

A oncologista clínica Silvia Graziani, do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, concorda. Ela tem testado a solução desenvolvida por Lourdes em pessoas que recebem radioterapia. "Resultados preliminares mostram que o tempo de cicatrização das feridas cai de um mês a uma ou duas semanas", aponta.

As lesões obrigam muitos pacientes a abandonar o tratamento. A esperança é que o uso do medicamento - até mesmo antes do surgimento da ferida - aumente a adesão e o sucesso.

Portal G1

Mais médicos nas áreas pública e privada

Tanto o setor público quanto o privado precisam de médicos

Pediatras, socorristas, clínicos e ortopedistas são os mais requisitados

Apesar dos salários, se o mercado de trabalho para médicos é historicamente aquecido, atualmente ele está mais favorável ainda: tanto o setor público quanto o privado estão abrindo vagas para esses e outros profissionais da área da saúde. Entre os fatores que contribuem para a farta oferta de vagas, está o crescimento econômico.

— As classes C e D estão com maior poder aquisitivo e passam a adquirir mais planos de saúde, o que causa impacto e gera mais demanda no setor — explica a presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Márcia Rosa de Araujo.

Vagas abertas também para enfermeiros e técnicos

No que se refere à iniciativa privada, por exemplo, a Unimed está selecionando 200 profissionais para atuar no Pronto Atendimento de Copacabana, que será inaugurado no mês que vem. A maior demanda é por médicos com formação em clínica médica, pediatria e ortopedia, além de enfermeiras e técnicos de enfermagem, tomografia, imobilização e Raios X.

Mas os projetos da empresa vão além, e, até o fim do ano que vem, duas novas unidades a serem inauguradas abririam cerca de 1.400 postos de trabalho.

— O crescimento do país, aliado a perspectivas de grandes eventos, vem produzindo uma forte expansão da atividade econômica no Estado do Rio. O mercado de medicina, seja na indústria de planos de saúde, seja na área de prestação de serviços médicos, vem sendo beneficiado por esse movimento — avalia o superintendente-geral da Unimed Rio Empreendimentos, Walter Cesar.

Já o governo do Estado do Rio abriu concurso que oferece 4.554 postos de níveis superior e técnico em unidades de sua rede de saúde, como hospitais gerais, de urgência e emergência, institutos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O salário inicial para médicos é de R$6.077,43.

— Faltam profissionais na saúde pública, mas os salários não costumavam ser atrativos. Esse concurso será um marco para a categoria — diz a presidente do Cremerj.

Concurso para quase todas as especialidades

Clínicos, pediatras, socorristas, cirurgiões e anestesistas estão entre as especialidades que oferecem maior número de vagas nessa seleção da Fundação Estatal de Saúde.

— Mas nós temos vagas disponíveis em quase todas as especialidades médicas — ressalta o diretor-executivo da fundação, Carlos Eduardo Coelho, explicando que a instituição optou pela estratégia de conceder salários mais altos que a média do mercado para atrair mais candidatos. — Além disso, pela primeira vez na área de saúde, uma instituição está garantindo um plano de carreira para que os profissionais sejam valorizados.

Meia Hora

Dengue - Receitas furadas

Pesquisa diz que repelentes caseiros não funcionam

Sabe aquela receita infalível para evitar picadas de Aedes aegypti, o mosquito da dengue? Esqueça. Um estudo feito por pesquisadores da Unesp de Botucatu (São Paulo) revelou que repelentes caseiros, como os feitos com citronela, andiroba, cravo-da-índia e outras substâncias, não têm efeito algum contra os mosquitos.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores testaram as fórmulas em estudantes de Medicina voluntários. Em laboratório, os cientistas criaram um 'berçário' de Aedes aegypti livres de contaminação e os deixaram sem alimentação por 24 horas. Depois, os mosquitos foram colocados em uma gaiola circular, com abertura somente para o braço dos voluntários. Primeiro, os estudantes colocavam os braços sem qualquer substância na gaiola. Depois, passavam no outro braço a receita a ser testada.

"As substâncias afastaram os mosquitos por curto período. Algumas centenas de segundos apenas. Nenhuma superou os repelentes industrializados", afirma o coordenador da pesquisa, Hélio Miot. Segundo ele, o maior perigo das receitas é a falsa sensação de segurança.

"As pessoas aplicam essas substâncias achando que vão estar protegidas contra a doença, mas, na verdade, estão vulneráveis."

O infectologista da Universidade Federal do Rio (UFRJ) Edimilson Migowski faz outra ressalva: os repelentes são soluções apenas emergenciais. Para evitar a dengue, o correto é combater os focos. "Quando falamos em dengue, não podemos nos esquecer que é preciso combater o mosquito antes que ele tenha asas. Mesmo o repelente industrializado tem problemas, já que não pode ser usado o tempo todo e seu efeito dura só algumas horas", alerta.

Portal G1

SUS oferecerá teste rápido para sífilis

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferecerá teste rápido de triagem para o diagnóstico de sífilis. Até o fim deste ano, o Ministério da Saúde vai adquirir 392 mil kits para implementação da testagem na rede pública. A ação fará parte da celebração do Dia Nacional de Combate à Sífilis, realizado todo terceiro sábado de outubro.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde já capacitou 350 multiplicadores para treinar profissionais de saúde para implantar a testagem rápida. Até o final do ano, 680 técnicos estarão capacitados a orientar os serviços locais sobre como realizar o exame.

“Com a Rede Cegonha, o ministério quer garantir que 100% das gestantes e seus parceiros sexuais, tenham acesso ao exame de sífilis e, quando necessário, ao tratamento”, afirma o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A Rede Cegonha reúne a integração de serviços e medidas para a atenção à gestante e seu bebê, desde o planejamento familiar aos primeiros dias após o parto.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que a prevalência de sífilis em parturientes encontra-se em 1,6%, cerca de quatro vezes maior que a prevalência da infecção pelo HIV.

“O esforço é para conseguirmos eliminar a forma congênita da doença, aquela que é transmitida de mãe para filho, até o ano de 2015. Esses casos são inaceitáveis e revelam dificuldades de acesso a um pré-natal de qualidade que precisam ser superadas rapidamente”, diz o Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa.

De 2005 a 2010, foram notificados 29,5 mil casos de sífilis em gestantes, no país. A maioria dos casos no período ocorreu nas Regiões Sudeste e Nordeste, com 9.340 (31,6%) e 8.054 (27,3%) de casos, respectivamente. No ano de 2009, a taxa de detecção para o país foi de três casos por 1.000 nascidos vivos, sendo que as maiores taxas estão nas regiões Centro-Oeste, com 5,2 e Norte, com 4,5.

De 2000 a 2010, foram detectados no Brasil 54.141 casos de sífilis congênita em crianças menores de um ano de idade. Do total acumulado nesse período, a Região Sudeste registrou 24.260 (44,8%) casos; a Nordeste, 17.397 (32,1%); a Norte, 5.223 (9,6%); a Sul, 3.764 (7,0%); e a Centro-Oeste, 3.497 (6,5%).

Sinais e sintomas - A sífilis é uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum e pode se manifestar de forma temporária, em três estágios. Os principais sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. O terceiro estágio pode não apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença. Com o desaparecimento dos sintomas, o que acontece com frequência, as pessoas se despreocupam e não buscam diagnóstico e tratamento. Sem o atendimento adequado, a doença pode comprometer a pele, os olhos, os ossos, o sistema cardiovascular e o sistema nervoso. Se não tratada, pode até levar à morte.

Além da transmissão vertical (de mãe para filho), a doença pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado e por transfusão de sangue contaminado. O uso da camisinha em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de prevenção.

Estimativa OMS - Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada ano no mundo ocorrem aproximadamente 12 milhões de novos casos da doença. No Brasil, as estimativas da OMS de infecções de sífilis por transmissão sexual, na população sexualmente ativa, a cada ano, são de 937 mil casos.

Agência Brasil / Última Instância

Devolução de lixo hospitalar aos Estados Unidos

Dois dias após apreender um segundo contêiner com 23,3 toneladas de lixo hospitalar trazido irregularmente dos Estados Unidos por uma empresa têxtil pernambucana, a Receita Federal acionou o MPF (Ministério Público Federal) para entrar no caso.

A representação protocolada na sexta-feira na Procuradoria da República em Pernambuco será distribuída a um dos 16 procuradores locais, que podem instaurar um inquérito ou um procedimento administrativo para que o caso seja investigado.

Segundo o inspetor-chefe da Alfândega da Receita Federal no Porto de Suape, Carlos Eduardo da Costa Oliveira, a entrada do Ministério Público no caso é fundamental não apenas para o andamento das investigações, mas também para a definição sobre o que fazer com o material apreendido.

“Estamos tentando devolver esse lixo para os Estados Unidos, mas, pelas regras atuais nós não podemos devolver qualquer mercadoria cuja importação seja proibida, tendo que destruí-la. Porém, já houve um caso, em 2009, em que, graças a uma norma do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e à ação do Ministério Público Federal, conseguimos devolver o material que havia sido importado da Inglaterra”, disse Oliveira a Agência Brasil. Em 2009, a Justiça Federal recorreu à Convenção de Basileia, da qual o Brasil é signatário, para sustentar que o país tinha o direito de devolver à Inglaterra os 41 contêineres com lixo tóxico apreendidos no Porto de Santos (SP).

O inspetor confirmou que as autoridades envolvidas no caso (Receita, polícia e Ministério Público Federal, além do Ibama) investigam se mais seis contêineres que a empresa pernambucana já havia recebido da mesma exportadora norte-americana também continham lixo hospitalar, classificado como potencialmente infectante pela legislação sanitária brasileira.

“Ainda não sabemos se os outros contêineres continham o mesmo material. O advogado da empresa [com quem o inspetor se reuniu pela manhã] alega que não, mas nós queremos saber o que foi feito de todo este material, se ele foi empregado na produção ou descartado”, disse o inspetor, ao ressaltar que o advogado garantiu que o seu cliente não sabia o que havia dentro dos contêineres até que eles fossem abertos.

Os dois contêineres foram retidos esta semana. O primeiro deles foi apreendido pela alfândega da Receita Federal na tarde de terça-feira (11). O segundo, ontem (13). Ambos continham 23,3 toneladas de lençóis, fronhas, toalhas de banho, batas, pijamas e roupas de bebês. Parte do material continha a identificação de hospitais norte-americanos e estava suja de sangue. Também havia seringas, luvas hospitalares, cateteres, gazes e ataduras em meio ao material.

Nos documentos de importação, a empresa declara que o material era tecido de algodão com defeito, remetido do estado da Carolina do Sul. Os dois contêineres apreendidos esta semana só foram inspecionados porque o valor declarado era incompatível com o volume e o tipo de carga. Os seis contêineres que a empresa pernambucana recebeu anteriormente não foram inspecionados.

O nome da empresa importadora continua em sigilo, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já confirmou se tratar de uma empresa têxtil de Santa Cruz do Capibaribe, uma das cidades do polo de confecções pernambucano, a 185 quilômetros da capital Recife. De acordo com Oliveira, três hipóteses serão investigadas: se a empresa pernambucana não sabia o que havia dentro dos contêineres vindos dos Estados Unidos; se ela sabia e pretendia descartar o material indevidamente no Brasil ou se ela sabia se tratar de lixo hospitalar e, mesmo assim, planejava usar o tecido em sua produção.

Agência Câmara de Notícias

Comissão discutirá criação de crédito para entidades filantrópicas

A Comissão de Seguridade Social e Família realiza nesta terça-feira (18) audiência pública para discutir a criação de uma linha de crédito especial para santas casas, hospitais e entidades filantrópicas. O requerimento foi feito pelos deputados Saraiva Felipe (PMDB-MG) e Antonio Brito (PTB-BA).

Os deputados que propuseram a audiência afirmam que, durante a terceira reunião da Frente Parlamentar de apoio às Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas na Área da Saúde e o 21º Congresso das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, a principal reivindicação do setor foi a criação de uma linha de crédito do BNDES, com juros diferenciados, para reestruturar a saúde financeira dessas entidades. As entidades lembraram que linha de crédito nesses moldes já existiu no passado.

“Embora atualmente exista uma linha de crédito chamada Caixa Hospital, que vem sendo operada pela Caixa Econômica Federal, a alta taxa de juros praticada, acima da utilizada pelo mercado, inviabiliza ou torna extremamente caras as operações de crédito”, afirmam Saraiva Felipe e Antonio Brito.

Os parlamentares argumentam que a audiência permitirá que representantes desses órgãos expliquem as medidas que estão sendo tomadas para assegurar a continuidade dos trabalhos das santas casas e dos hospitais filantrópicos.

Convidados

Foram convidados para a audiência:

- o ministro da Saúde, Alexandre Padilha;

- o superintendente da Área de Inclusão Social do BNDES, Ricardo Luiz de Souza Ramos;

- o chefe do Departamento de Avaliação e Gestão de Garantias Reais da Área de Crédito do BNDES, Henrique Rogério Lopes Ferreira da Silva;

- o presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filatrópicas (CMB), José Reinaldo Nogueira;

- o superintendente Nacional de Média e Grande Empresa da Caixa Econômica Federal, Giovanni de Carvalho Alves.

A audiência está marcada para as 14h30, no Plenário 5.

Debate

Na quarta-feira (19), às 8 horas, no Salão Verde, a frente parlamentar realizará sua quarta reunião de trabalho, acompanhada de um café da manhã, com o apoio da CMB.

O objetivo da reunião é debater o reajuste da tabela do SUS, uma fonte de financiamento para o setor e o resultado da audiência pública do dia anterior.

Agência Estado

Cai imposto para remédios hemoderivados

Produtos fazem parte da lista de medicamentos essenciais da OMS. Resolução publicada na sexta define também as cotas de importação

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) determinou a redução para zero do imposto de importação de medicamentos da categoria de hemoderivados. A determinação, publicada na sexta-feira (14) no Diário Oficial da União (DOU), terá duração de seis meses. O objetivo é o de evitar o desabastecimento interno.

Os produtos fazem parte da lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os concentrados de fatores VIII e XIX são utilizados para o tratamento dos hemofílicos do tipo A e B, respectivamente, e a soroalbumina humana é utilizada no tratamento de queimados, de pessoas com cirrose e pacientes de terapia intensiva, entre outras utilizações. A resolução publicada nesta sexta no D.O define também as cotas de importação.

Época

Martin Blaser: o amigo das bactérias

Quem é o cientista americano que tomou o partido de uma das principais inimigas da saúde humana

Por Marcela Buscato

Cientistas costumam ser comedidos. Apoiam-se em estatísticas, sugerem probabilidades e raramente anunciam certezas. Mas o artigo publicado pelo microbiologista americano Martin Blaser em agosto, na revista científica Nature, fugiu à regra. Nele, Blaser pedia, já no título, o fim da “matança das bactérias”. O tom só causou menos surpresa do que o conteúdo. No artigo, Blaser transformou em mocinha a bactéria Helicobacter pylori, uma conhecida vilã. Ele afirma que a bactéria, que está por trás da maior parte dos casos de gastrite, úlcera e câncer gástrico, não é apenas causadora de doenças.

“A H. pylori também traz benefícios para os humanos”, afirma Blaser, professor da Universidade Nova York. “Meus estudos sugerem que a erradicação maciça dessa bactéria está por trás da epidemia de obesidade e do aumento de casos de asma e de refluxo.”

Defender as bactérias contra o uso indiscriminado de antibióticos não é novidade. Há anos os médicos estão preocupados com o surgimento das superbactérias, micro-organismos resistentes às drogas. Ao tomar antibióticos, muitas vezes sem prescrição médica e sem necessidade, matamos bactérias fracas e selecionamos as fortes. Um estudo publicado em 2007 constatou que, aos 18 anos, adolescentes americanos já tomaram entre dez e 20 ciclos de antibióticos. A medicação mata até mesmo parte das bactérias que vivem no corpo para ajudar em tarefas como a digestão. São 100 trilhões de micro-organismos do bem. O movimento em prol do uso consciente dos antibióticos é antigo. Mas Blaser é o primeiro a tomar a defesa de uma bactéria específica, causadora de doenças.

A descoberta em 1982 de que a H. pylori é uma das causas principais de gastrite, úlcera e câncer gástrico revolucionou o tratamento dessas doenças. Os médicos puderam evitar que alguém desenvolva um tumor matando a bactéria que irrita a mucosa do estômago, desencadeia a multiplicação desordenada das células e provoca úlceras. Essas feridas do estômago causam dor, azia e, em casos graves, hemorragias – sintomas que, antes das pesquisas sobre a H. pylori, eram tratados com drogas caras e paliativas. O tratamento com antibióticos custa um décimo do preço e é eficaz. A descoberta foi tão importante que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina de 2005 a John Robin Warren e Barry James Marshall, os dois cientistas australianos que fizeram a associação entre a bactéria e as doenças na década de 1980.

Blaser nos últimos anos têm se dedicado a reabilitar a H. pylori. Ele sugere que a bactéria, que fica na mucosa do estômago, tem papel importante na regulação do suco ácido que digere os alimentos. Por isso, diz Blaser, atacá-la poderia trazer problemas. A pessoa pode ganhar peso porque a produção do hormônio da fome seria afetada pela mudança no nível de acidez do estômago. Ou desenvolver refluxo – transferência de suco gástrico para o esôfago, o canal que leva a comida ao estômago. As consequências imediatas são dor e ardência. A longo prazo, a irritação pode dar origem a um tumor. Até o sistema de defesa do corpo pode sofrer. Sem a bactéria, ele pode ficar mais sensível a outros micro-organismos e responder de maneira exagerada a esses inimigos, tornando a pessoa asmática. Para Blaser, ela controla também o nível de acidez do estômago. Ele não pode ser muito baixo (porque, nesse caso, bactérias que vivem no intestino subiriam para o estômago e tomariam o lugar da H. pylori) nem muito alto (porque prejudicaria o funcionamento do órgão, algo ruim também para a bactéria). “Quando se olha para a H. pylori sob essa perspectiva, é possível compreender que ela traz benefícios, não só prejuízos”, diz Blaser.

A tese dele é tão surpreendente quanto polêmica. “Não se pode falar que um micro-organismo causador de doenças é benéfico”, diz o gastroenterologista gaúcho Ismael Maguilnik, presidente do Núcleo Brasileiro para Estudo da Helicobacter pylori, um departamento da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Hoje, grupos de pesquisadores espalhados pelo mundo buscam uma vacina para evitar que as pessoas sejam infectadas pela H. pylori. O vetor da contaminação são frutas e verduras mal lavadas, além de água contaminada. A reação médica tornou-se automática: ao menor sinal de azia ou queimação, pede-se uma endoscopia, exame em que o médico inspeciona o estômago com uma pequena câmera na ponta do cateter. Amostras colhidas da mucosa do órgão mostram se a bactéria está lá. Em alguns consultórios, com uma baforada dentro de um saquinho especial, já se descobre a hóspede indesejada. Com o diagnóstico, vem o tratamento: uma combinação de dois antibióticos e de uma droga que reduz a acidez.

Blaser ainda não reuniu evidências suficientes para que a comunidade médica reavalie os atuais procedimentos. O que ele conseguiu foi mostrar associações estatísticas entre o tratamento com antibióticos e os resultados negativos. Por exemplo: o número de crianças com asma aumentou no mesmo período em que também aumentou a prescrição de antibióticos. Ou: o número de casos de refluxo cresceu entre pacientes que eliminaram a H. pylori. “Não consigo provar que ele está errado, mas acho que ele precisa provar ainda mais que está correto”, disse a ÉPOCA o médico australiano John Robin Warren, um dos ganhadores do Nobel pelo isolamento da H. pylori. A credibilidade de Blaser deriva de seu profundo conhecimento da bactéria. Ele e um grupo italiano descobriram que havia um tipo de H. pylori mais perigoso que os outros. Mesmo assim, não se pode excluir a possibilidade de que outras causas expliquem a relação estatística encontrada por ele. “Pacientes curados de úlcera podem passar a comer mais do que comiam, o que também pode levar ao aparecimento de refluxo”, diz o gastroenterologista Jaime Eisig, professor da Universidade de São Paulo.

Apesar de suas convicções, Blaser não propõe um retorno ao tratamento feito antes do isolamento da bactéria. Ele diz que pacientes que têm H. pylori e estão doentes devem eliminá-la. Mas ataca o uso de antibiótico nos casos em que a presença da bactéria não está associada a nenhuma patologia – algo que a comunidade médica tem debatido intensamente. Alguns médicos preferem exterminar a bactéria mesmo que não haja sintoma de doenças, para afastar a ameaça. Outros pesam os riscos de usar antibióticos, selecionar bactérias perigosas e matar aquelas úteis ao organismo. Muitas dessas bactérias são desconhecidas da ciência. A tese de Blaser vai reforçar os que defendem o procedimento mais cauteloso. “Provavelmente outras espécies de bactérias também estão desaparecendo, mas nós nem sabemos por que elas não recebem atenção”, diz Blaser. Se depender dele, a H. pylori ainda vira mártir.

Istoé

O imposto da gordura

A Dinamarca impõe taxa sobre alimentos ricos em gordura saturada, liderando um movimento que começa a ganhar adeptos

Por João Loes

Os famosos biscoitos amanteigados da Dinamarca ficarão mais caros. Desde o começo do mês, está em vigor no país escandinavo uma lei que taxa o quilo de produtos com mais de 2,3% de gordura saturada em cerca de R$ 5. Com isso, a manteiga, por exemplo, insumo básico da iguaria dinamarquesa, pode ficar até 30% mais cara. A medida, inédita no mundo, tem como objetivo reduzir o consumo de alimentos recheados da perigosa, mas saborosa, substância. Trata-se de uma decisão preventiva. Na Dinamarca, apenas 10% da população tem sobrepeso – no Brasil o índice é de 48% enquanto nos Estados Unidos, mais de 60%. A dúvida é: medidas como essa têm efeito? Boa parte dos especialistas diz que sim. “É simples, do mesmo jeito que o preço baixo estimula a compra, o preço alto a inibe”, diz Walmir Coutinho, endocrinologista e presidente da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade (Iaso).

Pesquisas embasam a opinião de Coutinho. Um estudo conduzido pela Universidade Oxford, na Inglaterra, mostrou que, se uma taxa como a que foi instituída na Dinamarca fosse colocada em prática no país, 3,2 mil vidas seriam salvas anualmente. A alta de preços reduziria, diretamente, a incidência de doenças como colesterol alto, aterosclerose e derrame. Para os médicos, o ideal seria que a nova arrecadação ainda subsidiasse hábitos alimentares saudáveis. “Hoje, o maior desafio da saúde pública nessa área é o custo”, diz Coutinho. “Comer mal é mais barato que comer bem”, resume o endocrinologista. Nesse sentido, a taxa sobre gorduras saturadas teria efeito positivo duplo – desestimulando o consumo de alimentos pouco saudáveis e barateando os saudáveis.

No mundo, iniciativas parecidas com a da Dinamarca estão tomando forma. Em nações europeias a gordura trans, por exemplo, já é proibida por lei e pelo menos dois países da região estudam a possibilidade de adotar um imposto nos moldes do dinamarquês (leia quadro). No Brasil, o que temos de mais próximo disso é um acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) para zerar a gordura trans nos alimentos até 2013 e diminuir a ingestão de sal pelos brasileiros em 50% até 2020. Nenhuma lei, porém, está prevista. “Aumentar impostos funcionou bem com cigarro, não tem por que não funcionar com a gordura”, diz Coutinho.

Istoé

Por que algumas doenças não somem de vez

Apesar de serem alvo de campanha de vacinação em massa, enfermidades como sarampo, coqueluche e poliomielite continuam a fazer centenas de vítimas pelo mundo

Por Monique Oliveira

A erradicação da varíola nos anos 1970, após um esforço global de mais de 200 anos, deu início à esperança de que outras ­doenças também pudessem desaparecer por completo. A poliomielite foi, então, o próximo alvo. Na esteira da difusão de conceitos de vigilância epidemiológica pela Organização Mundial da Saúde, deflagrou-se uma corrida para a sua erradicação com metas sendo estabelecidas – e continuamente postergadas – desde 1971. A última, estabelecida em 2010, foi adiada por pelo menos mais três anos após nove novos casos serem registrados recentemente na China.

A varíola segue, então, como única doença erradicada. Com tantos avanços na medicina, a pergunta que se faz é por que, afinal, determinadas enfermidades – contra as quais há vacinas – continuam a fazer vítimas. As respostas são complexas. Para ser considerada erradicada, além de não originar mais nenhum caso, a ­doença deve atender a estes critérios: o homem ser o único hospedeiro do agente causador, dispor de uma forma de combate segura e efetiva e ser beneficiada por uma política pública mundial de campanhas de imunizações.

Isso já é uma grande tarefa. É preciso considerar, porém, que cada doença tem sua particularidade. No caso do sarampo, por exemplo, o vírus é altamente contagioso. Dessa forma, qualquer falha na cobertura vacinal é uma brecha perigosa. “Se alguém infectado entra em um consultório médico, por exemplo, e outro indivíduo lá presente não está imunizado, há grande chance de contágio”, diz o epidemiologista José Cássio de Moraes, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

O problema é que, embora o Brasil tenha iniciado em 2005 uma campanha contra o sarampo e a rubéola, o vírus continua circulando com força na África e na Europa. “Por essa razão a doença não foi eliminada aqui”, explica Moraes. Na última semana, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, por exemplo, acompanhava três bebês com menos de um ano sob suspeita de terem contraído a enfermidade.

Na Europa, o controle sobre o sarampo teve outro complicador. Em 1998, um estudo publicado na revista científica “The Lancet” associava a vacina contra o sarampo, a caxumba e a rubéola ao autismo. O estudo iniciou uma onda antivacina na Inglaterra que prejudicou o sucesso das campanhas. “Essa pesquisa levou a surtos nos Estados Unidos e na Europa”, disse à ISTOÉ Steve Cohl, da Universidade da Califórnia e ex-membro do Comitê de Vacinas do Food and Drug Administration (FDA). “Crianças morreram por não ter sido imunizadas pelos pais, que acreditaram na pesquisa.” A licença do médico autor do estudo foi caçada, mas o estrago estava feito.

Crenças religiosas são outros fatores que interferem nos esforços. Na Nigéria, fundamentalistas islâmicos passaram a acreditar que a vacina contra a poliomielite havia sido contaminada, pelo Ocidente, com o HIV, causador da Aids. O resultado: 258 casos registrados em 2008.

Também a falta de campanhas de vacinação para adultos, que funcionam como reservatório de alguns micro-organismos causadores de doenças, dificulta o controle das doenças. Um exemplo é a coqueluche, causada por uma bactéria e caracterizada por crises de tosse. Em alguns casos, pode ser fatal. No ano passado, o Brasil registrou 588 casos, segundo o Ministério da Saúde. A enfermidade, cuja vacina precisa ser administrada de dez em dez anos, pertence ao grupo de doenças tidas, erroneamente, como incidentes apenas na infância. “Com o passar do tempo, adultos infectados transmitem males como esse a crianças”, disse Cohl.

Foi o que aconteceu com o cirurgião plástico Marcelo Frazão, 32 anos, de São Paulo. O médico contraiu a doença e a transmitiu para a filha, Marcela, então com apenas um mês. A bebê ainda não tinha recebido a primeira dose da DPT, contra difteria, tétano e coqueluche. “No hospital, tomamos antibiótico porque a suspeita era de pneumonia”, lembra. “Como o caso se agravou, a coqueluche foi diagnosticada.” De fato, é comum que a doença seja subdiagnosticada em adultos. “É frequente ser confundida com pneumonia e até com asma”, afirma Analiria Pimentel, pediatra e infectologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, instituição de Pernambuco escolhida para ser o centro de vigilância para a coqueluche naquele Estado.

Em países mais pobres, a erradicação de doenças esbarra também na vontade política e econômica. “A oncocercose, principal causa infecciosa da cegueira, poderia ser eliminada se houvesse interesse da indústria farmacêutica em produzir remédios”, lamenta o médico Moraes.

Istoé

Vitaminas sob suspeita

Estudo revela que o consumo indiscriminado de cápsulas de vitaminas e minerais pode elevar a mortalidade entre mulheres acima de 55 anos

Por Mônica Tarantino

Mais de um terço da população adulta de países ricos toma suplementos vitamínicos regularmente por conta própria. Mas, em vez de proteger, ingerir doses de vitaminas e minerais sem ter alguma carência nutricional que justifique o consumo pode ter efeito contrário e contribuir para um aumento de risco de morrer. O alerta foi feito na semana passada por pesquisadores de várias instituições liderados pelo cientista Jaakko Mursu, da Universidade de Kuopio, na Finlândia, e da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Eles acompanharam 38 mil mulheres americanas na faixa etária de 55 a 66 anos por cerca de duas décadas para chegar a essa conclusão. Durante as entrevistas iniciais para conhecer o perfil das voluntárias de um estudo para medir o impacto do consumo de suplementos na saúde dessa população e na sua mortalidade, Mursu e seus colaboradores descobriram que 63% das participantes do projeto tomavam algum tipo de suplemento vitamínico ou mineral para prevenir doenças crônicas. Com o passar do tempo, esse índice chegou a 85%.

A análise dos dados coletados levou os cientistas a concluir que se automedicar com vitaminas e suplementos sem necessidade traz sérios malefícios. “Descobrimos que tomar multivitamínicos e as vitaminas B6 e ácido fólico (ou B9), ferro, magnésio, zinco e cobre implica em uma elevação do risco de morte”, disse o cientista Mursu à ISTOÉ. Nas análises finais do trabalho, os pesquisadores viram que a suplementação com multivitamínicos e ferro foi a que mais fez subir os percentuais associados ao risco de morrer.

A explicação para os resultados é que a maioria desses compostos se torna nociva em quantidades elevadas. Isso aumenta as chances de reações que facilitam o desenvolvimento de doenças como câncer e problemas cardiovasculares. Os autores supõem que vitaminas e minerais produzam efeitos similares nas taxas de risco de mortalidade entre os homens, mas isso ainda não foi pesquisado. O trabalho foi publicado na última edição da revista científica americana “Archives of Internal Medicine”.

Os achados da pesquisa, chamada de Estudo Iowa (porque foi realizada com mulheres do Estado do Iowa, nos EUA), somam-se a uma série de trabalhos consistentes realizados e em andamento que colocam em xeque a crença dis­seminada de que não faz mal engolir de vez em quando alguns comprimidos multivitamínicos. Em 2007, por exemplo, uma investigação com 181 mil participantes apontou uma taxa de morte 5% maior entre os adeptos do consumo de vitaminas antioxidantes (A, E, C e betacaroteno).

Na prática, é um tema que envolve pontos de vista opostos entre correntes da medicina, interesses da indústria farmacêutica e a atração exercida pelos poderes protetores da saúde atribuídos a essas substâncias e enaltecidos pela publicidade. Respostas definitivas virão por meio de um esforço da medicina para empreender profundas revisões de ensaios clínicos publicados e para fazer novas investigações. Mas como agir enquanto prevalece a dúvida? “Aconselhamos quem usa suplementos a reconsiderar se deve continuar ingerindo-os. Deem atenção à dieta. Suplementos raramente são necessários, e sua introdução na alimentação deve ser justificada por um motivo médico”, sugere o finlandês Mursu.

Istoé

Nova chance para os pulmões

Procedimento aumenta a capacidade respiratória de portadores de enfisema, doença que costuma atingir os fumantes

Por Mônica Tarantino

Uma nova modalidade de tratamento está chegando ao País para aliviar os sin­tomas dos portadores de enfisema grave, uma doença crônica que progressivamente debilita a capacidade respiratória e prejudica a qualidade de vida. Vinte por cento da po­pulação mundial acima de 65 anos convive com o problema, a maioria fumante (o tabagismo é o mais importante fator de risco).

A enfermidade deteriora os alvéolos, estruturas pulmonares que realizam as trocas gasosas com o sangue. Isso torna mais lenta e difícil a eliminação do ar contido no órgão. Com o tempo, os pulmões ficam cada vez mais dilatados, o que aumenta a falta de ar e o cansaço. A técnica que agora começa a ser usada no Brasil é feita para murchar a parte do pulmão mais atingida pela doença. Dessa maneira, cria-se mais espaço no tórax para o órgão se expandir durante a inspiração.

O método consiste na colocação de pequenas válvulas nos canais que levam o ar até os pulmões, os brônquios. A missão desses dispositivos, feitos de silicone e nitinol (uma liga de níquel e titânio), é desviar o ar inspirado para as áreas do órgão menos atingidas pelo enfisema. “Quando a pessoa inspira, a válvula se fecha e impede que o ar entre nas regiões comprometidas. Quando a pessoa expira, a válvula se abre para permitir também o escape do ar contido nessas áreas”, explica o médico e pesquisador Hugo Goulart de Oliveira, Chefe do Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde o dispositivo foi testado e aprimorado por nove anos. O tratamento foi avaliado em outros seis países. Atualmente, a técnica está disponível em mais de 20 países na Ásia e Europa.

Até agora, pacientes em estado grave eram tratados com remédios broncodilatadores, reabilitação respiratória e cilindros de oxigênio para dar mais fôlego àqueles que muitas vezes não conseguem sequer levantar da cama. Nos casos severos, as alternativas eram a internação para ventilação artificial ou o transplante. Havia uma terceira possibilidade, que era a cirurgia de redução de volume pulmonar. “Porém ela tem alto risco de mortalidade”, diz o pneumologista Oliveira. Por essa razão, nos Estados Unidos, menos de 100 operações desse tipo são feitas por ano.

Diante desse quadro, a colocação das válvulas é uma luz no fim do túnel. “Elas não curam o enfisema, mas melhoram imensamente a qualidade de vida de doentes bem selecionados”, diz o cirurgião torácico Luis Carlos Losso, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcellos, de São Paulo, um dos hospitais paulistanos de primeira linha que começam a realizar o procedimento. Uma das condições é que a enfermidade não tenha acometido gravemente todo o pulmão. Bem indicada, a técnica proporciona a recuperação de até 25% da capacidade respiratória.

O aposentado carioca Oscar Taubkin, 73 anos, é um dos 64 brasileiros submetidos ao novo método na fase em que sua realização era supervisionada pela equipe gaúcha. Ele recebeu três válvulas no pulmão direito. “Eu não conseguia mais sair de casa”, conta. “Dois dias depois de pôr as válvulas, fui a uma churrascaria e no mesmo mês viajei à Europa.” O procedimento de Taubkin foi pago pelo convênio, mas isso ainda não é regra.

A nova opção para os pacientes de enfisema por enquanto não está disponível na rede pública e tem custo elevado. “O que se espera é que o governo faça as contas e entenda que vale a pena pagar pelas válvulas para reduzir as internações e complicações”, diz o paulistano Arnaldo Salgueiro Rey, 47 anos, que passará pelo procedimento esta semana. Para tratar seu enfisema, surgido há 14 anos em consequência de uma deficiên­cia genética rara, ele toma medicamentos, usa oxigênio e fez redução pulmonar. “As válvulas me ajudarão a viver mais livre, sem carregar um equipamento para respirar”, diz Rey.

Domingo, 16.10.11

O Estado de São Paulo

Lixo hospitalar americano é vendido em loja no Brasil

Por Fabio Graner e Monica Bernardes, especial para O Estado

Lençóis utilizados em hospital dos EUA foram comprados em Santa Cruz do Capibaribe, a 205 km de Recife

Uma loja em Santa Cruz do Capibaribe, a 205 km de Recife (PE), foi interditada pela Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) por vender lençóis utilizados em hospitais americanos. A venda no Brasil de resíduos hospitalares dos Estados Unidos foi revelada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo.

Os lençóis, alguns com manchas, eram vendidos por quilo. Um deles trazia a inscrição Baltimore Washington Medical Center University of Mariland Medical System. Procurado, o centro disse que paga empresas para processar seu lixo e espera que elas sigam a legislação do setor.

Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Receita Federal apreenderam, em dois contêineres, 46 toneladas de lixo hospitalar trazidos por uma importadora de tecidos dos EUA. A apreensão ocorreu no Porto de Suape, litoral sul de Pernambuco.

Para o dia 22, a Anvisa e a Receita esperam a chegada de mais 14 contêineres, no mesmo porto. A expectativa é que haja, novamente, lixo hospitalar dos EUA.

Investigação. Ontem, a Anvisa informou que ainda sabe como o lixo hospitalar entrou no País e estava sendo vendido na cidade de Santa Cruz do Capibaribe. O órgão enviou mais um funcionário a Pernambuco para auxiliar nas investigações sobre o caso. No entendimento da Anvisa, a empresa importadora infringiu a Política Nacional de Resíduos, que proíbe que se traga lixo de outros países para o Brasil.

A fiscalização dos contêineres que entram no Brasil é feita por amostragem pela Receita. Para não inviabilizar o comércio exterior, o órgão olha apenas uma parte dos produtos que chegam, seguindo critérios como o tipo e origem, entre outros.

Segundo o inspetor-chefe da Receita Federal em Suape, Carlos Eduardo Oliveira, a encomenda foi enviada em nome da Indústria Têxtil Na Intimidade. Se condenada, a pessoa responsável pode pegar de um a quatro anos de reclusão e ter de pagar multa de até 2 milhões.

Folha de São Paulo

O cuidador e os seus problemas

Por Julio Abramczyk

As pessoas que cuidam de idosos, os denominados cuidadores (parentes ou profissionais) precisam também cuidar de si mesmos. O alerta é dado por José Tadeu Nunes Tamanini, da Universidade Federal de São Carlos, em trabalho na "Neurology and Urodynamics". O estudo analisa a sobrecarga de trabalho ao cuidar de idosos com incontinência urinária e foi realizado na cidade de São Paulo.

A perda súbita de urina sobrecarrega a atenção do cuidador, que com frequência não tem a formação adequada para essa atividade. Esse episódio, por sua frequência e repetição, cria ansiedade e insegurança no cuidador, o que pode evoluir para um quadro de estresse físico e mental. Em raras situações, pode levar até a ressentimento e raiva contra o idoso e eventual agressão.

Tamanini sugere treinamento especializado para esses profissionais, com um programa que envolva família, comunidade e Estado. Será realizado no dia 5 de novembro, das 8 às 13 h, no auditório da Unip da rua Vergueiro, 1211, o seminário Cuidar é Viver que irá debater o papel do cuidador de idosos na sociedade atual. O evento é gratuito aos interessados.

Sábado, 15.10.11

Correio Braziliense

Dengue: drama que se repete

Visão do Correio ::

As recentes ameaças de nova epidemia de dengue no país puseram em alerta as autoridades de saúde pública em razão, sobretudo, da volta de dois tipos de vírus da doença, o 1 e o 4, que não eram detectados há quase 30 anos no Brasil e para os quais a população está indefesa porque nunca teve contato com eles. As armas principais contra o mosquito transmissor e o seu poder devastador são as mais simples e tradicionais — como evitar acúmulo de água em vasos e outros recipientes e manter ralos domésticos limpos —, embora a mais poderosa seja a própria consciência coletiva sobre a presença de um mal que já ceifou milhares de vidas no território brasileiro.

Uma das medidas que conferem a gravidade da situação é a liberação emergencial de verbas pelo Ministério da Saúde, para o controle da dengue, além dos recursos já destinados ao combate de doenças no país. No caso do Distrito Federal, o caixa da Secretaria de Saúde receberá reforço de R$ 2,2 milhões. Esse montante virá se somar, a partir de novembro, aos R$ 11,2 milhões já repassados mas que ainda não foram totalmente gastos por falta de projetos. No entanto, não é apenas com dinheiro que se soluciona problema de saúde coletiva tão sério.

A dengue no DF registrou 1,4 mil casos somente nos primeiros nove meses deste ano, e a tendência é de agravamento da situação, quando se sabe que a capital e o Entorno não são invulneráveis aos dois novos vírus atuantes (tipos 1 e 4), os quais já foram identificados no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul. O ponto central da questão sobre a melhor maneira de enfrentar a doença é a montagem de uma ação coletiva permanente de alerta sobre um cenário epidemiológico sombrio, que se renova a cada ano e que promete reeditar incômodas taxas de contaminação e de óbitos, não apenas no DF, mas em todo o país, caso as autoridades não tomem providências.

Nesse sentido, a dengue no Brasil reflete a imagem da Espada de Dâmocles — aquela que vem do passado e que gira em cima da cabeça de um povo medindo o tamanho da sua fragilidade diante de uma crise. A imagem serve então para expor o grau de insegurança dos governantes e gestores da saúde em relação a estratégias de ação todas as vezes que o fantasma da dengue volta a assustar o país. Nesse contexto, é preciso destacar ainda que a liberação de verbas do Ministério da Saúde está condicionada à elaboração de projetos — inexistentes em várias unidades da Federação — que definam planos de combate e fiscalização da doença, vigilância epidemiológica e assistência ao paciente.

Folha de São Paulo

Einstein faz 40 anos e 2.000 transplantes

Por Reinaldo José Lopes

Instituição paulistana se consolida como maior transplantadora de fígado do mundo, com sobrevida de pacientes em torno de 90%

O Hospital Israelita Albert Einstein comemora hoje seus 40 anos de existência, alcançando a marca de 2.000 transplantes realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A maior parte dos procedimentos (1.150) foi de fígado.

Com o número, a instituição paulistana consolida sua posição como o maior transplantador de fígado do mundo envolvendo doadores já mortos, afirma o oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do hospital.

Para Lottenberg, o marco é resultado da decisão do hospital de suprir as necessidades de procedimentos de alta complexidade que o sistema público de saúde tem dificuldade de abarcar.

"Esse tipo de operação não depende só da qualidade da equipe do hospital. Depende de uma série de outros fatores, como a estrutura de equipamentos e de banco de sangue. Conseguimos reunir esses fatores e alcançar um número bastante significativo", diz Lottenberg, que trabalha com transplantes de córnea em sua especialidade.

Demanda em alta

De acordo com o médico, a alta demanda do SUS acabou levando o Einstein a ter um predomínio de transplantes de fígado, exigidos por uma série de doenças crônicas do órgão. A sobrevida é de 90%, semelhante aos patamares nos EUA.

"Em vez de seguir uma fila cronológica dos pacientes, optamos por transplantar primeiro os casos de maior gravidade, o que também contribui para evitar mortes", afirma Lottenberg.

Do ponto de vista histórico, o presidente do Einstein destacou a importância da iniciativa da comunidade judaica na consolidação do hospital. "Ele foi criado pela comunidade judaica, mas não para a comunidade judaica", afirmou.

No mês de aniversário, o Einstein está implantando um simulador de realidade virtual para cirurgias robóticas, o Mimic. O simulador cria 39 cenários cirúrgicos, de forma a aumentar a precisão de cirurgias reais feitas com a ajuda de robôs no hospital.

Lottenberg calcula que as unidades do hospital atendam cerca de 1 milhão de pessoas por ano.

Folha de São Paulo

Fraudes e gambiarras na saúde

Por Hélio Schwartsman

Se a Prefeitura de São Paulo executar a promessa de exigir que todos os médicos cumpram os plantões à risca, o sistema público de saúde entra em colapso.

Na barafunda que constitui a escala dos serviços municipais, é preciso distinguir entre as fraudes propriamente ditas, nas quais funcionários-fantasmas recebem sem trabalhar, e as gambiarras, que são as soluções informais encontradas pelos gestores para lidar com um sistema engessado e pouco funcional.

O problema está no fato de que o serviço público no Brasil é composto por diversas camadas geológicas de servidores, o que inviabiliza uma política salarial consistente.

Em parte, a culpa é dos políticos. Cada administrador que entra tenta criar uma marca eleitoral. Para isso, concebe um programa qualquer (AMAs, AMEs, PSF, Samu, UPAs, há vários alfabetos deles) e, a fim de fazê-lo funcionar direitinho, contrata a soldo generoso os médicos que nele trabalharão. Os demais salários, é claro, ficam como estavam. O resultado, que contraria os princípios mais elementares da administração, é que o poder público passa a concorrer consigo mesmo.

Em São Paulo, por exemplo, as AMAs pagam cerca de R$ 3.500 mensais por 12 horas semanais. Já um plantonista de UTI ou sala de emergência, função muito mais estratégica, recebe, pela tabela, mais ou menos o mesmo montante, mas para uma jornada de 24 horas.

Para atrair profissionais para esses postos-chave e manter os hospitais funcionando, gestores se valem de todo tipo de expedientes irregulares. Oferecem pagamento dobrado (recebe por 24, mas trabalha 12), plantões extras e outras medidas que resultam em escalas irreais.

Nessa balbúrdia, perde-se quase inteiramente o controle sobre quem trabalha ou não, e as fraudes se diluem nas incoerências do sistema. Ganham os fraudadores e os administradores que os patrocinam.

Folha de São Paulo

Lençol de lixo hospitalar dos EUA é revendido no Brasil

Loja em Pernambuco oferece material com nomes de instituições americanas

Roupa de cama é semelhante à que foi encontrada em dois contêineres onde havia também seringa usada

Por Fábio Guibu, enviado especial a Santa Cruz do Capibaribe (PE)

Lençóis com nomes de hospitais dos EUA, semelhantes aos encontrados nesta semana pela Receita Federal no porto de Suape e classificados como lixo hospitalar, são vendidos por quilo em Santa Cruz do Capibaribe, a 205 km de Recife, em Pernambuco.

A Receita apreendeu dois contêineres, na terça e na quinta, com 46 toneladas de resíduos hospitalares vindos dos EUA que eram descritos em documentos como "tecido de algodão com defeito".

Nos compartimentos, no entanto, foram encontrados lençóis manchados de sangue e seringas entre outros.

O material é proibido de entrar no país e oferece risco à saúde. Especialistas dizem que lençóis só podem ser reaproveitados após rigoroso processo de esterilização.

Neste ano, a mesma importadora já havia trazido para Pernambuco outros seis carregamentos, que não foram retidos na fiscalização.

Saldão do Agresta

A Folha esteve ontem na cidade do agreste pernambucano para onde seriam levados os detritos importados apreendidos. Lá, comprou na loja de tecidos e retalhos Império do Forro de Bolso, sem se identificar, nove lençóis.

Três peças têm nomes de hospitais ou entidades americanas impressos no tecido. Uma tem a mesma origem de parte do material apreendido no porto, o Hospital Central Services Cooperative.

No total, a Folha comprou 4,1 kg de lençóis, a R$ 10 o quilo. Funcionários da loja alegaram "problemas no sistema" para não entregar nota fiscal nem recibo. Depois de conversarem ao celular, eles fecharam o local.

A loja fica em uma das principais avenidas de Santa Cruz do Capibaribe, cidade com 87,5 mil habitantes em 2010, segundo o IBGE. Os lençóis e fronhas estavam amontoados no chão. Tecidos para fazer forros de bolso eram vendidos, a R$ 8,75 o quilo.

Várias peças das roupas de cama tinham manchas.

Um dos lençóis comprados pela Folha traz a inscrição "Baltimore Washington Medical Center University of Mariland Medical System".Outro tem inscrição dizendo que não pode ser vendida: "Property - not for sale".

Entre os lençóis sem inscrição, quatro têm etiquetas do fabricante. Dois deles são da americana Medline Industries Inc.. Há lençóis fabricados em outros países.

Após verificar a mercadoria, às 11h20, a Folha voltou à loja, mas ela continuava fechada. À tarde, ninguém atendeu ao telefone. A Receita diz que visitará a cidade, mas não especificou a data.

Folha de São Paulo

EUA enviam mais 14 contêineres suspeitos

Por Fábio Guibu e Verena Fornetti

Receita afirma que produtos foram encomendados por loja de tecidos de Pernambuco; navio chega em uma semana

Universidade dos EUA afirma que paga para outras empresas darem destino final ao resíduo hospitalar que produz

Do enviado especial a Santa Cruz do Capibaribe (PE) / De Nova York

A Receita Federal aguarda a chegada de mais 14 contêineres dos EUA encomendados pela mesma confecção de Santa Cruz do Capibaribe que importou 46 toneladas de lixo hospitalar retidas nesta semana no porto de Suape, no Estado de Pernambuco.

De acordo com o inspetor chefe da alfândega da Receita Federal local, Carlos Eduardo Oliveira, os contêineres estão em um navio e deverão chegar em uma semana.

O conteúdo dos contêineres ainda é desconhecido. De acordo com o inspetor chefe, a empresa exportadora pode fazer essa declaração até cinco dias antes de o navio atracar em seu destino.

A confecção responsável pela importação, cujo nome ainda não foi divulgado, adquiriu neste ano oito contêineres dos Estados Unidos.

Os dois últimos carregamentos foram apreendidos após a Receita Federal desconfiar do valor da nota. Aos inspecionar, descobriu se tratar de lixo hospitalar.

Oliveira disse que não poderia confirmar se foi a Forro de Bolso -onde a Folha adquiriu os lençóis- que importou as 46 toneladas de lixo hospitalar dos EUA.

Mas disse que a descrição das peças compradas pela Folha na loja de tecidos se assemelha com as que estão retidas em no porto de Suape desde o início da semana.

Repercussão

O University of Maryland Medical Center (Centro Médico da Universidade de Maryland) divulgou nota após ser procurado pela Folha.

"Nós pagamos várias empresas para processar e lidar com os resíduos do hospital. Esperamos que nossos fornecedores cumpram as leis sobre o descarte desses itens. Estamos interessados em saber mais informações sobre esse caso assim que houver detalhes disponíveis."

A Folha também localizou a NYC Health and Hospitals Corp (Corporação de Saúde e Hospitais da Cidade de Nova York). A entidade disse não ter conhecimento sobre o caso do lixo hospitalar.

A Folha não conseguiu contato com o Baltimore Washington Medical Center, o Hospital Central Services Cooperative, o Department of Veterans Affairs Property e a Medline Industries Inc, todas com sede nos EUA.

Folha de São Paulo

Material oferece risco de doenças, afirma médico

Por Gustavo Hennemann, de São Paulo

Os tecidos descartados por hospitais dos Estados Unidos e vendidos em Santa Cruz do Capibaribe oferecem risco de contaminação caso não tenham sido esterilizados de forma adequada, de acordo com o clínico geral do Hospital das Clínicas de São Paulo Arnaldo Lichtenstein.

As pessoas que tiverem contato direto com o material podem contrair doenças como hepatite A e B, segundo o médico.

"Há vírus e bactérias que são resistentes mesmo a lavagens com soda cáustica e outros produtos. Não é um risco desprezível", afirma Lichtenstein.

De acordo com ele, além de lavagem com produtos químicos, o tecido de uso hospitalar tem de ser esterilizado por meio de processos complexos.

"Estamos falando de secreções humanas altamente contaminantes. Há risco se o pano [contaminado] entrar em contato com uma ferida, ou mesmo através da respiração ou a boca", diz Lichtenstein.

Folha de São Paulo

Lixo hospitalar não é reciclável, segundo Anvisa

De Brasília

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou ontem que "não é permitida a reciclagem de lixo hospitalar", regra estabelecida por uma resolução de 2004. Ainda de acordo com a agência sanitária, uma lei do ano passado proíbe a entrada de lixo hospitalar no país.

"A Anvisa atua em todos os portos, aeroportos, fronteiras e recintos alfandegários do Brasil no controle sanitário de cargas e passageiros", informou o órgão, em nota.

A Anvisa ressaltou ainda no texto ter lacrado os dois contêineres apreendidos no porto de Suape. A agência inspeciona o conteúdo deles para analisar risco sanitário.

Até agora, foram encontrados lençóis sujos de sangue, seringas, máscaras, luvas cirúrgicas, cateteres e gaze.

A Anvisa informou ainda que irá fornecer um laudo oficial para que a Receita Federal tome as medidas judiciais em relação aos envolvidos no processo de importação fraudulenta do lixo hospitalar.

Sexta-feira, 14.10.11

Agência Câmara de Notícias

Projeto cultural de promoção da saúde pode ser contemplado com Lei Rouanet

Por Lara Haje / Edição: Newton Araújo

A Câmara analisa o Projeto de Lei 1553/11, do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que inclui os projetos culturais ligados à promoção de hábitos saudáveis e de prevenção de doenças entre aqueles que podem ser beneficiados pela Lei Rouanet (Lei 8.313/91).

A proposta altera a lei, para incluir, entre os objetivos do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), o apoio à difusão de conhecimento de hábitos saudáveis para a prevenção e controle de doenças, por meio da cultura.

Incentivos fiscais

Pela proposta, os projetos culturais que tenham como objeto a promoção de hábitos saudáveis ou a prevenção e controle de doenças poderão receber recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC) e dos Fundos de Investimento Cultural e Artístico (Ficarts).

Além disso, poderão ser beneficiados por incentivos fiscais (dedução no Imposto de Renda) previstos na lei para o apoio a projetos culturais por pessoas físicas ou jurídicas, por meio de doações e patrocínios.

Políticas públicas

Segundo a proposta, todos os projetos aprovados que tenham como objeto a promoção de hábitos saudáveis ou a prevenção e controle de doenças deverão estar de acordo com as políticas públicas adotadas pelo Ministério da Saúde.

O deputado afirma que, atualmente, há um aumento das doenças decorrentes da urbanização, das mudanças culturais e de hábitos da população, como câncer, diabetes e doenças do coração. Na avaliação do parlamentar, “diante desse cenário, é fundamental que o Brasil assuma, como prioridade, o incremento das iniciativas intersetoriais de prevenção ligadas à informação da população com relação a mudanças de hábitos”.

Tramitação

A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

PL-1553/2011

AGENDA


- 18 de Outubro – Dia do Médico


- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo

Abramge / AssPreviSite

As inscrições para os Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”. Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio site da Abramge.

No Brasil, o Ministério da Saúde registra a cada ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais: a informação não é muito divulgada. O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora do vírus – e segundo estudo publicado na revista científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma humano.

Podem participar da premiação, jornalistas profissionais de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de 2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover a informação sobre saúde e estimular a pesquisa científica do setor”, diz o presidente da Abramge, Arlindo de Almeida.

A comissão julgadora dos Prêmios será constituída de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão encaminhados aos jurados escolhidos pela direção da Abramge para análise e indicação dos melhores trabalhos.

Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem: R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos. E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da Abramge.

Veja o regulamento completo dos Prêmios no endereço eletrônico www.abramge.com.br


- Seminário sobre Terapias Celulares

Estão abertas as inscrições para o Seminário Nacional sobre a Regulação em Terapias Celulares. O evento promovido pela Anvisa vai discutir um tema que tem despertado interesse da comunidade científica: as terapias elaboradas a partir de células humanas viáveis (aquelas que podem ser utilizadas em tratamentos).

Atualmente, ainda não há no Brasil um marco regulatório para estes novos tratamentos que devem começar a chegar ao mercado nos próximos anos.

Inscrições

O seminário acontecerá nos próximos dias 17 e 18 de outubro, no auditório da Anvisa, em Brasília. Para efetuar a inscrição, o interessado deve enviar e-mail para o endereço cerimonial@anvisa.gov.br. A inscrição é gratuita, e estão disponíveis 200 vagas.

- Evento sobre auditoria de medicamentos

Unidas / AssPreviSite

Auditoria de medicamentos de alto custo - quimioterapia, radioterapia e agentes biológicos

14 de outubro de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

O aumento nos custos da sáude está diretamente relacionado à incorporação de novas tecnologias

O advento dos anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer e dos agentes biológicos para as doenças reumáticas, auto-imunes e dermatológicas trouxe grandes avanços para o tratamento, mas com um aumento expressivo nos custos.

O bom uso destes medicamentos traz benefícios inquestionáveis para os pacientes mas o mal uso, que não é infrequente, não só prejudica a saúde dos mesmos como acarreta desperdícios para os financiadores da saúde.

O desafio da regulação dos agentes quimioterápicos e biológicos requer do auditor novos conhecimentos.

O objetivo geral deste curso é capacitar o auditor a exercer papel regulatório adequado sobre o uso de agentes quimioterápicos e biológicos, de forma a assegurar ótima qualidade assistencial aos usuários de seu sistema.

Instrutores

DR.OTÁVIO AUGUSTO CÂMARA CLARK

ENFERMEIRA ANNA FLÁVIA FORTES

Público Alvo

Gestores e auditores de sistemas de saúde no Brasil.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br

- 12º Congresso Paulista de Saúde Pública

APSP tem o prazer de convidá-lo a participar do 12º Congresso Paulista de Saúde Pública, que será realizado de 22 a 26 de Outubro de 2011, no município de São Bernardo do Campo. O congresso tem como eixo central "Saúde e Direitos: escolhas para fazer o SUS".

As Comissões Científica e Organizadora estão preparando um grande evento que possibilite promover debates, reflexões e encaminhamentos que envolvam atores representantes da universidade, da gestão, dos trabalhadores da saúde, usuários de nossos serviços, enfim todos os cidadãos e coletivos responsáveis pela consolidação e fortalecimento do SUS. Nosso sistema de saúde é hoje a maior política garantidora de direitos no país e pela sua abrangência e universalidade está, permanentemente, em disputa entre vários setores e atores. O Congresso possibilitará explicitarmos e debatermos estas várias escolhas para atingirmos nosso objetivo, no sentido de garantir a saúde como um direito e conquista para a cidadania e desenvolvimento de nosso país.

Sua participação é fundamental para o enriquecimento do debate e avaliação de nossas escolhas! Esperamos por você no Congresso!

Mais informações: http://www.congressoapsp.com.br/

- HOSPITAL BUSINESS 2011

27 E 28 DE Outubro de 2011 / Copacabana / Rio de Janeiro

O Hospital Business reúne congresso científico e exposição de produtos, serviços e equipamentos; possibilitando o intercâmbio de conhecimento em um espaço de proposição e debates de idéias, onde profissionais se encontram para pensar a formação e agregar conhecimento aliado à experiência profissional. A exposição, em uma era cada vez mais digital, é o único canal onde o comprador, o vendedor e o produto se encontram fisicamente – uma força potente para os negócios que possibilita que os profissionais tenham acesso à lançamentos de novos produtos, novas tecnologias que terão impacto significativo em sua atuação profissional.

Inscrições: http://www.hospitalbusiness.com.br/inscricao2011.asp

Contato: http://www.hospitalbusiness.com.br/contato.asp

- X Encontro Nacional de Economia da Saúde

O X Encontro Nacional de Economia da Saúde será realizado nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2011, no Hotel Embaixador, na cidade de Porto Alegre/RS.

Mais informações: http://www.ppge.ufrgs.br/abres/index.php

- 14º Congresso Unidas

Unidas / AssPrevISite

Inovações e Desafios da Saúde Suplementar

Dias 21 e 22 de novembro de 2011

Hotel Maksoud Plaza São Paulo

Alameda Campinas, 150 - Bela Vista - São Paulo/SP

Promover o desenvolvimento e a capacitação dos líderes da saúde suplementar é o objetivo maior do 14º Congresso UNIDAS - Inovações e Desafios da Saúde Suplementar. O evento apresentará temas atuais que envolvem os desafios presentes no cotidiano dos gestores, além de oportunizar a troca de informações, experiências e conhecimento entre os players do setor.

Além do 14º Congresso UNIDAS, realizaremos no mesmo período e local a 11ª Feira de Produtos e Serviços para Planos de Saúde que irá apresentar as mais recentes inovações e soluções tecnológicas para a gestão da área da saúde. Para ser expositor ou patrocinador dos eventos, as empresas deverão fazer contato com a UNIDAS pelo telefone (11) 3289-0855, ou pelos e-mails: sandra@unidas.org.br e rose@unidas.org.br.

Participem do 14º Congresso UNIDAS - Inovações e Desafios da Saúde Suplementar e da 11ª Feira de Produtos e Serviços para Planos de Saúde! A sustentabilidade do segmento de autogestão dependerá do crescimento e capacitação profissional daqueles que lutam e contribuem por um sistema de saúde justo para todos os brasileiros.

Informações

Informações adicionais e esclarecimentos poderão ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11) 3289-0855 ou e-mail congresso@unidas.org.br

- 14º Conferência Nacional de Saúde

Tema

“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”

A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional. As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.

Mais informações no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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