Leia
nesta edição:
- Saída para a Saúde
- Nos EUA,
Dilma elogia seus programas de Saúde
- Indústrias fazem ONU abandonar meta de saúde
- Sem o bode,
o ar fica mais saudável
- Patentes
farmacêuticas: acesso à saúde
e desenvolvimento econômico
- Saúde no DF: Médicos fogem da rede pública
- A medicina,
o médico e a representação
política
- Melhorar
a gestão
- Chegou a hora: EC 29, mitos, riscos e realidade
- Estados
deixaram de aplicar R$ 2 bi na saúde
- Gato por lebre
- Infecção
hospitalar mata 100 mil por ano no brasil
- Falta de higiene coloca pacientes em risco
- Mortalidade
do alcoolismo no Brasil é quase tão
grande quanto a do crack
- Trabalho
avaliará qualidade da perícia médica
do INSS
- Seguridade
discute proposta da Anvisa sobre equipamentos de vigilância sanitária
- Saúde
mapeia acidentes de trabalho
- Vacinação contra sarampo até dia
30
- Transplante
medular incompatível
- Idosos:
Musculação vira remédio
- Nações Unidas vão discutir combate a
doenças crônicas
- Governo
lança
plano para reduzir morte por enfarte
- Governo
de SP vai processar laboratórios
- Casa Santa
- O curandeiro e a CPMF
- Com acordo,
Câmara deve votar Emenda 29 e regulamentar
recursos para a saúde
- Comissão aprova redução de Cofins para
atenção domiciliar à saúde
Segunda-feira, 19.09.11
O Globo
Saída para a Saúde
Por José Sacido
Barcia Neto
A Câmara dos Deputados está se mobilizando para
votar, nesta semana, a Emenda Constitucional 29, que regulamenta
os gastos com saúde nos três níveis de governo
(Federal, estaduais e municipais). Um compromisso assumido por
parlamentares e candidatos à Presidência da República
ao longo dos últimos 12 anos.
Para os municípios, a regulamentação é vital
e urgente, porque garante mais recursos para os prefeitos investirem
na área e atenderem as necessidades da população.
A emenda é um pacto tripartite e determina que os estados
e a União repassem mais recursos para os municípios
aplicarem na saúde. Atualmente, as administrações
municipais arcam com 70% dos custos, enquanto estados e União
dividem os 30% restantes.
Os recursos
dariam aos gestores municipais mais independência
e agilidade. É notório que a maioria dos mais de
cinco mil municípios brasileiros não dispõe
de profissionais e equipamentos para muitos procedimentos médicos.
Mas, quando o cidadão fica doente e precisa do tratamento, é a
prefeitura que tem que resolver o problema. A solução
nesses casos acaba sendo mais demorada, desconfortável
e cara. O paciente tem que ser transportado para um grande centro
ou para uma instituição particular, cabendo ao
município arcar com todos os custos.
Um exemplo
clássico dessa má divisão de
recursos é a Estratégia de Saúde da Família
(ESF) do Governo federal, que desenvolve nos municípios
o Programa de Saúde da Família. Embora federal,
o programa é quase que totalmente custeado pelo município.
Apenas 20% dos recursos utilizados são repassados pelo
Governo federal. A prefeitura cobre o restante das despesas e
garante o desenvolvimento do programa.
Às vezes, a impressão que se tem é que
o gestor municipal é incapaz. Na verdade, em muitos casos,
ele é impotente. Administrar uma cidade não é só cobrar
e arrecadar tributos para pagar as contas e fazer as obras. A
malha de impostos, a divisão e a distribuição
dos recursos arrecadados criados pelo Governo federal deixam
o mínimo para o município. Os repasses que as prefeituras
recebem não são doações, são
verbas que correspondem à produção econômica
de seus cidadãos. Mas, além de a divisão
dos recursos ser prejudicial, os repasses custam a chegar, e
a situação deixa o prefeito refém do estado
e da União.
Votar e aprovar
a regulamentação da Emenda 29 é obrigação
dos deputados e compromisso dos presidentes. É hora de
honrar os compromissos.
O Globo
Nos
EUA, Dilma elogia seus programas de Saúde
Por Cristiane Jungblut
Apesar de
afirmar que falta verba para o setor, presidente vai afirmar
na ONU
que iniciativas do governo são bem-sucedidas
Brasília. Na mesma semana em que a Câmara dos Deputados
discute a questão do financiamento da Saúde e deve
votar a regulamentação da Emenda 29, a presidente
Dilma Rousseff falará hoje sobre programas brasileiros
de sucesso no setor, durante debate promovido no âmbito
das Nações Unidas (ONU). A presidente reclamou,
ainda no Brasil, semana passada, da falta de recursos para a
Saúde. Dilma vai discursar na reunião sobre doenças
crônicas não transmissíveis, seu primeiro
compromisso oficial numa agenda pesada de cinco dias em Nova
York.
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, está na
comitiva presidencial, mas voltará ao Brasil para acompanhar
pessoalmente as discussões na Câmara sobre a Emenda
29. Ao chegar ontem a Nova York, o ministro disse que a presidente
citará programas como Saúde Não Tem Preço,
que distribui remédios gratuitos contra hipertensão
e diabetes.
Ações
brasileiras despertam interesse, afirma ministro
Vários países, inclusive os Estados Unidos, demonstraram
também interesse no programa Academia da Saúde,
cujo objetivo é combater a obesidade. A presidente deverá se
referir ainda a ações de combate ao câncer
- ela mesma empenhada em lutar contra a doença -, à hipertensão,
ao diabetes e a doenças respiratórias.
- O Brasil tem muito a mostrar sobre isso e muito a fazer ainda
- disse Padilha.
Ao ser perguntado
sobre a polêmica em relação
ao financiamento justamente da área da Saúde, Padilha
desconversou:
- Isso é um tema que está lá no Brasil,
no Congresso. A presidente vai mostrar o que o Brasil tem feito.
O Brasil, até porque é um dos poucos países
com mais de cem milhões de habitantes que têm um
sistema público de Saúde, o SUS (Sistema Único
de Saúde), tem como apresentar o que está sendo
feito e os desafios - disse Padilha.
O ministro,
segundo assessores, vai desembarcar hoje à noite
em Brasília. Ele quer estar presente na audiência
geral da Câmara dos Deputados sobre a regulamentação
da Emenda 29, convocada para amanhã. Na quarta-feira,
a Câmara promete votar a proposta. O governo teme aumentar
os gastos em Saúde e defende a necessidade de nova fonte
de financiamento do setor, embora tenha recuado na defesa de
um imposto exclusivamente para este fim.
Ontem, o
ministro discutiu as ações do governo
brasileiro com representantes da prefeitura de Nova York e também
com representantes de governos da União Europeia.
Segundo dados
do Ministério da Saúde, as doenças
crônicas não transmissíveis incluem doenças
cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias
e diabetes. No Brasil, a cada cem mil brasileiros, 255 morrem
prematuramente por essas doenças. A meta é, em
2022, chegar a 196 mortes por cem mil habitantes. Nos últimos
dez anos, a taxa teve uma redução de 20%.
Além desse debate, a presidente Dilma participa hoje
de outro encontro promovido pela ONU para tratar da participação
política das mulheres. O convite foi feito pela presidente
chilena, Michelle Bachelet. No encontro, Dilma falará sobre
sua própria trajetória. A intenção é debater
a inclusão da mulher na cena política.
Na terça-feira, Dilma terá um encontro bilateral
com o presidente americano, Barack Obama, e participará de
um debate sobre transparência governamental. Na quarta-feira,
a presidente fará a abertura da reunião da ONU.
O
Estado de São
Paulo
Indústrias fazem ONU abandonar meta de saúde
Por Jamil Chade
Há dez anos, a comunidade internacional se reunia para
alertar sobre o risco da aids e estabelecer uma estratégia
para lidar com a epidemia. Hoje, o foco mudou e a Organização
das Nações Unidas (ONU) se reúne em sua
primeira cúpula dedicada a uma epidemia bem diferente,
mas não menos mortal: a das doenças relacionadas
ao estilo de vida da sociedade moderna.
Um plano
de ação será lançado hoje
em Nova Iorque, por um grupo de chefes de Estado. Mas o lobby
da indústria da bebida na Europa, do açúcar
Brasil, do tabaco nos Estados Unidos e de alimentos em vários
países conseguiu aguar o documento. Como consequência,
a ideia de ser estabelecida uma meta para a redução
de mortes foi abolida de última hora.
Médicos, pesquisadores e ativistas acusam o setor privado
de ter destruído essa iniciativa. A alegação
dessas indústrias é de que a ONU e os governos
deveriam voltar suas atenções para o combate à pobreza
e não a doenças consideradas como características
de países ricos.
Mas os pesquisadores
das Nações Unidas e da Organização
Mundial da Saúde (OMS) observaram que a realidade é bem
mais complexa. Em suma, o resultado dos levantamentos realizados
pelas entidades prova que acabou o mundo em que os ricos eram
gordos e os pobres eram magros.
Doenças relacionadas ao coração, aos pulmões,
câncer, hipertensão arterial e diabete já causavam
sérios danos à sociedade nos países ricos
por muitos anos. Mas, alimentado pela explosão da obesidade,
do consumo de cigarros, de estilos de vida sedentários
e da má alimentação, o fenômeno também
tomou conta das agendas dos países emergentes.
Segundo a
OMS, das 57 milhões de mortes no mundo em 2008,
36 milhões foram causadas por essas doenças "não
transmissíveis".
Pesquisadores
apontam que, enquanto os países ricos contam
com uma quantidade cada vez maior de leis contra o cigarro e
de outras que regulam a alimentação e reduzem certos
riscos das bebidas alcoólicas, os países em desenvolvimento
ainda não lidaram com esses assuntos de forma eficiente.
Além disso, esses mercados emergentes se transformaram
nos principais alvos do marketing das empresas do setor, diante
da crise nos países ricos e das limitações
que lhes foram impostas.
Negociação. Por meses, a ONU e a OMS negociaram
com governos um texto para um acordo internacional. Mas, diante
da resistência da indústria, a proposta da OMS de
cortar em 25% o número dessas mortes até 2025 foi
abandonado.
O que vai à aprovação na ONU hoje, portanto,
não passa de uma carta de boas intenções,
segundo ativistas e médicos. "Todos reconhecem que
o problema existe, mas ninguém está disposto a
fazer nada concreto para reverter essa tendência",
afirmou Ann Keeling, presidente da ONG NCD Alliance. "Misteriosamente,
muita coisa sumiu do papel na última revisão do
texto", acusou.
A Noruega,
por exemplo, havia proposto que governos reduzissem ao máximo o consumo de sal a apenas 5 gramas por dia.
A proposta foi vetada pela Europa, pelos Estados Unidos e pelo
Japão. "A Europa está nas mãos da indústria
da alimentação, que bloqueou a proposta",
acusou Graham MacGregor, presidente da entidade Ação
Mundial sobre Sal e Saúde.
No setor
do cigarro, a declaração também
não conta com nenhum tipo de metas. O governo americano
foi o principal autor do veto contra qualquer ação
mais drástica.
O Brasil
também vinha lutando há anos na OMS para
evitar que o açúcar fosse declarado como um produto
perigoso à saúde, assim como países europeus
fizeram de tudo para evitar um acordo sobre bebidas.
Para o Banco
Mundial, porém, prevenir essas doenças
poderia ser um fator fundamental para o desenvolvimento de países
mais pobres. Segundo a entidade, países do Leste Europeu
correm o risco de perder sua "próxima geração" para
as doenças crônicas, muitas causadas por conta do álcool
e do cigarro.
O Globo
Sem
o bode, o ar fica mais saudável
Por Ligia Bahia
Provavelmente,
ainda nesta semana, a regulamentação
da EC29 será aprovada na Câmara Federal sem o item
que a condicionaria à recriação da CPMF.
Da Câmara, o debate sobre o financiamento para a saúde
seguirá para o Senado, depurado de pesados penduricalhos
que o prenderam a uma contabilidade de difícil compreensão.
Depois de muito dito e desdito, ficou mais ou menos estabelecido
o seguinte: "Precisa mais dinheiro para o SUS, mas tem que
dizer de onde virá." A solução ficou
no ar. Como nenhum cidadão comum será capaz de
tirar da cartola uma fonte caudalosa de dinheiro e o pânico
criado pela ameaça de elevação da carga
tributária arrefeceu, novas alternativas e questionamentos
poderão ser apresentados ao escrutínio público.
Sem o bode
na sala, ou seja, isentando a saúde da responsabilidade
exclusiva pelo aumento da tributação, respira-se
melhor. A entrada de ar fresco estimula a rearrumação
da bagunça. A primeira providência é pôr
num canto, mas não esconder, as circunstâncias que
nos trouxeram até aqui. O que foi aprovado na Constituição
de 1988 - recursos muito mais vultosos do que os que estão
em discussão para financiar a saúde - jamais saiu
do papel. A emenda aprovada em 2000 definiu, em um contexto de
enrijecimento do orçamento e garrote fiscal, vinculações
orçamentárias para a saúde. Embora a emenda
tenha sido melhor que o desfinanciamento, os percentuais de aportes
da União, estados e municípios nunca foram integralmente
cumpridos. Entre 2000 e 2006, a variação dos gastos
públicos com saúde foi menor do que a do PIB real,
exceto em 2003, o que nos conduziu na direção contrária à dos
países que aumentaram despesas em função
do aumento das atividades de prevenção e assistenciais
e do envelhecimento de suas respectivas populações.
O fim da CPFM em 2008, no momento em que se prometia o repasse
integral de sua arrecadação para a saúde,
abalou os alicerces do financiamento setorial, porém não
apressou o apocalipse. Não houve retração
dos recursos federais, possivelmente em função
do repasse do aumento da alíquota do IOF, tampouco obtivemos
o incremento necessário para efetivar o SUS. Os remendos
não debelaram o quadro crônico de subfinanciamento
da saúde. Como a verdadeira crise é deixar tudo
igual, já se avistam sinais de que a depleção
continuada pode comprometer a manutenção de conquistas
da saúde pública brasileira. Basta mencionar que
um fator estratégico para reduzir a letalidade de uma
provável nova epidemia de dengue será a capacidade
de classificação de riscos e intervenção
de serviços de saúde.
A segunda
medida, essencial para reordenar as relações
entre causa e efeito que se confundiram no meio do caminho, é conceder
um lugar de destaque ao direito à saúde e a respeito
de que SUS se está falando. Não faz nenhum sentido
apresentar uma conta a ser paga e não explicitar com clareza
compromissos com a efetiva melhoria das condições
de saúde. Durante anos a fio se sustentou que o SUS era
um sistema para pobres. Aos poucos, os argumentos para legitimar
a segmentação do sistema de saúde tornaram-se
mais peremptórios. Dizia-se que a desigualdade estrutural
da sociedade brasileira impediria a efetivação
de uma política de saúde universalista. O SUS constitucional
seria apenas uma utopia de uns, bem intencionados, mas destituídos
de senso de realidade e poder. A classe média tradicional
e a emergente passaram a acreditar piamente que pagam duas vezes
pela saúde. Embora quem declare ao fisco um rendimento
de cem mil e gaste dez mil com plano privado desconte 25% das
despesas com saúde privada, esses valores sumiram. Não
são somas desprezíveis, mas ficam submersas nas
narrativas que tomam a exceção pela regra. De fato
planos individuais para idosos são muito caros e oneram
dramaticamente orçamentos familiares. No entanto, essas
situações são menos frequentes do que as
referentes a planos coletivos empresariais, cujos custos são
compartilhados por toda a sociedade e também são
passiveis de deduções por pessoas jurídicas
e físicas.
E como se
não bastasse a confusão acumulada em
torno do quem tem e quem paga, ouvimos recentemente em alto e
bom som um revival do estilo unicausal de explicação
dos males de saúde. O slogan "o problema não é de
dinheiro e sim de gestão" atraiu adeptos. Tem muita
gente convencida de que a anemia da saúde decorre exclusivamente
da corrupção dos políticos. Quem gastou
saliva falando que as coisas se arranjariam apenas com mudanças
gerenciais vai ter um baita trabalho para se desdizer. As comparações
internacionais são úteis para evidenciar que os
indicadores de desempenho econômico no Brasil são
superiores aos de saúde. Países vizinhos com menor
renda gastam mais com saúde do que o Brasil. Contudo,
depois de tantas idas e vidas, não se conseguirá contornar,
só com a exposição de novos números,
o desafio que é deslocar a fé nas vantagens da
vinculação entre benefícios à saúde
e renda, essa sim completamente aderida à ideia sobre
o poder balsâmico do livre mercado, para a perspectiva
de nivelar serviços de saúde para todos.
Conciliar
o conhecimento sobre as finalidades com a mobilização
dos meios para alcançá-los exige muito mais do
que bom-senso e boa vontade. A substituição do
ideal do individuo autônomo e empreendedor e a desconfiança
nos impostos pela concordância com políticas universais
não são consensuais. De toda maneira, quando se
deseja resolver um problema é preciso ser capaz de nomeá-lo.
Ao devolver o bode para a sua origem - as políticas de
ajuste fiscal - abre-se caminho para admitir que a desigualdade
inviabiliza a democracia. Qual é o tamanho e qual a abrangência
do SUS a que estamos nos referindo? A concessão de subsídios
públicos ao mercado de planos de saúde e as duplas
portas de entrada continuarão sendo apoiados por políticas
governamentais? Deixando para trás um estilo de gestão
baseado em promessas grandiosas e realizações mitigadas,
fica mais fácil enunciar precisamente como o Brasil enfrentará riscos à saúde,
e assim subordinar a definição do volume e natureza
das fontes de recursos financeiros a uma corajosa avaliação
e projeção da situação sanitária.
Correio Braziliense
Patentes
farmacêuticas: acesso à saúde e
desenvolvimento econômico
Por Dirceu
Barbano, Diretor presidente da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Uma mudança na legislação brasileira sobre
patentes determinou que a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e o Instituto Nacional de Propriedade
Industrial (Inpi) passassem a atuar juntos na análise
dos pedidos de registro de patentes que envolvem fármacos
e medicamentos. Ao texto da Lei de Patentes foi acrescentado
o dispositivo que atribui à Anvisa o papel de participar
das decisões sobre medicamentos, por meio de uma análise
que recebeu o nome de anuência prévia.
A alteração se deu em 2001, quando a Lei de Patentes
completava cinco anos. A partir da mudança até os
dias de hoje, passaram pela análise da agência cerca
de 1,6 mil solicitações de reconhecimento de patentes,
das quais aproximadamente 10% não foram anuídas.
Essas divergências entre as avaliações do
Inpi e da agência, entretanto, não devem ser vistas
como problemas.
Pontos de
vista distintos não fragilizam o rigor do Estado
brasileiro na concessão de patentes de medicamentos. Ao
contrário, ampliam o olhar técnico e asseguram
os interesses do país e os direitos daqueles que pleiteiam
a proteção das patentes.
No início deste ano, a Advocacia-Geral da União
(AGU) emitiu parecer buscando esclarecer os papéis do
Inpi e da Anvisa no procedimento para reconhecimento das patentes.
O texto da AGU mobilizou a sociedade para o debate e ainda está na
pauta. Da perspectiva da Anvisa, o parecer da Advocacia-Geral
da União é esclarecedor em relação
aos pontos que têm permitido a exploração
de um suposto conflito de competências entre a agência
e o Inpi, alimentando teorias de fragilização da
ação do Estado.
O parecer
da AGU reconhece que a anuência prévia é condição
sine qua non para a concessão de patentes de fármacos
e medicamentos no Brasil, deixando claro que a exigência
da lei não se aplica apenas às patentes pipeline,
como alegam os porta-vozes com interesse no tema em suas manifestações
públicas.
As patentes
pipeline são concedidas em outros países,
devendo o Brasil reconhecê-las sem novo exame de mérito,
desde que estejam em vigência no país de origem
e que o produto patenteado ainda não tenha sido introduzido
no mercado. A propósito, para as patentes pipeline concedidas
sem anuência prévia da Anvisa, o parecer da AGU
indica que o INPI e a agência devem mover, conjuntamente,
as devidas ações anulatórias.
No texto,
a AGU também reconhece que a concessão
de patentes de fármacos e medicamentos é ato complexo
e, portanto, depende da manifestação de vontade
da Anvisa e do Inpi para se tornar perfeito. Ou seja, esse entendimento
afasta qualquer questionamento sobre a natureza da manifestação
da agência.
A despeito
da clareza da manifestação da AGU,
persistem as observações que distorcem o teor do
parecer, explorando a perspectiva sob a qual o governo federal
teria como objetivo diminuir as atribuições da
Anvisa, tornando frágil o nosso sistema de patentes no
que se refere à proteção da saúde.
Muito se fala, ainda, sobre a existência de uma disputa
acerca do rigor e da capacidade de análise entre a Anvisa
e o Inpi. Nesse ponto, o parecer da AGU indica que o exame da
agência para anuência prévia não pode
se ater aos quesitos de patenteabilidade que já são
objetos da análise do Instituto Nacional de Propriedade
Intelectual.
Uma portaria
interministerial instituiu grupo de trabalho que deverá apresentar proposta para a articulação
entre os dois órgãos envolvidos na concessão
de patentes no Brasil aos ministros da Saúde e da Indústria
e Comércio. A constituição desse grupo de
trabalho reforça a construção de um ambiente
jurídico estável e fortalece o sistema patentário
brasileiro. O trabalho deverá ser apresentado no prazo
de 60 dias, contados a partir da publicação da
portaria, no último 17 de agosto.
Num contexto
de atuação sinérgica, espera-se
que o olhar sanitário, no seu sentido mais amplo, seja
a base da análise das patentes de fármacos e medicamentos
no Brasil. Isso certamente implica a adoção de
medidas que não gerem riscos relacionados ao consumo nem
situações de vulnerabilidade para o acesso a medicamentos
considerados essenciais e vitais para a saúde pública.
Correio Braziliense
Saúde no DF: Médicos fogem da rede pública
À procura de médicos
Por Helena Mader
Os baixos
salários e as condições precárias
de trabalho são alguns dos motivos que desanimam os profissionais
a atuar nos hospitais e postos mantidos pelo governo local. Dos
279 aprovados na seleção mais recente do GDF, quase
60% dispensaram o cargo. Secretaria planeja ampliar vantagens
aos temporários
Nem mesmo
a sonhada estabilidade oferecida pelo serviço
público é capaz de atrair profissionais para atuar
nos hospitais e postos mantidos pelo governo local.
Condições precárias de trabalho e baixos
salários desestimulam os candidatos aprovados em concurso
a tomar posse
Depois de
três meses de trabalho exaustivo na emergência
do Hospital de Ceilândia, o clínico Dalton Lanna
desistiu da rede pública e pediu demissão. Para
a pediatra Marina Salomão, a permanência foi ainda
menor. No ano passado, ela foi aprovada em um concurso e começou
a atender no Hospital de Sobradinho. Mas, depois de uma semana
no pronto-socorro, ela abandonou o posto para se dedicar aos
bem remunerados plantões em um hospital particular. Já a
médica Fabíola Lamego preferiu nem tomar posse.
Aprovada na última seleção, ela foi convocada
para o Hospital Regional de Santa Maria, mas desistiu da vaga
por conta da distância e do baixo salário. Os três
casos ilustram um problema que atormenta as autoridades e, principalmente,
os pacientes que sofrem com as filas nas unidades públicas
de saúde: a falta de médicos. Dos 279 aprovados
na última seleção, apenas 118 aceitaram
trabalhar na rede. Ou seja, quase 60% dos profissionais aptos
a atuar no sistema público dispensaram o cargo.
Apesar das
recentes aberturas de editais para contratar profissionais,
há poucos especialistas dispostos a trabalhar para a Secretaria
de Saúde do DF. Com isso, o deficit de médicos
não para de crescer. Algumas especialidades são
consideradas críticas. Pediatras, neonatologistas, psiquiatras,
clínicos, ortopedistas e intensivistas são profissionais
cada vez mais raros nas unidades de saúde mantidas pelo
governo. Dos 60 pediatras nomeados no último processo
seletivo, por exemplo, apenas 36 tomaram posse. Como a maioria
foi deslocada para o Hospital de Santa Maria, local considerado
muito distante pela maioria dos candidatos aprovados, metade
desistiu: apenas 18 estão em exercício. E o número
de exonerações cresce a cada dia.
A pediatra
Fabíola Lamego faz parte desse grupo. Interessada
na estabilidade do funcionalismo público, ela concorreu
a uma das vagas oferecidas. Passou no concurso e foi nomeada.
Mas, ao saber que teria que trabalhar no Hospital de Santa Maria,
desistiu. "Moro na Asa Sul e teria que percorrer uma distância
muito grande todos os dias. O salário não compensaria
esse esforço", comenta. "Além disso,
como há poucos médicos, os pediatras que trabalham
no pronto-socorro ficam muito sobrecarregados. Não queria
ter que segurar sozinha um plantão na emergência,
como acontece muitas vezes com os colegas que trabalham lá",
justifica Fabíola.
Até mesmo a rede particular tem dificuldades para contratar
pediatras, já que os novos médicos preferem fazer
residência em especialidades consideradas mais lucrativas,
como cardiologia e dermatologia. Assim, sobram poucos profissionais
interessados no serviço público. O presidente da
Sociedade Brasiliense de Pediatria, Dennis Alexander Burns, afirma
que as condições de trabalho e a remuneração
oferecida desestimulam os candidatos. "Embora o salário
de Brasília seja o melhor do país, ainda não é o
ideal. Alguns plantões de 12 horas em hospitais particulares
rendem R$ 1,5 mil, então, em três dias de trabalho,
o pediatra consegue mais do que o salário mensal de um
colega que trabalha 20 horas semanais na rede", comenta
Dennis.
Sem material
A estrutura
precária e a falta de medicamentos são
problemas que afugentam os interessados em atuar no sistema público
de saúde. A pediatra Marina Salomão abandonou o
cargo no Hospital Regional de Sobradinho depois de apenas uma
semana. Hoje, ela divide seu tempo entre a residência em
neonatologia e plantões na rede particular. "Faltam
seringas, sondas, materiais básicos para o médico
trabalhar. Pacientes e colegas têm que juntar dinheiro
para comprar produtos hospitalares e remédios. Tenho uma
amiga que foi espancada por um paciente na UPA de Samambaia,
por conta da demora no atendimento. Então, tudo isso assusta
e desestimula os médicos", justifica a pediatra.
O deficit
de funcionários sobrecarrega os profissionais
em atividade no sistema público e gera um círculo
vicioso. Quem está fora não quer entrar na rede
para escapar do excesso de trabalho e muitos dos que ainda resistem
acabam sucumbindo à pressão e pedem demissão
para ter uma vida mais tranquila. O pneumologista Dalton Lanna
assumiu uma vaga de clínico no Hospital Regional de Ceilândia
e logo se assustou com as condições de trabalho. "Muitas
vezes, eu ficava sozinho no pronto-socorro e já vi muitos
pacientes morrerem por falta de condição de atendimento.
Isso é muito frustrante, não tem quem não
fique desmotivado", conta Dalton, que, depois de três
meses, deixou o emprego. Hoje, ele trabalha em unidades particulares
de Ceilândia e de Taguatinga. "A rede privada paga
até cinco vezes mais e o trabalho não é tão
exaustivo", acrescenta o médico.
Gestão
retomada
No início do ano, o governo local retomou a gestão
do Hospital de Santa Maria, que havia sido terceirizada na gestão
anterior. A unidade era controlada pela Real Sociedade Espanhola,
que repassou a responsabilidade ao GDF em janeiro. Assim, a Secretaria
de Saúde teve que contratar novos médicos para
trabalhar no local. Até hoje, o atendimento é precário
por causa da falta de profissionais.
Correio Braziliense
A
medicina, o médico e a representação
política
Por José Carlos
de Almeida
Médico urologista, foi presidente da Sociedade Brasileira
de Urologia (gestão 2008-2009)
Há 89 anos, em 7 de setembro de 1922, foi cravada a pedra
fundamental da futura capital federal na região de Planaltina,
no centro do país, pelo então presidente da República,
Epitácio Pessoa. Quando, em 1960, o médico urologista
e presidente da República, Juscelino Kubitschek, concretizou
o sonho da capital federal no Planalto Central, não foi
motivado somente pelo ideal de construir uma cidade com arquitetura
arrojada e beleza plástica. O nobre presidente, com seus
ideais democráticos, atendeu e respeitou os preceitos
constitucionais e desejava uma capital plena, legítima
na representação de todos os segmentos sociais,
onde as instituições pudessem ter voz e participassem
politicamente da vida nacional.
Porém 51 anos depois da inauguração de
Brasília, ainda encontramos distorções e
lacunas nessa representatividade. Não saberia citar todas
as motivações para a resistência dessas instituições,
no sentido de estabelecerem um lugar definitivo e legítimo
em Brasília. Ao ocuparem um lugar permanente na capital
federal, é natural que defendam seus pontos de vista com
ações políticas de forma permanente e eficaz,
substituindo os lampejos de ações ocasionais em
audiências fortuitas. Vale a tônica antiga "Quem
não é visto não é lembrado".
Assim a política é exercida e, sem pressão,
as decisões delongam.
No universo
médico e no exercício da medicina,
o Brasil tem sido prejudicado. Esse prejuízo social e,
também, da classe médica se deve ao formato até então
escolhido. A Associação Médica Brasileira
(AMB), com sede na cidade de São Paulo, é uma sociedade
sem fins lucrativos, fundada em 26 de janeiro de 1951. Tem como
missão defender a dignidade profissional do médico
e a assistência de qualidade à saúde da população
brasileira: possui 27 associações médicas
estaduais e 396 associações regionais. Compõem
o seu Conselho Científico 53 sociedades médicas,
que representam as especialidades reconhecidas no território
nacional.
Desde 2006,
portanto há cinco anos, as instituições
médicas tentam obter a aprovação do Ato
Médico no âmbito da Câmara e do Senado. Desde
2003, portanto há oito anos, tenta-se a validação
e o reconhecimento, por parte dos planos de saúde, da
Classificação Brasileira de Honorários e
Procedimentos médicos (CBHPM). Será que essa morosidade,
que impõe prejuízos para a sociedade em geral e
ao exercício da medicina, é natural e imutável?
Caso existisse outra forma de representação política,
com a sede da AMB e de todas as 53 especialidades médicas
em Brasília, o caminho seria o mesmo?
O sonho de
ter a sede da associação médica
brasileira definitivamente plantada na capital federal é legítimo
e até uma prerrogativa legal estatutária. O estatuto
da AMB reza no artigo 100º o seguinte: "A sede da AMB
deverá ser transferida para a capital federal". Quando?
Como? Por quem? O que vemos é um caminho oposto e sem
justificativa. A AMB, em 2006, acabou com seu escritório
de representação política em Brasília,
transferindo toda estrutura para São Paulo! Quando teremos
esse estatuto respeitado? Quando teremos pessoas desprovidas
de apego regionalista e determinadas a cumprir esse estatuto,
com pensamento nacionalista?
A sede da
Associação Médica Brasileira,
com as sociedades médicas de especialidade, em Brasília é fundamental
e necessária. Assim, a classe médica Brasileira
e a própria saúde poderão vislumbrar outro
caminho de representação política, podendo
também almejar resultados melhores e em menor prazo. Projetos
como orçamento para a saúde, carga tributária
imposta aos médicos, aquisição de equipamentos
médicos com a isenção de impostos, interiorização
da medicina, escolas médicas, superpopulação
de médicos nos grande centros urbanos, escola e preparação
de futuros médicos-políticos na defesa da classe
médica, monitoramento da influência dos planos de
saúde no Congresso Nacional em detrimento da classe médica,
política oncológica nacional e projetos para as
doenças mais prevalentes são alguns projetos que
merecem a presença diuturna, perante ao poder, por parte
das instituições que defendem essas bandeiras.
Quebremos o silêncio e ousemos um pouco mais. O Brasil,
o médico e a própria medicina agradecem.
O Globo
Melhorar
a gestão
Tema em discussão: Contratação de Organizações
Sociais para gerenciar a Saúde
O levantamento
do TCU que aponta a Saúde como o maior
ralo da corrupção, por onde são desviados
recursos do governo federal, é inquestionável evidência
de que a anemia do sistema deve mesmo estar mais relacionada
a problemas gerenciais do que orçamentários. Em
nove anos, R$2,3 bilhões oxigenaram uma rede de ilegalidades
que tirou dinheiro da atividade-fim do setor - curar e prevenir
doenças. Além de sepultar de vez a ideia de criação
de um novo imposto nos moldes da CPMF, o estudo reflete uma emergência:
a Saúde do país precisa de um choque gerencial
para gastar melhor os recursos de que dispõe.
Esse é o sentido mais importante da aprovação,
pela Assembleia Legislativa fluminense, do projeto que autoriza
o governo estadual a contratar Organizações Sociais
(OSs) para administrar unidades de sua rede de saúde.
Os bons resultados obtidos em cidades e estados que adotam o
modelo avalizam a opção por essa forma de gerenciamento,
mais ágil e flexível, que prevê a contratação
de entidades privadas sem fins lucrativos para operar um serviço
em que as tônicas são mau atendimento, ineficiência,
demora, desperdício e outros males.
Nessa anacrônica estrutura todos perdem: os pacientes,
que penam em unidades de saúde à espera, por vezes
inútil, de consultas, internações ou atendimento
de emergência; os profissionais, presos a uma grade salarial
que não lhes permite obter melhorias de vencimentos, alegado
fator de desestímulo na carreira; e o poder público,
que colhe crises em lugar de aprovação pelos serviços
oferecidos, e não consegue aplicar com mais eficiência
os recursos destinados ao setor. Trata-se de um sistema que alimenta
a corrupção e o corporativismo, deletérios
entraves a qualquer programa de melhoria da rede pública.
Três anos atrás, o Banco Mundial mostrou, num estudo
sobre a rede hospitalar brasileira, onde se concentram as inversões
de recursos do sistema, que o setor de Saúde do país
gasta mal, desperdiça dinheiro e capacidade profissional.
O relatório sustenta que 30% das internações
são desnecessárias, um sorvedouro de R$10 bilhões
ao ano. A conclusão óbvia é que se poderia
fazer muito mais com os recursos disponíveis.
As OSs confirmam
esse diagnóstico. Autor de um projeto
de lei que instituía esse modelo de gerenciamento na rede
pública de saúde do país, não por
acaso à época levado a pique pela bancada do PT
e aliados, o ex-ministro José Gomes Temporão costuma
citar estudos da Escola Nacional de Saúde Pública
da Fiocruz com as vantagens de modelos alternativos de gestão
hospitalar. Comparadas com hospitais da administração
pública direta, as unidades geridas por OSs custam menos
3% e produzem 27% a mais em internações. Em São
Paulo, onde é inquestionável o sucesso dessa experiência
(metade da população é atendida por uma
rede de 310 unidades), contornaram-se demandas que pareciam sistêmicas
e eram fruto de incapacidade gerencial do poder público.
A prefeitura do Rio também adota o modelo, com bons resultados,
desde 2009. Isso se deve às características do
modelo de contratação das OSs. Os funcionários
são admitidos pela CLT, não têm estabilidade,
o que agiliza a substituição de quadros. As entidades
se submetem a um regime de metas e seus gastos são fiscalizados
pelo poder público e por tribunais de contas - fundamental
para assegurar o compromisso com a oferta de serviços
eficientes e ágeis. No lado funcional, introduz-se a meritocracia,
premiando os profissionais com a melhoria de salários
de acordo com a produtividade. São benefícios convincentes.
O Tempo
Chegou a hora: EC 29, mitos, riscos e realidade
Por Marcus Pestana
A semana
será decisiva para a aprovação
da regulamentação da Emenda Constitucional (EC)
29, que vincula recursos orçamentários ao SUS.
Na terça-feira, teremos uma reunião geral com
a presença de quatro ministros e diversas lideranças
da saúde. E, na quarta, o PLP 306/2008 será votado
pela Câmara dos Deputados.
A EC 29 foi
aprovada em 13 de setembro de 2000. Vários
dispositivos precisavam ser regulamentados. Há 11 anos,
a sociedade brasileira aguarda o posicionamento do Congresso
Nacional. É a hora.
Uma tarefa
essencial de partidos e líderes políticos é a
ação pedagógica: informar, esclarecer, dar
transparência aos assuntos de interesse da população.
Mas corre-se sempre o risco do discurso político, às
vezes inflamado e demagógico, obscurecer a realidade.
O financiamento
da saúde é complexo e difícil.
O SUS se defronta com uma equação explosiva: direitos
amplos e generosos de cidadania, recursos escassos e custos crescentes,
graças à inovação tecnológica
permanente e às mudanças demográficas.
O primeiro
mito que se cultiva permanentemente é de que
o problema do SUS não é dinheiro e sim de gestão.
Desvios e desperdícios são sempre denunciados.
Precisamos aprimorar a gestão, sempre. Mas mesmo as soluções
de gestão custam dinheiro. Há evidências
claras de que o SUS é subfinanciado. Um plano privado
de alta cobertura custa, em média, R$ 5 mil por ano. O
SUS trabalha com um investimento per capita de R$ 770. O Brasil
investe no sistema público de saúde US$ 431 por
habitante/ano (BIRD, 2009), o Chile US$ 548, a Argentina US$
820, Portugal US$ 1.890 e Estados Unidos US$ 3.601. Portanto,
vamos acabar de vez com essa cantilena de que sobra dinheiro
no SUS. A solução do financiamento da saúde
no Brasil é maratona de 42 quilômetros e não
corrida de cem metros.
Outro mito:
só é possível avançar
com a criação de novo tributo. E mais os R$ 370
bilhões injetados no BNDES, para empréstimos subsidiados às
grandes empresas. E os quase R$ 200 bilhões pagos de juros
ao ano. E a máquina inchada com inéditos e inacreditáveis
39 ministérios. E a gastança com o aumento dos
gastos correntes.
Na quarta-feira,
corremos o risco de produzir retrocesso. O parágrafo 2º, do artigo 6º, retirou da base
de cálculo sobre a qual recaem os 12% de Estados e DF
o Fundeb. Menos R$7 bilhões para a saúde. O impacto
financeiro será zero no governo federal (já que
a CSS não será aprovada) e municípios e
negativo nos Estados e DF. O Senado Federal precisa corrigir
essa distorção.
A aprovação da regulamentação da
EC 29 será importante, ao normatizar os gastos na saúde.
Pacificará a relação dos gestores do SUS
com tribunais de contas, ministério público, conselhos
de saúde, legislativos, imprensa. Mas o financiamento
adequado continuará uma questão em aberto.
Quarta-feira,
não
estaremos concluindo uma caminhada, mas iniciando uma longa
travessia.
Folha
de São
Paulo
Estados
deixaram de aplicar R$ 2 bi na saúde
Por Valdo
Cruz e Larissa Guimarães
Ministério da Saúde
aponta descumprimento da emenda 29 em 2009
De acordo
com a pasta, dez Estados não gastaram no setor
o percentual mínimo estabelecido por lei
Levantamento
do Ministério da Saúde que acaba
de ficar pronto mostra que, em 2009, dez Estados não investiram
o mínimo de 12% de suas receitas na saúde.
O percentual é determinado pela emenda 29 -que obriga
União, Estados e municípios a aplicar parte de
suas receitas no sistema de saúde-, cuja regulamentação
deve ser votada nesta quarta.
Os dados,
obtidos pela Folha, mostram que esses dez Estados, juntos,
deixaram
de aplicar cerca de R$ 2 bilhões no setor,
segundo as contas do Ministério da Saúde.
O pior nesse
ranking foi o Rio Grande do Sul, que destinou para a área apenas 5% de sua receita. Goiás,
que vem em seguida, aplicou 10,25%.
São Paulo também aparece no levantamento entre
os Estados que não cumpriram o mínimo fixado pela
emenda 29. Segundo o ministério, destinou 11,57% de sua
receita para a saúde.
Embora tenha
chegado perto do percentual mínimo obrigatório,
São Paulo responde por R$ 317 milhões do desfalque
total, por causa do tamanho de sua arrecadação.
O levantamento
será submetido, no mês que vem, à câmara
técnica do Siops (Sistema de Informações
sobre Orçamentos Públicos em Saúde), órgão
que monitora se Estados e União estão gastando
corretamente na saúde.
Descumprimento
Antes do
levantamento de 2009, apenas Rio Grande do Sul, Paraná,
Espírito Santo e Piauí admitiam oficialmente o
não cumprimento da regra.
Os demais
Estados que aparecem na lista diziam destinar 12% de sua receita
para
a saúde. Segundo a análise
do ministério, porém, parte dos gastos não
pode ser considerada despesa no setor.
É por isso que Goiás, Pará, Minas Gerais,
São Paulo, Maranhão e Rio de Janeiro constam do
levantamento.
Segundo o
Ministério da Saúde, há quatro
tipos de gastos que não poderiam ser incluídos
na conta:
1) despesas
com hospitais de servidores públicos; 2)
gastos com saneamento básico e abastecimento de água
quando o serviço será cobrado; 3) restaurantes
populares; e 4) programas de transferência de renda ao
estilo do Bolsa Família.
A mesma situação já havia
ocorrido em 2008.
Naquele ano,
quatro Estados admitiram oficialmente o não
cumprimento da meta, mas análise do Ministério
da Saúde constatou que 13 Estados não haviam atingido
o percentual mínimo determinado pela emenda 29.
Caso seja
aprovada na Câmara dos Deputados nesta semana,
a regulamentação da emenda irá esclarecer
o que pode ser contabilizado como gasto em saúde.
A inexistência do marco legal é o que atualmente
permite a Estados incluir gastos que posteriormente acabam sendo
desconsiderados pelo Ministério da Saúde.
Segundo dados
preliminares de 2010, Paraná, Rio Grande
do Sul e Piauí admitiram não ter cumprido a meta
de 12% de gastos em saúde.
O governo
fará a conferência das informações
até 2012, a partir de dados encaminhados pelas Assembleias
Legislativas e tribunais de contas estaduais ao Siops.
RS reconhece problemas e quer aumentar gastos
Responsável pelo pior resultado no levantamento dos gastos
em saúde, o governo do Rio Grande do Sul reconhece que
o Estado investiu menos do que determina a emenda 29 nos últimos
anos.
Segundo o
secretário da Saúde gaúcho, Ciro
Simoni, a dificuldade financeira pela qual o Estado passou nos últimos
anos não pode ser usada como justificativa para deixar
de investir na saúde.
"Outros Estados também tiveram dificuldades e conseguiram
aplicar 12% [percentual mínimo estabelecido pela emenda
29]", afirma.
De acordo
com ele, o Orçamento de 2012 do Rio Grande
do Sul reserva 7,3% para o setor. "Queremos ir ampliando
isso gradualmente até chegarmos a 12%."
O problema
ocorrido em 2009 não é novo. De 2004
a 2008, os 27 Estados declararam gastos de R$ 115 bilhões
na saúde. Para o Ministério da Saúde, desse
total, R$ 11,6 bilhões se referiam a despesas com outras áreas.
A diferença decorre da ausência de uma definição
clara a respeito do que pode ou não ser classificado como
ação na área da saúde.
O Estado
de São Paulo, por exemplo, informou que, de
acordo com suas próprias contas, cumpriu a emenda 29,
destinando 12,09% de sua receita ao setor de saúde e que
isso foi atestado pelo Tribunal de Contas do Estado.
Segundo a
assessoria do governo, a diferença entre as
contas estaduais e as apresentadas pelo Ministério da
Saúde seriam resultado de divergências de entendimento
que serão solucionadas.
Mais recursos
O governo
federal defende a criação de uma nova
fonte de financiamento para o setor. A presidente Dilma Rousseff
não assume publicamente a defesa da CSS (Contribuição
Social para a Saúde), nova versão da CPMF, mas
reservadamente sua equipe diz que esse é o caminho ideal.
A previsão é que, na votação da
Câmara na quarta-feira, a CSS seja criada, mas sem base
de cálculo. Isso inviabilizaria sua cobrança.
No Senado,
o governo deve abrir debate sobre a criação
de nova fonte de receita da saúde, com a ajuda de aliados
e apoio de governadores, para que a nova contribuição
possa ser aprovada em 2012.
O Globo
Gato por lebre
Por Jorge Darze
Tema em discussão: Contratação de Organizações
Sociais para gerenciar a Saúde
A Alerj aprovou
projeto de lei que instituiu as organizações
sociais no sistema estadual de saúde pública, entregando
a elas a gestão das unidades de atendimento. Tentaram
e continuam tentando apresentar à opinião pública
uma pílula dourada, que supostamente teria condições
de resolver o caos existente no setor. Explicam que os sintomas
dessa patologia estão expressos no pesado fardo de regras
e legislações que a administração
pública carrega, incluindo os servidores com o direito
a estabilidade, e defendem a gestão privada para garantir
a boa assistência à população.
Rotulam a
todos nós, opositores desse projeto, como integrantes
de "castas" que se "locupletam" com o atendimento
precário aos pacientes. Esquecem-se de que ao longo dos últimos
anos essa administração tem sido ineficiente e
promovido uma mortalidade elevada. Portanto, se temos que identificar
os responsáveis, logicamente são os atuais gestores,
lembrando que a responsabilidade pela escolha desses administradores é sempre
do chefe maior, o Poder Executivo.
O constituinte
incluiu a obrigatoriedade do concurso público
para os servidores na Carta Magna, atendendo aos reclamos da
população, e assim a protegeu, garantindo a qualidade
da prestação dos serviços através
de profissionais competentes. Já com a estabilidade, o
servidor tem imunidade para denunciar o que contraria o interesse
público, inclusive o gestor incompetente ou que desvia
recursos do Erário. No caso da mão de obra terceirizada,
o mau gestor pode demitir quem ouse questionar a sua administração.
Portanto, estamos falando de regras constitucionais que têm
como objetivo a defesa da população. A administração
pública tem muitas referências de eficiência.
Na Saúde, por exemplo, temos o Inca, o Into, o Instituto
Nacional de Cardiologia e o Hemorio, entre outros. A Constituição
Federal estabelece a saúde como direito do cidadão
e dever do Estado, e essa obrigação não
pode ser delegada a terceiros. O privado só existe como
complemento daquilo que o sistema não disponibiliza no
momento, o que difere do caso em discussão.
Os exemplos
de OSs existentes no país denunciam maior
custeio, desvio de verbas públicas, equipes incompletas
de profissionais etc. Desde 2009, o sistema está implantado
na rede municipal do Rio, com uma baixa eficácia e graves
ilegalidades. Recente inspeção feita nessas OSs
pelo Tribunal de Contas revelou várias distorções
no uso do dinheiro público, demonstrando a má fiscalização
da Secretaria municipal de Saúde, visto que foi no seu
relatório que o TCM encontrou tais irregularidades.
Essas organizações foram escolhidas sem licitação
e sem a verificação da sua competência. O
projeto estadual repete os mesmos vícios, daí imaginarmos
o que nos espera. Na verdade, a origem dessa proposta está na
Lei 9.637/98, de concepção neoliberal, que molda
e acelera o projeto de entrega do que é público
ao privado, reduzindo o papel do Estado na economia e nas funções
sociais. Essa lei teve a sua constitucionalidade arguida no STF
pelos mesmos partidos que, hoje, curiosamente a defendem. Na
verdade, a pílula dourada não passa de um placebo.
Não podemos deixar que o governo do estado venda gato
por lebre à nossa população.
O Globo
Infecção
hospitalar mata 100 mil por ano no brasil
Desleixo que mata
Por Carolina Benevides
Sem controle
eficiente, infecções hospitalares
causam cem mil óbitos por ano
Faz 26 anos
que o Brasil criou a 1ª Comissão de
Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), ligada
ao Ministério da Saúde. Passados quase 30 anos,
o país ainda não tem dados sobre quantas pessoas
morrem anualmente por conta dessas infecções ou
o índice de infecção que seria, por exemplo,
aceitável na UTI, no berçário ou para doentes
que estejam com pneumonia. No entanto, informações
retiradas de estudos realizados por todo o país pela Associação
Nacional de Biossegurança (Anbio) trazem números
alarmantes: em média, 80% dos hospitais não fazem
o controle adequado, o índice de infecção
hospitalar varia entre 14% e 19%, podendo chegar, dependendo
da unidade, a 88,3%, e cem mil pessoas morrem por ano por conta
das infecções. A Organização Mundial
da Saúde (OMS), por sua vez, estima que as infecções
hospitalares atinjam 14% dos pacientes internados no país.
- Os números que temos são estimativas. E, sem
números, não sabemos quantos morrem por infecção
ou por outros fatores. No que se refere às comissões,
cada hospital tem a sua, e a grande maioria funciona burocraticamente.
Então, o índice de infecção hospitalar
depende da unidade onde o paciente estiver - diz Edmundo Machado
Ferraz, fundador e presidente da comissão de controle
de infecção hospitalar do Hospital das Clínicas
da UFPE e consultor da OMS. - Esse problema só se resolve
com transparência. É preciso saber o que acontece
nas unidades, com processos controlados por protocolos. Não
pode ter segredo. Tem que saber se o profissional se esqueceu
de lavar as mãos corretamente, se o paciente fez uso inadequado
de antibiótico.
Presidente
da Associação Nacional de Biossegurança
(Anbio), Leila dos Santos Macedo diz que "o risco não
pode ser eliminado nunca, mas é possível bloqueá-lo
para que chegue perto de zero":
- O paciente
internado está suscetível. E infelizmente
o cumprimento das normas de higiene é aquém do
esperado. A gente vê profissionais de jaleco no refeitório,
e aí eles levam agentes de risco para fora e trazem outros
para o hospital. Outros não lavam as mãos corretamente
ou não usam máscaras. Em muitas unidades, a troca
de filtro do ar-condicionado não é feita frequentemente
ou existe alta rotatividade dos profissionais de limpeza, e aí o
pano de chão é usado em mais de uma enfermaria.
O país tem mais de sete mil hospitais e eu diria que 1%
tem um programa de biossegurança rotineiro.
Superlotação facilita contaminação
Um levantamento
feito pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), a pedido do Ministério Público
Estadual de SP, em 2009, mostrou a necessidade de os programas
serem mais seguros: em mais de 90% das unidades, o controle da
infecção hospitalar era deficiente. Foram visitadas,
ao todo, 158 instituições, na capital e no interior
do estado. Dessas, 65 eram públicas e 93, privadas. De
acordo com o estudo, 92,4% dos programas deixaram de atender
a pelo menos um dos itens verificados, e 82% das comissões
de controle não funcionavam adequadamente em pelo menos
um dos itens analisados. Além disso, o Cremesp constatou
que 28,1% das unidades não tinham "de forma adequada
o conjunto para lavagem das mãos nas áreas críticas".
- É revoltante. Os dados mostram que no Brasil muita
gente morre de problemas evitáveis. As comissões
foram implementadas, mas não funcionam corretamente. Auditorias
regulares nos hospitais podiam contribuir. E o governo devia
obrigar as unidades a criarem taxas máximas para infecções,
por exemplo, nos berçários, em unidades de terapia
intensiva e nos centros cirúrgicos, e para infecções
urinárias e respiratórias. Hoje, a pessoa morre
por estar no hospital. Em casa, não pegaria bactérias
adversas - diz Ferraz.
É a sensação
que X. tem depois de ter levado uma parente, de 41 anos, para
ser internada no Hospital Municipal
Souza Aguiar, no Rio:
- Ela ficou
num ambiente infecto. A emergência parecia
um depósito de gente e fedia a xixi. No primeiro dia,
estava numa maca de metal, sem roupa de cama. De lá, foi
para uma enfermaria com três leitos. No dia da visita,
nós a encontramos suja. Estava com diarreia, e a enfermeira
disse que já a tinha limpado três vezes. Ao lado,
as outras pacientes comiam. Nenhuma higiene. Ela implorava para
ir embora. A gente leva para o hospital para tentar aliviar o
sofrimento, e fica arrasada com essas cenas. Ela morreu em 15
dias, de septicemia.
- Com superlotação, o risco de infecção
hospitalar é maior. Quando se deixa macas umas ao lado
das outras, por mais que haja vigilância, não se
consegue controlar isso. É quase impossível manter
o paciente numa situação adequada se ele está amontoado.
Começam a surgir bactérias mais resistentes - diz
Julio Noronha, chefe da emergência do Hospital Geral de
Bonsucesso, no Rio.
Gerente de
vigilância e monitoramento em Serviços
de Saúde da Anvisa, Magda Miranda Costa explica que as
CCIHs dos hospitais são obrigadas a notificar os casos
de infecção até o 15º dia do mês.
No entanto, ela reconhece que "os dados são frágeis".
- Não sabemos se a pessoa morreu mesmo por infecção.
Por conta disso, a Anvisa definiu, em 2008, critérios
para todo o país sobre o que é infecção
hospitalar. E este ano começamos a monitorar o primeiro
dos cinco indicadores que vamos analisar. Estamos acompanhando
em 1.144 hospitais a infecção primária de
corrente sanguínea em pacientes com uso de cateter venoso
central em UTIs com dez ou mais leitos.
- Falta de
informação não impede que haja
política pública. Trabalhamos, por exemplo, para
sensibilizar os profissionais de saúde a fazerem adesão à higienização.
Além disso, a infecção em UTI é prioridade
nacional, mas não significa que os hospitais só façam
esse enfrentamento. Daqui a dez anos, talvez tenhamos informação
fiel, científica e responsável - diz Diana Carmem
de Oliveira, gerente-geral de Tecnologia em Serviços de
Saúde da Anvisa.
O Globo
Falta de higiene coloca pacientes em risco
Por Efrém
Ribeiro
Em Pernambuco
e no Piauí, sujeira em hospitais aumenta
número de casos de infecções
Teresina
e Recife. O bancário aposentado Antônio
Carlos Lustosa, de 70 anos, foi internado num hospital de Teresina,
em abril deste ano, com sintomas de dengue. A doença evoluiu
para uma pneumonia e, após a internação,
Lustosa sofreu um infarto com quadro de edema pulmonar. No terceiro
dia, entrou em coma e foi internado na UTI com apenas 10% de
chances de sobreviver, garantiam os médicos. Mas o bancário
aposentado se recuperou e, sete dias depois, deixou a UTI. Sua
filha, Zenaide Lustosa, conta que o pai passou a receber visitas
e iniciou a fisioterapia.
- Seu estado
era de melhora. Ele requeria cuidados, mas partindo para a
recuperação
- recorda Zenaide.
Ela conta
que, repentinamente, o quadro de saúde de Lustosa
se agravou por causa de uma infecção generalizada
provocada por uma bactéria.
- A causa
de sua morte foi provocada por infecção
hospitalar. Naquele momento, o sofrimento é tão
grande que não se pensa em responsabilizar o hospital
- diz Zenaide, que testemunhou a unidade onde o pai estava internado
sendo invadida pela água da chuva durante uma enchente,
chegando próxima à UTI.
Zenaide recorda
que a infecção generalizada atingiu
de forma tão forte seu pai, que os medicamentos ministrados
não davam mais resultado. Os casos de morte por infecção
hospitalar nos hospitais do Piauí, quase sempre lotados,
são cada vez mais comuns. De acordo com a diretora de
Vigilância à Atenção Básica
de Saúde do Piauí, Telma Evangelista, a Secretaria
estadual de Saúde não tem uma comissão para
centralizar as ocorrências. Cada hospital possui seu próprio
grupo para cuidar da doença.
- A taxa
de infecção ainda é muito alta,
nem sempre os cuidados para se ter uma situação
asséptica necessária para um hospital são
tomadas. Além disso, há um uso indiscriminado de
antibióticos que faz com que as pessoas não adquiram
resistência aos micro-organismos. Isso é um fator
importante que contribui para as infecções.
Já em Pernambuco, a Secretaria estadual de Saúde
contabilizou 146 casos de infecção hospitalar provocada
pela bactéria Klebsiella pneumoniae (KPC), entre outubro
de 2010 e julho de 2011, período em que foram registradas
41 mortes possivelmente relacionadas ao micro-organismo. No entanto,
só dois óbitos tiveram confirmação
oficial de terem sido provocados pela KPC. O surto da infecção
atingiu 29 hospitais da região metropolitana de Recife,
segundo a coordenadora estadual de Controle da Infecção
Hospitalar, Marilene da Silveira Barros.
-- Os outros
39 pacientes estavam em situação
muito grave, tinham outras infecções e não
podemos precisar se as mortes deles foram provocadas pela KPC.
Em 2007,
outro surto de infecção, dessa vez provocado
pela bactéria Enterococcus resistente a vancomicina (VRE),
atingiu 300 pacientes.
- Teve hospital
que tomou medidas duras, como escalar um vigilante para ficar
na
portaria e só permitir acesso de profissionais,
inclusive médicos e enfermeiros, depois que lavassem as
mãos - lembra Jaime Brito, chefe da Agência Pernambucana
de Vigilância Sanitária.
Segundo Brito,
os 360 hospitais de Pernambuco, entre públicos
e particulares, somam índices de infecção
de 10% a 15%, percentual limite de tolerância estipulado
pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
- Infelizmente,
os profissionais não lavam tanto as mãos
como deveriam. Eles sabem que esse é o melhor meio de
evitar as infecções, mas há resistência.
Para a Associação de Defesa dos Usuários,
Seguros, Planos e Sistemas de Saúde, os problemas de higienização
da rede não se limitam à falta de limpeza das mãos.
A associação denuncia sujeira em banheiros, cozinhas
e até enfermarias dos hospitais públicos do estado.
A visita mais recente ocorreu no Agamenon Magalhães, do
SUS, onde foram encontrados até insetos como baratas nos
recipientes de comida entregues a pacientes. A sujeira foi documentada
em fotografias.
O
Estado de São
Paulo
Mortalidade
do alcoolismo no Brasil é quase tão
grande quanto a do crack
Por Lígia
Formenti
Estudo da
Unifesp revela que 17% dos dependentes atendidos morreram após cinco anos; na Inglaterra, o índice é de
0,5%; violência e doenças relacionadas ao vício
em álcool foram as principais causas de morte; religião é apontada
como fator de proteção
O índice de mortalidade entre dependentes de álcool
no Brasil está próximo do registrado entre usuários
de crack. Pesquisa inédita feita pela Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp) mostra que, em cinco anos, 17%
dos pacientes atendidos em uma unidade de tratamento da zona
sul de São Paulo morreram.
"É um número altíssimo. Na Inglaterra,
o índice não ultrapassa 0,5% ao ano", diz
o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do estudo.
O trabalho,
que será publicado na próxima edição
da Revista Brasileira de Psiquiatria, segue uma linha de pesquisa
de Laranjeira sobre morte entre dependentes de drogas. O estudo
feito entre usuários de crack demonstrou que 30% morreram
num período de 12 anos. "Naquela mostra, a maior
parte dos pacientes morreu nos primeiros cinco anos. Podemos
dizer que os índices estão bastante próximos."
O estudo
sobre dependência de álcool procurou,
depois de cinco anos, 232 pessoas que haviam sido atendidas num
centro do Jardim Ângela, zona sul, em 2002. Desse grupo,
41 haviam morrido - 34% por causas violentas, como acidentes
de carro ou homicídios. Outros 66% foram vítimas
de doenças relacionadas ao alcoolismo. "Os resultados
estampam a falta de uma rede de assistência para esses
pacientes. Todas as fases do atendimento são deficientes:
desde o serviço de urgência, para o dependente em
crise, até a rede de assistência psicossocial",
diz Laranjeira.
Violência. Os altos índices de mortalidade são
explicados por Laranjeira. Entre dependentes de álcool,
principalmente nos casos mais graves, pacientes perdem o vínculo
com a família, com o trabalho e adotam atitudes que os
expõem a riscos, como sexo sem preservativo ou brigas.
A velocidade
desse processo é maior entre pessoas de
classes menos privilegiadas, avalia Laranjeira. "Como em
qualquer outra doença, pessoas que têm acesso a
um serviço de melhor qualidade têm mais chances
de controlar o problema. Daí a necessidade de equipar
melhor a rede pública", comparou.
O grupo avaliado
na pesquisa da Unifesp ilustra esse processo. A totalidade
dos
pacientes atendidos era de classe E e D - 52,2%
estavam desempregados. A idade média dos entrevistados
era de 42 anos. "Debilitados e sem dinheiro, esse grupo
dificilmente consegue se inserir novamente na sociedade",
completou.
A ligação com a violência também
está clara. O trabalho mostra que entre sujeitos que consumiram álcool,
o risco de estar envolvido com crime era 4,1 vezes maior que
entre os abstêmios.
Laranjeira
lembra que o Jardim Ângela é bairro
de periferia. "Mas os baixos indicadores dos pacientes analisados
na pesquisa estão longe de refletir a população
do bairro. Ali há economia, pessoas estão empregadas."
Religião. Além da alta mortalidade, a pesquisa
conclui que atividades religiosas exercem um efeito protetor
sobre os dependentes. Entre os que pertenciam a algum grupo,
incluindo os de autoajuda, os índices de participação
em crimes eram menores que entre os demais. Dos entrevistados
que faziam parte de algum grupo religioso, 30,6% não tiveram
participação em crime. Entre os que não
estavam ligados a nenhum grupo religioso, 18% conseguiram se
manter afastados de crimes.
"Num cenário de total desassistência, é ali
que o grupo conseguiu apoio", diz Laranjeira. Um resultado
que, na avaliação do pesquisador, é muito
importante de ser considerado. "Numa doença que apresenta
um índice de mortalidade de 17%, qualquer fator protetor
deve ser estimulado, sem preconceito." Justamente por isso
ele não hesitaria em recomendar para os pacientes procurarem
grupos de apoio, incluindo os de natureza religiosa.
Agência Câmara de Notícias
Trabalho
avaliará qualidade da perícia médica
do INSS
A Comissão de Trabalho, de Administração
e Serviço Público realizará nesta terça-feira
(20) audiência pública sobre a qualidade da perícia
médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O debate
foi proposto pelos deputados Vicentinho (PT-SP) e Walney Rocha
(PTB-RJ).
Eles dizem que muitos trabalhadores relatam injustiças
dos peritos, que às vezes trabalham simultaneamente no
INSS e como médicos do trabalho de empresas. Para eles,
essa situação contraria o preceito ético
de imparcialidade, além de favorecer um preconceito predominante
há décadas no INSS – o de que o trabalhador é um
fraudador que simula doenças para obter benefícios.
Os deputados
afirmam também que é sob esse tipo
suspeição que milhares de homens e mulheres fragilizados
por estar feridos ou adoecidos são avaliados pela perícia.
Por outro
lado, afirmam que os médicos peritos muitas
vezes trabalham sem motivação, pois se sentem desvalorizados
e mal remunerados.
Foram convidados para o debate:
- o ministro
da Previdência,
Garibaldi Alves Filho;
- o presidente do INSS, Mauro Luciano Hauschild;
- a pesquisadora
da Fundação Jorge Duprat Figueiredo
de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) Maria
Maeno;
- o secretário-geral da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo;
- o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto
Luiz d'Avila.
A audiência será realizada às 14h30, no
plenário 6.
Agência Câmara de Notícias
Seguridade
discute proposta da Anvisa sobre equipamentos de vigilância sanitária
A Comissão de Seguridade Social e Família realizará nesta
terça-feira (20) audiência pública para discutir
a consulta pública nº 34/11, da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa), sobre proposta
de Resolução relativa aos equipamentos de vigilância
sanitária usados, recondicionados, alugados e em comodato.
O debate
foi proposto pelo deputado Eleuses Paiva (DEM-SP). Para ele,
a proposta
promove uma cartelização indesejável
e inaceitável ao centralizar em poucos fabricantes a substituição
de peças e partes defeituosas ou gastas.
“A invibialização de pequenas e sérias
empresas de manutenção tornaria a saúde
brasileira refém de poucas empresas, com ênfase
a imensos conglomerados multinacionais, que passariam a ditar
seus preços. A impossibilidade de recuperar peças
vai ainda contra a tendência mundial de sustentabilidade
e da economia de materiais. É preciso respeitar os direitos
de permitir o acesso à saúde em todos os rincões
do País, mesmo longe das grandes metrópoles, sem
cartelizar os negócios em poucos fabricantes, cujo interesse
maior é vender seus novos produtos, sempre com preços
maiores”, argumentou o deputado.
Foram convidados:
- o presidente da Anvisa, Dirceu Barbano;
- o presidente
da Associação Brasileira da Indústria
de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos,
Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), Franco Pallamolla;
- o presidente
do Colégio Brasileiro de Radiologia, Manoel
Aparecido Gomes;
- o presidente do Conselho Regional de Odontologia/SP, Emil
Adib Rasuk.
A reunião será realizada às 14h30, no Plenário
7.
Goiás
Agora
Saúde
mapeia acidentes de trabalho
De 2007 a
2011 foram registrados em Goiás mais de dois
mil acidentes de trabalho graves, sendo 1.718 vítimas
do sexo masculino. Dados como este fazem parte do mapeamento
realizado pelo Centro de Referência em Saúde do
Trabalhador, vinculado à Secretaria da Saúde. Tais
dados foram obtidos pelo Sistema Nacional que mapeia as incidências
dessa natureza.
No levantamento,
o Centro de Referência tem computado
as incidências de acidentes graves de trabalho, incapacidade
para as ocupações habituais por mais de 30 dias,
necessidade de tratamento em regime de internação
hospitalar, debilidade permanente, sentido ou função,
deformidade permanente, incapacidade permanente para o trabalho,
entre outros.
Segundo o
coordenador do Centro de Referência, Wesley
Santiago, a intenção é criar um Observatório
em Saúde do Trabalhador para difundir conhecimentos sobre
o tema. Atualmente, a equipe tem trabalhado na construção
do mapa de risco ocupacional em todo o Estado.
As notificações auxiliaram a Secretaria da saúde
na promoção de ações que visam evitar
e prevenir os acidentes de trabalho. Os dados servirão
de base para identificar os motivos pelos quais os trabalhadores
adoecem, quais as atividades de maior incidência e os processos
de trabalho a que são submetidos os trabalhadores afetados,
para que sejam feitas intervenções nas causas determinantes.
Agência
Estado
Vacinação contra sarampo até dia
30
A Campanha
de Vacinação de Seguimento contra o
Sarampo, prevista para encerrar na sexta (16), foi prorrogada
até o dia 30 de setembro. Até agora, mais de 16
milhões de crianças foram imunizadas contra a doença
em todo o País. O número corresponde a 94,70% do
público alvo, que é de 17.094.514. A meta é vacinar
95% da população que tem entre um e sete anos de
todos os municípios.
O secretário de Vigilância em Saúde, do
Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, explica que
a prorrogação da campanha permitirá aos
gestores estaduais identificar os municípios que não
atingiram a meta, para intensificar a campanha nessas localidades.
A Campanha
de vacinação contra o sarampo ocorre
em intervalos de três a cinco anos para reforçar
a proteção das crianças contra a doença
e manter o Brasil sem transmissão disseminada do vírus.
Planejada para 2011, a campanha aconteceria, em todo o país,
na segunda etapa da vacinação contra a paralisia
infantil, dia 13 de agosto. Porém, com o surto de sarampo
na Europa, o Ministério da Saúde, juntamente com
estados e municípios, decidiu antecipar a ação
em áreas prioritárias.
Sintomas
O sarampo é uma doença aguda, altamente contagiosa.
Os sintomas mais comuns são febre, tosse seca, manchas
avermelhadas, coriza e conjuntivite. A transmissão ocorre
de pessoa a pessoa, por meio de secreções expelidas
pelo doente ao tossir, falar ou respirar. A vacina é o
meio mais eficaz de prevenção.
Em 2011,
até 19 de julho, os estados e os municípios
notificaram ao Ministério da Saúde a ocorrência
de 18 casos de sarampo no Brasil, relacionados vírus do
tipo D-4, que circula na Europa. Os seja, são casos importados.
As ocorrências foram relatadas nos estados do Rio Grande
do Sul (7), Rio de Janeiro (4), São Paulo (3), Bahia (1),
Mato Grosso do Sul (1), Piauí (1) e no Distrito Federal
(1). Desde 2000, o vírus selvagem não circula em
território brasileiro.
Domingo, 18.09.11
Folha
de São
Paulo
Transplante
medular incompatível
Por Débora
Mismetti
Nova técnica aumenta chances de transplante medular incompatível
Procedimento
foi usado em garoto de 2 anos com leucemia que não tinha doadores compatíveis
Médicos deram químio depois do transplante para
matar células doadas que podem atacar o paciente
O uso de
uma nova técnica de transplante de medula permitiu
o tratamento do menino João Antônio, 2, que tem
um tipo raro de leucemia infantil e não encontrou doador
compatível na família, na rede de doadores de medula
nem nos bancos de sangue de cordão umbilical.
O procedimento
ainda está sendo avaliado em pesquisas,
mas pode, no futuro, aumentar as chances de encontrar doadores
para mais pacientes que precisam de transplante e não
encontram um doador compatível.
Internado
no Hospital Sírio-Libanês há dois
meses, o menino passou primeiro por um transplante de células-tronco
de cordão umbilical de um doador parcialmente compatível.
Mas, como conta o médico Vanderson Rocha, coordenador
da Unidade de Transplante de Medula Óssea do hospital,
o transplante não deu resultado.
"A medula dele parou de produzir todas as células
sanguíneas", diz Rocha.
O último recurso foi fazer o transplante de medula da
mãe, mesmo que só 50% compatível.
Esse procedimento é de alto risco porque as células
doadas podem atacar as do paciente, causando graves efeitos colaterais,
que podem levar à morte.
Esse efeito,
que é uma espécie de rejeição
ao contrário, é chamado pelos médicos de
doença do enxerto (as células doadas) contra hospedeiro
(o paciente).
Para evitar
esse risco, a solução foi adotar um
novo procedimento, em que o paciente recebe doses de quimioterapia
depois do transplante para matar os glóbulos brancos do
doador (que podem causar a "rejeição")
e ficar só com as células-tronco, que vão
povoar a medula e começar a produzir novas células
sanguíneas sadias.
"Todo mundo achava uma loucura fazer a químio depois
do transplante, porque se acreditava que isso mataria todas as
células doadas. Mas o que se viu nos primeiros estudos é que
as células-tronco resistem", diz Rocha.
A técnica permitiu recuperar o fracasso do primeiro transplante,
com as células de cordão umbilical. João
Antônio, que tem leucemia mielomonocítica crônica
juvenil, câncer do sangue que responde por só 2%
dos casos de leucemia infantil, deve ter alta na próxima
semana.
O médico diz que seu maior receio era que a dose extra
de quimioterapia, que também é necessária
antes do transplante, causasse efeitos colaterais graves. "O
tratamento pode afetar a bexiga e o coração. Mas
ele não teve nada."
Ele lembra
que, apesar dos bons resultados iniciais, ainda não
há dados de longo prazo sobre a técnica.
'Em nenhum momento me desesperei ou pensei em desistir'
A carioca
Vivian Picolo, 31, mãe de João Antônio,
2, mora há dois meses no Hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo.
Até março, os dois viviam no Rio. A rotina de
Vivian eram as aulas na faculdade de administração
e os passeios com o filho no calçadão em Copacabana
e na casa de praia dos pais.
Isso até que o menino teve uma leve febre. O avô,
que é médico, sugeriu a Vivian que o levasse para
um exame, para descartar um possível caso de dengue.
"A médica pediu um exame de sangue, e os linfócitos
estavam muito acima do normal." Depois de consultar um oncologista
no Rio, no hospital Pronto Baby, o menino foi indicado para o
hematologista Vanderson Rocha, do Sírio-Libanês,
em São Paulo.
Vivian conta
que estabeleceu uma rotina no hospital. "Montamos
um aro de basquete, ficamos brincando no corredor, temos sessões
de musicoterapia. Ele se acostumou rápido. Às vezes,
ele fica irritado, finge que está dormindo quando as enfermeiras
entram, porque sabe que vão mexer nele. Mas ele deixa
fazer tudo."
João Antônio está internado em uma nova
ala do hospital, preparada para pacientes de transplante que,
como ele, precisam de cuidados especiais para evitar infecções,
já que estão com o sistema imunológico abalado.
O sistema
de ar-condicionado não permite que ar do corredor
entre em contato com o paciente. As janelas são seladas. "O
João nunca pede para sair, mas gosta de ver nossas fotos
na praia no computador, de lembrar."
O tratamento
requer cuidados redobrados com higiene. O menino mesmo já pede para a avó limpar seus carrinhos
se eles caem no chão.
Agora, os
dois vão se mudar para um apartamento perto
do hospital. Os cuidados contra infecções continuam. "Não
vai ser igual ao que era antes. A doença ainda pode voltar.
Mas em nenhum momento entrei em desespero. Tenho muita fé."
Sábado,
17.09.11
O
Estado de São
Paulo
Idosos:
Musculação vira remédio
Por Karina Toledo
Pacientes
com osteoporose e artrose, antes orientados pelo médicos
a praticar exercícios leves, agora são estimulados
a malhar na academia
Exercícios físicos se tornaram tão importantes
quanto os remédios no tratamento de doenças como
osteoporose, osteoartrose e artrite reumatoide. Não à toa,
estima-se que a frequência de pessoas com mais de 60 anos
nas academias de ginástica tenha aumentado cerca de seis
vezes nos últimos dez anos.
De olho nesse
filão, muitos estabelecimentos têm
feito parcerias com consultórios médicos e oferecido
descontos e atividades específicas para os idosos por
eles encaminhados. Surgiram até academias especializadas
nesse público, com equipe médica própria
e instalações adaptadas a quem tem mobilidade reduzida.
O boom teve
início após a comprovação,
no início da década passada, de que exercícios
com sobrecarga são capazes de impedir o avanço
da osteoporose, conta Kleber Pereira, presidente da Associação
Brasileira de Academias (Acad). "Os médicos passaram
a recomendar a musculação para os idosos, que hoje
representam quase 30% de nossos alunos."
Estudos recentes
têm demonstrado os benefícios
da musculação para outro problema que atinge quase
60% das pessoas com mais de 60 anos: a osteoartrose. Caracterizada
pelo desgaste das articulações, a doença
causa dor e restringe os movimentos.
Mitos. "Até pouco tempo atrás, pacientes
com artrose recebiam a recomendação de praticar
apenas atividades leves e evitar carregar peso ou subir escadas",
conta Julia Greve, coordenadora do Laboratório de Estudos
do Movimento (LEM) da Faculdade de Medicina da USP.
Mas hoje
já se sabe que o fortalecimento da musculatura
reduz a sobrecarga na articulação, diminui a dor
e recupera a amplitude dos movimentos.
Outro mito
que vem sendo derrubado por uma pesquisa realizada no LEM é o de que idosos não respondem tão
bem aos exercícios quanto pessoas jovens.
A equipe
coordenada por Julia acompanhou três grupos de
mulheres ao longo de 13 semanas de musculação.
O primeiro era composto por idosas com osteoartrose nos dois
joelhos que já haviam se submetido a cirurgia para colocação
de prótese em um deles. O segundo era de idosas sem problemas
articulares e o terceiro, jovens saudáveis.
Quatro quesitos
foram avaliados antes e depois das 13 semanas: a distância caminhada durante 6 minutos, a velocidade com
que subiam um lance de escada, o tempo gasto para levantar e
sentar em uma cadeira e o tempo para levantar da posição
deitada. Em todos eles, o grupo de mulheres com problemas articulares
foi o que mais evoluiu. Também esse grupo foi o que mais
conseguiu aumentar a sobrecarga durante o período avaliado
e melhorar o equilíbrio.
A história do aposentado Antonio Carlos Amabile, de 72
anos, é prova de que, independentemente da idade e da
condição inicial, sempre é possível
melhorar com a prática de atividade física. Em
1999, ele teve de passar por uma cirurgia para retirar a cabeça
do fêmur por causa de um abcesso. "Os médicos
acharam melhor não colocar prótese por causa da
diabete. Ficaram com medo de rejeição", conta.
Após dois anos de fisioterapia, ele teve o aval da equipe
para praticar musculação.
"No começo, chegava à academia de andador
e tinha de fazer os exercícios sem peso. Aos poucos fui
recuperando tudo. Hoje subo e desço escadas com facilidade.
Sou independente, embora ainda tenha de usar bengala."
Amabile sente-se
em casa no meio dos marombeiros e das garotas de coxas grossas. É tão popular entre os colegas
que acabou se tornando garoto propaganda da rede de academias
Nível A. "A parte social é importantíssima.
Deixa a gente estimulado. Sinto falta quando não venho."
Kokichi Takano,
de 76 anos, é outro que já incorporou
a malhação na rotina. Quatro vezes por semana,
ele dedica duas horas para exercício de musculação,
alongamento e esteira. Aos fins de semana, vai ao Parque do Ibirapuera
caminhar. "Comecei a treinar com regularidade aos 70 anos.
Sofria de artrose e tinha muita dor no nervo ciático.
Agora não sinto mais nada", garante.
Treino ideal.
Fabio Jennings, reumatologista e especialista em medicina esportiva
da Universidade Federal de São Paulo,
diz que o treino ideal para idosos deve incluir exercícios
aeróbicos, para ajudar no controle do peso corporal, fortalecimento
muscular e alongamento, para melhorar a flexibilidade. "Também é importante
acrescentar atividades que trabalhem o equilíbrio. Isso
diminui o risco de quedas e, consequentemente, de fraturas."
Nem sempre,
porém, pessoas com problemas nas articulações
conseguem atingir essa meta logo de início. "Muitas
vezes começamos apenas com a musculação
e, depois que a dor diminui, entramos com a caminhada e exercícios
de alongamento", conta o professor de educação
física Emmanuel Gomes Ciolac.
O segredo
da atividade física em pacientes com problemas
de saúde é saber o que fazer, como fazer, com qual
carga e intensidade, diz Julia Greve. "É uma prescrição
individualizada. Como a de um medicamento."
Saiba mais
Osteoporose
Exercícios de musculação e de impacto,
como corrida, estimulam a formação de massa óssea
e impedem a progressão da doença. A dor também
diminui porque a atividade física estimula a produção
da substância osteoprotegerina, que protege os ossos.
Corrida
Embora benéfica para a massa óssea, é contraindicada
para pessoas com osteoartrose de joelhos. A pressão nas
articulações causada pelo peso corporal aumenta
cerca de cinco vezes durante a corrida.
Musculação
O fortalecimento
da musculatura diminui a sobrecarga e estabiliza as articulações, diminuindo a dor e facilitando
os movimentos. Os exercícios também estimulam a
produção do líquido sinovial, essencial
para o bom funcionamento do sistema locomotor.
Equilíbrio
A prática regular de exercícios também
melhora o equilíbrio e a coordenação motora,
diminuindo o risco de quedas e de fraturas.
Folha
de São
Paulo
Nações Unidas vão discutir combate a doenças
crônicas
Organizações de saúde temem influência
da indústria nas discussões, em Nova York
Da Reuters
A ONU vai
realizar, no início da semana que vem, uma
reunião de cúpula para debater estratégias
de combate às doenças crônicas.
Hoje, são os males não transmissíveis (como
doenças cardíacas, problemas causados pelo fumo,
diabetes e câncer) os maiores responsáveis por mortes.
Um grupo
de 140 organizações internacionais de
saúde publicou ontem na revista médica "Lancet" um
artigo alertando para a possível influência das
indústrias de alimentos e tabaco no resultado das discussões
na ONU.
As doenças crônicas matam 36 milhões de
pessoas por ano, e a venda de alimentos gordurosos e de cigarros
contribui muito para isso, afirmam instituições
como o World Cancer Research Fund e o Fórum Nacional do
Coração, do Reino Unido.
Segundo as
organizações, a reunião, na
segunda e na terça, tem de lidar com essas questões,
sob risco de prejudicar a criação de políticas
contra as doenças crônicas e a confiança
do público na capacidade da ONU e da OMS (Organização
Mundial da Saúde) em liderar avanços na saúde
pública.
A OMS diz
que a epidemia de doenças crônicas vai
avançar até 2030, quando 52 milhões de pessoas
devem morrer desses males por ano.
O
Estado de São
Paulo
Governo
lança
plano para reduzir morte por enfarte
Investimento
do programa, que prevê oferta de novos remédios
e aumento de leitos especializados, será de R$ 234 milhões
até 2014
Por Lígia Formenti, de Brasília
O Ministério da Saúde anuncia hoje um pacote de
ações para melhorar a oferta de tratamento de enfarte,
a principal causa de morte no Brasil ao lado do acidente vascular
cerebral (AVC).
A estratégia prevê a construção de
39 unidades de terapia intensiva nas dez regiões metropolitanas
com maior número de enfartes, a inclusão de dois
medicamentos para tratamento da doença no SUS e auxílio
para instalação do tele-eletrocardiograma nas ambulâncias
do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
(Samu).
Os recursos
para angioplastia, técnica usada para desobstruir
a artéria coronária, também serão
ampliados em 30%. O investimento total do programa será de
R$ 234,4 milhões até 2014.
"Nossa meta é reduzir para 5% os óbitos de
enfarte nos serviços públicos do País",
afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Esse porcentual
já é alcançado por serviços particulares,
mas está distante da realidade do SUS. Atualmente, segundo
Padilha, os índices de morte provocadas pela doença
variam entre 10% e 15% nas unidades públicas. Em 2010,
foram registradas 76.359 mortes pela doença em todo o
País.
Consulta.
Para preparar o plano, o ministério consultou
entidades médicas. O programa será colocado segunda-feira
em consulta pública por um mês, para que sugestões
possam ser feitas.
Para incentivar
a criação de unidades coronarianas
- leitos de terapia intensiva exclusivos para pacientes com a
doença -, o ministério pagará uma diária
de R$ 800. Para leitos UTIs gerais, a diária é de
R$ 547.
O ministro
afirma, porém, que essa diferença não
vai provocar uma redução da demanda dos leitos
gerais. "Antes de lançarmos o programa, foi feita
uma previsão de necessidades."
São consideradas prioritárias as regiões
metropolitanas que tenham registrado mais de 600 casos de enfarte
por ano. São Paulo, que concentra maior número
de casos da doença, receberá 14 unidades. O Rio,
que está em segundo lugar no número de registros,
5 unidades. Outras regiões serão contempladas no
período, mas com número menor de leitos: ao todo
serão reservadas 150 vagas para UTIs especializadas.
Padilha afirma
que a verba já está prevista no
orçamento. "São recursos direcionados para
melhorar o atendimento, dentro da estratégia de enfrentamento às
doenças crônicas não transmissíveis."
Ele disse
esperar que a demanda também sofra redução
nos próximos anos, com a oferta gratuita de medicamentos
para controlar a diabete e a hipertensão arterial, fatores
de risco para problemas cardíacos.
Os medicamentos
que passam agora a ser financiados pelo ministério
têm dois objetivos. Um deles é indicado para ser
usado nas primeiras horas depois do enfarte, com objetivo de
destruir os coágulos que impedem a circulação.
Outro é indicado para afastar o risco de o paciente ter
um novo enfarte.
Para que
paciente receba o tratamento adequado desde os primeiros sintomas,
será ampliada a oferta de consulta por telefone
para hospitais de referência.
Nesse atendimento
a distância, eletrocardiogramas serão
enviados para serviços especializados e orientações
repassadas para o atendente do Samu. Serão pagos R$ 50
por cada tele-eletrocardiograma.
Risco
8.384 enfartes
foram registrados na Região Metropolitana
de São Paulo em 2010, o maior número de casos no
País
R$ 134,4
mi serão usados para custear dois medicamentos
incluídos no tratamento da doença até 2014
Folha
de São
Paulo
Governo
de SP vai processar laboratórios
Procuradoria
vai exigir devolução de dinheiro
gasto com atendimento a pacientes com uma doença hereditária
Onze pessoas
teriam ficado sem acesso aos medicamentos após
participarem de pesquisas clínicas
Por Cláudia Collucci, de São
Paulo
A Procuradoria
Geral do Estado vai processar três laboratórios
farmacêuticos e exigir que devolvam aos cofres públicos
R$ 10,7 milhões.
O valor se
refere a gastos que o Estado de São Paulo
teve com o fornecimento de medicamentos para um grupo de 11 pacientes
portadores de mucopolissacaridose, doença hereditária
que causa deformações e deficiências.
Esses pacientes
participaram de estudos clínicos que
avaliaram a eficácia e a segurança das drogas Aldurazyme,
Idursulfase e Galsulfase, fabricadas pelos laboratórios
Genzyme, Shire e BioMarin, respectivamente.
As pesquisas
aconteceram em 2004 e tiveram duração
de 30 a 40 semanas. Não foram revelados os nomes dos pacientes.
Segundo Gustavo
Ungaro, presidente da Corregedoria Geral da Administração, responsável pela investigação,
os laboratórios se comprometeram a manter o tratamento
após o fim dos estudos.
Ele diz que
isso não ocorreu, e os pacientes entraram
com ações judiciais contra o Estado entre 2005
e 2006. Desde então, o governo banca o fornecimento dos
medicamentos. O tratamento mensal por paciente chega a custar
R$ 40 mil.
"Há um termo assinado entre o laboratório
e o paciente em que está expressa essa obrigação
de fornecimento. É a contrapartida para que a pesquisa
com seres humanos seja autorizada", afirma.
Segundo ele, é possível que outras situações
similares estejam ocorrendo no Estado e no resto do país.
Por isso,
a investigação
deve continuar.
"É um dinheiro que poderia estar sendo investido
no SUS. Não podemos permitir que a obrigação
do fabricante seja transferida para o Estado", diz ele.
Falta de regras
O assunto é polêmico. Desde 1997, há uma
resolução do Conselho Nacional de Saúde,
baseada na chamada Declaração de Helsinque, que
estabelece que doentes participantes de estudos clínicos
tenham o direito de acesso ao medicamento, garantido pelo patrocinador.
Mas as atuais
regras não são claras. Não
estabelecem, por exemplo, qual a duração desse
fornecimento.
"Deve ser uma doação indeterminada ou só até ter
outras drogas disponíveis?", indaga Fernando de Rezende
Francisco, da Associação Brasileira de Organizações
Representativas de Pesquisa Clínica.
Em países da Europa e nos EUA, não há leis
que determinam doações de remédios por tempo
indeterminado.
Elas ocorrem
em casos específicos (doença grave
em que não há outra droga disponível) e
por um período de tempo acertado entre laboratório,
pesquisadores, pacientes e agência reguladora.
Vigilância
A Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
está propondo uma nova regulamentação sobre
o fornecimento de remédios ainda em fase de teste.
Entre as
regras que estão sendo debatidas em uma consulta
pública há o uso compassivo de medicamentos.
Isso permite
que um paciente peça o fornecimento de um
remédio, mesmo que ainda esteja em testes, se ficar comprovado
que ele tem uma doença grave sem tratamento eficaz.
A proposta
contém normas para a doação
dos remédios para os voluntários dos testes clínicos
após o término da pesquisa. Os laboratórios
arcariam com os custos.
Outro lado
Empresas
negam interrupção
no fornecimento
Da
Editora-assistente de saúde
Os laboratórios Genzyme e BioMarin afirmaram, por meio
de nota, que não interromperam o fornecimento dos remédios
para mucopolissacaridose após o fim da pesquisa clínica
e que seguem as normas vigentes para estudos no Brasil.
A Shire informou
que segue a regulamentação brasileira
e que seus projetos científicos foram aprovados pela Comissão
Nacional de Ética em Pesquisa.
Folha
de São
Paulo
Por Mônica
Bergamo
Casa Santa
A Santa Casa
de SP deve ser recordista na doação
de órgãos pelo quarto ano consecutivo. Dados preliminares
indicam que haverá 57 doadores por milhão de população.
Supera com isso, em termos percentuais, o índice da Espanha,
historicamente o país com maior taxa mundial, com média
de 35 doadores por milhão.
Casa Santa 2
Em 2010,
o Spot (Serviço de Procura de Órgãos)
da Santa Casa, responsável pela captação
de órgãos em 55 hospitais na capital e na Grande
São Paulo, atingiu 58 doadores por milhão. A instituição
atribui a boa média a um "trabalho intenso de conscientização
e capacitação dos médicos", como o
quinto Simpósio Internacional de Doação
de Órgãos e Tecidos, marcado para a próxima
terça.
O Globo
O curandeiro e a CPMF
Por Francisco Dornelles, senador (PP-RJ)
No interior
de Minas Gerais, nos anos 40, existia um curandeiro nas mãos de quem ninguém
falecia de tuberculose.
Médicos de Belo Horizonte deslocaram-se para o interior
do Estado perguntando ao curandeiro que medida ele adotava para
ninguém morrer de tuberculose em suas mãos. O curandeiro
respondeu: "Quando vejo que vai morrer, eu mudo o nome da
doença."
Propostas,
no momento, estão aparecendo no sentido de
ser criada uma contribuição cumulativa, tendo como
fato gerador a movimentação financeira e cuja base
de cálculo é o valor dessa movimentação.
Mas, como existe uma reação muito forte da sociedade
contra a CPMF, os seus criadores, seguindo a lição
do mencionado curandeiro, desejam batizá-la com o nome
de Contribuição Social para a Saúde (CSS).
O que caracteriza
o imposto ou a contribuição
não é o nome, mas o fato gerador e a base de cálculo.
O artigo
154, inciso I e o artigo 195, § 4º, da Constituição,
permitem que a União crie, por lei complementar, outros
impostos e contribuições, desde que sejam não
cumulativos e não tenham fato gerador e base de cálculo
próprios de outros impostos e contribuições
nela previstos.
Em decorrência desses princípios, contribuição
de natureza cumulativa, independentemente do nome que lhe for
dado, não pode ser criada por lei complementar, mas somente
através de emenda constitucional, como, aliás,
ocorreu nos casos em que a CPMF foi criada, recriada e prorrogada,
nos governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula.
Até o ano de 1998, 80% da arrecadação da
União provinham de dois impostos - o Imposto de Renda
e o IPI, imposto seletivo e não cumulativo -, que atendiam
a todas as regras de uma boa incidência.
O capítulo da Constituição dedicado à seguridade
social abriu caminho para que a União, reduzindo o peso
dos impostos cuja receita era compartilhada com estados e municípios,
criasse uma série de contribuições, a maior
parte delas de natureza regressiva e cumulativa, que hoje propiciam
uma arrecadação maior que aquela derivada dos impostos.
Foi no bojo dessas mudanças que foi criada a CPMF.
A CPMF tem
o encanto da facilidade da cobrança. Mas é uma
incidência retrógrada, regressiva, cumulativa, que
recai sobre o consumo, o investimento, as exportações,
que estimula a desintermediação bancária
e que indiretamente alcança pessoas de mais baixa renda. É uma
incidência tão rejeitada que até hoje nenhum
governo concordou em retirar dela o nome de "provisória".
O importante
no momento, entretanto, é que aqueles que
desejam criar uma contribuição de natureza cumulativa,
com qualquer propósito ou nome que lhe for dada, considerem
o fato de que ela não pode ser criada por lei complementar,
mas somente por emenda constitucional.
Sexta-feira, 16.09.11
Agência Câmara de Notícias
Com
acordo, Câmara deve votar Emenda 29 e regulamentar
recursos para a saúde
Por Rodrigo
Bittar / Edição: Daniella Cronemberger
Após debater o tema em comissão geral, Plenário
deverá votar Emenda 29 na quarta-feira. No mesmo dia,
poderá ser escolhido o novo ministro do Tribunal de Contas
da União.
O Plenário deverá votar, na quarta-feira (21),
o projeto que regulamenta os recursos para a saúde previstos
na Emenda 29 (PLP 306/08). Um acordo nesse sentido foi costurado
entre os líderes para incluir a proposta assim que a pauta
for liberada. Um dia antes da votação, na terça
(20), a Emenda 29 deverá ser debatida no Plenário
em comissão geral.
Ainda na
terça-feira, à noite, os deputados deverão
votar o projeto de lei que cria uma empresa para a gestão
dos hospitais universitários (PL 1749/11). Em urgência
constitucional, ele impede a análise da regulamentação
da Emenda 29 e de outros projetos de lei em sessões extraordinárias.
Esse projeto,
do Executivo, cria a Empresa Brasileira de Serviços
Hospitalares (Ebserh) para administrar hospitais universitários
federais e regularizar a contratação de pessoal
desses órgãos, atualmente feita pelas fundações
de apoio das universidades em bases legais frágeis.
A proposta
já tramitou com a Medida Provisória
520/10, que chegou a ser aprovada na Câmara em maio deste
ano, mas perdeu a validade quando estava em análise no
Senado, em junho.
Segundo o
substitutivo do relator Danilo Forte (PMDB-CE), a Ebserh poderá administrar os hospitais universitários
federais, respeitado o princípio da autonomia universitária.
Entretanto, existe o temor de parlamentares de que a empresa
terceirize os serviços prestados pelos hospitais.
Essas propostas
só poderão ser votadas em sessões
extraordinárias, uma vez que a pauta das sessões
ordinárias está trancada por três medidas
provisórias. A primeira delas é a MP 539/11, que
estabelece Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF) de até 25% sobre a especulação de
bancos e empresas com a queda do dólar.
O objetivo,
segundo o governo é conter a valorização
do real que prejudica as exportações brasileiras.
Recorde de emendas
Outra MP
que tranca a pauta do Plenário é a 540/11,
que institui o Regime Especial de Reintegração
de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra);
reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a
indústria automotiva; e desonera a folha de pagamento
das empresas que prestam serviços de tecnologia da informação
e da comunicação (TIC), das indústrias moveleiras,
de confecções e de artefatos de couro.
A medida
faz parte da política de estímulo à indústria
nacional, anunciada pelo governo no início de agosto,
chamada de Plano Brasil Maior, e é uma das mais complexas
em tramitação na Casa. O texto do governo já recebeu
mais de 240 emendas, um recorde no ano.
De acordo
com o Executivo, a MP vai gerar uma renúncia
de receita de R$ 7,6 bilhões em 2012, já prevista
na proposta orçamentária do próximo ano,
que tramita na Comissão Mista de Orçamento. Qualquer
alteração no texto que eleve esse impacto terá que
ser compensada, com corte de despesa ou apropriação
de parte da atualização da receita.
A terceira
MP que tranca os trabalhos é a 543/11, que,
entre outras medidas, autoriza a União a participar, no
limite global de até R$ 1 bilhão, no Fundo de Financiamento à Exportação
(Fiex), para formação de seu patrimônio.
Discussão
Outras medidas
provisórias poderão ser discutidas:
as MPs 542/11 e 543/11. A primeira altera os limites do Parque
Nacional dos Campos Amazônicos, do Parque Nacional da Amazônia
e do Parque Nacional Mapinguari, localizados nas regiões
Norte e Centro-Oeste.
Já a segunda autoriza o Tesouro Nacional a subvencionar
as operações de crédito feitas pelas instituições
financeiras com microempreendedores, dentro do Programa Nacional
de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO).
TCU
Na quarta-feira
(21) pela manhã está prevista
uma sessão extraordinária para a eleição
do novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Concorrem ao cargo os deputados Ana Arraes (PSB-PE), Aldo Rebelo
(PCdoB-SP), Átila Lins (PMDB-AM), Damião Feliciano
(PDT-PB), Milton Monti (PR-SP), Sérgio Brito (PSC-BA)
e Vilson Covatti (PP-RS), além de Rosendo Severo dos Anjos
Neto, primeiro auditor federal de controle externo a se tornar
candidato a ministro do TCU.
Agência Câmara de Notícias
Comissão aprova redução de Cofins para
atenção domiciliar à saúde
Por Carolina
Pompeu / Edição: Newton Araújo
A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou,
na última quarta-feira (14), proposta que reduz a alíquota
da Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) para o serviço de atenção
domiciliar à saúde. A medida está prevista
no Projeto de Lei 90/11, do deputado Bernardo Santana de Vasconcellos
(PR-MG).
O texto aprovado
pelo colegiado estende o benefício às
empresas operadoras de atendimento domiciliar eletivo e de urgência.
A mudança foi proposta pelo relator, Darcísio Perondi
(PMDB-RS). Segundo a assessoria do deputado, o dispositivo objetiva
não deixar dúvidas de que não apenas os
prestadores de serviço, mas também as empresas
do setor terão acesso ao benefício.
Alíquotas
Hoje, a alíquota para a empresa de saúde que atende
em casa é de 7,6%. A proposta visa garantir a esse serviço
a mesma alíquota dos demais serviços de saúde,
que é de 3% sobre o faturamento bruto mensal da empresa.
A alíquota de 3% já é aplicada aos serviços
prestados por hospitais, prontos-socorros, clínicas médicas,
odontológicas, de fisioterapia, de fonoaudiologia e os
laboratórios de anatomia patológica, citológica
ou de análises clínicas.
Perondi argumenta
que a proposta apenas garante isonomia entre as empresas prestadoras
de atendimento domiciliar e os hospitais. “As
atividades dessas empresas assemelham-se àquelas dos hospitais,
já que elas criam verdadeiras unidades hospitalares e
de terapia intensiva dentro da residência dos pacientes”,
explicou.
Tramitação
O PL 90/11
ainda passará por análise conclusiva
das comissões de Finanças e Tributação
(inclusive quanto ao mérito); e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-90/2011
AGENDA
- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo
Abramge / AssPreviSite
As inscrições para os Prêmios Abramge de
Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam
em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus
Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”.
Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias
impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o
dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde
podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio
site da Abramge.
No Brasil,
o Ministério da Saúde registra a cada
ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável
por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais:
a informação não é muito divulgada.
O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis
(DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora
do vírus – e segundo estudo publicado na revista
científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México
e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma
humano.
Podem participar
da premiação, jornalistas profissionais
de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema
escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de
2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos
sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover
a informação sobre saúde e estimular a pesquisa
científica do setor”, diz o presidente da Abramge,
Arlindo de Almeida.
A comissão julgadora dos Prêmios será constituída
de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão
encaminhados aos jurados escolhidos pela direção
da Abramge para análise e indicação dos
melhores trabalhos.
Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem:
R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria
da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos.
E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma
para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no
início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores
no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da
Abramge.
Veja o regulamento
completo dos Prêmios no endereço
eletrônico www.abramge.com.br
- 66º Congresso Brasileiro de Cardiologia
Local
Centro de
Eventos FIERGS – Federação das
Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul
Avenida Assis Brasil, 8787 - Bairro Sarandic
CEP: 91140-001 – Porto
Alegre - RS
55 (51) 3347-8696
Fax: 55 (51) 3347-8722
Email: kkein@ergs.org.br
Data
16 a 19 de setembro de 2011 (sexta-feira a segunda-feira)
Organização
Sociedade Brasileira de Cardiologia
Avenida Marechal
Câmara,
160/Sala 330 - Centro
CEP: 20020-907
- Rio de Janeiro – RJ
55 (21) 3478-2700
www.cardiol.br
Organização Científica
Gerência
de Eventos da SBC
55 (21) 3478-2700 ramais: 2746, 2748, 2749, 2750, 2751 e 2752
Fax: 55 (21) 3478-2755
E-mail: sbceventos@cardiol.br ou cerj@cardiol.br
Skype: sbc-eventos01
Central
de Inscrições
55 (21) 3478-2700 ramal: 2759
Fax: 55 (21) 3478-2770
E-mail: sbcinscricoes@cardiol.br
-
Curso "Gestão da Logística de Suprimentos
em Serviços de Saúde" São Paulo-SP
Data do Curso
21/9/2011 a 23/9/2011
Objetivo
Possibilitar
aos participantes o desenvolvimento das competências
necessárias para as funções ligadas à Logística
Hospitalar de Suprimentos e ampliar as suas possibilidades de
atuação, considerando os aspectos técnicos
e administrativos.
Público
Alvo
Profissionais
com e/ou sem vivência no setor Hospitalar
Público/Privado, que estejam interessados em ampliar ou
adquirir conhecimento nos assuntos pertinentes à Gestão
da Logística de Suprimentos em Serviços de Saúde.
Programa
FUNDAMENTOS
E ESTRUTURAÇÃO DA LOGÍSTICA
DE SUPRIMENTOS EM SERVIÇOS DE SAÚDE:
- Definição de Logística
de Suprimentos no ambiente hospitalar;
- Organização e estruturação da
Logística de Suprimentos e a sua posição
na estrutura organizacional de um hospital;
ORGANIZAÇÃO E SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO
DOS ESTOQUES EM FARMÁCIA HOSPITALAR:
- Conceitos
básicos em Farmácia
Hospitalar;
- Atribuições do farmacêutico
Hospitalar;
- Sistemas
de distribuição e rastreabilidade de
medicamentos e produtos para saúde;
- Legislações aplicadas à Farmácia
Hospitalar;
- Farmácia Clínica, Farmacovigilância,
CIM e CCIH.
SISTEMAS
DE AQUISIÇÃO E ESTRATÉGIAS DE
NEGOCIAÇÃO:
- Planejamento
e definição das estratégias
de compras;
- Conceitos
de custo total no processo de aquisição
(Sourcing);
- Compras
eletrônicas - (e-procurement, pregão,
leilão reverso);
- Licitação
- Legislação e Princípios;
- Estratégias de negociação;
- Gestão
de contratos.
QUALIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE FORNECEDOR/
NORMALIZAÇÃO DE PRODUTOS PARA SAÚDE:
- Qualificação e avaliação
dos fornecedores;
- Padronização de produtos para saúde como
estratégia de redução de custos;
- Conceitos
de classificação, codificação
e catalogação de produtos para saúde;
ARMAZENAGEM,
MOVIMENTAÇÃO E VALORIZAÇÃO
DOS ESTOQUES
- Técnicas de recebimento e inspeção
de qualidade;
- Armazenamento,
movimentação
e transporte de materiais;
- Valorização dos estoques (método PEPs,
FIFO, Custo Médio Ponderado);
GESTÃO
DOS ESTOQUES
- Principais
conceitos da administração de materiais;
- Conceitos e aplicabilidade
- Estoque
Mínimo, Estoque de Segurança,
Ponto de Pedido;
Lote Econômico,
Curva ABC;
- Normas
de inventário e contagem cíclica;
Inscrições até 16/09/11
Local
Sede Administrativa
Pró Saúde - Rua Guaicurús
nº 563 Lapa
Horário: 8:30 às
17h
Instrutor
- Mônica
Cristina Granzo
Bacharel
em Ciências Contábeis; MBA em Logística
Empresarial, Vasta experiência profissional na área
de Logística e Suprimentos e atual Gerente de Compras
da Pró-Saúde ABASH. Instrutora de cursos pertinentes
a área.
Instrutor - Giselle Mayumi Ishiki
Graduação em Farmácia & Bioquímica,
pós graduação em Farmácia Hospitalar
e Introdução à Farmácia Clínica.
Atual Farmaceutica da Pró Saúde em setor de Compras,
membro Presidente da Comissão de Padronização
de Produtos da Central de Compras, atuação em educação
continuada, visitas técnicas a fabricantes e distribuidoras
de materiais hospitalares e medicamentos, qualificação
de fornecedores.
Mais
informações
-
CBA lança curso de gestão de profissionais de
saúde
Recrutar e capacitar médicos, enfermeiros,
farmacêuticos e outros profissionais da área de
saúde para trabalhar de acordo com padrões internacionais
de qualidade e segurança no cuidado com o paciente.
Esse é um dos objetivos do curso Educação
e Qualificação dos Profissionais de Saúde,
promovido pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação
(CBA) — representante exclusivo no Brasil da maior agência
acreditadora em saúde do mundo, a Joint Commission International
(JCI). As aulas serão ministradas na sede do CBA, no
Rio de Janeiro, nos dias 27 de agosto e 22 de setembro.
O curso,
oferecido em parceria com a Universidade Lusófona
de Portugal, vai abordar temas como recrutamento e retenção
de profissionais, educação continuada, gestão
do conhecimento e pesquisa de clima organizacional. De acordo
com o professor Artur Parreira, as empresas precisam orientar
seus profissionais a manterem os padrões de qualidade
e excelência no desempenho de suas atividades.
"As organizações de saúde esperam
de seus funcionários a capacidade de envolver-se com seus
objetivos, além da melhoria e aprendizado constantes",
explica Parreira. "Para isso, essas instituições
precisam oferecer treinamento permanente para aperfeiçoar
as competências exigidas, manter a agilidade da ação
e evitar a estagnação profissional de seus colaboradores”.
Doutor de
Ciências Biomédicas e subdiretor do Curso
de Gestão Recursos Humanos da Universidade Lusófona,
Parreira vai ensinar durante as aulas como realizar um Plano
de Recursos Humanos bem-sucedido. "O sucesso do plano exige
do gestor capacidade de liderança, visão estratégica
da gestão de RH e atualização a respeito
de temas ligados ao comportamento organizacional. Dessa forma, é possível
manter a equipe sempre motivada e evitar o turnover de profissionais
qualificados", enfatiza.
O curso Educação e Qualificação
dos Profissionais de Saúde é voltado para gestores
e lideranças intermediárias de instituições
de saúde. O valor do investimento é de R$ 600 e
a carga horária é de 24 horas/aula. As inscrições
podem ser realizadas pelos e-mails eventos@cbacred.org.br ou
secretaria.eventos@cbacred.org.br ou através dos telefones
(21)3299-8241, 3299-8202 e 3299-8234.
Assessoria de Imprensa
SB Comunicação,
tel. (21)3798-4357
Simone Beja, tel. (21)9367-3722
Igor Waltz, tel. (21)7674-1492
- I Simpósio Norte- Nordeste de Gestão
Hospitalar
Temática: Turismo de Saúde
Objetivo
O Simpósio Norte-Nordeste de Gestão-Hospitalar,
tem como enfoque desta edição o Turismo de Saúde,
abordando temas, reflexões e ações que venham
a contribuir no aprimoramento da gestão hospitalar para
o incremento do Turismo de Saúde de Pernambuco. A cidade
do Recife é considerada o 2º maior Pólo Médico
do país, contando com centros de excelência em medicina
já inseridos na certificação em “acreditação
hospitalar”. Por isto a necessidade do incremento do investimento
neste nicho de Turismo no Estado de Pernambuco.
Dia
e Horário:
Data: 22 de setembro de 2011
Horário: 08:00 às
18:00h
Local: Salão de Convenções do Real Hospital
Português
-
1º Congresso Nacional de Hospitais Privados
Promovido
pela ANAHP – Associação Nacional
de Hospitais Privados em cooperação com a HOSPITALAR
Feira e Fórum, o evento vai reunir os principais tomadores
de decisão no setor de saúde para compartilhar
experiências em gestão.
De 28 a 30
de setembro, administradores de hospitais públicos
e privados, médicos, lideranças setoriais e profissionais
da área estarão reunidos no Hotel Unique, em São
Paulo. Com o tema central "A Importância dos Hospitais
Privados na Saúde: Hoje e Amanhã", palestrantes
nacionais e internacionais falarão sobre Sustentabilidade,
Gestão do Corpo Clínico, Parcerias Público-Privadas,
Segurança do Paciente, Governança Clínica,
Governança Corporativa, Indicadores de Desempenho, entre
outros.
Iniciativa
inédita, o evento é dedicado à gestão
de estabelecimentos de saúde, troca de experiências
e conhecimento do setor e terá a participação
dos principais hospitais do País. Para conhecer o programa
e inscrever-se, basta acessar www.cnhp.com.br
- 14º Conferência Nacional de Saúde
Tema
“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA
PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”
A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada
em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional.
As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram
dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa
Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os
dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.
Mais informações
no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html