Leia
nesta edição:
- Justiça Federal suspende efeitos de decisão
da SDE
- O Brasil
gasta pouco com saúde?
- Liminar
anula decisão que proibia médicos
de fazer greve
- Preconceito
ainda barra combate à AIDS
- Justiça libera abuso de médicos
- Hospitais
não poderão pedir cheque caução
- Saúde suplementar apresenta expansão
- Peso de
diárias em receita de hospital recua no país
- Médicos
e a medicina suplementar
- Política
para o envelhecimento ativo
- Diálogo
entre hospitais e operadoras
- A autonomia
dos médicos e o Cade
- Hospitais
não poderão pedir cheque caução
Sexta-feira, 20.05.2011
CFM
Justiça Federal suspende efeitos de decisão
da SDE
O Conselho
Federal de Medicina (CFM) e os Conselhos Regionais de Medicina
(CRMs)
obtiveram uma importante vitória na
Justiça contra a Secretaria de Direito Econômico
(SDE). Após analisar ação impetrada pelo
CFM, o juiz Antonio Correia, da 9 ª Vara Federal, em Brasília,
concedeu pedido de antecipação de tutela em detrimento
de medidas preventivas determinadas pelo órgão
do Ministério da Justiça que impedia os médicos – por
meio de suas entidades representativas – de expressarem
sua opinião e pleitos com relação aos planos
de saúde.
Em sua decisão, o magistrado considerou o processo administrativo
instaurado pela SDE “viciado pelo abuso de poder, dada
a ausência de competência para interferir nas relações
dos médicos com seus pacientes ou com os planos de saúde”.
O juiz argumenta ainda que com seus atos as operadoras pretendem “mediante
contrato de adesão, fazer com que trabalhem para terceiros
que solicitam os serviços de sua arte científica
pelos valores que se propõe a pagar”.
Essa é a mesma tese defendida pelas entidades médicas:
de que as operadoras de planos de saúde têm agido
de forma desequilibrada em sua relação com os médicos
ao imporem os valores dos honorários de consultas e procedimentos
sem fazer os reajustes devidos.
De acordo
com levantamento realizado pelo CFM, pela Associação
Médica Brasileira (AMB) e da Federação Nacional
dos Médicos (Fenam), em sete anos (de 2003 a 2009), os
planos médico-hospitalares tiveram 129% de incremento
na movimentação financeira, passando de R$ 28 bilhões
para R$ 65,4 bilhões. O valor da consulta, no mesmo período,
subiu apenas 44%. Isso em média apurada pela própria
ANS. Em 2011, há operadoras que ainda pagam o absurdo
de R$ 25,00 a consulta.
Empresa
Na sua decisão, juiz se refere à impropriedade
dos argumentos apresentados pela SDE em sua ação
contra os médicos e entidades que lutam por melhores condições
de trabalho e de assistência pelos planos de saúde.
Para ele, a Secretaria extrapolou: “a competência é a
atribuição, por lei, de poderes para a produção
do ato. Ausente esta, o ato estará viciado pelo abuso
de poder e não terá validade e nem eficácia”.
“Estou convencido de que as expressões mercado
e empresa não se confundem e nem se aplicam à prática
da atividade da medicina e suas relações com seus
pacientes ou com as empresas que contratam com o público
em geral o fornecimento de serviços, mediante adesão
e pagamento de valor mensal, bem como o órgão de
fiscalização da atividade criado por lei com competência
específica, que não atua no mercado ou como empresa”,
cita em sua decisão.
O ato praticado
pela SDE foi motivo de pesadas críticas
pelo CFM. Em nota distribuída à sociedade, a entidade
afirma que decisão da Secretaria “desrespeitou a
Constituição e as leis que fundamentam a cidadania
e as liberdades de organização e de expressão
no Brasil, agindo como um instrumento digno dos piores regimes
autoritários a serviço de interesses políticos
ou privados”.
O CFM e os
CRMs afirmara, ainda em sua nota, que a SDE se revelou injusta
ao tratar os
médicos e empresários de forma
desproporcional: de um lado, penaliza o movimento de profissionais
da Medicina como um cartel, sujeitando-o a medidas adequadas às
empresas; de outro, ignora a ação coordenada dos
empresários, que acumulam lucros exorbitantes, e condena
trabalhadores e pacientes a se sujeitar ao pouco oferecido sem
direito a reação.
“Este processo abriu precedentes sombrios e soa um alerta
para a sociedade: se hoje o alvo da SDE são os médicos,
em breve a artilharia pode se voltar para advogados, arquitetos,
engenheiros, jornalistas, professores, metalúrgicos ou
qualquer outra categoria que OUSE lutar para que seus direitos
e sua voz sejam ouvidos e respeitados”, profetizaram o
CFM e os CRMs em seu posicionamento público.
Valor Online
O
Brasil gasta pouco com saúde?
Por Naercio Menezes Filho
Muitos analistas
defendem um aumento nos gastos públicos,
inclusive com a criação de impostos específicos
para a saúde, como a ressurreição da CPMF,
por exemplo. Mas, afinal, o que mostram os dados? Será que
o Brasil gasta pouco com saúde em relação
a outros países? Quanto é gasto pelo setor público
e privado? Quais os principais gastos privados?
Dados mostram
os gastos com saúde como proporção
do PIB em alguns países do mundo, com dados de 2009 recém
divulgados pela Organização Mundial da Saúde.
Podemos observar que o país que mais gasta com saúde
nessa amostra é os Estados Unidos, atingindo 16% do PIB.
Em seguida temos Cuba, país famoso pela qualidade dos
seus serviços de saúde e educação,
que investe 12% do PIB. Países da OCDE, como a Alemanha,
Portugal e Canadá, gastam cerca de 11%. Já o Brasil
gasta 9% do PIB com saúde, integrando o terceiro grupo
de países, juntamente com a Argentina e o Reino Unido.
O Brasil gasta mais que o Chile e bem mais do que o México
e a Coreia. Já a China gasta somente 4% do seu PIB com
saúde.
O
Brasil integra o grupo de países em que o setor privado é responsável
por metade dos gastos
Assim, ao
dedicar 9% do seu PIB para a saúde, o Brasil
está gastando mais do que a maioria dos países
latino-americanos. Mas, como a população brasileira é grande,
faz sentido examinar também o gasto por habitante, dado
que o nosso sistema de saúde pretende-se universal. Ao
fazer essa conta, vemos que o Brasil gasta cerca de US$ 1 mil
por pessoa com saúde. Esse montante é pouco quando
comparado com o Reino Unido, Alemanha e Canadá, que gastam
cerca de US$ 4 mil por habitante. Mas, esses países são
bem mais ricos que o Brasil. Logo todos os seus gastos são
maiores. Na verdade, por esse critério o Brasil gasta
praticamente o mesmo que a Argentina, México e Chile.
A figura
mostra também a distribuição dos
gastos entre o setor público e privado. Em Cuba e no Reino
Unido os gastos privados são irrisórios, pois o
Estado é responsável por quase todo o sistema de
saúde. Na Alemanha, Canadá, Portugal e Argentina
os gastos privados correspondem a cerca de 20% do total. Já o
Brasil integra o grupo de países em que o setor privado é responsável
por metade dos gastos, juntamente com os Estados Unidos, México,
Coreia e China. Mais especificamente, no Brasil, as famílias
são responsáveis por 54% dos gastos com saúde,
o equivalente a R$ 151 bilhões em 2009. Assim, quando
perguntamos se o Brasil gasta pouco ou muito com saúde, é necessário
distinguir entre o gasto público e o privado.
Somente os
gastos com medicamentos somaram R$ 55 bilhões
em 2009, mais do que tudo o que foi gasto pelas famílias
com educação naquele ano, incluindo as despesas
com livros, cursos de idiomas e pré-vestibulares. Na verdade,
mais de 80% dos domicílios brasileiros gastam algum montante
com remédios durante o ano. Além disto, uma parte
substancial do gasto privado refere-se a planos de saúde.
Cerca de ¼ dos domicílios brasileiros tinha planos
de saúde em 2009. Entre os que ganham mais do que R$ 2.700
por mês, quase 60% tem algum tipo de plano. Obviamente,
essas pessoas não querem correr o risco de ficar doentes
e terem que parar num hospital na rede pública, com as
honrosas exceções de praxe.
É interessante notar, portanto, que se o aumento do gasto
público realmente melhorasse a qualidade do atendimento
na rede pública, os gastos privados poderiam diminuir,
deixando o gasto total constante. Temos que pensar então
no aspecto distributivo dessa questão. Todos deveriam
ter acesso a um sistema de saúde com qualidade e ter o
direito de escolher entre o atendimento público e o privado
de acordo com suas preferências, renda e tipo de tratamento.
Entretanto, hoje em dia há muita ineficiência no
gasto público com saúde. Pesquisas mostram que
muitos hospitais públicos operam com baixa taxa de ocupação
e excesso de funcionários, enquanto outros permanecem
sobrecarregados. Além disto, há distorções
evidentes no sistema. Por exemplo, 16% das pessoas que foram
internadas em 2009 e tinham plano de saúde, utilizaram
recursos públicos. Além disto, grande parte dos
gastos privados com saúde é dedutível do
Imposto de Renda. Dessa forma, antes de aumentar ainda mais os
gastos públicos com saúde, é necessário
racionalizar o sistema.
O
Estado de São
Paulo
Liminar
anula decisão que proibia médicos
de fazer greve
Processo
movido pela Secretaria de Direito Econômico contra
o CFM foi considerado ''viciado'' por juiz federal
Por
Karina Toledo/ Colaborou Alexandre Gonçalves
O Conselho
Federal de Medicina (CFM) obteve liminar anulando a decisão da Secretaria de Direito Econômico (SDE)
que, entre outras coisas, proibia as entidades médicas
de organizar paralisações para reivindicar reajuste
nos honorários pagos pelos planos de saúde.
Em sua decisão, o juiz Antonio Correia, da 9.ª Vara
Federal, em Brasília, considerou o processo administrativo
instaurado pela SDE "viciado pelo abuso de poder, dada a
ausência de competência para interferir nas relações
dos médicos com seus pacientes ou com planos de saúde".
A SDE informou,
por meio de sua assessoria de imprensa, que pretende recorrer,
com apoio da Advocacia-Geral da União.
Para o presidente
do CFM, Roberto d"Avila, a liminar beneficia
também outras entidades envolvidas no movimento contra
as operadoras. Mas representantes da Federação
Nacional dos Médicos (Fenam) e da Associação
Médica Brasileira (AMB) ainda não estão
certos disso.
"Cada entidade entrou com uma ação distinta,
pois nosso escopo de atuação é diferente.
Por enquanto, apenas o CFM teve uma resposta", diz Florisval
Meinão, da AMB.
Segundo ele,
o objetivo do movimento médico não é promover
o descredenciamento coletivo ou paralisar o atendimento a pacientes
de planos. "Queremos negociar com as operadoras e não
prejudicar o usuário. A liminar não muda isso",
afirma.
Na nota técnica divulgada na semana passada, a SDE também
proibia as entidades médicas de divulgar valores de consultas
e de usar artigos do Código de Ética Médico
para punir os profissionais que não adotassem a tabela
de remuneração proposta pela AMB. Vetava também
a fixação de valores mínimos para os procedimentos
médicos e a cobrança de taxas adicionais ao valor
que os pacientes pagam às operadoras.
D"Avila, no entanto, afirma que desde o início da
década o CFM decidiu não punir os médicos
que desobedecessem as decisões do movimento referentes
ao valor dos honorários.
Em relação à cobrança "por
fora" dos pacientes, D"Avila diz que essa nunca foi
uma orientação das lideranças. "Soubemos
que em alguns locais isso foi ventilado, mas estamos tomando
medidas para corrigir essa conduta."
Remuneração
R$ 80 é o valor mínimo por consulta pleiteado
pelos médicos. Hoje, o valor pago pelas operadoras varia
entre R$ 25 e R$ 49
Folha
de São
Paulo
Preconceito
ainda barra combate à AIDS
Na África, que concentra 88% dos casos no mundo, distribuição
de antirretrovirais reduz contágio de mãe para
filho
Discriminação dificulta uso dos serviços
de saúde, segundo médicos que atuam no controle
da epidemia
Ricardo Bonalume
Neto, enviado especial à Tanzânia
(viajou a convite do Global Fund)
O estigma
associado à Aids ainda prejudica o controle
da epidemia no mundo, mesmo 30 anos depois de identificada como
doença.
Hoje, 33,3
milhões de pessoas vivem com o vírus
HIV. A África responde por 88% das pessoas infectadas.
"A discriminação impede a utilização
dos serviços disponíveis", afirma o médico
Daniel Ndaki Nkonya, do programa de combate à Aids do
Ministério da Saúde e Bem-Estar Social da Tanzânia.
"Há mulheres mais interessadas em proteger sua imagem
social do que a criança em sua barriga, ou não
querem correr o risco de perder o parceiro com HIV que paga suas
contas", diz Jovin Tesha, diretor da Pasada, sigla para
Atividades e Serviços Pastorais para Pessoas com Aids
da Arquidiocese de Dar es Salaam, maior cidade do país.
MAIS TRATAMENTO
A Tanzânia é um
bom exemplo do que pode ser feito para controlar a epidemia.
O país é um dos cinco maiores destinatários
de verbas, entre outros 146, do Global Fund to Fight Aids, Tuberculosis
and Malaria (Fundo Global para o Combate à Aids, Tuberculose
e Malária).
O fundo é uma instituição de financiamento
internacional com sede em Genebra, Suíça, criado
em 2002.
Desde então, já apoiou mais de 600 programas de
combate a essas três doenças infecciosas, com US$
21,7 bilhões em recursos. A Tanzânia recebeu US$
992 milhões.
O dinheiro
vem de governos que doam ao fundo e de instituições
privadas.
Segundo relatório divulgado ontem pela instituição,
os financiamentos bateram o recorde no ano passado, com US$ 3
bilhões, que permitiram, por exemplo, pagar o tratamento
de 3 milhões de pessoas com os antirretrovirais que combatem
o HIV.
Há 10 milhões de pessoas na fila para receber
os remédios, em países pobres.
Hoje, 52%
dos pacientes na Tanzânia recebem tratamento.
Outros desafios para o controle da epidemia no país são
a carência de profissionais de saúde e a infraestrutura
inadequada.
Em média, 5,7% dos adultos entre 15 e 49 anos estão
infectados com o HIV no país, em uma população
total de cerca de 45 milhões. Um dos sucessos da Tanzânia é a
diminuição da transmissão de mãe
para filho.
O Hospital
Temeke, em Dar es Salaam, é um exemplo dos
desafios enfrentados no combate à Aids. "O espaço é pequeno,
falta o básico e só temos uma ambulância
velha", diz o médico Amaani Malima.
O hospital
tem um moderno laboratório de diagnósticos.
Mas uma vala com água suja atravessa o terreno, parte
dele repleta de lama e de poças d'água quando chove.
E chove muito na Tanzânia.
Correio Braziliense
Justiça libera abuso de médicos
Liminar
derruba proibição de cobrança
de taxa extra em consultas por meio de planos
Por
Fábio Monteiro / Ana D´Ângelo
Os médicos podem, a partir de hoje, retomar a cobrança
das taxas adicionais de R$ 60 no atendimento a conveniados de
planos de saúde, além de fazerem boicotes e paralisações
sem aviso prévio. O juiz Antônio Corrêa, da
9ª Vara Federal em Brasília, concedeu liminar ontem
em favor do Conselho Federal de Medicina (CFM), suspendendo as
restrições impostas pela Secretaria de Direito
Econômico (SDE), do Ministério da Justiça,
que tinham por objetivo proteger os consumidores de constantes
abusos e constrangimentos. O governo informou que ainda não
foi intimado oficialmente, mas que vai acionar a Advocacia-Geral
da União e recorrer, assim que for notificado.
Há pouco mais de uma semana, a SDE determinou ao Conselho
que adotasse uma série de medidas preventivas, para evitar
a cobrança indevida de taxas complementares de filiados
a planos de saúde, atitude considerada abusiva. O governo
também proibiu o CFM de organizar paralisações
de médicos e de incentivar o descredenciamento em massa
dos profissionais em protesto contra as operadoras. Mas o juiz
acolheu argumento do Conselho de que a SDE não poderia
determinar regras para o setor.
Segundo Corrêa, a decisão da SDE “está viciada
pelo abuso de poder, dada a ausência de competência
para interferir nas relações dos médicos
com seus pacientes ou com os planos de saúde”. Dessa
forma, a liminar dá sinal verde para práticas abusivas
que prejudicam os pacientes que necessitam de atendimento. O
magistrado afirmou também “estar convencido de que
as expressões “mercado” e “empresa” não
se confundem nem se aplicam à prática da atividade
de medicina e as suas relações com os seus pacientes.”
O presidente
do CFM, Roberto Luiz D´Avila, disse que ficou
satisfeito com a decisão judicial. “O Judiciário
acolheu todos os argumentos que defendemos há muito tempo.
A saúde é mercado apenas para as empresas que trabalham
no setor, não para os médicos”, afirmou.
Ele acredita que o poder da SDE engloba apenas as companhias,
e, por isso, não pode haver interferência do órgão
na relação entre médicos e pacientes. “Medicina
não é empresa.”
As principais
reivindicações dos médicos
são a revisão do valor pago pelos convênios
aos médicos e a adoção da Classificação
Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) — tabela
que definiria preços de procedimentos e consultas em todo
o território nacional. O governo já declarou ser
favorável à definição de uma referência
para os preços cobrados pelos médicos, mas considera
injusto que o mesmo valor seja vigente em todas as cidades do
país, pois os pacientes de pequenas cidades não
teriam condições de desembolsar o mesmo que pacientes
das grandes capitais.
D´Avila acredita que os maiores culpados pela guerra declarada
no setor de saúde complementar são os planos de
saúde, que não fazem os devidos repasses aos profissionais. “Essas
empresas precisam entender que também dependem dos médicos,
pois, sem eles, não há como fazer a venda dos planos.
O que estamos pleiteando é um reajuste mínimo das
remunerações”, disse o presidente do CFM.
Levantamento realizado por entidades médicas aponta que,
entre 2003 e 2009, os planos de saúde registraram alta
de 129% no faturamento, enquanto o repasse por consultas subiu,
no mesmo período, 44%.
Insatistação
Como denunciou
o Correio, médicos vinham cobrando taxas
extras dos pacientes que buscavam atendimento por meio de planos
de saúde. Os R$ 60 desembolsados pelos pacientes seriam
para completar o valor que a categoria considera como remuneração
justa. Porém, a prática é condenada por
representantes do próprio CFM. “Nós orientamos
que os médicos não façam a cobrança
de qualquer taxa. Se o profissional aceitou prestar atendimentos
por determinado convênio e está insatisfeito, ele
deve pedir o descredenciamento e respeitar os prazos legais para
isso. Mas o paciente não pode ser punido por causa da
insatisfação do médico”, explicou
D´Avila. Apesar disso, nada impede que novas taxas abusivas
sejam cobradas do elo mais fraco na disputa, que é o consumidor.
Fim da espera
Outro problema
detectado pelo governo entre os conveniados a planos de saúde é a demora para a marcação
de consultas e de exames. A Agência Nacional de Saúde
Complementar (ANS) está estudando uma forma de fixar prazos
para atendimentos aos pacientes. Na avaliação do órgão
regulador, é inconcebível que o consumidor precise
aguardar meses para conseguir um serviço que está sendo
pago.
Saúde
Business Web
Hospitais
não poderão pedir cheque caução
Objetivo
da lei é garantir a saúde
do paciente e evitar que ele passe por constrangimento
A Assembleia
Legislativa de São Paulo aprovou, na quarta-feira,
um projeto de lei que proíbe hospitais e clínicas
médicas de pedirem cheque caução a pacientes
que precisam ser internados. O governador Geraldo Alckmin (PSDB)
tem 30 dias para avaliar a proposta e decidir se aprova ou veta.
As informações são do jornal Estado de S.
Paulo.
Quer ficar
por dentro sobre tudo o que acontece no setor de saúde? Assine gratuitamente a nossa newsletter diária
e receba os destaques em sua caixa de e-mail.
Hospitais
costumam exigir o caução para autorizar
a internação de pacientes que não possuem
plano de saúde ou não o pagam em dia. O objetivo
da lei, segundo o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), autor
do projeto, é garantir a saúde do paciente e evitar
que ele passe por constrangimento.
"Se entender que deve cobrar, o hospital pode fazer isso
depois. E, se o paciente não pagar, o hospital tem meios
de ir à Justiça para cobrar", afirma. "O
Código Civil proíbe negociação com
alguém que está em necessidade. E é o caso
dos hospitais", completa.
Segundo ele,
a prática é vetada pela Resolução
Normativa 44/2003, da Agência Nacional de Saúde
Suplementar e pelo Código de Defesa do Consumidor. De
acordo com o jornal, a Associação Nacional de Hospitais
Privados (Anahp) e a Associação dos Hospitais do
Estado não foram localizados. A assessoria de imprensa
da Anahp entrou em contato com o Saúde Business Web e
informou que enviará posicionamento em breve. A Associação
dos Hospitais do Estado não foi localizada.
Jornal Monitor Mercantil
Saúde suplementar apresenta expansão
A receita
das operadoras de saúde suplementar teve forte
expansão no primeiro trimestre do ano, com destaque para
os resultados da Bradesco, SulAmérica e Porto Seguro,
todos na casa de dois dígitos. A Bradesco Saúde,
com faturamento de R$ 1,7 bilhão, apresentou crescimento
de 54,7% nos três primeiros meses deste ano em relação
ao primeiro trimestre de 2010. A SulAmérica registrou
faturamento de R$ 1,4 bilhão no período, obtendo
evolução de 27,4% sobre o total apurado de janeiro
a março de 2010. A Porto Seguro Saúde avançou
25,9% na receita acumulada dos três primeiros meses do
ano sobre o mesmo período de 2010, elevando-a para R$
196,6 milhões.
Folha
de São
Paulo
Peso
de diárias em receita de hospital recua no país
Por Maria Crisitina Frias
A participação dos serviços de diárias
aos pacientes no faturamento dos hospitais privados brasileiros
recuou em relação ao resultado total das instituições
em 2010.
Subiu, por
outro lado, o peso relativo das receitas obtidas com a comercialização de insumos como medicamentos,
material e gases, usados em internações de alta
complexidade como UTIs.
O faturamento
dos maiores hospitais do país foi de R$
7,5 bilhões em 2010, segundo estudo que a Anahp divulga
na próxima semana.
Do total,
a participação das diárias e
taxas na composição de receitas caiu de 32% em
2006 para 27,5% no ano passado.
Os insumos,
que representavam 45% das receitas hospitalares em 2006, são hoje responsáveis
por 54%.
"Isso ocorre pois não tem havido reajuste adequado
das diárias e taxas hospitalares por parte das operadoras.
Ao mesmo tempo, o investimento em alta complexidade ganha espaço",
diz Henrique Salvador, presidente do conselho da entidade.
"É uma distorção. A principal função
do hospital é prestar serviço, não vender
material, medicamento e gás."
A alta no
faturamento veio acompanhada de queda no Ebitda (lucro antes
de juros,
impostos, depreciação e amortização,
em inglês).
"O Ebitda caiu porque os custos nesse modelo sobem. A alta
na receita com base nos insumos dá um controle menor sobre
os custos", diz.
Estado de Minas
Médicos
e a medicina suplementar
Por
José Luiz Gomes do Amaral / Florisval Meinão
Em 1988,
a nova Constituição brasileira caracterizou
o sistema de saúde do país, o SUS, definindo os
papéis dos setores público e privado, denominado
suplementar ou o dos planos de saúde. A regulação
da saúde suplementar se inicia, entretanto, 10 anos depois,
com as leis 9656/98 e 9961/2000, esta última, a que criou
a Agência Nacional de Saúde (ANS). Essas iniciativas,
contudo, não eliminaram insatisfações, nem
impediram a multiplicação de conflitos nessa área.
Nos mais
de 11 anos seguintes a ANS passou a cuidar das coberturas e
das garantias
financeiras das operadoras de planos de saúde.
As propostas da ANS voltadas para a regulamentação
passaram ao largo das relações entre médicos
e operadoras de planos de saúde. Ao verem coibidas as
práticas abusivas que aplicavam aos usuários, as
operadoras passaram a reduzir os custos por meio da interferência
na prática clínica, restringindo intervenções
diagnósticas e terapêuticas. As lacunas no processo
regulatório permitiram que, ano após ano, se ampliasse
o descompasso entre os reajustes aplicados aos beneficiários
e a remuneração dos médicos.
Na última década, a ANS tem autorizado reajustes
dos planos individuais, em média, 2% acima da inflação,
o que resulta em acúmulo de 20% no período. Os
planos coletivos (80% dos planos de saúde) são
objeto de negociação direta e todos foram reajustados
em valores substancialmente superiores aos concedidos aos individuais.
Tal majoração, porém, não foi considerada
com relação a eventuais reajustes na remuneração
médica.
Em 1996,
ao analisar diversos elementos que compõem o
custo da consulta, a Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas (FIPE) chegou ao valor de R$ 29. Se esse montante
fosse corrigido pela variação do salário
mínimo, deveria ser R$ 130. Caso fosse pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), seria R$
70. As poucas operadoras que reajustaram honorários médicos
dificilmente remuneram consultas acima de R$ 50. A situação é ainda
mais grave no que concerne aos procedimentos. As empresas têm
resistido a reajustar proporcionalmente os procedimentos médicos
e quando o fazem aplicam reajustes aos que são menos frequentes.
Assim, muitos médicos veem-se obrigados a limitar suas
atividades no sistema de saúde suplementar.
Para solucionar
tais graves distorções, a AMB
propôs a utilização da Classificação
Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM),
que reúne os procedimentos tecnicamente qualificados e
os hierarquiza, para trazer coerência e valorização
ao trabalho do médico. Foi criado recentemente, pela ANS,
um grupo de trabalho para buscar acordo entre operadoras e médicos.
Nessa instância, as empresas recusaram-se a adotar a CBHPM
e a considerar reajustes. Apesar da Resolução Normativa
71 da ANS exigir que contratos entre médicos e operadoras
incluam cláusulas tratando de critérios para reajuste
e periodicidade de sua aplicação, essas empresas
têm sistematicamente ignorado essa obrigação.
Assim, cresce a insatisfação e o movimento em busca
da regularização dos contratos se alastra pelo
país.
É urgente reajustar consultas e procedimentos dentro
de um processo de hierarquização que traga transparência à valorização
do trabalho médico. O reajuste tem de ser regulado por
contrato e balizado pela lógica de hierarquização
incorporada na CBHPM. A ANS deve atuar como facilitadora desse
processo. Quando não for possível, deve participar
ativamente do acordo com as empresas. Mais do que uma prerrogativa
da ANS, essa é uma obrigação que a sociedade
espera ver cumprida.
O Globo
Política
para o envelhecimento ativo
Por Martha Oliveira
Oprocesso
de envelhecimento populacional é fenômeno
mundial. No Brasil, porém, vem acontecendo de forma mais
acelerada. A expectativa de vida ao nascer, no país, vem
aumentando ao longo das últimas décadas: em 1990
era de 67 anos, em 2009 passou para 73 anos (10% da população)
e, segundo projeções, será de 81 anos em
2050 (29% da população). Além disso, com
a diminuição da fecundidade e da mortalidade no
país, há aumento da participação
de pessoas idosas na pirâmide populacional.
No âmbito dos planos privados de saúde, essa mudança
ocorre com intensidade semelhante: entre 2000 e 2009 verificou-se
aumento de 4,6% na participação percentual de beneficiários
idosos. Em 2009, cerca de 11% do total de beneficiários
pertenciam a esta faixa etária.
O envelhecimento é um processo contínuo ao longo
da vida, encerrando apenas com a morte. Os avanços sociais,
econômicos, tecnológicos, farmacêuticos e
de atenção à saúde já alcançados
possibilitam que um número cada vez maior de indivíduos
alcance idades cada vez mais avançadas. Trata-se, claro,
de excelente notícia para brasileiros e brasileiras.
Para o sistema
de saúde, no entanto, essa nova dinâmica
demográfica tem reflexos sobre as demandas assistenciais
e sobre a viabilidade dos atuais mecanismos de financiamento
do próprio sistema.
Considerando
este cenário, são necessárias
políticas regulatórias tanto para a assistência
aos idosos de hoje, como para a promoção da saúde
das pessoas que serão idosas amanhã. Com este objetivo
e em consonância com as políticas públicas
do Ministério da Saúde, a Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS) desenvolveu um grupo técnico
para discutir a questão do envelhecimento ativo no âmbito
da saúde suplementar. Participam dele representantes de
operadoras de planos de saúde, de órgãos
de defesa do consumidor e de outras entidades representativas
do setor.
Este grupo
de trabalho busca rever antigos conceitos que fazem com que
operadoras
encarem os idosos como um problema. É necessária
a condução de políticas regulatórias
de incentivo à atenção e cuidado com a saúde,
capazes de inverter a lógica do atual sistema, pautado
pelo ciclo de tratamento da doença e não da saúde.
Para isso foi apresentada a proposta de Resolução
Normativa (RN) que trata da criação de incentivos
para programas de promoção do envelhecimento ativo
no âmbito da saúde suplementar. O objetivo é facilitar
a adesão dos beneficiários a programas de envelhecimento
ativo e estimular as operadoras a adotarem esta perspectiva de
cuidados dos beneficiários, inclusive com a alternativa
de bonificação nas mensalidades dos usuários
que aderirem aos programas de saúde, como um primeiro
passo para o enfrentamento do envelhecimento da população
brasileira.
Programas
voltados para o envelhecimento ativo envolvem ações
tanto para a prevenção quanto para o acesso a cuidados
primários de saúde que visam a detectar e gerenciar
precocemente as doenças crônicas que, associadas à idade
avançada, são responsáveis pela maior parte
das perdas da capacidade funcional dos indivíduos. Em
sua maioria, estas doenças são passíveis
de prevenção com base nos cuidados primários
de saúde ao longo da vida.
O conceito
de envelhecimento ativo é válido para
o entendimento do envelhecimento individual e da sociedade de
forma geral. A promoção da saúde ao longo
do curso da vida é o principal pilar para inserção
e participação dos indivíduos nas sociedades,
pois ao mesmo tempo engloba ações de incentivo à adoção
de hábitos saudáveis e ações voltadas
para assegurar proteção aos indivíduos em
condição de maior vulnerabilidade. Importante também é diferenciar
o gerenciamento do estado de saúde de beneficiários
com doenças crônicas do gerenciamento da promoção
do envelhecimento ativo. Este último é mais amplo
e tem a prevenção de doenças crônicas
como um dos seus diversos objetivos.
Saúde
Business Web
Diálogo
entre hospitais e operadoras
Por Maria Carolina Buriti
Relacionamento
começa antes da discussão
sobre modelo de pagamento
Primeiro
encontro "Colóquios de Saúde" abre
diálogo entre hospitais e operadoras
A aproximação dos diferentes agentes e a compreensão
do papel de cada um foram expostos como etapa precedente à discussão
sobre os modelos de pagamento. Esse foi um dos pontos abordados
no primeiro encontro do "Colóquios de Saúde",
série de quatro reuniões organizados pela IT Mídia,
com objetivo de abrir o diálogo entre os elos da cadeia
de saúde.
Conduzidos
pelo filósofo e professor da Fundação
Dom Cabral e PUC- SP, Mario Sergio Cortella, cerca de 30 executivos
conversaram, questionaram e discutiram sobre as questões
conflituosas que permeiam o relacionamento entre hospitais e
operadoras- primeiro tema da série de Colóquios.
Entre os assuntos abordados estão a legislação
do setor, a auditoria, custos, gestão e modelos de pagamento.
O presidente
da Associação Brasileira de Medicina
de Grupo (Abramge), Arlindo Lopes, um dos dialogadores do encontro,
lembrou da prática da verticalização adotada
pelas operadoras como forma de diminuir os custos. "A verticalização
ocorreu em vários ramos e os hospitais não estão
conseguindo oferecer preços razoáveis e por isso
começam a verticalizar", pontuou.
Também presente entre os dialogadores, o presidente da
Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp)
e diretor do Mater Dei, Henrique Salvador, enfatizou a importância
de abordar esse relacionamento mencionando dados da Organização
Mundial da Saúde, onde 56% dos gastos da saúde
do Brasil são provenientes do setor privado.
"Eu acho que as pessoas à frente desse processo
deveriam lidar com as questões de maneira mais construtiva
e não de forma destrutiva", colocou o executivo sobre
a reção de prestadores de serviço e a operadora.
Sérgio Bento, superintendente do Hospital Samaritano,
falou do custo da "confiança" no relacionamento,
que muitas vezes são refletidos no custo da auditoria.
O executivo também enfatizou a criação da
Agência Nacional da Saúde Suplementar. " A
agência entrou (no setor) porque somos incapazes de nos
resolver na saúde suplementar".
Essa é uma opinião compartilhada pela superintendente
de provimento de saúde da Unimed-BH, Mônica Castro. "A
ANS foi positiva para quem trabalha sério no setor",
afirmou. A executiva também enfatizou a não sustentabilidade
do modelo fee for service, modelo de pagamento adotado no Brasil.
Os planos
de saúde também foram representados
pelo diretor da Amil, Paulo Marcos Souza. O executivo lembrou
a curta trajetória da saúde suplementar brasileira
. "O setor é muito recente são apenas 40 anos",
o executivo ainda enfatizou a importância da transparência
nos números "Tem operadora e hospital que sentam
na mesa de negociação e não têm números",
disse, sobre a capacidade de sustentabilidade de hospitais e
planos de saúde.
Saúde
Business Forum
O convite
e o compromisso de reunir os diferentes elos da cadeia de saúde para dialogar sobre os principais conflitos e
desafios do setor foram feitas pela IT Mídia no Saúde
Business Forum 2010.
Como andamento
desta iniciativa nasceram os "Colóquios
da Saúde", série de quatro encontros reunindo
executivos e pensadores da saúde brasileira para propor
o diálogo e entendimento entre os agentes. A proposta é documentar
os debates e apresentá-los como protocolos com diretrizes
e orientações sobre melhores práticas no
setor de saúde.
Todos os
encontros serão conduzidos pelo professor Mario
Sergio Cortella e realizados pela IT Mídia, que se coloca
como uma facilitadora do debate. O último encontro, o
fechamento do ciclo de debates e a apresentação
dos protocolos ocorrerão no Saúde Business Forum
2011.
CFM
A
autonomia dos médicos
e o Cade
Por
José Hiran
da Silva Gallo
A Autonomia é um dos pilares da Bioética, termo
criado pelo Dr. Van Potter na década de 70, que acabou
por se tornar uma disciplina na grade curricular dos cursos de
Medicina. Para John Mill, ”sobre seu corpo, sobre sua mente,
todo indivíduo é soberano”. Contudo, entendemos
que a Autonomia de cada um tem limites que são estabelecidos
pelo “outro”, o que resulta em uma perspectiva que
alia a ação individual ao componente social.
Em 7 de abril
de 2011, os médicos de todo o país
suspenderam por 24 horas o atendimento aos usuários dos
planos de Saúde. Foi a saída encontrada pelos profissionais
para chamar a atenção da sociedade para a desvalorização
da Medicina adotada por parte das empresas de saúde suplementar.
O desrespeito
das operadoras de planos e seguros afronta a dignidade dos
profissionais
da Medicina. De um lado, há a interferência
na autonomia dos médicos; do outro, persistem os honorários
defasados, irrisórios, vergonhosos à espera de
sua revisão urgente. Afinal, são anos de formação
e uma tarefa árdua gratificada com valores, por vezes,
irrisórios diante da responsabilidade que lhe é exigida.
O movimento
dos médicos agiu durante todo o processo
que culminou com a vitoriosa manifestação de 7
de abril de forma responsável e atento às exigências
da lei. Foram vários meses de tentativa de negociação
e de abertura de diálogo junto às operadoras. Tudo
para preservar a sociedade de prejuízos ou transtornos.
Inclusive, medidas de contingência foram adotadas, como
a manutenção dos atendimentos nas urgências
e emergências dos planos de saúde que intermediam
a relação dos médicos com os usuários
do plano e o reagendamento de consultas desmarcadas.
Mas tanto
respeito e cautela não foram suficientes para
a Secretaria de Direito Econômico. Este órgão
agiu de forma arbitrária e encaminhou ao Conselho Nacional
de Direito Econômico (Cade) um pedido de condenação
do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação
Médica Brasileira (AMB) e da Federação Nacional
dos Médicos (Fenam) por expressarem seu apoio a um movimento
pacífico, justo e legítimo.
Caso essas
entidades insistam em apoiar o movimento dos médicos
pelo devido reajuste de seus honorários e pelo fim da
interferência dos convênios na autonomia dos profissionais
a multa será pesada: R$ 50 mil por dia. Mas o silêncio
não tem preço quando o assunto é justiça
e cidadania, assim pensam os conselhos de medicina de todo o
país.
O movimento
dos médicos foi vítima de uma atitude
retaliatória e ditatorial decorrente de um quadro de crise
crescente, mas que poderia ter sido evitado na origem pela Agência
Nacional de Saúde (ANS). Esta entidade deveria cumprir
seu papel com isenção e imparcialidade, garantindo
uma relação saudável as três pontas
do tripé da saúde suplementar: operadoras, médicos
e usuários.
Contudo,
essa ação preventiva não é feita
por razões desconhecidas, ou não. O fato de dirigentes
de um órgão possuir sólidas raízes
fincadas no setor privado, inclusive com relações
históricas e funcionais vinculadas diretamente a conhecidas
operadoras em atividade não seria um sinal claro, evidente,
inequívoco de conflito de interesses? Ou não? Enfim,
dormiremos com o incômodo da dúvida e da suspeita.
Além disso, a SDE – com sua ação
anacrônica, em completo descompasso com a modernidade e
a democracia do Estado brasileiro atual – nos faz regredir
aos tempos obscuros da ditadura. Seu ato nos parece digno de
um regime de exceção, no qual a autonomia do cidadão,
do trabalhador, é reduzida a pó pela vontade de
políticos e de outros interesses que não os públicos.
Policiais,
bombeiros, servidores, metalúrgicos, enfim,
todos têm o direito constitucional de manifestação
por meio de movimentos de classe que, em determinadas situações
podem optar por greves ou paralisações. Os médicos
também têm os mesmos direitos, inclusive o de se
descredenciarem de planos de saúde mais preocupados com
lucros estratosféricos que com a saúde da população
e a qualidade da assistência oferecida aos seus usuários.
Nosso movimento e nossas entidades não são cartel
e, portanto, não merecem ser tratadas como tal.
Asseguramos à sociedade e aos médicos brasileiros:
o CFM e os CRMs não se curvarão a essa decisão
arbitrária e responderão à altura – pelos
meios legais – à agressão gratuita sofrida,
honrando, assim, seus compromissos e competências legais
em prol da Medicina. Estaremos firmes, junto aos pacientes, contrários à exploração
aviltante do trabalho, cujo desfecho é de difícil
previsibilidade, mas prontos à apresentar todos os argumentos
contra a ditadura da burocracia e a ação nefasta
de privação da liberdade.
Quinta-feira, 19.05.2011
Agência
Estado
Hospitais
não poderão pedir cheque caução
Assembleia
Legislativa de São Paulo aprova projeto de
lei que tem como objetivo evitar que o paciente passe por constrangimento
A Assembleia
Legislativa de São Paulo aprovou ontem um
projeto de lei que proíbe hospitais e clínicas
médicas de pedirem cheque caução a pacientes
que precisam ser internados. O governador Geraldo Alckmin (PSDB)
tem 30 dias para avaliar a proposta e decidir se aprova ou veta.
Hospitais
costumam exigir o caução para autorizar
a internação de pacientes que não possuem
plano de saúde ou não o pagam em dia. O objetivo
da lei, segundo o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), autor
do projeto, é garantir a saúde do paciente e evitar
que ele passe por constrangimento.
“Se entender que deve cobrar, o hospital pode fazer isso
depois. E, se o paciente não pagar, o hospital tem meios
de ir à Justiça para cobrar”, afirma. “O
Código Civil proíbe negociação com
alguém que está em necessidade. E é o caso
dos hospitais”, completa.
Segundo ele,
a prática é vetada pela Resolução
Normativa 44/2003, da Agência Nacional de Saúde
Suplementar e pelo Código de Defesa do Consumidor. A Associação
Nacional de Hospitais Privados e a Associação dos
Hospitais do Estado não foram localizados. As informações
são do jornal O Estado de São Paulo.
AGENDA
- 16º Congresso Abramge e 7º Congresso
Sinog
Abramge / AssPreviSite
Sistema Abramge
promove Congressos sobre Tecnologia e Sustentabilidade na Saúde
Suplementar
O diretor-presidente
da ANS será sabatinado durante os
Congressos que reunirão os principais parceiros do Sistema
A tecnologia
ganha espaço cada vez maior em várias áreas.
E na saúde suplementar não é diferente.
Novas vacinas, novos remédios e equipamentos sofisticados
auxiliam os profissionais de saúde. No entanto, como aplicar
as tecnologias de ponta sem perder a sustentabilidade do negócio?
O Sistema Abramge, atento ao mercado, realiza nos dias 18 e 19
de agosto, em São Paulo, capital, os 16º Congresso
Abramge e 7º Congresso Sinog. O tema central dos eventos é "Tecnologia
na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento
Sustentável".
Para falar
sobre o atual estágio e as perspectivas tecnológicas
do Brasil a Conferência Magna será feita pelo jornalista
Ethevaldo Siqueira, comentarista da Rádio CBN e articulista
do jornal O Estado de S. Paulo.
No primeiro
dia de eventos, José Sant'Anna Bevilaqua,
coordenador de Tecnologia do Censo Demográfico do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), falará sobre
a nova ferramenta do órgão para a realização
do Censo 2010. Na parte da tarde o talk show "Qualidade
como Fator de Sustentabilidade" abordará a Visão
das Operadoras, dos Prestadores e da Acreditadora sobre o tema.
As palestras serão ministradas, respectivamente, por Fábio
Leite Gastal, superintendente médico assistencial do Hospital
Mãe de Deus - Sistema de Saúde Mãe de Deus;
Martha Sevedra, diretora do Hospital Barra D'Or Brasil; e Rubens
Covello, presidente do Instituto Qualisa de Gestão (IQG).
Para fechar
o dia, Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atual
superintendente corporativo do Hospital Sírio Libanês,
fala sobre "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento
para o Desenvolvimento Sustentável do Sistema".
No segundo
dia, será abordado o tema "Gestão
Assistencial". Em foco, o "Gerenciamento de Doenças" e "Avanço
Tecnológico na Gestão de Saúde". Apresentarão
estes temas, respectivamente, Ana Cláudia Assis Pinto,
líder da Prática de Gestão Estratégica
de Saúde da Marsh Gestão de Benefícios;
e John H. Harris III, CEO de Qualidade de Vida e vice-presidente
de Inovações da Healthways International.
O talk show
sobre Tecnologia para Pequenas e Médias Operadoras
encerra o período da manhã. O assunto será ministrado
por Luiz Antonio De Biase Nogueira, representante da Abramge
no Comitê de Padronização das Informações
em Saúde Suplementar (COPPIS), que falará sobre "Tecnologia
da Informação na Gestão da Saúde" e
Lincoln de Moura Assis Junior, diretor-presidente da Zilics,
com foco no "Acesso para Pequenas e Médias Operadoras".
Para finalizar
os Congressos, Maurício Ceschin, diretor-presidente
da ANS, será sabatinado em uma "Roda Viva" com
a participação de líderes dos vários
segmentos do setor.
Confira a
programação completa e os descontos
oferecidos nas inscrições dos eventos, clicando
no link:
http://www.abramge.com.br/mailling/Redirect.aspx?3132|||333229|||www.abramge.com.br/16congresso.htm
- Negociação dos Serviços de Saúde
Unidas / AssPreviSite
16 e 17 de junho de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Preparar
profissionais de negociação no mercado
de saúde para atuarem com consciência de seu papel
e sua importância enquanto agentes do processo negocial;
Apresentar noções básicas da negociação
em geral e seus conceitos, princípios e elementos; Apresentar
o processo de negociação em seus aspectos subjetivos
e formais; Apresentar o mercado de saúde, suas características,
seus atores e forças que nele atuam; Identificar vantagens
e dificuldades na negociação multilateral;
Identificar
vantagens e dificuldades na negociação
com paralisação dos serviços; Esclarecer
a participação da ANS, do Poder Judiciário,
Ministério Público, PROCON e CADE no processo de
negociação dos serviços de saúde.
Instrutor
Dr. Natanael Dantas Soares
Público
Alvo
Gestores
de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e
profissionais de todas as áreas, que atuam no Mercado
de Saúde.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
- Sistemas de Informação para Gestão da
Saúde
Unidas / AssPreviSite
02 e 03 de junho de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Conhecer
os fundamentos dos Sistemas de Informação
em Saúde e entender a sua aplicação à gestão
de Sistemas de Saúde. Conhecer o processo de construção
do Prontuário Eletrônico do Paciente e analisar
seu uso na Assistência e na Gestão.
Conhecer
os padrões para representar e transmitir a informação
em saúde. Impactos da implantação do TISS – Troca
de Informação em Saúde Suplementar. Conhecer
a Comissão de Estudo Especial Temporária Informática
em Saúde da ABNT e o HL7 Brasil. Conhecer o projeto de
informatização da Secretaria Municipal de Saúde
de São Paulo e a integração com laboratórios
clínicos. Conhecer a legislação sobre privacidade
e confidencialidade da informação em saúde.
Conhecer a questão dos usos da informação
para a gestão e qualidade em saúde; discutir o
cenário nacional de avaliação em saúde
suplementar e comparar com o cenário internacional. Conhecer
as tendências de disseminação da informação
em saúde. Apresentar os conceitos de software livre e
sua importância para área da saúde.
Instrutor
DRA. BEATRIZ
DE FARIA LEÃO
Público
Alvo
Gestores
de Operadoras de Planos de Saúde, Executivos
da área de Informática, Profissionais de Informática
em Saúde e responsáveis pelo desenvolvimento de
Sistemas de Informação em Saúde.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
- II Jornada Hospitalar Home Care de Gestão em Saúde
AssPreviSite
No dia 26
de maio, acontece em Porto Alegre (RS) a II Jornada Hospitalar
Home
Care de Gestão em Saúde, com o
foco no atendimento domiciliar de pacientes com doenças
neurodegenerativas e de pacientes pediátricos.
Uma das doenças neurodegenerativas em debate será a
esclerose lateral amiotrófica, mais conhecido por sua
sigla ELA, a mesma patologia do famoso físico Stephen
Hawking. A ELA, pouco conhecida mundialmente, é também
misteriosa para a própria classe médica e ainda
tem sua causa ignorada.
Os que possuem
a doença passam por fases crescentes de
debilidade motora, conforme o sistema nervoso começa a
falhar. Esse tipo de esclerose paralisa o corpo aos poucos até levar
a morte. O que torna esta enfermidade crônica ainda mais
cruel é que a cognição do indivíduo
costuma permanecer sadia. Avassaladora, a doença geralmente
leva o paciente a óbito em, no máximo, seis anos.
Hawking, que convive com a patologia há mais de 40 anos, é um
caso atípico.
Experiência argentina - Outro destaque do evento é a
participação de Enrique Laffaire, médico
intensivista, professor, pesquisador e diretor da conceituada
empresa argentina En Casa Internación Domiciliaria. O
especialista mostrará a situação do atendimento
domiciliar em saúde no país vizinho durante a conferência
de abertura. Posteriormente, tratará também das
doenças degenerativas.
No turno
da tarde, a Jornada abordará temas ligados ao
atendimento domiciliar pediátrico, com a participação
de especialistas gaúchos e da região Sudeste.
O evento
acontece no Anfiteatro Schwester Hilda Sturm do Hospital Moinhos
de
Vento, na capital gaúcha.
A programação
completa pode ser conferida no site http://www.gweventos.com.br/hospitalar
- ClasSaúde 2011
Evento acontece
na cidade de São Paulo, SP.
"Saúde e os Desafios Econômicos, Humanos e
Ambientais" é o tema central dos seis congressos
que compõem o ClasSaúde 2011, evento oficial da
Hospitalar 2011 que acontece de 24 a 27 de maio, no Expo Center
Norte, em São Paulo.
Promovido
pela Confederação Nacional de Saúde
(CNS), Federação Nacional dos Estabelecimentos
de Serviços de Saúde (Fenaess), Sindicato dos Hospitais,
Clínicas e Laboratórios do Estado de São
Paulo (SINDHOSP) e HOSPITALAR Feira + Fórum, o ClasSaúde
já se consolidou como palco das principais discussões
que norteiam o setor.
Integram
o ClasSaúde 2011 os seguintes eventos: 16º Congresso
Latino-Americano de Serviços de Saúde; o 6º Congresso
Brasileiro de Gestão em Clínicas de Serviços
de Saúde; 5º Congresso Brasileiro de Gestão
em Laboratórios Clínicos (evento realizado em conjunto
com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina
Laboratorial - SBPC/ML); 4º Congresso Brasileiro de Tecnologias
da Informação e Comunicação em Saúde;
2º Congresso Brasileiro de Aspectos Legais para Gestores
e Advogados da Saúde; e 2º Congresso de Gestão
e Políticas em Saúde Mental.
O Congresso
Latino-Americano é o evento internacional
do ClasSaúde e está dividido em três módulos:
Sistema de Saúde Público-Privado, Saúde
Suplementar e Capacitação Profissional. "Esse
ano a questão ambiental entra em discussão.
O site do
ClasSaúde (http://www.classaude.com.br/)
estará no
ar no início de março e trará os programas
dos eventos, composição das comissões científicas,
valores das inscrições, pacotes de viagem, notícias
e demais informações sobre os eventos. As inscrições
também estarão abertas no mesmo período,
com desconto para associados da CNS, Fenaess, SINDHOSP e SBPC/ML
(estes últimos apenas para o Congresso de Laboratórios
Clínicos).
Data: De 25 a 28 de maio de 2011
Local: Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – São
Paulo, SP
Mais informações: http://www.classaude.com.br/
- Unidas: Regulação, análise e
auditoria
Unidas / AssPreviSite
Auditoria
e Análise de Contas Médico-Hospitalares
e Controles em Sistemas de Saúde
26 e 27 de maio de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Promover
o aprimoramento do profissional atuante no sistema de saúde com ênfase na regulação,
análise e auditoria de prestação de serviços,
através da introdução de conhecimento técnico
e metodologias para os processos de controle, focando: Perspectivas
e Tendências do Mercado de Saúde; Regulação
e auditoria no sistema suplementar; Composição
da conta médico-hospitalar: diárias, taxas, materiais
e medicamentos, honorários médicos e tabelas adotadas;
Avaliação de procedimentos de diagnose e terapia
e utilização de tecnologia; Rediscussão
de Modelos Assistenciais vigentes e alternativas à assistência
hospitalar (cuidados domiciliares, atendimento pré-hospitalar,
monitoramentos entre outros).
Instrutor
DRA. MIYUKI GOTO
Público
Alvo
Profissionais
que atuam na área de: Análise de
contas médico-hospitalares; Atendimento e negociação
com os prestadores de serviços; Auditoria externa, visita
hospitalar e fechamento de pré fatura hospitalar; Atendimento
aos usuários do sistema de saúde, autorização
prévia, liberação de guias e senhas; Gestão
e controles de planos de saúde.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br