22-08-11

 

Leia nesta edição:

- Audiência discutirá regulamentação da Emenda 29 Novas regras para a saúde

- Novas regras para a saúde

- Cuidado, cada caso é um caso

- Lotado, hospital corta atendimento a pacientes do SUS

- SUS amplia internação domiciliar

- O que está em jogo na Saúde

- Programa de aids terá remédio para criança

- Pesquisa alerta para falta de diagnóstico de viroses

- A luta contra as doenças crônicas

- Respiração sem ajuda

- Divulgação de serviços prestados

- Proteção contra o Alzheimer

- Descomplicando a cirurgia

- Autonomia é importante

- Ações judiciais têm remédio?

- Consumidor troca frutas e verduras por comida industrializada 'funcional'

- Cirurgia cardíaca menos invasiva é desenvolvida em SP

- Cardiologistas vão contestar proibição de selos em produtos

- EUA aprovam nova droga para tratar linfoma de Hodgkin

Segunda-feira, 22.08.11

Agência Câmara de Notícias

Audiência discutirá regulamentação da Emenda 29

A regulamentação da Emenda Constitucional 29, de 2000, será discutida em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família nesta quarta-feira. O debate foi proposto pelos deputados Darcisio Perondi (PMDB-RS) e Amauri Teixeira (PT-BA).

A votação da regulamentação foi prevista para 19 de outubro no calendário apresentado aos líderes partidários pelo presidente da Câmara, Marco Maia, no último dia 10. O calendário prevê uma série de reuniões com os governadores para discutir a proposta, que aumenta os gastos dos estados com saúde.

A votação estava prevista para agosto, mas foi adiada em razão da crise financeira internacional e da incerteza sobre seus reflexos na economia brasileira. O DEM não aceita o adiamento e desde então vem obstruindo a pauta de votações do Plenário.

Emenda 29

A Emenda 29 fixa os percentuais mínimos a serem gastos na saúde por estados, municípios e União. A regulamentação tramita sob a forma do Projeto de Lei Complementar (PLP) 306/08, do Senado. O texto principal da proposta foi aprovado pelo Plenário em 2008, mas a votação não foi concluída. Por falta de acordo, a proposta está parada no Plenário desde então.

De acordo com o texto aprovado, o governo federal destinará à área de saúde o valor empenhado no ano anterior, acrescido da variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Se houver revisão posterior para cima no cálculo do PIB, créditos adicionais deverão ser abertos para ajustar o total. No caso de revisão para baixo, o valor mínimo nominal não poderá ser reduzido.

Os estados deverão aplicar 12% da receita corrente bruta, e os municípios, 15%. O Distrito Federal deverá aplicar 12% ou 15%, conforme a receita seja originária de um imposto de base estadual ou municipal.

Foram convidados para o debate representantes das seguintes entidades:

- Conselho Federal de Enfermagem;

- Sociedade Brasileira de Análises Clínicas;

- Associação Brasileira de Enfermagem;

- Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas;

- Fundação Oswaldo Cruz;

- Associação Brasileira de Hospitais Universitários e de Ensino;

- Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva;

- Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde;

- Conselho Nacional de Secretários de Saúde;

- Centro Brasileiro de Estudos da Saúde;

- Fundação Getúlio Vargas;

- Conselho Federal de Medicina;

- Conselho Nacional de Saúde;

- Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal;

- Organização das Cooperativas Brasileiras;

- Federação Nacional dos Médicos;

- Federação Brasileira de Hospitais;

- Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios;

- Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa;

- Associação Médica Brasileira;

- Conselho Federal de Odontologia;

- Associação Brasileira de Medicina de Grupo.A reunião será realizada às 9h30, no Plenário 7.

Íntegra da proposta:

PLP-306/2008

Época

Novas regras para a saúde

Entenda as mudanças dos planos e as opções oferecidas aos clientes

Por Flávia Yuri. Com Margarida Telles

O advogado aposentado Ferdinando Grillo, de 81 anos, integra o contingente de 9 milhões de pessoas que têm planos de saúde antigos, contratados antes de janeiro de 1999, que não seguem as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Nesses planos, quem decide quais procedimentos são cobertos, as datas de reajuste e o valor a ser corrigido é a própria seguradora, sem interferência do governo. A partir deste mês, Ferdinando Grillo e todos os brasileiros nessa situação têm uma escolha a fazer – eles podem ficar com seu plano, atualizá-lo ou contratar outro, inteiramente novo. Para quem tem plano de saúde recente, também há várias novidades.

A ANS aprovou uma lei para adequar os planos de saúde criados até dezembro de 1998 às regras da agência. Na prática, isso significa que agora o cliente tem opção de pedir para incluir seu contrato às regras atuais de cobertura e de reajuste de preço controladas pela agência. Há três situações possíveis: manter o plano, atualizá-lo ou migrar para um novo produto. Cada uma delas pode ter impacto diferente no bolso no fim do mês. A seguradora tem a obrigação de esclarecer o que cada uma delas contempla e o custo disso (leia o quadro abaixo). Grillo ainda não escolheu. “Quero mudar de plano há muito tempo”, diz. “Mas vou fazer 82 anos. Não posso ter carência, e os preços para minha faixa etária são muito abusivos.”

Quando o cliente resolve atualizar o plano de saúde, ele passa a contar com a cobertura de toda a lista de procedimentos estabelecidos como obrigatórios pela ANS. Além disso, seu contrato com a seguradora passa a ser reajustado de acordo com o índice estabelecido pelo governo. E fica proibido o aumento de preços de planos por idade a partir dos 59 anos. Mas isso não quer dizer que a melhor opção seja necessariamente a atualização ou a migração. O usuário que tem um plano de saúde antigo com cobertura ampla, bons preços e previsão de reajustes adequada pode ficar com ele. A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Juliana Ferreira, diz que tanto em planos novos quanto em antigos o consumidor deve pedir esclarecimentos sobre qualquer reajuste e mudança de cobertura. “Quando o governo proibiu aumentos a partir de 59 anos, os planos de saúde passaram a cobrar taxas extras de pessoas de 40, 45 anos. Isso não está proibido, mas é abusivo e deve ser contestado.” As reclamações contra abusos desse setor encabeçam a lista de denúncias do Idec há 11 anos. Para quem tem interesse em mudar de plano de saúde, há uma ferramenta no site da ANS (www.ans.gov.br) que mostra planos similares em várias empresas.

Junto com a lei de atualização, a ANS divulgou a lista de procedimentos que passam a ser de atendimento obrigatório de qualquer plano de saúde a partir de janeiro de 2012. A nova lista tem 66 itens. As cirurgias por técnica de videolaparoscopia respondem por 41 deles. E há novos tratamentos, exames, consultas e até normas para a cobertura de taxa para acompanhantes em internações. As seguradoras devem incorporar esses procedimentos sem cobrança extra para o cliente. A ANS fará a medição de quanto as novas medidas oneram as seguradoras no período de um ano. Se for o caso, o reajuste será incorporado à taxa anual do ano seguinte. Até o fim de 2012, o bolso do usuário está a salvo de qualquer reajuste extra.

Novos tratamentos

Os planos de saúde têm de dar cobertura a 66 novos procedimentos, de cirurgias a tratamentos de prevenção, a partir de janeiro de 2012

Cirurgias

Ao todo, foram incluídas 41 novas cirurgias de videolaparoscopia, técnica que usa microcâmeras e por isso é menos invasiva do que as convencionais, evitando que o cirurgião tenha de fazer cortes extensos. A lista de novas cirurgias inclui redução de estômago (bariátrica) por colocação de banda gástrica ajustável

Exames

São 13 novos exames, incluindo alguns mais sofisticados, como a análise molecular de DNA do gene EGFR (para tumores no pulmão), do gene K-RAS (para cólon de intestino grosso) e do gene HER-2 (para detecção de tumores na mama)

Prevenção

O número de consultas a nutricionistas subiu de seis para 12 anuais; no caso de diabéticos, 18. Consultas para terapias ocupacionais também entraram na relação de cobertura obrigatória

Novos tratamentos

Os planos passam a cobrir tratamentos feitos com medicamentos especiais (terapias imunobiológicas endovenosas), se o tratamento convencional não surtir efeito. Eles poderão ser adotados para as seguintes doenças: artrite reumatoide, artrite psoriática, espondilite anquilosante e doença de Crohn

Novas tecnologias

Destaque para tratamento ocular quimioterápico com injeções no olho afetado (técnica de intravítrea) e para um exame mais acurado do sistema circulatório, a angiotomografia de coronárias. Ele possibilita o estudo em 3D do coração e das coronárias

Fonte: Florisval Meinão, vice-presidente da Associação Paulista de Medicina

O Estado de São Paulo

Cuidado, cada caso é um caso

Regras da ANS permitem aos consumidores de planos de saúde antigos migrarem para outros mais novos, mas é preciso analisar se isso vale mesmo a pena

Antonio Penteado Mendonça, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, Presidente da Academia Paulista de Letras e comentarista da Rádio “Estadão ESPN”

Recentemente, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) baixou regras para permitir aos titulares de planos de saúde anteriores a janeiro de 1999 mudarem para planos de acordo com a Lei 9656/98.

A mudança do plano antigo para outro plano não é obrigatória e as regras permitem duas alternativas: a adaptação do plano antigo às regras da Lei dos Planos de Saúde Privados, com a inclusão de procedimentos originalmente excluídos, ou a migração para um plano completamente novo, pelo preço de mercado na data da migração.

As mudanças só podem ser feitas dentro de planos administrados pela operadora do plano anterior. Ou seja, não se trata da aplicação das regras da portabilidade, também recentemente introduzidas pela ANS. E elas só podem ser feitas uma vez, não sendo permitido o retorno para a situação anterior, em função de arrependimento com as novas regras pactuadas.

Como cada caso é um caso, as alternativas oferecidas podem ser interessantes ou não. Vai depender de cada plano e das necessidades de cada titular.

Os planos de saúde anteriores a janeiro de 1999 apresentam enormes diferenças de cobertura e elas precisam ser consideradas. Em primeiro lugar, eles não são necessariamente ruins, nem sangram seus titulares, não dando atendimento quando necessário. Alguns destes planos estão entre os melhores e mais abrangentes oferecidos pelo mercado. Outros, não. Num universo onde o diferencial era um atendimento melhor do que o oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), tem de tudo. Planos para o chamado "chão de fábrica", planos caros, planos com grande hotelaria, mas com poucas coberturas, planos abrangentes, com livre escolha, com rede própria ou com rede credenciada, etc.

No fim dos anos 1970 os planos de saúde privados eram o sonho de consumo da classe média. E eram oferecidos pelas assistências médicas, Unimeds e seguradoras. Naquela época, as diferenças entre eles eram nítidas. As assistências médicas operavam com redes próprias, as Unimeds por meio dos médicos cooperados e as seguradoras, em sistema de reembolso.

Plano universal

Como os planos de saúde privados até 1998 não tinham uma regulamentação específica, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) desenvolveu um plano de seguro saúde obrigatório para as seguradoras. Chamado de "Plano Universal", com cobertura praticamente igual à do SUS, as seguradoras eram obrigadas a apresentá-lo aos clientes, pelo preço que achasse conveniente, dando comoalternativa, caso o desejasse, planos menos completos e, consequentemente, com preços menores.

Na década de 1990, por conta da concorrência no setor, o Plano Universal da Susep, ainda que, na prática, tenha sido muito pouco comercializado, foi um instrumento importante para formatar a maioria dos planos de saúde privados, levando em conta as necessidades e a capacidade de pagamento da sociedade brasileira, das pessoas física e jurídica.

Todavia, após um longo sono nas gavetas do Congresso Nacional, quando a Lei dos Planos de Saúde foi desengavetada, a ideia foi deixada de lado.

Se o Plano Universal da Susep tivesse servido de base para desenvolver os conceitos de cobertura e atendimento, com certeza a realidade atual seria muito mais favorável ao consumidor, que teria planos compatíveis com seus riscos e sua capacidade de pagar, além do que as operadoras não correriam o risco de se transformarem em bombas relógio, como ainda pode acontecer.

Mal entrou em vigor, a Lei dos Planos de Saúde Privados foi modificada em mais de 90% de seu texto por uma Medida Provisória baixada no dia seguinte à sua aprovação e por várias outras ao longo dos meses. O resultado da lei mal elaborada é uma série de boas intenções que engessam os planos, que por isso nem sempre levam em conta a realidade nacional.

Como existem planos anteriores a 1999 que são muito bons, a decisão de sair de um plano antigo deve ser tomada com cautela, levando em conta o contrato original e as vantagens e desvantagens de mudar dele para um outro tipo de plano.

Folha de São Paulo

Lotado, hospital corta atendimento a pacientes do SUS

Pronto-Socorro do Santa Marcelina em Itaquera passa a aceitar apenas pessoas que tenham plano de saúde

Cartazes dizem que lotação levou ao corte do serviço; funcionária pede R$ 200 para fazer atendimento a menina

Por Rafael Italiani, do "AGORA"

O pronto-socorro do Hospital Santa Marcelina que atendia pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), em Itaquera, zona leste de São Paulo, está fechado desde anteontem. Cartazes e faixas informam que, por superlotação, a unidade fechará por tempo indeterminado.

Apenas o pronto-socorro que recebe pacientes com planos de saúde continua funcionando normalmente.

Já na parte destinada ao SUS foram colocadas cadeiras para bloquear a entrada. Segundo o hospital, o pronto-socorro fazia cerca de 30 mil atendimentos por mês.

De acordo com funcionários, emergências pelo SUS são atendidas após uma triagem, que avalia a gravidade de cada caso -na entrada, porém, não havia ninguém para informar os pacientes.

A entidade filantrópica Santa Marcelina também gerencia Unidades Básicas de Saúde da prefeitura -atua em bairros da zona leste e Cajamar, na Grande São Paulo.

"Isso é caso de polícia", afirmou a dona de casa Almerinda Vieira Sampaio, 38, que levava no colo a filha de dois anos que havia sofrido convulsão durante a noite.

Segundo ela, uma funcionária disse que, para a menina conseguir a consulta, teria de pagar R$ 200. Almerinda levou a filha até uma unidade de pronto-atendimento em São Mateus (zona leste), onde a criança foi atendida.

Em abril, o hospital já sofria com superlotação, mas não havia placas informando a situação ou cadeiras bloqueando a entrada. Panfletos eram entregues aos pacientes com endereços de unidades de saúde próximas.

Outro lado

Santa Marcelina lamenta e diz que não há vagas

Do "AGORA"

Em nota, o Hospital Santa Marcelina lamentou a situação e disse que a unidade encontra-se com dificuldade no fluxo de vagas, em razão da alta demanda de casos graves, com risco de morte.

O hospital reiterou que o fechamento por tempo indeterminado se deve à superlotação. Informou ainda que existe deficiência de equipamentos e espaço, mas que o atendimento ambulatorial funciona normalmente.

A Secretaria Municipal da Saúde disse que a população da região pode recorrer aos hospitais Alípio Correa Neto (em Ermelino Matarazzo), Waldomiro de Paula (Itaquera) e Tide Setúbal (São Miguel Paulista), além da AMA (ambulatório da prefeitura) de Ermelino Matarazzo.

O Estado de São Paulo

SUS amplia internação domiciliar

Até o fim do ano, 15 mil pacientes internados em hospitais poderão ser atendidos pelo sistema de home care, segundo previsão do Ministério da Saúde; portaria com novas regras para este tipo de cuidado será divulgada nesta semana pelo governo

Por Clarissa Thomé

Até o fim do ano, pelo menos 15 mil brasileiros internados em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão voltar para suas casas e continuar a receber cuidados médicos, por meio de home care.

Os novos critérios para internação domiciliar serão divulgados até amanhã pelo governo. A principal novidade é o pagamento de R$ 34.500 ao mês por equipe médica. Para este ano, o orçamento do Ministério da Saúde prevê a contratação de 250 equipes, cada uma com capacidade para atender 60 pacientes.

A meta é chegar a mil equipes até 2014. "Vai substituir muita demanda de internação hospitalar e vai agilizar o giro nas portas de urgência", afirma o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Miranda. "É um programa que alia a segurança hospitalar com o conforto do lar, oferecendo um atendimento mais humanizado."

O SUS criou os primeiros critérios para a internação domiciliar há cinco anos, recomendando esse tipo de cuidado para idosos, portadores de doenças crônicas ou câncer - com exceção daqueles que precisam de ventilação mecânica. Como não havia previsão de verba federal para a formação de equipes, poucos Estados e municípios se mobilizaram. Apenas 77 hospitais no País se credenciaram junto ao SUS.

Entre as iniciativas bem-sucedidas está a da Bahia. Criado em 2008, o serviço havia atendido 2.212 pacientes até dezembro. As 26 equipes - formadas por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas - estão divididas em 14 hospitais de dez municípios. Nesse período, 40% das internações domiciliares ocorreram por tratamentos de feridas, 30% por sequelas neurológicas, 13% por hipertensão arterial e 10% por diabete. São pacientes que passaram pela internação convencional, tiveram o quadro estabilizado, mas ainda precisavam de cuidados médicos.

"Além de não estar exposto a possíveis infecções no hospital, o paciente se recupera muito mais rapidamente", afirma Ledívia Espinheira, diretora de Atenção Especializada da Secretaria de Saúde da Bahia.

A prefeitura de Belo Horizonte criou seu programa em 2002, antes da portaria do SUS. No ano passado, foram admitidos 4.792 pacientes - média de 400 por mês. Eles ficam cerca de 15 dias em acompanhamento. Em março deste ano, um quinto das internações nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) foram encaminhadas para atendimento domiciliar.

"A nova portaria dará um novo impulso para esse tipo de atendimento. Não é uma política isolada, faz parte da rede de urgência que inclui as UPAs, o SAMU, a rede de atenção básica", afirma Helvécio Miranda.

Limites

O novo programa não limita as enfermidades que podem ser atendidas, mas mantém a exclusão aos pacientes que dependem de ventilação mecânica. "Precisamos fazer um planejamento que sirva para o País todo. Mas poderá ser reavaliado", afirmou o secretário.

A condição básica para que o paciente seja encaminhado para a internação domiciliar é ter um cuidador, alguém que se responsabilize pelo seu atendimento. "A família é fundamental para a recuperação do paciente", diz Midori Uchino, coordenadora do Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso (Padi), da Secretaria Municipal do Rio.

Foi o que aconteceu com o aposentado José Pereira da Rocha, de 84 anos, que tem sequela de acidente vascular cerebral e voltou para casa em estado vegetativo. Com o acompanhamento, ele voltou a falar e a se alimentar sozinho. A equipe ajuda a organizar a rotina de medicamentos e fonoaudiólogas, nutricionistas e enfermeiras se revezam no cuidado ao aposentado.

O Padi completa um ano esta semana acompanhando 506 idosos. "É o equivalente a um Hospital Souza Aguiar. É como se tivéssemos um hospital virtual", compara o secretário de saúde, Hans Dohmann.

Sobrecarga. No Instituto Nacional de Câncer (Inca), que tem 280 pacientes em cuidados domiciliar, a preocupação com o cuidador é tanta que foi instituída a internação por sobrecarga do cuidador. "Às vezes, o familiar não consegue lidar com a enfermidade. A equipe identifica a situação e oferece a internação por uma semana", explica Julio Cesar de Souza, chefe da assistência domiciliar do Hospital Inca 4. No período, o cuidador pode conhecer outros acompanhantes e trocar experiências.

O Globo

O que está em jogo na Saúde

Por Ligia Bahia

Saúde pública é uma expressão ambivalente. Refere-se à noção de medidas de saúde da população e ao conjunto de instituições que atuam para prevenir, reduzir, controlar e eliminar riscos, ofertando cuidados e ações assistenciais. Sem a intervenção local, nacional e internacional da saúde pública nos dois últimos séculos, sem o financiamento crescente aos gastos setoriais baseados em impostos que, entre outras atividades, mantêm conectados sistemas de registro e estatísticas populacionais com a atenção aos indivíduos, não seria possível agir sobre o que se aprende. Portanto, a saúde pública e suas inovadoras estruturas burocráticas, que unem a compreensão dos problemas de saúde às ações para reduzi-los, são movidas por atos de decisão política.

O surgimento da saúde pública como área cientifica foi marcado por intensas discussões teóricas e pragmáticas. A principal contradição refere-se à origem natural ou social das doenças. As ideias de que os problemas de saúde situam-se exclusivamente no reino da natureza biológica ou orbitam apenas na esfera das relações entre renda e consumo não são inéditas no mundo e no Brasil. Seus adeptos tendem a se contrapor aos sistemas públicos de saúde.

Nos anos 20, os sanitaristas brasileiros obtiveram sucesso ao afirmarem a saúde como variável determinante para o desenvolvimento. Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato curado de sua doença, parou de beber, passou a andar calçado e se transformou num trabalhador exemplar. O autor engajado nas campanhas de saneamento de então, declarou: "Só a alta crescente do índice de saúde coletiva trará a solução do problema econômico.” Posteriormente, a saúde pública foi escanteada. Durante a era do “crescer para depois distribuir o bolo”, o vertiginoso crescimento de um sistema essencialmente privado de medicina previdenciária financiado com recursos públicos desidratou o Ministério da Saúde. Só nos anos 80, o acréscimo do S de social ao então BNDE anunciou o esgotamento do padrão de crescimento econômico autoritário e desigual. Logo depois, o elevado teor de saúde pública no capitulo da ordem social da Constituição de 1988 levou o Brasil ao pódio dos países dotados de sistemas universais.

Contudo, vários dos preceitos constitucionais referentes à saúde foram proscritos na prática. Sucessivos governantes, ansiosos por conduzir o Brasil ao primeiro mundo, juraram obedecer às leis do país e asfixiaram a saúde pública. Apesar do subfinanciamento crônico do SUS, se deu nó em pingo d’água. Considerando que vivemos em um país que desde 1989 não aporta os recursos previstos ao SUS e desde 2004 investe mais recursos com o pagamento do pessoal do Ministério da Fazenda do que com o da pasta da Saúde, falta muito que fazer. No entanto, os resultados dos esforços de muita gente comprometida com a saúde pública são invejados pelo mundo afora. Avançamos no controle de doenças e rompemos com estigmas que só pioravam a saúde. O SUS não é um fracasso apesar da insistente retórica que associa o público com o que não dá certo, com má qualidade. É impossível organizar um sistema de saúde dotado de padrões razoáveis de acesso e qualidade com investimentos de 3,5% do PIB, ou com um gasto per capita anual de menos de R$500. Suas insuficiências, filas, restrições do acesso, heterogeneidade da qualidade dos serviços públicos, despersonalização do atendimento servem de argumento para as alegadas indisposições das classes médias com o SUS e justificam a intensificação de vazamentos fiscais para financiar a privatização. Assim, as restrições orçamentárias impostas ao SUS transformam-se em subsídios para dinamizar o mercado de planos privados. Temos duas políticas estatais de saúde que concorrem entre si. Qual delas será expandida para atender a nova classe média emergente? Para que 90 milhões de pessoas acessem planos privados de saúde os subsídios indiretos são insuficientes. Abrir uma rota falsa de fuga do SUS não atende os pleitos de empresas ávidas por comercializar contratos que caibam no bolso desses potenciais clientes. São Paulo saiu na frente e aprovou uma legislação estadual que admite a oferta de um pedaço das unidades públicas hospitalares (25% dos leitos) para o atendimento de clientes de planos privados na rede SUS, em acomodações diferenciadas. Se a alternativa for a ampliação do SUS, a efetiva universalização não ocorrerá sem a ampliação da rede pública e integração dos estabelecimentos privados em torno de projetos para a melhoria da saúde da população. As apostas sobre a direção das articulações entre o público e o privado estão abertas. O que está em jogo não é mercado versus Estado, e sim o uso dos recursos públicos para o SUS e planos privados. Nos primórdios da saúde pública essa tensão encontraria meios radicais de resolução. Virchow, um dos fundadores da medicina social na Alemanha, criticou Bismarck por usar em excesso o orçamento para o exército. Ofendido, o Chanceler da Prússia o desafiou para um duelo. Conta a história que o sanitarista escolheu as armas. Sabendo que seu opositor era um exímio atirador e esgrimista, propôs substituir as espadas por duas salsichas, uma delas contaminada por bactérias. Não houve a disputa e a saúde publica naquelas plagas se desenvolveu. Aqui, seguimos brigando pelo lugar da saúde pública e destino dos recursos. O sistema público que propicia bem-estar e elevação geral das condições de vida via intervenção nos determinantes sociais da saúde não é terceirizável. A regulamentação da EC29, em sua versão original que assegura mais recursos para o SUS, e a vedação do acesso aos cofres e instalações públicas às empresas de planos de saúde, podem estimular a progressividade tributária e fiscal, bem como gastos sociais mais redistributivos. Em contrapartida, a virulência do rentismo expressa no apoio de organizações privadas às políticas de elevação das taxas de juros gera custos superiores à própria capacidade governamental para aprimorar a qualidade dos gastos, enfrentar déficits e investir na saúde.

O Estado de São Paulo

Programa de aids terá remédio para criança

Medicamento é o primeiro exclusivo para uso pediátrico e representa uma opção para menores de 6 anos que não respondem ao tratamento atual

Por Lígia Formenti

Uma nova droga para tratamento de crianças e adolescentes com aids passará a ser distribuída pelo governo. O remédio, tripanavir, é o primeiro voltado exclusivamente para esses pacientes e representa uma opção para menores de 6 anos que já não respondiam a nenhum outro medicamento.

A mudança consta do novo consenso terapêutico infantil. Além do tripanavir, o documento inclui outras duas drogas que até então eram prescritas somente para adultos: fosamprenavir e darunavir. Os medicamentos serão distribuídos para crianças e adolescentes e combinados com outro antiaids, o ritonavir, em dosagens especiais.

"Quando uma criança menor de 6 anos não respondia ao tratamento, não havia nada a ser feito, a não ser manter a terapia. Isso muda agora", afirmou o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco. O novo consenso substitui uma versão anterior, de 2009.

Existem no País cerca de 4 mil pacientes com menos de 13 anos. Desse total, 4,6% usam medicamentos chamados de 3ª linha - indicados para aqueles que não respondem mais a outros tratamentos.

Entre pacientes pediátricos, avalia Greco, o fenômeno da resistência tende a ocorrer mais rapidamente. Uma das razões apontadas é a menor aderência ao tratamento. "A falha no uso dos remédios ocorre não apenas por esquecimento, mas muitas vezes pelos efeitos colaterais que eles podem provocar na criança, como náuseas e diarreia", contou o diretor.

Novo paradigma. A maior parte das drogas indicadas até agora no tratamento de crianças era testada apenas em adultos. "Isso ocorria por regras de ética, que proibiam testes clínicos com idosos e menores", explicou.

Essa interpretação, no entanto, vem mudando nos casos em que testes são de interesse direto de pacientes menores - como os que não respondem à terapia tradicional. Essa mudança permitiu a realização de um acompanhamento clínico do uso do tripanavir em crianças.

De acordo com Greco, as novas drogas, além de mais esperança para pacientes que não respondem ao tratamento convencional, vão tornar mais fácil o uso do remédio, que virá em dosagens menores.

Este ano, o governo vai investir R$ 2,8 milhões com a compra dos quatro medicamentos indicados para tratamento pediátrico. O valor representa 28% dos R$ 9,7 milhões destinados para a compra de remédios usados na terapia de crianças com HIV.

Em 2009, o gasto brasileiro com pacientes pediátricos foi de R$ 6 milhões. Essas três drogas passam a ser as mais caras do conjunto usado para tratamento de crianças.

O darunavir é produzido pela Janssen-Cilag; o tripanavir, pela Boehringer Ingelheim; o fosamprenavir é da Glaxo-Smith-Kline; e o ritonavir, da Abbott. Greco afirmou que o tripanavir não será usado em adultos.

O Estado de São Paulo

Pesquisa alerta para falta de diagnóstico de virosesPor Liège Albuquerque, de Manaus

Dores de cabeça, nos músculos e articulações, febre e erupções na pele não significam apenas malária ou dengue no Amazonas: há inúmeras possibilidades ainda desconhecidas da ciência.

Pesquisa conduzida por cientistas da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMTM-HVD) com 631 pacientes com esses sintomas detectou que 33 tinham sido infectados por um arbovírus (vírus transmitidos por mosquitos) chamado Mayaro e outras 128 pelo vírus Oropouche. Já os 470 restantes também ficaram curados, mas nunca souberam qual doença tiveram.

"Temos muito mais agentes causadores de doença febril a estudar na Amazônia. Há muitos que ainda não somos capazes de diagnosticar", diz uma das coordenadoras da pesquisa, a infectologista Maria Paula Mourão.

Para se ter uma ideia, hoje são conhecidos no País 210 tipos de arbovírus, sendo que 40 provocam doenças nos homens. Desses, apenas dois arbovírus foram detectados nos pacientes estudados no Amazonas. Os outros permanecem desconhecidos.

Os pesquisadores alertam que a maior parte dos casos ocorreu durante o período chuvoso na Amazônia, que ocorre de janeiro a junho.

Diagnóstico. Para a pesquisadora, a maioria dos casos de arbovírus no Amazonas não é diagnosticada, provavelmente por causa dos sintomas em geral serem leves e os pacientes se recuperarem depois de alguns dias.

"O problema é que casos mais graves podem ocorrer sem diagnóstico, especialmente por conta das longas distâncias até centros de saúde."

Dos 210 tipos de arbovírus no país, o vírus Oropouche é o segundo em número de casos e o Mayaro é o quarto em número de infectados. A dengue ainda é o principal.

Desde o início deste ano, as febres por Mayaro e Oropouche foram incluídas pelo Ministério da Saúde na lista de doenças de notificação compulsória.

The New Yokk Times / Folha de São Paulo

A luta contra as doenças crônicas

Por Yanzhong Huang

Nascido em uma pequena aldeia junto ao rio Yangtsé, presenciei como o sistema de saúde maoísta, com seu compromisso com a igualdade e o acesso universal, derrubou com sucesso a incidência de doenças infecciosas e melhorou de maneira significativa a saúde pública.

Vi como na década de 1970 a maioria das pessoas apenas esperava uma tigela de arroz, mas relativamente poucas morriam de derrame, diabetes, câncer ou doença cardíaca. Do mesmo modo que a tuberculose -que era considerada por alguns no século 19 uma expressão de criatividade-, as doenças crônicas não transmissíveis foram por muito tempo consideradas males da riqueza nos países afluentes. Não mais.

Com a globalização, a urbanização e o crescimento econômico, as doenças não transmissíveis são a principal causa de mortes e de deficiências, mesmo no mundo em desenvolvimento. Desde a década de 1980, os países de baixa e média renda tiveram um rápido aumento no consumo de gorduras, que é associado às doenças cardíacas. Essas populações estão envelhecendo mais depressa, aumentando a probabilidade de que as pessoas desenvolvam doenças crônicas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% das doenças crônicas ocorrem hoje em países de baixa e média renda. O peso das doenças não transmissíveis é alto para potências econômicas emergentes como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, países conhecidos como BRICS. Cerca de 85% das mortes na China, 81% na Rússia, 75% no Brasil e 53% na Índia são causadas por doenças crônicas. Mesmo na África do Sul, onde o HIV/Aids é a principal causa de morte entre adultos, o peso das doenças crônicas aumenta.

Os cinco países estão liderando uma explosão global de doenças como diabetes. Segundo uma pesquisa recente publicada na revista médica Lancet, 138 milhões de pessoas diabéticas -40% da população diabética mundial- vivem na China e na Índia. E a China superou a Índia como capital da diabetes no ano passado. Como disse um epidemiologista, para cada pessoa com HIV/Aids em todo o mundo, existem três pessoas com diabetes na China.

A epidemia de doenças não transmissíveis é um mau presságio para o desenvolvimento. Pesquisas mostram que aumento de 10% em doenças crônicas está associado a uma redução de 0,5% no crescimento econômico anual. Um relatório da OMS revelou que Brasil, China, Índia e Rússia juntos atualmente perdem mais de 20 milhões de anos de vida produtiva por ano para as doenças crônicas. Como comentou o doutor Harvey V. Fineberg, presidente do Instituto de Medicina, as doenças crônicas poderão custar a chineses, a indianos e a russos US$ 200 bilhões a US$ 500 bilhões em renda nacional de 2005 a 2015. Somente na Índia, a doença crônica empurra 40 milhões de pessoas para baixo da linha da pobreza todos os anos.

A Assembleia Geral da ONU realizará uma reunião sobre doenças não transmissíveis em setembro. Mas há poucos indícios de que haverá uma mudança de paradigma na prevenção de doenças. Segundo um alto membro do governo americano, Washington não pretende substituir as atuais Metas de Desenvolvimento do Milênio, que incluem o compromisso de reduzir as doenças infecciosas. E a Fundação Bill e Melinda Gates parece ter pouco interesse em alterar suas prioridades de doenças infecciosas para não infecciosas. Até agora, nenhum chefe de Estado dos BRICS se comprometeu a participar da reunião da ONU.

Os BRICS devem dar uma forte ênfase para o controle do tabaco e outros fatores de risco compartilhado, como a redução do sal. Mas esses países também são prejudicados por uma crise de saúde em duas frentes: o aumento acentuado de doenças não contagiosas e os tremendos desafios das doenças infecciosas. A Índia e a China lideram o mundo na incidência de tuberculose. Para enfrentar as doenças infecciosas, elas tendem a contar com programas específicos financiados por doadores internacionais. Isso desviou os governos do reforço de seus sistemas de saúde como um todo, o que é essencial para reverter as doenças crônicas.

Intervenções de saúde pública em todo o sistema são realmente caras, mas o preço da inação é ainda mais assustador.

Garantir o acesso de todos a serviços de saúde de qualidade é uma abordagem indispensável e de boa relação custo-eficiência para os BRICs avançarem na agenda de doenças crônicas. Enquanto o crescimento econômico nesses países pode fornecer verbas suficientes para dar acesso a todos aos tratamentos de saúde, uma melhor cobertura estimularia a demanda doméstica, ao liberar dinheiro que de outro modo seria gasto em caras contas médicas.

O Brasil e a Rússia deram passos na direção do atendimento de saúde universal, e a China injetou fundos maciços para garantir o acesso universal ao atendimento básico até 2020. O governo sul-africano anunciou recentemente a proposta de um sistema de saúde universal a partir de abril próximo, enquanto na Índia também há um movimento nesse sentido.

Chegou a hora de os BRICS aumentarem a cobertura de saúde universal na luta contra doenças não transmissíveis. Esses países deveriam utilizar o poder de suas robustas indústrias de biotecnologia e farmacêutica e formar uma parceria para desenvolver e produzir drogas acessíveis que possam realmente beneficiar a população pertencente ao mundo em desenvolvimento.

Isto é

Respiração sem ajuda

Médicos mineiros implantam pela primeira vez no Brasil marcapasso que permite voltar a respirar sem aparelhos

Por Rachel Costa

Graças a um equipamento criado no Japão e instalado por médicos brasileiros, a agricultora mineira Marcilene de Sousa, 35 anos, pode, agora, ficar livre do respirador mecânico durante o dia. Ela vivia presa ao aparelho 24 horas por dia desde 2007, quando uma cirurgia para a retirada de um tumor na coluna cervical a deixou tetraplégica e sem os movimentos do diafragma, músculo que comanda a entrada e saída de ar dos pulmões. Marcilene foi a primeira pessoa no País a receber um marcapasso que estimula o diafragma, fazendo-o contrair-se e distender-se. O êxito do procedimento é tão grande que Marcilene respira por algumas horas até mesmo sem o auxílio do marcapasso. “Os resultados são muito animadores”, avalia o neurocirurgião Marcos Dellaretti, que coordenou a equipe responsável por operar a agricultora.

O método japonês é a evolução de uma técnica americana. Uma das vantagens é que, na versão oriental, todo o sistema é instalado internamente – na americana, uma bateria fica alocada na cintura. A indicação do procedimento é para pacientes que sofrem de síndrome de hipoventilação central causada por lesões na medula espinal – ou seja, o nervo e o diafragma estão intactos, o problema é a interrupção da transmissão do estímulo elétrico.

Por meio da estimulação artificial do nervo, o organismo retoma o comando natural do diafragma. “Acredita-se que haja o realinhamento das fibras musculares por meio do estímulo frequente e, assim, a atividade natural seja retomada”, explica Edson Oliveira, fisioterapeuta de Marcilene Não há outros métodos que permitam obter esse mesmo resultado.

CFM

Divulgação de serviços prestados

A Resolução, que saiu no Diário Oficial da União da sexta-feira, detalha os critérios que devem ser observados na elaboração de anúncios e no relacionamento com a imprensa e a sociedade

Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira (19) apresenta em detalhes as restrições éticas que os médicos, estabelecimentos e instituições vinculadas às atividades médicas devem observar quando da elaboração de peças publicitárias relacionadas a seus serviços. O documento (nº 1.974/2011) acrescenta à norma anterior sobre o tema, publicada em 2003, informações sobre o alcance das disposições e orientações para sua aplicação. Entre os pontos, destacam-se a proibição de assistência médica a distância (por internet ou telefone, por exemplo), a vedação ao anúncio de determinados títulos e certificados e a extensão das regras a instituições, como sindicatos e sociedades médicas.

“A resolução foi detalhada para que haja uma compreensão mais fácil pelos profissionais e para que os conselhos de medicina disponham de critérios objetivos para orientar os médicos e coibir as infrações. Os anexos da resolução compõem um manual de uso. A norma valoriza o profissional, defende o decoro e oferece mais segurança para a população”, avalia o conselheiro Emmanuel Fortes, 3º vice-presidente do CFM e relator da nova resolução.

Com a publicação da resolução, que entra em vigor em 180 dias após essa data, fica claro, por exemplo, que as regras de publicidade são extensivas a documentos médicos como atestados, fichas, boletins, termos, receituários e solicitações, emitidos pelos sistemas público e privado de assistência. Entre outras exigências, estes documentos devem conter nome do profissional, especialidade e número de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) local. Quando a assistência é oferecida por uma instituição devem ser informados o nome do diretor-técnico-médico e o respectivo número de registro no CRM local.

Novidades - Além de detalhamentos, a nova resolução se diferencia da anterior por proibir expressamente ao médico a oferta de consultoria a pacientes e familiares em substituição à consulta médica presencial. Esta proibição se aplica, por exemplo, aos serviços de assessoria médica realizados pela internet ou por telefone. Outro avanço apresentado pela norma é a vedação expressa a que o profissional anuncie possuir títulos de pós-graduação que não guardem relação com sua especialidade.

“Neste caso, o objetivo do Conselho é impedir que os pacientes sejam induzidos ao erro de acreditar que o médico tem qualificação extra em sua especialidade ou que está habilitado a atuar em outra área”, explica Fortes. Ainda em relação à qualificação, a norma abriu a possibilidade de que o médico divulgue ter realizado cursos e outras ações de capacitação, desde que relacionados à sua especialidade e que os respectivos comprovantes tenham sido registrados no Conselho Regional de Medicina local.

De acordo com o documento, a proibição de que o médico participe de anúncios de empresas e produtos é extensiva a entidades sindicais e associativas médicas. Assim, sociedades de especialidade, por exemplo, não podem permitir a associação de seus nomes a produtos – medicamentos, aparelhos, próteses, etc.

Detalhamento – Os critérios que foram detalhados na Resolução 1974/2011 constituem em si um importante avanço por apresentar de forma clara e objetiva o que o médico, a instituição ou o estabelecimento de saúde pode e o que não pode fazer no campo da propaganda e da publicidade. A norma, inclusive com este detalhamento, estará disponível para consulta no site do CFM (www.portalmedico.org.br) a partir de sexta-feira (19), além de sua publicação no Diário Oficial da União nesta data.

O documento prevê que o médico não pode, por exemplo: anunciar que utiliza aparelhos que lhe deem capacidade privilegiada ou que faz uso de técnicas exclusivas; permitir que seu nome seja inscrito em concursos ou premiações de caráter promocional que elejam “médico do ano”, “profissional destaque” ou similares; garantir, prometer ou insinuar bons resultados nos tratamentos oferecidos; e oferecer seus serviços por meio de consórcio.

Também é vedada a propaganda de método ou técnica não aceito pela comunidade científica, ou permitir que seu nome circule em material desprovido de rigor científico; conceder entrevistas para se autopromover, auferir lucro ou angariar clientela (permitindo, por exemplo, a divulgação de endereço e telefone de consultório); abordar assuntos médicos, em anúncios ou no contato com a imprensa, de modo sensacionalista, por exemplo, transmitindo informações desprovidas de caráter científico ou causando pânico ou intranqüilidade na sociedade.

IMAGENS E CONFLITOS - A norma ainda proíbe a exposição de imagens de paciente para a divulgação de técnica, método ou resultado de tratamento, ainda que com autorização expressa do paciente. A exceção a esse preceito é, quando imprescindível, o uso da imagem, autorizado previamente pelo paciente, em trabalhos e eventos científicos.

O detalhamento trazido no anexo da nova resolução obriga expressamente o médico a declarar potenciais conflitos de interesse quando conceder entrevistas, participar de eventos públicos ou transmitir informações à sociedade. Ele determina que o uso de imagens em peças publicitárias enfatize apenas a assistência, ou seja, não devem ser utilizadas representações visuais de alterações do corpo humano causadas por lesões ou doenças ou por tratamentos.

Os critérios ainda vedam a participação do profissional em demonstrações de tratamento realizadas de modo a valorizar habilidades técnicas ou estimular a procura por serviços médicos. Também é vedado o uso de nome, imagem ou voz de pessoas célebres em anúncios de serviços médicos. Nas redes sociais, assim como em outros meios, o médico não pode divulgar endereço e telefone de consultório, clínica ou serviço.

Para orientar o médico, o documento indica especificações técnicas que permitem fácil leitura e compreensão das informações cuja presença é obrigatória nas peças publicitárias: os dados médicos devem ser inseridos nas peças impressas, por exemplo, em retângulos de fundo branco, em letras de tamanho proporcional ao das demais informações e de modo destacado; em peças audiovisuais, a locução dos dados do médico deve ser pausada, cadenciada e perfeitamente audível – também na TV devem ser observadas regras relacionadas a tipo e dimensão de letras. De acordo com a resolução, dúvidas sobre a aplicação das regras de publicidade devem ser encaminhadas à Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame) do Conselho Regional de Medicina local.

A Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos do CFM discutiu as mudanças nas regras de publicidade de serviços médicos entre março de 2010 e julho de 2011 (mês em que a nova norma foi aprovada pelo plenário do Conselho Federal de Medicina). Para a elaboração da proposta, os membros do grupo buscaram referências sobre publicidade e propaganda em leis e regulamentos de venda de medicamentos, bebidas e outras substâncias e produtos restritos, vigentes no Brasil e no exterior. As Codames dos Conselhos Regionais de Medicina também colaboraram nesse trabalho.

Isto é

Proteção contra o Alzheimer

Estudo revela que adotar uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos e não fumar, entre outros hábitos saudáveis, reduz pela metade a chance de desenvolver a doença

Por Francisco Alves Filho

Apesar de sentir certa nostalgia, Clemente Alves, 74 anos, tenta não ceder à saudade dos tempos em que tinha vida social intensa com sua mulher, Thereza, de 72. Fazia com ela muitas viagens, iam a restaurantes, se divertiam. A esposa continua a seu lado, mas não é mais a mesma companheira. Tem sérias falhas de memória, por vezes demora a reconhecê-lo. Em outubro de 2004, Thereza foi diagnosticada como portadora da doença de Alzheimer. Isso mudou a vida do casal. A mulher ativa, que por muitos anos trabalhou como contadora e depois da aposentadoria tinha como hobby o turismo, tornou-se dependente. “No início foi muito difícil”, admite Alves. Com a ajuda das filhas e dos médicos, ele aprendeu a lidar com o problema. “Hoje, quando chego em casa, faço festa para ela, puxo para dançar”, conta. “Não me importo se ela não entende o que estou fazendo.”

A tendência é de que histórias tocantes como a de Thereza e Clemente sejam cada vez mais comuns no Brasil daqui em diante – a doença se manifesta na terceira idade, faixa etária que cresce no País. “Estamos começando a passar pelo que a Europa e os Estados Unidos passaram há 20 anos”, atesta o neurologista Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais. Hoje, a estimativa é que 1,2 milhão de pessoas têm Alzheimer no País. Em lugares onde a longevidade há muitos anos está alta, a doença é um tema frequente. Pesquisa feita com 2.678 adultos dos EUA, da França, Alemanha, Espanha e Polônia pela Escola de Saúde Pública de Harvard e pela instituição Alzheimer Europe revela que a enfermidade é a segunda doença mais temida, citada por 25% dos entrevistados. Ficou atrás somente do câncer.

Os cientistas, no entanto, têm boas notícias: cuidados preventivos podem evitar até 50% das ocorrências e há estudos para a criação de técnicas de diagnóstico cada vez mais precoce. Um dos estudos mais importantes neste aspecto foi realizado na Universidade da Califórnia (EUA) e divulgado recentemente. Os pesquisadores chegaram à lista dos principais fatores de risco para a doença. Basicamente, são os mesmos vilões responsáveis pela maior parte dos casos de outras doenças importantes, como as cardiovasculares: tabagismo, obesidade e sedentarismo entre eles.

A grande diferença está no principal fator de risco. Manter baixa atividade cerebral e possuir baixa escolaridade são as mais fortes ameaças. Para se ter uma ideia, os pesquisadores concluíram que indivíduos em situação oposta a essa – ou seja, estimulados intelectualmente e com alta escolaridade – apresentam 14% menos chance de ter a enfermidade. Na conta final, os cientistas mostraram que evitar os sete fatores de risco citados na pesquisa pode diminuir o número de casos à metade.

O trabalho provou, mais uma vez, a importância de seguir uma rotina de hábitos saudáveis também para a proteção do cérebro. De fato, diversas pesquisas demonstraram, por exemplo, o poder dos exercícios e dos alimentos nessa função. De formas distintas, eles contribuem para o bom funcionamento dos neurônios, as células nervosas que são o alvo de destruição do Alzheimer – a doença causa a sua morte.

Há também avanços consideráveis nas pesquisas que buscam formas de diagnosticar a enfermidade mais precocemente. Este é um objetivo urgente. Atualmente, o diagnóstico é feito a partir de avaliação clínica, testes de memória e exame de ressonância magnética. A ausência de ferramentas mais eficientes acaba muitas vezes atrasando o início do tratamento – o que só piora o prognóstico. Por isso, há uma corrida da ciência à procura, entre outras coisas, de substâncias específicas que sirvam como marcadores da doença. O nível de concentração de uma determinada proteína, por exemplo, poderia servir como indicação do início da enfermidade.

Outro foco é usar com mais precisão as informações obtidas por exames de imagem. Nesse sentido, cientistas do Rush University Medical Center (EUA)deram um passo importante. Eles concluíram que a análise da anatomia do cérebro permite prever o Alzheimer com uma década de antecedência. Indivíduos com algumas áreas do cérebro mais finas teriam três vezes mais chances de desenvolver a doença. Os cientistas continuam o estudo para tornar o método disponível.

O Alzheimer ainda não tem cura. O que se consegue é retardar sua progressão – daí a urgência em detectá-lo o quanto antes possível. Felizmente, esse foi o caso do aposentado Dilton de Oliveira, 69 anos, que há três anos soube que tinha a doença. Imediatamente, sua mulher, Valdiva Fontenele, o matriculou numa academia de ginástica e ele também foi encaminhado para uma terapia cognitiva (estimula o raciocínio). Desde então, Dilton vive de segunda a sexta entre sessões de alongamento, musculação, hidroginástica e os cuidados de uma terapeuta. “Ainda saímos para ir ao teatro, ao restaurante e passamos os fins de semana numa casa na serra”, diz Valdiva.

Manter-se ativo é uma das premissas para atrasar o avanço da doença. “Mas é comum vermos o inverso: idosos com Alzheimer que passam o dia sentados assistindo à tevê”, lamenta o geriatra André Jaime, do Hospital São Luiz, de São Paulo. “Isso não estimula a atividade cerebral”, diz. Outra abordagem de tratamento é feita com remédios que atuam sobre uma substância cerebral que participa do processo de distribuição dos impulsos nervosos, ajudando a fazer a comunicação entre os neurônios.

Mais recentemente, ganhou destaque nas preocupações dos médicos a necessidade de assistência aos cuidadores, as pessoas responsáveis pelos cuidados aos pacientes. A sobrecarga em relação a elas é um efeito colateral frequente. A paulista Terezinha Oliveira teve sua vida revirada depois que seu pai, Rosalvo, 87 anos, passou a apresentar sintomas. Ela se mobilizou para ajudar a mãe, Paulina, que tem 83 anos. Divide seu tempo entre a administração da empresa que tem com o marido, a educação das duas filhas e os cuidados com o pai. “Quando ele precisa, largo tudo e saio correndo”, diz. “Me sinto estressada e nos fins de semana o cansaço piora, pois não temos cuidadora nesses dias.” Para contar sua experiência, ela criou o blog “Meu pai e o Alzheimer”.

Muitos cuidadores esquecem da própria saúde. “Mas é preciso que eles saibam que é primordial manter-se saudável”, recomenda Eliana Faria, da seção fluminense da Associação Brasileira de Alzheimer, cuja mãe tem a doença. “Eles têm que ter apoio psicológico e clínico, fazer exercícios e participar de grupos nos quais troquem experiências com pessoas que têm o mesmo problema.”

Correio Braziliense

Descomplicando a cirurgia

Centro de pesquisa com foco em procedimentos pouco invasivos alia tecnologia ao bem-estar do paciente, além de oferecer treinamento a profissionais brasileiros

Por Carolina Lenoir

Barretos (SP) – O risco de infecção hospitalar é um dos fatores mais importantes para que médicos e pacientes desejem encurtar, ao máximo, o tempo de internação após uma cirugia. Por isso, os procedimentos minimamente invasivos têm sido cada vez mais pesquisados por cientistas da área médica. Ainda assim, a falta de capacitação e de equipamentos são entraves para a disseminação das técnicas no Brasil. Para começar a mudar esse cenário, um centro de treinamento foi inaugurado no país, com o objetivo de qualificar 3 mil profissionais anualmente.

Instalado em Barretos, com recursos da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e do Ministério da Saúde, o Instituto de Pesquisas contra o Câncer do Aparelho Digestivo Brasil (Ircad, na sigla em francês) pretende ser referência em ensino e pesquisas referentes à videolaparoscopia (leia mais nesta página) para toda a América Latina. Por se tratar de um centro de pesquisa multidisciplinar, trabalharão juntos engenheiros em robótica, cientistas da computação e cirurgiões, com o objetivo de simular e aprimorar os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos e, se necessário, projetar e desenvolver novas ferramentas específicas para as técnicas laparoscópicas.

Durante os treinamentos, o instituto brasileiro será integrado aos centros da França e de Taiwan e oferecerá aulas interativas. Com isso, um procedimento realizado nos outros dois países poderá ser estudado, em São Paulo, em tempo real. Outro destaque do investimento é o Laboratório de Cirurgias e Pesquisas Experimentais, que tem 20 mesas de cirurgia e uma sala de robótica. Audrey Tieko Tsunoda, diretora do laboratório, explica que, nesse primeiro momento, serão realizados apenas treinamentos no local, mas, posteriormente, também serão desenvolvidas pesquisas.

Segundo ela, os treinamentos são feitos com animais certificados (principalmente suínos), tecidos preservados (cadáveres) e modelos de simulação, tipo caixa-preta. “Preparamos como se fosse um ato cirúrgico em humanos, principalmente em relação aos instrumentos e aos equipamentos usados. Médicos anestesistas e veterinários acompanham a cirurgia, na qual inflamos o abdômen do animal com ar, entramos com a câmera e com uma fonte de luz, introduzimos as pinças e fazemos a cirurgia, acompanhando tudo pelo monitor”, explica. A diretora esclarece que os alunos não entram no hospital nem treinam em pacientes, e que todas as cirurgias transmitidas são realizadas por experts.

Realidade

De acordo com o diretor do Hospital do Câncer de Barretos, Henrique Prata, as videocirurgias podem reduzir em até 70% os riscos de infecção hospitalar e, consequentemente, os custos de uma internação na unidade de terapia intensiva (UTI), que podem chegar a R$ 6 mil diários. Segundo o diretor, sabe-se que existe uma deficiência de equipamentos e instrumentos no sistema público de saúde brasileiro, mas a capacitação dos profissionais também preocupa. “Sabemos que todo o potencial oferecido em relação à tecnologia aqui no Ircad é algo que ainda vai demorar a chegar em todo o Brasil. Porém, existem procedimentos mais simples, como uma colecistectomia (retirada de vesícula), que pode ser realizada em qualquer Santa Casa e tem grande impacto na redução do tempo de internação do paciente”, explica.

Por isso, 30% das vagas serão gratuitas e destinadas aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), metade deles designados pelo Ministério da Saúde e a outra metade pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. O restante será ocupado por inscritos pagantes. Jacques Marescaux, fundador do Ircad França, que estava prestes a levar a filial da América Latina para a Argentina, foi convencido por Prata e pelos governos federal e de São Paulo de que o Brasil tem condições de receber um empreendimento desse porte. “O nosso objetivo é melhorar a qualidade do atendimento e, consequentemente, a qualidade de vida dos pacientes. Isso só é possível se oferecermos uma educação de qualidade e, para tanto, precisamos de uma rede global de realizações”, diz Prata.

IRCAD Brasil

R$ 60 milhões foram investidos na implementação

7,2 mil metros quadrados de área construída

30% das vagas serão gratuitas e destinadas a profissionais do SUS

1,1 mil médicos devem ser treinados ainda nesse ano

Videolaparoscopia

O procedimento é realizado por meio de uma incisão única ou por quatro mini-incisões de 0,5 cm cada uma, por onde são introduzidas pinças especiais e uma câmera de vídeo. As imagens geradas pela câmera guiam os profissionais com uma visão 20 vezes maior e com iluminação adequada e singular para cada um dos órgãos, o que proporciona maior precisão às manobras do cirurgião. As imagens da cirurgia são projetadas em uma tela de alta definição, que permite o acompanhamento do procedimento por toda a equipe.

Marcos das cirurgias minimamente invasivas

1806

O alemão Philipp Bozzini construiu um instrumento, chamado Lichtleiter, para visualizar os órgãos internos. Ele usou um tubo de alumínio, iluminado por uma vela de cera, com espelhos para refletir imagens, a fim de visualizar o trato geniturinário

1853

Antoine Jean Desormeaux, um cirurgião francês, usou pela primeira vez o Lichtleiter de Bozzini em um paciente

1877

Na Alemanha, Maximilian Nitze estreou um sistema de lentes para a cistoscopia, um exame endoscópio das vias urinárias baixas. Ele modificou a lâmpada criada por Thomas Edison e desenvolveu a primeira lâmpada elétrica para ser usada em procedimentos urológicos

1901

Georg Kelling, um cirurgião alemão, usou um cistoscópio para perscrutar o abdômen de um cão depois da primeira insuflação com ar. Essa é considerada a primeira laparoscopia experimental

1918

O. Goetze desenvolveu uma agulha automática para pneumoperitônio (que cria, com ar, espaço na cavidade abdominal e pélvica), caracterizada pela sua introdução segura para a cavidade peritoneal

1920

O suíço Zollikofer descobriu o benefício de gás CO2 na insuflação, em vez de ar atmosférico filtrado ou nitrogênio

1929

O uso de lentes que proporcionavam uma visão oblíqua (135 graus) foi introduzido pelo gatroentereologista alemão Heinz Kalk

1938

Janos Veress, da Hungria, desenvolveu uma agulha com mola, inicialmente usada para a realização de pneumotórax. A agulha de Veress é o instrumento mais importante hoje para criar o pneumoperitônio

1953

O sistema de lentes rígidas em bastão foi desenvolvido pelo inglês Hopkins, que revolucionou o conceito de cirurgia videoscópica. O sistema permitia a iluminação plena da cavidade e captação perfeita da imagem, modelo basicamente utilizado até hoje nos laparoscópicos

1966

Kurt Semm, um ginecologista alemão, inventou o insuflador automático, aparelho usado para monitorar a pressão intra-abdominal e o fluxo de gás. Muitos instrumentos e técnicas descobertos por ele são usados ainda hoje

1983/85

Primeiras cirurgias laparoscópicas de apêndice e vesícula são realizadas por Semm e Erich Mühe, respectivamente

1987

Phillipe Mouret foi o responsável pela primeira colecistectomia (retirada de vesícula) laparoscópica usando a técnica de vídeo em Lyon,

Correio Braziliense

Autonomia é importante

À frente da área de Tecnologia da Informação (TI) do Laboratório Sabin, Cíntia Silva garante que regras claras são a melhor alternativa para que os funcionários de uma empresa não desperdicem tempo. "A empresa passa as informações importantes à equipe durante os treinamentos, para que todos saibam, sozinhos, o que é prioridade e não tenham de me perguntar coisas rotineiras. Achamos importante dar autonomia aos funcionários", diz. A contrapartida é positiva. "Já trabalhei em outra empresa em que até para ir a um outro setor precisava pedir autorização ao gerente. Aqui você sabe que o seu líder confia em você. Sinto-me mais valorizada", afirma Ana Carla Monteiro, analista de TI.

Quase todas as tarefas do setor são realizadas durante a jornada de trabalho, que é de 44 horas semanais. E não é por falta de trabalho a fazer. Além da responsabilidade pela divulgação do resultado de exames, a equipe de 10 pessoas presta suporte para 67 unidades da empresa. O segredo, revela Cíntia, é conseguir realizar previamente tudo o que não é urgente. "Se o funcionário tem que fazer uma ligação para a sua casa, se precisa ir à escola do filho ou ao médico tem toda a liberdade para fazer. É exatamente por isso que trabalhamos com um dia de antecedência", explica. Cíntia conta que consegue todos os dias cumprir o horário e não abre mão de, na hora do almoço, buscar a filha Gabrielle, de 3 anos, na escola.

Domingo, 21.08.11

Folha de São Paulo

Plantão Médico

Por Julio Abramczyk - julio@uol.com.br

Ações judiciais têm remédio?

Medicamentos que pacientes recebem por meio de demandas judiciais obrigam o governo do Estado de São Paulo a despender mensalmente R$ 40 milhões.

Esses medicamentos podem não constar da relação distribuída gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas poderiam ser substituídos por similares ou genéricos; outros não constam da relação dos fornecidos pelo governo, mas podem ser úteis ao paciente e por isso são prescritos pelos médicos.

Entretanto, existem situações que sugerem estratégia da indústria farmacêutica para a introdução de novos medicamentos, assinalam Ana Luiz Chieffi e Rita de Cássia Barradas Barata, em pesquisa publicada na "Revista de Saúde Pública", editada pela Faculdade de Saúde Pública da USP.

As autoras analisaram 2.927 ações ajuizadas em São Paulo. Mais de 70% da ações para certos medicamentos era de responsabilidade de apenas um advogado, o que "pode sugerir relação estreita entre o advogado e o fabricante do medicamento".

Por outro lado, João Mauricio Brambati Sant'Ana e colaboradores, na "Revista de Saúde Pública" deste mês observam que, apesar da escassa informação médica contida nos autos, todos os pedidos foram deferidos.

Isso pode comprometer a assistência farmacêutica regular e fomentar o uso irracional de medicamentos. A pesquisa teve por base 27 ações julgadas no Rio.

O Estado de São Paulo

Consumidor troca frutas e verduras por comida industrializada 'funcional'

Produtos alimentícios que prometem benefícios tiveram um salto de 82% entre 2004 e 2009, podendo crescer mais 39% até 2014; especialistas, porém, têm dúvidas sobre sua eficácia, já que quantidade ingerida teria de ser gigantesca para gerar efeito

Por Karina Toledo

Quase na mesma velocidade em que as pessoas das grandes cidades abandonam o consumo de grãos, frutas e vegetais, multiplicam-se nas prateleiras dos supermercados alimentos enriquecidos com vitaminas e outros ingredientes ditos funcionais.

As promessas são muitas: ajudar no controle do peso, do colesterol e no funcionamento do intestino. Fortalecer o sistema imunológico, prevenir a osteoporose, a flacidez, o envelhecimento e, quiçá, o câncer. Até que ponto isso é verdade? Nem os especialistas sabem.

Segundo dados do Instituto Euromonitor, o mercado de alimentos e bebidas ligados à saúde e bem-estar no País cresceu 82% entre 2004 e 2009 - saltando de R$ 13,6 bilhões para R$ 24,8 bilhões. Estima-se que até 2014 o setor cresça outros 39%, impulsionado por consumidores como a gerente de marketing Rosemeire Fernandes, de 46 anos.

Entre shakes para emagrecer, suplementos vitamínicos, chás antioxidantes e produtos ricos em fibra e com 0% de açúcar, ela gasta cerca de R$ 400 por mês - isso sem contar a "comida de verdade". "É tão prático! No café da manhã, tomo um shake preparado com leite de soja e acrescento farinha de linhaça e colágeno em pó. Depois tomo uma cápsula com vitamina C e zinco. Em 5 minutos estou pronta para sair e tenho todos os nutrientes que preciso", conta.

Pilares da indústria. A busca por praticidade e saúde são os principais vetores do crescimento da indústria de alimentos, aponta levantamento da Nielsen, empresa especializada em pesquisa de mercado.

"As pessoas estão vivendo mais e de forma mais estressada. Buscam alimentos que possam neutralizar as agressões do meio ambiente", diz Jocelem Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais. "Sem dúvida você agrega valor a um produto quando comprova que ele, além de nutrir, traz um benefício para a saúde. Mas isso não é fácil", admite.

Algumas substâncias já foram referendadas pela ciência, como o ácido graxo ômega 3, diz a agrônoma Inar de Castro, da USP. Mas outras vedetes da indústria precisam ser mais bem estudadas para que se tenha certeza de sua eficácia e segurança.

"Ainda não podemos afirmar que antioxidantes trazem algum benefício, como retardar o envelhecimento ou prevenir doenças. As pesquisas não são conclusivas. É possível até que tenham efeito contrário do que se espera", afirma Inar.

Luciana Rabello, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, concorda e defende o consumo dos chamados nutracêuticos - vitaminas, antioxidantes e suplementos como o de colágeno - apenas sob orientação médica. "Nada garante que a absorção gástrica do colágeno traz algum benefício à pele ou aos ossos. E seu consumo regular pode sobrecarregar os rins, bem como o excesso de vitaminas e minerais." Consumidor perdido. Mesmo ao comprar produtos enriquecidos com ômega 3, reconhecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como auxiliar "na manutenção de níveis saudáveis de triglicerídios", o consumidor pode ser induzido ao erro. Para que o fabricante coloque a alegação de funcional no rótulo, a agência exige que o produto contenha pelo menos 0,1g do ácido graxo por porção e tenha como origem o óleo de peixe. Pesquisas indicam ser necessário ingerir entre 1,5 g e 2 g da substância para obter algum benefício.

Mas é possível encontrar nas gôndolas produtos que destacam no rótulo a presença de ômega 3, mas não trazem a alegação de funcional aprovada pela Anvisa - seja porque a origem do nutriente não é o óleo de peixe ou porque sua quantidade é muito pequena. "Para a gente que é leiga parece tudo a mesma coisa", diz a dona de casa Conceição Pires, de 59 anos.

Não é bem assim. O ômega 3 da linhaça e dos óleos vegetais, como o de canola, é de um tipo diferente, cuja absorção pelo organismo é menor. Aquele presente no suco da empresa Jandaia é extraído de algas e, de acordo com o fabricante, tem a mesma propriedade daquele retirado do óleo de peixe - sem o inconveniente do cheiro e do gosto forte. No entanto, cada copo de suco fornece apenas 0,008 g de ômega 3, ou seja, seriam necessários 200 copos para alcançar a quantidade ideal.

Walter de Souza, fornecedor da Jandaia, explica que acrescentar uma quantidade maior da substância ao suco deixaria o preço fora da média de mercado. "O plano é ter produtos economicamente viáveis para que o consumidor possa compor sua alimentação. Ele come um pão enriquecido, um suco, toma leite e assim chega à quantidade", diz.

Procurada pela reportagem, a Anvisa informou que o uso no rótulo de expressões como "contém ômega 3 ou "fonte de ômega 3" não são regulamentadas.

Enriquecidos. Rótulos que destacam informações como "fonte de ferro" ou "rico em vitaminas" também induzem o consumidor ao erro, diz o nutricionista Daniel Bandoni, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Muitos acabam achando que o consumo desses produtos os isenta de comer frutas e verduras. Mas estudos têm mostrado que a absorção dos nutrientes de produtos enriquecidos não é igual a dos alimentos in natura."

Além disso, continua Bandoni, a fortificação de produtos como refrigerantes e biscoitos recheados não anula características negativas, como o excesso de sódio, gordura, açúcar e aditivos químicos. "Não sou contra os industrializados, apenas acho que eles não podem ser a base de nossa alimentação", diz.

Para Jocelem Salgado, a indústria tem uma papel importante por sua capacidade de concentrar, em pequenas porções do alimento, altos teores de substâncias benéficas, como os fitosteróis, que reduzem a absorção do colesterol pelo organismo.

"Acredito que os alimentos funcionais podem sim prevenir doenças, desde que consumidos dentro de uma dieta equilibrada", defende.

Numa coisa os especialistas concordam: a receita para uma alimentação verdadeiramente saudável deve incluir uma grande variedade de alimentos in natura, grãos integrais e respeitar os hábitos culturais de cada população. Não há fórmula mágica.

Polêmicos, produtos são cada vez mais procurados

Faturamento com esses alimentos cresceu seis vezes nos últimos oito anos, diz entidade ligada à indústria do setor

Por Karina Toledo

Embora não sejam consenso entre especialistas, os alimentos funcionais estão caindo no gosto dos consumidores. Segundos dados da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), o faturamento com esse tipo de produto aumentou mais de seis vezes nos últimos oito anos - passando de R$ 532 milhões em 2002 para R$ 3,3 bilhões em 2010. Procuradas pela reportagem, as empresas defendem a eficácia de seus alimentos.

A Unilever, fabricante da margarina Becel, afirma que o produto tem apenas 35% de óleo em sua composição, em sua maioria de soja, "possuindo, assim, ótima proporção de gorduras mono e poli-insaturadas, como o ômega 3 e ômega 6, essenciais para todos os indivíduos".

A nota diz ainda que seria preciso ingerir 340 tomates, ou 168 cenouras, ou 120 maçãs, diariamente, para atingir a quantidade de fitoesterol necessária para obter o benefício na redução da absorção do colesterol.

A Wickbold informa que todos os produtos da empresa declarados como integrais utilizam a fibra de trigo sozinha ou junto com outros cereais integrais em sua formulação e, por isso, estão de acordo com a legislação. Afirma também que - como as demais empresas de panificação - assinou em abril deste ano um termo de compromisso com o Ministério da Saúde para redução de sódio.

"Toda a linha de pães integrais já atende a meta estipulada para 2012 e a linha de pães funcionais, para 2014. Sendo assim, os produtos referidos já atendem os padrões requisitados pelo Ministério da Saúde", diz a nota.

Probióticos. O nutrólogo e gastroenterologista Dan Waitzberg, indicado pela Danone para falar sobre o iogurte Activia, afirma que "nos primórdios da ciência probiótica" acreditava-se realmente que esses bacilos faziam parte da flora intestinal humana. Mas, continua, com o avanço de técnicas de identificação de cepas, descobriu-se que isso não é verdade.

"Tais microrganismos entregam benefícios à saúde de quem os consome, fato que veio a ser cuidadosamente comprovado por meio de um grande número de evidências científicas produzidas por pesquisas clínicas", diz o pesquisador da USP.

Procuradas pela reportagem, a Sundown e a Nutrella preferiram não se manifestar.

Denis Ribeiro, diretor do Departamento de Economia da Abia, diz que os alimentos funcionais representam apenas 1% do faturamento da indústria, mas reconhece que o crescimento do setor - cerca de 15% ao ano - está acima da média de mercado. Para Ribeiro, o fenômeno está ligado ao fato de que o consumidor está mais informado e preocupado com a saúde.

"As pessoas têm a ideia de que a indústria só quer ganhar dinheiro. Mas temos também uma visão de responsabilidade social", afirma.

O Estado de São Paulo

Cirurgia cardíaca menos invasiva é desenvolvida em SP

Em vez de operação de peito aberto, mais arriscada, um implante é feito por uma incisão de 5 cm para corrigir desgaste em válvula

Por José Maria Tomazela

Implante desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Braile Biomédica, de São José do Rio Preto, promete corrigir desgastes na válvula do coração sem precisar abrir o peito do paciente, num procedimento mais simples e rápido que o realizado atualmente pelos médicos.

O grupo criou uma válvula artificial, feita com pericárdio bovino (a pele que reveste o coração do boi), que pode ser implantada no paciente com a ajuda de um cateter, inserido por meio de um corte pequeno.

O implante é indicado para uma doença chamada estenose aórtica grave - um desgaste ou calcificação da válvula que regula o fluxo sanguíneo do coração para a aorta. A maioria dos pacientes com o problema é idosa, o que torna a cirurgia tradicional, feita com o peito aberto, de altíssimo risco.

Pela nova proposta, o tempo da cirurgia cai de 2 horas para 40 minutos e a recuperação, que leva de dois a três meses, ocorre em cerca de 15 dias. O corte, que na cirurgia convencional chega a 30 cm, resume-se a uma incisão de 5 cm.

O aparelho, com diâmetro médio de 24 cm, é prensado, introduzido no coração com um cateter e inflado com a ajuda de um minibalão, fixando-se na parede do coração. O processo todo é acompanhado em monitores com imagens de raio X.

Ainda em fase experimental, o implante já foi testado em 128 pacientes. Desses, pelo menos 20 estavam internados sem condições de alta e, depois de operados, deixaram o hospital.

Batizada de Inovare, a válvula aguarda aprovação Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser produzida comercialmente.

"Um estudo mostrou que 31,8% dos pacientes com estenose aórtica não podiam ser operados pelo método tradicional, por isso tivemos o impulso de fazer uma coisa menos invasiva", explica o cirurgião Domingo Braile, fundador da Biomédica. "Investimos R$ 3 milhões para desenvolver o projeto", conta.

A empresa estima que, assim que receber autorização para comercializar a válvula no País, receberá uma demanda de dez unidades por mês. Ela também pretende exportar o produto.

Inovação. Pioneira em válvulas cardíacas de pericárdio de boi - a primeira foi feita em 1973 e hoje são 70 mil fabricadas -, a Braile está envolvida em outro projeto inovador. Em cooperação científica com outras instituições, vai lançar próteses para substituir porções do aparelho digestivo suprimidas em razão do câncer.

Entre os produtos, uma prótese permite ao paciente submetido à retirada do esôfago voltar a se alimentar pela boca.

Sábado, 20.08.11

Folha de São Paulo

Cardiologistas vão contestar proibição de selos em produtos

Sociedade Brasileira de Cardiologia quer reverter do veto do conselho de medicina

Por Débora Mismetti, Editora-assistente de Saúde

A SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) afirma que vai recorrer contra a proibição de selos de entidades médicas em produtos.

O veto foi divulgado ontem pelo Conselho Federal de Medicina e integra um conjunto de novas regras para a publicidade de serviços médicos.

Por meio de nota, a SBC afirma que "certifica há mais de 15 anos a qualidade de mais de uma centena de produtos" e que esse certificado é "importante" para a prevenção de doenças cardíacas.

Entre os produtos que carregam o selos de aprovação da sociedade estão: aveia em flocos, biscoitos. leite em pó, sucos de uva, bebidas à base de soja, margarinas, óleos vegetais, azeite, queijos, sal e açúcar light, sanduíches light, hambúrguer, uma marca de salada de frutas, medidores de pressão e um grill.

A nota diz que uma comissão com dez cardiologistas e nutricionistas analisa os produtos e que a maioria dos que pedem o sele é rejeitada.

O presidente da SBC, o cardiologista Jorge Ilha Guimarães, conversou ontem com o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Dávila, sobre o veto ao selo.

Dávila falou à Folha e confirmou o encontro, no qual Guimarães defendeu a legitimidade do selo.

"Eu falei para ele colocar isso no papel e encaminhar ao conselho. Se a plenária entender que há um papel social para o selo, poderá ser feita uma exceção. Se não, ele será abolido."

Interesse comercial

O presidente do CFM afirma que a proibição foi decidida para evitar conflitos de interesses dos médicos com empresas, que pagam pela chancela das sociedades.

"Isso pode induzir o consumidor a achar que aquele produto é mil vezes melhor que o outro." Dávila estima que o pedido da sociedade de cardiologia seja analisado em cerca de 90 dias.

De acordo com o médico João Baptista Laurito Jr., professor colaborador de ética médica da Unicamp, os selos atendem a um interesse "estritamente comercial".

"A sociedade de cardiologia tem diversos outros meios para fazer isso. Pode publicar a informação de que produtos com tal característica são saudáveis, sem indicar marcas e produtos."

Folha de São Paulo

EUA aprovam nova droga para tratar linfoma de Hodgkin

De São Paulo - A FDA (agência que regula remédios e alimentos nos EUA) anunciou ontem a aprovação de uma nova droga para o tratamento do linfoma de Hodgkin.

A doença atinge células do sistema imunológico e pode ser curada na maioria dos casos. A nova droga, chamada brentuximab vedotin, também vai servir para tratar o linfoma anaplástico de células T, um tipo mais raro de tumor.

De acordo com Jairo José do Nascimento Sobrinho, hematologista do Centro Paulista de Oncologia, a maioria dos linfomas de Hodgkin são curáveis com o tratamento atual.

"Os que restam são muito difíceis de lidar. Essa medicação é uma das mais eficientes que já apareceu."

A droga, a princípio, vai ser usada em quem já tentou outros tratamentos e sofreu uma volta da doença. "Mas a tendência, no futuro, é que ela seja acoplada ao tratamento desde o início.

O remédio usa um anticorpo para direcionar a droga para o ataque das células do linfoma conhecidas como CD30.

Desde 1977 não surgia uma nova droga para tratar o linfoma de Hodgkin.

O Instituto Nacional de Câncer estima que houve 2.870 novos casos da doença em 2009.

Os sintomas mais comuns são suores noturnos e aumento dos gânglios.

Neste mês, o ator Reynaldo Gianecchini recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin, outro tipo de tumor linfático.

AGENDA

- Ato político pede a regulamentação da EC 29

No dia 24 de agosto, a Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados e a Frente Parlamentar da Saúde realizarão um ato pela aprovação da regulamentação da Emenda Constitucional 29.

As entidades médicas Nacionais – Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam) – participarão da mobilização. Comparecerão também parlamentares, representantes da sociedade civil organizada, entidades e profissionais da área da saúde.

Serviço

Data: 24 de agosto – quarta-feira

Horário: 10h

Local: Plenário 7 – Anexo II – Corredor das Comissões – Câmara dos Deputados


- I Fórum Nacional sobre Serviços Farmacêuticos em Hospitais

A Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (SCTIE/DAF), realiza, nos dias 25 e 26 de agosto, em Brasília, o I Fórum Nacional Sobre Serviços Farmacêuticos em Hospitais.

O evento tem como principal objetivo reunir os profissionais da área da farmácia hospitalar, os gestores do SUS e os administradores das unidades hospitalares para compartilharem as experiências que podem orientar o aprofundamento do tema. As vagas são limitadas.

As experiências exitosas vão destacar quatro eixos, que têm como temas a gestão da informação; o ensino, a pesquisa e a educação permanente em saúde; o cuidado e segurança do paciente; além do processo de trabalho, que é referente à infraestrutura física, tecnológica e recursos humanos no desenvolvimento das atividades da Farmácia Hospitalar.

Após as discussões, haverá a conseqüente tomada de decisão por parte do órgão a fim de alavancar novas práticas profissionais e de gestão, tais como o monitoramento das ações de assistência farmacêutica, participar ativamente do aperfeiçoamento contínuo das práticas da equipe de saúde e contribuir para a promoção da atenção integral à saúde, humanização do cuidado e efetividade da intervenção terapêutica.

Para mais informações sobre os objetivos e a programação do evento, clique

Serviço:

“I Fórum Nacional Sobre Serviços Farmacêuticos em Hospitais.”

Data: 25 e 26 de agosto de 2011

Horário: Credenciamento às 8h30 e abertura oficial às 9h

Contato: (61) 3315-3369

- CBA lança curso de gestão de profissionais de saúde

Recrutar e capacitar médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais da área de saúde para trabalhar de acordo com padrões internacionais de qualidade e segurança no cuidado com o paciente. Esse é um dos objetivos do curso Educação e Qualificação dos Profissionais de Saúde, promovido pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) — representante exclusivo no Brasil da maior agência acreditadora em saúde do mundo, a Joint Commission International (JCI). As aulas serão ministradas na sede do CBA, no Rio de Janeiro, nos dias 27 de agosto e 22 de setembro.

O curso, oferecido em parceria com a Universidade Lusófona de Portugal, vai abordar temas como recrutamento e retenção de profissionais, educação continuada, gestão do conhecimento e pesquisa de clima organizacional. De acordo com o professor Artur Parreira, as empresas precisam orientar seus profissionais a manterem os padrões de qualidade e excelência no desempenho de suas atividades.

"As organizações de saúde esperam de seus funcionários a capacidade de envolver-se com seus objetivos, além da melhoria e aprendizado constantes", explica Parreira. "Para isso, essas instituições precisam oferecer treinamento permanente para aperfeiçoar as competências exigidas, manter a agilidade da ação e evitar a estagnação profissional de seus colaboradores”.

Doutor de Ciências Biomédicas e subdiretor do Curso de Gestão Recursos Humanos da Universidade Lusófona, Parreira vai ensinar durante as aulas como realizar um Plano de Recursos Humanos bem-sucedido. "O sucesso do plano exige do gestor capacidade de liderança, visão estratégica da gestão de RH e atualização a respeito de temas ligados ao comportamento organizacional. Dessa forma, é possível manter a equipe sempre motivada e evitar o turnover de profissionais qualificados", enfatiza.

O curso Educação e Qualificação dos Profissionais de Saúde é voltado para gestores e lideranças intermediárias de instituições de saúde. O valor do investimento é de R$ 600 e a carga horária é de 24 horas/aula. As inscrições podem ser realizadas pelos e-mails eventos@cbacred.org.br ou secretaria.eventos@cbacred.org.br ou através dos telefones (21)3299-8241, 3299-8202 e 3299-8234.

Assessoria de Imprensa

SB Comunicação, tel. (21)3798-4357

Simone Beja, tel. (21)9367-3722

Igor Waltz, tel. (21)7674-1492


- 1º Hospital Management Summit

DCI

Setor hospitalar se reúne para debate sobre gestão

De 22 a 24 de agosto, a cidade de São Paulo receberá executivos de todo o País para o 1º Hospital Management Summit, fórum de práticas, inovação e negócios na gestão de hospitais. O evento é organizado pela International Business Communications (IBC) e contará com vários debates sobre a profissionalização da gestão no setor hospitalar privado do País.

"Os gestores estão buscando cada vez mais otimizar os recursos das instituições de saúde para obter uma administração eficiente, financeiramente sustentável e que atenda a todas as exigências de um mercado cada vez mais competitivo e profissionalizado" explica Yvelise Tonon, gerente do evento. "A grade do evento está baseada nestas premissas e visa apontar caminhos para os gestores atingirem tais objetivos", afirma Yvelise.

Ao longo dos três dias do encontro os executivos poderão conhecer e compartilhar algumas das melhores práticas na gestão hospitalar de todo o País. Investimentos em pessoal, tecnologia, sistemas mais eficientes de gestão, qualidade assistencial, planejamento estratégico e tendências serão alguns dos temas abordados.

O Hospital Management Summit é patrocinado pela Gtt Healthcare, 3Gen, Fiorentini, Senac São Paulo, Siemens, Air Liquide, DalBen Home Care e Grupo Tejofran. Informações no site www.hms-ibc.com.br ou pelo telefone: (11) 3017-6808.


- Pacientes Crônicos e de Alto Custo

Unidas / AssPreviSite

Modelos de Serviços para Gestão de Pacientes Crônicos e de Alto Custo - No contexto do modelo de gestão de cuidados

25 e 26 de Agosto de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

Apresentar o ciclo do modelo de gestão de cuidados, suas fases e resultados com vias de direcionar ações assistenciais e gerenciais. Apresentar os projetos de avaliação de condições de saúde em empresas e seguimento por linhas de cuidado. Apresentar o modelo de gerenciamento de casos para idosos fragilizados e pacientes de alto custo. Discutir a importância da padronização dos processos de avaliação, e estabelecimento de diretrizes assistenciais mínimas. Colocar em pauta a necessidade de tecnologia para alcance da qualidade, escala e abrangência dos programas propostos. O curso foi estruturado em formato de workshop para que os conceitos e as experiências possam ser debatidos e compartilhados entre professor e alunos. Artigos serão fornecidos e debatidos em sala de aula, palestras expositivas, relato de casos, e muita informação para que os participantes possam refletir sobre a real dificuldade em se implantar tais estratégias, com vias a redução do custo assistencial de seus beneficiários.

Instrutor

Dr Leonardo Pereira Florêncio

Público Alvo

Diretores, Gerentes, Supervisores, Líderes e colaboradores profissionais de todas as áreas da organização.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Tel. (11) 3289-0855 Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br

- 16º Congresso Abramge e 7º Congresso Sinog

Abramge / AssPreviSite

Sistema Abramge promove Congressos sobre Tecnologia e Sustentabilidade na Saúde Suplementar

O diretor-presidente da ANS será sabatinado durante os Congressos que reunirão os principais parceiros do Sistema

A tecnologia ganha espaço cada vez maior em várias áreas. E na saúde suplementar não é diferente. Novas vacinas, novos remédios e equipamentos sofisticados auxiliam os profissionais de saúde. No entanto, como aplicar as tecnologias de ponta sem perder a sustentabilidade do negócio? O Sistema Abramge, atento ao mercado, realiza nos dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo, capital, os 16º Congresso Abramge e 7º Congresso Sinog. O tema central dos eventos é "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento Sustentável".

Para falar sobre o atual estágio e as perspectivas tecnológicas do Brasil a Conferência Magna será feita pelo jornalista Ethevaldo Siqueira, comentarista da Rádio CBN e articulista do jornal O Estado de S. Paulo.

No primeiro dia de eventos, José Sant'Anna Bevilaqua, coordenador de Tecnologia do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), falará sobre a nova ferramenta do órgão para a realização do Censo 2010. Na parte da tarde o talk show "Qualidade como Fator de Sustentabilidade" abordará a Visão das Operadoras, dos Prestadores e da Acreditadora sobre o tema. As palestras serão ministradas, respectivamente, por Fábio Leite Gastal, superintendente médico assistencial do Hospital Mãe de Deus - Sistema de Saúde Mãe de Deus; Martha Sevedra, diretora do Hospital Barra D'Or Brasil; e Rubens Covello, presidente do Instituto Qualisa de Gestão (IQG).

Para fechar o dia, Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atual superintendente corporativo do Hospital Sírio Libanês, fala sobre "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento Sustentável do Sistema".

No segundo dia, será abordado o tema "Gestão Assistencial". Em foco, o "Gerenciamento de Doenças" e "Avanço Tecnológico na Gestão de Saúde". Apresentarão estes temas, respectivamente, Ana Cláudia Assis Pinto, líder da Prática de Gestão Estratégica de Saúde da Marsh Gestão de Benefícios; e John H. Harris III, CEO de Qualidade de Vida e vice-presidente de Inovações da Healthways International.

O talk show sobre Tecnologia para Pequenas e Médias Operadoras encerra o período da manhã. O assunto será ministrado por Luiz Antonio De Biase Nogueira, representante da Abramge no Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPPIS), que falará sobre "Tecnologia da Informação na Gestão da Saúde" e Lincoln de Moura Assis Junior, diretor-presidente da Zilics, com foco no "Acesso para Pequenas e Médias Operadoras".

Para finalizar os Congressos, Maurício Ceschin, diretor-presidente da ANS, será sabatinado em uma "Roda Viva" com a participação de líderes dos vários segmentos do setor.

Confira a programação completa e os descontos oferecidos nas inscrições dos eventos, clicando no link:

http://www.abramge.com.br/mailling/Redirect.aspx?3132|||333229|||www.abramge.com.br/16congresso.htm


- I Simpósio Norte- Nordeste de Gestão Hospitalar

Temática: Turismo de Saúde

Objetivo

O Simpósio Norte-Nordeste de Gestão-Hospitalar, tem como enfoque desta edição o Turismo de Saúde, abordando temas, reflexões e ações que venham a contribuir no aprimoramento da gestão hospitalar para o incremento do Turismo de Saúde de Pernambuco. A cidade do Recife é considerada o 2º maior Pólo Médico do país, contando com centros de excelência em medicina já inseridos na certificação em “acreditação hospitalar”. Por isto a necessidade do incremento do investimento neste nicho de Turismo no Estado de Pernambuco.

Dia e Horário:

Data: 22 de setembro de 2011

Horário: 08:00 às 18:00h

Local: Salão de Convenções do Real Hospital Português


- 1º Congresso Nacional de Hospitais Privados

Promovido pela ANAHP – Associação Nacional de Hospitais Privados em cooperação com a HOSPITALAR Feira e Fórum, o evento vai reunir os principais tomadores de decisão no setor de saúde para compartilhar experiências em gestão.

De 28 a 30 de setembro, administradores de hospitais públicos e privados, médicos, lideranças setoriais e profissionais da área estarão reunidos no Hotel Unique, em São Paulo. Com o tema central "A Importância dos Hospitais Privados na Saúde: Hoje e Amanhã", palestrantes nacionais e internacionais falarão sobre Sustentabilidade,

Gestão do Corpo Clínico, Parcerias Público-Privadas, Segurança do Paciente, Governança Clínica, Governança Corporativa, Indicadores de Desempenho, entre outros.

Iniciativa inédita, o evento é dedicado à gestão de estabelecimentos de saúde, troca de experiências e conhecimento do setor e terá a participação dos principais hospitais do País. Para conhecer o programa e inscrever-se, basta acessar www.cnhp.com.br

- 14º Conferência Nacional de Saúde

Tema

“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”

A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional. As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.

Mais informações no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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