Leia
nesta edição:
- Proposta
espera há 11 anos por regulamentação
- Médicos: Paralisação afeta 35 milhões
de pessoas
- Baixa adesão à greve
- Greve não muda impasse entre médico
e plano
- Câmara descarta nova CPMF para a Saúde
- PT insiste
em 'nova CPMF', mas sofre derrota e Emenda 29 passa na Câmara
- Percentuais definidos
- Câmara aprova Emenda 29 e rejeita a criação
de contribuição para a saúde
- Câmara
veta novo imposto
- CGU encontra irregularidades em 6 hospitais
- O envelhecimento
e os gastos com a saúde
- CPMF insepulta
- Médicos questionam quebra de patente para doença
crônica
- Brasil
e Cuba fazem parceria para produzir remédios
- A privatização dos HU's é aprovada
- PR: Opção pela carreira de médico
- Greve atingiu
90% dos médicos que atendem planos
- FenaSaúde: Novo parâmetro para remunerar médicos
- Quase 6 mil mortos em quatro hospitais em oito meses
- Remédio
para diabetes em falta
- O papel
da ANS na relação entre planos e prestadores
- 4ª fase do programa de qualificação
de operadoras
- ANS: Caderno
de Informação da Saúde Suplementar
- CRM de
Mato Grosso move ação por conta da falta
de diálogo sobre modelo
- Deputados
visitam hospitais para investigar superlotação
- Marco Maia
quer agilizar comissão que discutirá financiamento
da saúde
- Câmara
rejeita ressarcimento do SUS em caso de acidente de trabalho
- Arquivado
projeto que previa datas alternativas de vacinação
- Câmara rejeita criação de novo tributo
para financiar saúde
- Câmara amplia para até 90 dias aviso prévio
de trabalhador
- Relator
sugere conselho deliberativo sobre saúde complementar
- Exército de defesa deixa corpo "seco"
- Aviso prévio
pode chegar a 90 dias
- Alzheimer
atinge 40% da população acima de 80
anos
- Coqueluche
em bebês
chega pelos adultos
- Início
da primavera: Aumento de casos de catapora
- Texto mantém percentuais de repasse para saúde
exigidos para estados e municípios
- Deputados
visitam Anvisa para tratar do complexo industrial da saúde
- Norma estabelece
padrão para inspeção
das indústrias de medicamentos
Quinta-feira, 22.09.11
O Globo
Proposta
espera há 11 anos por regulamentação
Emenda 29:
A Proposta de Emenda Constitucional número
29 foi aprovada pelo Congresso há exatos 11 anos, em setembro
de 2000. Mas sua regulamentação - com o detalhamento
de sua aplicação - está pendente de aprovação
final. A emenda define que estados devem gastar 12% de suas receitas
em Saúde, enquanto os municípios, 15% das receitas.
Para a União foi estabelecido o Piso Nacional de Saúde
- o orçamento do governo federal para o setor é acrescido,
a cada ano, da variação do PIB nominal (inflação
mais crescimento da economia) do período. Em média,
a União aplica 7% de suas receitas.
Regulamentação: A aprovação final
da regulamentação da Emenda 29 foi votada pela
Câmara ontem. Com a regulamentação, ficam
estabelecidos critérios mais rigorosos para definir o
que é, de fato, gastos com Saúde pública.
Isso para evitar que os estados incluam outras despesas para
chegar ao mínimo de 12%, o que é chamado de maquiagem
contábil. Alguns estados incluem aposentadorias e merenda
escolar, por exemplo, como gastos em Saúde. Segundo dados
do Ministério da Saúde, descontando essa maquiagem,
13 estados aplicam menos de 12% no setor.
Novo imposto:
Na votação em primeiro turno da
regulamentação da Emenda 29, deputados governistas
incluíram a criação de um novo imposto para
financiar a Saúde, em substituição à CPMF,
extinta em dezembro de 2007. Batizada de Contribuição
Social para a Saúde, a CSS seria nos moldes da CPMF, com
uma alíquota de cerca de 0,1% sobre todas as movimentações
financeiras. O texto base foi aprovado há mais de um ano,
mas a votação não foi concluída.
Para derrubar
a CSS: Um destaque apresentado pelo DEM retira do texto base
o percentual
de cobrança da CSS. Esse destaque é que
foi votado ontem pela Câmara e aprovado, inviabilizando,
assim, a cobrança do novo tributo. Assim, a CSS será "criada",
mas sem condições de ser colocada em prática.
Para a contribuição ser cobrada seriam necessários
o envio e a aprovação de outro projeto estabelecendo
a alíquota.
Governadores
e Cãmara: Com as regras mais rígidas
para aplicação de 12% de suas receitas em Saúde,
os governadores alegam que precisam de mais recursos. A maioria
defendia a volta de um tributo como a CPMF, mas muitos temem
o desgaste político da medida. Já sugeriram uma
taxação maior para cigarros e bebidas, repasse
de parte dos royalties do pré-sal e até a legalização
do jogo para engrossar o orçamento da Saúde. O
governo federal rejeita essas propostas.
Planalto
e Senado: O governo não pretende impedir a aprovação
da regulamentação da Emenda 29 na Câmara
nem brigar pela aprovação definitiva da CSS. Esse
interesse era maior dos governadores, alegava o Planalto. A preocupação
da presidente Dilma é quando a Emenda 29 chegar ao Senado,
onde há possibilidade de ser incluído um texto,
já aprovado pelos senadores, que fixa em 10% das receitas
o mínimo que a União deve investir em Saúde.
O governo quer continuar com os seus atuais 7% em média
- cerca de R$70 bilhões por ano.
Jornal Monitor Mercantil
Médicos: Paralisação afeta 35 milhões
de pessoas
Por
salários melhores, médicos
suspendem atendimentos
Seis meses
após a primeira paralisação,
os médicos voltaram, ontem, a suspender o atendimento
aos beneficiários de planos de saúde por quase
todo o Brasil, afetando, de acordo com estimativas, entre 25
milhões e 35 milhões de usuários, o equivalente
a 76% do total de clientes em todo o país.
Atendimentos
de urgência e emergência foram mantidos.
Os clientes afetados - muitos foram surpreendidos pela paralisação
- poderão remarcar suas consultas.
Em abril
deste ano, os médicos fizeram o primeiro boicote às
operadoras, quando interromperam por um dia o atendimento de
todos os planos. Desta vez, os planos que não negociaram
ou não apresentaram propostas suficientes para atender às
reivindicações da categoria foram o alvo do protesto.
Os médicos querem o aumento imediato dos honorários,
reajuste fixo anual da remuneração e o fim da interferência
das empresas em sua autonomia. As associações médicas
defendem o valor de R$ 60 por consulta. De acordo com elas, os
planos pagam, em média, R$ 40. Segundo a categoria, as
mensalidades dos planos foram reajustadas em 150% nos últimos
anos, mas as operadoras destinam menos de 20% da arrecadação
para a remuneração dos profissionais.
"Reclamações contra empresas de planos e
seguro-saúde estão preponderando nestes últimos
anos. Isso é sinal claro do desrespeito dessas empresas
com os pacientes e prestadores de serviço. Esse é o
cenário atual da saúde suplementar que se iniciou
com a mobilização em 7 de abril e que culmina agora
com essa paralisação de 24 horas. Nossa expectativa é manter
negociações e chegar a um acordo que beneficie
prestadores e usuários", afirmou Florentino Cardoso,
presidente eleito da Associação Médica Brasileira.
Segundo ele, "o recurso da saúde suplementar que
vai para o médico caiu quase pela metade"
Em relação à interferência
no trabalho, as entidades alegam que as empresas recusam determinados
exames
e chegam a mudar procedimentos.
Forte
adesão
As negociações com as operadoras foram feitas
pelos representantes de cada estado. Por isso, cada unidade da
Federação definiu sua própria lista com
os planos que serão afetados.
O protesto
ganhou forte adesão nacional. Em nove estados
(Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro,
Tocantins), a suspensão atingiu todas as empresas de saúde
suplementar. O Amazonas, Roraima e o Rio Grande do Norte ficam
fora do protesto porque as negociações com as operadoras
estão mais avançadas.
Em outros
15, a mobilização afetou consultas e
procedimentos a planos selecionados localmente. Na lista, os
nomes que aparecem com mais freqüência são
os seguintes (o número indica o total de estados que incluem
estes planos como alvo): Amil (14), Assefaz (12), Bradesco (12),
Caixa (13), Capesaúde (11), Capesesp (11), Casf (11),
Cassi (15), Conab (11), Correios (13), Eletronorte (11), Embrapa
(11), Embratel (11), Fassincra (12), Geap (17), Golden Cross
(14), Hapvida (14), Norclinica (11), Petrobras (11), Plan Assiste
(12), Smile (11), SulAmérica (15) e Unimed (12).
Cobranças
Os profissionais
cobram posicionamento e articulação
da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
responsável por regular o setor, para solucionar as divergências
entre a categoria e os planos.
"Chegamos ao limite da tolerância e essa é a
nossa resposta ao silêncio das operadoras quanto ao nosso
movimento de 7 de abril", afirmou o presidente da Federação
Nacional dos Médicos (Fenam), Cid Carvalhaes, questionando
a falta de empenho de algumas empresas em renegociar os aviltados
honorários médicos.
O vice-presidente
do Conselho Federal de Medicina (CFM), Aloisio Tibiriçá, chamou a atenção para a
responsabilidade governamental quanto ao assunto. "Há um
claro desequilíbrio nesse setor e a Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS), responsável por essa
regulação, nada está fazendo. Isso é inaceitável,
pois está em jogo a assistência a 46 milhões
de pessoas e o governo não pode fugir a essa responsabilidade",
acrescentou.
ANS
Criticada
por omissão, a Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) divulgou nota esclarecendo que "não
tem amparo legal para regular a remuneração médica". "Não
procede o paralelo traçado por algumas entidades tentando
associar a regulação do reajuste dos contratos
de planos individuais e familiares com o reajuste de prestadores
de serviço. O reajuste dos planos individuais está expresso
na lei 9.656/98. Não há previsão legal para
a ANS determinar o percentual do reajuste de prestadores de serviço,
inclusive de médicos", afirma comunicado publicado
no site da associação. "Não há ineficiência
ou omissão por parte da ANS e sim respeito à legalidade".
A associação reconhece "a legitimidade do
movimento proposto pelas entidades representativas dos médicos
na defesa por melhores condições de remuneração
dos seus profissionais", mas também destaca a "necessidade
de que esses movimentos não prejudiquem o atendimento à população".
"É importante salientar que as operadoras possuem
a obrigação de oferecer a assistência médica
contratada pelos seus beneficiários. Neste sentido, a
ANS atuará para que esta obrigação de garantir
o acesso do consumidor/beneficiário aos serviços
por ele contratados seja cumprida", afirma nota.
Nova Proposta
Diante do
protesto dos médicos, a Federação
Nacional da Saúde Suplementar (Fenasaúde), que
representa as 15 maiores operadoras do país, informou,
em nota, ter formalizado à ANS uma nova proposta de remuneração.
De acordo
com a federação, os serviços
ofertados pelos planos seriam organizados em grupos, conforme
a complexidade. Em cada grupo, será definido um valor
que valerá para todos procedimentos, nivelado pelo mais
alto. Ainda segundo as operadoras, o reajuste das consultas médicas,
nos últimos dez anos, ficou acima da variação
da inflação no período, que foi de aproximadamente
56%.
Entretanto,
a diretoria da Fenam e o CFM afirmaram que não
foram procuradas para negociar os honorários e "desconhecem
a negociação por parte da seguradora e que as entidades
médicas não foram procuradas pela mesma para negociar
os honorários pagos aos médicos".
Correio Braziliense
Baixa
adesão à greve
Por Gustavo Henrique Braga / Ana Carolina Dinardo
A paralisação dos médicos em protesto contra
as baixas remunerações oferecidas pelos planos
de saúde teve baixa participação no Distrito
Federal. Apesar de o sindicato local da categoria ter assegurado
uma "adesão total", a reportagem percorreu os
principais hospitais particulares da cidade e constatou que,
na maioria dos casos, os pacientes foram atendidos normalmente.
Já um balanço nacional divulgado pela Associação
Médica Brasileira (AMB) apontou um índice de adesão
de 70%. A categoria reivindica o pagamento imediato de, no mínimo,
R$ 60 por consulta e de R$ 80 a partir do ano que vem, além
da definição contratual de critérios para
reajustes periódicos.
O dia foi
marcado por protestos em por todo o país. Em
Brasília, os presidentes do Conselho Regional de Medicina
(CRM), Iran Cardoso, e do Sindicato dos Médicos de Brasília,
Gutemberg Fialho, se reuniram a um grupo de médicos no
Centro Clínico da 716 Sul. Além disso, membros
da coordenação nacional do movimento entregaram
ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um manifesto
sobre os problemas na relação com as operadoras.
Os médicos afirmam que, nos últimos 12 anos, a
inflação chegou a 120% e os reajustes dos planos
a 150%, mas os honorários médicos não passaram
de 50%.
A aposentada
Izaura Romão da Silva, 64 anos, foi ao hospital
para uma consulta pela Amil e conseguiu ser atendida. "Não
tive nenhum problema. Acredito que os médicos daqui não
aceitaram o protesto", disse.
Procurada,
a Federação Nacional da Saúde
Suplementar (FenaSaúde) apresentou cálculos diferentes
dos médicos: segundo a entidade, o valor das consultas
praticado por afiliadas teve reajuste entre 83,33% e 116,30%
de 2002 a 2010, contra uma inflação de 56,6% no
período. Já a União Nacional das Instituições
de Autogestão em Saúde (Unidas) informou que fez
neste ano "melhorias significativas na remuneração
dos profissionais". A Associação Brasileira
de Medicina de Grupo (Abramge) afirmou que decidir sobre pagamentos
de honorários "é responsabilidade de cada
prestador".
Folha
de São
Paulo
Greve
não muda impasse entre médico
e plano
Profissionais
reivindicam reajustes em repasses de honorários
feitos por convênios
De
São Paulo e Brasília
Mesmo após a paralisação nacional de 24
horas de médicos no atendimento a planos de saúde,
o impasse nas negociações entre a categoria e as
empresas não foi resolvido ontem.
As entidades
médicas, que ontem buscaram apoio de deputados,
senadores e do ministro Alexandre Padilha (Saúde), pretendem
agora esperar a negociação entre os planos e as
comissões de honorários médicos dos Estados
para definir os novos rumos do movimento.
O presidente
eleito da associação, Florentino
Cardoso, diz acreditar que essa reavaliação possa
ser feita no prazo de 30 dias.
As principais
reivindicações são reajustes
nos repasses e o fim da interferência dos planos em atos
médicos.
A AMB (Associação Médica Brasileira) estimou
que 70% dos médicos que fazem consultas por planos aderiram à paralisação
de ontem.
No entanto,
a maioria das clínicas e dos hospitais procurados
pela reportagem em diferentes Estados informou que os pacientes
foram atendidos normalmente.
Uma das exceções foi o Hospital Santa Luzia, um
dos principais de Brasília, onde 14 de 16 médicos
deixaram de atender planos no ambulatório. Mas o hospital
lembrou que houve remarcação de consultas com antecedência.
A Fenasaúde (Federação Nacional de Saúde
Suplementar), que representa 15 grupos de planos privados, propõe
que o trabalho dos médicos seja classificado "a partir
da complexidade dos procedimentos" e que o pagamento a esses
procedimentos seja nivelado por cima.
A entidade
porém, diz que cada convênio estará livre
para negociar a remuneração.
A Fenam (Federação Nacional dos Médicos)
e o Conselho Federal de Medicina dizem desconhecer a proposta.
Alguns planos
de saúde informaram já estar negociando
com os médicos.
A Amil, por
exemplo, que representa Blue Life, Dix Amico e Medial, disse
que negocia
localmente com as entidades de médicos
e que "muitos desses acordos já foram encaminhados".
Rodízio
Os médicos de São Paulo anunciaram ontem que vão
aumentar o número de planos que serão incluídos
no rodízio de atendimento -que começou neste mês
e deve continuar em outubro.
Também usado como forma de protestar contra os repasses,
o rodízio segue um cronograma de paralisação
por especialidade.
Os planos
de saúde que fazem parte do rodízio
a partir de agora são: Ameplan, Golden Cross, Green Line,
Intermédica, Notre Dame, Prosaúde, Blue Life, Dix
Amico, Medial, Geap e Volkswagen.
O Globo
Câmara descarta nova CPMF para a Saúde
Por Isabel Braga
PT foi o único partido a recomendar voto pela criação
de novo imposto; proposta agora voltará para o Senado
Brasília. Sem viabilizar a cobrança de um novo
imposto para financiar a Saúde, como desejavam setores
do governo e alguns governadores, a Câmara finalizou ontem
a votação do projeto de lei complementar que estabelece
regras mais rígidas para os gastos no setor por estados
e municípios. O texto regulamenta a chamada Emenda 29,
proposta de emenda constitucional aprovada em 2000, que fixa
os gastos mínimos com a Saúde Pública.
O projeto,
que volta agora para o Senado, começou a ser
votado pelos deputados em 2008, quando foi aprovada no texto
a criação da Contribuição Social
para a Saúde, a CSS, que substituiria a extinta CPMF.
Mas, na votação de ontem, a aprovação
de um destaque do DEM tornou inviável a cobrança
do novo tributo, pois retirou a base de cálculo da CSS
- que teria alíquota de 0,1% sobre todas as movimentações
financeiras.
Na votação de ontem, apenas o PT recomendou voto
favorável à criação do imposto. O
líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza
(PT-SP), liberou a base aliada, que votou com o destaque do DEM.
Deputados petistas estão incomodados com a postura da
presidente Dilma Rousseff de recuar e defender a criação
do imposto para a Saúde. No total, foram 355 votos favoráveis à manutenção
do texto, 76 contra e 4 abstenções.
Nem todos
os governadores, no entanto, desistiram de defender a criação de um imposto para custear a Saúde
e tentarão pressionar os senadores neste sentido. Ontem,
em almoço com o presidente da Câmara, Marco Maia
(PT-RS), a maioria deles reconheceu a necessidade de mais recursos
para a Saúde, mas poucos defenderam publicamente um novo
tributo.
- Não podemos querer que as coisas melhorem e não
pagar o preço de um eventual desgaste. Não acho
que seja desgaste, eu já aplico o percentual no estado.
Seria um bom começo aprovar os 0,1% sobre movimentação
financeira acima de R$3 mil - afirmou o governador da Bahia,
Jacques Wagner (PT).
A regulamentação aprovada ontem traça o
que é considerado efetivamente gasto com Saúde
dentro do percentual de 12% para estados e 15% para municípios.
A regulamentação fixa critérios para os
gastos, evitando que estados incluam outras despesas para cumprir
o percentual de 12%, como despesas com merenda escolar, por exemplo.
- É uma reivindicação histórica
(a regulamentação da Emenda 29) e retira e proíbe
a utilização de outros subterfúgios que
não são gastos com Saúde - afirmou Marco
Maia.
Mas o texto
que segue agora para o Senado, se for votado como a Câmara aprovou, terá de ser corrigido ou implicará perdas
para a Saúde. Isso porque, no texto-base aprovado em 2008,
o deputado Pepe Vargas (PT-RS), relator na Câmara, estabeleceu
que o percentual de 12% para gastos com a saúde não
poderia incidir sobre o valor que os governadores usam, de sua
arrecadação, com o Fundeb (Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica). A
retirada dos gastos do Fundeb do total da arrecadação
dos estados significará um perda de cerca de R$7 bilhões
para a Saúde.
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves
(RN), deixou claro que a tarefa de encontrar uma saída
para o financiamento da saúde será agora dos senadores.
- O Senado
que encontre agora uma fórmula - afirmou.
Agora, o
maior temor do governo é que seja retomado o
projeto do então senador e hoje governador do Acre, Tião
Viana (PT), que fixa em 10% das receitas o mínimo que
a União deve investir em Saúde.
O Globo
PT
insiste em 'nova CPMF', mas sofre derrota e Emenda 29 passa
na Câmara
Por Denise
Madueño e Eugênia
Lopes
Bancada do
partido da presidente Dilma Rousseff foi a única
a votar ela criação de novo imposto destinado a
custear a saúde, medida que acabou derrotada durante aprovação
do texto
Brasília - A Câmara rejeitou na quarta-feira, 21,
a criação de um imposto para a saúde, nos
moldes da antiga CPMF, ao vetar um dos artigos do projeto de
lei complementar que regulamenta os gastos públicos para
o setor. Apenas a bancada do PT, partido da presidente Dilma
Rousseff, votou a favor da nova taxa, deixando claro que vai
trabalhar pela criação do tributo.
O projeto
que regulamenta a Emenda 29, no entanto, foi aprovado pela
Casa e agora seguirá para o Senado. Na votação
de quarta-feira, o PT votou a favor da instituição
da Contribuição Social para a Saúde (CSS),
incluída na proposta pelo governo de Luiz Inácio
Lula da Silva. A posição dos petistas converge
com o desejo da presidente Dilma Rousseff de encontrar uma nova
fonte de recursos voltada exclusivamente para custear ações
do setor.
Mas, sem
ceder à pressão dos governadores, a Câmara
terminou a votação do projeto que regulamenta a
Emenda 29 excluindo a CSS. O placar registrou 355 votos contrários à nova
contribuição, 76 a favor e 4 abstenções.
A proposta, cujo texto principal já havia sido aprovado
em 2008, estava pendente apenas da votação do artigo,
rejeitado na quarta-feira, que previa a base de cálculo
da CSS. Sem esse artigo, fica inviabilizada a cobrança
da contribuição.
A intenção de buscar uma solução
para custear gastos na saúde desagradou ao líder
do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Em um discurso
enfático, com toques de ironia, ele transferiu para o
Senado, onde o projeto terá de ser votado, o encargo de
descobrir a fonte de recursos defendida pelos governadores e
pela presidente da República.
Henrique
Alves lembrou que o Senado derrubou, em dezembro de 2007, a
Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) e a base governista na Câmara acabou
ficando com o encargo de criar a CSS para substituir os recursos
para a saúde. "Senadores, o abacaxi agora passa para
as mãos dos senhores e senhoras. Quando vocês chegarem
a uma conclusão, nós estaremos esperando ansiosos
a sábia proposta dos senhores", disse o líder
do PMDB. Ele propôs um pacto para que a Câmara não
se desgaste em busca alternativas.
Pressão. A maioria dos governadores defende a criação
de um tributo nos moldes da extinta CPMF. Antes da votação,
governadores e representantes de 21 Estados desembarcaram na
quarta-feira em Brasília para tentar convencer os líderes
partidários da necessidade de buscar esse dinheiro novo.
"Todos os governadores foram firmes e categóricos
na necessidade de busca de novas fontes de financiamento para
a saúde. Não há, no entanto, acordo para
a criação de um imposto nos moldes da extinta CPMF",
disse o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), anfitrião
do encontro com 14 governadores e 7 vice-governadores e representantes
dos Estados.
Para atender
ao apelo dos governadores e do Palácio do
Planalto, Maia decidiu criar uma comissão para estudar
novas fontes de financiamento para a saúde. "Essa
comissão vai pensar fontes alternativas para financiar
a saúde. Mas não é para agora", afirmou
o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB).
O projeto define que caberá à União destinar à saúde
o mesmo valor do ano anterior, mais variação do
Produto Interno Bruto (PIB). Os Estados devem destinar 12% e
os municípios, 15% das receitas.
Correio Braziliense
Percentuais definidos
Por Paulo de Tarso Lyra
A regulamentação da EC 29 se arrasta no Congresso
desde 2000. Ela define quais os percentuais que estados e municípios
devem gastar exclusivamente em Saúde, com base nas respectivas
receitas brutas. Pelo texto aprovado ontem, os governadores precisam
investir 12% no setor, e os municípios, 20%. A União
tem que destinar à área o valor empenhado no Orçamento
anterior somado à variação nominal do Produto
Interno Bruto (PIB).
Mais do que
os percentuais de investimentos — os prefeitos
alegam que já investem o que a futura lei obriga —,
a Emenda 29 define que essas verbas devem ser aplicadas diretamente
na área. Alguns governos estaduais, por exemplo, realizam
obras de saneamento básico e alegam que, sem esgoto, a
saúde pública fica prejudicada.
A Emenda
29 foi ressuscitada quando o Senado extinguiu a CPMF, em dezembro
de 2007. O governo
tinha um plano para a Saúde
e precisava de, aproximadamente, R$ 40 bilhões por ano
para financiar as ações. Surgiu, então,
a ideia de criar a Contribuição Social para a Saúde
(CSS), derrubada ontem. Diferentemente da CPMF, contudo, ela
não tinha a chamada base de cálculo: enquanto a
primeira contribuição era um desconto de 0,38%
a cada movimentação financeira, ninguém
sabia de onde seria descontado os 0,1% da CSS.
Valor
Econômico
Câmara aprova Emenda 29 e rejeita a criação
de contribuição para a saúde
Por Yvna
Sousa e Sérgio Ruck Bueno, de Brasília
e Porto Alegre
A Câmara dos Deputados concluiu ontem a votação
do projeto que regulamenta a Emenda Constitucional nº 29,
estabelecendo percentuais mínimos de investimentos públicos
na área de saúde. Por 255 votos a favor, 76 contra
e 4 abstenções, os deputados rejeitaram o artigo
que estipulava a base de cálculo da Contribuição
Social para a Saúde (CSS), inviabilizando, na prática,
a criação do tributo.
Todos os
líderes orientaram as bancadas a votar contra
a CSS, exceto o PT. "Esta Casa já decidiu pela criação
do imposto e face à urgência dessa matéria,
a Câmara sinaliza para o povo brasileiro que nós
queremos resolver imediatamente o tema da saúde e continuar
o debate que possibilitará mais recursos [para o setor]",
discursou o líder do PT, Paulo Teixeira (SP), na tribuna.
O partido
patrocinou a criação do tributo em 2008,
quando foi aprovado o texto base de regulamentação
da Emenda 29. A legenda julgou que seria incoerente seguir a
maioria e votar contra a criação da CSS, embora
o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza
(PT-SP), tenha liberado a bancada para votar contra ou a favor
do imposto.
Embora os
deputados tenham rejeitado a criação
de outra CPMF, o discurso majoritário é de que é preciso
buscar novas fontes de financiamento para a saúde. A preocupação
também foi reforçada durante almoço promovido
ontem pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que
reuniu a ministra das Relações Institucionais,
Ideli Salvatti, líderes da base e da oposição,
14 governadores, cinco vices, além de representantes de
diversos Estados.
"Todos os governadores concordam que é preciso ter
mais financiamento para a área de saúde, mas não
há concordância sobre o mecanismo de criação
de um novo tributo", afirmou ao final do encontro o governador
do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB).
Entre as
propostas apresentadas, a que obteve maior apoio dos governadores
foi
a de mudar o indexador da dívida dos
Estados com a União, que hoje é o IGP-DI, para
outro índice, como o IPCA, e aplicar na saúde a
diferença do que seria comprometido com o pagamento das
dívidas com o governo federal. A proposta, apresentada
pelo governador do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), foi classificada
pelo líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), como "mais
do que uma sugestão, mas uma ideia criativa".
Marco Maia
anunciou ao final do encontro a criação
de uma comissão especial para discutir soluções
que ampliem os recursos destinados ao setor. Embora a Câmara
demonstre disposição em continuar debatendo o assunto,
o projeto de regulamentação da Emenda 29 segue
para nova apreciação do Senado, onde o texto ainda
pode sofrer alterações e, por isso, atrai o olhar
atento do Executivo.
A Casa não pode incluir nova matéria, como uma
nova base de cálculo para um imposto, mas pode retomar
texto apresentado pelo ex-senador Tião Viana (PT), atual
governador do Acre. O mecanismo, que será combatido pela
ala governista, vincula à saúde 10% da receita
líquida da União. Pela regra atual, o governo federal
deve destinar ao setor o que gastou no ano anterior, mais a variação
do Produto Interno Bruto (PIB).
Os senadores
da base aliada também terão a missão
de derrubar o trecho do projeto que exclui os recursos do Fundo
de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais
da Educação (Fundeb) da Emenda 29. Nas contas do
Ministério da Saúde, tal artigo pode retirar cerca
de R$ 6 bilhões da saúde.
Em Porto
Alegre, o presidente da República em exercício,
Michel Temer (PMDB), disse que o governo vai "levar em consideração" a
proposta dos governadores de alteração no indexador
das dívidas dos Estados com a União como alternativa
de financiamento para a saúde.
"Isto já está sendo cogitado pelo governo
há bastante tempo", disse Temer. "Já houve
manifestações de alguns governadores que procuravam
esta renegociação da dívida, mas se hoje
[ontem] houve uma decisão mais conjunta em Brasília
o governo vai examinar as possibilidades econômicas e financeiras
de fazer esta reequação", reforçou,
referindo-se à reunião de Marco Maia com líderes
e governadores. (Colaborou Fernando Exman, de Brasília)
Correio Braziliense
Câmara
veta novo imposto
Por Júnia
Gama
Ao concluir
a votação da Emenda 29, deputados
aprovam o destaque que derruba a criação da CSS,
mas não definem outra fonte de financiamento para a Saúde
A Câmara concluiu ontem a votação da regulamentação
da Emenda Constitucional 29 (EC 29), com a derrubada da Contribuição
Social para a Saúde (CSS). Por enquanto, o texto segue
para o Senado sem a criação de um imposto, mas
a votação está longe de ser o último
capítulo da novela em que se transformou a definição
dos gastos com Saúde. Foram 355 votos a favor e quatro
abstenções ao destaque de autoria do DEM que retira
a alíquota de 0,1% sobre as movimentações
financeiras para a CSS, o que, na prática, elimina a cobrança
de imposto. Apenas 76 deputados votaram contra. O corpo do texto
já havia sido apreciado em 2008. Agora, os senadores podem
fazer novas modificações ou até mesmo recuperar
o projeto que previa investimentos de 10% das receitas correntes
brutas da União em saúde, o que não agrada
o governo federal.
O presidente
da Câmara, Marco Maia (PT-RS), reconheceu
que a votação na Câmara não significa
o fim das discussões sobre o assunto e afirmou que o próximo
passo será a criação de uma comissão
especial para sugerir novas fontes de financiamento para a Saúde,
com o intuito de "contribuir para o debate" no Senado.
Maia não descarta a criação de um tributo,
o que atenderia as demandas da maioria dos estados.
O líder da minoria, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), acredita
que outras discussões serão iniciadas com a derrubada
da CSS. "A votação abriu um importante debate
para o governo, que é repensar o pacto federativo e a
distribuição dos royalties (do petróleo)",
disse. Para o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), secretário
de Saúde em Minas Gerais por sete anos, o Executivo precisa
planejar uma reestruturação de gastos para priorizar
a Saúde. "Não dá para falar em novo
imposto se a carga tributária já é tão
pesada. O governo vem aumentando a arrecadação
e continua pedindo mais recursos para a Saúde. O que deve
haver é uma aplicação melhor dessas verbas." Após
a votação, o líder do DEM na Câmara,
ACM Neto (BA), comemorou a derrubada da CSS. "Hoje (ontem)
a Câmara sepulta definitivamente o fantasma da CPMF",
comentou o parlamentar.
Estados
A maioria
dos governadores é favorável à criação
de um imposto para financiar a Saúde. Em almoço
realizado ontem na residência oficial de Marco Maia, apenas
os representantes de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB);
Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM); e Pará, Simão
Jatene (PSDB), posicionaram-se contrariamente a um aumento da
carga tributária para servir de fonte de recursos para
a Saúde.
Os 14 governadores
presentes ao evento, quatro vices e três
representantes de estados, além da ministra de Relações
Institucionais, Ideli Salvatti, e de líderes parlamentares,
discutiram a regulamentação da Emenda Constitucional
29 horas antes de o texto ser votado em plenário. A preocupação
dos governadores é com a obrigação de aumentar
gastos com a Saúde e com a determinação,
prevista no projeto, de excluir da rubrica de despesas com Saúde
itens que não são diretamente relacionados à área,
como saneamento e merenda escolar — artifício usado
com frequência nos governos estaduais para inflar as contas.
Os governadores
tentam dividir a fatura com o governo federal. Uma das sugestões, apresentada por Silval Barbosa (PMDB),
governador de Mato Grosso, e apoiada pela maioria dos colegas
foi a mudança do indexador do pagamento da dívida
dos estados com a União, o que diminuiria a carga sobre
os estados, liberando mais recursos para a Saúde.
O Globo
CGU encontra irregularidades em 6 hospitais
Prejuízos aos cofres públicos podem chegar a R$17
milhões
Após uma série de vistorias em seis hospitais
federais no Rio, a Controladoria Geral da União anunciou
ter encontrado indícios de superfaturamento, licitações
dirigidas e pagamentos sem contratos nos serviços de lavanderia,
alimentação, limpeza e vigilância. Num relatório
preliminar divulgado ontem pelo "RJTV" da Rede Globo,
a CGU diz que os prejuízos aos cofres públicos
podem chegar a mais de R$17 milhões. Os hospitais vistoriados
foram o do Andaraí, de Bonsucesso, de Ipanema, da Lagoa,
dos Servidores e o Cardoso Fontes.
Segundo a
CGU, o Hospital da Lagoa pagou mais de R$6 milhões
sem cobertura contratual pelo fornecimento de refeições
entre 2009 e 2011. Outra irregularidade foi o pagamento de quase
R$100 mil para a limpeza de uma área interditada para
obras. Durante as obras, o valor pago deveria ter sido suspenso,
segundo a Controladoria.
Na lavanderia
do Hospital Cardoso Fontes, a irregularidade seria na pesagem
das roupas
feita por funcionários terceirizados.
Nos registros, a entrada de roupa limpa é sempre maior
do que a saída de roupa suja. Segundo o relatório,
pode ter havido superfaturamento de R$200 mil.
A CGU também encontrou problemas no contrato feito pelo
Hospital dos Servidores do Estado para o serviço de lavanderia.
O prejuízo, devido ao superfaturamento, chegaria a quase
R$4 milhões. Até na alimentação servida
aos doadores de sangue pode haver irregularidades. O número
de lanches pago é 30% maior do que o número de
doadores. A irregularidade também está no serviço
de hemodiálise: o hospital pagou 60% mais lanches do que
o número de pacientes atendidos.
O Ministério da Saúde informou que só vai
decidir quais medidas serão tomadas após o término
das investigações.
Sobre a diferença de preços das refeições
nos hospitais da Lagoa e Cardoso Fontes, a empresa Denjud informou
que os custos dos serviços ao primeiro são, de
fato, maiores que os do segundo - por isso a diferença
entre os valores.
O
Estado de São
Paulo
O
envelhecimento e os gastos com a saúde
Por José Cechin
Costuma-se
medir a velocidade de envelhecimento de uma nação
pelo tempo que a sociedade demora a duplicar a proporção
de idosos. Enquanto esse processo demorou mais de 120 anos na
França; 85 anos, na Suécia; 76 anos, na Áustria;
e 70 anos, nos Estados Unidos; no Brasil ele ocorrerá em
menos de 20 anos, de 2011 a 2023.
Atualmente,
10% da população do País está com
60 ou mais anos de idade. Nos próximos 20 anos, esse número
chegará a 19% e, em 2050, crescerá para quase 30%.
Essa profunda mudança demográfica traz consequências
e as sociedades devem se preparar. Estas são óbvias
para a Previdência: despesas com benefícios aumentam,
trazendo enormes desafios para os sistemas públicos e
privados. Menos óbvias, mas igualmente importantes, são
as consequências para as despesas com saúde.
Dores nas
costas afligem 1,2% das pessoas até 17 anos,
enquanto afetam 30 vezes mais os maiores de 70 anos. Para o diabetes,
a relação supera cem vezes; e para a hipertensão
a relação é de 220 vezes. Exemplos que mostram
como idosos recorrem mais aos serviços de saúde,
utilizando os de maior complexidade e mais dispendiosos.
Nos últimos 50 anos as despesas com saúde cresceram
mais de 2 pontos porcentuais acima do crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB) em todos os países da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE). Nos Estados Unidos e na Espanha, passaram de 5,1% e 1,5%
do PIB, em 1960, para 15,2% e 9,2%, em 2008.
Nessa descrição dos impactos nos gastos com saúde
não desejo transmitir uma sensação de pessimismo.
Temos, no entanto, um sério problema a equacionar no universo
da saúde: o financiamento dos planos de saúde dos
idosos.
Considerando
que a maioria dos planos (mais de 70%) é custeada
essencialmente por empresas, a aposentadoria traz, como regra
geral, o fim do benefício. E, como vimos, é justamente
nesta fase que as pessoas mais gastam e utilizam serviços
de saúde, além de terem sua renda diminuída.
As normas
dos planos estabelecem um pacto entre gerações:
o preço é um pouco maior do que o custo médio
das faixas etárias abaixo dos 59 anos, para que possa
ser menor para os idosos. Mas, para se sustentar no tempo, é necessário
que se mantenha certa proporção de jovens para
cada beneficiário maior de 59 anos. Como essa relação
está se alterando profundamente, não haverá jovens
em número suficiente para subsidiar os planos de saúde
de tantos idosos que existirão.
Algumas reflexões a respeito desta nova realidade são
pertinentes. Primeiro, a saúde está se convertendo
num dos maiores setores da economia. As crescentes demandas poderão
trazer, como contrapartida, oportunidades de negócios
e sustentar o crescimento econômico nos próximos
anos.
Segundo,
o desenvolvimento tecnológico que aumenta a
precisão dos diagnósticos e terapias, reduz sofrimentos
e prolonga o tempo de vida com qualidade é desejo de todos.
No entanto, sua incorporação às práticas
médicas deve obedecer à comprovação
de seu custo-efetividade e das possibilidades econômicas
da sociedade.
Em terceiro,
parte do crescimento das despesas se deve ao crescimento das
doenças crônicas. O retorno a hábitos
saudáveis pode conter a epidemia de obesidade e de diversas
doenças que dela se originam. Por isso a importância
de estimular o pleno desenvolvimento das pessoas, inclusive assumindo
responsabilidades com sua própria saúde.
Como no Brasil,
e em outros países em desenvolvimento,
a transição demográfica ocorre de forma
acelerada, não se pode esperar que apenas adaptações
progressivas sejam suficientes para equacionar os problemas que
decorrem dessa profunda mudança. Medidas drásticas
serão necessárias e, quanto mais tardarem, mais
draconianas serão. É urgente que a sociedade se
debruce sobre este desafio e busque soluções sustentáveis
para a nova realidade que atingirá a todos.
Folha
de São
Paulo
Opinião
CPMF insepulta
Por Eliane
Catanhêde
Brasília - O líder do DEM, deputado ACM Neto (BA),
estufou o peito para dizer que "o fantasma foi enterrado",
logo depois da votação da regulamentação
da emenda 29, sobre recursos da saúde, na Câmara.
Foi um exagero. O fantasma da recriação da CPMF
com um novo nome continua assustando por aí.
O governo
perdeu a batalha para desenterrar a contribuição
já, mas está longe de perder a guerra. O DEM, que
capitaneou o fim da CPMF ainda na gestão Lula, machucando
o ego do então presidente, também liderou o movimento
que resultou nessa meia vitória da oposição
e meia vitória do governo. Conseguiu tirar a base de cálculo
e a alíquota de 0,1% da Contribuição Social
para a Saúde (vulgo CSS, reencarnação da
CPMF), que, assim, não vai valer de nada agora. Mas vira
uma alma penada.
A guerra
continua no Senado, que não vai poder refazer
o texto com o tal 0,1%, como estava, mas cria a chance de o governo
recolocar a discussão do aumento das "fontes de financiamento
da saúde"-eufemismo para recriar a CPMF. Decantada
a ideia, pode enviar um novo projeto com a base de cálculo
e a alíquota.
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, já deu
o primeiro grito de guerra, na véspera da votação
na Câmara, ao dizer que o setor precisa de mais R$ 45 bilhões
por ano para o Brasil se equiparar ao Chile e à Argentina,
por exemplo.
Como fazer
isso? Só com novo imposto. Por isso, o fantasma
não está nada enterrado. Está aí,
insepulto, na espreita, pronto para se materializar. Só não
dá para saber quando. Afinal, 2012 é ano de eleição
municipal. Eleição e novo imposto definitivamente
não combinam. Aí, nem Lula vai insistir nisso.
O discurso
de Dilma na ONU foi menos o comportado que o Itamaraty gostaria
e mais
o que ela quis, como já previsto aqui.
Além de firme na forma, ela foi incisiva no conteúdo
ao cobrar os pais da crise.
Folha
de São
Paulo
Médicos questionam quebra de patente para doença
crônica
Estratégia foi proposta pelo governo em reunião
da ONU nesta semana para facilitar acesso a remédios
Maioria
das drogas para doenças do coração
e diabetes já é genérica; falta acompanhamento
para os pacientes
Por Mariana
Versolato, de São Paulo
Nesta semana,
a presidente Dilma Rousseff defendeu, em reunião
de alto nível com chefes de Estado, em Nova York, que
as doenças crônicas não transmissíveis
podem motivar quebra de patentes de remédios, assim como
aconteceu com medicamentos contra a Aids.
A estratégia, porém, não é vista
como prioridade para reduzir a incidência e melhorar o
tratamento dessas doenças, segundo especialistas consultados
pela Folha.
São consideradas doenças crônicas não
transmissíveis câncer, diabetes, problemas cardíacos
e pulmonares.
Remédios necessários para o tratamento e a prevenção
de doenças cardiovasculares já tiveram suas patentes
expiradas e estão disponíveis na rede pública,
afirma Luiz Antonio Machado César, presidente da Socesp
(Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo).
A exceção é um remédio lançado
há pouco para um tipo de arritmia, que previne contra
derrames.
A novidade,
chamada dabigatrana, custa seis vezes mais do que a varfarina,
remédio usado para o mesmo fim há décadas
e com mais efeitos colaterais.
No caso do
diabetes, Airton Golbert, presidente da Sociedade Brasileira
de Endocrinologia
e Metabologia, diz que o tratamento
depende muito do paciente e da mudança de estilo de vida.
"Diabetes não é só medicação.
Antes de fazer a quebra de patente seria melhor oferecer programas
mais eficientes de acompanhamento dos pacientes para que eles
controlem a doença", afirma.
Câncer
O cenário é um pouco diferente no caso de câncer.
"As novas drogas oncológicas custam entre R$ 10
mil e R$ 20 mil a dose", afirma Max Mano, professor assistente
de oncologia da USP e médico do Icesp (Instituto do Câncer
do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).
Por outro
lado, diz, são drogas muito complexas, cujas
versões genéricas não seriam muito mais
baratas. O preço seria no máximo 20% menor do que
o do medicamento de referência.
Mano lembra
ainda que a quebra de patentes pode acabar com o estímulo para o desenvolvimento de remédios.
"À primeira vista, o licenciamento compulsório
pode parecer uma coisa fantástica para o paciente, mas
ele mesmo pode ser prejudicado pela falta de inovação
que isso pode causar", diz Tiago Matos, diretor jurídico
do Instituto Oncoguia, que dá apoio ao paciente com câncer.
Matos diz
que a quebra de patentes poderia beneficiar muitas pessoas,
mas deve ser
avaliada com cautela. "É uma
medida extrema. Não pode valer como regra."
Na oncologia,
as prioridades devem ser o diagnóstico
precoce e a continuidade do tratamento, diz Max Mano.
Segundo Antonio
Brito, presidente executivo da Associação
da Indústria Farmacêutica, a "maioria absoluta" desses
remédios não está protegida por patentes.
Folha
de São
Paulo
Brasil
e Cuba fazem parceria para produzir remédios
Ministro
da Saúde assina acordo hoje em Havana para que
o país produza e distribua droga para diabetes com tecnologia
cubana
Por Eliane
Cantanhêde,
colunista da folha
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, assina hoje,
em Havana, um acordo de transferência de tecnologia que
vai permitir que o Brasil produza, distribua no SUS e exporte
o medicamento Heberprot-B, que reduz pela metade a amputação
de membros inferiores em diabéticos.
O remédio evita e combate as úlceras nos pés,
comuns nos pacientes que têm a doença, e será produzido
pelo instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz, fundação
ligada ao Ministério da Saúde.
Segundo o
ministério, 70% das amputações
de membros inferiores no SUS são em diabéticos.
A doença atinge 6,7% dos adultos e mata 57 mil pessoas
ao ano no país.
Como Cuba
sofre barreira de exportação e o único
laboratório a produzir o Heberprot-B é o cubano
CIGB, a intenção do Brasil não é só distribuir
o remédio no SUS, mas servir de trampolim para a venda
da droga no mundo.
Segundo Padilha,
o acordo prevê que "o Brasil sirva
de entreposto comercial para a exportação de produtos
cubanos, que terão componentes nacionais".
Devem ser
gerados aproximadamente R$ 50 milhões para
Cuba e R$ 100 milhões para o Brasil.
Padilha disse
que vai assinar acordos com Cuba para pedir a análise e registro de 17 outros remédios cubanos à Vigilância
Sanitária.
Entre eles,
onze são considerados inovadores no combate
ao câncer: são os anticorpos monoclonais, que atacam
só as células cancerosas, poupando as demais. O
objetivo é incluí-los no SUS.
A lista inclui
também vacinas meningocócicas,
diagnóstico de infecções vaginais e produtos
para crise hemorroidal aguda ou tratamento de lesões causadas
por HPV.
Outro tema
na pauta do ministro é a facilitação
para validar diplomas de médicos formados em Cuba no Brasil.
O modelo é o usado pela Universidade Estadual do Ceará,
que ministra um ano de curso para os formados fora, para sincronizar
os currículos dos dois países.
Portal Correio
A
privatização dos HU's é aprovada
Mesmo sob
forte rejeição das entidades representativas
dos trabalhadores da educação e da saúde,
que argumentam que o Projeto de Lei 1749/2011 abre espaço
para a privatização dos Hospitais Universitários
(HU), os deputados federais aprovaram na noite de terça-feira
(20) o PL que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
(Ebserh).
A matéria segue agora para votação
no Senado.
Entidades
são barradas na Câmara
Na última semana, a Comissão Especial estabelecida
para analisar e votar o PL 1749/2011 suspendeu duas vezes os
trabalhos, após manifestantes impedirem a votação.
Diversas entidades representativas dos servidores públicos
federais ligados à educação e saúde,
inclusive o ANDES-SN, participaram de atos contra a aprovação
do projeto. As manifestações foram compostas majoritariamente
por representantes da Federação dos Sindicatos
dos Trabalhadores em Educação das Universidades
Brasileiras (Fasubra), que na última reunião da
comissão (14/9) levou cerca de 500 técnicos administrativos
ao Plenário.
Com a votação frustrada, na quarta-feira (14)
o presidente da comissão, deputado Rogério Carvalho
(PT-SE), disse que encaminharia o projeto para apreciação
do Plenário da Câmara. Com isso, o PL não
seria mais votado na comissão especial.
No entanto,
nesta terça-feira (20), em uma manobra para
tentar barrar os manifestantes que ocupavam o Congresso Nacional
com faixas e cartazes, a comissão se reuniu em sala fechada.
Tanto o ANDES-SN quanto a Fasubra foram proibidos de entrar para
acompanhar a reunião. Sob forte esquema de segurança
e aprovou o PL 1749/2011, por 13 votos a 4.
Votaram a
favor os deputados Devanir Ribeiro, Newton Lima, Rogério
Carvalho, Danilo Forte, Osmar Terra, Roberto Britto, Dr. Paulo
César, Ribamar Alves, Nazareno Fonteles, Geraldo Resende,
Darcísio Perondi, Dr. Ubiali e Manato. Votaram contra
os deputados Raimundo Gomes de Matos, João Ananias, Marcus
Pestana e Mandetta.
O texto seguiu
então ao Plenário da Câmara,
que aprovou o substitutivo do deputado Danilo Forte (PMD-CE)
para o Projeto de Lei 1749/11com 240 favoráveis, 112 contrários
e 4 abstenções, totalizando 356 votos. Clique aqui
e confira lista com o voto de cada deputado.
PL
ameaça qualidade do serviço público
Apesar de
o texto prever genericamente que a Ebserh deverá respeitar
o princípio da autonomia universitária ao administrar
os hospitais universitários (HU) federais, a empresa seguirá as
normas de direito privado e ainda facilitará a terceirização
da mão de obra nos HU, que passarão a ser administrados
sob a ótica mercadológica e não mais educativa,
com função social.
Para as entidades
críticas ao PL 1749/2011, essa inversão
de valores favorecida pela criação da Ebserh, coloca
em sério risco a qualidade do ensino, pesquisa e extensão
praticados nessas unidades, comprometendo os serviços
oferecidos nos Hospitais Universitários, através
do Sistema Único de Saúde (SUS), que são
fundamentais para grande parte da população brasileira.
“O PL não só levará à deterioração
das relações de trabalho e da carreira dos trabalhadores
dos HU por legalizar a contratação via CLT, como
também fere a autonomia de forma contundente ao admitir
ingerência nas atividades da universidade, bem como a cessão
de direitos sobre a produção científica
nos hospitais, principal campo de criação do conhecimento
na área da saúde”, destaca Maria Suely Soares,
terceira tesoureira do ANDES-SN.
Histórico
O PL foi
encaminhado ao Congresso, em caráter de urgência,
pela presidente Dilma Rousseff em substituição
a Medida Provisória 520/2010. A atitude foi considerada,
pelos contrários à criação da Ebserh,
como uma retaliação do governo, após a derrota
amargada com a queda da MP.
A medida
provisória foi assinada pelo então presidente
Luis Inácio Lula da Silva, ao final de seu mandato, no
dia 31 de dezembro. Após ser aprovada na Câmara,
apesar da grande pressão do movimento sindical para que
os deputados vetassem a proposta, a MP 520/2010 acabou perdendo
validade quando estava em debate no Senado e não chegou
a ser votada pelos senadores, em 01 de junho.
Gazeta do Povo
PR:
Opção pela carreira de médico
Por Rafael Waltrick
Salário e plantão influenciam escolha de carreiras
médicas
Comissão de Residência registra alta procura por áreas
como dermatologia e oftalmologia no país. Já vagas
de pediatria e ginecologia ficam ociosas
Melhor remuneração e menos carga de trabalho.
Esses atrativos têm influenciado a opção
de médicos recém-formados por algumas especialidades
no país. Neste ano, os programas de residência registraram
uma maior concorrência por vagas em áreas como dermatologia,
oftalmologia e otorrinolaringologia. Enquanto isso, especialidades
tradicionais, como ginecologia e obstetrícia, sofrem com
a baixa procura: das 3.011 vagas disponíveis para residência
em 2011, 36% ficaram ociosas. Outras como psiquiatria e anestesiologia
também sentem o mesmo problema. Apenas 73% e 74% das vagas
disponíveis, respectivamente, foram preenchidas, segundo
a Comissão Nacional de Residência Médica
(CNRM).
O número de vagas ociosas reflete um cenário que
permanece inalterado pelo menos há três anos no
Brasil. Um estudo do Núcleo de Educação
em Saúde Coletiva (Nescon) da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG), divulgado em 2009, mostra que anestesistas
e psiquiatras, junto dos pediatras, são os três
profissionais mais em falta nos hospitais, unidades de saúde
e planos privados.
Segundo gestores
entrevistados pelos pesquisadores em todo o Brasil, entre as
principais razões para a dificuldade
na contratação desses especialistas estão
a falta de profissionais titulados e o fato de os médicos
considerarem baixa a remuneração paga. Atualmente,
o Nescon prepara outra pesquisa sobre o assunto, que deve ser
publicada ainda neste ano.
“Os novos estudos têm mostrado que, em relação às
demandas dos hospitais, a falta de pediatras vêm se agravando”,
relata o pesquisador Sábado Nicolau Girardi, da UFMG. “Hoje,
cerca de 70% dos gestores entrevistados até o momento
estão reportando um alto grau de dificuldade de contratação
desses profissionais, tanto em áreas metropolitanas quanto
no interior dos estados.”
Apesar disso,
a pediatria segue como a terceira maior especialidade com médicos ativos no país: 21.722 profissionais.
Três vezes mais do que o total de psiquiatras – são
6.255 no Brasil e apenas 408 no Paraná. Neste ano, das
2.609 vagas disponíveis no país para residência
em pediatria, 1.987 foram ocupadas.
Mercado
O presidente
da Comissão Estadual de Residência
Médica do Paraná, Adriano Keijiro Maeda, reconhece
que a valorização de certas especialidades não
têm seguido, em parte, as demandas apresentadas pelo sistema
de saúde. “Ao escolher a residência, o médico
tende a seguir um desejo pessoal, mas ele também busca
aquela carreira que, financeiramente, é a mais viável,
de acordo com o mercado”, afirma.
Para o representante
da Associação Médico
Brasileira na CNRM, José Bonamigo, não se pode
ignorar o fato de que o perfil dos médicos recém-formados
mudou e, hoje, qualidade de vida é um fator decisivo no
momento de escolher qual área seguir. “Atualmente,
há uma grande procura por especialidades com carga de
trabalho menor, que privilegiam o atendimento no consultório,
sem necessidade de emergências e plantões, e que
remuneram melhor”, confirma Bonamigo.
Entidades
são contra regulação
do governo
Para o pesquisador
do Núcleo de Educação
em Saúde Coletiva (Nescon) da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG) Sábado Nicolau Girardi, a disparidade
entre demanda e oferta observada nas especialidades médicas é resultado
da inépcia do governo federal em definir diretrizes e
números de vagas para os programas de residência
médica. “Um melhor planejamento deveria ser trazido à tona.
O estado tem um papel regulador, que é verificar necessidades
e demandas de saúde e, a partir daí, incentivar
uma melhor distribuição dos profissionais, seja
por especialidade ou região”, avalia.
A hipótese de regulação do mercado, porém, é rechaçada
por entidades do setor e profissionais. Para o representante
da Associação Médica Brasileira na Comissão
Nacional de Residência Médica, José Bonamigo,
a discussão é complexa porque “existe pressão
do governo para baratear a mão de obra médica”.
Segundo Bonamigo, qualquer ação deve priorizar,
antes de tudo, a valorização dos profissionais.
“Hoje, o governo tem o direito de escolher as vagas que
quer fomentar, por meio de bolsas melhores ou benefícios
durante a residência. Porque não estabelece, então,
planos de carreira para certos profissionais, como médicos
de família e pediatras, que atuam no setor público?”,
questiona.
Empecilho
Para os médicos, a baixa remuneração ainda é o
principal empecilho para resgatar a busca por especialidades
como a pediatria. “Não há como expurgar dessa
análise o fato de que o ganho do médico está muito
pequeno. As especialidades que continuam tendo maior procura
são aquelas que usam mais exames e em que as tabelas de
convênio dos planos de saúde ou do SUS [Sistema Único
de Saúde] pagam bem pelo procedimento”, afirma o
coordenador da Residência Médica do Hospital das
Clínicas de Curitiba, Angelo Luiz Tesser.
Como
funciona a residência
É uma modalidade de ensino de pós-graduação
destinada a médicos recém-formados, sob a forma
de curso de especialização. Ela ocorre em instituições
de saúde, onde o profissional atende diretamente o público
e recebe orientações de outros médicos:
Prova
Para ingressar
na especialização, o médico
precisa fazer um concurso e ser aprovado. Cada instituição é responsável
pelas provas para os residentes, que trazem questões sobre
assuntos gerais de Medicina. São cerca de 100 questões.
O processo seletivo inclui ainda análise de currículo
e entrevista pessoal com o candidato.
Custos
Fora a taxa
de inscrição da prova, a especialização
não tem custos para o médico. Durante a residência,
ele recebe uma bolsa mensal, a partir de R$ 1.916,45. Esse valor
independe da especialidade escolhida. Algumas instituições
podem reajustar para mais a bolsa, de acordo com a avaliação
do hospital onde o residente atua.
Tempo
A duração de cada uma das 53 residências
varia de acordo com a complexidade das especializações.
Em média, elas duram de dois a quatro anos. Algumas residências
exigem que o médico tenha concluído uma outra especialização
primeiro. É o caso da neurocirurgia, que tem como pré-requisito
dois anos de residência em cirurgia geral.
Condição
A residência médica não é obrigatória.
Médicos que não fazem a especialização
podem exercer a profissão normalmente, como clínico-geral.
Eles apenas não poderão portar o título
de especialistas.
Alternativa
O título de especialista também pode ser concedido
por meio do reconhecimeno formal, por um órgão
de certificação profissional, da apropriação
de conhecimentos específicos em uma determinada especialidade.
Concurso
Cursinho
para passar na residência
Recém-formado em Medicina pela Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUCPR), Rafael Vanin de Moraes,
25 anos, não teve tempo de abandonar os livros e as pesquisas.
Dois meses depois de receber o diploma, ele agora aproveita o
tempo livre para estudar para a prova que muitos médicos
chegam a considerar como um segundo vestibular: o concurso de
residência médica. Os estudos, inclusive, são
reforçados com a presença em um “cursinho” que
resgata e relembra ensinamentos passados ao longo dos seis anos
de curso.
Moraes pretende
participar de pelo menos oito provas no fim deste ano, tanto
em Curitiba
quanto em São Paulo, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. A especialidade em mente é a
de clínica médica, que serve como requisito para
outras residências mais complexas, como cardiologia e oncologia.
A opção, reconhece o médico, é uma
exceção diante das preferências dos colegas
recém-formados e outros participantes do cursinho, que
têm optado principalmente por áreas como oftalmologia,
dermatologia e otorrinolaringologia. “No meu caso, é mais
uma questão de gosto pessoal. E ao fazer clínica
médica, terei mais uma série de outras residências
que posso escolher para me especializar”, explica.
Dificuldade
Passar na
prova para garantir a especialização,
porém, não é tarefa fácil. As residências
mais cobiçadas são em hospitais integrados a instituições
de ensino, como o Hospital das Clínicas de Curitiba, da
Universidade Federal do Paraná, por exemplo. No exame,
os recém-formados precisam responder a perguntas sobre
clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia
e obstetrícia e medicina social.
“A grande maioria dos médicos acaba fazendo cursinhos
preparatórios. A prova de residência é um
concurso de alto nível, muito concorrido, que exige bastante
empenho do candidato”, afirma Moraes.
Saúde
Business Web
Greve
atingiu 90% dos médicos que atendem planos
10
mil médicos aderiram à paralisação
de 24 horas no estado do Rio de Janeiro
Pelo menos
10 mil médicos aderiram à paralisação
de 24 horas no estado do Rio de Janeiro. O número representa
90% dos profissionais credenciados a planos de saúde no
estado, segundo cálculos do Conselho Regional de Medicina
do Rio de Janeiro (Cremerj).
No final
da manhã de ontem, alguns representantes do
movimento se reuniram em frente à sede da Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na capital fluminense,
para pressionar e exigir que a entidade reguladora intervenha
no reajuste dos valores repassados pelas operadoras aos profissionais
de saúde.
“No Rio de Janeiro, temos como tradição
pressionar, todos os anos, as operadoras por um reajuste anual.
Este ano, conseguimos definir [com representantes das operadoras
de planos de saúde] como valor mínimo para consultas
R$ 50 [valor a ser repassado para os médicos], mas os
valores repassados para procedimentos de cirurgia estão
aquém do necessário”, disse Márcia
Rosa de Araújo, presidente do Cremerj.
Segundo a
médica, a tabela de valores repassados por
procedimentos cirúrgicos, como biópsias, endoscopias
e partos, foi elaborada há mais de duas décadas
e, desde então, passou por poucas modificações. “A
tabela está defasada. Os custos não estão
sendo cobertos pelos honorários médicos. Tem que
haver equilíbrio entre a operadora, o paciente e o médico.
Não queremos acabar com o sistema, mas queremos um sistema
justo de qualidade para o paciente”, acrescentou Márcia
Araújo.
A ginecologista
e obstetra Doris Mary Silveira disse que o repasse, no caso
de
um parto, por exemplo, gira em torno de R$ 270. Deste
total, quase 30% são destinados ao instrumentador, um
profissional com a mesma formação do médico
contratado para a operação, mas que atua como auxiliar
durante o procedimento.
“Uma colega médica, tão capacitada quanto
eu, seria minha auxiliar em um parto pelo qual eu ia receber
R$ 230. Ela teria praticamente a mesma função que
a minha, pegaria um táxi até o hospital, poderia
ter que esperar horas para receber uma porcentagem desse valor,
cerca de R$ 90”, destacou. “Muitas vezes, você está no
consultório, com várias consultas e tem que deixar
os pacientes marcados para fazer um parto que pode durar horas.
Você vai e recebe o mesmo [valor] que receberia na tranquilidade
do seu consultório com as consultas que já estavam
marcadas”, lamentou a obstetra.
Em nota,
a Agência Nacional de Saúde Suplementar
reconheceu a legitimidade do movimento por melhores condições
de remuneração dos profissionais de saúde,
mas informou que “não há previsão
legal para a ANS determinar o percentual do reajuste de prestadores
de serviços, inclusive de médicos”. O comunicado
acrescenta que “não há ineficiência
ou omissão por parte da ANS e sim respeito à legalidade”.
A paralisação afeta apenas as consultas eletivas.
O atendimento nas emergências está funcionando normalmente
segundo o Cremerj. A partir de amanhã, os médicos
retomam as atividades completamente, mas eles garantem que o
movimento pode ser retomado a qualquer hora, se não receberem
um posicionamento das autoridades da área de saúde.
Seguros Dia-a-Dia
FenaSaúde: Novo parâmetro para remunerar médicos
Proposta
formalizada pela FenaSaúde (Federação
Nacional de Saúde Suplementar), que representa os 15 maiores
grupos de empresas de saúde privada do País, prevê um
novo parâmetro de remuneração dos médicos:
o trabalho destes profissionais será classificado a partir
da complexidade dos procedimentos realizados.
O compromisso
foi firmado a partir das discussões do
grupo de trabalho instituído pela ANS, com participação
das entidades médicas. Existem hoje mais de dois mil procedimentos
terapêuticos ou diagnósticos elencados no Rol de
Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, constantes na
Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS), que
são a referência básica para a cobertura
assistencial.
Pela proposta
apresentada pela FenaSaúde, os procedimentos
médicos elencados no rol serão hierarquizados em
cem portes (ou grupos), respeitando as tabelas particulares de
cada plano de saúde, que serão adotados ainda este
ano. As operadoras negociarão a remuneração
de cada porte, respeitando a livre concorrência do mercado.
Dentre os
procedimentos constam internações, cirurgias,
consultas e transplantes que variam em complexidade e devem,
obrigatoriamente, ser cobertos pelos planos de saúde.
Não estão contemplados os procedimentos classificados
como Serviço Auxiliar de Diagnóstico e Terapia
(SADT) – como fisioterapia, quimioterapia, ressonância,
ultrassonografia, entre outros. É importante ressaltar
que hoje são pagos diferentes valores por procedimentos
que farão parte do mesmo porte (ou grupo).
Com a proposta,
todos os procedimentos do mesmo grupo terão
o mesmo valor, nivelado pelo mais alto, assegurando que nenhum
procedimento tenha o seu valor rebaixado. Estes cem portes serão,
posteriormente, condensados em 42 grupos - que passarão
a valer a partir de 2013.
Os contratos
de prestação de serviços continuarão
sendo assinados bilateralmente, entre os profissionais interessados
e as operadoras de planos de saúde. “Com o compromisso
assinado, a discussão sai da mera questão de valores,
remunerando os serviços médicos de acordo com a
sua complexidade”, afirma José Cechin, diretor executivo
da FenaSaúde. “Como as afiliadas à Federação
já estão entre as operadoras que pagam os maiores
honorários aos médicos, nosso objetivo é dar
um passo adiante na relação entre médicos
e operadoras de planos de saúde”, diz. O reajuste
do valor das consultas médicas praticados por afiliadas
da Federação variou, de 2002 a 2010, entre 83,33%
e 116,30% - índices significativamente superiores à variação
do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado)
no mesmo período, que foi de 56,68%.
O Dia Online
Quase 6 mil mortos em quatro hospitais em oito meses
Quase 6 mil
pessoas morreram nas emergências de quatro
hospitais do Rio de Janeiro, de janeiro a agosto de 2011, de
acordo com relatório do Sindicato dos Médicos.
Os números foram divulgados terça-feira aos representantes
das comissões de Direitos Humanos da Câmara dos
Deputados e da OAB/RJ que visitaram o Hospital Municipal Souza
Aguiar. A Secretaria Municipal de Saúde nega: afirma que
foram 3.109 mortes de janeiro a julho nas mesmas unidades. Segundo
o sindicato, só no Souza Aguiar morreram 1.800 pessoas
no período. "Se comparado com norte-americanos mortos
na guerra do Iraque, a situação é de calamidade:
de 2003 até 2011, morreram 4.471 solda¬dos lá.
No Rio, este ano, foram 5.761 mortes" disse Jorge Darze,
presidente do Sindicato. Além do Souza Aguiar, os números
se referem aos hospitais Salgado Filho, Miguel Couto e Lourenço
Jorge.
Para o deputado
Arnaldo Jody, que participou da vistoria, o maior problema
está no fato de o SUS não atuar
de forma coordenada: pacientes viram "bolas de pingue-pongue".
Peregrinação
por 5 hospitais
Foi o que
ocorreu ontem com Gabriel Santos Sales, 21. Ele caiu no telhado às 16h30 de segunda-feira e só foi internado
ontem de madrugada após buscar socorro nos hospitais de
Saracuruna, Getúlio Vargas, Souza Aguiar, Carlos Chagas
e Salgado Filho, onde acabou sendo internado, com traumatismo
craniano. O estado de saúde dele é grave.
Na vistoriano
Souza Aguiar, foram verificados problemas como crianças em estado gra-ve sem leito de CTI, emergência
superlotada e doentes em macas sem colchões.
O Dia Online
Remédio
para diabetes em falta
Por Pâmela
Oliveira
Pacientes
diabéticos que precisam do remédio Victoza,
que vem sendo usado como emagrecedor por pessoas sem a doença,
não estão conseguindo encontrar o produto nas farmácias
do Rio de Janeiro. Segundo o endocrinologista Ricardo Meirelles,
ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia,
que atua no Rio, metade dos seus pacientes que usam o Victoza
se queixam de dificuldade para comprar a droga.
"É patético. O paciente que realmente pode
se benefi¬ciar com o medicamento não consegue comprá-lo
porque outros que não têm indicação
usam com o objetivo de emagrecer", diz Meirelles.
TErça-feira, O DIA procurou o medicamento em 16 farmácias
do Rio, nas Zonas Sul, Norte e no Centro. O remédio só foi
encontrado em uma farmácia no Leme, que tinha duas caixas.
Nas demais, o medicamento tinha acabado ou não chegara.
O empresário Franklin Lino, 63 anos, tem diabetes tipo
2 há três anos e precisa do Victoza. Ele não
tem conseguido comprar o remédio perto de casa e já recorreu à In-ternet. "A
insulina não estava conseguindo conter minha glicose.
Eu tinha todo dia um pico de açúcar. Depois que
troquei a medicação, a taxa de glicose está mais
controla-da", disse ele, que usa o novo remédio com
recomendação de um endocrinologista.
Fila de espera
Pacientes
do Rio não são os únicos que
estão com dificuldades. Segundo o presidente da Sociedade
Brasileira de Diabete, Saulo Cavalcanti, já há falta
do Victoza em Belo Horizonte, por exemplo. "Há farmácias
em que a fila de espera é de até dez dias".
De acordo com a Anvisa, não há comprovação
científica de que o Victoza funcione para emagrecer, e
este uso causa riscos à população.
ANS
O
papel da ANS na relação entre planos e prestadores
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) esclarece
que não tem amparo legal para regular a remuneração
médica. Não procede o paralelo traçado por
algumas entidades tentando associar a regulação
do reajuste dos contratos de planos individuais e familiares
com o reajuste de prestadores de serviço. O reajuste dos
planos individuais está expresso na lei 9656/98. Não
há previsão legal para a ANS determinar o percentual
do reajuste de prestadores de serviço, inclusive de médicos.
A Procuradoria
Federal junto à ANS já se manifestou
sobre o tema "legalidade de a ANS controlar os preços
pagos a prestadores de serviços pelas operadoras de planos
de saúde, arbitrando valores de honorários médicos”,
afirmando claramente "(...) não se vislumbra na Lei
9.656, de 1998, amparo jurídico para a medida em análise.
(...) resta claro inexistir previsão expressa na Lei 9.961,
de 2000 que permita tal entendimento”.
Isto esclarecido,
não há “ineficiência
ou omissão” por parte da ANS e sim respeito à legalidade.
A ANS em
todas as suas ações zela pelo interesse
social, proteção do consumidor e desenvolvimento
setorial, item que contempla a busca pela justa remuneração
dentro do setor. Só como exemplos do trabalho recente
desenvolvido pela ANS neste sentido podemos citar: Norma sobre
a obrigatoriedade de contratualização entre operadoras
e prestadores de serviço em saúde (RN 71); Grupo
de Trabalho sobre Honorários Médicos; Grupo de
Trabalho de Remuneração de Hospitais; Programa
de Incentivo à Divulgação da Qualificação
dos Prestadores (RN 267); Programa de Divulgaçao dos Indicadores
da Rede Hospitalar (QUALISS); Programa de acreditação
de operadoras; Norma de plano de recuperação assistencial
e direção técnica (RN 256) e Troca de Informação
em Saúde Suplementar (TISS).
Além disso, ANS vem atuando como facilitadora em diversos
fóruns, na discussão de formas de revisão
e atualização dos honorários médicos.
Como exemplo, a participação nas discussões
sobre o tema na Procuradoria Geral do Trabalho (PGT) junto com
as entidades médicas, como a Associação
Médica Brasileira (AMB), o Conselho Federal de Medicina
(CFM) e a Federação Nacional dos Médicos
(FENAM); com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(CADE) e com as Secretarias de Direito Econômico (SDE)
e de Acompanhamento Econômico (SEAE).
Quanto ao
movimento proposto pelas entidades representativas dos médicos, a ANS reconhece a legitimidade destas na
defesa por melhores condições de remuneração
dos seus profissionais. Contudo, destaca a necessidade de que
esses movimentos não prejudiquem o atendimento à população.
É importante salientar que as operadoras possuem a obrigação
de oferecer a assistência médica contratada pelos
seus beneficiários. Neste sentido, a ANS atuará para
que esta obrigação de garantir o acesso do consumidor/beneficiário
aos serviços por ele contratados seja cumprida.
Os canais
de atendimento da ANS estão à disposição
dos beneficiários para denúncias, reclamações
e esclarecimentos:
Disque ANS:
0800 701 9656 ou através dos Núcleos
da ANS existentes em todas as regiões do país.
ANS
4ª fase do programa de qualificação
de operadoras
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou
no Diário Oficial desta quarta-feira, 21 de setembro de
2011, a Consulta Pública nº 46, que apresenta proposta
para a revisão dos indicadores componentes do Índice
de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), do Programa
de Qualificação de Operadoras.
De 28 de
setembro a 27 de outubro de 2011, toda a sociedade poderá enviar contribuições para a consulta
pública, preenchendo formulário publicado no sitio
da ANS na Internet. A proposta foi redigida com base nas discussões
da Câmara Técnica criada especificamente para tratar
do assunto.
Sobre o Programa
de Qualificação de Operadoras:
- Foi definido
pela Resolução Normativa nº 139
de 2006 e pela RN nº 193 de 2009;
- Em 2005
o programa foi iniciado, quando a primeira Etapa avaliou os
dados referentes à competência 2003 e a segunda
Etapa avaliou os dados referentes a 2004. Nessa fase, o IDSS
não foi divulgado por operadora;
- Em 2006,
foi deflagrada a Segunda Fase do Programa, quando foi iniciada
a divulgação
dos resultados em quartis;
- Em 2007,
foi iniciada a Terceira Fase do Programa, com ampla revisão dos indicadores (69,7% dos indicadores novos)
e com participação das operadoras em Câmara
Técnica e Câmara de Saúde Suplementar. Os
indicadores definidos na terceira fase (com pequenas alterações)
serviram de base para os dados até a competência
de 2010.
Conheça a Consulta Pública nº 46
no link:
http://www.ans.gov.br/index.php/participacao-da-sociedade/consultas-publicas/759-consulta-publica-46
ANS
ANS:
Caderno de Informação da Saúde
Suplementar
Já estão disponíveis para consulta o Caderno
de Informação da Saúde Suplementar – edição
setembro/2011, uma publicação da Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os dados publicados
indicam a existência de cerca de 1.620 operadoras de planos
privados de assistência à saúde, em junho
de 2011, que atendem 46,6 milhões de beneficiários
em planos de assistência médica e 15,7 milhões
em planos exclusivamente odontológicos.
No segundo
trimestre de 2011, aumentou o número de cancelamentos
de operadoras em relação ao primeiro trimestre.
No entanto, o saldo no ano continua positivo, com 32 novos registros
contra 31 cancelamentos.
Além das informações atualizadas, o Caderno
também conta com séries históricas de dados
do setor de planos de saúde.
Confira a
edição de setembro do Caderno de Informação
da Saúde Suplementar no link:
http://www.ans.gov.br/index.php/materiais-para-pesquisas/materiais-por-tipo-de-publicacao/periodicos
Diário
de Cuiabá
CRM
de Mato Grosso move ação por conta da falta
de diálogo sobre modelo
Por Fernando Duarte
A presidente
do Conselho Regional de Medicina, Dalva Alves das Neves, afirmou
que a
ação apresentada pela entidade
era para que houvesse discussão sobre a gestão
do hospital. Ela reforçou que, quando o edital de licitação
foi divulgado, sequer ocorreu discussão com a Assembleia
Legislativa.
“A Justiça [estadual] disse que o CRM não
pode falar como o Estado deve gerir os hospitais, mas eles são
mantidos com recursos públicos e precisa de um acompanhamento
da sociedade”, afirmou a presidente. A ação
do CRM foi proposta no dia 3 de maio.
Nela, o Conselho
argumentou que “o Estado de Mato Grosso
não pode entregar a totalidade das ações
e serviços de saúde no Hospital Metropolitano de
Várzea Grande a particulares, sob pena de afrontar a Constituição
da República de 1988, notadamente os princípios
que regem a Administração Pública, bem como
de violação às diretrizes do Sistema Único
de Saúde”.
A Justiça definiu que o CRM é “parte legítima
para o feito, uma vez que lhe cabe fiscalizar o ‘exercício
da profissão médica, bem como das condições
em que é exercida’ e o modelo de gestão da
saúde pública proposto pelo réu acarretará ‘impacto
direto sobre o trabalho dos médicos do Sistema Único
de Saúde, ao menos, no hospital em que será implantado
o novo sistema’”.
Agência Câmara de Notícias
Deputados
visitam hospitais para investigar superlotação
Por Sílvia Mugnatto / Edição:
Pierre Triboli
Deputados
da Comissão de Direitos Humanos e Minorias
visitaram nesta semana hospitais em São Paulo e no Rio
de Janeiro para verificar problemas de superlotação
e falta de pessoal. Para o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), a
situação é “pior do que a esperada” e,
por isso, ele avalia a possibilidade de solicitar uma comissão
parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a situação
dos hospitais brasileiros.
Foram visitados
o hospital Arthur Saboya /Jabaquara, em São
Paulo, na terça-feira (19); e o hospital Souza Aguiar,
no Rio de Janeiro, na quarta-feira (20). Jordy afirma que os
principais problemas foram encontrados no Souza Aguiar. Ele disse
que, se não há leito para atender uma pessoa com
traumatismo craniano ou politraumatismo, “o Souza Aguiar
não consegue dialogar com o sistema para saber aonde tem
um leito que possa atender aquele cidadão”.
Arnaldo Jordy
disse que, no Souza Aguiar, também foram
verificados problemas de higiene e de insuficiência de
pessoal.
Contratação
de pessoal
O deputado
Domingos Dutra (PT-MA), que participou das visitas aos hospitais,
relatou
problemas relacionados a regimes diferenciados
de contratação de pessoal. “Constatamos que
há uma terceirização dos serviços
de saúde, criando conflitos, uma vez que os médicos
contratados por associações ganham três vezes
mais do que o médico estatutário da rede pública.
E essa diferença de salário para as mesmas funções
cria uma desmotivação para o pessoal que é efetivo.”
Também visitaram o hospital Souza Aguiar os deputados
Chico Alencar e Jean Wyllys, ambos do Psol do Rio de Janeiro,
e representantes do Ministério Público, da Ordem
dos Advogados do Brasil, de sindicatos de médicos e de
conselhos regionais de medicina e enfermagem.
A comissão ainda visitará hospitais de outros
sete estados. Após concluir o roteiro de visitas, Arnaldo
Jordy vai elaborar um relatório com sugestão de
medidas para melhorar o setor.
As visitas
atendem a uma demanda da Federação
Nacional dos Médicos, da Associação Médica
Brasileira, do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), do Conselho
Federal de Medicina e da Associação de Usuários
do Sistema de Saúde. Essas entidades pedem atenção,
principalmente, ao setor de emergência dos hospitais.
Agência Câmara de Notícias
Marco
Maia quer agilizar comissão que discutirá financiamento
da saúde
Por Sílvia Mugnatto / Edição:
Pierre Triboli
O presidente
da Câmara, Marco Maia, disse que pedirá aos
líderes partidários que indiquem na semana que
vem os integrantes da comissão especial que vai debater
e propor novas fontes de financiamento da saúde. Marco
Maia também quer estabelecer um calendário de debates
para a comissão, que poderá contribuir com sugestões
ao Senado para a regulamentação da Emenda 29. “Não
estamos falando na criação de novos impostos. Queremos,
dentro daquilo que já é cobrado pelo Estado brasileiro,
poder destinar mais recursos à saúde”, disse.
Em entrevista
concedida nesta quinta-feira, Marco Maia afirmou que há várias propostas em andamento na Câmara
que podem vir a contemplar o setor de saúde, como as que
tratam da distribuição dos royalties do petróleo,
da renegociação de dívidas e das receitas
de outros impostos e de encargos como o seguro DPVAT. “Queremos
todos os dados sobre os impostos que são pagos no Brasil
e, a partir daí, estabelecer uma negociação
que aponte novos recursos para a área da saúde.”
A Câmara aprovou ontem o projeto que regulamenta a Emenda
29 e trata da distribuição de recursos para a Saúde
(PLP 306/08). O projeto segue para o Senado. Para Marco Maia,
a votação demonstrou a autonomia do Parlamento,
que rejeitou nessa proposta a criação de um novo
tributo para financiar a saúde.
O anúncio sobre a comissão que vai debater e propor
novas fontes de financiamento da saúde foi feito ontem,
durante reunião entre Marco Maia, governadores e líderes
partidários.
Comissão
da Verdade
Marco Maia
disse que ontem foi um dia histórico para
a Câmara, com a votação da regulamentação
da Emenda 29 e do projeto que cria a Comissão da Verdade.
Ele afirmou que a negociação sobre a Comissão
da Verdade foi intensa e que todos tiveram de ceder para garantir
a votação. Segundo ele, o ganho principal dessa
negociação foi a imparcialidade da comissão,
que “olhará para todas as direções”.
Prorrogação
da DRU
O presidente
da Câmara disse que vai criar hoje a comissão
especial para analisar a proposta que prorroga a Desvinculação
de Receitas da União (DRU) até 31 de dezembro de
2015. A admissibilidade da proposta (PEC 61/11) foi aprovada
na terça-feira (20) pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ). O tema é uma das
prioridades do Executivo para este semestre.
“É uma matéria que vamos ter de tratar com
celeridade se quisermos votá-la antes do fim do ano”,
disse Marco Maia. Ele lembrou que muitas obras nos estados dependem
da possibilidade de o governo federal utilizar os recursos por
meio da DRU.
Aviso
prévio
Marco Maia
também falou sobre a aprovação
do projeto que aumenta dos atuais 30 dias para até 90
dias o aviso prévio que o empregador deve conceder ao
trabalhador no caso de demissão. Maia disse que, com a
medida, o “empresário vai pensar mais antes de demitir”.
Ele ressaltou ainda que o empregado que se dedicou a uma empresa
por muito tempo será beneficiado em caso de demissão.
O projeto (PL 3941/89), de autoria do Senado, foi aprovado ontem
pela Câmara.
Sobre a pauta
da próxima semana, Marco Maia lembrou que
há um calendário previsto para votação
de propostas, mas ressaltou que é preciso construir um
acordo com os líderes partidários antes de levá-las
ao Plenário.
Agência Câmara de Notícias
Câmara
rejeita ressarcimento do SUS em caso de acidente de trabalho
A Comissão de Seguridade Social e Família rejeitou
na quarta-feira (14) o Projeto de Lei 4972/09, da deputada Rebecca
Garcia (PP-AM), que obriga as empresas a ressarcir o Sistema Único
de Saúde (SUS) das despesas decorrentes da assistência
prestada aos seus empregados vítimas de acidente do trabalho
ou doença profissional. A proposta será arquivada,
a menos que haja recurso para que seja analisada pelo Plenário.
O relator,
deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), disse
que as empresas já contribuem com o SUS. “A Constituição
Federal estabelece que o SUS será financiado por toda
a sociedade, de forma direta e indireta. Os empregadores já fazem
contribuições sociais que incidem sobre a folha
de salários, sobre a receita/faturamento e sobre o lucro”,
afirmou o relator.
Agência Câmara de Notícias
Arquivado
projeto que previa datas alternativas de vacinação
Por Marcelo
Westphalem / Edição: Wilson Silveira
A Comissão de Seguridade Social e Família rejeitou
na quarta-feira (14) o Projeto de Lei 6612/09, do Senado, que
obriga o governo federal a instituir datas alternativas para
a vacinação de pessoas com baixa imunidade ou que
precisem de esquemas diferenciados de imunização.
A proposta será arquivada, a menos que haja recurso para
ser votada no Plenário.
O relator
da proposta, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), apresentou parecer
pela rejeição do projeto, por considerar
que o Poder Executivo já definiu, normalizou e implementou
as condutas a adotar para alcançar os grupos vulneráveis.
Além disso, o deputado acredita que a determinação
agride o princípio constitucional da independência
e autonomia dos Poderes.
“Desde 1993, começaram a ser gradativamente implantados
os centros de Referência para Imunobiológicos Especiais
(CRIEs). Essas unidades dispõem de vacinas e imunoglobulinas
de alto custo financeiro e alta tecnologia, especialmente destinados à imunização
de portadores de quadros clínicos especiais”, explicou
o relator.
A proposta
altera a lei 6.259/75, que dispõe sobre o
Programa Nacional de Imunizações (PNI), que atribui
ao governo federal a tarefa de decidir as regras dos programas
de vacinação.
Íntegra
da proposta:
PL-6612/2009
Agência Câmara de Notícias
Câmara rejeita criação de novo tributo para
financiar saúde
Deputados
aprovaram hoje a retirada da base de cálculo
da Contribuição Social para a Saúde e, com
isso, concluíram a votação da proposta de
regulamentação da Emenda 29. Texto segue para o
Senado.
Após três anos de tramitação, o Plenário
da Câmara finalizou, nesta quarta-feira (21), a votação
do Projeto de Lei Complementar 306/08, que regulamenta quais
despesas podem ser consideradas de saúde para estados,
municípios e União atingirem o percentual definido
pela Emenda 29. Como a matéria sofreu mudanças,
ela voltará para o Senado.
O texto aprovado é o de uma emenda do relator, deputado
Pepe Vargas (PT-RS), pela Comissão de Finanças
e Tributação. Faltava apenas a votação
de um destaque do DEM, que retira do projeto a definição
da base de cálculo da Contribuição Social
para Saúde (CSS). Como o destaque foi aprovado, por 355
votos a 76, os demais detalhes desse novo tributo continuam no
texto, mas não será possível cobrá-lo
por falta dessa base de cálculo.
A tentativa
de criar um novo tributo nos moldes da CPMF para financiar
a saúde ocorreu em junho de 2008, pouco antes
de estourar a crise financeira nos Estados Unidos, que se espalhou
pelo mundo e até hoje provoca recessão e fraco
crescimento nos países desenvolvidos.
Despesas definidas
Para diversos
deputados ligados à área de saúde,
um dos maiores avanços da proposta é a definição
das despesas que podem ser consideradas para o cumprimento do
mínimo a ser investido segundo os cálculos da Emenda
29.
O texto aprovado
lista 12 despesas que devem ser consideradas como relativas
a ações e serviços públicos
de saúde; e outras dez que não podem ser custeadas
com os recursos vinculados pela Emenda 29.
Entre as
ações permitidas estão a vigilância
em saúde (inclusive epidemiológica e sanitária);
a capacitação do pessoal do Sistema Único
de Saúde (SUS); a produção, compra e distribuição
de medicamentos, sangue e derivados; a gestão do sistema
público de saúde; as obras na rede física
do SUS e a remuneração de pessoal em exercício
na área.
Por outro
lado, União, estados e municípios não
poderão considerar como de saúde as despesas com
o pagamento de inativos e pensionistas; a merenda escolar; a
limpeza urbana e a remoção de resíduos;
as ações de assistência social; e as obras
de infraestrutura.
Variação
do PIB
O projeto
mantém a regra atualmente seguida pela União
para destinar recursos à área de saúde.
Em vez dos 10% da receita corrente bruta definidos pelo Senado,
o governo federal aplicará o valor empenhado no ano anterior
acrescido da variação nominal do Produto Interno
Bruto (PIB) ocorrida entre os dois anos anteriores ao que se
referir a lei orçamentária. Assim, para 2012, por
exemplo, teria de aplicar o empenhado em 2011 mais a variação
do PIB de 2010 para 2011.
Se houver
revisão posterior para cima no cálculo
do PIB, créditos adicionais deverão ser abertos
para ajustar o total. No caso de revisão para baixo, o
valor mínimo nominal não poderá ser reduzido.
Íntegra
da proposta:
PLP-306/2008
Por Eduardo
Piovesan / Edição: Regina Céli
Assumpção
Agência Câmara de Notícias
Câmara amplia para até 90 dias aviso prévio
de trabalhador
Por Eduardo
Piovesan / Edição: Marcelo Oliveira
O Plenário aprovou há pouco o Projeto de Lei 3941/89,
do Senado, que aumenta para até 90 dias o aviso prévio
que o empregador deve conceder ao trabalhador no caso de demissão.
Apesar de
a matéria ter substitutivos das comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania, um acordo entre as lideranças permitiu
a aprovação do texto original vindo do Senado.
Assim, o
projeto será enviado à sanção
presidencial. O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou, em junho
deste ano, a deliberação sobre o tema.
Agência Câmara de Notícias
Relator
sugere conselho deliberativo sobre saúde complementar
Por Idhelene
Macedo / Edição: Mariana Monteiro
A criação de um conselho nacional deliberativo
sobre o sistema de saúde complementar no País é a
principal sugestão do relatório preliminar apresentado
pelo deputado Mandetta (DEM-MS), nesta quarta-feira, à subcomissão
da Comissão de Seguridade Social e Família que
avalia o tema. Segundo o deputado, os princípios regulamentares
do setor de planos de saúde deveriam constar de uma lei,
e o conselho seria o espaço de legitimação
das tomadas de decisão.
Mandetta
destaca que a criação do conselho deliberativo
vai garantir decisões mais democráticas, uma vez
que ele contará com a participação de representantes
da Agência Nacional de Saúde (ANS), dos consumidores,
das pequenas e grandes operadoras, dos profissionais e dos demais
envolvidos com saúde complementar.
"Todos teriam assento nesse conselho, que teria um caráter
deliberativo. Hoje, há uma câmara técnica
que compreende um número enorme de entidades, mas que
só tem caráter consultivo. Isso faz com que a tomada
de decisões por parte da ANS seja feita praticamente pela
presidência e por uma diretoria colegiada com quatro integrantes",
explica o deputado.
Concentração
O deputado
Mandetta também identifica, em seu relatório
preliminar, a concentração do mercado nas mãos
de grandes empresas. Ele ressalta que esse modelo não é de
todo ruim porque há ganho em escala e favorecimento de
melhores compras e do planejamento empresarial.
Por outro
lado, Mandetta avalia que o consumidor pode sofrer prejuízos. "Com o envelhecimento da população
e com o aumento do custo progressivo do plano de saúde,
sem um aumento correspondente da renda, nós vamos começar
a retirar pessoas do sistema de saúde suplementar. Principalmente
aquelas da terceira idade, que ficarão sem cobertura e
estão no momento de maior necessidade de seu plano de
saúde", acrescenta Mandetta.
A apresentação do relatório final sobre
o novo marco regulatório para o setor de saúde
complementar está prevista para o dia 5 de outubro.
Correio Braziliense
Exército de defesa deixa corpo "seco"
Na síndrome de Sjögren, detectada na tenista Venus
Williams, glóbulos brancos, que protegem o corpo de vários
intrusos, destroem glândulas responsáveis pela produção
da saliva e das lágrimas
Belo Horizonte — Os rumos da carreira da tenista americana
Venus Williams, 31 anos, estão indefinidos. Recentemente,
a atleta desistiu de disputar a segunda rodada do Aberto dos
EUA e justificou sua saída do torneio com o diagnóstico
de uma doença rara: portadora da síndrome de Sjögren,
ela vai passar por um longo tratamento e não tem data
para retornar às quadras.
Até a tenista anunciar o seu quadro, pouco se falava
sobre síndrome de Sjögren. Venus acabou chamando
a atenção para uma questão preocupante:
os especialistas acreditam que se trata de uma das doenças
autoimunes mais prevalentes no mundo, vitimando, somente nos
Estados Unidos, 4 milhões de pessoas, 90% delas do sexo
feminino.
Associada
a fatores genéticos e de caráter crônico,
a síndrome não tem cura. O problema faz com que
os glóbulos brancos do sangue (linfócitos B), responsáveis
pela defesa do organismo, ataquem e destruam glândulas
relacionadas à produção de saliva e lágrimas.
Disfunções hormonais também fazem parte
da fisiopatologia da doença, principalmente as deficiências
de estrógenos e de progesterona.
Embora a
maioria das mulheres diagnosticadas costume estar na menopausa
ou com mais
idade, a doença pode ocorrer também
em crianças e adolescentes. Mulheres jovens com Sjögren
podem apresentar complicações na gravidez. “A
síndrome, geralmente, começa como uma sensação
de desconforto nos olhos e na boca”, explica o reumatologista
Sérgio Bontempi Lanzotti, de São Paulo. Os pacientes
dizem que os olhos estão secos e vermelhos, mesmo usando
colírio. Muitas vezes, relatam também que a boca
está muito seca e os alimentos se tornam insípidos.
Em alguns, aparecem gânglios inchados no pescoço,
que podem ser confundidos com caxumba.
Os sintomas
descritos são os principais sinais clínicos
de Sjögren, mas também há pessoas que relatam
dificuldades para transpirar, já que suas glândulas
sudoríparas ficam obstruídas, e dificuldades para
digerir os alimentos. Muitas mulheres declaram sentir dor durante
a relação sexual, justamente porque deixam de produzir
líquidos para a lubrificação da vagina.
Segundo Lanzotti,
quando Venus Williams afirmou que a doença
a faz se sentir muito cansada, ela estava certa. Pacientes com
Sjögren, assim como aqueles com artrite reumatoide e lúpus,
apresentam cansaço crônico e intenso.
Controle
Embora a
doença não tenha cura, os sintomas são
passíveis de controle. Segundo o reumatologista Boris
Cruz, vice-presidente do Departamento de Reumatologia da Associação
Médica de Minas Gerais, com tratamento adequado, a maioria
dos pacientes leva uma vida relativamente normal. Para tanto,
são necessários acompanhamento médico regular
e aderência, não só ao tratamento medicamentoso,
mas também às recomendações gerais
focadas no ganho de qualidade de vida.
O tratamento
inclui medicamentos que controlam os sistema autoimune. Os
pacientes
podem usar remédios que interferem no sistema
imunológico, procurando regulá-lo, conforme explica
Boris. Segundo ele, existem várias opções
no mercado e a escolha vai depender da gravidade do caso.
Na opinião do médico, outras medidas são
importantes, como dieta equilibrada e manutenção
de atividade física, obviamente ajustadas à condição
de cada paciente. Tais ajustes são importantes para prevenir
complicações e melhorar a qualidade de vida dos
portadores da síndrome. Podem ser usados ainda anti-inflamatórios
e outros medicamentos para dor. Colírios para lubrificar
os olhos e controlar sua inflamação são
importantes e o acompanhamento do oftalmologista é fundamental
para monitorar o mal e prevenir complicações oculares
da doença.
Além do uso de saliva artificial para melhorar a umidificação
da mucosa oral, é necessário que o paciente faça
acompanhamento odontológico, justamente pelo risco aumentado
de complicações, como doença periodontal
decorrente da boca seca.
Com uma conduta
terapêutica apropriada e intervenção
precoce, é possível minimizar os impactos da doença. “No
caso da tenista Venus Williams, o sintoma mais importante foi
a fadiga, que impactou seu desempenho esportivo. É possível
que ela continue jogando, desde que faça acompanhamento
médico e tratamento ajustado à sua necessidade”,
reforça Boris.
o
que é
Doença autoimune, na qual o organismo produz anticorpos
contra algumas partes dele próprio. Nesse caso, a inflamação
ocorre primariamente nas glândulas lacrimais e salivares.
Estima-se que a síndrome ocorra em até 3% dos adultos.
Causas
Por um erro
do sistema imunológico, as células
responsáveis pela produção dos anticorpos — os
linfócitos B — passam a produzi-los e direcioná-los
a antígenos nas glândulas salivares e lacrimais.
Sintomas
Na evolução da doença, os olhos perdem
a lubrificação, ficam ressecados e inflamam. Em
casos mais graves, podem ocorrer até úlceras de
córnea. O comprometimento das glândulas salivares
leva à sensação de boca seca. A mucosa oral
sofre com esse ressecamento e surgem complicações — por
exemplo: alterações do paladar e infecções,
como a monilíase (o "sapinho").
Uma complicação grave da secura da mucosa oral é a
doença periodontal.
Em casos
extremos, ocorrem inflamação na gengiva,
cáries, redução óssea e mesmo perda
de dentes. Outro sintoma comum é a fadiga. O paciente
se diz cansado todo o tempo. Dores musculares ou nas articulações
agravam a sensação. Pode haver também inflamação
das articulações, quando elas se tornam inchadas
e quentes. A dor e a consequente limitação para
realizar as atividades usuais são maiores. Outros órgãos
podem ser acometidos. Podem ocorrer diferentes tipos de lesões
de pele, principalmente manchas vermelhas, que pioram com a exposição
ao sol. Pulmões podem inflamar, levando à tosse
e falta de ar. Se afetados, os rins podem até perder sua
função. Se atingido o sistema nervoso, há sintomas
como fraqueza em braços e pernas e sensação
de dormência. Felizmente, esse quadro é menos frequente.
Diagnóstico
O médico pode pesquisar os anticorpos que se associam à doença
por meio de exames de sangue. O mais comum deles é o fator
antinuclear ou simplesmente FAN. Outros anticorpos, como o anti-Ro/SSA
e o fator reumatoide, ocorrem em cerca de 70% dos pacientes.
Tais anticorpos também podem ocorrer em outras doenças
e, por vezes, torna-se necessário fazer uma biópsia
de uma glândula salivar para confirmar inflamação
característica.
Quem é portador da síndrome
deve:
•No caso de uso de lágrimas artificiais, preferir
as formulações sem conservantes
•Para dormir, usar pomada lubrificante oftálmica
sem conservante, para aliviar a secura dos olhos por tempo prolongado
•Quando dormir em ambiente com ar-condicionado ou ventilador,
colocar a máscara sobre os olhos para protegê-los
•Beber água com frequência para manter a
boca úmida
•Manter
boa higiene oral, usando fio dental regularmente
•Restringir o uso de açúcar para evitar
a decomposição rápida dos dentes
•Visitar
regularmente o dentista
•Evitar bebidas alcoólicas e as que têm cafeína,
pois aumentam a secura da boca
•Usar
umidificador ou vaporizador para manter a umidade do ar no
ambiente
•Evitar correntes de ar provenientes de aparelhos de ar-condicionado,
eques, ventiladores ou aparelho de calefação
•Usar loções hidratantes na pele e soluções
salinas no nariz
"Sem diagnóstico,
peregrinei muito"
Enquanto
a tenista Venus Williams amarga os primeiros sintomas da síndrome de Sjögren, a dona de casa Denise Dias
Ferreira (foto), 43 anos, já tem intimidade com eles.
Embora o diagnóstico do problema tenha ocorrido em 2007,
a doença se instalou em 1993, no auge da sua juventude
e, de certa forma, também fez Denise sair de cena. “As
dores e as feridas no corpo eram extremamente limitantes. Não
podia pensar em trabalhar e acho que só conseguia sair
da cama por causa do meu filho, que era pequeno e precisava muito
de mim”, recorda.
Durante todo
o tempo sem diagnóstico, Denise peregrinou
por consultórios de vários especialistas e penou
com a falta de respostas para os problemas que sentia. Ela define
como “desesperadora” a convivência com sintomas
que não sabia de onde haviam surgido ou para onde a podiam
levar.
O diagnóstico, feita pelo reumatologista Boris Cruz,
apaziguou as dores do corpo e da alma, que ansiavam por respostas.
Ainda refém de crises, já que os sintomas da síndrome
de Sjögren são flutuantes, mas gozando de períodos
em que vive com “quase tudo normal”, Denise vai levando
um dia depois do outro. Animada pelo médico, espera chegar
aos 80 anos trabalhando, tocando a vida com autonomia e dignidade. “Não é fácil
conviver com essa doença, mas tento me manter otimista
com relação ao futuro. Nesse caso, um bom acompanhamento
médico é fundamental.”
Valor
Econômico
Aviso
prévio
pode chegar a 90 dias
Por Fernando Exman
A Câmara dos Deputados aprovou ontem à noite o
projeto de lei que aumenta o aviso prévio dependendo do
tempo de serviço do trabalhador. A proposta, que já havia
sido aprovada pelo Senado, foi enviada para a sanção
presidencial.
Segundo o
projeto, o trabalhador que tiver até um ano
de serviço na mesma empresa terá 30 dias de aviso
prévio. Depois, terá direito a mais três
dias a cada ano trabalhado. O aviso prévio não
poderá ser superior a um total de 90 dias.
"É uma conquista. Nesta Casa é tão
difícil aprovar alguma coisa para o trabalhador, mas pelo
menos conseguimos garantir isso. Foi o que deu", afirmou
o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT-SP).
A proposta
tramita no Congresso desde 1989. Apesar de o projeto ter sido
analisado
pelas comissões permanentes e contar
com substitutivos das comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ), um acordo entre as lideranças
permitiu a aprovação do texto original vindo do
Senado.
O acordo
só saiu depois que os deputados ligados aos
sindicatos desistiram de apresentar emendas com textos mais radicais.
Entre elas, havia uma que garantiria ao trabalhador cinco dias
a mais de aviso prévio por mês trabalhado a partir
do sétimo mês da contratação.
"Não havia nenhuma possibilidade de aprovar isso",
ponderou Paulo Pereira da Silva. Com a aceitação
da maior parte das centrais sindicais para a aprovação
do projeto do Senado, o presidente da Câmara, Marco Maia
(PT-RS), colocou a proposta em votação.
A análise dessa questão deve-se à decisão
dos deputados de tentar colocar em pauta uma agenda positiva,
a qual contém projetos de interesse da sociedade, entre
os quais esse seria um dos mais importantes.
O Supremo
Tribunal Federal (STF) adiou, em junho deste ano, a deliberação
sobre o tema.
EPTV
Alzheimer
atinge 40% da população acima de 80
anos
Pessoas
se tornam mais suscetíveis a partir dos 60 anos
O Mal de
Alzheimer atinge 40% da população brasileira
acima de 80 anos, segundo a Associação Brasileira
de Alzheimer (ABRAZ). A doença causa a degeneração
dos neurônios. O principal sintoma é a perda da
memória, principalmente a recente.
Segundo o
geriatra do Hospital das Clínicas Sílvio
Bernardes da Silva Filho, a partir dos 60 anos as pessoas se
tornam mais suscetíveis a desenvolver o Alzheimer,
A doença não tem cura, mas existem medicamentos
que podem retardar o seu avanço. Nesse caso, o importante é a
identificação dos sintomas o mais rapidamente possível.
Quando a
doença atinge o estado avançado, o paciente
se torna totalmente dependente. Nesses casos, a família
tem um papel fundamental, mas precisa ser instruída sobre
como cuidar do doente.
"A família precisa entender que o ambiente deve
ser tranquilo, harmonioso ao paciente. A falta de rotina e um
ambiente estressado e com brigas é complicado", afirma
a médica geriatra Cybelle Diniz.
Também a família ou o cuidador do paciente precisam
cuidar da saúde, pois podem ficar com depressão
ou outras doenças devido ao desgaste da função.
Mais informações sobre como cuidar da doença
podem ser encontradas no site da ABRAZ.
Portal G1
Coqueluche
em bebês
chega pelos adultos
Adultos
são principais fontes de transmissão da
coqueluche a bebês
Doença volta a alertar médicos, preocupados com
limitações das vacinas. No Brasil, 15 crianças
já morreram em 2011; sete delas somente em SP
Médicos alertam que adultos e adolescentes estão
fazendo crescer a transmissão da coqueluche a bebês
e crianças nos últimos anos. A doença, que
pode levar à morte especialmente os recém-nascidos,
está voltando a ser encarada como um problema de saúde
pública presente, inclusive no Brasil.
Estudos divulgados
entre 2004 e 2007 na publicação
médica "Pediatric Infectious Diseases" mostram
que mães (33%), pais (16%), irmãos (19%) e avós
(8%) são as principais fontes de transmissão da
doença aos recém-nascidos, os mais vulneráveis às
complicações trazidas pela doença.
Segundo a
Organização Mundial da Saúde
(OMS), há 50 milhões de casos de coqueluche todos
os anos, com cerca de 300 mil mortes. É a quinta maior
causa de óbitos em crianças abaixo de 5 anos de
idade entre as doenças combatidas por vacinas.
No Brasil,
o Sistema de Informações de Agravos
de Notificação (SINAN), órgão do
Ministério da Saúde que contabiliza os casos de
doenças, foram confirmados 593 casos de coqueluche em
2011. Desses, 451 ocorreram em crianças menores de um
ano.
O estado
de São Paulo foi palco de sete das 15 mortes
registradas pela doença no mesmo período. Já o
Rio de Janeiro presenciou dois casos. Os outros óbitos
aconteceram em Roraima, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul.
Infecção
natural
Umas das
explicações para o retorno da doença é a
diminuição drástica das infecções
naturais nos países com campanhas fortes de vacinação.
Quando a bactéria infecta a pessoa, ela costuma garantir
até 15 anos de imunidade ao portador. Já as vacinas
deixam o paciente livre do risco de infecções por
apenas seis anos.
A principal
forma de prevenção da coqueluche é a
vacinação. Anticorpos contra a doença são
criados quando é administrada a vacina tríplice
bacteriana ou DTP - a sigla faz refefências à difteria,
ao tétano e à pertússis, nome menos comum
da coqueluche.
O programa
de imunização básico para crianças
no Brasil prevê três doses da tríplice, aplicadas
aos dois, quatro e seis meses de idade. Doses extras de reforço
ao calendário infantil são recomendadas aos 15
meses de idade e no período escolar (entre 4 e 6 anos).
Doença de criança,
vacina em adulto
Segundo Renato
Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), um dos motivos para o recente
avanço da coqueluche está no fato da população
mais velha não saber direito se está ou não
com a doença.
Como os sintomas
costumam ser mais brandos, muitas vezes o diagnóstico
de coqueluche pode passar batido para os mais velhos ou a doença
ser confundida com outras complicações respiratórias. "Isso
traz o problema das subnotificações", explica
o médico."Mesmo que seja branda, a doença
continua a passar para as pessoas e é muito perigosa para
as crianças."
Para evitar
o crescimento da doença, o médico
defende que a vacinação seja estendida também
a adolescentes e adultos como forma de evitar o contágio
em crianças que ainda não foram completamente imunizadas.
"Antes, na década de 1980, a bactéria continuava
a circular e a imunidade era expandida por mais tempo",
explica o médico. Agora, o contato com a bactéria
para a criação de anticorpos só acontece
quando a vacina é administrada. "O ideal seria transformar
as vacinas duplas para difteria e tétano, previstas no
calendário para gente grande, e incluir a imunização
para coqueluche", diz Kfouri, que também defende
a vacinação para profissionais de saúde.
Tosse comprida
A bactéria responsável por transmitir a doença
só afeta humanos e se chama Bordetella pertussis. Ela
produz uma toxina que entra na corrente sanguínea e causa
as tosses típicas da doença - intensas, que duram
por mais de duas semanas e podem causar vômitos depois.
Mesmo após meses, os ataques de tosse ainda podem persistir.
Nos casos
mais críticos de tosse, o portador pode chegar
a ter hemorragias - olhos ficam vermelhos pela presença
de sangue. Ainda que menos comuns, há casos nos quais
as costelas são quebradas com a intensidade das tosses
e até mesmo a consciência pode ser perdida. As pneumonias
podem dificultar a respiração das crianças
e é comum infecções no ouvido.
O micro-organismo
B. pertussis se aloja nos cílios do
nariz e da faringe, partes que integram o sistema respiratório
do corpo. Essa presença faz os cílios ficarem paralisados,
tornando o local um ambiente ideal para o surgimento de outras
doenças como a pneumonia bacteriana. A principal forma
de contrair a doença é por meio de gotículas
infectadas pela bactéria e que são aspiradas pelo
doente.
Também conhecida como tosse comprida, a doença é mais
grave em crianças até dois anos de idade. "Quanto
mais nova a criança, pior será para ela enfrentar
a coqueluche", diz Luiza Helena Arlant, pediatra e vice-presidente
da Sociedade Latino-Americana de Infectologia Pediátrica
(SLIPE). "O caso dos prematuros é ainda pior, pois
eles não tiveram tempo de adquirir os anticorpos da mãe."
Os primeiros
sintomas surgem entre 1 até 3 semanas após
o contato inicial com a bactéria causadora da doença.
Antibióticos como a eritromicina podem ser usados para
prevenir crianças que tenham sido expostas à tosses
típicas de coqueluche e como forma de combater as bactérias
que já estejam agindo no organismo dos infectados.
Coqueluche no mundo
Nos Estados
Unidos, o estado da Califórnia é o
que apresenta a situação mais grave. Somente em
2010, foram 9.774 casos confirmados pelos Centros de Prevenção
e Controle de Doenças do país (CDC, na sigla em
inglês) - de um total de 27.550 notificações
em todo o território norte-americano no mesmo ano. Dez
bebês com apenas dois meses de idade morreram durante o
surto.
O continente
europeu contou com 15.749 casos em 2010, sendo 46% deles na
Noruega
e na Holanda. Na Austrália, foram
35 mil registros entre os meses de julho de 2010 e 2011.
IG
/ Último
Segundo
Início
da primavera: Aumento de casos de catapora
Secretaria
Estadual de Saúde em São Paulo faz
alerta sobre a doença para prevenir disseminação
A primavera,
que começa na sexta-feira, facilita a transmissão
de catapora por causa da elevação da temperatura,
segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Por isso, o órgão
está divulgando um alerta sobre sintomas, cuidados e formas
para prevenir a disseminação da doença.
A catapora
atinge principalmente crianças, mas os adultos
infectados com o vírus requerem cuidados especiais, sobretudo
se tiverem outras doenças associadas. Altamente contagiosa,
a doença se caracteriza pela presença de febre
e pintas vermelhas espalhadas em todo o corpo, que evoluem para
crostas, até a cicatrização
A maioria
das crianças tem entre 250 e 500 lesões,
que formam crostas e permanecem por até duas semanas.
A transmissão do vírus da catapora ocorre por contato
direto, por meio da saliva ou secreções respiratórias,
ou por contato com o líquido do interior das vesículas.
Depois de
infectado, o paciente fica imune à doença.
Os infectados precisam ter especial atenção com
as condições de higiene da pele e se alimentar
bem. No caso de crianças, deve-se ainda evitar o contato
com outras crianças que estejam com a doença.
Entre as
recomendações para evitar complicações
da catapora estão o corte das unhas, o uso de roupas leves
para aliviar as coceiras, não arrancar as crostas que
se formam quando as vesículas regridem e consumir alimentos
leves e muito líquido.
Em 2010,
o Estado de São Paulo registrou 39.043 casos
da doença e até julho de 2011 foram registrados
1.413 casos. O pior ano da doença no estado foi 2003,
com 51,6 mil casos.
Quarta-feira, 21.09.11
Agência Câmara de Notícias
Texto
mantém percentuais de repasse para saúde
exigidos para estados e municípios
Por Eduardo
Piovesan / Edição: Regina Céli
Assumpção
Os percentuais
transitórios estabelecidos pela Constituição
para que estados e municípios apliquem na saúde
continuam iguais no Projeto de Lei Complementar 306/08, aprovado
nesta quarta-feira. Os estados deverão investir 12% da
receita corrente bruta; e os municípios, 15%. O Distrito
Federal, por sua vez, deverá aplicar 12% ou 15%, conforme
a receita seja originária de um imposto de base estadual
ou municipal.
Como a proposta
já tramita há três anos,
uma regra de transição para estados e municípios
que ainda não aplicam esses percentuais precisará ser
atualizada, pois ela previa elevação gradual, à razão
de ¼ ao ano, até atingir o percentual total em
2011. O texto determina ainda que percentuais superiores deverão
prevalecer se forem estipulados pelas constituições
estaduais ou leis orgânicas dos municípios.
Retenção
de repasses
A Constituição prevê a retenção
de repasses caso estados ou municípios descumpram o percentual
mínimo de aplicação em saúde. Entretanto,
o projeto permite à União e aos estados usarem
esse mecanismo se o ente federado (estado, município ou
Distrito Federal) comprovar que aplicou a diferença no
exercício seguinte, sem prejuízo do montante do
ano.
A proposta
estipula o prazo de 12 meses, contado do repasse, para a aplicação dos recursos. Um regulamento federal
ou estadual poderá estipular prazo menor. Essa regulamentação
também estabelecerá os procedimentos de suspensão
e restabelecimento das transferências constitucionais,
no caso de não ser aplicado o mínimo exigido.
Fundeb
A redação dada ao projeto pelo relator na Comissão
de Finanças e Tributação, deputado Pepe
Vargas (PT-RS), permite ainda aos estados e ao Distrito Federal
excluírem os recursos do Fundeb da base de cálculo
do montante a ser aplicado em saúde. A regra vale por
cinco anos contados da data de vigência da futura lei complementar.
Outro benefício concedido a estados, aos municípios
e ao Distrito Federal é a possibilidade de considerar
como parte da aplicação mínima as despesas
com juros e amortizações de empréstimos
usados, a partir de 1º de janeiro de 2000, para financiar
ações e serviços públicos de saúde.
Um problema
decorrente dessa regra é que ela diminui
os gastos futuros com o setor em estados e municípios
que gastaram o dinheiro captado na ocasião em ações
não consideradas da área de saúde.
Íntegra
da proposta:
PLP-306/2008
ANVISA
Deputados
visitam Anvisa para tratar do complexo industrial da saúde
Os deputados
Jandira Feghali (PC do B/ RJ) e Paulo César
(PR/RJ) participaram, nesta quarta-feira (21/9), na Anvisa, de
reunião com o Diretor-presidente, Dirceu Barbano, e especialistas
da Agência para tratar de temas do interesse da indústria
e da sociedade no âmbito da saúde. A agenda faz
parte da pauta da Subcomissão Especial de Desenvolvimento
do Complexo Industrial da Saúde da Comissão de
Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Os membros
da Subcomissão preparam relatório com
diagnóstico sobre os temas relacionados ao complexo industrial
da saúde, que vai apontar soluções para
os principais gargalos enfrentados pelo setor produtivo. “Estamos
percorrendo o setor de produção – público
e privado – Ministérios, laboratórios oficiais,
Academia e agora a Anvisa para que o relatório fique completo,
com uma visão realista e objetiva da situação”,
afirmou Jandira Feghali, que preside a Subcomissão.
O Diretor-presidente
da Anvisa, Dirceu Barbano, salientou ser imprescindível que a vigilância sanitária
trabalhe com a perspectiva do desenvolvimento econômico
e social do país. “Há 10 anos, essa relação
não era reconhecida por parte dos trabalhadores da área
da saúde. Hoje, valorizamos esse diálogo e entendemos
que a vigilância sanitária tem um papel fundamental
para gerar emprego e renda e participar das ações
macro-estratégicas do governo de redução
da miséria”, afirmou.
A deputada
Jandira Feghali também fez uma série
de questionamentos aos técnicos da Anvisa. Entre os pontos
discutidos, destacam-se: a relação entre a Anvisa
e o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, INPI; os prazos
para análise de registro de medicamentos; o incentivo à inovação
e a articulação entre os diversos órgãos
do governo que têm interface com a saúde.
O consultor
legislativo Geraldo Lucchese, especialista em vigilância
sanitária, o diretor-adjunto da Anvisa, Luiz Roberto Klassmann,
e a chefe do Núcleo de Investigação em Vigilância
Sanitária da Agência, Maria Eugênia Cury,
também participaram da reunião.
ANVISA
Norma
estabelece padrão para inspeção das
indústrias de medicamentos
A Anvisa
publicou, nesta quarta-feira (21/9), resolução
que vai uniformizar as atividades de inspeção em
indústrias de medicamentos de todo o país. A RDC
no 47/2011 estabelece Procedimentos Operacionais Padronizados
(POPs) que deverão ser utilizados pelos órgãos
de vigilância sanitária na condução
das fiscalizações destes estabelecimentos.
A definição de padrões nacionais alcançará procedimentos,
programas e documentos, compreendendo as atividades de elaboração
de relatório de inspeção, treinamento, acompanhamento
de ações corretivas, comunicação,
entre outras. Todos os POPs ficarão disponíveis
no Portal da Anvisa, no endereço www.anvisa.gov.br.
“A inspeção das indústrias de medicamentos é feita
de forma descentralizada pelos órgãos de vigilância
sanitária em estados e municípios. A uniformização
de procedimentos e documentos vai facilitar o gerenciamento dos
dados e assegurar que a Anvisa exerça posição
efetiva de coordenação do Sistema”, explica
o diretor da Agência Jaime Oliveira.
A norma também cria o Cadastro Nacional de Inspetores
Sanitários (Canais), um banco de dados nacional que irá permitir
a troca de informações sobre certificação
em Boas Práticas de Fabricação entre as
Vigilâncias locais e a Anvisa. Por meio do sistema, será possível
enviar e compartilhar, por via eletrônica, documentos de
interesse dos inspetores, atribuindo celeridade ao fluxo de informações
no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
Além da Resolução, foi aprovada, ainda,
Instrução Normativa que instituiu um grupo de trabalho
responsável pelo monitoramento dos documentos e procedimentos. “O
grupo terá representação tripartite e vai
assegurar a atualização permanente das práticas
de inspeção”, esclareceu o diretor Jaime
Oliveira.
O Grupo de
Trabalho será composto por representantes
da Anvisa, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde
(CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de
Saúde (CONASEMS).
AGENDA
- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo
Abramge / AssPreviSite
As inscrições para os Prêmios Abramge de
Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam
em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus
Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”.
Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias
impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o
dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde
podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio
site da Abramge.
No Brasil,
o Ministério da Saúde registra a cada
ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável
por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais:
a informação não é muito divulgada.
O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis
(DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora
do vírus – e segundo estudo publicado na revista
científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México
e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma
humano.
Podem participar
da premiação, jornalistas profissionais
de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema
escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de
2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos
sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover
a informação sobre saúde e estimular a pesquisa
científica do setor”, diz o presidente da Abramge,
Arlindo de Almeida.
A comissão julgadora dos Prêmios será constituída
de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão
encaminhados aos jurados escolhidos pela direção
da Abramge para análise e indicação dos
melhores trabalhos.
Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem:
R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria
da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos.
E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma
para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no
início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores
no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da
Abramge.
Veja o regulamento
completo dos Prêmios no endereço
eletrônico www.abramge.com.br
-
CBA lança curso de gestão de profissionais de
saúde
Recrutar e capacitar médicos, enfermeiros,
farmacêuticos e outros profissionais da área de
saúde para trabalhar de acordo com padrões internacionais
de qualidade e segurança no cuidado com o paciente.
Esse é um dos objetivos do curso Educação
e Qualificação dos Profissionais de Saúde,
promovido pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação
(CBA) — representante exclusivo no Brasil da maior agência
acreditadora em saúde do mundo, a Joint Commission International
(JCI). As aulas serão ministradas na sede do CBA, no
Rio de Janeiro, nos dias 27 de agosto e 22 de setembro.
O curso,
oferecido em parceria com a Universidade Lusófona
de Portugal, vai abordar temas como recrutamento e retenção
de profissionais, educação continuada, gestão
do conhecimento e pesquisa de clima organizacional. De acordo
com o professor Artur Parreira, as empresas precisam orientar
seus profissionais a manterem os padrões de qualidade
e excelência no desempenho de suas atividades.
"As organizações de saúde esperam
de seus funcionários a capacidade de envolver-se com seus
objetivos, além da melhoria e aprendizado constantes",
explica Parreira. "Para isso, essas instituições
precisam oferecer treinamento permanente para aperfeiçoar
as competências exigidas, manter a agilidade da ação
e evitar a estagnação profissional de seus colaboradores”.
Doutor de
Ciências Biomédicas e subdiretor do Curso
de Gestão Recursos Humanos da Universidade Lusófona,
Parreira vai ensinar durante as aulas como realizar um Plano
de Recursos Humanos bem-sucedido. "O sucesso do plano exige
do gestor capacidade de liderança, visão estratégica
da gestão de RH e atualização a respeito
de temas ligados ao comportamento organizacional. Dessa forma, é possível
manter a equipe sempre motivada e evitar o turnover de profissionais
qualificados", enfatiza.
O curso Educação e Qualificação
dos Profissionais de Saúde é voltado para gestores
e lideranças intermediárias de instituições
de saúde. O valor do investimento é de R$ 600 e
a carga horária é de 24 horas/aula. As inscrições
podem ser realizadas pelos e-mails eventos@cbacred.org.br ou
secretaria.eventos@cbacred.org.br ou através dos telefones
(21)3299-8241, 3299-8202 e 3299-8234.
Assessoria de Imprensa
SB Comunicação,
tel. (21)3798-4357
Simone Beja, tel. (21)9367-3722
Igor Waltz, tel. (21)7674-1492
- I Simpósio Norte- Nordeste de Gestão
Hospitalar
Temática: Turismo de Saúde
Objetivo
O Simpósio Norte-Nordeste de Gestão-Hospitalar,
tem como enfoque desta edição o Turismo de Saúde,
abordando temas, reflexões e ações que venham
a contribuir no aprimoramento da gestão hospitalar para
o incremento do Turismo de Saúde de Pernambuco. A cidade
do Recife é considerada o 2º maior Pólo Médico
do país, contando com centros de excelência em medicina
já inseridos na certificação em “acreditação
hospitalar”. Por isto a necessidade do incremento do investimento
neste nicho de Turismo no Estado de Pernambuco.
Dia
e Horário:
Data: 22 de setembro de 2011
Horário: 08:00 às
18:00h
Local: Salão de Convenções do Real Hospital
Português
-
1º Congresso Nacional de Hospitais Privados
Promovido
pela ANAHP – Associação Nacional
de Hospitais Privados em cooperação com a HOSPITALAR
Feira e Fórum, o evento vai reunir os principais tomadores
de decisão no setor de saúde para compartilhar
experiências em gestão.
De 28 a 30
de setembro, administradores de hospitais públicos
e privados, médicos, lideranças setoriais e profissionais
da área estarão reunidos no Hotel Unique, em São
Paulo. Com o tema central "A Importância dos Hospitais
Privados na Saúde: Hoje e Amanhã", palestrantes
nacionais e internacionais falarão sobre Sustentabilidade,
Gestão do Corpo Clínico, Parcerias Público-Privadas,
Segurança do Paciente, Governança Clínica,
Governança Corporativa, Indicadores de Desempenho, entre
outros.
Iniciativa
inédita, o evento é dedicado à gestão
de estabelecimentos de saúde, troca de experiências
e conhecimento do setor e terá a participação
dos principais hospitais do País. Para conhecer o programa
e inscrever-se, basta acessar www.cnhp.com.br
- 14º Conferência Nacional de Saúde
Tema
“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA
PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”
A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada
em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional.
As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram
dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa
Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os
dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.
Mais informações
no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html