Leia
nesta edição:
- Bom momento da economia favorece o mercado de planos
- Novas regras
para planos de saúde aumentam portabilidade
- Governo
pode dobrar repasses para unidades Básicas
de Saúde, diz Padilha
- Guia ANS
de planos de saúde ficará indisponível
- A mercantilização da Saúde
- Novo olhar
sobre o setor de saúde
- Relatórios das Consultas Públicas
- Mobilização do movimento médico em todo
o país
- Convênios dificultam adesão
de idosos
- Vacinação
prorrogada
- Ações
judiciais contra o SUS totalizam R$2 mi ao Governo
- Falha em atendimento obriga hospital a indenizar
- O corpo fabricado
- "As vendas de medicamentos vão dobrar no País,
em cinco anos"
- A nova
lei nº 1.240/2011: o que muda na assistência
sanitária
- Exame para
a revalidação de diploma reunirá 601
médicos
- O novo SUS da Dilma
- Doação de órgãos infantis cai
mesmo após mudança de lei
- Entrevista: Robert Lustig
- Planos
de saúde poderão
ser obrigados a divulgar credenciados na Internet
- SUS poderá ser obrigado a providenciar hospedagem temporária
de pacientes
- Descaso
dificulta combate a doenças causadas por protozoários
no país
- Comunicado I
- Cartão Nacional de Saúde será obrigatório
no SUS
Segunda-feira, 25.07.11
Saúde
Business Web
Bom momento da economia favorece o mercado de planos
Por Henrique Oti Shinomata
O bom momento
da economia brasileira faz com que a população
do País mostre-se mais preocupada em adquirir produtos
voltados à saúde e ao bem estar, principalmente
os consumidores pertencentes à Classe C. Segundo pesquisa
realizada com 1.627 pessoas pelo Instituto de Estudos de Saúde
Suplementar (IESS) e o Datafolha, além da casa própria,
o plano de saúde seria o bem de consumo de maior desejo
por parte dos brasileiros.
Isso se deve
ao fato de um sistema público de saúde
falho, informação essa, evidenciada pelos participantes
da pesquisa. Dos bens de consumo mais procurados pelos brasileiros,
estão: carro, casa, eletrodomésticos, seguro de
vida, seguro residencial, computador e convênio, o plano
de saúde aparece em segundo lugar.
Tal realidade
pode ser comprovada com os dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), no
primeiro trimestre deste ano. Os dados revelam que o setor teve
um crescimento de 2,01%, sendo o maior já verificado quando
comparado com os trimestres anteriores.
Em uma grande
empresa desde o faxineiro até o presidente
possuem planos de saúde. Agora até pequeno empresário,
bem como os empregados autônomos possuem renda para contratar
um plano de saúde. Graças às políticas
econômicas do governo e a regulação da ANS
formou-se nesse período um grande nicho que deve ser explorado
intensamente a partir de agora.
Cada vez
mais as poltronas dos aviões estão preenchidas
pela classe C e, com isso os planos de saúde têm
que se preparar para desenvolver produtos customizados para essa
população que quer “voar” na Saúde
Suplementar.
Saúde
Business Web
Novas
regras para planos de saúde aumentam portabilidade
Novas regras
para planos de saúde aumentam portabilidade
Na próxima quarta-feira (27) passam a valer as regras
que ampliam e flexibilizam a portabilidade dos planos de saúde.
As mudanças foram estabelecidas por meio da resolução
normativa 252 da ANS (Agência Nacional de Saúde
Complementar) e estendem o direito à portabilidade aos
beneficiários de planos coletivos por adesão, criando
também a portabilidade especial para clientes de planos
extintos
Conforme
a resolução, foi ampliado de dois para
quatro meses, a partir do aniversário do contrato, o período
que o consumidor pode optar pela portabilidade e a operadora
deverá comunicá-lo desta possibilidade nos boletos
de pagamento ou em correspondência específica.
Também foi reduzido de dois para um ano o período
de permanência no plano, antes do pedido da segunda portabilidade.
Pela determinação, o beneficiário deve buscar
um plano compatível com o contrato atual, com faixa de
preço igual ou inferior e não poderá haver
cobrança de taxa para requerer a portabilidade. Também
não há mais necessidade do plano ter a mesma abrangência
geográfica.
Agência
Brasil
Governo
pode dobrar repasses para unidades Básicas de
Saúde, diz Padilha
Por Marli Moreira
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, disse neste sábado
(23) que o governo federal tem condições de dobrar
os repasses para unidades Básica de Saúde (UBS)
que estejam comprometidas com a melhoria do atendimento médico
público.
A declaração do ministro foi dada durante o anúnciou
do repasse de R$ 32,4 milhões para investimento em 84
novas unidades Básica de Saúde (UBS) em 19 cidades
da região metropolitana de São Paulo. Esses recursos
fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento
2 (PAC 2) e ações do Programa Brasil Sem Miséria.
Segundo Padilha,
80% dos casos podem ser resolvidos nas UBS, sem a necessidade
de
atendimento em hospitais. Ele disse que
já foram definidas verbas para a construção
de 810 novas unidades no país.
O anúncio ocorreu durante a 22ª edição
da Feira do Caminhoneiro, em Guarulhos, onde foi lançada
a campanha de testes rápidos para o diagnóstico
precoce de doenças como HIV e hepatites C e B.
Os municípios que receberão os recursos são:
Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçú,
Francisco Morato, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Juquitiba, Mauá,
Mogi das Cruzes, Osasco, Ribeirão Grande, Santana de Parnaíba,
Santo André, São Bernardo do Campo, São
Lourenço da Serra e Suzano.
ANS
Guia
ANS de planos de saúde ficará indisponível
A partir
de quinta-feira, 28 julho, o Guia ANS, sistema eletrônico
usado pelos consumidores que desejam fazer a portabilidade de
carências, estará adaptado às regras previstas
na Resolução Normativa (RN) nº 252.
Entre as
mudanças previstas na RN 252 está a
possibilidade de a portabilidade ter os seguintes fluxos:
Plano Coletivo
por Adesão novo - Plano Individual novo
Plano Individual
novo - Plano Coletivo por Adesão novo
Plano Coletivo
por Adesão novo - Plano Coletivo por Adesão
novo
Para adaptar
o Guia ANS às novas regras o sistema estará indisponível
no dia 27 de julho.
O Globo
A
mercantilização da Saúde
Por
Márcia Rosa de Araújo,
presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio
de Janeiro
A saúde suplementar brasileira, que tem 45,5 milhões
de usuários e movimenta mais de R$60 bilhões por
ano, está à beira de uma grave crise. Indignados
com a conduta abusiva das operadoras e cansados das improdutivas
negociações por reajuste de honorários,
médicos de diversas especialidades em todo o país
têm avaliado a possibilidade de suspensão do atendimento
a vários planos de saúde. Este cenário é resultado
da intransigência das operadoras que ameaçam os
médicos de descredenciamento, cancelam ou atrasam o pagamento
de serviços previamente autorizados, interferem na autonomia
do médico, negam autorização de procedimentos
essenciais para o paciente e recusam as propostas de reajuste
anual de honorários.
A adesão de grande parte dos 160 mil médicos credenciados
a planos de saúde à paralisação nacional
de atendimentos eletivos no último dia 7 de abril expôs
o grau de insatisfação da categoria. Pressionadas
pela opinião pública, as operadoras reagiram ao
movimento. Curvando-se subservientemente aos interesses destas
empresas, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério
da Justiça lançou uma arbitrária nota técnica
que proibia as entidades médicas de liderar movimentos
de paralisação. Esta afronta ao legítimo
direito dos médicos de reivindicação por
melhor remuneração foi prontamente cassada na Justiça.
O juiz considerou que a SDE não tinha competência
sobre a atividade médica e suas entidades, pois não
se tratam de empresas, mas, sim, de profissionais liberais e
seus representantes.
É importante ressaltar que os constantes aumentos das
mensalidades não refletem em aumento do valor pago ao
médico. Não é mera coincidência que
as operadoras estejam nas mãos dos empresários
mais ricos do país, que até figuram como novos
bilionários em listas de revistas internacionais de economia.
Com a omissão da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), órgão regulador que deveria
atuar em defesa do usuário, estas empresas aplicam sucessivos
reajustes às mensalidades com a justificativa de variação
de custos "médicos". Sem contar que, atualmente,
só credenciam os médicos como pessoa jurídica,
burlando a legislação tributária. Com o
discurso de que os reajustes liberados pelo ANS são insuficientes
para cobrir seus custos, elas arrocham os honorários médicos
para manterem seus lucros intocáveis. Entre 2000 e 2009,
estes reajustes acumularam 133%. Realidade completamente oposta à dos
médicos, que não recebem reajuste anual e ainda
têm gastos crescentes, como impostos, salários e
informatização dos consultórios.
Sem forte
fiscalização da agência reguladora,
a saúde suplementar é terra de empresários
que tratam o bem-estar da população brasileira
como negócio e promovem desmandos econômicos como
monopolização e cartelização do mercado.
Dentre as novas tendências deste setor está a compra
da carteira de clientes de operadoras pequenas e de rede de hospitais,
além da criação de planos populares a preços
acessíveis com rede credenciada e coberturas reduzidas.
Com o slogan "os melhores médicos pelo preço
que você pode pagar", alguns planos - que cobram R$35
por mês - iludem os usuários insinuando que eles
terão todo o tipo de atendimento necessário.
Em vez de
questionar a criação de planos populares
com rede credenciada reduzida, a ANS determinou recentemente
prazos máximos de atendimento para consultas e exames.
Tal norma está sendo questionada na Justiça pelo
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj),
porque vai interferir na relação entre médico
e paciente. Isto porque o usuário certamente cobrará que
o médico tenha agenda livre para cumprir a determinação
da ANS. O critério usado para definição
destes prazos, inclusive, deve ter sido um mero exercício
de criatividade. Medicina não é ciência exata
e o tempo da consulta médica depende de cada paciente.
Não se pode tratar a agenda do consultório médico
como a linha de produção de uma fábrica.
Este tipo de pressão da ANS e das operadoras faz com que
o paciente entenda que há uma relação de "consumo" com
o seu médico, que deveria se preocupar apenas em atender
o seu paciente com qualidade, presteza e atenção.
Saúde
Business Web
Novo
olhar sobre o setor de saúde
Por Maria Carolina Buriti
Mercado abre
diálogo sobre os velhos problemas do setor
de saúde, mas enquanto a aplicação das medidas
não é posta em prática, a cadeia perde oportunidade
de enxergar novos nichos e trazer rentabilidade, patinando em
antigos problemas
Uma das profissões mais antigas do mundo, a do médico, é parte
fundamental de uma discussão que coloca em jogo a sustentabilidade
do setor de saúde. Mas esse é apenas um elemento
de uma teia composta por argumentos contraditórios.
Tal rede é permeada pelos não tão antigos,
mas nem por isso menos importantes, planos e seguros de saúde;
hospitais- que ora são vistos como mercado, ora como instituições
ainda ligadas à caridade; saúde como política
pública garantida para todos por lei; e um setor recente
sob o ponto de vista de regulamentação, a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foram cridas há pouco
mais de dez anos.
Hoje, esses
agentes são dependentes, mas nem por isso
significa que essa convivência é harmônica.
Pelo contrário, essa obrigatoriedade da relação
entre os agentes do setor, está cada vez mais ligada ao
confronto em embates judiciais, onde todos são prejudicados,
inclusive o paciente, que não tem voz ativa e é passível
de decisões que o afetam diretamente. Apesar de discussões
contínuas, os acordos não são praticados,
enfrentam resistência em um setor que não se entende,
defende interesses próprios e onde há um relacionamento
marcado pela falta de confiança entre os pares.
Junte ao
relacionamento desgastado ou a falta de relacionamento: discussões políticas, baixa remuneração
médica, a briga da remuneração entre operadora
e hospital, aspirações por remuneração
por desempenho, o custo alto da tecnologia empregada nos hospitais,
as indústrias como parte responsável por essa oferta,
médicos autônomos que prestam serviço em
várias entidades e um paciente insatisfeito, além
de outros fatores, se tem a receita perfeita para anos de discussão
e nenhuma inovação.
Enquanto
nada se resolve e todos olham para os mesmos problemas e nichos
de mercado
específicos, se perdem oportunidades
de crescimento e de melhoria no setor.
Entraves
do avanço
No Brasil,
as primeiras organizações de médicos
para atender pacientes mediante a pagamentos fixos surgiram na
década de 60. E é o médico, a figura central
dessa cadeia. Hoje, ele está presente na direção
tanto de hospitais, como associações de classe,
operadoras, lideranças no governo e na presidência
das autarquias reguladoras.
Não é novidade o relacionamento marcado por confrontos
e embates judiciais, mas as conversas entre os membros de operadoras
e hospitais já foram organizadas anteriormente. É o
que lembra o presidente da Associação Brasileira
de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida. “Foram
formados encontros realizados na Abramge, eram 10 ou 12 operadoras
e os principais hospitais de São Paulo. Logo no início,
a gente notava que havia um conflito muito grande, era uma briga,
isso durou mais ou menos dois anos e, no fim, as pessoas se tratavam
bem”.
Presente
nas discussões deste grupo estava o superintendente
de operaçoes do Hospital Samaritano de São Paulo,
Sérgio Lopez Bento. Segundo ele, as primeiras reuniões
eram marcadas por um ranço antigo, mas com o tempo o relacionamento
melhorava e chegavam a consensos. O problema é partir
para a prática das ideias decididas em comum acordo, elas
são discutidas e acertadas, mas o entrave está na
aplicação.
“Esse é um aspecto importante: a dificuldade de
implementação dos temas que foram acordados em
debates. Essa é uma preocupação também
partindo do grupo da ANS, que discute novos modelos de remuneração.
Como implementar o que foi “consensado” é uma
grande preocupação a ser discutida. Como fazer
chegar na ponta e todos respeitem aquilo que foi acordados. Entre
operadoras e hospitais, os contratos não são respeitados”,
questiona Bento.
Essa implantação de acordos não evolui
para a prática, por conta da própria relação
entre operadoras e prestadores. Falta confiança nessa
convivência. “A dificuldade de implementação é muito
grande por vários motivos, o principal deles é,
talvez, a desconfiança que existe entre operadoras e prestadoras”,
pontua o presidente da Associação Nacional de Hospitais
Privados (Anahp) e diretor do Hospital Matter Dei, Henrique Salvador.
Custo
da desconfiança
Além dos consensos estão os acordos legais, contratos
que não são cumpridos cotidianamente, que colocam
o hospital e operadora em confronto, engordam o judiciário
e prejudicam a gestão do hospital por conta dos valores
e prazos envolvidos.
Em uma rede
conectada e dependente de si para a sobrevivência,
cada agente defende um ponto de vista que lhe é apropriado,
não há entendimento do parceiro e as consequências
são prejudiciais, inclusive financeiramente. O custo da
desconfiança entre hospitais e operadoras é mensurável
em ambos os lados. É o que aponta Bento, no Samaritano,
o custo da desconfiança na relação entre
prestadores e operadoras é nítido nos valores gastos
com profissionais responsáveis por pré-análise
e pós-análise das auditorias, autorizações
e faturamento. “É um contingente de pessoas que
representa 6% do custo de pessoal e não agrega valor para
o paciente final “, explica.
Do lado das
operadoras, o custo da desconfiança também é visível.
Bento cita dados da ANS, onde 15% do custo das operadoras representam
gastos administrativos, no qual tem uma parte de despesa comercial,
mas também há custos pesados com “overhead”. “Se
a gente tivesse um nível de confiança maior, parte
desse custo poderia ser aplicada com aquilo que interessa que é o
tratamento do paciente. A desconfiança é um custo
que não agrega valor e dá overhead para ambos”,
pontua.
De acordo
com Paulo Marcos de Souza, diretor da Amil, esse prejuízo
ocorre devido ao sistema em que operadoras e prestadores estão
inseridos. “O custo da desconfiança está no
modelo restabelecido, onde, para um ganhar, o outro tem que perder”.
Ele ainda acrescenta que duas coisas devem ser levadas em consideração
ao tratar desse sistema: o modelo de relacionamento, a outra é a
herança de um setor recente, com menos de 40 anos.
E esse “não-relacionamento” contribui para
entraves no setor e, segundo Bento, leva o mercado para a miopia. “São
75% dos beneficiários em planos coletivos, a fonte pagadora
não é mais uma operadora é uma entidade
patrocinadora”, analisa. Um modelo insustentável
também para essas empresas que custeiam o plano para o
funcionário, mas não estão na mira de grandes
mudanças por parte do setor.
Se há grandes gastos com a falta de confiança,
grandes negócios deixam de ser feito pela insistência
nos mesmos modelos e nichos, por um consenso que só leva à competição.
O diretor do Hospital M´Boi Mirim, localizado na zona sul
de São Paulo, Silvio Possa, observa que somando o bairro
do hospital e um vizinho são 1,3 milhão pessoas,
onde 35% possuem convênio médico, mas na região
só existem dois hospitais, ambos públicos, para
atender o contingente.
Para o superintende
do Hospital Nove de Julho, Luiz de Luca, isso é uma miopia de mercado. Enquanto faltam hospitais
e tratamentos em bairros afastados na capital paulista, os hospitais
competem entre si na região da Paulista. “Todo mundo
fica sempre deslumbrado com a atratividade de maiores ganhos,
rentabilidade e da tal alta complexidade, voltamos de novo para
mesmice do mercado. O “fashion healthcare”. Hoje,
por exemplo, todos os hospitais investem em oncologia, todos
buscando o mesmo mercado ao mesmo tempo”, provoca. Segundo
o executivo é uma questão de enxergar o nicho. “É arregaçar
a manga, montar competência e ir para cima. Isso é uma
baita de uma miopia”, completa.
Para o executivo,
o foco em competências e habilidades
específicas é que trará mais competitividade
para o mercado de saúde. Ir para o “fashion healthcare”,
apenas querendo agregar tecnologia, inovação e
modernização de espaços sem ter um foco
específico contribui para a ineficiência do setor.
Relacionamento em foco
Mas antes
de existir um custo de desconfiança, há um
relacionamento não harmônico, um não relacionamento
entre os agentes que resulta em altos gastos para todos e impede
a evolução do setor rumo ao entendimento. Tal relação
foi formada ao longo do tempo de um mercado recente, que não
conseguiu proseguir sem confrontos. “O modelo foi construído
em cima de paradigmas que não foram questionados”,
explica o professor e gerente de projetos da Fundação
Dom Cabral, Osvino Filho.
Salvador,
da Anahp, lembra que a relação nem sempre é nefasta.
Muitas vezes, são nutridas por comportamentos que são
exceção, não regra. Não é todo
prestador que turbina conta nem todo prestador desperdiça.
Não é toda operadora que glosa indiscriminadamente
e que dificulta o acesso ao tratamento médico e tecnologia”.
Se os prestadores
de serviço e as operadoras estão
destinados a conviver dentro do sistema de saúde, onde
o segmento suplementar coexiste com o público, devido às
próprias deficiências do serviço oferecido
pelo governo e pela complementação mútua,
o modelo de relacionamento entre os pares deve mudar. E para
isso a saída é o diálogo. “Temos que
estar unidos nessa condenação, em um colóquio
permanente e nesse entendimento, nem todas as operadoras são
ruins”, diz Souza.
Dentro desse
contexto, frequentemente, o modelo de fee for service é apontado
como o grande culpado. Para substituí-lo, o pagamento
por desempenho seria o grande salvador do sistema, mas como migrar
de sistemas com um relacionamento mal resolvido? Quanto a isso
há um consenso de que antes de um novo modelo de remuneração
deve se pensar no modelo de relacionamento e de convivência
harmônica.
“Nós, prestadores, somos custos para as operadoras
e a operadora é receita para o prestadores. Tudo que se
discute hoje inclusive na ANS diz respeito ao novo modelo de
remuneração que pretende não desequilibrar
o setor. A grande questão é esse movimento de pêndulo
que ocorre de vez em quando. Precisamos ter muito cuidado para
não provocar uma desestruturação neste setor,
que tem tudo para crescer pela frente”, pondera Salvador.
Para melhorar
essa relação, uma das linhas apontadas
por Souza da Amil, é a transparência, onde os todos
os hospitais tornariam público seus balanços. “O
importante é o diálogo que precisa ser aprofundado
e caminhar. A acreditação foi um passo muito importante
para os hospitais, segurança do paciente e do médico,
o passo seguinte é a transparência: os hospitais
precisam publicar os resultados, porque é barato ou caro
e comparar os resultados com os vizinhos”.
A Amil, controladora
de 34 hospitais, tem os mais diversos pacotes de procedimentos.
Souza exemplifica que em um dos hospitais começou
a medir o desempenhos de cada médico, só um tipo
de patologia em um mesmo hospital com equipes diferentes, um
procedimento cirúrgico, por exemplo, pode custar de R$
10 mil a R$ 18 mil reais, e se o preço fechado for o menor
e o paciente for atendimento para a equipe de custo alto, isso
pode trazer grande prejuízo para o hospital.
“É tão subjetivo e tão complexo tudo
isso, que para você firmar pacote e pagar por pacote, todo
mundo tem que estar muito bem alinhado. É importante ter
uma gestão muito firme dos hospitais, pacote é uma
negociação muito dura e de ambas as partes”,
explica.
Integrante
de um grupo de trabalho que discute modelos de remuneração,
Sérgio Bento, do Samaritano, disse que os debates têm
avançado rumo ao direcionamento dos modelos de pacotes
para os procedimentos que têm baixa variabilidade, do ponto
de vista do desfecho clínico dos insumos, encaminhando
os procedimentos cirúrgicos para pacote e os procedimentos
clínicos para a diária global. “ A mudança
do modelo vai nesse sentido, o que gera um aumento de risco para
o hospital e obriga a ter gestão de corpo clinico para
ter gestão de recursos e ficar dentro preço”.
Além dos custos da relação entre os pares é preciso
entender o que é performance, esse é o alerta de
Filho, da FDC. “Entender o que é performance, sendo
ela um moldador de comportamentos do setor é preciso cuidado
com a introdução desse pagamento por performance,
se pagar a performance errada, você vai moldar o setor
de uma forma errada também.
Mônica Castro, superintendente de provimento a saúde
da Unimed BH, que já utiliza um modelo de incentivo aos
hospitais credenciados na cooperativa, com pagamentos diferenciados às
entidades que investem em qualificação e acreditação,
pondera que as decisões sobre um futuro modelo deve considerar
indicadores que façam sentido para o corpo clínico,
como o gerenciamento de crônicos. “A performance é sempre
positiva, não é punitiva, é sempre um incentivo
para mais e não para menos, tem que ser considerada a
dimensão do conceito do cliente, tem que fazer sentido
clínico, a gente não trabalha com conceito”.
Médicos
no centro
Na teia de
relações estão os médicos,
ponto fundamental entre os agentes do setor. O questionamento
atual é o tratamento que deve ser dado a esse profissional
que está no cerne do conflito rodeado pelos problemas
entre operadoras e hospitais, como elo principal com o paciente
e como prestador de serviços. Tal tratamento passa novamente
pelo modelo de remuneração, cujo direcionamento
passa obrigatoriamente pela mensuração do trabalho
exercido pelo corpo clínico.
Mas não é só. Um terceiro player, que permeia
a cadeia e tem papel fundamental no desenvolvimento no setor,
a indústria está envolvida no cotidiano dos médicos.
Surge, então, a grande discussão a respeito do
relacionamento do profissional com a indústria, e se ele
deve ser visto como cliente ou como parceiro.
“Eu acredito que o médico ainda é um parceiro
muito próximo do hospital, essa é praticamente
a casa do médico. Os hospitais querem os médicos
estejam lá, assim como querem que o paciente esteja lá.
Pode ser usado, mas eu não acho que cliente é o
termo mais adequado”, afirma o presidente da Associação
Paulista de Medicina, Jorge Cury.
De acordo
com o diretor médico do Hospital Albert Einstein,
Miguel Cendoroglo Neto, os médicos devem ser tratados
como lideranças. “Em alguns momentos, quando se
trata de benefícios, privilégios ou mesmo avaliação
de desempenho, a gente tende a um certo viés de tratá-lo
como cliente. Mas é importante essa distinção
clara de papéis. Ele não é cliente, deve
ser tratado como membro assistencial e particularmente com o
papel de liderança do time assistencial”.
Na visão do superintendente do Hospital Nove de Julho,
Luiz de Luca, o médico precisa ser tratado como cliente. “Ele é tratado
como cliente, ele pode ser um cliente em todo o âmbito
da indústria, interno e externo. As instituições
veem o cliente externo como a pessoa que traz o mercado para
dentro da instituição, e o cuidado que tem que
ter é não ser mercantilista nesse processo”,
opina.
O mercantilismo
apontado pelo executivo tem fundamento na relação
que os médicos têm com a indústria. Com remuneração
baixa e atuando em vários hospitais, sem “pertencer” de
fato a nenhum deles, os médicos se tornam vulneráveis,
muitas vezes, a estabelecer um relacionamento anti-ético
com a indústria.
“Hoje temos que ter claro a ideia que o mercado é negócio.
A profissão médica está inserida em um modelo
de negócio. Não vejo porque não fazer os
médicos participar da visão de negócios”,
diz o diretor técnico do Hospital Santa Catarina, Jaime
Cobra.
Para o vice-presidente
da Lincx, Jair Monaci, a discussão
sobre o papel do profissional envolve uma série de fatores
que, novamente, apontam para a falta de entendimento entre os
elos e a falta de relacionamento. “Não é só a
remuneração e é aí que o médico
entra como cliente, mas o relacionamento é mais importante.
O principal desafio é justamente relacionamento, pois
nós sempre trabalhamos independentes, mas o objetivo deveria
ser mais comum, esse talvez seja o ponto das diferenças
que a gente tem na relação”, pontua.
O novo profissional
Diante da
transformação pela qual a profissão
médica vem passando, com os desafios de competitividade
de mercado, o avanço da tecnologia e a sobrevivência
num cenário cheio de turbulências, tem dimnuído
drasticamente o número de profissionais que optam por
manter um consultório. Dessa forma, ficou mais interessante
para o profissional atrelar-se às instituições
hospitalares.
Alguns apontam
para o dilema corpo-clínico aberto ou
fechado? Se a tendência é o corpo-clínico
fechado, como remunerar? Muitas questões em aberta para
o profissional central da saúde.
“O médico não é cliente do hospital,
ele é protagonista, ele é o líder, o hospital
e ele convivem. Sem corpo clinico o hospital não existe”,
afirma Souza, da Amil. Para Cobra, do Santa Catarina, “ Não
existe operadora sem médico e hospital sem médico é hotel”.
Para José Henrique Germann, diretor geral do Hospital
Ribeirânia, a falta de fidelidade existe tanto do médico
com o hospital, como na relação contrária,
mas eles devem ter peso na gestão. “Temos que buscar
atuação (do médico) no sentido colocar o
médico dentro da estrutura dos hospitais e do processo
decisório quanto a remuneração”.
ANS
Relatórios das Consultas Públicas
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atualizou
os relatórios das Consultas Públicas encerradas
após a vigência da RN nº 242, de 07 de dezembro
de 2011, que dispõe sobre o processo de edição
de normas e tomada de decisões. Os relatórios estão à disposição
para consultas através do link. http://www.ans.gov.br/index.php/participacao-da-sociedade/consultas-publicas/21-consultas-publicas-anteriores
As Consultas
Públicas nº 40, 41 e 42, de 2011, ainda
estão em fase de consolidação das sugestões.
CFM / AssPreviSite
Mobilização do movimento médico em todo
o país
Está disponível no Portal Médico o Boletim
nº 11, do mês de julho, da Comissão Nacional
de Saúde Suplementar(Comsu).
A nova edição traz relatos sobre a “mobilização
histórica do movimento médico, em torno das bandeiras
nacionais de recomposição dos honorários
médicos, CBHPM plena e contratos com reajuste anual”,
diz o Boletim.
A publicação descreve as ações dos
movimentos estaduais e as estratégias definidas, como
por exemplo, no estado de São Paulo, onde o atendimento
aos planos será suspenso, a partir de 1º de setembro.
A paralisação dos profissionais no estado será realizada
em rodízio sequencial: a cada três dias, uma especialidade
médica deixará de atender os planos selecionados.
Além dos informes sobre a saúde suplementar, o
Boletim convida para a reunião ampliada da Comsu. O encontro
contará com a presença das associações
médicas, conselhos regionais de medicina, sindicatos médicos,
sociedades de especialidades e comissões de honorários.
O evento
será realizado no dia 4 de agosto, na sede do
Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília. O objetivo é a
atualização de um balanço nacional das negociações
dos médicos com os planos de saúde.
O Boletim
da Comsu nº 11 está disponível
no Portal Médico, na seção Informes Comsu,
e para acessar clique no link http://portal.cfm.org.br/images/stories/comsu/consu_boletim11.pdf
Folha
de São
Paulo
Convênios dificultam adesão
de idosos
Isso ocorre
porque planos não podem se recusar a aceitar
maiores de 59 anos e lei proíbe reajuste por faixa etária
Corretores
afirmam que empresas não pagam comissão
nesses contratos; advogadas dizem que é irregular
Por Talita Bedinelli
De São
Paulo
No começo do ano, a nutricionista Nádia de Carvalho,
32, começou uma cruzada que parece sem fim: tentar contratar
plano de saúde para os pais, que têm 64 anos.
Ligou para
uma lista de corretores e ouviu que eles não
comercializavam os planos das maiores empresas para idosos. Se
quisesse contratá-los, disseram, ela teria que ligar para
os convênios.
Ao procurar
as empresas, ninguém soube informar o que
ela deveria fazer para conseguir firmar contrato.
A situação que Nádia vive é comum:
idosos têm dificuldade para contratar um plano. Isso porque
o Estatuto do Idoso impede que planos individuais sejam reajustados
por faixa etária depois que o usuário completa
59 anos.
Como, também por lei, as empresas não podem negar
que idosos adquiram seus planos, a tática tem sido dificultar
a adesão deles.
A Folha contatou
dez corretores, dizendo que queria contratar um plano para
uma
idosa de 67 anos. Para maiores de 59 anos,
disseram que não poderiam vender planos da Amil, Medial,
Dix, Unimed Paulistana e Intermédica, as maiores de SP
para planos individuais. Três disseram que não os
vendem pois as empresas não pagam comissão nesse
caso.
"Se fosse atender, gastaria com almoço, condução
e não seria reembolsado. Deixaram de pagar para que a
gente não ofereça o plano para maiores de 59 anos",
disse um deles. "Dificultam ao máximo até a
pessoa desistir."
A Folha ligou
diretamente para a Amil (que responde ainda por Medial e Dix).
A atendente
disse que a idosa tinha que marcar
avaliação com o médico da empresa. A data
mais próxima para essa consulta era em 40 dias.
Na Intermédica, o atendente disse que funcionário
ligaria de volta em até duas semanas. Quando a reportagem
mostrou interesse em um plano para alguém mais jovem,
o retorno foi no dia.
No atendimento
da Unimed Paulistana, em dois telefonemas diferentes, funcionários pediram para que a repórter deixasse
um número de contato que uma pessoa do "setor específico
para maiores de 59 anos" retornaria. Mas ninguém
ligou.
Em uma terceira
tentativa, a atendente, que depois explicou que era corretora,
aceitou
atender a idosa. Ela disse que os
colegas haviam recusado por se tratar de alguém maior
de 59 anos.
A advogada
Renata Vilhena Silva, especialista na área
de saúde, diz que a prática é irregular. "Se
a empresa oferta um produto no mercado, divulga, não pode
escolher para quem vai vender."
Luciana Dantas,
especialista de proteção e defesa
do consumidor do Procon-SP, concorda. "Não pode ter
uma diferenciação. O idoso tem privilégios
perante a lei."
OUTRO LADO
Operadoras negam vetar a entrada de mais velhos
A Intermédica reconhece não pagar comissão
para corretores que fazem planos para idosos.
Ela afirma
que, com isso, pretende direcionar melhor o atendimento ao
idoso, pois
o cliente procura diretamente a empresa e passa
por uma avaliação física.
Essa avaliação, diz, visa ajudar o idoso a optar
pelo plano adequado e direcioná-lo para programas de prevenção,
em caso de necessidade.
A Unimed
Paulistana só informou que "todos os planos
comercializados e dirigidos a todas as faixas etárias
estão em conformidade às normas preconizadas pela
Agência Nacional de Saúde Suplementar". Não
comentou sobre o não comissionamento dos corretores.
Disse que,
caso os interessados em adquirir um de seus planos necessitem
de informação adicional, devem entrar
em contato pelo 0/xx/11/3113-3300 (segunda a sexta, das 8h às
17h30).
A reportagem
ligou para o número (que não é visível
no site) e foi informada por um atendente que os idosos devem
comparecer diretamente à sede da empresa, pois se trata
de uma "venda administrativa", já que os corretores
não "recebem comissão".
A Amil não retornou até a conclusão desta
edição.
Extra Online
Vacinação
prorrogada
A Prefeitura
do Rio prorrogou até o dia 30 de julho a
campanha de vacinação contra o sarampo. É importante
que os pais levem seus filhos de 1 a 7 anos incompletos aos postos
de saúde do município. Até o momento, foram
aplicadas 312.348 doses, o que representa 72% do esperado pela
Prefeitura, que é de vacinar 434 mil crianças ou
95% do público-alvo. O sarampo é altamente contagioso
e é transmitido por vírus.
Saúde
Business Web
Ações
judiciais contra o SUS totalizam R$2 mi ao Governo
Um levantamento
feito pelo Conselho Nacional de Justiça
constatou que entre 2010 e 2011 foram gastos R$ 2 milhões
em ações judiciais contra a União, em relação à garantia
de atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
As informações são do jornal Infomoney.
O estudo
mostra que no mesmo período o número
de processos também subiu 6% de um ano para outro.
Ao todo,
são cerca de 141 mil processos relacionados
ao atendimento do SUS. Os dados foram citados no seminário “Reflexões
sobre o SUS”, que ocorreu na última semana.
Planos
de saúde
De acordo
com a Consultoria Jurídica do Ministério
da Saúde, há pacientes que possuem plano de saúde,
mas entram com ações para garantir atendimento
pelo SUS.
Consultor
Jurídico
Falha em atendimento obriga hospital a indenizar
Para que
um hospital seja responsabilizado por erro médico,
não é necessário que se prove a culpa do
profissional. Apenas que o fato gerador do prejuízo foi
o serviço mal prestado. O entendimento é da 4ª Turma
do Superior Tribunal de Justiça, ao manter indenização
para um criança que teve graves sequelas em virtude de
falhas no atendimento no parto — o hospital foi condenado
a pagar R$ 100 mil aos pais da criança.
Segundo a
mãe da criança, não havia pediatra
na sala de cirurgia. O obstetra atendeu a recém-nascida
e procedeu a avaliação. Além disso, segundo
eles, a maternidade estava superlotada, o que fez com que a mãe
tivesse de aguardar a desocupação de uma unidade
e, após o parto, houve atraso no atendimento da criança
no Centro de Tratamento Intensivo (CTI).
Além disso, o obstetra atribuiu nota de Apgar 7-8, que
foi reputada como errada cerca de 20 minutos depois pelo pediatra.
A criança havia nascido com o cordão umbilical
enrolado duas vezes no pescoço e, segundo laudo pericial,
a negligência da maternidade ao não disponibilizar
pediatra e demorar a atender a recém-nascida no CTI acarretou
progressivo agravamento do quadro neurológico da menina.
O ministro
Luis Felipe Salomão, cuja posição
foi seguida pela maioria dos membros da 4ª Turma, afirmou
que a responsabilidade médica e hospitalar de natureza
contratual é fundada, geralmente, em obrigação
de meio, ou seja, o médico assume a obrigação
de prestar os seus serviços de modo a proporcionar ao
paciente todos os cuidados e conselhos tendentes à recuperação
de sua saúde.
A cura dos
males físicos (obrigação de
resultado), no entanto, não pode ser assegurada, devido à limitação
da condição humana do profissional. “O insucesso
do tratamento — clínico ou cirúrgico — não
importa automaticamente o inadimplemento contratual, cabendo
ao paciente comprovar a negligência, imprudência
ou imperícia do médico”, observou o ministro.
Assim, concluiu
que a responsabilidade pessoal do médico,
embora contratual, não prescinde da comprovação
da culpa, sendo, portanto, de natureza subjetiva. Já o
estabelecimento hospitalar é fornecedor de serviços
e responde objetivamente pelos danos causados aos pacientes,
desde que o seu fato gerador seja o serviço mal prestado.
O hospital
argumentou que o TJ-MG ignorou a confissão
da mãe quanto ao fato de haver retomado suas atividades
estudantis e estágio remunerado, o que tornaria sua pensão
questionável. E alegou, ainda, que houve violação
ao artigo 335 do Código de Processo Civil, ao não
aplicar as regras de experiência para considerar que o
atendimento por médicos de outras qualificações é prática
comum nos hospitais, sem que isso traga complicações
ao recém-nascido.
Mas, para
o ministro Luis Felipe Salomão, "o retorno às
atividades estudantis e estágio remunerado não
implica, automaticamente, por óbvio, que obterá emprego
tão logo conclua o curso universitário”.
Acrescentou que a invalidez da filha é irreversível
e os cuidados maternos serão sempre imprescindíveis,
o que talvez a impossibilite de trabalhar em jornada de oito
horas diárias.
“Ainda que assim não fosse, há fundamento
adicional à responsabilidade da maternidade, qual seja,
a deficiência na estrutura material utilizada para o procedimento
médico-cirúrgico, consubstanciada na falta de vaga
no CTI, impelindo a uma espera de mais de uma hora para que a
recém-nata pudesse ser socorrida a contento”, completou
Luis Felipe Salomão.
Isto é
O corpo fabricado
A criação de estruturas como fígado, traqueia,
rins e vasos sanguíneos artificiais surge como alternativa
para substituir partes danificadas do organismo por outras, novas
e sadias
Por Cilene Pereira e Rachel Costa
Uma das maiores
ambições da medicina sempre foi
conseguir trocar órgãos danificados por outros,
novinhos, deixando o organismo permanentemente como uma espécie
de carro zero-quilômetro. Pode parecer audacioso, mas grupos
de cientistas envolvidos na concretização desse
sonho estão demonstrando que isso é possível.
Na segunda-feira 18, um desses times anunciou mais um passo importante
nessa direção. Pesquisadores do Massachusetts Institute
of Technology, o prestigiado MIT, dos Estados Unidos, informaram
ao mundo a criação de um fígado humano artificial,
fabricado completamente em laboratório. Os detalhes da
façanha estão descritos na edição
online do Proceedings of the National Academy of Sciences, uma
das mais respeitada s publicações científicas
mundiais.
O órgão foi produzido a partir de uma mistura
de hepatócitos humanos (células que compõem
o fígado) com fibroblastos (células de suporte)
extraídas de ratos. Os exemplares foram implantados em
cobaias usadas em testes de medicamentos. Normalmente, antes
de um remédio ser aprovado, ele passa por várias
etapas para a análise de sua segurança e eficácia.
As primeiras são realizadas em animais – comumente,
em ratos. Mas, por mais semelhantes que sejam as respostas das
cobaias e dos humanos às medicações, elas
não são exatamente as mesmas. Por isso a ideia
dos pesquisadores americanos de produzir um fígado humano
e implantá-lo nos camundongos. Dessa maneira, as reações
observadas serão ainda mais próximas das que serão
manifestadas por um ser humano.
Esse foi
o objetivo mais imediato do trabalho. E foi alcançado.
Nos testes, os cientistas verificaram que o fígado artificial
integrou-se ao organismo das cobaias cerca de uma semana após
ser implantado. E foi capaz de se comportar como se fosse o fígado
de um homem. Os pesquisadores, porém, estão sonhando
mais alto. “Acreditamos que este trabalho seja um passo
para, no futuro, criarmos um fígado artificial que possa
ser usado em pessoas doentes”, disse à ISTOÉ a
cientista Alice Chen, uma das responsáveis pelo estudo. “Tivemos
e continuaremos a ter esta meta”, completou.
A apresentação da experiência americana
ocorreu apenas dez dias depois da divulgação de
outro feito de igual impacto. Na sexta-feira 8, pesquisadores
do Karolinska University Hospital, na Suécia, anunciaram
a realização de um implante de uma traqueia totalmente
fabricada em laboratório. O beneficiado foi um homem de
36 anos, pai de dois filhos. Ele sofria de um câncer na
traqueia e não respondia mais aos tratamentos. “Estava
condenado à morte”, disse o médico Paolo
Macchiarini, coordenador do procedimento. A traqueia doente
foi extirpada, e a nova, sadia, colocada em seu lugar. O rapaz
não tem mais a doença e o que se espera, a partir
de agora, é que ele tenha uma vida absolutamente normal. “Esta é uma
demonstraç&atild e;o de que o que até poucos
anos atrás era considerado um sonho está se tornando
realidade, transformando a vida dos pacientes”, disse o
médico Alan Russel, diretor do McGowan Institute, em Pittsburgh,
nos Estados Unidos, a respeito da experiência sueca.
A avaliação do cientista americano é mesmo
precisa e – melhor – passa longe de promessas irresponsáveis
que vendem soluções muito, muito distantes de se
tornarem acessíveis. É verdade que ainda há muito
o que caminhar, como ressaltou Alice Chen, do MIT, mas o fato é que
a medicina regenerativa, como é chamado esse campo, vem
colecionando conquistas em ritmo surpreendente. Um dos melhores
exemplos é o trabalho realizado pelo Instituto de Medicina
Regenerativa da Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte,
nos Estados Unidos. Trata-se de uma instituição
de referência na área. Foi lá que, pela primeira
vez, em 1998, pacientes receberam estruturas corporais completamente
criadas em laboratório. À época, foram reconstruídas
as bexigas de nove crianças. O processo revolucionário
consistia em retirar uma pequena amostra de tecido desses pacientes – menor
que metade de um selo postal –, separar as células,
multiplicá-las e, uma vez tendo material suficiente, usá-lo
para rechear e cobrir um suporte em formato de bexiga. Esse molde
era então levado para um biorreator, onde passava por
um período de encubação para o crescimento
celular, promovido em condições ideais de temperatura
e oxigenação. Feito isso, estava pronto para ser
usado nos pacientes.
O método mostrou-se eficaz para a produção
de várias estruturas e, desde então, a equipe da
universidade vem testando-o em diferentes situações.
O sucesso mais recente foi a comprovação da sua
eficácia para a reconstrução da uretra (canal
que liga a bexiga ao exterior do corpo) de cinco meninos. Publicado
em março deste ano, um estudo sobre o método atesta
que as operações, realizadas entre 2004 e 2007,
foram bem-sucedidas. Durante o período de acompanhamento,
constatou-se que o canal reconstruído manteve o diâmetro
e a capacidade urinária desejados. “Isso comprova
que as uretras criadas em laboratório são um bom
substituto ao tratamento atual”, diz Anthony Atala, líder
da pesquisa e diretor do instituto. “Nos enxertos sem essa
tecnologia há problemas em mais de 50% dos casos: ocorre
o estreitamento do vaso, o que causa infecções,
dificuldade para urinar, dor e sangramento.”
Além da bexiga e da uretra, outros 30 tecidos e órgãos
construídos em laboratório estão em estudo
nos laboratórios da Wake Forest. Entre eles, uma das boas
promessas vem de uma pesquisa em estágio avançado
que promete solucionar problemas de disfunção erétil.
A técnica, já testada em animais, consiste em reconstruir
o tecido erétil do pênis – essa estrutura,
conhecida como corpo cavernoso, torna-se rija ao receber um volume
maior de sangue. Por isso, o grande desafio é garantir
a boa vascularização do tecido reconstruído.
Em camundongos, o procedimento deu certo. Durante os testes,
os animais foram capazes de engravidar fêmeas.
Obter o molde
adequado é parte fundamental para a engenharia
de órgãos. Além da opção de
se recorrer ao biomaterial inteligente – construído
de polímeros e reabsorvido pelo corpo após um tempo –,
outra solução é usar como suporte o órgão “descelularizado” de
um doador. Esse processo consiste em “limpar” o conteúdo
celular da estrutura, deixando apenas uma espécie de esqueleto
que será implantado no paciente. O corpo, ao receber essa
estrutura vazia – mas capaz de atrair para ela as células
específicas –, repovoa naturalmente o “molde”.
Por meio
dessa metodologia, uma equipe de cientistas brasileiros da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)
já substituiu válvulas cardíacas de mais
de 300 pacientes. “Como o próprio corpo preenche
a estrutura descelularizada, não há risco de rejeição
do novo órgão”, explica o cirurgião
cardíaco Francisco Diniz Affonso da Costa, coordenador
do Núcleo de Enxertos Cardiovasculares da PUC-PR. A técnica
tem sido usada principalmente em crianças e adolescentes
que necessitam de novas válvulas cardíacas. A vantagem
sobre o processo normalmente usado é que as estruturas
descelularizadas são capazes de se desenvolver junto com
o restante do organismo – o que é fundamental em
paciente s em fase de crescimento. “Em crianças,
era necessário substituir a válvula de dois a cinco
anos depois de implantá-la. Nos pacientes que estamos
acompanhando, não tem surgido essa necessidade”,
avalia Costa.
A evolução na compreensão do papel das
células-tronco nos últimos dez anos também
tem garantido o avanço da medicina regenerativa. Embora
em boa parte das experiências as estruturas sejam provenientes
de células específicas do órgão a
ser reconstituído (por exemplo, para refazer a bexiga,
usam-se células retiradas da própria bexiga do
paciente), há algumas situações em que isso
não é possível. Nesses casos, pode-se recorrer às
células-tronco – estruturas capazes de dar origem
a diversos tecidos do organismo. A traqueia que salvou a vida
do rapaz na Suécia, por exemplo, foi produzida a partir
de células-tronco extraídas da medula óssea
do paciente.
Outra iniciativa
que recorre a essas estruturas será desenvolvida
no Brasil, por um grupo do Centro de Nanotecnologia e Engenharia
de Tecidos da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão
Preto, interior de São Paulo. Os cientistas preparam os
primeiros testes de um modelo misto para o desenvolvimento de
pele humana. A ideia é acrescentar às células
epiteliais uma parte de células-tronco. “Esperamos,
com isso, melhorar a integração desse tecido ao
sistema biológico do paciente transplantado”, esclarece
Antônio Claudio Tedesco, coordenador do laboratório.
A lista de
progressos rumo à criação de
uma espécie de corpo artificial é grande, mas ainda
há obstáculos a serem superados. Neste momento,
pode-se dizer que a confecção de órgãos
menos complexos, como a bexiga, está dominada. “Mas
um dos maiores desafios é fabricar estruturas sólidas,
como o rim, o coração e o pâncreas”,
disse à ISTOÉ Karen Richardson, porta-voz do Instituto
de Medicina Regenerativa da Universidade Wake Forest. “Esses órgãos
possuem alta densidade celular e é preciso boa vascularização
para manter o suprimento de oxigênio necessário
ao seu funcionamento.”
Nesse aspecto,
porém, há experiências vitoriosas.
Os resultados da última, aliás, foram apresentados
há um mês, durante um encontro da Associação
Americana do Coração. Pesquisadores da empresa
Cytograft Tissue Engineering, dos Estados Unidos, informaram
o sucesso de um implante de vasos sanguíneos criados com
células de pele doadas. Eles foram colocados em três
doentes renais para facilitar a entrada de cateteres durante
a diálise. Oito meses depois da implantação,
nenhum apresentara sinais de rejeição ou de qualquer
outro problema. “Vamos agora iniciar um estudo clínico
para verificar a eficácia em pacientes que tiveram pernas
amputadas e sofrem com problemas de vascularização”,
disse à ISTOÉ Todd McAllister, chefe-executivo
da empresa.
Órgãos mais complexos apresentam ainda maior variedade
de tipos de célula em sua composição. Isso
cria uma nova demanda. “É necessário fazê-las
interagir adequadamente, o que ainda exige muito trabalho”,
falou à ISTOÉ Don Gibbons, porta-voz do Instituto
de Medicina Regenerativa da Califórnia, nos Estados Unidos,
outro centro especializado. Por isso, comemoram-se as conquistas
por etapas. Um avanço positivo registrado recentemente,
por exemplo, foi dado por um trabalho da Universidade de Washington,
nos Estados Unidos, em relação ao coração.
Usando células-tronco humanas, os cientistas criaram um
pedaço de músculo cardíaco que se mostrou
capaz de bater em um ritmo equivalente a 120 batimentos por minuto – mais
acelerado do que o do coração de um adulto em repouso,
cuja média é de 70 batimentos por minuto.
Aprimorar
e ampliar as possibilidades de criar órgãos
representam um reforço importante contra um problema atual:
com o aumento da expectativa de vida, a tendência é de
que cada vez mais pessoas precisem de órgãos substitutos – o
envelhecimento contribui para a falência das capacidades
do organismo. O que se espera é que, num futuro não
tão distante, mais e mais implantes – a exemplo
dos feitos com traqueia, bexiga, uretra e vasos sanguíneos
artificiais – garantam maiores esperanças de vida.
Isto é Dinheiro
"As vendas de medicamentos vão dobrar no País,
em cinco anos"
Por
Márcia
Pinheiro
Em 2010,
com o aumento do poder de compra da classe C, a venda dos medicamentos
genéricos disparou, crescendo mais que
a dos medicamentos em geral: 37,7% contra 10%. Aclair Machado,
presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores
de Laboratórios Nacionais, falou sobre as perspectivas
e os novos desafios do setor:
Como
está a briga entre os genéricos
e os demais medicamentos?
Como o mercado
de medicamentos, em geral, cresceu 10% em 2010, nossa projeção para o mercado, nos próximos
cinco anos, tornou-se mais otimista. Esperamos que as vendas,
hoje na faixa de R$ 40 bilhões, dobrem nesse período.
Um dos grandes responsáveis pelo desempenho positivo,
do ano passado, foi o segmento de genéricos, que representa
25% do mercado e faturou R$ 6,2 bilhões. Um crescimento
de 37,7%, em relação a 2009. Creditamos esse incremento à preferência
da classe C por esse tipo de produto.
Como
foi o comportamento dos medicamentos isentos de prescrições
(MIPs)?
As vendas
dos MIPs cresceram 23%, em 2010. E o faturamento atingiu R$
10,5 bilhões. É curioso, uma vez que a Anvisa
determinou que esses medicamentos não ficassem expostos
ao consumidor.
Como
as farmácias se adaptaram à essa
norma da Anvisa?
Para não perder clientes, começaram a oferecer
uma maior gama de produtos de higiene e beleza. Deu tão
certo que foi registrado um aumento de 30%, em 2010, na venda
desses produtos.
Correio Braziliense
A
nova lei nº 1.240/2011: o que muda na assistência
sanitária
Por Cláudia Fernanda de Oliveira Pereira, Procuradora
do MPC/DF e doutoranda em Direito Sanitário pela Universidade
Pública de Navarra
Há algum tempo, tenho argumentado que a ausência
de marcos legais em matéria sanitária no Brasil
obriga, muitas vezes, o Poder Judiciário a preencher o
vazio deixado pela ausência da norma. Além disso,
a profusão de atos normativos inferiores, a exemplo das
portarias e resoluções, pode invadir a esfera reservada à lei.
No mesmo
sentido, em audiência pública realizada
no STF, no dia 29/10/2009, defendi que fazia falta no Brasil
regras semelhantes às que existem na Espanha, país
cujo sistema de saúde é incrivelmente semelhante
ao nosso. Com efeito, a Constituição espanhola
garante a proteção à saúde, que é prestada
pelo Sistema Nacional de Salud (SNS). Para dar concretude a tal
direito, foi votada a Lei Geral de Sanidade (14/1996, que contém
113 artigos), mais tarde modificada, em parte, pela Lei 16/2003,
de Coesão (com 79 artigos), nas quais se estabelece que
o direito à proteção à saúde
deve vir expresso em um catálogo de prestações,
acompanhado de uma memória econômica que contenha
a valoração do impacto positivo ou negativo que
pode acarretar. É a carteira de serviços, por sua
vez, que prevê o conjunto de técnicas, tecnologias
ou procedimentos, mediante os quais se fazem efetivas as prestações
sanitárias. Nesse sentido, o Real Decreto 1030/2006 prevê,
exaustivamente, as prestações sanitárias
de saúde pública, atenção primária,
especializada, de urgência, prestação farmacêutica,
ortoprotésica, de produtos dietéticos e transporte
sanitário, que serão dispensados pelo SNS.
Por outro
lado, a Lei de Garantia de Uso Racional de Medicamentos e Produtos
Sanitários nº 29/2006 (possuindo 113 artigos)
responde a três perguntas básicas: quem admite,
como e por quê, um medicamento ou produto sanitário
no SNS.
Referido
sistema, com normas claras, seria totalmente aconselhável
ao Brasil, de modo que o Poder Judiciário, o Ministério
Público e a Defensoria Pública seriam os últimos,
e não os primeiros do filtro, na difícil tarefa
de decidir o que deve ou o que não deve ser financiado
pelo Sistema Único de Saúde.
De maneira
coincidente, o então presidente do STF, ao
finalizar os trabalhos da citada audiência, ressaltou ser “preciso
ainda refletir sobre a questão da normatização
e da definição de marcos legais precisos para as
políticas públicas de saúde que possibilitem
a sua face ou compreensão”.
Desde 2007,
o Congresso Nacional vem debatendo essa questão.
No Senado Federal, o Projeto de Lei nº 338, de autoria do
senador Flávio Arns, visava assegurar que a dispensação
de medicamentos e produtos constantes nas tabelas do SUS não
eximiria o Poder Público de fornecer outros medicamentos
e produtos de saúde não listados. Além disso,
a relevância e o impacto da incorporação
no SUS não seriam suficientes para motivar o indeferimento
para a inclusão ou o deferimento para execução
em tais tabelas, salvo quando a doença sob análise
estivesse plenamente e expressamente contemplada sob o ponto
de vista da Câmara Técnica. Em pólo oposto
estava o PL 219/2007, de autoria do senador Tião Viana,
segundo o qual a prestação sanitária pública
ficaria condicionada a tabelas e prescrição de
acordo com diretrizes terapêuticas instituídas em
protocolo clínico elaborados pelo gestor do SUS.
Venceu o
segundo posicionamento. Ou seja, agora é lei,
não mais portaria, que dispõe sobre a obrigatoriedade
de serem respeitadas as diretrizes terapêuticas definidas
em protocolo clínico ou, na ausência desses, a relação
de medicamentos instituída pelo SUS. Além disso,
a incorporação, exclusão ou alteração
de novos medicamentos, produtos e procedimentos, protocolo ou
diretriz é atribuição do Ministério
da Saúde, assessorado pela Comissão Nacional de
Incorporação de Tecnologia do SUS. Vedou-se, ainda,
expressamente, que o SUS pague por medicamentos, produtos ou
procedimentos clínicos e cirúrgicos experimentais
ou não autorizados ou não registrados pela Anvisa.
Se por um
lado, a nova lei (1.2401/2011, em vacacio por 180 dias), com
apenas
oito artigos, tenta por ordem no sistema, por
outro, perdeu excelente oportunidade para dispor sobre a questão
de forma completa, não podendo ser aceita sem contestação.
Assim, em linhas gerais, deve ser privilegiado o tratamento ofertado
pelo SUS, conclusão que não afasta a possibilidade
de o Poder Judiciário ou a própria Administração
decidir dispensar, em razão da condição
específica de saúde de um dado paciente, outra
prestação sanitária. Além disso, é preciso
diferenciar a situação das prestações
não fornecidas pelo SUS, porque experimentais, daquelas
outras não incorporadas às listas e protocolos
existentes, à custa de um sistema deficiente. Por isso, “a
inexistência de Protocolo Clínico no SUS não
pode significar violação do princípio da
integralidade do sistema, nem justificar a diferença entre
(...) rede pública e (...) rede privada. Nesses casos,
a omissão administrativa no tratamento de determinada
patologia poderá ser objeto de impugnação
judicial, tanto por ações individuais, como coletivas” (STA
175).
Por outro
lado, se os custos são importantes, para a
real sustentabilidade do sistema, não representam argumento
suficiente para negar-se o pleito, devendo o Estado demonstrar
que o deferimento do pedido causaria grave lesão econômica.
Isso porque, “o alto custo do medicamento não é,
por si só, motivo para o seu não fornecimento,
visto que a Política de Dispensação de Medicamentos
Excepcionais visa a contemplar justamente o acesso da população
acometida por enfermidades raras aos tratamentos disponíveis” (STA
371).
Por fim,
a norma tangenciou problema muito mais frequente do que se
pensa, que é a existência de protocolos e
listas do SUS descumpridos pelo gestor. Sistemas como o espanhol
preconizam, nesses casos, a possibilidade de reintegro de gastos
médicos, em hipóteses de urgência vital,
além de disporem a respeito do atendimento programado
e não urgente, garantindo ao cidadão prazo médio
de resposta, sem o qual nasce o consequente direito ao ressarcimento
por serviços efetuados fora do Sistema. Nada disso foi
tratado, o que atrai consistente ceticismo: “Os problemas
da eficácia social do direito à saúde devem-se
mais a questões ligadas à implementação
e manutenção das políticas públicas
de saúde já existentes (...) do que à falta
de legislação específica” (ministro
Gilmar Mendes, no encerramento da audiência pública
realizada no STF no dia 29.4.2011).
Ministério da Educação
Exame
para a revalidação de diploma reunirá 601
médicos
O Ministério da Educação recebeu 601 inscrições
para o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas
Médicos (Revalida). Os candidatos, brasileiros ou estrangeiros
residentes no Brasil, fizeram a graduação em 29
países — 320 deles obtiveram diplomas na Bolívia,
146 em Cuba e 58 na Argentina.
No grupo
de inscritos há também médicos
graduados na Espanha (17), Alemanha (sete), Rússia (quatro)
e Estados Unidos (dois). A revalidação de diplomas
de médicos ocorre duas etapas. A primeira consta de provas
objetivas, de múltipla escolha e discursiva, eliminatórias,
marcadas para 28 de agosto, em Brasília, Porto Alegre,
Manaus, Fortaleza, Rio de Janeiro e Campo Grande.
Os médicos aprovados nessa bateria de exames estarão
aptos a fazer a avaliação de habilidades clínicas
(segunda fase), em 1º e 2 de outubro, também eliminatória.
Nessa etapa, todos os candidatos serão avaliados em Brasília.
O Revalida de 2011 é de responsabilidade do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Concluída a fase de aplicação das provas,
o Inep encaminhará o resultado a cada universidade que
tiver candidatos inscritos. No processo de revalidação
de diplomas médicos deste ano, 37 instituições
federais, estaduais e municipais de educação superior
aderiram ao exame e estão credenciadas a emitir certificado.
De acordo com as expectativas do Ministério da Educação,
todo o processo estará concluído até dezembro.
Todas as
informações sobre o Revalida de 2011
constam do Edital nº 8/2011 do Inep, publicado no Diário
Oficial da União de 27 de junho último, seção
3, página 37.
Domingo, 24.07.11
Correio Braziliense
O novo SUS da Dilma
Por
Ana D'Angelo, repórter de economia
É um mercado que está organizado de modo predatório
e suicida, com seus três agentes em guerra aberta atualmente
O setor de
planos de saúde tende a se tornar uma fonte
crescente de problemas, que já atingem a classe média
e ameaçam estender para todos os brasileiros o drama até então
restrito ao Sistema Único de Saúde (SUS). Consequência
saudável do crescimento econômico e da ascensão à classe
C de milhões de pessoas que estavam na base da pirâmide
social, o número de usuários quase dobrou nos últimos
10 anos, passando de 34 milhões para 62 milhões
de beneficiários, se contarmos todas as modalidades de
planos. Ter um convênio é o benefício almejado
por 90% dos empregados e é cada vez mais oferecido pelas
empresas.
O problema é que a rede assistencial de médicos
e hospitais não cresceu na mesma proporção.
Pior: as associações médicas denunciam que
tem havido um encolhimento. A continuidade do crescimento econômico
só vai aumentar a adesão de novos beneficiários
ao sistema. Hoje, o setor já movimenta mais recursos que
o SUS. Em 2010, a receita das operadoras atingiu R$ 74 bilhões
para atender 25% da população, enquanto o sistema
público recebeu R$ 68 bilhões de recursos para
os 75% restantes.
Apesar desse
faturamento maior, há um gargalo na demanda,
pois a rede que atende não está dando conta, o
que tem prejudicado o atendimento e gerado reclamações
que já envolvem todas as classes sociais. Mesmo hospitais
de referência das elites nas principais cidades brasileiras
têm dificuldades para atender à crescente demanda.
E, em casa
em que falta pão, todo mundo reclama e todo
mundo tem razão. As operadoras se queixam dos custos crescentes
e do rol de procedimentos que têm de cumprir, sempre em
expansão. As pequenas operadoras estão enfrentando
problemas econômicos e financeiros e um mercado que caminha
para a maior concentração. Os prestadores de serviço,
com destaque para os médicos, reclamam da mísera
remuneração e ameaçam com movimentos grevistas.
O usuário, que tem a despesa adicional a honrar no fim
de cada mês — a mensalidade, muitas vezes reajustada
com índices superiores à inflação
oficial, caso dos contratos individuais —, se frustra quando
não consegue usar os serviços nos momentos de maior
necessidade. Houve até cliente que foi atendido mais rapidamente
pelo SUS do que pela operadora. É um mercado que está organizado
de modo predatório e suicida, com seus três agentes
em guerra aberta atualmente.
Burocracia
e ineficiência
O órgão público encarregado de colocar
ordem no setor, a Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), não conseguiu mudar esse quadro. "Estamos
vivendo uma crise", afirmou o médico e historiador
econômico Eduardo Perillo. A agência reguladora é mais
conhecida pelo que deixa de fazer em favor dos consumidores. É uma
estrutura pesada e burocrática. Sua origem, em 2000, explica
parte de sua ineficiência atual.
A cidade
escolhida para ser a sede foi o Rio de Janeiro, distante do
governo central
e das grandes operadoras, que estão
em São Paulo. Uma piada que corre é que a sede
foi parar no bairro carioca da Glória pela proximidade
das barcas que levam até Niterói, onde moraria
a primeira diretoria. Perillo lembra que foram utilizados manuais
de procedimento do antigo Inamps (Instituto Nacional de Assistência
Médica da Previdência Social) da década de
1970, que, por sua vez, herdaram a estrutura das antigas Caixas
de Aposentadoria e Pensões (CAPs) e dos Institutos de
Aposentadoria e Pensões (IAPs), do governo Getúlio
Vargas. "Tínhamos um papel em branco para escrever
e optou-se por resgatar um processo burocrático do Estado
Novo, da Era Vargas", resume Perillo.
Além disso, há dentro da agência, historicamente,
um grande conflito entre os grupos que os próprios servidores
da casa consideram como da captura pelo mercado ou pelos políticos,
que vivem em guerra permanente, deixando de lado os interesses
do usuário. E isso vem de longe. "É hora de
sentar e rever o que está sendo feito", avisa Perillo.
Pedra no sapato
Órgãos de defesa do consumidor reconhecem que
o quadro de pessoal da ANS é bom e qualificado, mas isso
não impede que o resultado em seu conjunto seja ruim.
Houve iniciativas positivas, como a definição de
uma agenda regulatória e com abertura para maior participação,
mas não foram suficientes para reverter o conflito autofágico
do mercado.
Como informou
o Correio na última quinta-feira, as novas
medidas anunciadas pela agência, que fixam prazos máximos
para consultas, tende a ficar no papel, pois a ANS não
terá meios de fazê-las valer. Na área de
fiscalização, ninguém paga multa, pois as
operadoras apresentam recursos continuados até que haja
prescrição.
Até hoje, os problemas de saúde no Brasil são
fundamentalmente dos pobres. A morte silenciosa sem assistência
nos corredores dos hospitais do SUS ocorre de forma fragmentada.
Mas a deficiência no atendimento médico-hospitalar
está atingindo também as classes média e
alta em frequência suficiente para ganhar a repercussão
que a tirará da fila dos pobres do SUS. Virará problema
da elite. Com isso, vai se tornar uma pedra no sapato da presidente
Dilma Rousseff na área social.
Folha
de São
Paulo
Doação de órgãos infantis cai mesmo
após mudança de lei
Menores de
18 anos passaram a ter prioridade, mas transplantes pediátricos diminuíram 6,7% no país
Especialistas
citam pouca estrutura para atendimento da faixa etária, como falta de leitos e médicos
de UTI
Por Talita Bedinelli
De São
Paulo
Cauê, dois anos e quatro meses, esperava, até anteontem,
por um transplante de coração. Estava no 45º dia
de internação no InCor (Instituto do Coração)
de São Paulo.
A família teme que a espera se estenda muito. No mesmo
hospital, há jovens que só conseguiram órgão
compatível sete meses depois de entrar na fila de transplantes.
Esse tipo
de operação entre menores de 18 anos,
que já acontece em pequena quantidade no país,
sofreu queda de 6,7% em 2010.
A redução frustrou especialistas da área
-que esperavam o contrário após uma mudança
na lei que tornou os mais jovens prioridade para receber órgãos
de doadores da mesma faixa etária.
Até 2009, adultos que estivessem na lista de espera podiam
receber órgãos de adolescentes e até de
crianças na frente dos outros pacientes menores de 18
anos.
Segundo dados
da ABTO (Associação Brasileira de
Transplantes de Órgãos), a alteração
ainda não trouxe reflexos: em 2010, foram 484 transplantes
pediátricos (de menores de 18 anos) -em 2009, o número
era 519.
Os órgãos considerados no levantamento foram:
rim, fígado, coração e pulmão. Ao
se considerar todas as faixas etárias, os transplantes
desses órgãos subiram 6,6%.
A explicação para a queda não é clara,
dizem especialistas. Uma hipótese é que tenha diminuído
o aproveitamento dos órgãos pediátricos
no período -o número de doadores na faixa etária
teve um leve aumento.
Isso pode
ser consequência da menor estrutura no país
para doentes infantis.
"Em certas regiões do país, ainda há uma
carência grande de leitos de UTI pediátrica",
diz o coordenador-geral do Sistema Nacional de Transplantes,
Heder Murari.
A falta desse
tipo de leito prejudica não só o
transplante, já que o pós-operatório requer
cuidados, como a preservação de potenciais doadores,
que após a morte encefálica são mantidos
em respiração mecânica e medicados até retirar
os órgãos.
Werther Brunow,
vice-presidente da AMIB (Associação
de Medicina Intensiva Brasileira), diz que os transplantes pediátricos
também sofrem com a falta de médicos de UTI para
a faixa etária. "Os investimentos estão acontecendo.
Acredito que vamos começar a colher esses frutos em três,
quatro anos."
Mais Grupos
Clotilde
Druck Garcia, diretora do departamento pediátrico
da ABTO, diz que também é preciso investir em mais
equipes de transplantes de coração e de pulmão,
feitos em número reduzido.
Para mais
transplantes de fígado, que caíram 19%
em 2010, seria preciso aumentar a prioridade aos mais jovens
até quando os doadores são adultos, afirma. Já os
transplantes de rim parecem já estar no patamar ideal,
diz.
Mariana,
3, ganha coração após 6 meses
de espera
De
São
Paulo
Na última
quinta, Mariana, 3, devorava doces em um dos leitos da UTI
do InCor.
Nem de perto
parecia a menina abatida que, na semana anterior, aguardava
por um
transplante de coração. Ela ficou à espera
por seis meses, internada.
A mãe, Mara Bizinotto, 41, "mudou-se" de Minas
Gerais para o hospital com a filha, em janeiro deste ano. Nos
corredores, ganhou uma nova família, composta de médicos,
enfermeiros e outras mães que ainda esperam uma nova vida
para filhos.
Há cinco crianças à espera de um coração
no hospital.
Com a mãe de Cauê, Viviane Suzin, 37, que até a última
sexta ainda esperava, Mara começou uma campanha para conscientizar
a população da importância da doação
de órgãos de crianças.
As duas criaram
folhetos, que espalham pelo hospital, e Viviane já esteve até em programas de televisão.
"Nesta faixa etária, pela escassez de doação,
o paciente espera mais", diz Estela Azeka, pediatra da unidade
de cardiologia do InCor.
Além de problemas estruturais, como a falta de UTIs pediátricas,
outro fator que influencia na diminuição de doadores
crianças de coração é a menor ocorrência
de morte encefálica e a necessidade de maior compatibilidade
de tamanho entre coração de doador e receptor.
Além disso, se a abordagem à família do
potencial doador criança não for feita de forma
adequada, a recusa desses pais em doar os órgãos
dos filhos pode ser maior, afirma Azeka. "Em crianças
nesta faixa etária, causas de morte [encefálica]
geralmente são traumas. Os pais têm sentimento de
culpa [o que dificulta a doação]."
O InCor,
com boa estrutura hospitalar para transplantes pediátricos,
fez 12 transplantes neste ano -número maior do que a média
histórica de cinco por ano.
Queda em transplantes
Transplantes de 0 a 17 ANOS*
EM 2009: 519
EM 2010: 484
TRANSPLANTE DE RIM
EM 2009: 296
EM 2010: 301
TRANSPLANTE
DE FÍGADO
EM 2009: 202
EM 2010: 164
TRANSPLANTE
DE CORAÇÃO
EM 2009: 18
EM 2010: 17
TRANSPLANTE
DE PULMÃO
EM 2009: 3
EM 2010: 2
FILA DE ESPERA
538*
*Em dez.2010,
jovens até 18 anos
Fonte:
ABTO e Ministério da Saúde
Folha
de São
Paulo
Entrevista: Robert Lustig
Açúcar causa dependência como álcool
e cigarro
Endocrinologista
americano lança polêmica ao culpar
o consumo de doces e até sucos pela epidemia de obesidade
Por
Patrícia
Campos Mello
Açúcar é veneno. Do mais natureba, o mascavo,
até o suco de fruta ou o famigerado xarope de milho, o
açúcar está por trás de doenças
cardíacas, diabetes e câncer.
E deveria
ser proibido para menores de 21 anos, como o álcool
e o cigarro.
É com essas declarações polêmicas
que o americano Robert Lustig, endocrinologista pediátrico
da Universidade da Califórnia em San Francisco, ganhou
fama internacional nos últimos anos.
Sua palestra "Açúcar: a verdade amarga" teve
mais de 900 mil acessos no YouTube (tinyurl.com/ldgu9k). Há duas
semanas, suas teses foram tema da reportagem de capa da revista
do "New York Times". Abaixo, os principais trechos
da entrevista que ele concedeu à Folha, por telefone.
Folha
- O senhor defende que as pessoas eliminem totalmente o açúcar
da dieta?
Robert Lustig
- Não, eu não sou um "food
nazi". Eu como açúcar, mas muito pouco. Nosso
corpo tem uma capacidade muito limitada para metabolizar o açúcar
e nós vivemos muito acima dela. Não precisamos
de frutose para viver. Nosso corpo ficaria muito bem sem nenhuma
frutose [açúcar refinado, a sacarose é composta
de 50% de frutose e 50% de glicose].
Qual é o máximo de frutose que deveríamos
ingerir?
Não temos certeza. Mas uma estimativa é 50 g por
dia. Meus estudos mostram as similaridades entre frutose e álcool.
Eles são metabolizados da mesma forma, no fígado.
E nós sabemos qual é o limite de toxicidade para
o álcool: 50 g. A epidemia de obesidade começou
quando o consumo de frutose ultrapassou os 50 g por dia [ou 100
g de açúcar, o mesmo que duas latas e meia de refrigerante].
A Associação Cardiológica Americana publicou
uma orientação, em agosto de 2009, da qual eu sou
coautor, dizendo que o consumo atual de açúcar
nos EUA é de 22 colheres de chá por dia. Deveríamos
reduzir isso para nove colheres no caso de homens e seis no caso
de mulheres.
Qualquer
açúcar é ruim, não importa
se é mascavo ou xarope de milho?
Todos são
igualmente ruins.
Deveríamos substitui-los por adoçantes
artificiais?
Adoçantes artificiais são uma questão complicada.
Não fizemos todos os testes para saber o que os adoçantes
fazem no organismo. Segundo uma linha de estudos, uma vez que
a língua sente o sabor doce, o cérebro se prepara
para a entrada do açúcar no sangue. Se ele não
entra, o cérebro fica confuso, o que pode levar a um aumento
no consumo de açúcar. Há estudos ligando
o consumo de adoçantes a obesidade e doença cardíaca.
Qual
a alimentação
que os pais devem dar a seus filhos?
Crianças
devem comer comida de verdade.
Mas isso inclui suco de fruta natural...
Não, suco de fruta, mesmo natural, não é comida
de verdade. Deus fez suco de fruta? Não. Deus fez fruta.
Qual é a diferença entre a fruta e o suco? Fibras.
A fibra é a parte boa da fruta, e o suco, a má.
Sempre que há frutose na natureza, há muita fibra ""há uma
exceção, o mel, mas este é policiado pelas
abelhas. As fibras limitam a velocidade da absorção
dos carboidratos e das gorduras do intestino para a corrente
sanguínea. Quanto mais rápido a energia sai do
intestino e vai para o fígado, maiores as chances de danificar
o órgão.
Quando
o senhor diz que crianças devem comer comida de
verdade, isso inclui um sorvete no fim de semana?
Sim. Quando
eu era pequeno, sobremesa era uma vez por semana. Hoje, é uma vez por refeição. Esse é o
problema. Eu tenho duas filhas pequenas e é isso que faço.
Se é dia de semana e elas querem sobremesa, ganham uma
fruta. Uma bola de sorvete, só no fim de semana. Elas
seguem as regras e não ficam sonhando com doces.
O
senhor propõe que a venda de doces e refrigerantes
seja proibida para menores, como cigarros e álcool.
Sim. Refrigerantes
não têm valor nutritivo, não
fazem nenhum bem às crianças. Se os pais quiserem
que seus filhos tomem refrigerante, que comprem para eles.
Não é exagero comparar açúcar a álcool
e cigarros?
Não. Cigarros e álcool causam dependência,
e açúcar também. Nos refrigerantes, tanto
a cafeína como o açúcar causam dependência.
Sal e gordura causam hábito, mas não dependência.
Como
o senhor explica os efeitos nocivos do açúcar?
Quatro alimentos
foram associados à doença metabólica
crônica: gorduras trans, aminoácidos de cadeia ramificada
[soja], álcool e frutose. A frutose, quando é metabolizada,
libera substâncias tóxicas chamadas espécies
reativas de oxigênio [radicais livres], que levam a danos
nas células no longo prazo, envelhecimento e, potencialmente,
câncer.
RAIO - X
Robert Lustig
Idade
54 anos
Origem
Brooklyn, Nova York
Formação
Graduação no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)
e na Universidade Cornell, nos EUA. Fez pós-doutorado
em neuroendocrinologia na Universidade Rockefeller, em Nova York
Atuação
Professor
de pediatria clínica, na divisão de
endocrinologia, e diretor do programa de avaliação
do peso para a saúde de crianças e adolescentes
na Universidade da Califórnia, em San Francisco
Sexta-feira, 22.07.11
Agência Câmara de Notícias
Planos
de saúde poderão
ser obrigados a divulgar credenciados na internet
Por
Janary Júnior / Edição:
Daniella Cronemberger
Tramita na
Câmara o Projeto de Lei 1677/11, do deputado
Inocêncio Oliveira (PR-PE), que obriga os planos de saúde
a entregar aos clientes, no ato da inscrição, lista
de estabelecimentos e profissionais credenciados, e o endereço
do site onde constam essas informações. A proposta
altera a lei dos planos de saúde (9.656/98).
A lei já obriga os planos a entregar aos clientes cópia
do contrato e do regulamento do produto adquirido, além
de material explicativo, em linguagem acessível, das características,
direitos e obrigações do plano. Para o deputado
Inocêncio Oliveira, a facilidade de uso da internet exige
que a lei seja atualizada, para que o cliente tenha acesso aos
profissionais e locais credenciados, de forma rápida.
Tramitação
O projeto
tramita em caráter conclusivo nas comissões
de Defesa do Consumidor; Seguridade Social e Família;
e Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-1677/2011
Agência Câmara de Notícias
SUS
poderá ser obrigado a providenciar hospedagem temporária
de pacientes
Por
Murilo Souza / Edição: Wilson Silveira
A Câmara analisa o Projeto de Lei 570/11, do deputado
Weliton Prado (PT-MG), que obriga o Sistema Único de Saúde
(SUS) a disponibilizar meios de hospedagem temporária
aos usuários que necessitam de serviços de saúde
fora da cidade onde moram. Segundo Prado, em razão da
alta complexidade, inevitavelmente muitos casos precisam ser
tratados em municípios maiores.
“Portadores de câncer que necessitam de quimioterapia
ou radioterapia, ou os portadores de doenças renais crônicas
que realizam hemodiálise, por exemplo, são encaminhados
para os serviços de maior complexidade, que geralmente
são procedimentos ambulatoriais e não necessitam
de internação”, afirma. No entanto, “muitos
pacientes nessa situação acabam sendo internados
por não ter um local para pernoite, o que acarreta redução
efetiva do número de leitos hospitalares e aumento dos
custos para o SUS”.
Ainda segundo
a proposta, a implantação e o funcionamento
das instalações serão definidas pelo Ministério
da Saúde, em conjunto com os gestores do SUS e com os
conselhos de saúde.
A proposta é idêntica ao PL 5374/05, do ex-deputado
Carlos Nader, que foi arquivado no fim da legislatura passada,
pelo fato de sua tramitação não ter sido
concluída.
Tramitação
O projeto
tramita em caráter conclusivo e será analisado
pelas comissões de Seguridade Social e Família;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
PL-570/2011
UNICAMP
Descaso
dificulta combate a doenças causadas por protozoários
no país
Pesquisadora
da Unicamp destaca que falta adoção
de metodologias internacionais e pessoal para tratar surtos no
Brasil
Dos 5.565
municípios do país, em apenas 25% há coleta
e tratamento total do esgoto, elevando os riscos de contaminação
por patógenos. Mas a falta de agilidade nas ações
da vigilância sanitária, a ausência de metodologias
validadas internacionalmente para controlar a toxoplasmose na água
e a falta de pesquisadores capacitados são fatores que
podem comprometer os resultados das pesquisas sobre surtos causados
por protozoários patogênicos.
Essa foi
a análise feita pela professora Regina Maura
Bueno Franco, do Laboratório de Protozoologia do Departamento
de Parasitologia (Instituto de Biologia) da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp), em conferência apresentada durante
a 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para
o Progresso da Ciência, em Goiânia (GO), na qual
abordou o monitoramento de surtos de protozoários patogênicos.
"O maior problema no Brasil é a poluição
dos mananciais rios, lagos, mares e oceanos. Temos diversas cidades
com ETAs [estações de tratamento de água]
funcionando de forma otimizada. A remoção de turbidez
[matéria em suspensão presente na água]
no efluente final da ETA mostra também uma eficiência
de remoção de patógenos. Mas, por outro
lado, há uma grande quantidade de esgoto doméstico
sendo despejada quase que in natura nos mananciais" , disse
Franco à Agência FAPESP.
De acordo
com a professora, o simples tratamento do esgoto não é suficiente
para evitar a contaminação por protozoonoses como
toxoplasmose, criptosporidiose e giardiose. O maior desafio está na
melhoria e disponibilidade de tratamento de esgoto do país.
Metodologias validadas
"Até parece um paradoxo, mas na história
da engenharia de saneamento, o foco de tratamento de esgoto é relativamente
recente. É uma visão que começa a nascer
a partir de 1980" , destacou a professora.
Como exemplo,
a parasitologista destacou o surto de criptosporidiose em Milwaukee,
cidade de
1,5 milhão de habitantes nos Estados
Unidos, onde 403 mil pessoas foram contaminadas por ingerir água
de abastecimento público. " A partir daí,
a legislação daquele país começou
a ser mais restritiva, obrigando que o tratamento nas estações
de tratamento de esgoto fosse por filtração" ,
explicou.
Para a pesquisadora,
o Brasil deveria adotar uma posição
mais rígida em relação às estações
de tratamento de esgotos. " A Portaria 518 já coloca
a filtração como uma etapa necessária do
tratamento, mas ainda temos muitos municípios que não
praticam essa filtração" , ressaltou. A Portaria
518/2004, do Ministério da Saúde, estabelece os
procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância
da qualidade da água para consumo humano e seu padrão
de potabilidade.
" A portaria é muito clara, mas nessas investigações
de surtos é preciso ter metodologias validadas e padronizadas
internacionalmente. No entanto, existem pesquisas em que métodos
inadequados estão sendo utilizados para a pesquisa de
protozoários patogênicos" , destacou Franco.
Mesmo com
as deficiências apontadas, a professora ressaltou
que hoje já há diversos grupos no Brasil atuando
com a questão de parasitologia e água. A cientista
destacou também a parceria realizada desde 2002 entre
o laboratório em que trabalha e o Ministério da
Saúde, visando à formação de formação
de recursos humanos qualificados.
" Dentro desse esquema, posso dizer que a Sociedade Brasileira
de Parasitologia tem tido um papel fundamental, pois nos últimos
congressos esse problema tem sido foco da programação,
que tem incluído minicursos. Mas, mesmo assim, ainda é incipiente. É importante
que os cursos de medicina tenham em seu quadro de disciplinas
o atendimento à questão de protozoários
emergentes e oportunistas" , ressaltou.
Site do Deputado Darcisio Perondi
Comunicado I
Solicitamos
a devida atenção de todos os Hospitais
Filantrópicos, dos Fundos Estaduais e Municipais as Portarias
do Ministério da Saúde, que se encontram disponíveis
para cadastramento de Propostas Fundo a Fundo, são elas:
Portaria
GM nº. 1.020, de 13 de Maio de 2009 – Proposta
de Construção de Unidade de Pronto Atendimento
e Sala de Estabilização;
Portaria
GM nº. 2.198, de 17 de setembro de 2009 – Proposta
para Aquisição de Equipamento e Material Permanente;
Portaria
GM nº. 2.226, de 20 de novembro de 2009 – Proposta
para Construção de Unidade Básica de Saúde;
Portaria
GM nº. 1.401, de 15 de junho de 2011 – Proposta
para a Construção de Academias da Saúde;
Todas essas portarias encontram-se disponíveis no site
do Fundo Nacional de Saúde (www.fns.saude.gov).
Valor
Econômico
Cartão Nacional de Saúde será obrigatório
no SUS
A partir
do próximo ano, para ser atendido nas unidades
do Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente terá de
apresentar o Cartão Nacional de Saúde (CNS). Pelo
cartão, o histórico de atendimento do paciente
poderá ser acompanhado em qualquer unidade de saúde
em todo o país.
A portaria
com as novas regras foi publicada ontem no "Diário
Oficial da União". Se a pessoa não se lembrar
do número ou não tiver o cartão em mãos
na hora do atendimento, caberá à unidade de saúde
consultar o cadastro nacional para identificar o paciente. Caso
o paciente ainda não seja cadastrado, o próprio
hospital deve fazer o cadastramento.
Além disso, os profissionais de saúde terão
de registrar os contatos do paciente para que a Ouvidoria do
SUS possa, por exemplo, estabelecer um acompanhamento da satisfação
do usuário.
De acordo
com o Ministério da Saúde, a implementação
dessas ferramentas faz parte de uma estratégia para oferecer
um atendimento integral ao cidadão e acompanhar a qualidade
do serviço prestado. Em maio, o ministério publicou
portaria que regulamentou o Sistema Cartão Nacional de
Saúde, por meio de um número único válido
em todo o território nacional.
Para o secretário de Gestão Estratégica
e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico
Monteiro, a medida vai provocar mudanças no relacionamento
do SUS com os cidadãos. Os profissionais de saúde
deverão incluir na ficha de registro de procedimentos
ambulatoriais e hospitalares o endereço eletrônico
e o telefone dos pacientes.
Correio Braziliense
Visão do Correio :: Crise da saúde
vem de longe
Tornou-se
lugar-comum dizer que a saúde do Distrito Federal
pede socorro. Ou que se encontra na UTI. O diagnóstico
procede. O quadro piora à medida que o tempo passa e o
Entorno incha. Sem oferecer assistência médica,
os municípios vizinhos obrigam a população
a buscar tratamento na capital da República.
Há prefeituras que dispõem de ambulância
com motorista cuja tarefa é transportar os enfermos para
as portas de nossas unidades hospitalares. Não se trata
de um ou dois doentes. Nem de uma ou duas cidades. São
levas de vizinhos que aqui desembarcam.
Além do problema crônico que lhe sufoca a capacidade
de dar respostas rápidas aos desafios, o DF enfrentou
um drama pontual. A Operação Caixa de Pandora imobilizou
a administração por mais de um ano. De novembro
de 2009 até praticamente a posse de Agnelo Queiroz, em
1º de janeiro de 2011, passando pelo governo-tampão
de Rogério Rosso, concursos, licitações
e contratações precisaram ser adiados. Obras foram
interrompidas. Urgências entraram em compasso de espera.
Entre elas, providências relacionadas à saúde.
Mais: os
servidores de nível médio e superior
(exceto médicos e enfermeiros) decidiram cruzar os braços.
A greve se estendeu de 27 de junho a 12 de julho. Durante 15
dias — sem auxiliares, padioleiros, técnicos em
radiologia e enfermagem, profissionais administrativos —,
médicos e enfermeiros ficaram de mãos atadas. Centros
de saúde, hospitais e unidades de pronto atendimento não
tinham como atender a demanda. UTIs e emergências funcionaram
com 30% da capacidade.
Vale o exemplo
do drama vivido pelos pacientes que aguardam o resultado da
biópsia de tumores suspeitos de serem cancerosos.
No Hospital de Base (HBDF), a espera chega a seis meses. Os exames
estão prontos, mas faltam servidores para digitar o laudo. É desesperador,
sem dúvida. Muitos veem a vida se escoar pelos escaninhos
da burocracia.
O governador,
ao tomar conhecimento do fato, agiu com rapidez. Determinou
providências imediatas. Ou a Secretaria de Saúde
remaneja pessoas de outras áreas, ou contrata empresa
terceirizada para zerar o estoque de laudos. Trata-se de medida
emergencial bem-vinda. Sabe-se que, quanto mais precoce o diagnóstico,
mais eficaz é a resposta ao tratamento. O tempo, no caso, é sinônimo
de vida.
AGENDA
- Encontro ANS - Edição Sul
Já estão abertas as inscrições para
o Encontro ANS - Edição Sul
Operadoras
de planos de saúde, prestadores, centrais
sindicais e órgãos de defesa do consumidor já podem
fazer a inscrição para o Encontro ANS – Edição
Sul, uma oportunidade para compartilhar informações
e visões na construção de um setor cada
vez mais qualificado por meio de discussões sobre o tema.
O evento acontecerá nos dias 16, 17 e 18 de agosto, em
Porto Alegre (RS).
Entre os
temas do evento estão aqueles relacionados à Agenda
Regulátória da Agência Nacional de Saúde
Suplementar, como o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde,
a resolução que trata do Envelhecimento Ativo,
a regulamentação dos artigos 30 e 31 e a Portabilidade.
As inscrições poderão ser feitas acessando
a área de Eventos no sitio eletrônico da ANS: www.ans.gov.br,
entre os dias 18 de julho e 10 de agosto de 2011
Encontro
ANS – Edição
Sul
Hotel Embaixador
- Rua Jerônimo Coelho, 354, Centro, Porto
Alegre/ RS.
16, 17 e 18 de agosto de 2011 ANS
- CBA oferece Curso e Pós-Graduação em gerenciamento
do ambiente e segurança em saúde
O Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) – representante
exclusivo no Brasil da maior agência acreditadora em saúde
do mundo, a Joint Commission International (JCI) –, está com
inscrições abertas para o curso de Gerenciamento
do Ambiente em instituições de Saúde, que
acontece em julho e agosto, e também para a pós-graduação
em Gestão do Ambiente e Segurança em Estabelecimentos
Assistenciais de Saúde, que começa em agosto e
tem duração de 11 meses.
As inscrições para o curso e para a pós-graduação
estão abertas até dia 31 de julho. Seguem abaixo
as informações de ambos.
Curso:
Gerenciamento do Ambiente em Instituições
de Saúde
Gerenciamento
de resíduos de serviços de saúde,
gerenciamento de resíduos perigosos, o tratamento de resíduos
biológicos, a incineração como alternativa
restrita, as regras para construção predial e no
sistema de abastecimento da água para o cumprimento da
legislação e a sustentabilidade nos ambientes de
saúde. Estes são alguns dos temas a serem abordados
no curso de Gerenciamento do Ambiente em instituições
de Saúde, promovido pelo Consórcio Brasileiro de
Acreditação (CBA).
Segundo a
enfermeira Irene Haddad, que ministrará o curso,
ainda é grande o número de hospitais brasileiros
que utilizam termômetro e esfignomanômetro de mercúrio,
o que representa um perigo não só à saúde
dos trabalhadores das instituições de saúde,
mas também para a saúde dos pacientes e acompanhantes.
Como exemplo, ela citou um levantamento realizado em um hospital
do Rio de Janeiro. Segundo o inventário, em apenas três
meses, foram requisitados 824 termômetros de mercúrio
para substituir outros danificados. “O dado é alarmante.
O mercúrio é um metal volátil que libera
vapor tóxico por até um ano, causando danos neurológicos
que só vão surgir anos depois”, alerta Irene,
apontando que esses equipamentos devem ser substituídos
pelos digitais, disponíveis no mercado e certificados
pelo INMETRO.
A enfermeira
que é consultora de educação
para acreditação do CBA, gerente de resíduos
de serviços de saúde do Hospital Federal dos Servidores
do Estado (RJ) e consultora de Controle de Infecção
Hospitalar e Gerenciamento de Resíduos de Serviços
de Saúde da Prevento Consultoria, ensinará como
elaborar um plano de gerenciamento de resíduos durante
o curso. “É importante saber classificar corretamente
os resíduos gerados para garantir o manejo correto até a
disposição final, diminuindo os impactos ambientais
e promovendo saúde”, ressalta.
O curso de
Gerenciamento do Ambiente em instituições
de Saúde, voltado para profissionais de saúde,
gestores e lideranças intermediárias, acontece
em duas datas: 23 de julho ou 25 e 26 de agosto, ambos com carga
horária de 36 horas/aula. “Este curso é uma
disciplina eletiva do MBA Gestão da Qualidade em Saúde
e Acreditação. As aulas serão teóricas
e práticas”, explica Rosângela Boigues, Coordenadora
de Ensino do CBA.
As inscrições podem ser feitas pelos e-mails eventos@cbacred.org.br
ou secretaria.eventos@cbacred.org.br ou através dos telefones
(21)3299-8241 ou 3299-8202 ou ainda 3299-8234. Mais informações
no site www.cbacred.org.br. O valor do curso é de R$ 800,00.
Pós-graduação: Gestão do Ambiente
e Segurança em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde
Especializar
gestores e profissionais de instituições
de saúde públicas e privadas para o gerenciamento
do ambiente hospitalar e de serviços de saúde ou
gestão de riscos (Risk Officer Management); Desenvolver
uma visão estratégica sobre o estabelecimento assistencial
de saúde e seu meio ambiente interno e externo (Hospital
Verde); e Qualificar estes profissionais para planejar, desenvolver,
implantar, monitorar e melhorar o ambiente de sistemas e serviços
de saúde. Estes são os objetivos principais dessa
pós-graduação, que tem duração
de 11 meses, se estendendo de agosto deste ano a julho de 2012,
perfazendo uma carga horária de 396 horas/aulas.
Com conteúdo como, Estudo do Ambiente Hospitalar e de
outros Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, Estudo
do Sistema de Gerenciamento do Ambiente e Segurança, Custos
Hospitalares e Introdução à Legislação
Ambiental, além de outras oito disciplinas, o curso de
pós-graduação é voltado para gestores
de instituições públicas e privadas de saúde,
profissionais da saúde, além de profissionais das áreas
de administração, arquitetura, assistência
social, biologia, bioquímica, engenharia, enfermagem,
farmácia, hotelaria, medicina e nutrição
que já atuem ou tenham interesse de atuação
em serviços de saúde.
Com inscrições até o dia 31 de julho, a
pós-graduação terá início
no dia 18 de agosto com a disciplina Gestão pela Qualidade – Princípios
e Métodos. Mais informações e inscrições
através do site www.cbacred.org.br ou pelo e-mail ensino@cbacred.org.br
ou ainda pelos tels. (21)3299 8241 / 3299 8202 / 3299 8242.
- XXI Congresso Nacional das Santas Casas
AssPreviSite
Com a presença confirmada do ministro da Saúde,
Alexandre Padilha, Setor Filantrópico discute a Saúde
e o meio ambiente
A Confederação das Santas Casas de Misericórdia,
Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) realiza seu
XXI Congresso Nacional entre os dias 16 e 18 de agosto de 2011,
em Brasília. Com o tema central “Saúde e
meio ambiente: um novo olhar para a sustentabilidade”,
o evento pretende discutir como os danos ao meio ambiente podem
impactar na Saúde do homem e quais estratégias
devem ser utilizadas para controlar e minimizar seus efeitos.
Novas técnicas de Gestão Hospitalar e de humanização
na Saúde, por exemplo, têm sido implantadas para
melhorar a qualidade do atendimento do paciente, afetado pelas
transformações ambientais. Além disso, com
tantos desafios enfrentados pelos gestores de saúde, incluindo
a formulação de políticas públicas
que sejam adequadas à nova realidade, é preciso
debater, hoje, o futuro dos hospitais.
Para o presidente
da CMB, José Reinaldo Nogueira de Oliveira
Junior, o XXI Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais
Filantrópicos é uma chance para que o Setor trabalhe
em conjunto para pensar e propor novas soluções. “Teremos
um time de especialistas discutindo a participação
do Setor Saúde, especialmente filantrópico, em
ações de sustentabilidade. Será uma oportunidade ímpar
para nos posicionarmos em favor do meio ambiente e do melhor
atendimento de nossos pacientes”.
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha; o secretário
de Atenção à Saúde, Helvécio
Miranda; e o secretário Executivo do Conselho Nacional
de Secretários de Saúde (CONASS), Jurandir Frutuoso,
já confirmaram a presença.
O evento
conta com o patrocínio da Caixa Econômica
Federal e tem o apoio institucional do Ministério da Saúde.
Para mais
informações e inscrições:
www.cmb.org.br/congresso.
-
2º Congresso Brasileiro de Direito Médico
A relação médico-paciente sem caráter
consumista, a proposta de criação de testamento
vital e a responsabilidade solidária do gestor no exercício
ilegal da Medicina, são alguns dos temas que serão
debatidos em Salvador (BA), nos dias 16 e 17 de agosto, durante
o 2º Congresso Brasileiro de Direito Médico do Conselho
Federal de Medicina (CFM).
O encontro
promoverá discussões sobre a prática
médica na atualidade e sobre os problemas inerentes a
esta prática – por exemplo, aqueles relacionados
ao erro médico sem culpa: o “mau resultado”.
O encontro tem por objetivo estimular uma análise mais
vertical das interações entre os médicos
e os profissionais do Direito. “Os princípios fundamentais
das duas profissões são muito próximos”,
afirmou Carlos Vital, vice-presidente do CFM.
Inscrições
Já está no ar o hotsite do 2º Congresso Brasileiro
de Direito Médico. Pelo site é possível
fazer inscrição (gratuita), acessar a programação
do evento e ler entrevistas de médicos e juristas. Os
internautas também terão acesso ao material da
1ª edição do evento, promovido em dezembro
de 2010, em Brasília. O endereço da página é http://www.medico.cfm.org.br/direitomedico/.
- Liderança, Gerenciamento e Tomada de Decisão
Unidas / AssPreviSite
18 e 19 de Agosto de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Preparar
profissionais para liderar equipes com base em responsabilidades,
autoridades,
solução de problemas e negociação.
Metodologia
A metodologia
alterna exposição dialogada, exemplificações
voltadas para a realidade da administração pública
com foco em resultados e, em especial, na realidade da instituição,
conceitos e vivências, exercícios em grupos de aprendizagem
e debates, de forma a favorecer a troca de experiências
e assimilação do conteúdo proposto. Também
alterna a realização de módulos em sala
de aula com períodos de aplicação junto às
equipes naturais.
Instrutor
Professor Peter M. Dostler
Público
Alvo
Diretores,
Gerentes, Supervisores, Líderes e colaboradores
profissionais de todas as áreas da organização.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
- 1º Hospital Management Summit
DCI
Setor hospitalar
se reúne para debate sobre gestão
De 22 a 24
de agosto, a cidade de São Paulo receberá executivos
de todo o País para o 1º Hospital Management Summit,
fórum de práticas, inovação e negócios
na gestão de hospitais. O evento é organizado pela
International Business Communications (IBC) e contará com
vários debates sobre a profissionalização
da gestão no setor hospitalar privado do País.
"Os gestores estão buscando cada vez mais otimizar
os recursos das instituições de saúde para
obter uma administração eficiente, financeiramente
sustentável e que atenda a todas as exigências de
um mercado cada vez mais competitivo e profissionalizado" explica
Yvelise Tonon, gerente do evento. "A grade do evento está baseada
nestas premissas e visa apontar caminhos para os gestores atingirem
tais objetivos", afirma Yvelise.
Ao longo
dos três dias do encontro os executivos poderão
conhecer e compartilhar algumas das melhores práticas
na gestão hospitalar de todo o País. Investimentos
em pessoal, tecnologia, sistemas mais eficientes de gestão,
qualidade assistencial, planejamento estratégico e tendências
serão alguns dos temas abordados.
O Hospital
Management Summit é patrocinado pela Gtt Healthcare,
3Gen, Fiorentini, Senac São Paulo, Siemens, Air Liquide,
DalBen Home Care e Grupo Tejofran. Informações
no site www.hms-ibc.com.br ou pelo telefone: (11) 3017-6808.
- Pacientes Crônicos e de Alto Custo
Unidas / AssPreviSite
Modelos de
Serviços para Gestão de Pacientes Crônicos
e de Alto Custo - No contexto do modelo de gestão de cuidados
25 e 26 de Agosto de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Apresentar
o ciclo do modelo de gestão de cuidados, suas
fases e resultados com vias de direcionar ações
assistenciais e gerenciais. Apresentar os projetos de avaliação
de condições de saúde em empresas e seguimento
por linhas de cuidado. Apresentar o modelo de gerenciamento de
casos para idosos fragilizados e pacientes de alto custo. Discutir
a importância da padronização dos processos
de avaliação, e estabelecimento de diretrizes assistenciais
mínimas. Colocar em pauta a necessidade de tecnologia
para alcance da qualidade, escala e abrangência dos programas
propostos. O curso foi estruturado em formato de workshop para
que os conceitos e as experiências possam ser debatidos
e compartilhados entre professor e alunos. Artigos serão
fornecidos e debatidos em sala de aula, palestras expositivas,
relato de casos, e muita informação para que os
participantes possam refletir sobre a real dificuldade em se
implantar tais estratégias, com vias a redução
do custo assistencial de seus beneficiários.
Instrutor
Dr Leonardo
Pereira Florêncio
Público
Alvo
Diretores,
Gerentes, Supervisores, Líderes e colaboradores
profissionais de todas as áreas da organização.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Tel. (11) 3289-0855 Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
-
16º Congresso Abramge e 7º Congresso
Sinog
Abramge / AssPreviSite
Sistema Abramge
promove Congressos sobre Tecnologia e Sustentabilidade na Saúde
Suplementar
O diretor-presidente
da ANS será sabatinado durante os
Congressos que reunirão os principais parceiros do Sistema
A tecnologia
ganha espaço cada vez maior em várias áreas.
E na saúde suplementar não é diferente.
Novas vacinas, novos remédios e equipamentos sofisticados
auxiliam os profissionais de saúde. No entanto, como aplicar
as tecnologias de ponta sem perder a sustentabilidade do negócio?
O Sistema Abramge, atento ao mercado, realiza nos dias 18 e 19
de agosto, em São Paulo, capital, os 16º Congresso
Abramge e 7º Congresso Sinog. O tema central dos eventos é "Tecnologia
na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento
Sustentável".
Para falar
sobre o atual estágio e as perspectivas tecnológicas
do Brasil a Conferência Magna será feita pelo jornalista
Ethevaldo Siqueira, comentarista da Rádio CBN e articulista
do jornal O Estado de S. Paulo.
No primeiro
dia de eventos, José Sant'Anna Bevilaqua,
coordenador de Tecnologia do Censo Demográfico do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), falará sobre
a nova ferramenta do órgão para a realização
do Censo 2010. Na parte da tarde o talk show "Qualidade
como Fator de Sustentabilidade" abordará a Visão
das Operadoras, dos Prestadores e da Acreditadora sobre o tema.
As palestras serão ministradas, respectivamente, por Fábio
Leite Gastal, superintendente médico assistencial do Hospital
Mãe de Deus - Sistema de Saúde Mãe de Deus;
Martha Sevedra, diretora do Hospital Barra D'Or Brasil; e Rubens
Covello, presidente do Instituto Qualisa de Gestão (IQG).
Para fechar
o dia, Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atual
superintendente corporativo do Hospital Sírio Libanês,
fala sobre "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento
para o Desenvolvimento Sustentável do Sistema".
No segundo
dia, será abordado o tema "Gestão
Assistencial". Em foco, o "Gerenciamento de Doenças" e "Avanço
Tecnológico na Gestão de Saúde". Apresentarão
estes temas, respectivamente, Ana Cláudia Assis Pinto,
líder da Prática de Gestão Estratégica
de Saúde da Marsh Gestão de Benefícios;
e John H. Harris III, CEO de Qualidade de Vida e vice-presidente
de Inovações da Healthways International.
O talk show
sobre Tecnologia para Pequenas e Médias Operadoras
encerra o período da manhã. O assunto será ministrado
por Luiz Antonio De Biase Nogueira, representante da Abramge
no Comitê de Padronização das Informações
em Saúde Suplementar (COPPIS), que falará sobre "Tecnologia
da Informação na Gestão da Saúde" e
Lincoln de Moura Assis Junior, diretor-presidente da Zilics,
com foco no "Acesso para Pequenas e Médias Operadoras".
Para finalizar
os Congressos, Maurício Ceschin, diretor-presidente
da ANS, será sabatinado em uma "Roda Viva" com
a participação de líderes dos vários
segmentos do setor.
Confira a
programação completa e os descontos
oferecidos nas inscrições dos eventos, clicando
no link:
http://www.abramge.com.br/mailling/Redirect.aspx?3132|||333229|||www.abramge.com.br/16congresso.htm
-
1º Congresso Nacional de Hospitais Privados
Promovido
pela ANAHP – Associação Nacional
de Hospitais Privados em cooperação com a HOSPITALAR
Feira e Fórum, o evento vai reunir os principais tomadores
de decisão no setor de saúde para compartilhar
experiências em gestão.
De 28 a 30
de setembro, administradores de hospitais públicos
e privados, médicos, lideranças setoriais e profissionais
da área estarão reunidos no Hotel Unique, em São
Paulo. Com o tema central "A Importância dos Hospitais
Privados na Saúde: Hoje e Amanhã", palestrantes
nacionais e internacionais falarão sobre Sustentabilidade,
Gestão do Corpo Clínico, Parcerias Público-Privadas,
Segurança do Paciente, Governança Clínica,
Governança Corporativa, Indicadores de Desempenho, entre
outros.
Iniciativa
inédita, o evento é dedicado à gestão
de estabelecimentos de saúde, troca de experiências
e conhecimento do setor e terá a participação
dos principais hospitais do País. Para conhecer o programa
e inscrever-se, basta acessar www.cnhp.com.br