26-09-11

 

Leia nesta edição:

- 'A saúde vai ter um novo imposto'

- Maioria do Senado descarta imposto para custear saúde

- Análise do Congresso

- Frente Parlamentar promove na terça ato em defesa da Emenda 29

- Caça-remédio

- População de Marília enfrenta caos na saúde

- No ritmo

- Técnica que retira sedação por 1 hora reduz riscos e tempo de internação

- Culpe seu cérebro

- Os riscos das mamadeiras

- A saúde doente

- Promessa de distribuir remédios foi cumprida

- O coração agradece

- Entrevista / Semana do Coração: Caldwell Esselstyn

- Infecção hospitalar mata mais que Vietnã

- Dor de cabeça crônica afeta 2 milhões de crianças e adolescentes no Brasil

- Problemas de saúde

- Aos estudantes de medicina

- Dobram os casos de coqueluche no País

- Fora de controle

- Só 1% dos hospitais têm normas rígidas contra as infecções

- Pacientes se ajudam em redes sociais para doentes

- Deve ser criado um imposto para financiar a saúde pública no Brasil?

- Governo ensaia freio à Emenda 29

Segunda-feira, 26.09.11

O Estado de São Paulo

'A saúde vai ter um novo imposto'

Ideli diz que governo tem 'clareza' de que precisa de novas fontes para financiar setor

Por Vera Rosa, Tânia Monteiro / Brasília

Sem caneta na mão, mas com "muitos baldes de saliva para gastar" na tarefa de unir a base aliada, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT), admite que o governo ainda quer a criação de um imposto para financiar investimentos em saúde no País e arrecadar mais R$ 45 bilhões por ano. A expectativa do Palácio do Planalto é que o tributo seja aprovado em 2012, apesar das dificuldades previstas por causa das eleições municipais.

Nesta entrevista ao Estado, ao mencionar as "fontes" em debate para custear a saúde, Ideli não fez rodeios para definir do que se trata: "É um novo imposto". Articuladora política do governo, a ministra garantiu, porém, que nada sairá neste ano porque decisões assim precisam ser "adequadas" à situação econômica. "Você não pode trabalhar desonerando de um lado e onerando de outro", ponderou.

Cinco dias após a Câmara ter aprovado a Emenda 29 - que define os gastos com saúde para União, Estados e municípios -, Ideli reiterou que o dispositivo não resolve o problema porque não indica de onde virão os recursos. Para ela, a comissão acertada entre os governadores e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), poderá "resgatar" projetos de lei que criam base de cálculo para a nova versão da CPMF, o imposto do cheque extinto em 2007. "Nós já colocamos o dedo na ferida", disse Ideli.

A Câmara aprovou o projeto que regulamenta a Emenda 29, mas não incluiu a base de cálculo para a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS). O que pode ser feito?

Apesar de estar criada a contribuição, a alíquota terá, obrigatoriamente, de ser fixada por lei. A comissão que o Marco Maia formou com os governadores deixa uma porta aberta para o debate.

E quais são as alternativas para financiar os gastos na saúde?

Já se falou em taxação de grandes fortunas, bebidas, cigarros, remessa de dinheiro para o exterior, royalties do petróleo e até em legalização do jogo. A presidenta Dilma tem pedido muito cuidado porque estamos vivenciando uma crise internacional, que será prolongada. Você não pode trabalhar desonerando de um lado e onerando de outro.

O governo vê necessidade de financiar a saúde, mas não quer arcar com o ônus de medida impopular, não é?

O governo tem clareza de que precisa de novas fontes para a saúde. Nós já colocamos o dedo na ferida.

Nova fonte é um novo imposto...

É um novo imposto, que poderá ser de uma forma ou de outra. A questão é que essa nova fonte tem de ser adequada à conjuntura econômica e só pode ser criada com uma discussão de caráter federativo e em consonância com o Congresso.

Mas não é complicado criar imposto em 2012, um ano eleitoral?

É uma coisa complicada, sim, mas todos os governadores acham, e nós concordamos, que o principal tema da eleição de 2012 será a saúde. Não dá para fazer o debate de forma demagógica, dizendo: "Ah, vamos resolver". Resolver de onde, cara pálida? A presidenta Dilma chamou os governadores, o Congresso e disse: "Não façam maquiagem. Se vocês querem que a saúde tenha evolução de patamar, de atendimento, vai ter de mexer. E não serei eu, sozinha, que vou fazer isso".

O valor que se pretende arrecadar são aqueles R$ 45 bilhões citados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha?

São R$ 45 bilhões por ano para chegar ao mesmo gasto per capita do Chile, sendo que o Chile não garante os serviços públicos de saúde que garantimos.

É só para o ano que vem mesmo?

Sim. Este ano não sai, por causa da situação econômica.

Um parlamentar aliado pode apresentar projeto de lei para definir a alíquota?

Pode ser qualquer parlamentar. Há projetos tramitando e a comissão criada na reunião entre governadores e o presidente da Câmara deverá resgatar alguns. O Senado não pode criar isso.

A queda de cinco ministros não revela que esse modelo de preenchimento dos cargos é uma aposta de risco?

Não advogamos um governo de partido único, como disse a presidenta no fórum do PMDB. Dá mais trabalho? Dá. Tem risco? Tem. Mas é melhor assim. Existe a frase: "A democracia é o pior dos modelos, mas não encontramos nenhum melhor que ele". O governo de coalizão é o pior, mas também não encontramos nenhum melhor.

Haverá mais "faxina" no governo?

Há problemas pendentes por aí...Apareceu, a gente toma providência.São ossos do ofício. Orai e vigiai!

Quando a presidente pretende fazer uma reforma ministerial?

Pelo que conheço da presidenta, ela não concordará com o processo eleitoral contaminando o ministério e não vai esperar o prazo de desincompatibilização. Há possibilidade de reformulação na virada do ano.

A pré-candidatura do ministro Fernando Haddad (Educação) à Prefeitura já está contaminando o governo?

Não. O PT ainda debate se vai ter prévia, se Marta (Suplicy) fica (na disputa), se Marta não fica.

O que a sra. está fazendo para trazer de volta o PR, que saiu da base aliada com a crise nos Transportes?

Saiu, mas não saiu muito. Anda meio contraditório (risos). Minha tarefa, aqui, é chamar para conversar.

O núcleo duro do Planalto é composto por duas mulheres - a senhora e a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann - e um homem, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Quem manda mais?

Somos o Trio Ternura. É tudo ternurinha aqui. Só teve um estresse: no Congresso do PT, quando as mulheres reivindicavam paridade na direção, o Gilberto me cutucou e disse: "Eu vou abrir aqui a faixa 'Paridade no Planalto também'".

Seu antecessor no cargo, Luiz Sérgio, ficou conhecido como "garçom do Planalto", que só levava pedidos e nada resolvia. A sra. resolve?

Eu não tenho tinta na caneta, mas tenho muitos baldes de saliva para gastar. E a gente precisa ter muitos baldes mesmo, porque os pedidos...

Quais são os pedidos?

Sabe qual é o maior problema do PTB atualmente? O diretor da Casa da Moeda foi indicação do PTB no governo do presidente Lula. Agora eles querem trocar. Fica difícil, né?

E os cargos do segundo escalão?

A gente pode falar de outro assunto? (risos)

Até hoje há interinos ocupando funções no Dnit, na Valec, na Chesf, na Codevasf, na Eletrosul...

Nos Transportes, com a mexida na direção do Dnit e da Valec, não há como não adequar os Estados a essa nova linha de atuação. Mas eu só cuido do meu quadrado e ouço as reclamações. De vez em quando acaba essa Idelizinha paz e amor.

Em apenas dois dias, antes de importantes votações, foram liberados restos a pagar de emendas parlamentares. O PMDB e o PSB da deputada Ana Arraes - eleita para uma vaga no TCU - foram os mais beneficiados. Isso não é um toma-lá-dá-cá?

Isso não tem nada a ver com toma-lá-dá cá. Temos um sistema de monitoramento do que está pronto para pagar. Já estava tudo autorizado.

A eleição da mãe do governador Eduardo Campos (Pernambuco) para o TCU mostrou o poder de fogo dele. Não é preocupante o fato de um aliado do governo Dilma tentar se cacifar para a disputa presidencial de 2014?

É da vida. Acredito que a movimentação do governador Eduardo Campos não tinha como objetivo, única e exclusivamente, uma vaga do TCU, por mais amor filial que ele tivesse.

A volta do ex-presidente Lula, em 2014, está totalmente descartada?

Por ele. Declaração dele.

Mas ele está tão empenhado em montar palanques para as eleições municipais de 2012...

Que bom, né? Vai ajudar. Aliás, quero louvar a iniciativa dele, na reforma política, porque precisa ter alguém chacoalhando para ver se a gente consegue avançar.

E o que fazer com o PMDB, que diverge do PT e não aceita o financiamento público?

(cantarolando) A gente vai levando...

Folha de São Paulo

Maioria do Senado descarta imposto para custear saúde

Senadores querem mais gastos, mas descartam nova CPMF, revela enquete

Só 9 dos 81 senadores apoiam contribuição, apesar da pressão dos governadores por mais recursos para o setor

Por Maria Clara Cabral, Márcio Falcão, Nádia Guerlenda, de Brasília

A maioria dos senadores defende o aumento dos gastos do governo federal com a saúde pública, mas descarta a criação de um novo imposto para financiar o setor.

É exatamente o contrário do que deseja a presidente Dilma Rousseff, que nas últimas semanas afirmou que não aceitará aumento de despesas se o Congresso não indicar uma nova fonte de recursos para a saúde.

Em enquete concluída na semana passada, 43 dos 81 senadores, ou 53% do total, disseram à Folha que apoiam uma proposta que poderá obrigar o governo federal a aplicar no sistema de saúde 10% de suas receitas.

A Constituição determina que os gastos do governo federal com saúde acompanhem a expansão da economia e sejam reajustados todo ano de acordo com a variação do PIB (Produto Interno Bruto), mas não estabelece nenhum tipo de vinculação das suas receitas com o setor.

A ideia foi rejeitada no passado pela Câmara dos Deputados, mas seus defensores querem retomá-la no Senado, aproveitando a discussão de um projeto de lei que regulamenta os gastos dos três níveis de governo com saúde, aprovado na última quarta-feira pela Câmara.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que vai trabalhar para aprovar o projeto recebido da Câmara até o fim do ano, mas descartou a retomada da vinculação prevista na proposta original. "É inexequível, uma maluquice", disse o senador.

Estimativas sugerem que a aprovação da proposta aumentaria os gastos do governo federal em R$ 30 bilhões, o equivalente a 38% do orçamento do Ministério da Saúde para este ano.

A retomada da proposta de vinculação conta com a simpatia de integrantes da própria base governista.

"Sou favorável porque resolve o problema de orçamento", afirmou o senador Walter Pinheiro (PT-BA).

Na semana passada, os deputados rejeitaram a criação de um novo imposto sobre movimentações financeiras para o setor, a CSS (Contribuição Social para a Saúde), que funcionaria como a antiga CPMF, extinta em 2007.

Os defensores do imposto querem ressuscitá-lo no Senado, mas a maioria dos senadores é contra. Na enquete feita pela Folha, 51 dos 81 senadores, ou 63%, descartaram categoricamente a ideia.

"Não há clima num ambiente como o nosso, de crescente arrecadação extraordinária, para falarmos em novo imposto", afirmou o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Apenas 9 senadores, ou 11%, disseram ser favoráveis à proposta. "Eu sei que ninguém quer defender um novo imposto, porque isso expõe muito os senadores, mas eu pergunto como vamos sustentar a saúde sem os recursos?", disse o senador Anibal Diniz (PT-AC). Muitos senadores foram eleitos com o apoio dos atuais governadores de seus Estados, que têm pressionado o Congresso e o governo federal a criar novas fontes de recursos para financiar seus gastos com o sistema de saúde pública.

Mas a maioria dos congressistas não quer se comprometer com a criação de um novo imposto por temer prejuízos políticos, a poucos meses do início da campanha para as eleições municipais de 2012.

Folha de São Paulo

Análise do Congresso

Senado é amistoso com presidente, mas teme desgaste político

Dilma tem maioria para aprovar qualquer coisa no Senado, mas reação de eleitores preocupa seus aliados

Volta do imposto do cheque ajudaria oposição a grudar no governo a imagem de um leão famintoatrás do contribuinte

Por Valdo Cruz, de Brasília

O Senado com o qual Dilma Rousseff convive é muito mais amigável do que aquele com que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalhou. Mesmo assim, nada garante que a presidente conseguirá aquilo que seu mentor e predecessor perdeu ali.

Lula enfrentou no Senado alguns dos piores momentos de seu governo. Foi alvo até de ameaças de agressão física em discursos na tribuna e acabou traído na votação que derrubou a CPMF, em 2007.

Foram tantos percalços que Lula decidiu trabalhar para eleger um Senado mais amistoso para Dilma. Conseguiu, ajudando a derrotar senadores incômodos em seu governo, como os tucanos Arthur Virgílio e Tasso Jereissati e os demistas Heráclito Fortes e Marco Maciel.

O resultado dessa manobra está no painel da casa. Dilma tem hoje 55 votos na sua base de apoio, sem contar os sete senadores do PR, que se dizem independentes, mas não veem a hora de voltar para o lado do governo.

Ou seja, a presidente tem, teoricamente, maioria folgada para aprovar até uma emenda constitucional no Senado, onde são necessários pelo menos 49 dos 81 votos.

Só que essa maioria ainda não deu sinais de estar disposta a pagar o preço do desgaste político de ressuscitar a CPMF, recheando os cofres da presidente Dilma com recursos que podem alcançar os R$ 40 bilhões anuais.

O antigo imposto do cheque virou uma ideia amaldiçoada, bandeira fácil para a oposição grudar no governo a imagem de um leão faminto atrás da graninha do contribuinte. Em véspera de ano eleitoral, então, tudo fica mais potencializado.

O governo Dilma tentará levantar o discurso do bem maior em troca da garfada no bolso dos brasileiros: a necessidade de melhorar o precário setor da saúde pública, algo que seria possível apenas com a presença de uma nova fonte de recursos.

Por enquanto, porém, os senadores se mostram mais sensíveis a outro tipo de discurso, mais eleitoral. Eles preferem elevar os gastos da União com a saúde pública, sem a contrapartida de criar impostos para bancar a conta.

Conta que, a princípio, não fecha. O risco é tudo ficar como está. O Congresso fingir que aprova mais recursos para a saúde. O governo sem cumprir por alegar falta de verba. E o brasileiro seguir seu destino de sofrer nas filas de atendimento dos hospitais públicos.

Tudo indica que o destino da regulamentação da emenda 29, que define os gastos com a área da saúde, será dormir nas gavetas do Senado até que o clima político se torne mais favorável.

Agência Câmara de Notícias

Frente Parlamentar promove na terça ato em defesa da Emenda 29

Manifestantes entregarão flores aos congressistas e à presidente Dilma nesta terça. Ação é parte da Primavera da Saúde em favor da Emenda 29, que regulamenta o repasse de verbas para o setor.

A Frente Parlamentar da Saúde realiza nesta terça-feira (27) um ato público em Brasília em que serão entregues flores a todos os congressistas , em especial aos senadores, e também à presidente Dilma Rousseff. O dia 27 é considerado o Dia D da chamada Primavera da Saúde, que engloba uma série de eventos em torno da regulamentação da Emenda 29 e da aprovação de mais recursos para a saúde. O ato desta terça está mantido mesmo com a antecipação da votação do projeto (PLP 306/08) que regulamenta a Emenda no dia 21.

A Câmara aprovou a regulamentação da Emenda 29, mas reprovou a criação de um novo imposto para financiar a saúde. No dia 19, havia sido realizado um twittaço chamando os internautas para os atos da primavera da saúde e na terça-feira (20) os deputados se reuniram em comissão geral para discutir os pontos e esclarecer dúvidas sobre o texto da regulamentação da Emenda 29 e sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o Conselheiro Nacional de Saúde de Santa Catarina Ronald Freitas, o objetivo da Primavera da Saúde é “aglutinar amplas forças da sociedade brasileira na direção da regulamentação da Emenda 29”.

Para que a pauta não seja desvirtuada pelas alterações a que o projeto está sujeito no Congresso Nacional, o movimento construiu quatro pontos unificadores que caracterizam a Emenda 29: ampliação dos recursos públicos para a saúde; responsabilização tripartite (União, estados e municípios) do financiamento do setor; vinculação das receitas para saúde e definição do que são ações e serviços de saúde.

O Conselheiro Ronald Freitas lembra que, como agora caberá ao Senado rejeitar ou aprovar o projeto da Câmara e, o papel do Conselho “será fundamental para pressionar a decisão dos senadores e da presidenta Dilma de forma a garantir mais recursos para a saúde, contribuindo para diminuir a enorme desigualdade que vemos no setor”.

Íntegra da proposta:

PLP-306/2008

Folha de São Paulo

Caça-remédio

Por Mônica Bergamo

A Secretaria Estadual da Saúde de SP aplicou multas no total de R$ 630 mil em agosto para empresas que descumpriram os prazos de entrega de medicamentos para a rede pública. Foram 117 autuações a 20 laboratórios e distribuidores.

Em falta

O maior número de multas, segundo levantamento da pasta, foi recebido pela distribuidora Expressa: 24, totalizando R$ R$ 41.490. A empresa diz ter localizado apenas três publicações de infrações no "Diário Oficial". Afirma que os atrasos ocorrem pela lentidão dos laboratórios em fornecer os produtos para a distribuição.

O Estado de São Paulo

População de Marília enfrenta caos na saúde

Por Sandro Villar, especial para o Estado de São Paulo

Depois de quase oito meses da greve dos médicos do serviço municipal de saúde, a situação é de caos nos 33 postos do Programa de Saúde da Família (PSF) de Marília, no interior paulista.

Cerca de 30 mil consultas foram canceladas desde fevereiro, quando 32 dos 37 médicos do PSF cruzaram os braços por melhores salários e condições de trabalho. O atendimento aos pacientes é precário e falta até papel higiênico. "As unidades recebem um pacote de papel higiênico por mês e há dias que o produto está em falta", diz Astrid Jircik, de 31 anos, médica especializada em saúde da família e membro da comissão de negociação.

"As consultas estão prejudicadas. Hipertensos, diabéticos e crianças são os que mais sofrem. Nós fazemos o possível para garantir o atendimento precário", afirma Astrid. Segundo ela, os grevistas trabalham meio período para garantir atendimento.

Ela culpa o governo municipal pelo caos e por não querer acordo. "Eles (a prefeitura) alegam que não têm dinheiro, não têm condições de dar aumento. Se derem para nós, vão ter que dar para todo o funcionalismo." Os médicos recebem RS 7,5 mil, mas querem equiparação salarial com colegas da região que ganham entre R$ 9 mil e R$ 14 mil.

Dos 32 médicos que iniciaram a greve, 1 voltou a trabalhar o período normal, 16 estão cumprindo metade da carga horária e 15 pediram demissão. Para substituir os demissionários, a prefeitura contratou dez profissionais. "É insuficiente. Dentistas e enfermeiros também estão saindo", afirma a médica.

A greve completará oito meses em 7 de outubro, mês em que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas julgará o movimento pela segunda vez.

Procurado pelo Estado, o secretário municipal de Saúde de Marília, Júlio César Zorzetto, afirmou: "Eu estou em Fortaleza, estou de férias, só falo (da greve) na semana que vem".

Folha de São Paulo

No ritmo

Médicos usam técnica menos invasiva, sem abertura do tórax, para implantar um marcapasso em bebê com um dia de vida

Por Débora Mismetti, editora-assistente de saúde

Brayan Alves Farias, de sete meses, começou sua vida em sério risco. Enquanto ele ainda estava no útero, um ultrassom revelou que seu coração tinha um bloqueio elétrico, isto é, batia muito mais devagar (60 batimentos por minuto) do que o ideal (cerca de 120 bpm).

"Isso poderia levar ao aborto ou à insuficiência cardíaca, que causa inchaço nos órgãos. O fígado e o coração já estavam aumentados", diz o cardiologista José Carlos Pachón, do Hospital do Coração, onde Brayan nasceu.

A solução foi colocar um marcapasso, que vai regular os batimentos cardíacos do menino por toda sua vida.

Pachón, seu irmão Enrique Pachón e sua equipe desenvolveram um método menos invasivo de colocação de marcapasso em crianças, sem necessidade de cortar e afastar as costelas para instalar os fios do aparelho.

Em vez disso, o eletrodo é passado por uma veia abaixo do ombro até o coração, onde é parafusado.

O outro lado do fio fica embaixo da pele e vai até o aparelho, que é colocado embaixo do músculo, no abdome. É neste local onde é feito o maior corte necessário para esse procedimento.

"Em crianças com menos de 12 kg que precisam de marcapasso, a rotina é a abertura do tórax, uma cirurgia traumática. Nossa técnica é minimamente invasiva", afirma o José Carlos Pachón.

Para durar

Um marcapasso é trocado, em geral, a cada oito anos. Em crianças, são cinco anos, porque o aparelho tem de bater mais vezes por minuto.

A colocação em bebês tem um desafio a mais porque eles crescem muito rápido, o que vai deixando os fios "curtos" demais. Para evitar novas intervenções por causa disso, os cirurgiões deixam sobras de fio enrolado dentro do corpo do bebê. À medida que ele cresce, o fio se solta.

A manutenção do marcapasso é feita de seis em seis meses. A primeira consulta de Brayan foi na quinta passada. "Ele é lindo, saudável e nem dá para perceber que tem marcapasso", diz a mãe, Antonia Alves Pedrosa, 34.

Ela soube na gravidez que tinha lúpus. Mulheres com a doença autoimune têm 7% de risco de gerar bebês com bloqueio elétrico no coração. Sem marcapasso, só 11% das crianças com o problema, que atinge um em 20 mil bebês, chegam à vida adulta.

29 de Setembro – Data marca o Dia Mundial do Coração

Na quinta-feira, a Federação Mundial do Coração celebra a data da conscientização sobre doenças cardíacas. No Brasil, a Sociedade de Cardiologia marcou as comemorações para o dia 30. Até o dia 29, reportagens sobre prevenção e tratamento serão publicadas em Saúde e na Folha.com.

O Estado de São Paulo

Técnica que retira sedação por 1 hora reduz riscos e tempo de internação

Por Fernanda Bassette

Retirar durante pelo menos uma hora por dia a sedação do paciente que está internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) reduz os casos de infecção e pneumonia. Consequentemente, a técnica - chamada de despertar diário - é capaz de diminuir tanto o tempo de internação do doente quanto o risco de morte.

Médicos americanos foram os primeiros a observar os benefícios: os pacientes ficavam menos agitados; a dose de sedativo a ser aplicada novamente era menor; e havia menos registros de casos de confusão mental (tecnicamente chamados de delirium) associados ao uso prolongado de sedativos, em especial os benzodiazepínicos.

"O despertar diário é uma intervenção sem custo adicional que só traz benefícios", diz Guilherme Schettino, gerente de pacientes críticos do Hospital Sírio-Libanês. A técnica é usada como rotina em hospitais como Beneficência Portuguesa, Albert Einstein, Sírio, Santa Casa e Copa d'Or. Mas, ainda assim, é pouco difundida, segundo o médico intensivista Ederlon Rezende, presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).

"O despertar diário é uma recomendação da Amib e muitos centros já fazem. Mas ainda estamos caminhando para mudar a mentalidade geral sobre sedação em UTIs e para que isso se torne, de fato, rotina", diz.

Um estudo coordenado por Jorge Salluh, professor de pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comprovou o fato. No trabalho, 1.015 médicos intensivistas responderam sobre seu hábito em relação à sedação em UTI. Apenas 1 em cada 4 realizava o despertar diário dos pacientes.

Para Salluh, a técnica é subutilizada por falta de equipe. "A retirada da sedação exige uma capacidade extra do hospital para monitorar adequadamente o paciente, que pode acordar agitado, confuso. O despertar é absolutamente seguro, desde que a vigilância seja adequada."

"O despertar tem um impacto direto na redução da mortalidade. Usar essa técnica como rotina vai ao encontro das evidências atuais de melhor atendimento", afirma Rezende.

Confusão mental. Os episódios de delirium afetam pelo menos um terço dos pacientes internados em UTIs. É o que mostra um estudo coordenado pelo Brasil, com 975 pacientes de 104 unidades de terapia intensiva de 11 países da América Latina.

O delirium é uma alteração neurológica aguda caracterizada por momentos em que o paciente não articula suas ideias: tem quadros de hiperatividade (quer pular da cama, fica ansioso), alucinações (enxerga animais) e confusão mental (tem dificuldade de manter um relato num cronograma factível).

Segundo Salluh, responsável pelo estudo, o paciente que sofre delirium fica mais tempo na UTI e tem três vezes mais risco de morte. O uso de sedativos é um dos fatores de risco.

Os dados foram comprovados em um outro estudo feito com 250 pacientes da UTI do Sírio-Libanês. "Quanto mais grave o paciente, maior a chance de desenvolver delirium. E a presença desta condição esteve associada com maior tempo de internação na UTI", diz Schettino.

'Ele passou a sorrir mais. A internação fica mais humana'

A servidora pública aposentada Olga Maria Novaes de Benedetto Hatchikian, de 60 anos, percebeu a evolução do quadro clínico do pai graças ao despertar diário. No Hospital Beneficência Portuguesa desde 26 de agosto por causa de uma infecção pulmonar, o aposentado Milton de Benedicto, de 87, ficou 26 dias na UTI, onde teve de ser entubado.

O hospital, que tem 33 leitos de UTI neurológica, adota a técnica como rotina há um ano, sempre antes do horário de visita.

"Era triste ver meu pai entubado, sempre completamente sedado. Percebi a mudança quando passaram a tirar a sedação uma horinha por dia." Segundo Olga, nos primeiros dias Milton ficava sonolento, mas depois passou a ter mais disposição e atenção.

"A diferença é visível, a fisionomia sem a sedação é outra, os dedos ficam relaxados. E ele passou a sorrir mais. A internação fica mais humana", diz. / F.B.

Época

Culpe seu cérebro

Um novo estudo sugere que, nos obesos, ele está programado para tornar a comida mais atraente

Por Alexandre de Melo

Agora é científico. O mesmo sanduíche, recheado com um suculento pedaço de picanha, envolto em uma generosa fatia de queijo derretido, é mesmo mais apetitoso para uma pessoa com quilos a mais na balança do que para um magro. E a culpa, aponta uma nova pesquisa, é do cérebro dos gordinhos. Ele estaria programado para cobiçar mais do que o cérebro dos magros os alimentos altamente calóricos, como hambúrguer, batata frita e biscoito.

A evidência veio de pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, uma das mais prestigiadas do mundo. A equipe liderada pela bioquímica Kathleen Page e pela psiquiatra Dongju Seo comparou o funcionamento do cérebro de cinco obesos e de nove magros. Enquanto eles eram submetidos a um exame de ressonância magnética, que mapeia as áreas do cérebro em ação, os voluntários observavam uma sequência de imagens de comidas gordurosas.

A pesquisa mostra que os magros pensam na comida de maneira racional. Os obesos, de forma impulsiva O exame foi repetido algumas vezes. Quando magros e obesos estavam com fome de verdade, porque fazia tempo que tinham se alimentado, o cérebro de ambos indicava o mesmo padrão de ativação. As áreas mais acionadas eram do sistema límbico, encarregado pela sensação de prazer quando conseguimos algo que desejamos. A explicação é evolutiva: fomos programados para sentir prazer quando saciamos a fome – uma forma de evitar morrer de fome.

Quando os pesquisadores injetaram glicose nos voluntários para simular no organismo o efeito de saciedade após uma refeição, o padrão de ativação cerebral mudou. Nos magros foram acionadas regiões do córtex pré-frontal, responsável por tarefas racionais, como planejar atividades e tomar decisões, como “comer ou não comer?”. Nos obesos, a área racional foi menos ativada. “Isso significa que o cérebro dos obesos não consegue controlar o impulso, como faz o dos magros”, diz a psiquiatra Rajita Sinha, uma das autoras da pesquisa.

O estudo, publicado na semana passada no periódico científico The Journal of Clinical Investigation, precisará ser replicado por outros cientistas. “O estudo pode trazer novas formas de abordar o problema”, afirma o endocrinologista carioca Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade. Por ora, o estudo ajuda a esclarecer que o desafio de emagrecer não decorre apenas de falta de vontade, como diz o senso comum.

Correio Braziliense

Os riscos das mamadeiras

A decisão da Anvisa de proibir a produção e a venda de utensílios que tenham a substância bisfenol A em sua composição chamou a atenção para a necessidade de os pais avaliarem com mais critério os objetos que substituem a amamentação

Por Carolina Vicentin

Mães morrem de tristeza ao deixar os filhos em casa depois do término da licença-maternidade. Começa aí uma longa fase de adaptação, que inclui, entre outras coisas, a introdução da amamentação artificial. E a grande estrela desse processo é a mamadeira. Embora os médicos tenham algumas restrições ao uso do utensílio, ele se transforma na única alternativa para muitas famílias, que precisam substituir o peito materno sem trazer prejuízos ao desenvolvimento da criança. O Correio conversou com especialistas para esclarecer quais são os cuidados necessários à adoção desse produto. Com cautela na hora de comprar e higienizar o objeto e atenção às reações do bebê, a mamadeira pode se tornar uma aliada dos pais quando chega o momento de a amamentação ser substituída.

Os pediatras têm uma série de razões para querer limitar o uso da mamadeira. A primeira delas diz respeito à valorização do leite materno, alimento único e essencial para crianças até os seis meses. A preferência pela amamentação também se justifica pelo exercício que o bebê faz ao sugar o peito da mãe (veja infografia). “Esse processo exige um posicionamento correto da boca contra o seio, estimulando a força e a respiração. Com a mamadeira, esse movimento é muito mais passivo e exige menos esforço do menino ou da menina”, aponta Aramis Lopes Neto, presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Como consequência, o bebê pode não preparar os músculos da língua e da boca para funções que surgirão mais tarde, como a fala e a mastigação. Em uma analogia, é como se alguém fosse fazer musculação usando um peso falso. “A forma de ordenha no peito materno e na mamadeira é completamente diferente. Se você não prepara a região, a criança pode sofrer com problemas de dicção no futuro”, alerta a professora Zelita Ferreira Guedes, do Departamento de Fonoaudiologia da Escola Paulista de Medicina. Parte desses riscos foi reduzida com a chegada de mamadeiras ortodônticas ao mercado, que imitam o formato do bico do seio da mãe, mais achatado.

São esses modelos que a assistente administrativa Rosana Kelly de Paula, 37 anos, procura comprar para a filha Maria Alice, 8 meses. Recentemente, ela renovou o estoque do utensílio, adquirido no exterior. “Além do bico ortodôntico, algumas marcas prometem acabar com as cólicas. E, comprando lá fora, o produto sai bem mais barato”, diz. Para escolher a mamadeira, Kelly se baseia em informações compartilhadas com outras mães. “O pediatra nunca aconselha, então a gente acaba aprendendo com quem já passou por isso”, conta. “Eu sou a favor da amamentação, mas, depois que voltei a trabalhar, não consegui tirar leite suficiente.”

A economista Ginne Siqueira, 36 anos, também procurou se informar sobre as marcas de mamadeira quando a filha, Luisa, 2, era menor. “Na época, eu gastava muito dinheiro com isso. Para repor o bico, eram R$ 7 e, quando ela começou a ter dentinhos, ia quase um por semana”, lembra Ginne. Hoje, a menina continua tomando leite de manhã e à noite, mas em utensílios mais baratos, comprados no supermercado. “Os pediatras não gostam de falar muito sobre isso, então a gente fica meio solta, decidindo sozinha sobra a compra da mamadeira”, reclama.

Perigo

Nessa busca empírica das mães, o principal risco ocorre quando elas tentam “facilitar” a vida do bebê, aumentando a circunferência do canal por onde o líquido passa. “O bico jamais deve ser cortado ou alargado. Para verificar se está tudo certo, vire o utensílio de cabeça para baixo e observe se o leite apenas goteja. Ele não deve jorrar”, aconselha a professora Zelita Guedes. Além disso, os pais precisam ficar atentos aos tipos de alimentos que as crianças estão ingerindo. Muita gente serve mingau e outros líquidos mais grossos na mamadeira, o que é errado. “Se o menino ou a menina já tem condições de comer essas coisas, isso deve ir para o pratinho com colher”, detalha a fonoaudióloga. “A mamadeira tem um período de uso muito pequeno, até por volta de 1 ano e 6 mese s. Depois disso, a criança deve começar a usar o copo.”

Outro cuidado que os pais precisam ter é com a parte de baixo da mamadeira. Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) editou uma resolução que proíbe a produção e a comercialização de copos do objeto produzidos com bisfenol A, uma substância tóxica que, em tese, poderia ser liberada para os alimentos. A medida, já adotada em locais como o Canadá, a Austrália e a União Europeia, tem como base um estudo científico internacional divulgado em 2010. Nele, pesquisadores norte-americanos apontaram que o bisfenol causou danos neurológicos ao organismo de camundongos. “Ainda não está claro como isso acontece, então os países proibiram a substância por precaução. Crianças até 2 anos são um público muito vulnerá vel, mas outros estudos ainda vão confirmar os riscos”, esclarece a gerente geral de alimentos da Anvisa, Denise Rezende.

Para evitar problemas, as fabricantes brasileiras já estão substituindo o policarbonato das mamadeiras (que contém o bisfenol) pelo polipropileno, um material semelhante, mas de aparência mais opaca. “O bisfenol está presente em boa parte dos plásticos transparentes rígidos. Nós convivemos com isso o tempo todo, em galões de 20 litros de água, por exemplo”, diz Marcelo Santos, químico da Universidade de Brasília. “Ele não tem uma toxicidade imediata, mas a grande questão é que crianças pequenas ainda estão formando sua imunidade”, lembra o especialista. Segundo a Associação Brasileira de Produtos Infantis (Abrapur), as empresas pararam de produzir mamadeiras com bisfenol desde outubro do ano passado. O problema é que ainda há 5 milhões de unidades “à moda antiga” no mercado (veja Para saber mais).

Enquanto esses produtos ainda permanecem nas prateleiras, muitas mães procuram evitar o risco comprando mamadeiras importadas. “A gente sempre compra um utensílio fabricado no exterior, porque, no Brasil, não sabemos quais marcas possuem o bisfenol”, conta a gerente Gisele Mota, 31 anos, mãe de Maria Eduarda, 8 meses. “Procuro o plástico que não tem policarbonato, pois fico mais tranquila”, completa.

Sinal de saúde?

A substituição precoce do aleitamento materno pelo artificial pode acabar trazendo aos pais uma espécie de alívio em relação à evolução nutricional do bebê. Isso porque o leite de vaca, geralmente adotado nessa fase, tem mais gordura. “A criança acaba ganhando peso, o que deixa a mãe mais tranquila. É preciso lembrar, porém, que o líquido animal não possui os mesmos nutrientes que o leite materno”, ressalta a fonoaudióloga Zelita Guedes.

Briga sem fim

Se, de um lado, a Anvisa argumenta que a medida contra o bisfenol é apenas preventiva, do outro, a indústria de mamadeiras reclama que a decisão foi arbitrária. O presidente da Associação Brasileira de Produtos Infantis (Abrapur), Synésio Batista da Costa, afirma que a vigilância sanitária não dialogou com os fabricantes, que já teriam se antecipado à recomendação. “Cem por cento da fabricação migrou para o novo material (o polipropileno) em setembro do ano passado. Acontece que eu tenho cinco anos de estoque de mamadeiras no mercado e, de uma hora para a outra, as empresas que as produziram serão vistas como fraudadoras, tudo por causa de uma reunião da diretoria da Anvisa”, acusa.

Além disso, Synésio da Costa argumenta que a liberação do bisfenol só ocorre em temperaturas muito altas — superiores a 900°C. “Nenhuma mãe jamais conseguirá ferver o leite desse modo, ainda mais em um fogão ou micro-ondas comum”, diz. A Anvisa deu prazo para que as empresas retirassem as mamadeiras antigas das lojas até 31 de dezembro. “Nosso prazo seria de três anos, pelo menos. Me diga: como eu vou recolher esse material? Quem vai retornar os tributos que o lojista pagou?”, questiona o presidente da Abrapur.

Domingo, 25.09.11

O Estado de São Paulo

A saúde doente

A penalização dos hospitais públicos por uma política vesga ao primado da vida e ao direito coletivo à assistência médica e hospitalar, perfeitamente possível, degrada a disponibilidade desses serviços

Por José de Souza Martins

O boicote dos médicos a vários planos de saúde, que lhes pagam pelas consultas menos do que recomenda o índice de inflação, indica, antes de tudo, que é outra a saúde que vai mal: a da economia brasileira. A inflação crescente e preocupante, em vista de gastos perdulários e imprudentes dos três poderes, assombra os que vivem de salário e temem o pior: serem lesados no desencontro de reajustes entre os ganhos dos que lucram com a medicina e os dos que nela trabalham.

A reclamação dos médicos no fundo é um termômetro da saúde da economia. Dados exibidos em sua greve anterior, de abril, mostravam que o faturamento anual dos planos médico-hospitalares, entre 2003 e 2009 mais que dobrou: subiu 129%. Em contrapartida, o preço médio pago por consulta médica teve um reajuste de apenas 44%. Neste ano, denunciam os médicos, ainda há operadoras de companhias de seguros que pagam R$ 20 por consulta médica, dois cartuchos de pipoca numa rede de cinemas de São Paulo. Não sei se há muita gente disposta a medir o valor de sua saúde e de sua vida por esses parâmetros.

Entre 2000 e 2010, o índice de elevação dos preços ao consumidor foi de 106,33%, enquanto a Agência Nacional de Saúde autorizou aumentos que somaram 132,97% nos planos individuais e familiares de saúde. Esses aumentos se tornaram brutalmente descompassados entre 2004 e 2007, os segurados pagando pelo seguro-saúde muito mais do que a inflação de cada ano. No fim das contas, o governo impôs aos segurados a elevação do preço do seguro-saúde, mas os ganhos adicionais foram para as empresas de seguro e não para o reajuste do atendimento médico.

Há no Brasil 46 milhões de segurados, 46 milhões de brasileiros transferidos para a medicina privada, aliviando, portanto, os custos da medicina pública que deveria assisti-los. O que praticamente indica um comprometimento do ideal de termos uma medicina social adequada ao tamanho e às carências do País. O primado do lucro na questão da saúde privada revela sua irracionalidade no boicote destes dias, o segundo do ano, em face da inflação que cresce e do desgaste do valor de salários e ganhos dos que vivem de seu trabalho profissional. A previsão da Comissão Nacional de Saúde Suplementar é a de que os planos de saúde devem faturar mais de R$ 70 bilhões em 2011.

Pesquisa realizada pelo DataFolha, mostrou que 92% dos médicos da amostra já sofreram interferência dos planos de saúde em sua autonomia profissional, muitos deles no sentido de desestimular internações hospitalares, procedimentos e prescrição de medicamentos de alto custo. Portanto, os agentes do economismo que invadiu a prática médica, em nome dos interesses das seguradoras, transformaram-se em substitutos do médico sem que seus critérios tenham passado pelos rigores dos exames que comprovam quem está ou não habilitado para o exercício da medicina.

Curiosamente, a hostilidade até frequente contra médicos, enfermeiros e atendentes que se pode observar em hospitais públicos, dos que reclamam a prontidão que alegam haver na medicina privada, não alcança essas anomalias em hospitais particulares. Uma insidiosa e postiça indisposição contra os hospitais públicos deforma a avaliação popular dos verdadeiros problemas que nos hospitais públicos há, que são os do menosprezo pela saúde pública no rateio dos recursos do governo. No fim, nessa sovinice indevida, o governo se torna propagandista e corretor das companhias de seguros.

A arquitetura organizacional do SUS, no que respeita à medicina pública, é boa, bem pensada, otimiza a infraestrutura disponível. A grande questão é a insuficiência de médicos, de enfermeiros e de hospitais. O próprio estabelecimento de critérios de precedência e prioridade no atendimento já indica que estamos em face de muita gente para pouca e geralmente boa medicina. Marcar uma consulta pode levar meses. E fazer um exame solicitado pelo médico pode levar outros tantos meses. Sem contar que, depois disso, marcar e conseguir o retorno pode tomar mais meses ainda. De modo que, entre a hipótese inicial de diagnóstico e o retorno ao médico, para verificação dos resultados e recomendação do tratamento, pode decorrer longo tempo. Cabe, em certos casos, pergun tar se o tempo decorrido e a evolução natural da enfermidade não invalidam o diagnóstico, além de invalidar o tratamento eventualmente recomendado depois de tanto tempo.

Há medicina de primeiro mundo também em hospitais públicos, talvez mais neles do que na maioria dos hospitais particulares para quem depende de seguro-saúde, sobretudo em face das interferências indicadas na pesquisa do DataFolha. Entretanto, a penalização dos hospitais públicos por uma política vesga ao primado da vida e ao direito coletivo à assistência médica e hospitalar, que é perfeitamente possível entre nós, nos coloca num estágio retrógrado da disponibilidade desses serviços. Até Cuba, que é muito mais pobre do que nós, não descura caráter social da medicina a todos acessível.

O Globo

Promessa de distribuir remédios foi cumprida

Por Chico de Gois e Catarina Alencastro

Outros programas também já saíram do papel, como o Brasil Sem Miséria e nas áreas de educação e fronteiras

Brasília. Passado o primeiro mês de governo, a presidente Dilma Rousseff pôs em prática uma de suas inúmeras promessas de campanha: a distribuição gratuita de remédios contra hipertensão e diabetes. Foi uma solenidade de pompa, com direito a campanha publicitária do governo na TV, posteriormente. A primeira medida anunciada por Dilma, porém, foi feita no impacto da surpresa: a tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio a obrigou a visitar o local e anunciar que o governo construiria seis mil casas para desabrigados.

Ciosa por manter em sigilo programas que ainda não estejam totalmente definidos para lançamento, Dilma se traiu de início. Em fevereiro, por exemplo, declarou que, três meses depois, lançaria o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica, o Pronatec. Se fosse um ministro que tivesse incorrido na falta, a bronca seria certa. Aliás, foi na área de educação onde Dilma mais apareceu nesses primeiros nove meses de governo.

Além do Pronatec, lançou o programa para construção e cobertura de quadras - que ainda está com execução baixa -, fez cerimônias para assinatura de convênios para a construção de creches, e prestigiou um seminário do Ministério da Educação para discutir o sistema de compras. O ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, lucrou politicamente com a participação da chefe.

A erradicação da miséria, a principal proposta de sua campanha, também foi colocada em prática. Antes mesmo de o programa ser efetivado, o slogan do governo já havia se adaptado ao rumo que Dilma quer para seu mandato: País Rico é País sem Pobreza. O Brasil sem Miséria foi lançado em junho e tem sido tema dos discursos que a presidente faz rotineiramente, além de reuniões cotidianas com integrantes de vários ministérios.

Dilma também conseguiu pôr em pé outra proposta sua, que foi tema de intensos debates durante o período eleitoral: maior proteção às fronteiras. Os ministérios da Justiça e da Defesa se uniram para traçar uma estratégia comum e tentar evitar o tráfico e contrabando nas regiões. Os resultados ainda são tímidos.

Algumas ações da presidente, neste início de mandato, foram apenas continuidade do que já vinha sendo desenvolvido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em junho, ela lançou a segunda etapa do Minha Casa Minha Vida. O mesmo aconteceu com os centros regionais de referência dentro do Programa Nacional de Combate ao Crack, que já havia sido colocado em prática no governo Lula.

Correio Braziliense

O coração agradece

Governo divulga medidas para melhorar o atendimento e diminuir mortes por infarto no país. Dieta equilibrada, atividades físicas e exames preventivos ajudam a reduzir riscos

Belo Horizonte – O coração pede socorro. As doenças coronarianas continuam a ser a segunda causa de morte no Brasil, atrás apenas dos acidentes vasculares cerebrais (AVC). O infarto, responsável pelo maior índice de mortalidade, tirou a vida de 76.359 brasileiros em 2009.

Governo divulga medidas para melhorar o atendimento e diminuir mortes por infarto no país. Dieta equilibrada, atividades físicas e exames preventivos ajudam a reduzir riscos

Belo Horizonte – O coração pede socorro. As doenças coronarianas continuam a ser a segunda causa de morte no Brasil, atrás apenas dos acidentes vasculares cerebrais (AVC). O infarto, responsável pelo maior índice de mortalidade, tirou a vida de 76.359 brasileiros em 2009.

No Dia Mundial do Coração, comemorado hoje, o diretor da Sociedade Mineira de Cardiologia (SMC), Evandro Guimarães, alerta: “Não adianta nada o Ministério da Saúde agir se você não fizer a sua parte. A mudança de hábitos tem que começar dentro de casa”.

O cardiologista sugere, por exemplo, limitar o tempo gasto na frente da televisão e do computador para, no máximo, duas horas por dia. A ideia é que isso permita às pessoas aproveitarem os horários livres para andar de bicicleta, jogar peteca, cuidar do jardim ou simplesmente caminhar, nem que seja até a padaria e o supermercado. “O importante é sair da inércia. Está bem definido que a atividade física reduz a mortalidade cardiovascular, melhora o colesterol, diminui os níveis de pressão arterial e proporciona bem-estar”, afirma Guimarães.

Outra orientação é repensar os hábitos alimentares. Guimarães defende que os brasileiros devem seguir uma dieta saudável como a mediterrânea, baseada no consumo de massas, azeite, frutas, verduras e legumes, que comprovadamente reduz em 15% a chance de ter algum problema cardiovascular. É indicado, portanto, eliminar do cardápio a maior quantidade possível de gordura, até para não sofrer com excesso de peso, que também pode fazer o coração adoecer.

O diretor da SMC lembra, no entanto, que os fumantes precisam ir além. Não vai resolver nada a atividade física e a alimentação balanceada se o paciente continuar consumindo um maço de cigarro por dia. O tabagismo é e sempre será um dos principais inimigos do coração. “Se você fuma dois cigarros por dia, aumenta em 40% o risco de ter um infarto”, diz.

Tão importante quanto a mudança de vida é a avaliação cardiológica regular para medir pressão arterial, colesterol, glicemia, cintura abdominal e índice de massa corpórea (IMC). São exames simples que podem evitar o pior. “É muito comum receber no consultório um paciente de 50 anos que não sabia que era diabético. Às vezes, ele tinha a doença há mais de 10 anos e não sentia nada”, comenta o cardiologista. Como os brasileiros estão sofrendo infartos cada vez mais cedo, em parte por causa da vida agitada que levam, é bom procurar um especialista o quanto antes.

Para cuidar do coração, Guimarães reforça que é preciso ter força de vontade. Em um ano, o paciente pode não perceber os benefícios, mas a longo prazo o coração vai agradecer o esforço. “Se você reduzir seu peso, fizer atividade física e tiver uma alimentação saudável, vai conseguir viver mais e melhor. Além disso, vai depender menos da saúde pública, porque não vai precisar visitar o médico com tanta frequência nem vai tomar medicação. Isso é ter qualidade de vida.”

Sinal de alerta

Estava anunciado que, cedo ou tarde, o coração do analista de sistemas Beethoven Souza, 51 anos, daria sinais de que não funcionava bem. Mesmo sabendo que tinha risco de desenvolver uma doença coronária, pois sua mãe havia tido um infarte, ele não se preocupava com a saúde. Estava acima do peso, não se exercitava e comia de tudo. Só o cigarro havia conseguido abandonar. Até que, em 2006, ao sentir uma dor no peito, Beethoven descobriu que uma artéria do coração estava obstruída e recebeu o diagnóstico de angina.

No dia seguinte, outra surpresa. Na consulta com o cardiologista, o analista de sistemas soube que estava com colesterol, glicemia e pressão arterial alterados. Com os exames em mãos, Beethoven percebeu que era a hora de se cuidar. “Fui do consultório até em casa para a ficha cair. Quando cheguei, disse para a minha mulher: ‘Vou mudar de vida’. Era o que tinha que fazer, se quisesse continuar vivo”, relembra.

Antes mesmo de passar pela angioplastia, o analista de sistemas revolucionou a alimentação. “Comia tudo o que via. Era feijoada, caldo de mocotó, picanha na chapa. Lanchava todo dia coxinha, quibe ou pastel. Hoje, aprecio mais frango, peixe; carne vermelha, muito pouco”, diz. Beethoven agora leva verduras e legumes para o trabalho e prepara a salada na hora. No lanche, só frutas. Prefere passar longe da lanchonete. Resolveu fazer caminhada todos os dias na hora do almoço e conseguiu perder 15 quilos. Da angina, só restou o remédio para hipertensão.

Morte súbita

O infarto é a doença cardiovascular que mais preocupa, porque é uma das maiores causas de mortes súbitas. Ocorre quando o entupimento da artéria gera uma arritmia cardíaca grave e irreversível. A doença também pode fazer o paciente desenvolver insuficiência cardíaca. Se a área do infarte for muito grande, a perda muscular será tão extensa que o coração perderá a capacidade de bombear o sangue. São pessoas que poderão, no futuro, ter indicação de um transplante cardíaco.

Folha de São Paulo

Entrevista / Semana do Coração: Caldwell Esselstyn

Só dieta à base de vegetais reverte doenças cardíacas

Cirurgião americano defende alimentação mais restrita do que a vegana, excluindo até azeite, para proteger o coração

Por Débora Mismetti, editora-assistente de saúde

Diga adeus a bifes, peixes, arroz branco e açúcar. Farinha e grãos, só integrais. Azeite de oliva, nem pensar.

Para o cirurgião americano Caldwell Esselstyn, 77, uma alimentação baseada em folhas, frutas, legumes e grãos integrais é o único jeito de evitar, deter e reverter doenças cardiovasculares.

Seu método, que vem sendo aperfeiçoado nos últimos 30 anos, é o tema do documentário "Forks over Knives" (trocadilho que quer dizer tanto "garfos sobre facas" quanto "garfos no lugar de bisturis"), lançado nos EUA e ainda inédito no Brasil.

O filme conta a história de pacientes de Esselstyn, médico da Cleveland Clinic (Ohio). Eles venceram problemas cardíacos e evitaram cirurgias ao adotar a dieta.

Para o cirurgião, que falou à Folha por telefone, a dieta extrema não é a que ele propõe, e sim a adotada pela maioria dos ocidentais. "Ela garante que milhões de pessoas serão submetidas a cirurgias de peito aberto. Vamos comer vegetais. É para isso que fomos criados."

Folha - O sr. diz que os problemas cardíacos se devem à alimentação. Não há outros fatores de risco envolvidos, como genética?

Caldwell Esselstyn - Se você come a dieta típica ocidental, cheia de carne, óleo e laticínios, você vai ver que, entre mil pessoas, algumas terão infarto aos 40, outras aos 50, outras aos 60, 70 ou 80. Você pode dizer que, geneticamente, quem tem o infarto só aos 80 é mais forte para resistir a essa dieta extrema. Por outro lado, se todo mundo comer uma dieta baseada em vegetais, todos são poupados.

Controlar os níveis de colesterol não é suficiente?

Ao pensar só em números, prestamos atenção à coisa errada. As pessoas tomam remédios para o colesterol mas ainda querem comer frango frito. O que funciona é o que entra pela sua boca. Toda vez que você come azeite, óleo, leite, manteiga, queijo, sorvete, iogurte e carne, você machuca o delicado revestimento das artérias, o endotélio. Ele é um tapete mágico que produz uma molécula incrível chamada óxido nítrico, que é vasodilatadora e protege a parede dos vasos sanguíneos. Autópsias de soldados que morreram na Guerra da Coreia e no Vietnã, dos anos 50 a 70, revelaram que 80% dos jovens de 20 anos já tinham problemas coronários visíveis. As obstruções não eram suficientes para causar um infarto, mas es tavam lá. Hoje, todos os jovens têm isso.

Sua dieta exclui o azeite de oliva, base da dieta mediterrânea. Ela está toda errada?

Está errada em recomendar azeite. Em Creta, há 60 anos, as pessoas eram magras, comiam muitos legumes e frutas e um pouco de azeite. As desvantagens do azeite eram compensadas pela quantidade de vegetais. Quando você estuda o efeito do azeite com um teste de ultrassom da artéria braquial (no braço), que mede os danos ao endotélio, vemos que o óleo machuca os vasos.

Você chama as cirurgias e angioplastias de soluções mecânicas para um problema biológico. Esses procedimentos não adiantam nada?

Eles não chegam a ser soluções. A medicina tem evoluído no sentido de criar uma lista cara de remédios e de procedimentos perigosos, como a colocação de stents ["molas" inseridas em vasos obstruídos] e pontes de safena. Com o tempo, é preciso colocar outro stent, fazer outra ponte, tomar mais remédios, e, no fim, a pessoa morre do coração assim mesmo. Os médicos, não sei o porquê, passaram a acreditar que as pessoas não são capazes de mudar seu estilo de vida. Mas o problema é que eles não sabem como transmitir essa mensagem. Quando trato alguém com doença cardíaca, fazemos um curso de cinco horas. O paciente vai entender o que causou a doença e o que ele deve fazer para revertê-la. No fim, oferecemos uma refeição à base de vegetais e uma apresentação de 1h15 sobre como comprar e preparar alimentos, ler rótulos e lidar com restaurantes e viagens. A revolução da saúde nunca vai acontecer por causa da descoberta de um remédio. Nunca vai ser por causa de um novo procedimento cirúrgico. A revolução vai acontecer quando as pessoas estiverem informadas do ponto de vista nutricional, para evitar as comidas que vão fazê-las perecer por uma doença.

Qual percentual dos seus pacientes tem melhora?

Quase todos. Quando começamos o programa, e as pessoas ainda não sabiam se ia funcionar, 70% se recuperavam. Agora estamos em 90%. O que torna esse tratamento tão poderoso é que posso mostrar raios-X de artérias do nosso primeiro grupo. Os pacientes percebem que, se os outros conseguiram, eles também vão.

O sr. diz que moderação mata. Por que não dá para comer carne com moderação?

Moderação é dizer: qual a quantidade de um alimento que sei que vai me prejudicar eu posso comer e conseguir escapar das doenças? Isso é loucura. Quantos bifes posso comer? Quantas batatas fritas engorduradas? Como assim? É a mensagem errada.

O sr. acredita que sua dieta pode ser adotada globalmente?

O Brasil está destruindo a atmosfera e o mundo ao queimar as florestas que são ótimas para capturar o CO2. Por quê? Para produzir carne, que vai fazer as pessoas morrerem cedo e ter vidas miseráveis e infelizes. Se toda essa área for substituída por vegetais, é possível produzir muito mais. Vamos comer plantas, é para isso que fomos criados.

Ex-presidente Bill Clinton segue o método da editora-assistente de saúde

O ex-presidente Bill Clinton, 65, é um dos adeptos da dieta radical do médico Caldwell Esselstyn.

Depois de ser submetido a quatro pontes de safena, Clinton adotou as folhas e os legumes como base de sua alimentação, como contou em entrevista à rede CNN. "Eu não queria que isso [as pontes de safena] acontecesse de novo. Eu gosto dos legumes que estou comendo agora".

No processo, o ex-presidente perdeu 11 kg.

Essa entrevista e outros vídeos sobre a dieta estão no site do documentário "Forks over Knives": forksoverknives.com/media/videos.

O Globo

Infecção hospitalar mata mais que Vietnã

Nos últimos dias, a Saúde ganhou espaço na imprensa com um noticiário emblemático da grave crise do setor. No Rio de Janeiro, a espantosa e inaceitável via crucis de um acidentado por cinco unidades da rede pública encerrou todos os elementos dessa dramática, desumana situação. No episódio juntaram-se exemplos do desaparelhamento de hospitais e clínicas, da necessidade de melhorar o gerenciamento dos órgãos, da leniência do poder público e do desapreço de maus profissionais pela situação de pacientes (no caso, um rapaz que, com politraumatismo, saiu de Duque de Caxias e só conseguiu ser internado depois de um calvário de sete horas e 80 quilômetros, ouvindo recusas). Na capital fluminense, deu-se também outro exemplo do caos, com o fechamento do centro cirúrgico do Hospital Pedro Ernesto, onde moscas invadiram um espaço por definição asséptico.

Vistos isoladamente, esses casos poderiam ser atribuídos apenas a ineficiências do sistema fluminense. Mas a semana virou com a revelação de outros malfeitos. A Polícia Federal investiga irregularidades (superfaturamento, licitações suspeitas e pagamentos sem contratos) em seis hospitais federais do Rio. E soube-se, por pesquisa da Comissão Nacional de Biossegurança, que cem mil pessoas morrem por ano no Brasil por infecção hospitalar. São dados que nacionalizam inquestionavelmente a tragédia da Saúde. Neste último caso, imprime-se à desgraça um viés macabro. A estatística da comissão mostra que a cada 365 dias morrem quase duas vezes mais brasileiros em hospitais - por princípio um espaço de preservação da vida - do que o total de soldados americanos abatidos em batalhas durante toda a Guerra do Vietnã.

É apavorante o raio X que a pesquisa, divulgada pelo GLOBO, faz das condições de higiene na rede hospitalar (pública e privada). Em média, 80% dos hospitais brasileiros não fazem o controle adequado. Como é falho o monitoramento pelos órgãos públicos de fiscalização, chegou-se a este número por estimativa, o que significa que a dimensão do problema pode ser maior. Há razões para acreditar que seja. Afundada numa crise sistêmica, a Saúde coleciona um infindável histórico de demandas que deveriam ser enfrentadas com uma política capaz de mudar estruturalmente o setor. Mas, à exceção de exemplos pontuais, não é o que se vê país afora. E apenas piora a situação uma estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) segundo a qual infecções hospitalares atingem 14% dos pacientes internados.

É fato que políticas públicas do país não são especialmente generosas com o setor. Pode-se destinar mais recursos à rubrica. Mas, em vez de acabar com o drama que deixa milhões de brasileiros à margem do fundamental direito à Saúde, despejar dinheiro nesse sistema falido, sem tampar os ralos que abastecem a corrupção e premiam a inépcia, corresponderia a apostar alto num cavalo manco.

É o que pretendia a base do governo federal (cuja proposta de ressuscitar a CPMF afundou no Congresso) - avançar no bolso do contribuinte para custear programas viciados pela fraude e pela ineficiência, sem mudar radicalmente as formas de gestão do sistema, sem enfrentar o corporativismo que protege os maus profissionais e sem adotar uma série de outras providências essenciais para tirar a Saúde da UTI.

O Estado de São Paulo

Dor de cabeça crônica afeta 2 milhões de crianças e adolescentes no Brasil

Por Karina Toledo

Quase 2 milhões de crianças e adolescentes brasileiros sofrem com dor de cabeça pelo menos dez dias por mês. Por falta de diagnóstico e tratamento adequado, quase metade desses jovens acaba fazendo uso abusivo de analgésicos, o que pode piorar o quadro a longo prazo e trazer outros prejuízos à saúde.

A estimativa foi feita pelo neurologista Marco Antônio Arruda, da Sociedade Brasileira de Cefaleia, com base em uma pesquisa realizada com 6.383 crianças e adolescentes entre 5 e 18 anos.

Mais de 80% dos entrevistados disseram já ter sentido dor de cabeça ao menos uma vez, 10% foram diagnosticados como portadores de cefaleia tensional e 8%, como portadores de enxaqueca. "Cerca de 2,5% da amostra têm o que chamamos de cefaleia crônica de alta frequência e, desses, 53% disseram tomar analgésico mais de dez dias por mês. É um exagero", diz.

O consumo excessivo de remédios contra a dor faz com que o corpo pare de produzir substâncias analgésicas naturais, como endorfinas. Com o tempo, as crises se tornam mais frequentes e intensas. Além disso, as drogas podem afetar os rins, fígado, coração e trato digestivo.

Mikael Correa, de 11 anos, já fez parte dessa estatística. Aos 7, teve sua primeira crise de enxaqueca. Mas o problema só foi diagnosticado dois anos mais tarde e, nesse meio tempo, o menino chegou a ter quatro episódios de dor por semana. Hoje, graças ao tratamento preventivo, tem, em média, uma crise por mês.

As dores de cabeça crônicas estão relacionadas a um desequilíbrio químico no cérebro, explica a neurologista Thaís Villa, do setor de cefaleia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Analgésicos resolvem a dor aguda, mas, quando o problema é recorrente, são necessários medicamentos para corrigir esse desequilíbrio."

O tratamento de Mikael inclui, além de remédios, a realização de um diário. "Anoto quando ele tem crise, quanto tempo durou e tento identificar qual foi o fator desencadeante para tentar evitá-lo", diz a mãe do menino, Lucimara Correa, de 35 anos.

Mas a maioria das crianças e adolescentes que sofrem de cefaleia crônica não é diagnosticada e tratada, afirma Arruda. Isso as deixa mais predispostas a sofrer de distúrbios do sono e problemas de comportamento, como agressividade ou retraimento.

A pesquisa coordenada por Arruda mostrou que o risco de ter desempenho escolar abaixo da média é 40% maior entre os que sofrem de dor de cabeça crônica. O índice de absenteísmo escolar também foi mais alto.

Outro estudo do grupo da Unifesp revelou que crianças com enxaqueca têm o funcionamento cognitivo afetado, apresentando desempenho inferior em testes de atenção, memória e processamento de informações.

"É um problema de saúde pública e, mesmo assim, não existem programas para atender crianças com dor de cabeça no País", diz Arruda.

Alternativas. Para o clínico geral Alexandre Feldman, especialista no tema, uma simples mudança no estilo de vida pode resolver grande parte dos casos. "As crianças estão dormindo muito tarde, fazendo pouca atividade física e comendo muitos produtos industrializados. Ao mudar isso você ajuda o próprio organismo a se livrar da doença", diz. Feldman aposta ainda em tratamentos naturais como acupuntura e suplementação com vitaminas e minerais. "Uso medicamentos apenas em último caso, pois eles também têm efeitos colaterais."

Quando fatores emocionais são determinantes para iniciar a crise, a terapia cognitiva-comportamental pode ser uma aliada. "Isso ajuda o paciente a ter autocontrole", diz a psicóloga Luciana Campaner.

Sábado, 24.09.11

O Tempo

Problemas de saúde

Pelo menos em um ponto, governo e oposição concordam: é preciso destinar mais verbas à saúde. As divergências têm início quando se procura definir de onde virão esses recursos.

O Brasil é, sabidamente, um país que não consegue equacionar esse problema. Às voltas com dificuldades básicas, tais como hospitais em condições precárias, pagamentos irrisórios a profissionais da área, insuficiência de medicamentos e, pior, uma falta de prevenção eficaz de doenças endêmicas, os efeitos se refletem sobretudo entre as classes mais pobres, obrigadas a conviver diariamente com as más condições de atendimento que caracterizam os postos de saúde. As denúncias feitas pela mídia em relação a essas falhas parecem não comover muito as autoridades - ou então os responsáveis não conseguem apresentar ideias que contribuam para minorar o sofrimento dos que não têm como pagar planos de saúde caros. Estes, além do mais, são contestados pelos médicos filiados, que denunciam a baixa remuneração recebida pelos serviços que prestam.

O ex-senador do PT Tião Viana, hoje governador do Estado do Acre, apresentou proposta segundo a qual pelo menos 10% da receita bruta da União deveria ser investida em serviços públicos de saúde. Seria uma melhoria significativa, uma vez que, diferentemente de países do Primeiro Mundo ou mesmo da Austrália, o Brasil patina nessa área. Agora, o mesmo PT, através do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), vem a público para cancelar a ideia, alegando ser ela inexequível. Inexequível também mostrou ser a proposta de criação de uma nova CPMF, rejeitada pela Câmara.

No entanto, alguma coisa nova tem que surgir. Seria a redução do pagamento das dívidas dos Estados para com a União, com a diminuição dos juros cobrados pelo governo federal, como preconiza o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), destinando-se os recursos à saúde? É uma ideia. Mas que a solução não demore; a população brasileira não pode esperar.

Folha de São Paulo

Aos estudantes de medicina

Por Drauzio Varella

Medicina se faz com as mãos. Os exames laboratorias ajudam bastante, mas nada substitui o exame físico

Na coluna de hoje vou resumir as lições mais importantes que aprendi em 40 anos de atividade clínica.

Na verdade, a ideia de reuni-las surgiu semanas atrás, quando o diretor Wolf Maya me convidou para fazer uma pequena palestra para atrizes e atores que interpretavam papéis de estudantes de medicina numa cena da novela das nove.

"Haverá uma classe com alunos e nenhuma dramaturgia, diga o que quiser", propôs ele. Hesitei diante do convite inusitado, mas no fim achei que seria uma boa oportunidade para dizer aos alunos: 1) Tenham sempre em mente que encontrarão mais dificuldade para receber os cuidados de vocês, justamente as pessoas que mais necessitarão deles.

O médico deve lutar por condições dignas de trabalho e por remuneração condizente com as exigências do exercício profissional, mas sem esquecer de cobrar da sociedade o acesso universal dos brasileiros ao sistema de saúde.

2) É fundamental ouvir as queixas dos doentes. Sem escutá-las com atenção, como descobrir o mal que os aflige?

Embora as características do atendimento em ambulatórios, hospitais e unidades de saúde criem restrições de tempo, cabe a nós exigir para cada consulta a duração mínima que nos permita recolher as informações imprescindíveis.

Com a prática vocês verão que ficará mais fácil, porque aprenderão a orientar o interrogatório, especialmente no caso de pessoas prolixas e pouco objetivas. O desconhecimento da história e da evolução da enfermidade é causa de erros graves.

3) Medicina se faz com as mãos. Os exames laboratoriais e as imagens radiológicas ajudam bastante, mas não substituem o exame físico.

Esse ensinamento dos tempos de Hipócrates deve ser repetido à exaustão, porque a tendência do ensino nas faculdades tem sido a ênfase nos exames subsidiários em prejuízo da palpação, da ausculta e da observação atenta aos sinais que o corpo emite.

Como consequência, cada vez são mais frequentes as queixas de que o médico pediu e analisou os exames e preencheu a prescrição sem chegar perto do doente.

Não culpem a falta de tempo nem tenham preguiça, em cinco minutos é possível fazer um exame físico razoável. Tocar o corpo do outro faz parte dos fundamentos de nossa profissão.

4) Procurem colocar-se na pele da pessoa enferma. Quanto mais empatia houver, mais fácil será compreender suas angústias, seus desejos e seu modo de encarar a vida.

Não cabe ao médico fazer julgamentos morais, impor soluções nem decidir por ela, mas orientá-la para encontrar o caminho que mais atenda suas necessidades.

5) Medicina é profissão para quem gosta muito. Exige do estudante bem mais do que as outras: seis anos de graduação, dos quais os dois últimos são dedicados ao internato, que não por acaso recebeu esse nome.

Depois vem a residência, com três, quatro e até cinco anos de duração. O dia inteiro nos hospitais públicos, os plantões de 24 horas, as jornadas intermináveis.

É a única profissão que obriga o trabalhador a cumprir horários que a abolição da escravatura eliminou.

Por exemplo, trabalhar o dia inteiro, entrar no plantão noturno e emendar o expediente do dia seguinte; trinta e seis horas sem dormir.

Existe outra categoria de profissionais em que essa prática desumana faça parte da rotina?

Se o exercício da medicina já é árduo para os apaixonados por ela, é possível que se torne insuportável para os demais.

Se vocês escolheram segui-la apenas em busca de reconhecimento social ou recompensa financeira, estão no caminho errado, existem opções menos sacrificadoras e bem mais vantajosas.

6) Medicina é para quem pretende estudar a vida inteira. É para gente curiosa que tem fascínio pelo funcionamento do corpo humano e quer aprender como ele reage às diversas circunstâncias que se apresentam.

O médico que não estuda é mais do que irresponsável, coloca em risco a vida alheia.

7) Finalmente, para que foi criada a medicina? Qual a função desse ofício que resiste à passagem dos séculos?

Embora a arte de curar encante os jovens e encha de prazer os mais experientes, não é esse o papel mais importante do médico. É interminável a lista de doenças que não sabemos curar.

A finalidade primordial de nossa profissão é aliviar o sofrimento humano.

O Estado de São Paulo

Dobram os casos de coqueluche no País

Por Clarissa Thome

O número de casos de coqueluche registrados no País dobrou em relação ao ano passado - passou de 291 pacientes confirmados para 583. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, explica que o Brasil está longe de um surto.

Mas ressalta que o aumento de registros da doença serve de alerta para a importância da vacinação de crianças, que devem receber doses da vacina Tetravalente (difteria, tétano, coqueluche e meningite) aos dois, quatro e seis meses de vida, com dois reforços na infância.

Segundo Barbosa, o crescimento de casos ocorre pelo que se chama de "acúmulo de suscetíveis". A estimativa é de que, a cada ano, cerca de 5% das crianças não sejam imunizadas - ou por não terem tomado a vacina ou por algum problema no seu sistema imunológico.

"Nos anos de 1980, registrávamos 80 mil casos por ano. Com as campanhas de vacinação, esse número caiu para 15 mil na década de 1990. Nos anos 2000 o número de casos foi estabilizado, mas a cada cinco anos temos um acúmulo de suscetíveis e os registros crescem", afirmou. "Isso serve de alerta para que os pais continuem vacinando suas crianças".

O ressurgimento da coqueluche será um dos destaques da 13.ª Jornada de Imunizações, que reunirá especialistas em São Paulo, em outubro.

"Há uma preocupação maior com as crianças menores de 2 meses, que ainda não foram imunizadas. É preciso garantir que as crianças recebam as doses no momento certo e melhorar a vigilância epidemiológica, para que os casos da doença sejam identificados", afirma a infectologista Isabella Ballalai, presidente 2da Sociedade Brasileira de Imunização, seção Rio de Janeiro (SBIm-RJ).

Dados da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo mostram que as cinco crianças que morreram na cidade, até 17 de agosto, tinham menos de um ano de idade; e 70% dos casos confirmados da doença eram de bebês com menos de seis meses (quando as três doses da vacina ainda não foram ministradas).

A secretaria emitiu um alerta epidemiológico por conta do aumento de cerca de 40% do registro de coqueluche em relação a 2010. Em 75% dos casos de coqueluche em bebês, o transmissor da bactéria vive na mesma casa da criança. Isso ocorre porque a vacina garante a imunização por cinco a dez anos.

O adulto volta a ficar suscetível, contrai a doença, mas os sintomas são mais brandos. "A literatura mostra que de 20 a 25% das tosses com mais de 14 dias são coqueluche. Mas o médico não pensa nisso. Considera um problema resolvido e trata como alergia".

Correio Braziliense

Fora de controle

Número de casos no mundo de doenças não transmissíveis explode e preocupa autoridades e especialistas de todo o planeta. Situação mais grave ocorre com o diabetes, que mata uma pessoa a cada sete segundos

Por Carlos Tavares

Nas últimas três décadas, o Brasil e o mundo ficaram mais doentes e gordos — e tudo indica que, se nada for feito, a população do planeta vai permanecer em um caminho sem volta. É essa a opinião dos especialistas que se dedicam a entender melhor doenças não transmissíveis, como diabetes, câncer, acidentes cardiovasculares e males respiratórios, que, juntas, matam cerca de 36 milhões de pessoas por ano. A preocupação é tão evidente que assumiu as proporções de uma aliança global na semana de reuniões ocorridas na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Gestores e especialistas em saúde pública de todo o planeta puseram na mesa a necess idade inadiável de uma solução.

Um dos principais focos das discussões que começaram no último domingo foi o diabetes — que já afeta cerca de 360 milhões de pessoas no mundo e mata uma a cada sete segundos, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes. O número, divulgado nas reuniões na ONU, foi levado a Lisboa pela entidade durante um congresso mundial sobre a doença. Os médicos ficaram ainda mais preocupados com a má notícia porque essa é apenas uma revisão de dados recentes — divulgados em 2009, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) —, quando o diabetes matava então uma pessoa a cada 10 segundos e atingia cerca de 245 milhões.

O mais grave, segundo Rogério Silicari Ribeiro, endocrinologista-chefe do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, é que 50% das pessoas de países em desenvolvimento, como o Brasil, não sabem que convivem com a doença. O inimigo silencioso, oculto e, muitas vezes, fatal ataca no Brasil algo em torno de 60 milhões de habitantes. “É preciso, portanto, organizar depressa programas educativos na linha da prevenção e desenvolver a ideia de interrogar o indivíduo, desde os postos de saúde, sobre a história familiar, o baixo consumo de fibras e altas taxas de calorias”, comenta, ao sugerir métodos coletivos para chamar as pessoas à realidade. “O Brasil precisa montar um mapa da doença, que ainda não temos.”

Para Angélica Amato, professora de endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), sem diagnóstico, esses pacientes estão morrendo de infarto, amputando membros, expondo-se à cegueira e a outras comorbidades. De acordo com a médica, que também trabalha no Laboratório de Endocrinologia do Hospital Universitário (HUB), as políticas públicas brasileiras precisam ser mais agressivas. “As ações educativas deveriam começar na escola, para formar crianças e adolescentes mais saudáveis. É preciso fazer uma teia de decisões que melhorem o perfil da população e previnam a doença.”

Aceleração

Embora a OMS preveja que a epidemia global de doenças não transmissíveis será acelerada nas próximas duas décadas — o número de mortes alcançaria então 52 milhões por ano até 2030 —, a participação mais efetiva dos governos em campanhas e pesquisas sobre prevenção desse tipo de mal poderia barrar o ritmo do avanço. “Não creio que essa guerra esteja perdida, mas a iniciativa brasileira em termos de políticas públicas ainda é tímida e não tem abrangência expressiva na população”, afirma a presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Monalisa Azevedo. “É preciso incentivar táticas de reeducação alime ntar, estimulando o brasileiro a fazer exercícios, consumir mais fibras e menos produtos industrializados.”

Em um país onde apenas 14% dos adolescentes se mexem para valer e comem frutas, legumes e verduras — e 30% das crianças de 5 a 9 anos e 50% da população adulta estão acima do peso —, as perspectivas não são nada boas. Enquanto se alastra a epidemia do diabetes, o Brasil vive um surto de inércia, reclamam os médicos. Não é à toa que 59% das pessoas que convivem com problemas de saúde são gordas ou obesas.

O diabetes melito é uma doença caracterizada pela elevação da taxa de glicose no sangue (a hiperglicemia) e ocorre devido a defeitos na secreção e/ou na ação da insulina. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e tem inúmeras funções, entre as quais promover a entrada de glicose nas células, para que ela possa ser utilizada nas diversas atividades celulares ou armazenada como fonte de energia.

Há duas versões da doença. O diabetes tipo 1 é resultado da destruição das células pancreáticas produtoras de insulina por um processo imunológico, e é caracterizado por deficiência completa da produção de insulina. No diabetes tipo 2, embora as causas não sejam completamente definidas, sabe-se que fatores ambientais e hereditários estão envolvidos em seu desenvolvimento. “Em especial, aqueles relacionados à obesidade, a hábitos alimentares inadequados, ao tabagismo e ao sedentarismo, que são considerados os principais determinantes da epidemia da doença observada nos últimos anos”, explica Monalisa Azevedo.

Os dados sobre o diabetes no mundo são tão inquietantes que o Fórum Econômico Mundial advertiu a ONU, esta semana, que o impacto econômico global das cinco principais doenças não transmissíveis — câncer, diabetes, males mentais, problemas cardíacos e casos respiratórios — pode chegar a US$ 47 trilhões nos próximos 20 anos, se nada for feito para preveni-las.

Alerta permanente

Se os gatilhos que acionam o processo da doença são fatores genéticos e ambientais, o caso da agente administrativa Kátia Cristiane da Silva é muito representativo da herança desconfortável de um mal que obriga as pessoas a permanecerem em estado de alerta a vida inteira. Na família, o pai morreu aos 56 anos, de complicações ocasionadas pelo diabetes. Ela tem duas irmãs gêmeas que sofrem do mesmo mal — além da mãe, de tias e outros parentes. “Graças a Deus, meus três filhos (de 17 anos, 14 e 1 ano e 2 meses) não têm nada”, suspira, aliviada. Kátia afirma que não come doces e até “exagera” nas frutas, nos legumes e nas verduras durante as refeições.

Kátia controla os níveis de glicose com a metformina e só precisou de insulina nos períodos de gestação. Além do tradicional tratamento injetável, hoje a medicina oferece outros, também à base de seringas e agulhas, como a metformina e a liraglutida. “Esses medicamentos não substituem a insulina. Quando o paciente mostra sinais de deficiência da substância, com perda de peso sem explicação, ou há falha dos outros medicamentos em controlar a glicose, o tratamento com insulina será sempre necessário”, explica Angélica Amato, que acompanha o caso de Kátia. “Espero nunca precisar. Faço tudo que mandam, porque tenho medo, sabe? Meu pai morreu muito novo.”

Novos aliados

No caso do diabetes tipo 2 muitos pacientes têm dificuldade de aceitar uma medicação injetável. No caso da liraglutida, que também é injetável, ela tem o atrativo de resultar em perda de peso, diferentemente da insulina. A insulina — que ainda é a medicação mais poderosa, pois controla a glicose mesmo quando os outros medicamentos já não são capazes de fazê-lo — pode ser introduzida em qualquer etapa da doença, mesmo numa em que o paciente ainda apresente função pancreática, ou produção de insulina. Atualmente, há um conjunto de medicamentos possíveis para tratamento do diabetes, que podem ser combinados, mas não substituem a insulina.

Folha de São Paulo

Só 1% dos hospitais têm normas rígidas contra as infecções

Com isso, índice de contaminação em instituições do país pode chegar a 80% dos pacientes, afirma associação

Estima-se que 100 mil pessoas morram por ano por infecção hospitalar, mas ainda faltam dados oficiais

Por Sabine Righetti, enviada a joinville (SC)

Apenas 1% dos hospitais seguem à risca normas que evitam infecções hospitalares, segundo dados coletados pela Anbio (Associação Nacional de Biossegurança) na literatura médica brasileira.

Por isso, os índices de contaminação em hospitais podem chegar a 80% em algumas instituições de saúde.

Isso significa que, nos piores hospitais brasileiros, oito em cada dez pacientes são contaminados por micro-organismos e adquirem enfermidades diferentes daquelas que os levaram ao hospital.

A Anbio apresentou os dados no 7º Congresso Brasileiro de Biossegurança, em Joinville (SC). No mesmo evento, anunciou que implantará, a partir de janeiro, uma espécie de "ISO da biossegurança" emitido para hospitais.

Desde 1997, todos os hospitais do país são obrigados por lei a terem comissões internas e programas de controle de infecção hospitalar.

Apesar disso, 24% dos hospitais do Brasil ainda não contam com essas comissões, de acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Hoje, hospitais públicos e privados são visitados pela vigilância sanitária local, mas não há nenhum tipo de certificação.

Os procedimentos obrigatórios nos hospitais são, por exemplo, a higienização das mãos dos profissionais, da pele do paciente e dos instrumentais hospitalares.

Essas três atividades, quando mal realizadas, por desconhecimento ou excesso de trabalho, são as principais causas de infecção nos hospitais. O números de mortos chega a 100 mil ao ano.

"Mas isso são estimativas. Faltam dados sobre as contaminações", diz Leila Macedo Oda, presidente da Anbio.

O infectologista da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Carlos Magno Fortaleza concorda. Ele faz parte de um estudo financiado pelo governo federal que está justamente atrás de dados oficiais sobre infecção hospitalar.

"O que se sabe é que os países em desenvolvimento têm uma taxa de infecção hospitalar cinco vezes maior do que os ricos", diz Fortaleza.

"Isso dos hospitais"

Assim como no ISO fornecido às empresas, o certificado de biossegurança dos hospitais será emitido após uma auditoria da Anbio e será renovado a cada dois anos.

O custo disso vai variar de acordo com o tamanho e a complexidade das atividades realizadas por cada hospital.

"Mas será mais barato que os processos conduzidos por pacientes por causa de contaminação", diz Oda.

"Discutimos a estrutura dos aeroportos para receber a Copa , mas esquecemos que os hospitais não estão preparados para receber etnias que vão trazer novos micro-organismos. Será uma loucura."

Jornal da Tarde

Pacientes se ajudam em redes sociais para doentes

Por Felipe Oda

Com funcionamento semelhante ao de Facebook e Orkut, redes sociais ligadas à saúde começam a ganhar usuários brasileiros. Comuns na Europa e nos EUA, as novas ferramentas são voltadas para cuidadores ou portadores de alguns tipos de doença e possibilitam a troca de experiências.

Usuários do mundo todo discutem sobre efeitos colaterais de remédios, alternativas de tratamentos, sintomas e avaliações de médicos por meio de redes como PatientsLikeMe (www.patientslikeme.com), Inspire (www.inspire.com), Cure Together (http://curetogether.com) e Health Central (www.healthcentral.com). Há ainda nesses grupos espaço para bate-papo e divulgação de fotos pessoais.

“São ferramentas que chamam a atenção pelas informações e experiências trocadas entre pessoas na mesma situação”, define José Luiz Augusto, de 58 anos, que sofre de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Administrador de empresas na capital paulista, Augusto é um dos 500 usuários nacionais com perfil cadastrado no PatientsLikeMe, de acordo com busca realizada no próprio site. “Achei muito interessante e importante dividir (conhecimento) com outros pacientes”, acrescenta Augusto.

“É um conforto saber que há outras pessoas tomando os mesmos remédios e sofrendo das mesmas coisas que você. Faz a gente perceber que não está sozinha no mundo”, diz a estudante Mariana Pantalena, de 28 anos, diagnosticada com depressão há oito anos.

Ainda não há um número exato sobre o total de brasileiros cadastrados nas redes sociais da saúde. E, como o serviço é novo no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou à reportagem desconhecê-lo. Já os médicos ouvidos pelo Jornal da Tarde alertam sobre os perigos relacionados às “consultas médicas virtuais”. Os pacientes, por outro lado, dizem que o propósito das redes é apenas a troca de experiências e defendem a interação por meio das ferramentas.

“Muitas pessoas não têm acesso a textos e pesquisas científicas (sobre as doenças), geralmente em língua estrangeira, ou a bons médicos. É injusto privá-las da informação”, afirma a publicitária Diana Mertidez, de 33 anos, usuária de uma rede de saúde em que compartilha sua experiência sobre fibromialgia.

Uma pesquisa feita neste ano pela London School of Economics envolvendo 12 mil pessoas de vários países, entre eles o Brasil, mostrou que quatro em cada dez entrevistados procuram experiências de pacientes com problemas similares aos seus.

Mas, além de informações técnicas, os pacientes também trocam “dicas práticas”, explica a dona de casa Adriana Brasileiro Nato, de 37 anos. “Fez muito sucesso um ‘post’ (mensagem publicada) meu sobre o uso de meia calça amarrada ao pulso com sabonete dentro. Ajuda muito no banho de pacientes com limitação nos movimentos”, afirma ela, portadora de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, sem cura, caracterizada por fraqueza muscular e comprometimento dos neurônios motores do corpo.

Solidariedade brasileira

Para alguns usuários, a expansão das redes sociais ligadas à saúde no Brasil pode enfrentar barreiras culturais. “As pessoas podem ter receio ou vergonha de falar sobre os seus problemas”, fala Diana. “Apesar de ser um ambiente só com pessoas doentes, algumas podem ficar constrangidas”, completa.

Já Adriana acredita na “disseminação” das ferramentas. “As redes estão consolidadas por aqui. Logo as redes de saúde também conquistarão espaço e novos usuários”, afirma. Para Mariana, o incentivo para o crescimento do serviço será o “espírito solidário” dos brasileiros.

Folha de São Paulo

Tendências / Debates

Deve ser criado um imposto para financiar a saúde pública no Brasil?

NÃO

É preciso enxotar o fantasma da CPMF

Por Maria Cristina Sanches Amorim, economista, é professora titular da PUC-SP.

A regulamentação da emenda constitucional 29 (EC 29), que definirá os gastos dos municípios e Estados com os serviços de saúde, trouxe à tona um fantasma do brasileiro, o retorno da CPMF (ainda que com outra sigla), e um debate sobre o financiamento do setor.

Precisamos enxotar o fantasma e organizar o debate, pois o "encosto" procura materializar-se na legitimidade indiscutível dos gastos governamentais com a saúde.

A EC 29 estabelecerá o piso de 15% do orçamento dos municípios e de 12% daquele dos Estados para gastos com os serviços de saúde -e também determinará os tipos de gastos. Ocorre que a maioria esmagadora dos municípios e Estados não tem dinheiro, ou seja, este virá do governo federal.

Em tempos de aumento de superavit primário para enfrentar a resistência à redução dos juros e as pressões inflacionárias, a União resiste em gastar e comprometer-se com um gasto contínuo.

Nesse cenário, por que não reeditar a CPMF? Um novo tributo é sempre impopular; nada mais oportuno do que justificá-lo como necessário e inevitável. E assim, a CPMF volta à cena, sob a forma de "encosto" em causa tão nobre.

Os governos estaduais e, principalmente, o federal aumentam a capacidade de arrecadar tributos acima da inflação e do crescimento do PIB há uma década. Porém, alegam não ter dinheiro para cumprir o que fixa a emenda 29.

Para o governo federal, a votação da EC 29 é uma oportunidade de ouro para "matar três coelhos com uma só cajadada". Com o retorno da CPMF a administração:

1) ficaria "bem na fita" com o pessoal da saúde, ao atender à velha -e legítima- demanda da regulamentação da emenda 29 e destinar mais dinheiro à área;

2) ampliaria alianças com parlamentares, que sairão por aí como paladinos da saúde;

3) conseguiria fonte adicional de dinheiro para pagar a dívida interna e cumprir a meta de superavit.

A CPMF é ruim no nascedouro: incide sobre serviços e será incorporada como aumento de custos e de preços. Isto é, o consumidor, independentemente de sua renda, pagará a conta final.

Por se tratar de uma contribuição, e não de um imposto, o governo federal não tem obrigação de reparti-la com Estados e municípios. Poderá direcioná-la ao fundo de estabilização, para remunerar rentistas com base na taxa Selic, como fez de 1997 a 2006 (do total arrecadado no período, apenas 45% destinaram-se aos gastos com saúde).

Algum dinheiro para a saúde há de sobrar: nisso aposta o governo federal para conseguir legitimar o retorno da CPMF.

Garantir recursos estáveis para o financiamento da saúde e coibir desvios são ações de importância indiscutível, mas a inevitabilidade de aumentar tributos é outra história. Não faz sentido o governo afirmar que não tem dinheiro para os gastos decorrentes da aprovação da emenda 29. Tem, sim.

Vejamos de onde poderia sair a verba para a saúde. A cada 0,5% de redução da taxa de juros (Selic), sobram bilhões de reais por ano. Até hoje, o governo federal não cobrou o dinheiro devido pelas operadoras de planos e seguros de saúde quando seus clientes usam a rede SUS. O BNDES aumentou os saques sobre o Tesouro, usa recursos do FGTS e do FAT, empresta a juros de 6% ao ano e paga acima de 10%.

A lista de alternativas à CPMF é longa, e mesmo a imposição de outras fontes fiscais que não incidam sobre trabalho e produção deve ser vista com cuidado. A história dos tributos mostra que os governos costumam onerar não os agentes que deveria, mas aqueles que consegue.

SIM

Taxar fortunas para viabilizar a EC 29

Por Artur Henrique, presidente nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores)

A discussão em torno da emenda constitucional 29 e da necessidade de ampliar as verbas para a saúde pública traz mais uma boa oportunidade de reapresentarmos a proposta de uma reforma tributária digna do nome, que torne progressiva a estrutura dos impostos no país.

Para tal desafio, precisaremos implementar alguns instrumentos, dentre os quais vale destacar destacar aqui a criação de um imposto sobre grandes fortunas, heranças e propriedades.

Existem no Brasil, segundo dados de consultorias privadas, 155 mil pessoas com pelo menos R$ 1 milhão prontos para serem investidos no mercado financeiro. Elas compõem a face mais visível de uma riqueza que provavelmente é muito maior do que essa e, portanto, ainda mais concentrada do que os números fazem parecer.

Muito desse dinheiro não paga imposto, ao contrário do salário. Distribuição de lucros e dividendos, por exemplo, são dedutíveis de tributação no Brasil desde 1995. Enquanto isso, o trabalhador que conquista participação nos lucros e resultados da companhia paga IR sobre essa parcela. Está evidente a diferença de critério.

A remessa de dinheiro para o exterior sem tributação -essa faceta misteriosa, mas da qual ninguém duvida, de nossa injustiça fiscal- impede a sociedade brasileira de dimensionar quantos recursos produzidos aqui poderiam melhorar a oferta de serviços públicos e políticas sociais.

Esqueçamos por ora que parte desse cenário deveria compor a crônica policial, se não fosse a existência da lei 9.249/1995, que extingue a punibilidade de crime contra a ordem tributária. É preciso deixar claro que não se trata aqui de perseguir ricos, mas sim de cobrar que façam parte do jogo.

Se os ricos, como se convencionou dizer, de fato não deveriam sentir vergonha de sua condição, então que se apresentem sem os benefícios fiscais de que dispõem, em nome de um país socialmente justo.

É preciso também diferenciar os impostos sobre as atividades produtivas de suas empresas -sim, eles existem- de suas fortunas pessoais. Os primeiros, além de serem distribuídos por toda a sociedade na forma de preços, não são moral e civicamente o sacrifício máximo a perdoar a ausência dos demais.

A saúde pública brasileira precisará, segundo o governo, de R$ 30 bilhões adicionais por ano para viabilizar a EC 29. Uma das fórmulas mais modestas de imposto sobre grandes fortunas, entre tantas já propostas, daria conta do recado: 1,5% de alíquota média anual sobre patrimônios que ultrapassassem 8.000 salários mínimos. Assim, já teríamos o dinheiro necessário.

A recente recusa da Câmara em aprovar a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) mostra que a tarefa não é simples. A CSS iria incidir apenas sobre cidadãos que ganham mais do que o equivalente ao teto da Previdência Social (R$ 3.691). Isso representa aproximadamente 5% dos que trabalham.

Embora parte desse público não deva ser considerado rico, a proposta da CSS, de autoria do deputado Pepe Vargas (PT-RS), aponta para o conceito de progressividade tributária. Esse detalhe, nada desprezível, foi ocultado pela imprensa.

Sabe-se que, recentemente, um grupo de milionários franceses e o bilionário investidor norte-americano Warren Buffett vieram a público pedir que seus governos aumentem a taxação sobre eles.

Bondade, espírito cívico? Talvez. Mas a iniciativa sem dúvida mostra que eles sabem ser mais vantajoso ter uma parcela um pouco menor numa sociedade de economia mais dinâmica e com melhores condições de vida.

Correio Braziliense – Caderno Política

Governo ensaia freio à Emenda 29

Por Jùnia Gama / Colaborou Paulo de Tarso Lyra

A votação da regulamentação da Emenda 29 no Senado — último passo para finalizar a novela da definição dos gastos dos entes federados com saúde — pode não estar tão próxima de ocorrer. Oficialmente, não existe orientação expressa do Planalto para acelerar ou retardar a votação. A ameaça de ressurreição do artigo que exige o repasse de 10% da receita bruta da união com a saúde, no entanto, fez o Palácio acionar o botão de alerta. “O projeto tem que ser votado logo este ano e a fonte de financiamento deve ser encontrada no próprio orçamento da União e dos estados. É o governo que não quer votar”, reclama o presidente do PMDB, se nador Valdir Raupp (RO).

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), também é favorável à apreciação do texto ainda neste ano, em paralelo às discussões sobre o financiamento para a área. “É um momento importante para discutir com a sociedade a necessidade de mais recursos para a saúde. A melhor opção é votar logo e abrir esse debate”, diz. À revelia do Planalto, lideranças de partidos da própria base governista cogitam pedir regime de urgência, para que a matéria siga direto para o plenário, sem escalas nas comissões. Nesse caso, a emenda dos 10% seria ressuscitada. “O governo federal não tem como cumprir esses 10%, porque seria tirar recursos de uma área para colocar em outra. O co bertor é curto”, sustenta Costa.

Uma alteração que reúne consenso é retirada da emenda que exclui o Fundeb da base de cálculo dos investimentos em saúde. O artigo aprovado na Câmara significa R$ 6 bilhões a menos na conta que os estados terão de gastar com a saúde. Por causa da intenção de se derrubar o dispositivo, governadores devem iniciar uma peregrinação ao Senado para discutir o financiamento da área. Silval Pereira (PMDB), do Mato Grosso defende a mudança do indexador da dívida dos estados com a União. Ele propõe que a diferença resultante da redução do custo da dívida fosse aplicada integralmente pelos estados em saúde.

AGENDA


- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo

Abramge / AssPreviSite

As inscrições para os Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”. Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio site da Abramge.

No Brasil, o Ministério da Saúde registra a cada ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais: a informação não é muito divulgada. O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora do vírus – e segundo estudo publicado na revista científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma humano.

Podem participar da premiação, jornalistas profissionais de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de 2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover a informação sobre saúde e estimular a pesquisa científica do setor”, diz o presidente da Abramge, Arlindo de Almeida.

A comissão julgadora dos Prêmios será constituída de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão encaminhados aos jurados escolhidos pela direção da Abramge para análise e indicação dos melhores trabalhos.

Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem: R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos. E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da Abramge.

Veja o regulamento completo dos Prêmios no endereço eletrônico www.abramge.com.br


- CBA lança curso de gestão de profissionais de saúde

Recrutar e capacitar médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais da área de saúde para trabalhar de acordo com padrões internacionais de qualidade e segurança no cuidado com o paciente. Esse é um dos objetivos do curso Educação e Qualificação dos Profissionais de Saúde, promovido pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) — representante exclusivo no Brasil da maior agência acreditadora em saúde do mundo, a Joint Commission International (JCI). As aulas serão ministradas na sede do CBA, no Rio de Janeiro, nos dias 27 de agosto e 22 de setembro.

O curso, oferecido em parceria com a Universidade Lusófona de Portugal, vai abordar temas como recrutamento e retenção de profissionais, educação continuada, gestão do conhecimento e pesquisa de clima organizacional. De acordo com o professor Artur Parreira, as empresas precisam orientar seus profissionais a manterem os padrões de qualidade e excelência no desempenho de suas atividades.

"As organizações de saúde esperam de seus funcionários a capacidade de envolver-se com seus objetivos, além da melhoria e aprendizado constantes", explica Parreira. "Para isso, essas instituições precisam oferecer treinamento permanente para aperfeiçoar as competências exigidas, manter a agilidade da ação e evitar a estagnação profissional de seus colaboradores”.

Doutor de Ciências Biomédicas e subdiretor do Curso de Gestão Recursos Humanos da Universidade Lusófona, Parreira vai ensinar durante as aulas como realizar um Plano de Recursos Humanos bem-sucedido. "O sucesso do plano exige do gestor capacidade de liderança, visão estratégica da gestão de RH e atualização a respeito de temas ligados ao comportamento organizacional. Dessa forma, é possível manter a equipe sempre motivada e evitar o turnover de profissionais qualificados", enfatiza.

O curso Educação e Qualificação dos Profissionais de Saúde é voltado para gestores e lideranças intermediárias de instituições de saúde. O valor do investimento é de R$ 600 e a carga horária é de 24 horas/aula. As inscrições podem ser realizadas pelos e-mails eventos@cbacred.org.br ou secretaria.eventos@cbacred.org.br ou através dos telefones (21)3299-8241, 3299-8202 e 3299-8234.

Assessoria de Imprensa

SB Comunicação, tel. (21)3798-4357

Simone Beja, tel. (21)9367-3722

Igor Waltz, tel. (21)7674-1492


- I Simpósio Norte- Nordeste de Gestão Hospitalar

Temática: Turismo de Saúde

Objetivo

O Simpósio Norte-Nordeste de Gestão-Hospitalar, tem como enfoque desta edição o Turismo de Saúde, abordando temas, reflexões e ações que venham a contribuir no aprimoramento da gestão hospitalar para o incremento do Turismo de Saúde de Pernambuco. A cidade do Recife é considerada o 2º maior Pólo Médico do país, contando com centros de excelência em medicina já inseridos na certificação em “acreditação hospitalar”. Por isto a necessidade do incremento do investimento neste nicho de Turismo no Estado de Pernambuco.

Dia e Horário:

Data: 22 de setembro de 2011

Horário: 08:00 às 18:00h

Local: Salão de Convenções do Real Hospital Português

- 1º Congresso Nacional de Hospitais Privados

Promovido pela ANAHP – Associação Nacional de Hospitais Privados em cooperação com a HOSPITALAR Feira e Fórum, o evento vai reunir os principais tomadores de decisão no setor de saúde para compartilhar experiências em gestão.

De 28 a 30 de setembro, administradores de hospitais públicos e privados, médicos, lideranças setoriais e profissionais da área estarão reunidos no Hotel Unique, em São Paulo. Com o tema central "A Importância dos Hospitais Privados na Saúde: Hoje e Amanhã", palestrantes nacionais e internacionais falarão sobre Sustentabilidade,

Gestão do Corpo Clínico, Parcerias Público-Privadas, Segurança do Paciente, Governança Clínica, Governança Corporativa, Indicadores de Desempenho, entre outros.

Iniciativa inédita, o evento é dedicado à gestão de estabelecimentos de saúde, troca de experiências e conhecimento do setor e terá a participação dos principais hospitais do País. Para conhecer o programa e inscrever-se, basta acessar www.cnhp.com.br


- 14º Conferência Nacional de Saúde

Tema

“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”

A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional. As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.

Mais informações no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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