Leia
nesta edição:
- 'A saúde
vai ter um novo imposto'
- Maioria
do Senado descarta imposto para custear saúde
- Análise
do Congresso
- Frente
Parlamentar promove na terça ato em defesa da
Emenda 29
- Caça-remédio
- População de Marília enfrenta caos na
saúde
- No ritmo
- Técnica que retira sedação por 1 hora
reduz riscos e tempo de internação
- Culpe seu
cérebro
- Os riscos das mamadeiras
- A saúde
doente
- Promessa
de distribuir remédios foi cumprida
- O coração
agradece
- Entrevista
/ Semana do Coração: Caldwell Esselstyn
- Infecção
hospitalar mata mais que Vietnã
- Dor de
cabeça crônica afeta 2 milhões
de crianças e adolescentes no Brasil
- Problemas
de saúde
- Aos estudantes de medicina
- Dobram
os casos de coqueluche no País
- Fora de controle
- Só 1% dos hospitais têm normas rígidas
contra as infecções
- Pacientes se ajudam em redes sociais para doentes
- Deve ser
criado um imposto para financiar a saúde pública
no Brasil?
- Governo
ensaia freio à Emenda
29
Segunda-feira, 26.09.11
O
Estado de São
Paulo
'A
saúde
vai ter um novo imposto'
Ideli diz que governo tem 'clareza' de que precisa de novas
fontes para financiar setor
Por Vera
Rosa, Tânia Monteiro / Brasília
Sem caneta
na mão, mas com "muitos baldes de saliva
para gastar" na tarefa de unir a base aliada, a ministra
das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT),
admite que o governo ainda quer a criação de um
imposto para financiar investimentos em saúde no País
e arrecadar mais R$ 45 bilhões por ano. A expectativa
do Palácio do Planalto é que o tributo seja aprovado
em 2012, apesar das dificuldades previstas por causa das eleições
municipais.
Nesta entrevista
ao Estado, ao mencionar as "fontes" em
debate para custear a saúde, Ideli não fez rodeios
para definir do que se trata: "É um novo imposto".
Articuladora política do governo, a ministra garantiu,
porém, que nada sairá neste ano porque decisões
assim precisam ser "adequadas" à situação
econômica. "Você não pode trabalhar desonerando
de um lado e onerando de outro", ponderou.
Cinco dias
após a Câmara ter aprovado a Emenda
29 - que define os gastos com saúde para União,
Estados e municípios -, Ideli reiterou que o dispositivo
não resolve o problema porque não indica de onde
virão os recursos. Para ela, a comissão acertada
entre os governadores e o presidente da Câmara, Marco Maia
(PT-RS), poderá "resgatar" projetos de lei que
criam base de cálculo para a nova versão da CPMF,
o imposto do cheque extinto em 2007. "Nós já colocamos
o dedo na ferida", disse Ideli.
A
Câmara aprovou o projeto que regulamenta a Emenda 29,
mas não incluiu a base de cálculo para a criação
da Contribuição Social para a Saúde (CSS).
O que pode ser feito?
Apesar de
estar criada a contribuição, a alíquota
terá, obrigatoriamente, de ser fixada por lei. A comissão
que o Marco Maia formou com os governadores deixa uma porta aberta
para o debate.
E
quais são as alternativas para financiar os gastos
na saúde?
Já se falou em taxação de grandes fortunas,
bebidas, cigarros, remessa de dinheiro para o exterior, royalties
do petróleo e até em legalização
do jogo. A presidenta Dilma tem pedido muito cuidado porque estamos
vivenciando uma crise internacional, que será prolongada.
Você não pode trabalhar desonerando de um lado e
onerando de outro.
O
governo vê necessidade de financiar a saúde,
mas não quer arcar com o ônus de medida impopular,
não é?
O governo
tem clareza de que precisa de novas fontes para a saúde. Nós já colocamos
o dedo na ferida.
Nova fonte é um
novo imposto...
É um novo imposto, que poderá ser de uma forma
ou de outra. A questão é que essa nova fonte tem
de ser adequada à conjuntura econômica e só pode
ser criada com uma discussão de caráter federativo
e em consonância com o Congresso.
Mas
não é complicado
criar imposto em 2012, um ano eleitoral?
É uma coisa complicada, sim, mas todos os governadores
acham, e nós concordamos, que o principal tema da eleição
de 2012 será a saúde. Não dá para
fazer o debate de forma demagógica, dizendo: "Ah,
vamos resolver". Resolver de onde, cara pálida? A
presidenta Dilma chamou os governadores, o Congresso e disse: "Não
façam maquiagem. Se vocês querem que a saúde
tenha evolução de patamar, de atendimento, vai
ter de mexer. E não serei eu, sozinha, que vou fazer isso".
O
valor que se pretende arrecadar são aqueles R$ 45 bilhões
citados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha?
São R$ 45 bilhões por ano para chegar ao mesmo
gasto per capita do Chile, sendo que o Chile não garante
os serviços públicos de saúde que garantimos.
É só para
o ano que vem mesmo?
Sim. Este
ano não sai, por causa da situação
econômica.
Um
parlamentar aliado pode apresentar projeto de lei para definir
a alíquota?
Pode ser
qualquer parlamentar. Há projetos tramitando
e a comissão criada na reunião entre governadores
e o presidente da Câmara deverá resgatar alguns.
O Senado não pode criar isso.
A
queda de cinco ministros não revela que esse modelo
de preenchimento dos cargos é uma aposta de risco?
Não advogamos um governo de partido único, como
disse a presidenta no fórum do PMDB. Dá mais trabalho?
Dá. Tem risco? Tem. Mas é melhor assim. Existe
a frase: "A democracia é o pior dos modelos, mas
não encontramos nenhum melhor que ele". O governo
de coalizão é o pior, mas também não
encontramos nenhum melhor.
Haverá mais "faxina" no
governo?
Há problemas pendentes por aí...Apareceu, a gente
toma providência.São ossos do ofício. Orai
e vigiai!
Quando a presidente pretende fazer uma reforma ministerial?
Pelo que
conheço da presidenta, ela não concordará com
o processo eleitoral contaminando o ministério e não
vai esperar o prazo de desincompatibilização. Há possibilidade
de reformulação na virada do ano.
A
pré-candidatura do ministro Fernando Haddad (Educação) à Prefeitura
já está contaminando o governo?
Não. O PT ainda debate se vai ter prévia, se Marta
(Suplicy) fica (na disputa), se Marta não fica.
O
que a sra. está fazendo
para trazer de volta o PR, que saiu da base aliada com a crise
nos Transportes?
Saiu, mas
não saiu muito. Anda meio contraditório
(risos). Minha tarefa, aqui, é chamar para conversar.
O
núcleo duro do Planalto é composto por duas
mulheres - a senhora e a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann
- e um homem, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência,
Gilberto Carvalho. Quem manda mais?
Somos o Trio
Ternura. É tudo ternurinha aqui. Só teve
um estresse: no Congresso do PT, quando as mulheres reivindicavam
paridade na direção, o Gilberto me cutucou e disse: "Eu
vou abrir aqui a faixa 'Paridade no Planalto também'".
Seu
antecessor no cargo, Luiz Sérgio, ficou conhecido
como "garçom do Planalto", que só levava
pedidos e nada resolvia. A sra. resolve?
Eu não
tenho tinta na caneta, mas tenho muitos baldes de saliva para
gastar.
E a gente precisa ter muitos baldes mesmo,
porque os pedidos...
Quais
são
os pedidos?
Sabe
qual é o maior problema do PTB atualmente? O diretor
da Casa da Moeda foi indicação do PTB no governo
do presidente Lula. Agora eles querem trocar. Fica difícil,
né?
E
os cargos do segundo escalão?
A gente pode falar de outro assunto? (risos)
Até hoje há interinos ocupando funções
no Dnit, na Valec, na Chesf, na Codevasf, na Eletrosul...
Nos Transportes,
com a mexida na direção do Dnit
e da Valec, não há como não adequar os Estados
a essa nova linha de atuação. Mas eu só cuido
do meu quadrado e ouço as reclamações. De
vez em quando acaba essa Idelizinha paz e amor.
Em
apenas dois dias, antes de importantes votações,
foram liberados restos a pagar de emendas parlamentares. O PMDB
e o PSB da deputada Ana Arraes - eleita para uma vaga no TCU
- foram os mais beneficiados. Isso não é um toma-lá-dá-cá?
Isso não tem nada a ver com toma-lá-dá cá.
Temos um sistema de monitoramento do que está pronto para
pagar. Já estava tudo autorizado.
A
eleição da mãe do governador Eduardo
Campos (Pernambuco) para o TCU mostrou o poder de fogo dele.
Não é preocupante o fato de um aliado do governo
Dilma tentar se cacifar para a disputa presidencial de 2014?
É da vida. Acredito que a movimentação
do governador Eduardo Campos não tinha como objetivo, única
e exclusivamente, uma vaga do TCU, por mais amor filial que ele
tivesse.
A
volta do ex-presidente Lula, em 2014, está totalmente
descartada?
Por ele.
Declaração
dele.
Mas ele está tão empenhado em montar palanques
para as eleições municipais de 2012...
Que bom,
né? Vai ajudar. Aliás, quero louvar a
iniciativa dele, na reforma política, porque precisa ter
alguém chacoalhando para ver se a gente consegue avançar.
E
o que fazer com o PMDB, que diverge do PT e não aceita
o financiamento público?
(cantarolando) A gente vai levando...
Folha
de São
Paulo
Maioria
do Senado descarta imposto para custear saúde
Senadores querem mais gastos, mas descartam nova CPMF, revela
enquete
Só 9 dos 81 senadores apoiam contribuição,
apesar da pressão dos governadores por mais recursos para
o setor
Por Maria
Clara Cabral, Márcio Falcão, Nádia
Guerlenda, de Brasília
A maioria
dos senadores defende o aumento dos gastos do governo federal
com a saúde pública, mas descarta a criação
de um novo imposto para financiar o setor.
É exatamente o contrário do que deseja a presidente
Dilma Rousseff, que nas últimas semanas afirmou que não
aceitará aumento de despesas se o Congresso não
indicar uma nova fonte de recursos para a saúde.
Em enquete
concluída na semana passada, 43 dos 81 senadores,
ou 53% do total, disseram à Folha que apoiam uma proposta
que poderá obrigar o governo federal a aplicar no sistema
de saúde 10% de suas receitas.
A Constituição determina que os gastos do governo
federal com saúde acompanhem a expansão da economia
e sejam reajustados todo ano de acordo com a variação
do PIB (Produto Interno Bruto), mas não estabelece nenhum
tipo de vinculação das suas receitas com o setor.
A ideia foi
rejeitada no passado pela Câmara dos Deputados,
mas seus defensores querem retomá-la no Senado, aproveitando
a discussão de um projeto de lei que regulamenta os gastos
dos três níveis de governo com saúde, aprovado
na última quarta-feira pela Câmara.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
afirmou que vai trabalhar para aprovar o projeto recebido da
Câmara até o fim do ano, mas descartou a retomada
da vinculação prevista na proposta original. "É inexequível,
uma maluquice", disse o senador.
Estimativas
sugerem que a aprovação da proposta
aumentaria os gastos do governo federal em R$ 30 bilhões,
o equivalente a 38% do orçamento do Ministério
da Saúde para este ano.
A retomada
da proposta de vinculação conta com
a simpatia de integrantes da própria base governista.
"Sou favorável porque resolve o problema de orçamento",
afirmou o senador Walter Pinheiro (PT-BA).
Na semana
passada, os deputados rejeitaram a criação
de um novo imposto sobre movimentações financeiras
para o setor, a CSS (Contribuição Social para a
Saúde), que funcionaria como a antiga CPMF, extinta em
2007.
Os defensores
do imposto querem ressuscitá-lo no Senado,
mas a maioria dos senadores é contra. Na enquete feita
pela Folha, 51 dos 81 senadores, ou 63%, descartaram categoricamente
a ideia.
"Não há clima num ambiente como o nosso,
de crescente arrecadação extraordinária,
para falarmos em novo imposto", afirmou o senador Aécio
Neves (PSDB-MG).
Apenas 9
senadores, ou 11%, disseram ser favoráveis à proposta. "Eu
sei que ninguém quer defender um novo imposto, porque
isso expõe muito os senadores, mas eu pergunto como vamos
sustentar a saúde sem os recursos?", disse o senador
Anibal Diniz (PT-AC). Muitos senadores foram eleitos com o apoio
dos atuais governadores de seus Estados, que têm pressionado
o Congresso e o governo federal a criar novas fontes de recursos
para financiar seus gastos com o sistema de saúde pública.
Mas a maioria
dos congressistas não quer se comprometer
com a criação de um novo imposto por temer prejuízos
políticos, a poucos meses do início da campanha
para as eleições municipais de 2012.
Folha
de São
Paulo
Análise
do Congresso
Senado é amistoso com presidente, mas teme desgaste político
Dilma
tem maioria para aprovar qualquer coisa no Senado, mas reação
de eleitores preocupa seus aliados
Volta
do imposto do cheque ajudaria oposição a
grudar no governo a imagem de um leão famintoatrás
do contribuinte
Por Valdo
Cruz, de Brasília
O Senado
com o qual Dilma Rousseff convive é muito mais
amigável do que aquele com que o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva trabalhou. Mesmo assim, nada garante que a presidente
conseguirá aquilo que seu mentor e predecessor perdeu
ali.
Lula enfrentou
no Senado alguns dos piores momentos de seu governo. Foi alvo
até de ameaças de agressão física
em discursos na tribuna e acabou traído na votação
que derrubou a CPMF, em 2007.
Foram tantos
percalços que Lula decidiu trabalhar para
eleger um Senado mais amistoso para Dilma. Conseguiu, ajudando
a derrotar senadores incômodos em seu governo, como os
tucanos Arthur Virgílio e Tasso Jereissati e os demistas
Heráclito Fortes e Marco Maciel.
O resultado
dessa manobra está no painel da casa. Dilma
tem hoje 55 votos na sua base de apoio, sem contar os sete senadores
do PR, que se dizem independentes, mas não veem a hora
de voltar para o lado do governo.
Ou seja,
a presidente tem, teoricamente, maioria folgada para aprovar
até uma emenda constitucional no Senado, onde
são necessários pelo menos 49 dos 81 votos.
Só que essa maioria ainda não deu sinais de estar
disposta a pagar o preço do desgaste político de
ressuscitar a CPMF, recheando os cofres da presidente Dilma com
recursos que podem alcançar os R$ 40 bilhões anuais.
O antigo
imposto do cheque virou uma ideia amaldiçoada,
bandeira fácil para a oposição grudar no
governo a imagem de um leão faminto atrás da graninha
do contribuinte. Em véspera de ano eleitoral, então,
tudo fica mais potencializado.
O governo
Dilma tentará levantar o discurso do bem maior
em troca da garfada no bolso dos brasileiros: a necessidade de
melhorar o precário setor da saúde pública,
algo que seria possível apenas com a presença de
uma nova fonte de recursos.
Por enquanto,
porém, os senadores se mostram mais sensíveis
a outro tipo de discurso, mais eleitoral. Eles preferem elevar
os gastos da União com a saúde pública,
sem a contrapartida de criar impostos para bancar a conta.
Conta que,
a princípio, não fecha. O risco é tudo
ficar como está. O Congresso fingir que aprova mais recursos
para a saúde. O governo sem cumprir por alegar falta de
verba. E o brasileiro seguir seu destino de sofrer nas filas
de atendimento dos hospitais públicos.
Tudo indica
que o destino da regulamentação da
emenda 29, que define os gastos com a área da saúde,
será dormir nas gavetas do Senado até que o clima
político se torne mais favorável.
Agência Câmara de Notícias
Frente
Parlamentar promove na terça ato em defesa da
Emenda 29
Manifestantes
entregarão flores aos congressistas e à presidente
Dilma nesta terça. Ação é parte da
Primavera da Saúde em favor da Emenda 29, que regulamenta
o repasse de verbas para o setor.
A Frente
Parlamentar da Saúde realiza nesta terça-feira
(27) um ato público em Brasília em que serão
entregues flores a todos os congressistas , em especial aos senadores,
e também à presidente Dilma Rousseff. O dia 27 é considerado
o Dia D da chamada Primavera da Saúde, que engloba uma
série de eventos em torno da regulamentação
da Emenda 29 e da aprovação de mais recursos para
a saúde. O ato desta terça está mantido
mesmo com a antecipação da votação
do projeto (PLP 306/08) que regulamenta a Emenda no dia 21.
A Câmara aprovou a regulamentação da Emenda
29, mas reprovou a criação de um novo imposto para
financiar a saúde. No dia 19, havia sido realizado um
twittaço chamando os internautas para os atos da primavera
da saúde e na terça-feira (20) os deputados se
reuniram em comissão geral para discutir os pontos e esclarecer
dúvidas sobre o texto da regulamentação
da Emenda 29 e sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o
Conselheiro Nacional de Saúde de Santa Catarina
Ronald Freitas, o objetivo da Primavera da Saúde é “aglutinar
amplas forças da sociedade brasileira na direção
da regulamentação da Emenda 29”.
Para que
a pauta não seja desvirtuada pelas alterações
a que o projeto está sujeito no Congresso Nacional, o
movimento construiu quatro pontos unificadores que caracterizam
a Emenda 29: ampliação dos recursos públicos
para a saúde; responsabilização tripartite
(União, estados e municípios) do financiamento
do setor; vinculação das receitas para saúde
e definição do que são ações
e serviços de saúde.
O Conselheiro
Ronald Freitas lembra que, como agora caberá ao
Senado rejeitar ou aprovar o projeto da Câmara e, o papel
do Conselho “será fundamental para pressionar a
decisão dos senadores e da presidenta Dilma de forma a
garantir mais recursos para a saúde, contribuindo para
diminuir a enorme desigualdade que vemos no setor”.
Íntegra
da proposta:
PLP-306/2008
Folha
de São
Paulo
Caça-remédio
Por Mônica
Bergamo
A Secretaria
Estadual da Saúde de SP aplicou multas no
total de R$ 630 mil em agosto para empresas que descumpriram
os prazos de entrega de medicamentos para a rede pública.
Foram 117 autuações a 20 laboratórios e
distribuidores.
Em falta
O maior número de multas, segundo levantamento da pasta,
foi recebido pela distribuidora Expressa: 24, totalizando R$
R$ 41.490. A empresa diz ter localizado apenas três publicações
de infrações no "Diário Oficial".
Afirma que os atrasos ocorrem pela lentidão dos laboratórios
em fornecer os produtos para a distribuição.
O
Estado de São
Paulo
População de Marília enfrenta caos na saúde
Por Sandro
Villar, especial para o Estado de São Paulo
Depois de
quase oito meses da greve dos médicos do serviço
municipal de saúde, a situação é de
caos nos 33 postos do Programa de Saúde da Família
(PSF) de Marília, no interior paulista.
Cerca de
30 mil consultas foram canceladas desde fevereiro, quando 32
dos 37 médicos do PSF cruzaram os braços
por melhores salários e condições de trabalho.
O atendimento aos pacientes é precário e falta
até papel higiênico. "As unidades recebem um
pacote de papel higiênico por mês e há dias
que o produto está em falta", diz Astrid Jircik,
de 31 anos, médica especializada em saúde da família
e membro da comissão de negociação.
"As consultas estão prejudicadas. Hipertensos, diabéticos
e crianças são os que mais sofrem. Nós fazemos
o possível para garantir o atendimento precário",
afirma Astrid. Segundo ela, os grevistas trabalham meio período
para garantir atendimento.
Ela culpa
o governo municipal pelo caos e por não querer
acordo. "Eles (a prefeitura) alegam que não têm
dinheiro, não têm condições de dar
aumento. Se derem para nós, vão ter que dar para
todo o funcionalismo." Os médicos recebem RS 7,5
mil, mas querem equiparação salarial com colegas
da região que ganham entre R$ 9 mil e R$ 14 mil.
Dos 32 médicos que iniciaram a greve, 1 voltou a trabalhar
o período normal, 16 estão cumprindo metade da
carga horária e 15 pediram demissão. Para substituir
os demissionários, a prefeitura contratou dez profissionais. "É insuficiente.
Dentistas e enfermeiros também estão saindo",
afirma a médica.
A greve completará oito meses em 7 de outubro, mês
em que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas julgará o
movimento pela segunda vez.
Procurado
pelo Estado, o secretário municipal de Saúde
de Marília, Júlio César Zorzetto, afirmou: "Eu
estou em Fortaleza, estou de férias, só falo (da
greve) na semana que vem".
Folha
de São
Paulo
No ritmo
Médicos usam técnica menos invasiva, sem abertura
do tórax, para implantar um marcapasso em bebê com
um dia de vida
Por Débora Mismetti, editora-assistente de saúde
Brayan Alves
Farias, de sete meses, começou sua vida
em sério risco. Enquanto ele ainda estava no útero,
um ultrassom revelou que seu coração tinha um bloqueio
elétrico, isto é, batia muito mais devagar (60
batimentos por minuto) do que o ideal (cerca de 120 bpm).
"Isso poderia levar ao aborto ou à insuficiência
cardíaca, que causa inchaço nos órgãos.
O fígado e o coração já estavam aumentados",
diz o cardiologista José Carlos Pachón, do Hospital
do Coração, onde Brayan nasceu.
A solução foi colocar um marcapasso, que vai regular
os batimentos cardíacos do menino por toda sua vida.
Pachón, seu irmão Enrique Pachón e sua
equipe desenvolveram um método menos invasivo de colocação
de marcapasso em crianças, sem necessidade de cortar e
afastar as costelas para instalar os fios do aparelho.
Em vez disso,
o eletrodo é passado por uma veia abaixo
do ombro até o coração, onde é parafusado.
O outro lado
do fio fica embaixo da pele e vai até o
aparelho, que é colocado embaixo do músculo, no
abdome. É neste local onde é feito o maior corte
necessário para esse procedimento.
"Em crianças com menos de 12 kg que precisam de
marcapasso, a rotina é a abertura do tórax, uma
cirurgia traumática. Nossa técnica é minimamente
invasiva", afirma o José Carlos Pachón.
Para durar
Um marcapasso é trocado, em geral, a cada oito anos.
Em crianças, são cinco anos, porque o aparelho
tem de bater mais vezes por minuto.
A colocação em bebês tem um desafio a mais
porque eles crescem muito rápido, o que vai deixando os
fios "curtos" demais. Para evitar novas intervenções
por causa disso, os cirurgiões deixam sobras de fio enrolado
dentro do corpo do bebê. À medida que ele cresce,
o fio se solta.
A manutenção do marcapasso é feita de seis
em seis meses. A primeira consulta de Brayan foi na quinta passada. "Ele é lindo,
saudável e nem dá para perceber que tem marcapasso",
diz a mãe, Antonia Alves Pedrosa, 34.
Ela soube
na gravidez que tinha lúpus. Mulheres com a
doença autoimune têm 7% de risco de gerar bebês
com bloqueio elétrico no coração. Sem marcapasso,
só 11% das crianças com o problema, que atinge
um em 20 mil bebês, chegam à vida adulta.
29 de Setembro – Data marca o Dia Mundial do Coração
Na quinta-feira,
a Federação Mundial do Coração
celebra a data da conscientização sobre doenças
cardíacas. No Brasil, a Sociedade de Cardiologia marcou
as comemorações para o dia 30. Até o dia
29, reportagens sobre prevenção e tratamento serão
publicadas em Saúde e na Folha.com.
O
Estado de São
Paulo
Técnica que retira sedação por 1 hora reduz
riscos e tempo de internação
Por Fernanda Bassette
Retirar durante
pelo menos uma hora por dia a sedação
do paciente que está internado em uma unidade de terapia
intensiva (UTI) reduz os casos de infecção e pneumonia.
Consequentemente, a técnica - chamada de despertar diário
- é capaz de diminuir tanto o tempo de internação
do doente quanto o risco de morte.
Médicos americanos foram os primeiros a observar os benefícios:
os pacientes ficavam menos agitados; a dose de sedativo a ser
aplicada novamente era menor; e havia menos registros de casos
de confusão mental (tecnicamente chamados de delirium)
associados ao uso prolongado de sedativos, em especial os benzodiazepínicos.
"O despertar diário é uma intervenção
sem custo adicional que só traz benefícios",
diz Guilherme Schettino, gerente de pacientes críticos
do Hospital Sírio-Libanês. A técnica é usada
como rotina em hospitais como Beneficência Portuguesa,
Albert Einstein, Sírio, Santa Casa e Copa d'Or. Mas, ainda
assim, é pouco difundida, segundo o médico intensivista
Ederlon Rezende, presidente da Associação de Medicina
Intensiva Brasileira (Amib).
"O despertar diário é uma recomendação
da Amib e muitos centros já fazem. Mas ainda estamos caminhando
para mudar a mentalidade geral sobre sedação em
UTIs e para que isso se torne, de fato, rotina", diz.
Um estudo
coordenado por Jorge Salluh, professor de pós-graduação
na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comprovou o
fato. No trabalho, 1.015 médicos intensivistas responderam
sobre seu hábito em relação à sedação
em UTI. Apenas 1 em cada 4 realizava o despertar diário
dos pacientes.
Para Salluh,
a técnica é subutilizada por falta
de equipe. "A retirada da sedação exige uma
capacidade extra do hospital para monitorar adequadamente o paciente,
que pode acordar agitado, confuso. O despertar é absolutamente
seguro, desde que a vigilância seja adequada."
"O despertar tem um impacto direto na redução
da mortalidade. Usar essa técnica como rotina vai ao encontro
das evidências atuais de melhor atendimento", afirma
Rezende.
Confusão mental. Os episódios de delirium afetam
pelo menos um terço dos pacientes internados em UTIs. É o
que mostra um estudo coordenado pelo Brasil, com 975 pacientes
de 104 unidades de terapia intensiva de 11 países da América
Latina.
O delirium é uma alteração neurológica
aguda caracterizada por momentos em que o paciente não
articula suas ideias: tem quadros de hiperatividade (quer pular
da cama, fica ansioso), alucinações (enxerga animais)
e confusão mental (tem dificuldade de manter um relato
num cronograma factível).
Segundo Salluh,
responsável pelo estudo, o paciente que
sofre delirium fica mais tempo na UTI e tem três vezes
mais risco de morte. O uso de sedativos é um dos fatores
de risco.
Os dados
foram comprovados em um outro estudo feito com 250 pacientes
da UTI do Sírio-Libanês. "Quanto
mais grave o paciente, maior a chance de desenvolver delirium.
E a presença desta condição esteve associada
com maior tempo de internação na UTI", diz
Schettino.
'Ele passou
a sorrir mais. A internação fica mais
humana'
A servidora
pública aposentada Olga Maria Novaes de Benedetto
Hatchikian, de 60 anos, percebeu a evolução do
quadro clínico do pai graças ao despertar diário.
No Hospital Beneficência Portuguesa desde 26 de agosto
por causa de uma infecção pulmonar, o aposentado
Milton de Benedicto, de 87, ficou 26 dias na UTI, onde teve de
ser entubado.
O hospital,
que tem 33 leitos de UTI neurológica, adota
a técnica como rotina há um ano, sempre antes do
horário de visita.
"Era triste ver meu pai entubado, sempre completamente
sedado. Percebi a mudança quando passaram a tirar a sedação
uma horinha por dia." Segundo Olga, nos primeiros dias Milton
ficava sonolento, mas depois passou a ter mais disposição
e atenção.
"A diferença é visível, a fisionomia
sem a sedação é outra, os dedos ficam relaxados.
E ele passou a sorrir mais. A internação fica mais
humana", diz. / F.B.
Época
Culpe
seu cérebro
Um
novo estudo sugere que, nos obesos, ele está programado
para tornar a comida mais atraente
Por Alexandre de Melo
Agora é científico. O mesmo sanduíche,
recheado com um suculento pedaço de picanha, envolto em
uma generosa fatia de queijo derretido, é mesmo mais apetitoso
para uma pessoa com quilos a mais na balança do que para
um magro. E a culpa, aponta uma nova pesquisa, é do cérebro
dos gordinhos. Ele estaria programado para cobiçar mais
do que o cérebro dos magros os alimentos altamente calóricos,
como hambúrguer, batata frita e biscoito.
A evidência veio de pesquisadores da Universidade Yale,
nos Estados Unidos, uma das mais prestigiadas do mundo. A equipe
liderada pela bioquímica Kathleen Page e pela psiquiatra
Dongju Seo comparou o funcionamento do cérebro de cinco
obesos e de nove magros. Enquanto eles eram submetidos a um exame
de ressonância magnética, que mapeia as áreas
do cérebro em ação, os voluntários
observavam uma sequência de imagens de comidas gordurosas.
A pesquisa
mostra que os magros pensam na comida de maneira racional.
Os obesos,
de forma impulsiva O exame foi repetido
algumas vezes. Quando magros e obesos estavam com fome de verdade,
porque fazia tempo que tinham se alimentado, o cérebro
de ambos indicava o mesmo padrão de ativação.
As áreas mais acionadas eram do sistema límbico,
encarregado pela sensação de prazer quando conseguimos
algo que desejamos. A explicação é evolutiva:
fomos programados para sentir prazer quando saciamos a fome – uma
forma de evitar morrer de fome.
Quando os
pesquisadores injetaram glicose nos voluntários
para simular no organismo o efeito de saciedade após uma
refeição, o padrão de ativação
cerebral mudou. Nos magros foram acionadas regiões do
córtex pré-frontal, responsável por tarefas
racionais, como planejar atividades e tomar decisões,
como “comer ou não comer?”. Nos obesos, a área
racional foi menos ativada. “Isso significa que o cérebro
dos obesos não consegue controlar o impulso, como faz
o dos magros”, diz a psiquiatra Rajita Sinha, uma das autoras
da pesquisa.
O estudo,
publicado na semana passada no periódico científico
The Journal of Clinical Investigation, precisará ser replicado
por outros cientistas. “O estudo pode trazer novas formas
de abordar o problema”, afirma o endocrinologista carioca
Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional
para o Estudo da Obesidade. Por ora, o estudo ajuda a esclarecer
que o desafio de emagrecer não decorre apenas de falta
de vontade, como diz o senso comum.
Correio Braziliense
Os riscos das mamadeiras
A decisão da Anvisa de proibir a produção
e a venda de utensílios que tenham a substância
bisfenol A em sua composição chamou a atenção
para a necessidade de os pais avaliarem com mais critério
os objetos que substituem a amamentação
Por Carolina Vicentin
Mães morrem de tristeza ao deixar os filhos em casa depois
do término da licença-maternidade. Começa
aí uma longa fase de adaptação, que inclui,
entre outras coisas, a introdução da amamentação
artificial. E a grande estrela desse processo é a mamadeira.
Embora os médicos tenham algumas restrições
ao uso do utensílio, ele se transforma na única
alternativa para muitas famílias, que precisam substituir
o peito materno sem trazer prejuízos ao desenvolvimento
da criança. O Correio conversou com especialistas para
esclarecer quais são os cuidados necessários à adoção
desse produto. Com cautela na hora de comprar e higienizar o
objeto e atenção às reações
do bebê, a mamadeira pode se tornar uma aliada dos pais
quando chega o momento de a amamentação ser substituída.
Os pediatras
têm uma série de razões para
querer limitar o uso da mamadeira. A primeira delas diz respeito à valorização
do leite materno, alimento único e essencial para crianças
até os seis meses. A preferência pela amamentação
também se justifica pelo exercício que o bebê faz
ao sugar o peito da mãe (veja infografia). “Esse
processo exige um posicionamento correto da boca contra o seio,
estimulando a força e a respiração. Com
a mamadeira, esse movimento é muito mais passivo e exige
menos esforço do menino ou da menina”, aponta Aramis
Lopes Neto, presidente do Departamento Científico de Segurança
da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de
Pediatria (SBP).
Como consequência, o bebê pode não preparar
os músculos da língua e da boca para funções
que surgirão mais tarde, como a fala e a mastigação.
Em uma analogia, é como se alguém fosse fazer musculação
usando um peso falso. “A forma de ordenha no peito materno
e na mamadeira é completamente diferente. Se você não
prepara a região, a criança pode sofrer com problemas
de dicção no futuro”, alerta a professora
Zelita Ferreira Guedes, do Departamento de Fonoaudiologia da
Escola Paulista de Medicina. Parte desses riscos foi reduzida
com a chegada de mamadeiras ortodônticas ao mercado, que
imitam o formato do bico do seio da mãe, mais achatado.
São esses modelos que a assistente administrativa Rosana
Kelly de Paula, 37 anos, procura comprar para a filha Maria Alice,
8 meses. Recentemente, ela renovou o estoque do utensílio,
adquirido no exterior. “Além do bico ortodôntico,
algumas marcas prometem acabar com as cólicas. E, comprando
lá fora, o produto sai bem mais barato”, diz. Para
escolher a mamadeira, Kelly se baseia em informações
compartilhadas com outras mães. “O pediatra nunca
aconselha, então a gente acaba aprendendo com quem já passou
por isso”, conta. “Eu sou a favor da amamentação,
mas, depois que voltei a trabalhar, não consegui tirar
leite suficiente.”
A economista
Ginne Siqueira, 36 anos, também procurou
se informar sobre as marcas de mamadeira quando a filha, Luisa,
2, era menor. “Na época, eu gastava muito dinheiro
com isso. Para repor o bico, eram R$ 7 e, quando ela começou
a ter dentinhos, ia quase um por semana”, lembra Ginne.
Hoje, a menina continua tomando leite de manhã e à noite,
mas em utensílios mais baratos, comprados no supermercado. “Os
pediatras não gostam de falar muito sobre isso, então
a gente fica meio solta, decidindo sozinha sobra a compra da
mamadeira”, reclama.
Perigo
Nessa busca
empírica das mães, o principal risco
ocorre quando elas tentam “facilitar” a vida do bebê,
aumentando a circunferência do canal por onde o líquido
passa. “O bico jamais deve ser cortado ou alargado. Para
verificar se está tudo certo, vire o utensílio
de cabeça para baixo e observe se o leite apenas goteja.
Ele não deve jorrar”, aconselha a professora Zelita
Guedes. Além disso, os pais precisam ficar atentos aos
tipos de alimentos que as crianças estão ingerindo.
Muita gente serve mingau e outros líquidos mais grossos
na mamadeira, o que é errado. “Se o menino ou a
menina já tem condições de comer essas coisas,
isso deve ir para o pratinho com colher”, detalha a fonoaudióloga. “A
mamadeira tem um período de uso muito pequeno, até por
volta de 1 ano e 6 mese s. Depois disso, a criança deve
começar a usar o copo.”
Outro cuidado
que os pais precisam ter é com a parte
de baixo da mamadeira. Na semana passada, a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) editou uma resolução
que proíbe a produção e a comercialização
de copos do objeto produzidos com bisfenol A, uma substância
tóxica que, em tese, poderia ser liberada para os alimentos.
A medida, já adotada em locais como o Canadá, a
Austrália e a União Europeia, tem como base um
estudo científico internacional divulgado em 2010. Nele,
pesquisadores norte-americanos apontaram que o bisfenol causou
danos neurológicos ao organismo de camundongos. “Ainda
não está claro como isso acontece, então
os países proibiram a substância por precaução.
Crianças até 2 anos são um público
muito vulnerá vel, mas outros estudos ainda vão
confirmar os riscos”, esclarece a gerente geral de alimentos
da Anvisa, Denise Rezende.
Para evitar
problemas, as fabricantes brasileiras já estão
substituindo o policarbonato das mamadeiras (que contém
o bisfenol) pelo polipropileno, um material semelhante, mas de
aparência mais opaca. “O bisfenol está presente
em boa parte dos plásticos transparentes rígidos.
Nós convivemos com isso o tempo todo, em galões
de 20 litros de água, por exemplo”, diz Marcelo
Santos, químico da Universidade de Brasília. “Ele
não tem uma toxicidade imediata, mas a grande questão é que
crianças pequenas ainda estão formando sua imunidade”,
lembra o especialista. Segundo a Associação Brasileira
de Produtos Infantis (Abrapur), as empresas pararam de produzir
mamadeiras com bisfenol desde outubro do ano passado. O problema é que
ainda há 5 milhões de unidades “à moda
antiga” no mercado (veja Para saber mais).
Enquanto
esses produtos ainda permanecem nas prateleiras, muitas mães procuram evitar o risco comprando mamadeiras importadas. “A
gente sempre compra um utensílio fabricado no exterior,
porque, no Brasil, não sabemos quais marcas possuem o
bisfenol”, conta a gerente Gisele Mota, 31 anos, mãe
de Maria Eduarda, 8 meses. “Procuro o plástico que
não tem policarbonato, pois fico mais tranquila”,
completa.
Sinal
de saúde?
A substituição precoce do aleitamento materno
pelo artificial pode acabar trazendo aos pais uma espécie
de alívio em relação à evolução
nutricional do bebê. Isso porque o leite de vaca, geralmente
adotado nessa fase, tem mais gordura. “A criança
acaba ganhando peso, o que deixa a mãe mais tranquila. É preciso
lembrar, porém, que o líquido animal não
possui os mesmos nutrientes que o leite materno”, ressalta
a fonoaudióloga Zelita Guedes.
Briga sem fim
Se, de um
lado, a Anvisa argumenta que a medida contra o bisfenol é apenas
preventiva, do outro, a indústria de mamadeiras reclama
que a decisão foi arbitrária. O presidente da Associação
Brasileira de Produtos Infantis (Abrapur), Synésio Batista
da Costa, afirma que a vigilância sanitária não
dialogou com os fabricantes, que já teriam se antecipado à recomendação. “Cem
por cento da fabricação migrou para o novo material
(o polipropileno) em setembro do ano passado. Acontece que eu
tenho cinco anos de estoque de mamadeiras no mercado e, de uma
hora para a outra, as empresas que as produziram serão
vistas como fraudadoras, tudo por causa de uma reunião
da diretoria da Anvisa”, acusa.
Além disso, Synésio da Costa argumenta que a liberação
do bisfenol só ocorre em temperaturas muito altas — superiores
a 900°C. “Nenhuma mãe jamais conseguirá ferver
o leite desse modo, ainda mais em um fogão ou micro-ondas
comum”, diz. A Anvisa deu prazo para que as empresas retirassem
as mamadeiras antigas das lojas até 31 de dezembro. “Nosso
prazo seria de três anos, pelo menos. Me diga: como eu
vou recolher esse material? Quem vai retornar os tributos que
o lojista pagou?”, questiona o presidente da Abrapur.
Domingo, 25.09.11
O
Estado de São
Paulo
A
saúde
doente
A penalização dos hospitais públicos por
uma política vesga ao primado da vida e ao direito coletivo à assistência
médica e hospitalar, perfeitamente possível, degrada
a disponibilidade desses serviços
Por José de
Souza Martins
O boicote
dos médicos a vários planos de saúde,
que lhes pagam pelas consultas menos do que recomenda o índice
de inflação, indica, antes de tudo, que é outra
a saúde que vai mal: a da economia brasileira. A inflação
crescente e preocupante, em vista de gastos perdulários
e imprudentes dos três poderes, assombra os que vivem de
salário e temem o pior: serem lesados no desencontro de
reajustes entre os ganhos dos que lucram com a medicina e os
dos que nela trabalham.
A reclamação dos médicos no fundo é um
termômetro da saúde da economia. Dados exibidos
em sua greve anterior, de abril, mostravam que o faturamento
anual dos planos médico-hospitalares, entre 2003 e 2009
mais que dobrou: subiu 129%. Em contrapartida, o preço
médio pago por consulta médica teve um reajuste
de apenas 44%. Neste ano, denunciam os médicos, ainda
há operadoras de companhias de seguros que pagam R$ 20
por consulta médica, dois cartuchos de pipoca numa rede
de cinemas de São Paulo. Não sei se há muita
gente disposta a medir o valor de sua saúde e de sua vida
por esses parâmetros.
Entre 2000
e 2010, o índice de elevação
dos preços ao consumidor foi de 106,33%, enquanto a Agência
Nacional de Saúde autorizou aumentos que somaram 132,97%
nos planos individuais e familiares de saúde. Esses aumentos
se tornaram brutalmente descompassados entre 2004 e 2007, os
segurados pagando pelo seguro-saúde muito mais do que
a inflação de cada ano. No fim das contas, o governo
impôs aos segurados a elevação do preço
do seguro-saúde, mas os ganhos adicionais foram para as
empresas de seguro e não para o reajuste do atendimento
médico.
Há no Brasil 46 milhões de segurados, 46 milhões
de brasileiros transferidos para a medicina privada, aliviando,
portanto, os custos da medicina pública que deveria assisti-los.
O que praticamente indica um comprometimento do ideal de termos
uma medicina social adequada ao tamanho e às carências
do País. O primado do lucro na questão da saúde
privada revela sua irracionalidade no boicote destes dias, o
segundo do ano, em face da inflação que cresce
e do desgaste do valor de salários e ganhos dos que vivem
de seu trabalho profissional. A previsão da Comissão
Nacional de Saúde Suplementar é a de que os planos
de saúde devem faturar mais de R$ 70 bilhões em
2011.
Pesquisa
realizada pelo DataFolha, mostrou que 92% dos médicos
da amostra já sofreram interferência dos planos
de saúde em sua autonomia profissional, muitos deles no
sentido de desestimular internações hospitalares,
procedimentos e prescrição de medicamentos de alto
custo. Portanto, os agentes do economismo que invadiu a prática
médica, em nome dos interesses das seguradoras, transformaram-se
em substitutos do médico sem que seus critérios
tenham passado pelos rigores dos exames que comprovam quem está ou
não habilitado para o exercício da medicina.
Curiosamente,
a hostilidade até frequente contra médicos,
enfermeiros e atendentes que se pode observar em hospitais públicos,
dos que reclamam a prontidão que alegam haver na medicina
privada, não alcança essas anomalias em hospitais
particulares. Uma insidiosa e postiça indisposição
contra os hospitais públicos deforma a avaliação
popular dos verdadeiros problemas que nos hospitais públicos
há, que são os do menosprezo pela saúde
pública no rateio dos recursos do governo. No fim, nessa
sovinice indevida, o governo se torna propagandista e corretor
das companhias de seguros.
A arquitetura
organizacional do SUS, no que respeita à medicina
pública, é boa, bem pensada, otimiza a infraestrutura
disponível. A grande questão é a insuficiência
de médicos, de enfermeiros e de hospitais. O próprio
estabelecimento de critérios de precedência e prioridade
no atendimento já indica que estamos em face de muita
gente para pouca e geralmente boa medicina. Marcar uma consulta
pode levar meses. E fazer um exame solicitado pelo médico
pode levar outros tantos meses. Sem contar que, depois disso,
marcar e conseguir o retorno pode tomar mais meses ainda. De
modo que, entre a hipótese inicial de diagnóstico
e o retorno ao médico, para verificação
dos resultados e recomendação do tratamento, pode
decorrer longo tempo. Cabe, em certos casos, pergun tar se o
tempo decorrido e a evolução natural da enfermidade
não invalidam o diagnóstico, além de invalidar
o tratamento eventualmente recomendado depois de tanto tempo.
Há medicina de primeiro mundo também em hospitais
públicos, talvez mais neles do que na maioria dos hospitais
particulares para quem depende de seguro-saúde, sobretudo
em face das interferências indicadas na pesquisa do DataFolha.
Entretanto, a penalização dos hospitais públicos
por uma política vesga ao primado da vida e ao direito
coletivo à assistência médica e hospitalar,
que é perfeitamente possível entre nós,
nos coloca num estágio retrógrado da disponibilidade
desses serviços. Até Cuba, que é muito mais
pobre do que nós, não descura caráter social
da medicina a todos acessível.
O Globo
Promessa
de distribuir remédios foi cumprida
Por Chico de Gois e Catarina Alencastro
Outros programas
também já saíram do papel,
como o Brasil Sem Miséria e nas áreas de educação
e fronteiras
Brasília. Passado o primeiro mês de governo, a
presidente Dilma Rousseff pôs em prática uma de
suas inúmeras promessas de campanha: a distribuição
gratuita de remédios contra hipertensão e diabetes.
Foi uma solenidade de pompa, com direito a campanha publicitária
do governo na TV, posteriormente. A primeira medida anunciada
por Dilma, porém, foi feita no impacto da surpresa: a
tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio a
obrigou a visitar o local e anunciar que o governo construiria
seis mil casas para desabrigados.
Ciosa por
manter em sigilo programas que ainda não estejam
totalmente definidos para lançamento, Dilma se traiu de
início. Em fevereiro, por exemplo, declarou que, três
meses depois, lançaria o Programa Nacional de Acesso à Escola
Técnica, o Pronatec. Se fosse um ministro que tivesse
incorrido na falta, a bronca seria certa. Aliás, foi na área
de educação onde Dilma mais apareceu nesses primeiros
nove meses de governo.
Além do Pronatec, lançou o programa para construção
e cobertura de quadras - que ainda está com execução
baixa -, fez cerimônias para assinatura de convênios
para a construção de creches, e prestigiou um seminário
do Ministério da Educação para discutir
o sistema de compras. O ministro da Educação, Fernando
Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São
Paulo, lucrou politicamente com a participação
da chefe.
A erradicação da miséria, a principal proposta
de sua campanha, também foi colocada em prática.
Antes mesmo de o programa ser efetivado, o slogan do governo
já havia se adaptado ao rumo que Dilma quer para seu mandato:
País Rico é País sem Pobreza. O Brasil sem
Miséria foi lançado em junho e tem sido tema dos
discursos que a presidente faz rotineiramente, além de
reuniões cotidianas com integrantes de vários ministérios.
Dilma também conseguiu pôr em pé outra proposta
sua, que foi tema de intensos debates durante o período
eleitoral: maior proteção às fronteiras.
Os ministérios da Justiça e da Defesa se uniram
para traçar uma estratégia comum e tentar evitar
o tráfico e contrabando nas regiões. Os resultados
ainda são tímidos.
Algumas ações da presidente, neste início
de mandato, foram apenas continuidade do que já vinha
sendo desenvolvido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. Em junho, ela lançou a segunda etapa do Minha
Casa Minha Vida. O mesmo aconteceu com os centros regionais de
referência dentro do Programa Nacional de Combate ao Crack,
que já havia sido colocado em prática no governo
Lula.
Correio Braziliense
O
coração
agradece
Governo divulga
medidas para melhorar o atendimento e diminuir mortes por infarto
no
país. Dieta equilibrada, atividades
físicas e exames preventivos ajudam a reduzir riscos
Belo Horizonte – O coração pede socorro.
As doenças coronarianas continuam a ser a segunda causa
de morte no Brasil, atrás apenas dos acidentes vasculares
cerebrais (AVC). O infarto, responsável pelo maior índice
de mortalidade, tirou a vida de 76.359 brasileiros em 2009.
Governo divulga
medidas para melhorar o atendimento e diminuir mortes por infarto
no
país. Dieta equilibrada, atividades
físicas e exames preventivos ajudam a reduzir riscos
Belo Horizonte – O coração pede socorro.
As doenças coronarianas continuam a ser a segunda causa
de morte no Brasil, atrás apenas dos acidentes vasculares
cerebrais (AVC). O infarto, responsável pelo maior índice
de mortalidade, tirou a vida de 76.359 brasileiros em 2009.
No Dia Mundial
do Coração, comemorado hoje, o
diretor da Sociedade Mineira de Cardiologia (SMC), Evandro Guimarães,
alerta: “Não adianta nada o Ministério da
Saúde agir se você não fizer a sua parte.
A mudança de hábitos tem que começar dentro
de casa”.
O cardiologista
sugere, por exemplo, limitar o tempo gasto na frente da televisão e do computador para, no máximo,
duas horas por dia. A ideia é que isso permita às
pessoas aproveitarem os horários livres para andar de
bicicleta, jogar peteca, cuidar do jardim ou simplesmente caminhar,
nem que seja até a padaria e o supermercado. “O
importante é sair da inércia. Está bem definido
que a atividade física reduz a mortalidade cardiovascular,
melhora o colesterol, diminui os níveis de pressão
arterial e proporciona bem-estar”, afirma Guimarães.
Outra orientação é repensar os hábitos
alimentares. Guimarães defende que os brasileiros devem
seguir uma dieta saudável como a mediterrânea, baseada
no consumo de massas, azeite, frutas, verduras e legumes, que
comprovadamente reduz em 15% a chance de ter algum problema cardiovascular. É indicado,
portanto, eliminar do cardápio a maior quantidade possível
de gordura, até para não sofrer com excesso de
peso, que também pode fazer o coração adoecer.
O diretor
da SMC lembra, no entanto, que os fumantes precisam ir além. Não vai resolver nada a atividade física
e a alimentação balanceada se o paciente continuar
consumindo um maço de cigarro por dia. O tabagismo é e
sempre será um dos principais inimigos do coração. “Se
você fuma dois cigarros por dia, aumenta em 40% o risco
de ter um infarto”, diz.
Tão importante quanto a mudança de vida é a
avaliação cardiológica regular para medir
pressão arterial, colesterol, glicemia, cintura abdominal
e índice de massa corpórea (IMC). São exames
simples que podem evitar o pior. “É muito comum
receber no consultório um paciente de 50 anos que não
sabia que era diabético. Às vezes, ele tinha a
doença há mais de 10 anos e não sentia nada”,
comenta o cardiologista. Como os brasileiros estão sofrendo
infartos cada vez mais cedo, em parte por causa da vida agitada
que levam, é bom procurar um especialista o quanto antes.
Para cuidar
do coração, Guimarães reforça
que é preciso ter força de vontade. Em um ano,
o paciente pode não perceber os benefícios, mas
a longo prazo o coração vai agradecer o esforço. “Se
você reduzir seu peso, fizer atividade física e
tiver uma alimentação saudável, vai conseguir
viver mais e melhor. Além disso, vai depender menos da
saúde pública, porque não vai precisar visitar
o médico com tanta frequência nem vai tomar medicação.
Isso é ter qualidade de vida.”
Sinal de alerta
Estava anunciado
que, cedo ou tarde, o coração
do analista de sistemas Beethoven Souza, 51 anos, daria sinais
de que não funcionava bem. Mesmo sabendo que tinha risco
de desenvolver uma doença coronária, pois sua mãe
havia tido um infarte, ele não se preocupava com a saúde.
Estava acima do peso, não se exercitava e comia de tudo.
Só o cigarro havia conseguido abandonar. Até que,
em 2006, ao sentir uma dor no peito, Beethoven descobriu que
uma artéria do coração estava obstruída
e recebeu o diagnóstico de angina.
No dia seguinte,
outra surpresa. Na consulta com o cardiologista, o analista
de sistemas
soube que estava com colesterol, glicemia
e pressão arterial alterados. Com os exames em mãos,
Beethoven percebeu que era a hora de se cuidar. “Fui do
consultório até em casa para a ficha cair. Quando
cheguei, disse para a minha mulher: ‘Vou mudar de vida’.
Era o que tinha que fazer, se quisesse continuar vivo”,
relembra.
Antes mesmo
de passar pela angioplastia, o analista de sistemas revolucionou
a alimentação. “Comia tudo o
que via. Era feijoada, caldo de mocotó, picanha na chapa.
Lanchava todo dia coxinha, quibe ou pastel. Hoje, aprecio mais
frango, peixe; carne vermelha, muito pouco”, diz. Beethoven
agora leva verduras e legumes para o trabalho e prepara a salada
na hora. No lanche, só frutas. Prefere passar longe da
lanchonete. Resolveu fazer caminhada todos os dias na hora do
almoço e conseguiu perder 15 quilos. Da angina, só restou
o remédio para hipertensão.
Morte
súbita
O infarto é a doença cardiovascular que mais preocupa,
porque é uma das maiores causas de mortes súbitas.
Ocorre quando o entupimento da artéria gera uma arritmia
cardíaca grave e irreversível. A doença
também pode fazer o paciente desenvolver insuficiência
cardíaca. Se a área do infarte for muito grande,
a perda muscular será tão extensa que o coração
perderá a capacidade de bombear o sangue. São pessoas
que poderão, no futuro, ter indicação de
um transplante cardíaco.
Folha
de São
Paulo
Entrevista
/ Semana do Coração: Caldwell Esselstyn
Só dieta à base de vegetais reverte doenças
cardíacas
Cirurgião americano defende alimentação
mais restrita do que a vegana, excluindo até azeite, para
proteger o coração
Por Débora Mismetti, editora-assistente de saúde
Diga adeus
a bifes, peixes, arroz branco e açúcar.
Farinha e grãos, só integrais. Azeite de oliva,
nem pensar.
Para o cirurgião americano Caldwell Esselstyn, 77, uma
alimentação baseada em folhas, frutas, legumes
e grãos integrais é o único jeito de evitar,
deter e reverter doenças cardiovasculares.
Seu método, que vem sendo aperfeiçoado nos últimos
30 anos, é o tema do documentário "Forks over
Knives" (trocadilho que quer dizer tanto "garfos sobre
facas" quanto "garfos no lugar de bisturis"),
lançado nos EUA e ainda inédito no Brasil.
O filme conta
a história de pacientes de Esselstyn, médico
da Cleveland Clinic (Ohio). Eles venceram problemas cardíacos
e evitaram cirurgias ao adotar a dieta.
Para o cirurgião, que falou à Folha por telefone,
a dieta extrema não é a que ele propõe,
e sim a adotada pela maioria dos ocidentais. "Ela garante
que milhões de pessoas serão submetidas a cirurgias
de peito aberto. Vamos comer vegetais. É para isso que
fomos criados."
Folha
- O sr. diz que os problemas cardíacos se devem à alimentação.
Não há outros fatores de risco envolvidos, como
genética?
Caldwell
Esselstyn - Se você come a dieta típica
ocidental, cheia de carne, óleo e laticínios, você vai
ver que, entre mil pessoas, algumas terão infarto aos
40, outras aos 50, outras aos 60, 70 ou 80. Você pode dizer
que, geneticamente, quem tem o infarto só aos 80 é mais
forte para resistir a essa dieta extrema. Por outro lado, se
todo mundo comer uma dieta baseada em vegetais, todos são
poupados.
Controlar
os níveis de colesterol não é suficiente?
Ao pensar
só em números, prestamos atenção à coisa
errada. As pessoas tomam remédios para o colesterol mas
ainda querem comer frango frito. O que funciona é o que
entra pela sua boca. Toda vez que você come azeite, óleo,
leite, manteiga, queijo, sorvete, iogurte e carne, você machuca
o delicado revestimento das artérias, o endotélio.
Ele é um tapete mágico que produz uma molécula
incrível chamada óxido nítrico, que é vasodilatadora
e protege a parede dos vasos sanguíneos. Autópsias
de soldados que morreram na Guerra da Coreia e no Vietnã,
dos anos 50 a 70, revelaram que 80% dos jovens de 20 anos já tinham
problemas coronários visíveis. As obstruções
não eram suficientes para causar um infarto, mas es tavam
lá. Hoje, todos os jovens têm isso.
Sua
dieta exclui o azeite de oliva, base da dieta mediterrânea.
Ela está toda errada?
Está errada em recomendar azeite. Em Creta, há 60
anos, as pessoas eram magras, comiam muitos legumes e frutas
e um pouco de azeite. As desvantagens do azeite eram compensadas
pela quantidade de vegetais. Quando você estuda o efeito
do azeite com um teste de ultrassom da artéria braquial
(no braço), que mede os danos ao endotélio, vemos
que o óleo machuca os vasos.
Você chama as cirurgias e angioplastias de soluções
mecânicas para um problema biológico. Esses procedimentos
não adiantam nada?
Eles não chegam a ser soluções. A medicina
tem evoluído no sentido de criar uma lista cara de remédios
e de procedimentos perigosos, como a colocação
de stents ["molas" inseridas em vasos obstruídos]
e pontes de safena. Com o tempo, é preciso colocar outro
stent, fazer outra ponte, tomar mais remédios, e, no fim,
a pessoa morre do coração assim mesmo. Os médicos,
não sei o porquê, passaram a acreditar que as pessoas
não são capazes de mudar seu estilo de vida. Mas
o problema é que eles não sabem como transmitir
essa mensagem. Quando trato alguém com doença cardíaca,
fazemos um curso de cinco horas. O paciente vai entender o que
causou a doença e o que ele deve fazer para revertê-la.
No fim, oferecemos uma refeição à base de
vegetais e uma apresentação de 1h15 sobre como
comprar e preparar alimentos, ler rótulos e lidar com
restaurantes e viagens. A revolução da saúde
nunca vai acontecer por causa da descoberta de um remédio.
Nunca vai ser por causa de um novo procedimento cirúrgico.
A revolução vai acontecer quando as pessoas estiverem
informadas do ponto de vista nutricional, para evitar as comidas
que vão fazê-las perecer por uma doença.
Qual percentual dos seus pacientes tem melhora?
Quase todos.
Quando começamos o programa, e as pessoas
ainda não sabiam se ia funcionar, 70% se recuperavam.
Agora estamos em 90%. O que torna esse tratamento tão
poderoso é que posso mostrar raios-X de artérias
do nosso primeiro grupo. Os pacientes percebem que, se os outros
conseguiram, eles também vão.
O
sr. diz que moderação mata. Por que não
dá para comer carne com moderação?
Moderação é dizer: qual a quantidade de
um alimento que sei que vai me prejudicar eu posso comer e conseguir
escapar das doenças? Isso é loucura. Quantos bifes
posso comer? Quantas batatas fritas engorduradas? Como assim? É a
mensagem errada.
O sr. acredita que sua dieta pode ser adotada globalmente?
O Brasil
está destruindo a atmosfera e o mundo ao queimar
as florestas que são ótimas para capturar o CO2.
Por quê? Para produzir carne, que vai fazer as pessoas
morrerem cedo e ter vidas miseráveis e infelizes. Se toda
essa área for substituída por vegetais, é possível
produzir muito mais. Vamos comer plantas, é para isso
que fomos criados.
Ex-presidente
Bill Clinton segue o método da
editora-assistente de saúde
O ex-presidente
Bill Clinton, 65, é um dos adeptos da
dieta radical do médico Caldwell Esselstyn.
Depois de
ser submetido a quatro pontes de safena, Clinton adotou as
folhas e os legumes
como base de sua alimentação,
como contou em entrevista à rede CNN. "Eu não
queria que isso [as pontes de safena] acontecesse de novo. Eu
gosto dos legumes que estou comendo agora".
No processo, o ex-presidente perdeu 11 kg.
Essa entrevista
e outros vídeos sobre a dieta estão
no site do documentário "Forks over Knives":
forksoverknives.com/media/videos.
O Globo
Infecção
hospitalar mata mais que Vietnã
Nos últimos dias, a Saúde ganhou espaço
na imprensa com um noticiário emblemático da grave
crise do setor. No Rio de Janeiro, a espantosa e inaceitável
via crucis de um acidentado por cinco unidades da rede pública
encerrou todos os elementos dessa dramática, desumana
situação. No episódio juntaram-se exemplos
do desaparelhamento de hospitais e clínicas, da necessidade
de melhorar o gerenciamento dos órgãos, da leniência
do poder público e do desapreço de maus profissionais
pela situação de pacientes (no caso, um rapaz que,
com politraumatismo, saiu de Duque de Caxias e só conseguiu
ser internado depois de um calvário de sete horas e 80
quilômetros, ouvindo recusas). Na capital fluminense, deu-se
também outro exemplo do caos, com o fechamento do centro
cirúrgico do Hospital Pedro Ernesto, onde moscas invadiram
um espaço por definição asséptico.
Vistos isoladamente,
esses casos poderiam ser atribuídos
apenas a ineficiências do sistema fluminense. Mas a semana
virou com a revelação de outros malfeitos. A Polícia
Federal investiga irregularidades (superfaturamento, licitações
suspeitas e pagamentos sem contratos) em seis hospitais federais
do Rio. E soube-se, por pesquisa da Comissão Nacional
de Biossegurança, que cem mil pessoas morrem por ano no
Brasil por infecção hospitalar. São dados
que nacionalizam inquestionavelmente a tragédia da Saúde.
Neste último caso, imprime-se à desgraça
um viés macabro. A estatística da comissão
mostra que a cada 365 dias morrem quase duas vezes mais brasileiros
em hospitais - por princípio um espaço de preservação
da vida - do que o total de soldados americanos abatidos em batalhas
durante toda a Guerra do Vietnã.
É apavorante o raio X que a pesquisa, divulgada pelo
GLOBO, faz das condições de higiene na rede hospitalar
(pública e privada). Em média, 80% dos hospitais
brasileiros não fazem o controle adequado. Como é falho
o monitoramento pelos órgãos públicos de
fiscalização, chegou-se a este número por
estimativa, o que significa que a dimensão do problema
pode ser maior. Há razões para acreditar que seja.
Afundada numa crise sistêmica, a Saúde coleciona
um infindável histórico de demandas que deveriam
ser enfrentadas com uma política capaz de mudar estruturalmente
o setor. Mas, à exceção de exemplos pontuais,
não é o que se vê país afora. E apenas
piora a situação uma estimativa da Organização
Mundial de Saúde (OMS) segundo a qual infecções
hospitalares atingem 14% dos pacientes internados.
É fato que políticas públicas do país
não são especialmente generosas com o setor. Pode-se
destinar mais recursos à rubrica. Mas, em vez de acabar
com o drama que deixa milhões de brasileiros à margem
do fundamental direito à Saúde, despejar dinheiro
nesse sistema falido, sem tampar os ralos que abastecem a corrupção
e premiam a inépcia, corresponderia a apostar alto num
cavalo manco.
É o que pretendia a base do governo federal (cuja proposta
de ressuscitar a CPMF afundou no Congresso) - avançar
no bolso do contribuinte para custear programas viciados pela
fraude e pela ineficiência, sem mudar radicalmente as formas
de gestão do sistema, sem enfrentar o corporativismo que
protege os maus profissionais e sem adotar uma série de
outras providências essenciais para tirar a Saúde
da UTI.
O
Estado de São
Paulo
Dor
de cabeça crônica afeta 2 milhões de
crianças e adolescentes no Brasil
Por Karina Toledo
Quase 2 milhões de crianças e adolescentes brasileiros
sofrem com dor de cabeça pelo menos dez dias por mês.
Por falta de diagnóstico e tratamento adequado, quase
metade desses jovens acaba fazendo uso abusivo de analgésicos,
o que pode piorar o quadro a longo prazo e trazer outros prejuízos à saúde.
A estimativa
foi feita pelo neurologista Marco Antônio
Arruda, da Sociedade Brasileira de Cefaleia, com base em uma
pesquisa realizada com 6.383 crianças e adolescentes entre
5 e 18 anos.
Mais de 80%
dos entrevistados disseram já ter sentido
dor de cabeça ao menos uma vez, 10% foram diagnosticados
como portadores de cefaleia tensional e 8%, como portadores de
enxaqueca. "Cerca de 2,5% da amostra têm o que chamamos
de cefaleia crônica de alta frequência e, desses,
53% disseram tomar analgésico mais de dez dias por mês. É um
exagero", diz.
O consumo
excessivo de remédios contra a dor faz com
que o corpo pare de produzir substâncias analgésicas
naturais, como endorfinas. Com o tempo, as crises se tornam mais
frequentes e intensas. Além disso, as drogas podem afetar
os rins, fígado, coração e trato digestivo.
Mikael Correa,
de 11 anos, já fez parte dessa estatística.
Aos 7, teve sua primeira crise de enxaqueca. Mas o problema só foi
diagnosticado dois anos mais tarde e, nesse meio tempo, o menino
chegou a ter quatro episódios de dor por semana. Hoje,
graças ao tratamento preventivo, tem, em média,
uma crise por mês.
As dores
de cabeça crônicas estão relacionadas
a um desequilíbrio químico no cérebro, explica
a neurologista Thaís Villa, do setor de cefaleia da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp). "Analgésicos
resolvem a dor aguda, mas, quando o problema é recorrente,
são necessários medicamentos para corrigir esse
desequilíbrio."
O tratamento
de Mikael inclui, além de remédios,
a realização de um diário. "Anoto quando
ele tem crise, quanto tempo durou e tento identificar qual foi
o fator desencadeante para tentar evitá-lo", diz
a mãe do menino, Lucimara Correa, de 35 anos.
Mas a maioria
das crianças e adolescentes que sofrem
de cefaleia crônica não é diagnosticada e
tratada, afirma Arruda. Isso as deixa mais predispostas a sofrer
de distúrbios do sono e problemas de comportamento, como
agressividade ou retraimento.
A pesquisa
coordenada por Arruda mostrou que o risco de ter desempenho
escolar abaixo
da média é 40% maior
entre os que sofrem de dor de cabeça crônica. O índice
de absenteísmo escolar também foi mais alto.
Outro estudo
do grupo da Unifesp revelou que crianças
com enxaqueca têm o funcionamento cognitivo afetado, apresentando
desempenho inferior em testes de atenção, memória
e processamento de informações.
"É um problema de saúde pública e,
mesmo assim, não existem programas para atender crianças
com dor de cabeça no País", diz Arruda.
Alternativas.
Para o clínico geral Alexandre Feldman,
especialista no tema, uma simples mudança no estilo de
vida pode resolver grande parte dos casos. "As crianças
estão dormindo muito tarde, fazendo pouca atividade física
e comendo muitos produtos industrializados. Ao mudar isso você ajuda
o próprio organismo a se livrar da doença",
diz. Feldman aposta ainda em tratamentos naturais como acupuntura
e suplementação com vitaminas e minerais. "Uso
medicamentos apenas em último caso, pois eles também
têm efeitos colaterais."
Quando fatores
emocionais são determinantes para iniciar
a crise, a terapia cognitiva-comportamental pode ser uma aliada. "Isso
ajuda o paciente a ter autocontrole", diz a psicóloga
Luciana Campaner.
Sábado,
24.09.11
O Tempo
Problemas
de saúde
Pelo menos
em um ponto, governo e oposição concordam: é preciso
destinar mais verbas à saúde. As divergências
têm início quando se procura definir de onde virão
esses recursos.
O Brasil é, sabidamente, um país que não
consegue equacionar esse problema. Às voltas com dificuldades
básicas, tais como hospitais em condições
precárias, pagamentos irrisórios a profissionais
da área, insuficiência de medicamentos e, pior,
uma falta de prevenção eficaz de doenças
endêmicas, os efeitos se refletem sobretudo entre as classes
mais pobres, obrigadas a conviver diariamente com as más
condições de atendimento que caracterizam os postos
de saúde. As denúncias feitas pela mídia
em relação a essas falhas parecem não comover
muito as autoridades - ou então os responsáveis
não conseguem apresentar ideias que contribuam para minorar
o sofrimento dos que não têm como pagar planos de
saúde caros. Estes, além do mais, são contestados
pelos médicos filiados, que denunciam a baixa remuneração
recebida pelos serviços que prestam.
O ex-senador
do PT Tião Viana, hoje governador do Estado
do Acre, apresentou proposta segundo a qual pelo menos 10% da
receita bruta da União deveria ser investida em serviços
públicos de saúde. Seria uma melhoria significativa,
uma vez que, diferentemente de países do Primeiro Mundo
ou mesmo da Austrália, o Brasil patina nessa área.
Agora, o mesmo PT, através do líder do governo
no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), vem a público
para cancelar a ideia, alegando ser ela inexequível. Inexequível
também mostrou ser a proposta de criação
de uma nova CPMF, rejeitada pela Câmara.
No entanto,
alguma coisa nova tem que surgir. Seria a redução
do pagamento das dívidas dos Estados para com a União,
com a diminuição dos juros cobrados pelo governo
federal, como preconiza o governador de Pernambuco, Eduardo Campos
(PSB), destinando-se os recursos à saúde? É uma
ideia. Mas que a solução não demore; a população
brasileira não pode esperar.
Folha
de São
Paulo
Aos estudantes de medicina
Por Drauzio Varella
Medicina
se faz com as mãos. Os exames laboratorias ajudam
bastante, mas nada substitui o exame físico
Na coluna
de hoje vou resumir as lições mais importantes
que aprendi em 40 anos de atividade clínica.
Na verdade,
a ideia de reuni-las surgiu semanas atrás,
quando o diretor Wolf Maya me convidou para fazer uma pequena
palestra para atrizes e atores que interpretavam papéis
de estudantes de medicina numa cena da novela das nove.
"Haverá uma classe com alunos e nenhuma dramaturgia,
diga o que quiser", propôs ele. Hesitei diante do
convite inusitado, mas no fim achei que seria uma boa oportunidade
para dizer aos alunos: 1) Tenham sempre em mente que encontrarão
mais dificuldade para receber os cuidados de vocês, justamente
as pessoas que mais necessitarão deles.
O médico deve lutar por condições dignas
de trabalho e por remuneração condizente com as
exigências do exercício profissional, mas sem esquecer
de cobrar da sociedade o acesso universal dos brasileiros ao
sistema de saúde.
2) É fundamental ouvir as queixas dos doentes. Sem escutá-las
com atenção, como descobrir o mal que os aflige?
Embora as
características do atendimento em ambulatórios,
hospitais e unidades de saúde criem restrições
de tempo, cabe a nós exigir para cada consulta a duração
mínima que nos permita recolher as informações
imprescindíveis.
Com a prática vocês verão que ficará mais
fácil, porque aprenderão a orientar o interrogatório,
especialmente no caso de pessoas prolixas e pouco objetivas.
O desconhecimento da história e da evolução
da enfermidade é causa de erros graves.
3) Medicina
se faz com as mãos. Os exames laboratoriais
e as imagens radiológicas ajudam bastante, mas não
substituem o exame físico.
Esse ensinamento
dos tempos de Hipócrates deve ser repetido à exaustão,
porque a tendência do ensino nas faculdades tem sido a ênfase
nos exames subsidiários em prejuízo da palpação,
da ausculta e da observação atenta aos sinais que
o corpo emite.
Como consequência, cada vez são mais frequentes
as queixas de que o médico pediu e analisou os exames
e preencheu a prescrição sem chegar perto do doente.
Não culpem a falta de tempo nem tenham preguiça,
em cinco minutos é possível fazer um exame físico
razoável. Tocar o corpo do outro faz parte dos fundamentos
de nossa profissão.
4) Procurem
colocar-se na pele da pessoa enferma. Quanto mais empatia houver,
mais
fácil será compreender suas
angústias, seus desejos e seu modo de encarar a vida.
Não cabe ao médico fazer julgamentos morais, impor
soluções nem decidir por ela, mas orientá-la
para encontrar o caminho que mais atenda suas necessidades.
5) Medicina é profissão para quem gosta muito.
Exige do estudante bem mais do que as outras: seis anos de graduação,
dos quais os dois últimos são dedicados ao internato,
que não por acaso recebeu esse nome.
Depois vem
a residência, com três, quatro e até cinco
anos de duração. O dia inteiro nos hospitais públicos,
os plantões de 24 horas, as jornadas intermináveis.
É a única profissão que obriga o trabalhador
a cumprir horários que a abolição da escravatura
eliminou.
Por exemplo,
trabalhar o dia inteiro, entrar no plantão
noturno e emendar o expediente do dia seguinte; trinta e seis
horas sem dormir.
Existe outra
categoria de profissionais em que essa prática
desumana faça parte da rotina?
Se o exercício da medicina já é árduo
para os apaixonados por ela, é possível que se
torne insuportável para os demais.
Se vocês escolheram segui-la apenas em busca de reconhecimento
social ou recompensa financeira, estão no caminho errado,
existem opções menos sacrificadoras e bem mais
vantajosas.
6) Medicina é para quem pretende estudar a vida inteira. É para
gente curiosa que tem fascínio pelo funcionamento do corpo
humano e quer aprender como ele reage às diversas circunstâncias
que se apresentam.
O médico que não estuda é mais do que irresponsável,
coloca em risco a vida alheia.
7) Finalmente,
para que foi criada a medicina? Qual a função
desse ofício que resiste à passagem dos séculos?
Embora a
arte de curar encante os jovens e encha de prazer os mais experientes,
não é esse o papel mais importante
do médico. É interminável a lista de doenças
que não sabemos curar.
A finalidade
primordial de nossa profissão é aliviar
o sofrimento humano.
O
Estado de São
Paulo
Dobram
os casos de coqueluche no País
Por Clarissa Thome
O número de casos de coqueluche registrados no País
dobrou em relação ao ano passado - passou de 291
pacientes confirmados para 583. O secretário de Vigilância
em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas
Barbosa, explica que o Brasil está longe de um surto.
Mas ressalta
que o aumento de registros da doença serve
de alerta para a importância da vacinação
de crianças, que devem receber doses da vacina Tetravalente
(difteria, tétano, coqueluche e meningite) aos dois, quatro
e seis meses de vida, com dois reforços na infância.
Segundo Barbosa,
o crescimento de casos ocorre pelo que se chama de "acúmulo de suscetíveis". A estimativa é de
que, a cada ano, cerca de 5% das crianças não sejam
imunizadas - ou por não terem tomado a vacina ou por algum
problema no seu sistema imunológico.
"Nos anos de 1980, registrávamos 80 mil casos por
ano. Com as campanhas de vacinação, esse número
caiu para 15 mil na década de 1990. Nos anos 2000 o número
de casos foi estabilizado, mas a cada cinco anos temos um acúmulo
de suscetíveis e os registros crescem", afirmou. "Isso
serve de alerta para que os pais continuem vacinando suas crianças".
O ressurgimento
da coqueluche será um dos destaques da
13.ª Jornada de Imunizações, que reunirá especialistas
em São Paulo, em outubro.
"Há uma preocupação maior com as crianças
menores de 2 meses, que ainda não foram imunizadas. É preciso
garantir que as crianças recebam as doses no momento certo
e melhorar a vigilância epidemiológica, para que
os casos da doença sejam identificados", afirma a
infectologista Isabella Ballalai, presidente 2da Sociedade Brasileira
de Imunização, seção Rio de Janeiro
(SBIm-RJ).
Dados da
Secretaria Municipal de Saúde de São
Paulo mostram que as cinco crianças que morreram na cidade,
até 17 de agosto, tinham menos de um ano de idade; e 70%
dos casos confirmados da doença eram de bebês com
menos de seis meses (quando as três doses da vacina ainda
não foram ministradas).
A secretaria
emitiu um alerta epidemiológico por conta
do aumento de cerca de 40% do registro de coqueluche em relação
a 2010. Em 75% dos casos de coqueluche em bebês, o transmissor
da bactéria vive na mesma casa da criança. Isso
ocorre porque a vacina garante a imunização por
cinco a dez anos.
O adulto
volta a ficar suscetível, contrai a doença,
mas os sintomas são mais brandos. "A literatura mostra
que de 20 a 25% das tosses com mais de 14 dias são coqueluche.
Mas o médico não pensa nisso. Considera um problema
resolvido e trata como alergia".
Correio Braziliense
Fora de controle
Número de casos no mundo de doenças não
transmissíveis explode e preocupa autoridades e especialistas
de todo o planeta. Situação mais grave ocorre com
o diabetes, que mata uma pessoa a cada sete segundos
Por Carlos Tavares
Nas últimas três décadas, o Brasil e o mundo
ficaram mais doentes e gordos — e tudo indica que, se nada
for feito, a população do planeta vai permanecer
em um caminho sem volta. É essa a opinião dos especialistas
que se dedicam a entender melhor doenças não transmissíveis,
como diabetes, câncer, acidentes cardiovasculares e males
respiratórios, que, juntas, matam cerca de 36 milhões
de pessoas por ano. A preocupação é tão
evidente que assumiu as proporções de uma aliança
global na semana de reuniões ocorridas na sede da Organização
das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Gestores
e especialistas em saúde pública de todo o planeta
puseram na mesa a necess idade inadiável de uma solução.
Um dos principais
focos das discussões que começaram
no último domingo foi o diabetes — que já afeta
cerca de 360 milhões de pessoas no mundo e mata uma a
cada sete segundos, de acordo com a Federação Internacional
de Diabetes. O número, divulgado nas reuniões na
ONU, foi levado a Lisboa pela entidade durante um congresso mundial
sobre a doença. Os médicos ficaram ainda mais preocupados
com a má notícia porque essa é apenas uma
revisão de dados recentes — divulgados em 2009,
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) —,
quando o diabetes matava então uma pessoa a cada 10 segundos
e atingia cerca de 245 milhões.
O mais grave,
segundo Rogério Silicari Ribeiro, endocrinologista-chefe
do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, é que
50% das pessoas de países em desenvolvimento, como o Brasil,
não sabem que convivem com a doença. O inimigo
silencioso, oculto e, muitas vezes, fatal ataca no Brasil algo
em torno de 60 milhões de habitantes. “É preciso,
portanto, organizar depressa programas educativos na linha da
prevenção e desenvolver a ideia de interrogar o
indivíduo, desde os postos de saúde, sobre a história
familiar, o baixo consumo de fibras e altas taxas de calorias”,
comenta, ao sugerir métodos coletivos para chamar as pessoas à realidade. “O
Brasil precisa montar um mapa da doença, que ainda não
temos.”
Para Angélica Amato, professora de endocrinologia da
Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB),
sem diagnóstico, esses pacientes estão morrendo
de infarto, amputando membros, expondo-se à cegueira e
a outras comorbidades. De acordo com a médica, que também
trabalha no Laboratório de Endocrinologia do Hospital
Universitário (HUB), as políticas públicas
brasileiras precisam ser mais agressivas. “As ações
educativas deveriam começar na escola, para formar crianças
e adolescentes mais saudáveis. É preciso fazer
uma teia de decisões que melhorem o perfil da população
e previnam a doença.”
Aceleração
Embora a
OMS preveja que a epidemia global de doenças
não transmissíveis será acelerada nas próximas
duas décadas — o número de mortes alcançaria
então 52 milhões por ano até 2030 —,
a participação mais efetiva dos governos em campanhas
e pesquisas sobre prevenção desse tipo de mal poderia
barrar o ritmo do avanço. “Não creio que
essa guerra esteja perdida, mas a iniciativa brasileira em termos
de políticas públicas ainda é tímida
e não tem abrangência expressiva na população”,
afirma a presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia,
Monalisa Azevedo. “É preciso incentivar táticas
de reeducação alime ntar, estimulando o brasileiro
a fazer exercícios, consumir mais fibras e menos produtos
industrializados.”
Em um país onde apenas 14% dos adolescentes se mexem
para valer e comem frutas, legumes e verduras — e 30% das
crianças de 5 a 9 anos e 50% da população
adulta estão acima do peso —, as perspectivas não
são nada boas. Enquanto se alastra a epidemia do diabetes,
o Brasil vive um surto de inércia, reclamam os médicos.
Não é à toa que 59% das pessoas que convivem
com problemas de saúde são gordas ou obesas.
O diabetes
melito é uma doença caracterizada pela
elevação da taxa de glicose no sangue (a hiperglicemia)
e ocorre devido a defeitos na secreção e/ou na
ação da insulina. A insulina é um hormônio
produzido pelo pâncreas e tem inúmeras funções,
entre as quais promover a entrada de glicose nas células,
para que ela possa ser utilizada nas diversas atividades celulares
ou armazenada como fonte de energia.
Há duas versões da doença. O diabetes tipo
1 é resultado da destruição das células
pancreáticas produtoras de insulina por um processo imunológico,
e é caracterizado por deficiência completa da produção
de insulina. No diabetes tipo 2, embora as causas não
sejam completamente definidas, sabe-se que fatores ambientais
e hereditários estão envolvidos em seu desenvolvimento. “Em
especial, aqueles relacionados à obesidade, a hábitos
alimentares inadequados, ao tabagismo e ao sedentarismo, que
são considerados os principais determinantes da epidemia
da doença observada nos últimos anos”, explica
Monalisa Azevedo.
Os dados
sobre o diabetes no mundo são tão inquietantes
que o Fórum Econômico Mundial advertiu a ONU, esta
semana, que o impacto econômico global das cinco principais
doenças não transmissíveis — câncer,
diabetes, males mentais, problemas cardíacos e casos respiratórios — pode
chegar a US$ 47 trilhões nos próximos 20 anos,
se nada for feito para preveni-las.
Alerta permanente
Se os gatilhos
que acionam o processo da doença são
fatores genéticos e ambientais, o caso da agente administrativa
Kátia Cristiane da Silva é muito representativo
da herança desconfortável de um mal que obriga
as pessoas a permanecerem em estado de alerta a vida inteira.
Na família, o pai morreu aos 56 anos, de complicações
ocasionadas pelo diabetes. Ela tem duas irmãs gêmeas
que sofrem do mesmo mal — além da mãe, de
tias e outros parentes. “Graças a Deus, meus três
filhos (de 17 anos, 14 e 1 ano e 2 meses) não têm
nada”, suspira, aliviada. Kátia afirma que não
come doces e até “exagera” nas frutas, nos
legumes e nas verduras durante as refeições.
Kátia controla os níveis de glicose com a metformina
e só precisou de insulina nos períodos de gestação.
Além do tradicional tratamento injetável, hoje
a medicina oferece outros, também à base de seringas
e agulhas, como a metformina e a liraglutida. “Esses medicamentos
não substituem a insulina. Quando o paciente mostra sinais
de deficiência da substância, com perda de peso sem
explicação, ou há falha dos outros medicamentos
em controlar a glicose, o tratamento com insulina será sempre
necessário”, explica Angélica Amato, que
acompanha o caso de Kátia. “Espero nunca precisar.
Faço tudo que mandam, porque tenho medo, sabe? Meu pai
morreu muito novo.”
Novos aliados
No caso do
diabetes tipo 2 muitos pacientes têm dificuldade
de aceitar uma medicação injetável. No caso
da liraglutida, que também é injetável,
ela tem o atrativo de resultar em perda de peso, diferentemente
da insulina. A insulina — que ainda é a medicação
mais poderosa, pois controla a glicose mesmo quando os outros
medicamentos já não são capazes de fazê-lo — pode
ser introduzida em qualquer etapa da doença, mesmo numa
em que o paciente ainda apresente função pancreática,
ou produção de insulina. Atualmente, há um
conjunto de medicamentos possíveis para tratamento do
diabetes, que podem ser combinados, mas não substituem
a insulina.
Folha
de São
Paulo
Só 1% dos hospitais têm normas rígidas contra
as infecções
Com isso, índice de contaminação em instituições
do país pode chegar a 80% dos pacientes, afirma associação
Estima-se
que 100 mil pessoas morram por ano por infecção
hospitalar, mas ainda faltam dados oficiais
Por Sabine Righetti, enviada a joinville (SC)
Apenas 1%
dos hospitais seguem à risca normas que evitam
infecções hospitalares, segundo dados coletados
pela Anbio (Associação Nacional de Biossegurança)
na literatura médica brasileira.
Por isso,
os índices de contaminação em
hospitais podem chegar a 80% em algumas instituições
de saúde.
Isso significa
que, nos piores hospitais brasileiros, oito em cada dez pacientes
são contaminados por micro-organismos
e adquirem enfermidades diferentes daquelas que os levaram ao
hospital.
A Anbio apresentou
os dados no 7º Congresso Brasileiro
de Biossegurança, em Joinville (SC). No mesmo evento,
anunciou que implantará, a partir de janeiro, uma espécie
de "ISO da biossegurança" emitido para hospitais.
Desde 1997,
todos os hospitais do país são obrigados
por lei a terem comissões internas e programas de controle
de infecção hospitalar.
Apesar disso,
24% dos hospitais do Brasil ainda não contam
com essas comissões, de acordo com a Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária). Hoje, hospitais
públicos e privados são visitados pela vigilância
sanitária local, mas não há nenhum tipo
de certificação.
Os procedimentos
obrigatórios nos hospitais são,
por exemplo, a higienização das mãos dos
profissionais, da pele do paciente e dos instrumentais hospitalares.
Essas três atividades, quando mal realizadas, por desconhecimento
ou excesso de trabalho, são as principais causas de infecção
nos hospitais. O números de mortos chega a 100 mil ao
ano.
"Mas isso são estimativas. Faltam dados sobre as
contaminações", diz Leila Macedo Oda, presidente
da Anbio.
O infectologista
da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Carlos Magno Fortaleza
concorda. Ele faz parte de um estudo financiado
pelo governo federal que está justamente atrás
de dados oficiais sobre infecção hospitalar.
"O que se sabe é que os países em desenvolvimento
têm uma taxa de infecção hospitalar cinco
vezes maior do que os ricos", diz Fortaleza.
"Isso
dos hospitais"
Assim como
no ISO fornecido às empresas, o certificado
de biossegurança dos hospitais será emitido após
uma auditoria da Anbio e será renovado a cada dois anos.
O custo disso vai variar de acordo com o tamanho e a complexidade
das atividades realizadas por cada hospital.
"Mas será mais barato que os processos conduzidos
por pacientes por causa de contaminação",
diz Oda.
"Discutimos a estrutura dos aeroportos para receber a Copa
, mas esquecemos que os hospitais não estão preparados
para receber etnias que vão trazer novos micro-organismos.
Será uma loucura."
Jornal da Tarde
Pacientes se ajudam em redes sociais para doentes
Por Felipe Oda
Com funcionamento
semelhante ao de Facebook e Orkut, redes sociais ligadas à saúde começam a ganhar usuários
brasileiros. Comuns na Europa e nos EUA, as novas ferramentas
são voltadas para cuidadores ou portadores de alguns tipos
de doença e possibilitam a troca de experiências.
Usuários do mundo todo discutem sobre efeitos colaterais
de remédios, alternativas de tratamentos, sintomas e avaliações
de médicos por meio de redes como PatientsLikeMe (www.patientslikeme.com),
Inspire (www.inspire.com), Cure Together (http://curetogether.com)
e Health Central (www.healthcentral.com). Há ainda nesses
grupos espaço para bate-papo e divulgação
de fotos pessoais.
“São ferramentas que chamam a atenção
pelas informações e experiências trocadas
entre pessoas na mesma situação”, define
José Luiz Augusto, de 58 anos, que sofre de doença
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Administrador
de empresas na capital paulista, Augusto é um
dos 500 usuários nacionais com perfil cadastrado no PatientsLikeMe,
de acordo com busca realizada no próprio site. “Achei
muito interessante e importante dividir (conhecimento) com outros
pacientes”, acrescenta Augusto.
“É um conforto saber que há outras pessoas
tomando os mesmos remédios e sofrendo das mesmas coisas
que você. Faz a gente perceber que não está sozinha
no mundo”, diz a estudante Mariana Pantalena, de 28 anos,
diagnosticada com depressão há oito anos.
Ainda não há um número exato sobre o total
de brasileiros cadastrados nas redes sociais da saúde.
E, como o serviço é novo no Brasil, o Conselho
Federal de Medicina (CFM) afirmou à reportagem desconhecê-lo.
Já os médicos ouvidos pelo Jornal da Tarde alertam
sobre os perigos relacionados às “consultas médicas
virtuais”. Os pacientes, por outro lado, dizem que o propósito
das redes é apenas a troca de experiências e defendem
a interação por meio das ferramentas.
“Muitas pessoas não têm acesso a textos e
pesquisas científicas (sobre as doenças), geralmente
em língua estrangeira, ou a bons médicos. É injusto
privá-las da informação”, afirma a
publicitária Diana Mertidez, de 33 anos, usuária
de uma rede de saúde em que compartilha sua experiência
sobre fibromialgia.
Uma pesquisa
feita neste ano pela London School of Economics envolvendo
12 mil
pessoas de vários países, entre
eles o Brasil, mostrou que quatro em cada dez entrevistados procuram
experiências de pacientes com problemas similares aos seus.
Mas, além de informações técnicas,
os pacientes também trocam “dicas práticas”,
explica a dona de casa Adriana Brasileiro Nato, de 37 anos. “Fez
muito sucesso um ‘post’ (mensagem publicada) meu
sobre o uso de meia calça amarrada ao pulso com sabonete
dentro. Ajuda muito no banho de pacientes com limitação
nos movimentos”, afirma ela, portadora de esclerose lateral
amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, sem
cura, caracterizada por fraqueza muscular e comprometimento dos
neurônios motores do corpo.
Solidariedade brasileira
Para alguns
usuários, a expansão das redes sociais
ligadas à saúde no Brasil pode enfrentar barreiras
culturais. “As pessoas podem ter receio ou vergonha de
falar sobre os seus problemas”, fala Diana. “Apesar
de ser um ambiente só com pessoas doentes, algumas podem
ficar constrangidas”, completa.
Já Adriana acredita na “disseminação” das
ferramentas. “As redes estão consolidadas por aqui.
Logo as redes de saúde também conquistarão
espaço e novos usuários”, afirma. Para Mariana,
o incentivo para o crescimento do serviço será o “espírito
solidário” dos brasileiros.
Folha
de São
Paulo
Tendências
/ Debates
Deve
ser criado um imposto para financiar a saúde pública
no Brasil?
NÃO
É preciso
enxotar o fantasma da CPMF
Por Maria
Cristina Sanches Amorim, economista, é professora
titular da PUC-SP.
A regulamentação da emenda constitucional 29 (EC
29), que definirá os gastos dos municípios e Estados
com os serviços de saúde, trouxe à tona
um fantasma do brasileiro, o retorno da CPMF (ainda que com outra
sigla), e um debate sobre o financiamento do setor.
Precisamos
enxotar o fantasma e organizar o debate, pois o "encosto" procura
materializar-se na legitimidade indiscutível dos gastos
governamentais com a saúde.
A EC 29 estabelecerá o piso de 15% do orçamento
dos municípios e de 12% daquele dos Estados para gastos
com os serviços de saúde -e também determinará os
tipos de gastos. Ocorre que a maioria esmagadora dos municípios
e Estados não tem dinheiro, ou seja, este virá do
governo federal.
Em tempos
de aumento de superavit primário para enfrentar
a resistência à redução dos juros
e as pressões inflacionárias, a União resiste
em gastar e comprometer-se com um gasto contínuo.
Nesse cenário, por que não reeditar a CPMF? Um
novo tributo é sempre impopular; nada mais oportuno do
que justificá-lo como necessário e inevitável.
E assim, a CPMF volta à cena, sob a forma de "encosto" em
causa tão nobre.
Os governos
estaduais e, principalmente, o federal aumentam a capacidade
de arrecadar
tributos acima da inflação
e do crescimento do PIB há uma década. Porém,
alegam não ter dinheiro para cumprir o que fixa a emenda
29.
Para o governo
federal, a votação da EC 29 é uma
oportunidade de ouro para "matar três coelhos com
uma só cajadada". Com o retorno da CPMF a administração:
1) ficaria "bem na fita" com o pessoal da saúde,
ao atender à velha -e legítima- demanda da regulamentação
da emenda 29 e destinar mais dinheiro à área;
2) ampliaria
alianças com parlamentares, que sairão
por aí como paladinos da saúde;
3) conseguiria
fonte adicional de dinheiro para pagar a dívida
interna e cumprir a meta de superavit.
A CPMF é ruim no nascedouro: incide sobre serviços
e será incorporada como aumento de custos e de preços.
Isto é, o consumidor, independentemente de sua renda,
pagará a conta final.
Por se tratar
de uma contribuição, e não
de um imposto, o governo federal não tem obrigação
de reparti-la com Estados e municípios. Poderá direcioná-la
ao fundo de estabilização, para remunerar rentistas
com base na taxa Selic, como fez de 1997 a 2006 (do total arrecadado
no período, apenas 45% destinaram-se aos gastos com saúde).
Algum dinheiro
para a saúde há de sobrar: nisso
aposta o governo federal para conseguir legitimar o retorno da
CPMF.
Garantir
recursos estáveis para o financiamento da saúde
e coibir desvios são ações de importância
indiscutível, mas a inevitabilidade de aumentar tributos é outra
história. Não faz sentido o governo afirmar que
não tem dinheiro para os gastos decorrentes da aprovação
da emenda 29. Tem, sim.
Vejamos de
onde poderia sair a verba para a saúde. A
cada 0,5% de redução da taxa de juros (Selic),
sobram bilhões de reais por ano. Até hoje, o governo
federal não cobrou o dinheiro devido pelas operadoras
de planos e seguros de saúde quando seus clientes usam
a rede SUS. O BNDES aumentou os saques sobre o Tesouro, usa recursos
do FGTS e do FAT, empresta a juros de 6% ao ano e paga acima
de 10%.
A lista de
alternativas à CPMF é longa, e mesmo
a imposição de outras fontes fiscais que não
incidam sobre trabalho e produção deve ser vista
com cuidado. A história dos tributos mostra que os governos
costumam onerar não os agentes que deveria, mas aqueles
que consegue.
SIM
Taxar fortunas para viabilizar a EC 29
Por Artur
Henrique, presidente nacional da CUT (Central Única
dos Trabalhadores)
A discussão em torno da emenda constitucional 29 e da
necessidade de ampliar as verbas para a saúde pública
traz mais uma boa oportunidade de reapresentarmos a proposta
de uma reforma tributária digna do nome, que torne progressiva
a estrutura dos impostos no país.
Para tal
desafio, precisaremos implementar alguns instrumentos, dentre
os quais
vale destacar destacar aqui a criação
de um imposto sobre grandes fortunas, heranças e propriedades.
Existem no
Brasil, segundo dados de consultorias privadas, 155 mil pessoas
com
pelo menos R$ 1 milhão prontos para serem
investidos no mercado financeiro. Elas compõem a face
mais visível de uma riqueza que provavelmente é muito
maior do que essa e, portanto, ainda mais concentrada do que
os números fazem parecer.
Muito desse
dinheiro não paga imposto, ao contrário
do salário. Distribuição de lucros e dividendos,
por exemplo, são dedutíveis de tributação
no Brasil desde 1995. Enquanto isso, o trabalhador que conquista
participação nos lucros e resultados da companhia
paga IR sobre essa parcela. Está evidente a diferença
de critério.
A remessa
de dinheiro para o exterior sem tributação
-essa faceta misteriosa, mas da qual ninguém duvida, de
nossa injustiça fiscal- impede a sociedade brasileira
de dimensionar quantos recursos produzidos aqui poderiam melhorar
a oferta de serviços públicos e políticas
sociais.
Esqueçamos por ora que parte desse cenário deveria
compor a crônica policial, se não fosse a existência
da lei 9.249/1995, que extingue a punibilidade de crime contra
a ordem tributária. É preciso deixar claro que
não se trata aqui de perseguir ricos, mas sim de cobrar
que façam parte do jogo.
Se os ricos,
como se convencionou dizer, de fato não
deveriam sentir vergonha de sua condição, então
que se apresentem sem os benefícios fiscais de que dispõem,
em nome de um país socialmente justo.
É preciso também diferenciar os impostos sobre
as atividades produtivas de suas empresas -sim, eles existem-
de suas fortunas pessoais. Os primeiros, além de serem
distribuídos por toda a sociedade na forma de preços,
não são moral e civicamente o sacrifício
máximo a perdoar a ausência dos demais.
A saúde pública brasileira precisará, segundo
o governo, de R$ 30 bilhões adicionais por ano para viabilizar
a EC 29. Uma das fórmulas mais modestas de imposto sobre
grandes fortunas, entre tantas já propostas, daria conta
do recado: 1,5% de alíquota média anual sobre patrimônios
que ultrapassassem 8.000 salários mínimos. Assim,
já teríamos o dinheiro necessário.
A recente
recusa da Câmara em aprovar a criação
da Contribuição Social para a Saúde (CSS)
mostra que a tarefa não é simples. A CSS iria incidir
apenas sobre cidadãos que ganham mais do que o equivalente
ao teto da Previdência Social (R$ 3.691). Isso representa
aproximadamente 5% dos que trabalham.
Embora parte
desse público não deva ser considerado
rico, a proposta da CSS, de autoria do deputado Pepe Vargas (PT-RS),
aponta para o conceito de progressividade tributária.
Esse detalhe, nada desprezível, foi ocultado pela imprensa.
Sabe-se que,
recentemente, um grupo de milionários franceses
e o bilionário investidor norte-americano Warren Buffett
vieram a público pedir que seus governos aumentem a taxação
sobre eles.
Bondade,
espírito cívico? Talvez. Mas a iniciativa
sem dúvida mostra que eles sabem ser mais vantajoso ter
uma parcela um pouco menor numa sociedade de economia mais dinâmica
e com melhores condições de vida.
Correio
Braziliense – Caderno Política
Governo
ensaia freio à Emenda
29
Por Jùnia
Gama / Colaborou Paulo de Tarso Lyra
A votação da regulamentação da Emenda
29 no Senado — último passo para finalizar a novela
da definição dos gastos dos entes federados com
saúde — pode não estar tão próxima
de ocorrer. Oficialmente, não existe orientação
expressa do Planalto para acelerar ou retardar a votação.
A ameaça de ressurreição do artigo que exige
o repasse de 10% da receita bruta da união com a saúde,
no entanto, fez o Palácio acionar o botão de alerta. “O
projeto tem que ser votado logo este ano e a fonte de financiamento
deve ser encontrada no próprio orçamento da União
e dos estados. É o governo que não quer votar”,
reclama o presidente do PMDB, se nador Valdir Raupp (RO).
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), também é favorável à apreciação
do texto ainda neste ano, em paralelo às discussões
sobre o financiamento para a área. “É um
momento importante para discutir com a sociedade a necessidade
de mais recursos para a saúde. A melhor opção é votar
logo e abrir esse debate”, diz. À revelia do Planalto,
lideranças de partidos da própria base governista
cogitam pedir regime de urgência, para que a matéria
siga direto para o plenário, sem escalas nas comissões.
Nesse caso, a emenda dos 10% seria ressuscitada. “O governo
federal não tem como cumprir esses 10%, porque seria tirar
recursos de uma área para colocar em outra. O co bertor é curto”,
sustenta Costa.
Uma alteração que reúne consenso é retirada
da emenda que exclui o Fundeb da base de cálculo dos investimentos
em saúde. O artigo aprovado na Câmara significa
R$ 6 bilhões a menos na conta que os estados terão
de gastar com a saúde. Por causa da intenção
de se derrubar o dispositivo, governadores devem iniciar uma
peregrinação ao Senado para discutir o financiamento
da área. Silval Pereira (PMDB), do Mato Grosso defende
a mudança do indexador da dívida dos estados com
a União. Ele propõe que a diferença resultante
da redução do custo da dívida fosse aplicada
integralmente pelos estados em saúde.
AGENDA
- Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo
Abramge / AssPreviSite
As inscrições para os Prêmios Abramge de
Medicina e de Jornalismo “Domingos de Lucca Júnior” terminam
em menos de 30 dias. O tema deste ano é ”Papilomavirus
Humano (HPV) – Prevenção e Tratamento”.
Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias
impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge até o
dia 7 de outubro de 2011. Os profissionais de imprensa e de saúde
podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio
site da Abramge.
No Brasil,
o Ministério da Saúde registra a cada
ano 137 mil novos casos de HPV. No País a doença é responsável
por 90% dos casos de câncer de colo de útero e mais:
a informação não é muito divulgada.
O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis
(DST) mais comuns no planeta – uma em cada cinco mulheres é portadora
do vírus – e segundo estudo publicado na revista
científica Lancet, com dados levantados no Brasil, México
e Estados Unidos, 50% dos homens têm o vírus papiloma
humano.
Podem participar
da premiação, jornalistas profissionais
de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema
escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de
2011. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos
sobre o mesmo assunto. “O objetivo dos Prêmios Abramge é promover
a informação sobre saúde e estimular a pesquisa
científica do setor”, diz o presidente da Abramge,
Arlindo de Almeida.
A comissão julgadora dos Prêmios será constituída
de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão
encaminhados aos jurados escolhidos pela direção
da Abramge para análise e indicação dos
melhores trabalhos.
Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem:
R$ 15.000,00 (brutos), além de troféu de autoria
da artista plástica Anita Kaufman e diploma para os médicos.
E a quantia de R$ 10.000,00 (brutos), mais troféu e diploma
para os jornalistas. Os finalistas serão divulgados no
início de novembro e os prêmios entregues aos vencedores
no final do ano em solenidade de encerramento do ano letivo da
Abramge.
Veja o regulamento
completo dos Prêmios no endereço
eletrônico www.abramge.com.br
-
CBA lança curso de gestão de profissionais de
saúde
Recrutar e capacitar médicos, enfermeiros,
farmacêuticos e outros profissionais da área de
saúde para trabalhar de acordo com padrões internacionais
de qualidade e segurança no cuidado com o paciente.
Esse é um dos objetivos do curso Educação
e Qualificação dos Profissionais de Saúde,
promovido pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação
(CBA) — representante exclusivo no Brasil da maior agência
acreditadora em saúde do mundo, a Joint Commission International
(JCI). As aulas serão ministradas na sede do CBA, no
Rio de Janeiro, nos dias 27 de agosto e 22 de setembro.
O curso,
oferecido em parceria com a Universidade Lusófona
de Portugal, vai abordar temas como recrutamento e retenção
de profissionais, educação continuada, gestão
do conhecimento e pesquisa de clima organizacional. De acordo
com o professor Artur Parreira, as empresas precisam orientar
seus profissionais a manterem os padrões de qualidade
e excelência no desempenho de suas atividades.
"As organizações de saúde esperam
de seus funcionários a capacidade de envolver-se com seus
objetivos, além da melhoria e aprendizado constantes",
explica Parreira. "Para isso, essas instituições
precisam oferecer treinamento permanente para aperfeiçoar
as competências exigidas, manter a agilidade da ação
e evitar a estagnação profissional de seus colaboradores”.
Doutor de
Ciências Biomédicas e subdiretor do Curso
de Gestão Recursos Humanos da Universidade Lusófona,
Parreira vai ensinar durante as aulas como realizar um Plano
de Recursos Humanos bem-sucedido. "O sucesso do plano exige
do gestor capacidade de liderança, visão estratégica
da gestão de RH e atualização a respeito
de temas ligados ao comportamento organizacional. Dessa forma, é possível
manter a equipe sempre motivada e evitar o turnover de profissionais
qualificados", enfatiza.
O curso Educação e Qualificação
dos Profissionais de Saúde é voltado para gestores
e lideranças intermediárias de instituições
de saúde. O valor do investimento é de R$ 600 e
a carga horária é de 24 horas/aula. As inscrições
podem ser realizadas pelos e-mails eventos@cbacred.org.br ou
secretaria.eventos@cbacred.org.br ou através dos telefones
(21)3299-8241, 3299-8202 e 3299-8234.
Assessoria de Imprensa
SB Comunicação,
tel. (21)3798-4357
Simone Beja, tel. (21)9367-3722
Igor Waltz, tel. (21)7674-1492
- I Simpósio Norte- Nordeste de Gestão
Hospitalar
Temática: Turismo de Saúde
Objetivo
O Simpósio Norte-Nordeste de Gestão-Hospitalar,
tem como enfoque desta edição o Turismo de Saúde,
abordando temas, reflexões e ações que venham
a contribuir no aprimoramento da gestão hospitalar para
o incremento do Turismo de Saúde de Pernambuco. A cidade
do Recife é considerada o 2º maior Pólo Médico
do país, contando com centros de excelência em medicina
já inseridos na certificação em “acreditação
hospitalar”. Por isto a necessidade do incremento do investimento
neste nicho de Turismo no Estado de Pernambuco.
Dia
e Horário:
Data: 22 de setembro de 2011
Horário: 08:00 às
18:00h
Local: Salão de Convenções do Real Hospital
Português
-
1º Congresso Nacional de Hospitais Privados
Promovido
pela ANAHP – Associação Nacional
de Hospitais Privados em cooperação com a HOSPITALAR
Feira e Fórum, o evento vai reunir os principais tomadores
de decisão no setor de saúde para compartilhar
experiências em gestão.
De 28 a 30
de setembro, administradores de hospitais públicos
e privados, médicos, lideranças setoriais e profissionais
da área estarão reunidos no Hotel Unique, em São
Paulo. Com o tema central "A Importância dos Hospitais
Privados na Saúde: Hoje e Amanhã", palestrantes
nacionais e internacionais falarão sobre Sustentabilidade,
Gestão do Corpo Clínico, Parcerias Público-Privadas,
Segurança do Paciente, Governança Clínica,
Governança Corporativa, Indicadores de Desempenho, entre
outros.
Iniciativa
inédita, o evento é dedicado à gestão
de estabelecimentos de saúde, troca de experiências
e conhecimento do setor e terá a participação
dos principais hospitais do País. Para conhecer o programa
e inscrever-se, basta acessar www.cnhp.com.br
- 14º Conferência Nacional de Saúde
Tema
“TODOS USAM O SUS? SUS NA SEGURIDADE SOCIAL – POLÍTICA
PÚBLICA, PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO”
A 14ª Conferência Nacional de Saúde será realizada
em três etapas Municipal, Estadual/Distrito Federal e Nacional.
As discussões na etapa Estadual/Distrito Federal começaram
dia 16 de julho e vão até 31 de outubro. A etapa
Nacional, que acontecerá em Brasília, entre os
dias 30/11 e 04/12, finalizará os trabalhos.
Mais informações
no site: http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/index.html