26-12-11

 

Leia nesta edição:

- O caubói do câncer

- Projeto cria contribuição social para a saúde com alíquota de 0,18%

- Plano de Saúde mais barato para usuários da 3 ª idade

- Filantrópicos com atendimento 100% SUS receberão incentivo

- País faz 1ª cirurgia pouco invasiva para tratar doença rara no coração

- Em São Paulo, farmácias de manipulação são autuadas em 45% das inspeções

- Cirurgia sem corte

- Rinite alérgica no meio da festa

- O desafio de encontrar médicos disponíveis

- França pagará por retirada de próteses mamárias da PIP

- Brasil Insurance compra Life e Adavo´s e soma 10 aquisições no ano

- Liberados R$ 39 mi para melhorias em 11 hospitais

- Programa Melhor em Casa já está presente em seis estados

- Anvisa transfere a paciente decisão sobre troca de prótese

- Próteses nos seios e lipoaspiração são as cirurgias mais solicitadas no mundo

- Instituições têm até março para apresentar projetos

- Prêmios lotéricos não reclamados poderão ser destinados para ações de saúde

- Descoberta sobre aids ganha prêmio da revista 'Science'

Segunda-feira, 26.12.11

FOLHA DE S. PAULO

O caubói do câncer

Peão de boiadeiro aposentado, administrador do Hospital de Câncer de Barretos faz trato com santo por recursos para abrir ala infantil

Araripe Castilho

Quando parou de estudar aos 15 anos e saiu de baixo das asas dos pais médicos para administrar fazendas do avô em Barretos, no interior de SP, Henrique Duarte Prata nem imaginava que um dia trabalharia com medicina.

Hoje, aos 58, ele "matuta" dia e noite para administrar o Hospital de Câncer de Barretos, instituição reconhecida por dar "atendimento de rico a pacientes pobres do SUS" -como Prata define.

Fazendeiro bem-sucedido e peão de boiadeiro aposentado, ele tem uma maneira simples de falar e um modo caubói de se vestir.

Prata assumiu o hospital de seus pais Paulo e Scylla Prata, no final dos anos 80. Tinha 35 anos e já era um rico fazendeiro. Ironicamente, seu objetivo era fechar a instituição, que atende só pessoas com câncer desde 1967.

Nos anos 80, a hiperinflação ajudou a quebrar o hospital - com dívidas de US$ 1,2 milhão na época.

A 30 dias de fechar as portas, Prata foi procurado por um dos médicos antigos do hospital. Ele o pediu que, antes de fechar o local, liberasse a cirurgia de um de seus pacientes. Caso não fizesse isso, a transferência dele para São Paulo talvez lhe custasse a vida.

No dia seguinte, Prata diz que estava "transformado" e comunicou ao pai que não só manteria o hospital aberto como ampliaria o complexo. "Ele achou que eu tinha enlouquecido."

Nos anos 90, Prata passou o chapéu buscando doações de artistas para erguer novas instalações. Os espaços têm os nomes de seus "padrinhos", como Chitãozinho e Xororó e Xuxa.

Esse tipo de ação é necessário porque a conta do hospital não fecha. Atendendo 3.500 pacientes ao dia, a instituição tem gasta R$ 15 milhões por mês, mas recebe só R$ 9,5 milhões do SUS.

PLANOS

Para atender um número maior de pessoas, muitos planos surgem "da cachola" do "Doutor Peão". A inauguração, em 2011, do maior centro de treinamento em cirurgia minimamente invasiva da América Latina é um deles.

Outro sonho concretizado é a criação de uma faculdade de medicina em Barretos para aumentar a oferta de oncologistas. A primeira turma deve começar em fevereiro.

Em março, quando a família Prata completa 50 anos de gestão do hospital, ele pretende lançar um livro e inaugurar um centro infantil.

Para a conclusão da ala para crianças do Hospital de Câncer, ainda faltam R$ 3 milhões. "Fiz um trato com São Judas Tadeu para ele me arrumar esse resto dentro de seis meses. Do contrário, deixo de ser devoto dele."

AGÊNCIA CÂMARA

Projeto cria contribuição social para a saúde com alíquota de 0,18%

A Câmara analisa o Projeto de Lei Complementar 32/11, do deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS).

Pelo texto, no lançamento de débito em contas correntes, contas de empréstimo, depósitos em poupança, além de outras movimentações de valores e de créditos de natureza financeira, deverão ser cobrados um percentual de 0,18% para o financiamento de ações e serviços públicos de saúde. Teixeira salientou que a CSS vai representar cerca de R$ 20 bilhões a mais para o Sistema Único de Saúde.

Distribuição

O texto estabelece que os recursos da CSS serão assim distribuídos: 50% para os municípios, 30% para os estados e 20% para a União – estes serão aplicados integralmente no Fundo Nacional de Saúde. Amauri Teixeira argumenta que a contribuição deverá minorar o déficit financeiro da saúde pública, da qual depende a maioria do povo brasileiro.

A União aplicará, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde, o montante correspondente ao valor empenhado no exercício financeiro anterior, acrescido de, no mínimo, o percentual correspondente à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB), ocorrida no ano anterior ao da lei orçamentária anual. Em caso de variação negativa do PIB, o valor não poderá ser reduzido.

Sem incidência

A CSS, porém, não incidirá nos saques efetuados diretamente nas contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Participação PIS/Pasep, e no saque do valor do beneficio do seguro-desemprego.

Também não será cobrada a contribuição no lançamento nas contas da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos municípios, de suas autarquias, fundações e dos consórcios formados por estados, Distrito Federal e municípios para execução conjunta de ações e serviços de saúde. Também não será cobrada a CSS para movimentações financeiras entre contas do mesmo titular.

De acordo com o projeto, compete à Secretaria da Receita Federal a administração da CSS, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação.

Segundo o deputado, a novidade do texto é a total compensação da CSS recolhida pelas pessoas físicas e jurídicas com o Imposto de Renda devido. Isso, acrescentou, vai evitar a elevação maior da carga tributária.

Tramitação

Antes de ir a Plenário, o projeto será examinado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O DIA

Plano de Saúde mais barato para usuários da 3 ª idade

ANS propõe regulamentar produto que incorpora características da previdência privada

A Agência Nacional de Sande Suplementar (ANS) propõe criar, até o fim de 2012, um plano de saúde que unirá os serviços de previdência privada e assistência médica. A ideia é estender aos idosos a comodidade do atendimento particular, a preço menor. Hoje, quanto mais ve1hos, mais os brasileiros pagam por seguro saúde, mesmo com a perda da capacidade de melhorar sua renda por conta própria. Muitos, quando param de trabalhar, passam a depender do Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta da ANS prevê que a pessoa pague valor adicional ao longo da vida e junte parte da mensalidade do e plano de saúde em fundo de capitalização. Seria uma espécie de aplicação, mas os planos teriam que firmar parcerias com instituições financeiras para que o produto fosse oferecido na prática.

Outra medida recente da ANS nessa área é a Resolução Normativa 279, que regulamenta um direito já previsto na Lei 9.656 de 1998 e garante a expansão da cobertura dos planos coletivos nessas determinadas situações, favorecendo aposentados e trabalhadores do mercado.

Inativos e funcionários demitidos poderão permanecer no convênio de saúde após o desligamento dos empregadores, mantidas as condições. No primeiro caso, pelo período que o aposentado quiser. Já demitidos, mas só sem justa causa, ganham até um terço do tempo pelo qual foram beneficiários em vínculo com a empresa, respeitando o limite mínimo de seis meses e máximo de dois anos. A regra garante ainda, nos dois casos, o direito de manter a família como beneficiária.

19 MILHÕES

De aposentados no País ganham por mês até R$ 545 de benefício

279

Resolução Normativa que regulamenta expansão dos planos coletivos

QUEM TEM DIREITO

Enquadram-se na norma demitidos sem justa causa e aposentados que tenham contribuído com o plano empresarial, com mais de 10 anos de vínculo.

QUAIS PLANOS ENTRAM

Medida vale para todos os planos de saúde contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei 9.656/1998.

QUAIS SÃO AS CONDIÇÕES

O benefício somente se estende a ex-empregados que também contribuíram para o pagamento do plano. Para mantê-lo após o desligamento, o trabalhador terá que assumir integralmente a mensalidade.

COMO SERÁ O RE AJUSTE

A empresa poderá manter os aposentados e demitidos no mesmo plano dos ativos ou contratar um exclusivo para eles. Familiares dos beneficiários também serão atendidos pela medida.

PORTAL DA SAÚDE

Filantrópicos com atendimento 100% SUS receberão incentivo

Adicional corresponderá a 20% do que é repassado para custear a produção hospitalar de média complexidade. Estados e municípios devem solicitar a adesão.

O Ministério da Saúde aumentará os recursos destinados aos hospitais filantrópicos e de ensino que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Eles receberão um adicional de 20% do valor total destinado à assistência hospitalar de média complexidade. O incentivo foi definido em portaria publicada no Diário Oficial da União e ajudará na manutenção dos serviços dessas unidades.

A ação faz parte de uma série de medidas adotadas este ano pelo Ministério da Saúde para ampliar o atendimento nos hospitais filantrópicos e de ensino e integrá-los mais a rede pública de saúde. Além do incentivo criado pela portaria, foram destinados, em dezembro, R$ 220 milhões as 663 unidades que participam do Programa de Reestruturação e Contratualização dos Hospitais Filantrópicos.

“Reconhecemos a importância das entidades filantrópicas e queremos estreitar a relação delas com o SUS. Hoje elas respondem por cerca de 50% do atendimento na rede pública de saúde”, destacou o secretário de Atenção a Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães. Ele acrescenta ainda que o reforço que está sendo dado ajuda a garantir a sustentabilidade dessas unidades e a continuidade dos seus serviços.

METAS DE QUALIDADE

Para aderir à iniciativa e os hospitais passarem a receber os 20% adicionais, os gestores municipais e estaduais devem solicitar o incentivo ao Ministério da Saúde, atestando que a unidade está dentro dos pré-requisitos. Além do atendimento 100% SUS, o hospital deve fazer parte do Programa de Reestruturação e Contratualização dos Hospitais Filantrópicos ou do Programa de Reestruturação dos Hospitais de Ensino Públicos e Privados.

Os hospitais que receberão o incentivo vão se comprometer com metas de qualidade e serão acompanhados pelo Ministério da Saúde. Eles devem, por exemplo, manter a taxa de ocupação dos leitos alta e fazer a classificação de risco no atendimento de urgência e emergência, como está previsto no programa para melhorar o atendimento nesta área, o Saúde Toda Hora.

Domingo, 25.12.11

FOLHA DE S. PAULO

País faz 1ª cirurgia pouco invasiva para tratar doença rara no coração

Operação foi em criança de um ano e meio; Brasil é o segundo país a realizar o procedimento. Menino do Paraná tinha abertura anormal entre a aorta e uma cavidade do coração, fechada com um tipo de plugue

Mariana Versolato

Foi realizado, pela primeira vez no país, um procedimento não invasivo, por cateterismo, para tratar uma doença chamada túnel aorta-ventrículo direito.

O Brasil é o segundo país a usar o cateterismo para tratar a doença -outra criança recebeu o mesmo tratamento na Índia, no ano passado.

O procedimento foi feito em dezembro de 2010 em uma criança de um ano e quatro meses em Curitiba e foi apresentado neste ano nos congressos brasileiros de hemodinâmica e cardiologia.

O túnel é uma abertura entre a artéria aorta e uma cavidade do coração. Isso aumenta o fluxo de sangue para o ventrículo direito. A longo prazo, causa insuficiência cardíaca, pressão alta e atraso no desenvolvimento físico.

A doença congênita é rara - há apenas 11 casos confirmados na literatura médica, todos em crianças. Dez foram tratadas com cirurgia aberta, e quatro delas morreram.

Na técnica não invasiva um cateter é inserido na virilha e vai ao coração. Dentro do cateter há um plugue, que, como uma rolha, fecha o furo.

Segundo Cassio Fon Ben Sum, residente de cardiologia pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, onde o procedimento foi feito, a técnica é segura e eficaz para esse tipo de problema congênito.

A intervenção foi paga pelo SUS e o plugue foi doado pela empresa que o fabrica.

"A cirurgia aberta seria mais difícil porque, na região afetada, estão as artérias coronárias, que são delicadas. Qualquer acidente poderia interromper o fornecimento de sangue no coração."

A tendência é que o cateterismo seja usado em procedimentos cada vez mais complicados, segundo Carlos Pedra, médico intervencionista do HCor (Hospital do Coração). "A evolução da tecnologia e a miniaturização dos materiais permite abordar lesões muito complexas."

Ele diz que, hoje, 70% das doenças cardíacas podem ser tratadas via cateterismo. Algumas, no entanto, não devem perder a indicação de cirurgia aberta, como a correção da inversão nas ligações da aorta e da artéria pulmonar com o coração.

"Mas hoje esses pacientes podem ser tratados com um misto de cateterismo e cirurgia. Em vez de competirem, as duas trabalham juntas."

CANSAÇO

Com poucos dias de vida, Gustavo Menegacio dos Santos, de Colombo, no Paraná, tinha dificuldade para respirar, transpiração intensa, baixo peso e se cansava muito, principalmente após mamar.

Feito o diagnóstico, os médicos esperaram um ano para intervir. "Há problemas similares que se resolvem sozinhos depois de um ano. Enquanto isso, iniciamos tratamento com remédios", diz Léo Solarewicz, coordenador do serviço de hemodinâmica do Pequeno Príncipe.

A equipe então discutiu a possibilidade de fazer o tratamento não invasivo.

"Os médicos disseram que seria melhor. Ele se recuperaria mais cedo e não sentiria muita dor", diz Tamara Menegacio, 20, mãe de Gustavo.

Ela conta que ficou apreensiva pelo fato de o filho ser o primeiro no país a fazer o procedimento. Hoje, um ano após a operação, Gustavo não tem sintomas nem usa remédios. "Talvez ele não pudesse correr, seria uma criança sempre cansada. Hoje está bem, é um menino arteiro."

ESTADÃO.COM.BR

Em São Paulo, farmácias de manipulação são autuadas em 45% das inspeções

Em 2011, 122 estabelecimentos foram interditados; no interior do Estado, inspeções são mais raras

Das 615 inspeções feitas neste ano em farmácias de manipulação da cidade de São Paulo, 45,3% resultaram em autuação, segundo dados da Coordenação Municipal de Vigilância em Saúde da Capital (Covisa), responsável pela fiscalização.

A Prefeitura afirma que as autuações ocorreram por causa de "práticas incorretas de manipulação, principalmente quanto aos medicamentos controlados, e à ausência de efetivo controle de qualidade".

Entre as farmácias autuadas, 122 ficaram interditadas até que as irregularidades fossem resolvidas. Ainda de acordo com dados da Covisa, há apenas 15 profissionais para inspecionar as 600 farmácias do gênero em toda a capital paulista.

Regulamentada há 70 anos no País, a técnica de manipulação de medicamentos voltou a ser alvo de questionamentos, com a notícia de que um vermífugo produzido em farmácia em Teófilo Otoni (MG) com uma substância errada é suspeito de ter intoxicado e matado dez pessoas (mais informações nesta página).

De acordo com o farmacêutico Hélder Francisco Garcia, da rede Unipharmus, que tem 11 unidades na capital, o Conselho Federal de Farmácia determina que cada estabelecimento tenha um técnico responsável de plantão e seja submetido a inspeções periódicas.

"Aqui na capital, nós recebemos a visita dos fiscais da Covisa pelo menos uma vez por ano, mas em cidades do interior é mais raro. Por isso, é comum que um mesmo profissional supervisione farmácias em diferentes cidades", diz.

Em Teófilo Otoni, cidade com certa de 130 mil habitantes, onde existem cerca de 60 farmácias de manipulação, há apenas 12 farmacêuticos especializados na área, conta Luciano Evangelista Moreira, da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), que representa as 7 mil farmácias de manipulação existentes no País.

Cuidados. O vice-presidente da Anfarmag, Ivan Teixeira, afirma que o consumidor precisa estar atento ao adquirir remédios feitos em farmácias de manipulação. "Ao contrário dos remédios industrializados, que são padronizados e feitos em grande quantidade, os manipulados são produzidos especialmente para cada paciente", lembra. "Por isso, deve-se recusar fórmulas preparadas com antecedência e sem receita."

Segundo Teixeira, o farmacêutico deve ler a receita na frente do paciente e preparar o medicamento na hora, respeitando as quantidades específicas receitadas pelo médico. "Além disso, uma farmácia não pode receber medicamentos da outra nem comercializar um produto sem antes submetê-lo ao controle de qualidade", diz.

É função do farmacêutico conferir as matérias-primas na hora em que chegam do fornecedor e acompanhar todas as etapas da produção, para evitar contaminação ou troca de produtos, explica Garcia, da Unipharmus.

REVISTA ISTO É

Cirurgia sem corte

Médicos adotaram procedimentos com incisões mínimas - ou sem incisão alguma - para tratar o coração, trazendo ao País o mais novo avanço na cardiologia

Mônica Tarantino

O ano de 2011 ficará marcado como o ano em que os cuidados com o coração deram um salto de qualidade e ganharam mais delicadeza. Novos procedimentos foram aplicados valendo-se de cortes mínimos ou até mesmo sem incisões. Parte dos avanços foi obtida graças à cirurgia robótica, na qual o médico comanda, via computador, os "braços" do aparelho por meio do qual realiza as intervenções. Os cortes são minúsculos. Em geral, a operação robótica demanda quatro incisões de cerca de um centímetro cada uma, por onde são introduzidos instrumentos como uma microcâmera e pinças. No método convencional, é feito um corte de 25 centímetros no peito do paciente.

Em novembro, a equipe do cirurgião Robinson Poffo, do Hospital Albert Einstein (SP), protagonizou a primeira cirurgia robotizada da América Latina de revascularização do miocárdio - a popular ponte de safena. Também foram executadas por esse método trocas de válvulas cardíacas. "A economia nos cortes reduz o risco de infecções e acelera a recuperação", diz Poffo. O cateter contribuiu para essa forma mais delicada de tratar o coração. Ele foi utilizado, por exemplo, como condutor para a colocação de prótese na artéria aorta em locais onde há entupimento por gordura. O procedimento é feito sem corte.

Outro avanço na mesma linha foi a decisão do FDA, a agência americana que regulamenta procedimentos, de liberar o uso de pequenos aparelhos para serem implantados no coração de pessoas com insuficiência cardíaca severa. Sua missão é injetar sangue na circulação. Antes, os equipamentos eram grandes e ficavam fora do corpo. "É um avanço que se tornou possível por causa da evolução desses aparelhos nos últimos anos", afirma Sérgio Almeida de Oliveira, um dos maiores cirurgiões cardíacos do País.

Na área de remédios, a boa notícia veio com a aprovação pelo governo brasileiro do uso de três drogas trombolíticas para serem ministradas a pacientes com infarto atendidos no SUS. Foi liberado também na rede pública o exame troponina, que mede o grau de morte do músculo cardíaco no infarto. Mais uma decisão estratégica foi o redirecionamento de parte do poderio do Instituto do Coração (InCor) à prevenção. "É uma ação fundamental para reduzir o número de casos de doença cardíaca", afirma Roberto Kalil Filho, que em novembro assumiu o cargo de diretor da área de cardio-pneumologia do instituto.

Alinhados com a proposta, os governos federal e estadual destinaram R$ 4,4 milhões para aumentar a capacidade do InCor de oferecer exames e procedimentos em cardiologia intervencionista (como cateterismo e angioplastia). Enquanto isso, no Hospital Beneficência Portuguesa (SP) investiu-se na análise de dados sobre três mil cirurgias de pontes de safena. O objetivo é usar as informações para empreender ajustes nos procedimentos destinados a reduzir a taxa de complicações, melhorando ainda mais o cuidado com o coração.

FOLHA DE S. PAULO

Rinite alérgica no meio da festa

No meio da festa, o corrimento nasal que simula a coriza do resfriado interfere na confraternização.

É a rinite alérgica, uma doença sem risco de vida frequentemente ignorada, mal diagnosticada e mal tratada, como mostram Alexander Greiner e colaboradores no "Lancet" deste mês.

Segundo os especialistas, remédios eficazes e seguros estão disponíveis, como os corticosteroides e anti-histamínicos. Mas somente a imunoterapia, identificando a causa principal, pode alterar a história natural da rinite alérgica em seu portador.

Entretanto, mesmo com a melhor farmacoterapia, um em cada cinco pacientes pode permanecer sintomático. Resta então ao portador tentar identificar o foco alergênico que desencadeia o problema, já que os testes não são perfeitos.

SAÚDE BUCAL

O cirurgião-dentista Emil Adib Razuk, presidente do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), presidiu a solenidade de entrega, no dia 22, dos prêmios do concurso e programa "A Saúde Bucal". Ele foi instituído pelo Crosp em parceria com a Unesco e as secretarias da educação do Estado e da Prefeitura de São Paulo e tem apoio do Bradesco.

Participam do concurso, que se repete anualmente desde 2004, alunos e professores de escolas de 645 municípios de São Paulo. O programa faz parte de um projeto educacional do Crosp que visa incentivar e mobilizar hábitos saudáveis nos alunos.

Sábado, 24.12.11

O POVO

O desafio de encontrar médicos disponíveis

Nas policlínicas, o desafio é encontrar médicos dispostos a trabalhar no Interior. Os salários são um dos principais motivos para a desistência. Enquanto isso, a população dos municípios é prejudicada por falta de especialidades

Na Policlínica Regional Clóvis Amora Vasconcelos, em Baturité, a 93 quilômetros de Fortaleza, já funcionou o atendimento de urologia, otorrinolaringologia e traumatologia. Hoje, quem precisa desses serviços tem de se deslocar até a distante Capital. Os médicos especialistas dessas áreas desistiram dos contratos. Para o diretor da unidade, Marcos Roberto Almeida Bastos, o problema não é estrutural ou de equipamento. A principal dificuldade é a contratação de profissionais de medicina.

"Nós já tivemos duas seleções públicas, contratamos algumas das especialidades, mas em algumas delas sequer houve inscrição", informa o diretor. A desistência, segundo Marcos Roberto, se deu por questões diversas, mas principalmente por falta de agenda para atendimento. Por enquanto, a demanda ainda é pequena.

A capacidade mensal da Policlínica de Baturité é, atualmente, de realização de mais de 3.600 consultas e quase quatro mil exames mensais. Até a primeira quinzena de dezembro, havia realizado pouco mais de dois mil procedimentos desse tipo por mês. A meta da Secretaria da Saúde, de acordo com Régis Sá, titular da Superintendência de Apoio à Gestão da Rede de Unidades de Saúde (SRU), é de as policlínicas tipo 1 realizarem mais de 12 mil atendimentos a cada 30 dias.

O POVO consultou o Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará (Simec) e, sem pestanejar, a primeira dificuldade para a contratação de profissionais da saúde apontada pelo presidente José Maria Pontes foi a questão salarial. "Sem dúvida, o abandono é por conta do salário. As policlínicas oferecem salários miseráveis aos médicos", informa o gestor do sindicato. O valor pago a esses profissionais, de qualquer especialidade, é de cerca de R$ 3.500, por 20 horas semanais.

Recursos humanos

"Quem faz a saúde não é só um bom hospital. O governador (Cid Gomes) fala que vai fazer o melhor sistema de saúde do País, com a construção de dois hospitais de grande porte. Mas o mais importante são os recursos humanos e ele tem de se preocupar com isso", assegura. José Maria Pontes alerta para o fenômeno que vem ocorrendo em todo o Brasil. Os salários pagos pelo serviço público chegam a ser quatro vezes inferiores às remunerações na rede privada. "Não tem condição de um médico trabalhar para o SUS (Sistema Único de Saúde), se nos hospitais privados vão ganhar muito mais", considera.

O piso salarial definido pela Federação Nacional de Medicina, segundo José Maria Pontes, é de R$ 9.188,20 para 20 horas semanais de trabalho. "O próprio PSF (Plano de Saúde da Família) tem uma remuneração bem melhor e, em alguns casos, supera o piso nacional", informa.

Outro problema apontado pelo presidente do Simec é a falta de estabilidade. A falta de realização de concurso público não estimularia um profissional a sair da sua cidade para buscar empregos.

Enquanto não se entra em um consenso entre médicos e Governo do Estado, é justamente o ponto mais fraco que acaba sofrendo as consequências: a população. A aposentada Maria Nonata da Silva, 74, precisa de um cardiologista para o atendimento do filho José Vilani, 40. Os dois moram em Pacajus, na Região Metropolitana, e não sabem se o coração de Vilani vai ter paciência de esperar um médico.

ESTADÃO.COM.BR

França pagará por retirada de próteses mamárias da PIP

Cerca de 30 mil mulheres terão de remover os implantes de silicone no país, em consequência da suspeita de que possam se romper

O governo da França concordou em arcar com as despesas de 30 mil mulheres que potencialmente possam remover as próteses mamárias implantadas do fabricante francês Poly Implant Prothese (PIP). As próteses foram retiradas do mercado na Europa e na América Latina, em consequência da suspeita de que possam se romper e vazar silicone. Há suspeitas não confirmadas de câncer associado ao vazamento de silicone.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou nesta última sexta, 23, a verificação das próteses de silicone vendidas pela empresa francesa até 2010, quando o Ministério da Saúde proibiu o seu uso. Cerca de 25 mil brasileiras implantaram essas próteses mamárias.

A agência de polícia internacional Interpol esclareceu neste sábado, 24, que o alerta de busca emitido pelo diretor da empresa, Jean-Claude Mas, não está relacionado ao escândalo das próteses. A Interpol disse que Mas está na lista dos mais procurados da agência desde janeiro, por acusação de dirigir bêbado na Costa Rica.

O ministro da Saúde da França, Xavier Bertrand, disse à rádio Europe 1 neste sábado que os responsáveis pelas próteses devem responder por seus atos. As informações são da Associated Press.

Sexta-feira, 23.12.11

VALOR ONLINE

Brasil Insurance compra Life e Adavo´s e soma 10 aquisições no ano

A Brasil Insurance adquiriu o controle das corretoras de seguros Life, de Vitória (ES), e da paulista Adavo´s, pelo valor estimado total de R$ 12 milhões. Em ambos os casos, as seguradoras serão absorvidas pelas subsidiárias locais da companhia e os antigos sócios permanecerão na gestão por pelo menos oito anos, para dar suporte ao trabalho de integração.

Os contratos estão atrelados ainda à compra de um percentual acionário das duas corretoras na Brasil Insurance. Os antigos sócios da Life e da Adavo´s se comprometem a adquirir 10% dos valores recebidos em ações da companhia.

De maior porte, a Life vende principalmente planos de saúde e odontológicos e deve adicionar aproximadamente 22 mil vidas seguradas à base de clientes da Brasil Insurance no Estado do Espírito Santo. O preço total estimado para essa aquisição é de R$ 8 milhões.

Já a Adavo´s, com sede em São Paulo, tem foco em planos de saúde e seguros de automóvel na capital. O valor do negócio é de cerca de R$ 4 milhões. Após a operação, em torno de 5 mil vidas serão incorporadas ao quadro de clientes da holding.

Com esses dois contratos, a Brasil Insurance soma dez aquisições no ano de 2011, que corresponderam a um investimento total de R$ 167 milhões, incluindo a estimativa das parcelas futuras. Desta forma, o portfólio da holding soma 37 corretoras.

As ações da Brasil Insurance estrearam na Bovespa em novembro do ano passado. Em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), a companhia captou R$ 644,625 milhões.

PORTAL DA SAÚDE

Liberados R$ 39 mi para melhorias em 11 hospitais

Cada um dos 11 hospitais, que integram a estratégia, receberá R$ 3,6 milhões, por ano; recursos serão investidos em melhorias de gestão e na qualificação dos serviços de emergência.

O Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 39,6 milhões destinados ao custeio e à qualificação dos 11 hospitais que integram o S.O.S Emergências, ação estratégica do governo federal – executada em parceria com estados e municípios - para melhorar a gestão dessas unidades e ampliar o acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) aos serviços de emergência. Os recursos foram liberados, após radiografia realizada pelo NAQH (Núcleo de Acesso e Qualidade Hospitalar) em cada unidade, que identificou as principais necessidades desses hospitais.

Cada unidade receberá, por ano, R$ 3,6 milhões para serem investidos em melhorias. Outros R$ 200 mil foram repassados no começo de dezembro, primeiro mês de atuação do S.O.S Emergências. Os recursos vão beneficiar os hospitais da Restauração, Recife (PE); Hospital Geral Roberto Santos, Salvador (BA); Instituto Doutor José Frota Central, Fortaleza (CE); Hospital de Urgências, Goiânia (GO); Hospital de Base, Distrito Federal (DF); Santa Casa e o Hospital Santa Marcelina, ambos de São Paulo (SP); Hospital Municipal Miguel Couto e o Hospital Albert Shweitzer, ambos do Rio de Janeiro (RJ); Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre (RS); e Hospital João XXIII, Belo Horizonte (BH).

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância das ações para o reforço da assistência nesses hospitais, considerados estratégicos para o SUS. “Sabemos que ofertar o alívio imediato ao sofrimento pode ser decisivo para a vida da pessoa e, por isso, essa é uma ação inovadora. Mapeamos as principais urgências do país, pela importância da rede, atendimento, cobertura da população e o fato de serem decisivos no momento mais crítico de salvar uma vida”, enfatizou Padilha.

REFORÇO

Além dos recursos liberados nesta etapa, os 11 hospitais também poderão receber individualmente até R$ 3 milhões para aquisição de equipamentos e realização de obras e reformas na área física do pronto-socorro, conforme necessidade e aprovação de proposta encaminhada ao Ministério da Saúde.

O S.O.S Emergências foi lançado em 2011 pelo governo federal para melhorar a qualificação da gestão e ampliar o acesso aos usuários em situações de urgência e garantir atendimento ágil e humanizado. A iniciativa integra a Rede Saúde Toda Hora, que engloba o SAMU 192, UPAs 24 horas, Salas de Estabilização, serviços da Atenção Básica e Melhor em Casa.

“Não se faz mudança em urgência e emergência se não houver uma mudança no antes, na rede básica, e no depois. Por isso, o S.O.S Emergências não é uma ação isolada, mas faz parte de uma rede de ações do Ministério da Saúde”, explica Alexandre padilha.

Além dos 11 hospitais considerados prioritários pelo Ministério da Saúde nesta primeira etapa, ao programa será estendido a outros 29, totalizando 40 unidades hospitalares incluídas. O ministro Alexandre Padilha já visitou 10 dos 11 hospitais que integram esta iniciativa do governo federal, em parceria com estados e municípios e os gestores hospitalares para promover o enfrentamento das principais necessidades dessas unidades hospitalares.

PORTAL DA SAÚDE

Programa Melhor em Casa já está presente em seis estados

A iniciativa que leva tratamento coberto pelo SUS para a residência do paciente conta com 152 equipes multiprofissionais habilitada em dois meses depois do lançamento

O programa Melhor em Casa já habilitou 152 equipes que prestam atendimento domiciliar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após dois meses do lançamento, o programa que veio ampliar esse tipo de assistência já está presente em seis estados, beneficiando a população de 16 municípios. Ao todo, são 95 Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMAD) e 37 Equipes Multiprofissionais de apoio (EMAP). Neste total, estão incluídas também as 20 equipes federais do Instituto Nacional do Câncer (INCA), do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) e do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).

“Com esse programa, os pacientes recebem tratamento no melhor local que podem ser tratados, ou seja, em casa, junto com a família, envolvendo todos para a recuperação da saúde”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “As pessoas devem ser atendidos de forma integral e é esse nosso objetivo com a construção de redes de atendimento”, destacou. O Ministério da Saúde investirá, por mês, R$ 34,5 mil por equipe principal e R$ 6 mil por equipe de apoio, como incentivo de custeio. Até 2014, o investimento total é de R$ 1 bilhão, para implantação de mil equipes de Atenção Domiciliar e outras 400 equipes de apoio.

A meta para o próximo ano é chegar a 250 equipes credenciadas. “Os apoiadores técnicos da atenção domiciliar estão intensificando a mobilização junto aos gestores estaduais e municipais para que possamos ultrapassar a meta de 2012. Para que isso aconteça, vamos publicar os cadernos de atenção domiciliar e ofertar cursos de educação a distância, em parceria com a Universidade Aberta do SUS (UNASUS)”, enfatiza o coordenador do Programa Melhor em Casa, Aristides de Oliveira.

O coordenador destaca ainda que uma das prioridades é favorecer a troca de experiências entre gestores e equipes, por isso serão implementadas Comunidades de Práticas do Melhor em Casa, uma plataforma online de discussão e troca de experiências.

ATENDIMENTO

Pessoas com necessidade de reabilitação motora, idosos, pacientes crônicos sem agravamento ou em situação pós-cirúrgica e com possibilidade de desospitalização, por exemplo, são atendidas por equipes multidisciplinares durante toda a semana (de segunda a sexta-feira), 12 horas por dia e, em regime de plantão, nos finais de semana e feriados.

As equipes são formadas prioritariamente por médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e fisioterapeuta ou assistente social. Outros profissionais como fonoaudiólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional, odontólogo, psicólogo e farmacêutico, além de fisioterapeuta e assistente social poderão compor as equipes de apoio. Cada equipe poderá atender, em média, 60 pacientes, simultaneamente.

O programa Melhor em Casa também ajuda a reduzir as filas nos hospitais de emergência, já que a assistência, quando há a indicação médica, passa a ser feita na própria residência do paciente, desde que haja o consentimento da família. Até 2014, serão implantadas em todas as regiões do país.

JORNAL DA TARDE

Anvisa transfere a paciente decisão sobre troca de prótese

Caberá às brasileiras que têm próteses de mama fabricadas pela empresa francesa Poly Implants Protheses (PIP), proibida no País desde abril de 2010, a decisão de trocar ou não o implante. Na França, o governo recomendou a 30 mil mulheres que retirem preventivamente as próteses.

No Brasil, cerca de 25 mil mulheres adotaram silicone da PIP, mas não há registro de problemas com produtos da marca. Ontem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou que as pacientes procurem seus médicos para "definir a melhor conduta a ser adotada".

Na França, o governo anunciou que custeará as cirurgias de remoção do silicone da PIP. Além dos custos de hospitalização, também pagará novas próteses caso a cirurgia original tenha tido caráter reparador. Em caso de intervenções estéticas, o preço das próteses não será coberto.

Além de contrariar a postura francesa, a posição da Anvisa, que transferiu às mulheres a decisão de manter ou não a prótese, também difere da recomendação das autoridades britânicas. Em entrevista à BBC, o ministro da Saúde inglês, Andrew Lansley, disse não existir evidências que sustentem a decisão de remoção. Lansley tranquilizou a população ao sugerir apenas o acompanhamento médico das cerca de 42 mil britânicas que implantaram a PIP.

Proibição

Em 1º de abril de 2010, o Ministério da Saúde suspendeu a comercialização da marca francesa no Brasil. Uma análise indicou a presença de silicone industrial nas próteses da PIP. O produto apresentou alto risco de rompimento no interior do organismo. Os franceses suspeitam que o vazamento do material possa estar associado ao surgimento de câncer e morte de uma mulher.

Informação contestada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), que alega: o vazamento das próteses PIP não representa risco cancerígeno superior ao de materiais fabricados por outras marcas. "Não há nenhum fato científico que relacione a prótese com os casos de câncer. Não vejo necessidade de ser tão firme como o governo francês. Só o acompanhamento médico", diz José Horácio Aboudib, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

O acompanhamento é seguido à risca pela cabeleireira Cristiane Regina Godoi, de 44 anos. "O implante requer este cuidado." Ela também diz que só realizou o procedimento por ter certeza da qualidade do produto e não usou a PIP. "Se eu não conhecesse a marca ou achasse que não é de qualidade iria mudar de médico. Sei disso porque trabalhei como consultora de implantes ortopédicos."

Já para as mulheres que não sabem a marca da prótese, o cirurgião plástico do Hospital Sírio-Libanês Alexandre Mendonça Munhoz, aconselha a procura de um médico. "Caso (a mulher) não saiba ou confirme que utiliza a PIP, ela deve procurar um médico."

De acordo com ele, dois exames deverão ser feitos: ultrassom e uma mamografia. "Se nada for diagnosticado, a troca não deverá ser imediata. Mas a substituição é aconselhada de qualquer maneira."

ESTADÃO.COM.BR

Próteses nos seios e lipoaspiração são as cirurgias mais solicitadas no mundo

Pesquisa realizada em 2010 traz dados de cirurgiões de todo o mundo e aponta um aumento considerável na procura por esses dois procedimentos

A lipoaspiração e a implantação de prótese nos seios foram as cirurgias plásticas mais praticadas em 2010, com o Brasil em segundo lugar no mundo, aponta o último relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês), divulgado nesta semana na Colômbia.

A pesquisa foi realizada em 2010 com dados de cirurgiões de todo o mundo, segundo explicou nesta sexta-feira, 23, à Agência Efe a cirurgiã plástica colombiana Lina Triana, secretária da Isaps em nível mundial.

"Em um primeiro relatório, divulgado no ano passado e que corresponde a 2009, essas mesmas cirurgias (lipoaspiração e prótese nos seios) também ocuparam os dois primeiros lugares", destacou a secretária.

Em 2010 foram realizadas 2.174.803 lipoaspirações, o que representa 23% do total de todos os procedimentos cirúrgicos realizados no ano.

As cirurgias como o implante nos seios, a blefaroplastia (correção de olhos), a rinoplastia (plástica de nariz) e a abdominoplastia, também aumentaram consideravelmente em 2010, segundo o relatório.

Por países, os Estados Unidos mantêm o primeiro lugar na quantidade de cirurgias plásticas realizadas em 2010, seguido do Brasil, da China, da Índia e do Japão.

O relatório de 2010 inclui informações sobre os preços médios cobrados nesses países pelos procedimentos. A cirurgia de rejuvenescimento facial continua sendo a mais cara de todas: US$ 5.526.

Os cirurgiões cobraram por uma abdominoplastia uma média de US$ 4.150; pela redução de seios, US$ 3.940, e para o aumento, US$ 3.450, indicou o relatório de 2010.

O estudo também ressaltou outras estatísticas, como o número total de cirurgiões plásticos certificados em nível mundial, estimado em 33.027, assim como a quantidade de procedimentos cirúrgicos realizados em 2010, que chegou a 9.462.391, e os não cirúrgicos, 9.095.434, compondo um total de 18.557.825 cirurgias.

Esse número, comparado aos 17.295.557 procedimentos registrados em 2009, equivale a um aumento de 7%, concluiu a cirurgiã plástica e secretária da Isaps.

PORTAL DA SAÚDE

Instituições têm até março para apresentar projetos

Documento, lançado pelo Ministério da Saúde, convoca instituições de ensino e secretarias de saúde a submeterem seus projetos. Programas atuam conjuntamente, articulando ensino, trabalho e as necessidades do SUS.

Instituições de ensino superior e secretarias municipais e estaduais de saúde têm até 15 de março para participarem, conjuntamente, do Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (PRÓ-Saúde) e do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). As ações são voltadas para graduandos das áreas da saúde e promovem o desenvolvimento de práticas pedagógicas e atividades extracurriculares em unidades do SUS, de modo a integrar o ensino, os serviços de saúde e a comunidade.O Ministério da Saúde lançou para as inscrições (edital).

O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Milton de Arruda Martins, explica que o edital foi resultado de ampla discussão entre Ministério da Saúde, estados, municípios e representações estudantis, e traz como principal novidade a integração entre o PRÓ-Saúde e o PET-Saúde. “A união e articulação dos dois programas vai permitir às instituições de ensino e secretarias de saúde a promoção de um processo mais completo de orientação dos estudantes, de forma a prepará-los social e profissionalmente para atuar no SUS e contribuir para a ampliação do acesso à saúde no país”, esclarece.

REGIONALIZAÇÃO

Outra novidade desta nova fase é o planejamento segundo as chamadas Regiões de Saúde e voltado para as redes de atenção, com destaque para a Estratégia Rede Cegonha (cuidados da mãe e do bebê), Rede Saúde Toda Hora (urgência e emergência) Rede Conte Conosco (atenção psicossocial). Em todas as etapas dos programas – planejamento, execução e avaliação do projeto – serão consideradas as necessidades regionais definidas de forma articulada entre instituições de ensino e secretarias de saúde.

“O desenvolvimento das atividades dos programas voltado para as Redes de Atenção e para o perfil epidemiológico de cada Região de Saúde tornará as ações mais eficazes e alinhadas com as necessidades locais”, explica o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Milton de Arruda Martins.

CRESCIMENTO

A expectativa é que este novo edital duplique o número de cursos e estudantes atuando nas redes de atenção nos próximos dois anos, tempo de duração dos projetos. Neste período, o Ministério da Saúde vai investir cerca de R$ 240 milhões.

Criados respectivamente em 2005 e 2008, o PRÓ-Saúde e o PET-Saúde abrangem hoje cerca de 600 cursos de todas as áreas da saúde e atingem mais de 120 mil estudantes por ano. Em 2011, estão em desenvolvimento 250 projetos no PET-Saúde, envolvendo mais de 12 mil bolsistas, entre tutores acadêmicos, preceptores dos serviços de saúde e estudantes.

AGÊNCIA CÂMARA

Prêmios lotéricos não reclamados poderão ser destinados para ações de saúde

A Câmara analisa o Projeto de Lei 1948/11, do deputado Onofre Santo Agostini (DEM-SC), que destina ao Fundo Nacional da Saúde (FNS) os prêmios das loterias da Caixa Econômica Federal (CEF) não retirados pelos contemplados no prazo previsto pela lei, que, na maioria dos casos, é de 90 dias. O Fundo Nacional de Saúde é o gestor financeiro, na esfera federal, dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a CEF, até 10% dos prêmios das loterias ficam esquecidos todos os anos. Atualmente, as premiações não sacadas são destinadas ao Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).

Segundo o autor, em 2010 foram arrecadados mais de R$ 8,8 bilhões em apostas e os repasses foram feitos para ações e programas das áreas de esporte e seguridade social e para os fundos Nacional de Cultura e Penitenciário Nacional, além do Fies.

“Entre os repasses beneficiou a área de saúde, evidenciando-se assim a importância de se estabelecer uma parcela do valor distribuído para esta área tão deficiente de recursos”, afirmou Agostini.

Tramitação

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

ESTADÃO.COM.BR

Descoberta sobre aids ganha prêmio da revista 'Science'

Segundo estudo, que contou com a participação de dois infectologistas brasileiros, tratamento administrado com drogas antirretrovirais diminui em 96% as chances de transmissão do vírus

O maior avanço da ciência em 2011 foi a descoberta de que o tratamento contra o HIV (que provoca a aids) também diminui a transmissão do vírus. O prêmio foi concedido pela tradicional revista Science na sua edição de fim de ano.

O estudo premiado demonstrou que quem é tratado contra o HIV com drogas antirretrovirais tem 96% menos chance de transmitir o vírus a seus parceiros sexuais. Parte das experiências de campo foi conduzida com pacientes brasileiros.

Até a publicação do artigo, havia uma grande polêmica se as drogas antirretrovirais tinham ou não o efeito duplo de tratar os portadores e restringir o contágio. O prêmio vai para Myron Cohen, da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, e para um time de pesquisadores internacionais, que incluiu um grupo de brasileiros.

Os estudos no País foram conduzidos pelos infectologistas Beatriz Grinsztejn, do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec-Fiocruz), e Breno Riegel Santos, do Hospital Nossa Senhora da Conceição (Porto Alegre).

Teste clínico. A pesquisa, conhecida por HPTN 052, começou a ser feita em 2007 e envolveu 1.763 casais heterossexuais em nove países: Brasil, Índia, Tailândia, EUA, Botswana, Quênia, Malauí, África do Sul e Zimbábue. Cada casal incluía um parceiro contaminado pelo HIV e outro livre do vírus. Os pesquisadores administraram drogas antirretrovirais em metade dos casais e compararam o porcentual de infecção dos parceiros nos quatro anos seguintes. Também aconselharam os casais a utilizar preservativos. Participaram da pesquisa 467 casais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.

Segundo Beatriz, o estudo já começa a dar frutos. Tanto o Ministério da Saúde como a Organização Mundial da Saúde cogitam começar mais cedo o tratamento de pessoas com HIV que estão em um relacionamento estável com alguém que não possui o vírus.

AGENDA


- 30º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo

Data - 28 a 31 de Janeiro 2012

Local - Expo Center Norte

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 - São Paulo-SP

Informações e Adesões - 0800 12 85

E-mail: secretaria.decofe@apcdcentral.com.br

Site - http://www.ciosp.com.br/

- 18° Congresso Mundial de Ergonomia, Congresso da União Latino-Americana de Ergonomia e 16° Congresso Brasileiro de Ergonomia

12/02/2012 a 16/02/2012

Local: Recife - PE

Outras informações: http://www.iea2012.org/index_pt.htm

- XIII Congresso da SPMFR - Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação

Data- 08 a 10 de Março de 2012

Local- Hotel Cascais Miragem - Cascais - Portugal

Telefone- +351 915768902

Email- pmfr@spmfr.org

Site Oficial- http://www.congressospmfr.org/

- 37° Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo

Data- 12 a 14 de Abril de 2012

Local- Hotel Windsor - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

Email- mailto:retina29012@interevent.com.br

Site Oficial- http://www.interevent.com.br/

- 13th World Congress on Public Health

21/04/2012 a 29/04/2012

Local: Addis Abeba - Ethiopia

Outras informações: http://wfpha.confex.com/wfpha/2012/cfp.cgi

- World Nutrition Rio 2012

27/04/2012 a 30/04/2012

Local: Rio de Janeiro - RJ

Outras informações: http://www.worldnutritionrio2012.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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