Leia
nesta edição:
- Deputados
apoiam empresa para administrar hospitais universitários
- ANS vai
intervir na Samcil para evitar falência
- Planos
de saúde, usuários e médicos
- Processo ético: Médico
tem direito a defensor dativo
- Estados:
Prêmio por boa gestão
do SUS
- Pagar 25% a mais por que??
- Farmácias manipulam drogas sem eficácia
provada
- O SUS e
as gestantes- Conselho de Medicina vai discutir modelo de prontuário médico
- Portaria
oficializa notificação de casos graves
e mortes por dengue em até 24 horas
Quinta-feira, 27.01.11
Agência Câmara
Deputados
apoiam empresa para administrar hospitais universitários
Por Maria
Neves e Idhelene Macedo / Edição João
Pitella Junior
Deputados
da bancada da saúde acreditam que a Medida
Provisória 520/10, que cria a Empresa Brasileira de Serviços
Hospitalares S.A (Ebserh) para administrar os hospitais universitários
federais, representa uma solução para os problemas
enfrentados por essas instituições. O deputado
Colbert Martins (PMDB-BA) ressalta que hoje existem até quatro
tipos de contratos de trabalho nesses hospitais. "É uma
extrema dificuldade administrar situações de pessoas
com trabalhos iguais e remunerações diferentes",
pondera.
Segundo o
deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), há cerca
de 30 mil funcionários de hospitais universitários
em situação precária, problema para o qual
o Tribunal de Contas da União (TCU) exige solução. "Essa
[a criação da Ebserh] foi uma fórmula que
o governo propôs à associação dos
hospitais universitários e ela aceitou, e eu também
sou favorável", afirma.
De acordo
com a proposta do governo, os funcionários
da Ebserh deverão ser contratados por meio de concurso
público, mas serão regidos pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT, Decreto-Lei 5.452/43). Nos primeiros
180 de funcionamento da empresa, no entanto, ela poderá realizar
contratações temporárias, renováveis
por no máximo dois anos.
Na opinião do deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), esse modelo
vai melhorar a gestão dos hospitais. Ele acredita que
o fato de os funcionários da empresa não terem
estabilidade "vai fazer com que haja a necessidade de uma
meritocracia maior, que a pessoa seja mais competente".
Ele argumenta
que "uma empresa destinada a organizar a
administração desses hospitais trará muito
mais agilidade e competência". Com isso, acredita,
os hospitais poderão ser "muito mais produtivos e
estimular, inclusive, pesquisas de aplicação prática".
Cobrança
Para o deputado
Colbert Martins, a empresa poderá possibilitar
a cobrança por parte dos serviços prestados nessas
unidades de saúde. Em sua concepção, isso
não é problema e já ocorre em alguns hospitais
universitários. "O importante é que isso seja
feito de forma clara, e que esses recursos sejam usados para
corrigir distorções e deficiências",
observa.
O parlamentar
também espera que aumente o financiamento
externo para a pesquisa: "Isso acontece no mundo inteiro,
sem nenhuma dificuldade, e deve ocorrer também no Brasil."
Integrante
da Comissão de Educação e Cultura,
o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) ressalta que há alguma
polêmica em torno da flexibilidade que a Ebserh teria em
relação à contratação de pessoal
e à dispensa de licitação em casos especiais.
Ainda assim, ele acredita que a medida representa um avanço. "A
iniciativa do governo é bem-vinda, no sentido de que hoje é ineficaz
a administração dos hospitais universitários.
Eles são muito caros", afirma.
Saúde
Business Web
ANS
vai intervir na Samcil para evitar falência
Operadora
terá um ano para apresentar um plano de recuperação à Agência
A operadora
de plano de saúde Samcil está sob
intervenção Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), segundo notificação no Diário
Oficial da União na última segunda-feira (24).
A empresa está com problemas financeiros e a ANS vai tentar
ajudar a administração a sair da crise e evitar
a falência.
A Samcil
- operadora com 244 mil beneficiários na Grande
São Paulo - terá um ano para apresentar um plano
de recuperação à Agência.
Se a crise
financeira for sanada, a empresa continuará atuando
normalmente. Caso não seja possível recuperar a
companhia, a empresa poderá ter de vender ou doar a sua
carteira de clientes a outro convênio.
A Samcil,
até o momento, não se pronunciou sobre
a intervenção.
Zero Hora
Planos
de saúde, usuários e médicos
Por Fernando Weber Matos
Em pesquisa
nacional encomendada pela Associação
Paulista de Medicina e pela Associação Médica
Brasileira, com apoio do Conselho Federal de Medicina, ficou
claro que as operadoras, planos e seguros de saúde não
gozam de bom conceito junto à população
e aos médicos. Os médicos atribuem, em média,
nota cinco aos convênios, numa escala de zero a 10.
Os médicos (92%) denunciam que sofrem sempre algum tipo
de interferência em seu trabalho. As principais são
a glosa de procedimentos e tratamentos (78%), limitação
de exames e procedimentos (75%), restrição ao tratamento
de doenças preexistentes (70%) e restrição
dos auditores a exames e procedimentos clínicos e cirúrgicos
(70%).
Estas interferências são antiéticas. Os
médicos devem denunciá-las à população,
Conselhos de Medicina e gestores públicos, pois ferem
o Código de Ética Médica, o conjunto de
leis que regulamenta o trabalho médico. São ações
que atingem a autonomia do livre exercício da medicina
e colocam em risco a saúde e a vida dos pacientes usuários
dos convênios de saúde, pois negam condições
adequadas para uma assistência médica de qualidade.
É preciso ressaltar que esses planos privados praticam
preços inacessíveis à imensa maioria da
população, que acaba dependendo exclusivamente
do SUS. Os honorários médicos são aviltantes.
Não há reajustes dignos e reais há mais
de 10 anos, resultando em perdas significativas na remuneração. É necessário
restabelecer com urgência os critérios de reposição
de honorários médicos, que devem ser regulados
pela Classificação Brasileira Hierarquizada de
Procedimentos Médicos (CBHPM-2010).
A saúde suplementar, planos e seguros foram criados para
diminuir a procura de serviços estatais. Se as normas
fossem obedecidas, isto de fato acabaria ocorrendo. Infelizmente,
não é o que acontece, devido às restrições
impostas pelos convênios ao trabalho médico.
Os órgãos governamentais, Ministério da
Saúde e Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), que deveriam controlar a medicina suplementar e defender
o cidadão que desonera o SUS pagando por sua própria
assistência médica, são inexplicavelmente
omissos. Não defendem o cidadão, o trabalho médico
ou a qualidade de atendimento.
O pior, no
entanto, é que a relação da
ANS é tendenciosa e sempre a favor das operadoras de saúde.
O objetivo dos convênios sempre será comercial,
reduzindo custos, mesmo que isto provoque prejuízos irreparáveis
aos usuários e médicos.
Os dados
da pesquisa podem ser encontrados no site www.apm.org.br. Verifique
ali
para saber quais os planos no Rio Grande do Sul
que não cumprem com as obrigações contratuais
pelas quais você paga mensalmente.
CFM/Saúde
Business Web
Processo ético: Médico
tem direito a defensor dativo
Norma
estabelece que o defensor deverá ser médico
ou advogado e que será nomeado pelos conselhos regionais
e federal de medicina
O médico que responde a processo ético-profissional
em um conselho de medicina e que é declarado revel tem
direito a um defensor dativo. A nomeação, as atribuições
e a remuneração do defensor dativo estão
reguladas na Resolução 1.961/2011, aprovada pelo
Conselho Federal de Medicina em janeiro. É considerado
revel o médico que deixa de apresentar defesa prévia
no prazo legal, depois de ser citado em um processo. A norma
foi publicada na edição desta terça-feira
(25), no Diário Oficial da União.
"O advogado é indispensável à administração
da justiça, de acordo com a Constituição.
O poder judiciário ressalta a importância desse
elemento de defesa e, na ausência dele, determina que seja
nomeado defensor dativo. Um defensor é essencial para
que haja equilibro na relação jurídica",
afirma o corregedor do CFM, José Fernando Maia Vinagre.
A norma estabelece
que o defensor deverá ser médico
ou advogado e que será nomeado pelos conselhos regionais
e federal de Medicina. O trabalho do defensor será remunerado,
em valores fixados pelos conselhos regionais. Conselheiros e
suplentes no exercício da função não
podem ser defensores.
No exercício da defesa, o defensor dativo terá ampla
liberdade para fazer requerimentos e produzir provas que entenda
como relevantes para o caso. Sua atuação é assegurada
pela resolução até o final do processo,
inclusive na fase recursal.
Os conselhos
de medicina poderão celebrar convênios
com instituições que podem colaborar com a defensoria
dativa. De acordo com a resolução, aqueles conselhos
que até a data de edição da norma - 13 de
janeiro - atuavam com sistemas próprios de contratação
e remuneração de defensores dativos poderão
continuar a usá-los.
Agência Brasil / Saúde
Business Web
Estados:
Prêmio por boa gestão
do SUS
Por Carolina Pimentel
Com isso,
Padilha segue sua estratégia de aprimorar o
funcionamento do SUS e de outros órgãos ligados à saúde
O ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, sinalizou na
terça-feira (25) que pode adotar a política de
premiar os estados e municípios que optarem por medidas
que melhorem a gestão do Sistema Único de Saúde
(SUS) e ampliar o atendimento à rede pública.
"Premiar quem faz mais e melhor para a população.
Essa é a nossa estratégia em qualquer discussão
de repasse para estados e municípios e na relação
com o setor filantrópico", disse ele.
Desde que
assumiu a pasta, Padilha tem declarado que uma de suas prioridades é aprimorar o funcionamento do SUS e
de outros órgãos ligados à saúde.
Seguindo orientação da presidenta Dilma Rousseff,
o ministro tem conversado, por exemplo, com empresários
para elaborar um plano de gestão para a Fundação
Nacional de Saúde (Funasa).
Na semana
passada, ele se reuniu com integrantes do Instituto de Desenvolvimento
Gerencial, de consultoria em gestão
empresarial, que fará um diagnóstico da Funasa.
A estimativa é que o levantamento seja concluído
dentro de um mês. O instituto vai analisar ainda o sistema
de compras de remédios e equipamentos do ministério.
Padilha teve encontro também com o empresário Jorge
Gerdau.
Sobre a definição da diretoria da Funasa, alvo
de atritos entre o PT e o PMDB, o ministro evitou falar da disputa
partidária e reafirmou que seu compromisso é reorganizar
a estatal para o cumprimento das metas estabelecidas no Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC). A fundação é responsável
por levar saneamento básico a cidades com menos de 50
mil habitantes.
Em relação à regulamentação
da Emenda Constitucional 29, que fixa percentuais de repasse
da União, estados e municípios para a saúde,
Padilha disse que cabe ao Congresso Nacional "garantir um
financiamento estável para a saúde, independente
do governo" e definir a fonte de recurso.
Saúde
Business Web
Pagar 25% a mais por que??
Por Roberto Latini
A Lei 12.439/2010,
em seu art.3º § 8º, determina
que o poder público poderá pagar até 25%
a mais no preço dos produtos nacionais, em comparação
com produtos importados, nos casos de licitações
públicas. Não obstante, também reza o referido
artigo, que o processo licitatório visa a observância
do princípio constitucional da isonomia, a seleção
da proposta mais vantajosa para a administração
e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável.
Bem, na qualidade de cidadão, eu quero saber porque o
poder público pagaria 25% a mais em qualquer produto que
seja. Se falarmos de uma licitação para a compra
de 1.000 itens que custem R$ 500,00 cada, então estamos
dizendo que o governo gastaria R$ 100.00,00 a mais somente pelo
fato do produto ser brasileiro... Mais uma vez, o governo passa
as suas obrigações à população,
de forma absolutamente injustificada. Promover o avanço
da indústria nacional às custas da população é fazer
festa com o chapéu alheio, como diz o velho ditado. Ademais,
os requisitos de inovação serão determinados
pelo poder executivo. Mas, quando isso acontecerá?? E
quem serão aqueles que determinarão o grau de inovação
na comparação entre os produtos nacionais e importados?
Os jornais têm trazido as notícias que versam sobre
o renascimento da CPMF sob outros nomes, sob a alegação
de que na saúde falta dinheiro. E vamos economizar pagando
até 25% a mais por produtos nacionais?? Quem foi que fez
essa conta? É óbvio que todos nós brasileiros
gostaríamos de ver um avanço rápido da nossa
indústria nacional, mas que tal pensarmos em estratégias
de médio e longo prazos que, de fato, consolidem um crescimento
sério, permanente e benéfico para o Brasil? Nós
já vimos esse filme várias vezes, e sabemos que
o final não será o esperado. A falta de gestão
em diversas áreas como educação, tributária,
trabalhista, entre outras, acaba por refletir numa indústria
que hoje sofre com marcos regulatórios pesados, caros
e falta de competitividade em diversas áreas. Certamente,
a promessa de 25% a mais entusiasma os fabricantes nacionais,
num primeiro momento, mas o futuro mostrará que a falta
de critérios estabelecidos desde o primeiro momento, somada á carência
de preparo técnico, e a extrema dificuldade no acesso
a linhas de financiamento, levará a distorções
que causarão mais desilusões do que trarão
benefícios efetivos. Temos que propor um plano de Estado
para o país que resgate a qualidade do ensino, que promova
pesquisa e desenvolvimento, que desonere a cadeia produtiva e
que, por final, nos traga um desenvolvimento permanente, tornando
o país competitivo frente aos concorrentes internacionais
de peso. Brasil é grande demais para aceitarmos menos
do que isso.
Folha
de São Paulo – Caderno Saúde
Farmácias manipulam drogas sem eficácia
provada
Vigilância não estabelece quais substâncias
podem ser usadas em manipulados
Segundo
especialistas, falta de regulamentação
traz insegurança tanto para farmácias quanto para
consumidores
Por Juliana Vines
Algumas das
fórmulas mais populares em farmácias
de manipulação não deveriam ser vendidas,
segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária).
Um exemplo
são os fitoterápicos emagrecedores,
como a combinação de faseolamina (farinha de feijão-branco)
e laranja amarga (Citrus aurantium) e a pholia magra (porangaba).
Essas três plantas, segundo a agência, não
têm eficácia comprovada.
O problema,
de acordo com o farmacêutico Newton Andréo
Filho, professor da Unifesp, é que não há uma
lista das substâncias que podem ser manipuladas.
"Tudo o que entra no país a farmácia acha
que tem a condição de manipular. Falta estabelecer
quais são os critérios que definem o que pode e
o que não pode."
A Anvisa
tem uma lista, publicada em 2009, com 20 insumos farmacêuticos
registrados, todos químicos. Não há lista
de insumos fitoterápicos permitidos.
"Enquanto a regulamentação da indústria
farmacêutica é rígida, não há certeza
quanto à segurança e à eficácia dos
manipulados", diz a química Ana Célia Pessoa
da Silva, da Escola Nacional de Saúde Pública da
Fiocruz.
"O preço dos manipulados é mais baixo, mas
a qualidade não é garantida."
Segundo Maria
do Carmo Garcez, presidente da Anfarmag (associação
das farmácias de manipulação), a falta de
uma lista de princípios ativos deixa todas as farmácias
em uma situação aparentemente irregular.
"Na verdade, não estamos na ilegalidade. O problema é que
faltam esclarecimentos."
Em geral,
substâncias sem eficácia comprovada são
aquelas que não são usadas como princípio
ativo de medicamentos registrados.
O caso mais
recente é o da Caralluma fimbriata, planta
asiática usada para emagrecimento que teve a importação
e comercialização suspensa no dia 21 de dezembro.
Para José Luis Miranda Maldonado, assessor técnico
do Conselho Federal de Farmácia (CFF), a Anvisa só informa
que essas substâncias são proibidas depois que elas
se tornam populares.
"Há muita propaganda enganosa de substâncias
sem eficácia comprovada, o que deveria ser proibido."
OUTRO LADO
De acordo
com a Anvisa, os "Registros de Insumos Farmacêuticos
Ativos" ainda estão em fase de implantação
e devem ser ampliados.
Para a agência, o problema do setor é o não
cumprimento das regras vigentes.
Cabe à farmácia pesquisar sobre os insumos e saber
se eles podem ser manipulados, com base nos remédios registrados
na Anvisa.
"As farmácias que insistirem no uso desses insumos
sem comprovação estão cometendo infração
sanitária."
A agência diz que, se o consumidor detectar irregularidades,
deve entrar em contato com a Vigilância local ou com a
própria Anvisa.
"Antidepressivo não
deveria ser manipulado"
Nem todos
os medicamentos industrializados podem ser manipulados, segundo
Maria da Penha
do Amaral, professora de farmácia
da Universidade Federal de Juiz de Fora.
"Muitos comprimidos dependem de tecnologia específica
para serem produzidos e exigem um revestimento externo adequado."
É o caso de alguns medicamentos de ação
prolongada, que agem no organismo por mais tempo, como alguns
remédios para depressão, ansiedade ou controle
de pressão arterial.
Para a professora,
a manipulação dessas substâncias
faz com que o efeito não seja o esperado -a ação
pode ser insuficiente ou causar reações adversas.
A pesquisadora
da Fiocruz Ana Célia Pessoa da Silva inclui
hormônios (como anticoncepcionais ou remédios para
tireoide) na lista de remédios que não deveriam
ser manipulados.
"São substâncias que requerem alta tecnologia
e precisão. Não podem ser feitas artesanalmente",
diz.
De acordo
com ela, não há como garantir a segurança,
porque o conteúdo não é uniforme.
"Cada fórmula é única. É como
se cada remédio fosse um lote diferente."
Maria do
Carmo Garcez, da associação de farmácias
de manipulação, admite que esses estabelecimentos
não podem preparar tudo o que a indústria produz.
"Cabe ao farmacêutico, com a sua formação
especializada, dizer que sua farmácia não pode
preparar determinada substância", afirma Garcez.
De acordo
com a Anvisa, "a possibilidade de manipular um
medicamento está diretamente ligada à competência
técnica desses estabelecimentos."
A única coisa proibida, de acordo com o Conselho Federal
de Farmácia e o Conselho Federal de Medicina, são
as associações entre medicamentos anorexígenos
(para emagrecer) e outras substâncias, como anfetaminas.
Correio
Braziliense - Visão do Correio
O SUS e as gestantes
Basta comparar
o número de brasileiras que perderam a
vida ao dar à luz ou por complicações pós-parto
em 1996 com o de 2009 para se constatar que a tragédia
da mortalidade materna é uma realidade que se mantém
constante no país. Nesses 13 anos, os registros no Ministério
da Saúde se mantiveram no patamar de 1,5 mil mortes anuais.
Não é de se estranhar, portanto, que a falta de
respeito e de atendimento adequado a essas pacientes seja prática
cotidiana na rede pública de saúde, conforme acaba
de constatar levantamento de duas das mais respeitadas instituições
de ensino superior do país, a Universidade de Brasília
(UnB) e a Universidade de São Paulo (USP).
Outro estudo,
divulgado pelo IBGE em novembro, mostrou que, em 2009, de cada
quatro
grávidas no Brasil, uma teve de
deixar a cidade em que residia para fazer o parto em outra. Imaginem-se
os transtornos e a intranquilidade de uma mulher prenhe obrigada
a ter o filho longe do lar, do amparo familiar e da sua rede
de convivência social. É péssimo começo,
em sentido oposto ao do mundialmente recomendado parto humanizado.
Pois agora a UnB e a USP mostram que, quando finalmente chegam
aos hospitais, essas pacientes, não raro, ainda são
recebidas com desrespeito, humilhação e até maus-tratos.
Ou seja: faltam mais que infraestrutura e recursos humanos suficientes.
Falta qualidade ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Há relatos de privação do choro e de proibição
da presença do acompanhante durante o parto. Isolada e
desamparada, a mãe fica mais suscetível a desenvolver
ou ter agravado um quadro de depressão que já é comum
(ocorre em 40% dos casos) no delicado momento em que dá à luz.
A insegurança costuma ser ampliada pela ausência
de pediatra no centro cirúrgico — ou de UTI neonatal.
Aliás, todo o sistema parece conspirar para desestabilizar
emocionalmente as grávidas dependentes do SUS. Consultas
remarcadas com frequência excepcional ou que atrasam por
horas são um desestímulo ao pré-natal. Outro,
a rotatividade dos profissionais, o que compromete o bom acompanhamento
da gestação.
A situação ajuda a explicar mais uma estatística
vergonhosa para o país: a de que 71% das mortes de bebês
poderiam ser evitadas. Como? Com atendimento decente à gestante
e ao recém-nascido, o que vai dos cuidados com a gestante
ao parto, de diagnósticos corretos a tratamento eficiente
da mãe e da criança. O dado é do próprio
Ministério da Saúde. Segundo o órgão,
apenas com assistência adequada às mães seria
possível reduzir esses óbitos em 13%. Portanto,
quando se pensa que poupar uma vida já vale o esforço,
sobra estarrecimento diante da conjuntura revelada pela UnB e
a USP.
Mas resta
um fio de esperança: o de que saia da retórica
para o plano da realidade a promessa da então candidata
Dilma Rousseff de assegurar pré-natal, neonatal e atendimento
especializado à criança no primeiro ano de vida.
Mais que bem-vinda, a Rede Cegonha é uma necessidade de
primeira hora. Se elaborada e implantada com os devidos zelo
e ousadia, poderá ajudar o país a, se não
cumprir, pelo menos se aproximar de um dos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio pactuados com a ONU, de reduzir para 35, nos
próximos cinco anos, a taxa de mortalidade materna para
cada 100 mil nascidos vivos. Vai ser difícil — em
2007, a taxa ainda era de 75.
Quarta-feira, 26.01.11
Folha
de São
Paulo
Conselho
de Medicina vai discutir modelo de prontuário
médico
O CFM (Conselho
Federal de Medicina) aponta os itens que devem constar no prontuário, mas não existe no país
um modelo padronizado da ficha.
Maioria dos
prontuários médicos é mal
preenchida, diz pesquisa
"Deveria existir", diz Emmanuel Fortes, diretor do
departamento de fiscalização do CFM.
Os prontuários são baseados em sugestões
da literatura médica e podem variar em cada instituição.
Segundo Fortes,
o conselho vai discutir, neste ano, o modelo de registro do
histórico
do paciente.
"É um esforço para implantar um padrão
exequível de como registrar as informações,
para que não haja tanta precariedade no preenchimento
e para facilitar a fiscalização."
Médicos concordam que a criação de um prontuário
modelo, com design agradável, estimularia o preenchimento
completo.
Adriano Cavalcante
Sampaio, autor da pesquisa da Fiocruz, afirma ainda que a supervisão
permanente nos hospitais melhoraria a qualidade desses documentos.
Em 2002,
o CFM estabeleceu a criação dos Comissões
de Revisão de Prontuários em hospitais.
No entanto,
os especialistas ouvidos pela Folha afirmam que, em geral,
as comissões não
funcionam.
Segundo Guilherme
Barcellos, presidente da Sociedade Panamericana de Medicina
Hospitalar, é preciso adotar um novo modelo
nos hospitais, que aproxime a gerência administrativa dos
cuidados médicos.
Portal
Saúde / Ministério da Saúde
Portaria
oficializa notificação de casos graves
e mortes por dengue em até 24 horas
Nova portaria
do Ministério da Saúde também
reforça vigilância de violências em geral,
incluindo doméstica e sexual, que passam a ser de notificação
obrigatória em todas as unidades de saúde
Estados e
municípios devem, a partir desta quarta-feira
(26), notificar os casos graves e as mortes suspeitas por dengue
em até 24 horas ao Ministério da Saúde. É o
que estabelece a portaria 104, publicada no Diário Oficial
da União, oficializando decisão anunciada pelo
ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na semana passada.
Os casos
de dengue seguem o fluxo rotineiro de notificação
semanal. Porém, os casos graves, os óbitos e os
casos produzidos pelo sorotipo DENV 4 necessitam um melhor acompanhamento,
o que justifica a sua inclusão entre as doenças
de notificação imediata. Essa medida possibilitará a
identificação precoce de introdução
de novo sorotipo e de alterações no comportamento
epidemiológico da dengue, com a adoção imediata
das medidas necessárias, por parte do Ministério
da Saúde e das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.
Com a inclusão na Portaria, será possível
identificar, de maneira precoce, alterações na
letalidade da dengue, permitindo uma melhor investigação
epidemiológica e a adoção de mudanças
na rede assistencial para evitar novas mortes.
Todas as
unidades de saúde da rede pública ou
privada devem informar casos graves e mortes suspeitas pro dengue às
Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, que repassam
os dados ao Ministério da Saúde. A notificação
imediata pode ser feita por telefone, e-mail ou diretamente no
site da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério,
de acordo com instrumentos e fluxos já amplamente utilizados
no Sistema Único de Saúde. A regra vale, inclusive,
para casos ocorridos em fins de semana e feriados.
“A mudança na Portaria permitirá um conhecimento
melhor e mais rápido de como está se comportando
a dengue, propiciando uma ação de prevenção
e controle mais oportuna”, explica o Secretário
de Vigilância em Saúde do Ministério, Jarbas
Barbosa.
VIOLÊNCIAS
Nesta revisão, também foi realizada uma adequação
da Portaria à nova legislação brasileira,
tornando as “Violências Doméstica, Sexual
e/ou outras Violências” de notificação
universal, por toda a rede de assistência à saúde,
e não apenas por unidades sentinelas, como anteriormente.
A notificação compulsória pelos serviços
de saúde de qualquer suspeita ou confirmação
de violência contra crianças, adolescentes, mulheres
e pessoas idosas já está prevista na Legislação
(Leis nº 8.069/1990, nº 10.778/2003 e nº 10.741/2003).
Com isso, a maioria das Secretarias Estaduais e Municipais de
Saúde já estava em processo de expansão
para outras unidades de saúde além das sentinelas,
incluindo para as Unidades de Saúde da Família
e outros serviços de saúde.
SARAMPO
E RUBÉOLA
Devido a
ocorrência de casos importados de sarampo em
2010 e a ampla vacinação realizada contra rubéola
em 2008, o Ministério também incluiu todo caso
de sarampo e rubéola como de notificação
imediata, independentemente de ter história de viagem
ou vínculo com viajante internacional. Esta medida foi
adotada para detectar casos suspeitos de forma oportuna para
adoção de medidas de controle em tempo hábil.
No ano de
2010, foi incorporada no calendário básico
de vacinação a vacina pneumocócica 10 valente.
Diante disso, faz-se necessário o estabelecimento de medidas
de monitoramento do comportamento das pneumonias no país,
que passam a ser notificadas em unidades sentinelas que integram
essa rede de vigilância específica.
A nova portaria
que passa a ter 45 eventos de notificação
obrigatória, com fluxos e periodicidades distintos, de
acordo com a situação epidemiológica de
cada um.
Todos os
casos notificados são registrados no Sistema
de Informação de Agravos de Notificação
(Sinan), pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.
A nova lista
de doenças de notificação
compulsória e imediata está em consonância
com o novo Regulamento Sanitário Internacional (RSI) e
foi publicada no Diário Oficial da União de 26
de janeiro de 2011.
HISTÓRICO
Em setembro
de 2010, a lista de notificação compulsória
incluiu cinco novos itens, entre os quais acidentes com animais
peçonhentos, como cobras, escorpiões e aranhas;
atendimento antirrábico após ataque de cães,
gatos e morcegos; intoxicações por substâncias
químicas, incluindo agrotóxicos e metais pesados;
síndrome do corrimento uretral masculino e sífilis
adquirida.
A atual portaria
(104/2011) mantém na lista de notificação
imediata (em até 24 horas) doenças como cólera,
dengue pelo sorotipo DEN-4, doença de Chagas aguda, febre
amarela, poliomielite, raiva humana, influenza por novo subtipo
viral, sarampo e rubéola, entre outras. “A notificação
dessas doenças possibilita que os gestores, sejam dos
estados, municípios ou o próprio Ministério,
monitorem e planejem ações de prevenção
de controle, avaliem tendências e impacto das intervenções
e indiquem riscos para a população”, explica
Jarbas Barbosa.
JANEIRO / 2011
-
Liderança, Gerenciamento e Tomada de Decisão
17 e 18 de fevereiro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Preparar
profissionais para liderar equipes com base em responsabilidades,
autoridades,
solução de problemas e negociação.
Metodologia
Ametodologia
alterna exposição dialogada, exemplificações
voltadas para a realidade da administração pública
com foco em resultados e, em especial, na realidade da instituição,
conceitos e vivências, exercícios em grupos de aprendizagem
e debates, de forma a favorecer a troca de experiências
e assimilação do conteúdo proposto. Também
alterna a realização de módulos em sala
de aula com períodos de aplicação junto às
equipes naturais.
Instrutores
PETER M. DOSTLER
Público
Alvo
Diretores,
Gerentes, Supervisores, Líderes e colaboradores
profissionais de todas as áreas da organização.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br (Unidas/AssPreviSite)
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Curso de Educação Médica Continuada CREMERJ
em Oncologia Pediátrica - Nova Iguaçu
A Diretoria
do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro
e sua Seccional
Nova Iguaçu convidam para o
Curso de Educação Médica Continuada CREMERJ
em Oncologia Pediátrica no dia 19 de março de 2011,
sábado, das 9h às 12h, no Centro de Estudos da
Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima (Rua Bernardino
de Melo, 1465 – 6º andar – Centro – Nova
Iguaçu/RJ).
Consº Luís
Fernando Soares Moraes
Presidente do CREMERJ
José Estevam
da Silva Filho
Coordenador
da Seccional Nova Iguaçu do CREMERJ
Coordenação:
Consº Nelson Nahon – Seccional Nova Iguaçu
do CREMERJ
Consº Sidnei Ferreira – Responsável pela Câmara
Técnica de Pediatria do CREMERJ
VAGAS LIMITADAS
Promoção:
CREMERJ
Realização: SECCAT (Secretaria de Comissões
e Câmaras Técnicas do CREMERJ)
e Seccional
Municipal Nova Iguaçu do CREMERJ
Inscrições gratuitas e informações – Seccional
Nova Iguaçu do CREMERJ
Tels.: 2667-4343 – novaiguacu@cremerj.org.br