27-05-11

 

Leia nesta edição:

- Saúde do povo, descaso do Estado

- FBAH comemora 40 anos com homenagens a profissionais

- ADH'2011 reúne especialistas para discutir desafios e perspectivas da saúde para 2014

- HOSPITALAR e entidades homenageiam Prof. Dr. Jorge Kalil com Prêmio Hospitalar 2011

– Personalidade do Ano na Área da Saúde

- Reajuste dos Planos de Saúde ainda não foi autorizado

- Conselhos de Medicina debatem a importância da especialização em Medicina do Trabalho

- Câmara aprova criação de empresa para administrar hospitais universitários

- Ministério e Tesouro divergem sobre retirar gastos com saúde da LRF

- CNM é contra aumento de gastos com pessoal na área de saúde

- Câmara aprova criação de empresa para administrar hospitais universitários

- Planos de saúde devem subir 6,6%

- ANS apresenta desafios e iniciativas

- Movimento médico

Sexta-feira, 27.05.2011

Correio Braziliense

Opinião

Saúde do povo, descaso do Estado

Por Frei Betto, escritor, autor de Calendário do Poder (Rocco), entre outros livros

O neoliberalismo deu um tiro de misericórdia no Estado de bem-estar social. Destruiu os vínculos societários nas relações de trabalho, deslegitimou a representação sindical, deslocou o público para o privado. O que era direito do cidadão, como a saúde, passou a depender das relações de mercado e da iniciativa pessoal do consumidor.

Quem não tem plano privado de saúde entra na planilha dos cemitérios. Hoje, 40 milhões de brasileiros desembolsam, todo mês, considerável quantia, convictos de que, doentes, serão atendidos com a mesma presteza e gentileza com que foram assediados pelos corretores das empresas de saúde privada.

Os clientes se multiplicam e os planos proliferam, sem que a rede hospitalar acompanhe essa progressão. O associado só descobre o caminho do purgatório na hora em que necessita de resposta do plano: laboratórios e hospitais repletos, filas demoradas, médicos escassos, atendentes extenuados.

Em geral, o pessoal de serviço, que faz contato imediato com os beneficiários, não demonstra a menor disposição para o melhor analgésico à primeira dor: gentileza, atenção, informação sem dissimulação ou meias palavras.

Ora, se faltam postos de saúde e hospitais; se consultórios têm salas de espera repletas como estação rodoviária em véspera de feriado; se na hora da precisão se descobre que o plano é bem mais curvo e acidentado do que se supunha... a quem recorrer? Entregar-se às mãos de Deus?

O Brasil é o país dos paradoxos. O que o governo faz com uma mão, desfaz com a outra. O SUS banca 11 milhões de internações por ano. Muitas poderiam ser evitadas se o governo tivesse uma política de prevenção eficiente e, por exemplo, regulamentasse, como já faz com bebidas alcoólicas e cigarro, a publicidade de alimentos nocivos à saúde. A obesidade compromete a saúde de 48% da população.

Entre nossas crianças, 45% estão com sobrepeso, quando o índice de normalidade é não ultrapassar 2,3%. De cada cinco crianças obesas, quatro continuarão assim quando adultos. No entanto, as leis asseguram imunidade e impunidade a uma infinidade de guloseimas e bebidas, muitas anunciadas ao público infantil na tevê e em outros veículos. Haja excesso de açúcares e gordura saturada!

A boa-fé nutricional insiste na importância de verduras e legumes. Mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não se empenha para livrar o Brasil do vergonhoso título de campeão mundial no uso de agrotóxicos. Substâncias químicas proibidas em outros países são encontradas em produtos vendidos no Brasil. Haja câncer, má-formação fetal, hidroencefalia etc!

Entre 2002 e 2008, os acidentes de moto se multiplicaram 7,5 vezes no Brasil. Na capital paulista, são quatro mortes por dia. Muitos motoqueiros sobrevivem com graves lesões. No entanto, a fiscalização de veículos e condutores é precária e as vias públicas não são adaptadas ao tráfego de veículos de duas rodas.

Quem chega ao Brasil do exterior deve preencher e assinar um documento da Receita Federal declarando se traz ou não medicamentos. Em caso positivo, o produto e o passageiro são encaminhados à Anvisa. Ora, toneladas de veneno entram diariamente por nossos portos e aeroportos, e são vendidos em qualquer esquina: anabolizantes, energizantes, enquanto a tevê veicula publicidade de refrigerantes com alto teor de cafeína e poder de corrosão óssea.

Embora todos saibam que saúde, alimentação e educação são prioritárias, o Ministério da Saúde dispõe de poucos recursos, apenas 3,6% do PIB, o que equivale, neste ano de 2011, a R$ 77 bilhões. Detalhe: em 1995 o governo FHC destinou à saúde R$ 91,6 bilhões. A Argentina, cuja população é cinco vezes inferior à do Brasil, destina anualmente duas vezes mais recursos que o nosso país.

Nossa saúde é prejudicada também pelo excesso de burocracia das agências reguladoras, a corrupção que grassa nos tentáculos do Poder Público (vide o prontuário da Funasa na sua relação com a saúde indígena), a falta de coordenação entre a União, os estados e os municípios. Acrescem-se a mercantilização da medicina, a carência de médicos e sua má distribuição pelo país (o Rio tem quatro médicos por cada mil habitantes: o Maranhão, 0,6).

Governo é que nem feijão, só funciona na panela de pressão. Se a sociedade civil não exigir melhorias na saúde, no atendimento do SUS, no controle dos planos privados e dos medicamentos (pelos quais se pagam preços abusivos), estaremos fadados a ser uma nação, não de cidadãos, e sim de pacientes — no duplo sentido do termo. E condenados à morte precoce por descaso do Estado.

Quinta-feira, 26.05.2011

Site da Hospitalar Feira+Fórum

FBAH comemora 40 anos com homenagens a profissionais

O homenageado Dr. Giovanni Guido Cerri, Dra. Waleska Santos, presidente da Hospitalar e Paulo Câmara, presidente da FBAH

A Federação Brasileira de Administradores Hospitalares – FBAH – reuniu o setor de saúde na segunda-feira (23 de maio) para prestar uma série de homenagens aos administradores hospitalares destaques do ano. O tradicional jantar da entidade aconteceu no Espaço Hakka, em São Paulo, e reuniu administradores e gestores hospitalares de todo o Brasil.

O superintendente da FBAH, Márcio Moreira, lembrou que este ano o jantar em homenagem aos administradores também comemorava os 40 anos da Federação. "Este é um ambiente de confraternização em que temos muito a comemorar", disse.

Além dos prêmios, a noite também foi marcada pela posse da diretoria da FBAH e do lançamento do livro 40 Anos de FBAH. "Essa comemeoração hoje nos honra muito. Queremos agradecer todos que estiveram envolvidos com a Federação durante este tempo. A participação de pessoas sérias só ajudou a engrandecer e desenvolver a profissão de administradores hospitalares".

Troféu Administrador Emérito

Os administradores hospitalares eméritos também ganharam destaque na noite com homenagens especiais. Os indicados receberam o Troféu que reconhece os profissionais que trabalham em prol do desenvolvimento da saúde no País.

Na categoria Hospital Filantrópico os méritos ficaram para o Hospital do Câncer de Barretos e o gestor Dr. Henrique Prata.

Na categoria Hospital Privado quem recebeu o troféu foi o Dr. Cícero Aurélio Sinisgali, do Grupo Nossa Senhora de Lourdes. Ele foi um dos fundadores da Federação, em 1971.

Na categoria Hospital Público quem ganhou foi o Dr. Giovanni Guido Cerri, chefe do setor de radiologia da FMUSP e atual Secretário Estadual de Saúde de São Paulo.

Prêmio Hospitalium Causa

Três homenagens foram prestadas pela FBAH com o prêmio Hospitalium Causa: o deputado federal Antonio Brito, ex-presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas; Dr. José Carlos Abrahão, presidente da Confederação Nacional de Saúde e atual presidente da International Hospital Federation; e in memoriam para o arquiteto, engenheiro e administrador hospitalar Jarbas Karman.

Prêmio FBAH de Administrador Hospitalar

Também foi entregue o Prêmio FBAH de Administrador Hospitalar. O primeiro lugar foi para Danilo Oliveira da Silva, do Hospital Municipal de Araucária – Paraná; o segundo lugar ficou com Ênilo Vinícius Faria, do Hospital Luiz Camargo da Fonseca e Silva, de Cubatão – São Paulo; e o terceiro lugar foi para Rodolfo Kogeratski, do Hospital Vita Batel, de Curitiba – Paraná.

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ADH'2011 reúne especialistas para discutir desafios e perspectivas da saúde para 2014

Com o tema Saúde Brasil 2014: Desafios e Perspectivas foi aberto hoje, no segundo dia da HOSPITALAR, o Congresso Nacional de Administração Hospitalar – ADH'2011. Durante dois dias, o evento vai discutir as tarefas voltadas ao preparo e à execução das atividades de saúde, almejando o ano de 2014, quando o país será sede da Copa do Mundo de Futebol.

Em seu discurso de abertura, o presidente do ADH'2011, Prof. Dr. Christian de Paul de Barchifontaine, lembrou aos presentes da oportunidade única que se converteu o evento para discutir os desafios e perspectivas que envolvem a saúde. "Este ano vamos discutir, com base nos referenciais humano e ético, a infra-estrutura, logística, capacitação e todos os aspectos que envolvem a recepção e organização de um evento do porte da Copa do Mundo de 2014", disse Barchifontaine.

Destacando o evento como importante agente de mudança, Prof. Léo Pessini, presidente provincial das entidades camilianas no Brasil, falou da necessidade de discutir novos formatos de gestão para o setor de saúde. Segundo ele, "as responsabilidades futuras são grandes e a entidade está atenta a seu papel iluminador nas questões que envolvem a saúde no Brasil".

Já o presidente da Confederação Nacional de Saúde, Dr. José Carlos Abraão, reiterou seu apoio às ações desenvolvidas pelo São Camilo e lembrou aos presentes a "cultura sempre pautada e fundamentada na ética, propiciando saúde com humanização a toda a comunidade" desenvolvida pela instituição.

Por sua vez, Francisco Balestrin, coordenador científico do ADH'2011, mencionou o incansável trabalho exercido pela Comissão Científica para oferecer o temário do congresso. "O setor da saúde sairá mais enriquecido desses dois dias de discussão. E estou certo que o que se fizer nos eventos de 2014 e de 2016 – referindo-se às Olimpíadas realizadas no Rio de Janeiro – terá repercussão mundial", finalizou Balestrin.

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HOSPITALAR e entidades homenageiam Prof. Dr. Jorge Kalil com Prêmio Hospitalar 2011 – Personalidade do Ano na Área da Saúde

O médico e pesquisador Prof. Dr. Jorge Kalil, professor titular da Faculdade de Medicina da USP, diretor do laboratório de imunologia do Instituto do Coração e diretor do Instituto Butantan, recebeu o Prêmio Hospitalar 2011 – Personalidade do Ano na Área da Saúde. A homenagem foi realizada em um grande jantar, na noite de quarta-feira (25 de maio), Clube Atlético Monte Líbano (São Paulo). O evento reuniu cerca de 600 pessoas, entre empresários, profissionais e lideranças da saúde e ainda contou com a especial presença do secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Dr. Giovanni Guido Cerri.

Instituído em 2005, o Prêmio Hospitalar destaca personalidades por sua significativa contribuição ao avanço da medicina, ao atendimento médico-hospitalar e à qualidade de vida da população brasileira.

A indicação do Dr. Kalil é decorrente de sua ampla atuação na área da pesquisa clínica, bem como o que seu trabalho representa em termos de excelência médica, além de ter uma vida pautada pela seriedade, postura ética e participativa, tanto no âmbito médico quanto na área política e social. A presidente da HOSPITALAR, Dra. Waleska Santos, ressaltou que “é uma honra para nós prestar essa homenagem a um médico e cientista dos mais prestigiados neste país”.

O Dr. Giovanni Guido Cerri, secretário de Estado da Saúde de São Paulo, ressaltou que o Prof. Dr. Kalil é um dos grandes colaboradores da área da saúde especialmente na área científica. “É um prêmio mais que merecido. O Prof. Kalil é um grande amigo, um grande cientista e um grande gestor da nossa área”.

O homenageado

Jorge Kalil é médico imunologista e professor titular da Faculdade de Medicina da USP. Natural de Porto Alegre, graduou-se na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, realizou mestrado e doutorado em Biologia Humana pela Universidade de Paris e livre docência pela Universidade de São Paulo.

Kalil é diretor do Laboratório de Imunologia do Incor, presidente do Conselho Curador da Fundação Zerbini, pesquisador 1A do CNPq, coordenador do Instituto de Investigação em Imunologia, vice-presidente da International Union of Immunology Societies (IUIS) e presidente eleito para a gestão 2013-2016.

Há 3 meses, Kalil assumiu a direção do Instituto Butantan.Foi Presidente Fundador da Associação Brasileira dos Transplantes de Órgãos, Vice-Presidente Fundador da Associação Latino-Americana de Imunologia, Presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, International Scholar do prestigioso Howard Hughes Medical Institute, diretor do Laboratório de Patologia Clínica do Hospital Sírio Libanês, membro do conselho médico e Presidente do conselho diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa do mesmo Hospital. Criador e diretor do Instituto de Ciências do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e vice-diretor clínico do Hospital das Clínicas.

Foi assessor do Ministro da Saúde Adib Jatene, na área de imunobiológicos.

Como pesquisador tem mais de 350 publicações indexadas internacionalmente, 76 participações em capítulos de livros e dezenas de artigos veiculados nos meios de comunicação. É detentor de várias patentes, algumas em novas vacinas.

Foi pioneiro na implantação da tecnologia de anticorpos monoclonais na França. Dedica-se ao estudo dos mecanismos de reconhecimento imunológico e a distinção do próprio e não próprio. Utilizando vários modelos de doença humana, estes estudos têm contribuído para a compreensão da rejeição de transplantes, na proteção do organismo contra doenças infecciosas, bem como falhas neste reconhecimento que levam a doenças auto-imunes.

Foi condecorado como Comendador e depois com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Também foi agraciado com o prêmio da Third World Academy of Sciences (TWAS), considerado o prêmio Nobel dos países em desenvolvimento, por sua contribuição de como uma infecção pode levar a uma doença autoimune.

O Prof. Dr. Jorge Kalil agradeceu as entidades e em especial a HOSPITALAR pela escolha de seu nome para receber este prêmio. “Considero emblemático que tenham escolhido um cientista para ser a Personalidade do Ano. Isso reflete uma mudança de postura, valorizando a ciência.”

Em seu discurso, o homenageado também destacou o bom momento do Brasil em produção científica. “Crescemos cinco vezes mais que o mundo em publicações e projetos. Mas esse número não se traduz em aumento de registro de patentes e novos produtos. Ainda temos muito a avançar, principalmente eliminando os gargalos da produção industrial.”

O prêmio

O Prêmio Hospitalar – Personalidade do Ano na Área da Saúde é conferido anualmente pela Hospitalar Feira e Fórum; CNS – Confederação Nacional de Saúde; FENAESS – Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde; SINDHOSP – Sindicato dos Hospitais do Estado de São Paulo; ABIMO – Associação Brasileira da Indústria Médico-Odontológica; AMB – Associação Médica Brasileira; Centro Universitário São Camilo; ANAHP – Associação Nacional dos Hospitais Privados; ABIMED – Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares; FBAH – Federação Brasileira de Administradores Hospitalares; SBPC/ML – Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial; ABRAMGE – Associação Brasileira de Medicina de Grupo; ONA – Organização Nacional de Acreditação; SINOG – Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo; e COREN-SP – Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo.

ANS

Reajuste dos Planos de Saúde ainda não foi autorizado

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não confirma o índice de 6.6% para reajuste nos planos de saúde, conforme vem sendo divulgado por alguns veículos de imprensa. O índice calculado pela Agência ainda encontra-se em avaliação pelo Ministério da Fazenda.

Tão logo receba o aval do Ministério da Fazenda, a ANS irá divulgar oficialmente o percentual a ser aplicado entre maio/2011 e abril/2012 como índice máximo autorizado às operadoras para reajuste dos planos individuais/familiares novos, contratados a partir de 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/98.

CFM

Conselhos de Medicina debatem a importância da especialização em Medicina do Trabalho

A importância do título de especialista em Medicina do Trabalho e os desafios da qualificação serão focos de debate entre os Conselhos de Medicina. No dia 22 de julho, Brasília será sede do Fórum Nacional das Câmaras Técnicas de Medicina do Trabalho.

A programação do encontro foi finalizada nesta quarta-feira (25) pela Câmara Técnica de Medicina do Trabalho do Conselho Federal de Medicina (CFM). “Será uma troca de experiência onde observaremos se as resoluções da área estão sendo cumpridas e bem interpretadas”, apontou o coordenador, conselheiro Mauro Asato.

Outro assunto que ganhou destaque na programação foram perícias com debates sobre o novo modelo de perícia médicas previdenciária geral. O Fórum também analisará as dificuldades na perícia médica judicial e o papel do médico do trabalho na cessação do benefício por incapacidade.

O Fórum de Medicina do Trabalho estará aberto para participação de médicos da área. As inscrições serão disponibilizadas a partir de junho, no site do CFM – www.portalmedico.org.br.

Participaram da reunião: Mauro Asato (CFM), Kéti Patsi (ANAMT), Carlos Dalapícola (CRM-ES), Alberto de Almeida (CRM-MT), Jandira Dantas (Cremepe) e Vinícius Moreira (ANAMT).


Agência Câmara de Notícias

Câmara aprova criação de empresa para administrar hospitais universitários

Por Eduardo Piovesan / Edição: Marcos Rossi

O Plenário aprovou, nesta quarta-feira, a Medida Provisória 520/10, que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para administrar hospitais universitários federais e regularizar a contratação de pessoal desses órgãos, atualmente feita pelas fundações de apoio das universidades em bases legais frágeis. A matéria, aprovada na forma do projeto de lei de conversão do relator, deputado Danilo Forte (PMDB-CE), será analisada ainda pelo Senado.

Respeitado o princípio da autonomia universitária, a Ebserh poderá administrar os hospitais universitários federais. A nova empresa será vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e controlada totalmente pela União. Seguirá as normas de direito privado e manterá escritórios nos estados e subsidiárias regionais.

Segundo o governo, as fundações de apoio deveriam atuar de forma complementar e alinhadas com as diretrizes governamentais e das instituições, mas isso não ocorre, provocando perda de capacidade de planejamento e de contratação de serviços.

A solução adotada pelo governo é baseada nas experiências com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e o Grupo Hospitalar Conceição, administrados por empresas pública e de economia mista, respectivamente.

Pessoal

Os 53,5 mil servidores públicos que trabalham nos hospitais universitários federais poderão ser cedidos à nova empresa, assegurados os direitos e vantagens que recebem no órgão de origem.

No caso dos demais 26,5 mil, recrutados pelas fundações de apoio das universidades, o relator aumentou de dois para cinco anos o tempo máximo de contratação temporária desses funcionários sob o regime celetista.

Essas contratações deverão ocorrer nos primeiros 180 dias da constituição da empresa e serão feitas por meio de análise de currículo em processo seletivo simplificado.

Até o final desses cinco anos, todo o quadro de pessoal deverá ser contratado por concurso público de provas e títulos. Para valorizar o conhecimento acumulado do pessoal atualmente empregado, a MP autoriza a contagem como título do tempo de exercício em atividades correlatas ao respectivo emprego pretendido.

Opcional x Compulsório

Segundo o relator, a Ebserh assumirá a gestão dos hospitais apenas se as universidades quiserem assinar com ela contratos nos quais devem constar metas de desempenho, indicadores e sistemática de acompanhamento e avaliação.

Entretanto, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) alertou que se os reitores das universidades não assinarem os contratos com a Ebserh, o Tribunal de Contas da União (TCU) poderá processá-los pelas irregularidades de contratação de pessoal. “Na prática, essa adesão será compulsória. O que falta são recursos para os hospitais, porque enquanto o hospital de Porto Alegre recebe cerca de R$ 600 milhões ao ano, outros recebem R$ 60 milhões ou R$ 70 milhões”, afirmou.

Em 2008, o TCU elaborou um relatório de 187 páginas cobrando uma série de medidas gerenciais como a substituição dos mais de 26 mil funcionários terceirizados e a criação de indicadores de avaliação de gestão, atenção à saúde, ensino e pesquisa.

Resultados

Danilo Forte especificou em seu parecer que a avaliação de resultados prevista no contrato deverá servir para aprimorar as estratégias de atuação junto à comunidade atendida com o objetivo de aproveitar melhor os recursos destinados à empresa.

Os contratos serão assinados com dispensa de licitação e estabelecerão as obrigações dos signatários, as metas de desempenho e a sistemática de acompanhamento e avaliação.

Os serviços de assistência médico-hospitalar, ambulatorial e de apoio diagnóstico e terapêutico à comunidade continuarão gratuitos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entretanto, o relator incluiu dispositivo que prevê o ressarcimento das despesas com o atendimento daqueles que têm planos de saúde privados.

Para as universidades, os hospitais continuarão a servir de apoio à pesquisa, ao ensino-aprendizagem e à formação de pessoas no campo da saúde.

Durante a vigência do contrato entre a Ebserh e as universidades, elas poderão ceder à empresa seus bens e direitos necessários à execução dos serviços, que deverão ser devolvidos ao término do contrato.

Outras receitas

De acordo com a MP, as receitas da nova empresa virão de dotação orçamentária da União, da venda de bens e direitos, das aplicações financeiras que realizar, dos direitos patrimoniais (aluguéis e foros, por exemplo), e dos acordos e convênios que firmar.

A empresa será administrada por um conselho de administração, com funções deliberativas, e por uma diretoria executiva. Haverá ainda um conselho fiscal.

O texto aprovado prevê que o conselho de administração terá como membros natos representantes dos ministérios da Saúde e da Educação e da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e da Federação dos Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra).

Outra novidade introduzida pelo relator é o Conselho Consultivo, que terá representantes do Conselho Nacional de Saúde, do Conselho Federal de Medicina e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além da Andifes e da Fasubra.

Íntegra da proposta:

MPV-520/2010

Agência Câmara de Notícias

Ministério e Tesouro divergem sobre retirar gastos com saúde da LRF

Por Luiz Cláudio Canuto / Edição: Daniella Cronemberger

Debate na Comissão de Finanças discutiu limite de gastos com pessoal na área da saúde.Setores do governo discordam se haverá benefícios ao setor de saúde caso os gastos realizados na área sejam retirados dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Em audiência pública da Comissão de Finanças e Tributação, nesta quinta-feira (26), o Ministério da Saúde defendeu a flexibilização de gastos com pessoal na saúde, enquanto o Tesouro Nacional foi contra.

Atualmente, a LRF estabelece que a despesa com pessoal não pode ultrapassar 60% da receita corrente líquida dos municípios. Para a coordenadora-geral de Programas e Projetos em Economia da Saúde do Ministério da Saúde, Fabíola Sulpino Vieira, o limite impede melhorias no acesso à saúde. "Você não pode melhorar a qualidade dos serviços por meio de aumento de salários, nem por contratação de serviços."

Fabíola Vieira citou estudo da Fundação Getúlio Vargas (FVG) realizado entre setembro de 2000 e março de 2001 com 118 equipes do Programa de Saúde da Família. O estudo comparou dois padrões de atendimento: o ideal, com atenção básica, apoio diagnóstico e atendimento ambulatorial por especialidade, e o intermediário, com apenas apoio e diagnostico.

No primeiro caso (atendimento completo), o gasto com pessoal representa 65% das despesas do programa. No segundo caso, representa 51%.

Ela citou outro estudo, realizado em 2004, que analisou a produtividade e o custo de oito equipes de duas unidades do mesmo programa em Fortaleza. A conclusão foi que a despesa com pessoal representava 75% do custo total.

A proposta de retirar os gastos com saúde da LRF foi feita pelo deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que sugeriu a realização da audiência. “Quando se trata de despesas na área de saúde, os recursos são destinados praticamente em sua totalidade ao pagamento de salários”, disse o deputado. “A lei, quando está muito fora da realidade, tende a ser descumprida. É a famosa lei que não pega", completou.

Contra

A representante da Secretaria do Tesouro Nacional no debate, Selene Peres Nunes, defendeu que o setor poderá ser prejudicado com a flexibilização. "Isso só abre espaço para que outras áreas do governo gastem mais com pessoal”, afirmou. “Vai onerar outras áreas e, consequentemente, vai faltar dinheiro e a saúde pode ser prejudicada."

Segundo ela, o gasto excessivo com pessoal é causado pela má gestão de recursos humanos, pois existe excesso de funcionários nas atividades-meio e poucos nas atividades-fim.

Selene Nunes disse que o limite estabelecido pela LRF leva em conta todos os setores, como educação e segurança. Se a área de saúde for desvinculada, segundo ela, perde-se a lógica da gestão fiscal responsável, com prejuízo para as finanças públicas.

Agência Câmara de Notícias

CNM é contra aumento de gastos com pessoal na área de saúde

Por Luiz Cláudio Canuto / Edição: Wilson Silveira

O representante da Confederação Nacional de Municípios (CNM) na audiência pública sobre gastos das prefeituras com saúde, Denilson Magalhães, disse que a entidade é contra a proposta de flexibilização de gastos com pessoal nessa área.

A proposta foi feita pelo deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que sugeriu a reunião. Ele quer discutir a possibilidade de retirar os gastos com saúde dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “Quando se trata de despesas na área de saúde, os recursos são destinados praticamente em sua totalidade ao pagamento de salários”, diz o deputado.

Denilson Magalhães disse que a solução não é desvincular os gastos com saúde dos limites da LRF, mas sim aprovar a regulamentação da Emenda Constitucional 29 – aumentando assim os recursos destinados à saúde.

Segundo Magalhães, em 2000, quando a emenda 29 foi aprovada, os gastos com recursos humanos na área de saúde representavam, em média, 12,62% das despesas dos municípios. Hoje, segundo ele, a média subiu para 19%, chegando a 30% em alguns casos.

Esses dados, segundo ele, demonstram que há descontrole com gastos dos municípios com saúde. Por isso, afirmou, a CNM é contra a flexibilização.

Magalhães afirmou também que a CNM se opõe aos diversos projetos que tramitam na Câmara estabelecendo pisos salariais para carreiras da área de saúde. O motivo é o mesmo: se os projetos forem aprovados, os gastos das prefeituras com pessoal vão aumentar.

Agência Câmara de Notícias

Câmara aprova criação de empresa para administrar hospitais universitários

Por Eduardo Piovesan / Edição: Marcos Rossi

O Plenário aprovou, nesta quarta-feira, a Medida Provisória 520/10, que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para administrar hospitais universitários federais e regularizar a contratação de pessoal desses órgãos, atualmente feita pelas fundações de apoio das universidades em bases legais frágeis. A matéria, aprovada na forma do projeto de lei de conversão do relator, deputado Danilo Forte (PMDB-CE), será analisada ainda pelo Senado.

Respeitado o princípio da autonomia universitária, a Ebserh poderá administrar os hospitais universitários federais. A nova empresa será vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e controlada totalmente pela União. Seguirá as normas de direito privado e manterá escritórios nos estados e subsidiárias regionais.

Segundo o governo, as fundações de apoio deveriam atuar de forma complementar e alinhadas com as diretrizes governamentais e das instituições, mas isso não ocorre, provocando perda de capacidade de planejamento e de contratação de serviços.

A solução adotada pelo governo é baseada nas experiências com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e o Grupo Hospitalar Conceição, administrados por empresas pública e de economia mista, respectivamente.

Pessoal

Os 53,5 mil servidores públicos que trabalham nos hospitais universitários federais poderão ser cedidos à nova empresa, assegurados os direitos e vantagens que recebem no órgão de origem.

No caso dos demais 26,5 mil, recrutados pelas fundações de apoio das universidades, o relator aumentou de dois para cinco anos o tempo máximo de contratação temporária desses funcionários sob o regime celetista.

Essas contratações deverão ocorrer nos primeiros 180 dias da constituição da empresa e serão feitas por meio de análise de currículo em processo seletivo simplificado.

Até o final desses cinco anos, todo o quadro de pessoal deverá ser contratado por concurso público de provas e títulos. Para valorizar o conhecimento acumulado do pessoal atualmente empregado, a MP autoriza a contagem como título do tempo de exercício em atividades correlatas ao respectivo emprego pretendido.

Opcional x Compulsório

Segundo o relator, a Ebserh assumirá a gestão dos hospitais apenas se as universidades quiserem assinar com ela contratos nos quais devem constar metas de desempenho, indicadores e sistemática de acompanhamento e avaliação.

Entretanto, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) alertou que se os reitores das universidades não assinarem os contratos com a Ebserh, o Tribunal de Contas da União (TCU) poderá processá-los pelas irregularidades de contratação de pessoal. “Na prática, essa adesão será compulsória. O que falta são recursos para os hospitais, porque enquanto o hospital de Porto Alegre recebe cerca de R$ 600 milhões ao ano, outros recebem R$ 60 milhões ou R$ 70 milhões”, afirmou.

Em 2008, o TCU elaborou um relatório de 187 páginas cobrando uma série de medidas gerenciais como a substituição dos mais de 26 mil funcionários terceirizados e a criação de indicadores de avaliação de gestão, atenção à saúde, ensino e pesquisa.

Resultados

Danilo Forte especificou em seu parecer que a avaliação de resultados prevista no contrato deverá servir para aprimorar as estratégias de atuação junto à comunidade atendida com o objetivo de aproveitar melhor os recursos destinados à empresa.

Os contratos serão assinados com dispensa de licitação e estabelecerão as obrigações dos signatários, as metas de desempenho e a sistemática de acompanhamento e avaliação.

Os serviços de assistência médico-hospitalar, ambulatorial e de apoio diagnóstico e terapêutico à comunidade continuarão gratuitos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entretanto, o relator incluiu dispositivo que prevê o ressarcimento das despesas com o atendimento daqueles que têm planos de saúde privados.

Para as universidades, os hospitais continuarão a servir de apoio à pesquisa, ao ensino-aprendizagem e à formação de pessoas no campo da saúde.

Durante a vigência do contrato entre a Ebserh e as universidades, elas poderão ceder à empresa seus bens e direitos necessários à execução dos serviços, que deverão ser devolvidos ao término do contrato.

Outras receitas

De acordo com a MP, as receitas da nova empresa virão de dotação orçamentária da União, da venda de bens e direitos, das aplicações financeiras que realizar, dos direitos patrimoniais (aluguéis e foros, por exemplo), e dos acordos e convênios que firmar.

A empresa será administrada por um conselho de administração, com funções deliberativas, e por uma diretoria executiva. Haverá ainda um conselho fiscal.

O texto aprovado prevê que o conselho de administração terá como membros natos representantes dos ministérios da Saúde e da Educação e da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e da Federação dos Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra).

Outra novidade introduzida pelo relator é o Conselho Consultivo, que terá representantes do Conselho Nacional de Saúde, do Conselho Federal de Medicina e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além da Andifes e da Fasubra.

Íntegra da proposta:

MPV-520/2010

Seguros dia-a-dia

Planos de saúde devem subir 6,6%

Os consumidores podem preparar o bolso: o índice de reajuste para os planos de Saúde individuais e familiares neste ano deve ficar em 6,6%, informou ao Estado de Minas um executivo do setor. O cálculo já foi feito pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas aguarda autorização do Ministério da Fazenda — o que deve ocorrer nos próximos dias. O número é 0,09 ponto percentual maior do que a inflação acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos 12 meses e 0,7 ponto percentual inferior à correção de 6,73% aplicada no ano passado.

O aumento afetará 7,8 milhões de contratos em um mercado de 45 milhões de usuários, ou cerca de 17% do total. O motivo é que apenas os planos individuais contratados depois de 2 de janeiro de 1999 e, portanto, regulamentados pela Lei 9.656, têm os índices de correção determinados pela ANS. No caso dos planos firmados antes desta data, vale o índice previsto no contrato. A grande maioria, 58,6%, está enquadrada na categoria de coletivos empresariais e tem os reajustes negociados diretamente entre as empresas contratantes e as operadoras.

Cálculos feitos em uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Procon de São Paulo demonstram que, caso a ANS continue a adotar a metodologia de reajuste atual de planos de Saúde, que resulta sempre em índices acima da inflação, no futuro, o consumidor não conseguirá pagar a mensalidade. Em 30 anos, os planos de Saúde terão subido 126,67% acima do IPCA.

Para chegar a essa conclusão, foram considerados os reajustes autorizados pela ANS para planos de Saúde individuais de 2000 a 2010, período em que estes subiram 31,36% além do IPCA, e a estimativa da taxa de inflação no patamar estabelecido pelo sistema de metas do governo, de 4,5% anuais.

Os resultados apontam que um consumidor de 30 anos, classe média, salário de R$ 3 mil, que contrata o plano de Saúde e paga mensalidade hoje de R$ 180,74, em 2040 será um idoso de 60 anos e seu plano custará cerca de R$ 6.088,44, ou mais de metade da renda dele corrigida pela inflação. Procurada pelo Estado de Minas a ANS não confirmou nem negou que o reajuste será 6,6%. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), representante dos planos de Saúde, informou que só se manifestará quando o índice for confirmado.

A alta nos planos de Saúde tem impacto significativo nos orçamentos dos conveniados, sobretudo os da terceira idade e os dos que pagam integralmente pelos convênios individuais e familiares. O IPC-I (inflação do idoso), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que convênios médicos pesam como a maior contribuição individual na composição do índice. Os reajustes autorizados de 2000 a 2010 resultaram em uma acumulada de 136,6% nas mensalidades dos convênios.

Saúde Business Web

ANS apresenta desafios e iniciativas

Uma ampla explanação sobre os desafios do setor de saúde privada e as iniciativas que estão sendo tomadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) marcou a apresentação do diretor-presidente da instituição, Maurício Ceschin, durante Congresso ClasSaúde, realizada na terça-feira (24).

A efetiva integração entre os serviços públicos e privados está entre as prioridades. Uma das possibilidades em estudo refere-se ao uso do Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS) pelos beneficiários da saúde suplementar também.

“A ideia é que se tenha um número só. No caso da saúde pública, as unidades de saúde poderão emitir a carteirinha. E as operadoras o fará a partir do banco de dados dos seus beneficiários, que atualmente são mais de 61 milhões em um universo de 1.600 operadoras”, explicou Ceschin.

Para o ex-presidente da ANS e atual assessor do Ministro da Saúde, Fausto Pereira dos Santos, a iniciativa vai possibilitar a identificação do paciente tanto na saúde pública e privada, incluindo informações relacionadas ao atendimento prestado. “Isso evita problemas de homônimos, por exemplo, e melhora o processo de ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse Santos.

De acordo com Ceschin, a política de cobrança para o ressarcimento ao SUS está mais eficiente. “Estávamos com um gap de pagamentos de cinco anos. Agora contamos com um gap de três anos. Nossa projeção é de dois para o final do ano e a regularização das cobranças no ano que vem”, afirmou Ceschin.

Impacto demográfico

Com cerca de R$ 72,6 bilhões de recursos anuais, a ANS enfrenta uma tendência de crescimento no número de beneficiários. Foi registrado um avanço de 8,7% na comparação anual de 2010 e 11% na contagem de planos exclusivamente coletivos. De acordo com o atual presidente, o aumento de emprego e renda da população são os responsáveis pelo cenário.

Atualmente, os idosos representam 11% do universo da saúde privada, e respondem por 25% dos custos. “A fato de que isso vai aumentar gradativamente e precisamos pensar em formas de como garantir uma sustentabilidade financeira”, enfatizou Ceschin.

A ANS não descarta a possibilidade de que gerações mais novas tenham que capitalizar e custear as mais velhas.

Remuneração

Ceschin reconhece que há uma defasagem no valor pago pelos planos de saúde aos médicos.

Segundo ele, existe uma diferença que precisa ser resgatada em relação ao pagamento de honorários aos profissionais. E ressaltou que os salários médicos não têm sido reajustados da mesma forma como foram os insumos.

No entanto, de acordo com Ceschin o reajuste dos pagamentos dos médicos tem que ser discutido com cautela para que os custos não sejam repassados aos consumidores Recentemente, a ANS estabeleceu prazos máximos para atendimento aos usuários de planos. “Essa decisão possibilita que as operadoras se reestruturem, contratem novos médicos e negociem os valores pagos aos seus prestadores de serviço”, disse Ceschin.

Em paralelo, há um grupo de trabalho, coordenado pela Agência, que estuda alternativas para modelo de remuneração. Pacotes para procedimentos hospitalares prevalentes estão sendo considerados, além de adicionais por performance.

CFM

Movimento médico

Por Mario Fernando Lins

Vamos falar sim, gritar se preciso, for contra a decisão do SDE!

Nunca antes na história deste País viu-se tamanha truculência e empenho na defesa dos interesses dos planos de saúde como a demonstrada pela SDE (Secretaria de Direito Econômico) do Ministério da Justiça na sua nota técnica recomendando ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a condenação do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e da Associação Médica Brasileira (AMB) por influenciarem os profissionais a adotar uma tabela de preços. Ssegundo a SDE, a iniciativa teria desencadeado um movimento nacional de paralisações e descredenciamentos em massa para forçar o reajuste de honorários.

Além de instaurar processo contras as três entidades nacionais dos médicos, a SDE adotou medida preventiva proibindo boicotes a planos de saúde e determina que o CFM, a AMB e a Fenam estão proibidos de coordenarem movimentos de descredenciamento em massa dos médicos. Sem dúvida houve um retrocesso nas liberdades constitucionais no que diz respeito aos médicos em escolher para quem querem trabalhar. Nem nos anos mais duros da ditadura houve tamanha interferência na luta de uma categoria de trabalhadores por melhores condições de trabalho e uma vida digna.

Os médicos brasileiros assoberbados por uma carga horária estafante, subsidiam a saúde suplementar e a saúde pública, haja vista os valores insignificantes repassados pelo SUS e os honorários irrisórios pagos pela saúde suplementar, particularmente pela Medicina de Grupo aqui representada pela Amil, Medial, Saúde Excelsior, Hapvida, Ideal Saúde entre outros. O instrumento de negociação da categoria, a Classificação Hierarquizada de Procedimentos Médicos - CBHPM, reconhecida até pela Justiça Federal, continua sendo o referencial ético para cobrança dos honorários. Proibir os médicos por não aceitar o regime de verdadeira escravidão imposto por alguns planos de saúde é, no mínimo, compactuar com os interesses daqueles que exploram de maneira vil os que prestam inestimáveis serviços a sociedade.

Recentemente em artigo de uma revista de grande circulação nacional, o bilionário da saúde, dono da Amil - Edson de Godoy Bueno - que se autodenomina de “tubarão” deixa clara a intenção de viabilizar as suas empresas à custa do sacrifício de velhinhos, velhinhas, doentes crônicos e de alto custo que durante longos e penosos anos honraram as pesadas prestação do seu plano de saúde.

Nas palavras do executivo: “até agora foram economizados cerca de 150 milhões de reais em medidas de sinergias entre as duas companhias. A medida mais drástica foi a limpeza da base de clientes não rentáveis, em que 200.000 deles foram excluídos da carteira da Amil. “E, pedagogicamente, reforça: “era gente pra encher dois maracanãs!” Arrematando: “foi um corte dramático, mas que precisava ser feito de uma só vez.” A reportagem termina com a frase: “Na construção de uma empresa desse tamanho nem tudo se resolve com um beijo na testa.” Pois muito bem, quem é que está lucrando com a exploração do segmento saúde?

Certamente não são os médicos. Na verdade, graças ao trabalho desses abnegados profissionais é que a saúde pública e privada conseguem atingir metas que surpreendem pelos números: 11 milhões de internações, 300 milhões de consultas, 15 mil transplantes - isso no âmbito do SUS - bem como no atendimento aos cerca de 45 milhões de usuários na saúde suplementar. Está mais do que cristalino que subsidiamos a saúde quando nos contentamos com migalhas pelo nosso valioso trabalho.

Sangue, suor e lágrimas é só o que esse profissionais muitas vezes têm a oferecer aos seus pacientes. Na grande maioria das vezes, particularmente no interior, os médicos se vêem obrigados a trabalhar em vários locais, cumprindo jornadas sobre-humanas em plantões sem nenhuma infra-estrutura de apoio, enfrentando situações nas quais a própria saúde se acha em risco - quando não a própria vida - no afã de poder manter com dignidade as suas famílias.

Já está virando rotina a criminalização do médico em eventos nos quais esse profissional é o principal ator. Como se tudo fosse de sua responsabilidade. Do descaso do poder público para com as emergências à falta de vagas nas UTIs, do sucateamento de instrumental nas salas de cirurgia à inexistência de medicamentos nas enfermarias, das escalas de plantões desfalcadas ao precário atendimento nas salas de parto, tudo é creditado ao coitado do doutor.

Como se não bastasse, agora vêm a SDE, o Cade e o Ministério da Saúde cobrar do médico não se rebelar contra o status quo. Ora, tenham paciência! Chega! Vamos falar sim, gritar se preciso for!

Aqui não cabe tibieza de caráter, não vamos nos intimidar com medidas draconianas nem com tentativas de nos privar do Direito Constitucional de podermos trabalhar onde e para quem quisermos. Basta!


AGENDA


- 16º Congresso Abramge e 7º Congresso Sinog

Abramge / AssPreviSite

Sistema Abramge promove Congressos sobre Tecnologia e Sustentabilidade na Saúde Suplementar

O diretor-presidente da ANS será sabatinado durante os Congressos que reunirão os principais parceiros do Sistema

A tecnologia ganha espaço cada vez maior em várias áreas. E na saúde suplementar não é diferente. Novas vacinas, novos remédios e equipamentos sofisticados auxiliam os profissionais de saúde. No entanto, como aplicar as tecnologias de ponta sem perder a sustentabilidade do negócio? O Sistema Abramge, atento ao mercado, realiza nos dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo, capital, os 16º Congresso Abramge e 7º Congresso Sinog. O tema central dos eventos é "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento Sustentável".

Para falar sobre o atual estágio e as perspectivas tecnológicas do Brasil a Conferência Magna será feita pelo jornalista Ethevaldo Siqueira, comentarista da Rádio CBN e articulista do jornal O Estado de S. Paulo.

No primeiro dia de eventos, José Sant'Anna Bevilaqua, coordenador de Tecnologia do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), falará sobre a nova ferramenta do órgão para a realização do Censo 2010. Na parte da tarde o talk show "Qualidade como Fator de Sustentabilidade" abordará a Visão das Operadoras, dos Prestadores e da Acreditadora sobre o tema. As palestras serão ministradas, respectivamente, por Fábio Leite Gastal, superintendente médico assistencial do Hospital Mãe de Deus - Sistema de Saúde Mãe de Deus; Martha Sevedra, diretora do Hospital Barra D'Or Brasil; e Rubens Covello, presidente do Instituto Qualisa de Gestão (IQG).

Para fechar o dia, Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atual superintendente corporativo do Hospital Sírio Libanês, fala sobre "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento Sustentável do Sistema".

No segundo dia, será abordado o tema "Gestão Assistencial". Em foco, o "Gerenciamento de Doenças" e "Avanço Tecnológico na Gestão de Saúde". Apresentarão estes temas, respectivamente, Ana Cláudia Assis Pinto, líder da Prática de Gestão Estratégica de Saúde da Marsh Gestão de Benefícios; e John H. Harris III, CEO de Qualidade de Vida e vice-presidente de Inovações da Healthways International.

O talk show sobre Tecnologia para Pequenas e Médias Operadoras encerra o período da manhã. O assunto será ministrado por Luiz Antonio De Biase Nogueira, representante da Abramge no Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPPIS), que falará sobre "Tecnologia da Informação na Gestão da Saúde" e Lincoln de Moura Assis Junior, diretor-presidente da Zilics, com foco no "Acesso para Pequenas e Médias Operadoras".

Para finalizar os Congressos, Maurício Ceschin, diretor-presidente da ANS, será sabatinado em uma "Roda Viva" com a participação de líderes dos vários segmentos do setor.

Confira a programação completa e os descontos oferecidos nas inscrições dos eventos, clicando no link:

http://www.abramge.com.br/mailling/Redirect.aspx?3132|||333229|||www.abramge.com.br/16congresso.htm


- Negociação dos Serviços de Saúde

Unidas / AssPreviSite

16 e 17 de junho de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

Preparar profissionais de negociação no mercado de saúde para atuarem com consciência de seu papel e sua importância enquanto agentes do processo negocial; Apresentar noções básicas da negociação em geral e seus conceitos, princípios e elementos; Apresentar o processo de negociação em seus aspectos subjetivos e formais; Apresentar o mercado de saúde, suas características, seus atores e forças que nele atuam; Identificar vantagens e dificuldades na negociação multilateral;

Identificar vantagens e dificuldades na negociação com paralisação dos serviços; Esclarecer a participação da ANS, do Poder Judiciário, Ministério Público, PROCON e CADE no processo de negociação dos serviços de saúde.

Instrutor

Dr. Natanael Dantas Soares

Público Alvo

Gestores de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e profissionais de todas as áreas, que atuam no Mercado de Saúde.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br


- Sistemas de Informação para Gestão da Saúde

Unidas / AssPreviSite

02 e 03 de junho de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

Conhecer os fundamentos dos Sistemas de Informação em Saúde e entender a sua aplicação à gestão de Sistemas de Saúde. Conhecer o processo de construção do Prontuário Eletrônico do Paciente e analisar seu uso na Assistência e na Gestão.

Conhecer os padrões para representar e transmitir a informação em saúde. Impactos da implantação do TISS – Troca de Informação em Saúde Suplementar. Conhecer a Comissão de Estudo Especial Temporária Informática em Saúde da ABNT e o HL7 Brasil. Conhecer o projeto de informatização da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e a integração com laboratórios clínicos. Conhecer a legislação sobre privacidade e confidencialidade da informação em saúde. Conhecer a questão dos usos da informação para a gestão e qualidade em saúde; discutir o cenário nacional de avaliação em saúde suplementar e comparar com o cenário internacional. Conhecer as tendências de disseminação da informação em saúde. Apresentar os conceitos de software livre e sua importância para área da saúde.

Instrutor

DRA. BEATRIZ DE FARIA LEÃO

Público Alvo

Gestores de Operadoras de Planos de Saúde, Executivos da área de Informática, Profissionais de Informática em Saúde e responsáveis pelo desenvolvimento de Sistemas de Informação em Saúde.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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