Leia
nesta edição:
- Consulta
sobre internações de beneficiários é ampliada
- Plano de
saúde
reduz reembolso ao SUS
- Ressarcimento é defensável
- Freio nos excessos da Anvisa
- Fiscalização de estabelecimentos de saúde
- Fiocruz vai desenvolver nova vacina contra febre amarela
- TRANSPLANTES-
Gene da depressão- Pesquisa vê cura
para o diabetes 1
- AIDS
– Nova droga mostra maior eficácia
- OMS quer
crianças longe de comidas prejudiciais à saúde
Sexta-feira, 28.01.11
ANS
Consulta
sobre internações de beneficiários é ampliada
Lançada em dezembro de 2010, a consulta sobre Internações
de beneficiários de planos de saúde em unidades
vinculadas ao SUS, por meio da ferramenta ANS Tabnet, conta com
uma nova variável.
A partir
de agora é possível saber, também,
os procedimentos hospitalares realizados durante as internações,
bem como a especialidade médica, a causa da internação
e os valores pagos, entre outras informações importantes.
Confira a
nova variável
no ANS Tabnet no link
http://www.ans.gov.br/anstabnet/anstabnet/deftohtm.exe?anstabnet/dados/TABNET_RES.DEF
Folha
de São
Paulo
Plano
de saúde
reduz reembolso ao SUS
Por Cláudia
Collucci
Valor pago
pelas operadoras para ressarcir o governo após
um cliente usar a rede pública caiu 32% entre 2007 e 2009
Empresas
alegam que lei é inconstitucional, pois saúde é direito
de todos; ANS admite fiscalização inadequada
O ressarcimento
dos planos de saúde ao SUS, que já é pouco,
caiu ainda mais. Entre 2007 e 2009, passou de R$ 8,23 milhões
para R$ 5,62 milhões -queda de 31,7%.
Uma lei de
1998 determina que as operadoras reembolsem o SUS quando um
segurado utiliza
a rede pública. Para os planos,
porém, a lei é inconstitucional.
A ANS (Agencia
Nacional de Saúde Suplementar) é a
responsável pela cobrança, após cruzar a
lista de pessoas atendidas em hospitais públicos com a
lista dos planos.
Mas a própria agência reconhece que essa fiscalização
precisa ser aprimorada.
Entre 2007
e 2009, os valores cobrados pela ANS (e não
necessariamente pagos ao SUS, já que os planos entram
com recursos) caíram de R$ 64,4 milhões para R$
12,8 milhões-redução de 80,9%.
Uma auditoria
do TCU (Tribunal de Contas da União) também
mostrou que, em cinco anos, a ANS deixou de cobrar dos planos
R$ 2,6 bilhões-mais de R$ 500 milhões por ano.
Em 2010, o orçamento do Ministério da Saúde
foi de R$ 67 bilhões.
Os planos
alegam que a lei é inconstitucional, já que
a saúde é um "direito de todos". As operadoras
têm recorrido à Justiça para não fazer
o ressarcimento e movem uma ação de inconstitucionalidade-
ainda não julgada definitivamente pelo Supremo Tribunal
Federal.
O faturamento
anual do setor da saúde suplementar é de
R$ 62 bilhões, com 44,8 milhões de segurados.
DECISÃO POLÍTICA
A queda do
ressarcimento dos planos ao SUS consta de levantamento feito
pelos pesquisadores
Mario Scheffer, da USP, e Lígia
Bahia, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a partir
de dados da ANS, do Portal Transparência, e do Siaf (Sistema
Integrado de Administração Financeira).
"É uma vergonha tamanha ineficiência",
diz Scheffer. Para Lígia, professora de economia da saúde
da UFRJ, a questão também passa por decisão
política da ANS. "Ela está capturada pelo
setor regulado [planos de saúde]".
Três dos cinco diretores da ANS são pessoas ligadas
a empresas privadas de saúde.
Giovanni
Guido Cerri, secretário de Estado da Saúde
de São Paulo, diz que hoje as operadoras vivem uma "situação
cômoda". "Elas recebem dos seus clientes, mas
não têm nenhum custo quando esses pacientes são
atendidos na rede pública."
Cerri afirma
que é preciso uma mobilização
maior dos gestores de todo o Brasil. "Essa distorção
tem que ser corrigida urgentemente para não onerar ainda
mais os já escassos recursos do SUS."
A advogada
Juliana Ferreira, do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor),
entende
que a não cobertura de procedimentos
empurra as pessoas com planos para o SUS.
Cobrança foi ampliada, diz ANS; planos não
falam
A ANS reconhece
que cobrou menos dos planos de saúde,
mas diz que a falha ocorreu porque ficou um período sem
receber dados dos atendimentos no SUS.
No início de 2006, diz a ANS, em nota, o Ministério
da Saúde promoveu a descentralização do
processamento das AIHs (Autorizações de Internação
Hospitalar), que passou a ser feita pelas secretarias estaduais
e municipais de saúde. Com isso, a agência alega
que não tinha dados de internações para
fazer as cobranças.
Apenas em
2010, segundo a ANS, foi possível obter a base
de dados de AIHs com "informações consistentes" e,
com isso, aumentar a proporção entre o valor cobrado
pela agência e pago pelos planos (em 2010, foram cobrados
R$ 3,27 milhões e pagos R$ 1,16 milhão).
"A ANS tem focado seus esforços na regularização
e na eliminação do passivo do ressarcimento ao
SUS e se esforçado para melhorar sua performance",
diz a nota.
Pela lei,
o ressarcimento dos planos ao SUS só deve ocorrer
se os atendimentos feitos tiverem previsão de cobertura
no contrato entre a operadora e o beneficiário.
Em relação ao aumento de gastos com pessoal -em
cinco anos, houve crescimento de 234%-, a ANS afirma que até junho
de 2005 não existiam servidores de cargo efetivo na agência
e que, a partir daquela data, começaram os concursos públicos.
Procurada,
a Abramge (Associação Brasileira de
Medicina de Grupo) alegou que, como a questão do reembolso
não foi julgada, não comentaria o assunto.
Folha
de São
Paulo
Ressarcimento é defensável
Por Hélio
Schwartsman
Mas é preciso contar a história
toda
Ninguém é contra a saúde pública.
Daí que propostas como o ressarcimento do SUS contam com
apoio quase universal. Trata-se de uma tese defensável,
mas é preciso contar a história completa.
Se o SUS
fosse cobrar tudo o que lhe é devido, os custos
das operadoras subiriam R$ 500 milhões por ano, segundo
estimativa do TCU.
Em princípio, um setor que movimenta R$ 62 bilhões
não teria dificuldade de absorver tal impacto, da ordem
de 1% do faturamento. Mas, quando se considera que essa é uma área
onde a concorrência é pouca e imperfeita, é fatal
que o aumento seria repassado aos usuários.
Não seria nenhuma enormidade. Se dividirmos os R$ 500
milhões pelos 45 milhões de segurados, temos um
incremento médio de R$ 11 na anuidade. Apesar do baixo
valor, é razoável supor que parte desses 45 milhões
protestaria, pois a cobrança não recairia sobre
uma entidade abstrata (os planos), mas sobre seus bolsos.
Aqui, a operação já não parece tanto
um ressarcimento. É mais bem descrita como um subsídio
dos usuários da rede privada ao setor público.
Ainda é uma tese respeitável, mas que não
desperta tanto entusiasmo.
Uma mudança real exigiria discutir outro subsídio:
as deduções de despesas médicas no IR. Aqui
não falamos de trocados. Em 2005, a sociedade devolveu
aos mais ricos R$ 24 bilhões gastos com planos e médicos
privados.
O
Estado de São Paulo – Editorial
Freio nos excessos da Anvisa
O parecer
da Advocacia-Geral da União (AGU), que restringe
o poder da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) de analisar os pedidos de direito de propriedade intelectual
sobre medicamentos - portanto, com influência na liberação
de genéricos -, deve ser considerado dentro do quadro
mais amplo da ação dessa agência em relação
a vários outros produtos, a qual tem sido objeto de severas
críticas, nos últimos anos, da parte de associações
empresariais e entidades como o Conselho Nacional de Autorregulamentação
Publicitária (Conar).
Assinado
pelo advogado-geral da União, Luís Adams,
aquele documento define com maior precisão, no caso dos
remédios, as atribuições da Anvisa e do
Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), entre os
quais existem fortes divergências a respeito dessa questão.
Elas começaram há dez anos, quando a Anvisa foi
autorizada a também opinar sobre a cessão de patentes
de remédios, a chamada anuência prévia. O
Inpi, que é órgão técnico especializado
na questão das patentes em geral, sempre viu nisso uma
forma de intervenção em seu trabalho.
Decidiu a
AGU que a anuência prévia deve considerar
a análise de um só quesito - o possível
risco oferecido pelo medicamento em questão. Antes, a
Anvisa levava em conta outros três quesitos - novidade,
atividade inventiva e propriedade intelectual -, cuja análise
volta a ser atribuição do Inpi, como este sempre
insistiu que deveria ser.
Tanto o temor
manifestado por algumas ONGs - de que a medida dificulte a
entrada de novos
medicamentos genéricos no
Brasil - como a opinião de um alto funcionário
da Anvisa, segundo o qual ela favorece a indústria farmacêutica,
não parecem procedentes. "Gostaria apenas de saber
qual o interesse da AGU em fazer essa alteração.
Ela não atende a interesses da população
nem mesmo do governo. Ela comunga apenas com o interesse de parte
das indústrias farmacêuticas", afirmou o coordenador
de Propriedade Intelectual da Anvisa, Luís Wanderley Lima.
Há aí uma insinuação da maior gravidade
quanto à lisura da AGU, pela qual o sr. Lima pode ser
chamado às falas. Depois, nada lhe permite colocar em
dúvida a competência do Inpi, quando afirma ter
a Anvisa "critérios mais rigorosos" para a análise
de pedidos de direito de propriedade intelectual. Afinal, é o
Inpi, não a Anvisa, o órgão técnico
da administração federal para tratar dessas questões.
Além disso, os números falam contra a Anvisa. Em
1.596 pedidos aprovados pelo Inpi, houve divergência com
a Anvisa em apenas 145. Nada que justifique a reação
do funcionário da Anvisa.
A explicação para esse tipo de atitude parece
estar na indevida amplitude das atribuições que
a Anvisa julga serem as suas. Além de querer atropelar
o Inpi no caso dos medicamentos, seu avanço em setores
como o das características de certos alimentos e a publicidade
destes e de algumas bebidas vem sendo contestada com crescente
veemência pelo setores atingidos.
No ano passado,
a Anvisa baixou resolução com
regras mais rígidas para a publicidade de alimentos com
altos teores de gordura, açúcar ou sódio.
O mesmo documento determinava também que a publicidade
de determinados alimentos e bebidas com baixo teor nutritivo
viesse acompanhada de mensagens de advertência sobre males à saúde
que eles podem causar, quando consumidos em excesso.
O Conar -
que tem longo histórico de bem-sucedida ação
contra excessos na publicidade - logo reagiu, alegando que a
Anvisa não tem competência para impor restrições à propaganda
de produtos. E a Associação Brasileira das Indústrias
de Alimentação afirmou, com razão, que o
consumo excessivo de nutrientes é "reflexo de hábitos
alimentares da população", nada tendo a ver
com a composição dos produtos industrializados.
Felizmente,
as exorbitâncias da Anvisa - que só prejudicam
a relevante tarefa que tem a cumprir - começam a ser contidas.
A AGU parece disposta a pôr um freio também nos
excessos da Anvisa no caso dos alimentos e bebidas.
CFM
/ Saúde
Business Web
Fiscalização de estabelecimentos de saúde
Fiscalização terá formulário eletrônico
Nele, os
profissionais informariam dados como materiais, equipamentos
e instalações,
por exemplo, do ambiente de atendimento
A inspeção de estabelecimentos de saúde,
como consultórios e clínicas, poderá ser
agilizada, com a implantação de um formulário
eletrônico de fiscalização. Nele, os profissionais
informariam dados como materiais, equipamentos e instalações,
por exemplo, do ambiente de atendimento.
A elaboração do documento foi discutida pela Comissão
de Fiscalização do Conselho Federal de Medicina
(CFM), em reunião realizada nesta quarta-feira (26). O
coordenador da Comissão e 3º vice-presidente do CFM,
Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti, afirma que "a meta é que
todos os processos de fiscalização estejam em formulário
eletrônico, para garantir informações seguras
e atualizáveis a qualquer momento, além de ser
base de dados estatísticos para qualquer análise
relativa à segurança do ato médico".
O conselheiro
contou que até o dia 15 de março
será aplicado o formulário experimental, elaborado
em 2010, e em 30 de março, será realizada uma nova
reunião, em que será avaliada a aplicabilidade
do instrumento, que, "a partir de maio, passará a
ser obrigatório em todo o Brasil", anuncia Emmanuel
Fortes.
Agência
Brasil
Fiocruz vai desenvolver nova vacina contra febre amarela
O Biomanguinhos
(Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos),
da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), vai desenvolver
uma nova vacina contra a febre amarela que provoque menos reações
ou efeitos colaterais. O projeto usará como base uma planta
para a criação do imunizante.
O estudo
será feito em parceria com duas instituições
de pesquisa dos Estados Unidos: o Centro Fraunhofer para Biotecnologia
Molecular e o iBio Inc.
De acordo
com a Fiocruz, os pesquisadores vão colocar
os genes, responsáveis por produzir a principal proteína
do vírus causador da febre amarela, nas folhas da Nicotiana
benthamiana, espécie de tabaco hidropônica (cultivada
sem tocar o solo, de forma suspensa e que recebe uma solução
nutritiva).
Os primeiros
testes clínicos da nova vacina estão
previstos para ocorrer em três anos no Brasil e nos Estados
Unidos. A Fiocruz vai investir US$ 6 milhões na pesquisa.
A vacina
atual, produzida por Biomanguinhos, usa uma versão
atenuada do vírus da doença desenvolvida em ovos
de galinha. A febre amarela á transmitida pela picada
da fêmea do mosquito infectada pelo vírus. A doença
causa febre, calafrios, náuseas, vômito, icterícia
(a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias, além
de dores na cabeça e no corpo.
A vacina é aplicada a partir dos 9 meses de idade, com
validade por dez anos. A única forma de evitar a febre
amarela é a vacinação.
A estimativa
da Organização Mundial da Saúde é que
30 mil pessoas morrem vítimas da doença todos os
anos e 200 mil não são vacinadas.
Folha
de São Paulo – Caderno Saúde
TRANSPLANTES
Brasil
tem recorde de doadores de órgãos
Em 2010,
o número de doadores de órgãos
foi 11% maior do que em 2009, segundo a ABTO (Associação
de Brasileira de Transplante de Órgãos).
Foram 1.842
doadores com órgãos transplantados. É a
maior média da história.
O número
total de transplantes feitos no Brasil teve um aumento de 6,5%
.
Os tipos
que mais tiveram aumento foram os transplantes de rim e de
fígado.
Segundo a
ABTO, São Paulo é o Estado com maior
proporção de doadores. A região Norte é a
que tem menos doações.
Folha
de São Paulo – Caderno Saúde
Gene
da depressão
Estudo defende
que variação genética reduz
a resistência ao estresse e aumenta tendência à depressão;
questão retoma debate entre especialistas que atribuem
o transtorno a causas biológicas ou ambientais
Por Guilherme Genestreti
DE SÃO
PAULO
Um estudo
publicado neste mês no periódico "Archives
of General Psychiatry", reacende o debate em torno do caráter
genético da depressão.
A pesquisa,
das universidades de Michigan, EUA, e Würzburg,
Alemanha, conclui que pessoas com uma variação
mais curta do que a normal do gene 5-HTTLPR são mais propensas
a ter depressão depois de situações estressantes.
O estudo
revisou informações
de 54 trabalhos publicados sobre o tema entre 2001 e 2010,
avaliando dados de mais de 40
mil pessoas.
O resultado
vai na contramão de outra metanálise,
publicada em 2009, que comparou 14 estudos e não encontrou
relação entre gene, estresse e depressão.
Srijan Sen,
professor de psiquiatria da Universidade de Michigan e um dos
autores
novo trabalho, afirma que o levantamento anterior
foi restrito e não analisou estudos representativos.
Segundo Sen,
a nova conclusão pode explicar por que as
pessoas respondem de forma diferente às mesmas situações
de estresse.
"Muitos estudos mostraram que quem passa por essas situações
tem um risco maior de desenvolver depressão, mas, do ponto
de vista clínico, sabemos que as pessoas reagem de formas
diferentes ao estresse", disse Sen à Folha, por e-mail.
O "gene da depressão" é responsável
pela produção da proteína que transporta
a serotonina, neurotransmissor ligado ao humor.
Normalmente,
a serotonina é liberada entre os neurônios
e parte é recaptada pela proteína produzida pelo
gene 5-HTTLPR.
Quando a
pessoa é portadora do gene alterado, a recaptação é maior,
e menos serotonina é liberada para o próximo neurônio.
Isso gera os sintomas da depressão.
André Brunoni, psiquiatra do Hospital das Clínicas,
explica que o fator genético por si só não
implica no aparecimento da depressão.
"É necessário haver interação
entre a predisposição genética e o ambiente
estressante", diz. "Mas, mesmo assim, é um fator
de risco e não uma certeza de 100%", afirma o psiquiatra.
PERSPECTIVAS
Segundo os
especialistas, descobertas como essas podem levar a um tratamento
mais personalizado
da doença no futuro.
"A genética molecular ainda não tem aplicação
na prática clínica. No futuro, devemos encontrar
fatores genéticos que associam a melhora a certos medicamentos",
diz Fernando Fernandes, pesquisador do grupo de estudos de doenças
afetivas do Hospital das Clínicas.
Segundo Srijan
Sen, esses resultados já mudam a forma
de encarar a depressão.
"Ainda há muito estigma associado a ela. Ao identificarmos
um fator genético, podemos compreender que é uma
doença biológica", diz.
O psiquiatra
André Brunoni concorda: "Ainda há pais
que não compreendem a depressão dos filhos e acham
que eles podem superar isso sozinhos".
E completa: "Pensar na depressão como uma doença
com causa biológica, que não é preguiça
ou mera insatisfação com a vida, ajuda".
Correio
Braziliense – Caderno Saúde
Pesquisa
vê cura
para o diabetes 1
Cientistas
americanos afirmam que, ao manipularem um hormônio
produzido pelo pâncreas, conseguiram diminuir o nível
de glicose no sangue. Com isso, a reposição de
insulina se tornaria desnecessária
Por Carolina Vicentin
Uma descoberta
divulgada ontem por pesquisadores do Centro Médico
da Universidade do Sudoeste do Texas, nos Estados Unidos, promete
dar nova esperança aos portadores do diabetes melito (tipo
1), um dos tipos mais agressivos da doença. O estudo,
que será publicado na revista especializada Diabetes de
fevereiro, sugere uma cura para o problema a partir da manipulação
genética do glucagon, um hormônio produzido pelo
pâncreas. A ideia é ousada: em vez de administrar
insulina (o tratamento indicado nesse tipo da doença),
os pesquisadores conseguiram mostrar, em ratos, que a manipulação
dessa outra substância também pode deixar o organismo
normal.
O glucacon é um hormônico antagônico à ação
da insulina, ou seja, ele aumenta o nível de glicose no
sangue. Os pesquisadores, então, apostaram na hipótese
de que, se fosse possível limitar a liberação
de glicose por essa substância, os diabéticos não
precisariam mais fazer a reposição insulínica.
A supressão do hormônio foi feita através
de manipulação genética. Nos testes pré-clínicos,
realizados com camundongos, a “invenção” funcionou. “O
bloqueio da produção desse hormônio fez com
que o organismo dos animais com deficiência insulínica
voltasse ao normal”, contou ao Correio, por e-mail, o professor
Roger Unger, um dos autores da pesquisa.
O diabetes
melito, também conhecido como diabetes tipo
1, é uma doença autoimune, na qual o corpo do paciente
destrói as células produtoras de insulina. Esse
hormônio é o responsável por levar a glicose
dos alimentos a todas as partes do corpo. “É comum
esse tipo da doença ser considerado o mais grave. Na verdade,
ele é o que precisa de mais cuidados. Como a pessoa não
tem a insulina, corre o risco de morrer imediatamente se não
fizer a reposição”, explica a professora
Jane Dullius, da Faculdade de Educação Física
da Universidade de Brasília.
Esse é, inclusive, um dos principais problemas para os
diabéticos. “O incômodo vai desde o mais básico,
que é ficar tomando injeções diárias,
até o mais estrutural, estar sempre mantendo a rotina,
ficar de olho nas taxas de glicose no sangue, não comer
fora do horário”, enumera o jornalista Paulo Mesquita,
26 anos, portador da doença desde os 11. Calcula-se que,
pelo menos, 42 milhões de pessoas tenham o diabetes melito — o
equivalente a 0,7% da população mundial. A maioria
descobre a deficiência antes dos 30 anos, geralmente, na
infância ou no início da adolescência.
Avanços
O professor
Roger Unger ressaltou a importância da descoberta,
ainda mais porque não há muitos estudos sobre a
relação entre o glucagon e o controle do diabetes. “A
supressão do glucagon erradicou o diabetes dos ratos,
enquanto a reposição de insulina, não”,
reforçou. As próximas etapas, afirma, serão
os testes clínicos, em que a manipulação
vai ocorrer em humanos.
A professora
da UnB Jane Dullius ressalva que ainda é preciso
estudar o assunto com cuidado. “Se a ciência controlar
o glucagon, não vai estar dando um fim ao diabetes, vai
estar apenas evitando que a glicose do organismo do paciente
suba. A insulina não pode ser esquecida, ela é essencial
para que a glicose seja absorvida pelos tecidos”, observa.
O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Saulo Cavalcanti,
lembra que os fatores ambientais também precisam ser analisados
no processo. “O estudo é pioneiro, uma luz no fim
do túnel. Mas o fator genético também é complexo,
porque existem vários genes relacionados ao diabetes.
A terapia gênica está engatinhando, é uma
ferramenta que ainda precisa ser bastante explorada”, alerta.
Agência
Brasil
AIDS – Nova droga mostra maior eficácia
A substância VIR-576, desenvolvida por cientistas alemães
para combater a Aids, reduziu em até 95% a quantidade
de vírus HIV no sangue de 18 voluntários nos primeiros
testes. Enquanto isso, no Brasil, o ministro Alexandre Padilha
declarou, na última segunda (24/01), no Fórum ONGs
de Aids de São Paulo, que o diagnóstico precoce
da doença é o foco da ação do Ministério
da Saúde.
O produto
tem efeitos colaterais menores por atacar o “invasor” ainda
fora das células humanas. Segundo o pesquisador Frank
Kirchhoff, do Hospital Universitário de Ulm, é parecido
com outros inibidores de fusão, como o Fuzeon, mas foi
desenvolvido para bloquear o processo de infecção
em uma etapa anterior.
“O que o vírus faz é parecido com jogar
uma âncora para poder se acoplar à célula”,
declarou. “A nova droga ocupa a âncora – chamada
peptídeo de fusão – e impede que ela seja
inserida na membrana celular. Assim, o vírus não
consegue entrar na célula”.
O medicamento
não é afetado por mutações
genéticas, pois ataca o vírus em um estágio
inalterado. Por isso, a substância pode ser uma esperança
para pacientes que já não reagem aos remédios,
cerca de 10% dos infectados.
Porém, o VIR-576 precisa ser administrado em soro, o
que o torna pouco prático e dependente de assistência
médica. Por isso os cientistas tentam desenvolver uma
versão em comprimido. No entanto, ainda não há previsão
para que o medicamente chegue ao mercado.
Os esforços para identificar a infecção
pelo HIV precocemente anunciados pelo Ministério da Saúde
podem ajudar a reduzir cerca de 11 mil mortes anuais causadas
pela doença. De acordo com Alexandre Padilha, os grupos
mais vulneráveis terão maior foco e a internet
será usada para atingir outros públicos.
Correio do Estado
OMS
quer crianças longe de comidas prejudiciais à saúde
A Organização Mundial da Saúde, OMS, pediu
aos países que reforcem uma série de medidas para
evitar que as crianças adotem uma dieta rica em calorias
e outros elementos nocivos.
A agência da ONU quer que os governos tomem providências
para reduzir o marketing infantil de produtos ricos em açúcar,
gordura e sal que podem causar doenças crônicas
para o resto da vida.
A OMS lembrou
que a TV é responsável por uma grande
parte da propaganda de alimentos nocivos.
No ano passado,
os países-membros da agência endossaram
uma nova lista de recomendações sobre o marketing
de alimentos e bebidas para crianças.
Em todo o
mundo, 43 milhões de crianças em idade
pré-escolar estão gordas ou obesas. Uma dieta ruim é um
dos quatro maiores fatores associados à doenças
como câncer, diabetes, problemas cardiovasculares e complicações
no pulmão.
Essas doenças também matam 35 milhões
de pessoas todos os anos.
Entre as
medidas recomendas pela OMS, estão a redução
da exposição de menores à propaganda sobre
alimentos nocivos e aulas nas escolas para promover uma dieta
saudável.
A agência também pede aos países que combatam
o marketing que atravessa fronteiras, além de regular
a propaganda de alimentos voltada para crianças.
JANEIRO / 2011
-
Liderança, Gerenciamento e Tomada de Decisão
17 e 18 de fevereiro de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Preparar
profissionais para liderar equipes com base em responsabilidades,
autoridades,
solução de problemas e negociação.
Metodologia
Ametodologia
alterna exposição dialogada, exemplificações
voltadas para a realidade da administração pública
com foco em resultados e, em especial, na realidade da instituição,
conceitos e vivências, exercícios em grupos de aprendizagem
e debates, de forma a favorecer a troca de experiências
e assimilação do conteúdo proposto. Também
alterna a realização de módulos em sala
de aula com períodos de aplicação junto às
equipes naturais.
Instrutores
PETER M. DOSTLER
Público
Alvo
Diretores,
Gerentes, Supervisores, Líderes e colaboradores
profissionais de todas as áreas da organização.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br (Unidas/AssPreviSite)
-
Curso de Educação Médica Continuada CREMERJ
em Oncologia Pediátrica - Nova Iguaçu
A Diretoria
do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro
e sua Seccional
Nova Iguaçu convidam para o
Curso de Educação Médica Continuada CREMERJ
em Oncologia Pediátrica no dia 19 de março de 2011,
sábado, das 9h às 12h, no Centro de Estudos da
Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima (Rua Bernardino
de Melo, 1465 – 6º andar – Centro – Nova
Iguaçu/RJ).
Consº Luís
Fernando Soares Moraes
Presidente do CREMERJ
José Estevam
da Silva Filho
Coordenador
da Seccional Nova Iguaçu do CREMERJ
Coordenação:
Consº Nelson Nahon – Seccional Nova Iguaçu
do CREMERJ
Consº Sidnei Ferreira – Responsável pela Câmara
Técnica de Pediatria do CREMERJ
VAGAS LIMITADAS
Promoção:
CREMERJ
Realização: SECCAT (Secretaria de Comissões
e Câmaras Técnicas do CREMERJ)
e Seccional
Municipal Nova Iguaçu do CREMERJ
Inscrições gratuitas e informações – Seccional
Nova Iguaçu do CREMERJ
Tels.: 2667-4343 – novaiguacu@cremerj.org.br