Leia
nesta edição:
- O aumento
da incidência
dos desastres naturais
- Droga em
teste eleva em 61% sobrevida de pacientes com câncer
cerebral
- Teste seis em um
- Versão
importada ausente
- Mais de
250 planos têm problemas financeiros
- Samcil
tenta vender três hospitais para abreviar intervenção
da ANS
- Em Goiás,
contratos sob suspeita
- Atendimento
só no
papel
- Ministério: fiscalização é compartilhada
- Quem está pagando
a conta dos planos?
- Médicos de planos vão
suspender consultas por 1 dia
- Sem tomar atitude, ANS descumpre sua finalidade
Segunda-feira, 28.03.11
O
Estado de São
Paulo
O
aumento da incidência
dos desastres naturais
Por Marco Antonio Rocha
Dentro em
breve os estudos sobre a viabilidade econômica
de um país talvez não repousem apenas na fórmula
clássica: recursos materiais abundantes, recursos humanos
qualificados, extensão territorial, etc. Poderão
incluir - e há quem já diga, deverão incluir
- uma medição da propensão do país
a sofrer desastres naturais e da proporção que
esses desastres podem assumir na economia estudada.
Mesmo antes
do terremoto/maremoto que varreu o Japão,
isso já vinha ocupando algum tempo de trabalho entre economistas
e planejadores de instituições internacionais.
Atrai a atenção, portanto, no momento em que o
mundo acompanha, bastante perplexo, a espantosa tragédia
que envolve uma das suas mais desenvolvidas economias, o alerta
surgido na publicação Economic Premise, dedicada
a estudos sobre a redução da pobreza e à promoção
de uma rede mundial de gestão econômica - vinculada
ao Banco Mundial, embora "não necessariamente reflita" os
pontos de vista do Bird, como ela mesma esclarece.
Na sua edição número 52 a publicação
traz um artigo, assinado por Vinod Thomas, cujo título
sugere: É tempo de o Fator Desastre Natural ser incluído
nos Cenários Macroeconômicos. Thomas é diretor-geral
do IEG-Independent Evaluation Group, do Banco Mundial, e sua
premissa de trabalho é de que os cenários com que
os economistas e gestores trabalham hoje "raramente levam
em consideração os resultados da crescente incidência,
danos, e custos" dos desastres naturais. Em consequência
disso, os governos e as organizações internacionais
de ajuda não estabelecem planos, em caráter sistemático,
para prevenir, mitigar e reparar os efeitos das violências
da natureza.
No entanto,
pelos fatos apontados no artigo, mais do que se justifica a
exortação nele contida. Recentemente,
terremotos de séria magnitude abalaram não só o
Japão, mas o Haiti e o Chile, e inundações
catastróficas afetaram o Paquistão, a África
Ocidental, o Sri Lanka, Brasil e Austrália, tudo num curto
período de um ano e meio a dois anos.
A questão central é que, por razões não
desvendadas cientificamente, parece estar havendo um incremento
da incidência dessas calamidades: "Cerca de 2,6 bilhões
de pessoas foram atingidas por catástrofes naturais nos últimos
10 anos, contra 1,6 bilhão na década precedente" -
informa o articulista com base em estatísticas do Banco
Mundial. Já de acordo com o Fundo Monetário Internacional,
os custos dos danos causados por desastres naturais são
hoje 15 vezes maiores do que nos anos 50. E, segundo estimativas
recentes divulgadas na imprensa, as perdas provocadas pelo terremoto
no Japão ascendem a mais de US$ 300 bilhões, algo
entre 5% e 6% do PIB do país.
Mas há mais informações, em certa medida
já consolidadas. A frequência de inundações
e secas - desastres hidrometeorológicos - "aumentou
dramaticamente nas últimas duas décadas",
diz Thomas, acrescentando que a média de 150 desastres
por ano, da década de 80, subiu para 370, no final dos
2000. E a isso se podem acrescentar as recentes perdas de colheitas
e gado na Rússia de 2010 para 2011.
A pergunta,
diante dessas tragédias repetidas, que levam
as ruas a pensarem se "o mundo está acabando", é se
isso tudo não seria já resultado da ação
predatória do homem sobre a natureza. Não há resposta
conclusiva, mas o fato de que a natureza foi até mais
violenta nos períodos em que o homem ainda não
tinha aparecido sugere que a condenação à nossa
atividade não precisa ser radical. Afinal, só mesmo
o homem tem meios de preservar a natureza e de restaurar o que
ela destrói, ou só ele destrói e constrói
coisas belas, segundo Caetano Veloso.
Mas não carece especular, diria o caipira. E, sim, pensar
numa organização para prevenção dessas
adversidades, para lidar com elas eficazmente e para reconstrução
do que for destruído. É, pois, possível
implementar políticas públicas voltadas especificamente
para a finalidade de administrar catástrofes, planejar
os meios de se advertir delas, proteger as populações,
mitigar os danos e remediar os estragos e providenciar fundos
financeiros para o trabalho de pós-desastre.
No Brasil,
as comissões ou comitês de defesa civil,
principalmente os que se têm mostrado mais eficazes nos
piores desastres, podem ser fonte importante de informações
sobre o que deve ser feito em situações emergenciais.
Seria necessário montar um esquema de reunir as experiências
desses grupos para delas tirar linhas de ações
o mais padronizadas possível, assim como montar um inventário
dos recursos mínimos que se devem ter à disposição
nessas ocasiões.
Como diz
o autor do artigo, é importante focar não
apenas nos esforços de assistência no pós-desastre
imediato, mas também em como tornar essas primeiras respostas
mais efetivas no sentido de reduzir a vulnerabilidade a que ficam
expostos os sobreviventes por longo tempo.
Tudo isso,
ou seja, o conjunto de medidas preventivas, mitigadoras e restauradoras,
tem de ser inserido como parte integrante de
políticas nacionais antidesastre. O desastre natural não
deve mais ser tratado como fato aleatório, e sim como
ameaça constante. A cidade de São Paulo que o diga.
O
Estado de São
Paulo
Droga
em teste eleva em 61% sobrevida de pacientes com câncer
cerebral
Por Clarissa
Thomé
Pacientes
do Hospital Federal de Ipanema participarão
da terceira fase de testes de um novo quimioterápico para
tratamento do tipo mais letal de tumor maligno de cérebro,
o glioblastoma multiforme (GBM). O medicamento, feito com álcool
perílico - extraído de óleo essencial presente
em plantas como hortelã, cereja e sálvia -, aumenta
em até 61% a sobrevida do paciente.
A sobrevida
média após o diagnóstico do
GBM, que corresponde a 80% dos casos de tumores malignos cerebrais, é de
2,3 meses. Com o tratamento, esse tempo aumentou para 3,7 meses.
"Parece pouco, mas esse tempo se traduz em uma oportunidade
ao paciente. A resposta terapêutica faz com que ele ganhe
tempo para fazer radioterapia, uma quimioterapia mais específica
ou passar por uma cirurgia, se for um tumor superficial. Ele
ganha poder de resistência para tratar a patologia grave",
afirma o neurocirurgião Júlio César Thomé,
chefe do Serviço de Neurologia do Hospital de Ipanema.
O quimioterápico testado é o monoterpenoalcool
perílico. Começou a ser estudado em 1987 no Instituto
de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), do qual
Thomé é pesquisador associado. O álcool
perílico é inalado, como em uma nebulização,
quatro vezes ao dia. O medicamento é enviado para a casa
do paciente, pelo correio. O tratamento não causa perda
de cabelo, náuseas e vômitos, como outros quimioterápicos.
A equipe,
coordenada pela professora Thereza Quírico-Santos,
testou a toxicidade e o efeito antitumoral, nas fases anteriores.
Até o momento, 199 pessoas fazem parte da pesquisa - 52
delas ficaram no grupo controle, porque chegaram ao hospital
já com extensa lesão neurológica.
Obtiveram
melhores resultados pacientes submetidos à terapia
conjugada - fizeram biópsia e receberam álcool
perílico, além de radio e quimioterapia. "Os
que passaram por todas as fases tiveram menor taxa de recidiva
e, entre os que tiveram, o retorno foi mais lento. Pacientes
que morreriam em dois ou três meses estão vivos",
diz Thomé.
O engenheiro
Fernando Afonso tinha 49 anos quando sofreu convulsão
e recebeu o diagnóstico de GBM com a sentença:
viveria no máximo seis meses. O tumor tinha volume equivalente
a uma bola de ping-pong (64 cm cúbicos) e não havia
possibilidade de cirurgia. Ao consultar o oncologista, soube
da pesquisa da UFF e foi incluído no estudo. Fez 30 sessões
de radioterapia e desde 2007 faz inalação com álcool
perílico. "Tive a sorte de conseguir debelar um tumor
como esse sem nunca ter tomado uma injeção",
conta, aos 53 anos. Hoje, o tumor tem 9 cm cúbicos.
Terceira
fase. Agora, a equipe quer saber por que o álcool
perílico não tem efeito sobre todos os pacientes
e entender a biologia do tumor. A intenção é identificar
os fatores envolvidos com a progressão do câncer
e descobrir se há metástase antes mesmo de a doença
se manifestar.
Correio Braziliense
Teste seis em um
Instituto
de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos)
finaliza um novo método para análise de sangue,
capaz de detectar sífilis, HIV, hepatites B e C, doença
de Chagas e o vírus HTLV com apenas uma amostra. Técnica
significa economia de tempo e de dinheiro
Por Silvia Pacheco
Na rotina
de triagem dos hemocentros brasileiros todos os dias é travada
uma batalha pela segurança da qualidade do sangue para
transfusões. Repetidos testes são feitos em diversas
amostras do soro para garantir que o material não esteja
contaminado por agentes infecciosos. Para cada doença
a ser diagnosticada, uma amostra é utilizada. Permeando
tudo isso está o tempo: pelo menos cinco horas são
gastas até que o sangue seja liberado, ou não,
para o uso. E quando o assunto é saúde, tempo e
segurança são imprescindíveis para o sucesso
de qualquer procedimento, ainda mais se há um deficit
no estoque de sangue como o existente no país. Pensando
nisso, pesquisadores brasileiros se debruçam na criação
de um multiteste que detecta em apenas uma amostra de sangue,
em 30 minutos, seis tipos de doenças: sífilis,
HIV/Aids, hepatites B e C, doença de Chagas e o vírus
HTLV, capaz de provocar quadros neurológicos degenerativos.
A iniciativa,
que está em fase avançada de desenvolvimento, é do
Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos),
unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com
o apoio do Instituto de Biologia Molecular do Paraná.
O método emprega a chamada plataforma de microarranjos
líquidos, na qual todas as reações e análises
são feitas em nível nanoscópico — nesse
caso, por se tratar de sangue, apenas um bilionésimo de
litro.
O novo procedimento
pode ajudar também a reverter a expansão
dessas doenças no Brasil, principalmente da Aids. Segundo
estudo divulgado recentemente pela Organização
das Nações Unidas (ONU), o número de pessoas
contaminadas pelo vírus HIV no país aumentou nos últimos
anos. Os levantamentos mostram que, em 2009, cerca de 650 mil
pessoas foram contaminadas. Em 2001, esse número girava
em torno de 470 mil. “Precisamos ampliar os diagnósticos
específicos e aumentar sua eficiência, para evitar
os casos de transmissão”, observa o químico
Antônio Ferreira, coordenador da pesquisa e gerente do
Programa de Desenvolvimento de Reativos para Diagnósticos
de Bio-Manguinhos.
No novo método, adiciona-se um conjunto de duas mil microesferas
plásticas, de diferentes tonalidades, codificadas por
fluorescência, ao tubo de ensaio que contém a amostra
de sangue. Cada tipo de microesfera tem uma cor específica,
relacionada com o tipo de doença — vermelho para
Aids, amarelo para sífilis, por exemplo — e pode
ser revestida com proteínas ou material genético
de um determinado patógeno (vírus ou micro-organismos
causadores de doenças). A análise que dá o
diagnóstico é feita por meio de um equipamento
que emite dois tipos de raios laser: o primeiro identifica o
tipo ou a cor da microesfera, enquanto o segundo verifica se
ela contém o anticorpo ou não.
“Uma quantidade significativa de microesferas positivas
(com o anticorpo) de um ou mais tipos significa que aquele indivíduo
foi infectado pelos patógenos correspondentes”,
sintetiza Ferreira. Com esse método, os cientistas afirmam
também que podem ser feitos futuramente até 15
diagnósticos de uma só vez, com uma única
amostra de sangue. Entre esse conjunto de doenças detectadas
estariam a toxoplasmose e o HPV (sigla em inglês para papiloma
vírus humano).
Economia
O multiteste
deve substituir o teste Elisa (sigla para a expressão
inglesa Enzyme Linked Immunosorbent Assay), bastante empregado
em laboratórios brasileiros para detectar os anticorpos.
A nova técnica deve trazer economia para a balança
comercial do país. No Elisa, são utilizados reagentes
para detectar a presença dos agentes infecciosos. “Esses
compostos são todos importados e caros”, informa
o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério
da Saúde, Carlos Gadelha. Segundo ele, a importação
de reagentes soma US$ 400 milhões por ano. “Com
o novo teste, esse valor pode cair para a metade”, calcula
Gadelha.
Além dos custos com as importações, a utilização
do multiteste pode gerar uma economia também de 50% nos
gastos realizados com equipamentos, material e pessoal nos hemocentros.
Nos testes disponíveis hoje, é preciso fazer até dois
exames confirmatórios em alguns tipos de diagnósticos. “Para
a detecção dessas seis doenças, utilizamos
seis testes, um para cada. Na prática, porém, realizamos
oito testes. Para hepatite B e HIV, são feitos dois ensaios,
para aumentar ainda mais a sensibilidade da triagem sorológica
do sangue. Um multiteste substituiria todos esses”, esclarece
Couto.
De acordo
com o coordenador da pesquisa, o multiteste estará disponível
para os hemocentros em 2012. “Estamos dependendo de recursos
do BNDES, a serem disponibilizados agora em maio, para terminarmos
os testes no laboratório”, informa o diretor de
Bio-Manguinhos.
Pioneirismo
soviético
As primeiras
transfusões de sangue datam de 1926, no
primeiro centro de hematologia e transfusão de sangue,
em Moscou, na então União Soviética. Elas
eram feitas do braço elevado do doador diretamente para
o do receptor. Na época, não eram realizados os
testes pré-transfusionais e nenhum outro exame específico
frequentes hoje em dia.
Correio Braziliense
Versão
importada ausente
Na linha
de frente na batalha para mais segurança nas
transfusões de sangue, está o teste NAT (sigla
inglesa para teste de ácido nucleico), responsável
pelo diagnóstico específico do HIV e do HCV, vírus
que provoca a hepatite C. Comparado ao atual teste Elisa, o NAT
encurta o prazo de detecção no sangue dos vírus
HIV de 22 para sete dias, e da hepatite C, de 70 para 11 dias,
em média. Ele já é adotado na Europa Ocidental,
na América do Norte e na Ásia. Seu diferencial
está na detecção do ácido nucleico,
em vez dos anticorpos, como é feito nos ensaios atuais. "Os
vírus se multiplicam inserindo seu material genético
(ácido nucleico) nas células. Com o NAT, conseguimos
identificar a pessoa com a mínima taxa viral que ela tenha,
o que chamamos de janela imunológica", explica o
químico Antônio Ferreira.
Diversos
estudos demonstram a segurança maior com a utilização
do teste NAT, entre os quais um do Hospital das Clinicas da Universidade
de São Paulo. "O teste aumenta a segurança
da transfusão, pois investiga a presença de alguns
agentes infecciosos, o que faz uma triagem do sangue que vai
ser doado. Se o sangue tiver material genético de algum
desses vírus, ele é desprezado", esclarece
o hematologista Dante Lang, diretor da Associação
Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH). Segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS), cerca de 177 milhões de
pessoas no mundo estão cronicamente infectadas pelo HCV
e pelo HIV, o que corresponde a 3% da população
mundial.
No Brasil,
o NAT só é realidade, por enquanto,
em alguns laboratórios particulares e em pouquíssimas
unidades públicas. No Sistema Único de Saúde
(SUS), após o desenvolvimento de uma tecnologia brasileira
para a fabricação do teste, a implementação
está sendo gradual. "Alguns hemocentros já têm
o teste, mas precisamos treinar e capacitar o pessoal para o
uso da nova tecnologia", justifica o secretário de
Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde,
Carlos Gadelha. Ele sustenta que a decisão do governo
de desenvolver o NAT brasileiro foi baseada nos altos custos
de importação do material para os ensaios. "Buscamos
alinhar alta tecnologia com redução de custos e
economia na balança comercial", disse.
Para Lang,
se o teste fosse obrigatório no país,
o risco de infecções contraídas por meio
de transfusões de sangue diminuiria em até 20 vezes.
O hematologista reclama da demora do governo para a implantação
do teste na rede pública. "O registro do NAT está na
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
desde 2002. Não podemos, devido à justificativa
econômica, deixar de garantir a maior segurança
possível na transfusão realizada no Brasil",
sentencia. "Os órgãos governamentais defendem
a ideia de que esse teste tem custo relativamente elevado e que
o Brasil está desenvolvendo um produto nacional. É pertinente,
mas o Brasil deveria adotar esses testes que já existem
no mercado e, só depois, desenvolver o nacional."
Valor
Econômico
Mais
de 250 planos têm problemas financeiros
Mais de 15%
das 1.618 operadoras de planos de saúde e
odontológicos em atividades no país estão
hoje sob intervenção da Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS).
No total,
são 255 operadoras sob a fiscalização
da agência reguladora. Desse volume, 73 já estão
em regime de liquidação extrajudicial, ou seja,
esses convênios não conseguiram acertar seus débitos
financeiros e correm o risco de ir à falência.
Para evitar
a quebra, a ANS realiza diversos leilões
para que outras operadoras absorvam os clientes da empresa com
problemas financeiros. Ainda assim, o número de planos
em atividades na última década diminuiu sensivelmente.
Em 2000, eram 2.723 contra 1.618 atualmente.
Há ainda no mercado 182 operadoras em direção
fiscal - tipo de intervenção em que um fiscal da
ANS se instala dentro da empresa para analisar a real situação
econômica e exige um plano de recuperação.
Caso esse plano não seja efetivado, a operadora passa
para a fase de liquidação extrajudicial.
Nos dois últimos anos, o número de operadoras
em regime de direção fiscal saltou de 52 para 176.
Uma das razões para essa alta é que a ANS passou
a exigir provisões (reservas técnicas) para evitar
que uma operadora quebre e deixe seus clientes desamparados.
O setor ficou
40 anos sem regulamentação. Agora,
estamos implementando as provisões e outras normativas
para dar maior segurança aos clientes. Mas estamos dando
prazos longos para as operadoras se adequarem, disse Leandro
Fonseca, diretor de normas e habilitação da ANS.
Muitas operadoras ganhavam dinheiro na época da inflação,
com aplicações financeiras. Agora, é preciso
ter gestão, complementou. (BK)
Valor
Econômico
Samcil
tenta vender três hospitais para abreviar intervenção
da ANS
Luiz
Roberto Silveira Pinto, presidente e fundador da Samcil:
sem venda
de ativos,
recuperação pode levar 24
meses
Por Beth Koike
Sob intervenção da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) desde janeiro, a operadora de planos de saúde
Samcil está vendendo três hospitais para sanar dívidas
que somam cerca de R$ 70 milhões.
Estamos vendendo
os hospitais para sair da direção
fiscal, explicou Luiz Roberto Silveira Pinto, presidente e fundador
da Samcil. Há cerca de seis meses, ele demitiu quase toda
sua diretoria e voltou ao comando da operadora que já foi
uma das maiores do mercado, mas teve seu tamanho reduzido pela
metade nos últimos dois anos por conta da crise econômica
e problemas de gestão.
A venda dos
três hospitais, que hoje estão com
suas portas fechadas, pode gerar um caixa de R$ 130 milhões
para a Samcil. A empresa de planos de saúde está tentando
vender os hospitais Santa Marta, localizado no bairro paulistano
de Santo Amaro, o Santo André e o Jardim, ambos situados
na região do ABC paulista. O hospital que pode gerar mais
recursos é o Santa Marta, avaliado em R$ 100 milhões.
De acordo com ele, já há uma operadora de plano
de saúde e uma rede de hospitais interessadas no Santa
Marta.
Se conseguirmos
vender o Santa Marta teremos condições
de sair da direção fiscal rapidamente. Caso contrário,
vamos adotar um plano de recuperação que levará 24
meses. O tempo é maior porque uma operadora sob direção
fiscal tem mais dificuldades para ganhar novos clientes e crescer,
disse o fundador da operadora, que no ano passado completou 50
anos de atividades.
Atualmente,
a Samcil tem 300 mil beneficiários - metade
do que possuía há dois anos. Nesse período,
a empresa também encerrou as atividades de 28 dos seus
40 centros médicos e mais seis hospitais. A medida foi
tomada para reduzir os custos.
No último ano, os negócios do grupo Samcil - que
possui, além do plano de saúde, outros cinco hospitais
e 12 centros médicos em atividade - não geraram
nenhum lucro. Em 2009, a última linha do balanço
do grupo Samcil registrou resultado positivo de R$ 8 milhões
e de R$ 17 milhões, em 2008. Tivemos essa queda expressiva
por causa da crise econômica, aquisições
e empréstimos bancários mal planejados, disse.
A queda expressiva
na carteira ocorreu porque a Samcil atendia muitas empresas
afetadas pela crise financeira mundial como,
por exemplo, do setor de autopeças.
O Globo
Em
Goiás,
contratos sob suspeita
Conselho
de Saúde não recebe dados sobre despesas
milionárias
Por Givaldo Barbosa
APARECIDA
DE GOIÂNIA (GO). Quando não há fiscalização,
os milionários contratos de serviços de saúde,
pagos em parte com verba federal do SUS, ficam numa caixa-preta,
aparentemente inacessíveis até ao secretário
de Saúde. É o que ocorre em Aparecida, na região
metropolitana de Goiânia, onde 77% da população
de quase 500 mil habitantes não têm atendimento
básico de saúde. A prefeitura conta só com
um prestador de serviço e uma organização
social, cujos contratos sequer foram apresentados ao Conselho
Municipal de Saúde (CMS). As despesas anuais são
orçadas em quase R$13 milhões.
Os contratos
mais vultosos e que já levantaram suspeitas
no Ministério Público foram fechados com o Instituto
de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), criado
em 2005 e que teve como patrono na Câmara de Vereadores
de Aparecida o então vereador Francisco Júnior
(PMDB), do mesmo partido do prefeito de Aparecida, o ex-senador
Maguito Vilela (PMDB).
Conselho
de Saúde espera informações há um
ano
Há mais de um ano, o CMS formalizou pedidos para ter
acesso aos documentos e discutir o serviço prestado. Semana
passada, o CMS discutiria o tema, mas o Idtech não participou.
- Se continuarem
assim, pediremos a suspensão dos pagamentos
- diz o presidente do CMS, Fábio dos Reis Fonseca.
O mais intrigante é que o Idtech e o secretário
de Saúde, Rafael Nakamura, dizem que não há o
que esconder e que o serviço está sendo prestado
normalmente. Segundo Nakamura, o problema é que o contrato
está na Secretaria de Licitações:
- Nunca vi
esse contrato. Já procurei no controle interno
esses contratos... Por mim, entrego para você... Mas, aqui
em Aparecida, não funciona tudo bacana, tudo redondo -
disse.
O GLOBO obteve
os contratos de gestão no site do Idtech.
No documento, a empresa deve prestar três serviços
essenciais: marcar consultas, fazer atendimento ambulatorial
e regular os leitos hospitalares. Quem fiscaliza o Idtech é a
própria entidade. Nakamura diz que "todos os instrumentos
contratuais firmados são submetidos aos órgãos
de controle interno e externo na forma da legislação
vigente", informação negada pelo Conselho
de Saúde.
O próprio coordenador do Idtech diz que não há motivos
para mistério:
- É uma besteira (não apresentar ao conselho).
Esse contrato é público - afirma José Cláudio
Romero, coordenador-executivo do Idtech.
Mais misterioso é o contrato com a empresa Techcapital,
orçado em R$4 milhões ao ano, para prestação
de serviços de raio-x, mamografia e eletrocardiograma.
O CMS nunca soube desse contrato, que aguarda análise
do Tribunal de Contas do Município. Ao GLOBO, um funcionário
da Secretaria de Saúde informou que, além do preço
acima do valor de mercado, o serviço não é prestado
integralmente:
- Esse contrato
não foi assinado por mim. Mas, em nenhum
dos contratos haverá dolo. Se houve irregularidade em
contratação, sou (ente) culposo, não sou
doloso - disse Nakamura. (Roberto Maltchik)
O Globo
Atendimento
só no
papel
Fraudes no SUS
Cadastro
do Programa Saúde da Família é inflado
e governo paga por serviço inexistente
Por Roberto Maltchik
Além dos desvios milionários, o Sistema Único
de Saúde (SUS) é corrompido por informações
falsas em seus cadastros, que permitem a médicos manter
o credenciamento em até 17 unidades de saúde, e
abrem brechas para o comércio de CPFs com o objetivo de
burlar as regras do Programa Saúde da Família (PSF).
As irregularidades prosperam no Cadastro Nacional de Estabelecimentos
de Saúde e suas consequências ficam explícitas
em relatórios do próprio governo. Segundo a Controladoria
Geral da União (CGU), em mais de 40% dos municípios,
as equipes de saúde da família não cumprem
a carga horária. Em 36,5% das 982 cidades fiscalizadas
de 2004 a 2009 o atendimento foi considerado deficiente.
Nos cadastros
do SUS, o psiquiatra Klecius Ramos Mota, de Cocal (PI), é onipresente. Ele tem 17 vínculos, dos quais
16 seriam com o SUS em duas cidades do Piauí e um no Maranhão.
Assim, sua carga de trabalho semanal chegaria a 34,14 horas diárias,
sete dias por semana. Já o médico Antônio
Nivardo Vieira trabalharia 21,7 horas diariamente, com seus 13
vínculos e 152 horas de trabalho semanais.
Médico
denuncia fraude em cadastro
O que liga
esses dois profissionais são os vínculos
de 40 horas semanais com o Hospital Regional de Araioses, no
Maranhão. Nivardo diz que há oito anos não
pisa na unidade, apesar de o cadastro ter sido atualizado pelo
município no último dia 17. Segundo ele, trata-se
de um jogo de Araioses para ganhar mais dinheiro do SUS:
- Quando é para renovar o cadastro junto ao SUS, eles
têm que ter a equipe para poder apresentar. Aí,
usam indevidamente o nome da gente para fazer esse tipo de coisa.
Meu nome também aparecia lá na Apae de Magalhães
de Almeida (MA), mas nunca fui lá - diz o cirurgião,
que hoje se dedica à clínica particular e atende
na Unidade Básica de Saúde de Cocal (40 horas)
e em outras duas unidades.
O médico aponta a indiferença do Ministério
da Saúde:
- Há uns dois anos, telefonei para o ministério
em Brasília para denunciar isso; eles se prontificaram
a tomar providências, mas ficou só naquilo mesmo.
Como o Ministério da Saúde passou a suspender
os repasses em que há duplicidade de integrantes das equipes
de Saúde da Família, uma nova modalidade de fraude
ganha corpo e está sendo investigada pelo Ministério
Público no Piauí e no Maranhão. Médicos
alugam ou pedem emprestado o CPF e o CRM de colegas para trabalhar
em duas ou mais cidades. Só no Piauí, a fraude
já foi detectada em São Miguel do Tapuio, Dom Expedito
Lopes, Jardim do Mulato e Nossa Senhora dos Remédios.
Em Nossa Senhora dos Remédios, são 17 casos confirmados
por auditores do SUS: sete médicos, sete dentistas e três
enfermeiros.
Em Tapuio,
o Departamento de Auditoria do SUS (Denasus) cobra R$76,8 mil
da prefeitura
por pagamentos feitos a uma médica
que declarou por escrito nunca ter trabalhado no Saúde
da Família, muito menos ter recebido um centavo pelo serviço
virtual.
- Temos médicos que cumprem uma carga horária
de 40 horas no Programa Saúde da Família, mas vão
uma vez por semana. Isso é dinheiro público desviado
de sua finalidade - diz a coordenadora do Centro Operacional
de Defesa da Saúde do Ministério Público
do Piauí, Cláudia Seabra.
Em Picos
(PI), onde nem os auditores sabem onde foram parar 40% de todo
dinheiro
repassado pelo SUS, como o GLOBO mostrou
ontem, o superlotado e endividado Hospital Regional Justino Luz é uma
fábula de médicos e equipamentos. Para o CNES,
a unidade conta com onze leitos de UTI e 123 médicos.
Nada disso é verdade.
- UTI? De
jeito nenhum! Em toda história desse hospital
não passaram 123 médicos aqui - diz Valdeci Leite
Barros, a diretora do Justino Luz.
Nos
dados oficiais, cobertura é boa
Na verdade,
de 63 médicos, 16 estão afastados
pelos mais diversos motivos. Enquanto a reportagem percorria
o hospital, uma vítima de acidente de trânsito sangrava
sem atendimento na recepção há mais de uma
hora.
- Não tem médico. Parece que está no horário
de almoço - informou a recepcionista.
Auditores
do SUS ouvidos pelo GLOBO explicam que o maior dano é a
maquiagem que os números inflados criam sobre a real situação
da Saúde. No Hospital Geral de Picos - unidade privada
que tem 100% dos atendimentos pelo SUS -, o banheiro parece em
obras e a sujeira faz volume na antessala do centro cirúrgico.
O CNES identifica 30 médicos atendendo pelo SUS e 14 funcionários.
O que se viu foram dezenas de pacientes atirados em quartos escuros,
sem nenhum equipamento, e só um médico consultando.
- No máximo, oito médicos
atendem por aqui - contabiliza a auxiliar de enfermagem.
Os dados
oficiais comprovam a existência do SUS virtual.
Em Picos, a diretora do Hospital Justino Luz afirma que atende
febre e dor de dente, e que o Saúde da Família "é precário,
quase não existe". Mas o Departamento de Atenção
Básica (DAB) do Ministério da Saúde contabiliza
100% da população atendida pelo Saúde da
Família.
No estado
do Piauí, o DAB contabiliza cobertura de 97,39%
da população pelo Programa de Saúde da Família
e 99,87% pelos Agentes Comunitários de Saúde. Entretanto,
os indicadores do Pacto pela Saúde de 2010 mostram que
apenas 86,75% da população estão registrados
na Estratégia de Saúde da Família. A meta
do ano passado era alcançar 94% de cobertura.
O psiquiatra
Klecius Mota admitiu que não trabalha em "vários
desses hospitais" e que há casos de unidades onde
jamais apareceu. Ele reconheceu que já sabia do problema,
mas não se interessou em resolvê-lo. Ele repetiu
a suspeita que hospitais corrompem o sistema para receber mais
recursos do ministério. A Prefeitura de Picos e a direção
do Hospital Regional de Araioses não se pronunciaram.
O Globo
Ministério: fiscalização é compartilhada
Estados
e municípios têm participação
importante na avaliação, diz governo
BRASÍLIA. O Ministério da Saúde informou,
em nota, que os gestores municipais, estaduais e do Distrito
Federal são responsáveis pelas informações
que alimentam o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
(CNES). Também disse que o controle das equipes do Programa
Saúde da Família (PSF) é compartilhado. "Um
dos principais componentes de avaliação da execução
dos serviços deve ser feito pelos conselhos municipais
de saúde. Ainda, como o sistema é descentralizado,
os órgãos de controle do estado e município
também têm um papel importante na avaliação
da qualidade do gasto".
Ao ministério cabe, informa a nota, "acompanhar
a execução orçamentária, podendo
realizar fiscalizações por meio do Denasus".
O governo também se responsabiliza pela "análise
dos dados de interesse nacional, relacionados com a estratégia
Saúde da Família, gerados pelos sistemas de informação
em saúde, divulgando os resultados obtidos", cabendo
aos municípios assegurar o cumprimento do horário
integral de 40 horas dos profissionais das equipes do Saúde
da Família.
Ainda segundo
o Ministério da Saúde, entre 2007
e janeiro de 2011, 18.841 equipes do Saúde da Família
foram suspensas, o que representa um volume de recursos que chega
a R$169,72 milhões. O ministério informa que as
principais irregularidades encontradas são: inexistência
e/ou composição incompleta das equipes, duplicidade
de cadastro, descumprimento da carga horária prevista
e impropriedades na inserção dos dados no Sistema
de informações de Atenção Básica
(Siab) e no CNES.
O Tempo
Quem
está pagando
a conta dos planos?
A
relação conflituosa dos médicos com as
operadoras de saúde
Por Carlos Degrandi Oliveira
Alastram-se
os movimentos da classe médica contra o tratamento
dispensado pelas operadoras de saúde. Historicamente,
a relação entre planos e prestadores de serviço,
como os médicos, é conflituosa.
A Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, trouxe avanços,
como a normatização mais adequada para a relação
empresas/pacientes. No entanto, não regulamentou a relação
entre empresas e profissionais de medicina, deixando perigosa
lacuna para pressões das operadoras sobre os médicos,
pressões essas que têm por trás a busca de
mais lucros em detrimento da assistência de qualidade.
A conta dos
planos de saúde tem sido paga, em boa parte,
pelos médicos. As operadoras até recompõem
certos valores dos hospitais, dos medicamentos, dos insumos.
Mas, para os médicos, os reajustes tardam a acontecer.
São inúmeras as denúncias de pressões
para redução de exames, de internações
e de outros procedimentos, além das glosas injustificáveis.
Claro que tudo isso tem reflexo para o paciente. Não à toa,
as empresas de planos estão entre as recordistas de reclamações
nos órgãos de defesa do consumidor.
Há cerca de dez anos, a Associação Médica
Brasileira, o Conselho Federal de Medicina, a Federação
Nacional dos Médicos e o conjunto de entidades estaduais
e sociedades de especialidades médicas fizeram uma pesquisa
com o Datafolha. Os resultados foram estarrecedores. Pior: de
lá para cá, a realidade só piorou, conforme
atesta outra pesquisa Datafolha, esta de 2010. Uma ideia: 93%
dos médicos dizem que os planos interferem em sua autonomia
e outros 72,2% queixam-se de glosas em procedimentos ou medidas
terapêuticas.
A dignidade
profissional está comprometida pelo aviltamento
dos valores pagos pelas consultas e procedimentos realizados.
Nessa vertente,
foi lançada, em outubro de 2010, campanha
permanente pela valorização do trabalho médico,
no sistema público e nos convênios médicos,
por condições adequadas de assistência e
por mais qualidade no atendimento aos cidadãos.
A ação se iniciou com um dia de paralisação,
que foi um ato de advertência para mostrar aos gestores
dos planos de saúde e do sistema público a insatisfação
com os baixos honorários e salários, além
das pressões sofridas pelos médicos para reduzir
a solicitação de exames e outros procedimentos,
que são essenciais à boa pratica e, em especial, à saúde,
ao bem-estar e à vida dos cidadãos.
A baixa remuneração, assim como as longas jornadas
de trabalho, se alia aos demais riscos ocupacionais das especialidades,
trazendo efeitos nefastos ao profissional, à sua família
e ao paciente por ele cuidado.
Os pacientes
são nossa prioridade; queremos dispensar
a eles atendimento digno e de qualidade. Esse, aliás, é um
dos focos da campanha. Hoje, muitas falhas no atendimento se
dão em virtude de o médico ter de acumular vários
empregos para sobreviver. Outras são fruto das pressões
irresponsáveis e inconsequentes das empresas. Com uma
remuneração adequada e respeito à autonomia
profissional, certamente teremos a qualificação
da assistência.
Não resta dúvida, um médico melhor remunerado
não terá de acumular tantos trabalhos. Terá uma
condição melhor para investir na reciclagem profissional
e terá cabeça mais serena e centrada para direcionar
toda sua atenção ao paciente, enfim, há uma
série de fatores que favorecerão uma assistência
de mais qualidade a toda sociedade
O Globo
Médicos de planos vão
suspender consultas por 1 dia
Por Marcelle Ribeiro
Profissionais
querem aumento de honorários e maior autonomia
Médicos de todo o país estão sendo convocados
a suspender o atendimento a pacientes de planos de saúde
por um dia, em 7 de abril, a não ser em casos de emergência.
O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação
Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional
dos Médicos (Fenam) planejam uma paralisação
nacional para pressionar os planos a aumentarem os honorários
e não interferirem na autonomia de trabalho dos médicos.
As três entidades estão se mobilizando e enviando
cartas para os profissionais e para entidades médicas,
e pretendem realizar passeatas no dia 7. O CFM está orientando
médicos a, no dia 7, não realizarem consultas ou
exames que não sejam urgentes e a remarcar o atendimento.
Segundo o Conselho, as cirurgias eletivas também não
devem ser realizadas, a não ser que causem grande transtorno
ao paciente. Segundo a entidade, 160 mil médicos atendem
por planos de saúde no Brasil.
O segundo
vice-presidente do CFM, Aloísio Tibiriçá Miranda,
afirma que os honorários defasados estão fazendo
com que muitos médicos desistam de atender por planos
de saúde. Segundo ele, hoje um médico que atende
por planos recebe, em média, R$40 por uma consulta. As
entidades reivindicam que o valor suba para pelo menos R$60,
mas dizem que o mais adequado seria R$80.
A Federação Nacional dos Planos de Saúde
(FenaSaúde) informou, em nota, que os reajustes dos médicos
nos últimos anos superaram a inflação. Segundo
a FenaSaúde, a quantidade de médicos que pedem
descredenciamento não é significativa.
Gazeta do Povo
Sem tomar atitude, ANS descumpre sua finalidade
Por Alexandre Costa Nascimento
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem
um peso determinante para solucionar a disputa entre médicos
e operadoras, que coloca em risco a qualidade do atendimento
de saúde prestado à sociedade. A reivindicação
dos médicos por melhor remuneração é tão
legítima que chega a ser reconhecida formalmente pela
própria agência reguladora, pelas operadoras, pelos
profissionais de saúde e por qualquer cidadão minimamente
sensato.
Mas a ANS,
que tem por atribuição legal controlar
e fiscalizar o mercado de planos de saúde para assegurar
o interesse público, se omite ao afirmar que “não
tem por finalidade definir valores referentes ao pagamento das
operadores pelos serviços realizados por prestadores de
serviços”.
O risco neste
caso não é de a agência extrapolar
suas finalidades, mas sim o de não cumpri-las em seu aspecto
mais fundamental, que é o de zelar pela segurança
e – com o perdão do trocadilho – pela saúde
de todo o sistema de atendimento suplementar brasileiro.
A omissão regulatória fica evidente quando se
constata que uma resolução da própria agência
determina que todos os contratos entre operadoras e médicos
contenham, obrigatoriamente, cláusulas que estabeleçam “critérios
para reajuste [de honorários e procedimentos], contendo
forma e periodicidade”. E é justamente por ignorar
solenemente a alínea C, do inciso VII, parágrafo único
da Resolução Normativa nº 71/2004, formulada
pela própria ANS, que a situação chegou
ao ponto em que se encontra hoje.
A agência se defende afirmando que tem conduzido “grupos
de trabalho”, nos quais atua como “facilitadora” entre
as partes, além de participar de discussões sobre
o tema com entidades envolvidas. Não é o bastante.
Se fizesse apenas seu dever de casa, fiscalizando o cumprimento
de suas próprias resoluções, o impasse entre
médicos e operadoras seria facilmente solucionado – permitindo,
aí sim, que as questões de valores fossem negociadas
livremente entre médicos e operadoras, sob um arcabouço
que evitaria o achatamento no valor dos honorários e as
consequências negativas da deterioração da
qualidade do atendimento aos usuários.
AGENDA
- ClasSaúde 2011
Evento acontece
na cidade de São Paulo, SP.
"Saúde e os Desafios Econômicos, Humanos e
Ambientais" é o tema central dos seis congressos
que compõem o ClasSaúde 2011, evento oficial da
Hospitalar 2011 que acontece de 24 a 27 de maio, no Expo Center
Norte, em São Paulo.
Promovido
pela Confederação Nacional de Saúde
(CNS), Federação Nacional dos Estabelecimentos
de Serviços de Saúde (Fenaess), Sindicato dos Hospitais,
Clínicas e Laboratórios do Estado de São
Paulo (SINDHOSP) e HOSPITALAR Feira + Fórum, o ClasSaúde
já se consolidou como palco das principais discussões
que norteiam o setor.
Integram
o ClasSaúde 2011 os seguintes eventos: 16º Congresso
Latino-Americano de Serviços de Saúde; o 6º Congresso
Brasileiro de Gestão em Clínicas de Serviços
de Saúde; 5º Congresso Brasileiro de Gestão
em Laboratórios Clínicos (evento realizado em conjunto
com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina
Laboratorial - SBPC/ML); 4º Congresso Brasileiro de Tecnologias
da Informação e Comunicação em Saúde;
2º Congresso Brasileiro de Aspectos Legais para Gestores
e Advogados da Saúde; e 2º Congresso de Gestão
e Políticas em Saúde Mental.
O Congresso
Latino-Americano é o evento internacional
do ClasSaúde e está dividido em três módulos:
Sistema de Saúde Público-Privado, Saúde
Suplementar e Capacitação Profissional. "Esse
ano a questão ambiental entra em discussão.
O site do
ClasSaúde (http://www.classaude.com.br/) estará no
ar no início de março e trará os programas
dos eventos, composição das comissões científicas,
valores das inscrições, pacotes de viagem, notícias
e demais informações sobre os eventos. As inscrições
também estarão abertas no mesmo período,
com desconto para associados da CNS, Fenaess, SINDHOSP e SBPC/ML
(estes últimos apenas para o Congresso de Laboratórios
Clínicos).
Data: De 25 a 28 de maio de 2011
Local: Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – São
Paulo, SP
Mais informações:
http://www.classaude.com.br/
- Custos na Saúde e Pagamento
por Pacotes
25 e 26 de abril de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
- Fornecer
elementos para análise da constituição
e do perfil dos custos da assistência à saúde
no mercado de saúde suplementar e a sua racionalização
mediante formatação de pacotes para o pagamento
dos serviços.
- Fornecer
noções de Economia Básica
e de custos em geral.
- Identificar
os componentes dos custos na assistência à saúde.
-Identificar
fatores que agravam os custos na saúde
-Destacar
mecanismos de regulação na utilização
dos serviços de saúde e o seu reflexo nos custos
assistenciais.
- Avaliar
o sistema de gerenciamento de custos na assistência à saúde
no mercado de saúde suplementar.
- Avaliar
a repercussão da atuação da ANS,
do Poder Judiciário, Ministério Público
e PROCON nos custos de assistência à saúde.
-Identificar vantagens e desvantagens no pagamento por pacotes.
-Analisar
recomendações para formatação,
formalização e operacionalização
de pacotes.
Instrutor
Dr. Natanael Dantas Soares
Público
Alvo
Gestores
de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e
profissionais de todas as áreas, que atuam no Mercado
de Saúde.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
- 2º Seminário dos Dirigentes e Gestores das Autogestões
A Sustentabilidade
da Autogestão
11 e 12 de abril
Hotel Naoum
Plaza Brasília
SHS - Setor
Hoteleiro Sul, Quadra 05, Bloco H, Brasília
DF
O evento,
com repercussão nacional, é um importante
ambiente de debate da área de assistência à saúde
suplementar, sendo este o propósito maior da UNIDAS nos
eventos que promove como forma de estimular a reflexão
de todos os agentes da área da saúde. Com um público
estimado em 200 participantes o "2º Seminário
dos Dirigentes e Gestores das Autogestões em Saúde
- A Sustentabilidade da Autogestão" terá o
objetivo de promover um debate com os executivos das nossas instituições
filiadas sobre as principais oportunidades e ameaças para
o segmento de autogestão em saúde.
Informações
Para ser patrocinador dos eventos, entre em contato com a UNIDAS.
Informações adicionais e esclarecimentos poderão
ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11)
3289-0855 ou e-mail seminario@unidas.org.br. (Unidas/AssPreviSite)
- Home Care: Problema ou solução?
04 e 05 de abril de 2011
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos,
1.000 - 8° andar - Cerqueira César
- CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
- Capacitar os profissionais da Área de Saúde,
através de reflexões e aprimoramento dos aspectos
pessoais e comportamentais inerentes ao atendimento domiciliar,
visando atender as demandas do mercado.
Instrutora: Maria Antonieta Turci Rulli
Informações:
Tel. (11) 3289-0855 Fax (11) 3289-0322 com Fernanda Delesporte
treinamento@unidas.org.br
-
Qualidade Aplicada às Instituições
de Saúde
O Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA),
representante exclusivo no Brasil da maior agência acreditadora
em saúde do mundo – a Joint Commission International
(JCI), promoverá de 24 a 26 de março, o curso Qualidade
Aplicada às Instituições de Saúde.
Ministrado
pelo Coordenador de Educação do CBA,
Heleno Costa Júnior (especialista em administração
hospitalar e em acreditação, e responsável
pela preparação das instituições
de saúde para o processo de acreditação
da JCI), o curso objetiva disseminar entre os participantes a
cultura pela constante melhoria da qualidade no cuidado aos pacientes.
Para isso, apresentará conceitos, princípios e
ferramentas da qualidade utilizadas no processo de acreditação
para o aprimoramento das ações assistenciais e
gerenciais praticadas nos serviços de saúde.
Voltado para
profissionais de saúde, gestores e lideranças
intermediárias, o curso tem duração de 36
horas e acontece de 24 a 26 de março, das 8h30min às
17h30min na sede do CBA, que fica na Rua São Bento, 13,
4º andar, Centro, Rio de Janeiro.
Mais informações e inscrições pelo
telefone (21)3299-8202 ou através do e-mail ensino@cbacred.org.br
-
Encontro ANS - edição
Norte e Centro-Oeste
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) promoverá,
nos dias 5 e 6 de abril, o Encontro ANS – edição
Norte e Centro-Oeste. O objetivo do evento é reunir atores
da saúde suplementar para compartilhar informações
e visões na construção de um setor cada
vez mais qualificado.
Na ocasião, estarão presentes diretores e técnicos
da Agência, além de representantes de operadoras
de planos de saúde, órgãos de defesa do
consumidor, entidades médicas, estabelecimentos de saúde
e centrais sindicais.
O evento
será realizado em Brasília, no Centro
de Eventos e Treinamentos da Confederação Nacional
dos Trabalhadores no Comércio, e é fechado para
convidados e instituições inscritas.
As inscrições estão abertas e devem ser
realizadas até 30 de março http://www.ans.gov.br/portal/img/email/20110302EncontroANS.pdfço,
exclusivamente pelo sítio eletrônico da ANS, por
representantes de operadoras de planos de saúde com registro
de funcionamento nas Regiões Norte e Centro-Oeste.
Poderão participar até dois
representantes de cada operadora por dia de evento.
Confira a
programação
do evento no link
http://www.ans.gov.br/portal/img/email/20110302EncontroANS.pdf
-
IV Fórum Internacional de Qualidade em Saúde
Nos dias
31 de março e 01 de abril, das 8h às
18h, o iQG – Health Services Accreditation apresenta o
IV Fórum Internacional de Qualidade em Saúde, no
auditório da FECOMERCIO (Federação do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo),
situado à rua Plínio Barreto, 285, Bela Vista,
São Paulo. O evento, inédito no Brasil, contará com
palestrantes nacionais e internacionais, referências no
mercado de saúde mundial.
Serão apresentadas palestras e mesas de discussões
com a participação de grandes personalidades, como
Philip Hassen, Presidente da ISQua – International Society
for Quality in Health Care; Pedro Delgado, vice-presidente do
IHI – Institute for Healthcare Improvement e Sébastien
Audette, CEO do Accreditation Canada Global.
“Certamente, estamos fazendo o melhor e maior evento da área
de qualidade e segurança do paciente do Brasil. Traremos
os maiores nomes nestes segmentos com o intuito de disseminar
conceitos mundiais de boas práticas em qualidade e segurança,
para que possamos melhorar a cada dia o atendimento nas instituições
de saúde em nosso país”, explica Rubens Covello,
CEO do IQG. (Cristiane Fernandes - Saúde Business Web)
-
LANÇAMENTO DA 10ª EDIÇÃO PRÊMIO
SINOG DE ODONTOLOGIA
Sinog
premiará dentistas
e estudantes de odontologia
Prêmio Sinog de Odontologia receberá os trabalhos
concorrentes até 15 de abril de 2011
O Sinog -
Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo, acaba
de lançar a 10ª edição
do Prêmio Sinog de Odontologia destinado a cirurgiões-dentistas
e estudantes de Odontologia. O tema escolhido para os cirugiões-dentistas é "Valorização
da Odontologia: Ações que contribuam para a ampliação
e fidelização da rede credenciada das operadoras
e que aprimorem a qualidade dos serviços prestados aos
beneficiários dos planos odontológicos", e
para os Estudantes de Odontologia, "Novas Tecnologias de
Imagem em Odontologia: Como essas ferramentas de diagnóstico
e controle de qualidade dos serviços odontológicos
podem contribuir para a segurança do cirurgião-dentista
e seu paciente e para o aperfeiçoamento da relação
do credenciado com a operadora de planos odontológicos".
A novidade
nesta edição é que, embora os
ganhadores anteriores das três últimas edições
não possam concorrer ao prêmio, os cirurgiões-dentistas
recém formados, com o registro profissional, e que tenham
participado na categoria de estudantes, nas edições
anteriores, poderão participar em 2011 dentro da respectiva
modalidade.
Na modalidade
cirurgiões-dentistas o prêmio é de
R$ 13 mil reais bruto, além de diploma e troféu.
Já para os estudantes de Odontologia, a premiação é R$
8 mil reais bruto, mais o diploma e o troféu e, caso o
trabalho vencedor tenha contado com a supervisão de um
professor orientador, o docente receberá como homenagem
uma menção honrosa e a participação
na solenidade de premiação, e a Faculdade de Odontologia
cujo trabalho apresentado por seu estudante for o vencedor também
receberá um troféu.
As inscrições para a 10ª edição,
com a entrega dos trabalhos, de ambas as categorias, poderão
ser feitas até o dia 15 de abril de 2011. O regulamento
completo do Prêmio Sinog de Odontologia está disponível
no endereço www.sinog.com.br/premio. A premiação
acontecerá durante o jantar oficial de abertura da feira
Hospitalar no dia 25 de maio de 2011, em São Paulo, em
local a ser divulgado. Mais informações poderão
ser obtidas através do e-mail secretaria@sinog.com.br
ou pelo telefone (11) 3289-7299.
O
Prêmio
Sinog de Odontologia
Idealizado
com o objetivo de valorizar o trabalho da classe odontológica e promover o desenvolvimento de pesquisas,
seja no setor acadêmico ou profissional, o prêmio
Sinog, criado em 2000, é anual e conta com temas diferentes
a cada nova edição.