28-03-11

 

Leia nesta edição:

- O aumento da incidência dos desastres naturais

- Droga em teste eleva em 61% sobrevida de pacientes com câncer cerebral

- Teste seis em um

- Versão importada ausente

- Mais de 250 planos têm problemas financeiros

- Samcil tenta vender três hospitais para abreviar intervenção da ANS

- Em Goiás, contratos sob suspeita

- Atendimento só no papel

- Ministério: fiscalização é compartilhada

- Quem está pagando a conta dos planos?

- Médicos de planos vão suspender consultas por 1 dia

- Sem tomar atitude, ANS descumpre sua finalidade

Segunda-feira, 28.03.11

O Estado de São Paulo

O aumento da incidência dos desastres naturais

Por Marco Antonio Rocha

Dentro em breve os estudos sobre a viabilidade econômica de um país talvez não repousem apenas na fórmula clássica: recursos materiais abundantes, recursos humanos qualificados, extensão territorial, etc. Poderão incluir - e há quem já diga, deverão incluir - uma medição da propensão do país a sofrer desastres naturais e da proporção que esses desastres podem assumir na economia estudada.

Mesmo antes do terremoto/maremoto que varreu o Japão, isso já vinha ocupando algum tempo de trabalho entre economistas e planejadores de instituições internacionais.

Atrai a atenção, portanto, no momento em que o mundo acompanha, bastante perplexo, a espantosa tragédia que envolve uma das suas mais desenvolvidas economias, o alerta surgido na publicação Economic Premise, dedicada a estudos sobre a redução da pobreza e à promoção de uma rede mundial de gestão econômica - vinculada ao Banco Mundial, embora "não necessariamente reflita" os pontos de vista do Bird, como ela mesma esclarece.

Na sua edição número 52 a publicação traz um artigo, assinado por Vinod Thomas, cujo título sugere: É tempo de o Fator Desastre Natural ser incluído nos Cenários Macroeconômicos. Thomas é diretor-geral do IEG-Independent Evaluation Group, do Banco Mundial, e sua premissa de trabalho é de que os cenários com que os economistas e gestores trabalham hoje "raramente levam em consideração os resultados da crescente incidência, danos, e custos" dos desastres naturais. Em consequência disso, os governos e as organizações internacionais de ajuda não estabelecem planos, em caráter sistemático, para prevenir, mitigar e reparar os efeitos das violências da natureza.

No entanto, pelos fatos apontados no artigo, mais do que se justifica a exortação nele contida. Recentemente, terremotos de séria magnitude abalaram não só o Japão, mas o Haiti e o Chile, e inundações catastróficas afetaram o Paquistão, a África Ocidental, o Sri Lanka, Brasil e Austrália, tudo num curto período de um ano e meio a dois anos.

A questão central é que, por razões não desvendadas cientificamente, parece estar havendo um incremento da incidência dessas calamidades: "Cerca de 2,6 bilhões de pessoas foram atingidas por catástrofes naturais nos últimos 10 anos, contra 1,6 bilhão na década precedente" - informa o articulista com base em estatísticas do Banco Mundial. Já de acordo com o Fundo Monetário Internacional, os custos dos danos causados por desastres naturais são hoje 15 vezes maiores do que nos anos 50. E, segundo estimativas recentes divulgadas na imprensa, as perdas provocadas pelo terremoto no Japão ascendem a mais de US$ 300 bilhões, algo entre 5% e 6% do PIB do país.

Mas há mais informações, em certa medida já consolidadas. A frequência de inundações e secas - desastres hidrometeorológicos - "aumentou dramaticamente nas últimas duas décadas", diz Thomas, acrescentando que a média de 150 desastres por ano, da década de 80, subiu para 370, no final dos 2000. E a isso se podem acrescentar as recentes perdas de colheitas e gado na Rússia de 2010 para 2011.

A pergunta, diante dessas tragédias repetidas, que levam as ruas a pensarem se "o mundo está acabando", é se isso tudo não seria já resultado da ação predatória do homem sobre a natureza. Não há resposta conclusiva, mas o fato de que a natureza foi até mais violenta nos períodos em que o homem ainda não tinha aparecido sugere que a condenação à nossa atividade não precisa ser radical. Afinal, só mesmo o homem tem meios de preservar a natureza e de restaurar o que ela destrói, ou só ele destrói e constrói coisas belas, segundo Caetano Veloso.

Mas não carece especular, diria o caipira. E, sim, pensar numa organização para prevenção dessas adversidades, para lidar com elas eficazmente e para reconstrução do que for destruído. É, pois, possível implementar políticas públicas voltadas especificamente para a finalidade de administrar catástrofes, planejar os meios de se advertir delas, proteger as populações, mitigar os danos e remediar os estragos e providenciar fundos financeiros para o trabalho de pós-desastre.

No Brasil, as comissões ou comitês de defesa civil, principalmente os que se têm mostrado mais eficazes nos piores desastres, podem ser fonte importante de informações sobre o que deve ser feito em situações emergenciais. Seria necessário montar um esquema de reunir as experiências desses grupos para delas tirar linhas de ações o mais padronizadas possível, assim como montar um inventário dos recursos mínimos que se devem ter à disposição nessas ocasiões.

Como diz o autor do artigo, é importante focar não apenas nos esforços de assistência no pós-desastre imediato, mas também em como tornar essas primeiras respostas mais efetivas no sentido de reduzir a vulnerabilidade a que ficam expostos os sobreviventes por longo tempo.

Tudo isso, ou seja, o conjunto de medidas preventivas, mitigadoras e restauradoras, tem de ser inserido como parte integrante de políticas nacionais antidesastre. O desastre natural não deve mais ser tratado como fato aleatório, e sim como ameaça constante. A cidade de São Paulo que o diga.

O Estado de São Paulo

Droga em teste eleva em 61% sobrevida de pacientes com câncer cerebral

Por Clarissa Thomé

Pacientes do Hospital Federal de Ipanema participarão da terceira fase de testes de um novo quimioterápico para tratamento do tipo mais letal de tumor maligno de cérebro, o glioblastoma multiforme (GBM). O medicamento, feito com álcool perílico - extraído de óleo essencial presente em plantas como hortelã, cereja e sálvia -, aumenta em até 61% a sobrevida do paciente.

A sobrevida média após o diagnóstico do GBM, que corresponde a 80% dos casos de tumores malignos cerebrais, é de 2,3 meses. Com o tratamento, esse tempo aumentou para 3,7 meses.

"Parece pouco, mas esse tempo se traduz em uma oportunidade ao paciente. A resposta terapêutica faz com que ele ganhe tempo para fazer radioterapia, uma quimioterapia mais específica ou passar por uma cirurgia, se for um tumor superficial. Ele ganha poder de resistência para tratar a patologia grave", afirma o neurocirurgião Júlio César Thomé, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital de Ipanema.

O quimioterápico testado é o monoterpenoalcool perílico. Começou a ser estudado em 1987 no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), do qual Thomé é pesquisador associado. O álcool perílico é inalado, como em uma nebulização, quatro vezes ao dia. O medicamento é enviado para a casa do paciente, pelo correio. O tratamento não causa perda de cabelo, náuseas e vômitos, como outros quimioterápicos.

A equipe, coordenada pela professora Thereza Quírico-Santos, testou a toxicidade e o efeito antitumoral, nas fases anteriores. Até o momento, 199 pessoas fazem parte da pesquisa - 52 delas ficaram no grupo controle, porque chegaram ao hospital já com extensa lesão neurológica.

Obtiveram melhores resultados pacientes submetidos à terapia conjugada - fizeram biópsia e receberam álcool perílico, além de radio e quimioterapia. "Os que passaram por todas as fases tiveram menor taxa de recidiva e, entre os que tiveram, o retorno foi mais lento. Pacientes que morreriam em dois ou três meses estão vivos", diz Thomé.

O engenheiro Fernando Afonso tinha 49 anos quando sofreu convulsão e recebeu o diagnóstico de GBM com a sentença: viveria no máximo seis meses. O tumor tinha volume equivalente a uma bola de ping-pong (64 cm cúbicos) e não havia possibilidade de cirurgia. Ao consultar o oncologista, soube da pesquisa da UFF e foi incluído no estudo. Fez 30 sessões de radioterapia e desde 2007 faz inalação com álcool perílico. "Tive a sorte de conseguir debelar um tumor como esse sem nunca ter tomado uma injeção", conta, aos 53 anos. Hoje, o tumor tem 9 cm cúbicos.

Terceira fase. Agora, a equipe quer saber por que o álcool perílico não tem efeito sobre todos os pacientes e entender a biologia do tumor. A intenção é identificar os fatores envolvidos com a progressão do câncer e descobrir se há metástase antes mesmo de a doença se manifestar.

Correio Braziliense

Teste seis em um

Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) finaliza um novo método para análise de sangue, capaz de detectar sífilis, HIV, hepatites B e C, doença de Chagas e o vírus HTLV com apenas uma amostra. Técnica significa economia de tempo e de dinheiro

Por Silvia Pacheco

Na rotina de triagem dos hemocentros brasileiros todos os dias é travada uma batalha pela segurança da qualidade do sangue para transfusões. Repetidos testes são feitos em diversas amostras do soro para garantir que o material não esteja contaminado por agentes infecciosos. Para cada doença a ser diagnosticada, uma amostra é utilizada. Permeando tudo isso está o tempo: pelo menos cinco horas são gastas até que o sangue seja liberado, ou não, para o uso. E quando o assunto é saúde, tempo e segurança são imprescindíveis para o sucesso de qualquer procedimento, ainda mais se há um deficit no estoque de sangue como o existente no país. Pensando nisso, pesquisadores brasileiros se debruçam na criação de um multiteste que detecta em apenas uma amostra de sangue, em 30 minutos, seis tipos de doenças: sífilis, HIV/Aids, hepatites B e C, doença de Chagas e o vírus HTLV, capaz de provocar quadros neurológicos degenerativos.

A iniciativa, que está em fase avançada de desenvolvimento, é do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o apoio do Instituto de Biologia Molecular do Paraná. O método emprega a chamada plataforma de microarranjos líquidos, na qual todas as reações e análises são feitas em nível nanoscópico — nesse caso, por se tratar de sangue, apenas um bilionésimo de litro.

O novo procedimento pode ajudar também a reverter a expansão dessas doenças no Brasil, principalmente da Aids. Segundo estudo divulgado recentemente pela Organização das Nações Unidas (ONU), o número de pessoas contaminadas pelo vírus HIV no país aumentou nos últimos anos. Os levantamentos mostram que, em 2009, cerca de 650 mil pessoas foram contaminadas. Em 2001, esse número girava em torno de 470 mil. “Precisamos ampliar os diagnósticos específicos e aumentar sua eficiência, para evitar os casos de transmissão”, observa o químico Antônio Ferreira, coordenador da pesquisa e gerente do Programa de Desenvolvimento de Reativos para Diagnósticos de Bio-Manguinhos.

No novo método, adiciona-se um conjunto de duas mil microesferas plásticas, de diferentes tonalidades, codificadas por fluorescência, ao tubo de ensaio que contém a amostra de sangue. Cada tipo de microesfera tem uma cor específica, relacionada com o tipo de doença — vermelho para Aids, amarelo para sífilis, por exemplo — e pode ser revestida com proteínas ou material genético de um determinado patógeno (vírus ou micro-organismos causadores de doenças). A análise que dá o diagnóstico é feita por meio de um equipamento que emite dois tipos de raios laser: o primeiro identifica o tipo ou a cor da microesfera, enquanto o segundo verifica se ela contém o anticorpo ou não.

“Uma quantidade significativa de microesferas positivas (com o anticorpo) de um ou mais tipos significa que aquele indivíduo foi infectado pelos patógenos correspondentes”, sintetiza Ferreira. Com esse método, os cientistas afirmam também que podem ser feitos futuramente até 15 diagnósticos de uma só vez, com uma única amostra de sangue. Entre esse conjunto de doenças detectadas estariam a toxoplasmose e o HPV (sigla em inglês para papiloma vírus humano).

Economia

O multiteste deve substituir o teste Elisa (sigla para a expressão inglesa Enzyme Linked Immunosorbent Assay), bastante empregado em laboratórios brasileiros para detectar os anticorpos. A nova técnica deve trazer economia para a balança comercial do país. No Elisa, são utilizados reagentes para detectar a presença dos agentes infecciosos. “Esses compostos são todos importados e caros”, informa o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. Segundo ele, a importação de reagentes soma US$ 400 milhões por ano. “Com o novo teste, esse valor pode cair para a metade”, calcula Gadelha.

Além dos custos com as importações, a utilização do multiteste pode gerar uma economia também de 50% nos gastos realizados com equipamentos, material e pessoal nos hemocentros. Nos testes disponíveis hoje, é preciso fazer até dois exames confirmatórios em alguns tipos de diagnósticos. “Para a detecção dessas seis doenças, utilizamos seis testes, um para cada. Na prática, porém, realizamos oito testes. Para hepatite B e HIV, são feitos dois ensaios, para aumentar ainda mais a sensibilidade da triagem sorológica do sangue. Um multiteste substituiria todos esses”, esclarece Couto.

De acordo com o coordenador da pesquisa, o multiteste estará disponível para os hemocentros em 2012. “Estamos dependendo de recursos do BNDES, a serem disponibilizados agora em maio, para terminarmos os testes no laboratório”, informa o diretor de Bio-Manguinhos.

Pioneirismo soviético

As primeiras transfusões de sangue datam de 1926, no primeiro centro de hematologia e transfusão de sangue, em Moscou, na então União Soviética. Elas eram feitas do braço elevado do doador diretamente para o do receptor. Na época, não eram realizados os testes pré-transfusionais e nenhum outro exame específico frequentes hoje em dia.

Correio Braziliense

Versão importada ausente

Na linha de frente na batalha para mais segurança nas transfusões de sangue, está o teste NAT (sigla inglesa para teste de ácido nucleico), responsável pelo diagnóstico específico do HIV e do HCV, vírus que provoca a hepatite C. Comparado ao atual teste Elisa, o NAT encurta o prazo de detecção no sangue dos vírus HIV de 22 para sete dias, e da hepatite C, de 70 para 11 dias, em média. Ele já é adotado na Europa Ocidental, na América do Norte e na Ásia. Seu diferencial está na detecção do ácido nucleico, em vez dos anticorpos, como é feito nos ensaios atuais. "Os vírus se multiplicam inserindo seu material genético (ácido nucleico) nas células. Com o NAT, conseguimos identificar a pessoa com a mínima taxa viral que ela tenha, o que chamamos de janela imunológica", explica o químico Antônio Ferreira.

Diversos estudos demonstram a segurança maior com a utilização do teste NAT, entre os quais um do Hospital das Clinicas da Universidade de São Paulo. "O teste aumenta a segurança da transfusão, pois investiga a presença de alguns agentes infecciosos, o que faz uma triagem do sangue que vai ser doado. Se o sangue tiver material genético de algum desses vírus, ele é desprezado", esclarece o hematologista Dante Lang, diretor da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 177 milhões de pessoas no mundo estão cronicamente infectadas pelo HCV e pelo HIV, o que corresponde a 3% da população mundial.

No Brasil, o NAT só é realidade, por enquanto, em alguns laboratórios particulares e em pouquíssimas unidades públicas. No Sistema Único de Saúde (SUS), após o desenvolvimento de uma tecnologia brasileira para a fabricação do teste, a implementação está sendo gradual. "Alguns hemocentros já têm o teste, mas precisamos treinar e capacitar o pessoal para o uso da nova tecnologia", justifica o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. Ele sustenta que a decisão do governo de desenvolver o NAT brasileiro foi baseada nos altos custos de importação do material para os ensaios. "Buscamos alinhar alta tecnologia com redução de custos e economia na balança comercial", disse.

Para Lang, se o teste fosse obrigatório no país, o risco de infecções contraídas por meio de transfusões de sangue diminuiria em até 20 vezes. O hematologista reclama da demora do governo para a implantação do teste na rede pública. "O registro do NAT está na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2002. Não podemos, devido à justificativa econômica, deixar de garantir a maior segurança possível na transfusão realizada no Brasil", sentencia. "Os órgãos governamentais defendem a ideia de que esse teste tem custo relativamente elevado e que o Brasil está desenvolvendo um produto nacional. É pertinente, mas o Brasil deveria adotar esses testes que já existem no mercado e, só depois, desenvolver o nacional."

Valor Econômico

Mais de 250 planos têm problemas financeiros

Mais de 15% das 1.618 operadoras de planos de saúde e odontológicos em atividades no país estão hoje sob intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

No total, são 255 operadoras sob a fiscalização da agência reguladora. Desse volume, 73 já estão em regime de liquidação extrajudicial, ou seja, esses convênios não conseguiram acertar seus débitos financeiros e correm o risco de ir à falência.

Para evitar a quebra, a ANS realiza diversos leilões para que outras operadoras absorvam os clientes da empresa com problemas financeiros. Ainda assim, o número de planos em atividades na última década diminuiu sensivelmente. Em 2000, eram 2.723 contra 1.618 atualmente.

Há ainda no mercado 182 operadoras em direção fiscal - tipo de intervenção em que um fiscal da ANS se instala dentro da empresa para analisar a real situação econômica e exige um plano de recuperação. Caso esse plano não seja efetivado, a operadora passa para a fase de liquidação extrajudicial.

Nos dois últimos anos, o número de operadoras em regime de direção fiscal saltou de 52 para 176. Uma das razões para essa alta é que a ANS passou a exigir provisões (reservas técnicas) para evitar que uma operadora quebre e deixe seus clientes desamparados.

O setor ficou 40 anos sem regulamentação. Agora, estamos implementando as provisões e outras normativas para dar maior segurança aos clientes. Mas estamos dando prazos longos para as operadoras se adequarem, disse Leandro Fonseca, diretor de normas e habilitação da ANS. Muitas operadoras ganhavam dinheiro na época da inflação, com aplicações financeiras. Agora, é preciso ter gestão, complementou. (BK)

Valor Econômico

Samcil tenta vender três hospitais para abreviar intervenção da ANS

Luiz Roberto Silveira Pinto, presidente e fundador da Samcil: sem venda de ativos, recuperação pode levar 24 meses

Por Beth Koike

Sob intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde janeiro, a operadora de planos de saúde Samcil está vendendo três hospitais para sanar dívidas que somam cerca de R$ 70 milhões.

Estamos vendendo os hospitais para sair da direção fiscal, explicou Luiz Roberto Silveira Pinto, presidente e fundador da Samcil. Há cerca de seis meses, ele demitiu quase toda sua diretoria e voltou ao comando da operadora que já foi uma das maiores do mercado, mas teve seu tamanho reduzido pela metade nos últimos dois anos por conta da crise econômica e problemas de gestão.

A venda dos três hospitais, que hoje estão com suas portas fechadas, pode gerar um caixa de R$ 130 milhões para a Samcil. A empresa de planos de saúde está tentando vender os hospitais Santa Marta, localizado no bairro paulistano de Santo Amaro, o Santo André e o Jardim, ambos situados na região do ABC paulista. O hospital que pode gerar mais recursos é o Santa Marta, avaliado em R$ 100 milhões. De acordo com ele, já há uma operadora de plano de saúde e uma rede de hospitais interessadas no Santa Marta.

Se conseguirmos vender o Santa Marta teremos condições de sair da direção fiscal rapidamente. Caso contrário, vamos adotar um plano de recuperação que levará 24 meses. O tempo é maior porque uma operadora sob direção fiscal tem mais dificuldades para ganhar novos clientes e crescer, disse o fundador da operadora, que no ano passado completou 50 anos de atividades.

Atualmente, a Samcil tem 300 mil beneficiários - metade do que possuía há dois anos. Nesse período, a empresa também encerrou as atividades de 28 dos seus 40 centros médicos e mais seis hospitais. A medida foi tomada para reduzir os custos.

No último ano, os negócios do grupo Samcil - que possui, além do plano de saúde, outros cinco hospitais e 12 centros médicos em atividade - não geraram nenhum lucro. Em 2009, a última linha do balanço do grupo Samcil registrou resultado positivo de R$ 8 milhões e de R$ 17 milhões, em 2008. Tivemos essa queda expressiva por causa da crise econômica, aquisições e empréstimos bancários mal planejados, disse.

A queda expressiva na carteira ocorreu porque a Samcil atendia muitas empresas afetadas pela crise financeira mundial como, por exemplo, do setor de autopeças.

O Globo

Em Goiás, contratos sob suspeita

Conselho de Saúde não recebe dados sobre despesas milionárias

Por Givaldo Barbosa

APARECIDA DE GOIÂNIA (GO). Quando não há fiscalização, os milionários contratos de serviços de saúde, pagos em parte com verba federal do SUS, ficam numa caixa-preta, aparentemente inacessíveis até ao secretário de Saúde. É o que ocorre em Aparecida, na região metropolitana de Goiânia, onde 77% da população de quase 500 mil habitantes não têm atendimento básico de saúde. A prefeitura conta só com um prestador de serviço e uma organização social, cujos contratos sequer foram apresentados ao Conselho Municipal de Saúde (CMS). As despesas anuais são orçadas em quase R$13 milhões.

Os contratos mais vultosos e que já levantaram suspeitas no Ministério Público foram fechados com o Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), criado em 2005 e que teve como patrono na Câmara de Vereadores de Aparecida o então vereador Francisco Júnior (PMDB), do mesmo partido do prefeito de Aparecida, o ex-senador Maguito Vilela (PMDB).

Conselho de Saúde espera informações há um ano

Há mais de um ano, o CMS formalizou pedidos para ter acesso aos documentos e discutir o serviço prestado. Semana passada, o CMS discutiria o tema, mas o Idtech não participou.

- Se continuarem assim, pediremos a suspensão dos pagamentos - diz o presidente do CMS, Fábio dos Reis Fonseca.

O mais intrigante é que o Idtech e o secretário de Saúde, Rafael Nakamura, dizem que não há o que esconder e que o serviço está sendo prestado normalmente. Segundo Nakamura, o problema é que o contrato está na Secretaria de Licitações:

- Nunca vi esse contrato. Já procurei no controle interno esses contratos... Por mim, entrego para você... Mas, aqui em Aparecida, não funciona tudo bacana, tudo redondo - disse.

O GLOBO obteve os contratos de gestão no site do Idtech. No documento, a empresa deve prestar três serviços essenciais: marcar consultas, fazer atendimento ambulatorial e regular os leitos hospitalares. Quem fiscaliza o Idtech é a própria entidade. Nakamura diz que "todos os instrumentos contratuais firmados são submetidos aos órgãos de controle interno e externo na forma da legislação vigente", informação negada pelo Conselho de Saúde.

O próprio coordenador do Idtech diz que não há motivos para mistério:

- É uma besteira (não apresentar ao conselho). Esse contrato é público - afirma José Cláudio Romero, coordenador-executivo do Idtech.

Mais misterioso é o contrato com a empresa Techcapital, orçado em R$4 milhões ao ano, para prestação de serviços de raio-x, mamografia e eletrocardiograma. O CMS nunca soube desse contrato, que aguarda análise do Tribunal de Contas do Município. Ao GLOBO, um funcionário da Secretaria de Saúde informou que, além do preço acima do valor de mercado, o serviço não é prestado integralmente:

- Esse contrato não foi assinado por mim. Mas, em nenhum dos contratos haverá dolo. Se houve irregularidade em contratação, sou (ente) culposo, não sou doloso - disse Nakamura. (Roberto Maltchik)

O Globo

Atendimento só no papel

Fraudes no SUS

Cadastro do Programa Saúde da Família é inflado e governo paga por serviço inexistente

Por Roberto Maltchik

Além dos desvios milionários, o Sistema Único de Saúde (SUS) é corrompido por informações falsas em seus cadastros, que permitem a médicos manter o credenciamento em até 17 unidades de saúde, e abrem brechas para o comércio de CPFs com o objetivo de burlar as regras do Programa Saúde da Família (PSF). As irregularidades prosperam no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e suas consequências ficam explícitas em relatórios do próprio governo. Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), em mais de 40% dos municípios, as equipes de saúde da família não cumprem a carga horária. Em 36,5% das 982 cidades fiscalizadas de 2004 a 2009 o atendimento foi considerado deficiente.

Nos cadastros do SUS, o psiquiatra Klecius Ramos Mota, de Cocal (PI), é onipresente. Ele tem 17 vínculos, dos quais 16 seriam com o SUS em duas cidades do Piauí e um no Maranhão. Assim, sua carga de trabalho semanal chegaria a 34,14 horas diárias, sete dias por semana. Já o médico Antônio Nivardo Vieira trabalharia 21,7 horas diariamente, com seus 13 vínculos e 152 horas de trabalho semanais.

Médico denuncia fraude em cadastro

O que liga esses dois profissionais são os vínculos de 40 horas semanais com o Hospital Regional de Araioses, no Maranhão. Nivardo diz que há oito anos não pisa na unidade, apesar de o cadastro ter sido atualizado pelo município no último dia 17. Segundo ele, trata-se de um jogo de Araioses para ganhar mais dinheiro do SUS:

- Quando é para renovar o cadastro junto ao SUS, eles têm que ter a equipe para poder apresentar. Aí, usam indevidamente o nome da gente para fazer esse tipo de coisa. Meu nome também aparecia lá na Apae de Magalhães de Almeida (MA), mas nunca fui lá - diz o cirurgião, que hoje se dedica à clínica particular e atende na Unidade Básica de Saúde de Cocal (40 horas) e em outras duas unidades.

O médico aponta a indiferença do Ministério da Saúde:

- Há uns dois anos, telefonei para o ministério em Brasília para denunciar isso; eles se prontificaram a tomar providências, mas ficou só naquilo mesmo.

Como o Ministério da Saúde passou a suspender os repasses em que há duplicidade de integrantes das equipes de Saúde da Família, uma nova modalidade de fraude ganha corpo e está sendo investigada pelo Ministério Público no Piauí e no Maranhão. Médicos alugam ou pedem emprestado o CPF e o CRM de colegas para trabalhar em duas ou mais cidades. Só no Piauí, a fraude já foi detectada em São Miguel do Tapuio, Dom Expedito Lopes, Jardim do Mulato e Nossa Senhora dos Remédios. Em Nossa Senhora dos Remédios, são 17 casos confirmados por auditores do SUS: sete médicos, sete dentistas e três enfermeiros.

Em Tapuio, o Departamento de Auditoria do SUS (Denasus) cobra R$76,8 mil da prefeitura por pagamentos feitos a uma médica que declarou por escrito nunca ter trabalhado no Saúde da Família, muito menos ter recebido um centavo pelo serviço virtual.

- Temos médicos que cumprem uma carga horária de 40 horas no Programa Saúde da Família, mas vão uma vez por semana. Isso é dinheiro público desviado de sua finalidade - diz a coordenadora do Centro Operacional de Defesa da Saúde do Ministério Público do Piauí, Cláudia Seabra.

Em Picos (PI), onde nem os auditores sabem onde foram parar 40% de todo dinheiro repassado pelo SUS, como o GLOBO mostrou ontem, o superlotado e endividado Hospital Regional Justino Luz é uma fábula de médicos e equipamentos. Para o CNES, a unidade conta com onze leitos de UTI e 123 médicos. Nada disso é verdade.

- UTI? De jeito nenhum! Em toda história desse hospital não passaram 123 médicos aqui - diz Valdeci Leite Barros, a diretora do Justino Luz.

Nos dados oficiais, cobertura é boa

Na verdade, de 63 médicos, 16 estão afastados pelos mais diversos motivos. Enquanto a reportagem percorria o hospital, uma vítima de acidente de trânsito sangrava sem atendimento na recepção há mais de uma hora.

- Não tem médico. Parece que está no horário de almoço - informou a recepcionista.

Auditores do SUS ouvidos pelo GLOBO explicam que o maior dano é a maquiagem que os números inflados criam sobre a real situação da Saúde. No Hospital Geral de Picos - unidade privada que tem 100% dos atendimentos pelo SUS -, o banheiro parece em obras e a sujeira faz volume na antessala do centro cirúrgico. O CNES identifica 30 médicos atendendo pelo SUS e 14 funcionários. O que se viu foram dezenas de pacientes atirados em quartos escuros, sem nenhum equipamento, e só um médico consultando.

- No máximo, oito médicos atendem por aqui - contabiliza a auxiliar de enfermagem.

Os dados oficiais comprovam a existência do SUS virtual. Em Picos, a diretora do Hospital Justino Luz afirma que atende febre e dor de dente, e que o Saúde da Família "é precário, quase não existe". Mas o Departamento de Atenção Básica (DAB) do Ministério da Saúde contabiliza 100% da população atendida pelo Saúde da Família.

No estado do Piauí, o DAB contabiliza cobertura de 97,39% da população pelo Programa de Saúde da Família e 99,87% pelos Agentes Comunitários de Saúde. Entretanto, os indicadores do Pacto pela Saúde de 2010 mostram que apenas 86,75% da população estão registrados na Estratégia de Saúde da Família. A meta do ano passado era alcançar 94% de cobertura.

O psiquiatra Klecius Mota admitiu que não trabalha em "vários desses hospitais" e que há casos de unidades onde jamais apareceu. Ele reconheceu que já sabia do problema, mas não se interessou em resolvê-lo. Ele repetiu a suspeita que hospitais corrompem o sistema para receber mais recursos do ministério. A Prefeitura de Picos e a direção do Hospital Regional de Araioses não se pronunciaram.

O Globo

Ministério: fiscalização é compartilhada

Estados e municípios têm participação importante na avaliação, diz governo

BRASÍLIA. O Ministério da Saúde informou, em nota, que os gestores municipais, estaduais e do Distrito Federal são responsáveis pelas informações que alimentam o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Também disse que o controle das equipes do Programa Saúde da Família (PSF) é compartilhado. "Um dos principais componentes de avaliação da execução dos serviços deve ser feito pelos conselhos municipais de saúde. Ainda, como o sistema é descentralizado, os órgãos de controle do estado e município também têm um papel importante na avaliação da qualidade do gasto".

Ao ministério cabe, informa a nota, "acompanhar a execução orçamentária, podendo realizar fiscalizações por meio do Denasus". O governo também se responsabiliza pela "análise dos dados de interesse nacional, relacionados com a estratégia Saúde da Família, gerados pelos sistemas de informação em saúde, divulgando os resultados obtidos", cabendo aos municípios assegurar o cumprimento do horário integral de 40 horas dos profissionais das equipes do Saúde da Família.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, entre 2007 e janeiro de 2011, 18.841 equipes do Saúde da Família foram suspensas, o que representa um volume de recursos que chega a R$169,72 milhões. O ministério informa que as principais irregularidades encontradas são: inexistência e/ou composição incompleta das equipes, duplicidade de cadastro, descumprimento da carga horária prevista e impropriedades na inserção dos dados no Sistema de informações de Atenção Básica (Siab) e no CNES.

O Tempo

Quem está pagando a conta dos planos?

A relação conflituosa dos médicos com as operadoras de saúde

Por Carlos Degrandi Oliveira

Alastram-se os movimentos da classe médica contra o tratamento dispensado pelas operadoras de saúde. Historicamente, a relação entre planos e prestadores de serviço, como os médicos, é conflituosa.

A Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, trouxe avanços, como a normatização mais adequada para a relação empresas/pacientes. No entanto, não regulamentou a relação entre empresas e profissionais de medicina, deixando perigosa lacuna para pressões das operadoras sobre os médicos, pressões essas que têm por trás a busca de mais lucros em detrimento da assistência de qualidade.

A conta dos planos de saúde tem sido paga, em boa parte, pelos médicos. As operadoras até recompõem certos valores dos hospitais, dos medicamentos, dos insumos. Mas, para os médicos, os reajustes tardam a acontecer.

São inúmeras as denúncias de pressões para redução de exames, de internações e de outros procedimentos, além das glosas injustificáveis. Claro que tudo isso tem reflexo para o paciente. Não à toa, as empresas de planos estão entre as recordistas de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor.

Há cerca de dez anos, a Associação Médica Brasileira, o Conselho Federal de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos e o conjunto de entidades estaduais e sociedades de especialidades médicas fizeram uma pesquisa com o Datafolha. Os resultados foram estarrecedores. Pior: de lá para cá, a realidade só piorou, conforme atesta outra pesquisa Datafolha, esta de 2010. Uma ideia: 93% dos médicos dizem que os planos interferem em sua autonomia e outros 72,2% queixam-se de glosas em procedimentos ou medidas terapêuticas.

A dignidade profissional está comprometida pelo aviltamento dos valores pagos pelas consultas e procedimentos realizados.

Nessa vertente, foi lançada, em outubro de 2010, campanha permanente pela valorização do trabalho médico, no sistema público e nos convênios médicos, por condições adequadas de assistência e por mais qualidade no atendimento aos cidadãos.

A ação se iniciou com um dia de paralisação, que foi um ato de advertência para mostrar aos gestores dos planos de saúde e do sistema público a insatisfação com os baixos honorários e salários, além das pressões sofridas pelos médicos para reduzir a solicitação de exames e outros procedimentos, que são essenciais à boa pratica e, em especial, à saúde, ao bem-estar e à vida dos cidadãos.

A baixa remuneração, assim como as longas jornadas de trabalho, se alia aos demais riscos ocupacionais das especialidades, trazendo efeitos nefastos ao profissional, à sua família e ao paciente por ele cuidado.

Os pacientes são nossa prioridade; queremos dispensar a eles atendimento digno e de qualidade. Esse, aliás, é um dos focos da campanha. Hoje, muitas falhas no atendimento se dão em virtude de o médico ter de acumular vários empregos para sobreviver. Outras são fruto das pressões irresponsáveis e inconsequentes das empresas. Com uma remuneração adequada e respeito à autonomia profissional, certamente teremos a qualificação da assistência.

Não resta dúvida, um médico melhor remunerado não terá de acumular tantos trabalhos. Terá uma condição melhor para investir na reciclagem profissional e terá cabeça mais serena e centrada para direcionar toda sua atenção ao paciente, enfim, há uma série de fatores que favorecerão uma assistência de mais qualidade a toda sociedade

O Globo

Médicos de planos vão suspender consultas por 1 dia

Por Marcelle Ribeiro

Profissionais querem aumento de honorários e maior autonomia

Médicos de todo o país estão sendo convocados a suspender o atendimento a pacientes de planos de saúde por um dia, em 7 de abril, a não ser em casos de emergência. O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) planejam uma paralisação nacional para pressionar os planos a aumentarem os honorários e não interferirem na autonomia de trabalho dos médicos.

As três entidades estão se mobilizando e enviando cartas para os profissionais e para entidades médicas, e pretendem realizar passeatas no dia 7. O CFM está orientando médicos a, no dia 7, não realizarem consultas ou exames que não sejam urgentes e a remarcar o atendimento. Segundo o Conselho, as cirurgias eletivas também não devem ser realizadas, a não ser que causem grande transtorno ao paciente. Segundo a entidade, 160 mil médicos atendem por planos de saúde no Brasil.

O segundo vice-presidente do CFM, Aloísio Tibiriçá Miranda, afirma que os honorários defasados estão fazendo com que muitos médicos desistam de atender por planos de saúde. Segundo ele, hoje um médico que atende por planos recebe, em média, R$40 por uma consulta. As entidades reivindicam que o valor suba para pelo menos R$60, mas dizem que o mais adequado seria R$80.

A Federação Nacional dos Planos de Saúde (FenaSaúde) informou, em nota, que os reajustes dos médicos nos últimos anos superaram a inflação. Segundo a FenaSaúde, a quantidade de médicos que pedem descredenciamento não é significativa.

Gazeta do Povo

Sem tomar atitude, ANS descumpre sua finalidade

Por Alexandre Costa Nascimento

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem um peso determinante para solucionar a disputa entre médicos e operadoras, que coloca em risco a qualidade do atendimento de saúde prestado à sociedade. A reivindicação dos médicos por melhor remuneração é tão legítima que chega a ser reconhecida formalmente pela própria agência reguladora, pelas operadoras, pelos profissionais de saúde e por qualquer cidadão minimamente sensato.

Mas a ANS, que tem por atribuição legal controlar e fiscalizar o mercado de planos de saúde para assegurar o interesse público, se omite ao afirmar que “não tem por finalidade definir valores referentes ao pagamento das operadores pelos serviços realizados por prestadores de serviços”.

O risco neste caso não é de a agência extrapolar suas finalidades, mas sim o de não cumpri-las em seu aspecto mais fundamental, que é o de zelar pela segurança e – com o perdão do trocadilho – pela saúde de todo o sistema de atendimento suplementar brasileiro.

A omissão regulatória fica evidente quando se constata que uma resolução da própria agência determina que todos os contratos entre operadoras e médicos contenham, obrigatoriamente, cláusulas que estabeleçam “critérios para reajuste [de honorários e procedimentos], contendo forma e periodicidade”. E é justamente por ignorar solenemente a alínea C, do inciso VII, parágrafo único da Resolução Normativa nº 71/2004, formulada pela própria ANS, que a situação chegou ao ponto em que se encontra hoje.

A agência se defende afirmando que tem conduzido “grupos de trabalho”, nos quais atua como “facilitadora” entre as partes, além de participar de discussões sobre o tema com entidades envolvidas. Não é o bastante. Se fizesse apenas seu dever de casa, fiscalizando o cumprimento de suas próprias resoluções, o impasse entre médicos e operadoras seria facilmente solucionado – permitindo, aí sim, que as questões de valores fossem negociadas livremente entre médicos e operadoras, sob um arcabouço que evitaria o achatamento no valor dos honorários e as consequências negativas da deterioração da qualidade do atendimento aos usuários.

AGENDA

- ClasSaúde 2011

Evento acontece na cidade de São Paulo, SP.

"Saúde e os Desafios Econômicos, Humanos e Ambientais" é o tema central dos seis congressos que compõem o ClasSaúde 2011, evento oficial da Hospitalar 2011 que acontece de 24 a 27 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Promovido pela Confederação Nacional de Saúde (CNS), Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Fenaess), Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SINDHOSP) e HOSPITALAR Feira + Fórum, o ClasSaúde já se consolidou como palco das principais discussões que norteiam o setor.

Integram o ClasSaúde 2011 os seguintes eventos: 16º Congresso Latino-Americano de Serviços de Saúde; o 6º Congresso Brasileiro de Gestão em Clínicas de Serviços de Saúde; 5º Congresso Brasileiro de Gestão em Laboratórios Clínicos (evento realizado em conjunto com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial - SBPC/ML); 4º Congresso Brasileiro de Tecnologias da Informação e Comunicação em Saúde; 2º Congresso Brasileiro de Aspectos Legais para Gestores e Advogados da Saúde; e 2º Congresso de Gestão e Políticas em Saúde Mental.

O Congresso Latino-Americano é o evento internacional do ClasSaúde e está dividido em três módulos: Sistema de Saúde Público-Privado, Saúde Suplementar e Capacitação Profissional. "Esse ano a questão ambiental entra em discussão.

O site do ClasSaúde (http://www.classaude.com.br/) estará no ar no início de março e trará os programas dos eventos, composição das comissões científicas, valores das inscrições, pacotes de viagem, notícias e demais informações sobre os eventos. As inscrições também estarão abertas no mesmo período, com desconto para associados da CNS, Fenaess, SINDHOSP e SBPC/ML (estes últimos apenas para o Congresso de Laboratórios Clínicos).

Data: De 25 a 28 de maio de 2011

Local: Expo Center Norte

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – São Paulo, SP

Mais informações: http://www.classaude.com.br/


- Custos na Saúde e Pagamento por Pacotes

25 e 26 de abril de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

- Fornecer elementos para análise da constituição e do perfil dos custos da assistência à saúde no mercado de saúde suplementar e a sua racionalização mediante formatação de pacotes para o pagamento dos serviços.

- Fornecer noções de Economia Básica e de custos em geral.

- Identificar os componentes dos custos na assistência à saúde.

-Identificar fatores que agravam os custos na saúde

-Destacar mecanismos de regulação na utilização dos serviços de saúde e o seu reflexo nos custos assistenciais.

- Avaliar o sistema de gerenciamento de custos na assistência à saúde no mercado de saúde suplementar.

- Avaliar a repercussão da atuação da ANS, do Poder Judiciário, Ministério Público e PROCON nos custos de assistência à saúde.

-Identificar vantagens e desvantagens no pagamento por pacotes.

-Analisar recomendações para formatação, formalização e operacionalização de pacotes.

Instrutor

Dr. Natanael Dantas Soares

Público Alvo

Gestores de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e profissionais de todas as áreas, que atuam no Mercado de Saúde.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br


- 2º Seminário dos Dirigentes e Gestores das Autogestões

A Sustentabilidade da Autogestão

11 e 12 de abril

Hotel Naoum Plaza Brasília

SHS - Setor Hoteleiro Sul, Quadra 05, Bloco H, Brasília DF

O evento, com repercussão nacional, é um importante ambiente de debate da área de assistência à saúde suplementar, sendo este o propósito maior da UNIDAS nos eventos que promove como forma de estimular a reflexão de todos os agentes da área da saúde. Com um público estimado em 200 participantes o "2º Seminário dos Dirigentes e Gestores das Autogestões em Saúde - A Sustentabilidade da Autogestão" terá o objetivo de promover um debate com os executivos das nossas instituições filiadas sobre as principais oportunidades e ameaças para o segmento de autogestão em saúde.

Informações

Para ser patrocinador dos eventos, entre em contato com a UNIDAS.

Informações adicionais e esclarecimentos poderão ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11) 3289-0855 ou e-mail seminario@unidas.org.br. (Unidas/AssPreviSite)


- Home Care: Problema ou solução?

04 e 05 de abril de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo - Capacitar os profissionais da Área de Saúde, através de reflexões e aprimoramento dos aspectos pessoais e comportamentais inerentes ao atendimento domiciliar, visando atender as demandas do mercado.

Instrutora: Maria Antonieta Turci Rulli

Informações: Tel. (11) 3289-0855 Fax (11) 3289-0322 com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br

- Qualidade Aplicada às Instituições de Saúde

O Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), representante exclusivo no Brasil da maior agência acreditadora em saúde do mundo – a Joint Commission International (JCI), promoverá de 24 a 26 de março, o curso Qualidade Aplicada às Instituições de Saúde.

Ministrado pelo Coordenador de Educação do CBA, Heleno Costa Júnior (especialista em administração hospitalar e em acreditação, e responsável pela preparação das instituições de saúde para o processo de acreditação da JCI), o curso objetiva disseminar entre os participantes a cultura pela constante melhoria da qualidade no cuidado aos pacientes. Para isso, apresentará conceitos, princípios e ferramentas da qualidade utilizadas no processo de acreditação para o aprimoramento das ações assistenciais e gerenciais praticadas nos serviços de saúde.

Voltado para profissionais de saúde, gestores e lideranças intermediárias, o curso tem duração de 36 horas e acontece de 24 a 26 de março, das 8h30min às 17h30min na sede do CBA, que fica na Rua São Bento, 13, 4º andar, Centro, Rio de Janeiro.

Mais informações e inscrições pelo telefone (21)3299-8202 ou através do e-mail ensino@cbacred.org.br

- Encontro ANS - edição Norte e Centro-Oeste

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) promoverá, nos dias 5 e 6 de abril, o Encontro ANS – edição Norte e Centro-Oeste. O objetivo do evento é reunir atores da saúde suplementar para compartilhar informações e visões na construção de um setor cada vez mais qualificado.

Na ocasião, estarão presentes diretores e técnicos da Agência, além de representantes de operadoras de planos de saúde, órgãos de defesa do consumidor, entidades médicas, estabelecimentos de saúde e centrais sindicais.

O evento será realizado em Brasília, no Centro de Eventos e Treinamentos da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio, e é fechado para convidados e instituições inscritas.

As inscrições estão abertas e devem ser realizadas até 30 de março http://www.ans.gov.br/portal/img/email/20110302EncontroANS.pdfço, exclusivamente pelo sítio eletrônico da ANS, por representantes de operadoras de planos de saúde com registro de funcionamento nas Regiões Norte e Centro-Oeste.

Poderão participar até dois representantes de cada operadora por dia de evento.

Confira a programação do evento no link
http://www.ans.gov.br/portal/img/email/20110302EncontroANS.pdf

- IV Fórum Internacional de Qualidade em Saúde

Nos dias 31 de março e 01 de abril, das 8h às 18h, o iQG – Health Services Accreditation apresenta o IV Fórum Internacional de Qualidade em Saúde, no auditório da FECOMERCIO (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), situado à rua Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo. O evento, inédito no Brasil, contará com palestrantes nacionais e internacionais, referências no mercado de saúde mundial.

Serão apresentadas palestras e mesas de discussões com a participação de grandes personalidades, como Philip Hassen, Presidente da ISQua – International Society for Quality in Health Care; Pedro Delgado, vice-presidente do IHI – Institute for Healthcare Improvement e Sébastien Audette, CEO do Accreditation Canada Global.

“Certamente, estamos fazendo o melhor e maior evento da área de qualidade e segurança do paciente do Brasil. Traremos os maiores nomes nestes segmentos com o intuito de disseminar conceitos mundiais de boas práticas em qualidade e segurança, para que possamos melhorar a cada dia o atendimento nas instituições de saúde em nosso país”, explica Rubens Covello, CEO do IQG. (Cristiane Fernandes - Saúde Business Web)

- LANÇAMENTO DA 10ª EDIÇÃO PRÊMIO SINOG DE ODONTOLOGIA

Sinog premiará dentistas e estudantes de odontologia

Prêmio Sinog de Odontologia receberá os trabalhos concorrentes até 15 de abril de 2011

O Sinog - Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo, acaba de lançar a 10ª edição do Prêmio Sinog de Odontologia destinado a cirurgiões-dentistas e estudantes de Odontologia. O tema escolhido para os cirugiões-dentistas é "Valorização da Odontologia: Ações que contribuam para a ampliação e fidelização da rede credenciada das operadoras e que aprimorem a qualidade dos serviços prestados aos beneficiários dos planos odontológicos", e para os Estudantes de Odontologia, "Novas Tecnologias de Imagem em Odontologia: Como essas ferramentas de diagnóstico e controle de qualidade dos serviços odontológicos podem contribuir para a segurança do cirurgião-dentista e seu paciente e para o aperfeiçoamento da relação do credenciado com a operadora de planos odontológicos".

A novidade nesta edição é que, embora os ganhadores anteriores das três últimas edições não possam concorrer ao prêmio, os cirurgiões-dentistas recém formados, com o registro profissional, e que tenham participado na categoria de estudantes, nas edições anteriores, poderão participar em 2011 dentro da respectiva modalidade.

Na modalidade cirurgiões-dentistas o prêmio é de R$ 13 mil reais bruto, além de diploma e troféu. Já para os estudantes de Odontologia, a premiação é R$ 8 mil reais bruto, mais o diploma e o troféu e, caso o trabalho vencedor tenha contado com a supervisão de um professor orientador, o docente receberá como homenagem uma menção honrosa e a participação na solenidade de premiação, e a Faculdade de Odontologia cujo trabalho apresentado por seu estudante for o vencedor também receberá um troféu.

As inscrições para a 10ª edição, com a entrega dos trabalhos, de ambas as categorias, poderão ser feitas até o dia 15 de abril de 2011. O regulamento completo do Prêmio Sinog de Odontologia está disponível no endereço www.sinog.com.br/premio. A premiação acontecerá durante o jantar oficial de abertura da feira Hospitalar no dia 25 de maio de 2011, em São Paulo, em local a ser divulgado. Mais informações poderão ser obtidas através do e-mail secretaria@sinog.com.br ou pelo telefone (11) 3289-7299.

O Prêmio Sinog de Odontologia

Idealizado com o objetivo de valorizar o trabalho da classe odontológica e promover o desenvolvimento de pesquisas, seja no setor acadêmico ou profissional, o prêmio Sinog, criado em 2000, é anual e conta com temas diferentes a cada nova edição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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