30-03-11

 

Leia nesta edição:

- O que nos ensinou José Alencar

- Pacto pela Saúde

- Brasil firma acordo de colaboração sanitária com a China

- Telemedicina em saúde pública ganha recursos adicionais

- Médicos indicam drogas anticâncer para saudáveis

- Projetos tiram dúvidas de profissionais

- Plano de saúde terá reajuste

- Contrassenso no SUS

- Confederação Nacional de Saúde

- Circular Jurídico 035/2011

Quarta-feira, 30.03.11

Folha de São Paulo

Tendências / Debates

O que nos ensinou José Alencar

Por José Gomes Temporão

A morte de José Alencar, portanto, também nos serve de alerta para a persistência de iniquidades intoleráveis no acesso ao direito à saúde

A recente morte do nosso querido ex-vice-presidente José Alencar, aos 79 anos, deixou o país consternado. Figura política e pessoa ímpar, nos últimos anos acometido de grave enfermidade, ele teve sua condição de saúde acompanhada de perto por todos os brasileiros.

Sua determinação, a paixão pela vida e a altivez diante da dor e do sofrimento tornaram-se exemplo para todos nós, pacientes que fomos, somos ou seremos.

Também para os médicos foi exemplo, não só para aqueles que acompanharam de perto sua via-crúcis ou que cuidaram dele durante esse período, mas para muitos outros que perceberam nesse processo um mestre que nos ensinou muito, que nos aconselhava e que, com os olhos brilhando, nos dizia que, sim, é possível ter esperança; que, sim, é possível vencer a morte mesmo que por um curto período.

Em 2009, José Alencar foi convidado para dar a aula magna de abertura dos cursos de pós-graduação do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro.

Diante de cirurgiões e oncologistas de grande experiência e qualidade, alunos e profissionais de saúde, nosso estimado Zé falou de sua dor particular, detalhou sua experiência com a medicina e os médicos e expôs sua intimidade, sempre com segurança, perspicácia e sem perder o bom humor.

Mais ainda, ele reafirmou as iniciativas do Inca em relação ao cuidado humanizado.

Perdemos um grande brasileiro.

Um acontecimento que nos permite uma reflexão sobre o direito à saúde em nosso país.

Na luta contra o câncer, nosso Zé foi atendido pelos melhores médicos, operado nos melhores hospitais, teve acesso a medicamentos de alto custo e até mesmo experimentais. Tal padrão de qualidade dificilmente está acessível a tempo e hora ao brasileiro comum.

Esse fato era comentado com frequência pelo vice-presidente, mostrando com clareza seu grau de consciência sobre essa situação de exceção. O subfinanciamento crônico que asfixia o Sistema Único de Saúde (SUS) desde sua origem, há pouco mais de 20 anos, reserva apenas para os muito ricos o acesso pleno e ilimitado a todos os avanços da ciência médica.

A insuficiência de recursos financeiros expõe cotidianamente ao desamparo e a riscos a grande maioria dos brasileiros, que depende exclusivamente da saúde pública. E expõe também a riscos e a constrangimentos eticamente dolorosos os médicos e os demais profissionais de saúde.

Entretanto, nossa Constituição assegura a todos os brasileiros o direito à saúde, em seu sentido mais ampliado, e atribui ao Estado a responsabilidade pela garantia do acesso universal. A morte de José Alencar, portanto, também nos serve de alerta para a persistência de iniquidades intoleráveis no acesso ao direito à saúde. Que seja para todos. Sem distinção.

JOSÉ GOMES TEMPORÃO, 59, médico, mestre em saúde pública pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e doutor em medicina social pelo Instituto de Medicina Social da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), é professor da Fiocruz. Foi ministro da Saúde (2007-2010).

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Valor Econômico

Pacto pela Saúde

Portaria do Ministério da Saúde oficializa a adesão de mais 140 municípios ao Pacto pela Saúde. O acordo foi instituído no ano de 2006 com o objetivo de aprimorar a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), com base em uma agenda comum de compromissos sanitários. Ao todo, 4.225 cidades já aderiram ao pacto, 75,9% do total de 5.563 municípios brasileiros.

O Estado de São Paulo

Brasil firma acordo de colaboração sanitária com a China

Objetivo é melhorar a fiscalização das substâncias importadas que são usadas na produção de remédios

Por Lígia Formenti

O Brasil e a China firmaram um acordo de colaboração na área sanitária. Um dos objetivos do trato, estabelecido na semana passada, é melhorar a fiscalização da qualidade das substâncias importadas daquele país e usadas na fabricação de remédios pelo Brasil. O que é muita coisa: 80% dos insumos importados usados em remédios no País vêm da China.

A China, além de ser o maior fornecedor, é também o país campeão de reclamações. Das notificações recebidas pela Anvisa sobre insumos de medicamentos reprovados pelos fabricantes, 22% são relativas a produtos chineses. Em seguida estão produtos indianos, com 17%, e vindos dos EUA, com 6%.

Dos insumos chineses reprovados, 87% se referem a substâncias ativas dos remédios e 13%, a outros produtos usados na composição dos medicamentos.

Parceria. O acordo prevê quatro linhas de colaboração, das quais algumas são de aplicação imediata e outras, a médio prazo. Entre as que estão em vigor está o intercâmbio de informações sobre empresas chinesas fornecedoras de produtos para o Brasil. "Hoje, a liberação de produtos depende apenas da análise de documentos. Com o acordo, podemos ir além, checando informações com autoridades sanitárias chinesas. Isso evitará, por exemplo, problemas como o notado durante a visita da missão brasileira à China", afirmou Dirceu Barbano, diretor da Anvisa.

De acordo com ele, nessa viagem foi constatado que algumas das empresas chinesas fornecedoras de insumos para a indústria farmacêutica não são conhecidas pelas autoridades sanitárias do país.

O trato também permite que equipes da Anvisa, ao visitarem fábricas na China para a certificação de produtos, sejam acompanhadas de colegas da agência chinesa. O acordo também prevê o intercâmbio de informações sobre legislações. "Certamente essa colaboração vai fortalecer o sistema de vigilância dos dois países", avaliou Barbano.

Visita. A visita foi feita com representantes do setor produtivo brasileiro. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos, Odnir Finotti, acompanhou a missão. Ele conta que, atualmente, empresas enviam suas próprias equipes para analisar as empresas interessadas em exportar matéria-prima para o Brasil.

"Problemas com produtos importados que não estão em acordo com padrões exigidos já foram mais comuns, mas ainda existem", disse. Os desvios de padrão de qualidade levam empresas a ter de recusar a mercadoria e aguardar o envio de nova remessa, algo que muitas vezes afeta o cronograma de produção.

"As grandes empresas enviam equipes para fazer análise. Mas não há essa certeza com relação a produtos adquiridos por distribuidores e enviados para, por exemplo, farmácias de manipulação", alerta.

O acordo, embora comemorado pela indústria de genéricos, está longe de trazer perspectivas de abertura de mercado para exportação. "Essa seria uma meta a médio e longo prazo. Atualmente, poucas empresas teriam condições de ingressar naquele mercado, por problemas, sobretudo, ligados à escala de produção."

Presença chinesa

48% das empresas estrangeiras produtoras de medicamento cadastradas no País são chinesas

81% do volume de paracetamol usado no País vem da China

Valor Econômico

Telemedicina em saúde pública ganha recursos adicionais

Inovação: Adoção de ultrassonografia a distância é uma das novidades previstas para este ano

Por Cibelle Bouças

A adoção de dispositivos de telemedicina em órgãos de saúde pública, um processo que começou a ganhar força há um ano, vai entrar em nova fase, com a inclusão de mais recursos tecnológicos. Os resultados obtidos até agora, como a redução da mortalidade e do tempo de internação de infartados, estimularam os governos responsáveis pelos primeiros movimentos a estudar a expansão do atendimento a distância. Entre as inovações previstas para o próximo semestre estão a adoção de aparelhos de ultrassonografia a distância e a melhoria do sistema de transmissão de dados por radiofrequência.

A Prefeitura de São Paulo foi a primeira a fazer um projeto-piloto, em 2008. O programa é realizado em parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foram instalados aparelhos de eletrocardiografia a distância em 126 ambulâncias e em quatro pronto-socorros - Saboya, Tatuapé, Campo Limpo e Ermelino Matarazzo, cobrindo uma região de 2 milhões de habitantes.

O aparelho, produzido pela israelense Card Guard Scientific Survival, é conectado a telefones, celulares ou computadores. O exame é feito no paciente onde ele estiver e os dados são transmitidos por celular para uma equipe de cardiologistas que se revezam 24 horas no Hospital São Paulo, vinculado à Unifesp.

Os dados chegam aos médicos por um software desenvolvido pela ITMS do Brasil. O laudo é repassado para o profissional que fez o exame por celular ou por internet, dependendo da gravidade do caso. O tratamento começa na própria ambulância, com um atendimento que dura menos de dois minutos. O trabalho começou a ser feito com 30 a 40 exames por dia. Hoje, a demanda é de 200 exames por dia, diz o professor titular da Unifesp e idealizador do projeto, Antonio Carlos Carvalho.

O cardiologista e professor da Unifesp Iran Gonçalves Júnior diz que, antes do programa, a taxa média de mortalidade por infarto nessas regiões era de 21%, quando a média considerada ideal pela Organização Mundial de Saúde é de 6%. Em um ano de trabalho, o índice de óbitos caiu para essa faixa. Os resultados mostram que o problema era grande e a solução adotada foi eficaz, diz Gonçalves.

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo informou, por meio de sua assessoria, que estuda a expansão do programa para outras regiões periféricas. A prefeitura também pretende implantar, no segundo semestre, aparelhos de ultrassonografia a distância, desenvolvidos pela Epeople. Os aparelhos estão em fase de teste. A Epeople recebeu R$ 1,2 milhão em recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para desenvolver os aparelhos de eletrocardiografia e ultrassonografia a distância. A expectativa da empresa é lançar os dois aparelhos no mercado ainda este ano.

O governo federal também iniciou, em 2010, um projeto que apresentou avanços, com a implantação de aparelhos de eletrocardiografia em ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A meta é atender 1.347 municípios até 2012, com recursos de R$ 6,9 milhões.

No primeiro ano, foram implantados os aparelhos em 247 ambulância que atendem cem municípios. De acordo com dados do Ministério da Saúde, foram realizados 4.621 exames no período, dos quais 1.025 foram casos graves de infarto. O exame é feito no local e os dados são enviados para uma central no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. O processo é o mesmo realizado pela Unifesp. As tecnologias usadas são da ITMS do Brasil e da Card Guard Scientific Survival.

Cardiologista do HCor e um dos coordenadores do projeto, Hélio Penna Guimarães, afirma que, até o fim de fevereiro, 5.068 eletrocardiografias haviam sido enviados por ambulâncias, com uma média de 450 a 500 exames ao mês. Até o fim do mês vamos superar 5,6 mil eletrocardiografias, diz.

A transmissão de dados entre ambulância e HCor é feita por celular ou smartphone. O ministério não revela detalhes das próximas etapas do programa, mas Penna antecipou que devem ser implantados aparelhos de eletrocardiografia a distância em todas as ambulâncias de suporte avançado com médico a bordo - elevando de 241 para 396 o total de veículos equipados com a tecnologia.

O ministério também pode mudar a tecnologia de transmissão de dados, adotando uma faixa de radiofrequência mais adequada. O barulho da rua é captado pelo aparelho atual e provoca distorções no exame. Com a mudança, esse ruído deixará de existir, diz Penna.

Dados do Ministério da Saúde indicam que 300 mil pessoas morrem por ano de doenças cardiovasculares. Do total, 50% ocorrem no trajeto entre a casa e o hospital, o que reforça a importância do atendimento imediato.

Folha de São Paulo

Médicos indicam drogas anticâncer para saudáveis

Quimioprevenção é defendida para quem tem alto risco de manifestar a doença

Especialistas brasileiros questionam uso em larga escala desses remédios, que causam vários efeitos colaterais

Por Iara Biderman

Um grupo de oncologistas dos EUA e da Europa está defendendo a quimioprevenção, que é o uso de remédios para câncer em pessoas saudáveis, mas com alto risco de desenvolver a doença.

Em um consenso internacional coordenado pelo epidemiologista Jack Cuzick, do centro de pesquisas em câncer do Reino Unido, médicos e pesquisadores afirmam que remédios hormonais são eficazes na redução do risco de câncer de mama, mas pouco utilizados.

Um desses remédios é o tamoxifeno, que bloqueia os receptores de estrógeno na mama. Ele já foi bem pesquisado para a prevenção, e seu uso nesse contexto foi aprovado pelo órgão regulador de medicamentos dos EUA, o FDA, mas não pela Anvisa.

"A indicação pode ser feita individualmente pelo médico, mas a maioria não faz", diz o oncologista Auro del Giglio, da faculdade de medicina do ABC e do hospital Albert Einstein.

Isso porque, segundo Giglio, o remédio pode aumentar o risco de trombose e câncer de útero. "E, embora as pesquisas mostrem que o remédio diminui casos de câncer, não indicam se ele faz a mulher viver mais tempo e ter qualidade de vida."

A indicação da droga costuma ser feita para casos de alto risco, mas há tentativas de estender esse uso. O mastologista José Roberto Filassi, do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) acredita que há interesses comerciais por trás.

"Há um estudo sobre o uso preventivo de outro tipo de droga hormonal para câncer que deve ser publicado em 2012. São os inibidores de aromatase, que impedem a formação de estrógeno. Pode haver interesse dos fabricantes, porque esses remédios estão perdendo a patente."

Em artigo publicado no periódico "Lancet Oncology", os principais autores do consenso declaram conflitos de interesse. Eles receberam patrocínio da Astra Zeneca, Novartis e Eli Lilly, que fabricam inibidores de aromatase.

POLÊMICA Em outro artigo publicado na revista "Nature", Michael Sporn, professor de farmacologia da faculdade de medicina Dartmouth (EUA), sugere que o uso preventivo de remédios para câncer pode se tornar tão comum quanto o de estatinas para evitar doença de coração.

As estatinas diminuem o colesterol, fator de risco para infartos. Os remédios hormonais reduzem ou bloqueiam o estrógeno. Em 70% dos casos de câncer de mama, o aumento desse hormônio no tecido mamário está associado ao desenvolvimento da doença.

"É preciso diferenciar as coisas. O colesterol pode ser medido objetivamente. O risco de câncer de mama não, é só uma projeção a partir de dados clínicos. E mesmo assim, ter maior risco não significa que você vai desenvolver a doença", diz a coordenadora de oncologia clínica do Icesp, Pilar Estevez.

Além de a definição de "risco" ser problemática, Estevez questiona o uso de remédio por pessoas que não estão doentes.

"Se ela tiver complicações por causa do remédio, trocou uma probabilidade de doença por problemas induzidos pelo medicamento."

Valor Econômico

Projetos tiram dúvidas de profissionais

Quando se fala em telemedicina, é comum encontrar projetos públicos que preveem a implantação de dispositivos sofisticados e caros. Mas existem projetos que usam tecnologias simples e produzem um efeito significativo nas políticas de saúde.

O Ministério da Saúde colocou em operação no ano passado o programa Telessaúde Brasil, que possibilita a profissionais das unidades de saúde da família, os antigos postos de saúde, tirar dúvidas e obter uma segunda opinião sobre diagnósticos feitos. Médicos dos hospitais universitários respondem a dúvidas enviadas pelas equipes de saúde da família, por meio de um site. A comunicação entre hospitais e unidades de saúde é feita pela internet usando a estrutura de banda larga da Rede Universitária de Telemedicina, do Ministério de Ciência e Tecnologia.

O programa atende 1,2 mil unidades de saúde da família de nove Estados - Amazonas, Ceará, Pernambuco, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Neste semestre, o serviço será expandido para Mato Grosso do Sul, Tocantins e Acre, informa a secretária substituta de gestão do trabalho e da educação na saúde do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad.

O programa já registrou 13 mil teleconsultas. Dúvidas que se repetem muito ou que não têm uma resposta na bibliografia atual são usadas como referência para a realização de pesquisas nas universidades, afirma Ana Estela. O custo de implantação do projeto foi de R$ 36 milhões. Segundo Ana Estela, o gasto com a teleconsulta equivale a 12,5% do custo do atendimento presencial.

Diário de Pernambuco

Plano de saúde terá reajuste

Os usuários da saúde privada estão na contagem regressiva para o reajuste anual dos planos de saúde que deverá ser anunciado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) até maio. As operadoras apostam no percentual superior à inflação do período de abril/2010 a maio/2011. Entre 2000 e 2010 a agência reguladora do setor autorizou 136,65% de aumento para as mensalidades, acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cujo acumulado foi de 105,29%. Em 2010, os planos subiram 6,73% enquanto o custo de vida do brasileiro teve alta de 5,26%.

Para chegar ao percentual, a ANS aplica a média dos aumentos dos contratos coletivos, negociados livremente entre operadoras e empresas. Puxa para cima os reajustes dos planos individuais/familiares. Um grupo técnico da agência reguladora trabalha o novo formato de remuneração dos contratos. A fórmula em estudo cria um índice setorial, considerando itens como a satisfação do usuário e a variação dos insumos médico-hospitalares. A expectativa é que em 2012 a metodologia seja aplicada.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) participou da câmara técnica que discutiu o novo índice. Não gostou do que viu. ´Saímos do grupo de trabalho porque consideramos a fórmula extremamente técnica e complexa. Inviabiliza qualquer participação popular, além de desconsiderar a capacidade de pagamento do usuário`, ressalta a advogada do Idec Juliana Ferreira.

Em relação à atual fórmula de reajuste, a advogada diz que ela penaliza o consumidor porque os percentuais autorizados nos últimos dez anos ficaram acima da inflação medida pelo IPCA, índice que inclui as pessoas que ganham de um a quarenta salários mínimos. Estudo do Idec enviado à ANS projeta que, em dez anos, os consumidores não terão mais condições financeiras de pagar os planos de saúde, em especial as pessoas idosas.

As operadoras estão cautelosas para falar sobre o reajuste de 2011. O presidente nacional da Associação das Empresas de Medicina de Grupo (Abramge) Arlindo Almeida, argumenta que cada empresa tem a sua planilha de custos. ´Independente do percentual que a ANS vai aplicar, as empresas devem enviar as suas planilhas pedindo a autorização do reajuste anual`. A expectativa das empresas do setor é que o índice fique acima do IPCA, levando em conta a média aplicada pelos contratos coletivos.

Zero Hora

Contrassenso no SUS

EDITORIAIS As extensas filas registradas em frente a um posto de saúde da Capital situação comum em diferentes bairros da cidade e na maioria dos municípios do Interior enfraquecem uma das premissas do Sistema Único de Saúde (SUS), que é a ênfase na prevenção. Quem depende do sistema público de atendimento é orientado a só procurar as emergências dos hospitais em situações extremas, optando pelas unidades básicas nos demais casos. Mas, quando os enfermos esbarram em filas, em horários burocráticos e na falta de profissionais da área de saúde, é sinal de que o atendimento vai mal e precisa ser melhorado para não prejudicar ainda mais a imagem do SUS.

Um dos pressupostos da eficiência no sistema da universalização do atendimento na área de saúde é justamente a facilidade na oferta dos serviços públicos nessa área. Esta, porém, é uma questão irresolvida tanto em Porto Alegre quanto na imensa maioria de municípios gaúchos. No Interior, faltam postos de atendimento básico e poucas cidades dispõem de condições para garantir atendimento hospitalar de qualidade. O resultado é um permanente vaivém de pacientes, que lotam até mesmo ônibus diários para cidades de maior porte e para a Capital.

O fim do sofrimento de pacientes desassistidos depende, acima de tudo, de decisão política e de providências elementares, como postos de saúde que, nos próprios municípios, disponham de material humano e físico adequados às necessidades. É importante também que, sozinhos ou em consórcio com cidades vizinhas, as comunidades possam contar com hospitais em condições de atender a demandas mínimas.

Se não há vagas nas emergências lotadas de hospitais e se os pacientes são obrigados a formar filas desde a madrugada em frente aos postos de saúde, parece óbvio que algo precisa ser feito e já. Um bom começo é pôr em prática as eternas promessas de campanha eleitoral de abrir mais postos de saúde, de fazê-los funcionar em horários menos convencionais, de facilitar as consultas com especialistas e de inaugurar mais leitos para quem precisa ser internado, inclusive em condições de emergência.


Confederação Nacional de Saúde

Circular Jurídico 035/2011

DIRIGENTE SINDICAL NÃO TERÁ ESTABILIDADE INDENIZADA APÓS EXTINÇÃO DA EMPRESA

A Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu de recurso de um dirigente sindical demitido da Empresa Interagrícola S.A. (EISA), extinta durante a vigência de seu mandato. Ele pretendia receber indenização correspondente ao período de estabilidade garantido pela Constituição Federal (artigo 8º, inciso VIII), do registro da candidatura até um ano após o término do mandato. O órgão colegiado seguiu o voto da relatora, ministra Maria de Assis Calsing, que aplicou ao caso a jurisprudência do TST, no sentido de que, com a extinção da atividade empresarial, não há razão para ser mantida a estabilidade.

A indenização, reconhecida inicialmente pela Justiça do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP), foi excluída da condenação imposta à empresa pela Sexta Turma do TST, em julgamento de recurso de revista. O entendimento da Turma foi o de que a finalidade da lei, ao estipular a garantia de emprego, foi proteger o líder sindical de dispensas arbitrárias e tentativas de impedir sua atuação. No caso, como a empresa fechou as portas na base territorial do dirigente, a dispensa não teve esse objetivo.

Ao interpor embargos à SDI-1, o sindicalista insistiu que, na condição de membro da diretoria do sindicato, teria direito à estabilidade, independentemente da extinção da empresa em sua base. A relatora, porém, assinalou que o entendimento da Súmula 369, item IV, é justamente o oposto. “Ora, a consequência lógica do não reconhecimento ao direito à estabilidade provisória é a ausência de direito à percepção, a título indenizatório, dos salários que seriam devidos até o término da estabilidade”, concluiu.

Fonte: TST

AGENDA

- ClasSaúde 2011

Evento acontece na cidade de São Paulo, SP.

"Saúde e os Desafios Econômicos, Humanos e Ambientais" é o tema central dos seis congressos que compõem o ClasSaúde 2011, evento oficial da Hospitalar 2011 que acontece de 24 a 27 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Promovido pela Confederação Nacional de Saúde (CNS), Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Fenaess), Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SINDHOSP) e HOSPITALAR Feira + Fórum, o ClasSaúde já se consolidou como palco das principais discussões que norteiam o setor.

Integram o ClasSaúde 2011 os seguintes eventos: 16º Congresso Latino-Americano de Serviços de Saúde; o 6º Congresso Brasileiro de Gestão em Clínicas de Serviços de Saúde; 5º Congresso Brasileiro de Gestão em Laboratórios Clínicos (evento realizado em conjunto com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial - SBPC/ML); 4º Congresso Brasileiro de Tecnologias da Informação e Comunicação em Saúde; 2º Congresso Brasileiro de Aspectos Legais para Gestores e Advogados da Saúde; e 2º Congresso de Gestão e Políticas em Saúde Mental.

O Congresso Latino-Americano é o evento internacional do ClasSaúde e está dividido em três módulos: Sistema de Saúde Público-Privado, Saúde Suplementar e Capacitação Profissional. "Esse ano a questão ambiental entra em discussão.

O site do ClasSaúde (http://www.classaude.com.br/) estará no ar no início de março e trará os programas dos eventos, composição das comissões científicas, valores das inscrições, pacotes de viagem, notícias e demais informações sobre os eventos. As inscrições também estarão abertas no mesmo período, com desconto para associados da CNS, Fenaess, SINDHOSP e SBPC/ML (estes últimos apenas para o Congresso de Laboratórios Clínicos).

Data: De 25 a 28 de maio de 2011

Local: Expo Center Norte

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – São Paulo, SP

Mais informações: http://www.classaude.com.br/


- Custos na Saúde e Pagamento por Pacotes

25 e 26 de abril de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo

- Fornecer elementos para análise da constituição e do perfil dos custos da assistência à saúde no mercado de saúde suplementar e a sua racionalização mediante formatação de pacotes para o pagamento dos serviços.

- Fornecer noções de Economia Básica e de custos em geral.

- Identificar os componentes dos custos na assistência à saúde.

-Identificar fatores que agravam os custos na saúde

-Destacar mecanismos de regulação na utilização dos serviços de saúde e o seu reflexo nos custos assistenciais.

- Avaliar o sistema de gerenciamento de custos na assistência à saúde no mercado de saúde suplementar.

- Avaliar a repercussão da atuação da ANS, do Poder Judiciário, Ministério Público e PROCON nos custos de assistência à saúde.

-Identificar vantagens e desvantagens no pagamento por pacotes.

-Analisar recomendações para formatação, formalização e operacionalização de pacotes.

Instrutor

Dr. Natanael Dantas Soares

Público Alvo

Gestores de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e profissionais de todas as áreas, que atuam no Mercado de Saúde.

Informações

Tel. (11) 3289-0855

Fax (11) 3289-0322

com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br


- 2º Seminário dos Dirigentes e Gestores das Autogestões

A Sustentabilidade da Autogestão

11 e 12 de abril

Hotel Naoum Plaza Brasília

SHS - Setor Hoteleiro Sul, Quadra 05, Bloco H, Brasília DF

O evento, com repercussão nacional, é um importante ambiente de debate da área de assistência à saúde suplementar, sendo este o propósito maior da UNIDAS nos eventos que promove como forma de estimular a reflexão de todos os agentes da área da saúde. Com um público estimado em 200 participantes o "2º Seminário dos Dirigentes e Gestores das Autogestões em Saúde - A Sustentabilidade da Autogestão" terá o objetivo de promover um debate com os executivos das nossas instituições filiadas sobre as principais oportunidades e ameaças para o segmento de autogestão em saúde.

Informações

Para ser patrocinador dos eventos, entre em contato com a UNIDAS.

Informações adicionais e esclarecimentos poderão ser obtidos diretamente com a UNIDAS Nacional pelo tel. (11) 3289-0855 ou e-mail seminario@unidas.org.br. (Unidas/AssPreviSite)


- Home Care: Problema ou solução?

04 e 05 de abril de 2011

SEDE UNIDAS NACIONAL

Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP

Objetivo - Capacitar os profissionais da Área de Saúde, através de reflexões e aprimoramento dos aspectos pessoais e comportamentais inerentes ao atendimento domiciliar, visando atender as demandas do mercado.

Instrutora: Maria Antonieta Turci Rulli

Informações: Tel. (11) 3289-0855 Fax (11) 3289-0322 com Fernanda Delesporte

treinamento@unidas.org.br

- Encontro ANS - edição Norte e Centro-Oeste

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) promoverá, nos dias 5 e 6 de abril, o Encontro ANS – edição Norte e Centro-Oeste. O objetivo do evento é reunir atores da saúde suplementar para compartilhar informações e visões na construção de um setor cada vez mais qualificado.

Na ocasião, estarão presentes diretores e técnicos da Agência, além de representantes de operadoras de planos de saúde, órgãos de defesa do consumidor, entidades médicas, estabelecimentos de saúde e centrais sindicais.

O evento será realizado em Brasília, no Centro de Eventos e Treinamentos da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio, e é fechado para convidados e instituições inscritas.

As inscrições estão abertas e devem ser realizadas até 30 de março http://www.ans.gov.br/portal/img/email/20110302EncontroANS.pdfço, exclusivamente pelo sítio eletrônico da ANS, por representantes de operadoras de planos de saúde com registro de funcionamento nas Regiões Norte e Centro-Oeste.

Poderão participar até dois representantes de cada operadora por dia de evento.

Confira a programação do evento no link
http://www.ans.gov.br/portal/img/email/20110302EncontroANS.pdf

- IV Fórum Internacional de Qualidade em Saúde

Nos dias 31 de março e 01 de abril, das 8h às 18h, o iQG – Health Services Accreditation apresenta o IV Fórum Internacional de Qualidade em Saúde, no auditório da FECOMERCIO (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), situado à rua Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo. O evento, inédito no Brasil, contará com palestrantes nacionais e internacionais, referências no mercado de saúde mundial.

Serão apresentadas palestras e mesas de discussões com a participação de grandes personalidades, como Philip Hassen, Presidente da ISQua – International Society for Quality in Health Care; Pedro Delgado, vice-presidente do IHI – Institute for Healthcare Improvement e Sébastien Audette, CEO do Accreditation Canada Global.

“Certamente, estamos fazendo o melhor e maior evento da área de qualidade e segurança do paciente do Brasil. Traremos os maiores nomes nestes segmentos com o intuito de disseminar conceitos mundiais de boas práticas em qualidade e segurança, para que possamos melhorar a cada dia o atendimento nas instituições de saúde em nosso país”, explica Rubens Covello, CEO do IQG. (Cristiane Fernandes - Saúde Business Web)

- LANÇAMENTO DA 10ª EDIÇÃO PRÊMIO SINOG DE ODONTOLOGIA

Sinog premiará dentistas e estudantes de odontologia

Prêmio Sinog de Odontologia receberá os trabalhos concorrentes até 15 de abril de 2011

O Sinog - Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo, acaba de lançar a 10ª edição do Prêmio Sinog de Odontologia destinado a cirurgiões-dentistas e estudantes de Odontologia. O tema escolhido para os cirugiões-dentistas é "Valorização da Odontologia: Ações que contribuam para a ampliação e fidelização da rede credenciada das operadoras e que aprimorem a qualidade dos serviços prestados aos beneficiários dos planos odontológicos", e para os Estudantes de Odontologia, "Novas Tecnologias de Imagem em Odontologia: Como essas ferramentas de diagnóstico e controle de qualidade dos serviços odontológicos podem contribuir para a segurança do cirurgião-dentista e seu paciente e para o aperfeiçoamento da relação do credenciado com a operadora de planos odontológicos".

A novidade nesta edição é que, embora os ganhadores anteriores das três últimas edições não possam concorrer ao prêmio, os cirurgiões-dentistas recém formados, com o registro profissional, e que tenham participado na categoria de estudantes, nas edições anteriores, poderão participar em 2011 dentro da respectiva modalidade.

Na modalidade cirurgiões-dentistas o prêmio é de R$ 13 mil reais bruto, além de diploma e troféu. Já para os estudantes de Odontologia, a premiação é R$ 8 mil reais bruto, mais o diploma e o troféu e, caso o trabalho vencedor tenha contado com a supervisão de um professor orientador, o docente receberá como homenagem uma menção honrosa e a participação na solenidade de premiação, e a Faculdade de Odontologia cujo trabalho apresentado por seu estudante for o vencedor também receberá um troféu.

As inscrições para a 10ª edição, com a entrega dos trabalhos, de ambas as categorias, poderão ser feitas até o dia 15 de abril de 2011. O regulamento completo do Prêmio Sinog de Odontologia está disponível no endereço www.sinog.com.br/premio. A premiação acontecerá durante o jantar oficial de abertura da feira Hospitalar no dia 25 de maio de 2011, em São Paulo, em local a ser divulgado. Mais informações poderão ser obtidas através do e-mail secretaria@sinog.com.br ou pelo telefone (11) 3289-7299.

O Prêmio Sinog de Odontologia

Idealizado com o objetivo de valorizar o trabalho da classe odontológica e promover o desenvolvimento de pesquisas, seja no setor acadêmico ou profissional, o prêmio Sinog, criado em 2000, é anual e conta com temas diferentes a cada nova edição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 





 
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