16-01-12

 

Leia nesta edição:

- A saúde tratada como negócio

- Sistema Unimed investe R$ 380 mi em rede própria

- Dilma sanciona lei complementar sobre recursos para saúde

- Não era câncer

- Unimed Paraná não negociará diretamente com cirurgiões

- Projeto prevê punição para cobrança indevida no SUS

- Pesquisadores brasileiros testam vacina oral contra hepatite B

- Identificadas 2 proteínas-chaves para controlar a doença de Chagas

- Mal que avança

- Aumentam as chances de atendimento a quem espera por um transplante de pulmão

- Autoridades e sociedades médicas definem nesta semana atendimento às mulheres com próteses PIP e Rofil

- Pesquisa mapeia as drogas na internet

- SUS vai ficar sobrecarregado, diz cirurgião

- Planos trocarão próteses, mas repassando custos

- Empresas rejeitam modelo dos EUA de punir fumantes ou obesos

- Grupo pede nova votação sobre anticoncepcional

- Fila para cirurgias de reconstrução preocupa pacientes

- Reconstrução das mamas é prevista desde 1999

- Redução de estômago é feita por videolaparoscopia em Uberlândia

- Contratos coletivos entre médicos e operadoras serão uma das metas para 2012

- Gestante e parceiro sexual podem fazer teste rápido de HIV e sífilis pelo SUS

- Sem números sobre implantes

Segunda-feira, 16.01.2012

BRASIL ECONÔMICO

A saúde tratada como negócio

Receita do setor chega aos R$ 73 bilhões em 2010, impulsionada pelo avanço da economia e aumento do emprego formal

Érica Polo

O mercado de planos de saúde no Brasil chegou ao final do ano passado com cerca de 47,3 milhões de beneficiários - ou seja, um quarto da população do país. O número aponta para evolução de 4%, ante 2010, e de 17% em comparação ao volume registrado em 2008. O avanço visto nesse segmento resulta do aumento do emprego formal, que ampliou o acesso de boa parte da população aos cuidados de empresas privadas quando o assunto é saúde.

Apesar da expectativa de um crescimento menos acelerado da economia neste ano, representantes do setor apostam que as carteiras de clientes vão continuar aumentando. Denise Eloi, presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), arrisca um palpite: entre 6% a 8% de avanço em número de usuários.

O movimento ascendente registrado até aqui, é claro, já engordou os caixas das empresas.

Entre 2008 e 2010, a receita obtida pelas companhias de saúde cresceu 23% e passou a movimentar cifras da ordem de R$ 73 bilhões no país. Até setembro de 2011, a cifra chegava a R$ 60 bilhões, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para 2012, Denise acredita em até 7% de alta na receita.

"Não vai crescer na mesma velocidade dos anos anteriores, mas ainda há espaço para a contratação de novos planos".

Compras no atacado A nova configuração do segmento não é percebido apenas pelos números que ele ostenta. Nos bastidores, a saúde privada tem gestão similar a qualquer outro ramo da economia, seja pelo expressivo número de fusões e aquisições, seja na busca ferrenha por redução de custos.

A cúpula do Sistema Unimed, cujo faturamento alcançou R$ 25 bilhões no ano passado, tem as três questões em seu caderninho de prioridades. Para acrescentar 12 novos hospitais próprios à rede que leva sua bandeira reservou R$ 380 milhões, aplicados entre 2011 e 2012.

Um dos grandes consolidadores do setor é Edson de Godoy Bueno, principal acionista da Amilpar. Bueno colecionou 16 aquisições entre planos de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios, com um desembolso estimado em R$ 2,3 bilhões. Mesmo com o fortalecimento da musculatura, a Amil não estagnou. Entre 2011 e 2014 a empresa deve investir cerca de R$ 700 milhões em inaugurações, aquisições e reformas de estruturas.

O Grupo Fleury, presidido por Omar Hauache, também se movimentou.

Para ganhar espaço em solo carioca, por exemplo, um dos principais negócios concluídos pelo laboratório foi a aquisição da Labs D'Or, que pertencia à Rede D'Or, por R$ 1,2 bilhão em 2010.ORio também está nos planos da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, dizem fontes do setor. Até 2012, o Einstein quer investir R$ 1,5 bilhão em reformas e expansão regional.

BRASIL ECONÔMICO

Sistema Unimed investe R$ 380 mi em rede própria

Plano de saúde espera chegar ao fim deste ano com 115 hospitais, sete deles inaugurados neste ano

Na sexta-feira 21 de janeiro, o médico Eudes Aquino, presidente da Unimed Brasil, quebrará sua rotina. Diferentemente da maior parte dos dias, quando costuma despachar em seu escritório na capital paulista, Aquino partirá rumo a Itumbiara, em Goiás. O motivo? "Cortar a fita" do primeiro hospital do município pertencente ao Sistema Unimed, que faturou R$ 25 bilhões em 2011.

Desde o ano passado, as andanças do executivo, em razão do mesmo motivo, têm sido frequentes (Aquino faz questão de participar de todas as inaugurações). O Sistema Unimed, que segue o modelo de negócios de cooperativas, tem um plano de investimentos da ordem de R$ 380 milhões, com recursos próprios. O valor será aplicado na construção de 12 hospitais e dois postos de atendimento, entre 2011 e 2012, em municípios do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No ano passado, cinco deles começaram a operar, assim como os postos de atendimento previstos. Os sete hospitais restantes que compõem essa planilha devem abrir as portas até dezembro de 2012, sendo que o de Itumbiara dará início ao ciclo de inaugurações. Se o cronograma for cumprido como o previsto, o Sistema Unimed chegará ao fim do ano com 115 hospitais de bandeira própria.

De olho na melhoria da gestão, para atender o aumento da demanda por planos sem entrar no vermelho, o aporte em estruturas próprias tem sido uma alternativa estratégica da Unimed para reduzir custos. Afinal, boa parte dos clientes das cooperativas é atendida em redes terceirizadas. "Há hospitais que cobram R$ 3 pelo metro cúbico de oxigênio. E há outros que cobram R$ 26 pelo mesmo item", diz Aquino. "A partir do momento que eu te der uma carteirinha [ao beneficiário do plano], eu não sei o que vai acontecer, em qual desses hospitais você irá se tratar. Fico sem parâmetro.

“Por isso vamos fortalecer a rede de hospitais próprios, que existe há 15 anos, para eliminar atravessadores". Pelo mesmo motivo, a aquisição de redes de laboratórios diagnósticos e hospitais de terceiros entraram na mira da Unimed em todo o país. Além do fator preço de insumos e de serviços, há uma série de fatores que deverão pressionar cada vez mais os custos das operadoras. Um deles é a inclusão de cerca de 60 procedimentos na cobertura dos planos de saúde, conforme determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). As alterações mais recentes vigoram desde o dia 1º de janeiro (veja reportagem ao lado).

UOL NOTÍCIAS

Dilma sanciona lei complementar sobre recursos para saúde

A presidente Dilma Rousseff sancionou com vetos a lei complementar que regulamenta dispositivo da Constituição que trata dos valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios em ações e serviços públicos de saúde. O texto foi publicado hoje, no Diário Oficial da União.

FOLHA DE S. PAULO

Não era câncer

Diagnósticos falso-positivos podem ser causados por problemas em biópsias e respondem por até 10% dos casos de tumor na tireóide

Mariana Versolato

O diagnóstico cai como uma bomba: é câncer. Depois de exames, tratamentos e até cirurgia, vem a reviravolta: o tumor era benigno.

O roteiro acima, vivido pela presidente argentina Cristina Kirchner neste mês, por causa de um diagnóstico de câncer de tireoide descartado, não é incomum.

A confusão pode ocorrer por problemas nos exames. Há tumores agressivos, em que a identificação de células de câncer é mais fácil, e outros nem tanto, que formam uma zona cinzenta, diz Fernando Soares, diretor de anatomia patológica do Hospital A.C. Camargo.

Fazem parte dessa zona cinza tumores pouco agressivos e doenças que, na biópsia, se parecerem com câncer, como a tireoidite, uma inflamação da glândula.

Na literatura médica, os falsos-positivos de câncer de tireoide chegam a 10% dos diagnósticos, segundo Carlos Renato Almeida Melo, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia.

A confirmação da doença depende da qualidade e da quantidade da amostra de tumor analisada e da experiência do patologista. O método também pode ter influência. Melo diz que os erros em biópsias (em que as células de tumor são extraídas por cirurgia) são menos frequentes que em punções por agulha.

"A agulha pode não trazer as células que determinam o diagnóstico e o material pode vir com baixa qualidade."

O erro também pode ser uma má interpretação do patologista, diz Melo. "Nada é pior do que cometer um erro que põe uma vida em risco."

Em alguns casos, a única forma de descartar a dúvida é remover o suposto tumor por cirurgia, de acordo com Pilar Estevez Diz, coordenadora da oncologia clínica do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).

Mas, de novo em relação à tireoide, mesmo a análise após a retirada do órgão pode não confirmar o diagnóstico, afirma Luiz Paulo Kowalski, diretor do departamento de cirurgia de cabeça e pescoço do A.C. Camargo.

Da parte do paciente, diz Soares, o que pode ser feito é conhecer o patologista e escolhê-lo, como se faz com outros profissionais da saúde.

PROBLEMAS

Receber a notícia de que a doença não era câncer causa alívio, mas o falso-positivo também traz problemas, como os custos de tratamentos e exames desnecessários e o desgaste emocional.

"O fato de ter pensado que estava com câncer fez a pessoa passar por todos os sustos e as angústias do diagnóstico", diz Luciana Holtz, psicóloga do Instituto Oncoguia.

"O primeiro impacto ao saber que não era câncer é como se a pessoa tivesse ganho na loteria. Depois, ela pode pensar que não precisava ter passado por tantos exames e ter ressentimento e raiva", afirma Soares.

Outro problema apontado pelo patologista é um eterno "pé atrás" com qualquer diagnóstico. "Um falso-positivo pode minar a confiança da pessoa nos médicos."

GAZETA DO POVO

Unimed Paraná não negociará diretamente com cirurgiões

Para a federação que reúne as 22 Unimeds do estado, cada região tem a sua cooperativa e é com ela que os sócios os médicos têm de negociar

A Unimed Paraná, federação que representa as pessoas jurídicas das 22 Unimeds do estado, não vai negociar diretamente com os cirurgiões cardiovasculares que pedem o reajuste de seus honorários. O presidente da Unimed Paraná, Orestes Barrozo Medeiros Pullin, explicou que cada Unimed tem seus próprios sócios os médicos e que, por isso, é com as respectivas singulares que os profissionais têm de conversar.

Não nos cabe definir valores de procedimentos. A negociação tem de ser feita entre cada singular e seus médicos, o que nada mais é que uma conversa entre sócios , disse Pullin à Gazeta do Povo.

A Cooperativa dos Cirurgiões Cardiovasculares do Paraná (CoopCárdio-PR) tem insistido em uma negociação de parâmetro estadual, ao menos entre as dez singulares que têm médicos da especialidade como sócios. O acordo financeiro em si pode ser discutido caso a caso, mas estamos batendo na tecla de uma congruência estadual nos valores para que não haja disparidades entre a remuneração dos colegas do interior e os da capital.

Desligamentos

Uma semana depois do anúncio da CoopCárdio-PR de que os médicos da especialidade estariam pedindo o desligamento das Unimeds do estado devido ao impasse nas negociações para o reajuste de seus honorários, a quantidade de profissionais que efetivaram uma solicitação de demissão é apenas parcial.

Dos 78 cirurgiões cardiovasculares do estado vinculados às Unimeds, 18 tiveram o pedido de saída oficializado a maioria em cidades do interior, como Londrina, Ponta Grossa e Cascavel. Na Unimed Curitiba, maior singular do estado, com quase 540 mil clientes e 3,9 mil de médicos ativos, apenas um dos 55 profissionais da especialidade pediu para sair da operadora.

Desde o ano passado as negociações entre CoopCárdio-PR e planos de saúde em geral se intensificaram. O presidente da entidade, o cirurgião cardiovascular de Ponta Grossa Marcelo Ferraz de Freitas, diz que mais de 30 outros planos de saúde, de diferentes tipos, entraram em acordo com a CoopCárdio-PR para o aumento dos honorários desde então, menos as Unimeds. Ele afirma que a maior parte das singulares paga uma média de R$ 1,3 mil a R$ 1,8 mil por procedimento, enquanto que o valor ideal, de acordo com o que preconiza a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, é de cerca de R$ 15 mil para uma equipe que envolve de três a quatro pessoas.

A última proposta da Unimed Curitiba foi de pagar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, dependendo do procedimento e de acordo com a 4ª edição da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). A contraproposta da CoopCárdio-PR foi de R$ 7,5 mil, com a possibilidade de aumento escalonado, em um prazo de dois anos, para os R$ 15 mil. A proposta não foi aceita pela operadora e o impasse persiste.

Em entrevista à Gazeta do Povo na última quinta-feira, o diretor-presidente da Unimed Curitiba, Sérgio Ossamu Ioshii, disse que a operadora não tem como atender ao pedido da CoopCárdio-PR e muito menos de garanti-lo de forma igualitária para as outras especialidades. Dentro do espírito do cooperativismo não podemos privilegiar um grupo, disse.

AGÊNCIA CÂMARA

Projeto prevê punição para cobrança indevida no SUS

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 2498/11, do deputado Chico D’angelo (PT-RJ), que prevê punição para prestadores de serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) que cobrarem por procedimentos. De acordo com o texto, ficará caracterizada a cobrança quando houver exigência de quaisquer valores dos pacientes. A medida valerá para procedimentos como consulta, insumos, medicamentos, exames e transporte, entre outros.

De acordo com a proposta, as punições vão de multa até a suspensão definitiva da prestação de serviços de saúde ao SUS. As multas serão de 10 vezes o valor cobrado indevidamente e, em caso de reincidência, 25 vezes o montante cobrado do paciente.

O projeto prevê que, até mesmo a simples ameaça de cobrança por atendimento ou procedimento, será punida com advertência e multa de um salário mínimo regional. Os recursos arrecadados com as multas serão depositados nos fundos municipais de saúde.

Prazo para apuração

De acordo com a proposta, os procedimentos administrativos para apuração e execução das penalidades deverão ser concluídos no prazo de 30 dias cada um, respeitados o direito a ampla defesa e ao contraditório. O período para apuração da denúncia de cobrança poderá ser prorrogado por 30 dias mediante solicitação fundamentada aos gestores municipais do SUS.

“A gratuidade do atendimento no SUS é determinada por lei. Nenhuma instituição de saúde contratada ou conveniada ao SUS, independentemente de sua natureza jurídica, pode sob qualquer argumento, efetuar cobrança do usuário do sistema”, afirma.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será examinado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

PORTAL R7

Pesquisadores brasileiros testam vacina oral contra hepatite B

Esperança dos cientistas é que a tecnologia também funcione com outras vacinas

Pesquisadores do Instituto Butantan e da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram uma vacina para hepatite B que pode ser consumida por via oral. Os testes em humanos devem começar no próximo ano.

A grande esperança é que a tecnologia também funcione com outras vacinas que, por enquanto, só são administradas por injeção.

Osvaldo Augusto Sant'Anna, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinasdo e cientista do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, disse que a vacina pode ser revolucionária.

- Seria uma verdadeira revolução. A cobertura vacinal aumentaria muito, especialmente nos lugares mais pobres e distantes onde é difícil chegar com um profissional de saúde.

Ele recorda o impacto da vacina Sabin, de administração oral, na erradicação da poliomielite.

- Poderíamos repetir o mesmo feito com outras doenças.

O ESTADÃO.COM.BR

Identificadas 2 proteínas-chaves para controlar a doença de Chagas

Cientistas poderão conhecer e controlar como atua o agente infeccioso nos tecidos durante a fase assintomática da doença

Pesquisadores espanhóis identificaram duas proteínas-chaves para controlar a doença de Chagas, uma patologia endêmica na América Latina com mais de 10 milhões de infectados que é transmitida pelo barbeiro, inseto que vive em paredes e telhados de casas feitas com barro e palha.

As descobertas publicadas nas revistas científicas "BMC Infectious Diseases" e "Clinical and Vaccine Immunology" são da equipe Rede de Pesquisa Cooperativa em Doenças Tropicais (Ricet, na sigla em espanhol), formada por diferentes centros espanhóis.

Como contou à Agência Efe o pesquisador Manuel Carlos López, coordenador do trabalho da Ricet, graças à identificação destes dois biomarcadores os analistas poderão conhecer e controlar como atua o agente infeccioso nos tecidos durante a fase assintomática da doença e decidir sobre a conveniência ou não de tratar o paciente.

Apesar de existir pesquisas em outros países na mesma direção, esta é a primeira vez que duas proteínas são identificadas e é possível comprovar a partir de experiência com pacientes a importância dos indicadores para o Chagas, assinalou López.

A doença de Chagas, ou tripanosomiasis americana, é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi e tem incidência principalmente na América Latina, onde é transmitida aos seres humanos pelos sedimentos de insetos triatomíneos conhecidos como barbeiros.

A infecção pode passar também de mãe para filho, através de transfusões de sangue ou por meio de um órgão transplantado de um doador infectado.

Embora a doença tenha sido descoberta há mais de 100 anos pelo médico brasileiro Carlos Chagas ainda hoje existe quem tenha a doença sem saber, isso porque os sintomas são silenciosos.

A doença tem uma primeira fase aguda com sintomas similares aos da gripe, e se não for tratada, torna-se crônica, e passados 20 ou 30 anos os pacientes desenvolvem alterações cardíacas, digestivas ou ambas e, em menor medida, neurológicas.

Durante esses anos de fase indeterminada, o parasita está no organismo reproduzindo-se e provocando em silêncio danos em diferentes tecidos sem apresentar sintomas, detalhou López.

Domingo, 15.01.2012

ZERO HORA

Mal que avança

O câncer mais próximo de nós. Estimativas para 2012 incluem mais sete tipos da doença, que já é a segunda causa de morte natural no país

O câncer entrou sem pedir licença na agenda de preocupações dos gaúchos. É um colega de trabalho que baixa o hospital para investigar um tumor no estômago, ou uma familiar que detecta um nódulo maligno na mama.

A sensação de proximidade se amplia quando uma leva de chefes de Estado Dilma Rousseff e Lula, o paraguaio Fernando Lugo e o venezuelano Hugo Chávez admite publicamente que sofre da doença. Que também ataca o galã de novelas Reynaldo Gianecchini, mais a apresentadora da RBS TV Rosane Marchetti, mais o vizinho do condomínio.

Mas é real a percepção de que o câncer se instalou? Especialistas de diferentes instituições consultados por ZH alertam que sim. A longevidade das pessoas (quanto mais se vive, mais se expõe a enfermidades), o aperfeiçoamento dos diagnósticos e os novos fatores de risco ampliaram a incidência dos tumores. O médico e professor Gilberto Schwartsmann, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), presidente da Fundação SOAD de Pesquisas do Câncer e membro da Academia Nacional de Medicina, ressalta que o câncer tornou-se problema de saúde pública nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, confirma que a doença progrediu para a segunda causa de morte natural no país. Há 20 anos, o segundo posto ceifador de vidas era ocupado pelas doenças infectocontagiosas sarampo, caxumba, malária, tuberculose, hepatites, vírus.

O que as pessoas pressentem no cotidiano, as autoridades traduzem em números. Técnico da Divisão de Informação e Análise de Situação do Inca, Júlio Fernando Oliveira informou a ZH que foram incluídos sete tipos de câncer nas estimativas de novos casos para 2012 e 2013. Até o ano passado, o instituto trabalhava com 11 tipos. A partir de agora, serão 18, para homens e mulheres.

Expectativa de vida amplia riscos

A expansão do câncer tem uma explicação lógica e matemática para o médico Gilberto Schwartsmann, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). A doença aumentou porque as pessoas estão vivendo mais tempo.

Schwartsmann cita uma projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) para destacar o alastramento do câncer. Para 2030, estão previstos 27 milhões de casos e 17 milhões de mortes. É como se todos os habitantes da Argentina e do Uruguai fossem acometidos pela enfermidade daqui a duas décadas.

O especialista do HCPA alerta que alguns tumores, como o de mama e o de próstata, ocorrem com maior frequência justamente com o avançar da idade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país já conta com 21 milhões de mulheres e 17 milhões de homens acima dos 50 anos.

O câncer de mama e de próstata elevam ainda mais as estatísticas constata Schwartsmann.

Nos países desenvolvidos, os cânceres que predominam são os de pulmão, mama, próstata e cólon. Nas nações menores, são os de estômago, fígado, cavidade oral e colo do útero. No entanto, Schwartsmann observa que os conceitos estão mudando.

Observa-se um aumento progressivo nos cânceres de pulmão, mama, cólon e reto, os quais, historicamente, não apresentavam essa importância e magnitude informa o médico do Clínicas.

O coordenador de Ações Estratégicas do Inca, Claudio Noronha, concorda que a longevidade e a propagação do câncer estão interligadas. Com a ampliação dos serviços de saúde e o diagnóstico precoce, as pessoas vivem mais. Logo, ficam mais expostas a males.

Quanto mais velha é uma população, maiores as chances de alguns tipos de câncer surgirem diz Noronha.

Ter um familiar acometido pela doença no passado. Ser obeso e comer de forma inadequada, preferindo alimentos que contêm conservantes de gordura industrial. Não praticar exercícios físicos, levar a vida no sofá. Fumar ou beber ou, o que é pior, praticar os dois hábitos ao mesmo tempo.

Se você se enquadra em alguma das condições acima, previna-se. Quem avisa é o novo diretor da área de Prevenção e Genética de Câncer do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, Bernardo Garicochea.

Ex-chefe do Serviço de Oncologia do Hospital São Lucas, da PUCRS, Bernardo lembra que os fatores de risco do câncer mudam com a história, as influências ambientais e os costumes das pessoas. Na virada do século 19 para o 20, era comum o câncer de estômago, provocado por comidas mal conservadas. Nas décadas de 1960, 70 e 80, estourou o câncer de mama, porque as mulheres passaram a fazer reposição hormonal, entre outras causas.

O doutor Bernardo alerta para as estatísticas. As pessoas gordas e as sedentárias têm 33% mais de chance de contrair algum tumor. Recomenda que elas entrem em programas médicos de prevenção. O mesmo vale para aqueles com histórico familiar da doença:

Para tudo há um jeito de se proteger.

Um dos vilões, no Rio Grande do Sul, é o fumo. Para o pneumologista da Divisão de Controle de Tabagismo do Inca, Ricardo Meirelles, a alta incidência de câncer de pulmão na Região Sul pode estar diretamente relacionada ao cigarro, produzido em larga escala.

O tabaco fica mais perigoso na companhia do álcool. Combinados, eles potencializam os cânceres de laringe, bexiga e cavidade oral. O coordenador da Seção de Cabeça e Pescoço do Inca, Fernando Luiz Dias, é quem alerta:

Há uma relação de sinergia entre o tabagismo e o alcoolismo. Juntos, os dois atos aumentam em 30 vezes o risco para o desenvolvimento do câncer da cavidade oral.

Diagnóstico beira padrão europeu

Há 20 anos, quando fez estágio na Itália, o médico Rodolfo Radke percebeu que a totalidade das mulheres com diagnóstico de câncer de mama estava nos estágios um e dois, os iniciais. Ao voltar ao Rio Grande do Sul, decepcionou-se com a situação: 80% das pacientes estavam no estágio três, mais adiantado.

Ainda há que se evoluir, mas não existem motivos para desapontamentos. Atualmente chefiando a área de Oncologia Clínica do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre, Radke destaca que a medicina gaúcha, no diagnóstico de câncer de mama, aproxima-se do padrão europeu. Hoje, 80% das pacientes estão no estágio um e dois.

Houve evolução no diagnóstico e também na consciência das pessoas diz o médico.

A oncologia progrediu, as pacientes também. A mentalidade, equivocada, de que era melhor não procurar o médico para evitar notícias ruins foi superada. Está prevalecendo, na maioria dos comportamentos, a ideia de que um diagnóstico precoce pode alcançar a cura e tornar o tratamento menos dolorido.

A ciência é decisiva no aperfeiçoamento dos diagnósticos. O câncer no sistema nervoso central, que representa cerca de 2% de todas as neoplasias, está sendo tratado mais rapidamente graças à tecnologia da tomografia computadorizada, da ressonância magnética e de outros meios, que substituíram os métodos invasivos e traumáticos.

A melhor qualidade nos exames de investigação elimina dúvidas nos casos suspeitos da doença. A responsável pelo Serviço de Endocrinologia do Inca, Rossana Corbo, observa que, com o diagnóstico exato, também aumenta a estatística de certos tipos de câncer, que antes ficavam ocultos por falta de identificação. É o caso do câncer de tireoide, cujas notificações cresceram.

AGÊNCIA BRASIL

Aumentam as chances de atendimento a quem espera por um transplante de pulmão

O primeiro transplante de pulmão no Brasil com órgão que passou por um processo de regeneração deve ser feito a qualquer momento pelo Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Para isso, basta que apareça um órgão doado por paciente com morte cerebral.

Para o procedimento, já foram vencidos todos os trâmites necessários à adoção da técnica desenvolvida na Suécia, bem como já foi dada a autorização pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Com esse avanço da medicina brasileira, surge um novo alento a 140 pacientes de todo o país que precisam receber um pulmão novo para continuar vivos. Metade desse universo está na fila de espera do InCor. “A nossa expectativa é que possamos aumentar o número de transplantes de pulmões e, consequentemente, beneficiar o maior número de pacientes que estão aguardando na fila de espera. Infelizmente, nós perdemos uma parte expressiva desses doentes por não conseguir o órgão”, revelou o diretor do Programa de Transplante de Pulmão do InCor, Fábio Jatene.

Ele prevê que, com a nova técnica, a média atual de intervenções, entre duas a três por mês, poderá dobrar no médio prazo. Por ano, são feitos em torno de 20 transplantes, podendo chegar, numa primeira etapa depois da nova técnica, a 40 casos. Jatene explicou que, ao serem incluídos na lista dos pacientes passíveis de serem os receptores, esses pacientes têm chance de viver por mais dois ou três anos. Com a cirurgia, há uma sobrevida média entre 70% a 75% dos casos em sete anos, além de uma sensível melhora da qualidade de vida.

De todos os transplantes, o de pulmão é o mais complexo e a grande dificuldade está na captação dos órgãos. Apenas entre 5% a 10% das doações são de fato aproveitadas porque o pulmão se deteriora muito rapidamente e está mais sujeito a contaminações pelo contato com o exterior. Do total de cerca de 90% rejeitados, estima-se que 30% possam passar pelo processo de regeneração.

Jatene acredita que, em pouco tempo, essa técnica possa ser levada para os demais centros médicos que hoje fazem os transplantes de pulmão no país. São ao todo três: o de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, responsável pela primeira cirurgia de transplante de pulmão da América Latina, em 1989; o de Minas Gerais e o de Fortaleza, no Ceará.

O cirurgião observou que os profissionais do InCor foram estudar a nova técnica na Suécia, há cerca de oito anos, na mesma época em que um grupo canadense de médicos foi aprender como era feita a recuperação do pulmão para implante no receptor. No Canadá, a técnica já é adotada e a experiência bem sucedida soma 30 cirurgias com órgão recuperado.

A técnica consiste na utilização de uma solução líquida introduzida, lentamente, por meio de cânulas na artéria e na veia pulmonar como forma de reduzir ou eliminar o edema, o inchaço, que impede a troca gasosa do organismo e é um dos principais obstáculos ao aproveitamento do pulmão retirado de um paciente com morte encefálica. O medicamento faz, assim, uma espécie de higienização do órgão.

“Do lado dos vasos pulmonares, existem alvéolos que são inundados e, à medida se consegue uma solução que atraia o líquido de volta, você seca o alvéolo. Se a solução for interosmolar, ela consegue atrair e reabsorver o líquido e, com isso, reduzir o edema”, esclareceu Jatene, lembrando que esse edema não é só no alvéolo, mas no espaço em volta na área denominada de interstício.

“Se os pulmões têm boas condições, eles são utilizados para o transplante na hora da atuação. Mas existem casos em que esses pulmões não estão em boas condições. Na maior parte das vezes, por excesso de líquido, que nós chamamos de edemar pulmonar, ou por infecção. Nos casos de excesso de líquido, já se sabe que podem ser recondicionados, retirando o líquido”, esclareceu Jatene. Segundo ele, esse processo leva em média de duas a três horas.

Para a presidente da Comissão de Doença Pulmonar Avançada da Sociedade Brasileira de Pneumonologia e Fisiologia, Valéria Maria Augusto, a possibilidade de se efetuar essa restauração deverá ajudar a resolver “um problema muito grave que é a de tornar o pulmão viável para a doação”, um dos maiores entraves para um número maior de transplantes do órgão.

Ela explicou que 99,9% dos transplantes ocorrem a partir de uma doação obtida de uma pessoa com quadro de morte encefálica. “Quando chega o diagnóstico de morte encefálica, o órgão já está bastante afetado. E nosso critério de profilaxia para transplante é assim: se ele tem mais de 48 horas de tubo [paciente que foi entubado para a ventilação artificial]”. A entubação, segundo a médica, é um indício da probabilidade de infecção e, se isso se confirmar, a utilização do pulmão em questão já é descartada.

Segundo Valéria, mais da metade dos transplantes de pulmão são em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica. O InCor informou que, dentre as enfermidades tratadas com essa intervenção, estão os casos de enfisema e fibrose pulmonar, além de hipertensão pulmonar e fibrose cística.

AGÊNCIA BRASIL

Autoridades e sociedades médicas definem nesta semana atendimento às mulheres com próteses PIP e Rofil

O Ministério da Saúde e as sociedades médicas vão definir nesta semana como será o atendimento às mulheres com próteses de seios de silicone das marcas Poly Implant Prothese (PIP) e da Rofil. A proposta estudada é a de que os médicos das redes particular e pública chamem as pacientes para, inicialmente, avaliar a condição da prótese, segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luciano Chaves.

Nesta consulta, elas serão submetidas a uma ultrassonografia para saber se o implante está com ruptura. Em caso de dúvida, a paciente deve passar também por uma ressonância magnética. Para Chaves, em 60% dos casos, os médicos conseguirão avaliar a situação do implante somente com o ultrassom. “Se houver ruptura, a paciente já vai ser encaminhada para a cirurgia”, disse o vice-presidente.

As estimativas apontam para 12,5 mil mulheres com próteses da marca francesa PIP e 7 mil, da holandesa Rofil. As duas marcas são acusadas de terem usado silicone industrial na fabricação dos produtos, com maior risco de romper ou vazar e provocar problemas de saúde, como inflamação dos seios.

Depois de um impasse entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por apurar a possibilidade de haver silicone adulterado nas próteses comercializadas no país, e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) e os planos de saúde vão cobrir a remoção e a troca das próteses rompidas, independentemente do motivo da cirurgia, se foi por questões de saúde ou com fins estéticos, conforme garantiu o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na última sexta-feira (13).

Até o momento, os médicos e as autoridades de saúde indicam a retirada somente nos casos de ruptura. Para as pacientes com as próteses sem rompimento, devem ser estabelecidas normas para monitorá-las. “Essas pacientes que não estiverem com a prótese rôta devem ficar tranquilas. Não há risco”, afirmou Luciano Chaves. O médico, no entanto, reconhece que a orientação pode mudar se for localizado número elevado de implantes das marcas francesa e holandesa com deformidade.

Alguns sintomas de problema no caso de prótese mamária vazada são dor, febre e pele avermelhada nos seios. Para quem coloca um implante de silicone na mama, de qualquer marca, recomenda-se a substituição da prótese depois de dez anos de uso. Outra orientação médica é fazer exame de ultrassom uma vez por ano para avaliar o implante, mesmo as pacientes com menos de 40 anos de idade.

O LIBERAL

Pesquisa mapeia as drogas na internet

Rede é porta de entrada ao uso e aliada no combate e na prevenção

Pesquisa feita para o Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL), em São Paulo, buscou entender o que motiva os jovens que navegam na internet a buscar informações sobre drogas no mundo virtual. O levantamento partiu de palavras chave como 'maconha', 'cheiro' e 'usuário', identificando diversas comunidades que buscam o fim do vício.

Segundo o superintendente executivo do IRSSL, Dr. Sérgio Zanetta, é muito importante entender a forma como as pessoas estão se expressando com relação às drogas. A pesquisa do IRSSL também mostrou que entre 6% e 8% da população necessita de atendimento regular devido aos transtornos causados pelas drogas e pelo álcool entre usuários e co-dependentes, que são as pessoas afetadas pela convivência com os viciados.

Conforme a psicóloga paraense Ana Maria Guapindaia, que trabalha com dependentes químicos, a internet pode ser considerada um agente facilitador para a apresentação do jovem às drogas, por ser um meio de comunicação onde há o encontro entre diversos grupos sociais. 'No entanto, a internet, do ponto de vista isolado, não influencia o uso das drogas. Há fatores tanto sociais quanto psicológicos que levam o indivíduo ao consumo', ressaltou. Sobre o atendimento básico recomendado, a psicóloga indica que os usuários procurem os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) e grupos de ajuda mútua, como os Narcóticos Anônimos.

A pesquisa também destacou depoimentos de ex-viciados em vídeos no site YouTube, apelos de pais por seus filhos em redes sociais como Orkut e Facebook, além de blogs mantidos anonimamente por pessoas que buscam apoio para manter o tratamento e largar o vício. Ana Maria Guapindaia também vê a internet como uma aliada no combate às drogas, assim como uma grande fonte de informação, tanto para a família do usuário quanto para os dependentes.

Para o estudante Lucas Barros, 18 anos, também é comum encontrar na internet material de apologia às drogas. 'A moda de organizar movimentos pela internet tem crescido muito e já vi pequenas fagulhas de movimentos sobre legalização da maconha organizadas no Twitter e comunidades do Orkut', observou. Ele conta ainda que alguns sites de venda chegam a anunciar acessórios para o consumo de drogas, o que mostra a facilidade do acesso.

Segundo o médico Sérgio Zanetta, é fundamental munir os familiares com informações sobre os principais fatores que levam os jovens a se drogarem. Porém, uma vez que ele já faça uso, a psicóloga Ana Guapindaia chama a atenção para alguns sinais que podem ajudar os pais a identificar um usuário, como mudanças bruscas de humor, irritabilidade, insônia, olhos avermelhados e necessidade cada vez maior de dinheiro. 'Tão importante quanto identificar, é entender que a dependência química é uma doença e que agressões, castigos ou qualquer conduta que possa afastá-lo do meio familiar não vão ajudá-lo a se perceber como doente e a buscar ajuda', afirmou.

Sábado, 14.01.2012

FOLHA DE S. PAULO

SUS vai ficar sobrecarregado, diz cirurgião

Thiago Fernandes

As novas orientações da Anvisa e da ANS são um direcionamento positivo, mas ainda não resolvem completamente o problema das próteses defeituosas, na opinião do cirurgião plástico Alexandre Mendonça Munhoz, do Hospital Sírio-Libanês.

Segundo ele, o problema é a provável sobrecarga do SUS. "O sistema não teria condições de atender ao aumento da demanda para cirurgia. Imagine se metade das pacientes tiverem de ser operadas nos próximos cinco anos, serão 6.000 pacientes a mais para um sistema que já está sobrecarregado".

Munhoz informa que somente no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, referência no setor público para esse procedimento, mais de 200 pacientes aguardam por uma cirurgia reparadora.

Outro aspecto levantado pelo cirurgião é quanto ao custo ser bancado pelo sistema público. "É um caso em que o governo não pode ser responsabilizado. Quem deve pagar? Não tenho uma resposta final. Essa é uma situação nova, que deve continuar sendo discutida por todos os lados envolvidos."

Para a diretora de atendimento do Procon-SP, Selma do Amaral, o que não se pode perder de vista é que o consumidor não pode ser prejudicado mais uma vez, tendo que arcar com os custos da nova cirurgia.

"Como uma relação de consumo, essa situação está amparada pelo Código de Defesa do Consumidor e lá está clara a obrigação do fabricante e do importador de reparar integralmente os prejuízos causados por um produto defeituoso", afirma ela.

Amaral diz ainda que é possível pleitear ressarcimento por danos morais. "Essa é uma situação em que claramente cabe não só a reparação por prejuízos materiais, mas também por todos os transtornos envolvidos."

Em caso de negativa, a recomendação é recorrer a uma ação judicial.

O GLOBO

Planos trocarão próteses, mas repassando custos

Segundo operadoras, gastos com cirurgias podem ter que ser divididos com governo e até com usuários

O Ministério da Saúde anunciou ontem que tanto a rede pública quanto os planos de saúde atenderão pacientes para retirar e substituir próteses das marcas PIP (francesa) e Rofil (holandesa) que estiverem rompidas. Os planos não eram obrigados a trocar as próteses defeituosas quando o implante tivesse sido motivado por razões estéticas, mas, após reunião do ministério com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos, ficou decidido que eles também serão obrigados a realizar o procedimento.

Representantes de planos de saúde ouvidos ontem pelo GLOBO afirmaram que vão cumprir a determinação do Ministério da Saúde. No entanto, sinalizaram que os custos podem ser divididos com o governo ou repassados para os usuários no futuro.

A Unimed do Brasil e a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), que representa cerca de 12% de toda a saúde suplementar do país e tem cinco milhões de usuários, informaram que ainda não calcularam o impacto financeiro que terão com as cirurgias. Porém, segundo a presidente da Unidas, Denise Eloi, os custos podem ser repassados no futuro a todos os usuários da sua rede, que inclui os planos de saúde do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras.

De acordo com Denise Eloi, o cálculo dos valores das mensalidades do ano que vem vai levar em consideração os gastos deste ano, que serão aumentados com as despesas das trocas das próteses.

- A Unidas tem mais de 80% de operadoras de pequeno e médio porte. E elas certamente sofrerão algum tipo de impacto com isso - disse Denise. - Infelizmente isso termina sendo transferido para os usuários - completa.

O presidente da Unimed Brasil, Eudes de Aquino, disse que os pacientes não podem ficar sem amparo. Mas afirmou que pretende conversar com a ANS sobre os custos das cirurgias para a troca de próteses.

- Se for um custo absorvível, não tem problema. Se não for absorvível, terá que ter uma parceria público-privada - afirmou Aquino, explicando que pode pedir ao governo que colabore com os gastos.

A PIP e a Rofil usaram silicone industrial na fabricação de suas próteses, provocando mais chances de ruptura do material, que em contato com o corpo causa mais danos à saúde. Segundo o governo, a decisão de bancar o atendimento médico de pacientes usuárias de PIP e Rofil foi tomada porque as empresas fraudaram o processo de certificação do país, que permitiu a entrada do produto em território brasileiro.

Questionado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alegou que não há nenhuma indicação para se retirar preventivamente as próteses, apesar de a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica já ter feito essa recomendação. Segundo Padilha, apenas as mulheres que apresentarem evidências de que o silicone se rompeu poderão fazer a cirurgia reparadora. Os sintomas do problema são febre, dor no local e o aparecimento de gânglios e vermelhidão. Cerca de 20 mil mulheres possuem próteses dessas duas marcas no Brasil. Padilha reconheceu que esse silicone é mais "irritativo" e causa inflamações "mais intensas" do que o silicone de uso médico usado nas próteses.

- Nesse momento não há indicação de cirurgia para todas as mulheres. Não queremos submeter as mulheres a um procedimento que também é de risco, que é o procedimento cirúrgico, se não tiver uma indicação de cirurgia. Nós queremos submeter as mulheres às cirurgias nos casos em que elas precisam ser submetidas a uma cirurgia, porque toda cirurgia também tem o seu risco - disse Padilha.

O governo vai anunciar na próxima semana todas as diretrizes sobre como médicos e pacientes portadoras de silicone PIP e Rofil deverão proceder. Ele reforçou, no entanto, que não existe a necessidade de uma "corrida" aos hospitais, mas que nada impede que as mulheres já procurem os médicos do SUS ou de seus planos de saúde para uma avaliação. Padilha garantiu que não só as mulheres, mas todos os travestis que fizeram implantes com próteses defeituosas terão direito ao serviço.

As pacientes terão de procurar o serviço médico e realizar exames para saber se a prótese que carregam no seio apresenta vazamentos ou não. Vazamentos maiores podem ser detectados em um exame clínico, já que sintomas de que isso ocorreu já estarão aparentes. Já os vazamentos de menor magnitude só são detectados em exames de imagem. Em ambos os casos, o material será retirado do corpo das pacientes. Já o implante de uma nova prótese dependerá de uma nova consulta pós-retirada para avaliar se é possível e recomendável fazê-lo.

Padilha explicou que a retirada do silicone vazado e o implante de uma nova prótese serão feitos em procedimentos separados: primeiro, a remoção da prótese que se rompeu e, em outro momento, após uma segunda avaliação médica, a colocação de um novo produto. Cada etapa dependerá de avaliação médica que receitará ou não a necessidade do procedimento de acordo com a reação do organismo.

O ministro informou ainda que foi aberto um processo administrativo sanitário na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do governo responsável pela autorização de próteses de silicone no Brasil, para penalizar as duas importadoras das próteses. O valor da multa ainda não está definido, mas pode chegar a R$2 milhões.

O GLOBO ONLINE

Empresas rejeitam modelo dos EUA de punir fumantes ou obesos

Não deu no "New York Times": o Walmart Brasil desconsidera as políticas de RH adotadas por sua matriz, nos Estados Unidos, em relação a funcionários fumantes, com problemas de peso ou de colesterol alto. A exemplo de 19% dos grandes empregadores daquele país - como informou o NYT recentemente - a companhia anunciou que alguns profissionais da casa vão arcar com parte dos custos do seguro-saúde. Dos que fumam, a maior empregadora americana, que tem mais de um milhão de funcionários, poderá cobrar até US$ 2 mil (R$ 3,6 mil) por ano.

Segundo a reportagem do NYT, a medida faz parte de uma tendência que está crescendo entre as empresas americanas de cada vez mais adotar políticas que punam funcionários com problemas de saúde para reduzir custos. O número de companhias que optam por medidas punitivas dobrou nos últimos dois anos, passando para os 19% de 248 grandes empregadores nos Estados Unidos, conforme pesquisa da Towers Watson. E a expectativa é que a prática dobre novamente este ano.

Duas culturas bem diferentes

Mas seria essa a forma adequada de promover a saúde e a qualidade de vida dentro do ambiente de trabalho? No Brasil, mesmo multinacionais rejeitam o modelo de punição e incentivam o bem-estar, através de programas que ajudam a parar de fumar e a emagrecer. O próprio Walmart nacional informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não segue a iniciativa americana, que seria nova e implementada por outros grandes empregadores como Pepsico e Home Depot.

No entanto, nessa análise, é importante considerar as diferenças sociais, culturais e econômicas entre Brasil e Estados Unidos, sugere Marcia Bandini, diretora de divulgação da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt).

- Lá não existe um sistema de saúde pública financiado pelo governo, como aqui existe o Sistema Único de Saúde (SUS). Lá, os empregadores contratam um seguro-saúde que funciona como um seguro de carro. Então, pensando com a cabeça americana, faz sentido que um fumante, que adoece mais e custa mais para a empresa, pague mais por esse seguro. É a lógica do sistema capitalista - diz Marcia.

Só que isso não significa dizer que, em matéria de incentivo à qualidade de vida, cobrar mais de quem tem um problema de saúde, como obesidade ou vício em nicotina, seja uma medida eficaz.

- No caso de quem está acima do peso, essa pressão financeira pode acabar tendo o efeito contrário - pondera a diretora da Anamt.

- Acredito que esse tipo de postura não funciona muito bem. Você não muda o comportamento em relação à saúde com punição - defende Lucio Ribeiro, coordenador do serviço de saúde da Dow Brasil, empresa de serviços químicos que conta com um Programa de Promoção de Saúde - VivaVida, implementado em 1992.

Muito mais que questão física

O VivaVida tem uma programação antitabaco, que oferece apoio individual a quem quer parar de fumar, e conseguiu reduzir o percentual de tabagistas na empresa de 24% (em 1995) para 5,6% (em 2010). O projeto chegou a ser apresentado como case no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em 2008, além de já ter sido premiado três vezes pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

- É preciso entender que as questões de saúde não são simplesmente físicas, mas estão ligadas ao contexto social do indivíduo. Não basta exigir que ele largue o cigarro sem tentar entender se ele fuma por problemas de estresse ou familiares - ressalta Ribeiro.

Professor da PUC-MG e co-autor do livro "Estresse Ocupacional" (Campus/Elsevier), Henrique Maia Veloso diz que nos EUA, muito mais do que no Brasil, existe um processo de valorização dos aspectos individuais e responsabilização do indivíduo sobre questões que, muitas vezes, podem ser de natureza mais coletiva.

- Tais práticas, em nossa realidade, em função de diversas características culturais, podem ter pouca efetividade e gerar um grande desconforto no ambiente organizacional - considera Veloso.

Saúde premiada com ingressos

Em vez de punir maus hábitos, o grupo EBX adota um sistema que premia os participantes do "Viver Bem", implementado em 2010. O funcionário que aderir, voluntariamente, recebe uma cartela de 40 pontos. Ginástica laboral, acompanhamento nutricional e corrida estão entre atividades que valem pontos. Quando completa 40, o colaborador ganha um par de ingressos de cinema.

- As entradas viram uma meta, e isso estimula - acredita Samanta Pereira, gerente geral de Recursos Humanos do grupo EBX.

Conceder benefícios a quem tem melhor desempenho cuidando da saúde é política adotada também pela Chemtech, empresa de engenharia do Grupo Siemens. A companhia já realizou duas edições do programa "Perder para ganhar", que oferecia acompanhamento semanal e avaliação de peso e medidas. Os 15 melhores colocados foram premiados com um dia no SPA, um mês gratuito em uma academia e vale-compras em uma loja, entre outros.

- Os prêmios servem como incentivo. Descontar um valor do plano de saúde pode deixar o funcionário frustrado ou até fazer com que ele se sinta desrespeitado - acredita Daniela Galo, gerente-geral da Chemtech, para quem o investimento financeiro no bem-estar dos trabalhadores é algo que compensa. - A satisfação dos funcionários se reverte para a empresa muito positivamente. Eles trabalham melhor e se comprometem mais. É um fator de retenção de talentos.

Marcia Bandini, diretora de Divulgação da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), enxerga com muito mais simpatia os modelos que premiam os esforços dos empregados em vez de puni-los, mas alerta para um risco:

- É preciso ter cuidado para não criar um sentimento de competição, especialmente no que se refere à perda de peso. Não se deve pressionar a pessoa a que ela vá mais rápido do que a saúde dela permite.

O Itaú-Unibanco tem uma série de programas voltados à promoção da saúde e do bem-estar, mas não adere à filosofia da premiação - e nem à da punição. Desde 2006, promove o "Quero parar de fumar", que oferece consultoria individualizada e em grupo e fornece gratuitamente medicamentos a quem deseja largar o cigarro - o que já deu certo com 450 funcionários. A empresa ainda custeia parte da mensalidade do programa "Vigilantes do peso", entre outras medidas.

- É mais eficaz educar e prevenir do que condenar hábitos - acredita Agnelo Dias, superintendente de Saúde Ocupacional do banco.

FOLHA DE S. PAULO

Grupo pede nova votação sobre anticoncepcional

Decisão de manter pílulas Yaz e Yasmin no mercado nos EUA é questionada por ONG

Uma ONG norte-americana que investiga as ações do governo pediu que a FDA (agência reguladora de remédios dos EUA) faça uma nova votação sobre os riscos dos anticoncepcionais com o hormônio drospirenona.

No dia 8 de dezembro, a FDA decidiu que os benefícios da pílula superam os riscos para as mulheres.

Estudos mostraram que esses contraceptivos (como a Yasmin e a Yaz) podem até triplicar o risco de formação de coágulos em relação às pílulas antigas, de levonorgestrel.

A ONG Project on Government Oversight pediu a reavaliação do caso após documentos públicos mostrarem que quatro dos 26 membros do comitê consultivo da FDA já tiveram laços com a indústria farmacêutica.

A ONG ainda pediu que a FDA divulgue os formulários sobre conflitos de interesse que cada membro preencheu.

Ainda não está claro se a agência sabia dos conflitos dos quatro membros. Três deles disseram que a ligação com a Bayer, fabricante das pílulas, não influenciou seus votos. A Bayer nega ter interferido no processo.

O ESTADO DE S. PAULO

Fila para cirurgias de reconstrução preocupa pacientes

Próteses da PIP com defeito; troca deve afetar fila de vítimas de câncer. Estimativa é de que pelo menos 20 mil mulheres a serem diagnosticadas com câncer em 2012 precisarão de operação

Fernanda Bassette

Ao mesmo tempo em que o Ministério da Saúde afirma que o SUS vai trocar as próteses de silicone das marcas PIP e Rofil das mulheres que apresentarem ruptura, centenas de outras mulheres em tratamento contra o câncer de mama estão na fila para fazer a reconstrução das mamas.

Isso tem preocupado entidades como a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) e o Instituto Oncoguia, que lidam diretamente com mulheres em tratamento de câncer.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que 52 mil mulheres serão diagnosticadas com câncer de mama em 2012.E a Sociedade Brasileira de Mastologia estima que ao menos 20 mil delas precisarão fazer uma cirurgia de retirada das mamas, sendo que apenas cerca de 10% delas sairão do centro cirúrgico com a mama já reconstruída.

Para Luciana Holtz, psico-oncologista e presidente do Oncoguia, o governo precisa deixar claro como vai organizar as filas das mulheres que precisam fazer mastectomia, das mulheres que precisam fazer a reconstrução e das que possuem próteses da PIP ou Rofil com problemas.

"Nós entendemos que o centro cirúrgico é um só. E existem centenas de mulheres com câncer esperando de três a seis meses só para fazer a mastectomia.

Para fazer a reconstrução, demora uns dois anos.Qual a urgência de trocar a prótese dessas outras mulheres? A fila será única ou separada?", pergunta Luciana.

Para a mastologista Maira Caleffi, o governo está correto em garantira assistência para as mulheres que tiverem problemas com as próteses PIP ou Rofil, mas ela também frisa que a fila de espera para uma mastectomia e para a reconstrução das mamas ainda é muito grande.

"O SUS poderia fazer as duas cirurgias ao mesmo tempo:a retirada e a reconstrução. Mas, em geral, os centros não fazem isso porque aumentaria o tempo de cirurgia.Nesse tempo,eles poderiam fazer outra cirurgia e tirar uma mulher da fila. E agora, como vai ficar?", diz Maira.

Fila. O Ministério da Saúde diz que não tem como informar quantas mulheres estão na fila de espera nem quanto tempo está demorando a cirurgia porque o gerenciamento das filas é descentralizado e é feito por cada Estado e município.

A aposentada Loeny Menezes da Rosa, de 61 anos, no entanto, esperou cinco anos na fila para conseguir fazer a cirurgia de reconstrução da mama pelo SUS. Ela descobriu o câncer em 2001 e só conseguiu reconstruir a mama em 2006.

"O médico disse que se eu quisesse colocar silicone na hora eu teria de pagar à parte. Naquela época eu não tinha como pagar, por isso decidi esperar. Entrei na fila de novo e só fui chamada em 2006",contou Loeny, que só implantou o silicone em uma das mamas, a outra foi reduzida."Ficou horroroso", diz.

O mastologista José Luiz Pedrini, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, entende que a reconstrução deveria ser feita ao mesmo tempo em que as mamas são retiradas, com exceção dos casos em que há contraindicação - como em mulheres fumantes, com diabete ou doenças cardíacas graves.

"Na maioria dos centros, isso não acontece. A sociedade de mastologia preconiza que a reconstrução seja feita imediatamente e nas duas mamas, mesmo que apenas uma tenha sido retirada. Isso garantiria a simetria das mamas e aumentaria a autoestima dessas mulheres."

O ESTADO DE S. PAULO

Reconstrução das mamas é prevista desde 1999

A reconstrução das mamas após a cirurgia de mastectomia (retirada das mamas em decorrência do tratamento de um câncer) é um direito das mulheres garantido pelo Ministério da Saúde desde 1999.

A portaria prevê a realização de uma plástica reconstrutiva com implante de uma ou duas próteses de silicone pós-mastectomia.

O documento, no entanto, não deixa claro se a mulher teria direito de fazer a reconstrução imediatamente no ato cirúrgico da mastectomia ou não, mas frisa que esse procedimento proporciona um melhor efeito psicológico para a estética da mulher.

A portaria também não estipula prazos para que a reconstrução das mamas seja realizada.

Estima-se que as mulheres demorem pelo menos dois anos para conseguir reconstruir as mamas na rede pública.

A Sociedade Brasileira de Mastologia entende que os dois procedimentos deveriam acontecer em um único ato cirúrgico.

PORTAL G1

Redução de estômago é feita por videolaparoscopia em Uberlândia

Procedimento conta com cobertura de convênio médico.

De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 48% das mulheres e 50% dos homens com idade acima dos 20 anos estão com sobrepeso. E para se livrar do quilos a mais muitas pessoas recorrem às cirurgias de redução do estômago.

Entre 2003 e 2010 foram registradas 60 mil, destas 35% foram por vídeo. O procedimento é mais caro, mas a boa notícia é de que a cobertura deverá ser feita por qualquer convênio médico, isso de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em Uberlândia, pacientes obesos e com planos de saúde também poderão fazer a cirurgia de redução do estômago por meio de videolaparoscopia utilizando o convênio médico. A cirurgia convencional custa em média R$ 12 mil, já a videolaparoscopia R$ 22 mil. Para o cirurgião bariátrico, Luís Augusto Mattar, o procedimento é o mais indicado, pois o paciente que faz a cirurgia por este método tem uma recuperação mais rápida.

Sexta-feira, 13.01.2012

SAÚDE S/A

Contratos coletivos entre médicos e operadoras serão uma das metas para 2012

A luta por contratos coletivos entre médicos e operadoras de saúde será uma das principais bandeiras do movimento médico da Comissão Nacional de Saúde Suplementar (Consu). Em sua primeira reunião do ano, realizada ontem (12/01), em Brasília, a Comissão debateu que pontos irá reivindicar e defender junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O objetivo é buscar uma relação contratual mais justa e equilibrada entre profissionais e operadoras de planos de saúde.

"Não existe hoje um contrato regular entre médicos e operadoras de planos de saúde e isso é um absurdo. Com o reconhecimento do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de que o contrato coletivo é uma ferramenta válida também para as relações entre médicos e operadoras, nós vamos discutir, junto à ANS e com a participação das operadoras e das entidades médicas, a elaboração desse contrato. Isso dará mais segurança aos médicos e melhores condições de atendimento aos usuários", destaca o secretário de comunicação da Fenam, Waldir Cardoso.

Uma reunião com representantes da ANS para apresentar os pontos reivindicados para a negociação coletiva será solicitada nas próximas semanas. Na pauta do encontro, estarão os critérios de credenciamento e descredenciamento, reajustes e periodicidade nos honorários médicos e de glosa.

Perspectivas para 2012 - durante a reunião, também foi feito um balanço do movimento ao longo de 2011 e traçadas as perspectivas para 2012. "Pretende-se, para o inicio de março, a realização da reunião ampliada da Consu, na qual pretendemos enumerar os diversos pontos de luta do movimento em 2012", explicou o secretário geral da Fenam, Mario Antonio Ferrari.

Junto com os representantes do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira, que compõem a Comissão, o secretário de Saúde Suplementar da Fenam, Márcio Bichara, considerou o ano que se passou vitorioso, tendo em vista a realização e a adesão dos médicos brasileiros a dois movimentos inéditos na área da saúde suplementar.

"Conseguimos unificar o movimento médico. Hoje estamos afinados com as respectivas comissões estaduais e temos condição de fazer um calendário para as ações do movimento. Então, em 2012 teremos muito trabalho pela frente, mas estamos muito mais organizados em termos de estrutura e de comunicação. O ano será muito profícuo para o movimento médico", aposta o dirigente.

PORTAL R7

Gestante e parceiro sexual podem fazer teste rápido de HIV e sífilis pelo SUS

Resultado sai em menos de 30 minutos e ajuda a evitar transmissão para o bebê

Gestantes e seus parceiros sexuais, como marido ou namorado, poderão fazer teste rápido para o diagnóstico de HIV e sífilis na rede básica de saúde pública, conforme portaria do Ministério da Saúde publicada nesta sexta-feira (13) no Diário Oficial da União.

De acordo com a portaria, os testes de sangue serão feitos durante o pré-natal pelo programa Rede Cegonha. O resultado sai em menos de 30 minutos. Diagnosticar e tratar essas doenças o mais rápido possível durante a gravidez é importante para impedir a transmissão para o bebê.

De 2000 a 2009, foram identificadas 54.218 gestantes com o vírus da aids no país, de acordo com o Ministério da Saúde. Apesar da média nacional ter caído de 5,4 casos para 3 casos por 100 mil habitantes em crianças com menos de 5 anos de idade no período, houve aumento da incidência da doença nas crianças nas regiões Norte e Nordeste. Nessa faixa etária, a principal forma de transmissão é a vertical, de mãe para filho na gestação.

A testagem é indicada nos primeiros três meses, mas pode ser feita até na hora do parto. Com o tratamento médico, a chance do bebê contrair a doença cai para menos de 1%. Quando não há tratamento, a taxa de risco chega a 20%. As recomendações são o uso de antirretrovirais, parto de cesárea e não amamentar. O Brasil quer diminuir para 2% a transmissão vertical da aids até 2015.

Cerca de 12 mil casos de sífilis congênita, também transmitida de mãe para filho, são registrados por ano. A infecção provoca má-formação do feto, aborto ou morte da criança. O indicado é fazer o teste nos primeiro trimestre de gestação e repeti-lo no último mês e antes do parto, já na maternidade. O tratamento da mãe e do bebê é a base de penicilina. Os parceiros sexuais também devem se tratar para evitar uma nova infecção da parceira.

CORREIO BRAZILIENSE

Sem números sobre implantes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não sabe quantas pessoas utilizam as próteses mamárias da marca holandesa Rofil. Trabalha com um número estimado pelo ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Sebastião Guerra, de 15 mil unidades. De acordo com Guerra, não há dados precisos com relação à marca.

Ontem, a Anvisa publicou no Diário Oficial da União uma determinação para que Pharmedic Pharmaceuticals, atual representante da Rofil no Brasil, recolha todas as unidades remanescentes em todo o território nacional. Em 30 dias, a empresa deverá encaminhar à agência um relatório constando os dados do recolhimento e o número total de unidades importadas, distribuídas e comercializadas, além dos comprovantes de informação enviados a empresas destinatárias e das respostas recebidas.

Em nota, a Pharmedic informou que realizou apenas uma importação de 193 unidades. Além dessa empresa, duas tiveram registro para comercializar o produto no Brasil, a Pró Life Importação e Exportação Ltda., autorizada em 2001, e a Andema Comercial e Importadora Ltda., em 2004.


AGENDA


- 30º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo

Data - 28 a 31 de Janeiro 2012

Local - Expo Center Norte

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 - São Paulo-SP

Informações e Adesões - 0800 12 85

E-mail: secretaria.decofe@apcdcentral.com.br

Site - http://www.ciosp.com.br/

- 18° Congresso Mundial de Ergonomia, Congresso da União Latino-Americana de Ergonomia e 16° Congresso Brasileiro de Ergonomia

12/02/2012 a 16/02/2012

Local: Recife - PE

Outras informações: http://www.iea2012.org/index_pt.htm

- XIII Congresso da SPMFR - Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação

Data- 08 a 10 de Março de 2012

Local- Hotel Cascais Miragem - Cascais - Portugal

Telefone- +351 915768902

Email- pmfr@spmfr.org

Site Oficial- http://www.congressospmfr.org/

- 37° Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo

Data- 12 a 14 de Abril de 2012

Local- Hotel Windsor - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

Email- mailto:retina29012@interevent.com.br

Site Oficial- http://www.interevent.com.br/

- 13th World Congress on Public Health

21/04/2012 a 29/04/2012

Local: Addis Abeba - Ethiopia

Outras informações: http://wfpha.confex.com/wfpha/2012/cfp.cgi

- World Nutrition Rio 2012

27/04/2012 a 30/04/2012

Local: Rio de Janeiro - RJ

Outras informações: http://www.worldnutritionrio2012.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 





 
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