Leia
nesta edição:
- A saúde tratada como negócio
- Sistema
Unimed investe R$ 380 mi em rede própria
- Dilma sanciona
lei complementar sobre recursos para saúde
- Não era câncer
- Unimed
Paraná não negociará diretamente
com cirurgiões
- Projeto
prevê punição para cobrança
indevida no SUS
- Pesquisadores brasileiros testam vacina oral contra hepatite
B
- Identificadas
2 proteínas-chaves para controlar a doença
de Chagas
- Mal que
avança
- Aumentam
as chances de atendimento a quem espera por um transplante
de pulmão
- Autoridades
e sociedades médicas definem nesta semana
atendimento às mulheres com próteses PIP e Rofil
- Pesquisa mapeia as drogas na internet
- SUS vai
ficar sobrecarregado, diz cirurgião
- Planos
trocarão próteses,
mas repassando custos
- Empresas rejeitam modelo dos EUA de punir fumantes ou obesos
- Grupo pede
nova votação sobre anticoncepcional
- Fila para
cirurgias de reconstrução preocupa
pacientes
- Reconstrução das mamas é prevista
desde 1999
- Redução de estômago é feita por
videolaparoscopia em Uberlândia
- Contratos
coletivos entre médicos e operadoras serão
uma das metas para 2012
- Gestante
e parceiro sexual podem fazer teste rápido
de HIV e sífilis pelo SUS
- Sem números
sobre implantes
Segunda-feira, 16.01.2012
BRASIL
ECONÔMICO
A
saúde tratada como negócio
Receita do
setor chega aos R$ 73 bilhões em 2010, impulsionada
pelo avanço da economia e aumento do emprego formal
Érica
Polo
O mercado
de planos de saúde no Brasil chegou ao final
do ano passado com cerca de 47,3 milhões de beneficiários
- ou seja, um quarto da população do país.
O número aponta para evolução de 4%, ante
2010, e de 17% em comparação ao volume registrado
em 2008. O avanço visto nesse segmento resulta do aumento
do emprego formal, que ampliou o acesso de boa parte da população
aos cuidados de empresas privadas quando o assunto é saúde.
Apesar da
expectativa de um crescimento menos acelerado da economia neste
ano, representantes
do setor apostam que as carteiras de
clientes vão continuar aumentando. Denise Eloi, presidente
da União Nacional das Instituições de Autogestão
em Saúde (Unidas), arrisca um palpite: entre 6% a 8% de
avanço em número de usuários.
O movimento
ascendente registrado até aqui, é claro,
já engordou os caixas das empresas.
Entre 2008
e 2010, a receita obtida pelas companhias de saúde
cresceu 23% e passou a movimentar cifras da ordem de R$ 73 bilhões
no país. Até setembro de 2011, a cifra chegava
a R$ 60 bilhões, segundo a Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS). Para 2012, Denise acredita em até 7%
de alta na receita.
"Não vai crescer na mesma velocidade dos anos anteriores,
mas ainda há espaço para a contratação
de novos planos".
Compras no
atacado A nova configuração do segmento
não é percebido apenas pelos números que
ele ostenta. Nos bastidores, a saúde privada tem gestão
similar a qualquer outro ramo da economia, seja pelo expressivo
número de fusões e aquisições, seja
na busca ferrenha por redução de custos.
A cúpula do Sistema Unimed, cujo faturamento alcançou
R$ 25 bilhões no ano passado, tem as três questões
em seu caderninho de prioridades. Para acrescentar 12 novos hospitais
próprios à rede que leva sua bandeira reservou
R$ 380 milhões, aplicados entre 2011 e 2012.
Um dos grandes
consolidadores do setor é Edson de Godoy
Bueno, principal acionista da Amilpar. Bueno colecionou 16 aquisições
entre planos de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios,
com um desembolso estimado em R$ 2,3 bilhões. Mesmo com
o fortalecimento da musculatura, a Amil não estagnou.
Entre 2011 e 2014 a empresa deve investir cerca de R$ 700 milhões
em inaugurações, aquisições e reformas
de estruturas.
O Grupo Fleury,
presidido por Omar Hauache, também se
movimentou.
Para ganhar
espaço em solo carioca, por exemplo, um dos
principais negócios concluídos pelo laboratório
foi a aquisição da Labs D'Or, que pertencia à Rede
D'Or, por R$ 1,2 bilhão em 2010.ORio também está nos
planos da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, dizem
fontes do setor. Até 2012, o Einstein quer investir R$
1,5 bilhão em reformas e expansão regional.
BRASIL
ECONÔMICO
Sistema
Unimed investe R$ 380 mi em rede própria
Plano de
saúde
espera chegar ao fim deste ano com 115 hospitais, sete deles
inaugurados neste ano
Na sexta-feira
21 de janeiro, o médico Eudes Aquino,
presidente da Unimed Brasil, quebrará sua rotina. Diferentemente
da maior parte dos dias, quando costuma despachar em seu escritório
na capital paulista, Aquino partirá rumo a Itumbiara,
em Goiás. O motivo? "Cortar a fita" do primeiro
hospital do município pertencente ao Sistema Unimed, que
faturou R$ 25 bilhões em 2011.
Desde o ano
passado, as andanças do executivo, em razão
do mesmo motivo, têm sido frequentes (Aquino faz questão
de participar de todas as inaugurações). O Sistema
Unimed, que segue o modelo de negócios de cooperativas,
tem um plano de investimentos da ordem de R$ 380 milhões,
com recursos próprios. O valor será aplicado na
construção de 12 hospitais e dois postos de atendimento,
entre 2011 e 2012, em municípios do Rio de Janeiro, São
Paulo, Goiás, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do
Sul. No ano passado, cinco deles começaram a operar, assim
como os postos de atendimento previstos. Os sete hospitais restantes
que compõem essa planilha devem abrir as portas até dezembro
de 2012, sendo que o de Itumbiara dará início ao
ciclo de inaugurações. Se o cronograma for cumprido
como o previsto, o Sistema Unimed chegará ao fim do ano
com 115 hospitais de bandeira própria.
De olho na
melhoria da gestão, para atender o aumento
da demanda por planos sem entrar no vermelho, o aporte em estruturas
próprias tem sido uma alternativa estratégica da
Unimed para reduzir custos. Afinal, boa parte dos clientes das
cooperativas é atendida em redes terceirizadas. "Há hospitais
que cobram R$ 3 pelo metro cúbico de oxigênio. E
há outros que cobram R$ 26 pelo mesmo item", diz
Aquino. "A partir do momento que eu te der uma carteirinha
[ao beneficiário do plano], eu não sei o que vai
acontecer, em qual desses hospitais você irá se
tratar. Fico sem parâmetro.
“Por isso vamos fortalecer a rede de hospitais próprios,
que existe há 15 anos, para eliminar atravessadores".
Pelo mesmo motivo, a aquisição de redes de laboratórios
diagnósticos e hospitais de terceiros entraram na mira
da Unimed em todo o país. Além do fator preço
de insumos e de serviços, há uma série de
fatores que deverão pressionar cada vez mais os custos
das operadoras. Um deles é a inclusão de cerca
de 60 procedimentos na cobertura dos planos de saúde,
conforme determinação da Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS). As alterações
mais recentes vigoram desde o dia 1º de janeiro (veja reportagem
ao lado).
UOL
NOTÍCIAS
Dilma
sanciona lei complementar sobre recursos para saúde
A presidente
Dilma Rousseff sancionou com vetos a lei complementar que regulamenta
dispositivo da Constituição que
trata dos valores mínimos a serem aplicados anualmente
pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios
em ações e serviços públicos de saúde.
O texto foi publicado hoje, no Diário Oficial da União.
FOLHA DE S. PAULO
Não era câncer
Diagnósticos falso-positivos podem ser causados por problemas
em biópsias e respondem por até 10% dos casos de
tumor na tireóide
Mariana Versolato
O diagnóstico cai como uma bomba: é câncer.
Depois de exames, tratamentos e até cirurgia, vem a reviravolta:
o tumor era benigno.
O roteiro
acima, vivido pela presidente argentina Cristina Kirchner neste
mês, por causa de um diagnóstico de câncer
de tireoide descartado, não é incomum.
A confusão pode ocorrer por problemas nos exames. Há tumores
agressivos, em que a identificação de células
de câncer é mais fácil, e outros nem tanto,
que formam uma zona cinzenta, diz Fernando Soares, diretor de
anatomia patológica do Hospital A.C. Camargo.
Fazem parte
dessa zona cinza tumores pouco agressivos e doenças
que, na biópsia, se parecerem com câncer, como a
tireoidite, uma inflamação da glândula.
Na literatura
médica, os falsos-positivos de câncer
de tireoide chegam a 10% dos diagnósticos, segundo Carlos
Renato Almeida Melo, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia.
A confirmação da doença depende da qualidade
e da quantidade da amostra de tumor analisada e da experiência
do patologista. O método também pode ter influência.
Melo diz que os erros em biópsias (em que as células
de tumor são extraídas por cirurgia) são
menos frequentes que em punções por agulha.
"A agulha pode não trazer as células que
determinam o diagnóstico e o material pode vir com baixa
qualidade."
O erro também pode ser uma má interpretação
do patologista, diz Melo. "Nada é pior do que cometer
um erro que põe uma vida em risco."
Em alguns
casos, a única forma de descartar a dúvida é remover
o suposto tumor por cirurgia, de acordo com Pilar Estevez Diz,
coordenadora da oncologia clínica do Icesp (Instituto
do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de
Oliveira).
Mas, de novo
em relação à tireoide, mesmo
a análise após a retirada do órgão
pode não confirmar o diagnóstico, afirma Luiz Paulo
Kowalski, diretor do departamento de cirurgia de cabeça
e pescoço do A.C. Camargo.
Da parte
do paciente, diz Soares, o que pode ser feito é conhecer
o patologista e escolhê-lo, como se faz com outros profissionais
da saúde.
PROBLEMAS
Receber a
notícia de que a doença não era
câncer causa alívio, mas o falso-positivo também
traz problemas, como os custos de tratamentos e exames desnecessários
e o desgaste emocional.
"O fato de ter pensado que estava com câncer fez
a pessoa passar por todos os sustos e as angústias do
diagnóstico", diz Luciana Holtz, psicóloga
do Instituto Oncoguia.
"O primeiro impacto ao saber que não era câncer é como
se a pessoa tivesse ganho na loteria. Depois, ela pode pensar
que não precisava ter passado por tantos exames e ter
ressentimento e raiva", afirma Soares.
Outro problema
apontado pelo patologista é um eterno "pé atrás" com
qualquer diagnóstico. "Um falso-positivo pode minar
a confiança da pessoa nos médicos."
GAZETA DO POVO
Unimed
Paraná não negociará diretamente
com cirurgiões
Para a federação que reúne as 22 Unimeds
do estado, cada região tem a sua cooperativa e é com
ela que os sócios os médicos têm de negociar
A Unimed
Paraná, federação que representa
as pessoas jurídicas das 22 Unimeds do estado, não
vai negociar diretamente com os cirurgiões cardiovasculares
que pedem o reajuste de seus honorários. O presidente
da Unimed Paraná, Orestes Barrozo Medeiros Pullin, explicou
que cada Unimed tem seus próprios sócios os médicos
e que, por isso, é com as respectivas singulares que os
profissionais têm de conversar.
Não nos cabe definir valores de procedimentos. A negociação
tem de ser feita entre cada singular e seus médicos, o
que nada mais é que uma conversa entre sócios ,
disse Pullin à Gazeta do Povo.
A Cooperativa
dos Cirurgiões Cardiovasculares do Paraná (CoopCárdio-PR)
tem insistido em uma negociação de parâmetro
estadual, ao menos entre as dez singulares que têm médicos
da especialidade como sócios. O acordo financeiro em si
pode ser discutido caso a caso, mas estamos batendo na tecla
de uma congruência estadual nos valores para que não
haja disparidades entre a remuneração dos colegas
do interior e os da capital.
Desligamentos
Uma semana
depois do anúncio da CoopCárdio-PR
de que os médicos da especialidade estariam pedindo o
desligamento das Unimeds do estado devido ao impasse nas negociações
para o reajuste de seus honorários, a quantidade de profissionais
que efetivaram uma solicitação de demissão é apenas
parcial.
Dos 78 cirurgiões cardiovasculares do estado vinculados às
Unimeds, 18 tiveram o pedido de saída oficializado a maioria
em cidades do interior, como Londrina, Ponta Grossa e Cascavel.
Na Unimed Curitiba, maior singular do estado, com quase 540 mil
clientes e 3,9 mil de médicos ativos, apenas um dos 55
profissionais da especialidade pediu para sair da operadora.
Desde o ano
passado as negociações entre CoopCárdio-PR
e planos de saúde em geral se intensificaram. O presidente
da entidade, o cirurgião cardiovascular de Ponta Grossa
Marcelo Ferraz de Freitas, diz que mais de 30 outros planos de
saúde, de diferentes tipos, entraram em acordo com a CoopCárdio-PR
para o aumento dos honorários desde então, menos
as Unimeds. Ele afirma que a maior parte das singulares paga
uma média de R$ 1,3 mil a R$ 1,8 mil por procedimento,
enquanto que o valor ideal, de acordo com o que preconiza a Sociedade
Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, é de cerca de R$
15 mil para uma equipe que envolve de três a quatro pessoas.
A última proposta da Unimed Curitiba foi de pagar entre
R$ 5 mil e R$ 10 mil, dependendo do procedimento e de acordo
com a 4ª edição da Classificação
Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM).
A contraproposta da CoopCárdio-PR foi de R$ 7,5 mil, com
a possibilidade de aumento escalonado, em um prazo de dois anos,
para os R$ 15 mil. A proposta não foi aceita pela operadora
e o impasse persiste.
Em entrevista à Gazeta do Povo na última quinta-feira,
o diretor-presidente da Unimed Curitiba, Sérgio Ossamu
Ioshii, disse que a operadora não tem como atender ao
pedido da CoopCárdio-PR e muito menos de garanti-lo de
forma igualitária para as outras especialidades. Dentro
do espírito do cooperativismo não podemos privilegiar
um grupo, disse.
AGÊNCIA CÂMARA
Projeto
prevê punição para cobrança
indevida no SUS
Tramita na
Câmara o Projeto de Lei 2498/11, do deputado
Chico D’angelo (PT-RJ), que prevê punição
para prestadores de serviços de saúde do Sistema Único
de Saúde (SUS) que cobrarem por procedimentos. De acordo
com o texto, ficará caracterizada a cobrança quando
houver exigência de quaisquer valores dos pacientes. A
medida valerá para procedimentos como consulta, insumos,
medicamentos, exames e transporte, entre outros.
De acordo
com a proposta, as punições vão
de multa até a suspensão definitiva da prestação
de serviços de saúde ao SUS. As multas serão
de 10 vezes o valor cobrado indevidamente e, em caso de reincidência,
25 vezes o montante cobrado do paciente.
O projeto
prevê que, até mesmo a simples ameaça
de cobrança por atendimento ou procedimento, será punida
com advertência e multa de um salário mínimo
regional. Os recursos arrecadados com as multas serão
depositados nos fundos municipais de saúde.
Prazo
para apuração
De acordo
com a proposta, os procedimentos administrativos para apuração e execução das penalidades
deverão ser concluídos no prazo de 30 dias cada
um, respeitados o direito a ampla defesa e ao contraditório.
O período para apuração da denúncia
de cobrança poderá ser prorrogado por 30 dias mediante
solicitação fundamentada aos gestores municipais
do SUS.
“A gratuidade do atendimento no SUS é determinada
por lei. Nenhuma instituição de saúde contratada
ou conveniada ao SUS, independentemente de sua natureza jurídica,
pode sob qualquer argumento, efetuar cobrança do usuário
do sistema”, afirma.
Tramitação
O projeto,
que tramita em caráter conclusivo, será examinado
pelas comissões de Seguridade Social e Família;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
PORTAL R7
Pesquisadores brasileiros testam vacina oral contra hepatite
B
Esperança dos cientistas é que a tecnologia também
funcione com outras vacinas
Pesquisadores
do Instituto Butantan e da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram uma vacina para hepatite B que
pode ser consumida por via oral. Os testes em humanos devem começar
no próximo ano.
A grande
esperança é que a tecnologia também
funcione com outras vacinas que, por enquanto, só são
administradas por injeção.
Osvaldo Augusto
Sant'Anna, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinasdo e cientista do Instituto
Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado
da Saúde de São Paulo, disse que a vacina pode
ser revolucionária.
- Seria uma
verdadeira revolução. A cobertura
vacinal aumentaria muito, especialmente nos lugares mais pobres
e distantes onde é difícil chegar com um profissional
de saúde.
Ele recorda
o impacto da vacina Sabin, de administração
oral, na erradicação da poliomielite.
- Poderíamos repetir o mesmo feito com outras doenças.
O
ESTADÃO.COM.BR
Identificadas
2 proteínas-chaves para controlar a doença
de Chagas
Cientistas
poderão conhecer e controlar como atua o agente
infeccioso nos tecidos durante a fase assintomática da
doença
Pesquisadores
espanhóis identificaram duas proteínas-chaves
para controlar a doença de Chagas, uma patologia endêmica
na América Latina com mais de 10 milhões de infectados
que é transmitida pelo barbeiro, inseto que vive em paredes
e telhados de casas feitas com barro e palha.
As descobertas
publicadas nas revistas científicas "BMC
Infectious Diseases" e "Clinical and Vaccine Immunology" são
da equipe Rede de Pesquisa Cooperativa em Doenças Tropicais
(Ricet, na sigla em espanhol), formada por diferentes centros
espanhóis.
Como contou à Agência Efe o pesquisador Manuel
Carlos López, coordenador do trabalho da Ricet, graças à identificação
destes dois biomarcadores os analistas poderão conhecer
e controlar como atua o agente infeccioso nos tecidos durante
a fase assintomática da doença e decidir sobre
a conveniência ou não de tratar o paciente.
Apesar de
existir pesquisas em outros países na mesma
direção, esta é a primeira vez que duas
proteínas são identificadas e é possível
comprovar a partir de experiência com pacientes a importância
dos indicadores para o Chagas, assinalou López.
A doença de Chagas, ou tripanosomiasis americana, é causada
pelo parasita Trypanosoma cruzi e tem incidência principalmente
na América Latina, onde é transmitida aos seres
humanos pelos sedimentos de insetos triatomíneos conhecidos
como barbeiros.
A infecção pode passar também de mãe
para filho, através de transfusões de sangue ou
por meio de um órgão transplantado de um doador
infectado.
Embora a
doença tenha sido descoberta há mais
de 100 anos pelo médico brasileiro Carlos Chagas ainda
hoje existe quem tenha a doença sem saber, isso porque
os sintomas são silenciosos.
A doença tem uma primeira fase aguda com sintomas similares
aos da gripe, e se não for tratada, torna-se crônica,
e passados 20 ou 30 anos os pacientes desenvolvem alterações
cardíacas, digestivas ou ambas e, em menor medida, neurológicas.
Durante esses
anos de fase indeterminada, o parasita está no
organismo reproduzindo-se e provocando em silêncio danos
em diferentes tecidos sem apresentar sintomas, detalhou López.
Domingo, 15.01.2012
ZERO HORA
Mal
que avança
O câncer mais próximo de nós. Estimativas
para 2012 incluem mais sete tipos da doença, que já é a
segunda causa de morte natural no país
O câncer entrou sem pedir licença na agenda de
preocupações dos gaúchos. É um colega
de trabalho que baixa o hospital para investigar um tumor no
estômago, ou uma familiar que detecta um nódulo
maligno na mama.
A sensação de proximidade se amplia quando uma
leva de chefes de Estado Dilma Rousseff e Lula, o paraguaio Fernando
Lugo e o venezuelano Hugo Chávez admite publicamente que
sofre da doença. Que também ataca o galã de
novelas Reynaldo Gianecchini, mais a apresentadora da RBS TV
Rosane Marchetti, mais o vizinho do condomínio.
Mas é real a percepção de que o câncer
se instalou? Especialistas de diferentes instituições
consultados por ZH alertam que sim. A longevidade das pessoas
(quanto mais se vive, mais se expõe a enfermidades), o
aperfeiçoamento dos diagnósticos e os novos fatores
de risco ampliaram a incidência dos tumores. O médico
e professor Gilberto Schwartsmann, do Hospital de Clínicas
de Porto Alegre (HCPA), presidente da Fundação
SOAD de Pesquisas do Câncer e membro da Academia Nacional
de Medicina, ressalta que o câncer tornou-se problema de
saúde pública nos países em desenvolvimento,
como o Brasil.
O Instituto
Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério
da Saúde, confirma que a doença progrediu para
a segunda causa de morte natural no país. Há 20
anos, o segundo posto ceifador de vidas era ocupado pelas doenças
infectocontagiosas sarampo, caxumba, malária, tuberculose,
hepatites, vírus.
O que as
pessoas pressentem no cotidiano, as autoridades traduzem em
números. Técnico da Divisão de Informação
e Análise de Situação do Inca, Júlio
Fernando Oliveira informou a ZH que foram incluídos sete
tipos de câncer nas estimativas de novos casos para 2012
e 2013. Até o ano passado, o instituto trabalhava com
11 tipos. A partir de agora, serão 18, para homens e mulheres.
Expectativa de vida amplia riscos
A expansão do câncer tem uma explicação
lógica e matemática para o médico Gilberto
Schwartsmann, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
(HCPA). A doença aumentou porque as pessoas estão
vivendo mais tempo.
Schwartsmann
cita uma projeção da Organização
Mundial da Saúde (OMS) para destacar o alastramento do
câncer. Para 2030, estão previstos 27 milhões
de casos e 17 milhões de mortes. É como se todos
os habitantes da Argentina e do Uruguai fossem acometidos pela
enfermidade daqui a duas décadas.
O especialista
do HCPA alerta que alguns tumores, como o de mama e o de próstata, ocorrem com maior frequência
justamente com o avançar da idade. Segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país
já conta com 21 milhões de mulheres e 17 milhões
de homens acima dos 50 anos.
O câncer de mama e de próstata elevam ainda mais
as estatísticas constata Schwartsmann.
Nos países desenvolvidos, os cânceres que predominam
são os de pulmão, mama, próstata e cólon.
Nas nações menores, são os de estômago,
fígado, cavidade oral e colo do útero. No entanto,
Schwartsmann observa que os conceitos estão mudando.
Observa-se
um aumento progressivo nos cânceres de pulmão,
mama, cólon e reto, os quais, historicamente, não
apresentavam essa importância e magnitude informa o médico
do Clínicas.
O coordenador
de Ações Estratégicas do
Inca, Claudio Noronha, concorda que a longevidade e a propagação
do câncer estão interligadas. Com a ampliação
dos serviços de saúde e o diagnóstico precoce,
as pessoas vivem mais. Logo, ficam mais expostas a males.
Quanto mais
velha é uma população, maiores
as chances de alguns tipos de câncer surgirem diz Noronha.
Ter um familiar
acometido pela doença no passado. Ser
obeso e comer de forma inadequada, preferindo alimentos que contêm
conservantes de gordura industrial. Não praticar exercícios
físicos, levar a vida no sofá. Fumar ou beber ou,
o que é pior, praticar os dois hábitos ao mesmo
tempo.
Se você se enquadra em alguma das condições
acima, previna-se. Quem avisa é o novo diretor da área
de Prevenção e Genética de Câncer
do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, Bernardo
Garicochea.
Ex-chefe
do Serviço de Oncologia do Hospital São
Lucas, da PUCRS, Bernardo lembra que os fatores de risco do câncer
mudam com a história, as influências ambientais
e os costumes das pessoas. Na virada do século 19 para
o 20, era comum o câncer de estômago, provocado por
comidas mal conservadas. Nas décadas de 1960, 70 e 80,
estourou o câncer de mama, porque as mulheres passaram
a fazer reposição hormonal, entre outras causas.
O doutor
Bernardo alerta para as estatísticas. As pessoas
gordas e as sedentárias têm 33% mais de chance de
contrair algum tumor. Recomenda que elas entrem em programas
médicos de prevenção. O mesmo vale para
aqueles com histórico familiar da doença:
Para tudo
há um
jeito de se proteger.
Um dos vilões, no Rio Grande do Sul, é o fumo.
Para o pneumologista da Divisão de Controle de Tabagismo
do Inca, Ricardo Meirelles, a alta incidência de câncer
de pulmão na Região Sul pode estar diretamente
relacionada ao cigarro, produzido em larga escala.
O tabaco
fica mais perigoso na companhia do álcool. Combinados,
eles potencializam os cânceres de laringe, bexiga e cavidade
oral. O coordenador da Seção de Cabeça e
Pescoço do Inca, Fernando Luiz Dias, é quem alerta:
Há uma relação de sinergia entre o tabagismo
e o alcoolismo. Juntos, os dois atos aumentam em 30 vezes o risco
para o desenvolvimento do câncer da cavidade oral.
Diagnóstico beira padrão
europeu
Há 20 anos, quando fez estágio na Itália,
o médico Rodolfo Radke percebeu que a totalidade das mulheres
com diagnóstico de câncer de mama estava nos estágios
um e dois, os iniciais. Ao voltar ao Rio Grande do Sul, decepcionou-se
com a situação: 80% das pacientes estavam no estágio
três, mais adiantado.
Ainda há que se evoluir, mas não existem motivos
para desapontamentos. Atualmente chefiando a área de Oncologia
Clínica do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre,
Radke destaca que a medicina gaúcha, no diagnóstico
de câncer de mama, aproxima-se do padrão europeu.
Hoje, 80% das pacientes estão no estágio um e dois.
Houve evolução no diagnóstico e também
na consciência das pessoas diz o médico.
A oncologia
progrediu, as pacientes também. A mentalidade,
equivocada, de que era melhor não procurar o médico
para evitar notícias ruins foi superada. Está prevalecendo,
na maioria dos comportamentos, a ideia de que um diagnóstico
precoce pode alcançar a cura e tornar o tratamento menos
dolorido.
A ciência é decisiva no aperfeiçoamento
dos diagnósticos. O câncer no sistema nervoso central,
que representa cerca de 2% de todas as neoplasias, está sendo
tratado mais rapidamente graças à tecnologia da
tomografia computadorizada, da ressonância magnética
e de outros meios, que substituíram os métodos
invasivos e traumáticos.
A melhor
qualidade nos exames de investigação
elimina dúvidas nos casos suspeitos da doença.
A responsável pelo Serviço de Endocrinologia do
Inca, Rossana Corbo, observa que, com o diagnóstico exato,
também aumenta a estatística de certos tipos de
câncer, que antes ficavam ocultos por falta de identificação. É o
caso do câncer de tireoide, cujas notificações
cresceram.
AGÊNCIA
BRASIL
Aumentam
as chances de atendimento a quem espera por um transplante
de pulmão
O primeiro
transplante de pulmão no Brasil com órgão
que passou por um processo de regeneração deve
ser feito a qualquer momento pelo Instituto do Coração
(InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo (FMUSP). Para isso, basta
que apareça um órgão doado por paciente
com morte cerebral.
Para o procedimento,
já foram vencidos todos os trâmites
necessários à adoção da técnica
desenvolvida na Suécia, bem como já foi dada a
autorização pela Comissão Nacional de Ética
em Pesquisa (Conep).
Com esse
avanço da medicina brasileira, surge um novo
alento a 140 pacientes de todo o país que precisam receber
um pulmão novo para continuar vivos. Metade desse universo
está na fila de espera do InCor. “A nossa expectativa é que
possamos aumentar o número de transplantes de pulmões
e, consequentemente, beneficiar o maior número de pacientes
que estão aguardando na fila de espera. Infelizmente,
nós perdemos uma parte expressiva desses doentes por não
conseguir o órgão”, revelou o diretor do
Programa de Transplante de Pulmão do InCor, Fábio
Jatene.
Ele prevê que, com a nova técnica, a média
atual de intervenções, entre duas a três
por mês, poderá dobrar no médio prazo. Por
ano, são feitos em torno de 20 transplantes, podendo chegar,
numa primeira etapa depois da nova técnica, a 40 casos.
Jatene explicou que, ao serem incluídos na lista dos pacientes
passíveis de serem os receptores, esses pacientes têm
chance de viver por mais dois ou três anos. Com a cirurgia,
há uma sobrevida média entre 70% a 75% dos casos
em sete anos, além de uma sensível melhora da qualidade
de vida.
De todos
os transplantes, o de pulmão é o mais
complexo e a grande dificuldade está na captação
dos órgãos. Apenas entre 5% a 10% das doações
são de fato aproveitadas porque o pulmão se deteriora
muito rapidamente e está mais sujeito a contaminações
pelo contato com o exterior. Do total de cerca de 90% rejeitados,
estima-se que 30% possam passar pelo processo de regeneração.
Jatene acredita
que, em pouco tempo, essa técnica possa
ser levada para os demais centros médicos que hoje fazem
os transplantes de pulmão no país. São ao
todo três: o de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, responsável
pela primeira cirurgia de transplante de pulmão da América
Latina, em 1989; o de Minas Gerais e o de Fortaleza, no Ceará.
O cirurgião observou que os profissionais do InCor foram
estudar a nova técnica na Suécia, há cerca
de oito anos, na mesma época em que um grupo canadense
de médicos foi aprender como era feita a recuperação
do pulmão para implante no receptor. No Canadá,
a técnica já é adotada e a experiência
bem sucedida soma 30 cirurgias com órgão recuperado.
A técnica consiste na utilização de uma
solução líquida introduzida, lentamente,
por meio de cânulas na artéria e na veia pulmonar
como forma de reduzir ou eliminar o edema, o inchaço,
que impede a troca gasosa do organismo e é um dos principais
obstáculos ao aproveitamento do pulmão retirado
de um paciente com morte encefálica. O medicamento faz,
assim, uma espécie de higienização do órgão.
“Do lado dos vasos pulmonares, existem alvéolos
que são inundados e, à medida se consegue uma solução
que atraia o líquido de volta, você seca o alvéolo.
Se a solução for interosmolar, ela consegue atrair
e reabsorver o líquido e, com isso, reduzir o edema”,
esclareceu Jatene, lembrando que esse edema não é só no
alvéolo, mas no espaço em volta na área
denominada de interstício.
“Se os pulmões têm boas condições,
eles são utilizados para o transplante na hora da atuação.
Mas existem casos em que esses pulmões não estão
em boas condições. Na maior parte das vezes, por
excesso de líquido, que nós chamamos de edemar
pulmonar, ou por infecção. Nos casos de excesso
de líquido, já se sabe que podem ser recondicionados,
retirando o líquido”, esclareceu Jatene. Segundo
ele, esse processo leva em média de duas a três
horas.
Para a presidente
da Comissão de Doença Pulmonar
Avançada da Sociedade Brasileira de Pneumonologia e Fisiologia,
Valéria Maria Augusto, a possibilidade de se efetuar essa
restauração deverá ajudar a resolver “um
problema muito grave que é a de tornar o pulmão
viável para a doação”, um dos maiores
entraves para um número maior de transplantes do órgão.
Ela explicou
que 99,9% dos transplantes ocorrem a partir de uma doação obtida de uma pessoa com quadro de morte
encefálica. “Quando chega o diagnóstico de
morte encefálica, o órgão já está bastante
afetado. E nosso critério de profilaxia para transplante é assim:
se ele tem mais de 48 horas de tubo [paciente que foi entubado
para a ventilação artificial]”. A entubação,
segundo a médica, é um indício da probabilidade
de infecção e, se isso se confirmar, a utilização
do pulmão em questão já é descartada.
Segundo Valéria, mais da metade dos transplantes de pulmão
são em pacientes com doença pulmonar obstrutiva
crônica. O InCor informou que, dentre as enfermidades tratadas
com essa intervenção, estão os casos de
enfisema e fibrose pulmonar, além de hipertensão
pulmonar e fibrose cística.
AGÊNCIA
BRASIL
Autoridades
e sociedades médicas definem nesta semana
atendimento às mulheres com próteses PIP e Rofil
O Ministério da Saúde e as sociedades médicas
vão definir nesta semana como será o atendimento às
mulheres com próteses de seios de silicone das marcas
Poly Implant Prothese (PIP) e da Rofil. A proposta estudada é a
de que os médicos das redes particular e pública
chamem as pacientes para, inicialmente, avaliar a condição
da prótese, segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira
de Cirurgia Plástica, Luciano Chaves.
Nesta consulta,
elas serão submetidas a uma ultrassonografia
para saber se o implante está com ruptura. Em caso de
dúvida, a paciente deve passar também por uma ressonância
magnética. Para Chaves, em 60% dos casos, os médicos
conseguirão avaliar a situação do implante
somente com o ultrassom. “Se houver ruptura, a paciente
já vai ser encaminhada para a cirurgia”, disse o
vice-presidente.
As estimativas
apontam para 12,5 mil mulheres com próteses
da marca francesa PIP e 7 mil, da holandesa Rofil. As duas marcas
são acusadas de terem usado silicone industrial na fabricação
dos produtos, com maior risco de romper ou vazar e provocar problemas
de saúde, como inflamação dos seios.
Depois de
um impasse entre a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), responsável por apurar a possibilidade
de haver silicone adulterado nas próteses comercializadas
no país, e a Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), que regula os planos de saúde, o Sistema Único
de Saúde (SUS) e os planos de saúde vão
cobrir a remoção e a troca das próteses
rompidas, independentemente do motivo da cirurgia, se foi por
questões de saúde ou com fins estéticos,
conforme garantiu o ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
na última sexta-feira (13).
Até o momento, os médicos e as autoridades de
saúde indicam a retirada somente nos casos de ruptura.
Para as pacientes com as próteses sem rompimento, devem
ser estabelecidas normas para monitorá-las. “Essas
pacientes que não estiverem com a prótese rôta
devem ficar tranquilas. Não há risco”, afirmou
Luciano Chaves. O médico, no entanto, reconhece que a
orientação pode mudar se for localizado número
elevado de implantes das marcas francesa e holandesa com deformidade.
Alguns sintomas
de problema no caso de prótese mamária
vazada são dor, febre e pele avermelhada nos seios. Para
quem coloca um implante de silicone na mama, de qualquer marca,
recomenda-se a substituição da prótese depois
de dez anos de uso. Outra orientação médica é fazer
exame de ultrassom uma vez por ano para avaliar o implante, mesmo
as pacientes com menos de 40 anos de idade.
O LIBERAL
Pesquisa mapeia as drogas na internet
Rede é porta de entrada ao uso e aliada no combate e
na prevenção
Pesquisa
feita para o Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês
(IRSSL), em São Paulo, buscou entender o que motiva os
jovens que navegam na internet a buscar informações
sobre drogas no mundo virtual. O levantamento partiu de palavras
chave como 'maconha', 'cheiro' e 'usuário', identificando
diversas comunidades que buscam o fim do vício.
Segundo o
superintendente executivo do IRSSL, Dr. Sérgio
Zanetta, é muito importante entender a forma como as pessoas
estão se expressando com relação às
drogas. A pesquisa do IRSSL também mostrou que entre 6%
e 8% da população necessita de atendimento regular
devido aos transtornos causados pelas drogas e pelo álcool
entre usuários e co-dependentes, que são as pessoas
afetadas pela convivência com os viciados.
Conforme
a psicóloga paraense Ana Maria Guapindaia, que
trabalha com dependentes químicos, a internet pode ser
considerada um agente facilitador para a apresentação
do jovem às drogas, por ser um meio de comunicação
onde há o encontro entre diversos grupos sociais. 'No
entanto, a internet, do ponto de vista isolado, não influencia
o uso das drogas. Há fatores tanto sociais quanto psicológicos
que levam o indivíduo ao consumo', ressaltou. Sobre o
atendimento básico recomendado, a psicóloga indica
que os usuários procurem os Centros de Atenção
Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) e grupos de ajuda
mútua, como os Narcóticos Anônimos.
A pesquisa
também destacou depoimentos de ex-viciados
em vídeos no site YouTube, apelos de pais por seus filhos
em redes sociais como Orkut e Facebook, além de blogs
mantidos anonimamente por pessoas que buscam apoio para manter
o tratamento e largar o vício. Ana Maria Guapindaia também
vê a internet como uma aliada no combate às drogas,
assim como uma grande fonte de informação, tanto
para a família do usuário quanto para os dependentes.
Para o estudante
Lucas Barros, 18 anos, também é comum
encontrar na internet material de apologia às drogas.
'A moda de organizar movimentos pela internet tem crescido muito
e já vi pequenas fagulhas de movimentos sobre legalização
da maconha organizadas no Twitter e comunidades do Orkut', observou.
Ele conta ainda que alguns sites de venda chegam a anunciar acessórios
para o consumo de drogas, o que mostra a facilidade do acesso.
Segundo o
médico Sérgio Zanetta, é fundamental
munir os familiares com informações sobre os principais
fatores que levam os jovens a se drogarem. Porém, uma
vez que ele já faça uso, a psicóloga Ana
Guapindaia chama a atenção para alguns sinais que
podem ajudar os pais a identificar um usuário, como mudanças
bruscas de humor, irritabilidade, insônia, olhos avermelhados
e necessidade cada vez maior de dinheiro. 'Tão importante
quanto identificar, é entender que a dependência
química é uma doença e que agressões,
castigos ou qualquer conduta que possa afastá-lo do meio
familiar não vão ajudá-lo a se perceber
como doente e a buscar ajuda', afirmou.
Sábado,
14.01.2012
FOLHA DE S. PAULO
SUS
vai ficar sobrecarregado, diz cirurgião
Thiago Fernandes
As novas
orientações da Anvisa e da ANS são
um direcionamento positivo, mas ainda não resolvem completamente
o problema das próteses defeituosas, na opinião
do cirurgião plástico Alexandre Mendonça
Munhoz, do Hospital Sírio-Libanês.
Segundo ele,
o problema é a provável sobrecarga
do SUS. "O sistema não teria condições
de atender ao aumento da demanda para cirurgia. Imagine se metade
das pacientes tiverem de ser operadas nos próximos cinco
anos, serão 6.000 pacientes a mais para um sistema que
já está sobrecarregado".
Munhoz informa
que somente no Instituto do Câncer do Estado
de São Paulo, referência no setor público
para esse procedimento, mais de 200 pacientes aguardam por uma
cirurgia reparadora.
Outro aspecto
levantado pelo cirurgião é quanto
ao custo ser bancado pelo sistema público. "É um
caso em que o governo não pode ser responsabilizado. Quem
deve pagar? Não tenho uma resposta final. Essa é uma
situação nova, que deve continuar sendo discutida
por todos os lados envolvidos."
Para a diretora
de atendimento do Procon-SP, Selma do Amaral, o que não se pode perder de vista é que o consumidor
não pode ser prejudicado mais uma vez, tendo que arcar
com os custos da nova cirurgia.
"Como uma relação de consumo, essa situação
está amparada pelo Código de Defesa do Consumidor
e lá está clara a obrigação do fabricante
e do importador de reparar integralmente os prejuízos
causados por um produto defeituoso", afirma ela.
Amaral diz
ainda que é possível pleitear ressarcimento
por danos morais. "Essa é uma situação
em que claramente cabe não só a reparação
por prejuízos materiais, mas também por todos os
transtornos envolvidos."
Em caso de
negativa, a recomendação é recorrer
a uma ação judicial.
O GLOBO
Planos
trocarão próteses,
mas repassando custos
Segundo
operadoras, gastos com cirurgias podem ter que ser divididos
com governo
e até com usuários
O Ministério da Saúde anunciou ontem que tanto
a rede pública quanto os planos de saúde atenderão
pacientes para retirar e substituir próteses das marcas
PIP (francesa) e Rofil (holandesa) que estiverem rompidas. Os
planos não eram obrigados a trocar as próteses
defeituosas quando o implante tivesse sido motivado por razões
estéticas, mas, após reunião do ministério
com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
que regula os planos, ficou decidido que eles também serão
obrigados a realizar o procedimento.
Representantes
de planos de saúde ouvidos ontem pelo
GLOBO afirmaram que vão cumprir a determinação
do Ministério da Saúde. No entanto, sinalizaram
que os custos podem ser divididos com o governo ou repassados
para os usuários no futuro.
A Unimed
do Brasil e a União Nacional das Instituições
de Autogestão em Saúde (Unidas), que representa
cerca de 12% de toda a saúde suplementar do país
e tem cinco milhões de usuários, informaram que
ainda não calcularam o impacto financeiro que terão
com as cirurgias. Porém, segundo a presidente da Unidas,
Denise Eloi, os custos podem ser repassados no futuro a todos
os usuários da sua rede, que inclui os planos de saúde
do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras.
De acordo
com Denise Eloi, o cálculo dos valores das
mensalidades do ano que vem vai levar em consideração
os gastos deste ano, que serão aumentados com as despesas
das trocas das próteses.
- A Unidas
tem mais de 80% de operadoras de pequeno e médio
porte. E elas certamente sofrerão algum tipo de impacto
com isso - disse Denise. - Infelizmente isso termina sendo transferido
para os usuários - completa.
O presidente
da Unimed Brasil, Eudes de Aquino, disse que os pacientes não podem ficar sem amparo. Mas afirmou que
pretende conversar com a ANS sobre os custos das cirurgias para
a troca de próteses.
- Se for
um custo absorvível, não tem problema.
Se não for absorvível, terá que ter uma
parceria público-privada - afirmou Aquino, explicando
que pode pedir ao governo que colabore com os gastos.
A PIP e a
Rofil usaram silicone industrial na fabricação
de suas próteses, provocando mais chances de ruptura do
material, que em contato com o corpo causa mais danos à saúde.
Segundo o governo, a decisão de bancar o atendimento médico
de pacientes usuárias de PIP e Rofil foi tomada porque
as empresas fraudaram o processo de certificação
do país, que permitiu a entrada do produto em território
brasileiro.
Questionado,
o ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
alegou que não há nenhuma indicação
para se retirar preventivamente as próteses, apesar de
a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica já ter
feito essa recomendação. Segundo Padilha, apenas
as mulheres que apresentarem evidências de que o silicone
se rompeu poderão fazer a cirurgia reparadora. Os sintomas
do problema são febre, dor no local e o aparecimento de
gânglios e vermelhidão. Cerca de 20 mil mulheres
possuem próteses dessas duas marcas no Brasil. Padilha
reconheceu que esse silicone é mais "irritativo" e
causa inflamações "mais intensas" do
que o silicone de uso médico usado nas próteses.
- Nesse momento
não há indicação
de cirurgia para todas as mulheres. Não queremos submeter
as mulheres a um procedimento que também é de risco,
que é o procedimento cirúrgico, se não tiver
uma indicação de cirurgia. Nós queremos
submeter as mulheres às cirurgias nos casos em que elas
precisam ser submetidas a uma cirurgia, porque toda cirurgia
também tem o seu risco - disse Padilha.
O governo
vai anunciar na próxima semana todas as diretrizes
sobre como médicos e pacientes portadoras de silicone
PIP e Rofil deverão proceder. Ele reforçou, no
entanto, que não existe a necessidade de uma "corrida" aos
hospitais, mas que nada impede que as mulheres já procurem
os médicos do SUS ou de seus planos de saúde para
uma avaliação. Padilha garantiu que não
só as mulheres, mas todos os travestis que fizeram implantes
com próteses defeituosas terão direito ao serviço.
As pacientes
terão de procurar o serviço médico
e realizar exames para saber se a prótese que carregam
no seio apresenta vazamentos ou não. Vazamentos maiores
podem ser detectados em um exame clínico, já que
sintomas de que isso ocorreu já estarão aparentes.
Já os vazamentos de menor magnitude só são
detectados em exames de imagem. Em ambos os casos, o material
será retirado do corpo das pacientes. Já o implante
de uma nova prótese dependerá de uma nova consulta
pós-retirada para avaliar se é possível
e recomendável fazê-lo.
Padilha explicou
que a retirada do silicone vazado e o implante de uma nova
prótese serão feitos em procedimentos
separados: primeiro, a remoção da prótese
que se rompeu e, em outro momento, após uma segunda avaliação
médica, a colocação de um novo produto.
Cada etapa dependerá de avaliação médica
que receitará ou não a necessidade do procedimento
de acordo com a reação do organismo.
O ministro
informou ainda que foi aberto um processo administrativo sanitário na Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), órgão do governo responsável
pela autorização de próteses de silicone
no Brasil, para penalizar as duas importadoras das próteses.
O valor da multa ainda não está definido, mas pode
chegar a R$2 milhões.
O GLOBO ONLINE
Empresas rejeitam modelo dos EUA de punir fumantes ou obesos
Não deu no "New York Times": o Walmart Brasil
desconsidera as políticas de RH adotadas por sua matriz,
nos Estados Unidos, em relação a funcionários
fumantes, com problemas de peso ou de colesterol alto. A exemplo
de 19% dos grandes empregadores daquele país - como informou
o NYT recentemente - a companhia anunciou que alguns profissionais
da casa vão arcar com parte dos custos do seguro-saúde.
Dos que fumam, a maior empregadora americana, que tem mais de
um milhão de funcionários, poderá cobrar
até US$ 2 mil (R$ 3,6 mil) por ano.
Segundo a
reportagem do NYT, a medida faz parte de uma tendência
que está crescendo entre as empresas americanas de cada
vez mais adotar políticas que punam funcionários
com problemas de saúde para reduzir custos. O número
de companhias que optam por medidas punitivas dobrou nos últimos
dois anos, passando para os 19% de 248 grandes empregadores nos
Estados Unidos, conforme pesquisa da Towers Watson. E a expectativa é que
a prática dobre novamente este ano.
Duas culturas bem diferentes
Mas seria
essa a forma adequada de promover a saúde e
a qualidade de vida dentro do ambiente de trabalho? No Brasil,
mesmo multinacionais rejeitam o modelo de punição
e incentivam o bem-estar, através de programas que ajudam
a parar de fumar e a emagrecer. O próprio Walmart nacional
informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não
segue a iniciativa americana, que seria nova e implementada por
outros grandes empregadores como Pepsico e Home Depot.
No entanto,
nessa análise, é importante considerar
as diferenças sociais, culturais e econômicas entre
Brasil e Estados Unidos, sugere Marcia Bandini, diretora de divulgação
da Associação Nacional de Medicina do Trabalho
(Anamt).
- Lá não existe um sistema de saúde pública
financiado pelo governo, como aqui existe o Sistema Único
de Saúde (SUS). Lá, os empregadores contratam um
seguro-saúde que funciona como um seguro de carro. Então,
pensando com a cabeça americana, faz sentido que um fumante,
que adoece mais e custa mais para a empresa, pague mais por esse
seguro. É a lógica do sistema capitalista - diz
Marcia.
Só que isso não significa dizer que, em matéria
de incentivo à qualidade de vida, cobrar mais de quem
tem um problema de saúde, como obesidade ou vício
em nicotina, seja uma medida eficaz.
- No caso
de quem está acima do peso, essa pressão
financeira pode acabar tendo o efeito contrário - pondera
a diretora da Anamt.
- Acredito
que esse tipo de postura não funciona muito
bem. Você não muda o comportamento em relação à saúde
com punição - defende Lucio Ribeiro, coordenador
do serviço de saúde da Dow Brasil, empresa de serviços
químicos que conta com um Programa de Promoção
de Saúde - VivaVida, implementado em 1992.
Muito
mais que questão física
O VivaVida
tem uma programação antitabaco, que
oferece apoio individual a quem quer parar de fumar, e conseguiu
reduzir o percentual de tabagistas na empresa de 24% (em 1995)
para 5,6% (em 2010). O projeto chegou a ser apresentado como
case no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça,
em 2008, além de já ter sido premiado três
vezes pela Associação Brasileira de Qualidade de
Vida (ABQV).
- É preciso entender que as questões de saúde
não são simplesmente físicas, mas estão
ligadas ao contexto social do indivíduo. Não basta
exigir que ele largue o cigarro sem tentar entender se ele fuma
por problemas de estresse ou familiares - ressalta Ribeiro.
Professor
da PUC-MG e co-autor do livro "Estresse Ocupacional" (Campus/Elsevier),
Henrique Maia Veloso diz que nos EUA, muito mais do que no Brasil,
existe um processo de valorização dos aspectos
individuais e responsabilização do indivíduo
sobre questões que, muitas vezes, podem ser de natureza
mais coletiva.
- Tais práticas, em nossa realidade, em função
de diversas características culturais, podem ter pouca
efetividade e gerar um grande desconforto no ambiente organizacional
- considera Veloso.
Saúde
premiada com ingressos
Em vez de
punir maus hábitos, o grupo EBX adota um sistema
que premia os participantes do "Viver Bem", implementado
em 2010. O funcionário que aderir, voluntariamente, recebe
uma cartela de 40 pontos. Ginástica laboral, acompanhamento
nutricional e corrida estão entre atividades que valem
pontos. Quando completa 40, o colaborador ganha um par de ingressos
de cinema.
- As entradas viram uma meta, e isso estimula - acredita Samanta
Pereira, gerente geral de Recursos Humanos do grupo EBX.
Conceder
benefícios a quem tem melhor desempenho cuidando
da saúde é política adotada também
pela Chemtech, empresa de engenharia do Grupo Siemens. A companhia
já realizou duas edições do programa "Perder
para ganhar", que oferecia acompanhamento semanal e avaliação
de peso e medidas. Os 15 melhores colocados foram premiados com
um dia no SPA, um mês gratuito em uma academia e vale-compras
em uma loja, entre outros.
- Os prêmios servem como incentivo. Descontar um valor
do plano de saúde pode deixar o funcionário frustrado
ou até fazer com que ele se sinta desrespeitado - acredita
Daniela Galo, gerente-geral da Chemtech, para quem o investimento
financeiro no bem-estar dos trabalhadores é algo que compensa.
- A satisfação dos funcionários se reverte
para a empresa muito positivamente. Eles trabalham melhor e se
comprometem mais. É um fator de retenção
de talentos.
Marcia Bandini,
diretora de Divulgação da Associação
Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), enxerga com muito mais
simpatia os modelos que premiam os esforços dos empregados
em vez de puni-los, mas alerta para um risco:
- É preciso ter cuidado para não criar um sentimento
de competição, especialmente no que se refere à perda
de peso. Não se deve pressionar a pessoa a que ela vá mais
rápido do que a saúde dela permite.
O Itaú-Unibanco tem uma série de programas voltados à promoção
da saúde e do bem-estar, mas não adere à filosofia
da premiação - e nem à da punição.
Desde 2006, promove o "Quero parar de fumar", que oferece
consultoria individualizada e em grupo e fornece gratuitamente
medicamentos a quem deseja largar o cigarro - o que já deu
certo com 450 funcionários. A empresa ainda custeia parte
da mensalidade do programa "Vigilantes do peso", entre
outras medidas.
- É mais eficaz educar e prevenir do que condenar hábitos
- acredita Agnelo Dias, superintendente de Saúde Ocupacional
do banco.
FOLHA DE S. PAULO
Grupo
pede nova votação
sobre anticoncepcional
Decisão de manter pílulas Yaz e Yasmin no mercado
nos EUA é questionada por ONG
Uma ONG norte-americana
que investiga as ações
do governo pediu que a FDA (agência reguladora de remédios
dos EUA) faça uma nova votação sobre os
riscos dos anticoncepcionais com o hormônio drospirenona.
No dia 8
de dezembro, a FDA decidiu que os benefícios
da pílula superam os riscos para as mulheres.
Estudos mostraram
que esses contraceptivos (como a Yasmin e a Yaz) podem até triplicar o risco de formação
de coágulos em relação às pílulas
antigas, de levonorgestrel.
A ONG Project
on Government Oversight pediu a reavaliação
do caso após documentos públicos mostrarem que
quatro dos 26 membros do comitê consultivo da FDA já tiveram
laços com a indústria farmacêutica.
A ONG ainda
pediu que a FDA divulgue os formulários sobre
conflitos de interesse que cada membro preencheu.
Ainda não está claro se a agência sabia
dos conflitos dos quatro membros. Três deles disseram que
a ligação com a Bayer, fabricante das pílulas,
não influenciou seus votos. A Bayer nega ter interferido
no processo.
O ESTADO DE S. PAULO
Fila
para cirurgias de reconstrução preocupa pacientes
Próteses da PIP com defeito; troca deve afetar fila de
vítimas de câncer. Estimativa é de que pelo
menos 20 mil mulheres a serem diagnosticadas com câncer
em 2012 precisarão de operação
Fernanda Bassette
Ao mesmo
tempo em que o Ministério da Saúde afirma
que o SUS vai trocar as próteses de silicone das marcas
PIP e Rofil das mulheres que apresentarem ruptura, centenas de
outras mulheres em tratamento contra o câncer de mama estão
na fila para fazer a reconstrução das mamas.
Isso tem
preocupado entidades como a Federação
Brasileira de Instituições Filantrópicas
de Apoio à Saúde da Mama (Femama) e o Instituto
Oncoguia, que lidam diretamente com mulheres em tratamento de
câncer.
O Instituto
Nacional de Câncer (Inca) estima que 52 mil
mulheres serão diagnosticadas com câncer de mama
em 2012.E a Sociedade Brasileira de Mastologia estima que ao
menos 20 mil delas precisarão fazer uma cirurgia de retirada
das mamas, sendo que apenas cerca de 10% delas sairão
do centro cirúrgico com a mama já reconstruída.
Para Luciana
Holtz, psico-oncologista e presidente do Oncoguia, o governo
precisa
deixar claro como vai organizar as filas das
mulheres que precisam fazer mastectomia, das mulheres que precisam
fazer a reconstrução e das que possuem próteses
da PIP ou Rofil com problemas.
"Nós entendemos que o centro cirúrgico é um
só. E existem centenas de mulheres com câncer esperando
de três a seis meses só para fazer a mastectomia.
Para fazer
a reconstrução, demora uns dois anos.Qual
a urgência de trocar a prótese dessas outras mulheres?
A fila será única ou separada?", pergunta
Luciana.
Para a mastologista
Maira Caleffi, o governo está correto
em garantira assistência para as mulheres que tiverem problemas
com as próteses PIP ou Rofil, mas ela também frisa
que a fila de espera para uma mastectomia e para a reconstrução
das mamas ainda é muito grande.
"O SUS poderia fazer as duas cirurgias ao mesmo tempo:a
retirada e a reconstrução. Mas, em geral, os centros
não fazem isso porque aumentaria o tempo de cirurgia.Nesse
tempo,eles poderiam fazer outra cirurgia e tirar uma mulher da
fila. E agora, como vai ficar?", diz Maira.
Fila. O Ministério da Saúde diz que não
tem como informar quantas mulheres estão na fila de espera
nem quanto tempo está demorando a cirurgia porque o gerenciamento
das filas é descentralizado e é feito por cada
Estado e município.
A aposentada
Loeny Menezes da Rosa, de 61 anos, no entanto, esperou cinco
anos
na fila para conseguir fazer a cirurgia de
reconstrução da mama pelo SUS. Ela descobriu o
câncer em 2001 e só conseguiu reconstruir a mama
em 2006.
"O médico disse que se eu quisesse colocar silicone
na hora eu teria de pagar à parte. Naquela época
eu não tinha como pagar, por isso decidi esperar. Entrei
na fila de novo e só fui chamada em 2006",contou
Loeny, que só implantou o silicone em uma das mamas, a
outra foi reduzida."Ficou horroroso", diz.
O mastologista
José Luiz Pedrini, vice-presidente da
Sociedade Brasileira de Mastologia, entende que a reconstrução
deveria ser feita ao mesmo tempo em que as mamas são retiradas,
com exceção dos casos em que há contraindicação
- como em mulheres fumantes, com diabete ou doenças cardíacas
graves.
"Na maioria dos centros, isso não acontece. A sociedade
de mastologia preconiza que a reconstrução seja
feita imediatamente e nas duas mamas, mesmo que apenas uma tenha
sido retirada. Isso garantiria a simetria das mamas e aumentaria
a autoestima dessas mulheres."
O ESTADO DE S. PAULO
Reconstrução das mamas é prevista
desde 1999
A reconstrução das mamas após a cirurgia
de mastectomia (retirada das mamas em decorrência do tratamento
de um câncer) é um direito das mulheres garantido
pelo Ministério da Saúde desde 1999.
A portaria
prevê a realização de uma plástica
reconstrutiva com implante de uma ou duas próteses de
silicone pós-mastectomia.
O documento,
no entanto, não deixa claro se a mulher
teria direito de fazer a reconstrução imediatamente
no ato cirúrgico da mastectomia ou não, mas frisa
que esse procedimento proporciona um melhor efeito psicológico
para a estética da mulher.
A portaria
também não estipula prazos para que
a reconstrução das mamas seja realizada.
Estima-se
que as mulheres demorem pelo menos dois anos para conseguir
reconstruir as
mamas na rede pública.
A Sociedade
Brasileira de Mastologia entende que os dois procedimentos
deveriam acontecer
em um único ato cirúrgico.
PORTAL G1
Redução de estômago é feita por videolaparoscopia
em Uberlândia
Procedimento
conta com cobertura de convênio médico.
De acordo
com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), 48% das mulheres e 50% dos homens
com idade acima dos 20 anos estão com sobrepeso. E para
se livrar do quilos a mais muitas pessoas recorrem às
cirurgias de redução do estômago.
Entre 2003
e 2010 foram registradas 60 mil, destas 35% foram por vídeo. O procedimento é mais caro, mas a boa
notícia é de que a cobertura deverá ser
feita por qualquer convênio médico, isso de acordo
com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Em Uberlândia, pacientes obesos e com planos de saúde
também poderão fazer a cirurgia de redução
do estômago por meio de videolaparoscopia utilizando o
convênio médico. A cirurgia convencional custa em
média R$ 12 mil, já a videolaparoscopia R$ 22 mil.
Para o cirurgião bariátrico, Luís Augusto
Mattar, o procedimento é o mais indicado, pois o paciente
que faz a cirurgia por este método tem uma recuperação
mais rápida.
Sexta-feira, 13.01.2012
SAÚDE
S/A
Contratos
coletivos entre médicos e operadoras serão
uma das metas para 2012
A luta por
contratos coletivos entre médicos e operadoras
de saúde será uma das principais bandeiras do movimento
médico da Comissão Nacional de Saúde Suplementar
(Consu). Em sua primeira reunião do ano, realizada ontem
(12/01), em Brasília, a Comissão debateu que pontos
irá reivindicar e defender junto à Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O objetivo é buscar
uma relação contratual mais justa e equilibrada
entre profissionais e operadoras de planos de saúde.
"Não existe hoje um contrato regular entre médicos
e operadoras de planos de saúde e isso é um absurdo.
Com o reconhecimento do Cade (Conselho Administrativo de Defesa
Econômica) de que o contrato coletivo é uma ferramenta
válida também para as relações entre
médicos e operadoras, nós vamos discutir, junto à ANS
e com a participação das operadoras e das entidades
médicas, a elaboração desse contrato. Isso
dará mais segurança aos médicos e melhores
condições de atendimento aos usuários",
destaca o secretário de comunicação da Fenam,
Waldir Cardoso.
Uma reunião com representantes da ANS para apresentar
os pontos reivindicados para a negociação coletiva
será solicitada nas próximas semanas. Na pauta
do encontro, estarão os critérios de credenciamento
e descredenciamento, reajustes e periodicidade nos honorários
médicos e de glosa.
Perspectivas
para 2012 - durante a reunião, também
foi feito um balanço do movimento ao longo de 2011 e traçadas
as perspectivas para 2012. "Pretende-se, para o inicio de
março, a realização da reunião ampliada
da Consu, na qual pretendemos enumerar os diversos pontos de
luta do movimento em 2012", explicou o secretário
geral da Fenam, Mario Antonio Ferrari.
Junto com
os representantes do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira, que compõem
a Comissão, o secretário de Saúde Suplementar
da Fenam, Márcio Bichara, considerou o ano que se passou
vitorioso, tendo em vista a realização e a adesão
dos médicos brasileiros a dois movimentos inéditos
na área da saúde suplementar.
"Conseguimos unificar o movimento médico. Hoje estamos
afinados com as respectivas comissões estaduais e temos
condição de fazer um calendário para as
ações do movimento. Então, em 2012 teremos
muito trabalho pela frente, mas estamos muito mais organizados
em termos de estrutura e de comunicação. O ano
será muito profícuo para o movimento médico",
aposta o dirigente.
PORTAL R7
Gestante
e parceiro sexual podem fazer teste rápido de
HIV e sífilis pelo SUS
Resultado
sai em menos de 30 minutos e ajuda a evitar transmissão
para o bebê
Gestantes
e seus parceiros sexuais, como marido ou namorado, poderão fazer teste rápido para o diagnóstico
de HIV e sífilis na rede básica de saúde
pública, conforme portaria do Ministério da Saúde
publicada nesta sexta-feira (13) no Diário Oficial da
União.
De acordo
com a portaria, os testes de sangue serão feitos
durante o pré-natal pelo programa Rede Cegonha. O resultado
sai em menos de 30 minutos. Diagnosticar e tratar essas doenças
o mais rápido possível durante a gravidez é importante
para impedir a transmissão para o bebê.
De 2000 a
2009, foram identificadas 54.218 gestantes com o vírus
da aids no país, de acordo com o Ministério da
Saúde. Apesar da média nacional ter caído
de 5,4 casos para 3 casos por 100 mil habitantes em crianças
com menos de 5 anos de idade no período, houve aumento
da incidência da doença nas crianças nas
regiões Norte e Nordeste. Nessa faixa etária, a
principal forma de transmissão é a vertical, de
mãe para filho na gestação.
A testagem é indicada nos primeiros três meses,
mas pode ser feita até na hora do parto. Com o tratamento
médico, a chance do bebê contrair a doença
cai para menos de 1%. Quando não há tratamento,
a taxa de risco chega a 20%. As recomendações são
o uso de antirretrovirais, parto de cesárea e não
amamentar. O Brasil quer diminuir para 2% a transmissão
vertical da aids até 2015.
Cerca de
12 mil casos de sífilis congênita, também
transmitida de mãe para filho, são registrados
por ano. A infecção provoca má-formação
do feto, aborto ou morte da criança. O indicado é fazer
o teste nos primeiro trimestre de gestação e repeti-lo
no último mês e antes do parto, já na maternidade.
O tratamento da mãe e do bebê é a base de
penicilina. Os parceiros sexuais também devem se tratar
para evitar uma nova infecção da parceira.
CORREIO BRAZILIENSE
Sem
números
sobre implantes
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) ainda não sabe quantas pessoas utilizam as próteses
mamárias da marca holandesa Rofil. Trabalha com um número
estimado pelo ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica, Sebastião Guerra, de 15 mil unidades.
De acordo com Guerra, não há dados precisos com
relação à marca.
Ontem, a
Anvisa publicou no Diário Oficial da União
uma determinação para que Pharmedic Pharmaceuticals,
atual representante da Rofil no Brasil, recolha todas as unidades
remanescentes em todo o território nacional. Em 30 dias,
a empresa deverá encaminhar à agência um
relatório constando os dados do recolhimento e o número
total de unidades importadas, distribuídas e comercializadas,
além dos comprovantes de informação enviados
a empresas destinatárias e das respostas recebidas.
Em nota,
a Pharmedic informou que realizou apenas uma importação
de 193 unidades. Além dessa empresa, duas tiveram registro
para comercializar o produto no Brasil, a Pró Life Importação
e Exportação Ltda., autorizada em 2001, e a Andema
Comercial e Importadora Ltda., em 2004.
AGENDA
- 30º Congresso Internacional de Odontologia de São
Paulo
Data
- 28 a 31 de Janeiro 2012
Local
- Expo Center Norte
Endereço:
Rua José Bernardo Pinto, 333 - São
Paulo-SP
Informações e Adesões
- 0800 12 85
E-mail:
secretaria.decofe@apcdcentral.com.br
Site
- http://www.ciosp.com.br/
-
18° Congresso Mundial de Ergonomia, Congresso da União
Latino-Americana de Ergonomia e 16° Congresso Brasileiro
de Ergonomia
12/02/2012 a 16/02/2012
Local:
Recife - PE
Outras
informações: http://www.iea2012.org/index_pt.htm
-
XIII Congresso da SPMFR - Sociedade Portuguesa de Medicina
Física e de Reabilitação
Data-
08 a 10 de Março
de 2012
Local-
Hotel Cascais Miragem - Cascais - Portugal
Telefone-
+351 915768902
Email-
pmfr@spmfr.org
Site
Oficial- http://www.congressospmfr.org/
-
37° Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
Data-
12 a 14 de Abril de 2012
Local-
Hotel Windsor - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
Email-
mailto:retina29012@interevent.com.br
Site
Oficial- http://www.interevent.com.br/
- 13th World Congress on Public Health
21/04/2012 a 29/04/2012
Local:
Addis Abeba - Ethiopia
Outras
informações: http://wfpha.confex.com/wfpha/2012/cfp.cgi
- World Nutrition Rio 2012
27/04/2012 a 30/04/2012
Local:
Rio de Janeiro - RJ
Outras
informações: http://www.worldnutritionrio2012.com.br