Leia
nesta edição:
- O polêmico mercado legal de órgãos
- Segundo
país do mundo em casos de hanseníase,
Brasil também precisa combater o preconceito
- OMS prevê mais de 1 milhão de casos de câncer
de mama por ano
- Médicos
sugerem ultrassom como anticoncepcional masculino
- Doenças parasitárias serão
tratadas em massa
- Reversão da "fuga de cérebros" traz
médicos de volta ao país
- "Aqui tem verba para pesquisa em novas áreas"
- "Em
breve, Brasil vai competir com EUA e Europa"
- "Farei mais diferença
no Nordeste"
- Nova linha de ataque ao Parkinson
- Remédios
ineficazes
- Uma pausa no estresse
- Com o aval
da ciência
- Emergência
reestruturada
- Nova promessa
contra o câncer de mama
- Terapia
com luz é testada
contra micose
- O perigo
de coçar
os olhos
- Mulheres
com silicone PIP que vão processar Anvisa
se reúnem em SP
- Após polêmica,
governo retira de MP artigo que dificultaria aborto legal
- Saúde anuncia novas ações na gestão
de hospitais federais do Rio
Segunda-feira, 30.01.2012
CORREIO BRAZILIENSE
O
polêmico mercado legal de órgãos
Estudo de
jovens pesquisadores da UFMG propõe modelo
para reduzir fila de transplantes no país, hoje com 27
mil pessoas. Governo intermediaria compra de órgãos
e tecidos, mesmo de pessoas vivas
Paola Carvalho
Dois celulares
ligados 24 horas e conferidos a cada momento e orelha em pé para escutar o telefone fixo e a campainha
da casa. A ansiedade da auxiliar de escritório Mislene
Márcia de Oliveira, 31 anos, é por uma chamada
de seu médico. Neste mês, ela entrou na fila de
transplantes de órgãos para receber um fígado. "Se
eu for convocada, saio só com a roupa do corpo para o
hospital. Mas não basta encontrar um doador, pois o órgão
tem de ser compatível com o meu organismo", diz a
jovem, casada há oito anos e na expectativa de fazer a
cirurgia o quanto antes para engravidar do primeiro filho. Não
há, contudo, uma data prevista para realizar os dois sonhos
de sua vida. Pode ser amanhã, pode ser daqui a anos.
Uma solução para a fila de cerca de 27 mil pessoas
que aguardam um transplante no país seria a criação
de um mercado lícito e regulado de órgãos
e tecidos - um assunto polêmico, muitas vezes rechaçado,
mas que vem ganhando força até no meio acadêmico
por ser uma alternativa às filas.
Um estudo
que sugere a criação desse mercado no
Brasil, feito por alunos do curso de pós-graduação
em direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recebeu
um prêmio internacional reconhecido na área - o
da 19ª Jornada de Jovens Pesquisadores da Associação
de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM), realizada no
fim do ano passado, no Paraguai. Os estudantes integram o Grupo
Persona, da universidade, que se debruça sobre pesquisas
em bioética avançada. O artigo, desenvolvido por
Daniel Ribeiro, Mariana Lara e Nara Carvalho, foi coordenado
pelo professor Brunello Stancioli, que hoje faz pós-doutorado
no Centro de Ética Prática da Universidade de Oxford,
na Inglaterra, instituição interessada em desenvolver
melhor a ideia do mercado lícito de órgãos
no Brasil.
Por aqui,
as maiores fontes de órgãos são
cadáveres. O novo modelo poderia servir como um complemento,
uma vez que também se aplicaria a doadores vivos. O formato
final, contudo, não foi detalhado, mas seria uma espécie
similar ao da Fundação Centro de Hematologia e
Hemoterapia (Hemominas), em Minas Gerais, que recebe doação
de sangue e faz a ponte entre o material doado e os hospitais
do estado, embora não envolva dinheiro. A partir do momento
em que há uma central mediada pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) para receber os doadores de órgãos,
pesquisar o seu histórico e fazer todo o procedimento,
respeitando ordens jurídicas e regras médicas,
o estímulo ao tráfico seria barrado. Trocando em
miúdos, ninguém chega com uma garrafa de sangue
roubado para doação, assim como não chegaria
com um rim dentro de uma caixa para ser negociado, preveem os
pesquisadores. O órgão seria pago pelo governo,
que atenderia aqueles que estão na fila, em ordem e por
compatibilidade.
A proposta
de um mercado lícito de órgãos
e tecidos, hoje proibido por lei no Brasil, incomoda a comunidade
médica, mas dá um fio de esperança para
quem há muito tempo espera uma resposta. O estudo feito
na UFMG aponta que a escassez de órgãos e tecidos
humanos é uma questão a ser enfrentada pelo sistema
de transplantes de qualquer país. "Campanhas e incentivos à doação
têm sido insuficientes para reduzir as filas de espera.
Paralelamente, a venda de órgãos e tecidos é colocada
como problema a ser resolvido, e quase sempre pelo direito penal.
Contudo, esse comércio, pensado nas bases de um sistema
lícito, pode ser uma alternativa", diz Stancioli.
Requisitos éticos
Para o professor,
a maioria dos argumentos contrários à venda é de
cunho moral e fortemente paternalista, visando proteger a pessoa
de si mesma, embora haja requisitos éticos complexos que
um mercado regulado deva atender. "O debate acadêmico-ético-jurídico-médico
encontra-se bem desenvolvido em países como Inglaterra
e Austrália. No Brasil, no entanto, nem sequer se cogita
tocar no assunto", pondera.
De acordo
com ele, a venda de órgãos, pensada
em outras bases, não deveria ser primariamente rechaçada. "Um
comércio de órgãos de pessoas vivas envolveria
a possibilidade de que se possa vender órgãos considerados
não vitais, aqueles sem os quais o doador pode continuar
a viver", diz. Segundo o professor, o órgão
mais relevante para essa análise é o rim. "Trata-se
de um órgão duplo, e o procedimento de transplante
apresentaria relativamente poucos riscos para o potencial vendedor."
Stancioli
pondera que não é apresentada razão
pela qual se adota postura absolutamente contrária à criação
do mercado legal de órgãos. "Repete-se um
discurso que condena o comércio de órgãos
ao lhe atribuir supostos malefícios que parecem ser, na
verdade, consequências da forma ilícita que ele
assume hoje", avalia. Durante o estudo, o grupo se deparou
com informações que revelam que o mercado negro
ou o tráfico de órgãos movimentam mundialmente
mais de US$ 7 bilhões ao ano.
Expectativa "O problema é mundial", destaca
o coordenador metropolitano do MG Transplantes, órgão
mineiro responsável pela captação dos órgãos
e tecidos, Omar Lopes Cançado Júnior. A média
de doação em MG é baixa. Em 2010, girava
em torno de sete doadores por 1 milhão de habitantes.
Em 2011, subiu para 10,1. A expectativa é chegar a 15
por 1 milhão de habitantes. São Paulo é o
estado com o maior índice: 17 por 1 milhão de habitantes. "Falta
conscientização da população e dos
próprios profissionais da saúde", diz. Ele
também não concorda com a criação
de um mercado lícito de órgão e tecidos
para reduzir a fila e o tempo de espera. "Pela lei, já é um
mercado inviável. A luta da área médica é sempre
contra esse comércio."
Ideia é reprovada por associação
Embora a
fila para um transplante seja grande, num cenário
em que cresce o número de mortes violentas e pessoas com
expectativa de vida maior, o presidente da Associação
Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), José Medina
Pestana, desaprova firmemente a criação de um mercado
lícito de órgãos. "A população
não quer, o que não impede a discussão,
mas nós não aceitamos nem como uma sugestão
razoável", diz. Ele explica que, no Brasil, a doação
de órgãos por pessoas vivas ocorre quando o parentesco
com o paciente é de até quarto grau, além
do cônjuge. Fora isso, só com autorização
judicial. "Na maioria dos países é assim e,
em todos os lugares, o transplante fora da família é bastante
questionado. É um risco grande à vida, que só se
justifica pelo afeto", avalia. Para Pestana, a solução é avançar
na possibilidade do uso animal, melhorar os equipamentos médicos
e os tratamentos.
A doação no país - excluindo a possibilidade
da própria família fazê-la - é somente
de órgãos de cadáveres, autorizada pela
família do doador, sem a necessidade de um documento assinado
pela pessoa que veio a falecer. A Espanha foi declarada líder
mundial em transplantes de órgãos em 2010, com
um taxa média de 32 doadores por milhão de habitantes.
A meta do governo brasileiro é atingir 15 em 2015. O país,
entretanto, é referência internacional na realização
de transplante na rede pública de saúde - aproximadamente
95% das cirurgias são feitas de graça pelo SUS.
O investimento anual do Ministério da Saúde no
Sistema Nacional de Transplantes é de cerca de R$ 1,2
bilhão.
A Política Nacional de Transplantes de Órgãos
e Tecidos foi estabelecida e fundamentada pela Lei nº 9434/97,
e tem como diretrizes a gratuidade da doação e
o repúdio e combate ao comércio de órgãos.
Toda a política está em sintonia com as leis nº 8.080/90
e nº 8.142/90, que regem o funcionamento do SUS.
Longa Batalha
O aposentado
Carlos de Souza Rezende, 56 anos, levou seis para vencer uma
batalha.
O então motorista, casado e pai de
três filhos, saiu da consulta médica surpreso com
o diagnóstico de insuficiência renal e com a necessidade
de hemodiálise. Ao mesmo tempo em que se tratava, aguardava
na fila. A vitória foi em uma noite na qual, enfim, o
médico telefonou para o tão aguardado transplante. "Não
conheço nada sobre a família que fez a doação
e me salvou. Só sei que o rim era de um motoqueiro."
PORTAL UOL
Segundo
país do mundo em casos de hanseníase,
Brasil também precisa combater o preconceito
No Dia Mundial
de Luta Contra a Hanseníase, celebrado
no último domingo de janeiro, autoridades de saúde
e organizações da sociedade civil se mobilizam
pelo fim da discriminação das pessoas que têm
a doença. Apesar de ter cura, muitos brasileiros ainda
se escondem e deixam de procurar o tratamento, com medo de sofrer
estigma dentro da família, entre os amigos ou no trabalho.
Em estado
avançado, a hanseníase causa deformidades
no rosto, nas mãos e pernas, comprometendo a aparência.
O assessor
técnico do Conselho Nacional de Secretarias
Municipais de Saúde (Conasems) e sanitarista Marcos Franco
conta que, quando trabalhou com vítimas de hanseníase
no interior de São Paulo, a maioria vivia no estado vizinho
do Rio de Janeiro. Esses pacientes tinham vergonha de procurar
atendimento médico na cidade onde moravam.
“O paciente tem medo de usar o serviço do próprio
município onde vive. Temos que desconstruir esse estigma
para dizer que a hanseníase é uma doença
tratável e não um castigo de Deus”, disse
Franco, que esteve em Brasília na semana passada para
acompanhar a divulgação dos dados do governo federal
sobre a incidência de hanseníase no país.
O coordenador
do Movimento de Reintegração das
Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio,
recorda que centenas de crianças foram separadas dos pais
durante décadas por causa do preconceito com relação à doença.
Até o final da década de 1970, uma lei determinava
a internação obrigatória das pessoas com
hanseníase em hospitais-colônia. Os pacientes tinham
de entregar os filhos a educandários. “Foi a maior
alienação parental que ocorreu no Brasil”,
destaca Custódio.
Para reunir
irmãos e filhos de ex-pacientes, o Morhan
oferece exames de DNA para identificar os vínculos familiares
e busca indenização do Estado pela separação
compulsória.
Na próxima segunda-feira (30), o embaixador da Boa Vontade
para Eliminação da Hanseníase das Nações
Unidas, Yohei Sasakawa, estará no Brasil para a assinatura
de documento global pelo fim do estigma e da discriminação
contra pessoas com hanseníase.
Em 2011,
foram registrados 34.894 novos casos da doença,
redução de 15% em comparação a 2010
(30.298 casos). Apesar da queda, o país ainda é o
segundo no ranking mundial de prevalência da doença,
ficando atrás somente da Índia, que registra cerca
de 125 mil novos casos por ano. A meta das Nações
Unidas, de menos de um caso para grupo de 10 mil habitantes,
só deve ser alcançada no Brasil em 2015, de acordo
com o Ministério da Saúde.
Saiba
mais sobre a hanseníase
Doença infecciosa, a hanseníase causa deformidades
na pele e nos nervos de braços, mãos, pernas, pés,
rosto, orelhas, olhos e nariz. A transmissão ocorre pelo
contato direto e prolongado entre as pessoas. O doente sem tratamento
expele o bacilo ao tossir ou espirrar. Muitas pessoas podem ser
infectadas, mas a maioria tem resistência ao bacilo. Ambientes
fechados, com pouca ventilação e sem luz solar
aumentam as chances de contaminação. A transmissão
não ocorre durante contato breve entre as pessoas, como
uma caminhada para a escola ou uma conversa no elevador.
A doença não faz distição de sexo
ou idade. Os sintomas são manchas brancas, avermelhadas
e marrons em qualquer parte do corpo, que ficam dormentes e sem
sensibilidade ao calor, frio ou toque, principalmente nas mãos,
costas, nádegas, pernas e pés. O tempo entre o
contágio e o aparecimento dos primeiros sinais pode levar
de dois a cinco anos.
A hanseníase tem cura. O tratamento, de graça
pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a base
de comprimidos. O paciente pode tomar os medicamentos diariamente
em casa e procurar o médico uma vez por mês para
acompanhamento. O tratamento dura de seis meses a um ano. Assim
que começa a tomar os remédios, o doente para de
transmitir a hanseníase. E não precisa se afastar
do trabalho, nem do convívio familiar, e pode manter relações
sexuais.
O diagnóstico é feito pelo médico por meio
de exame clínico. Em casos raros, o profissional pode
solicitar exames complementares. A identificação
e o tratamento precoces são as melhores formas de combater
a doença. Outra recomendação é que
pessoas que vivem ou que moraram com pacientes de hanseníase
procurem um médico.
PORTAL UOL
OMS
prevê mais de 1 milhão de casos de câncer
de mama por ano
O câncer de mama é a doença que mais acomete
as mulheres em todo o mundo. Segundo dados divulgados pela Organização
Mundial de Saúde, estima-se que anualmente sejam registrados
1.050.000 casos desse mal. E o câncer de mama é o
tipo que mais mata mulheres.
Trata-se
da multiplicação desordenada de células
que formam um tumor. Essas células são capazes
de originar metástases - invadir células sadias
que estão ao seu redor - e formar um tumor maligno.
No entanto,
para a mulher controlar a saúde de suas mamas
e diagnosticar um câncer no início, deve fazer exames
anuais como ultrassonografia e mamografia, sempre com acompanhamento
médico.
PORTAL G1
Médicos
sugerem ultrassom como anticoncepcional masculino
Experimento
norte-americano reduziu número de espermatozoides
em ratos. Segurança e duração da técnica
ainda são entraves para aplicação clínica
Os aparelhos de ultrassom podem servir como anticoncepcionais
para homens, segundo um estudo feito por cientistas norte-americanos
da Faculdade de Medicina na Universidade da Carolina do Norte.
Embora a
técnica ainda não exista para humanos,
pelo menos em ratos ela já se mostrou eficiente, de acordo
com o trabalho coordenado pelo médico James Tsuruta e
publicado na revista norte-americana de livre acesso "Biologia
Reprodutiva e Endocrinologia".
A equipe
já divulgou estudos anteriores a possibilidade
de usar utrassom como método contraceptivo.
Ao passar
um equipamento de ultrassom de alta frequência
(com 3 MHz) ao redor dos testículos dos ratos, a equipe
conseguiu diminuir a produção das células
germinativas. Ratos conseguem manter a fertilidade mesmo com
contagens baixas de espermatozoides, mas essa redução
em humanos poderia levar à infertilidade em homens.
A Organização Mundial da Saúde afirma que
um sêmen com baixa concentração (oligospermia)
tem menos de 15 milhões de espermatozoides por mililitro.
Quase todos os homens saudáveis (95%) geram mais de 40
milhões de espermatozoides por mililitro.
Os melhores
resultados foram obtidos com duas sessões
de 15 minutos cada de ultrassom, aplicadas de dois em dois dias.
Uma solução salina foi usada para conduzir as ondas
ultrassônicas entre o aparelho e a pele dos ratos, que
tiveram seus testículos aquecidos a 37 graus Celsius.
A equipe
afirma que são necessários mais testes
para determinar a duração do efeito contraceptivo
e, especialmente, se a técnica pode trazer mal à saúde
caso utilizada seguidas vezes em humanos.
PORTAL UOL
Doenças parasitárias serão
tratadas em massa
O Brasil
vai mudar a estratégia de tratamento de três
doenças negligenciadas, mas ainda presentes: tracoma,
helmintíases e esquistossomose. A partir deste ano, populações
de áreas onde as infecções parasitárias
têm alta prevalência passarão a ser tratadas
em massa - a medicação será oferecida a
todos os que estão em risco, independentemente de um exame
confirmar a contaminação. O tracoma, transmitido
por bactéria, terá combate acelerado.
Crianças com esquistossomose e helmintíases têm
maior risco de anemia e comprovadamente apresentam menor aproveitamento
escolar. O tracoma, por sua vez, quando não é tratado
pode levar à cegueira. A concessão de recursos
extraordinários também foi feita para hanseníase.
Essas doenças estão associadas à baixa
cobertura de saneamento básico, de abastecimento de água
e à pobreza. Por isso, o argumento prevalente era o de
que não adiantaria dar medicamento se problemas estruturais
não fossem resolvidos. “Isso gera imobilismo. E
há uma questão ética: o remédio é barato,
eficaz, está disponível. A oferta tem de ser facilitada”,
diz o secretário de Vigilância do Ministério
da Saúde, Jarbas Barbosa.
Helmintíases, esquistossomose e tracoma estão
localizadas sobretudo no Norte e Nordeste. Embora os números
nacionais não sejam expressivos, nos locais em que tais
doenças são encontradas a prevalência entre
a população é bastante expressiva: algumas
parasitoses chegam a atingir 70% do grupo avaliado.
Domingo, 29.01.2012
FOLHA DE S. PAULO
Reversão da "fuga de cérebros" traz
médicos de volta ao país
Expansão de hospitais privados e aumento das verbas para
pesquisa no Brasil impulsionam retorno. Na última década,
verbas para pesquisa e desenvolvimento caíram 20% nos
Estados Unidos
Cláudia
Collucci
Tradicional
exportador de cérebros, o Brasil começa
a receber de volta médicos e pesquisadores que deixaram
o país em busca de melhores condições de
trabalho, consolidaram carreiras no exterior e agora retornam
motivados pelo crescimento da economia brasileira e o aumento
de verbas para pesquisa.
A expansão de hospitais privados -só em São
Paulo, os investimentos são na ordem de R$ 2,7 bilhões
nos próximos cinco anos- também tem atraído
esses profissionais de volta.
Não há dados sobre a reversão da fuga de
cérebros brasileiros, mas tanto o CNPq (Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) quanto
a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de São Paulo) confirmam a tendência.
A Folha conversou
com quatro médicos que estão
voltando (ou já retornaram) ao país, após
anos trabalhando em instituições americanas, como
o NIH (Institutos Nacionais de Saúde) e a Universidade
de Pittsburgh (leia textos nesta página).
Na última década, os investimentos em pesquisa
e desenvolvimento no país passaram de R$ 26,3 bilhões
(em 2000) para R$ 43,7 bilhões (em 2010), segundo o MCTI
(Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação).
O valor representa
1,19% do PIB brasileiro, quase o dobro da média de outros países da América Latina.
Mesmo assim, o país não atingiu a meta estabelecida
pelo governo de ter investido 1,5% do PIB em pesquisa até 2010.
No mesmo
período, o orçamento dos Estados americanos
para ciência caiu 20%. "Está muito difícil
obter financiamento para pesquisa nos EUA", diz o professor
da USP Rodrigo Calado, que trabalhou nove anos no NIH e retornou
ao Brasil.
"Temos atraído não só pesquisadores
brasileiros que estão no exterior e querem voltar como
estrangeiros que procuram o país para desenvolver projetos",
afirma Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico
da Fapesp.
Artigo publicado
em 2011 na revista "The Economist" coloca
o Brasil como líder internacional em pesquisa em medicina
tropical e sugere que o país é um destino promissor
para pesquisadores do mundo todo. Diz o título: "Go
south, young scientist" (vá para o sul, jovem cientista).
Desde 2003,
o Ministério da Saúde tem destinado
recursos a linhas de pesquisa relacionadas às doenças "negligenciadas",
também chamadas de doenças infecciosas da pobreza
(como dengue, doença de Chagas e malária). O Brasil
está no topo da lista de países que financiam pesquisas
em dengue, por exemplo.
Mas nem tudo é festa. A burocracia ainda emperra os projetos
de pesquisa. "Tem um aparelho que estou tentando comprar
desde outubro, que já foi aprovado pela Fapesp, mas que
a papelada ficou parada em alguma mesa, à espera de algum
carimbo", diz Rodrigo Calado.
FOLHA DE S. PAULO
"Aqui tem verba para pesquisa em novas áreas"
Foi uma bolsa
de dois anos do CNPq que possibilitou ao cirurgião
do aparelho digestivo Ruy Cruz Júnior, 41, fazer seu pós-doutorado
na Universidade de Pittsburgh (EUA).
Quatro anos
depois, em 2006, após intenso treinamento
na área de transplantes, ele conseguiu uma vaga de professor-assistente
na mesma universidade.
No final
de fevereiro, Cruz Júnior retorna ao Brasil,
onde integrará o grupo de transplante multivisceral do
Hospital das Clínicas de São Paulo. Volta casado
com uma enfermeira americana.
Segundo ele,
a intenção é continuar
a parceria com a universidade americana.
"Vim para os Estados Unidos para treinar e, algum dia,
voltar para o Brasil. Nunca foi meu sonho morar aqui para sempre",
diz ele.
Cruz Júnior acredita ser o momento propício para
o retorno de pesquisadores brasileiros. "Tem verba para
pesquisa e novas áreas médicas estão sendo
valorizadas."
FOLHA DE S. PAULO
"Em
breve, Brasil vai competir com EUA e Europa"
Após concluir a residência médica em um
hospital em Miami, em 1997, o hematologista Phillip Scheinberg,
41, foi convidado para ficar. Quatro anos depois, o seu endereço
de trabalho já era o NIH, na área de pesquisa clínica
e laboratorial.
Tornou-se
responsável pelo desenvolvimento de protocolos
de pesquisa na área de falência medular. "Os
americanos vão te dando corda, seu nome começa
a aparecer e você não consegue parar mais. É um
'miniópio'", brinca.
Nos últimos cinco anos, publicou mais de 50 artigos em
periódicos de renome, entre eles o "Jama".
No início do mês, Scheinberg passou a chefiar o
serviço de hematologia do Hospital São José.
Também continua dedicado à pesquisa médica. "Em
breve, o Brasil estará competindo com os EUA, a Europa
e o Japão. Quero ajudar nisso."
FOLHA DE S. PAULO
"Farei mais diferença
no Nordeste"
O imunologista
João Bosco Oliveira Filho diz que foi
contagiado pelo vírus da pesquisa em 2003, quando estagiou
no NIH (j por três anos. Depois disso, atuou com o professor
na USP, e em 2008 decidiu voltar ao EUA, dessa vez, como pesquisador
contratado do NIH.
Agora, está prestes a terminar o primeiro sequenciamento
genético de um brasileiro. "Isso será importante
para saber como as nossas mutações se comportam.
A maioria da pesquisa genética que prediz riscos de doenças é feita
em população europeia, americana ou japonesa",
diz ele.
Formado pela
Universidade Estadual de Pernambuco, Bosco retorna em maio
para Recife,
sua terra natal, com três projetos:
atuar em uma instituição filantrópica que
atende crianças com defeitos de imunidade, orientar doutorandos
na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e abrir seu próprio
negócio, um laboratório privado de genômica
que fará diagnóstico de doenças raras. "Acho
que vou fazer mais diferença no Nordeste do que no Sudeste."
CORREIO BRAZILIENSE
Nova linha de ataque ao Parkinson
Estudo de
instituto norte-americano descobre o papel de uma determinada
proteína na intensificação dos
sintomas da doença. O achado faz com que cientistas sonhem
com uma droga que bloqueie a substância e ajude a combater
o mal
Thais de Luna
O mal de
Parkinson é uma doença neurodegenerativa,
cujas principais características foram descritas pela
primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson.
O problema de saúde, que acomete aproximadamente 10 milhões
de pessoas - entre elas o ex-lutador de boxe Muhammad Ali e o
ator Michael J. Fox - no mundo, tem como sintomas tremores, rigidez
muscular e redução da quantidade de movimentos
feitos pela pessoa, que se tornam mais lentos. Pesquisadores
do Instituto Gladstone, organização norte-americana
sem fins lucrativos de estudos biomédicos, identificaram
uma proteína que intensifica os sintomas da doença.
Essa descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos
contra o mal, destinados a bloquear a proteína. Isso representa
uma nova esperança para quem tem a vida afetada duramente
pelos distúrbios motores decorrentes da enfermidade.
A pesquisa,
publicada esta semana na edição on-line
da revista científica Neuron, apresenta a proteína
RGS4, que ajuda a regular a atividade dos neurônios no
estriado, parte do cérebro ligada aos movimentos. Em pessoas
com o mal de Parkinson, entretanto, a proteína agiria
fazendo o contrário, contribuindo para problemas de controle
motor. Uma das autoras do estudo, a especialista em neurociência
Talia Lerner, que integrou a equipe do instituto enquanto terminava
os estudos na Universidade da Califórnia em São
Francisco (UFSC), detalhou ao Correio como foi desenvolvido o
trabalho. "Dissecamos os mecanismos moleculares pelos quais
as sinapses - ligações entre os neurônios
- no estriado mudam sua força de acordo com o estímulo
que recebem. Observamos particularmente a reação
chamada depressão de longo prazo (LTD), em que as conexões
reduzem a intensidade", explicou. "Mas o aspecto mais
importante desse trabalho foi identificar que a RGS4 é a
ligação-chave entre o neurotransmissor dopamina
e a reação LTD no estriado." Nas pessoas com
a doença, os neurônios com dopamina morrem e, consequentemente,
há menos quantidade do neurotransmissor no estriado.
Quando notaram
que uma das ações da dopamina no
cérebro é reduzir a atividade da proteína
para que as conexões neurais ocorram mais vagarosamente,
os pesquisadores pensaram que, se pudessem diminuir a RGS4 com
outro mecanismo, fariam o estriado funcionar normalmente - mesmo
sem a presença do neurotransmissor. "Para testarmos
essa hipótese, usamos dois grupos de ratos, um com a proteína
normal e outro geneticamente modificado para não ter a
RGS4. Tratamos ambos os grupos com um composto químico
que mata os neurônios com dopamina", descreve Talia.
Os resultados
mostraram que os ratos sem a proteína,
mesmo após a morte dos neurônios, se saíram
melhor em atividades que requeriam habilidades motoras do que
os que estavam com a RGS4 intacta. "Os ratos geneticamente
modificados conseguiram se movimentar mais livremente em uma área
aberta e se saíram muito melhor em um teste de coordenação
motora no qual tinham que andar em uma passarela de equilíbrio",
recorda a neurocientista.
Tratamento
Atualmente, a base do tratamento do mal de Parkinson é o
uso de substâncias que estimulam a dopamina no cérebro,
como explica o neurologista Hudson Mourão Mesquita, especialista
em reabilitação de pacientes com problemas neurológicos. "Para
evitar complicações inerentes à falta de
mobilidade, essas pessoas também fazem atividades físicas
e fisioterapia. Outra opção é a cirurgia
funcional", cita. "Infelizmente, todas essas medidas
são paliativas e a doença continua a evoluir."
O neurologista
João Carlos Papaterra Limongi, especialista
em distúrbios do movimento e membro da Academia Brasileira
de Neurologia (ABN), conta que a levodopa é a droga mais
eficaz no alívio dos sintomas da doença, mas que,
por ser muito forte, alguns médicos preferem evitá-la
no início do tratamento. "Nos primeiros cinco anos,
quando ainda existem células cerebrais capazes de funcionar
como "depósitos" e armazenar a dopamina produzida
pela levodopa, cada dose pode ser eficaz durante mais de seis
horas, de modo que duas a três doses por dia sejam o suficiente
para controlar as características da patologia. Após
esse período, muitos pacientes começam a experimentar
complicações da terapia", destaca o médico.
A expectativa
de Talia e de sua equipe é de que a pesquisa
leve ao desenvolvimento de novos tratamentos. "Nossos resultados
indicam que drogas que inibam a RGS4 podem ser muito úteis",
afirma. Além disso, como o estudo aborda a função
do estriado como um todo, os cientistas estimam que ele possa
ter impacto na compreensão de outras enfermidades relacionadas,
como a doença de Huntington e a distonia.
Para Mesquita,
saber o papel crucial dessa proteína abre
uma nova linha de ataque à doença. "Desse
modo, poderão surgir novos medicamentos que, sozinhos
ou associados aos existentes, poderão melhorar a qualidade
de vida dos pacientes e diminuir os efeitos colaterais do uso
crônico dos remédios tradicionais", estima.
Ele pondera, no entanto, que esse próximo passo ainda
não é a cura do problema. "O Parkinson e o
Alzheimer são as doenças neurológicas degenerativas
mais frequentes na sociedade ocidental e, com o envelhecimento
da população, serão cada dia mais comuns.
Por isso, qualquer avanço no tratamento terá um
impacto muito grande na saúde pública internacional",
garante.
Distúrbios neurológicos
A doença de Huntington é um distúrbio neurológico
hereditário em que a pessoa tem problemas mentais e motores. É caracterizada
por movimentos involuntários e irregulares do paciente,
pelo emagrecimento intenso, pelo envelhecimento precoce e pela
perda cognitiva. Cerca de metade dos que sofrem com o problema
têm rigidez muscular, movimentos mais lentos, dificuldades
para articular palavras e engolir alimentos. Já a distonia
tem como características os espasmos musculares, que causam
movimentos e posturas anormais. Eles podem afetar uma parte específica
do corpo, como as mãos e o pescoço, ou mesmo todo
o corpo. Nos casos mais graves, o paciente precisa de ajuda para
executar a maioria das atividades do dia a dia.
FOLHA DE S. PAULO
Remédios
ineficazes
Quando remédios são adquiridos pelas autoridades
sanitárias para distribuição à população,
testes prévios atestam a sua qualidade. Mas vencida a
concorrência, sempre pelo menor preço, há dificuldades
para o controle de qualidade do produto.
No último número de "Ciência e Saúde
Coletiva", as farmacêuticas Mariana Bianchin e Irene
Guerreiro, da UFRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul),
e Carina Blatt e Alessandra Soares, da UFSC (Universidade do
Sul de Santa Catarina), explicam o problema.
Para as autoras,
a municipalização de gestão
da assistência farmacêutica trouxe dificuldades à operacionalização
dos remédios. Em consequência, é mínimo
o monitoramento permanente dos produtos adquiridos.
Ao efetuar
testes de qualidade em remédios para hipertensão
(Enalapril 10 mg e Propanolol 40 mg), reprovaram mais de 50%
dos lotes examinados ao longo de um ano.
No caso de
remédios para doenças crônicas,
com princípio ativo abaixo da necessária concentração
para o tratamento, pode surgir risco de vida para o paciente.
Não é a primeira vez que problemas de qualidade
são detectados em remédios. Em 2002, a Anvisa verificou
que 32% das reclamações de médicos e farmacêuticos
eram devidas à ineficácia terapêutica dos
medicamentos.
CORREIO BRAZILIENSE
Uma pausa no estresse
Deitado sobre
um colchonete, o desafio é concentrar-se
em cada parte do corpo, dos dedos dos pés até o
ouvido. "Há quanto tempo eu não pensava no
meu próprio pé?", alguém observa. Preste
atenção no seu corpo e, em hipótese alguma,
se esforce em esvaziar a mente. O exercício é de
meditação, mas o propósito, segundo dita
a prática budista da plena atenção, é focar
no presente, no seu corpo e na sua vida, ao contrário
de simplesmente esquecê-los. Para além de uma realidade
mais zen e de qualquer religião, os que ali se encontram
têm um objetivo bem mais prático: diminuir o estresse
e amenizar o que ele faz ao corpo.
A meditação da plena atenção é uma
prática oriental milenar que vem ganhando força
em consultórios médicos, clínicas de reabilitação,
hospitais e casas de meditação. Conquistou até os
mais céticos dos estressados. O responsável pela
tomada da prática meditativa pela ciência e pela
medicina integrativa foi o neurocientista norte-americano Jon
Kabat-Zinn, quando, na década de 1970, elaborou o que
ficou conhecido como Programa de Redução de Estresse
da Plena Atenção (MBSR, na siga em inglês).
São 8 semanas de aulas de meditação que
prometem reduzir o estresse, aumentar a qualidade de vida e,
se aliado a tratamentos médicos, amenizar sintomas físicos,
como a dor. Há quem consiga até diminuir a dose
dos medicamentos ou, no caso da diabetes, por exemplo, em que
o estado emocional influencia nos níveis de insulina,
manter a doença, relativamente, sob controle.
"O que muda é a forma de reagir a um estímulo
estressante. E o essencial é que cada um descubra os seus
pontos fracos no processo", explica a psicóloga Ângela
Lins, da equipe responsável pelo programa na Sociedade
Vipassana de Meditação, em Brasília. Na
prática é como se, frente a situações
de estresse - de uma fechada no trânsito a uma notícia
ruim dada pelo médico -, você conseguisse parar,
respirar e aceitar antes de xingar o barbeiro ou descabelar-se
pelos dias de sofrimento que ainda virão. Além
disso, como a técnica consiste basicamente em voltar-se
para si mesmo, a tendência é aumentar o autoconhecimento,
ajudando cada um a identificar as raízes do mau humor
e da fragilidade emocional.
A proposta
parece viajante, mas a ciência já dá suporte
suficiente ao programa de Kabat-Zinn. Tanto que, lá fora,
ele é usado em mais de 250 clínicas médicas
e aceito por grande parte dos planos de saúde. "É uma
forma de economia. Menos estressadas, as pessoas adoecem menos",
analisa Régis Guimarães, professor de meditação
e colega de Ângela na Vipassana. Aqui, no Brasil, no entanto,
meditar contra o estresse ainda é raro. "Ainda existe
um certo preconceito e as pessoas tendem a confundir com medicina
alternativa ou com algo de cunho religioso. Mesmo os médicos
mais abertos têm receio de serem mal interpretados por
seus pacientes", acredita Régis.
CORREIO BRAZILIENSE
Com
o aval da ciência
Em São Paulo, o Hospital Albert Einstein mantém
um grupo de profissionais que aplica o MBSR nos pacientes em
tratamento de câncer - uma prova de que a medicina reconhece
que o estado emocional dos pacientes faz diferença no
tratamento. "Os resultados são notáveis. Eles
estão diagnosticados e recebendo o melhor que a medicina
pode oferecer. O programa ajuda a entender o que eles podem fazer
por si mesmos nesse momento. Não adianta tentar descobrir
o porquê da doença nem se preocupar com o prognóstico.
Eles precisam estar atentos ao hoje", diz o cirurgião
Paulo de Tarso Lima, especialista em medicina integrativa e líder
da equipe do Albert Einstein.
Até o trabalho dos médicos fica mais fácil
quando o paciente tem um treinamento em meditação. "Tem
gente que chega ao consultório e não sabe nem dizer
o que sente. Mas a gente percebe que quem passa pelo programa
aponta exatamente qual é a sensação que
incomoda." Pacientes internados em Unidades de Tratamento
Intensivo ou já debilitados pela doença recebem
uma versão adaptada do programa - em vez dos tradicionais
oito dias, o treino é reduzido a dois ou três.
Um estudo
comparativo, conduzido desde 1993 pela equipe de Kabat-Zinn
com 2,5 mil
pacientes distribuídos em 150 programas MBSR,
observou que 97% deles relataram conseguir lidar melhor com o
estresse; 84% disseram estar com a saúde melhor e 95%
se mostraram mais atentos com a própria saúde.
Muitos pararam de fumar e de beber e mudaram a alimentação.
Pesquisas similares mostraram reduções nos níveis
de dor, como uma publicada no Journal of Beahvioral Medicine,
que mostrou que 44% dos pacientes que sofriam com dor crônica
diminuíram o uso de remédios e 28% os abandonaram.
A mais recente
pesquisa, aplicada por uma equipe de pesquisadores do centro
de psiquiatria
do Hospital Geral de Massachussets,
EUA, foi publicada no início de 2011 no periódico
Psychiatry Research: Neuroimaging. A equipe de estudiosos avaliou
16 voluntários e um grupo de controle formado por outras
16 pessoas. A conclusão? Meditar um pouquinho por dia
durante as oito semanas propostas pelo programa da Plena Atenção
não só traz bem-estar, como parece aumentar a espessura
do córtex cerebral e do hipocampo - área do cérebro
ligada ao aprendizado, à memória e à introspecção.
O resultado foi aferido na comparação entre imagens
dos cérebros dos participantes duas semanas antes do início
do programa e duas depois do seu término. "Embora
a prática da meditação esteja associada
a uma sensação de relaxamento físico, os
praticantes também percebem benefícios cognitivos
e psicológicos que permanecem mesmo a longo prazo",
disse Lazar à imprensa.
De
volta à vida
Para a servidora
pública Mônica (nome fictício
a pedido da entrevistada), o programa de redução
do estresse teve um significado bem maior do que apenas combater
os aborrecimentos da rotina. Ela se recuperava de uma depressão
profunda, consequência de um estresse pós-traumático
ocorrido no ambiente de trabalho, e não conseguia se adequar à medicação
receitada pelo médico. Afastada do emprego há mais
de um ano, vivia trancada em casa, incomodava-se mesmo com os
barulhos mais rotineiros, como o da água que rega a grama
no jardim da quadra, e não suportava aglomerações.
A ordem veio do terapeuta. Ir todas as semanas ao curso significava
não apenas quebrar um preconceito - "achava que era
uma coisa "paz e amor" demais" -, mas vencer o
medo de sair à rua e enfrentar pessoas novas e, até então,
desconhecidas.
A meditação se mostrou um remédio poderoso
para Mônica. Em casa, os filhos e o marido perceberam a
mudança no humor: a tolerância aumentou e as janelas
abertas deixaram de ser motivo de briga. Ela, finalmente, se
entendeu com a dosagem dos medicamentos e, o mais importante,
voltou a trabalhar, embora num ritmo mais lento. "Eu ficava
frustrada se não conseguia cumprir alguma tarefa no trabalho
ou em casa. Agora, passei a respeitar os meus limites e a me
concentrar em uma coisa de cada vez. Antes, eu queria fazer tudo
e não fazia nada", resume.
A depressão, aprofundada por um processo difícil
de separação, também foi o empurrãozinho
que fazia, todas as semanas, a professora Elisabete Menezes,
42 anos, sair de Taguatinga e ir ao Plano Piloto em busca de
tratamento. São muitos os que procuram o MBSR como forma
de aliviar os sintomas desse mal. "Só assim consegui
entender o que estava acontecendo. Percebi que o problema não é dos
outros e que, se alguém precisa mudar e se adaptar, sou
eu", conclui, recuperada do turbilhão.
TRIBUNA DO PLANALTO
Emergência
reestruturada
Os problemas
do Hospital de Urgências de Goiânia
(Hugo) escancaram a necessidade de políticas públicas
a favor da saúde do Estado de Goiás. Sua estrutura
física está comprometida, com elevadores estragados,
parte elétrica desgastada, problemas de infiltração
e encanação entupida. Além disso, há falta
de medicamentos, equipamentos precários e falhas no sistema
de limpeza.
Por estes
e mais alguns motivos de extrema urgência, o
Hugo receberá apoio para ação estratégica
da SOS Emergência, implementada pelo governo federal desde
novembro do ano passado. A secretaria vai utilizar a verba de
R$ 6 milhões, repassada pelo Ministério da Saúde,
para a reforma do hospital e melhorias no atendimento do Sistema Único
de Saúde (SUS).
O ministro
da saúde, Alexandre Padilha, lançou
o programa em Goiânia na quarta-feira, 25. Segundo ele,
o SOS Emergência deverá funcionar articulado com
os demais serviços de urgência. "Estamos preparados
e prontos para dar melhor atendimento à população
que depende do SUS. Mapeamos as principais urgências de
Goiás, pela importância do hospital para a população."
Já foram liberados R$ 200 mil para a constituição
do núcleo de acesso e qualidade hospitalar, que irá identificar
as principais necessidades do hospital. O núcleo será composto
por representantes das secretarias de Estado de Saúde
de Goiás, Municipal de Goiânia, servidores do Hugo
e do Ministério da Saúde. Os demais repasses serão
liberados no andamento do projeto.
O ministro
também anunciou a criação de
uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) específica para
o atendimento de pacientes que sofreram derrame ou isquemia cerebral.
Os recursos vão garantir a criação de um
sistema informatizado. "Entrando nesse programa, o hospital
passa a ter o acompanhamento do agendamento, do tempo de espera
do atendimento, de quanto tempo as pessoas ficam em leitos inadequados."
De acordo
com a diretora geral do Hugo, Ivânia Fernandes,
dentre os principais desafios do SOS Emergências, a adequação
da infraestrutura para melhoria da qualidade na assistência é o
que requer o trabalho mais pesado. Além disso, há ainda
os problemas de capacitação e qualificação
da gestão hospitalar, adequação das condições
de trabalho e fortalecimento da rede estrutural de urgências
e emergências.
Já o secretário de saúde do estado, Antônio
Faleiros, afirma que o governo estadual deverá complementar
o valor para reformar o hospital, que tem previsão de
custo total de R$ 9 milhões. "O Hugo foi construído
há 22 anos e ainda não foi feita nenhuma reforma." lembrou.
Melhorias
Para qualificar
a assistência, serão adotadas medidas
como o acolhimento e classificação de risco dos
pacientes. Logo ao entrar no hospital, o paciente será acolhido
por uma equipe que definirá o seu nível de gravidade
e o encaminhará ao atendimento específico de que
necessita.
O programa
prevê a qualificação de profissionais
e ampliação do atendimento, além da reforma
predial e das redes elétrica e hidráulica e manutenção
de equipamentos. "Os problemas de infraestrutura problematizam
as urgentes mudanças no Hugo", afirma o ministro.
No projeto,
há previsão de organização
de leitos, fluxo de internação e a implantação
de protocolos clínico-assistenciais e administrativos.
Segundo Padilha, o hospital deve-se adequar ao aumento da população. "O
sistema de saúde do Hospital não consegue acompanhar
o aumento da população de Goiânia e de Goiás."
E as parcerias
também fazem parte do projeto do Ministério
da Saúde. Será firmada a ajuda mutua com os Hospitais
de Excelência no Brasil, como o Sírio Libanês,
Albert Einstein, Hospital do Coração, Samaritano
e com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into)
para ampliar a qualidade do atendimento realizado.
Ainda existem
as contribuições na comunicação
entre médicos e funcionários. Será por meio
do Telessaúde, ferramenta de comunicação
a distância que presta teleconsultoria e segunda opinião
médica, além discussão de casos com equipe
multiprofissional. O S.O.S Emergências funcionará articulado
com os demais serviços de urgência e emergência
que compõem a Rede Saúde Toda Hora.
Esses serviços englobam o SAMU 192, UPAS 24 horas, Salas
de Estabilização e serviços da Atenção
Básica e Melhor em Casa. "Sabemos que ofertar o alívio
imediato ao sofrimento pode ser decisivo para a vida da pessoa
e, por isso, essa é uma ação inovadora",
afirmou o ministro.
Primeira reforma estrutural em 21 anos
O Hospital
de Urgência do Estado de Goias (Hugo) foi construído
em 1989 e nunca houve nenhuma reforma em sua estrutura física.
De lá para cá, Goiânia cresceu, assim como
todo o estado. Ele continua sendo o maior hospital de urgências
do Centro-Oeste, mas sua infraestrutura está comprometida
e danificada.
Os médicos sofrem com falta de luvas cirúrgicas,
fios para sutura e até água para lavar as mãos.
Na visita do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, houve
problema de encanamento e pacientes não puderam fazer
exames de raio-X, sendo encaminhados de volta para casa.
A assessoria
de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde
informou que o problema já foi solucionado. "A interrupção
de água no Hugo já foi restabelecida, após
reparo na tubulação. O problema foi pontual e resolvido."
O ministro
disse que os recursos liberados para o Hugo vão
possibilitar reforma na parte hidráulica. "O Hugo
existe há 21 anos e nenhuma reforma mais estruturante
foi feita. Por isso, o SOS Emergência chega para ajudar
o governo nas reformas necessárias."
O Hugo é um dos 11 hospitais que integram a estratégia
de qualificar as portas de entrada das urgências no país.
A iniciativa integra a Rede Saúde Toda Hora e tem início
em mais 10 hospitais de grande porte, localizados em oito capitais, à exemplo
de Fortaleza, Brasília e São Paulo.
Os hospitais
selecionados são referências regionais,
possuem mais de 100 leitos, tem pronto-socorro e realizam grande
número diário de internações e atendimentos
ambulatoriais. "Sabemos que ofertar o alívio imediato
ao sofrimento pode ser decisivo para a vida da pessoa e, por
isso, essa é uma ação inovadora.",
afirmou o ministro.
Essas mudanças emergenciais no Hugo sofreram total influência
das reivindicações do Conselho Regional de Medicina
de Goiás (Cremego). A entidade estabeleceu alguns prazos
para que regularize a situação de descaso com os
pacientes do hospital. Segundo o Cremego, foram encontradas várias
irregularidades no hospital.
Além da falta de médicos e escassez de materiais,
a única porta com proteção contra radiação
para fazer exames em raio-X está danificada. Caso as mudanças
não sejam cumpridas, o Conselho ameaça uma interdição ética
no hospital, que é quando um médico deixa de atender
um paciente alegando falta de condições adequadas
para prestar o socorro.
Hugo 2
Algumas medidas
do governo estadual também foram propostas
para solucionar os problemas. A agilização para
as compras de remédios e a contratação de
serviços de manutenção para a área
da saúde são alguns das soluções
ofertadas.
Outra medida é a construção do Hugo 2 e
a reforma do Materno Infantil prevista para julho de 2012. A
grande mudança será a contratação
das organizações sociais. Uma delas irá responder
por todos os exames e as outras irão assumir a gestão
dos hospitais.
Hugo
em números
Área: 28.541 m2 * Leitos SUS: 236 * UTIs: 48 * Atendimentos
ambulatoriais de Janeiro a Novembro de 2011: 24.031 * Internações
de Janeiro a Novembro de 2011: 15.349
Maternidade Dona Iris
Na visita
do ministro para o lançamento do SOS Emergências,
Alexandre Padilha visitou as obras da Maternidade Dona Íris,
na Vila Redenção. Ele anunciou a assinatura da
portaria que libera R$ 9 milhões para a aquisição
de equipamentos para a Maternidade, que atenderá pelo
Sistema Único de Saúde (SUS).
Com investimento
total de R$ 25 milhões, a expectativa
da Secretaria Municipal de Saúde é inaugurar a
Maternidade até abril deste ano. As obras começaram
há um ano e meio. A Maternidade Dona Iris foi construída
em 1969, durante administração do então
prefeito de Goiânia, Iris Rezende.
Após quase 40 anos de funcionamento, a instituição
foi fechada em 2008, devido ao desgaste das instalações
para atendimento médico. Em 2009, o governo do Estado
de Goiás condicionou a administração da
unidade ao município de Goiânia. Para aperfeiçoar
a prática obstétrica na capital, a Prefeitura de
Goiânia investe R$ 35 milhões na construção
e na aquisição de equipamentos.
Sábado,
28.01.2012
DIÁRIO
CATARINENSE
Nova
promessa contra o câncer de mama
Uma droga
ainda experimental promete aumentar em 11% a chance de sobrevida.
O resultado
de uma pesquisa comandada por especialistas
de diferentes países, entre eles brasileiros, aponta para
o que pode vir a ser um grande avanço no combate a um
dos tipos mais agressivos de câncer de mama.
Uma droga
ainda experimental, batizada de pertuzumabe, aumentou o controle
da doença já em fase disseminada, diminuindo
em 11% as recidivas e elevando o tempo de sobrevida das mulheres
avaliadas. Trata-se de um novo anticorpo que, combinado a outro
já utilizado e à quimioterapia, ataca diretamente
a proteína responsável pelo crescimento do tumor
tipo HER2 positivo.
À medida que a evolução do tumor é bloqueada,
as células cancerosas entram em uma espécie de
morte programada, ou seja, deixam de se renovar e acabam morrendo
(processo conhecido como apoptose). O HER2 representa até 25%
dos casos de câncer de mama. O pertuzumabe está no
grupo dos chamados remédios inteligentes, desenvolvidos
por meio de técnicas modernas de bioinformática,
que já existem para o tratamento de certos tipos de câncer
ou de infecções, como pelo vírus Influenza.
O estudo,
intitulado Cleopatra e apresentado durante um congresso na
cidade de San
Antonio, no Texas (Estados Unidos), contou com
a participação de 808 pacientes em países
da América, da Ásia e da Europa. No Brasil, foram
99 mulheres 22 delas analisadas no Hospital Conceição,
em Porto Alegre. Um outro grupo também foi avaliado no
Hospital de Clínicas e no Grupo Hospitalar Santa Casa.
Vice-presidente
nacional da Sociedade Brasileira de Mastologia, o médico José Luiz Pedrini é um dos coautores
da pesquisa. Ele explica que as mulheres participantes foram
divididas em dois grupos. O primeiro recebeu tratamento combinado
entre quimioterapia (Docetaxel), trastuzumabe (anticorpo já utilizado)
e pertuzumabe. O segundo grupo usou quimioterapia e trastuzumabe
que é o tratamento padrão atualmente e placebo.
As mulheres
que receberam as doses de pertuzumabe levaram cerca de 18 meses
e meio até que os tumores piorassem ou que
elas morressem. As que não receberam a nova droga tiveram
uma média de pouco mais de 12 meses até o agravamento
da doença.
Pela primeira
vez, em vários anos, se tem uma droga que é muito
ativa nesse tipo de tumor de mama. Em termos de doença
grave, é a maior notícia nos últimos cinco
anos comemora Pedrini.
O custo do
novo medicamento, entretanto, não deve ser
baixo. A estimativa é de que o tratamento custe US$ 10
mil por mês. Tampouco há a comprovação
de que ele leve à cura da doença. Conforme Pedrini,
uma nova pesquisa está sendo feita sobre o uso do novo
anticorpo ainda na fase inicial do câncer os primeiros
resultados apontam para desaparecimento do tumor na mama em 45%
dos casos, também quando combinados quimioterapia e os
dois anticorpos. Ao serem usados somente os dois anticorpos,
a doença sofreu remissão completa em 16,8% dos
casos, sinalizando no futuro o possível tratamento somente
com vacina.
Esse é o futuro do tratamento do câncer em geral.
Estamos chegando ao ponto de tornar uma doença que era
mortal em controlável, como aconteceu com a aids prevê Pedrini.
Segundo o
diretor do Instituto do Câncer do Hospital Mãe
de Deus e diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital
São Lucas da PUCRS, Carlos Barrios que também participou
do estudo , a droga será submetida, em breve, à aprovação
da Anvisa. Até 2013, o medicamento já estará disponível
nas farmácias brasileiras.
FOLHA DE S. PAULO
Terapia
com luz é testada
contra micose
Técnica desenvolvida na USP de São Carlos usa
luz azul sobre a unha tratada com um creme à base de açafrão.
Objetivo dos cientistas é aumentar a eficácia do
tratamento, que hoje é demorado e, muitas vezes, ineficaz
Mariana Versolato
Pesquisadores
do Instituto de Física da USP de São
Carlos estão testando a terapia fotodinâmica para
combater a insistente e quase imbatível micose de unha.
Dois protótipos de aparelhos foram desenvolvidos na USP,
cada um com um comprimento de onda específico. Também
foram testados dois medicamentos fotossensíveis, para
saber qual combinação de luz e remédio tem
mais eficácia.
Eles chegaram à conclusão de que a luz azul e
um remédio com curcuminoide, derivado do açafrão,
tiveram os melhores resultados. A técnica foi patenteada.
O objetivo é fazer parcerias com indústrias para
fabricar o aparelho e disponibilizar a terapia de forma acessível.
A explicação para os resultados positivos obtidos
até agora é que a combinação de luz
e medicamento fotossensível gera espécies reativas
de oxigênio que são tóxicas para os fungos.
Os pesquisadores
trataram 40 pessoas por seis meses em São
Paulo, começaram um novo grupo com outras 40 em São
Carlos e devem selecionar ainda mais pessoas em Ribeirão
Preto.
Do primeiro
grupo, em tratamento há mais tempo, dez conseguiram
se livrar da micose, segundo a farmacêutica Ana Paula da
Silva, que estuda o tratamento.
"A maioria dos pacientes que tratamos já testou
de tudo e os fungos estão resistentes ao remédio.
Alguns têm até 30 anos de lesão, e chegam
descrentes", conta.
Em pacientes
com micose em estágio inicial foram necessárias
seis sessões. Em casos mais graves, diz Silva, o problema
pode ser eliminado em menos de um ano.
Segundo a
farmacêutica, uma vantagem da terapia com luz é que
os micro-organismos não criam resistência, ao contrário
do tratamento com antifúngicos. "O remédio
oral é eficaz, mas pode causar danos no fígado.
Pessoas com problemas de imunidade não podem usá-lo."
Ela diz também que a terapia fotodinâmica existente
hoje é muito cara. Ainda não há expectativa
de preço nem do aparelho nem da sessão, mas a orientadora
do projeto, Natalia Mayumi Inada, diz que já é possível
afirmar que ele será mais barato do que as máquinas
usadas hoje.
Inada lembra
que o grupo já desenvolveu um aparelho para
tratar câncer de pele que custa R$ 15 mil (o importado
vale cerca de R$ 90 mil).
Mas, segundo
Ricardo Romiti, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia
e dermatologista
do Hospital das Clínicas
da USP, apesar de requerer acompanhamento para monitorar riscos
para o fígado, o medicamento via oral é bem tolerado.
"Muitos trabalhos mostram que o tratamento com luz é frustrante
porque a radiação não é suficiente
para matar os fungos."
Romiti diz
que soluções líquidas ou esmaltes
medicinais só funcionam em micose superficial ou inicial.
O dermatologista
afirma que o tratamento convencional é mesmo
demorado - leva de três a seis meses. Se a micose estiver
embaixo da unha ou começar na raiz dela, a cura é ainda
mais difícil.
"É frequente a pessoa se curar e depois se contaminar
de novo. Ou achar que está bem e interromper a terapia."
CORREIO BRAZILIENSE
O
perigo de coçar
os olhos
Muitas vezes,
o ato surge por reflexo, mas deve ser evitado a qualquer custo.
No
lugar de alívio, surgem os riscos
de desenvolvimento de problemas sérios, que vão
de uma conjuntivite bacteriana ao descolamento da retina
Rebeca Ramos
O simples
ato instintivo de levar os dedos aos olhos quando alguma coisa
os irrita é um péssimo hábito
e pode causar problemas. Coçá-los, então,
nem se fala. Primeiro, porque, assim como em qualquer parte do
corpo, quanto mais se esfrega, maior será a vontade de
coçar. Depois, como a estrutura do órgão é muito
delicada, a pressão exercida pelos dedos pode lesionar áreas
importantes, que, no futuro, facilitam o desenvolvimento até de
sérias doenças.
De acordo
com o oftalmologista do Visão Institutos Oftalmológicos
Associados Luiz Fernando Rabelo, há três fatores
que podem causar coceira nos olhos: ambientais, patológicos
e medicamentosos. No primeiro caso, o problema aparece quando
a temperatura está extrema - quanto mais quente e seco,
maior será a quantidade de poeira circulando na atmosfera.
O mesmo ocorre com a umidade, que aumenta a proliferação
de mofo. As causas patológicas têm relação
com as reações das pessoas diante das mudanças
climáticas, que podem desencadear rinites, bronquites
e sinusites, entre outras alergias. Os problemas originados por
medicamentos são provocados por eventuais efeitos colaterais. "Embora
todas sejam conjuntivites alérgicas, o diagnóstico
deve ser realizado em consulta e vai levar em conta o histórico
do paciente", explica o médico.
Instalada
a alergia, sintomas como lacrimejamento excessivo, vermelhidão, irritação, sensação
de areia, inchaço das pálpebras, ardência
e queimação mostram que há algo de errado
com os olhos. O médico afirma que, por mais que pareça
inevitável, jamais se deve levar os dedos aos olhos. O
melhor a fazer é lavar com água limpa e procurar
um especialista. "Coçar é pior, porque a mão é suja
e leva bactérias para os olhos, desenvolvendo a conjuntivite
bacteriana ou mesmo podendo machucá-los", ressalta.
Poeira, mofo
e umidade demais são determinantes para
que o desconforto da estudante Raquel Teixeira, 21 anos, comece.
Por sofrer de rinite alérgica, qualquer um desses fatores
contribui para que a jovem espirre, pisque em excesso, fique
com o nariz congestionado e os olhos cocem sem parar. "É irritante.
Fico incomodada nessas fases", diz. O problema de Raquel
a impede de usar algumas maquiagens e, em tempos de crise, ela
acorda com os olhos inchados. "Eu coço à noite
sem ver e, de manhã, estou com eles inchados e vermelhos",
conta.
Para evitar
o problema, Raquel mantém a casa e, principalmente,
o quarto sempre livres de poeira, utilizando produtos antimofo
e trocando as roupas de cama com frequência. "Também
lavo os olhos com soro fisiológico e faço compressa
com água gelada. Alivia bastante", descreve. A estudante
sempre utiliza um colírio lubrificante.
Complicação O oftalmologista Hilton Medeiros conta
que a alergia e a coceira facilitam o desenvolvimento do ceratocone,
doença caracterizada por um afinamento progressivo da
córnea. Originalmente de formato côncavo, quando
doente a córnea fica cada vez mais fina, mole e vai tomando
a forma de um cone. "Isso compromete a visão, e o
tratamento, às vezes, pode ser complicado", salienta.
O ceratocone é classificado em estágios moderado
ou severo e se manifesta por miopia e astigmatismo nos olhos.
Por isso, é comum que muitas pessoas tenham o mal sem
saber. Quando a doença evolui, contudo, o paciente pode
até perder a visão, que só irá ser
recobrada com a utilização de lentes de contato,
cirurgias e óculos. "Por isso, a insistência
para não coçar os olhos. Há muito tempo,
os especialistas já relacionam o surgimento do ceratocone
a pacientes alérgicos, pois esses têm histórico
de coçar os olhos demais", justifica.
Segundo o
médico, a pressão que o dedo faz nos
olhos muda a estrutura da córnea e da fibra ocular, deixando-a
mais elástica, e, com isso, aumenta a pressão.
E mesmo se expondo a esse risco, a pessoa que insiste em coçar
os olhos vai apenas fazê-lo ainda mais. O oftalmologista
explica que o ato estoura os mastócitos, células
responsáveis pelas reações alérgicas
que conduzem os leucócitos até a área afetada,
para criar uma vasodilatação. Essa ruptura libera
vitaminas que aumentam ainda mais a coceira. "É dessa
forma que os olhos ficam vermelhos e irritados. O ideal mesmo é não
coçar", salienta.
A securitária Akemi Kikuchi, 31 anos, sabe bem o mal
que esse ato aparentemente bobo pode causar. Certo dia, os olhos
começaram a arder e a coçar e, em pouco tempo,
estavam inchados e vermelhos. "Não sabia o que fazer.
Como uso lente, achei que não tinha limpado direito",
relata. Akemi foi ao médico e descobriu que estava com
conjuntivite bacteriana, mas não sabe direito o que causou. "Pode
ter sido coçando, ou realmente a lente estava infectada",
especula.
Conforme
o especialista Luiz Fernando Rabelo, os casos com coceira extrema
podem ocasionar
lesões mais sérias, desde úlcera
em escudo - tecido que nasce nos olhos e é tratado com
remoção e corticoides - até machucados na
retina. "Em casos mais graves ainda, pode levar, no futuro,
ao descolamento da retina", destaca.
Alívio
Quando a
coceira se instalar, vale utilizar compressas geladas, lavar
com soro
fisiológico ou colírios lubrificantes
ou colírios antialérgicos. São vários
no mercado. Eles são anti-histamínicos, que aliviam
a coceira e estabilizam a membrana dos mastócitos. Só o
médico, vale lembrar, pode prescrevê-los.
A conjuntivite
A alergia
sempre acomete os dois olhos. Um pode estar mais visível
que o outro, mas o problema está em ambos.
Na forma
alérgica, a coceira é mais
comum.
Secreções como remela clara ou amarelada são
mais recorrentes na versão infecciosa.
Conjuntivite
alérgica não é contagiosa.
Só a viral.
A forma viral
dura, no máximo, duas semanas. A alérgica,
quando não tratada, pode ultrapassar esse período.
Existem quatro
tipos de conjuntivite alérgica. São
elas: sazonal (sensibilidade a fatores externos climáticos),
vernal (associada a alergias sistêmicas), atópica
(tipo raro, está relacionada à asma e dermatites)
e papilar gigante (associada ao uso crônico de lentes ou
traumas).
FOLHA DE S. PAULO
Mulheres
com silicone PIP que vão processar Anvisa se
reúnem em SP
Grupo
de 25 pacientes vai entrar com ação coletiva
por indenização
A advogada
Soraya Casseb Barbosa reuniu ontem em Cotia (SP) quatro mulheres
de
um total de 25 que entrarão com uma
ação coletiva contra a Anvisa (Agência Nacional
de Vigilância Sanitária) na próxima semana.
Elas pedirão indenização por danos morais
e ressarcimento dos custos com a troca das próteses de
silicone defeituosas vendidas no país.
"Vamos pedir indenização pelo período
que elas ficaram sem trabalhar, pelos riscos da nova cirurgia,
pela nova cicatriz que terão e pelos prejuízos à saúde
física e psicológica", afirma Barbosa.
A ação contará com 25 mulheres -17 do Estado
de São Paulo, cinco de Santa Catarina, uma de Minas Gerais,
uma do Rio e uma brasileira que mora na Suíça.
Duas delas colocaram próteses de silicone da marca holandesa
Rofil e as outras usaram implantes PIP.
Barbosa afirma
que a decisão de processar a Anvisa foi
tomada porque o órgão foi o "primeiro culpado."
"Foi a Anvisa que deixou as próteses entrarem no
país. Se tivesse analisado pelo menos uma prótese,
teria tomado providências para evitar que tantas mulheres
usassem essas próteses."
Soraya é mulher do cirurgião André Luis
de Miranda Barbosa, que tem consultório em São
Paulo. O processo começou com um grupo de pacientes dele,
mas depois se expandiu.
A representante
de vendas Giselle Carotta, 37, é uma
das mulheres que participarão da ação coletiva.
Ela colocou as próteses PIP em 2002.
Por causa
das notícias sobre a marca no fim do ano passado,
fez uma mamografia que apontou um possível rompimento
em um dos seios. Para confirmar, ela vai fazer uma ressonância
magnética.
"O maior problema para nós é a falta de respeito
da Anvisa", afirma.
Barbosa diz
que vai pedir o "maior valor possível
de indenização". "É para servir
de alerta para a Vigilância."
Sexta-feira, 27.01.2012
ESTADÃO.COM.BR
Após polêmica,
governo retira de MP artigo que dificultaria aborto legal
Retificação de Medida Provisória que cria
cadastro de gestantes foi publicada no ‘Diário Oficial’
Lígia
Formenti
Depois da
polêmica com feministas e do mal-estar ocorrido
na reunião passada do Conselho Nacional de Saúde,
o governo federal decidiu retirar da Medida Provisória
que cria o cadastro de gestantes um artigo que fazia referência
aos direitos do nascituro. A retificação, que saiu
na sexta-feira, 27, no Diário Oficial da União,
ajudou a acalmar os ânimos, mas ainda não conseguiu
satisfazer os movimentos sociais.
"O ideal seria tirar toda MP", afirmou a coordenadora
executiva do movimento Católicas pelo Direito de Decidir,
Rosângela Talib. Um desfecho que o governo evita a todo
custo, de olho principalmente em preservar um dos benefícios
criados pela Medida Provisória - o auxílio de R$
50 para o deslocamento das gestantes até as consultas
de pré-natal e ao local em que será realizado o
parto. Como é ano eleitoral, a criação do
benefício não poderia ser proposta numa MP editada
agora.
A decisão de subtrair o ponto considerado mais polêmico
foi tomada pela Presidência da República a pedido
do Ministério da Saúde, informou o secretário
de Atenção da pasta, Helvécio Magalhães.
E foi anunciada pela presidente Dilma Rousseff na quinta-feira,
26, durante uma reunião com representantes de movimentos
sociais. "Ela acaba com um mal-entendido em torno do assunto",
disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Publicada
no dia 28 de dezembro, a MP determina a criação
de um banco de dados com informações sobre grávidas
e sobre atendimento prestado, principalmente àquelas consideradas
com gestação de risco. A ideia visa a melhorar
o acesso das gestantes à assistência de qualidade
e a responsabilizar diretores dos serviços por eventuais
falhas de atendimento.
Referência
Desde a sua
edição, movimentos sociais apontaram
falhas no dispositivo - todas encampadas pela maioria dos integrantes
do Conselho Nacional de Saúde. A primeira delas é a
referência ao direito ao nascituro - uma brecha, avaliam,
para que obstáculos sejam colocados à interrupção
da gravidez, mesmo nos casos previstos em lei.
Mesmo dentro
do governo, a inclusão do tema havia sido
criticada. "Pode parecer paranoia, mas não é",
afirmou Elizabete Saar, da Secretaria Especial de Políticas
para Mulheres, durante um relato pessoal feito na reunião
do conselho. Ela disse ainda considerar que o assunto deveria
ter sido melhor debatido, o que teria evitado um desgaste desnecessário
para o próprio governo.
A falta de
discussão sobre o assunto também foi
criticada por representantes dos movimentos sociais. E, sobretudo,
pelo fato de o texto ter sido editado no formato de Medida Provisória. "Foi
uma punhalada pelas costas", definiu a conselheira Lurdinha
Rodrigues, durante a reunião realizada na quarta-feira
passada.
Nessa reunião, o grupo tentou pedir a retirada total
da MP, mas foi convencido pelo ministro da Saúde, também
presidente do conselho, a adotar uma medida mais branda. Eles
decidiram criar um grupo de trabalho, com prazo de 15 dias para
avaliação do texto.
Avanço
Esse grupo
vai continuar a discussão, afirmou Jurema
Werneck, do Grupo Crioula. "O reconhecimento do erro foi
um avanço. A retirada do termo foi importante, mas isso
não invalida outros temas que precisam ser debatidos",
afirmou. Entre eles está a própria criação
do cadastro.
A ideia,
de acordo com Padilha, é inspirada numa iniciativa
realizada em Cuba para tentar reduzir a mortalidade. "Esse
banco não resolve o problema", afirmou Lígia
Bahia, representante no conselho da Associação
Brasileira de Saúde Coletiva. "Isso só vai
resolver quando estudantes de Medicina deixarem de fazer partos
sozinhos, quando houver assistência pré-natal de
qualidade, quando a mulher não precisar ouvir da equipe
médica que tem de voltar para casa porque ainda não
chegou a hora do parto ou peregrinar de hospital em hospital
para saber se há vagas de atendimento."
Miranda afirmou
que as conclusões do grupo de trabalho
poderão ser apresentadas num segundo momento para o relator
da MP.
PORTAL
DA SAÚDE
Saúde anuncia novas ações na gestão
de hospitais federais do Rio
Ministro
Alexandre Padilha suspende 37 contratos e cancela outros quatro
após auditoria do Denasus e da CGU em 99 contrações
firmadas de 2008 a 2010.
O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira
(27) mais uma etapa da reestruturação dos hospitais
federais do Rio de Janeiro. Serão suspensos, a partir
de publicação de portaria, 37 contratos de obras
e engenharia nos hospitais Andaraí, Lagoa, Ipanema, Cardoso
Fontes, Servidores do Estado e Bonsucesso. Também serão
cancelados de imediato quatro contratos de locação
de equipamentos de videocirurgia e endoscopias digestivas e respiratórias.
A determinação do ministro da Saúde, Alexandre
Padilha, foi anunciada em entrevista coletiva realizada em Brasília.
O Ministério da Saúde também decidiu iniciar
novo processo licitatório para substituir 18 contratos
de serviços continuados – vigilância, limpeza,
lavanderia, alimentação e apoio administrativo.
Grupo de Trabalho irá avaliar cada um destes itens. Caso
a decisão seja pela rescisão ou mesmo pela nulidade,
serão feitas seleções emergenciais até que
o processo licitatório seja concluído.
A ação, realizada em conjunto com a Controladoria
Geral da União, analisa um total de 99 contratos, firmados
entre 2008 e 2010, sendo 30 de serviços continuados, 41
de insumos e medicamentos, 16 de aluguel de equipamentos e 12
de obras. As auditorias foram solicitadas pelo ministro da Saúde
em abril do ano passado. Na mesma data, também foi pedido
o acompanhamento do Ministério da Justiça.
As auditorias
ainda não chegaram à sua conclusão
final, mas as análises preliminares apontam para desperdício
de recursos públicos, seja por deficiências de gestão,
sem necessariamente indicar má fé, seja por indícios
de irregularidades. Entre as suspeitas apontadas pelas auditorias
estão formação de cartel entre fornecedores,
direcionamento de licitações e sobrepreço.
“Apesar de as auditorias ainda não estarem concluídas
- todos os hospitais têm até a próxima semana
para apresentar os seus posicionamentos-, o Ministério
da Saúde resolveu adotar medidas com o objetivo de evitar
o desperdício de recursos públicos”, explicou
Padilha.
Para revisar
e adequar cada um destes contratos, conforme critérios
de economicidade, eficiência e transparência, serão
criados dois grupos de trabalho – um que analisará todas
as obras; e outro que revisará a locação
dos alugueis de equipamentos, a prestação de serviços
e a aquisição de insumos hospitalares.
O trabalho
de campo do Ministério da Saúde e da
CGU foi realizado a partir de junho do ano passado. Os resultados
parciais foram entregues em etapas, sendo que a última
delas, a respeito de insumos e equipamentos, foi encaminhada
ao ministério em dezembro.
Os processos
em andamento ainda vão verificar as responsabilidades,
além de dar suporte para adoção de providências,
visando a recuperação dos pagamentos indevidos.
Isso só será possível após a conclusão
das auditorias.
O ministro
Alexandre Padilha também anunciou a implementação
de sistema informatizado online nos hospitais federais, capaz
de registrar os estoques, controlar o almoxarifado e as farmácias,
monitorar os atendimentos realizados e elaborar o prontuário
eletrônico dos pacientes. O sistema também fará o
rastreamento de insumos distribuídos, desde a hora da
compra até o uso pelo paciente.
O sistema
já está em funcionamento no hospital
da Lagoa e começa a funcionar, ainda nesta semana, em
Ipanema. O próximo será o Cardoso Fontes. Até o
fim deste ano, todos estarão informatizados.
Também foi anunciada a instituição de programa
permanente de avaliação da satisfação
do usuário, que servirá de base para a elaboração
de relatórios semestrais de avaliação da
qualidade do atendimento.
COMBATE
AO DESPERDÍCIO
O Ministério da Saúde vem adotando uma série
de ações para aprimorar a gestão e otimizar
o uso de recursos do SUS e a qualidade do atendimento à população.
Medidas como compra centralizada de produtos estratégicos,
negociação direta do ministério com fornecedores
e adoção de bancos de preços internacionais
geraram economia de R$ 1,7 bilhão nos gastos com a compra
de medicamentos e insumos em 2011 em comparação
a 2010.
No Rio de
Janeiro, o Departamento de Gestão dos Hospitais
Federais vem implantando medidas administrativas para aperfeiçoar
a gestão dos hospitais e combater o desperdício.
Exemplo disso foi a centralização da compra dos
insumos estratégicos, antes adquiridos por cada hospital,
com diminuição de R$ 40,4 milhões nos custos
globais e redução média de 20% nos preços
individuais. Para conter perdas, o sistema de controle dos estoques
dos hospitais foi aperfeiçoado. O planejamento de aquisição
de insumos e medicamentos foi refeito de forma a permitir uma
melhora na avaliação das necessidades e dos procedimentos
licitatórios.
Com a reestruturação administrativa, todas as
licitações para aluguel de equipamentos, obras
e serviços nos seis hospitais passam a ser centralizadas
pelo Departamento de Gestão Hospitalar. Além de
ganhar escala e poder de barganha, a unificação
permite a uniformização das aquisições,
ampliando a transparência e facilitando a fiscalização.
TRANSIÇÃO
Com relação às medidas anunciadas nesta
sexta-feira (27), o Ministério da Saúde tomou o
cuidado de não suspender a locação de equipamentos
essenciais para a manutenção da vida dos pacientes,
como os usados para hemodiálise, anestesia e terapia intensiva.
Os contratos
serão revistos pelo Grupo de Trabalho, que
decidirá sobre o custo-benefício da substituição
por equipamentos próprios ou pela manutenção
do aluguel, em outro formato de contrato.
O grupo de
gestão de engenharia clínica, que já existe,
assumirá a nova tarefa de monitorar a qualidade e o funcionamento
dos equipamentos de todos os hospitais.
É importante ressaltar, no entanto, que as ações
anunciadas agora poderão afetar alguns serviços,
principalmente os procedimentos eletivos, ou seja, aqueles que
não são casos de urgência.
“O Ministério da Saúde pede a compreensão
da população do Rio. Quero frisar que estas medidas
são fundamentais para que possamos oferecer um serviço
de mais qualidade com a correta aplicação de recursos
públicos”, esclarece Padilha.
AGENDA
- 30º Congresso Internacional de Odontologia de São
Paulo
Data
- 28 a 31 de Janeiro 2012
Local
- Expo Center Norte
Endereço:
Rua José Bernardo Pinto, 333 - São
Paulo-SP
Informações e Adesões
- 0800 12 85
E-mail:
secretaria.decofe@apcdcentral.com.br
Site
- http://www.ciosp.com.br/
-
18° Congresso Mundial de Ergonomia, Congresso da União
Latino-Americana de Ergonomia e 16° Congresso Brasileiro
de Ergonomia
12/02/2012 a 16/02/2012
Local:
Recife - PE
Outras
informações: http://www.iea2012.org/index_pt.htm
-
XIII Congresso da SPMFR - Sociedade Portuguesa de Medicina
Física e de Reabilitação
Data-
08 a 10 de Março
de 2012
Local-
Hotel Cascais Miragem - Cascais - Portugal
Telefone-
+351 915768902
Email-
pmfr@spmfr.org
Site
Oficial- http://www.congressospmfr.org/
-
37° Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
Data-
12 a 14 de Abril de 2012
Local-
Hotel Windsor - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
Email-
mailto:retina29012@interevent.com.br
Site
Oficial- http://www.interevent.com.br/
- 13th World Congress on Public Health
21/04/2012 a 29/04/2012
Local:
Addis Abeba - Ethiopia
Outras
informações: http://wfpha.confex.com/wfpha/2012/cfp.cgi
- World Nutrition Rio 2012
27/04/2012 a 30/04/2012
Local:
Rio de Janeiro - RJ
Outras
informações: http://www.worldnutritionrio2012.com.br