30-01-12

 

Leia nesta edição:

- O polêmico mercado legal de órgãos

- Segundo país do mundo em casos de hanseníase, Brasil também precisa combater o preconceito

- OMS prevê mais de 1 milhão de casos de câncer de mama por ano

- Médicos sugerem ultrassom como anticoncepcional masculino

- Doenças parasitárias serão tratadas em massa

- Reversão da "fuga de cérebros" traz médicos de volta ao país

- "Aqui tem verba para pesquisa em novas áreas"

- "Em breve, Brasil vai competir com EUA e Europa"

- "Farei mais diferença no Nordeste"

- Nova linha de ataque ao Parkinson

- Remédios ineficazes

- Uma pausa no estresse

- Com o aval da ciência

- Emergência reestruturada

- Nova promessa contra o câncer de mama

- Terapia com luz é testada contra micose

- O perigo de coçar os olhos

- Mulheres com silicone PIP que vão processar Anvisa se reúnem em SP

- Após polêmica, governo retira de MP artigo que dificultaria aborto legal

- Saúde anuncia novas ações na gestão de hospitais federais do Rio

Segunda-feira, 30.01.2012

CORREIO BRAZILIENSE

O polêmico mercado legal de órgãos

Estudo de jovens pesquisadores da UFMG propõe modelo para reduzir fila de transplantes no país, hoje com 27 mil pessoas. Governo intermediaria compra de órgãos e tecidos, mesmo de pessoas vivas

Paola Carvalho

Dois celulares ligados 24 horas e conferidos a cada momento e orelha em pé para escutar o telefone fixo e a campainha da casa. A ansiedade da auxiliar de escritório Mislene Márcia de Oliveira, 31 anos, é por uma chamada de seu médico. Neste mês, ela entrou na fila de transplantes de órgãos para receber um fígado. "Se eu for convocada, saio só com a roupa do corpo para o hospital. Mas não basta encontrar um doador, pois o órgão tem de ser compatível com o meu organismo", diz a jovem, casada há oito anos e na expectativa de fazer a cirurgia o quanto antes para engravidar do primeiro filho. Não há, contudo, uma data prevista para realizar os dois sonhos de sua vida. Pode ser amanhã, pode ser daqui a anos.

Uma solução para a fila de cerca de 27 mil pessoas que aguardam um transplante no país seria a criação de um mercado lícito e regulado de órgãos e tecidos - um assunto polêmico, muitas vezes rechaçado, mas que vem ganhando força até no meio acadêmico por ser uma alternativa às filas.

Um estudo que sugere a criação desse mercado no Brasil, feito por alunos do curso de pós-graduação em direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recebeu um prêmio internacional reconhecido na área - o da 19ª Jornada de Jovens Pesquisadores da Associação de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM), realizada no fim do ano passado, no Paraguai. Os estudantes integram o Grupo Persona, da universidade, que se debruça sobre pesquisas em bioética avançada. O artigo, desenvolvido por Daniel Ribeiro, Mariana Lara e Nara Carvalho, foi coordenado pelo professor Brunello Stancioli, que hoje faz pós-doutorado no Centro de Ética Prática da Universidade de Oxford, na Inglaterra, instituição interessada em desenvolver melhor a ideia do mercado lícito de órgãos no Brasil.

Por aqui, as maiores fontes de órgãos são cadáveres. O novo modelo poderia servir como um complemento, uma vez que também se aplicaria a doadores vivos. O formato final, contudo, não foi detalhado, mas seria uma espécie similar ao da Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemominas), em Minas Gerais, que recebe doação de sangue e faz a ponte entre o material doado e os hospitais do estado, embora não envolva dinheiro. A partir do momento em que há uma central mediada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para receber os doadores de órgãos, pesquisar o seu histórico e fazer todo o procedimento, respeitando ordens jurídicas e regras médicas, o estímulo ao tráfico seria barrado. Trocando em miúdos, ninguém chega com uma garrafa de sangue roubado para doação, assim como não chegaria com um rim dentro de uma caixa para ser negociado, preveem os pesquisadores. O órgão seria pago pelo governo, que atenderia aqueles que estão na fila, em ordem e por compatibilidade.

A proposta de um mercado lícito de órgãos e tecidos, hoje proibido por lei no Brasil, incomoda a comunidade médica, mas dá um fio de esperança para quem há muito tempo espera uma resposta. O estudo feito na UFMG aponta que a escassez de órgãos e tecidos humanos é uma questão a ser enfrentada pelo sistema de transplantes de qualquer país. "Campanhas e incentivos à doação têm sido insuficientes para reduzir as filas de espera. Paralelamente, a venda de órgãos e tecidos é colocada como problema a ser resolvido, e quase sempre pelo direito penal. Contudo, esse comércio, pensado nas bases de um sistema lícito, pode ser uma alternativa", diz Stancioli.

Requisitos éticos

Para o professor, a maioria dos argumentos contrários à venda é de cunho moral e fortemente paternalista, visando proteger a pessoa de si mesma, embora haja requisitos éticos complexos que um mercado regulado deva atender. "O debate acadêmico-ético-jurídico-médico encontra-se bem desenvolvido em países como Inglaterra e Austrália. No Brasil, no entanto, nem sequer se cogita tocar no assunto", pondera.

De acordo com ele, a venda de órgãos, pensada em outras bases, não deveria ser primariamente rechaçada. "Um comércio de órgãos de pessoas vivas envolveria a possibilidade de que se possa vender órgãos considerados não vitais, aqueles sem os quais o doador pode continuar a viver", diz. Segundo o professor, o órgão mais relevante para essa análise é o rim. "Trata-se de um órgão duplo, e o procedimento de transplante apresentaria relativamente poucos riscos para o potencial vendedor."

Stancioli pondera que não é apresentada razão pela qual se adota postura absolutamente contrária à criação do mercado legal de órgãos. "Repete-se um discurso que condena o comércio de órgãos ao lhe atribuir supostos malefícios que parecem ser, na verdade, consequências da forma ilícita que ele assume hoje", avalia. Durante o estudo, o grupo se deparou com informações que revelam que o mercado negro ou o tráfico de órgãos movimentam mundialmente mais de US$ 7 bilhões ao ano.

Expectativa "O problema é mundial", destaca o coordenador metropolitano do MG Transplantes, órgão mineiro responsável pela captação dos órgãos e tecidos, Omar Lopes Cançado Júnior. A média de doação em MG é baixa. Em 2010, girava em torno de sete doadores por 1 milhão de habitantes. Em 2011, subiu para 10,1. A expectativa é chegar a 15 por 1 milhão de habitantes. São Paulo é o estado com o maior índice: 17 por 1 milhão de habitantes. "Falta conscientização da população e dos próprios profissionais da saúde", diz. Ele também não concorda com a criação de um mercado lícito de órgão e tecidos para reduzir a fila e o tempo de espera. "Pela lei, já é um mercado inviável. A luta da área médica é sempre contra esse comércio."

Ideia é reprovada por associação

Embora a fila para um transplante seja grande, num cenário em que cresce o número de mortes violentas e pessoas com expectativa de vida maior, o presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), José Medina Pestana, desaprova firmemente a criação de um mercado lícito de órgãos. "A população não quer, o que não impede a discussão, mas nós não aceitamos nem como uma sugestão razoável", diz. Ele explica que, no Brasil, a doação de órgãos por pessoas vivas ocorre quando o parentesco com o paciente é de até quarto grau, além do cônjuge. Fora isso, só com autorização judicial. "Na maioria dos países é assim e, em todos os lugares, o transplante fora da família é bastante questionado. É um risco grande à vida, que só se justifica pelo afeto", avalia. Para Pestana, a solução é avançar na possibilidade do uso animal, melhorar os equipamentos médicos e os tratamentos.

A doação no país - excluindo a possibilidade da própria família fazê-la - é somente de órgãos de cadáveres, autorizada pela família do doador, sem a necessidade de um documento assinado pela pessoa que veio a falecer. A Espanha foi declarada líder mundial em transplantes de órgãos em 2010, com um taxa média de 32 doadores por milhão de habitantes. A meta do governo brasileiro é atingir 15 em 2015. O país, entretanto, é referência internacional na realização de transplante na rede pública de saúde - aproximadamente 95% das cirurgias são feitas de graça pelo SUS. O investimento anual do Ministério da Saúde no Sistema Nacional de Transplantes é de cerca de R$ 1,2 bilhão.

A Política Nacional de Transplantes de Órgãos e Tecidos foi estabelecida e fundamentada pela Lei nº 9434/97, e tem como diretrizes a gratuidade da doação e o repúdio e combate ao comércio de órgãos. Toda a política está em sintonia com as leis nº 8.080/90 e nº 8.142/90, que regem o funcionamento do SUS.

Longa Batalha

O aposentado Carlos de Souza Rezende, 56 anos, levou seis para vencer uma batalha. O então motorista, casado e pai de três filhos, saiu da consulta médica surpreso com o diagnóstico de insuficiência renal e com a necessidade de hemodiálise. Ao mesmo tempo em que se tratava, aguardava na fila. A vitória foi em uma noite na qual, enfim, o médico telefonou para o tão aguardado transplante. "Não conheço nada sobre a família que fez a doação e me salvou. Só sei que o rim era de um motoqueiro."

PORTAL UOL

Segundo país do mundo em casos de hanseníase, Brasil também precisa combater o preconceito

No Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase, celebrado no último domingo de janeiro, autoridades de saúde e organizações da sociedade civil se mobilizam pelo fim da discriminação das pessoas que têm a doença. Apesar de ter cura, muitos brasileiros ainda se escondem e deixam de procurar o tratamento, com medo de sofrer estigma dentro da família, entre os amigos ou no trabalho.

Em estado avançado, a hanseníase causa deformidades no rosto, nas mãos e pernas, comprometendo a aparência.

O assessor técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e sanitarista Marcos Franco conta que, quando trabalhou com vítimas de hanseníase no interior de São Paulo, a maioria vivia no estado vizinho do Rio de Janeiro. Esses pacientes tinham vergonha de procurar atendimento médico na cidade onde moravam.

“O paciente tem medo de usar o serviço do próprio município onde vive. Temos que desconstruir esse estigma para dizer que a hanseníase é uma doença tratável e não um castigo de Deus”, disse Franco, que esteve em Brasília na semana passada para acompanhar a divulgação dos dados do governo federal sobre a incidência de hanseníase no país.

O coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio, recorda que centenas de crianças foram separadas dos pais durante décadas por causa do preconceito com relação à doença.

Até o final da década de 1970, uma lei determinava a internação obrigatória das pessoas com hanseníase em hospitais-colônia. Os pacientes tinham de entregar os filhos a educandários. “Foi a maior alienação parental que ocorreu no Brasil”, destaca Custódio.

Para reunir irmãos e filhos de ex-pacientes, o Morhan oferece exames de DNA para identificar os vínculos familiares e busca indenização do Estado pela separação compulsória.

Na próxima segunda-feira (30), o embaixador da Boa Vontade para Eliminação da Hanseníase das Nações Unidas, Yohei Sasakawa, estará no Brasil para a assinatura de documento global pelo fim do estigma e da discriminação contra pessoas com hanseníase.

Em 2011, foram registrados 34.894 novos casos da doença, redução de 15% em comparação a 2010 (30.298 casos). Apesar da queda, o país ainda é o segundo no ranking mundial de prevalência da doença, ficando atrás somente da Índia, que registra cerca de 125 mil novos casos por ano. A meta das Nações Unidas, de menos de um caso para grupo de 10 mil habitantes, só deve ser alcançada no Brasil em 2015, de acordo com o Ministério da Saúde.

Saiba mais sobre a hanseníase

Doença infecciosa, a hanseníase causa deformidades na pele e nos nervos de braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. A transmissão ocorre pelo contato direto e prolongado entre as pessoas. O doente sem tratamento expele o bacilo ao tossir ou espirrar. Muitas pessoas podem ser infectadas, mas a maioria tem resistência ao bacilo. Ambientes fechados, com pouca ventilação e sem luz solar aumentam as chances de contaminação. A transmissão não ocorre durante contato breve entre as pessoas, como uma caminhada para a escola ou uma conversa no elevador.

A doença não faz distição de sexo ou idade. Os sintomas são manchas brancas, avermelhadas e marrons em qualquer parte do corpo, que ficam dormentes e sem sensibilidade ao calor, frio ou toque, principalmente nas mãos, costas, nádegas, pernas e pés. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos primeiros sinais pode levar de dois a cinco anos.

A hanseníase tem cura. O tratamento, de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a base de comprimidos. O paciente pode tomar os medicamentos diariamente em casa e procurar o médico uma vez por mês para acompanhamento. O tratamento dura de seis meses a um ano. Assim que começa a tomar os remédios, o doente para de transmitir a hanseníase. E não precisa se afastar do trabalho, nem do convívio familiar, e pode manter relações sexuais.

O diagnóstico é feito pelo médico por meio de exame clínico. Em casos raros, o profissional pode solicitar exames complementares. A identificação e o tratamento precoces são as melhores formas de combater a doença. Outra recomendação é que pessoas que vivem ou que moraram com pacientes de hanseníase procurem um médico.

PORTAL UOL

OMS prevê mais de 1 milhão de casos de câncer de mama por ano

O câncer de mama é a doença que mais acomete as mulheres em todo o mundo. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde, estima-se que anualmente sejam registrados 1.050.000 casos desse mal. E o câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres.

Trata-se da multiplicação desordenada de células que formam um tumor. Essas células são capazes de originar metástases - invadir células sadias que estão ao seu redor - e formar um tumor maligno.

No entanto, para a mulher controlar a saúde de suas mamas e diagnosticar um câncer no início, deve fazer exames anuais como ultrassonografia e mamografia, sempre com acompanhamento médico.

PORTAL G1

Médicos sugerem ultrassom como anticoncepcional masculino

Experimento norte-americano reduziu número de espermatozoides em ratos. Segurança e duração da técnica ainda são entraves para aplicação clínica

Os aparelhos de ultrassom podem servir como anticoncepcionais para homens, segundo um estudo feito por cientistas norte-americanos da Faculdade de Medicina na Universidade da Carolina do Norte.

Embora a técnica ainda não exista para humanos, pelo menos em ratos ela já se mostrou eficiente, de acordo com o trabalho coordenado pelo médico James Tsuruta e publicado na revista norte-americana de livre acesso "Biologia Reprodutiva e Endocrinologia".

A equipe já divulgou estudos anteriores a possibilidade de usar utrassom como método contraceptivo.

Ao passar um equipamento de ultrassom de alta frequência (com 3 MHz) ao redor dos testículos dos ratos, a equipe conseguiu diminuir a produção das células germinativas. Ratos conseguem manter a fertilidade mesmo com contagens baixas de espermatozoides, mas essa redução em humanos poderia levar à infertilidade em homens.

A Organização Mundial da Saúde afirma que um sêmen com baixa concentração (oligospermia) tem menos de 15 milhões de espermatozoides por mililitro. Quase todos os homens saudáveis (95%) geram mais de 40 milhões de espermatozoides por mililitro.

Os melhores resultados foram obtidos com duas sessões de 15 minutos cada de ultrassom, aplicadas de dois em dois dias. Uma solução salina foi usada para conduzir as ondas ultrassônicas entre o aparelho e a pele dos ratos, que tiveram seus testículos aquecidos a 37 graus Celsius.

A equipe afirma que são necessários mais testes para determinar a duração do efeito contraceptivo e, especialmente, se a técnica pode trazer mal à saúde caso utilizada seguidas vezes em humanos.

PORTAL UOL

Doenças parasitárias serão tratadas em massa

O Brasil vai mudar a estratégia de tratamento de três doenças negligenciadas, mas ainda presentes: tracoma, helmintíases e esquistossomose. A partir deste ano, populações de áreas onde as infecções parasitárias têm alta prevalência passarão a ser tratadas em massa - a medicação será oferecida a todos os que estão em risco, independentemente de um exame confirmar a contaminação. O tracoma, transmitido por bactéria, terá combate acelerado.

Crianças com esquistossomose e helmintíases têm maior risco de anemia e comprovadamente apresentam menor aproveitamento escolar. O tracoma, por sua vez, quando não é tratado pode levar à cegueira. A concessão de recursos extraordinários também foi feita para hanseníase.

Essas doenças estão associadas à baixa cobertura de saneamento básico, de abastecimento de água e à pobreza. Por isso, o argumento prevalente era o de que não adiantaria dar medicamento se problemas estruturais não fossem resolvidos. “Isso gera imobilismo. E há uma questão ética: o remédio é barato, eficaz, está disponível. A oferta tem de ser facilitada”, diz o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.

Helmintíases, esquistossomose e tracoma estão localizadas sobretudo no Norte e Nordeste. Embora os números nacionais não sejam expressivos, nos locais em que tais doenças são encontradas a prevalência entre a população é bastante expressiva: algumas parasitoses chegam a atingir 70% do grupo avaliado.

Domingo, 29.01.2012

FOLHA DE S. PAULO

Reversão da "fuga de cérebros" traz médicos de volta ao país

Expansão de hospitais privados e aumento das verbas para pesquisa no Brasil impulsionam retorno. Na última década, verbas para pesquisa e desenvolvimento caíram 20% nos Estados Unidos

Cláudia Collucci

Tradicional exportador de cérebros, o Brasil começa a receber de volta médicos e pesquisadores que deixaram o país em busca de melhores condições de trabalho, consolidaram carreiras no exterior e agora retornam motivados pelo crescimento da economia brasileira e o aumento de verbas para pesquisa.

A expansão de hospitais privados -só em São Paulo, os investimentos são na ordem de R$ 2,7 bilhões nos próximos cinco anos- também tem atraído esses profissionais de volta.

Não há dados sobre a reversão da fuga de cérebros brasileiros, mas tanto o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) quanto a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) confirmam a tendência.

A Folha conversou com quatro médicos que estão voltando (ou já retornaram) ao país, após anos trabalhando em instituições americanas, como o NIH (Institutos Nacionais de Saúde) e a Universidade de Pittsburgh (leia textos nesta página).

Na última década, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país passaram de R$ 26,3 bilhões (em 2000) para R$ 43,7 bilhões (em 2010), segundo o MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação).

O valor representa 1,19% do PIB brasileiro, quase o dobro da média de outros países da América Latina. Mesmo assim, o país não atingiu a meta estabelecida pelo governo de ter investido 1,5% do PIB em pesquisa até 2010.

No mesmo período, o orçamento dos Estados americanos para ciência caiu 20%. "Está muito difícil obter financiamento para pesquisa nos EUA", diz o professor da USP Rodrigo Calado, que trabalhou nove anos no NIH e retornou ao Brasil.

"Temos atraído não só pesquisadores brasileiros que estão no exterior e querem voltar como estrangeiros que procuram o país para desenvolver projetos", afirma Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

Artigo publicado em 2011 na revista "The Economist" coloca o Brasil como líder internacional em pesquisa em medicina tropical e sugere que o país é um destino promissor para pesquisadores do mundo todo. Diz o título: "Go south, young scientist" (vá para o sul, jovem cientista).

Desde 2003, o Ministério da Saúde tem destinado recursos a linhas de pesquisa relacionadas às doenças "negligenciadas", também chamadas de doenças infecciosas da pobreza (como dengue, doença de Chagas e malária). O Brasil está no topo da lista de países que financiam pesquisas em dengue, por exemplo.

Mas nem tudo é festa. A burocracia ainda emperra os projetos de pesquisa. "Tem um aparelho que estou tentando comprar desde outubro, que já foi aprovado pela Fapesp, mas que a papelada ficou parada em alguma mesa, à espera de algum carimbo", diz Rodrigo Calado.

FOLHA DE S. PAULO

"Aqui tem verba para pesquisa em novas áreas"

Foi uma bolsa de dois anos do CNPq que possibilitou ao cirurgião do aparelho digestivo Ruy Cruz Júnior, 41, fazer seu pós-doutorado na Universidade de Pittsburgh (EUA).

Quatro anos depois, em 2006, após intenso treinamento na área de transplantes, ele conseguiu uma vaga de professor-assistente na mesma universidade.

No final de fevereiro, Cruz Júnior retorna ao Brasil, onde integrará o grupo de transplante multivisceral do Hospital das Clínicas de São Paulo. Volta casado com uma enfermeira americana.

Segundo ele, a intenção é continuar a parceria com a universidade americana.

"Vim para os Estados Unidos para treinar e, algum dia, voltar para o Brasil. Nunca foi meu sonho morar aqui para sempre", diz ele.

Cruz Júnior acredita ser o momento propício para o retorno de pesquisadores brasileiros. "Tem verba para pesquisa e novas áreas médicas estão sendo valorizadas."

FOLHA DE S. PAULO

"Em breve, Brasil vai competir com EUA e Europa"

Após concluir a residência médica em um hospital em Miami, em 1997, o hematologista Phillip Scheinberg, 41, foi convidado para ficar. Quatro anos depois, o seu endereço de trabalho já era o NIH, na área de pesquisa clínica e laboratorial.

Tornou-se responsável pelo desenvolvimento de protocolos de pesquisa na área de falência medular. "Os americanos vão te dando corda, seu nome começa a aparecer e você não consegue parar mais. É um 'miniópio'", brinca.

Nos últimos cinco anos, publicou mais de 50 artigos em periódicos de renome, entre eles o "Jama".

No início do mês, Scheinberg passou a chefiar o serviço de hematologia do Hospital São José. Também continua dedicado à pesquisa médica. "Em breve, o Brasil estará competindo com os EUA, a Europa e o Japão. Quero ajudar nisso."

FOLHA DE S. PAULO

"Farei mais diferença no Nordeste"

O imunologista João Bosco Oliveira Filho diz que foi contagiado pelo vírus da pesquisa em 2003, quando estagiou no NIH (j por três anos. Depois disso, atuou com o professor na USP, e em 2008 decidiu voltar ao EUA, dessa vez, como pesquisador contratado do NIH.

Agora, está prestes a terminar o primeiro sequenciamento genético de um brasileiro. "Isso será importante para saber como as nossas mutações se comportam. A maioria da pesquisa genética que prediz riscos de doenças é feita em população europeia, americana ou japonesa", diz ele.

Formado pela Universidade Estadual de Pernambuco, Bosco retorna em maio para Recife, sua terra natal, com três projetos: atuar em uma instituição filantrópica que atende crianças com defeitos de imunidade, orientar doutorandos na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e abrir seu próprio negócio, um laboratório privado de genômica que fará diagnóstico de doenças raras. "Acho que vou fazer mais diferença no Nordeste do que no Sudeste."

CORREIO BRAZILIENSE

Nova linha de ataque ao Parkinson

Estudo de instituto norte-americano descobre o papel de uma determinada proteína na intensificação dos sintomas da doença. O achado faz com que cientistas sonhem com uma droga que bloqueie a substância e ajude a combater o mal

Thais de Luna

O mal de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, cujas principais características foram descritas pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson. O problema de saúde, que acomete aproximadamente 10 milhões de pessoas - entre elas o ex-lutador de boxe Muhammad Ali e o ator Michael J. Fox - no mundo, tem como sintomas tremores, rigidez muscular e redução da quantidade de movimentos feitos pela pessoa, que se tornam mais lentos. Pesquisadores do Instituto Gladstone, organização norte-americana sem fins lucrativos de estudos biomédicos, identificaram uma proteína que intensifica os sintomas da doença. Essa descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos contra o mal, destinados a bloquear a proteína. Isso representa uma nova esperança para quem tem a vida afetada duramente pelos distúrbios motores decorrentes da enfermidade.

A pesquisa, publicada esta semana na edição on-line da revista científica Neuron, apresenta a proteína RGS4, que ajuda a regular a atividade dos neurônios no estriado, parte do cérebro ligada aos movimentos. Em pessoas com o mal de Parkinson, entretanto, a proteína agiria fazendo o contrário, contribuindo para problemas de controle motor. Uma das autoras do estudo, a especialista em neurociência Talia Lerner, que integrou a equipe do instituto enquanto terminava os estudos na Universidade da Califórnia em São Francisco (UFSC), detalhou ao Correio como foi desenvolvido o trabalho. "Dissecamos os mecanismos moleculares pelos quais as sinapses - ligações entre os neurônios - no estriado mudam sua força de acordo com o estímulo que recebem. Observamos particularmente a reação chamada depressão de longo prazo (LTD), em que as conexões reduzem a intensidade", explicou. "Mas o aspecto mais importante desse trabalho foi identificar que a RGS4 é a ligação-chave entre o neurotransmissor dopamina e a reação LTD no estriado." Nas pessoas com a doença, os neurônios com dopamina morrem e, consequentemente, há menos quantidade do neurotransmissor no estriado.

Quando notaram que uma das ações da dopamina no cérebro é reduzir a atividade da proteína para que as conexões neurais ocorram mais vagarosamente, os pesquisadores pensaram que, se pudessem diminuir a RGS4 com outro mecanismo, fariam o estriado funcionar normalmente - mesmo sem a presença do neurotransmissor. "Para testarmos essa hipótese, usamos dois grupos de ratos, um com a proteína normal e outro geneticamente modificado para não ter a RGS4. Tratamos ambos os grupos com um composto químico que mata os neurônios com dopamina", descreve Talia.

Os resultados mostraram que os ratos sem a proteína, mesmo após a morte dos neurônios, se saíram melhor em atividades que requeriam habilidades motoras do que os que estavam com a RGS4 intacta. "Os ratos geneticamente modificados conseguiram se movimentar mais livremente em uma área aberta e se saíram muito melhor em um teste de coordenação motora no qual tinham que andar em uma passarela de equilíbrio", recorda a neurocientista.

Tratamento Atualmente, a base do tratamento do mal de Parkinson é o uso de substâncias que estimulam a dopamina no cérebro, como explica o neurologista Hudson Mourão Mesquita, especialista em reabilitação de pacientes com problemas neurológicos. "Para evitar complicações inerentes à falta de mobilidade, essas pessoas também fazem atividades físicas e fisioterapia. Outra opção é a cirurgia funcional", cita. "Infelizmente, todas essas medidas são paliativas e a doença continua a evoluir."

O neurologista João Carlos Papaterra Limongi, especialista em distúrbios do movimento e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), conta que a levodopa é a droga mais eficaz no alívio dos sintomas da doença, mas que, por ser muito forte, alguns médicos preferem evitá-la no início do tratamento. "Nos primeiros cinco anos, quando ainda existem células cerebrais capazes de funcionar como "depósitos" e armazenar a dopamina produzida pela levodopa, cada dose pode ser eficaz durante mais de seis horas, de modo que duas a três doses por dia sejam o suficiente para controlar as características da patologia. Após esse período, muitos pacientes começam a experimentar complicações da terapia", destaca o médico.

A expectativa de Talia e de sua equipe é de que a pesquisa leve ao desenvolvimento de novos tratamentos. "Nossos resultados indicam que drogas que inibam a RGS4 podem ser muito úteis", afirma. Além disso, como o estudo aborda a função do estriado como um todo, os cientistas estimam que ele possa ter impacto na compreensão de outras enfermidades relacionadas, como a doença de Huntington e a distonia.

Para Mesquita, saber o papel crucial dessa proteína abre uma nova linha de ataque à doença. "Desse modo, poderão surgir novos medicamentos que, sozinhos ou associados aos existentes, poderão melhorar a qualidade de vida dos pacientes e diminuir os efeitos colaterais do uso crônico dos remédios tradicionais", estima. Ele pondera, no entanto, que esse próximo passo ainda não é a cura do problema. "O Parkinson e o Alzheimer são as doenças neurológicas degenerativas mais frequentes na sociedade ocidental e, com o envelhecimento da população, serão cada dia mais comuns. Por isso, qualquer avanço no tratamento terá um impacto muito grande na saúde pública internacional", garante.

Distúrbios neurológicos

A doença de Huntington é um distúrbio neurológico hereditário em que a pessoa tem problemas mentais e motores. É caracterizada por movimentos involuntários e irregulares do paciente, pelo emagrecimento intenso, pelo envelhecimento precoce e pela perda cognitiva. Cerca de metade dos que sofrem com o problema têm rigidez muscular, movimentos mais lentos, dificuldades para articular palavras e engolir alimentos. Já a distonia tem como características os espasmos musculares, que causam movimentos e posturas anormais. Eles podem afetar uma parte específica do corpo, como as mãos e o pescoço, ou mesmo todo o corpo. Nos casos mais graves, o paciente precisa de ajuda para executar a maioria das atividades do dia a dia.

FOLHA DE S. PAULO

Remédios ineficazes

Quando remédios são adquiridos pelas autoridades sanitárias para distribuição à população, testes prévios atestam a sua qualidade. Mas vencida a concorrência, sempre pelo menor preço, há dificuldades para o controle de qualidade do produto.

No último número de "Ciência e Saúde Coletiva", as farmacêuticas Mariana Bianchin e Irene Guerreiro, da UFRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), e Carina Blatt e Alessandra Soares, da UFSC (Universidade do Sul de Santa Catarina), explicam o problema.

Para as autoras, a municipalização de gestão da assistência farmacêutica trouxe dificuldades à operacionalização dos remédios. Em consequência, é mínimo o monitoramento permanente dos produtos adquiridos.

Ao efetuar testes de qualidade em remédios para hipertensão (Enalapril 10 mg e Propanolol 40 mg), reprovaram mais de 50% dos lotes examinados ao longo de um ano.

No caso de remédios para doenças crônicas, com princípio ativo abaixo da necessária concentração para o tratamento, pode surgir risco de vida para o paciente.

Não é a primeira vez que problemas de qualidade são detectados em remédios. Em 2002, a Anvisa verificou que 32% das reclamações de médicos e farmacêuticos eram devidas à ineficácia terapêutica dos medicamentos.

CORREIO BRAZILIENSE

Uma pausa no estresse

Deitado sobre um colchonete, o desafio é concentrar-se em cada parte do corpo, dos dedos dos pés até o ouvido. "Há quanto tempo eu não pensava no meu próprio pé?", alguém observa. Preste atenção no seu corpo e, em hipótese alguma, se esforce em esvaziar a mente. O exercício é de meditação, mas o propósito, segundo dita a prática budista da plena atenção, é focar no presente, no seu corpo e na sua vida, ao contrário de simplesmente esquecê-los. Para além de uma realidade mais zen e de qualquer religião, os que ali se encontram têm um objetivo bem mais prático: diminuir o estresse e amenizar o que ele faz ao corpo.

A meditação da plena atenção é uma prática oriental milenar que vem ganhando força em consultórios médicos, clínicas de reabilitação, hospitais e casas de meditação. Conquistou até os mais céticos dos estressados. O responsável pela tomada da prática meditativa pela ciência e pela medicina integrativa foi o neurocientista norte-americano Jon Kabat-Zinn, quando, na década de 1970, elaborou o que ficou conhecido como Programa de Redução de Estresse da Plena Atenção (MBSR, na siga em inglês). São 8 semanas de aulas de meditação que prometem reduzir o estresse, aumentar a qualidade de vida e, se aliado a tratamentos médicos, amenizar sintomas físicos, como a dor. Há quem consiga até diminuir a dose dos medicamentos ou, no caso da diabetes, por exemplo, em que o estado emocional influencia nos níveis de insulina, manter a doença, relativamente, sob controle.

"O que muda é a forma de reagir a um estímulo estressante. E o essencial é que cada um descubra os seus pontos fracos no processo", explica a psicóloga Ângela Lins, da equipe responsável pelo programa na Sociedade Vipassana de Meditação, em Brasília. Na prática é como se, frente a situações de estresse - de uma fechada no trânsito a uma notícia ruim dada pelo médico -, você conseguisse parar, respirar e aceitar antes de xingar o barbeiro ou descabelar-se pelos dias de sofrimento que ainda virão. Além disso, como a técnica consiste basicamente em voltar-se para si mesmo, a tendência é aumentar o autoconhecimento, ajudando cada um a identificar as raízes do mau humor e da fragilidade emocional.

A proposta parece viajante, mas a ciência já dá suporte suficiente ao programa de Kabat-Zinn. Tanto que, lá fora, ele é usado em mais de 250 clínicas médicas e aceito por grande parte dos planos de saúde. "É uma forma de economia. Menos estressadas, as pessoas adoecem menos", analisa Régis Guimarães, professor de meditação e colega de Ângela na Vipassana. Aqui, no Brasil, no entanto, meditar contra o estresse ainda é raro. "Ainda existe um certo preconceito e as pessoas tendem a confundir com medicina alternativa ou com algo de cunho religioso. Mesmo os médicos mais abertos têm receio de serem mal interpretados por seus pacientes", acredita Régis.

CORREIO BRAZILIENSE

Com o aval da ciência

Em São Paulo, o Hospital Albert Einstein mantém um grupo de profissionais que aplica o MBSR nos pacientes em tratamento de câncer - uma prova de que a medicina reconhece que o estado emocional dos pacientes faz diferença no tratamento. "Os resultados são notáveis. Eles estão diagnosticados e recebendo o melhor que a medicina pode oferecer. O programa ajuda a entender o que eles podem fazer por si mesmos nesse momento. Não adianta tentar descobrir o porquê da doença nem se preocupar com o prognóstico. Eles precisam estar atentos ao hoje", diz o cirurgião Paulo de Tarso Lima, especialista em medicina integrativa e líder da equipe do Albert Einstein.

Até o trabalho dos médicos fica mais fácil quando o paciente tem um treinamento em meditação. "Tem gente que chega ao consultório e não sabe nem dizer o que sente. Mas a gente percebe que quem passa pelo programa aponta exatamente qual é a sensação que incomoda." Pacientes internados em Unidades de Tratamento Intensivo ou já debilitados pela doença recebem uma versão adaptada do programa - em vez dos tradicionais oito dias, o treino é reduzido a dois ou três.

Um estudo comparativo, conduzido desde 1993 pela equipe de Kabat-Zinn com 2,5 mil pacientes distribuídos em 150 programas MBSR, observou que 97% deles relataram conseguir lidar melhor com o estresse; 84% disseram estar com a saúde melhor e 95% se mostraram mais atentos com a própria saúde. Muitos pararam de fumar e de beber e mudaram a alimentação. Pesquisas similares mostraram reduções nos níveis de dor, como uma publicada no Journal of Beahvioral Medicine, que mostrou que 44% dos pacientes que sofriam com dor crônica diminuíram o uso de remédios e 28% os abandonaram.

A mais recente pesquisa, aplicada por uma equipe de pesquisadores do centro de psiquiatria do Hospital Geral de Massachussets, EUA, foi publicada no início de 2011 no periódico Psychiatry Research: Neuroimaging. A equipe de estudiosos avaliou 16 voluntários e um grupo de controle formado por outras 16 pessoas. A conclusão? Meditar um pouquinho por dia durante as oito semanas propostas pelo programa da Plena Atenção não só traz bem-estar, como parece aumentar a espessura do córtex cerebral e do hipocampo - área do cérebro ligada ao aprendizado, à memória e à introspecção. O resultado foi aferido na comparação entre imagens dos cérebros dos participantes duas semanas antes do início do programa e duas depois do seu término. "Embora a prática da meditação esteja associada a uma sensação de relaxamento físico, os praticantes também percebem benefícios cognitivos e psicológicos que permanecem mesmo a longo prazo", disse Lazar à imprensa.

De volta à vida

Para a servidora pública Mônica (nome fictício a pedido da entrevistada), o programa de redução do estresse teve um significado bem maior do que apenas combater os aborrecimentos da rotina. Ela se recuperava de uma depressão profunda, consequência de um estresse pós-traumático ocorrido no ambiente de trabalho, e não conseguia se adequar à medicação receitada pelo médico. Afastada do emprego há mais de um ano, vivia trancada em casa, incomodava-se mesmo com os barulhos mais rotineiros, como o da água que rega a grama no jardim da quadra, e não suportava aglomerações. A ordem veio do terapeuta. Ir todas as semanas ao curso significava não apenas quebrar um preconceito - "achava que era uma coisa "paz e amor" demais" -, mas vencer o medo de sair à rua e enfrentar pessoas novas e, até então, desconhecidas.

A meditação se mostrou um remédio poderoso para Mônica. Em casa, os filhos e o marido perceberam a mudança no humor: a tolerância aumentou e as janelas abertas deixaram de ser motivo de briga. Ela, finalmente, se entendeu com a dosagem dos medicamentos e, o mais importante, voltou a trabalhar, embora num ritmo mais lento. "Eu ficava frustrada se não conseguia cumprir alguma tarefa no trabalho ou em casa. Agora, passei a respeitar os meus limites e a me concentrar em uma coisa de cada vez. Antes, eu queria fazer tudo e não fazia nada", resume.

A depressão, aprofundada por um processo difícil de separação, também foi o empurrãozinho que fazia, todas as semanas, a professora Elisabete Menezes, 42 anos, sair de Taguatinga e ir ao Plano Piloto em busca de tratamento. São muitos os que procuram o MBSR como forma de aliviar os sintomas desse mal. "Só assim consegui entender o que estava acontecendo. Percebi que o problema não é dos outros e que, se alguém precisa mudar e se adaptar, sou eu", conclui, recuperada do turbilhão.

TRIBUNA DO PLANALTO

Emergência reestruturada

Os problemas do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) escancaram a necessidade de políticas públicas a favor da saúde do Estado de Goiás. Sua estrutura física está comprometida, com elevadores estragados, parte elétrica desgastada, problemas de infiltração e encanação entupida. Além disso, há falta de medicamentos, equipamentos precários e falhas no sistema de limpeza.

Por estes e mais alguns motivos de extrema urgência, o Hugo receberá apoio para ação estratégica da SOS Emergência, implementada pelo governo federal desde novembro do ano passado. A secretaria vai utilizar a verba de R$ 6 milhões, repassada pelo Ministério da Saúde, para a reforma do hospital e melhorias no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, lançou o programa em Goiânia na quarta-feira, 25. Segundo ele, o SOS Emergência deverá funcionar articulado com os demais serviços de urgência. "Estamos preparados e prontos para dar melhor atendimento à população que depende do SUS. Mapeamos as principais urgências de Goiás, pela importância do hospital para a população."

Já foram liberados R$ 200 mil para a constituição do núcleo de acesso e qualidade hospitalar, que irá identificar as principais necessidades do hospital. O núcleo será composto por representantes das secretarias de Estado de Saúde de Goiás, Municipal de Goiânia, servidores do Hugo e do Ministério da Saúde. Os demais repasses serão liberados no andamento do projeto.

O ministro também anunciou a criação de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) específica para o atendimento de pacientes que sofreram derrame ou isquemia cerebral. Os recursos vão garantir a criação de um sistema informatizado. "Entrando nesse programa, o hospital passa a ter o acompanhamento do agendamento, do tempo de espera do atendimento, de quanto tempo as pessoas ficam em leitos inadequados."

De acordo com a diretora geral do Hugo, Ivânia Fernandes, dentre os principais desafios do SOS Emergências, a adequação da infraestrutura para melhoria da qualidade na assistência é o que requer o trabalho mais pesado. Além disso, há ainda os problemas de capacitação e qualificação da gestão hospitalar, adequação das condições de trabalho e fortalecimento da rede estrutural de urgências e emergências.

Já o secretário de saúde do estado, Antônio Faleiros, afirma que o governo estadual deverá complementar o valor para reformar o hospital, que tem previsão de custo total de R$ 9 milhões. "O Hugo foi construído há 22 anos e ainda não foi feita nenhuma reforma." lembrou.

Melhorias

Para qualificar a assistência, serão adotadas medidas como o acolhimento e classificação de risco dos pacientes. Logo ao entrar no hospital, o paciente será acolhido por uma equipe que definirá o seu nível de gravidade e o encaminhará ao atendimento específico de que necessita.

O programa prevê a qualificação de profissionais e ampliação do atendimento, além da reforma predial e das redes elétrica e hidráulica e manutenção de equipamentos. "Os problemas de infraestrutura problematizam as urgentes mudanças no Hugo", afirma o ministro.

No projeto, há previsão de organização de leitos, fluxo de internação e a implantação de protocolos clínico-assistenciais e administrativos. Segundo Padilha, o hospital deve-se adequar ao aumento da população. "O sistema de saúde do Hospital não consegue acompanhar o aumento da população de Goiânia e de Goiás."

E as parcerias também fazem parte do projeto do Ministério da Saúde. Será firmada a ajuda mutua com os Hospitais de Excelência no Brasil, como o Sírio Libanês, Albert Einstein, Hospital do Coração, Samaritano e com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) para ampliar a qualidade do atendimento realizado.

Ainda existem as contribuições na comunicação entre médicos e funcionários. Será por meio do Telessaúde, ferramenta de comunicação a distância que presta teleconsultoria e segunda opinião médica, além discussão de casos com equipe multiprofissional. O S.O.S Emergências funcionará articulado com os demais serviços de urgência e emergência que compõem a Rede Saúde Toda Hora.

Esses serviços englobam o SAMU 192, UPAS 24 horas, Salas de Estabilização e serviços da Atenção Básica e Melhor em Casa. "Sabemos que ofertar o alívio imediato ao sofrimento pode ser decisivo para a vida da pessoa e, por isso, essa é uma ação inovadora", afirmou o ministro.

Primeira reforma estrutural em 21 anos

O Hospital de Urgência do Estado de Goias (Hugo) foi construído em 1989 e nunca houve nenhuma reforma em sua estrutura física. De lá para cá, Goiânia cresceu, assim como todo o estado. Ele continua sendo o maior hospital de urgências do Centro-Oeste, mas sua infraestrutura está comprometida e danificada.

Os médicos sofrem com falta de luvas cirúrgicas, fios para sutura e até água para lavar as mãos. Na visita do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, houve problema de encanamento e pacientes não puderam fazer exames de raio-X, sendo encaminhados de volta para casa.

A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde informou que o problema já foi solucionado. "A interrupção de água no Hugo já foi restabelecida, após reparo na tubulação. O problema foi pontual e resolvido."

O ministro disse que os recursos liberados para o Hugo vão possibilitar reforma na parte hidráulica. "O Hugo existe há 21 anos e nenhuma reforma mais estruturante foi feita. Por isso, o SOS Emergência chega para ajudar o governo nas reformas necessárias."

O Hugo é um dos 11 hospitais que integram a estratégia de qualificar as portas de entrada das urgências no país. A iniciativa integra a Rede Saúde Toda Hora e tem início em mais 10 hospitais de grande porte, localizados em oito capitais, à exemplo de Fortaleza, Brasília e São Paulo.

Os hospitais selecionados são referências regionais, possuem mais de 100 leitos, tem pronto-socorro e realizam grande número diário de internações e atendimentos ambulatoriais. "Sabemos que ofertar o alívio imediato ao sofrimento pode ser decisivo para a vida da pessoa e, por isso, essa é uma ação inovadora.", afirmou o ministro.

Essas mudanças emergenciais no Hugo sofreram total influência das reivindicações do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego). A entidade estabeleceu alguns prazos para que regularize a situação de descaso com os pacientes do hospital. Segundo o Cremego, foram encontradas várias irregularidades no hospital.

Além da falta de médicos e escassez de materiais, a única porta com proteção contra radiação para fazer exames em raio-X está danificada. Caso as mudanças não sejam cumpridas, o Conselho ameaça uma interdição ética no hospital, que é quando um médico deixa de atender um paciente alegando falta de condições adequadas para prestar o socorro.

Hugo 2

Algumas medidas do governo estadual também foram propostas para solucionar os problemas. A agilização para as compras de remédios e a contratação de serviços de manutenção para a área da saúde são alguns das soluções ofertadas.

Outra medida é a construção do Hugo 2 e a reforma do Materno Infantil prevista para julho de 2012. A grande mudança será a contratação das organizações sociais. Uma delas irá responder por todos os exames e as outras irão assumir a gestão dos hospitais.

Hugo em números

Área: 28.541 m2 * Leitos SUS: 236 * UTIs: 48 * Atendimentos ambulatoriais de Janeiro a Novembro de 2011: 24.031 * Internações de Janeiro a Novembro de 2011: 15.349

Maternidade Dona Iris

Na visita do ministro para o lançamento do SOS Emergências, Alexandre Padilha visitou as obras da Maternidade Dona Íris, na Vila Redenção. Ele anunciou a assinatura da portaria que libera R$ 9 milhões para a aquisição de equipamentos para a Maternidade, que atenderá pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com investimento total de R$ 25 milhões, a expectativa da Secretaria Municipal de Saúde é inaugurar a Maternidade até abril deste ano. As obras começaram há um ano e meio. A Maternidade Dona Iris foi construída em 1969, durante administração do então prefeito de Goiânia, Iris Rezende.

Após quase 40 anos de funcionamento, a instituição foi fechada em 2008, devido ao desgaste das instalações para atendimento médico. Em 2009, o governo do Estado de Goiás condicionou a administração da unidade ao município de Goiânia. Para aperfeiçoar a prática obstétrica na capital, a Prefeitura de Goiânia investe R$ 35 milhões na construção e na aquisição de equipamentos.

Sábado, 28.01.2012

DIÁRIO CATARINENSE

Nova promessa contra o câncer de mama

Uma droga ainda experimental promete aumentar em 11% a chance de sobrevida. O resultado de uma pesquisa comandada por especialistas de diferentes países, entre eles brasileiros, aponta para o que pode vir a ser um grande avanço no combate a um dos tipos mais agressivos de câncer de mama.

Uma droga ainda experimental, batizada de pertuzumabe, aumentou o controle da doença já em fase disseminada, diminuindo em 11% as recidivas e elevando o tempo de sobrevida das mulheres avaliadas. Trata-se de um novo anticorpo que, combinado a outro já utilizado e à quimioterapia, ataca diretamente a proteína responsável pelo crescimento do tumor tipo HER2 positivo.

À medida que a evolução do tumor é bloqueada, as células cancerosas entram em uma espécie de morte programada, ou seja, deixam de se renovar e acabam morrendo (processo conhecido como apoptose). O HER2 representa até 25% dos casos de câncer de mama. O pertuzumabe está no grupo dos chamados remédios inteligentes, desenvolvidos por meio de técnicas modernas de bioinformática, que já existem para o tratamento de certos tipos de câncer ou de infecções, como pelo vírus Influenza.

O estudo, intitulado Cleopatra e apresentado durante um congresso na cidade de San Antonio, no Texas (Estados Unidos), contou com a participação de 808 pacientes em países da América, da Ásia e da Europa. No Brasil, foram 99 mulheres 22 delas analisadas no Hospital Conceição, em Porto Alegre. Um outro grupo também foi avaliado no Hospital de Clínicas e no Grupo Hospitalar Santa Casa.

Vice-presidente nacional da Sociedade Brasileira de Mastologia, o médico José Luiz Pedrini é um dos coautores da pesquisa. Ele explica que as mulheres participantes foram divididas em dois grupos. O primeiro recebeu tratamento combinado entre quimioterapia (Docetaxel), trastuzumabe (anticorpo já utilizado) e pertuzumabe. O segundo grupo usou quimioterapia e trastuzumabe que é o tratamento padrão atualmente e placebo.

As mulheres que receberam as doses de pertuzumabe levaram cerca de 18 meses e meio até que os tumores piorassem ou que elas morressem. As que não receberam a nova droga tiveram uma média de pouco mais de 12 meses até o agravamento da doença.

Pela primeira vez, em vários anos, se tem uma droga que é muito ativa nesse tipo de tumor de mama. Em termos de doença grave, é a maior notícia nos últimos cinco anos comemora Pedrini.

O custo do novo medicamento, entretanto, não deve ser baixo. A estimativa é de que o tratamento custe US$ 10 mil por mês. Tampouco há a comprovação de que ele leve à cura da doença. Conforme Pedrini, uma nova pesquisa está sendo feita sobre o uso do novo anticorpo ainda na fase inicial do câncer os primeiros resultados apontam para desaparecimento do tumor na mama em 45% dos casos, também quando combinados quimioterapia e os dois anticorpos. Ao serem usados somente os dois anticorpos, a doença sofreu remissão completa em 16,8% dos casos, sinalizando no futuro o possível tratamento somente com vacina.

Esse é o futuro do tratamento do câncer em geral. Estamos chegando ao ponto de tornar uma doença que era mortal em controlável, como aconteceu com a aids prevê Pedrini.

Segundo o diretor do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus e diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas da PUCRS, Carlos Barrios que também participou do estudo , a droga será submetida, em breve, à aprovação da Anvisa. Até 2013, o medicamento já estará disponível nas farmácias brasileiras.

FOLHA DE S. PAULO

Terapia com luz é testada contra micose

Técnica desenvolvida na USP de São Carlos usa luz azul sobre a unha tratada com um creme à base de açafrão. Objetivo dos cientistas é aumentar a eficácia do tratamento, que hoje é demorado e, muitas vezes, ineficaz

Mariana Versolato

Pesquisadores do Instituto de Física da USP de São Carlos estão testando a terapia fotodinâmica para combater a insistente e quase imbatível micose de unha.

Dois protótipos de aparelhos foram desenvolvidos na USP, cada um com um comprimento de onda específico. Também foram testados dois medicamentos fotossensíveis, para saber qual combinação de luz e remédio tem mais eficácia.

Eles chegaram à conclusão de que a luz azul e um remédio com curcuminoide, derivado do açafrão, tiveram os melhores resultados. A técnica foi patenteada.

O objetivo é fazer parcerias com indústrias para fabricar o aparelho e disponibilizar a terapia de forma acessível.

A explicação para os resultados positivos obtidos até agora é que a combinação de luz e medicamento fotossensível gera espécies reativas de oxigênio que são tóxicas para os fungos.

Os pesquisadores trataram 40 pessoas por seis meses em São Paulo, começaram um novo grupo com outras 40 em São Carlos e devem selecionar ainda mais pessoas em Ribeirão Preto.

Do primeiro grupo, em tratamento há mais tempo, dez conseguiram se livrar da micose, segundo a farmacêutica Ana Paula da Silva, que estuda o tratamento.

"A maioria dos pacientes que tratamos já testou de tudo e os fungos estão resistentes ao remédio. Alguns têm até 30 anos de lesão, e chegam descrentes", conta.

Em pacientes com micose em estágio inicial foram necessárias seis sessões. Em casos mais graves, diz Silva, o problema pode ser eliminado em menos de um ano.

Segundo a farmacêutica, uma vantagem da terapia com luz é que os micro-organismos não criam resistência, ao contrário do tratamento com antifúngicos. "O remédio oral é eficaz, mas pode causar danos no fígado. Pessoas com problemas de imunidade não podem usá-lo."

Ela diz também que a terapia fotodinâmica existente hoje é muito cara. Ainda não há expectativa de preço nem do aparelho nem da sessão, mas a orientadora do projeto, Natalia Mayumi Inada, diz que já é possível afirmar que ele será mais barato do que as máquinas usadas hoje.

Inada lembra que o grupo já desenvolveu um aparelho para tratar câncer de pele que custa R$ 15 mil (o importado vale cerca de R$ 90 mil).

Mas, segundo Ricardo Romiti, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e dermatologista do Hospital das Clínicas da USP, apesar de requerer acompanhamento para monitorar riscos para o fígado, o medicamento via oral é bem tolerado.

"Muitos trabalhos mostram que o tratamento com luz é frustrante porque a radiação não é suficiente para matar os fungos."

Romiti diz que soluções líquidas ou esmaltes medicinais só funcionam em micose superficial ou inicial.

O dermatologista afirma que o tratamento convencional é mesmo demorado - leva de três a seis meses. Se a micose estiver embaixo da unha ou começar na raiz dela, a cura é ainda mais difícil.

"É frequente a pessoa se curar e depois se contaminar de novo. Ou achar que está bem e interromper a terapia."

CORREIO BRAZILIENSE

O perigo de coçar os olhos

Muitas vezes, o ato surge por reflexo, mas deve ser evitado a qualquer custo. No lugar de alívio, surgem os riscos de desenvolvimento de problemas sérios, que vão de uma conjuntivite bacteriana ao descolamento da retina

Rebeca Ramos

O simples ato instintivo de levar os dedos aos olhos quando alguma coisa os irrita é um péssimo hábito e pode causar problemas. Coçá-los, então, nem se fala. Primeiro, porque, assim como em qualquer parte do corpo, quanto mais se esfrega, maior será a vontade de coçar. Depois, como a estrutura do órgão é muito delicada, a pressão exercida pelos dedos pode lesionar áreas importantes, que, no futuro, facilitam o desenvolvimento até de sérias doenças.

De acordo com o oftalmologista do Visão Institutos Oftalmológicos Associados Luiz Fernando Rabelo, há três fatores que podem causar coceira nos olhos: ambientais, patológicos e medicamentosos. No primeiro caso, o problema aparece quando a temperatura está extrema - quanto mais quente e seco, maior será a quantidade de poeira circulando na atmosfera. O mesmo ocorre com a umidade, que aumenta a proliferação de mofo. As causas patológicas têm relação com as reações das pessoas diante das mudanças climáticas, que podem desencadear rinites, bronquites e sinusites, entre outras alergias. Os problemas originados por medicamentos são provocados por eventuais efeitos colaterais. "Embora todas sejam conjuntivites alérgicas, o diagnóstico deve ser realizado em consulta e vai levar em conta o histórico do paciente", explica o médico.

Instalada a alergia, sintomas como lacrimejamento excessivo, vermelhidão, irritação, sensação de areia, inchaço das pálpebras, ardência e queimação mostram que há algo de errado com os olhos. O médico afirma que, por mais que pareça inevitável, jamais se deve levar os dedos aos olhos. O melhor a fazer é lavar com água limpa e procurar um especialista. "Coçar é pior, porque a mão é suja e leva bactérias para os olhos, desenvolvendo a conjuntivite bacteriana ou mesmo podendo machucá-los", ressalta.

Poeira, mofo e umidade demais são determinantes para que o desconforto da estudante Raquel Teixeira, 21 anos, comece. Por sofrer de rinite alérgica, qualquer um desses fatores contribui para que a jovem espirre, pisque em excesso, fique com o nariz congestionado e os olhos cocem sem parar. "É irritante. Fico incomodada nessas fases", diz. O problema de Raquel a impede de usar algumas maquiagens e, em tempos de crise, ela acorda com os olhos inchados. "Eu coço à noite sem ver e, de manhã, estou com eles inchados e vermelhos", conta.

Para evitar o problema, Raquel mantém a casa e, principalmente, o quarto sempre livres de poeira, utilizando produtos antimofo e trocando as roupas de cama com frequência. "Também lavo os olhos com soro fisiológico e faço compressa com água gelada. Alivia bastante", descreve. A estudante sempre utiliza um colírio lubrificante.

Complicação O oftalmologista Hilton Medeiros conta que a alergia e a coceira facilitam o desenvolvimento do ceratocone, doença caracterizada por um afinamento progressivo da córnea. Originalmente de formato côncavo, quando doente a córnea fica cada vez mais fina, mole e vai tomando a forma de um cone. "Isso compromete a visão, e o tratamento, às vezes, pode ser complicado", salienta.

O ceratocone é classificado em estágios moderado ou severo e se manifesta por miopia e astigmatismo nos olhos. Por isso, é comum que muitas pessoas tenham o mal sem saber. Quando a doença evolui, contudo, o paciente pode até perder a visão, que só irá ser recobrada com a utilização de lentes de contato, cirurgias e óculos. "Por isso, a insistência para não coçar os olhos. Há muito tempo, os especialistas já relacionam o surgimento do ceratocone a pacientes alérgicos, pois esses têm histórico de coçar os olhos demais", justifica.

Segundo o médico, a pressão que o dedo faz nos olhos muda a estrutura da córnea e da fibra ocular, deixando-a mais elástica, e, com isso, aumenta a pressão. E mesmo se expondo a esse risco, a pessoa que insiste em coçar os olhos vai apenas fazê-lo ainda mais. O oftalmologista explica que o ato estoura os mastócitos, células responsáveis pelas reações alérgicas que conduzem os leucócitos até a área afetada, para criar uma vasodilatação. Essa ruptura libera vitaminas que aumentam ainda mais a coceira. "É dessa forma que os olhos ficam vermelhos e irritados. O ideal mesmo é não coçar", salienta.

A securitária Akemi Kikuchi, 31 anos, sabe bem o mal que esse ato aparentemente bobo pode causar. Certo dia, os olhos começaram a arder e a coçar e, em pouco tempo, estavam inchados e vermelhos. "Não sabia o que fazer. Como uso lente, achei que não tinha limpado direito", relata. Akemi foi ao médico e descobriu que estava com conjuntivite bacteriana, mas não sabe direito o que causou. "Pode ter sido coçando, ou realmente a lente estava infectada", especula.

Conforme o especialista Luiz Fernando Rabelo, os casos com coceira extrema podem ocasionar lesões mais sérias, desde úlcera em escudo - tecido que nasce nos olhos e é tratado com remoção e corticoides - até machucados na retina. "Em casos mais graves ainda, pode levar, no futuro, ao descolamento da retina", destaca.

Alívio

Quando a coceira se instalar, vale utilizar compressas geladas, lavar com soro fisiológico ou colírios lubrificantes ou colírios antialérgicos. São vários no mercado. Eles são anti-histamínicos, que aliviam a coceira e estabilizam a membrana dos mastócitos. Só o médico, vale lembrar, pode prescrevê-los.

A conjuntivite

A alergia sempre acomete os dois olhos. Um pode estar mais visível que o outro, mas o problema está em ambos.

Na forma alérgica, a coceira é mais comum.

Secreções como remela clara ou amarelada são mais recorrentes na versão infecciosa.

Conjuntivite alérgica não é contagiosa. Só a viral.

A forma viral dura, no máximo, duas semanas. A alérgica, quando não tratada, pode ultrapassar esse período.

Existem quatro tipos de conjuntivite alérgica. São elas: sazonal (sensibilidade a fatores externos climáticos), vernal (associada a alergias sistêmicas), atópica (tipo raro, está relacionada à asma e dermatites) e papilar gigante (associada ao uso crônico de lentes ou traumas).

FOLHA DE S. PAULO

Mulheres com silicone PIP que vão processar Anvisa se reúnem em SP

Grupo de 25 pacientes vai entrar com ação coletiva por indenização

A advogada Soraya Casseb Barbosa reuniu ontem em Cotia (SP) quatro mulheres de um total de 25 que entrarão com uma ação coletiva contra a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na próxima semana.

Elas pedirão indenização por danos morais e ressarcimento dos custos com a troca das próteses de silicone defeituosas vendidas no país.

"Vamos pedir indenização pelo período que elas ficaram sem trabalhar, pelos riscos da nova cirurgia, pela nova cicatriz que terão e pelos prejuízos à saúde física e psicológica", afirma Barbosa.

A ação contará com 25 mulheres -17 do Estado de São Paulo, cinco de Santa Catarina, uma de Minas Gerais, uma do Rio e uma brasileira que mora na Suíça. Duas delas colocaram próteses de silicone da marca holandesa Rofil e as outras usaram implantes PIP.

Barbosa afirma que a decisão de processar a Anvisa foi tomada porque o órgão foi o "primeiro culpado."

"Foi a Anvisa que deixou as próteses entrarem no país. Se tivesse analisado pelo menos uma prótese, teria tomado providências para evitar que tantas mulheres usassem essas próteses."

Soraya é mulher do cirurgião André Luis de Miranda Barbosa, que tem consultório em São Paulo. O processo começou com um grupo de pacientes dele, mas depois se expandiu.

A representante de vendas Giselle Carotta, 37, é uma das mulheres que participarão da ação coletiva. Ela colocou as próteses PIP em 2002.

Por causa das notícias sobre a marca no fim do ano passado, fez uma mamografia que apontou um possível rompimento em um dos seios. Para confirmar, ela vai fazer uma ressonância magnética.

"O maior problema para nós é a falta de respeito da Anvisa", afirma.

Barbosa diz que vai pedir o "maior valor possível de indenização". "É para servir de alerta para a Vigilância."

Sexta-feira, 27.01.2012

ESTADÃO.COM.BR

Após polêmica, governo retira de MP artigo que dificultaria aborto legal

Retificação de Medida Provisória que cria cadastro de gestantes foi publicada no ‘Diário Oficial’

Lígia Formenti

Depois da polêmica com feministas e do mal-estar ocorrido na reunião passada do Conselho Nacional de Saúde, o governo federal decidiu retirar da Medida Provisória que cria o cadastro de gestantes um artigo que fazia referência aos direitos do nascituro. A retificação, que saiu na sexta-feira, 27, no Diário Oficial da União, ajudou a acalmar os ânimos, mas ainda não conseguiu satisfazer os movimentos sociais.

"O ideal seria tirar toda MP", afirmou a coordenadora executiva do movimento Católicas pelo Direito de Decidir, Rosângela Talib. Um desfecho que o governo evita a todo custo, de olho principalmente em preservar um dos benefícios criados pela Medida Provisória - o auxílio de R$ 50 para o deslocamento das gestantes até as consultas de pré-natal e ao local em que será realizado o parto. Como é ano eleitoral, a criação do benefício não poderia ser proposta numa MP editada agora.

A decisão de subtrair o ponto considerado mais polêmico foi tomada pela Presidência da República a pedido do Ministério da Saúde, informou o secretário de Atenção da pasta, Helvécio Magalhães. E foi anunciada pela presidente Dilma Rousseff na quinta-feira, 26, durante uma reunião com representantes de movimentos sociais. "Ela acaba com um mal-entendido em torno do assunto", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Publicada no dia 28 de dezembro, a MP determina a criação de um banco de dados com informações sobre grávidas e sobre atendimento prestado, principalmente àquelas consideradas com gestação de risco. A ideia visa a melhorar o acesso das gestantes à assistência de qualidade e a responsabilizar diretores dos serviços por eventuais falhas de atendimento.

Referência

Desde a sua edição, movimentos sociais apontaram falhas no dispositivo - todas encampadas pela maioria dos integrantes do Conselho Nacional de Saúde. A primeira delas é a referência ao direito ao nascituro - uma brecha, avaliam, para que obstáculos sejam colocados à interrupção da gravidez, mesmo nos casos previstos em lei.

Mesmo dentro do governo, a inclusão do tema havia sido criticada. "Pode parecer paranoia, mas não é", afirmou Elizabete Saar, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, durante um relato pessoal feito na reunião do conselho. Ela disse ainda considerar que o assunto deveria ter sido melhor debatido, o que teria evitado um desgaste desnecessário para o próprio governo.

A falta de discussão sobre o assunto também foi criticada por representantes dos movimentos sociais. E, sobretudo, pelo fato de o texto ter sido editado no formato de Medida Provisória. "Foi uma punhalada pelas costas", definiu a conselheira Lurdinha Rodrigues, durante a reunião realizada na quarta-feira passada.

Nessa reunião, o grupo tentou pedir a retirada total da MP, mas foi convencido pelo ministro da Saúde, também presidente do conselho, a adotar uma medida mais branda. Eles decidiram criar um grupo de trabalho, com prazo de 15 dias para avaliação do texto.

Avanço

Esse grupo vai continuar a discussão, afirmou Jurema Werneck, do Grupo Crioula. "O reconhecimento do erro foi um avanço. A retirada do termo foi importante, mas isso não invalida outros temas que precisam ser debatidos", afirmou. Entre eles está a própria criação do cadastro.

A ideia, de acordo com Padilha, é inspirada numa iniciativa realizada em Cuba para tentar reduzir a mortalidade. "Esse banco não resolve o problema", afirmou Lígia Bahia, representante no conselho da Associação Brasileira de Saúde Coletiva. "Isso só vai resolver quando estudantes de Medicina deixarem de fazer partos sozinhos, quando houver assistência pré-natal de qualidade, quando a mulher não precisar ouvir da equipe médica que tem de voltar para casa porque ainda não chegou a hora do parto ou peregrinar de hospital em hospital para saber se há vagas de atendimento."

Miranda afirmou que as conclusões do grupo de trabalho poderão ser apresentadas num segundo momento para o relator da MP.

PORTAL DA SAÚDE

Saúde anuncia novas ações na gestão de hospitais federais do Rio

Ministro Alexandre Padilha suspende 37 contratos e cancela outros quatro após auditoria do Denasus e da CGU em 99 contrações firmadas de 2008 a 2010.

O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (27) mais uma etapa da reestruturação dos hospitais federais do Rio de Janeiro. Serão suspensos, a partir de publicação de portaria, 37 contratos de obras e engenharia nos hospitais Andaraí, Lagoa, Ipanema, Cardoso Fontes, Servidores do Estado e Bonsucesso. Também serão cancelados de imediato quatro contratos de locação de equipamentos de videocirurgia e endoscopias digestivas e respiratórias. A determinação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi anunciada em entrevista coletiva realizada em Brasília.

O Ministério da Saúde também decidiu iniciar novo processo licitatório para substituir 18 contratos de serviços continuados – vigilância, limpeza, lavanderia, alimentação e apoio administrativo. Grupo de Trabalho irá avaliar cada um destes itens. Caso a decisão seja pela rescisão ou mesmo pela nulidade, serão feitas seleções emergenciais até que o processo licitatório seja concluído.

A ação, realizada em conjunto com a Controladoria Geral da União, analisa um total de 99 contratos, firmados entre 2008 e 2010, sendo 30 de serviços continuados, 41 de insumos e medicamentos, 16 de aluguel de equipamentos e 12 de obras. As auditorias foram solicitadas pelo ministro da Saúde em abril do ano passado. Na mesma data, também foi pedido o acompanhamento do Ministério da Justiça.

As auditorias ainda não chegaram à sua conclusão final, mas as análises preliminares apontam para desperdício de recursos públicos, seja por deficiências de gestão, sem necessariamente indicar má fé, seja por indícios de irregularidades. Entre as suspeitas apontadas pelas auditorias estão formação de cartel entre fornecedores, direcionamento de licitações e sobrepreço.

“Apesar de as auditorias ainda não estarem concluídas - todos os hospitais têm até a próxima semana para apresentar os seus posicionamentos-, o Ministério da Saúde resolveu adotar medidas com o objetivo de evitar o desperdício de recursos públicos”, explicou Padilha.

Para revisar e adequar cada um destes contratos, conforme critérios de economicidade, eficiência e transparência, serão criados dois grupos de trabalho – um que analisará todas as obras; e outro que revisará a locação dos alugueis de equipamentos, a prestação de serviços e a aquisição de insumos hospitalares.

O trabalho de campo do Ministério da Saúde e da CGU foi realizado a partir de junho do ano passado. Os resultados parciais foram entregues em etapas, sendo que a última delas, a respeito de insumos e equipamentos, foi encaminhada ao ministério em dezembro.

Os processos em andamento ainda vão verificar as responsabilidades, além de dar suporte para adoção de providências, visando a recuperação dos pagamentos indevidos. Isso só será possível após a conclusão das auditorias.

O ministro Alexandre Padilha também anunciou a implementação de sistema informatizado online nos hospitais federais, capaz de registrar os estoques, controlar o almoxarifado e as farmácias, monitorar os atendimentos realizados e elaborar o prontuário eletrônico dos pacientes. O sistema também fará o rastreamento de insumos distribuídos, desde a hora da compra até o uso pelo paciente.

O sistema já está em funcionamento no hospital da Lagoa e começa a funcionar, ainda nesta semana, em Ipanema. O próximo será o Cardoso Fontes. Até o fim deste ano, todos estarão informatizados.

Também foi anunciada a instituição de programa permanente de avaliação da satisfação do usuário, que servirá de base para a elaboração de relatórios semestrais de avaliação da qualidade do atendimento.

COMBATE AO DESPERDÍCIO

O Ministério da Saúde vem adotando uma série de ações para aprimorar a gestão e otimizar o uso de recursos do SUS e a qualidade do atendimento à população. Medidas como compra centralizada de produtos estratégicos, negociação direta do ministério com fornecedores e adoção de bancos de preços internacionais geraram economia de R$ 1,7 bilhão nos gastos com a compra de medicamentos e insumos em 2011 em comparação a 2010.

No Rio de Janeiro, o Departamento de Gestão dos Hospitais Federais vem implantando medidas administrativas para aperfeiçoar a gestão dos hospitais e combater o desperdício. Exemplo disso foi a centralização da compra dos insumos estratégicos, antes adquiridos por cada hospital, com diminuição de R$ 40,4 milhões nos custos globais e redução média de 20% nos preços individuais. Para conter perdas, o sistema de controle dos estoques dos hospitais foi aperfeiçoado. O planejamento de aquisição de insumos e medicamentos foi refeito de forma a permitir uma melhora na avaliação das necessidades e dos procedimentos licitatórios.

Com a reestruturação administrativa, todas as licitações para aluguel de equipamentos, obras e serviços nos seis hospitais passam a ser centralizadas pelo Departamento de Gestão Hospitalar. Além de ganhar escala e poder de barganha, a unificação permite a uniformização das aquisições, ampliando a transparência e facilitando a fiscalização.

TRANSIÇÃO

Com relação às medidas anunciadas nesta sexta-feira (27), o Ministério da Saúde tomou o cuidado de não suspender a locação de equipamentos essenciais para a manutenção da vida dos pacientes, como os usados para hemodiálise, anestesia e terapia intensiva.

Os contratos serão revistos pelo Grupo de Trabalho, que decidirá sobre o custo-benefício da substituição por equipamentos próprios ou pela manutenção do aluguel, em outro formato de contrato.

O grupo de gestão de engenharia clínica, que já existe, assumirá a nova tarefa de monitorar a qualidade e o funcionamento dos equipamentos de todos os hospitais.

É importante ressaltar, no entanto, que as ações anunciadas agora poderão afetar alguns serviços, principalmente os procedimentos eletivos, ou seja, aqueles que não são casos de urgência.

“O Ministério da Saúde pede a compreensão da população do Rio. Quero frisar que estas medidas são fundamentais para que possamos oferecer um serviço de mais qualidade com a correta aplicação de recursos públicos”, esclarece Padilha.

AGENDA


- 30º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo

Data - 28 a 31 de Janeiro 2012

Local - Expo Center Norte

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 - São Paulo-SP

Informações e Adesões - 0800 12 85

E-mail: secretaria.decofe@apcdcentral.com.br

Site - http://www.ciosp.com.br/

- 18° Congresso Mundial de Ergonomia, Congresso da União Latino-Americana de Ergonomia e 16° Congresso Brasileiro de Ergonomia

12/02/2012 a 16/02/2012

Local: Recife - PE

Outras informações: http://www.iea2012.org/index_pt.htm

- XIII Congresso da SPMFR - Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação

Data- 08 a 10 de Março de 2012

Local- Hotel Cascais Miragem - Cascais - Portugal

Telefone- +351 915768902

Email- pmfr@spmfr.org

Site Oficial- http://www.congressospmfr.org/

- 37° Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo

Data- 12 a 14 de Abril de 2012

Local- Hotel Windsor - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

Email- mailto:retina29012@interevent.com.br

Site Oficial- http://www.interevent.com.br/

- 13th World Congress on Public Health

21/04/2012 a 29/04/2012

Local: Addis Abeba - Ethiopia

Outras informações: http://wfpha.confex.com/wfpha/2012/cfp.cgi

- World Nutrition Rio 2012

27/04/2012 a 30/04/2012

Local: Rio de Janeiro - RJ

Outras informações: http://www.worldnutritionrio2012.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 





 
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