25-01-13

 

Leia nesta edição:

- Beneficência Portuguesa estuda gerir hospital público

- Hospitais da capital limitam acesso de acompanhante profissional do parto

- ANS delibera hoje sobre a Real Saúde

- Agência ameaça punir obstetra que cobrar taxa extra

- Novo plano de previdência privada para a saúde deve ser aprovado ainda no primeiro semestre

- Clínica arremata em leilão prédio do Campos Salles e anuncia reabertura

- Maternidade aborda alisamento infantil e é acusada de racismo

- Saúde libera R$ 1,7 mi para área oncológica de AL

- Niterói decreta estado de emergência na rede de saúde

- Governo cria grupo interministerial para ampliar serviço de radioterapia no SUS

- Ministério da Saúde decide criar Cadastro Nacional de Especialistas

Sexta-feira, 25.01.2013

BRASIL ECONÔMICO

Beneficência Portuguesa estuda gerir hospital público

Entidade avalia modelo de Organização Social de Saúde para diversificar assistência

Regiane de Oliveira

Considerado um dos maiores parceiros do setor público na área de saúde, a Beneficência Portuguesa de São Paulo estuda diversificar seu modelo assistencial e gerir as chamadas Organizações Sociais de Saúde (OSS) hospitais públicos que são administrados por instituições filantrópicas. "Ainda não avançamos no assunto, mas também não está descartado. O modelo de OSS ainda é recente na esfera pública e, por isso, o estatuto da Beneficência teria de ser mudado para contar com a possibilidade de parceria", diz Fábio Tadeo Teixeira, que desde novembro de 2012, assumiu interinamente a superintendência da instituição, com a saída de Luiz Koiti, que ficou quatro anos à frente do hospital.

De qualquer forma, "a Beneficência tem todas as características para se tornar uma OSS", lembra o executivo, que é um dos entusiastas desse modelo de parceria público privada. Teixeira, aliás, tem grande experiência com o modelo. Ele atuou como diretor executivo do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, e da Casa de Saúde São José, no Rio, ambos hospitais de referência, que ajudam a sustentar as diversas obras sociais da Associação Congrega cão de Santa Catarina. Também foi gestor do Hospital Geral da Pedreira, a primeira OSS de São Paulo, por muito tempo considerada modelo de eficiência em gestão de equipamentos públicos, além de ter participado da implementação de várias unidades do Programa Saúde da Família (PSF) da Secretaria de Saúde do Estado de SP, em bairros carentes da Zona Sul da capital.

Teixeira afirma que sua missão à frente da Beneficência é continuar o trabalho de Koiti: buscar o equilíbrio financeiro da Beneficência, "adequado à demanda e à expectativa dos mantenedores".

Um trabalho por si só delicado, visto a dinâmica do setor de saúde público. De um lado, está o Sistema Único de Saúde, cujo orçamento apertado não permite atualizar as tabelas de preços pelos serviços pagos aos parceiros. Do outro, os planos de saúde, um mercado cada vez mais consolidado, inclusive, com a entrada de grandes corporações estrangeiras, como a United Health (Amil), que aperta os custos para remunerar os acionistas. E ao redor, a principal variável: os avanços da tecnologia de saúde, que encarecem cada vez mais os serviços.

A Beneficência vem promovendo diversas ações para melhorar a saúde de sua operação, como a abertura dos Hospitais São José, focado no atendimento privado, e Santo Antônio, voltado para o SUS. "A ideia é ampliar o atendimento a convênios para ajudar a cobrir o déficit do SUS", explica. Em 2012 conseguiu um aumento de 11% na receita para R$ 660 milhões, mas que não foi suficiente para deixar a empresa superavitária. Atualmente, 52% das internações da Beneficência são de pacientes do SUS, outros 18% são pacientes ambulatoriais. "Antes, tínhamos de ter 60% de internações do SUS, mas o governo mudou as regras para dar fôlego aos hospitais filantrópicos", diz. O restante, são pacientes dos convênios, cuja participação tente a aumentar.

O ESTADO DE S. PAULO

Hospitais da capital limitam acesso de acompanhante profissional do parto

Desde 2ª feira, limitação do número de acompanhantes do parto a apenas uma pessoa - em geral, o pai do bebê - no Hospital e Maternidade Santa Joana e na Maternidade Pro Matre Paulista na prática impede o trabalho das doulas, que dão apoio emocional à mãe

Mariana Lenharo

O Hospital e Maternidade Santa Joana e a Maternidade Pro Matre Paulista, ambos do Grupo Santa Joana, limitaram desde a última segunda-feira o número de acompanhantes durante o parto a apenas uma pessoa. Como o pai do bebê costuma acompanhar o parto, a medida, na prática, dificultou o acesso às maternidades das doulas - profissionais que acompanham as gestantes antes, durante e após o parto, oferecendo suporte emocional às mães.

A determinação veio à tona ontem, quando a comunicação interna do Grupo Santa Joana que informava que a entrada de doulas não seria mais autorizada nas duas instituições a partir do dia 21 foi reproduzida nas redes sociais por uma ativista. O debate ganhou força nas redes e a medida passou a ser atacada por defensores do parto humanizado.

De acordo com a assessoria de imprensa do Grupo Santa Joana, esse comunicado não deve ser levada em conta, pois se trata de um "erro de comunicação interna" cometido por uma secretária. A instituição afirma que a limitação do número de acompanhantes "visa, exclusivamente, a manter os menores índices de infecção hospitalar das maternidades" e "a própria gestante determinará quem a acompanhará no Centro Obstétrico, podendo, sim, ser sua doula, caso seja solicitado". Apesar disso, funcionários da Maternidade Pro Matre Paulista afirmavam ontem, por telefone, que haviam recebido a orientação de que as doulas tinham sido proibidas.

Para a obstetriz Ana Cristina Duarte, coordenadora do Grupo Apoio à Maternidade Ativa (Gama), a medida representa uma restrição ao trabalho das doulas, já que a gestante não deve abrir mão do acompanhamento do companheiro para dar a vaga à profissional. Ela afirma que esses dois hospitais sempre dificultaram o acesso das profissionais.

"Eles dificultam o cadastro. A profissional tem de preencher um cadastro supercomplexo e assinar um documento em que se compromete a não tocar na gestante. Tem de levar até carteira de vacinação, o que não se pede nem para médicos nem para enfermeiros", diz Ana

Regulamentação

Para o obstetra Eduardo Cordioli, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) e coordenador médico da maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein, é importante que a mulher seja acompanhada de maneira próxima durante o parto para receber suporte emocional e orientações, seja pelo obstetra, pela enfermeira-obstetra, pela família ou pela doula.

Porém, ele considera problemático o fato de a profissão não ser regulamentada no País. "Para trabalhar, preciso de um diploma, mostrar que sou capacitado, apresentar meu crachá. Tudo o que acontece dentro do hospital é de responsabilidade do médico e do próprio hospital. Como posso garantir atividade de uma doula se não ela não tem registro nem rastreabilidade?"

Ele afirma que, no caso do Einstein, a doula é permitida como acompanhante da gestante, assim como o marido e a família. "Mas quando você vai para as áreas onde só os profissionais cadastrados podem entrar, como a UTI, as doulas não são permitidas", diz Cordioli. Outros hospitais de São Paulo, como São Luiz e Santa Catarina, também autorizam a participação de doulas.

Cordioli cita que, em outros países, a atividade é regulamentada e a profissional tem treinamento formal, além de ser cadastrada em uma sociedade da profissão. "O que se recomenda é que ela tenha ao menos um curso de enfermagem em obstetrícia. É assim em países desenvolvidos que trabalham com doulas. Agora a profissão precisa ser regulamentada no Brasil."

JORNAL DO COMMERCIO

ANS delibera hoje sobre a Real Saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulga hoje uma resolução ordinária contra a operadora Real Saúde, por reiteradas negativas de cobertura para seus clientes. Com 49 mil usuários, a cada dia a operadora e a América Saúde, que faz parte do mesmo grupo empresarial, são acusadas pelos clientes de não disponibilizarem os serviços de saúde que elas são contratadas para entregar. Nas últimas semanas houve, ainda, diversos tumultos na frente da sede das empresas, por causa de usuários revoltados com o tratamento indiferente que vêm recebendo. O diretor-presidente interino da ANS, André Longo, reconhece que há um problema localizado em Pernambuco.

Estamos preparando tudo para ser divulgado. Temos problemas graves, localizados em Pernambuco e tudo vem sendo monitorado pelos delegados da ANS. Eles produzem relatórios que servem de base para as medidas saneadoras que vamos tomar , disse o executivo, salientando que o problema mais visível atualmente é a negativa de cobertura de vários procedimentos médicos.

Nos últimos dias, a agência passou a ser criticada por oferecer como opção de portabilidade justamente empresas com indícios de insolvência. Sobre isso, Longo argumenta que a realidade é muito dinâmica. Há quatro meses a Real Saúde era a potencial compradora da Ideal Saúde (que saiu do mercado pelos mesmos problemas), tinha recursos e parceria com um banco (Gerador). Então, essa situação mudou muito rápido. A ANS está procurando, dentro do processo legal, ser o mais célere possível para tomar medidas que venham sanear os problemas de Pernambuco , salientou. Sobre a mudança repentina, André Longo diz que isso não representa má-fé dos diretores dessas empresas, mas que essa questão sempre é analisada nesses casos.

O executivo argumenta que a agência tem de cumprir todos os procedimentos administrativos, como dar espaço ao contraditório, para evitar a recursos judiciais das empresas. Há algumas, mesmo em Pernambuco, que estão no mercado sob força de liminar , comentou Longo, referindo-se à Unimed Guararapes. A advogada da Real Célia Pessoa não foi localizada.

GAZETA DO POVO

Agência ameaça punir obstetra que cobrar taxa extra

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) afirmou ontem que os obstetras que cobrarem taxa extra para realização de parto normal podem ser descredenciados dos planos de saúde e as operadoras poderão receber multa de até R$ 100 mil pela prática indevida. No início do mês, um grupo técnico reuniu-se para analisar o parecer emitido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), no qual afirmava que a prática da cobrança não fere a ética médica.

O posicionamento do CFM foi em relação se era antiético, e eles entenderam que não. Mas, na saúde suplementar, essa taxa é indevida. Nenhuma outra especialidade pode cobrar por fora. Isso não existe e não pode acontecer , afirmou Karla Coelho, gerente de assistência à saúde da ANS. De acordo com Karla, os contratos firmados com as operadoras especificam que devem ser realizados todos os procedimentos que possuam cobertura obrigatória, inclusive assistência ao parto.

Atualmente, a agência investiga 15 denúncias feitas tanto pelas próprias operadoras quanto por clientes dos planos de saúde a maioria nos estados de Minas Gerais e São Paulo. Se constatada a irregularidade, a operadora estará sujeita a multa de R$ 80 mil por negativa de cobertura, podendo ser agravada, se for um caso de urgência e emergência, para R$ 100 mil.

Uma nova reunião entre o CFM, a ANS e médicos está prevista para fevereiro.

GLOBO ONLINE

Novo plano de previdência privada para a saúde deve ser aprovado ainda no primeiro semestre

Reservas supririam aumento dos gastos na terceira idade e contariam com isenção fiscal para despesas com planos de saúde

Poupar hoje para dar conta dos gastos que aumentam na velhice já é o objetivo de muitas pessoas que investem na previdência com o objetivo de aposentadoria. Um incentivo a mais será a entrada no mercado dos novos Plano Gerador de Benefícios Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) voltados para a saúde, uma iniciativa que vem sendo discutida no âmbito da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) há cinco anos e que pode ser regulamentada ainda no primeiro semestre. Com esse tipo de aplicação, será possível pagar o plano de saúde por meio do plano de previdência, como se as parcelas mensais fossem resgates, mas que não serão tributados, como ocorre num fundo tradicional.

Hoje, quem tem um plano PGBL pode deduzir suas contribuições da base de cálculo do Imposto de Renda (IR) até o limite de 12% de sua renda bruta anual. Com isso, o pagamento do tributo é adiado para a hora do resgate ou do recebimento do benefício que foi contratado. Já para os donos de VGBL, o imposto incide sobre a rentabilidade obtida pelo plano. Segundo Osvaldo Nascimento, presidente eleito da FenaPrevi, num segundo momento, poderão ser incluídos nos PGBLs e VGBLs Saúde também despesas médico-hospitalares. A regulamentação dos novos produtos está sendo negociada com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) e a Receita Federal, diz ele.

- Não é apenas no Brasil que a inflação da saúde avança num ritmo mais forte do que a inflação oficial. A tecnologia do setor é cada vez mais sofisticada. E já se sabe que o sistema público não é suficiente. No mundo inteiro, a saúde pública se deteriora.

Segundo o consultor-sênior de previdência da Mercer, Eduardo Correia, a inflação médica sobe quase 10% ao ano - em 2012, a inflação oficial do país, medida pelo IBGE, foi de 5,84%. Para ele, é preciso encarar o processo de envelhecimento de forma mais inteligente.

- Muitas pessoas têm plano de saúde enquanto estão trabalhando, mas não quando se aposentam. Poucas empresas oferecem essa cobertura na aposentadoria. Além disso, hoje o que há na previdência é um diferimento fiscal, adia-se o pagamento do imposto. Se vai haver isenção, é algo positivo.

Quem desistir do projeto no meio do caminho poderá fazer o resgate ou recorrer à portabilidade para outro plano ou operadora, explica Nascimento. Ele acredita que o participante do plano conseguirá vantagens junto às empresas de planos de saúde, como a contratação de pacotes mais em conta, já que a existência da reserva minimiza o risco de inadimplência.

- A ideia é incentivar todos aqueles que podem a formar, com pequeno esforço, uma poupança para a saúde. Isso para que eles não se deparem com dificuldades de financiar seus gastos quando mais precisarem - defende Nascimento.

O novo plano já existe em países como os Estados Unidos, de onde veio a inspiração para sua criação. Edson Franco, diretor-presidente da Zurich Santander, explica que o VGBL Saúde tem uma característica que é tendência nos mercados mais desenvolvidos de previdência: "a tipificação de produtos". Nesses mercados, não só há mais diversidade de opções, como de incentivos tributários. Há fundos específicos para acumular a distribuição de lucros da empresa, para funcionários de empresas sem fins lucrativos, para a educação, entre outros, ilustra o executivo.

- Para o governo, não representa uma renúncia fiscal, porque os gastos com saúde hoje podem ser abatidos do imposto de renda. Para as pessoas, é interessante porque se agiliza o reembolso da dedução fiscal e cria-se uma reserva com finalidade específica para a saúde.

Para Franco, a estabilidade macroeconômica do país, que possibilitou um forte processo de mobilidade social, contribuiu tanto para que mais pessoas pudessem adquirir produtos a que não tinham acesso - como a previdência - quanto para que o brasileiro passasse a pensar mais em fazer uma poupança de longo prazo.

- A iniciativa é muito importante. Além da pirâmide social, a demografia no Brasil também está mudando, com o aumento da expectativa de vida e a queda da natalidade. Todos os produtos voltados para a terceira idade tendem a se sofisticar.

O presidente da FenaPrevi cita dados da Organização Mundial de Saúde para afirmar que, se contabilizados os gastos que uma pessoa terá do início ao fim da vida, 75% deles ocorrerão após os 65 anos. O aumento da expectativa de vida no Brasil e no mundo ainda agrava o cenário.

DIÁRIO DE SUZANO

Clínica arremata em leilão prédio do Campos Salles e anuncia reabertura

Suzano deve ganhar ainda neste ano um hospital particular especializado em área cardíaca. A unidade de saúde vai funcionar onde era o antigo Hospital e Maternidade Campos Salles. O prédio foi arrematado em um leilão pelo diretor da Clínica Poá D'or, Ahmad Youssef Saleh. Conforme o DS havia noticiado, com exclusividade, a dívida da administradora do antigo hospital, Samcil Planos de Saúde, com o Banco Pine ultrapassava os R$ 18,9 milhões (veja mais em matéria abaixo).

A inauguração do prédio depende do término da reforma que já havia sido iniciada pela Santa Casa de Misericórdia. "O que foi feito pela Santa Casa foi pouca coisa. Somente 10% do que tinha que ser feito foi reformado", explicou ontem o diretor com exclusividade ao DS.

O novo hospital deverá se chamar Suzan Cor e terá 70% do atendimento voltado para a área cardíaca. "Vamos fazer atendimentos de alta complexidade, como angioplastia".

Além disso, o diretor pode contar com uma parceria com a Prefeitura e até mesmo com a Santa Casa. "Vamos tentar uma parceria com o prefeito (Paulo Tokuzumi - PSDB) e com o interventor (Marcelo Godofredo).

Inicialmente, a ideia é que o local tenha somente atendimento particular, mas posteriormente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser encaminhados para o local. Para ter este tipo de atendimento, é preciso parcerias e liberação de verbas. "Vamos começar com atendimentos particulares, mas gostaria muito que tivéssemos atendimento SUS. Mas, isso tem que ser visto posteriormente".

O DS apurou que o valor para arrematar o prédio - por meio de leilão - girava em torno de R$ 5 milhões e poderia ser pago em até 60 vezes. O diretor não confirmou se o valor pago por ele foi esse. O leilão foi realizado recentemente.

Além disso, o prédio chegou a ser oferecido para a Prefeitura. Isso porque ela tinha um contrato de locação do imóvel, ou seja, tinha prioridade no processo.

O ESTADO DE S. PAULO

Maternidade aborda alisamento infantil e é acusada de racismo

Giovanna Girardi

Além do entrave à presença das doulas, o Hospital e Maternidade Santa Joana causou ontem revolta também entre comunidades negras e nas redes sociais por suspeita de racismo.

A origem das críticas foi um texto publicado no blog do hospital no dia 16. Sob o título "Minha filha tem o cabelo muito crespo. A partir de qualidade posso alisá-lo?", abordava o que fazerem relação às "muitas crianças {que) nascem com os cabelos crespos ou rebeldes demais".

Lembrando que muitas mães recorrem ao alisamento "para deixarem as crianças mais bonitas", o texto sugeria que não se use formol de jeito nenhum e que "há opções de escovas que podem ser feitas nas meninas de pouca idade sem causar danos".

O advogado Sílvio Luiz de Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, que atua na defesa de negros, minorias e direitos humanos, classificou como racismo. "É a forma sutil com que o racismo aparece, não nas intenções, mas na prática", disse. "É não reconhecer uma característica que é natural dos afrodescendentes, considerando o cabelo como algo indesejado, inferior. Eles podem até dizer que só estão respondendo a uma pergunta, mas estão reproduzindo práticas racistas."

No Twitter, os internautas foram da bronca à ironia. "Alô, Hospital e Maternidade Santa Joana, tirem logo esse post do ar e retratem-se!", escreveu @flahqueiroz. "Eu nasci no Santa Joana e naquela época era ok bebê ter cabelo mim", contou @tuttyupie. "Minha filha tem nariz de batatinha, a partir de qual idade a rinoplastia é recomendada?", brincou @por_toutatis, que também mandou: "Agende uma cesárea e ganhe uma progressiva".

O texto fez um casal negro desistir de ter o filho na maternidade. Ederson Manoel e Daiana Alencar da Silva, grávida de seis meses, haviam visitado o Santa Joana para avaliar a possibilidade de ela dar à luz lá. Por algum motivo, o nome dele foi marcado no post "Cabelinho crespo! Incentivar ou alisar?" que o hospital pôs no Facebook.

"Fiquei completamente incomodado com isso. O que eles estão dizendo é: 'Tenha vergonha do seu cabelo crespo'", queixou- se Manoel, que disse não querer mais ter nenhum relacionamento com o hospital.

Daiana disse que não sabia se era por preconceito, mas que, para ela, era claro que o hospital estava "se mostrando favorável a que as mães façam o alisamento nas crianças e mascarem sua identidade, mudem sua imagem original". E complementou: "Eles sugeriram até o produto. O hospital pecou ao fazer essa colocação".

Justificativa

Após receber mais de 340 comentários no post no Facebook e mais de 300 compartilhamentos com críticas, o hospital se manifestou. Em nota, disse que "não foi de sua intenção ofender qualquer pessoa" e que a finalidade foi "puramente informativa, com o intuito de orientar as mães no que diz respeito à utilização de produtos químicos em crianças, de acordo com as normas da Anvisa".

Disse ainda que "lamenta que tenha causado tal aborrecimento a seus seguidores nas redes sociais" e "que não é adepta a nenhuma forma de preconceito ou racismo". Por fim, informou que "em respeito aos seus pacientes e leitores que se sentiram desconfortáveis com essa publicação removeu o texto de suas redes sociais e pede desculpas pelo mal-entendido."

Quinta-feira, 24.01.2013

PORTAL DA SAÚDE

Saúde libera R$ 1,7 mi para área oncológica de AL

O serviço compõe o rol de tratamentos que a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia disponibilizará a população de Arapiraca e municípios vizinhos

O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, inaugura nesta quinta-feira (24), no município de Arapiraca (AL), a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), com serviço de radioterapia, no Hospital CHAMA - Centro Hospitalar Manoel André. A unidade irá desafogar os hospitais de Maceió e facilitará o acesso da população, principalmente do sertão alagoano à assistência especializada para tratamento do câncer, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde, por meio de portarias, já habilitou a unidade e garantiu repasse anual de R$ 1,7 milhão para o funcionamento do serviço.

Agora, os moradores de Arapiraca e municípios vizinhos não vão precisar mais percorrer longas distâncias até a capital, para garantir o tratamento de radioterapia. “Haverá o ganho de tempo a partir do diagnóstico precoce e o início do tratamento, possibilitando melhores taxas de cura, além de proporcionar conforto, qualidade de vida e economia ao paciente”, ressalta o secretário Helvécio. De acordo com a administração do Hospital CHAMA, desde que saiu a habilitação do serviço, em dezembro passado, 35 pacientes iniciaram a radioterapia e já há lista de espera. Atualmente, 80% dos atendimentos do hospital são do SUS.

Na área de Oncologia, o SUS é estruturando para atender de forma integral e integrada os pacientes que necessitam de tratamento. Atualmente, a Rede de Atenção Oncológica está formada por hospitais habilitados como Unacon e Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon). Estes estabelecimentos devem oferecer assistência geral, especializada e integral ao paciente com câncer, atuando no diagnóstico e tratamento. A assistência especializada abrange sete modalidades integradas: diagnóstico, cirurgia oncológica, radioterapia, quimioterapia (oncologia clínica, hematologia e oncologia pediátrica), medidas de suporte reabilitação e cuidados paliativos.

O Unacon de Arapiraca irá funcionar em um prédio anexo do Centro Hospitalar Manoel André. Na unidade serão disponibilizados serviços de cirurgia oncológica, radioterapia e quimioterapia, além de consultas de triagem diagnóstica.

O serviço de radioterapia conta com equipamento de alta tecnologia em planejamento e tratamento já habilitada para realização de Radioterapia Modulada (IMRT), Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT) e Radiocirurgia. Tem capacidade para atender 80 pacientes/dia, divididos em três turnos diários (das 7 às 22 horas). Todos os pacientes são acompanhados por equipe multiprofissional formada por radioncologistas, físicos médicos, enfermeiras, técnicos em radioterapia e psicóloga.

O Serviço de Oncologia Clínica dispõe de seis consultórios para atendimento por mais profissionais, como cirurgião oncológico, oncologista clínico, psicólogo, nutricionista, enfermeiros e fisioterapeutas. A estrutura do serviço conta ainda com salão de quimioterapia com capacidade de realização de 90 tratamentos ao dia, duas salas de atendimento de emergência. Os tratamentos são realizados sob supervisão de médico oncologista clínico, que está à disposição 24hs por dia.

O Hospital CHAMA conta com 159 leitos SUS para internação oncológica, sendo 30 leitos para oncologia, além de estrutura para realizar exames complementares, como raio x, tomografia computadorizada, ressonância magnética, medicina nuclear, laboratório, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e diversas especialidades médicas. O hospital possui ainda habilitação em Unidade de Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Nefrologia, Neurologia e Neurocirurgia, e Trauma Ortopedia.

ASSISTÊNCIA

O Estado de Alagoas conta com três Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia e dois Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia, sendo um com serviço de oncologia pediátrica.

Entre janeiro e outubro de 2012, Alagoas registrou 61.061 exames de mamografia, sendo 27.356 na faixa prioritária (50 a 69 anos), e 129.279 exames citopalógicos (papaniclau), sendo 100.815 feitos por mulheres entre 25 e 64 anos. O volume de quimioterapias realizado em 2012 foi de 17.400.

Já em 2011 foi de 22.231, 8% a mais quem em 2010 (20.566). Na radioterapia, nos dez primeiros meses do ano passado, a produção do estado registrou 44.529 procedimentos. Em 2011, esse número chegou a 16% (99.434) a mais quem em 2010 (85.537 procedimentos).

AGÊNCIA BRASIL

Niterói decreta estado de emergência na rede de saúde

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PT), decretou hoje (24) estado de emergência na saúde do município, com o objetivo de reverter a crise na rede hospitalar da cidade. Com a decisão, foi criado um gabinete de crise, coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com as secretarias de Governo, Conservação e Serviços Públicos, Fazenda, além da Niterói Transportes e Trânsito (NiTrans) e Empresa de Obras Públicas (Emusa). O decreto terá validade de 90 dias, e poderá ser prorrogado pelo mesmo período ou revogado, caso a situação da rede saúde do município melhore.

“O decreto é fruto de um diagnóstico que fizemos esses dias, em que vimos um quadro grave de desassistência à saúde da cidade, com degradação do patrimônio de várias unidades de saúde, graves problemas na área de recursos humanos, falta de equipamentos básicos nas unidades de urgência e emergência. Várias unidades foram fechadas, como as emergências do Hospital Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, fechado há um ano e dois meses, e do Hospital Antonio Pedro”, avaliou o secretário municipal de Saúde, Chico D'Ângelo. A assinatura do decreto ocorreu na unidade de emergência Mário Monteiro.

No início de janeiro, a emergência pediátrica do Hospital Getúlio Vargas Filho foi reaberta e está funcionando como um hospital de campanha. Em 20 dias, já foram atendidas cerca de três mil crianças.

“Na unidade Mário Monteiro, o raio-x estava sem funcionar, assim como o elevador. Não havia equipamentos básicos para atender pacientes mais graves, como o respirador, e hoje temos dois aparelhos funcionando. Evidente que isso é um cenário muito específico, mas a situação da rede como um todo estava muito grave. Na emergência do Getulinho, com a ajuda do secretário de estado, Sérgio Côrtes, e do governador nós pudemos atender as crianças que estavam desassistidas”, acrescentou o secretário.

De acordo com o prefeito Rodrigo Neves, o decreto "é uma resposta planejada da prefeitura no sentido de restabelecer a assistência de saúde à população, o abastecimento nas unidades, viabilizar a contratação de profissionais de saúde e recuperar fisicamente as unidades. A saúde de Niterói está na UTI e nosso objetivo é reverter rapidamente essa situação”.

Segundo a prefeitura, nove unidades básicas de saúde serão reformadas, além da requalificação das unidades Policlínica do Largo da Batalha e Mário Monteiro, que vão operar no modelo das Unidades de Pronto-Atendimento (UPA). Para as ampliações e reformas, está previsto repasse de R$ 20 milhões para a prefeitura e o governo federal.

AGÊNCIA BRASIL

Governo cria grupo interministerial para ampliar serviço de radioterapia no SUS

O governo publicou hoje (24) no Diário Oficial da União portaria instituindo grupo interministerial para aprovar projetos do Plano Nacional de Expansão da Radioterapia no Brasil. De acordo com a norma, o grupo contará com representantes do Ministério da Saúde, da Anvisa e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnem).

Conforme a portaria interministerial, assinada pelos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, o grupo ficará encarregado de aprovar os projetos básicos e executivos de arquitetura e engenharia para a criação de 48 novos serviços de radioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) e para a ampliação de 32 já existentes.

Os órgãos que participam do grupo terão 15 dias para indicar os integrantes. Ao menos um representante dos órgãos de vigilância sanitária estaduais deverão representar no grupo as unidades da Federação que receberão os novos serviços e as ampliações.

A radioterapia é um dos tratamentos utilizados para combater o câncer. A técnica utiliza feixes de radiação ionizante, que são capazes de destruir as células tumorais.

PORTAL G1

Ministério da Saúde decide criar Cadastro Nacional de Especialistas

Meta é conhecer perfil dos médicos e saber como eles estão distribuídos. Iniciativa também deve ajudar políticas públicas nos próximos 10 a 15 anos

Médico que cobrar taxa extra para parto natural será punido, diz ANS ANS anuncia nova suspensão de planos de saúde; 225 são atingidos ANS divulga ranking de qualidade do serviço oferecido por planos de saúde O Ministério da Saúde vai criar um cadastro nacional para conhecer melhor o perfil dos médicos e saber como eles estão distribuídos pelo país.

A lista também deve ajudar na elaboração de políticas públicas para a formação de novos profissionais nos próximos 10 a 15 anos.

A iniciativa de formular o Cadastro Nacional de Especialistas é uma parceria com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB). Também há a participação do Observatório de Relações Humanas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O novo banco de dados deve conter informações do CFM, da AMB, do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).

Segundo o diretor-presidente da ANS, André Longo, será necessário um esforço geral entre as instituições parceiras para atualizar constantemente os registros e facilitar o acesso aos usuários dos planos de saúde, gestores e toda a sociedade sobre a atuação dos médicos no Brasil.

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 





 
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