A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apresentou
o texto base da Resolução Normativa que vai tratar
do Programa de Qualificação de Prestadores, durante
a reunião da Câmara Técnica, realizada no último
dia 07 de agosto. Para o representante da Confederação
Nacional de Saúde (CNS) no encontro, Dr. João Lucena,
o assunto ainda deve ser mais debatido antes de se chegar a um
texto final.
De acordo
com a gerente Geral de Integração com
o SUS, da Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), Dra. Jussara Macedo, esta é a primeira vez que
o órgão trabalha uma norma sobre este assunto e,
por isso, o texto ainda deve ser submetido à discussão
com o mercado e aprovação da diretoria colegiada
da ANS.
Além dos incentivos para que médicos, laboratórios
e hospitais busquem melhorar seus índices de qualidade,
a Resolução, com nove artigos, deve significar
definição de parâmetros para que a ANS tenha
algum poder regulatório sobre os prestadores. A Lei dos
Planos de Saúde - 9656/98 – não trata desta
questão, a não ser a aplicação de
punição no caso de o prestador se recusar a conceder
as informações solicitadas pela Agência.
A idéia da RN, no entanto, está mais voltada para
o estímulo à busca da qualidade, tanto por meio
de programas de acreditação, quanto pela participação
em ciclos de qualificação, como o projeto Sinhá,
da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp).
Além disso, o envolvimento com o Programa de Reações
Adversas a Medicamentos, da Anvisa, também está incluído
na proposta.
Os participantes
da Câmara Técnica demonstraram
boa aceitação à proposta, conforme informou
a gerente da ANS. No entanto, como ressaltou, muitos prestadores
temem que a RN possa ser utilizada como argumento para descredenciamento.
No entanto, Dr. Jussara avisou que o texto contém, explicitamente,
a proibição de uso da norma para a exclusão
do prestador.
O representante
da CNS propôs, durante a reunião,
que o debate seja dividido entre os grupos de prestadores – hospitais,
médicos e laboratórios – tendo em vista que
cada um tem uma reivindicação diferente e uma fora
distinta de ser exigida a qualidade. “Da maneira como está,
com todos os prestadores juntos, o assunto está confuso
e não conseguimos chegar a um consenso. Também
solicitamos que seja definido um cronograma de implantação
para cada tipo de prestador”, disse Dr. Lucena.
Outra preocupação está nos custos que os
prestadores terão para atender às exigências
da nova norma. “Além do padrão básico
da acreditação, a ANS também pede a inscrição
no CNES e sua atualização, além do preenchimento
do CIH e do TISS. Para isso, com certeza, os prestadores terão
custos para responder a estas exigências”, afirmou
Dr. Lucena.
A gerente
da ANS, contudo, disse que os gastos com acreditação,
por exemplo, devem ser reduzidos, uma vez que, a ANS, com apoio
da CNS, estabeleceu parceria com o BNDES, criando o cartão
de financiamento para prestadores que tenham interesse em buscar
a acreditação, bem como a certificação
faz parte do Programa Mais Saúde, do governo federal.
Uma vez que a rede hospitalar é sobreposta, isto é,
muitos estabelecimentos atendem ao SUS e à Saúde
Suplementar, é possível esperar uma sinergia entre
as iniciativas dos dois setores.
Nesse esforço, a ANS está contando, ainda, com
o envolvimento das operadoras, que, para alcançarem uma
boa nota no programa de qualificação da ANS também
precisa apresentar uma rede qualificada. A Agência pretende
oferecer estímulos para que as empresas invistam em seus
prestadores.
Para a categoria
médica, em particular, a ANS pretende
realizar um fórum, dentro de um mês, para discutir
a Resolução. Os profissionais estão preocupados
com a falta de contratos e os problemas na contratualização
que ainda existem. A Agência pretende trabalhar com os
médicos e sanar, assim, todos os problemas que possa haver
na instituição e adaptação da norma.
Depois desta
rodada com os médicos, o texto voltará para
a Diretoria Colegiada para aprovação. A RN não
será fruto de audiência pública, mas vai
receber propostas e sugestão via Câmara Técnica.