O Ministério da Saúde assinou, nessa quarta-feira
(08), em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, um Termo de Cooperação
para que o Inmetro, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e a Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz) possam, de maneira mais intensa e organizada,
articular ações para certificar os produtos e materiais
produzidos pelo complexo industrial da saúde.
Com o termo,
não apenas os laboratórios oficiais,
mas outros certificados pelo Inmetro estarão aptos a produzir
análises de qualidade para a Anvisa, que obedeçam
a regras e padrões internacionais. Hoje, as análises
realizadas pelos laboratórios oficiais acontecem apenas
quando o produto é importado, com o termo de cooperação,
os produtos também passam a ser analisados depois que
já foram aprovados como um acompanhamento.
Pela cooperação, também está previsto
o estabelecimento de um cronograma para a certificação
de produtos, com base em Normas Técnicas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A gestão
do objeto do Termo de Cooperação ficará a
cargo de um Comitê Gestor composto por dez membros, sendo
dois da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos
(SCTIE) do Ministério da Saúde, que coordenará o
Comitê, dois do MDIC, dois da Anvisa, dois do Inmetro e
dois indicados pela Fiocruz. O documento vigorará por
cinco anos, podendo ser prorrogado por termo aditivo.
O presidente
da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos
de Serviços de Saúde do Estado do Rio de Janeiro
(FEHERJ) e da Confederação Nacional de Saúde
(CNS), Dr. José Carlos Abrahão, aplaudiu a iniciativa. “Essa
assinatura é um grande marco que os Ministérios
realizaram, porque vai possibilitar maior integração
do complexo da saúde, fazendo com que os serviços
de saúde possam superar o momento econômico que
o mundo está passando”, afirmou.
Os ministros
também assinaram uma Portaria Interministerial
com efeitos práticos para garantir o controle, qualidade
e segurança de kits de diagnósticos para exames
e equipamentos de saúde (máquinas de hemodiálise, órteses,
próteses, aparelhos, materiais e instrumentos usados por
profissionais de saúde). A intenção é evitar
a exposição da população a produtos
sem evidência de segurança e eficácia. Dentre
as ações estão previstas a normatização
da ABNT, regulamentação técnica, monitoramento,
análise de produtos e avaliação de conformidade.
Na abertura
da cerimônia, Reinaldo Guimarães disse
que a atuação conjunta dos Ministérios é importante
porque amplia o foco sobre o setor de equipamentos e materiais
para a saúde.
Ele ressaltou
que a participação do Inmetro, ABNT
e Anvisa também agrega maior valor ao trabalho desenvolvido
pela indústria da saúde, uma vez que reconhecem
e exigem um nível de qualidade dos produtos brasileiros
que garante o diferencial dos produtos no mercado.
Para o ministro
do Desenvolvimento, Miguel Jorge, a parceria é de
suma importância, uma vez que a saúde é fundamental
para avançar no processo produtivo. Ele lembrou a reclamação
dos produtores nacionais que têm de enfrentar uma “competição
predatória” com as empresas internacionais, que
não têm qualquer reconhecimento e normatização
de qualidade. A idéia, segundo o ministro, é que
se passe a exigir o mesmo padrão de qualidade dos produtos
importados, reduzindo, assim, os problemas concorrenciais.
O ministro
da Saúde, José Gomes Temporão,
por sua vez, ressaltou a importância do momento, enfatizando
que a integração das agendas dos dois ministérios
não é algo fácil de ser feito, mas que está sendo
realizado e, agora, concretizado, com a assinatura dos atos.
De acordo
com Temporão, os documentos criam um “mecanismo
de avaliação e monitoramento” do setor industrial.
Ele citou a presença do presidente da FEHERJ / CNS, Dr.
José Carlos
Abrahão, na solenidade, ressaltando que a Confederação
tem todo o interesse em que haja materiais e produtos de qualidade.
Temporão disse, ainda, que os profissionais da saúde
esperam poder trabalhar com materiais seguros e que os pacientes
também querem produtos que tenham qualidade e segurança
em seu tratamento.
Para o presidente
da FEHERJ / CNS, a parceria entre os órgãos é fundamental. “Com
a parceria entre os dois Ministérios e os órgãos
acreditadores, a indústria médico-hospitalar vai
desenvolver produtos e equipamentos de qualidade, que vão
produzir melhor atendimento à população”,
argumentou.