O presidente
da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos
de Serviços de Saúde do Estado do Rio de Janeiro
(FEHERJ) e da Confederação Nacional
de Saúde
(CNS), Dr, José Carlos Abrahão, participou, nessa
quarta-feira (24), de uma reunião com o presidente da
Câmara dos Deputados, Michel Temer. No encontro, a CNS,
juntamente com representantes da Federação Brasileira
de Hospitais (FBH), Confederação Nacional das Santas
Casas de Misericórdia (CMB) e Ministério da Saúde,
solicitaram ao presidente da Casa que retirasse o Projeto de
Lei 2295/00, que reduz de 44 horas para 30 horas a carga semanal
de trabalho dos profissionais de enfermagem, da pauta de votação
do Plenário e que o assunto fosse objeto de debate na
Casa.
Também participaram do encontro os representantes da
CNS: Dr. Tercio Egon Kasten, Dr. Yussif Ali Mere Junior, Dr.
Breno Monteiro, Dr. Antonio Magno de Souza, Dr. Dante Montagnana,
Dr. Eunivaldo Diniz Gonçalves, Dr. Castinaldos Barros,
Dr. Mardonio Quintas, Dr. Olympio Távora, Dr. Luis Rodrigo
Schruber, Dr. José Carlos Barbério, Dr. Renato
Merolli e Dr. Humberto Gomes de Melo.
Sem consenso
no setor Saúde, a redução
da jornada de trabalho enfrenta críticas de vários
segmentos. Entre os argumentos está a falta de condições
do setor patronal de arcar com os custos de novas contratações
para suprir os horários ou o aumento dos honorários
dos profissionais de saúde. “Não houve reajuste
para suprir esta questão em qualquer segmento. Nenhum
país no mundo tem uma escala de trabalho como a proposta
no PL 2295/00”, disse o presidente da FEHERJ / CNS, Dr.
José Carlos
Abrahão.
Além disso, conforme argumentou, não há também
segurança para os profissionais que deixam seus locais
de trabalho no segundo turno. “Nós não estamos
falando aqui como empresários, mas como gestores da Saúde.
Questões como a segurança dos profissionais precisam
ser levadas em conta ao se discutir uma questão como esta”,
afirmou.
O Ministério da Saúde, por sua vez, ressaltou
sua preocupação quanto à falta de consenso
em relação à questão. Para a representante
do governo, Maria Helena Machado, o movimento sindical dos trabalhadores é favorável à redução
da jornada, mas os gestores são contrários, incluindo
os Secretários Estaduais e Municipais de Saúde – Conass
e Conasems, também representados durante a reunião. “Nós
levamos a questão para a Mesa Nacional de Negociação
do SUS, mas não conseguimos estabelecer um debate. Além
disso, não são apenas os enfermeiros que estão
pedindo a redução: há, pelo menos outros
15 projetos que tratam da redução da jornada para
outras áreas profissionais”, explicou Maria Helena.
O Ministério da Saúde apresentou, ainda, cálculos
preliminares que apontam para o impacto dessa medida e da implantação
do piso nacional da categoria sobre o sistema público
de saúde, o que representaria um acréscimo de mais
de R$ 23 bilhões anuais, dobrando, ainda, a despesa com
o programa Saúde da Família, que hoje custa R$
2 bilhões. “Não é uma questão
de estar contra ou a favor. Nossa preocupação é como
resolver o problema de forma linear. Mas não há como
transformar o PSF em 30h, porque, ou os postos serão fechados às
13h ou terão de ser contratadas duas equipes de trabalho”,
alegou Maria Helena Machado.
Mobilização
O presidente
da Câmara disse que já tinha sido
alertado por outros setores sobre os problemas que a redução
da jornada traria para a economia. Ele sugeriu às entidades
que procurassem os líderes e mobilizassem os partidos
para que, na próxima reunião de líderes,
o projeto fosse facilmente levado a debate ao invés da
votação. “Eu me comprometo a apresentar o
projeto novamente ao colégio de líderes. Ele [PL
2295/00] está ainda em uma pré-pauta. Mas sugiro
que comecem uma mobilização nos partidos e junto
aos líderes para abrir o diálogo e ter uma hipótese
de conciliação sobre o assunto”, enfatizou.
Michel Temer
propôs, ainda, que as entidades pensassem
em soluções que facilitassem a aceitação
de todos os setores. Uma das sugestões é oferecer
uma redução gradativa da jornada, permitindo, assim,
um tempo para adaptação e preparação
dos segmentos para custear o acordo.
Visita
aos líderes
Ao terminar
a reunião com o presidente da Câmara,
o grupo procurou os líderes do PMDB, Henrique Alves; e
do PP, João Pizzolatti. Durante a conversa, os representantes
entregaram os estudos apresentados pelo Ministério da
Saúde, apontando para o aumento dos custos com a redução
da jornada. Os líderes solicitaram que as entidades apresentem
um documento com suas argumentações para que eles
possam convencer seus pares.