Terminou,
nessa segunda-feira (15), a 98ª Conferência
da OIT. Durante os 15 dias do encontro, que reuniu representantes
de vários países, foram abordadas questões
como a crise econômico-financeira mundial e seu impacto
sobre o emprego, a garantia do mercado de trabalho e questões
de saúde influenciando os postos de trabalho, como HIV/AIDS
e questões de Gênero. Esta foi a primeira vez que
o setor saúde foi representado no encontro da OIT.
Segundo o
consultor jurídico da Confederação
Nacional de Saúde (CNS), Dr. Alexandre Zanetti, ainda
não é possível prever se as propostas que
foram apresentadas durante o evento serão colocadas em
prática, no entanto, o fato de a discussão ter
sido realizada em um fórum como a Organização
Internacional do Trabalho (OIT), com a presença de tantos
países, já é um demonstrativo de que há interesse
em se mudar a situação do emprego em todo o mundo.
O evento,
em Genebra, contou com a presença do presidente
brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que
o mundo está diante da pior retração econômica
das últimas décadas e, por isso, a OIT é “o
local certo” para discutir alternativas e buscar o chamado ‘Pacto
do Emprego’. O presidente estimou que, até o final
do ano, aproximadamente 50 milhões de pessoas podem perder
o emprego. Dessa forma, é preciso defender o os postos
de trabalho de forma prioritária.
O presidente
Lula sustentou, ainda, que o Brasil está preparado
para absorver a crise, pois tem um vasto programa social. Ele
ressaltou que apenas o Bolsa Família atende mais de 11
milhões de pessoas.
Já o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, enfatizou
a importância da delegação brasileira na
OIT e os avanços havidos no âmbito do trabalho,
demonstrando otimismo com os números que trouxe do Brasil
referentes à reação da economia. Lupi afirmou
que há fortes indícios do aumento do número
de carteiras assinadas no País, e salientou que este número
cresce a cada mês, o que representa mais dinheiro girando
na economia, totalizando, ao final do ano, segundo suas previsões,
11 milhões de novos empregos e um crescimento de 2% do
Produto Interno Bruto (PIB).
Vale ressaltar
que os dados oficiais registraram 45 mil novos postos de trabalho
somente no setor de Saúde, nos últimos
12 meses, apontando um crescimento da área de serviços.
Crise
Sobre a discussão da crise econômica mundial, foi
concluído que é preciso que os governos atuem mais
fortemente no setor empregatício, além de promoverem
mais controle da economia e mais regras para o mercado financeiro,
sem que isso seja início de um novo capitalismo, uma vez
que essas recessões são cíclicas.
A OIT divulgou
algumas medidas possíveis de serem alcançadas.
Por exemplo, como garantir que os contratos de aquisição
de bens e serviços sejam mais benéficos para as
empresas que operem com máxima transparência, de
modo competitivo e com respeito às normas de trabalho;
fomentar o diálogo social, como o que está sendo
realizado em Genebra, para garantia da manutenção
dos contratos de trabalho com as garantias mínimas possíveis;
e também prega a necessidade das previdências sociais
atuarem de forma mais abrangentes, para proteção,
assistência social e saúde dos trabalhadores.
Saúde
No debate
de Gênero, a presidente da Comissão,
a Argentina Maria Fernanda, fez menção a um texto
negociado, satisfatório e resultado de um ambiente de
cooperação na comissão tripartite envolvendo
diversos países, empregadores e empregados.
Os temas
que integrarão o documento final dizem respeito à necessidade
de formalização do trabalho, da economia informal,
bem como um trabalho específico da OIT e das empresas
e governos para facilitar a formalização das ações,
o que significaria uma possibilidade mais forte de que tais propostas
sejam cumpridas.
O texto também tratará da necessidade de que o
mundo do trabalho dê mais importância para a Educação
e quanto às condições de cuidados com as
crianças – por exemplo, com escolas em tempo integral
e creches, para que a mulher tenha acesso facilitado e seguro
ao mercado de trabalho, sem essa preocupação.
Já em relação ao HIV/AIDS, a comissão
enfrentou um trabalho mais lento, contudo, marcado por avanços
significativos sob a condução de Patric Obath,
do Kenya, representando os empregadores; e da presidente por
parte dos empregados, T. Nene Sclezi, do Congo. Ao final, ficou
a proposta de se ter uma Recomendação da OIT sobre
o assunto.
Patric Obath
salientou a importância dada a essa Comissão
e a esse assunto por parte dos trabalhadores e membros governamentais,
como questão fundamental para a saúde do empregado,
tendo em vista que muitas doenças oportunistas se aproveitam
da fragilidade do indivíduo soro positivo para se instalar.
Mesmo assim,
conforme disse Dr. Zanetti, ainda existiram discursos insólitos, como o que aconteceu na tribuna da Plenária
em 10/06, em que o representante dos empregadores do Panamá,
durante mais de 40 minutos, discursou contra o uso do preservativo,
destoando do discurso mundial quanto à prevenção.
Para mais
informações, acesse aos clippings especiais
sobre a cobertura da 98ª Conferência da OIT, enviadas
pelo consultor jurídico da CNS, Dr. Alexandre Zanetti,
aqui.