Pela primeira
vez o setor saúde está sendo representado
durante a Conferência Internacional do Trabalho, promovida,
anualmente, pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT). Presente ao evento, que teve início no dia 02 de
junho, o coordenador do Conselho Jurídico da Confederação
Nacional de Saúde (CNS), Dr. Alexandre Zanetti, informou
que o encontro foi iniciado com uma “peculiaridade marcada
pelos acontecimentos econômicos que assolam o mundo”.
Historicamente, a Conferência define seus temas dois anos
de antecedência, contudo, diante dos fortes efeitos da
crise econômica, em meados de novembro a organização
entendeu que deveria ser incluído em pauta o tema, “Enfrentando
a Crise Mundial. A recuperação mediante políticas
de trabalho decente”. O evento também discutirá “HIV/
AIDS no local de trabalho” e a “Igualdade de gênero
com eixo no trabalho decente”.
Sobre o tema
da HIV/ AIDS, segundo informações
do Dr. Zanetti, há entre os governos uma preocupação
muito grande, tendo em vista que a estimativa é de que
40 milhões de trabalhadores com idade entre 15 e 49 anos
estejam infectados com o vírus do HIV. Assim, há um
grande contingente da população economicamente
ativa infectada com o vírus.
Com o avanço da medicina não se pode comentar
a respeito da expectativa de vida para o portador soro positivo,
pois não há mais limite se controlada a presença
do vírus, contudo, a preocupação é quanto
a discriminação chamada horizontal, àquela
que acontece na sociedade entre as companheiros de trabalho amigos
e o meio onde o portador tem suas relações sociais.
No Brasil
já é possível constatar um avanço,
porém, países como a África onde apenas
12% da população tem acesso ao teste e somente
11% tem prevenção à transmissão vertical,
qual seja, àquela transmitida pela mãe ao filho
através da amamentação. “Para se ter
uma idéia, para um combate mais efetivo, seriam necessários
cerca de 42 bilhões de preservativos por ano, mas a produção
mundial é de apenas 15 bilhões, gerando um déficit
anual de 27 bilhões, fazendo com que apenas parte da população
tenha acesso”, explicou o consultor da CNS, em seu relatório.
O Segundo
tema proposto é a discussão do avanço
da OIT na assistência das comissões tripartites,
o destaque dos esforços na aplicação das
resoluções e políticas da OIT e a delimitação
de um plano estratégico por meio das discussões
para os próximos trabalhos, relacionado-os a noção
de direitos humanos, justiça, lógica na eficiência
econômica e prioridade de desenvolvimento, com o intuito
de, assim, evitar desigualdades.
Crise
Em relação à crise econômica, o objetivo
da discussão é buscar a manutenção
do emprego diante de realizações e concessões
possíveis. De acordo com Dr. Zanetti, há indícios
de que haverá um aumento de 10% no desemprego no mundo
e de 50% no número de trabalhadores pobres. Isso se deve
ao aumento de falências, em especial das micros e pequenas
empresas, ao aumento da informalidade e do descumprimento da
legislação trabalhista, afetando, por conseqüência,a
proteção social para a maioria dos trabalhadores
do mundo.
A 98ª Conferência Internacional do Trabalho de 20009,
em Genebra – Suíça, acontece até o
dia 19 de junho de 2009.
Participação da Saúde
De acordo
com Dr. Zanetti, a presença de uma entidade
de saúde brasileira no evento demonstra que o setor está alcançando
reconhecimento internacional e já é contado como área
importante na economia mundial.
Na Conferência
Internacional do Trabalho, os Estados Membros podem enviar
quatro delegados: dois representantes do governo,
um dos trabalhadores e um dos empregadores. Todos com direito
de voto.
A importância dessa Conferência é a contribuição
para uma melhoria das condições de trabalho em
todo o mundo, principalmente, nos Estados Membros, já que
estes firmaram um acordo de seguir a Declaração
da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no
Trabalho e seu Seguimento.
A OIT foi
fundada em 1919, a fim de promover a justiça
social no trabalho em âmbito internacional. No Brasil,
possui um escritório de representação deste
o ano de 1950. Sua atuação pauta-se na Declaração
da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no
Trabalho e seu Seguimento, com o desenvolvimento de programas
sociais, projetos e atividades de informação, pesquisas
e estudos e ações de cooperação técnica,
baseados em quatro princípios: promover os princípios
fundamentais e direitos no trabalho através de um sistema
de supervisão e de aplicação de normas;
promover melhores oportunidades de emprego/renda para mulheres
e homens em condições de livre escolha, de não
discriminação e de dignidade; aumentar a abrangência
e a eficácia da proteção social; e fortalecer
o tripartismo e o diálogo social.