O
presidente da Federação dos Hospitais do
Estado do Rio de Janeiro (FEHERJ) e da Confederação
Nacional de Saúde (CNS), José Carlos
de Souza Abrahão, divulgou no final da tarde
de hoje uma nova avaliação com os números
da dengue nos estabelecimentos particulares.
O
levantamento refere-se ao período compreendido entre 21
e 27 deste mês. Foram ouvidos 40 do total de 100 hospitais
e clínicas privados que oferecem atendimento de emergência
no município do Rio de Janeiro. O estudo revelou que manteve-se
a média de um volume superior em mais de 50% - chegando
inclusive a dobrar em algumas unidades - nos atendimentos de
emergência por conta da dengue. A novidade constatada através
deste último estudo é que, em apenas uma semana,
houve um aumento de 20% do total de pacientes encaminhados para
internação nestes estabelecimentos.
Segundo
o presidente das entidades, José Carlos Abrahão,
esses números levaram muitas unidades a aumentar em cerca
de 30% o seu efetivo, contratando médicos, enfermeiros
e recepcionistas. “Queremos agilizar e melhorar a qualidade
dos atendimentos. O momento de tensão é geral,
tanto por parte dos pacientes e seus familiares, quanto por parte
dos profissionais de saúde. Nossas equipes estão
trabalhando sob altos índices de estresse, desgaste, pressão
e cansaço. Este cenário está, inclusive,
dificultando novas contratações por parte dos hospitais,
pois não é todo mundo que se submete a trabalhar
sob essas condições”, explicou Abrahão.
Reunião
com Ministério e Secretaria Estadual de Saúde:
O
presidente da FEHERJ e CNS, José Carlos
Abrahão, foi convocado pelo ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, a participar, hoje à tarde,
de uma reunião do Comitê Gestor de Crise na SES,
centro do Rio. Estavam presentes também o secretário
estadual de saúde, Sergio Côrtes,
além de diretores da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), de operadoras de planos de saúde e
presidentes de sindicatos e associações que congregam
hospitais privados.
Um
dos assuntos discutidos refere-se a uma possível parceria
da rede hospitalar privada com o governo para internação
em unidades privadas de pacientes encaminhados pela Secretaria
Estadual de Saúde devido à ausência de vagas
na rede pública. “Os hospitais privados desejam,
nesse momento de crise, ajudar também no atendimento destes
pacientes, mas há de se ressaltar que as nossas unidades
também estão trabalhando no limite de sua capacidade,
extremamente sobrecarregadas com pacientes particulares e de
planos. Portanto, não basta querer. É preciso ter
leito disponível para ser cedido”, explicou Abrahão.
Ficou
decidido ainda que o cartão-dengue deverá ser implantado
imediatamente em todos os estabelecimentos de serviços
de saúde, públicos e privados, para fins de controle
epidemiológico e acompanhamento da doença. Também
foi reiterada a obrigatoriedade da notificação
imediata dos possíveis casos de dengue às secretarias
municipais (e estadual) de saúde.
A
reunião de hoje à tarde definiu ainda que, a partir
de segunda-feira (30/3), o Comitê Gestor de Crise do Ministério
da Saúde irá divulgar periodicamente os números
da evolução da dengue, não só na
rede pública, como também na privada, conforme
informou o próprio secretário Sérgio
Côrtes. Para tanto, haverá neste comitê representantes
também dos hospitais privados e das operadoras.
O último
balanço da doença divulgado pelo Ministério
da Saúde, durante a reunião, dá conta de
um total de 43 mil casos confirmados de dengue e 54 óbitos
no Rio de Janeiro.
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