A Federação Baiana de Saúde (FEBASE), o
Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços
de Saúde do Estado da Bahia (SINDHOSBA) e a Associação
de Hospitais e Serviços de Saúde da Bahia (Ahseb)
estiveram reunidas com a bancada dos parlamentares da Bahia,
nessa terça-feira (16), na Câmara dos Deputados.
Durante o encontro, deputados, senadores e instituições
de saúde discutiram a crise financeira que a rede hospitalar
privada e filantrópica no estado da Bahia está enfrentando.
A presidente
da bancada baiana, Lídice da Mata (PSB)
considerou o encontro um sucesso, uma vez que reuniu 35 dos 39
deputados, e os três senadores da Bahia. Ela ressaltou
a importância de unir as forças dos parlamentares
e das entidades de saúde na busca por melhores condições
estruturais. A deputada também enfatizou a necessidade
de uma mobilização dos outros Estados para que
a Saúde brasileira tenha mais recursos.
As entidades
hospitalares baianas apresentaram aos parlamentares três reivindicações primordiais para o setor
saúde: o reajuste da tabela dos convênios com o
SUS e com a Saúde Suplementar; a redução
da carga tributária; e a definição de linhas
de financiamento específicas e adequadas ao setor. De
acordo com o presidente da Ahseb, Marcelo Britto, as propostas
são emergenciais e pediu o apoio dos parlamentares para
conseguir um socorro emergencial para o setor saúde baiano.
Britto foi acompanhado pelo presidente do Sindhosba, Raimundo
Carlos de Souza Correia, à mesa.
Presente à reunião, o presidente da Frente Parlamentar
de Saúde (FPS), deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS),
comemorou o plenário cheio e o mote da discussão.
De acordo com ele, é preciso criar um plano emergencial
para o SUS, com foco na atenção básica e
média complexidade. “Precisamos de um plano de emergência
como foi feito para as montadoras”, disse Perondi, ressaltando
a necessidade de se levar a regulamentação da Emenda
Constitucional 29 de volta à votação na
Câmara dos Deputados e, posteriormente, no senado Federal. “Falta
apenas um destaque supressivo para ser votado na Câmara.
Um destaque que vai decidir se criaremos ou não a Contribuição
Social para a Saúde (CSS). Mas isso não será o
suficiente para resolver o problema da Saúde. Mas o projeto
original do Senado, que prevê o investimento da União
em 10% da receita corrente bruta, essa, sim, é uma proposta
que trará resultados”, afirmou.
O secretário de Saúde da Bahia disse que o Estado
está enfrentando um déficit crônico grande
e cobrou, não apenas um reajuste das tabelas do SUS, mas
também um aumento da remuneração paga pela
Saúde Suplementar. O secretário afirmou, ainda,
que é preciso tirar da Saúde o estigma de que a
Saúde é um “setor que gasta” e é preciso
entender que a Saúde é “um motor econômico
e o maior centro de emprego da economia brasileira”.
Solla informou,
ainda, que o governo da Bahia fez o maior investimento da história do Estado na saúde, no último
ano, abrindo, assim, 1.100 leitos. Contudo, ele afirmou que o
esforço ainda não foi o suficiente para melhorar
a situação da saúde local.
Reforma
Tributária
O relator
da proposta de Reforma Tributária, deputado
Sandro Mabel (PR-GO), recebeu a oportunidade de explicar seu
relatório, afirmando que recebeu do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva a recomendação de não mexer
com a Seguridade Social. De acordo com ele, não há como
fazer com que a reforma aumente a verba da saúde, mas
há como desonerá-la.
Segundo a
explicação, a Reforma vai alargar a
base tributária e diminuir a carga de impostos. Mabel
rechaçou as críticas que estão sendo feitas
ao seu relatório e afirmou que a proposta de reforma cria
um mecanismo para ampliar a base de partilha. Segundo o relator,
com a reforma, a Seguridade passa a ganhar R$ 2,2 bilhões/ano. “Teremos
a redução de até 20% de toda a carga tributária
para quem recebe até cinco salários mínimos.
Apenas com esta medida, será possível impactar
positivamente o PIB”, afirmou.
Mabel disse
que “nunca havia pensado que a Saúde é um
setor empregatício e uma forte mola econômica”.
A esta afirmação, o presidente da Federação
dos Hospitais e Estab. de Serviços de Saúde do
Estado do RJ (FEHERJ) e da Confederação
Nacional de Saúde (CNS), Dr. José Carlos Abrahão,
informou que a entidade está oficiando aos ministros da
Casa Civil, Dilma Roussef; da Saúde, José Gomes
Temporão; e do Trabalho, Carlos Lupi, os dados de emprego
e desemprego da Saúde. Dr. Abrahão ressaltou que
o setor registrou um número positivo de 45 mil postos
de trabalho, nos últimos 12 meses. “Esses números
demonstram a perseverança e a força que o setor
tem”, afirmou.
O deputado
Perondi também falou sobre a necessidade de
se avaliar a votação da reforma tributária. “Nós
queremos a reforma, mas não do jeito que o relatório
está. No texto do deputado Sandro Mabel, a reforma retira
dinheiro da seguridade, sangrando ainda mais o setor”,
disse.
Ao final
da reunião, a bancada decidiu criar um grupo
de trabalho que será responsável por levantar informações
e visitar os parlamentares. A idéia é pressionar
o Congresso para que as reivindicações da Saúde
sejam atendidas. Os parlamentares ressaltaram, ainda, que é preciso
o envolvimento das entidades para reforçar o movimento
em prol da Saúde e agregar outros Estados com o mesmo
objetivo demonstrado pela bancada baiana.