Em
entrevista sobre as medidas do presidente norte americano, Barack
Obama, para melhorar o sistema de saúde dos Estados
Unidos, o presidente da Federação dos Hospitais
e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado
do Rio de Janeiro (FEHERJ) e da Confederação
Nacional de Saúde (CNS), Dr. José Carlos Abrahão,
disse ao Portal Hospitalar que a proposta americana depende de
decisão
política. Para ele, apesar de os Estados Unidos serem referência
na economia mundial e em outros setores, a saúde representa
um “grande Calcanhar de Aquiles”, uma vez que, dos
300 milhões de habitantes, 50 milhões deles não
têm nenhum acesso à Saúde.
“Nós não podemos nos esquecer do paradigma
francês, que afirma que a saúde não tem preço,
mas tem custo. Qualquer que seja a proposta, no entanto, vai
depender de decisão política do país e de
seus governantes. Mas, de fato, se pensarem que o que está em
jogo é o bem-estar de 50 milhões de americanos,
vão chegar à conclusão de que é preciso
tomar uma medida o quanto antes”, afirmou Dr. Abrahão ao Portal Hospitalar.
O anúncio do presidente americano Barack Obama sobre
o projeto que deve reestruturar o programa de saúde dos
Estados Unidos englobou não apenas do aumento de impostos
dos mais ricos, como também a criação de
um fundo de reserva de US$ 634 bilhões. Além disso,
a proposta prevê o corte de gastos do governo com saúde,
por meio da redução dos subsídios para hospitais
e seguradoras, bem como o aumento dos descontos nos medicamentos
vendidos ao governo pela indústria farmacêutica.
A idéia é que as medidas aproximem o sistema de
saúde americano do modelo universal de atendimento, reduzindo
as mensalidades dos planos e relaxando o elo entre emprego e
seguradoras, além de pagar as reformas com a redução
de custos em longo prazo.
O presidente
da FEHERJ / CNS acredita que a declaração
de Obama sobre a universalização deve voltar os
olhos do mundo para o Brasil. “Nesse sentido, o Sistema Único
de Saúde (SUS) é melhor do que o sistema americano,
por ser universal. Nosso sistema atende 190 milhões de
pessoas, contando, ainda, com a saúde suplementar. Por
mais que saibamos que ainda são necessárias mudanças,
em muitos aspectos, ainda assim oferecemos um atendimento básico
para toda a população, incluindo, até mesmo,
os estrangeiros que passam pelo país. Essa capacidade
do SUS faz dele referência para outros países do
mundo”, disse.