A Confederação
Nacional de Saúde (CNS), reuniu-se, nesta quinta-feira
(23), com a candidata à Presidência da República,
Dilma Roussef, para entregar um documento contendo as propostas
do Setor Saúde. Assinado em parceria com a Associação
Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Associação
Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Confederação
das Misericórdias do Brasil (CMB), Federação
Brasileira de Hospitais (FBH), Federação Nacional
de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e União
das Instituições de Autogestão em Saúde
(UNIDAS), o documento entregue à candidata Dilma Roussef
abordou os dados do setor e apresentou 11 propostas ao Setor
Saúde, incluindo o fortalecimento das parcerias público-privadas,
regime tributário próprio para o Setor Saúde,
linhas de financiamento e recursos para o SUS, estímulo à acreditação
dos prestadores e a criação do Sistema S da Saúde.
Acompanhada
pelo deputado Antonio Palocci, a candidata Dilma Roussef, recebeu
os representantes
do Setor Saúde na manhã desta
quinta-feira para debater propostas para a área. Ao final
do encontro, ela se comprometeu a, caso eleita, manter o diálogo
com o Setor e dar atenção aos pleitos da Saúde.
Durante a
reunião, o presidente da FEHERJ / CNS, Dr. José Carlos
Abrahão, falou sobre as propostas definidas no documento
e explicou o interesse dos representantes em apresentar seus
pleitos, a fim de colaborar com a construção das
políticas de Saúde do programa de governo de Dilma
Roussef. Ele ressaltou a importância do encontro e agradeceu à candidata
por ter recebido os representantes do Setor. “Nós
nos sentimos honrados em ser ouvidos. Temos certeza de que temos
muito a contribuir com o governo, caso a candidata venha a ser
eleita”, disse.
Para o presidente
da Anahp, Henrique Salvador, é necessário
estimular a acreditação dos prestadores de serviços
de saúde, com o objetivo de dar mais confiabilidade e
transparência quanto ao tipo de atendimento que a população
está recebendo. Ele também apontou o investimento
em ensino e pesquisa como um grande serviço à população,
já que dissemina uma informação correta
e bem estudada.
“O
presidente da FEHERJ / CNS, Dr. José Carlos, foi muito
feliz em sua apresentação e na iniciativa de ter
convidado todos os representantes do setor para construir este
trabalho. O que esperamos é que, a partir disso, possamos
ajudar o próximo governo na construção de
suas políticas de Saúde”, comentou.
No âmbito dos planos de saúde, o presidente da
FenaSaúde, Dr. Marcio Coriolano, explicou à candidata
que o mercado de pequenas e médias empresas tem crescido
bastante, acrescentando com isso, também, o número
de empregos. Ele informou que, segundo dados da Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o mercado de planos
de Saúde tem uma demanda crescente de 5% ao ano, o que
não parece muito, mas, no segmento odontológico,
este índice tem chegado a 22%, o que demonstra a atenção
a um braço da Saúde integral que o SUS não
estava conseguindo atender. Ele enfatizou, ainda, que há um
público disponível nas empresas que tem sido alcançado
pelos planos coletivos, que já representam, hoje, 70%
do mercado suplementar e é responsável por grande
parte dos investimentos no Setor.
O superintendente
da CMB, Dr. José Luis Spigolon, afirmou
que um dos problemas para o Setor Filantrópico é o
subfinanciamento. “Muitas vezes, a Santa Casa é o único
serviço de Saúde disponível em alguns municípios.
No entanto, para cumprir nossa missão de ser parceiro
do SUS, o Setor arca com um déficit financeiro pesado”,
explicou. De acordo com ele, de cada R$ 100 gastos no atendimento
ao SUS, os hospitais filantrópicos recebem apenas R$ 65. “O
setor Filantrópico tem o menor custo do mercado, até porque
contamos com muitos voluntários, o que diminui o gasto.
Além disso, o SUS não tem capacidade instalada
para substituir esta rede de assistência”, ressaltou.
No encerramento,
Dr. José Carlos reforçou a questão
da carga tributária que o Setor Saúde enfrenta,
lembrando que o próprio governo arca com impostos do Setor.
O presidente da FEHERJ / CNS aproveitou a oportunidade para entregar à candidata
e ao deputado Palocci um exemplar do livro “Radiografia
da Tributação do Setor Saúde”, que
traz o resultado do levantamento encomendado pela Confederação,
apontando os resultados da alta arrecadação proveniente
do Setor. Ele destacou, ainda, a importância da criação
do Sistema S da Saúde, para a capacitação
e qualificação dos profissionais da Saúde.
Dilma Roussef
disse ter entendido que o Setor enfrenta uma questão
séria de subfinanciamento e que, para solucionar este
problema, é preciso uma gestão estratégica.
Para tanto, ela disse que conta com a parceria do Setor para
desenhar um novo padrão de gestão para o SUS, trabalhando
para articular os segmentos público e privado na Saúde.
Ela reconheceu
a importância do papel do Setor Privado
e se comprometeu a, caso seja eleita, manter um processo de diálogo
com o Setor. “Durante o governo Lula, demos grandes passos
em relação à educação, mas
isto não aconteceu na Saúde. Acho que temos de
encontrar um caminho em conjunto. Precisamos definir um diagnóstico
e uma proposta de solução para os problemas da
Saúde. Mas nada disso vai poder ser feito sem vocês.
Precisamos saber o que está errado e por que está errado.
Quero o máximo da avaliação e da honestidade
de vocês para podermos trabalhar com transparência
e eficiência”, concluiu.
Também participaram do encontro os presidentes da FENAESS,
Dr. Humberto Gomes de Melo; da FEHOESP, Dr. Dante Montagnana;
da FEBASE, Dr. Marcelo Moncorvo Brito; do Sindicato dos Hospitais
do Maranhão e diretor da CNS, Dr. Antonio Magno Borba;
o vice-presidente da FEBASE, Ricardo Pereira Costa; o diretor
Administrativo do Hospital Mater Dei, José Henrique Dias;
o diretor do Hospital Albert Einstein, Henrique Neves; e o superintendente
da FBH, Luiz Fernando Correa.
A CNS também procurou o candidato à presidência,
José Serra, para entregar o documento, mas ainda não
obteve resposta de quando será possível realizar
o encontro.