A Câmara dos Deputados realiza, nesta terça-feira
(11/08), uma Comissão Geral para discutir os riscos e
as formas de prevenção da influenza A (H1N1). O
ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
abriu o debate reafirmando que o pânico criado em torno
da nova gripe não é benéfico para o País
e ressaltou que o Ministério está agindo de acordo
com as orientações da Organização
Mundial da Saúde (OMS).
Temporão ressaltou que com o vírus já circulando
em território nacional, o atendimento médico-hospitalar
tem recebido atenção do Ministério. Segundo
os dados apresentados pelo ministro, o Brasil registrou 192 mortes
em decorrência da nova gripe, sendo a taxa de mortalidade
de 0,09, menor que a taxa de 0,14 dos Estados Unidos. A taxa é elaborada
levando-se em conta o número de mortes por 100 mil habitantes.
Temporão criticou a elaboração de rankings
que posicionariam o País em relação a outros
países no número de mortos. "Essa é uma
análise bastante frágil. O número de óbitos
deve ser considerado em relação à população",
disse.
Desconhecimento
O ministro
afirmou, ainda, que há pouca informação
sobre a doença. De acordo com Temporão, os especialistas
ainda não têm respostas para muitas das perguntas
em relação à doença. O que se está fazendo,
segundo ele, é a capacitação das autoridades
sanitárias. “No último dia 03 de agosto,
realizamos uma reunião com os maiores especialistas da área
e hoje temos um novos protocolo baseado em evidências científicas.
Se tivermos a percepção de que é necessário
mudar novamente o protocolo, essas modificações
também serão feitas sob evidências”,
explicou o ministro.
José Gomes Temporão lembrou ainda que 43% dos
pacientes com síndrome respiratória aguda grave
causada pelo vírus H1N1 apresentam pelo menos um fator
de risco. Entre os pacientes com gripe comum, 39% apresentam
pelo menos um fator de risco envolvido.
Encaixam-se
no grupo de risco, principalmente, portadores de doenças respiratórias, gestantes, crianças
menores de cinco anos, pacientes imunodeprimidos e cardiopatas.
Oferta do tratamento
O ministro
também respondeu a críticas relacionadas à disponibilização
do tratamento no País. Segundo ele, até o momento,
o Ministério da Saúde entregou aos estados 392.621
kits de tratamento completo. No mesmo período, o Sistema Único
de Saúde (SUS) identificou 28 mil casos de todos os tipos
de gripe. "É possível atender com folga a
demanda."
Até o fim de agosto, o ministério receberá mais
800 mil tratamentos, que estão sendo imediatamente entregues
a estados e municípios. "O medicamento é gratuito
para todas as pessoas que necessitam", disse.
"Avalio como irresponsável a banalização
do uso do medicamento", afirmou ainda o ministro. Ele lembrou
que o vírus pode apresentar resistência ao medicamento
e que é possível comprar remédios sem receita
médica no Brasil. Temporão explicou por que o Brasil
não está usando o outro medicamento, além
do Tamiflu, de combate ao H1N1 - o zanamivir, de nome comercial
Relenza. Na época em que os medicamentos foram comprados,
o zanamivir não tinha registro no País e agora
está sendo guardado de forma estratégica, caso
o Tamiflu deixe de ser eficaz. Além disso, o zanamivir é menos
prático, pois deve ser aspirado oralmente.
Segundo o
ministro, também deixou de fazer sentido o
exame de diagnóstico da gripe causada pelo H1N1. "Há dois
vírus circulando, os sintomas são semelhantes e
o tratamento é o mesmo."
Vacina
José Gomes Temporão informou que o Instituto Butantan
produzirá a vacina no Brasil. Para complementar, o País
comprará doses de laboratório, uma vez que a produção
não será suficiente para atender a demanda.
O presidente
do Instituto Butantã, Isaías Raw,
disse que a solução para a gripe, a longo prazo, é a
vacina e não o tratamento depois que a doença já foi
contraída. De acordo com ele, o Brasil já recebeu
a cepa para produzir a vacina no Brasil, o que deve começar
a acontecer em outubro.
No entanto
o procvesso para fabricação da vacina
deve levar cinco anos, uma vez que é necessário
comprar equipamentos, construir prédios e treinar equipe.
De acordo
com ele, o Instituto Butantã é o único
laboratório em toda a América Latina que irá produzir
a vacina, o que irá pressionar a entidade. A expectativa é que
sejam produzidos dois mil lotes, em princípio. No entanto,
Raw ressaltou que há duas possibilidades do ciclo da gripe:
ou ela pode piorar no próximo ciclo; ou ela pode desaparecer,
como foi a gripe aviária. “Mas não há como
prever o que acontecerá. É como jogar na loteria”,
afirmou.
A comissão geral ocorre no Plenário da Câmara.
(Com informações da Agência Câmara)