Prezados Senhores,
Esta edição da Hospitalar é muito especial.
Marca os 15 anos de um evento setorial, que se tornou uma referência
no país e no mundo e que muito vem contribuindo para o
desenvolvimento da saúde no Brasil. Através da
integração de todos os atores da cadeia produtiva
do setor, a Hospitalar transformou-se em um grande fórum
mundial de debates e proposições para a área.
Este ano
marca também os 20 anos de criação
do Sistema Único de Saúde, cujos princípios
de universalidade, equidade e integralidade estão firmados
constitucionalmente. O SUS é um exemplo de pacto federativo
entre União, Estados e Municípios, que já se
consolidou como um dos modelos de saúde mais avançados
no mundo, sendo realmente único e sem similares quando
comparado aos sistemas de outros países. Nos Estados Unidos,
por exemplo, que passa por mais um processo eleitoral, um dos
pontos mais discutidos pelos candidatos à Presidência
refere-se justamente ao seu sistema de saúde, que atualmente
não consegue propiciar nenhum tipo de assistência
a mais de 40 milhões de americanos.
2008 marca
ainda os dez anos de regulamentação
do setor suplementar no Brasil. Antes da edição
da Lei 9.656, não havia quaisquer regras que norteassem
este setor no país. A Agência Nacional de Saúde
tem sido responsável por uma maior organização
da área suplementar e pela implantação de
processos que têm agilizado o relacionamento entre prestadores
de serviços e operadoras, viabilizando uma melhor qualidade
no atendimento de seus usuários.
Além disso, encontra-se em tramitação no
Congresso Nacional a proposta de regulamentação
da Emenda Constitucional 29, que definirá um maior financiamento
para a saúde, financiamento este que – ressaltemos
aqui – não é um problema exclusivo do Brasil,
mas de várias outras nações que também
enfrentam a deficiência de recursos para melhor gerir seus
sistemas de saúde.
No final
do ano passado, tivemos o lançamento pelo Ministério
do PAC da Saúde. O Mais Saúde é uma iniciativa
do Governo Federal em prol de um maior desenvolvimento para esta área.
Independente disso, o Brasil já é considerado,
há alguns anos, referência mundial em vários
programas de assistência à saúde, como o
de prevenção a Aids, o anti-tabagismo e os de imunizações,
destacando-se ainda, com louvor, nos transplantes de órgãos
e nas pesquisas científicas com células-tronco,
onde cabe lembrar a recente grande vitória obtida no STF.
Cabe pontuar
aqui o avanço no país, nos últimos
anos, dos programas de qualificação e acreditação,
que impactam também a qualidade da assistência prestada à população.
Como se vê, temos um setor cada vez mais em pauta no país.
Paralelamente a tudo isso, vivenciamos uma situação
de estabilidade política e econômica e um cenário
de crescimento, que favorecem o incremento de vários setores
da economia, entre os quais o segmento da saúde.
Hoje, este
setor emprega nada menos do que 2,5 milhões
de trabalhadores diretamente e gera outros 5 milhões de
empregos indiretos, equivalendo a 8% do PIB, apresentando-se
como um importante pilar para o desenvolvimento do país
como um todo.
Portanto,
reunimos hoje no Brasil pré-requisitos para
avançarmos mais e galgarmos novas e importantes conquistas.
Entre eles, a maior vontade política demonstrada por este
governo - a presença do Presidente da República
neste evento pela primeira vez em 15 anos evidencia isso -; a
maior coesão e diálogo existentes hoje e a cooperação
mútua entre prestadores, operadoras, entidades da sociedade
civil e indústria fornecedora de equipamentos, medicamentos
e insumos, incluindo-se aí também a participação
do governo.
A gestão do ministro José Gomes Temporão,
um profundo conhecer do sistema de saúde do Brasil, tem
se caracterizado pela disponibilidade ao debate amplo e democrático,
possibilitando uma maior visibilidade para um setor de vital
importância para o país.
Temos sim
ainda várias dificuldades por enfrentar, como
a melhoria da gestão, a escassez de recursos e a carga
tributária incidente sobre o setor, mas comparativamente
ao que era o nosso sistema há 10 ou 20 anos, as mudanças
são nítidas, consistentes e inquestionáveis.
Portanto,
vivemos um momento positivo para a saúde e
até mesmo inimaginável poucos anos atrás.
Não estamos pregando aqui que habitamos uma ilha de prosperidade,
mas quem tem acompanhado e participado desta evolução
sabe do que estamos falando. Esta profunda reestruturação
da saúde nacional confirma que estamos seguindo pelo caminho
certo e só nos motiva a persistir na luta por melhorias
para um setor que ainda tem muito por desbravar.
Então, 2008 é um ano para fazermos um grande balanço
das conquistas já obtidas e para celebrarmos datas importantes,
mas, sobretudo, é um ano para desenharmos conjuntamente
o futuro da saúde no Brasil.
Por fim,
lembramos que a escolha do Brasil para sediar em 2009, pela
primeira
vez na América Latina, o Congresso Mundial
da Federação Internacional de Hospitais é uma
conquista que vem coroar a saúde no país. Reiteramos
neste momento o convite ao Sr. Ministro de Estado da Saúde,
José Gomes Temporão, a ser o presidente honorário
do evento. Aproveitamos esta ocasião para convidar o Exmo.
Sr. Presidente da República a ser o patrono do Congresso.
Somente através de uma maior união, de um olhar
mais amplo e abrangente e do engajamento de todos os participantes
do complexo produtivo da saúde, poderemos construir uma
agenda positiva e propiciar um futuro cada dia melhor para a
saúde da população brasileira.
Muito obrigado!
José Carlos de Souza Abrahão
Presidente da Confederação Nacional de Saúde
Assessoria
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